Portanto, na pesquisa que apresentamos, discutimos primeiramente a relação entre a redução da maioridade penal e o aumento do tempo de permanência. O terceiro capítulo apresenta o mapeamento de diversas reportagens da mídia sobre redução da maioridade penal e aumento do tempo de permanência no período de janeiro a novembro de 2015.
Redução da Maioridade Penal
Diante disso, entendemos que o clamor pela redução da maioridade penal não seria um fator isolado na construção de um Estado penal em nossa sociedade. Portanto, ao propor a redução da maioridade penal, é preciso levar em conta que isso implicará colocar mais pessoas no sistema prisional, que, como podemos perceber pelos argumentos acima mencionados, é mais útil para depor e punir pessoas . do que para uma possível ressocialização etc.
Das medidas socioeducativas
Isso pode nos revelar um quadro de qual público é atualmente afetado pelo sistema socioeducativo e provavelmente continuará a ser prejudicado pela possibilidade de aumento do tempo máximo de permanência. Esta publicação publicou dados de 88,5% das unidades de detenção e semiliberdade do país, obtidos por meio de fiscalizações realizadas por promotores (BRASIL, 2013).
Dos Discursos que embasam o modus operandi da punição
Os autores afirmam que com base neste teste sobre algumas “práticas educativas” (SAMPAIO; GOMIDE, 2007, p.17) dos pais para com os filhos, a possibilidade de desenvolverem “comportamentos antissociais” (SAMPAIO; GOMIDE, 2007, p.17) a partir destes. Segundo o texto, em pesquisa anterior a este estudo, Gomide (2006) selecionou sete práticas educativas utilizadas pelos pais com base em seu modelo teórico, sendo cinco delas relacionadas ao “desenvolvimento de comportamentos antissociais” (SAMPAIO; GOMIDE, 2007, p. .17) e dois deles relacionados a.
Escritos sobre a redução da maioridade penal
Assim, o relatório conclui enfatizando, entre outras coisas, que o investimento do Estado em políticas de acesso a direitos reduz a vulnerabilidade social vivida por crianças e adolescentes; que o Brasil deve continuar a investir e melhorar os programas de serviços socioeducativos existentes; que os adolescentes devem receber um tratamento que favoreça “a reintegração, a cidadania e o exercício de um papel construtivo na sociedade” (ONU, 2015, p.11); que espera que o Brasil continue na liderança na busca por “respostas que garantam os direitos humanos e ampliem a proteção social e o sistema de segurança civil para todos”. (ONU, 2015, p.12). A primeira está dividida em 18 “motivos”, inspirados no movimento 18 motivos para não elevação da maioridade penal.9 e a segunda está dividida em oito questões. 2015, pág. 2); ou “no Brasil, os jovens já são responsabilizados pelos seus delitos a partir dos 12 anos” (TERRA et al., 2015, p.7); ou ainda “o mundo inteiro já percebeu que não é correto tratar da mesma forma crianças, adolescentes e adultos, em relação às ações contra a lei” (TERRA et al., 2015, p. 9) refletem os argumentos de usado nos três documentos.
As duas cartilhas utilizam os mesmos dados estatísticos, divulgados pelo UNICEF, órgão da ONU, que mostram que “dos 54 países analisados pelo UNICEF, 78% fixaram a maioridade penal em 18 anos ou mais” (TERRA et al., 2015 ). , pág. 9). Portanto, vemos que as publicações analisadas podem refletir um pouco o que os movimentos contra a redução da maioridade penal pensam sobre este tema.
Aumento do tempo de internação dos adolescentes
No entanto, afirmou que em alguns casos pode ser necessária uma prorrogação do internamento. Além disso, podemos ver discursos protetores sendo usados como justificativa mesmo quando se fala em aumentar o tempo que os jovens passam na prisão. Em 14 de julho de 2015, o Senado brasileiro aprovou a alteração do ECA relativa à prorrogação do tempo de permanência de adolescentes que cometem crimes equiparáveis a crimes hediondos.
Oito anos [de internação] para um jovem de 16 anos representa 50% da sua expectativa de vida. 13 Disponível em: http://www.ebc.com.br/cidadania/2014/07/especialistas-criticam-aumento-do-tempo- de-internacao-para-menores-infratores.
O atual inimigo interno
Seja pelo tratamento dos serviços de segurança no controle do direito de ir e vir - veja-se o exemplo da abordagem aos adolescentes pobres no caminho para as praias da zona sul do Rio de Janeiro, conforme relatado no primeiro capítulo - ou pelas estatísticas de mortalidade juvenil e pelo perfil da população carcerária no país, tão discutido anteriormente nesta pesquisa. Pelas notícias diárias sobre batidas policiais nas favelas do Rio de Janeiro, podemos dizer que o resultado dessas operações é sempre a morte. Segundo matéria do site Tribuna Hoje15, o número de mortes em operações policiais no Rio de Janeiro aumentou 40% entre 2014 e 2015, citando dados do Instituto de Segurança Pública.
Um exemplo dessa forma de resistência é o caso do pedreiro Amarildo, que desapareceu em 2013 após ser levado por policiais à sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), na Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. 16 Disponível em: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/transito/noticia/2013/07/protesto-de-moradores-da-rocinha-ocupa-faixa-no-tunel-zuzu-angel. HTML.
Vítimas em foco
Nesta dicotomia – de um lado a vítima e do outro o agressor – o olhar para o contexto mais geral que poderá ter originado o crime é simplificado e fragilizado em detrimento de uma análise mais profunda e politizada destes acontecimentos sociais. . Aleixo (2012, p. 109) reflete que “é através da figura da vítima e do que lhe aconteceu que a sociedade dá vazão à raiva que cobre o medo de cada pessoa de ser a próxima vítima de um crime”. Maria Lúcia Karan (2009, p.130), em artigo intitulado “O Estado criminoso, o novo inimigo interno e o totalitarismo” enfatiza que a lógica da guerra interna causa. o criminoso” também se torna um “inimigo”, e a supressão de seus direitos é naturalizada, uma vez que esse sujeito se tornaria uma “não pessoa”.
A imposição de uma pena a alguém responsável pela prática de um crime serve de “absolvição” de todos aqueles não escolhidos pelo sistema penal, que podem, portanto, confortavelmente autodenominar-se “bons cidadãos”, ao contrário e opostos ao “criminoso”. , para o "criminoso", para. Esta “iluminação” traduz-se também num grito por mais punições e numa ideia de que se o criminoso for punido e isolado, as causas da insegurança serão minimizadas e as pessoas “livres” também serão livres para continuarem as suas vidas “normais”.
Mídia: produção de mundos e medos
28Tilgængelig på: http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/SEGURANCA DOS-DEPUTADOS-DA-COMISSAO-ESPECIAL-DEFENDEM-REDUCAO-DA-MAIORIDADE- PENAL.html. Den 14. juni 2015 fandt Festival Against the reduktion af den kriminelle lavalder sted på Praça XV, i centrum af Rio de Janeiro. 38 Tilgængelig på: http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/DIREITO-E-JUSTICA/490144- COMISSAO-DE-EDUCACAO-DEBATERA-REDUCAO-DA-MAIORIDADE-PENAL-COM-.
40 Beskikbaar by: http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/DIREITO-E-JUSTICA/490534- COMISSAO-ESPECIAL-DA-CAMARA-APROVA-REDUCAO-DA-MAIORIDADE-PENAL-EM-CIMES- HEDIONDOS.html Toegang op: 10 Aug. 2015. . 43Beskikbaar by: http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/POLITICA/491507-CAMARA- APROVA-EM-1-TURNO-REDUCAO-DA-MAIORIDADE-PENAL-EM-CRIMES-HEDIONDOS.html). 45 Beskikbaar by: http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/DIREITO-E-JUSTICA/491603- DEPUTADOS-DEVEM-ENTRAR-NO-STF-CONTRA-VOTACAO-DA-MAIORIDADE.html.
50 Beskikbaar by: http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/DIREITO-E-JUSTICA/494248- CAMARA-APROVA-EM-2-TURNO-REDUCAO-DA-MAIORIDADE-PENAL-EM-CIMES- .
Discurso Biológico/Psicológico
Podemos, portanto, compreender que a discussão de políticas que proponham uma solução punitiva para os problemas da criminalidade está longe de resolver uma questão que vai muito além do comportamento de um grupo de indivíduos que não obedecem à lei. Entendemos por discurso “psi” uma certa prática, ainda hoje hegemônica, que reduz a subjetividade a uma dimensão psicológica internalizada, isolando-a de um contexto mais amplo. Dessa forma, a exigência feita ao psicólogo pede-lhe que cumpra o papel de especialista individual, que assume uma posição supostamente neutra, revelando os “mistérios”, “desejos” e “verdades” do sujeito.
Dessa forma, podemos perceber nos projetos analisados que suas justificativas enquadram-se em um discurso científico para sustentar o caráter punitivo que propõem. Neste sentido, a Psicologia pode distanciar-se de uma prática reflexiva e crítica, sem ter em conta a sua intervenção – também política – no funcionamento dos vários espaços que ocupa.
Mudanças na Contemporaneidade
Reconhecemos que o acesso à informação e as mudanças na tecnologia dos meios de comunicação social não estão necessariamente relacionados com a maturidade do adolescente. Além disso, o PL 7590/2014 também afirma que “os tempos são outros, os jovens de hoje não têm mais a inocência dos mesmos jovens de 50 ou 60 anos atrás”. E continua: “Dada a gravidade do problema e as falsas punições que o Estatuto da Criança e do Adolescente traz aos jovens que cometem crimes, apresentamos este projeto de lei”. Essas mudanças afetam diretamente nossos adolescentes, como, por exemplo, o aprofundamento da noção de que o consumo é o que nos torna cidadãos, ideia amplamente divulgada na mídia.
O projeto de lei afirma: “Dada a gravidade do problema e as falsas punições que a Lei da Criança e do Adolescente traz aos jovens que cometem atos criminosos, estamos apresentando este projeto de lei”. Desta forma, o que se constata no Tribunal de Contas Europeu é contrário ao que alguns projetos de lei justificam de que “há um consenso de que a legislação atual é extremamente branda para com a prática de crimes por menores”.
Discurso Protetivo
A forte atração evocada pelo perigo que a criminalidade juvenil representava para a sociedade criou as condições necessárias para a criação de uma 'nova lei', que expandisse a ação da justiça para além da natureza punitiva da prisão, baseada nas alianças existentes entre o Estado e a prisão . alguns conhecimentos, como: medicina, pedagogia, cuidado. A criação de um “sistema de proteção” legitimou a institucionalização de menores delinquentes ou em risco de se tornarem delinquentes sob a justificativa enganosa de proteção. A PEC 171/1993 dá um exemplo de como o discurso punitivo pode ser camuflado ao reivindicar a ideia de uma ‘cidadania’ que seria criada a partir da compreensão da lei.
O objetivo desta proposta de alteração à Constituição é conscientizar os adolescentes sobre sua participação social, a importância e a necessidade do cumprimento da lei, desde cedo, como forma de obtenção da cidadania, a começar pelo respeito à ordem jurídica, enfim , que O objetivo é reduzir a idade criminalmente atribuível aos menores. Em nome da proteção destes, as leis funcionam através da tutela, do controle dos classificados como ‘necessitados’, numa perspectiva alarmista, não para melhorar a vida para serem ‘protegidos’, mas para apoiar aqueles que se sentem incomodados é com os chamados ‘ carente'.
Aumento da Violência
Além disso, três projetos de lei chamaram nossa atenção por afirmarem que adolescentes cometem crimes mais graves. A produção do medo também se apresenta de tal forma que o controle populacional e o aumento das punições são apresentados como respostas ao enfrentamento da violência. Além disso, os projetos de lei e a PEC 171/1993, aqui analisados, nunca mencionam a violência cometida contra adolescentes em nosso país, o que faz parecer que o “aumento da violência” não atinge esta parcela da população.
Dessa forma, a realidade encontrada nos projetos de lei parece abranger apenas uma parte da sociedade como um todo. Diante disso, podemos afirmar que as justificativas dos projetos delineiam apenas parte da realidade brasileira e entendem os jovens como os principais agentes da suposta “onda de violência”, muitas vezes caracterizada como mais violenta e cruel que os adultos.
Dados Complementares
Dessa forma, podemos entender que o mesmo público que seria afetado pelo aumento do tempo de internação ou pela redução da maioridade penal é o que mais morre no Brasil. As cartilhas analisadas contra a redução da maioridade penal nos mostraram alguns argumentos contra esta proposta. Mídia e política: construindo a agenda nas propostas de redução da maioridade penal na Câmara dos Deputados.
Nota pública sobre a redução da maioridade penal e o aumento da duração da medida de internamento socioeducativo. UNIÃO BRASILEIRA DE ALUNOS DO SECUNDÁRIO (UBES) Cartilha 18 razões da UBES contra a redução da maioridade penal.