Arquitetura moderna institucional em Teresina: reflexos de um arquiteto migrante

Texto

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UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO

LETICIA SOARES DANIEL

ARQUITETURA MODERNA INSTITUCIONAL EM TERESINA:

reflexos de um arquiteto migrante

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2 LETICIA SOARES DANIEL

ARQUITETURA MODERNA INSTITUCIONAL EM TERESINA:

reflexos de um arquiteto migrante

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo.

ORIENTADOR: Prof. Dr. Rafael Antônio da Cunha Perrone

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D184a Daniel, Leticia Soares

Arquitetura moderna institucional em Teresina: reflexos de um arquiteto migrante / Leticia Soares Daniel – 2014. 202 f. : il. ; 30 cm.

Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2014. Bibliografia: f. 146-149.

1. Arquitetura moderna. 2. Araújo, Antonio Luiz Dutra de (arquiteto). 3. Edifícios institucionais. 4. Teresina (Piauí). I. Título.

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3 LETICIA SOARES DANIEL

ARQUITETURA MODERNA INSTITUCIONAL EM TERESINA:

reflexos de um arquiteto migrante

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo.

Aprovada em:

BANCA EXAMINADORA

______________________________________________________ Prof. Dr. Rafael Antônio da Cunha Perrone – Orientador

Universidade Presbiteriana Mackenzie

______________________________________________________ Profª. Drª. Aline Nassaralla Regino

Universidade Belas Artes

______________________________________________________ Profª. Drª. Ana Gabriela Godinho Lima

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AGRADECIMENTOS

A Deus, fonte de fé e sabedoria, por me iluminar e amparar durante essa jornada.

Ao meu pai Hermes, avó Ana Cristina e irmãos Layla e Rhavi, pelo apoio, sempre presentes em minha vida.

À minha família e aos meus amigos, por estarem sempre na torcida, obrigada pelas palavras de incentivo.

À Leticia e Bruno em especial, por serem verdadeiros irmãos e meu porto seguro em São Paulo. Obrigada pela amizade e pela alegria.

Ao professor Rafael Perrone, minha eterna gratidão, por ter sido orientador persistente e apostar no tema do trabalho, agradeço pelos ensinamentos.

Ao arquiteto Antonio Luiz Dutra de Araújo, pela disposição e paciência em nossas conversas.

Ao engenheiro Lourival Sales Parente, pela contribuição à pesquisa.

Às professoras Gabriela Godinho e Aline Regino, pelos comentários e sugestões sobre o trabalho.

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RESUMO

O presente trabalho é uma dissertação de mestrado realizada no Programa de Pós-Graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie, intitulado Arquitetura institucional moderna em Teresina: reflexos de um arquiteto migrante. Trata-se da análise de três edifícios institucionais modernos, projetos do arquiteto mineiro Antonio Luiz Dutra de Araújo na cidade de Teresina, Piauí. São eles: Edifício Cepisa (1973), edifício-sede do Ministério da Fazenda (1973) e edifício do Palácio do Comércio (1977). O arquiteto teve uma vasta e heterogênea produção arquitetônica no estado, trabalhando com diversas escalas e tipologias, e é considerado um dos pioneiros ao utilizar a linguagem moderna em seus projetos na capital piauiense. Tais exemplares carregam uma relação entre o modo de projetar do arquiteto e os fatores limitadores de uma cidade nos primórdios de modernização. Inicialmente, realiza-se um histórico da arquitetura moderna em Teresina, enquadrando alguns personagens e obras importantes na cidade. Posteriormente, é dada atenção à trajetória profissional de Antonio Luiz e à apresentação de exemplares de qualidade projetual expressiva, parte de sua obra. Os três últimos capítulos apresentam análises sistemáticas de cada edifício escolhido como objeto de estudo. Por fim, serão realizadas as considerações finais e conclusões.

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ABSTRACT

The present work is a dissertation conducted in the Post-Graduate Mackenzie University and is titled Building modern architecture in Teresina: reflections of an migrant architect. It deals with the analysis of three modern institutional buildings, projects of the architect of Minas Gerais Antonio Luiz Dutra de Araújo in the city of Teresina, Piauí. The three buildings are: Cepisa Building (1973), Headquarters of the Ministry of Finance (1973) and the Palace of Trade Building (1977). The architect had a wide and heterogeneous architectural production in the state, working with different scales and types, and he is considered one of the pioneers to use the modern language in their designs in the capital of Piauí. Such copies bear a relation between the way of designing architect and the limiting factors of a town in early modernization. Initially, this work describes a history of modern architecture in Teresina, framing characters and some important works in the city. Subsequently attention is given to the career of Antonio Luiz and to submitting copies of projetual expressive, quality of his work. The last three chapters are the systematic analysis of each chosen as the object of study building. Finally, the conclusions will be made.

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1.1 Mapa atual do território do estado do Piauí 29 Figura 1.2 Mapa do plano elaborado pelo conselheiro Saraiva para a

cidade de Teresina

30

Figura 1.3 Praça Marechal Deodoro ainda no século XIX, com os

primeiros prédios públicos ao redor. Ao fundo, a Igreja Matriz, ainda sem as torres, e, à esquerda, o Mercado Público

31

Figura 1.4 Imagem de meados do século XIX da Delegacia Fiscal, atualmente, Justiça Federal

32

Figura 1.5 Praça Pedro II em Teresina, Piauí: ao fundo, o Cine Rex em art déco

36

Figura 1.6 Fachada do Hospital Getúlio Vargas voltada para a Avenida Frei Serafim

37

Figura 1.7 Mapa representativo da expansão urbana de Teresina entre 1800 e 1980

39

Figura 1.8 Imagem da maquete física do Estádio Albertão, publicada no jornal O Dia de 1972. Arquiteto Raul Cirne

40

Figura 1.9 Vista aérea do estádio e do entorno em 2004 41 Figura 1.10 Fachada oeste do Edifício Chagas Rodrigues –

Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Arquiteto Maurício Saed, 1955

43

Figura 1.11 Painel de Anísio de Medeiros no Monumento aos Pracinhas no Rio de Janeiro em 1952

44

Figura 1.12 Painel de Anísio de Medeiros no Monumento aos Pracinhas no Rio de Janeiro em 1952

44

Figura 1.13 Painel de Anísio de Medeiros na Escola Dom Silvério em Cataguases, Minas Gerais

45

Figura 1.14 Painel de Anísio de Medeiros na Casa Nanzita Gomes em Cataguases, Minas Gerais

45

Figura 1.15 Perspectiva da Casa David Cortelazzi, em Teresina, 1968 46 Figura 1.16 Perspectiva da Casa David Cortelazzi, em Teresina, 1968 46

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9 Figura 1.17 Planta baixa pavimento térreo (à esquerda) e primeiro

pavimento

47

Figura 1.18 Fachada noroeste da Casa Zenon Rocha 47 Figura 1.19 Escola J. Clímaco d’Almeida, em Teresina 49 Figura 1.20 Fachada da Igreja do Cristo Rei, em Teresina 49 Figura 1.21 Tribunal de Justiça. Arquiteto Acácio Gil Borsói, 1972 50

Figura 2.1 Arquiteto Antonio Luiz 53

Figura 2.2 Planta baixa da residência em Rio das Ostras 56 Figura 2.3 Croqui da residência em Rio das Ostras, Rio de Janeiro, em

1963; primeiro projeto de Antonio Luiz

56

Figura 2.4 Agência do Banco Nacional em Porto Alegre, início da década de 1960

57

Figura 2.5 Vista aérea do Hotel Tambaú, 2011 58

Figura 2.6 Antonio Luiz Dutra (à direita) e seu sócio Márcio Lustosa no escritório da Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro

59

Figura 2.7 Fachada da agência do Banco Nacional em Teresina, Piauí, no ano de 1964

60

Figura 2.8 Interior da agência do Banco Nacional em Teresina, Piauí, no ano de 1964

60

Figura 2.9 Imagem do escritório Maloca em Teresina, em 1968 61 Figura 2.10 Planta do escritório Maloca em Teresina 62

Figura 2.11 Escritório Maloca em 2014 62

Figura 2.12 Conjunto Maloca, localizado na zona leste de Teresina. Foto do fim da década de 1960

64

Figura 2.13 Escritório da Construtora Lourival Sales Parente S.A., localizado na Avenida Frei Serafim. Antonio Luiz Dutra de Araújo, 1976

64

Figura 2.14 Perspectiva do projeto do Mercado Público de Coelho Neto, Maranhão. Ano de 1971

66

Figura 2.15 Perspectiva do Instituto Antonino Freire 69 Figura 2.16 Planta baixa dos blocos do Instituto Antonino Freire 70 Figura 2.17 Detalhe da solução da ventilação dos blocos, realizada por

Antonio Luiz no Instituto Antonino Freire

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10 Figura 2.18 Caixa d’água do Eldorado Country Club 71 Figura 2.19 Perspectivas do prédio do Eldorado Country Club 72 Figura 2.20 Edifício-sede do BEP no ano de 1971 73 Figura 2.21 Planta do pavimento-tipo do edifício-sede do BEP, 1968 74 Figura 2.22 Imagem do interior do edifício-sede do BEP na década de

1960: pavimento térreo e mezanino

74

Figura 2.23 Agência da Caixa Econômica Federal em Parnaíba 75

Figura 2.24 Agência do BEP em Parnaíba 75

Figura 2.25 Agência do BEP de Picos, 1974 75

Figura 3.1 Mapa do centro de Teresina com a locação dos edifícios a serem estudados. A linha vermelha delimita o território do centro de Teresina atualmente. O espaço quadrangular tracejado em branco representa primeiro traçado da capital do século XIX. Em amarelo, encontram-se os três edifícios em estudo: 1) Edifício do Ministério da Fazenda; 2) Edifício do Palácio do Comércio; 3) Edifício Alberto Tavares Silva (Cepisa)

84

Figura 3.2 Vista aérea dos edifícios: 1) Edifício Alberto Tavares Silva (Cepisa); 2) Edifício do Palácio do Comércio; 3) Edifício do Ministério da Fazenda. O espaço tracejado em branco corresponde à parte da malha urbana inicial de Teresina

85

Figura 3.3 Imagem aérea de Teresina no início da década de 1960. Ao fundo, o Rio Parnaíba; a igreja com volume em duas torres é a Igreja Matriz de Teresina (Igreja do Amparo), e, à sua esquerda, o espaço vazio que foi ocupado pelo edifício do Ministério da Fazenda em 1973

86

Figura 4.1 Perspectiva apresentada no concurso da sede da Cepisa pelo arquiteto Antonio Luiz, no início da década de 1970

90

Figura 4.2 Perspectiva apresentada no concurso da sede da Cepisa pelo arquiteto Antonio Luiz, no início da década de 1970

90

Figura 4.3 Imagem aérea do edifício ainda em construção e da Avenida Maranhão ainda sem infraestrutura. O volume atrás do edifício redondo corresponde ao prédio da antiga usina a

(12)

11 vapor

Figura 4.4 Imagem da construção do edifício e da Avenida Maranhão ainda sem infraestrutura, início da década de 1970

93

Figura 4.5 Imagem da Avenida Maranhão no fim da década de 1970, já pavimentada. À direita, o Rio Parnaíba, e, à esquerda, a Praça Da Costa e Silva. Ao fundo, o Edifício Cepisa

92955

Figura 4.6 Locação do terreno e entorno: 1) Edifício Cepisa; 2) Praça Da Costa e Silva; 3) Edifício do Instituto Federal do Piauí (IFPI); 4) Central de Treinamento; 6) Edifício comercial

95

Figura 4.7 Imagem do terreno da Cepisa e dos outros edifícios que foram construídos posteriormente: 1) Edifício Cepisa; 2) Centro de Operação da Distribuição; 3) Prédio da antiga usina a vapor; 4) Centro de Processamento de Dados; 5) Laboratório de Aferição de Medidores (1983); 6) Sede da Superintendência de Engenharia de Transmissão e Planejamento Elétrico; 7) Centro de Treinamento

96

Figura 4.8 Implantação do edifício no terreno, com a diferença de cotas e os acessos

97

Figura 4.9 Planta com a trama dos pilares. Encontram-se destacados as baterias sanitárias, o espaço para a futura instalação de elevadores e a escada

98

Figura 4.10 Planta com a setorização dos anéis do edifício 99 Figura 4.11 Perspectiva do edifício com a implantação do terreno e os

acessos

100

Figura 4.12 Circulação vertical interna do Edifício Cepisa 100

Figura 4.13 Circulação horizontal interna 100

Figura 4.14 Corte do Edifício Cepisa 101

Figura 4.15 Volume do edifício com a estrutura do telhado aparente 102 Figura 4.16 Volume do edifício com a estrutura do telhado e do

pavimento-tipo aparente

102

Figura 4.17 Corte do pavimento-tipo evidenciando a circulação de ar proposta

103

(13)

12 servem exaustão

Figura 4.19 Sacada que percorre todo o volume do edifício 104

Figura 4.20 Fachada do Edifício Cepisa 105

Figura 4.21 Fachada do Edifício Cepisa em contraponto com o volume cilíndrico do edifício

106

Figura 4.22 Fachada do edifício 107

Figura 5.1 Imagem do prédio do antigo Tesouro Provincial, demolido para a construção do edifício do Ministério da Fazenda em 1970. Ao fundo, a Igreja Matriz ainda sem suas torres

112

Figura 5.2 Imagem do centro de Teresina no início da década de 1970. Observa-se a Igreja do Amparo entre o esqueleto do prédio do Ministério da Fazenda (à direita) e o Hotel Piauí,

construído na década de 1950

113

Figura 5.3 Perspectiva do edifício do Ministério da Fazenda projetado por Antonio Luiz Dutra de Araújo

114

Figura 5.4 Vista aérea do entorno do edifício do Ministério da Fazenda. Estão destacadas as praças Marechal Deodoro (maior retângulo) e Rio Branco (retângulo menor, logo abaixo). Estão enumerados: 1) Edifício do Ministério da Fazenda; 2) Igreja Matriz Nossa Senhora do Amparo; 3) Luxor Hotel (antigo Hotel Piauí); 4) Praça Marechal Deodoro; 5) Shopping da Cidade

115

Figura 5.5 Vista aérea do edifício do Ministério da Fazenda e da Igreja do Amparo, 2014

116

Figura 5.6 Implantação do edifício no terreno: 1) Edifício do Ministério da Fazenda; 2) Igreja do Amparo; 3) Jardim e casa de

máquinas. As setas vermelhas indicam os acessos do edifício 117

Figura 5.7 Trama ordenadora de pilares. Os espaços demarcados em cinza mais escuro representam as circulações verticais, baterias sanitárias e espaços reservados para a instalação de ar-condicionado

118

Figura 5.8 Auditório 119

(14)

13 nordeste do edifício

Figura 5.10 Corte esquemático do edifício em 3D mostrando os pilares, as baterias sanitárias e as circulações

121

Figura 5.11 Fachada sudoeste 121

Figura 5.12 Esquadria pivotante em vidro duplo 122

Figura 5.13 Perspectiva do edifício, fachadas noroeste e sudoeste 123 Figura 5.14 Perspectiva do edifício: volume e cobertura 124

Figura 5.15 Fachada noroeste 125

Figura 5.16 Setor de serviço do edifício e o entorno 126 Figura 6.1 Sobrado onde funcionava a sede da Associação Comercial

Piauiense

130

Figura 6.2 Perspectiva do edifício Palácio do Comércio, desenvolvida em 1969

131

Figura 6.3 Mapa do entorno do edifício do Palácio do Comércio. Estão numerados: 1) Edifício do Palácio do Comércio; 2) Imóvel comercial descaracterizado; 3) Imóvel de uso comercial descaracterizado; 4) Imóvel de uso religioso com fachada eclética preservada; 4) Estacionamento; 5) Edifício da primeira agência bancária do Banco do Brasil em Teresina, em estilo eclético com fachadas conservadas; 6) Edifício do primeiro Grande Hotel do Piauí, hoje de uso comercial, muito descaracterizado; 7) Imóvel de uso religioso em linhas

modernistas; 8) Imóvel de uso comercial em linha eclética e art nouveau com fachada preservada; 9) Estacionamento com fachada preservada em linhas ecléticas; 10) Imóvel comercial com fachada descaracterizada; 11) Imóvel com características ecléticas pouco preservadas; 12) Imóvel de uso comercial em linhas modernistas; 13) Edifício comercial modernista com fachadas degradadas

132

Figura 6.4 Imagem aérea do entorno evidenciando o recuo frontal do edifício do Palácio do Comércio com relação à Rua Senador Teodoro Pacheco, alinhado à cota da Igreja São Benedito, e do recuo lateral com relação à Rua Rui Barbosa, alinhado à cota da Praça Saraiva. Estão enumerados: 1) Praça

(15)

14 Marechal Deodoro; 2) Praça Saraiva; 3) Igreja São Benedito;

4) Edifício do Palácio do Comércio

Figura 6.5 Vista do edifício da Rua Rui Barbosa 134 Figura 6.6 Planta do terreno com os acessos e as diferenças de cota da

topografia

135

Figura 6.7 Imagem da galeria interna do edifício a partir do acesso pela Rua Rui Barbosa. À esquerda, o acesso aos elevadores e às escadas

135

Figura 6.8 Plantas com a malha da demarcação dos pilares. A planta da direita representa os pilares do primeiro e segundo

pavimentos, e a planta da esquerda representa a malha do segundo ao décimo segundo pavimento

136

Figura 6.9 Imagem da circulação do pavimento-tipo 137 Figura 6.10 Imagem interna da escada helicoidal 138

Figura 6.11 Fachada sudeste 139

Figura 6.12 Vista do térreo e da marquise que forma o primeiro pavimento

140

Figura 6.13 Corte do detalhe construtivo de exaustão dos banheiros e do ar quente dos aparelhos de ar-condicionado

140

Figura 6.14 Marquise do primeiro pavimento contrapondo-se com a verticalidade da fachada sudoeste

141

Figura 6.15 Volume da escada helicoidal avançando na fachada e na cobertura

142

Figura 6.16 O térreo e os rasgos no plano inclinado da marquise formada pelo avanço do primeiro pavimento (fachada noroeste)

143

Figura 6.17 Mármore branco utilizado para revestir o pavimento térreo 144 Figura 6.18 Pastilhas brancas e azuis revestindo a fachada noroeste 145

Figura 7.1 Planta original de situação 187

Figura 7.2 Planta original do pavimento térreo 188

(16)

15 Figura 7.6 Planta original do quarto pavimento e da cobertura 192

Figura 7.7 Corte A-A. Projeto original 193

Figura 7.8 Fachada principal. Projeto original 194

Figura 7.9 Detalhe da calha. Projeto original 195

Figura 7.10 Detalhe do corte para mostrar o mecanismo de ventilação projetado pelo arquiteto. Projeto original

196

Figura 7.11 Planta baixa do segundo ao sétimo pavimento. Projeto original

197

Figura 7.12 Layout do sétimo pavimento. Projeto original 198 Figura 7.13 Layout do oitavo pavimento. Projeto original 199 Figura 7.14 Corte longitudinal. Projeto original 200 Figura 7.15 Planta do primeiro pavimento. Projeto original 201 Figura 7.16 Planta do segundo ao primeiro ao décimo primeiro

pavimentos. Projeto original

202

Figura 7.17 Corte transversal. Projeto original 203 Figura 7.18 Corte longitudinal. Projeto original 204

Figura 7.19 Detalhes. Projeto original 205

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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 2.1 Produção arquitetônica de Antonio Luiz Dutra de Araújo: distribuição entre estados

66

Gráfico 2.2 Produção arquitetônica de Antonio Luiz Dutra de Araújo: distribuição entre décadas

68

Gráfico 2.3 Produção arquitetônica de Antonio Luiz Dutra de Araújo: distribuição por programas

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17

LISTA DE ABREVIATURAS

Agespisa Águas e Esgotos do Piauí S.A. Agripisa Agroindústria do Piauí S.A. AIP Associação Industrial do Piauí BEP Banco do Estado do Piauí S.A.

BNMG Banco Nacional de Minas Gerais S.A. Cepisa Centrais Elétricas do Piauí S.A.

Codipi Companhia de Desenvolvimento Industrial do Piauí DER Departamento de Estradas de Rodagem

Emoppi Empresa de Obras Públicas do Piauí

Fiepi Federação das Indústrias do Estado do Piauí

FNA Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil Fominpi Fomento Industrial do Piauí

Fripisa Frigoríficos do Piauí S.A.

HDIC Hospital de Doenças Infecto-Contagiosas IAB-PI Instituto dos Arquitetos do Brasil – Seção Piauí IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Iapep Instituto de Assistência e Previdência do Estado do Piauí IFPI Instituto Federal do Piauí

Insopil Indústria de Soro e Produtos Farmacêuticos Ltda. IPHAN Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional PDLI Plano de Desenvolvimento Local Integrado

SEEBLA Serviço de Engenharia Emílio Baumgart

Semplan Secretaria Municipal de Planejamento de Teresina Telepisa Telefones do Piauí

UFPI Universidade Federal do Piauí

UFRJ Universidade Federal do Rio de Janeiro

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO... 21

1 SOBRE TERESINA... 27

1.1 TERESINA: CAPITAL PLANEJADA... 28

1.1.1 A cidade em vias de modernização... 32

1.2 A PRESENÇA DE ARQUITETOS MIGRANTES... 41

1.2.1 Anísio de Medeiros... 44

1.2.1.1 Casa Zenon Rocha... 46

1.2.2 Miguel Caddah... 48

2 SOBRE ANTONIO LUIZ DUTRA DE ARAÚJO... 51

2.1 FORMAÇÃO E TRAJETÓRIA PROFISSIONAL... 53

2.2 A ATUAÇÃO DO ARQUITETO EM TERESINA... 65

2.2.1 Arquitetura institucional... 69

2.2.2 Arquitetura bancária... 72

3 CRITÉRIOS DE ANÁLISE E O ESPAÇO EM QUESTÃO... 76

3.1 CRITÉRIOS DE ANÁLISE... 77

3.1.1 O entorno e a implantação... 78

3.1.2 Programa do edifício (fluxos, acessos e circulações)... 80

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19

3.1.4 Adequações ao clima local... 81

3.1.5 Volumetria... 82

3.1.6 Plasticidade e materiais... 83

3.2 O ESPAÇO EM QUESTÃO... 84

4 EDIFÍCIO ALBERTO TAVARES SILVA (CEPISA) – 1973... 88

4.1 O ENTORNO E A IMPLANTAÇÃO... 92

4.2 PROGRAMA DO EDIFÍCIO (FLUXOS, ACESSOS E CIRCULAÇÕES)... 96

4.3 ESTRUTURA... 101

4.4 ADEQUAÇÕES AO CLIMA LOCAL... 102

4.5 VOLUMETRIA... 104

4.6 PLASTICIDADE E MATERIAIS... 106

4.7 CONSIDERAÇÃO... 107

5 EDIFÍCIO DO MINISTÉRIO DA FAZENDA 1973... 111

5.1 O ENTORNO E A IMPLANTAÇÃO... 114

5.2 PROGRAMA DO EDIFÍCIO (FLUXOS, ACESSOS E CIRCULAÇÕES)... 117

5.3 ESTRUTURA... 120

5.4 ADEQUAÇÕES AO CLIMA LOCAL... 122

5.5 VOLUMETRIA... 123

(21)

20

5.7 CONSIDERAÇÃO... 126

6 EDIFÍCIO DO PALÁCIO DO COMÉRCIO – 1977... 129

6.1 O ENTORNO E A IMPLANTAÇÃO... 131

6.2 PROGRAMA DO EDIFÍCIO (FLUXOS, ACESSOS E CIRCULAÇÕES)... 136

6.3 ESTRUTURA... 138

6.4 ADEQUAÇÕES AO CLIMA LOCAL... 141

6.5 VOLUMETRIA... 142

6.6 PLASTICIDADE E MATERIAIS... 144

6.7 CONSIDERAÇÃO... 145

CONSIDERAÇÕES FINAIS... 147

INTERLOCUÇÕES PROJETUAIS... 149

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 151

ANEXO A – TEXTOS DE ANTONIO LUIZ... 156

ANEXO B – LISTA DE OBRAS DO ARQUITETO... 176

(22)

21

(23)

22 Apesar de numerosa, a obra arquitetônica de Antonio Luiz Dutra de Araújo, tão presente no espaço urbano da cidade de Teresina, capital piauiense, foi pouco divulgada em revistas e veículos de circulação nacional sobre arquitetura, até o início do século XXI. Sua produção, que data inicialmente dos anos 1960 até os dias atuais, engloba as mais variadas tipologias de projeto e, no caso de Teresina, caracterizou-se pela busca da implantação da arquitetura moderna em uma região consideravelmente atrasada em relação aos importantes centros do país (São Paulo e Rio de Janeiro).

Nascido em Minas Gerais e formado na Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil (FNA)1, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Antonio Luiz Dutra encontra a capital piauiense em intenso crescimento e carente de melhorias sanitárias e urbanas, já existentes nas cidades centrais do país. Durante período de início da atuação de Antonio Luiz, ideais de desenvolvimento e modernidade defendidos por intelectuais e pela elite teresinense, em conjunto com o desejo de progresso almejado pelos políticos do estado, transformam Teresina em um atrativo para aqueles que trabalhavam na construção civil. Aproveitando a demanda, o arquiteto se estabelece na cidade e realiza uma série de projetos que marcam sua paisagem urbana tanto pelas soluções formais, técnicas e estéticas quanto pela habilidade em lidar com os materiais locais, seguindo o processo de modernização do país sem deixar de inserir as raízes culturais preexistentes.

Existem textos publicados sobre Antonio Luiz, datados a partir dos anos 2000 e fruto do trabalho de alunos do grupo de pesquisa Modernidade Arquitetônica. Vinculado ao curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Piauí (UFPI), o grupo foi formado em 2007 e é coordenado pela professora Alcília Afonso, que colabora com pesquisas sobre a modernidade arquitetônica do estado. Além de publicações em congressos nacionais como o Docomomo, realizou a produção de livros que citam o trabalho de Antonio Luiz, como Documentos de arquitetura moderna no Piauí e Antonio Luiz, arquiteto. O primeiro, lançado em 2010, traz um conjunto de obras modernas representativas da cidade de Teresina, incluindo algumas de autoria do arquiteto. O segundo trabalho foi organizado pela professora

(24)

23 Alcília Afonso em 2012 e contém artigos publicados em congressos sobre Antonio Luiz, além do inventário de sua obra do período em que residia no Rio de Janeiro até os dias atuais.

A inserção de edifícios institucionais em Teresina, que correspondiam ao modelo de arquitetura moderna já difundido no Brasil e no mundo, representa um fenômeno de características particulares, não apenas com relação ao aspecto formal e construtivo, mas também devido à história, à economia e principalmente, no caso da capital piauiense, de aspectos políticos e sociais.

A periodização para estudo na década de 1970 representa melhor a inserção dos objetos em estudo ao contexto, o que possibilita grande compreensão dos fatos históricos, bem como a relação com a totalidade da história. Segundo Waisman (2013, p. 58), a definição de uma unidade histórica é baseada em uma série de características que diferenciam nitidamente as mudanças e as causas de uma ruptura – no caso da arquitetura, estilística.

A autora também sugere que países latino-americanos, como o Brasil, não podem relacionar o desenvolvimento arquitetônico de acordo com o proferido em países centrais, como os da Europa.

Na América Latina não correu um desenvolvimento estilístico coerente, ou que permita descobrir uma continuidade nas ideias arquitetônicas, pois, ao longo dos séculos, a arquitetura baseou-se em ideias transculturais, que foram interpretadas, modificadas ou transformadas de acordo com circunstâncias histórico-cultural-tecnológicas locais (WAISMAN, 2013, p. 59).

Além disso, as condições sociais, políticas e econômicas são preponderantes, de acordo com a autora, na produção arquitetônica latina, destacando ainda “o valor dos tipos de edifícios que constituem a resposta direta às exigências programáticas da sociedade e que, portanto, mostram-se mais diretamente ligados às circunstâncias a-estéticas” (WAISMAN, 2013, p. 61).

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24 situação do arquiteto da obra em estudo. Isso, junto a uma apresentação de edifícios institucionais de destaque a partir da década de 1960, compõe o primeiro capítulo desta dissertação.

No capítulo 2, o foco será voltado para o próprio arquiteto, sua trajetória acadêmica e profissional, assim como alguns projetos importantes de sua autoria. Em seguida, o terceiro capítulo irá conceituar os critérios de análise a serem utilizados para um estudo analítico de três edifícios escolhidos: Edifício Alberto Silva, de 1973, sede das Centrais Elétricas do Piauí S.A. (Cepisa); edifício-sede do Ministério da Fazenda, de 1973; e edifício do Palácio do Comércio, de 1977. Todos são prédios institucionais, construídos na década de 1970, período em que os políticos do Piauí tentavam ao máximo exaltar seu poder de progresso e desenvolvimento, por meio de obras grandiosas e modernas na capital piauiense.

A partir de estudos realizados na UFPI, iniciados na graduação, acerca da modernidade arquitetônica em Teresina, foi estruturada uma linha do tempo que abrange os projetos realizados por Antonio Luiz durante sua vida profissional. De acordo com essa cronologia, observa-se uma produção significativa durante a década de 1970 na cidade, englobando tipologias variadas de projetos desde residências e escolas até edifícios institucionais e agências bancárias. Com esse recorte cronológico, justifica-se ainda a escolha dos objetos de estudo aqui analisados pelo fato de serem edifícios que representam importantes instituições na cidade, localizados no centro histórico de Teresina, além de marcar a paisagem urbana, ainda com ares provincianos na década de 1970, e que são detentores de qualidade projetual expressiva e característica do arquiteto mineiro.

Outro ponto relevante é a qualidade projetual e de resultado construtivo final que essas tipologias tiveram – tornando-se exemplares de seu pensamento sobre arquitetura como “a ciência que procura criar espaços racionais, sustentados por estruturas lógicas, transparentes e bem definidas”.

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25 Para a escolha dos objetos de análise, foram observadas as características projetuais da obra, que aparentemente explicitavam as formas de projetar do arquiteto. Outros pontos primordiais para este trabalho são a importância desses edifícios para a cidade de Teresina, o lugar que adquire valor simbólico por meio de sua atividade desempenhada e, principalmente, a inserção dessa arquitetura modernista em um traçado urbano que mantinha alguns aspectos coloniais.

O valor da pesquisa se dá pela vasta produção do arquiteto na cidade, uma variação que engloba desde residências até edifícios de porte significativo, como clubes, escolas, maternidades, edifícios institucionais e outros. O estudo da obra do arquiteto e de sua trajetória irá contribuir para a formação da historiografia arquitetônica piauiense, além de ampliar o reconhecimento desses edifícios, pois, atualmente, alguns se encontram degradados e descaracterizados.

Com relação à metodologia utilizada, a dissertação foi desenvolvida a partir do contato com os seguintes elementos:

 documentos originais ou cópia de projetos, croquis e fotografias, encontrados no escritório do arquiteto, Maloca Arquitetura e Estruturas Ltda. (fonte primária);

 textos de autoria do arquiteto (fonte primária);  projetos construídos (fonte primária);

 depoimentos do arquiteto Antonio Luiz e de pessoas relacionadas às suas obras (fonte primária);

 bibliografia geral e específica a respeito do arquiteto em livros e trabalhos acadêmicos (fonte secundária);

 arquivos fotográficos e textuais encontrados em jornais e revistas de circulação em Teresina durante a década de 1970 (fonte primária).

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26 A segunda etapa foi a sequência de entrevistas com o próprio arquiteto e com pessoas envolvidas com seu trabalho, além da coleta dos projetos para a digitalização do material. Tais obras foram listadas e distribuídas em uma linha do tempo, para identificar o recorte cronológico a ser determinado na dissertação.

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1 SOBRE TERESINA

Este capítulo, subdividido em dois tópicos, consiste em apresentar a cidade de Teresina e situá-la no panorama brasileiro em que a arquitetura moderna foi desenvolvida. Para tanto, foi necessária uma breve apresentação da formação da cidade e como ela constrói seu espaço urbano por meio de bases históricas, políticas, econômicas e sociais.

O primeiro tópico, cujo título é “Teresina: capital planejada”, caracteriza o espaço urbano desde a implantação da cidade. No segundo tópico, intitulado “A presença de arquitetos migrantes”, é apresentado um quadro dos primeiros arquitetos graduados atuantes na cidade, a partir dos anos 1950.

1.1 TERESINA: CAPITAL PLANEJADA

“Teresina tem uma origem peculiar, pois foi, dentre todas as cidades brasileiras, a primeira a ter o espaço que viria a se constituir em seu núcleo urbano, escolhido e planejado, para ser uma cidade capital”(ABREU; LIMA, 2000, p. 20).

A capital piauiense é a única da Região Nordeste que não se encontra em área litorânea. Localizada na zona fisiográfica do Médio Parnaíba2, é atravessada por dois importantes rios, o Parnaíba, que deságua no Oceano Atlântico, formando o Delta do Parnaíba, e o Rio Poti, seu afluente. Implantada estrategicamente na porção central do território do Piauí, foi a primeira cidade planejada do país, criada para fins econômicos, políticos e administrativos do estado. Por se encontrar muito próxima da faixa equatorial, é considerada uma das cidades mais quentes do país, com temperaturas acima dos 26 °C praticamente o ano todo, e apresenta relevo basicamente plano, com algumas variações suaves de altitude.

2 A zona fisiográfica do Médio Parnaíba

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29 Em 16 de agosto de 1852, o conselheiro doutor José Antônio Saraiva envia a outros presidentes de província do país um documento que comunica a autorização da lei n. 3153, transferindo a capital do estado do Piauí para a Nova Vila do Poti, atual Teresina (DIAS, 2006, p. 18). A cidade, que atualmente conta com população próxima a 850 mil habitantes e quase 1,5 milhão de km2 de área4, foi implantada em uma região do estado mais propícia ao desenvolvimento comercial, com localização estratégica e detentora de uma riqueza natural considerável, diferente da antiga Oeiras5 (Figura 1.1).

Figura 1.1: Mapa atual do território do estado do Piauí. Fonte: Redesenho da autora (2014).

Inserida no Alto da Chapada do Corisco6, apresenta uma geografia plana, o que facilitou a implantação da cidade e serviu como pressuposto físico da escolha da região por Saraiva. Entre rios, a região também garantia pesca em abundância,

3 Lei de 21 de julho de 1852, da qual se extrai: “Artigo 1º: a nova Vila do Puti fica desde já elevada a cathegoria de cidade com a denominação de Therezina” (IPHAN, 2008).

4 De acordo com dados do site do Instituto Brasileiro de Estatística (IBGE), 2014.

5 Oeiras localiza-se ao sul do estado. Uma região árida e com poucas riquezas naturais, considerada como inapropriada para seu progresso como capital piauiense.

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30 solos férteis, riqueza argilosa e ligação direta com o litoral do estado, por meio do sistema de transporte fluvial eficiente.

O traçado do Plano de Teresina, realizado pelo mestre de obras João Isidoro França7 e com ajustes de Saraiva, caracterizou-se por uma malha ortogonal semelhante a um tabuleiro de xadrez, tendo como “marco zero” da cidade a Igreja Matriz Nossa Senhora do Amparo. Situada na cabeceira mais elevada da Praça da Constituição, atual Praça Marechal Deodoro, apresenta sua fachada principal voltada para o Rio Parnaíba, e foi a partir da sua linha frontal que as outras quadras foram situadas. Silva (2007, p. 102) relata o caráter paisagístico e ambiental do plano traçado para Teresina, primeiramente pela valorização da paisagem natural, ao voltar a cidade para o rio, e também pela acomodação de quadras margeando a atual Avenida Maranhão, para proteção contra possíveis enchentes (Figura 1.2).

Figura 1.2: Mapa do plano elaborado pelo conselheiro Saraiva para a cidade de Teresina. Fonte: Cadernos de Teresina. Edição especial do conselheiro Saraiva. (2000).

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O ordenamento geométrico do espaço urbano encontra assim ressonância na antiga tradição dos traçados portugueses como em Angra, do século XVI, inclusive consignando relevância ao caráter paisagístico. Esse tipo de acomodação espacial, antes de urdir uma correta disposição para a terrível insolação que castiga a cidade, foi o recurso técnico para dispor os edifícios e, consequentemente, estruturar a cenografia urbana (SILVA, 2007, p. 104).

A edificação dos prédios públicos da nova capital também foi destinada a João Isidoro França. Erguidos no contorno da Praça da Constituição, formavam um centro cívico característico setecentista. Dentre os edifícios estavam: o Tesouro Provincial, a Intendência Municipal, o Mercado Público e a Delegacia Fiscal (Figura 1.3).

Figura 1.3: Praça Marechal Deodoro ainda no século XIX, com os primeiros prédios públicos ao redor. Ao fundo, a Igreja Matriz, ainda sem as torres, e, à esquerda, o Mercado Público.

Fonte: Arquivo Casa Anísio Brito.

Segundo Silva Filho (2007, p. 17), antes da construção de Teresina, a arquitetura tradicional urbana do Piauí caracterizava-se formalmente por soluções simples e sintéticas, despojadas de pompa e ornamentos. As edificações detinham caráter rural, utilizando varandas largas que protegiam o interior do clima equatorial predominante na região. Com técnicas construtivas em adobe e sem grandes diversificações arquitetônicas, apresentavam analogias formais uniformes, não importando a finalidade e o uso.

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32 processo de alteração arquitetônica. Mudanças socioeconômicas e tecnológicas proporcionaram transformações nas maneiras de habitar e construir, incorporando benefícios da sociedade industrial e tipificando as novas edificações (Figura 1.4).

O adobe, desprestigiado e abreviado em artefato de reduzida qualidade, dá lugar para as construções de alvenaria [...] Gradis de ferro fundido, ferragens, estucarias, vidraças coloridas, azulejaria, tacos, parquetes, assoalhos de tabuado claro-escuro, pastilhas vitrificadas, ladrilho hidráulico, estruturas de madeira serrada nas coberturas, telhas prensadas, louças e metais sanitários, lambrequins recortados em serra de fita são produtos da mecanização e do trabalho assalariado que davam expressão às edificações da cidade. Fachadas rebuscadas são associadas às renovações técnicas construtivas. [...] O neoclássico acentua-se, imprimindo a ruptura estilística com o meio rural (SILVA FILHO, 2007, p. 18).

Figura 1.4: Imagem de meados do século XIX da Delegacia Fiscal, atualmente, Justiça Federal. Fonte: Arquivo Casa Anísio Brito.

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33 Em “A questão nacional: a modernização”, Raymundo Faoro (1992, p. 7) discorre sobre o termo modernização, a partir de analogias entre países desenvolvidos e atrasados, como sendo tentativas de alcançar a modernidade. Para ele, na corrida pelo desenvolvimento, as nações atrasadas podem se espelhar nas desenvolvidas sem se absterem de suas realidades históricas e temporais. Deve-se evitar a chamada “queima de etapas”, buscando descobrir primeiramente a “pista da lei natural do seu desenvolvimento”.

A modernidade compromete, no seu processo, toda a sociedade, ampliando o raio de expansão de todas as classes, revitalizando e removendo seus papéis sociais, enquanto que a modernização, pelo seu toque voluntário, se não voluntarista, chega à sociedade por meio de um grupo condutor, que, privilegiando-se, privilegia os

setores dominantes. Na modernização não se segue o trilho da “lei natural”, mas se procura moldar, sobre o país, pela ideologia ou pela coação, uma certa política de mudança (FAORO, 1992, p. 8).

Ao relacionar tais conceitos com o processo de desenvolvimento do Brasil, Faoro demonstra sucessivas tentativas de modernização desde o período colonial como episódios sem sucesso e que eram “sepultados” um após o outro. Analisando episódios, observa-se um país regido por uma conciliação política que regula a sociedade de forma a evitar mudanças sociais, priorizando os interesses de uma minoria elitizada e mantendo a sociedade civil dependente de poucos benefícios.

Na modernidade, a elite, o estamento, as classes [...] coordenam e organizam um movimento. Não o dirigem, conduzem ou promovem como na modernização. A modernização, que se chama ocidentalização, europeização, industrialização, revolução passiva, via prussiana, revolução do alto, revolução de dentro – ela é uma só, com um vulto histórico, com muitas máscaras, tantas quantas as das diferentes situações históricas. Talvez se possa dizer, ainda que a modernização, ao contrário da modernidade, cinde a ideologia da sociedade, inspirando-se mais na primeira do que na segunda. (FAORO, 1992, p. 9).

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34 urbano. Segawa (2010, p. 19) discorre que Recife, São Paulo, Manaus, Salvador e Rio de Janeiro (desde 1862) já tinham sistemas de drenagens, abastecimento de água e esgotos urbanos na entrada do século. De acordo com Reis Filho (2013, p. 44),

As transformações socioeconômicas e tecnológicas pelas quais passaria a sociedade brasileira durante a segunda metade do século XIX iriam provocar o desprestígio dos velhos hábitos de construir e habitar. A posição cambial favorável conseguida através das exportações crescentes de café possibilitaria a generalização do uso de equipamentos importados, que libertariam os construtores do primitivismo das técnicas tradicionais. A isto, acrescenta-se a modernização dos transportes, com o aparecimento das linhas férreas ligando o interior ao litoral e de linhas de navegação nos grandes rios interiores. Equipamentos pesados, como máquinas a vapor, serrarias etc., teriam então a possibilidade de serem empregados em vastas regiões, auxiliando-as a romper com a rotina dos tempos coloniais.

Zein (2010, p. 126) afirma que no período entre 1930 até o da construção de Brasília (1957-1960), as cidades brasileiras ainda conservavam suas tramas urbanas e métodos construtivos coloniais, mas desde o fim do século XIX já inseriam o concreto armado e o ferro, principalmente em obras de maior porte, como em equipamentos urbanos e edifícios públicos. Essa arquitetura produzida no Brasil destacava-se pela “criação de um repertório e de uma linguagem diferenciadora” por meio de recursos de projeto e técnicas construtivas de períodos anteriores, mas que buscavam maneiras de intensificar a “tipificação das soluções arquitetônicas modernas”.

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35 Assim como o Brasil, Teresina também recebeu inúmeras tentativas modernizadoras em seu espaço urbano. Apoiadas pelo poder público ou por iniciativa da elite local, esses primeiros símbolos não alcançavam toda a população da cidade, não beneficiando as classes menos favorecidas, que ocupavam as margens do centro administrativo da cidade, acomodando-se em construções miseráveis e rudimentares.

Com relação à arquitetura no início desse século, Silva Filho (2007, p. 19) afirma que houve uma implantação do ecletismo, linguagem arquitetônica já disseminada no Brasil desde o século anterior. Até o segundo quartel do século XX, o núcleo central de Teresina se apresentava consolidado e com o ecletismo estabelecido, principalmente nas residências de famílias mais nobres e em prédios institucionais e públicos.

A partir da década de 1930, com a implantação do Estado Novo por Getúlio Vargas, o Estado passa a exercer um papel primordial na produção de cidades, atuando como organismo regulamentador não apenas da materialidade, mas também da população que nela reside. Em cidades centrais8 como Rio de Janeiro e São Paulo, as obras arquitetônicas patrocinadas pelo Estado começam a se apropriar de princípios preconizados modernistas, inseridas em um meio cultural efervescente como mais uma manifestação de uma modernidade ainda incipiente. Além da limpeza ornamental, os novos projetos arquitetônicos tornavam-se interessantes pelos aspectos econômicos construtivos, sendo classificados como arquitetura “modernista-classicizante”, art déco, “protomoderna” ou “protorracionalista” (DIEGOLLI, 1996, p. 152).

Em Teresina, o interventor Landri Sales nomeia como diretor de obras da Prefeitura Municipal o engenheiro Luís Pires Chaves, que questionou o Plano Saraiva e atentava para a falta de um Plano Regulador da Cidade. Nascimento (1999, p. 137) cita algumas propostas de intervenções urbanas com caráter modernizador para a capital, como o alargamento e arborização das avenidas, a projeção de grandes linhas de tráfego que interligavam os pontos de entrada e saída ao centro da cidade e a formação de um sistema circulatório, tomando como base o símbolo da modernidade do período: o automóvel. Além disso, cria o Código de

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36 Posturas de 1939, que iria reger as obras de expansão do município a partir de então.

A partir da década de 1930, o art déco é adotado na cidade, preferencialmente em elegantes edifícios comerciais, prédios, monumentos públicos e cinemas, como foi o caso do Cine Rex, que data do ano de 1939 (Figura 1.5). Promovendo uma ruptura com a arquitetura dos períodos anteriores, tais edifícios representavam o tipo de cidade que seus administradores desejavam construir, espelhando-se em outras cidades mais desenvolvidas do país. Novas tecnologias eram incorporadas às construções, como o uso do concreto armado substituindo estruturas de madeira e carnaúba, com uma geometria ordenadora e fachadas mais limpas, e garantiam um ar de modernidade para uma sociedade que se afastava cada vez mais do colonial (SILVA, 2007, p. 20). Segundo Nascimento (2010, p. 8),

Figura 1.5: Praça Pedro II em Teresina, Piauí: ao fundo, o Cine Rex em art déco. Fonte: Site Teresina Meu Amor (2012).

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Sendo assim, em 1941, o Hospital Getúlio Vargas é inaugurado na antiga Avenida Getúlio Vargas, atual Frei Serafim (Figura 1.6).

Figura 1.6: Fachada do Hospital Getúlio Vargas voltada para a Avenida Frei Serafim. Fonte: Arquivo pessoal da autora (2010).

Em meados dos anos 1950, o Estado, dentro de uma política desenvolvimentista do país, tinha objetivos de acelerar e estruturar o processo de industrialização do Brasil. O ambiente de efervescência cultural que Brasília9 trouxe ao país fez eclodir uma série de arquiteturas com boa qualidade projetual, sobretudo construtiva, em diversas regiões do Brasil. Aliado ao regime de expansão econômica, industrial e urbana, o Estado projeta e constrói muitas obras das mais diversas tipologias.

No Piauí, essas manifestações não ocorrem com a mesma intensidade, por conta de sua economia pouco expressiva no cenário nacional, mas ainda assim, a partir de 1950, surgia uma “Nova Ordem Piauiense”, como explica Façanha (1988, p. 18), criada a partir do processo de desenvolvimento capitalista brasileiro. Algumas medidas são tomadas, como: a melhoria no setor de comunicação; a criação da Barragem de Boa Esperança em Guadalupe, para suprir a demanda de energia elétrica; o desenvolvimento dos setores administrativos, financeiro e creditício; o aumento do comércio varejista; e a criação de políticas agrícolas, a fim de diminuir

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38 as diferenças socioeconômicas do estado. Para Brito, Dias e Nascimento (2005, p. 2),

No final da mesma década, foram criadas algumas empresas de economia mista, entre as quais merecem destaque: Frigoríficos do Piauí S.A. (Fripisa), Centrais Elétricas do Piauí S.A. (Cepisa), Agroindústria do Piauí S.A. (Agripisa), Telefones do Piauí (Telepisa), Águas e Esgotos do Piauí S.A. (Agespisa). É desta mesma época a transformação do Banco Agrícola do Piauí em Banco do Estado do Piauí S.A. (BEP). Outra ação do sentido colocar o Piauí no caminho do desenvolvimento, na visão dos atores sociais que atuavam na seca política, foi a criação da Federação das Indústrias do Estado do Piauí (Fiepi), em 1954. Em meados da década seguinte, foi instituída a Associação Industrial do Piauí (AIP); em 1965, é instalada uma de empresa chamada de Fomento Industrial do Piauí (Fominpi) que, algum tempo depois, passaria a se chamar Companhia de Desenvolvimento Industrial do Piauí (Codipi). Como se pode constatar, trabalha-se na implantação de ferramentas que pudessem ajudar na construção de um novo Piauí, que pudessem modificar a infraestrutura básica do estado, na área da energia elétrica, de abastecimento de água, dos transportes, da alimentação e do embelezamento da cidade.

Quanto à expansão urbana de Teresina, até a década de 1950 a cidade apresentou crescimento nos sentidos norte e sul, encontrando-se confinada entre os rios Parnaíba e Poti. Todavia, com a construção do primeiro vão da ponte de cimento sobre o Rio Poti, a cidade é ligada ao norte do estado pela BR-34310, e inicia-se então o processo de expansão urbana, rumo ao leste da cidade (BRITO; DIAS; NASCIMENTO, 2005). Atualmente essa região é a mais nobre da cidade e apresentou forte ocupação residencial desde o início.

Nos primórdios dos anos 1960, a cidade tem seu campo de pouso estruturado para receber aviões grandes, o que liga a cidade ao resto do país e ao mundo de maneira mais rápida (NASCIMENTO, 2010, p. 7). A criação e implantação da UFPI na direção noroeste da cidade e a promulgação do Plano Diretor da Prefeitura Municipal fazem parte da presença do estado como um indutor da dinâmica urbana e atraem ainda mais imigrantes à capital. É nesse período que o aparecimento de edifícios modernos é notado na paisagem urbana da cidade, sendo o primeiro deles a Casa Zenon Rocha, edificada na área central de Teresina, seguida do Edifício do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), na Avenida Frei Serafim (Figura 1.7).

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39 Figura 1.7: Mapa representativo da expansão urbana de Teresina entre 1800 e 1980.

Fonte: Resende (2013, p. 96).

Mas é na década de 1970 que a cidade tem um grande impulso transformador ligado diretamente ao modelo econômico gerido pelos governos militares. Iniciada a política de modernização seguindo o crescimento do país por meio do processo de industrialização, foram feitas diversas intervenções urbanas tanto no sentido de dotar a cidade de sistemas de abastecimento de água e luz regulares como melhorias no sistema viário para a desobstrução do crescente tráfego de veículos. Além disso, mudanças no modo de vida da população demandam novas exigências de conforto e inovações de consumo; assim ocorre uma expansão de rodovias do estado, com a construção da Transpiauí, que interligava o estado à capital federal Brasília, pelo sul, e atraía ainda mais imigrantes à capital do estado (FAÇANHA, 1999, p. 34).

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40 configuração da cidade, em consonância com os novos tempos (MONTE; NASCIMENTO, 2009, p. 2).

Um dos governos do Piauí que mais utilizou a arquitetura como símbolo de sua gestão foi o do engenheiro Alberto Tavares Silva, entre 1971 e 1975. Conhecido como “albertista”, foi marcado pela melhoria urbana como asfaltamento e embelezamentos das principais vias da cidade, avenidas Miguel Rosa e Frei Serafim. Além disso, construiu obras públicas monumentais que marcaram a paisagem urbana da cidade até os dias atuais. Dentre elas, o Estádio Albertão, de 1973 (Figura 1.8), o Tribunal de Justiça do Piauí, de 1972, o Edifício Cepisa, de 1973, o Hospital de Doenças Infecto-Contagiosas (HDIC), a UFPI e o Hotel Piauí. O discurso do governo “albertista” relacionava o progresso às edificações modernas e monumentais na cidade de Teresina, como símbolos que marcam a paisagem urbana da capital piauiense até os dias atuais (Figura 1.9).

Figura 1.8: Imagem da maquete física do Estádio Albertão, publicada no jornal O Dia de 1972. Arquiteto Raul Cirne.

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41 Figura 1.9: Vista aérea do estádio e do entorno em 2004.

Fonte: Feitosa e Macedo (2009, p. 10).

1.2 A PRESENÇA DE ARQUITETOS MIGRANTES

Segawa (2002, p. 42) retrata que, no Brasil, a introdução da arquitetura moderna teve suas origens no século XX, embasada pela modernização urbanística de algumas cidades principais, como São Paulo e Rio de Janeiro, resultado de uma efervescência cultural que movimentava a sociedade influente no país, a partir da Semana de Arte Moderna de 1922. A presença de arquitetos imigrantes, como o russo Gregori Warchavchik, formados em escolas em que se discutiam ideais modernistas, também foi de grande importância, principalmente na tentativa de se introduzir uma arquitetura moderna seguindo as limitações de um país ainda com pouco progresso técnico construtivo.

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42 Educação é considerado o lançamento das raízes modernas em São Paulo e no Rio de Janeiro, instaurando-se e atingindo uma “maturidade paradoxal” no país. Já Frampton (2012, p. 310) idealiza o início da arquitetura moderna no Brasil pelas atividades e parcerias de Lúcio Costa e Gregori Warchavchik nos anos 1920 e também pela nomeação de Costa à diretoria da Escola de Belas Artes, desenvolvendo-se e, posteriormente, utilizada no país como uma questão de política nacional.

Essa sequência de episódios relacionados à arquitetura moderna no país teve como centro irradiador as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo a partir de suas forças econômicas, políticas e também pela própria sociedade, que atuava a favor de modernizações do espaço. O surgimento dos cursos de graduação em arquitetura como a Escola Carioca e a Escola Paulista também contribuíram para o crescimento do movimento moderno no país, visto que apresentavam uma base moderna no ensino, formando profissionais que desenvolveriam a arquitetura brasileira.

Para implantar obras e acompanhá-las ou até mesmo na criação de novos cursos de graduação em outras regiões do Brasil, o certo é que esse intenso deslocamento de profissionais acabou por traçar um quadro arquitetônico no país heterogêneo. Personagens como Luiz Nunes, Acácio Gil Borsói e Severiano Porto fazem parte desse grupo de profissionais tidos como “migrantes”, que, depois de formados, foram à procura de novas e boas oportunidades em locais fora do eixo central, em desenvolvimento, do país. Luiz Nunes e Borsói migraram para Recife, Pernambuco, onde mais tarde participaram da formação da Escola de Pernambuco, e Severiano adentrou o norte do país, realizando construções um tanto quanto peculiares, utilizando-se de materiais e técnicas construtivas locais.

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43 A partir da década de 1950, Teresina ganhou exemplares arquitetônicos modernos em sua malha urbana. Como a cidade ainda não tinha um curso de Arquitetura, Andrade (2005, p. 26) afirma que inicialmente os projetos arquitetônicos eram idealizados por leigos, devido à escassez de profissionais com formação superior. Alguns nomes conhecidos foram o mestre de obras Domingos Pinheiro, o advogado Raimundo Portela, os empreiteiros João e Antônio Roldão e o professor de geometria Pantaleão. Localizados em grande maioria na porção central de Teresina, os edifícios eram inspirados em revistas, viagens e na própria produção da cidade.

Alguns projetos foram encomendados em outros estados, como foi o caso do DER, de 1955 (Figura 1.10), do arquiteto Maurício Saed, e do Teatro de Arena, de 1959, ambos provenientes do Rio de Janeiro. Na década de 1960, a cidade recebe profissionais graduados, e os edifícios modernos passam a fazer parte da paisagem urbana de Teresina, inicialmente por meio de residências de famílias mais abastadas ou, na maioria das vezes, em obras públicas patrocinadas pelo Estado. Três arquitetos merecem destaque por terem sido os primeiros a atuarem com formação na cidade e também por idealizarem edificações que seguiam os princípios modernistas. Formados pela FNA, tiveram contatos com importantes profissionais da área e, principalmente, com o discurso já consolidado da arquitetura moderna brasileira.

Figura 1.10: Fachada oeste do Edifício Chagas Rodrigues – Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Arquiteto Maurício Saed, 1955.

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44 Ao migrarem para o Piauí nas décadas de 1950 e 1960, tornaram possível a disseminação do movimento em uma região ainda em princípio de desenvolvimento. São eles: Anísio de Medeiros, Miguel Caddah e Antonio Luiz Dutra de Araújo11.

1.2.1 Anísio de Medeiros

Nascido em Teresina, em 1922, muda-se para o Rio de Janeiro na década de 1940 para estudar arquitetura na FNA. Graduando-se em 1948, estudou com o arquiteto Sérgio Bernardes e, ainda estudante, dedicava-se também às artes plásticas, concebendo em 1947 um painel para o Conjunto Pedregulho, projeto de Affonso Eduardo Reidy.

O arquiteto e sua obra arquitetônica residencial em Teresina foram objetos de estudo de Arthur Sampaio Andrade, em sua dissertação de mestrado pela Universidade de Brasília, concluída em 2005. Segundo Andrade (2005, p. 6), em 1952, Anísio de Medeiros foi convidado a fazer o projeto da casa do doutor Zenon Rocha em Teresina, considerado o primeiro projeto modernista da capital piauiense. Datam desse mesmo período os painéis integrados ao projeto de Hélio Marinho e Marcos Konder, o Monumento aos Pracinhas, inaugurado em 1960 no Rio de Janeiro (Figuras 1.11 e 1.12). Entre 1954 e 1958, realiza painéis para a Escola Dom Silvério e a Casa Nanzita Gomes, ambos projetos de Francisco Bolonha, um arquiteto amigo, em Cataguases, Minas Gerais (Figuras 1.13 e 1.14).

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45 Figuras 1.11 e 1.12: Painéis de Anísio de Medeiros no Monumento aos Pracinhas no Rio de Janeiro

em 1952. Fonte: Andrade (2005).

Figuras 1.13 e 1.14: Painéis de Anísio de Medeiros na Escola Dom Silvério (à esquerda) e na Casa Nanzita Gomes em Cataguases, Minas Gerais.

Fonte: Andrade (2005).

Atuando também como figurinista e diretor de arte, foi na cenografia em teatro que ele mais se dedicou profissionalmente, sendo premiado em 1966 na VII Bienal de São Paulo por seu trabalho. Andrade (2005, p. 5) ainda cita alguns de seus trabalhos que foram para as telas da TV, como Capitu (1968), Macunaíma (1969) e Dona Flor e seus dois maridos (1976), ganhando prêmios importantes.

Por Capitu, ganhou o prêmio de Melhor Cenografia do Festival de Brasília de 1968; com Macunaíma, conquistou em 1969, também em Brasília, as premiações de Melhor Figurino e Melhor Cenografia, esta última categoria também contemplada no mesmo ano pelo Coruja de Ouro do Instituto Nacional de Cinema. Por Dona Flor e seus dois maridos, levou em 1976 o Prêmio Especial do Júri de Figurino e Cenário, no Festival de Gramado. Em 1984, Gramado lhe agraciou novamente com a Melhor Cenografia por Noites do sertão (ANDRADE, 2005, p. 6).

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46 Figuras 1.15 e 1.16: Perspectivas da Casa David Cortelazzi, em Teresina, 1968.

Fonte: Silva Filho (2007, p. 28).

1.2.1.1 Casa Zenon Rocha

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47 modernismo, até então sem precedentes na cidade. A planta baixa modulada, terraços e mezaninos em pilotis e setorização dos espaços de acordo com as necessidades da família são características notórias (Figura 1.17).

Figura 1.17: Planta baixa pavimento térreo (à esquerda) e primeiro pavimento. Fonte: Costa e Melo (2009, p. 12).

Anísio de Medeiros volta a casa para o pátio interno, relacionando os espaços internos com a vegetação presente no terreno. Essa solução de implantação, aliada à disposição das fachadas que favoreciam a ventilação cruzada no conjunto arquitetônico, contribuía para as melhorias de conforto interno (Figura 1.17).

Apresentando soluções volumétricas que remetiam à arquitetura da Escola Carioca, como o telhado em “asa de borboleta”, a casa representou um avanço não apenas plástico e formal, mas também de concepção projetual e de técnicas construtivas para a cidade (Figura 1.18).

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48 Outras características identificadas no objeto arquitetônico são a criação de pés-direitos generosos nos espaços internos, a adequada orientação do edifício em relação ao sol, rasgos generosos nas fachadas e proteção das esquadrias com venezianas (COSTA; MELO, 2009, p. 5) (Figura 1.17).

As análises feitas por Arthur Sampaio Andrade (2005, p. 104) de duas casas modernas teresinenses12, relacionando-as com cinco residências cariocas, fizeram-no concluir que Anísio de Medeiros, como introdutor do primeiro edifício modernista na cidade de Teresina, não desenvolveu uma nova plástica arquitetônica, mas trouxe para a cidade uma “repercussão da Escola Carioca”.

Admite-se, por outro lado, que Medeiros conseguiu ser duplamente original nesse contexto: primeiro, ao renovar a concepção local de residência, dotando-a de ambientes, características e soluções até então desconhecidas; segundo porque, embora tenha proposto soluções inspiradas na arquitetura vernácula, ele as incluiu no repertório modernista com um novo desenho e, ao fazer isto, evitou recair em um regionalismo folclórico, pitoresco (ANDRADE, 2005, p. 105).

1.2.2 Miguel Caddah

Nascido em Teresina, em 1936, Miguel Caddah troca a cidade natal pelo Rio de Janeiro para graduar-se em Arquitetura e Urbanismo pela FNA. Influenciado por arquitetos atuantes no cenário brasileiro, como Oscar Niemeyer e Sérgio Bernardes, Caddah apresenta projetos arquitetônicos em linhas modernistas e com uma atenção especial ao conforto dos edifícios.

Após sua formação, retorna à Teresina e produz uma série de edifícios institucionais de ensino da rede pública, por se tornar arquiteto da Secretaria de Educação de Teresina. A figura 1.19 apresenta a fachada da Escola J. Clímaco d’Almeida, um de seus projetos que buscou melhorias qualitativas e quantitativas no espaço público de ensino.

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49 Figura 1.19: Escola J. Clímaco d’Almeida, em Teresina.

Fonte: Andrade (2005).

Além das escolas, também desenvolveu outros projetos em Teresina, trabalhando melhores concepções plásticas e volumétricas. Dois bons exemplos são a Igreja da Santíssima Trindade, de 1968, e a Igreja do Cristo Rei, ambas com um padrão formal diferente das igrejas existentes em Teresina até então (Figura 1.20).

Figura 1.20: Fachada da Igreja do Cristo Rei, em Teresina. Fonte: Andrade (2005).

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50 de Justiça do Estado do Piauí, de autoria do arquiteto carioca Acácio Gil Borsói. O segundo engloba um centro cívico com características brutalistas, localizado próximo ao Rio Poti (Figura 1.21). Sobre o projeto, Feitosa (2012, p. 145) discorre:

A arquitetura cumpre papel ativo no processo de desvendar as qualidades de um local, e o julgamento sobre este se elabora com a interseção do projeto. O arquiteto interpreta-o e faz as relações, não deixando o ambiente se impor e, de modo sistemático, cria ordem e elege circunstâncias próprias que irão também constituir o ambiente. O lugar, para Borsói, procede, no projeto, de modo coerente, criando ressonâncias sutis com seu entorno.

Figura 1.21: Tribunal de Justiça. Arquiteto Acácio Gil Borsói, 1972. Fonte: Feitosa (2012, p. 204).

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2 SOBRE ANTONIO LUIZ DUTRA DE ARAÚJO

Para compreender a análise dos três edifícios institucionais de autoria de Antonio Luiz Dutra de Araújo, é necessário introduzi-lo no panorama arquitetônico brasileiro. Existe uma forma de situar o arquiteto na historiografia arquitetônica por meio de sua formação e atuação profissional, podendo ser considerado um “arquiteto migrante” de acordo com Bastos e Zein (2010, p. 142). A partir dos anos 1950, houve intensa migração de arquitetos pelo território nacional tanto para conceber projetos em estados distintos quanto para atuar na docência em novas faculdades de arquitetura; esse movimento proporcionou novos debates sobre a produção arquitetônica desse período. Segawa (2010, p. 134) comenta sobre esse fluxo de profissionais pelo país:

Essas migrações internas – como procuramos demonstrar sinteticamente – transcendem o mero sentido de deslocamento de profissionais em busca de oportunidades melhores. Esse trânsito de profissionais pelo país simboliza uma troca e um enriquecimento de valores que, como sementes ao vento, vão desenvolver atitudes em outras paragens. [...] Essas migrações caracterizam um processo de transferência de conhecimento e tecnologia de regiões mais desenvolvidas (como Rio de Janeiro, São Paulo e os grandes centros regionais) para outras menos desenvolvidas, num processo indutivo de modernização e uniformização de valores culturais e técnicos de arquitetura.

Seguindo o pensamento de Waisman (2013, p. 57), que defende a situação dos objetos de estudo analisados em um contexto para que estes sejam mais bem compreendidos, este capítulo é delimitado pela exposição da vida acadêmica e profissional do arquiteto e alguns de seus projetos notórios em Teresina. Antonio Luiz tem uma característica preponderante em sua trajetória: sendo mineiro, formado na FNA no Rio de Janeiro e posteriormente mudando-se para o Piauí, nota-se um contexto particular de atuação. O arquiteto tenta se inserir em um estado do Nordeste brasileiro, com características provincianas e de difícil aceitação do novo, um movimento modernizador que irá encontrar algumas barreiras tanto tecnológicas quanto climáticas, culturais e econômicas.

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53 principalmente em regiões com o desconhecimento acerca da arquitetura e, sobretudo, de arquitetura moderna. Assim como Antonio Luiz, outros arquitetos seguiram a mesma trajetória, porém com extremos distintos, como foi o caso de Luiz Nunes ainda na década de 1930. Severiano Porto, que migrou para Manaus, desenvolvendo uma arquitetura com base em materiais e técnicas construtivas locais, também foi um personagem notório. Outro destaque desse período foi Acácio Gil Borsói, carioca também formado na FNA, que se mudou para Recife e realizou uma série de projetos modernistas em outros estados (SEGAWA, 1988, p. 9).

2.1 FORMAÇÃO E TRAJETÓRIA PROFISSIONAL

Filho de Rubem Araújo e Lauricy Leite Dutra de Araújo, Antonio Luiz Dutra de Araújo nasceu em 2 de setembro de 1935 em Juiz de Fora, Minas Gerais, e se mudou com a família, aos sete anos, para o Rio de Janeiro. De acordo com Araújo (2012), em entrevista, iniciou os estudos na FNA em 1958, na primeira turma reduzida da faculdade, com apenas 63 alunos. Formou-se em fevereiro de 1962, tendo colado grau em dezembro do ano anterior (Figura 2.1).

Imagem

Figura 1.1: Mapa atual do território do estado do Piauí.

Figura 1.1:

Mapa atual do território do estado do Piauí. p.30
Figura 1.4: Imagem de meados do século XIX da Delegacia Fiscal, atualmente, Justiça Federal

Figura 1.4:

Imagem de meados do século XIX da Delegacia Fiscal, atualmente, Justiça Federal p.33
Figura 1.5: Praça Pedro II em Teresina, Piauí: ao fundo, o Cine Rex em art déco.

Figura 1.5:

Praça Pedro II em Teresina, Piauí: ao fundo, o Cine Rex em art déco. p.37
Figura 1.6: Fachada do Hospital Getúlio Vargas voltada para a Avenida Frei Serafim.

Figura 1.6:

Fachada do Hospital Getúlio Vargas voltada para a Avenida Frei Serafim. p.38
Figura 1.8: Imagem da maquete física do Estádio Albertão, publicada no jornal O Dia de 1972

Figura 1.8:

Imagem da maquete física do Estádio Albertão, publicada no jornal O Dia de 1972 p.41
Figura 1.10: Fachada oeste do Edifício Chagas Rodrigues  –  Departamento de Estradas de Rodagem  (DER)

Figura 1.10:

Fachada oeste do Edifício Chagas Rodrigues – Departamento de Estradas de Rodagem (DER) p.44
Figura 2.3: Croqui da residência em Rio das Ostras, Rio de Janeiro, em 1963; primeiro projeto de  Antonio Luiz

Figura 2.3:

Croqui da residência em Rio das Ostras, Rio de Janeiro, em 1963; primeiro projeto de Antonio Luiz p.57
Figura 2.4: Agência do Banco Nacional em Porto Alegre, início da década de 1960.

Figura 2.4:

Agência do Banco Nacional em Porto Alegre, início da década de 1960. p.58
Figura 2.6: Antonio Luiz Dutra (à direita) e seu sócio Márcio Lustosa no escritório da Avenida Rio  Branco, no Rio de Janeiro

Figura 2.6:

Antonio Luiz Dutra (à direita) e seu sócio Márcio Lustosa no escritório da Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro p.60
Figura 2.8: Interior da agência do Banco Nacional em Teresina, Piauí, no ano de 1964.

Figura 2.8:

Interior da agência do Banco Nacional em Teresina, Piauí, no ano de 1964. p.61
Figura 2.12: Conjunto Maloca, localizado na zona leste de Teresina. Foto do fim da década de 1960

Figura 2.12:

Conjunto Maloca, localizado na zona leste de Teresina. Foto do fim da década de 1960 p.65
Figura 2.13: Escritório da Construtora Lourival Sales Parente S.A., localizado na Avenida Frei  Serafim

Figura 2.13:

Escritório da Construtora Lourival Sales Parente S.A., localizado na Avenida Frei Serafim p.65
Figura 2.14: Perspectiva do projeto do Mercado Público de Coelho Neto, Maranhão. Ano de 1971

Figura 2.14:

Perspectiva do projeto do Mercado Público de Coelho Neto, Maranhão. Ano de 1971 p.67
Gráfico 2.3: Produção arquitetônica de Antonio Luiz Dutra de Araújo: distribuição por programas

Gráfico 2.3:

Produção arquitetônica de Antonio Luiz Dutra de Araújo: distribuição por programas p.70
Figura 2.21: Planta do pavimento-tipo do edifício-sede do BEP, 1968.

Figura 2.21:

Planta do pavimento-tipo do edifício-sede do BEP, 1968. p.75
Figura 4.4: Imagem da construção do edifício e da Avenida Maranhão ainda sem infraestrutura, início da  década de 1970

Figura 4.4:

Imagem da construção do edifício e da Avenida Maranhão ainda sem infraestrutura, início da década de 1970 p.94
Figura 4.8: Implantação do edifício no terreno, com a diferença de cotas e os acessos

Figura 4.8:

Implantação do edifício no terreno, com a diferença de cotas e os acessos p.98
Figura 4.11: Perspectiva do edifício com a implantação do terreno e os acessos.

Figura 4.11:

Perspectiva do edifício com a implantação do terreno e os acessos. p.101
Figura 4.17: Corte do pavimento-tipo evidenciando a circulação de ar proposta.

Figura 4.17:

Corte do pavimento-tipo evidenciando a circulação de ar proposta. p.104
Figura 4.21: Fachada do Edifício Cepisa em contraponto com o volume cilíndrico do edifício

Figura 4.21:

Fachada do Edifício Cepisa em contraponto com o volume cilíndrico do edifício p.107
Figura 5.3: Perspectiva do edifício do Ministério da Fazenda projetado por Antonio Luiz Dutra de  Araújo

Figura 5.3:

Perspectiva do edifício do Ministério da Fazenda projetado por Antonio Luiz Dutra de Araújo p.115
Figura 5.5: Vista aérea do edifício do Ministério da Fazenda e da Igreja do Amparo, 2014

Figura 5.5:

Vista aérea do edifício do Ministério da Fazenda e da Igreja do Amparo, 2014 p.117
Figura 5.9: Varanda do último pavimento voltada para a fachada nordeste do edifício.

Figura 5.9:

Varanda do último pavimento voltada para a fachada nordeste do edifício. p.120
Figura 5.10: Corte esquemático do edifício em 3D mostrando os pilares, as baterias sanitárias e as  circulações

Figura 5.10:

Corte esquemático do edifício em 3D mostrando os pilares, as baterias sanitárias e as circulações p.122
Figura 6.2: Perspectiva do edifício Palácio do Comércio, desenvolvida em 1969.

Figura 6.2:

Perspectiva do edifício Palácio do Comércio, desenvolvida em 1969. p.132
Figura 6.6: Planta do terreno com os acessos e as diferenças de cota da topografia.

Figura 6.6:

Planta do terreno com os acessos e as diferenças de cota da topografia. p.136
Figura 6.12: Vista do térreo e da marquise que forma o primeiro pavimento.

Figura 6.12:

Vista do térreo e da marquise que forma o primeiro pavimento. p.141
Figura 6.15: Volume da escada helicoidal avançando na fachada e na cobertura.

Figura 6.15:

Volume da escada helicoidal avançando na fachada e na cobertura. p.143
Figura 6.16: O térreo e os rasgos no plano inclinado da marquise formada pelo avanço do primeiro  pavimento (fachada noroeste)

Figura 6.16:

O térreo e os rasgos no plano inclinado da marquise formada pelo avanço do primeiro pavimento (fachada noroeste) p.144
Figura 7.11: Planta baixa do segundo ao sétimo pavimento. Projeto original.

Figura 7.11:

Planta baixa do segundo ao sétimo pavimento. Projeto original. p.198

Referências