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Alterações quantitativas das células neuroendócrinas no Megacólon chagásico.

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Academic year: 2017

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R e v is ta da S o c ie d a d e B r a s ile ir a d e M e d ic in a T r o p ic a l 18 (4 ): 2 1 5 -2 2 1 , O u t-D e z , 1 9 8 5

ARTIGOS

ALTERAÇÕES QUANTITATIVAS DAS CÉLULAS NEUROENDÓCRINAS NO

MEGACÓLON CHAGÁSICO*

Alfredo J.A. Barbosa, Nivaldo H. Toppa, José R. Cunha M elo e W ashington L. Tafuri

U tiliz a n d o -s e té c n ic a s h is to q u ím ic a s p e la p r a ta ( M a s s o n - F o n ta n a e S e v ie r-M u n g e r ) e s tu d a r a m -s e a d is tr ib u iç ã o e o n ú m e r o d e c é lu la s e n te r o c r o m a fin s ( E C ) e d o c o n ju n to E C m a is c é lu la s a r g ir ó fila s ( A R G ) e m p e ç a s c ir ú rg ic a s d e m e g a s s ig m ó id e c h a g á sic o . O b se r v o u -se q u e ta n to n o s " m e g a s ” ( n = 1 6 ) c o m o n o s c o n tro le s ( n — 8), a p o s iç ã o d a s c é lu la s E C e A R G n a m u c o s a f o i p r e d o m in a n te m e n te b a sa l, co m d is tr ib u iç ã o irreg u la r, p r in c ip a lm e n te d a s E C . A a n á lis e h is to ló g ic a re ve lo u a p a re n te a u m e n to n u m é r ic o d a s E C e d o c o n ju n to E C m a is A R G . T o d a v ia , c o n ta g e n s s is te m a tiz a d a s m o s tr a r a m q u e s o m e n te o c o n ju n to d e s s a s c é lu la s a p r e s e n to u a u m e n to e s ta tis tic a m e n te s ig n ific a tiv o ( P < 0 ,0 1 ). R e a liz o u - s e ta m b é m o e s tu d o m o r fo m é tr ic o d a m u c o s a e d a s m u s c u la r e s q u e re ve lo u e s p e s s a m e n to s ig n ific a tiv o ( P < 0 ,0 1 ) d e s sa s c a m a d a s e m r e la ç ã o a o s c a s o s co n tro les.

Palavras C haves: M egacólon chagásico. Células enterocrom afins. Células argirófi­ las. Células neuroendócrinas.

A s células endócrinas constituem im portante componente da m ucosa digestiva e se distribuem desde as glândulas cárdicas até o â n u s12 32 33 A través de métodos im unocitoquím icos muitos peptídeos já foram identificados nestas células sendo que um grande núm ero delas produz tam bém 5-hidroxitrip- tamina (5-H T ). N o instestino, elas se localizam principalmente na região profunda da mucosa, repousando sobre a m em brana basal das glândulas. A maioria delas atinge a luz glandular através de prolongamento da região apical do citoplasm a que funcionaria com o um pólo receptor de estímulos, tendo sido cham adas células “ receptoras-secretoras” ou seja, capazes de receber o estím ulo pelo ápice e liberar a secreção pela b a s e 1^. E m bora m uitos dos peptídeos secretados por estas células sejam lançados na

corrente circulatória atuando à distância (e fe ito

h o r m o n a l) outras células endócrinas produzem

substâncias com ação predom inantem ente local24

(efe ito p a r á c r in o) e que podem ser encontradas tam ­

bém no sistem a nervoso central e periférico. E ssa dualidade da presença de peptídeos e am inas bio- gênicas, tanto em células endócrinas com o em term i­ nações nervosas, e a constatação de ações dessas substâncias sobre as funções secretoras e peristálticas do sistema digestivo, deu origem à hipótese cada vez mais aceita de que atuariam no processo de neuro- transm issão através de um hipotético m ecanism o modulatório '0 13 16 23

* T rabalho realizado no D epartam ento de A natom ia P ato ­ lógica e M edicina Legal d a Facu ld ade de M edicina da U niversidade F ederal de M inas G erais. Av. A lfredo Bale- na 190, 30.000, Belo H orizonte, M G . Brasil.

Auxilio financeiro: C N P q (P ro c . n P 3 0 .1 8 5 1 /7 6 ) e F IN E P (Proc. n? 4 3 /8 3 /0 1 1 9 /0 0 ).

Recebido para publicação em 7 /1 2 /8 4

N o m egacólon chagásico ocorrem lesões ao nível do sistem a nervoso intram ural21 36 acarretando graves distúrbios do peristaltism o. Long e cols2® estudando biópsias retais de chagásicos crônicos encontraram depleção tecidual de peptídeo intestinal vasoativo (V IP), substância P (SP), som atostatina (SO M ) e enteroglucagon (E G ). A través da imuno- fluorescència indireta verificaram escassez de células D , produtoras de SO M , e de L, produtoras de E G . o que estaria de acordo com a depleção desses peptídeos extraídos da parede. P or outro lado, Lindop2^ estu­ dando um caso de m egacólon idiopatico relatou hiper- plasia de células enterocrom afins (E C ) e, entre outras possibilidades, adm itiu que poderia ser um a resposta às alterações da parede do órgão.

T endo em vista, portanto, as possíveis inter- relações fisiológicas das células endócrinas com a inervação intram ural do intestino propós-se estudar a população de células E C e argirófilas (A R G ) e, ao m esm o tem po, proceder às m edidas das dimensões da m ucosa e m usculares em peças cirúrgicas de mega­ cólon chagásico.

M A T E R IA L E M É T O D O

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Barbosa AJA , Toppa NH , M elo JR C , T afuri W L. Alterações quantitativas das células neuroendócrinas no megacólon chagásico. Revista da Sociedade Brasileira de M edicina Tropical 18: 215-221, Out-Dez, 1985

incluídos em parafina com o de rotina. D ois blocos de cada caso foram selecionados para estudo, tendo sido obtidos cortes escalonados de 5 y m de espessura. Procederam -se às seguintes colorações, além da H em atoxilina e E osina (H -E ): (a) reação argentafim de M asson-Fontana 14 27 modificando-se entretanto a concentração de nitrato de p rata para 0,5 g% e, para 60° C, a tem peratura de incubação^; (b) coloração do conjunto de células E C + A R G pelo m étodo de

S e v i e r - M u n g e r ^ O . A s lâm inas coradas pelo H E foram

utilizadas para o estudo m orfom étrico da m ucosa e das musculares, ou seja: (a) m edida do “ com prim ento das criptas” o que se considerou como sendo a distância com preendida entre a base das glândulas, no limite interno da m uscular da m ucosa e o epitélio superficial de revestimento da m ucosa, e (b), m edida da espessura das cam adas m usculares principais e da m uscular da mucosa. E stas m edidas foram realizadas em 3 a 4 áreas selecionadas nos 2 diferentes fragmentos de cada caso, obtendo-se em seguida a média aritm ética das medidas. P ara a utilização dessas medidas, utilizou-se o microscópio binocular W ild Leitz sendo um a das oculares, substituída por ocular Z E IS S (12,5 x) provida com escala reticulada móvel e disco micro- métrico com 100 divisões. A am pliação do cam po foi de 50x. N estas condições, cada divisão do disco micrométrico era equivalente a 5,6 y m o que foi padronizado utilizando-se lâm ina m icrom etrada.

A s contagens das células E C e do conjunto E C + A R G foram realizadas no mesm o microscópio binocular com am pliação de 400x, contando-se o número de células por cam po m icroscópico e por cripta. P ara a prim eira contagem , considerou-se apenas a m etade basal aproxim ada da m ucosa cor­ rendo-se o cam po m icroscópico (diâm etro do campo: 450 |im ) a partir da superfície interna da m uscular da mucosa. E m cada caso contaram -se 10 cam pos con­ secutivos. Q uando apenas um corte não era suficiente utilizaram -se outros cortes. P ara as contagens de células por cripta contaram -se o núm ero total de células em toda a extensão da parede de 20 criptas consecutivas (da base da cripta ao epitélio superficial) considerando-se consecutivas as criptas cortadas lon­ gitudinalmente ao longo de toda sua extensão e encontradas sucessivam ente em um ou mais cortes.

R E S U L T A D O S

A análise das preparações coradas pela H .E . mostrou os cólons-controle sem alterações histo- lógicas relevantes. N os m egacólons observaram -se: (a) aum ento da espessura da parede, bem evidente na maioria dos casos; (b) presença de infiltrado infla- matório, predom inantem ente linfocitário, focal, ora na intimidade das cam adas m usculares, ora na região do plexo mioentérico, ou seja, em torno da rede nervosa, dos glânglios ou no interior destes (m iosite focal, periganglionite e ganglionite); (c) fibrose de distribui­ ção predominantemente focal das cam adas m uscula­ res e ou da região do plexo m ioentérico. A s alterações descritas em (a), (b) e (c) eram de intensidade

variável, às vezes relativam ente intensas, às vezes discretas. N a lâm ina própria da m ucosa, em alguns casos dos controles e dos “ m egas” , observou-se m oderado infiltrado de células m ononucleadas.

A espessura m édia da cam ada m uscular prin­ cipal nos megacólons foi significativam ente superior (P < 0 ,0 1 ) que a dos controles (1325 y m vs. 945 y m). A m uscular da m ucosa foi tam bém signifi­ cativam ente (P < 0,01) m ais espessa nos megacólons (86 y m vs. 33 y m ). O com prim ento médio das criptas nos m egacólons foi de 1064 y m e nos contro­ les, 604 y m (Fig. 1); a diferença das m édias foi altam ente significativa (P < 0,01). Os resultados do estudo m orfom étrico podem ser vistos n a T abela 1.

A s células endócrinas coradas pelos dois m é­ todos utilizados foram bem evidentes nas preparações tom ando-se negras ou m arrom -escuras sobre um fundo m arrom -claro (Fig. 2). T anto as células E C como o conjunto E C + A R G foram muito mais freqüentes na porção basal da m ucosa e apenas algumas poucas foram encontradas no terço super­ ficial da mucosa. O exam e histológico das preparações

m ostrou, nos m egacólons, aparente aum ento num érico das células E C e do conjunto E C + A R G (Fig. 2). A lém disso, observou-se que nos m egacólons, as células apresentavam -se m ais fortemente coradas, (Figs. 2, C e F ), em bora em algum as áreas, ou m esm o em alguns casos, essas diferenças eram menos notó­ rias. A s células E C , tanto nos controles com o nos

m egacólons, apresentaram distribuição m ais irregular na m ucosa do que o conjunto de células coradas pelo m étodo de Sevier-M unger.

T abela 1 - E s p e s s u r a d a m u s c u l a r p r ó p r ia , d a m u s c u la r d a m u c o s a e c o m p r im e n to d a s c r ip ta s n o s m e g a c ó ­ lo n s e c o n tr o le s, m e d id a s (e m \x m ) e fe tu a d a s e m c o rtes h isto ló g ic o s c o ra d o s p e lo H .E . (* P K 0 ,0 1 ).

G ru p o s X ± D .P . V a ria ç ã o ( % )

E spessura da controles 945 ± 196

m uscular (n = 8) 3 6 ,7 *

p ropna megacólon

( n = 16) 1325 ± 268

E spessura da controles 3 3 + 10

m uscular da (n = 8) 1 6 0,6*

m ucosa megacólon

(n = 25)

controles

86 ± 33

6 0 4 ± 120

Com prim ento (n = 8) 7 6 ,2 *

das criptas m egacólon 1064 + 255

(n = 13)

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Barbosa AJA , Toppa NH , M elo JR C , T afuri W L. Alterações quantitativas das células neuroendócrinas no megacólon chagásico. Revista da Sociedade Brasileira de M edicina Tropical 18: 215-221, Out-Dez, 1985

tivamente 11 vs. 6,5 e 3,1 vs. 2,4, as diferenças não foram estatisticam ente significativas (P > 0 ,0 5 ).

A população m édia do conjunto de células EC + A R G nos 2 grupos estudados está expressa na Tabela 3. Tanto a m édia das células contadas por campo, como a m édia das células contadas por cripta, foram significativamente m aiores nos megacólons chagásicos em com paração com os controles

(P<0,01).

Tabela 2 - N ú m e r o m é d io d e c é lu la s e n te r o c r o m a fin s ( E C ) p o r c a m p o m ic r o s c ó p ic o ( 4 0 0 x ) d a re g iã o b a s a l d a m u c o s a e a o lo n g o d e to d a a e x te n s ã o d a c rip ta n o m e g a c ó lo n c h a g á s ic o ( n = 1 6 ) e e m c ó lo n s c o n tr o le s ( n = 8 ), reg iã o s ig m ó id e a . * P > 0,05.

G ru p o s X ± D . P . V a ria ç ã o ( % )

Células E C por campo

Controles

M egacólons 11,0 ± 9 , 46,5 ± 3,5 6 9 ,2 *

Células E C por cripta

Controles M egacólons

2,4 ± 0,8

3,1 ± 1,1 2 9 ,2 *

com um e pode ser constatada na m aioria dos casos de megacólon; as exceções a esta regra ocorrem em virtude de fatores secundários que direta ou indire­ tam ente provocam o adelgaçam ento d a parede do órgão, com o processos inflam atórios localizados, ulcerações e com pressões, estas últim as principal­ m ente por fecalom a, o que resulta em isquemia e

T abela 3 - N ú m e r o m é d io d e c é lu la s e n te r o c r o m a fin s e a r g ir ó fila s ( E C + A R G ) p o r c a m p o m ic r o s ­ c ó p ic o ( 4 0 0 x ) d a re g iã o b a s a l d a m u c o s a e a o lo n g o d e to d a a e x te n s ã o d a crip ta , n o m e g a c ó lo n c h a g á s ic o (n = 1 6 ) e e m c ó lo n s c o n tr o le s ( n = 8), re g iã o s ig m ó id e a . * P < 0 ,0 1 .

G ru p o s X ± D .P . V a ria ç ã o ( % )

Células Controles 7,7 ± 4,6

E C + A R G 100*

por campo M egacólons 15,4 + 6,1

Células Controles 2,9 ± 0,9

E C + A R G 7 2 *

por cripta M egacólons 5,0 ± 1,8

D IS C U S S Ã O

N as enterom egalias chagásicas além da dilata- ção da luz observa-se aum ento da espessura da parede do órgão22. E sta observação anatom opatológica é

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Barbosa AJA , Toppa N H , M elo JR C , Tafurí W L. Alterações quantitativas das células neuroendócrinas no megacólon chagásico. Revista da Sociedade Brasileira de M edic in a Tropical 18: 215-221, Out-Dez, 1985

A

%

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F ig u r a 2 - M ic r o fo to g r a fia s d a m u c o s a d e c ó lo n s c o n tr o le s (A e D ) e d e m e g a c ó lo n s c h a g á s ic o s (B , C , E , e F ) c o r a d a s p a r a e v id e n c ia r c é lu la s e n te r o c r o m a fin s ( E C ) e c é lu la s E C m a i s a r g ir ó fü a s . O b s e r v a r q u e n o s m e g a c ó lo n s a s c é lu la s e n d ó c r in a s a p r e s e n ta m - s e a p a r e n te m e n te m a is c o r a d a s e m a is n ú m e r o s a s ( C, d e ta lh e d e B ; F , d e ta lh e d e E ). (A , B , C, c o lo r a ç ã o p e l o m é to d o d e M a s s o n - F o n t a n a m o d ific a d o , A e B 1 8 0 x ; C, 5 OOx; D , E e F , c o lo r a ç ã o p e lo m é to d o d e S e v ie r -M u n g e r , D e E , 8 0 x e F , 1 8 0 x ).

hipotrofia da parede. E ntretanto, onde não atuam estes fatores secundários, a parede do megacólon encontra- se espessada e os resultados do presente trabalho mostram que não som ente as cam adas m usculares são responsáveis por esse espessam ento mas tam bém a mucosa. Com o não se observaram lesões anatôm icas ao nível da m ucosa nos casos estudados, a não ser em alguns, a presença de infiltrado inflam atório m oderado na lâmina própria (tam bém observado em controles) é lícito sugerir que, pelo menos em parte, o aum ento da espessura da m ucosa se deve ao aum ento d a m assa do componente epitelial da m esma. Sendo difícil imagi­ nar um a relação direta entre essas modificações quantitativas das glândulas colônicas e a lesão ao nível dos plexos intram urais que ocorre no m egacólon é possível que esta “ hipertrofia glandular” seja o resul- tad de adaptação da m ucosa às novas dim ensões do órgão.

O aum ento d a espessura da cam ada m uscular, de intensidade variável, é achado com um nas en- terom egalias chagásicas ressalvadas os casos de alte­ rações secundárias que podem acarretar o adelga- çam ento da m esm a, com o explicado anteriorm ente. As alterações responsáveis pelo espessam ento da m uscular já são em grande parte conhecidas sendo principalm ente: hipertrofia de fibrocélulas m uscula­ res, miosite e periganglionite com ou sem fibrose correspondente e fibrilopoese difusa e sistem atizada não relacionada diretam ente com os focos inflama-tórios^S.

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Barbosa AJA, Toppa NH , M elo JR C , T afuri W L. Alterações quantitativas das células neuroendócrinas no megacólon chagásico. Revista da Sociedade Brasileira de M edicina Tropical 18: 215-221, Out-Dez, 1985

a musculatura intestinal com o sobre a parede vas­ cular6 H . N o intestino, a concentração de 5 -H T no tecido é correlata com a população de células E C 2^ e esta amina, ou seus precursores, podem ser encontra­ dos tanto em neurônios com o em term inações nervo­ sas de mamíferos, inclusive do homem**. E m bora atualmente a dem onstração de células E C possa ser feita imunocitoquimicamente® 19 0 m étodo da reação argentafim ainda continua sendo um dos m ais usados e confiáveis*7. U tilizando esta técnica, estas células foram facilmente dem onstradas em nosso m aterial. Embora a im pressão inicial fosse de que estivessem aumentadas na m aioria dos casos de megacólon. a contagem sistem atizada, por cam po e por cripta, não resultou em m édia significativam ente diferente da­ quela dos controles. E possível, portanto, que essas células não estejam aum entadas num ericam ente no megacólon chagásico, ao contrário do observado por Lindop25 em um caso de m egacólon idiopático. D ados da literatura m ostram evidências de que as células E C apresentam baixa capacidade de renovação em rela­ ção às demais células de função exócrina d a m ucosa colônica39. Por outro lado, não se pode excluir um a possível hipertrofia dessas células nos megacólons, uma vez que pareceram relativam ente m aiores e mais bem coradas. A redução d a p rata pelas células E C , reação responsável pela sua coloração, ocorre a nível de seus grânulos de secreção^4 com a possível participação de produto que deriva de seu conteúdo aminérgico com o grupo aldeído do fixador17. P or­ tanto, células E C pouco granulares, ou pobres em secreção, não se coram ou se coram pouco, enquanto que células E C ricas em secreção coram -se mais intensamente. P ortanto, um possível m ecanism o de hipertrofia de células E C poderia ser o responsável pelo seu aparente aum ento num érico ou im pregnação mais forte pela prata, com o foi observada na m aioria dos casos do m egacólon chagásico. E studos à micros- copia eletrônica poderiam confirm ar ou afastar a hipertrofia celular e m étodos im unocitoquím icos se fazem necessários para esclarecer se peptídeos, presentes nestas células, estariam sofrendo estimulo hipersecretório.

O m étodo de Servier-M unger, por sua vez, além das células E C cora um determ inado núm ero de células endócrinas ainda não totalm ente conhecidas. N o pâncreas, as células A (glucagon) e as PP (peptídeo pancreático) são positivas enquanto que as D (som atostatina) e as B (insulina) são negativas40. N o tubo digestivo de m am íferos, inclusive hum ano, as células “ enterocrom afm -like” , as células K, produ­ toras de peptídeo inibidor gástrico, as células D l (produto desconhecido) além de outros tipos, ainda não bem identificados, são evidenciados pela reação de Sevier-M unger4 38. N o cólon hum ano, através de métodos imunocitoquím icos e ultra-estruturais, além das células E C que perfazem 50% ou m ais da população endócrina deste órgão, são tam bém en­ contradas: (a): células contendo substâncias P , pro­

vavelmente em um a fração das células E C : (b): células

L, produtoras de enteroglucagon ou glicentina; (c):

células D , produtoras de som atostatina; (d): células

“ F -like” ou “ P P-like” que podem reagir com deter­

m inados anti-soros contra peptídeo pancreático e (e ):

outros tipos m ais raros nem sempre detectados na m ucosa colônica, com o as células N , produtoras de neurotensina, e as células P e H de função desconhe­ cida^5 31. A lém disso, a coexistência na m esma célula de diferentes peptídeos tem sido freqüentemente rela­ tada. R ecentem ente caracterizou-se um novo peptídeo presente em células endócrinas, com mesmo número e seqüência de am inoácidos do peptídeo pancreático e que seria o responsável pela evidenciação imunoci- toquím ica de células “ PP-like” na m ucosa colônica37. D ados atuais da literatura indicam que este peptídeo, cham ado “ peptídeo YY” (PYY) está localizado nas células L coexistindo com enteroglucagon ou glicen­ tin a 1 1 .

O s resultados do presente trabalho dem onstram que as células endócrinas da m ucosa colônica, prin­ cipalm ente as células argirófilas, ou um a determ inada fração delas, podem estar envolvidas, direta ou indi­ retam ente, nos m ecanism os fisiopatológicos ou pato- genéticos do megacólon. U m a delas poderia ser as células L, produtoras do E G . um a vez que esta substância parece ter função trófica sobre a mucosa colônica, estim ulando a síntese de D N A 20. E ntre­ tanto, são necessários estudos imunocitoquímicos específicos destas diferentes células endócrinas para se avaliar a im portância d a participação de cada um a delas neste tipo de enterom egalia.

S U M M A R Y

S ilv e r s ta in in g s ( M a s s o n - F o n ta n a a n d S e v ie r-M u n g e r m e th o d s ) w ere a p p lie d to s e c tio n s fr o m s u r g ic a l s p e c im e n s o f c h a g a s ic m e g a sig m o id . T h e d is tr ib u tio n a n d th e n u m b e r o f b o th e n tero c h ro -m a ffin ( E C ) c e lls a n d E C p l u s a r g y r o p h y l ( A R G ) c e lls w ere stu d ie d . B o th o f th e m , E C a n d A R G cells p r e s e n te d a p r e d o m i n a n tly b a s a l lo c a liz a tio n in m u c o s a l g la n d s o f m e g a s ig m o id s (n = 16 ) a n d

Controls ( n = 8 ) T h e c o u n tin g o f E C ce lls a n d E C p lu s A R G c e lls h a s s h o w n th a t o n ly th e g r o u p E C p l u s A R G c e lls w a s s ig n ific a n tly in crea sed . M o r -p h o m e tr ic s tu d ie s re v e a le d a s ig n ific a n t in c rea se in th e th ic k n e s s o f th e m u s c le a n d m u c o s a la y e rs o f th e m e g a s ig m o id w h e n c o m p a r e d to th e Controls.

K e y w o rd s: C h a g a s ic m e g a c o lo n . E n te r o -c h r o m a ffin -cells. A r g y r o p h y l -cells. N e u r o e n d o -c r in e cells.

R E F E R Ê N C IA S B IB L IO G R Á F IC A S

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