PROPOSTA DE SISTEMA DE CUSTEIO PARA A EMPRESA FF FABRICAÇÃO E COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA - ME. Proposta de sistema de custeio para a empresa FF produção e comercialização de produtos alimentícios ltda.
OBJETIVOS
Objetivo geral
Objetivos específicos
JUSTIFICATIVA
A primeira parte aborda a gestão de custos, seus conceitos, evolução e terminologias, sendo esses itens fundamentais para uma compreensão clara do assunto. A terceira seção aborda o tema dos sistemas de acumulação de custos, destacando os principais modelos e suas características.
GESTÃO DE CUSTOS
Terminologias e conceitos sobre gestão de custos
No que diz respeito a despesas e custos, uma explicação muito clara da diferença entre estes termos é fornecida por Iudícibus (1998, p. 113), onde na linguagem comercial, custo pode significar o valor gasto para obter determinado bem ou serviço. Essa divisão é melhor explicada por Leone (2000a, p. 54) quando destaca que os gastos podem ser definidos como investimentos quando os bens ou serviços obtidos geram benefícios de longo prazo.
Classificação dos gastos
- Classificação quanto à apropriação aos produtos fabricados
- Classificação quanto aos níveis de produção
- Terminologias e considerações adicionais
Segundo Viceconti e Neves (2000, p.17) “custos diretos são aqueles que podem ser atribuídos diretamente aos produtos manufaturados porque existe uma medida objetiva do seu consumo nesta fabricação”. Viceconti e Neves (2000, p.22) também apontam que pode haver uma combinação entre classificações de custos em termos de volume de produção e apropriação aos produtos manufaturados.
OBJETIVOS DA APURAÇÃO DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO
Auxiliando nas decisões gerenciais - Existem muitas opções de custeio disponíveis para auxiliar nas decisões gerenciais. Afirmam que “as informações geradas por um sistema de contabilidade de custos fornecem uma base para determinar os custos dos produtos e os preços de venda e auxiliam a gestão no planejamento das operações”.
SISTEMAS DE ACUMULAÇÃO DE CUSTOS
Custeio para otimizar resultados – neste ponto, um sistema de custeio pode ser desenhado para fornecer informações rápidas e confiáveis aos gestores do negócio, possibilitando tomadas de decisão mais ágeis e compatíveis com as constantes mudanças do ambiente. Mas para que o sistema de custeio de uma empresa atinja plenamente os objetivos para os quais está sendo desenvolvido, é necessário analisar cuidadosamente quais tipos de informação ela está tentando produzir. Existem basicamente dois tipos de sistemas de custeio: o sistema de custeio por ordem de produção e o sistema de custeio por processo.
No sistema de cálculo de pedidos os custos são acumulados em um determinado lote de produtos ou em um determinado produto/serviço. Já o sistema de custos de processo tem como premissa básica o acúmulo de custos em uma determinada fase da produção ou em um determinado centro de custos, o que deixa em segundo plano a identificação desses custos nas unidades produzidas. Ou seja, o modelo de sistema de acumulação de custos a ser utilizado pode ser definido deliberadamente pela empresa, desde que sejam utilizados os métodos contábeis corretos para que não haja alterações nos resultados.
CUSTEIO POR ABSORÇÃO E CUSTOS INTEGRAIS
Alocação dos custos diretos – nesta etapa os custos diretos devem ser alocados aos produtos produzidos no período. Alocação dos custos indiretos – na última etapa, o CIF também deve ser alocado aos produtos fabricados no período. Energia consumida pelas máquinas e equipamentos de cada linha de produção Tabela 2 – Exemplos de critérios de alocação CIF.
Por outro lado, é preciso estar atento ao problema causado pelo tratamento dos custos fixos como custos unitários, característico do custeio por absorção. Este tratamento unitário dos custos fixos pode ser uma desvantagem do custeio por absorção. Porém, a análise do custeio por absorção pode ser ampliada alocando também as despesas do período aos produtos manufaturados.
IMPLANTAÇÃO E GERENCIAMENTO DE UM SISTEMA DE CUSTOS
Deve-se observar se os benefícios gerados serão superiores aos custos de sua estruturação (HORNGREN, FOSTER e DATAR, 2000, p. 67; PEREZ JÚNIOR, OLIVEIRA E COSTA, 1999, p.299). Por isso, “torna-se imperativo um estudo cuidadoso para um julgamento adequado para decidir onde parar com a adição de detalhes de um sistema de custos” (MARTINS, 2000, p. 379). Contudo, deve-se enfatizar também a viabilidade de medir essas grandezas físicas para que seus custos não sejam maiores que seus benefícios (MARTINS, 2000, p. 30; LIMA, 2000, p. 51).
Martins (2000, p. 28) destaca que “o sucesso de um sistema de informação depende das pessoas que o mantêm e o fazem funcionar. Datar (2000, p. 67) destaca que um sistema se torna ineficaz quando os gestores operacionais o reconhecem como inútil e enganoso. E resolvendo-os, desenvolvê-lo e aprimorá-lo até atingir sua plena capacidade de atuar como ferramenta de gestão (MARTINS, 2000, pp. 28-29).
ANÁLISE DE CUSTO/VOLUME/LUCRO
Ponto de Equilíbrio
O ponto de equilíbrio em unidades de produto pode ser calculado dividindo-se os custos e despesas fixas pela margem de contribuição unitária do produto (BERNARDI, 2007, p.65-66; HOJI, 2006, p.341). Ponto de equilíbrio contábil (PEC) – é o valor das vendas que equilibra o lucro com a soma dos custos e despesas da empresa; Ponto de equilíbrio financeiro (PEF) – é a receita total de vendas igual à soma dos custos e despesas que não representam as saídas de caixa da empresa.
Após alocar os custos e despesas fixas de cada produto, esse valor é dividido pela margem de contribuição individual, obtendo-se assim o ponto de equilíbrio de cada produto. Outra forma de calcular o ponto de equilíbrio geral de uma empresa que produz e vende mais de um produto é calculando uma margem de contribuição média ponderada para esses produtos. Contudo, Assef (2006, p.66) enfatiza que a receita de vendas que ultrapassa o ponto de equilíbrio não deve ser considerada como lucro na sua totalidade.
FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA
Formação de preços pelo método do mark-up
Ou seja, o preço determinado pelo método mark-up deve cobrir o total de despesas e impostos sobre vendas da empresa, ao mesmo tempo que fornece um valor residual que será o lucro desejado pela organização. Para despesas variáveis – neste modelo, o markup incide sobre despesas variáveis, incluindo custos e despesas variáveis; Despesas Totais – desta forma o registro é utilizado como multiplicador das despesas totais da empresa.
Porém, como explica Bernardi (2007, p. 171), devido à grande complexidade de alocação dos custos fixos de uma organização aos produtos produzidos, o método mais utilizado na prática é a utilização de um markup para custos variáveis. Portanto, impostos e comissões sobre vendas, despesas fixas de vendas, despesas administrativas fixas, despesas fixas de fabricação (dependendo do método de custeio) e lucro desejado devem compor o cálculo do markup que será aplicado aos custos variáveis dos produtos. (BRUNI e FAMÁ, 2004, p. 341). Um exemplo do método de aplicação de markup aos custos variáveis é apresentado na Tabela 1.
CARACTERIZAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO
A empresa não possui organograma formal, principalmente pelo pequeno número de funcionários e pela característica de ser uma microempresa familiar.
ESTRUTURA E PROCESSOS DA ORGANIZAÇÃO
O mix de produtos é composto por três marcas de farinha de mandioca (Marlete, FF e Canarinho) e uma de farinha de mandioca. O sistema produtivo predominante da organização é a produção seriada, o que é evidenciado pelo fato de os produtos serem processados de acordo com o volume de vendas esperado em um determinado período. Esta venda é feita parte pelo agente de vendas e parte pela própria empresa, sendo a entrega da mercadoria feita pela organização independentemente de quem esteja vendendo.
Trata-se do fluxo de materiais e mercadorias da empresa, aqui descrito de forma resumida para melhor esclarecer as atividades da empresa sob investigação e como elas são realizadas. A investigação da estrutura e dos processos produtivos da organização serviu como fonte de informações para análise e coleta inicial de dados. Sempre vinculando os valores aos seus fatos geradores nas diferentes etapas de produção ou comercialização dos produtos, facilitando a identificação e separação de contas para posterior análise dos custos da empresa.
ELABORAÇÃO DO SISTEMA
Instrumento de coleta de dados
A tabela de controle direto de materiais foi criada com o objetivo de obter dados mais próximos da realidade sobre os custos das matérias-primas utilizadas no processamento dos produtos. O peso padrão é uma medida em gramas da quantidade de cada material necessária para processar os produtos. Esses valores são utilizados apenas como referência para outros cálculos da planilha. Este último bloco de informações foi inserido para facilitar o controle do material e utilização da planilha.
Na Figura 5 você pode ver melhor a estrutura da tabela para controle direto de materiais. Na tabela de controlo de horas de trabalho pretendeu-se permitir a aquisição de dados sobre o número de horas despendidas no processamento de um determinado produto. Essa configuração inicial da planilha, assim como o painel de horas trabalhadas, também apresentou algumas limitações.
Elaboração das planilhas e programação do sistema
A planilha de controle direto de materiais é basicamente a mesma utilizada como instrumento de coleta de dados. O principal objetivo do primeiro bloco de informações da planilha de despesas salariais é organizar e calcular provisões para dados de despesas de pessoal na planilha de despesas gerais. É importante destacar também que os custos diretos informados na planilha de Custos e Despesas são apresentados em valores totais e também separadamente para cada produto.
A parte do sistema responsável por alocar custos e despesas indiretos aos produtos é o quadro de alocação. Os dados que serão processados nesta tabela são retirados das tabelas de custos de obra e das tabelas de custos e despesas. A formatação utilizada na tabela de pontuação segue as mesmas linhas da tabela de custeio, com uma tabela para cada produto.
A estrutura utilizada para construção da planilha de ponto de equilíbrio é semelhante às demais planilhas gerenciais do sistema. No bloco de informações que calcula a margem de contribuição dos produtos, são extraídos dados de custos variáveis da planilha de custos e despesas.
ANÁLISE DOS DADOS DA EMPRESA
Esse fato proporciona uma diluição ideal desses custos e despesas no cálculo dos custos unitários dos produtos. A importância da manutenção dos níveis ideais de escala também pode ser observada quando se analisa a composição do preço de venda dos produtos da empresa. No gráfico 4 e no gráfico 5 é possível visualizar a margem de contribuição dos produtos FF e Canarinho respectivamente.
Um último gráfico que fornece informações importantes para a tomada de decisão é a participação dos produtos no faturamento da empresa. O sistema de custeio desenvolvido neste trabalho teve como objetivo ajudar uma microempresa a se proteger contra essas variações e mudanças nos fatores ambientais. Neste contexto, pode-se concluir que o projeto atingiu seu objetivo geral, pois foi possível construir e propor um sistema de custos que auxiliasse na tomada de decisão da empresa pesquisada.