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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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Academic year: 2023

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Mestra Cristina - Se não fosse a sereia a cantar, tubarão me comia lá no

Infância, o corpo, as relações familiares

Ele nasceu em Bonsucesso – talvez tenha sido em Ramos, agora não me lembro exatamente10 – morou em Lins, São Francisco Xavier, Riachuelo, Pavuna, Laranjeiras, Santa Teresa e Vila Isabel. Quando você lembra das brincadeiras da infância, vêm à tona algumas não muito legais, aquelas que deixam um nó na garganta.

Adolescência, trabalho e a descoberta de si

A oportunidade de trabalhar no acampamento de verão da Fundação Oswaldo Cruz, recomendado por uma amiga de infância, abriu as portas para Cristina ser contratada na creche, que abriu algum tempo depois.

Juventude, a capoeira e a maternidade

Minha mãe discutiu, dizendo que morava longe, que não daria tempo de ir e voltar, mas não tinha jeito. Ela disse que não tem espaço para encher o leito, que o hospital está lotado e vai demorar muito.

Em busca da espiritualidade

Então eu fiz um bori12 e ela não me cobrou nada – ela sempre foi muito cara. Eu falei: “Se tiver festa eu posso ir ajudar no que for preciso, mobiliar o quarto, a cozinha...”.

O lugar da capoeira

Quando eu estava grávida, as pessoas pensavam que eu estava grávida dele, dos filhos da época. Ele falou: 'Todo mundo quer conhecer o capataz Cristina', e eu: 'Hã?', e ele: 'Bom, resolvi te reconhecer'.

Autonomia na caminhada da capoeira

Ainda não sabia exatamente o que iria fazer, mas não gostaria de ter outra referência de Mestrado. Aí começamos a conversar, aí eu contei para as pessoas que estava pensando mesmo em formar uma banda.

O feminismo e a articulação de mulheres

Sou alguém que faz muitas coisas na vida. Porque eu não tenho muito dinheiro isso me limita um pouco porque se eu tivesse eu ficaria maluco, faria qualquer coisa. risos) – Aí minha vida começou a se abrir: a capoeira, o trabalho, e na Maré, como coordenador, que já era um lugar diferente, inclusive o horário de trabalho, começaram a se multiplicar coisas diferentes, altos e baixos diferentes, meu filho virou adolescente , Como tive diversas crises, minha mãe, que ficou cega, foi morar comigo. E aí a gente começou a discordar bastante, e ele alegou que os alunos do Núcleo não iam muito lá na Maré e eu falei: 'acho importante também, mas não posso forçar as pessoas'.

O reconhecimento de Mestra e a aceitação

Teve um mestre que fez um discurso muito desonesto, porque falava o tempo todo como se não fosse eu, mas estava falando de mim. Nem preciso dizer quem é o Mestre Janja na Capoeira Angola ou o que é o Grupo Nzinga.

Figura 2 – Camisa de Cristina riscada a letra ‘C’,  no  dia  da  oficialização  pública  de  Mestra  em  Brasília
Figura 2 – Camisa de Cristina riscada a letra ‘C’, no dia da oficialização pública de Mestra em Brasília

O equilíbrio da vida: a capoeira e o terreiro

Hoje me coloco em uma situação privilegiada no sentido de fazer as coisas que gosto, ter tempo livre, não trabalhar 40 horas semanais, que é a realidade da grande maioria das pessoas. Pode ser que amanhã as coisas mudem, até dentro de mim, na minha cabeça.

A lesão no joelho

Acho que fiquei uns seis meses sem conseguir me movimentar, sem conseguir andar muito, usando muletas. Tenho certeza que não desisti por causa dos alunos que me ajudaram muito e pelo apoio de mulheres como Janja.

O racismo e a nova geração de angoleira negras

Há momentos em que estou mais forte, outros em que não tenho tanta certeza. Dentro do meu grupo, uma vez fui invisível por uma mulher branca porque ela tinha o poder das câmeras.

Mestra Elma - Areia fina sacode a poeira, vem ver Janaína, rainha do mar

  • Infância, o corpo e as relações familiares
  • Mudança para a capital São Luís
  • Adolescência, trabalho e descobertas de si
  • Reorganização familiar
  • A cultura popular, a capoeira e a nova família
  • A construção da mulher capoeirista
  • A cena angoleira de Porto Alegre
  • Solta a Mandinga: a formação do primeiro grupo
  • A fundação do nZambi, o fórum e o núcleo de Brasília
  • O reconhecimento de Mestra e a aceitação
  • O sonho do barracão próprio em Florianópolis

Mas eu não aprendi capoeira, aprendi com o Mestre, né. Tem um grupo de mulheres feministas que não sei como chegaram até ela, mas pediram para ela dar aula.

Figura 4 –  Elma conduz o treino na Praia do  Saquinho, em Florianópolis, durante o evento  Ecologia e Vadiação, em março de 2018
Figura 4 – Elma conduz o treino na Praia do Saquinho, em Florianópolis, durante o evento Ecologia e Vadiação, em março de 2018

De qual Comunicação estamos falando?

Os cursos de comunicação surgiram em meados do século XX, imersos no debate crítico sobre os modelos de ensino superior do país. É assim possível compreender a constituição conceptual da comunicação a partir desta estrutura de colonialidade e de relações de poder. Neste sentido, pensar as ciências da comunicação – conceito, conteúdo, forma, métodos, objetos, instituições – numa perspectiva feminista e decolonial revela-se necessário e urgente para uma redefinição do campo teórico e epistemológico e aponta para um caminho possível para a redefinição da ciências da comunicação. outra comunicação.

A formação da cultura afro-brasileira sob a violência da escravidão

Nesse sentido, para fundamentar a afirmação da capoeira como prática descolonizadora, que produz uma comunicação corporal que valoriza o sentimento, a ação e o pensamento de forma integrada, contextualizarei brevemente a cultura e a prática afro-brasileira no Brasil, especificamente a Capoeira Angola . Na sociedade brasileira da época, muitos ex-escravos tornaram-se proprietários de fazendas pertencentes a escravizados, reproduzindo o sistema colonial de exploração do trabalho escravo. Nesse sentido, a capoeira como prática negra tornou-se um símbolo desses valores, da resistência à opressão e da luta por direitos.

Capoeira: a mandinga da sobrevivência

BARBOSA, 2016, pág. 45) Assim, apresento elementos para compreender a capoeira como caminho para a descolonialidade do corpo. Assim, em 1936, Getúlio Vargas revogou o Decreto que criminalizava a prática, iniciando um processo de reconhecimento da capoeira como esporte nacional. Nesse sentido, o discurso de afirmação da cultura negra associado à retomada da Capoeira Angola contribuiu para a visibilidade internacional e crescente introdução da modalidade em outros países.

Figura 5 – Capoeira.
Figura 5 – Capoeira.

A construção social do corpo

Redesenhando a construção social do corpo na cultura ocidental, o terceiro capítulo debate os desenvolvimentos conceituais da ginga feminista. A compreensão do corpo como “casa da alma” vem perdendo espaço no pensamento ocidental devido às críticas ao dualismo, uma visão dividida do ser humano. Nesse sentido, a compreensão do corpo na comunicação permeia a ideia de si da mídia, produzindo conhecimento por meio do movimento.

Articulação cruzada no corpo angoleiro

Se compreendermos o corpo como construção social do sujeito ativo e produtor de sentido, entendemos que a discussão sociológica está entrelaçada com a comunicação do corpo, contribuindo para a Comunicação como campo de conhecimento. Quando essa compreensão é aplicada à capoeira, prática afro-brasileira, evocam-se correntes de pensamento que discutem o corpo como percepção do próprio mundo, sob outros fundamentos epistemológicos. O autor chama a atenção para a necessidade de deslocarmos o olhar para as mediações, para os espaços de articulação.

Ginga: uma epistemologia feminista

Estas questões nos levam a considerar o poder da ginga feminista na transformação das práticas opressivas na Capoeira Angola, especialmente aquelas dirigidas às mulheres e ainda mais às mulheres negras. Nesse sentido, a ginga feminista herda esse espaço dominante de troca e criação, que não só deixará um rastro de interpretação, mas transformará a própria compreensão da Capoeira Angola. O universo semântico evocado pela palavra ginga, personificada em uma mulher, uma guerreira, uma líder, detentora de poder, abre caminho para pensar a ginga feminista como instrumento de libertação dos vínculos que são impostos socialmente às mulheres dentro da capoeira : “O corpo que se conforma é o mesmo da pessoa que ataca no momento seguinte” (FONSECA, 2017, p. 133).

Comunicação do corpo, afetos e emoções

O vínculo afetivo estabelecido no processo de entrega, encantamento e aprofundamento na prática traz ao campo de vivência questões complexas que vão além do aprendizado específico dos movimentos da Capoeira Angola. A partir dos saberes processados ​​nos corpos, utilizo a epistemologia da ginga (ARAÚJO, 2017) para tecer as reflexões que este trabalho suscita. Referindo-se a Certeau, Barbosa afirma que o gesto, transformado pela prática, altera a retórica do espaço: “As ruas são diretrizes para uma escrita feita através do gesto” (BARBOSA, 2016, p. 41).

A decolonialidade do corpo a partir da ginga feminista

A realização de atos de decolonialidade do corpo pressupõe uma compreensão de como tais normas sociais civilizacionais foram incorporadas e internalizadas em nome do “desenvolvimento”. A decolonialidade do corpo implica a quebra desses padrões, a reconstituição de subjetividades a partir de práticas coletivas de maestria. Ao silenciar o privilégio racial do corpo branco, continuamos a identificar apenas o “outro” como alvo do racismo.

A mulher angoleira

Tudo isto contribuiu para a constituição da mulher que marcou a “terceira geração” do movimento feminista e fundou a constituição identitária do ser angolano, a partir da década de 90, juntamente com o renascimento da Capoeira Angola em El Salvador, a partir do início do século XX. anos 80, como veremos mais adiante. Em sua atividade política – como intelectual e ativista – Gonzalez deu uma poderosa contribuição para a constituição das mulheres na década de 1980, trazendo a perspectiva das mulheres negras de forma visceral. Nesse sentido, a perspectiva também dialoga com a existência da mulher, que nesta tese é entendida como uma identidade que engloba corpos diversos, heterodissidentes, criativos e libertários (SILVA;.

Pensando a racialização do corpo

A história retratada por Angela Davis contribui para a compreensão da realidade da mulher negra nos tempos modernos. Mesmo sendo um local de cultura negra, ainda há poucas meninas e mulheres negras que praticam [capoeira]. As mulheres negras e brancas muitas vezes são privadas de desenvolver esse aspecto no aprendizado da capoeira.

Angoleiras pelo mundo afora

Tudo isso aconteceu na transição das décadas de 70 para 80, época de reestruturação da Capoeira Angola no Brasil. O forte de Santo Antônio além do Carmo, em Salvador, abrigou a escola de Pastinha, o Centro Esportivo de Capoeira Angola (CECA), coordenado por Mestre João Pequeno; e a escola de Mestre Moraes, Grupo de Capoeira Angola Pelourinho (GCAP). Gegê, aluno da Fundação Internacional Capoeira Angola - FICA, iniciou a capoeira em Washington, EUA com Mestre Cobra Mansa82.

A fundação de um grupo feminista: árvore de raiz profunda

A criação do grupo Nzinga estabeleceu um caminho alternativo para as aspirações políticas de pessoas que acreditavam em outras formas de aprender capoeira e lutar contra o racismo e o sexismo. O endosso feminista e antirracista do grupo foi consolidado principalmente pelo trabalho de Janja e Paulinha, que logo ganharam reconhecimento comunitário85 como Mestres de Capoeira Angola após se estabelecerem em Nzinga. 84 Nomenclatura utilizada dentro do grupo Nzinga para designar a primeira fase de reconhecimento das mulheres que passam a coordenar o trabalho e a realizar a aprendizagem na Capoeira Angola.

Gráfico 1 – Representação jurídica e nome social.
Gráfico 1 – Representação jurídica e nome social.

Chamada de Mulher: ramificando a árvore do saber

O cartaz foi desenvolvido por Tiago Ribeiro, aluno do Grupo Nzinga Salvador e oito anos depois adaptado para uso na VII Chamada de Mulher, que aconteceu em São Paulo. Menina, quem foi sua professora?" Foi o primeiro evento do grupo a priorizar as questões de gênero na capoeira e alcançar outros grupos da sociedade angolana. A matéria publicada na época, no Portal da Capoeira, destacou a presença de mulheres de diversas cidades , além dos campeões do Grupo Nzinga, que organizaram o evento.

Figura 6 – Arte e cartaz produzidos para a realização  do evento
Figura 6 – Arte e cartaz produzidos para a realização do evento

Parte #02 – o crescimento

A “Chamada de Mulher II” reuniu ex-nzingueiros que naquela época não faziam mais parte do grupo e integrou as crianças no aprendizado diário de produção e realização do evento como registro das atividades. 103 Os filhos são filhos dos integrantes do grupo: Clara, filha de Dália Rosental, e Ébano, filho de Mariana Moreira. A imagem retrata o cuidado com a aprendizagem das crianças no que diz respeito ao compartilhamento de conhecimentos entre os membros do grupo.

Figura 14 – Arte e cartaz com a programação do Chamada de Mulher II.
Figura 14 – Arte e cartaz com a programação do Chamada de Mulher II.

Parte #03 – a consolidação

Estes exemplos de problemas e conflitos sofridos pelas mulheres Nzinga não criaram obstáculos à realização da “Chamada de Mulher IV”. Na quinta edição, a estrutura do “Fees Latinidades” apoiou muito a projeção de “Chamada de Mulher V”. A arte de "Chamada de Mulher V" foi um presente da artista Carolina Cunha, mesma que produziu a arte da segunda edição.

Figura 21 – Roda de conversa com e Carmen Faustino, do Coletivo Mjiba.
Figura 21 – Roda de conversa com e Carmen Faustino, do Coletivo Mjiba.

Parte #04 – a expansão

Na Chamada de Mulher VII, cinco novas estagiárias foram reconhecidas publicamente como líderes da comunidade. A designer Maré Mariana ajudou a customizar a arte do filme “Garota, quem era sua professora?” para a sétima edição da Chamada de Mulher. A nona edição da “Chamada de Mulher” aconteceu de 20 a 25 de novembro de 2019 em Buenos Aires, Argentina.

Figura 29 – Cartaz e programação do Chamada de Mulher VII
Figura 29 – Cartaz e programação do Chamada de Mulher VII

Aceitação e reconhecimento

A Capoeira Angola apresentou a Janja valores que contradiziam completamente a lógica estabelecida no ambiente em que ela estava inserida. Nas histórias dos Mestres em diálogo nesta obra há relatos de grandes dificuldades para ocupar esse cargo de liderança na Capoeira Angola. Enquanto o movimento do corpo produz conhecimento, a Capoeira Angola assimila práticas de ativismo feminista baseadas nas ideias das comunidades femininas de resistência, liberdade e sustentabilidade.

Feminismo angoleiro: mapeamento e ações práticas

Além do trabalho externo, muitas vezes as mulheres realizam sozinhas as tarefas domésticas, o que prejudica a participação nos espaços de capoeira. Também vivi minhas experiências que provocaram deslocamentos e ressignificaram minha relação com a capoeira e amadureci o processo de criação desta lista feita sobre os principais motivos que impedem as mulheres de permanecerem ou afastam as mulheres da capoeira. A identificação da realidade mapeada a partir de inúmeros relatos e depoimentos de violência vivenciada na capoeira – incluindo casos extremos de estupro e assassinato137 – aconteceu graças ao amadurecimento da organização feminina na Capoeira Angola e aos resultados recentes de políticas públicas como a Lei Maria da Penha .

O feminismo angoleiro, a comunidade e as violências veladas

O feminismo angoleiro e a produção musical

Da articulação digital aos desdobramentos práticos

Recriando o imaginário social e midiático da capoeira

O coletivo Angoleiras Pretas

Costurando a comunicação angoleira

Imagem

Figura 1 - Cristina Nascimento Dias dos  Santos. Mestra Cristina fundou o Grupo  Mocambo de Aruanda, em 2010
Figura 2 – Camisa de Cristina riscada a letra ‘C’,  no  dia  da  oficialização  pública  de  Mestra  em  Brasília
Figura 4 –  Elma conduz o treino na Praia do  Saquinho, em Florianópolis, durante o evento  Ecologia e Vadiação, em março de 2018
Figura 5 – Capoeira.
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Referências

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