Cad . Saúd e Púb lic a, Rio de Jane iro , 15(Sup. 2):133-138, 1999
Educação em saúde e educação ambiental:
uma experiência int egradora
He alth e duc atio n and e nviro nme ntal e d ucatio n:
an inte g rate d e xp e rie nc e
1 La b o ratório d e Ed u c a ç ã o Am b ien ta l em Sa ú d e, De p a rt am en to d e Bi o l o g i a , In sti tu t o Ow a ldo Cru z, Fu n d ação Osw ald o Cru z. Av. Bra sil 4365, M a n g u i n h o s , Rio d e Ja n e i ro, RJ 2 2 0 4 5 - 9 0 0 , Bra s i l . d a n i e l l e g @ t r i p. c o m . b r
Da n ielle Gryn sz p an 1
Abst ract T h is p a p er re p o rts on w ork w ith elem en t a ry sch ool tea ch ers from d ifferen t t yp es of Bra z ilian m u n icip a lities, f rom th e coast to th e in terior a n d from cap it als to sm all t ow n s . W i t h th e la rger p u rp ose of facilita tin g teach ers’ p e rcep tion of th e id en tity betw een en viron m en ta l ed -u cat ion a n d h ealth ed -u cation , th e st-u d y foc-u ses on local iss-u es relat ed to q-u ality of life, as w ell as local teach ers’ con cepts con cern in g h ealth a n d th e en viro n m e n t . Fi n a l l y, th e stu d y an alyzes th e i m p o rta n ce of in tersectorial coop era t i ve p ro g ram s facilitatin g lon g-term edu ca tion a l p ro j e c t s .
Key words H ea lt h Ed u c a t i o n ; En v i ron m en t a l Ed u c a t i o n ; En v i ron m en t a l He a l t h ; St u d e n t s ; S c h o o l s
Resumo Este text o relata u m t raba lh o com p ro f e s s o res d o en sin o básico d e a lgu n s m u n icíp ios b ra s i l e i ros com d iferen tes p erf i s : d o l it oral a o in t erior, d e ca p it ais a cid a d es p eq u en as. Com o p rop ósit o m a ior d e facilit ar, e n t re o s d ocen tes, a p ercep çã o d a id en t id a d e en tre ed u cação am -bien t al e edu ca ção em saú d e, f o ram tra tad as qu estões loca is rela cion ad as à q u a lid a de d e vid a. Ap re s e n t a m - s e , a i n d a , algu m as d as con cep ções d e saú d e e m eio am bien te p red om in an tes en tre os p ro f e s s o res d os m u n icíp io s estu d ad os. Por fim , o t rab alh o ap on ta a im p ortân cia d e p ro g ra-m a s d e coop era ção in t erset orial q u e p ossibilitera-m a realiz ação d e p rojetos ed u cacion a is, g e ra l-m en te d e lon ga d u ra ç ã o.
C ad. Saúde Púb lica, Rio de Janeiro , 15(Sup. 2):133-138, 1999
I n t ro d u ç ã o
Este artigo tem p or ob jetivo fazer u m a d iscu s-são d e algu n s a sp e ctos b ásicos d e u m p ro j e t o d e ed ucação am b ien tal d esen volvid o com 540 p ro f e s s o res p ú b licos m u n ic ip a is d e c ap it ais com o Rio de Ja n e i ro e Vi t ó ria, m as tam b ém d e c id a d es p e qu en as o u d o ch am a d o in te r ior d o p a í s, com o Pa ru ap e b as e Ma rab á (PA), Lin h a-re s (ES), San ta Lu z, Teofilâ n d ia e Araci (BA), Po rt e i rin ha e It a b i ra (MG), Açailân d ia (MA). In -t e ressan -te é re ssal-tar q u e e ssa foi u m a exp e-r iên c ia p o ssível d e se e-r ealizae-r ge-ra ças a u m a a ção in t er set or ial, e m q u e con ju ga ram esfor-ços um a in stitu ição cien tífica, a Fun da ção Os-wald o Cruz (Fi o c ruz), re p resen tad a p ela au tora em seu p ap el p edagógico de p op ularização em saú de; a Com p an hia Vale do Rio Doce (CVRD), n a ép oca u m a estatal com força econ ôm ica ex-p re s s i va esex-p ecialm en te n os ex-p eq u en os m un icí-p ios citad os e qu e esta belec ia, icí-p or in term é d i o d a su a Su p e r in te n d ên cia d e Me io Am b ie n te, u m con tato com as Se c re t a rias de Edu cação lo-c a i s. In stituição lo-cien tífilo-ca, em p resa in d ustr ial e a d m i n i s t ra çõe s m u n icip ais q u e, a desp eito d e seu s in t ere sses d ive r s o s, leva ra m a ca b o u m t rabalh o qu e acred itam os ter resu ltad o em b e-n efício p ara a p op u lação, p elo m ee-n o s e-n a a va-liação d os p ro f e s s o res en vo l v i d o s.
Go n ç a l ves (1988) sa lien ta q u e a em p re s a m o d e rn a n ã o se lim ita à otim izaç ão d o lu cro, associan do a fun ção econ ôm ica à social n o seu âm b ito in tern o e n a su a rela ção com a com u -n i d a d e. Sem cu ltivar u m a p ostu ra i-n gê-n u a -n o toca n te aos reais m otivos q u e, gera l m e n t e, le-vam as em p resas a susten tar fin a n ceira m e n t e u m p ro g ram a social d e lon go p ra zo, com o foi o p resen t e ca so, q u e p erd u rou d u ra n te q u ase cin co an os com a n ossa p articip ação direta, re-s o l vem o re-s ere-sta b ele ce r u m a c o o p e ra ç ã o,c om o a d voga Plon sky (1995), ten do sem p re as fin ali-d aali-d e s b á sic as ali-d a s in st itu içõ es a c aali-d ê m ic as a n o rtear n ossa atu ação. O q ue q uerem os deixar c l a ro é q ue n u n ca n os gu iam os pela n ecessid a-d e a-de a em p resa m elhorar su a im agem ju n to às c o m u n i d a d e s, em razão da exp loração d o gên e-ro extrativista m in eral levad a a cab o p or m u ito tem p o e qu e ch egara, em algu m as localidad es, a m u d ar a p aisagem física. Nosso trabalh o p o-d e ser co m p re e n o-d i o-d o, sim , p or u m a in icia tiva q u e b u scou op era c i o n a l i z a r, n as d iferen tes lo-c a l i d a d e s, p rin lo-c íp ios lo-c om o p r om oção d a saú-d e e saú-desen volvim en to su sten tá vel, m esaú-d ian te a atu a liza ção d os d o cen te s p úb lico s, co n form e re co m en d a a A g e n d a 21, a p rovad a d u ra n t e a Co n fer ê n cia d as Naçõ es Un id as so b re Me i o Am bien te e De s e n vo l v i m e n t o, realizada n o Rio d e Ja n e i r o em 1992, Rio-92 (Ba r b i e ri, 1997).
Educação ou tre i n a m e n t o ?
Pro c u ram os n os orien tar n o sen tido de exp an -dir o con hecim en to cie n tífico d os p ro f e s s o re s, em sua m aioria do en sin o fu n dam en tal, e cola-b o rar p ara a form ação d e um p en sam en to crí-t i c o, b aseado em con ceicrí-tos acrí-tu alizados, q ue favo recesse u m a p ostura p a rt i c i p a t i va desses d o -ce n t es em su a s c o m u n id a d es e q ue p u d e sse c o n t ribu ir p ara a m elhoria da q ualidad e de vi-d a, ob jetivo c om u m à evi-d u ca ção e m saú vi-d e e à ed ucação am bien tal.
A p ersist ên cia d e u m en sin o b á sico t ra d i-cio n al, ab stra to e co m p a rt i m e n t a d o, n ã o tem e n c o rajad o a a n álise d os p ro b lem as loca is. Ad e m a i s, a ed u ca çã o am b ien tal e a ed u ca ção em saúd e ain d a con tin uam a ser con sid era d a s, n a re a l i d a d e, ap esa r d a s rec om en d a ções o fi-c i a i s, d a resp on sab ilid a d e d o s p ro f e s s o res d e c i ê n c i a s. Afora esse s p roblem as d e base, n osso p rojeto p ro c u rou en fren tar u m ou tro b astan te re c o r re n t e, que é o de lim itar a form ação a um a p e r s p e c t i va p u ram e n t e técn ica re lacion a d a à p e rc e p ç ã o, p elo m e n o s p arcial, d o s d an os in -d u s t ria is rela cion a-d os a o m eio am b ien te ou à saú d e d a p op u lação e das altern a t i vas cien tífi-cas p ara o en fren tam en to d os problem as esp e-cíficos re g i o n a i s. Gr aça s à for m a ção d ive r s i f i-cada da eq uip e atuan te de con sultore s, foi pos-s í vel traçar epos-stratégiapos-s m etodológicapos-s qu e vipos-sa- visa-va m re s g a t a r, en t re os d oc en te s p ú b lic os, o sen tim en to de va l o rização d e seu p ap el socia l e p o lít ic o n a s co m u n id ad es à s q u ais p ert e n -ciam , d e m odo a p rodu zir n ão ap en as u m a at-m o s f e ra d e “re c i c l a g e at-m” (ca p acitação) d e p ro-f e s s o re s, m as u m lu gar d e estím u lo à re ro-f l e x ã o ética. De acordo com Gu a t t a ri (1990), só a “e c o
-s of i a”, u m a ar ticu lação en tre o q ue con sid ero u “os três re g i s t ros ecológicos” – m eio am bien te fí-s i c o, relaçõefí-s fí-sociaifí-s e fí-subjetividad e h um an a –, é q ue p ode dar con ta d as qu estões am bien tais. Pa p a d i m i t riou (1996) assin ala qu e, em bora se en fatize em n ível m un d ial o p ap el-chave dos p ro f e s s o res n a e d u c açã o am b ien t al, ta m b ém se recon hece a n ecessidad e d a in trodu ção d es-ta n os cu rso s d e form açã o d irigid os à q u eles, i n i c i a t i va en c ab e çad a p e la EEITE (En v iro n
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Pro c u ra m o s, a ssim , c on t r ib uir p ar a a fo r-m a ç ã o, e n ã o sor-m e n te in forr-m a ç ã o, d e sses p ro f e s s o res d o e n sin o fu n d a m e n t a l, já q u e é n esse n ível d o en sin o form al qu e se p od e atin -gir a m a ior ia d a p o p u laç ã o b ra s i l e i ra . No s s o p ro je t o d e sen vo l ve u -se e m t rê s fa se s, t en d o sid o u t iliza d a , n o p ri m e i ro m om e n t o d o tr a-b a l h o, u m a c ole çã o d e livro s p ara d i d á t i c o s p r o d u z id os p e lo La b o ra t ó rio d e Ed u c a ç ã o Am b ie n tal e e m Sa ú d e – LEAS – d a Fu n d a ç ã o Oswald o Cru z (Sc h a ll, 1989), im p orta n t es p or f a c i l i t a rem e m esm o estim u larem a se n sib ili-zaç ã o em re la ç ão à s q u e stõ e s am b ien ta is a b o rd a d a s, p resen tes q u e são n o c otid ian o d a realid ad e b ra s i l e i ra. Os livro s, m a is esp e c ia l-m en te ded icados ao p ú b lico in fan til, ab ord a l-m tem as com o d esm a tam en to, q u eim ad as, lixo, s a n e a m e n t o, p o lu iç ã o, e n e rgia , e xt in çã o d e esp écies e ca m ad a d e oz ô n i o.
In icialm en te fo ram oferecid os ao s p art i c i-p a n te s cra ch á s virg e n s, ilu st ra d os d e a co rd o com os diferen tes tem as an teri o rm en te descri-t o s, a fim d e p ro p o rcio n ar um a esco lha livre, p or p arte de cada um , d o assu n to q ue m ais lh e a p ro u ve s s e. A p ar a lib erd ad e de escolha tem á-tica, a idéia era p ossibilitar um a d ivisão aleató-ria d os p ro f i s s i o n a i s, p roven ien tes d e d ive r s a s escolas d a área e q u e, m u itas veze s, m al se co-n h eciam , evitaco-n d o a separação eco-n tre gr upos da m e sm a or igem . Em segu id a, c ad a gr u p o e ra con vidado a criar u m a ativid ad e dirigida a seus alu n o s co m b ase n as h istór ias d os livr os cita -d os acim a e em u m su p lem en to qu e co n tin h a m ais in form a çõ es sob re c ad a u m d os tem as. Dessa fo rm a, ressaltam os n ossa p re o c u p a ç ã o tan to com con teú d os, com o c om a m etod olo-gia, p ro p o rc ion an d o u m esp a ço d e cr iação al-ta m e n te sign ific ativo p ara a a b o rd a ge m d e q u est ões d a vid a. Esse esp a ço m ostrou -se ext re m a m en exte fér ext il, co m o sur gim en exto d e p ro p ostas m etod ológicas q u e traziam as d ifere n -tes cu lt uras p ara d en tro d o cur rícu lo. O c lim a d e s c o n t raíd o favo re ceu o ap arecim en to d e es-t raes-t égia s lú d ica s calcad as n o in es-te rcâm b io d e id éias e exp eriên cias en tre os docen tes e a p ro-d u çã o co letiva ro-d e m ú ltip la s a lte rn a t i va s q u e a s s i n a l a vam p ara o vín culo en tre ciên cia e art e. Alcan çam os u m grau d e p articip ação b astan te s a t i s f a t ó ri o, o qu e em si já é um re s u l t a d o, p ois, com o ad voga So r ren tin o (1991), a p art i c i p a ç ã o é “f in al id ade e viabilid ade da edu cação”, dad o q u e colab ora p ara superar um a p ostu ra de d ista n ciam en t o a q u e, d e c er t a m an e ira, re l e g a -n os u m a co-n fluê-n cia de fatores da cham ad a vida m od ern a. Dessa form a, en fatizam os a cre n -ça d e q u e u m p rojeto ed u cativo é m ais d o q u e t rein am en to e con h ecim en to d os fatos, é o estím ulo à bu sca d e n ovas fon tes e saídas ou, ain
-d a, o resgate -d e va l o re s e p osiçõ es an tigas p o-rém fru t í f e ras e, acim a d e tu do, u m d eflagra d o r d e u m a b usca d e com p ree n sã o d a re a l i d a d e em seus diferen tes n íve i s, d o in d ividu al ao u n i-versal, da com u n id ad e à ald eia glob al.
F e rmentação ou put refação:
desvelando o germe comum, a bactéria
Nu m a segu n d a eta p a d o tra b a l h o, ap rove i t a-m os a lgu a-m a s ob serva çõe s rea liza d as d u ra n t e as ap resen tações d as p ropostas m etod ológicas c ria das p elos gru p o s. Se, p or u m lad o, u m d os o b j e t i vos d a p ri m e i ra fase tin h a sid o o estím u -lo à cria tivid ad e e à p a rt i c i p a ç ã o, p o r o u t ro, t am b ém n ão se p od eria d eixa r d e fr isa r a im -p o r tâ n cia d e c on h e cer m elh or a s co n ce-p çõ es p r é via s d os p ro f e s s o res n a or ga n izaç ão d as a t ivid ades d e en sin o. Daí o cu id ado em torn a r c l a ro q u e n ão ca lc am os o trab alh o n a id éia c o m p o rtam en talista de q ue um a d eterm i n a d a seq ü ên cia d e a tivid ad es ad eq u ad as seria su fi-cie n te p a ra d a r con ta d o p ro c esso e d u ca tivo. Bu s c a m o s, a ssim , rea liza r sistem a tic a m e n te u m a coleta d e dados an terior ao in ício d os cur-sos ou sem in ári o s, p or m eio de qu estões aber-tas ou de exercícios de associação, com o in tui-t o d e co n he ce r as c on c ep çõ es so b re sa úd e e m eio am b ien t e. Além d isso, p ro c u ra m os p er -ce b e r a existên c ia e o grau d e in t era ç ão e n t re a m b os n a visã o d os p ro f e s s o res en vo l v i d o s m e d ian te u m a d in âm ica qu e b uscava evid en -ciar certas idéias do sen so com um q ue haviam s u rgid o à b aila, com o “b a ct érias pod em ser con -s i d e rad a-s -sere-s in ú tei-s”.
A estratégia d a d in âm ica a ser fe ita com os p ro f e s s o res teve q u e ser elab ora da com m u ita a t e n ç ã o, p ois, se qu eríam os p artir das idéias de sen so com um , cham an d o dep ois a ate n ção p a-ra con cep ções a ceitas e ta-ran sm itid as d e form a acrítica, tam bém era p reciso que fosse algo q u e c o n s i d e rasse a s im p licaç ões afe tiva s, isto é , n ã o levasse a u m sen tim en to d e “q u e st i on a
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To m o u -se aq u i à p sico logia so cia l a teori a d as re p resen taç ões sociais d e Se rge Mo s c ov i c i p a ra o tratam en to d os d ad os em p íric os colh i-d o s, um a vez qu e esta vem se m ostran i-do ai-d e-q u a da às in vestigaç õe s sob re a p op u la ri z a ç ã o c ie n tífic a (Fa r r, 1993). As re p resen ta ç ões so-ciais são com p artilhad as n o âm bito de u m seg-m en to da p op ulação coseg-m características cu ltu-r ais q ue n ã o co ltu-r ltu-resp o n d em exat am en te à e s-t r as-tificaç ão sócio- econ ôm ica (Ba u e r, 1994), o q u e tam bém foi u m asp ecto im p ortan te p ara a o p ç ã o, já q u e o s gru p os d e p ro f e s s o res se en -caixam be m n esta u n id ade de an álise.
O tra b a l h o, p ort a n t o, p rop ô s-se tam b ém a d e s c re ver algum as d as re p resen ta ções so ciais d a sa ú d e/ d oe n ç a e d o m eio a m b ien te form a d a s e m an tid as n o e n sin o p úb lico fu n d am en -ta l. Com o p ar te d e u m p r ojeto m aior, seu s re-su ltad os fora m d evolvid os aos gr u p os estu d a-d o s, servin a-d o p ara alim en tar etap as p o steri o-re s d o p ro ce sso e d u cativo. Bu s c o u - s e, ain d a, estud ar as p ro p ri e d a d e s, origen s e im p acto das re p re s e n t a ç õ e s, ten ta n d o artic ular p esq u isa e p rática ed ucativa ao in vestigar sobre as con vic-ções qu e in form am esta ú ltim a.
P a rtindo da contradição para a int egração
Um resultado sign ificativo foi a p ersistên cia d o con ceit o d e sa ú d e com o a usê n cia d e d oe n ça , em con form ida de com a an álise in tern a c i o n a l p roced id a p or Schaefer (1994:35): “S a ú de é n ão ficar d oen te” ; “sa ú d e é o estado d e n ão a pre s e n -t ar d oen ça” ; “u m in d ivíd u o sau d á vel é aq u ele qu e n ão ap resen ta qu alqu er doen ça ”.
A d efin ição está tica d e sa ú d e c om o b e m -e sta r ta m b é m s-e r-essa lta -e m n ossa am o stra , a p a recen do em q uase 30% dos casos, d ad o qu e coin cid e com a p esquisa in tern acion al ap on ta-d a an t eri o rm e n t e. Divita-d im o s esse en u n c ia ta-d o em d uas categori a s :
1) Um a q u e c on ser va a p ostu ra in d ivid u a-lista n a gên ese desse b em -estar, q u e é m ajori-t á ria (b em - esajori-tar d o co rp o e d a m en ajori-te), p erc e-b id a n os se gu in t es exem p los: “É o c or p o e a m en te e stare m em p e r feita h a rm o n i a”; “é o b em -estar físico e m en tal”.
2) E ou tra m ais in tim am en te asso ciad a a o en un ciad o pela Organ ização Mun d ial de Sa ú d e em 1946, dado que in corp ora o social, com o se vê em : “É estar bem m en talm en te, fisicam en te e so-c i a l m e n t e” ;“é o bem estar físiso-co, psíquiso-co e soso-cial do ser h u m an o” (OMS, 1946:ap ud Rogers, 1992).
Ain d a qu e desd e 1986 ten h a- se fir m ad o n a academ ia o p arad igm a d e p rom oção d a saú d e (MS, 1996:5-12), qu e b u sca su p erar a ab o rd
a-gem clín ica e cu ra t i va, o en foqu e etiop atológi-co se m an tém alto em n ossa am ostra, p róxim o a 25%: “As d oen ça s sã o cau sad as p or v erm es e b a c t é r i a s” ; “os in setos e os m icróbios são os cau -s a d o re-s d a-s en ferm id ad e-s”.
Por esse tip o d e p erc e p ç ã o, d e term i n a d o s s e res são vistos c om o ca usa ú n ica d a d oen ça, isto é, n ão h á u m a visã o d e d eseq uilíb r io am -b ien t al ou soc ial q u e p ossa se r a ra iz d o p r ob lem a, favo re cen d o u m a ep id em ia o u o esta b e l e c i m e n t o / p e rm a n ên cia d e q ua d r os en d ê -m i c o s, co -m o a -m alá ria , e d e a gressão à saú d e h u m an a, c om o é a vio lê n c ia, m a rc a d a m e n t e em m u n icíp ios com o Ma rabá (PA) ou Açailân -d ia (MA). Nessa s re g i õ e s, o p or te -d e arm a e ra e q u i p a rad o ao u so d e d in h eiro ou jóias em algun s hotéis on de p ern o i t a m o s, e a m ort a l i d a -de p or con flito d e terra p are c e, -de certa form a , n a t u ra l .
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A ú lt im a fase d o p ro jet o fo i d e estím u lo à realizaç ão e d e a com p an h am en to d e p ro j e t o s n as escolas en vo l v i d a s, capitan ead os p elos do-cen tes q u e p art i c i p a ra m c on o sc o n a s eta p as a n t e ri o re s, e q u e va ri a ram d e p ro p osiçõ es d e m u dan ças did áticas a p esqu isas d e cam p o n as c o l e t i v i d a d e s. Tais p roje tos ap on ta vam p ara a re c u p e raçã o d a in ter rela çã o en tre m e io am -bien te e saúd e, além da red efin ição d e cada um d esses ter m os n u m a p ersp e ctiva a b ra n g e n t e, i n c o r p o ra n d o, in clusive, u m d eb ate ético.
A edu cação n ão p od e d ar colaborações m at e ri a i s, com o oferecer vacin as ou con satru ir re -d e -d e e sgot os, m a s n e m p or isso tem q u e ser vista co m o sec u n d ár ia , com p le m e n tar m as n ão o cer n e, com o em geral aco n t ece. Co m o sua m issão p recíp ua é a tran sm issão d e va l o re s ( S c h u m a c h e r, 1982), ela é fu n d am en tal p ar a o e n f ren tam en to das questõe s d a vida através da f o rm ação de sujeitos críticos. Et i m o l o g i c a m e n -te sign ifica p rop icia r o flore scim en t o d e a lgo q u e já está d en t ro d a p esso a e n ã o e n ch er d e con h ecim en tos u m re cip ien te va z i o. Por isso, é d a d a ên fase às re p re sen t aç õe s e à e stra t é g i a t raçada n essa exp eriên cia.
A qualidade de vida como elo comum
O en sin o form al, ao m an ter h orários letivos so-b re c a r regados e grad e cu rricu lar organ izada d e f o r m a d isc ip lin a r, n ão p ro p ic ia exp e ri ê n c i a s i n t e rd i s c i p l i n a re s, com o re q u e rem a edu cação em saú d e e a ed uc ação am b ien ta l, colab ora n -do p ara q ue os p roblem as locais, ain d a q ue co-n h e cid o s p or b oa p ar te d o s p ro f e s s o re s, co-n ão sejam vistos c om o qu estões a serem en fre n t a-d a s e m sala a-d e au la. Isso se a-d á p orq u e ta lvez ta is p rob lem as en vo l va m m u itas va ri á veis n o estu do d e su a com plexidade, ou en tão p ela fal-ta de m otivação dos d ocen tes em trafal-tar de p ro-b lem a s sen t id o s com o a lém d e su as fo rça s, p rin cip alm en te se trab alham isolad am en te.
A rece n te le gisla çã o p a ra a ed u c aç ã o am -b ien tal (Brasil, 1999) ap on ta p ara u m a p olítica n a cion al qu e va l o riza a form ação d e re c u r s o s h u m an os voltad os p ara o “d es e n vo lv im e n to d e in stru m en tos e m etod ologias, visan d o à in cor-p o ra ç ã o, d e form a in t erd i s c i cor-p l i n a r, n os d ife-re n tes n íveis e m od alid a d es d e en sin o”. Co m o a d e n d o, p r op o m os o d e sen vo lvim en to d e e s-t ras-té gia s qu e p erm is-tam o e ss-tab elecim en s-to d e u m a c u lt u ra e fet iva d e u m a for m aç ã o con t i-n u ad a d os p ro f e s s o re s. Isto p erm i t i r ia, p or e x e m p l o, u m trabalho com os d ocen tes cen tra-d o em eixos tem áticos. Um en foq u e in tegra tra-d o r p a ra a e d u c açã o em sa ú d e e a ed u c aç ão am -b ien tal seria o eixo “qualid ade d e vida”, ten do o a p ro fu n d am en t o d o con ce it o d e e q u ilíb r io e sua h istór ia co m o essen cia l p a ra este ap or t e p e d a g ó g i c o. Esta p ersp ectiva, in clusive, está de a c o rd o com os Pa r â m e t ros Cu r ri c u l a res Na c i o-n ais d e 1997 (MEC, 1997).
A h istó r ia d a c iên c ia n o s m o st ra c om o a d ific u ld ad e em p erceb er u m p roc esso foi d ifi-c u ltad a p ela visão an tro p o ifi-c ê n t riifi-ca u tilitari s t a . Este en foqu e, n ada in tegra d o r, fazia difere n c i a r a ferm e n t a ç ã o, vista com o útil, d a p u tre f a ç ã o, m ecan ism o de d ecom p osição classificad o co-m o in útil (Tri ve l a t o, 1995). Assico-m , acre d i t a co-m o s q ue a h istória da ciên cia associada a tra b a l h o s qu e re velem as con cepções p redom in an tes en -t re p ro f e s s o res d o en sin o fu n dam en -tal p ossam c o n t ribu ir p ara facilitar a ab ordagem sistêm ica d e p rob le m a s re gion a is e o d ese n vo l v i m e n t o d e estr at égia s d id átic as p ro fícu as q u e su sc i-tem , talvez, u m a lu ta con tín u a p ela qu alid ad e d e vida, asp ecto c e n t ral p ara a con solid ação d a c i d a d a n i a .
Nosso trabalh o p reten d e en fatizar tam b ém , alé m d a n ecessid a d e p erm an en t e d e in te graç ão en tre ed u ca gração em saú d e e ed uca gração am -b ien ta l, a in tegração en tre in stitu içã o d e p es-q uisa, em p resa e gove rn o, ten tan do re l a c i o n a r a edu cação em ciên cia a asp ectos econ ôm icos e éticos.
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