N9 133
CAP!'rULO IX
TEORIA DO CRESCIMEN'rO ECONO~nCO
Mario Henrique Simonsen
-TEORIA DO CRESCIMENTO ECONOMICO
9.1) Crescimento e expansao da oferta
-A teoria do equilíbrio agregativo a curto prazo ensi-na a criar demanda para ocupar o potencial produtivo de um país. Um problema totalmente diferente, e que constitui o cerne da teo-ria do desenvolvimento, é como aumentar no tempo a capacidade de produção de uma economia. Os modelos do presente capítulo cuida-rão desse problema, admitindo que.a demanda agregada se sustente no nível necessário para absorver o que a economia puder produzir. Trata-se, agora, de criar oferta.
Na ótica macroeconômica, um modelo típico de cresci-mento parte de uma função de produção agregada:
Y
=
f(N,N,t) (9.1)onde Y indica o produto real, K o estoque de capital, N a força de trabalho, t o tempo. Esta última variável descreve a evolução da função de produção com o progresso tecnológico. Presume-se que Y seja função crescente (ou pelo menos não decrescente) de suas três variáveis, já que capital e trabalho contribuem para a prod~
ção, e já que o objetivo da engenharia é melhul.'al.' a pl:"0J.utividadc dos fatores disponíyeis. Os recursos naturais consideram-se embu-tidos no estoque de capital, admitindo-se por isso que a funçãode produção agregada seja homogênea do primeiro grau em K e N, isto
é:
f(ÀK,ÀN,t)
=
Àf(K,N,t), para todo À ~ O (9.2)Os modelos que descrevem o crescimento do produto a partir da acumulação de capital, do aumento da força de trabalho e do progresso tecnológico dividem-se em quatro grupos. O primei-ro, o de Harrod-Domar, parte de urna função de produção do tipo:
Y = min {v-lK ; aNemt} (9.3)
v,a,m designando constantes positivas, e a base dos logaritmos na turais. Admite-se que haja excesso de mão de obra, isto
é,
que a todo instante se tenha:(9.4)
-1
-Nesse modelo, Y=v K, isto e, o produto é limitado ex clusivamente pelo estoque de capi~al. A taxa de crescimento dop~
duto é igual ao quociente da taxa de poupança líquida s pela rela çao capital/produto v. Com efeito, supondo
dK dt
= I = S = sY (9.5)
onde I
é
o investimento e S a poupança líquida, e lembrando que K=vY:1
Y
dY s
=
dt v
(9.6)
que
é
a conhecida fórmula de Harrod-Domar. Duas extensões do mode lo, a análise bi-setorial de Mahalanobis e o modelo do círculo viCiú50 da pobreza de Liebenstein serão apresentadas nas
9.3 e 9.4.
secçces
No modelo em questão, a mao de obra efetivamente em-pregada L
é
expressa por:L
=
Y e-mta
-crescendo, portanto, a taxa:
1
L
dL dt
s
= - - -
m v(9.7)
de obra L, e um setor de subsistência que abriga o excedente N-L da força de trabalho. Os salários situam-se no nível necessáriop~
ra deslocar mão de obra de setor de subsistência para o moderno no ritmo determinado pela equação (9.7). A remuneração do capital
é
o que sobra de Y após o pagamento dos salários no setor fiXemo.O segundo grupo de modelos, na linha de Kaldor e Pasi netti, admite a mesma função de produção (9.3), mas supoe que a
-1 mt
economia tenha alcançado o pleno emprego, com Y
=
v K=
aNe , e com a força de trabalho crescendoà
taxa g. Nesse ponto o cresci-mento do produto é limitado por ambos, o crescimento do estoque de capital e o da força de trabalho:1
Y
dY dt
=
min {_s_v i.
g+m} (9.8)
Harrod apelidou s/v de "taxa de garantia" e g+m de "taxa natural". Para que os fatores permanecessem plenamente ocu-pados seria necessário que as duas taxas coincidissem. Para tanto seria necessário manter a taxa de poupança em equilíbrio sobre u-ma lâmina afiada, de modo a se ter:
s
=
v(g+m) (9.9)Para Harrod, essa coincidência era altamente improvável. Mais ain da, nas economias desenvolvidas, a taxa de garantia costumava ser superior à taxa natural, impossibilitando o crescimento sustenta-do a pleno emprego PQr excess~ de poupanças.
Kaldor encontrou uma solução bastante engenhosa para o problema do equilíbrio sobre a lâmina afiada, supondo que a pr~
pensão média a poupar dos trabalhadores (sw) fosse inferior à dos capitalistas (s ) sendo s < v(g+m) < s . Nesse caso, o mercado se
c
w
cencarregaria de distribuir a renda entre trabalhadores e capita -listas de modo a que a propensão média a poupar da econowia fosse exatamente igual a v(g+m). Uma emenda de Pasinetti à análise de Kaldor mostra que, independentemente da taxa de poupança dos tra-balhadores, a taxa de lucro converge para (g+m)/sc. Isto posto, a
A função de produção de Harrod-Domar nao admite qual-quer possibilidade de substituição de capital por mão de obra. A
relação capital/produto mantém-se fixa. A relação capital/mão de obra cresce no tempo, mas apenas por conta do progresso tecnológ~
co a taxa m. Em particular, a idéia de que o crescimento do prod~
to real é a resultante de três contribuições, a do aumento do es-toque de capital, a do crescimento da força de trabalho e a do progresso tecnológico não encontra abrigo no modelo. Ou há exces-so de mão de obra e, nesse caexces-so, o crescimento do·produto se deve exclusivamente
ã
acumulação de capital. Ou a economia se encontra a pleno emprego e, nessa hipótese, o crescimentoã
taxa natural depende apenas do aumento da oferta de mão de obra e do progresso tecnológico. Neste último caso, i?centivar a poupançaé
um exer-cício fútil, já que a taxa de poupança é endógena.Um terceiro grupo de modelos, de inspiração neoclássi ca, considera diferenciável a função de produção Y=f(K,N,t), admi tindo que os mercados funcionem em concorrência perfeita. Os fato res, no caso, são remunerados pelas produtividades marginais. Co-mo a função de produção se supõe hoCo-mogênea do primeiro grau,o teo rema assegura que o produto se divide integralmente entre remune-ração do capital e remuneremune-ração do trabalho. Uma fórmula simples,e que será apresentada na secção 9.6, permite separar as contribui-ções da acumulação de capital, do aumento da força de trabalho e do progresso tecnológico para o crescimento do produto real.
Esses modelos permitem o que
é
impossível na análise de Kaldor-Pasinetti, tratar corno exógena a taxa média de poupan-ça da economia. A secção 9.7 descreve o modelo de Solow, quesu-bstitu~ a função de produção de Harrod-Domar pela função de prod~
çao diferenciável:
Y = F(K,Nemt) (9.10)
Tanto o modelo de Kaldor-Pasinetti quanto o de Solow partem de hipóteses extremas quanto
à
função de produção agregada. No primeiro caso a relação capital/produto é imutável. No segun-do, a flexibilidade tecnológica é tal que a relação capital/prod~to pode equilibrar-se em qualquer ponto no intervalo aberto do zero ao infinito. Um meio termo, o modelo de Samuelson-Modigliani, e que será apresentado na secçao 9.8, admite que a relação
capi-tal/produto possa variar, mas apenas numa determinada faixa. A conclusão é que tanto a taxa de poupança quanto a relação capital/ produto se adaptam urna a outra.
9.2) As contribuições de Harrod e Domar
o
chamado modelo de Harrod-Domaré
uma adaptação das contribuições de Harrod e de Domarà
teoria do crescimento. A aná lise de Harrodé
uma incursão ambiciosa e extravagante na teoria dos ciclos, baseada nas seguintes hipóteses:i) a função de produção agregada exprime-se por: Y
=
mim {v-lK ; aNoe(g+m)t} (9.11)que nada mais é do que a expressa0 (9.3) com a população crescen-do
à
taxa constante g;ii) como a demanda de estoque de capital se por K=vY, o investimento líquido ex-ante é dado por:
expressa
I
=
v dYdt
iii) a poupança ex-ante expressa-se por: S
=
sY(9.12)
(9.13)
iv) a cada instante os produtores ajustam a taxa de crescimento do produto real, acelerando-a proporcionalmente ao excesso relativo da demanda sobre a oferta ex-ante:
d
dt
{~ ~}= k I-S
Y dt Y
k indicando uma constante positiva.
(9.14)
Harrod desenvolve o seu modelo em torno de três taxas, a taxa efetiva de crescimento:
G
=
1 dYY dt
a taxa de garantia:
s G
w
=
---v
e a taxa natural: G
n
=
g+m(9.15)
(9.16)
Isto posto, o excesso relativo da demanda sobre a o-ferta e dado por:
1-S Y
=
v(G-G )',V (9.18)
A dinãmica da taxa de crescimento do produto seguindo a equaçao diferencial:
dG dt
=
kv(G-G )w (9 .19)
Pela equaçao (9.18), para que a demanda e a oferta se equilibrem
é
necessário que o produto cresça exatamenteà
taxa de garantia. Mais ainda, e essa é uma conclusão surpreendente que Harrod faz questão ele sublinhar, se o produto crescer além da ta-xa de garantia haverá subprodução, istoã,
excesso de demanda so bre a oferta; se crescer abaixo da taxa de garantia o resultado sera a superprodução.Desde que se suponha G constante, a equaçao (9.19)le w
va a uma conclusão ainda mais surpreendente. Tentando corrigir os desequilíbrios entre demanda e oferta, os produtores agravam ain-da mais esses desequilíbrios, aumentando a distãncia entre a taxa efetiva e a taxa de garantia. Com efeito, como Gw é constante, a equaçao (9.19) pode ser reapresentada na forma:
_d_ (G-G )
dt w
que tem por solução:
G-G
w
=
cekvt
""' kv (C-C ) w
c designando uma constante. Supondo que a taxa inicial de cresci-mento seja igual a G
o' Go-Gw
=
c e portanto:G-G w
=
(G -G ) eo w kvt (9.20)Harrod admite que inicialmente a economia se encontre
- -1
em desemprego, isto e, v K o < aN . Isto posto nada impede que,TY)r o J:"'~ uma temporada, o produto cresça ã taxa de garantia. O estoque de capital também crescerá à taxa de garantia e a criação de novos empregos se manterá à taxa Gw-m. Se essa taxa for menor ou igual a taxa de crescimento g da força de trabalho, isto é, se G (:. G ,
w n
o crescimento equilibrado poderá sustentar-se indefinidamente. O problema surge nas economias em que a taxa de garantia é superior
à taxa natural. Nesse caso, com a taxa de criação de empregos e:{-cedendo a de crescimento da força de trabalho, a economia acabará alcançando o ponto de pleno emprego. A essa altura, a limitação da mão de obra não permitirá que o produto cresça além da taxa na tural Gn=g+m. Supondo que isso ocorra no instante to' inicia-seno va fase do ciclo em que, pela equação (9.20):
G-G
=
(G -G )ekv(t-to )w n w (9.21)
Sendo G < G , a taxa efetiva de crescimento do produto nao conse
n w
gue sequer sustentar-se em G
n, mas cai progressivamente até se tornar negativa, o que constitui a explicação de Harrod para as crises. Obviamente, se a taxa de garantia se mantivesse inaltera-da na fase descendente do ciclo, o produto real cairia indefiniinaltera-da mente, tendendo à completa exaustão. Harrod sai pela tangente ad-mitindo que, na depressão, a taxa de garantia ac~e se tornando
fortemente negativa, ao ponto de cair abaixo da taxa efetiva e com isso detonar novo processo de recuperação. Isso porque a poupança líquida se torna negativa e porque, com a capacidade ociosa, a e~
pressao (9.12) passa a refletir o investimento ou desinvestimento apenas em estoques, baixando consideravelmente o valor de v. A explicação é logicamente inconvincente, já que Harrod usa conclu-sões obtidas para G
w constante para determinar o que acontece ~ do G é variável. Mais ainda, a hip6tesé de que a taxa de
garan-w
tia caia abaixo da efetiva é mera conjectura, e que não necessa -riamente resulta das hip6teses do modelo. Além do mais, Harrod i~
nora que, nos períodos de recessão, o investimento líquido pode tornar-se negativo, pelo desgaste do capital fixo ocioso.
precarie-9 .precarie-9 .
dade da teoria da recuperaçao, mas tawbém pela conclusão de que, tentando corrigir os desequilíbrios entre oferta e procura, os em presários os alargam cada vez mais. O importante, na contribuição de Harrod, é a observação de que se, a pleno emprego, a taxa de garantia s/v e superior ã taxa na"tural g+m, é impossível o cresci mento sustentado com plena ocupação da força de trabalho.
Domar cuidou de um problema bem menos pretencioso, o de responder ã seguinte indagação: "tendo em vista que os invest!. mentos aument3.In a capacidade produtiva de um país, a que taxa
e-les devem crescer para que a econom.ia permaneça a pleno emprego?". Para tanto, Domar imaginou uma economia fechada, com os mercados em equilíbrio, usando duas hipóteses:
i) a propensao marginal a poupar se manteria constan-te, igual a s, e portanto:
dI
=
dS dY= s - - (9 • 22)
dt dt dt
~
ii) o acréscimo do produto a pleno emprego Y seria pr~
porcional ao investimento líquido:
dY
dt
=
I
I (9.23)
v designando a relação incrementaI capital/produto. Na trajetória de syescimento a pleno emprego, Y=Y, c portanto:
I
I
dI dt
= s (9.24 )
v
ou seja, a taxa de crescimento do investimento líquido deveria ser igual à propensão marginal a poupar dividida pela relação incre-mentaI capital/produto. Indicando por I o o investimento líquido i nicial necessário para manter a economia a pleno emprego:
(s/v) t
I
=
Io e (9.25)Tendo em vista essa expressa0 e a relação (9.23) a e-volução do produto se descreveria pela relação:
Y =: Y. +
o
I o
S
9.10.
No caso particular em que a propensao média a poupar
fosse constante, igual a marginal, lo
=
SYo ' e portanto:y
=
Ye(s/v)to (9.27)
9.3) O modelo bi-setorial de Mahalanobis
Imaginemos uma economia fechada onde, no instante t,a produção de bens de consumo seja C, a de bens de capital igual a 1. A demanda absorve a oferta de cada setor e os bens de capital supõe-se infinitamente duráveis. Isto posto, I é o investimento l i
quido e Y=C+I o produto da economia.
Designemos por Kl e K2 os estoques de capital existe~
tes no instante t, respectivamente no setor produtor de bens de consumo e no setor produtor de bens de capital. Na linha do mode-lo de Harrod-Domar, o modemode-lo de Mahalanobis supõe que:
(9.28) (9.29)
as constantes aI e a
2 indicando as relações produto/capital napr~
dução de bens de consumo e na de bens de capital,respectivamente. Com base na evidência empírica, admite-se que:
(9 • 30 )
Supõe-se conhecidos os estoques iniciais de capital KIO e K20 nos
dois setores. e o produto no
C o I
o Y
o
Esses estoques instante O:
= alK lO
=
a 2K20=
alKlO+a2K20determinam o consumo, o investimento
(9.31.a) (9.31.b) (9.31.c)
Designemos por 11 a parcela do investimento do instan te t destinada ao setor produtor de bens de consumo, por 1 2 a des tinada
ã
produção de bens de capital. Têm-se as tautologias:(9 • 32 . a)
dKl
11 (9.32.b)
=
dt dk 2
12 (9.32.c)
=
Y
=
C+I (9.32.d)Admitamos que, a partir do instante O, a propensãomrr ginal a poupar se mantenha constante, igual a s (O < s < 1). Isso implica:
dI dt ou, corno Y
=
C+I:(1-s)
=
dSdt
= s dY dt
dI de
= s
dt dt
(9.33)
(9.34 )
Derivando em relação ao tempo as expressoes (9.28) e (9.29) e introduzindo as tautologias (9.32.b) e (9.32.c):
de
dt dI dt Segue-se que:
ou, corno I = 11
T
..LI
12 +
=
=
(9.35.a)
(9.35.b)
(9.36.a)
12
(1-s)a2
T
-_._---
~ (9.3E.b)sa
l +(1-s)a2 sal
I (9.36.c)
sa
l +(1-s)a2
Essas relações resumem a primeira conclusão importan-te do modelo de Mahalanobis: a repartição dos investimentos en-tre os setores produtores de bens de consumo e de capital é deter minada pelos coeficientes técnicos al e a
Das equaçoes (9.35 ) e (9.36 ) resulta:
dY dC
+ dI alI I + a 2I 2 ala2 I
=
=
=
dt dt dt sal + (l-s) a 2
ou seja:
dY I
I (9.37)
=
dt v
onde a relação incrementaI capital/produto é expressa por:
v
=
sa
l+(I-s)a2
(9.33)
Essa expressão mostra que a relação incrementaI capi-tal/produto
é
função dos coeficientes técnicos do modelo e da propensão marginal a poupar s. Se aI > a2, quanto maior a propen-são marginal a poupar maior a relação incremental capital/produto. A conclusão é facilmente compreensível, pois quanto maior s,maior a fração do investimento total a ser destinada ao setor produtor de bens de capital, onde a relação capital/produto l/a
2 e maior do que na indústria de bens de consumo.
Corno no modelo de Domar, as relações (9.33) e (9.37) implicam:
I
=
I e (s/v) t oI Y
=
Y o + -os e, por diferença:
C
=
C +o
l-s
s
(9.39.a)
{e(s/v)t _ I} (9.39.b)
{ I {e (s / v) t - In ( 9 . 39 . c)
o
Por essas expressoes, o investimento cresce à taxa constante s/v, e o consumo e o produto a taxas variáveis que con-vergem para s/v. Corno:
-conclui-se que, quanto mais alta a propensao marginal a poupar, maior o crescimento a longo prazo do produto e do consumo.
A curto prazo, a conclusão costuma ser a oposta. Der~
vando-se a expressão (9.39.b) em relação ao tempo, e tomando-se t=O:
(::
)
=
t=o
vDesde que aI > a 2 a relação capital/produto será função crescente
da propensão marginal a poupar. Logo, quanto maior s, menor ocres cimento inicial do produto. Quanto ao consumo, o seu crescimento inicial será tanto menor quanto maior a propensão marginal a pou-par, independentemente da hipótese aI > a
2. Com efeito, pelas e-quaçoes (9.35 .a) e (9.36 .b) :
(
:~
J
t=O=
Io
expressa0 cujo segundo membro é função decrescente de s.
A título de exemplo, suponhamos que, numa economia fe chada nas condições do modelo o produto, o consumo e o investimen to no instante inicial seJ'am Y o = 100· C = 90· I = 10, e que as
I o ' o
relações produto/capital nas indústrias de bens de consumo e de bens de capital sejam,respectivamente aI = 0,6 e a
2 = 0,2. Consi-deremos duas hipóteses quanto
à
propensão marginal a poupar, s=
0,125 e s = 0,250. Pela fórmula (9.38) segue-se que v = 2,083 no primeiro caso, v = 2,5 no segundo. Pelas fórmulas (9.39):Hip~tese I: s=0,125; v=2,083 Hipótese 11: s=O, 25O; v=2,5
y
=
20 + 80eO,06t y = 60 + 40eO,ltC = 20 + 70eO,06t C = 60 + 30eO,lt
I = 10eO,06t I = 10eO,lt
9.4) O círculo vicioso da pobreza
Muitos países enfrentaram séculos de estagnação da renda per capita, o que indica que a pobreza pode representar um equilíbrio estãvel. Gunnar Myrdal, Ragnar Nurkse e outros expli-caram o fenômeno pela insuficiência da formação de ca?ital diante do crescimento populacional: um país é pobre porque poupa pouco, poupa pouco porque é pobre. Essa apelidada teoria do círculo vi-cioso da pobreza pode ser formalizada nos seguintes termos, devi-dos a Harvey Liebenstein:
a) a taxa de poupança líquida s é função crescente de renda per capita Yi
b) a relação capital/produto mantém-se inalterada no tempo. Isto pesto, a taxa de crescimento do produto real também é função crescente da renda per-capita Yi (curva PQ na figura 9.1);
c) desprezadas as migrações, a taxa de crescimento é a diferença entre as taxas de natalidade e mortalidade; ambascaern com o aumento da renda per-capita; a de natalidade pelos incenti-vos à planificação familiar resultantes da maior urbanização, do maior custo de educar e manter os filhos numa sociedade,e domilor acesso aos métodos anti-concepcionais; a de mortalidade, pela
me-lhor alimentação e pelo maior uso da medicina e da higiene. As duas taxas, no entanto, caem em ritmo djferen~e com n Allmento da renda per-capita. Para níveis muito baixos de renda per-capita a taxa de mortalidade ultrapassa a de natalidade, tornando insuste~
tãvel a preservação da espécie. Daí até certo ponto crítico
y,
a taxa de mortalidade cai mais depressa do que a de natalidade,pois a melhoria da alimentação e o maior acesso a medicina e à higie-ne costumam preceder a planificação familiar; só a partir dey
e que a taxa de natalidade passa a declinar mais rapidamente do que a de mortalidade. Em suma, a taxa de crescimento populacional evo luirã em função de y de acordo com a curva RS da figura 9.1id) a curva do crescimento do produto real intercepta a do crescimento populacional em dois pontos, A e B, como na fig~
taxas de crescimento
P R
B produto real Q
YB
Figura 9.1s
Na figura 9.1, a renda per-capita Y
A é um equilíbrio estável ao nível da pobreza. Com efeito, abaixo de Y
A a renda per capita cresce, pois a alta taxa de mortalidade mantém o ritmo de crescimento demográfico inferior ao do aumento do produto real.Em compensação, entre
Y
A eYB'
a menor taxa de mortalidade faz com que a população se expanda mais depressa do que o produto real,fazendo o produto per-capita retroceder para Y
A. Para escapar ao círculo vicioso da pobreza, o país tem que alcançar um nível de renda per-capita superior a Y
B, tornando o crescimento auto-sus-tentável. Obviamente é impossível séütar d~ Y
A parri ~T.tS; mas é po~
sível mudar a configuração perversa das duas intersecções, ou le-vantando a curva do crescimento do produto real (pelo aumento da taxa de poupança ou pela diminuição da relação capital/produto) , ou baixando a do crescimento demográfico por uma política de pla-nejamento familiar. Essa é a idéia de "esforço mínimo crítico",de vida a Harvey Liebenstein.
impulso" (big push): o desenvolvimento orientado por um planeja -mento central, e que implantasse simultâneamente uma série de in-vestimentos complementares uns aos outros.
9.5) O modelo de Kaldor-Pasinetti
o
modelo de Kaldor-Pasinetti parte da função de prod~ çao agregada de Harrod:supondo que a economia tenha chegado ao ponto de plena de ambos os fatores, isto e:
ocupaçao
Como se viu, para sustentar o crescimento com plena u tilização tanto do capital corro do trabalho
é
preciso que a taxa de poupança s se mantenha em equilíbrio sobre uma lâmina afiada que igualeã
taxa de garantia ãe Harrodã
taxa natural:s
=
v (g+m)o
que, para Harrod, seria uma coincidência incrivel-mente improvável é, para Kaldor, o resultado do funcionamento dos mercados, que regulam as participações x w e x c dos trabalhadores e capitalistas no produto, de modo a que a propensão média a poupar se torne igual a v(g+m). Para tanto, Kaldor supõe que traba-lhadores e capitalistas poupem frações Sw e Sc de suas rendas,se~
do Sw < v(g+m) < sc. Isto posto:
xvI + Xc
=
1s x +s x
=
v(g+m)w w
c csistema de equaçoes que leva as expressoes de Kaldor para as fa-tias distributivas:
x c
=
sc-v(g+m) s -s
c w
v(g+m)-s w s -s
c w
(9.40.a)
(9.40.b)
das quais se conclui que a participação dos trabalhadores no pro-duto é tanto maior quanto maiores forem s c e s w e tanto menor quan
é facilmente compreensível. Se a fatia dos trabaJhadores estiver abai xo da indicada na fórmula (9.40.a), a taxa de poupança, superior a v(g+m), implicará numa acumulação de capital que gerará um ex-cesso de demanda de mão de obra, fazendo com que os salários su-bam. A hipótese Sw < v(g+m) < Sc é essencial
à
estabilidade doequilíbrio.
Note-se que, desde que a taxa de poupança dos traba-lhadores seja positiva, parte do estoque de capital a eles perte~
cerã, já que ninguém poupa se não lhe for assegurada a proprieda-de dos ativos adquiridos. Essa é uma observação óbvia, mas muito importante, e que constitui a emenda de Pasinetti
à
teoria de Kal dor. Isto posto x Y inclui não só os salários, mas também osren-w
dimentos do capital pertencente aos trabalhadores. Em suma, se
Sw >
O,
uma fração z do estoque de capital pertencerá aoscapita-listas, a fração complementar l-z pertencendo aos assalariados.P~
ra determinar a trajetória de z, notemos que a poupança dos capi-talistas, igual a uma fração Sc de sua renda XcY é igual ao aumen to zK do estoque de capital a eles pertencente:
d
dt
(zK)
=
zLembrando que K
=
vY e quedz dK dt
dK dt
v(g+m)z + v - =
dt
+ K dz dt
=
s x Yc c
=
sY=
v(g+m)Y, resulta:Segue-se, como indica o diagrama de fase da figura 9.2 que:
z +
v(g+m) e, por conseguinte:
l-z + swxw
v(g+m) s x
z c c
-
+l-z s
x
w w
(9.41.a)
(9.41.b)
(9.41.c)
FUNDAÇkJ G[-r('L:O VARGAS
o
resultado nao surpreende: a cada instante a poupan-ça dos capitalistasé
scx Y, a dos assalariados s x Y. Istopos-c w w
to, a longo prazo, a propriedade do capital se distribui entre os dois grupos na proporção indicada pela equação (9.4l.c).
dz dt
~---~--- z
Figura 9.2
Designemos agora por W o salário e por r a taxa de lu cro. A renda xcY dos capitalistas é igual ao estoque de capital a eles pertencente vezes a taxa de lucro:
Xc y
=
zKr Ou, como K = vY:x
c (9.42 )
r = zv
O produto total Y decompõe-se na folha de salários
WN e gt mais a remuneraçao do capital Kr. Corno K
=
vY, segue-se dao
equaçao (9.42) que:
WN egt + Xc
o Y
=
Yz
Lembrando que a economia opera a pleno emprego, e que Y
=
aN e(g+m)t:o
(9.43)
portanto
mo-delo e da participação dos capitalistas no estoque total de capi-tal. Tendo em vista a expressa0 (9.41.a):
r -+ g+m
-mt a(sc-v(g+m» We +
-s c
(9.44)
(9.45)
o
fato de que, a longo prazo, salários e taxas de lu-cro independem da propensao a poupar dos trabalhadores é uma con-clusão importante obtida pela primeira vez por Pasinetti. A fórmu la (9.44), que iguala a taxa de lucro de equilíbrioà
taxa natu-ral de crescimento dividida pela propensão média a poupar dos ca-pitalistas, aparece em vários modelos de crescimento onde a fun-ção de produfun-ção difere da de Barrod. Pasinetti apelida-a "equafun-ção de Cambridge". Para obte-la, basta supor que: i) o estoque de ca-pital cresceà
taxa naturalg+m; ii) os capitalistas detém uma fra çao constante e positiva z do estoque de capital total, e poupam uma fração s de sua renda. Isto posto, como a renda dos capita-c
listas é igual a zKr:
d
dt
(zK)
=
s zKr c~
como z e uma constante positiva e como o estoque de capital cres-ce
d
-taxa g+m:g+m
=
o que implica:
r
=
I
K
g+m
dK dt
=
s rc
Note-se que na dedução acima so se exige que z seja uma constante diferente de zero. Não apenas pode variar a relação capital/prod~
to, mas também a taxa natural g+m e a propensão a poupar dos cap~
talistas s . Pasinetti sublinha a importância dessa conclusão ex-c tremamente geral. Apenas ela é menos geral do que parece â prime~
9.6) A teoria marginalista do crescimento
Tratemos agora do caso em que a função de produção a-gregada Y
=
f(K,N,t), além de homogênea do primeiro grau em K e N, é diferenciável até segunda ordem nas suas três variáveis. Indica remos por fK,fN,ft as derivadas parciais de Y em relação a K, N e t, respectivamente; fK e fN, as produtividades marginais do capi-tal e do trabalho, indicam a taxa de lucro r e o salário W numa economia competitiva. Como a função de produção é homogênea do pr~
meiro grau em K e N, o teorema de Euler asségura que:
(9.46)
indicando que o produto
é
inteiramente absorvido pela remuneraçao dos fatores. A relação acima equivale a:e
K + eN
=
1 (9.47)K N
onde e
K
=
Y fK e eN=
Y fN indicam as elasticidades do prod~to em relação ao estoque de capital e em relação a mão-de-obra em pregada. Numa economia competitiva e
K representa a fração dos lu-cros, e
N a fração dos salários no produto. Suporemos que a função de produção obedeça a lei dos rendimentos decrescentes em cada um dos seus fatores, e que, por isso, as derivadas parciais de segu~
da ordem f
KK e fNN sejam ambas negativas. A expressa0:
J == 1
ay
Y
at
=~f
Y t (9.48)
é denominada taxa de progresso tecno16gico. J é a taxa espont5nea
de c~escimento do produto, isto é, a taxa à qual cresceria o
pro-duto se as quantidades dos fatores nao se alterassem.
Com a função de produção diferenciável Y
=
f(K,N,t) o crescimento do produto resulta da acumulação de capital, do cres-cimento da força de trabalho e do progresso tecno16gico. Derivan-do Y em relação a t, e consideranDerivan-do K e N também funções Derivan-do tempo:dY dt
dK dt
Indicando por ny
=
1y
dY dt
n
=
K
1
K
dK dt
n
=
N
1
N
dN dt
as ta-xas de crescimento do produto, do estoque de capital e do emprego da mão de obra, a relação acima pode ser reescrita na forma:
ou, dividindo por Y:
(9.49)
fórmula que decompõe a taxa de crescimento do produto nas contri-buições eKnK da acumulação àe capital, eNnN do aumento da mao de obra empregada, J do progresso tecnológico. Subtraindo de ambos os membros a taxa de crescimento da mão de obra, e lembrando que, pela equaçao (9.47), l-e
N
=
eK:ou, corno a taxa de crescimento de um quoeficiente é a diferença das de crescimento instantâneas:
(9.50)
fórmula que mostra que a taxa de crescimento da prcdutividade mé-dia do trabalho
é
igual à taxa de crescimento da relação capital/ mao de obra vezes a elasticidade do produto em relação ao capital, mais a taxa de progresso tecnológico.Na ausência do progresso tecnológico, a relação produ to/capital Y/K
é
função crescente da taxa de juros r. Com efeito, sendo a função de produção homogênea do primeiro grau, e sujeita a rendimentos decrescentes em cada fator, tanto Y/K quanto r=
f K são funções decrescentes da relação capital/mão de obra K/N. In-teressa-nos estudar funções de produção com progresso tecnológico que mantenham inalterada no tempo a relação entre Y/K e r. Urnafunção do tipo:
(9.51)
obedece a esse requisito, corno se demonstrará a seguir. O progre~
Como a função de produção em questão é homogênea do primeiro grau:
onde:
e que as
mt mt
Y
=
Ne F(k,l)=
Ne ~(k)k
=
Dai Y K
K
N mt re
se segue
=
'l!(k) k produtividadesque:
marginais r
=
FK=
'l! I (k)W
=
emt('l!(k)-k~' (k»dos
(9.52)
(9.53)
(9.54)
fatores sao:
(9.55.a)
(9.55.b)
Pela hipótese de rendimentos decrescentes, 'l!' (k)
=
r é função de-crescente de k. Logo, k é função decrescente de r, o que permite reescrever a equaçao (9.52) na forma:Y
=
Nemt j (r) (j' (r) < O) (9.56)Derivando a expressa0 (9.54) em relação a k, e observando a fórmu la (9.55.b):
d
- (Y/K)
=
dk
-mt We
o que mostra que Y/K também e função decrescente de k, e portanto função crescente da taxa de lucro r, o que nos permite escrever:
Y
K
=
h (r) (h' (r) > O) (9.57)9.26.
Supondo, na equaçao (9.56), que a força de trabalho ~
cupada se expanda à taxa constante g, a taxa de crescimento do p~
duto será dada por:
=
g+m +j ,
(r) nyj (r) Do mesmo modo, pela equaçao
e portanto:
onde u(r)
=
h' (r) n -n y K
=
h (r)
n
K
=
g+m - u(r) h' (r)h (r)
j , (r)
j (r)
dr dt (9.57) : dr dt
dr dt
>
O
(9.58)
(9.59 )
As equações acima revelam-algumas propriedades impor-tantes do crescimento de urna economia onde o progresso tecnológi-co se tecnológi-comporte tecnológi-corno na função (9.51). Se a taxa de juros se mant~
ver estável no tempo, ambos, o produto e o estoque de capitalcre~
cerão à taxa natural g+m. Se a taxa de juros estiver subindo, am-bos crescerão abaixo da taxa natural~ o estoque de capital
9.7) O modelo de Solow
O modelo de Solow parte da função de produção descri-ta na equaçao (9.51):
mt
Y
=
F(K,Ne )admitindo que, em função da taxa de juros, a relação produto/cap~
tal possa variar do zero ao infinito. Um exemplo é a função de pr~
dução Cobb-Douglas:
onde:
a
Y
=
cKh (r)
=
Y K=
_l_f Ka
=
(O<a<l)
r
a
corno indica a reta OP da figura 9.3. Solow admite, além do mais, que a taxa de poupança líquida da economia seja igual a s, o que implica:
dK dt o que implica:
=
sY1
K
dK dt
Y
=
s~ = sh(r) KTendo em vista a equação (9.59), segue-se que: dr
u ( r ) - -
=
g+m-sh(r) dtIsto posto, os movimentos da taxa de juros e da rela-çao produto/capital, que se combinam sobre a curva OP da figura
9.3, são os indicados pelas setas do gráfico. Ambas aumentam ou d!. minuem conforme a relação produto/capital seja inferior ou
supe-rior a (g+m)/s. Segue-se que a taxa de juros converge para um po~
to
r
tal que a relação produto/capital seja dada por:1
v
g+m
s
endó-gena
é
a relação capital/produto, e nao mais a taxa de poupança. A convergência da taxa de juros implica, pelas equaçoes (9.58) e(9.59) a das taxas de crescimento do produto e do estoque de cap~
tal, ambas tendendo para a taxa naturalg+m.
Y
K
~
s
o
P
r r
Figura 9.3
Nada assegura, no modelo de Solow, que a taxa de lu-cro de equilíbrio
r
obedeçaà
equação (9.44) do modelo de Pasi-netti. A título de exemplo, no caso da função Cobb-Douglas, a ta-xa de lucro converge para r = a(g+m)/s, o que só coincide com a equação de Carnbridge no caso particular em que s=
ascoNa realidade, essa coincidência é menos improvável do que parece
à
primeira vista. Supondo que a propensão média a pou-par dos trabalhadores seja inferiorà
dos capitalistas, a taxa m~dia de poupança, no modelo da Cobb-Douglas, depende da repartição do estoque de capital entre capitalistas e trabalhadores. No caso, o total dos lucros é isual a aY, a parcela pertencente aos capit~
listas sendo igual a azY. Segue-se que a renda dos capitalistas
é
igual a azY, a dos trabalhadores (l-az)Y, a propensão média a po~par da economia sendo portanto:
(s -s ) az+s
A longo prazo, as fraç6es do estoque de capital per-tencentes a capitalistas e trabalhadores devem ser proporcionais às respectivas poupanças:
z
=
s az c
l-z s (l-az) w
se sw<as c ' a equaçao acima implica:
z
=
as -s c w
o que torna a propensão média a poupar exatamente s
=
asc,levando a equaçao de Cambridge r=
(g+m)/sc.A nova possibilidade, não contemplada no modelo de p~
9.8) O modelo de Samuelson-Modigliani
o
modelo de Solow vale como antitese do de Kaldor-pa-sinetti. Neste último não há qualquer flexibilidade tecnológica, mas a taxa de poupança pode adaptar-se pela mudança das fatias dis tributivas entre trabalhadores e capitalistas. No de Solow, a ta-xa de poupançaé
fixa, mas a tecnologia permite o ajuste da rela-çao capital/produto a qualquer niveloUma hipótese intermediária, a da análise deSamuelson-Modigliani, admite que a relação capital/produto possa variar,mas apenas dentro de certa faixa. Numa versão marginalista, a isoqua~
ta Y=l tem o formato indicado na figura 9.4. A relação produto/ capital pode variar entre os limites A max e A . : m1.n
A. < m1.n
Y
K
=
h(r) < A maxPara r=O tem-se h(O)= A . • A relação máxima se alcança no ponto m1.n
em que a produtividade marginal do trabalho se torna igual a zero. Nesse caso, a produtividade média do capital, pelo teorema de Euler, iguala a marginal, já que:
implica Y K
=
f+
K
N
K
Essa equaçao implica:
K
r < h(r), para r < A max r ~ A
=
h (A )max max
l/Amin
---Y=l
l/Ama x . : : . .
-(9.60.a)
(9.60.b)
~ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ L _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _
A renda dos capitalistas será zKr, a dos assalaria-dos o complemento (y-zKr). Segue-se que o aumento do estoque de
~
capital sera: dK
sc zKr s (y-zKr)
= +
dt w
de onde resulta:
1 dK
(s -s )zr + s h(r) (9.61)
~= =
K dt c w . w
Dessa equação se obtém duas desigualdades bastantes u teis. Primeiro, lembrando que z ~ O e r ~ O:
n
k ~ s w A . mln
Por outro lado, lembrando que z ~ 1 e que r ~ h(r) ~
~ s A c max
No crescimento equilibrado com pleno emprego do capi-tal e trabalho, a taxa de crescimento do estoque de capicapi-tal deve
conve~gir para a taxa naturalg+m. As desigualdades acima mostram que isso é impossível em duas hipóteses:
A) se s A.
w
mln > g+m. Esse é o caso Harrodiano em que a taxa de garantia cresce acima da taxa natural, tornando insusten-tável o crescimento a pleno emprego;B) se s A < g+m. Esse é o caso do modelo de Harrod c max
para uma economia com excedente de mão de obra, em que o cresci-mento é limitado exclusivamente pela acumulação de capital.
Cuidaremos na discussão que se segue do caso interme-diário em que s A. ~ g+m ~ s A . Um ponto de referência impoE
w mln c max
tante, no caso,
i
a relação produto/capital crítica Acrit
=
h (~), onder
=
g+m, como indicado na figura 9.5.y K
A rnax
I / / A . I /
rnln
y
/ /
/1
/ I
/
g+rn
s
c
/
/
/ /
r rnax
Figura 9.5
r
Para analisar a dinâmica da participação z dos capit~
listas no estoque de capital, notemos que o investimento, igual a poupança dos capitalistas é uma fração s da sua renda zKr:
c d
dt o que implica:
dz dt
(z1<)
=
s zKrc
-ou, tendo em vista a equaçao (9.61): dz
dt
= z {(s (l-z)+s z)r-s h(r)}
c w w (9.62)
A dinâmica da taxa de juros obtém-se combinando as e-quaçoes (9.59) e (9.61):
dr
u(r)~
=
(g+m) - (s -s )zr-s h(r)dt c W W
(9.63)
Tomando-se dz
=
dr=
O,
conclui-se das duasúlti-dt dt
mas equações que há dois tipos possíveis de equilíbrio:
z
de Cambridge r
=
(g+m)/sc' o que implica h{r)=
Acrit' e portanto: (g+m)-s A w crl ' t
z
=
Pela desigualdade r ~ h (r) I segue-se que g+m ~ A
s cri t
c
e portanto z ~
1.
Para termos z >O
é necessário e suficiente que swA cr1. ' t < g+m. Segue-se que um equilíbrio com sobrevivência dos capitalistas existe se e somente se s\'lAcrit < g+m.
B) Equilíbrio com 2utanásia dos capitalistas, isto
é,
com z=
O.
Nesse caso o segundo membro da equação (9.62) se anula automaticamente. Para que o mesmo. ocorra na equação {9.63} é ne-cessário e suficiente que swh{r)=
g+m. Segue-se queum
tal equi-líbrio existe se e somente se s A, ~ g+m ~ s Aw mln w max.
que
dz
dt
Nas figuras 9.6, PQ é o lugar geométrico dos pontos em dr
=
O,
RS o dos pontos em que scr-nk=
O.
Isto posto, dt=
O
tanto sobre o eixo das abcissas quanto sobre a curva RS.Na figura 9.6. a s A , t ~ s A < g+m. Há um único e-w cr1. w max
quilíbrio do sistema, o ponto E em que se interceptam as curvas PQ e RS. Os capitalistas sobrevivem e o equilíbrio é estável.
P z
R r R Q r Q R r
Figura 9.6.a Figura 9.6.b Figura_9.6.c
(s A < g+m)
Na figura 9.6.b swA . t < g+m ~ s A . Há dois
equilí-cr~ w max
brios, um com sobrevivência dos capitalistas no ponto E,outro com eutanásia dos capitalistas no ponto Q. E
é
equilíbrio estável, Q instável.Na figura 9.6.c s A. w ~ g+m ~ s A . t. Há um único
e-m~n w cr~
quilíbrio, agora estável e com eutanásia dos capitalistas, o pon-to Q. Nesse equilíbrio swh (r)
=
g+m o que implica h (r) ~ A . t ' ecr~
portanto:
r ~ g+m s
c
Deixando de lado o equilíbrio instável da figura 9.6.b, a análise acima leva a quatro possibilidades quanto a trajetória de crescimento ,dependendo das propensões a poupar dos trabalhadores e capitalistas:
i) s A c max < g+m. Esse
é
o caso em que a acumulação de capital nao consegue acompanhar o crescimento da força de traba-lho e da sua produtividade média pelo progresso tecnológico. A escassez de poupanças não permite que a taxa de criação de novos empregos acompanhe a do aumento da força de trabalho;ii) s A w . t < g+m ~ s A . Esse
é
o caso de Pasinetti,cr~ c max
em que a economia cresce com plena ocupação de ambos os fatores, com ~ relação produto/capital se equilibrando em A
crit e a taxa de juros em r=(g+m)/sc' os capitalistas mantendo uma proporçao p~
sitiva de renda e do estoque de capital;
iii) s A.
w
~ g+m ~ s A . t. Esse é o caso anti-Pasinetti,m~n
w
cr~em que a alta propensão a poupar dos trabalhadores leva
à
eutaná-sia dos capitalistas. No equilíbrio, a taxa de juros é inferior à corresoondente a equaçao de Cambridge;i v) swA. > g+m. Esse é o caso de Harrod em que o cre~
m~n
cimento sustentado a pleno emprego é impossível pois a taxa de g~
-A apresentação acima
é
uma versao marginalista do mo-delo de Samuelson-Modigliani. A versão original supõe que a taxa de crescimento do produto seja igualà
taxa natural:n
=
g+mY
e dispensa a hipótese de que h(r) seja função crescente da taxa de lucro. De fato, numa economia com vários produtos e opções te~
nológicas não há como assegurar que h' (r) seja positiva. A desi-gualdade
r ~ h{r)
independe da hipótese de que os fatores sejam remunerados pelas produtividades marginais. Basta lembrar que Kr ~ Y, isto é, que a remuneração do capital não pode" ultrapassar o valor do produto.
As equaçoes (9.61) e (9.62) permanecem as mesmas, já que elas independem das hipóteses marginalistas. Lembrando que
Y/K
=
h(r) e que ny=
g+m, segue-se que:dr dt
h' (r)
h (r)
=
-O que nos permite usar a equaçao (9.63) ,entendendo-se que u(r)
=
h' (E,) • A complicação, agora,é
que não mais se podeh (r)
assegurar que u (r) > O.
As possíveis configurações do crescimento, o caso de insuficiência de poupanças para empregar toda a mão de obra, o caso Pasinetti, o caso anti-Pasinetti de eutanásia dos capitalis-tas e o caso de excesso de poupanças que leva a taxa de garantia a exceder a natural são as mesmas da discussão anterio~. Surgem apenas duas novas complicações, a menos que se admita que h(r) se ja função crescente da taxa de lucro. Primeiro, não há como garan tir a estabilidade do equilíbrio no caso Pasinetti em que
s w A . t < g+m. Segundo, não há como assegurar nem a estabilidade
crI.
9.9) Teoria e política de crescimento
Até que ponto os modelos teóricos apresentados forne-cem bons conselhos para a formulação de uma política de crescimen to? Uma conclusão comum a todos os modelos é que, a longo prazo, a taxa de crescimento da produtividade média do trabalho é igual
à
taxa de progresso tecnológico m. Segue-se que a chave de uma p~ lítica de desenvolvimento seria acelerar m. Resta saber como, e a esse respeito os modelos apresentados são muito pouco informati-vos.Comecemos com o modelo de Kaldor-Pasinetti. Sua base é uma função de produção absolutamente peculiar, em que o coefici ente técnico de capital se mantém- constante no tempo e o de mao de obra declina exponencialmente
à
taxa m, por conta do progresso tecnológico. Daí se segue uma conclusão surpreendente: a política de fomento à poupança e de melhoria da produtividade média do ca-pital só acelera o desenvolvimento enquanto houver desemprego es-trutural. Alcançado o pleno emprego, qualquer tentativa de aumen-tar sé
infrutífera: pode-se aumentar a propensão média a poupar Sw dos trabalhadores, a propensão média a poupar Sc dos capitali~tas, mas isso apenas aumenta a fatia x dos trabalhadores no pro-w
duto e reduz a fatia
x
c dos capitalistas, mantendo inalterada - a taxa de poupança média s = x S +x S . Na mesma linha, uma mudança w wc c
na relação capital/produto acarreta uma alteração proporcional na taxa média de poupança de moão a se continuar com s=v(g+m) .
Os modelos de Solow e de Samuelson-Modigliani dão um pouco mais de valor
à
política de fomentoà
poupança, mas conti-nuam situado a taxa de progresso tecnológico como a variável cha-ve da política de desenvolvimento. Com m=O, a produtividade mé-dia do trabalho fatalmente chegará à estagnação. Apenas o ponto de saturação será tanto mais alto quanto mais elevada for a taxa de poupança. A título de exemplo, tomemos o caso particular domode-lo de Somode-low com a função de produção Cobb-Douglas: l-a
Y = cKa (Nemt) (O < o. < 1)
Com uma propensao média a poupar s tem-se, a longo pr~
zo, K s e portanto:
Y N
I
-mt l-ex
e
=
c {~_s_} l-ag+m
o que mostra que, a longo prazo, a produtividade média do traba-lho cresce à taxa m, embora seu nível absoluto, a cada instante, seja função crescente da taxa de poupança s. Na ausência de pro-gresso tecnológico, isto é, se m=O, o esforço de poupança permite que a produtividade média do trabalho convirja para um patamar mais elevado: se a=1/3, esse patamar será proporcional
à
raiz qu~drada de s. A mensagem de política econômica, no entanto,
é
subs-tancialmente semelhante
à
do modelo de Kaldor-Pasinetti: muito mais importante do que o esforço de poupança é o aumento da prod~tividade do trabalho via progresso tecnológico.
Resta saber como. O defeito óbvio de todos os modelos até agora discutidos é que eles presumem que o progresso tecnoló-gico caia do céu. Bem mais plausível é supor que a taxa de pro-gresso tecnológico dependa da fração s' do produto destinada a in vestimentos em pesquisa. Na discussão que se segue suporemos que:
m
=
ks' (k > O) (9.64)o que desdobra a poupança líquida em duas componentes, a parcela (s-s')y destinada
à
acumulação de capital físico e a parcela s'Y dirigida aos investimentos em pesquisa. A divisão do total sY, em equilíbrio, deve ser tal que a rentabilidade dos investimentos empesq~isa iguale a dos investimentos em capital físico. Por esse
me
canismo, a taxa natural g+m torna-se dependente da taxa de poupa~
ça s.
Comecemos com o modelo de Harrod-Domar, com a função de produção reescrita na forma:
vY b(t}Y
(9.65.a) (9.65.b)
Admitamos que ambos os fatores estejam plenamente ocupados e que
s I dN . t - . t h d ao crr
- - - > g
=
----,
~s o e, que a econom~a en a escapa o •v N dt
culo vicioso da pobreza. O investimento em pesquisa baixa o coefi ciente técnico de mão de
m
=
ks'=
-obra b (t) :
b' (t)
b (t)
o
crescimento com plena ocupaçao dos fatores exige:G
=
dK
ou, como
=
dt
G
=
I Y dY dt (s-s')Y s-s' v
=
=
=
IK
s-s' v
ks'
+
g dK dtK:
=
g+m(9.67)
A equaçao acima soluciona o enigma harrodiano do equ~
líbrio sobre o fio da navalha por um caminho inteiramente diferen te do imaginado por Kaldor: parte da poupança destina-se a inves-timentos em pesquisa de modo a equilibrar as taxas natural e de garantia. Resolvendo a equaçao (9 .. 67):
s'
=
G
=
s-vg l+kv ks:!-g l+kv (9.68) (9.69)
Pela última expressa0, G
é
função crescente das variá veis s, g,k (j á que, por hipótese, s > vg) e decrescente de v. Segue-se que o fortalecimento da poupança, a diminuição da relação cap~ tal/produto e o aumento da produtividade k dos investimentos em pesquisa contribuem para a aceleração do crescimento econômico. A taxa de crescimento g da oferta de mão de obra contribui positiv~mente para a taxa de crescimento do produto G, mas negativamente para a taxa de expansão G-g da produtividade média do trabalho.Es sas conclusões são inteiramente opostas às do modelo de Kaldor-Pasinetti.
Como estamos num modelo de rendimentos constantes a rentabilidade s ' r do investimento em pesquisa por unidade de pro-duto deve igualar-se à economia obtida no custo da mão de obra:
s ' r
=
-b' (t) Wou, tendo em vista a equação (9.66)
Como Y = Kr+\\TN = (vr+b(t)W)Y vr
+
b(t)W=
1o
que implica, tendo em vista a equaçao (9.70):r
=
k (9. 71)l+kv
o que mostra que a taxa de lucro depende apenas da produtividade dos investimentos em pesquisa e em capital físico, sendo função crescente de k e decrescente de v. As fatias distributivas da re-muneraçao do capital e do trabalho no produto são:
Kr kv
=
vr = (9. 72. a)Y l+kv
\\TN
l-vr 1
=
=
(9.72.b)y l+kv
Supondo k e v constantes, conclui-se que os salários
-crescem a taxa: 1
W dW dt
=
G-g
=
k (s-vg)l+kv
~ fácil enriquecer o modelo distinguindo as propen-sões médias a poupar Sc e Sw dos capitalistas e trabalhadores co-mo na análise de Kaldor-Pasinetti. Indicando por z a fração do e~ toque de capital pertencente aos capitalistas; a sua J:"pnda será zKr, a dos trabalhadores Y-zKr. Segue-se que a poupança total se-rá:
ou, tendo em vista as expressões (9.71) e (9.72.a): kv
(9.73) l+kv
o
investimento em pesquisa na economia e-
igual a s'Y=
s ' K, cabendo aos capitalistas a parcela s' zK. Apoupan-v
v
ça sczKr dos capitalistas destina-se em parte a esse investimento em pesquisa, no resto
à
acumulação do capital físico a eless' + _d_(ZK)
,
dI<s zKr
=
--zK=
~ZK + z + Kc
v dt v dt
Lembrando que 1 dK
=
G:K dt dz
z(s r G - s'
=
-
- )dt c v
ou, pela equaçao (9.67) :
dz
z(s r _s_}
=
-dt c v
Introduzindo as expressoes (9.71) e (9.73): dz
dt
z
= ---
(s kv - (l+kv)s - z(s -s }kv)c · w c w
v(l+kv}
dz dt
Daí se conslui facilmente que há duas hipóteses:
A} s kv
c
> (l+kv}s wNesse caso, a fração dos capitalistas no estoque de capital converge para:
(s -s ) kv - s
c w w
z
=
---e a taxa d---e poupança para: kv l+kv
B} sckv ~ (l+kv}sw
Esse
é
o caso da eutanásia dos capitalistas, em quez -+
O
e s -+ s .w
Tomemos agora a função de produção Cobb-Douglas:
Y
=
c(t)ka N l-aonde se supoe:
J
=
1 Y=
c' (t)Y t c (t)
dK (s-s'}y
=
dt
(O <a< I)
=
ks' (9.74)1 dN
=
g (9. 76)
N dt
A taxa de lucro deve igualar-se
à
produtividade mar-ginal do capital:Y
r
=
a-K
Por outro lado, no contexto de rendimentos constantes, a rentabilidade s'Yr de investimento em pesquisa deve igualar a parcela JY
=
ks'y do crescimento do produto devida ao progresso tecnológico, o que implica:r
=
kDaí se segue que a relação produto/capital se ajusta de modo a se ter:
ny
=
G sera -Ya -
=
k (9.77)K
Pela equaçao (9.49) a taxa de crescimento dada por:
G
=
a -1 dK + (l-a)g + JK dt
Pelas equaçoes (9.75) e (9.77):
1 dK
( l - - =
k dt
a(s-s,)2-
=
k(s-s') KComo J
=
ks', segue-se que:G
=
ks+
(l-a)g (9.78)do produto
A lição é a mesma: o aumento da taxa de poupança leva
à aceleração do crescimento do produto.
9.10) Exercícios
1), Reconstrua o modelo de Mahalanobis supondo que parte da produ-ção da indústria de bens de capital se destine a cobrir as de-preciações, isto
é,
substituindo a equação (9.29) por a2k2
=
I + d(KI+K 2 ), d indicando a taxa de depreciações.2) Na versao original de Kaldor, as expressões x e x das
equa-w
cções (9.40.a) e (9.40.b) correspondiam às frações dos salários e lucros no produto. Mostre que
é
possível chegar a essa con-clusão supondo que os trabalhadores poupem uma fração s dosw
salários e uma fração Sc dos lucros por eles recebidos. O que aconteceria, no caso, com a participação dos capitalistas no estoque de capital?
3) Reconstrua o modelo de Kaldor-Pasinetti supondo que as poupan-ças dos trabalhadores sejam emprestadas aos capitalistas a uma taxa de juros i < r.
4) Comente a seguinte proposição de Pasinetti: num equilíbrio es-tável, com ou sem eutanásia dos capitalistas, tem-se:
g+m ~ r ~ (g+m)/s
. c
(Sugestão: para obter a primeira desigualdade lembre que nin-guém poupa eternamente mais do que os redimentos do capital, sob pena de estar sacrificando o consumo presente e futuro si-multaneamente) .
5) No modelo de produção marginalista, suponha que o salário real se mantenha constante no tempo e que a poupança l~quida seja uma fração s do produto real. Determine a taxa de crescimento do emprego. Interprete o resultado.
9.44.
7) Marx, em "O Capital" constrói um modelo de economia com rendi mentos constantes da escala em que o resultado a longo prazo das inovações é manter os salários estagnados e as taxas de lucro em declínio. Mostre que essa conclusão
é
com o modelo marginalista de crescimento.
8) Tome a função de produção agregada: y- a
=
(AK)-a+
(BL)-aonde A,B,a são constantes positivas e onde: L
=
Nemt=
N e(g+m)to
incompatível
Supondo a economia competitiv~, e que as frações poupadas das rendas dos trabalhadores e capitalistas sejam, respectivamen-te, Sw e sc' determine o comportamento assintótico do modelo, em termos de taxas de crescimento do produto e do estoque de capital, da taxa de lucro e da participação dos capitalistas no estoque de capital.
9) Reconstrua o modelo de Samuelson-Modigliani supondo que a fun ção de produção seja dada por:
K
=
v(r)Y (v' (r) < O t· v . ~ v ~ v )mln max
N = b(t)c(r)y (b(t)
=
be-mt ; c'(r) > O)10) Refaça o exercício anterior substituindo a expressa0
b(t)~-mt
por ks'
= -
b' (t)" s' indicando a fração do produtodestina-b (t)
da a investimentos em pesquisa.
11) Mostre que se chega
ã
relação (9.70) situando os investimen-tos em pesquisa numa perspectiva de otimização intertemporal, em que os empresários procuram minimizar:~:
j(t) (s'+
b(t)W)dtde mao de obra por unidade de produto. A função desconto j(t) relaciona-se
à
taxa de lucro pela relação:[!(;AIOS lcn:iÜ;':ICOS D/I, LPGE
(a parti r de li? 50)
50 .• JOGOS D~ INr-or;;-',;\U\o Il':CO:'lPLlTfl,: Uh}). Il~TRODUÇÃ(J - Sérgio Ribeiro da l.OSLil
\-!r;.rl.:>nJ - 1 :JG!~ ('.'~~;90t ;.:do)
51. A TE()~.i/\ l',Oi·:::Tf.R1A h0[)~:nN/\ [ O fQUIUGHIO GEí<.t\L ·\·I/\U~I\Sll\!·lO C011 W1 I~Ol'\E:\O
IIJFINITO !.lI.: BENS - A. Araujo - 19811 (csgcLado)
53. O PP.O!3U:I·:,é'. DE U{EDIGILiO.r,ú[ Ul POLíTICA Ecor\b~IICA - Rubens Penr.o
C:ysnc-1984 (esgotado)
5/L UI·~í\ Atit\LISL ES'U,TrSTICA Df-\S C,'l.USf,S DP. nl!ssfio DO CHEQU:: SE1-\ FUtlDOS: FOI~:·;U
Lf\çi~.o DE l!t1 Pi{OJEI-O I' I LOTO - Fernando de Ho 1 é.::r.da G<l rbosé.l s C i ovi s de F3rc e
Alor~io Pessoa de Araujo - 198~
55. rOLfTIG\ i"r\CROEC01,)Ô:'IICA NO BE/\SIL: 196~-66 - Hubens Penha Cysne -
1985-(esgotéH.lO)
56. E\lOLUÇ.;;.~ D:JS PU'.NOS Bf..SICOS DE Fltlf\.t'CIN',UnO P/\PJ\ i\QlJl:3iÇÃO DE C/\SF. PR(ipr:U ..
DO Br,NCO j~f\C;Oi·J;'.L DE H/\SlTAÇÃO: 1:-i6 ll-193!j - Clovis de Faro - 1985 (e:..sotu~.;0)
57. 110EO/\ 11411:::XADA - RL!b2.ns P. Cysne - 1985 (esgotado)
58.
INFlAC~O [ SAL~RIO REAL:19Ü5 (e:';~lot<Jdo)
A EXPERltNCIA BRASILElnA - Raul Jos~ Ekerm~n
-59. O EfiFCQUE l'lOr~ET!\RIO DO SflLANça DE PAGr~!·jENTOS: UI". RETROSPECTO - VQldi r
Ramalho de Melo - 1585 (csgotado)
60. "\OED/\ E Pj;[ÇOS IlELAT1VOS: EVIDLNC1A Et',pfRICA -.Antonio SaLazar P. 8r<:!iHlZíc
-1985 (es~;ot<3do)
61. INTFRPRETAC~O ECONDMICA, INFLAÇ~O E INDEXAÇ~O - Antonio M~ria da Si l~cilJ
-1985 (csgot2do)
62. HlI,CROfCOI-iO:'llr, - CAPrTULO I - O SISTi:/·IA /'\ONETAruo - Milrio Henrique Si!l10i1St:1l
e Rubens Penha Cysnc - 1985 (esgotado)
63. /·IACROECOtJ01·:lí\ - U\prTULO 11 - O BI\LI\liÇO D:: PAGl\t·lENTOS - I:orio ilcnriqu~ Si rnonscn c Rubens Peílhi.) Cysnc - 198) (eSSQ 1:<1<io)
6/1. t1ACROrCOI~O'·II/\ - Cf,\prTULO III - 1\$ COIH!iS 'U\Clor~/\IS - liario Ilcnri(:uc~ Sio'ol!',(n
e P.ubt!ns Pc;nhél Cysnc - 1985 (csSlotado)
65.1\ DEI·\r.lJD/\ rOR DIVID!:t·wos: Ul~1\ JUSTIFIC/\TIVA TEÓi1ICl\ - -rOl·HW CHI~-CHIU iN! ,.
Sérgio Ribcir::> dê) C()~:ta \-!crl':u19 - 19U5 (CS~10tddú)
6G. IJI:LVE RUr:OSPECTO í)f\ [CONO!·l!/\ lIf,/\SIL[lgr\ [I·:TI:[ 1979 c I(J81.j - l\uLell~; r(::o:,:~
Cysne .. 19(;5