FEDERAL
UNIVERSIDADE DO RIO GRANDE DO NORTE
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Centro de Ciˆencias Exatas e da Terra
Programa de P´os-Gradua¸c˜ao em Matem´atica Aplicada e Estat´ıstica
July Herbert da Silva Mariano
Modelagem Multiescala de Fenˆ
omenos
Eletrocin´
eticos em Meios Porosos Carregados
Eletricamente: Aplica¸c˜
ao a Meios Porosos Argilosos
July Herbert da Silva Mariano
Modelagem Multiescala de Fenˆ
omenos
Eletrocin´
eticos em Meios Porosos Carregados
Eletricamente: Aplica¸c˜
ao a Meios Porosos Argilosos
Disserta¸c˜ao apresentada ao Programa de P´os-Gradua¸c˜ao em Matem´atica Aplicada e Estat´ıstica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, de acordo com as exigˆencias legais para obten¸c˜ao do t´ıtulo de Mestre.
´
Area de Concentra¸c˜ao: Modelagem Matem´atica
Orientador:
Prof. Dr. Sidarta Ara´
ujo de Lima
Co-orientadora:
Prof
ª
. Dr
ª
. Viviane Klein
July Herbert da Silva Mariano
Modelagem Multiescala de Fenˆ
omenos
Eletrocin´
eticos em Meios Porosos Carregados
Eletricamente: Aplica¸c˜
ao a Meios Porosos Argilosos
Disserta¸c˜ao apresentada ao Programa de P´ os-Gradua¸c˜ao em Matem´atica Aplicada e Estat´ıstica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, de acordo com as exigˆencias legais para obten¸c˜ao do t´ıtulo de Mestre.
´
Area de Concentra¸c˜ao: Modelagem Matem´atica
Aprovado em: / /
Banca Examinadora:
Prof. Dr. Sidarta Ara´ujo de Lima Departamento de Matem´atica - UFRN
Orientador
Profª. Drª. Viviane Klein Departamento de Matem´atica - UFRN
Co-orientadora
Prof. Dr. Adriano dos Santos
Departamento de Engenharia do Petr´oleo - UFRN Examinador Externo
Profª. Drª. Julia Victoria Toledo Benavides Departamento de Matem´atica - UFRN
Examinadora Externa
Prof. Dr. Ricardo Coelho Silva Departamento de Matem´atica - UFC
Mariano, July Herbert da Silva.
Modelagem multiescala de fenômenos eletrocinéticos em meios porosos carregados eletricamente: aplicação a meios porosos argilosos / July Herbert da Silva Mariano. - Natal, 2015. xiii, 100f: il.
Orientador: Prof. Dr. Sidarta Araújo Lima. Coorientadora: Profa. Dra. Viviane Klein.
Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Ciências Exatas e da Terra. Programa de Pós-graduação em Matemática Aplicada e Estatística.
1. Modelagem computacional. 2. Meios porosos carregados eletricamente. 3. Transporte de solutos reativos. 4.
Homogeneização. I. Lima, Sidarta Araújo. II. Klein, Viviane. III. Título.
RN/UF/CCET CDU 519.673
Catalogação da Publicação na Fonte
Resumo
Nesta disserta¸c˜ao de mestrado, propomos uma modelagem matem´atica e
compu-tacional multiescala de fenˆomenos eletrocin´eticos em meios poroso carregados
eletri-camente. Consideramos um meio poroso r´ıgido e incompress´ıvel saturado por uma
solu¸c˜ao eletrol´ıtica contendo quatro solutos iˆonicos monovalentes totalmente dilu´ıdos
no solvente aquoso.
Inicialmente, desenvolvemos a modelagem da dupla camada el´etrica com a inten¸c˜ao
de computar o potencial el´etrico, densidade superficial de carga el´etrica e fenˆomenos
de adsor¸c˜ao na interface fluido/s´olido. Considerando duas rea¸c˜oes qu´ımicas, propomos
um modelo 2-pK para calcular as adsor¸c˜oes qu´ımicas que ocorrem no dom´ınio da
du-pla camada el´etrica. De posse do modelo nanosc´opico, desenvolvemos um modelo na
microescala, onde as adsor¸c˜oes eletroqu´ımicas de ´ıons no dom´ınio da camada dupla,
rea¸c˜oes de protona¸c˜ao/deprotona¸c˜ao e potencial zeta obtidos na escala nanosc´opica,
s˜ao incorporados ao modelo na escala microsc´opica atrav´es das condi¸c˜oes de interface
fluido/s´olido do problema de Stokes e no transporte dos ´ıons, governado pelas
equa-¸c˜oes de Nernst-Planck. Usando a t´ecnica de homogeneiza¸c˜ao de estrutura peri´odicas
juntamente com a hip´otese de periodicidade do meio, deduzimos um modelo na escala
macrosc´opica com os respectivos problemas de c´elulas para os parˆametros efetivos das
equa¸c˜oes homogeneizadas.
Finalmente, propomos diversas simula¸c˜oes num´ericas do modelo multiescala para o
escoamento do fluido e transporte reativo dos solutos iˆonicos em uma caulinita saturada
por uma solu¸c˜ao aquosa. Utilizando o modelo nanosc´opico propomos algumas
simu-la¸c˜oes num´ericas dos fenˆomenos de adsor¸c˜ao eletroqu´ımicas na dupla camada el´etrica.
Fazendo uso do m´etodo de elementos finitos discretizamos o modelo macrosc´opico e
propomos algumas simula¸c˜oes num´ericas em regime ´acido e b´asico com o objetivo de
quantificar o transporte de solutos iˆonicos em meios poroso carregados eletricamente.
Palavras-chaves: Meios Porosos Carregados Eletricamente, Fenˆomenos de Adsor¸c˜ao,
Modelo 2-pK, Transporte de Solutos Reativos, Homogeneiza¸c˜ao, Modelagem
Compu-tacional, M´etodo de Elementos Finitos.
Abstract
In this master thesis, we propose a multiscale mathematical and computational
model for electrokinetic phenomena in porous media electrically charged. We consider a
porous medium rigid and incompressible saturated by an electrolyte solution containing
four monovalent ionic solutes completely diluted in the aqueous solvent.
Initially we developed the modeling electrical double layer how objective to
com-pute the electrical potential, surface density of electrical charges and considering two
chemical reactions, we propose a 2-pK model for calculating the chemical adsorption
occurring in the domain of electrical double layer. Having the nanoscopic model, we
deduce a model in the microscale, where the electrochemical adsorption of ions,
pro-tonation/deprotonation reactions and zeta potential obtained in the nanoscale, are
incorporated through the conditions of interface fluid/solid of the Stokes problem and
transportation of ions, modeled by equations of Nernst-Planck. Using the
homogeni-zation technique of periodic structures, we develop a model in macroscopic scale with
respective cells problems for the effective macroscopic parameters of equations.
Finally, we propose several numerical simulations of the multiscale model for fluid
flow and transport of reactive ionic solute in a saturated aqueous solution of kaolinite.
Using nanoscopic model we propose some numerical simulations of electrochemical
ad-sorption phenomena in the electrical double layer. Making use of the finite element
method discretize the macroscopic model and propose some numerical simulations in
basic and acid system aiming to quantify the transport of ionic solutes in porous media
electrically charged.
Keywords: Electrically Charged Porous Media, Adsorption Phenomena, 2-pK
del, Transport of Reactive Solutes, Homogenization, Computational Modeling, Finite
Element Method.
Dedico esta disserta¸c˜ao
a minha linda esposa
Ra´ıssa Saraiva.
Agradecimentos
Neste precioso momento de minha vida, gostaria de agradecer aqueles que foram
indispens´aveis para a produ¸c˜ao deste projeto. Primeiramente, agrade¸co a Deus por sua
gra¸ca e miseric´ordia, pois “. . . a sabedoria vem do alto . . . (Tg 3.17)”.
Agrade¸co tamb´em aos meus familiares que sempre me deram apoio, principalmente
a minha esposa Ra´ıssa, que sempre foi compreensiva e tolerante pela minha ausˆencia
em nosso lar, me dando o total apoio nos momentos mais criticos de minha vida.
Obrigado meu amor! Al´em disso, agrade¸co aos meus pais que, mesmo sem condi¸c˜oes
financeiras, fizeram de tudo para me proporcionar uma educa¸c˜ao de qualidade. No
apoio espiritual, quero deixar meus agradecimentos `a Igreja Evang´elica Assembl´eia
de Deus em Monte L´ıbano pela ora¸c˜oes em meu favor, bem como ao Pastor Nelson
Pereira Cˆamara pelos conselhos bastantes ´uteis. Aos colegas do PPGMAE, destaco
meus amigos Eduardo Rangel pelo seu grande apoio no LATEX, F´abio Azevedo pelos
momentos de descontra¸c˜ao, Renato Tigre pelas rizadas e companhia, Daniel Grilo pelas
sugest˜oes e melhorias nos algoritmos, Wenia Valdevino pela ajuda nos momentos mais
dif´ıceis e sempre proferindo as mesmas palavras de motiva¸c˜ao: “No fim, tudo d´a certo.
Se ainda n˜ao deu certo, foi por que ainda n˜ao chegou o fim”. Amo muito vocˆes e sou eternamente grato.
N˜ao poderia deixar de agradecer ao meu orientador Sidarta Ara´ujo Lima pelo sua
dedica¸c˜ao (quase que exclusiva) que foi mais que um mero orientador (Obrigado!).
Meus sinceros agradecimentos ao corpo docente do PPGMAE pelos conhecimentos
adquiridos, `a UFRN pela infraestrutura e a CAPES pelo apoio financeiro. E ainda,
agrade¸co aos Professores doutores Adriano dos Santos(UFRN), Julia Victoria Toledo
Benavides(UFRN), Ricardo Coelho Silva(UFC) e Viviane Klein(UFRN) pelas
tantes contribui¸c˜oes para minha pesquisa.
Em suma, agrade¸co a todos que fizeram parte, de forma direta e/ou indireta, deste
t˜ao grandioso momento de minha vida. Agrade¸co a todos e que Deus vos aben¸coei.
Sum´
ario
1 Introdu¸c˜ao 1
2 Modelagem Nanosc´opica 7
2.1 Modelagem da Dupla Camada El´etrica . . . 8
2.2 Modelagem dos Fenˆomenos de Adsor¸c˜ao Eletroqu´ımica . . . 11
2.2.1 Adsor¸c˜ao na Dupla Camada El´etrica . . . 11
2.2.2 Rea¸c˜ao de Protona¸c˜ao/Deprotona¸c˜ao . . . 12
2.3 Solu¸c˜ao Anal´ıtica da Equa¸c˜ao de Boltzmann . . . 15
2.4 Sum´ario da Modelagem Nanosc´opica . . . 17
3 Modelagem Microsc´opica 19 3.1 Rea¸c˜oes de Ioniza¸c˜ao . . . 20
3.2 Rea¸c˜oes de Eletr´olise . . . 21
3.3 Modelo Microsc´opico . . . 23
3.3.1 Modelo Eletrohidrodinˆamico . . . 23
3.3.2 Transporte dos ´Ions . . . 24
3.3.3 Condi¸c˜oes de Interface . . . 25
3.4 Redu¸c˜ao do Modelo . . . 27
3.5 Sum´ario da Modelagem Microsc´opica . . . 29
4 Homogeneiza¸c˜ao 32 4.1 Sequˆencia de Modelos ε-Perturbados . . . 33
4.2 Processo de Homogeneizado . . . 34
4.3 Adimensionaliza¸c˜ao do Problema . . . 35
4.4 Normaliza¸c˜ao do Modelo . . . 37
4.4.1 Modelos Normalizado . . . 38
4.5 Expans˜ao Assint´otica . . . 39
4.6 Vari´aveis N˜ao Oscilat´orias . . . 43
4.7 Problema de Fechamento Microsc´opico . . . 43
4.8 Equa¸c˜ao Macrosc´opico para o Transporte de S´odio. . . 45
4.9 Equa¸c˜ao Macrosc´opica para o pH . . . 46
4.10 Conserva¸c˜ao da Carga El´etrica. . . 47
4.11 Lei de Darcy Macrosc´opica . . . 48
4.12 Balan¸co de Massa Macrosc´opico . . . 50
4.13 Resumo da Modelagem em Trˆes Escalas . . . 51
5 Modelagem Computacional: Aplica¸c˜ao a Solos Argilosos 53 5.1 Caracteriza¸c˜ao de Meios Porosos Argilosos . . . 53
5.2 Origem da Carga El´etrica Superficial da Argila. . . 55
5.2.1 Substitui¸c˜oes Isom´orficas . . . 55
5.2.2 Liga¸c˜oes Rompidas na Superf´ıcie da Part´ıcula S´olida . . . 55
5.3 Aplica¸c˜ao do Modelo Macrosc´opico a Uma Caulinita . . . 56
5.3.1 C´alculo dos Parˆametros Efetivos . . . 57
5.3.2 Sum´ario da Modelagem Macrosc´opica Unidimensional . . . 60
5.4 Simula¸c˜oes Nanosc´opicas . . . 60
6 Discretiza¸c˜ao do Modelo Macrosc´opico 69 6.1 M´etodo de Elementos Finitos . . . 69
6.2 Formula¸c˜ao Variacional . . . 70
6.3 M´etodo de Newton . . . 73
6.4 Modelo Discreto . . . 74
7 Simula¸c˜oes Macrosc´opicas 77 7.1 Resultados Num´ericos Unidimensionais . . . 77
7.1.1 Simula¸c˜ao 1: Transporte de Solutos em Regime ´Acido . . . 78
7.1.2 Simula¸c˜ao 2: Transporte de Solutos em Regime B´asico . . . 81
8 Conclus˜oes 85
Referˆencias Bibliogr´aficas 87
A Solu¸c˜ao Anal´ıtica Unidimensional da Equa¸c˜ao de Poisson-Boltzmann 91
B Equa¸c˜ao de Helmholtz-Smoluchowski 95
C Estimativa para os N´umeros de Damk¨ohler 97
D Valores dos Parˆametros F´ısico-Qu´ımicos 100
Lista de Figuras
2.1 Representa¸c˜ao da dupla camada el´etrica de uma argila proposta por
Leroy e Revil (2004), onde os s´ımbolo B+ e A− s˜ao c´ations e ˆanions,
respectivamente. . . 10
3.1 Caracteriza¸c˜ao do dom´ınio microsc´opico Ωµ = Ωf ∪ Ωs com interface fluido/s´olido Γf s na presen¸ca de eletrodos ˆAnodo (+) e C´atodo (−). . . 22
3.2 Perfil do fluxo eletrosm´otico em um meio poroso carregado negativa-mente mediante uma aplica¸c˜ao de carga el´etrica cont´ınua nos eletrodos. 23 4.1 Caracteriza¸c˜ao das escalas macro, micro e nanosc´opica de um meio po-roso carregado eletricamente. . . 32
4.2 Modelos ε-perturbados. . . 33
4.3 Representa¸c˜ao do microporo peri´odico, onde Y =Yf ∪Ys. . . 34
5.1 Caracteriza¸c˜ao da nanoestrutura da caulinita e esmectitas. . . 54
5.2 Arranjo estratificado de uma amostra de solo argiloso. . . 57
5.3 Descri¸c˜ao da c´elula peri´odica. . . 57
5.4 Potenciais zeta em fun¸c˜ao do pH. . . 63
5.5 Potenciais zeta em fun¸c˜ao da salinidade. . . 63
5.6 Densidade superficial de cargas em fun¸c˜ao do pH. . . 64
5.7 Densidade superficial de cargas em fun¸c˜ao da salinidade. . . 64
5.8 Adsor¸c˜ao el´etrica de N a+ na camada dupla em fun¸c˜ao do pH. . . 65
5.9 Adsor¸c˜ao el´etrica de N a+ na camada dupla em fun¸c˜ao da salinidade. . 65
5.10 Adsor¸c˜ao el´etrica de H+ na camada dupla em fun¸c˜ao do pH. . . 66
5.11 Adsor¸c˜ao qu´ımica de N a+ na camada dupla em fun¸c˜ao do pH. . . 66
5.12 Adsor¸c˜ao qu´ımica de N a+ na camada dupla em fun¸c˜ao da salinidade. . 67
5.13 Adsor¸c˜ao qu´ımica de H+ na camada dupla em fun¸c˜ao do pH. . . 67
5.14 Adsor¸c˜ao qu´ımica de H+ na camada dupla em fun¸c˜ao da salinidade. . . 68
7.1 Condi¸c˜oes de contorno para regime transiente e pH = 4. . . 78
7.2 Evolu¸c˜ao da salinidade em fun¸c˜ao da coordenada espacial para pH = 4 nos eletrodos. . . 79
7.3 Evolu¸c˜ao do pH em fun¸c˜ao da coordenada espacial. . . 80
7.4 Evolu¸c˜ao do potencial el´etrico em fun¸c˜ao da coordenada espacial para pH = 4 nos eletrodos.. . . 80
7.5 Evolu¸c˜ao da press˜ao em fun¸c˜ao da coordenada espacial parapH = 4 nos eletrodos. . . 81
7.6 Condi¸c˜oes de contorno para regime transiente e pH = 7. . . 81
7.7 Evolu¸c˜ao da salinidade em fun¸c˜ao da coordenada espacial para pH = 7 nos eletrodos. . . 82
7.8 Evolu¸c˜ao do pH em fun¸c˜ao da coordenada espacial. . . 83
7.9 Evolu¸c˜ao do potencial el´etrico em fun¸c˜ao da coordenada espacial para pH = 7. . . 83
7.10 Evolu¸c˜ao da press˜ao em fun¸c˜ao da coordenada espacial parapH = 7 nos eletrodos. . . 84
B.1 Dom´ınio nanosc´opico representativo da dupla camada el´etrica. . . 95
C.1 Damk¨ohler Daα1 em fun¸c˜ao da salinidade. . . 97
C.2 Damk¨ohler Daβ1 em fun¸c˜ao do pH. . . 98
C.3 Damk¨ohler Daα2 em fun¸c˜ao da salinidade. . . 98
C.4 Damk¨ohler Daα2 em fun¸c˜ao do pH. . . 99
Lista de Tabelas
5.1 Constantes f´ısico-qu´ımicas apresentadas em algumas bibliografias. . . . 62
D.1 Parˆametros f´ısico-qu´ımicos usados nas simula¸c˜oes macrosc´opicas. . . 100
Cap´ıtulo 1
Introdu¸c˜
ao
Muitos materiais porosos f´ısicos e biol´ogicos apresentam um excesso de carga el´etrica
na superf´ıcie da part´ıcula s´olida. Em virtude desta caracter´ıstica, estes materiais s˜ao
comumente denominado de meios porosos carregados eletricamente. dentre os diversos
materiais que possuem esta propriedade, destacamos as argilas, resinas, pol´ımeros,
car-tilagens e tecidos biol´ogicos. Devido ao excesso de carga el´etrica superficial, ´ıons s˜ao
atra´ıdos para a superf´ıcie s´olida dando origem a fenˆomenos eletrocin´eticos. Tais
pro-cessos s˜ao oriundos da escala nanosc´opica e governam fenˆomenos nas escalas superiores
(micro e macrosc´opica). Como exemplo, frisamos o uso de argilas como barreira de
con-ten¸c˜ao de res´ıduos radioativos usada em aterros sanit´arios, onde tal processo depende
dos fenˆomenos de natureza eletroqu´ımica que ocorrem no interior das part´ıculas
s´oli-das da argila. Para estimar o comportamento constitutivo destes fenˆomenos, propomos
uma modelagem matem´atica e computacional multiescala de fenˆomenos eletrocin´eticos
em meios porosos carregados eletricamente (LEMAIRE et al., 2010).
No contexto da modelagem matem´atica e computacional, destacamos os trabalhos
desenvolvidos por Murad e Moyne (2008). No inovador artigo A Dual-Porosity Model
For Ionic Solute Transport in Expansive Clays, Murad e Moyne (2008) utilizaram a t´ecnica de homogeneiza¸c˜ao de estruturas peri´odicas para a modelagem multiescala do
acoplamento eletroqu´ımico-hidromecˆanico em meios porosos argilosos expansivos. A
modelagem proposta permite descrever o movimento de contaminantes, bem como a
remedia¸c˜ao de solos por t´ecnica de eletrocin´etica em argilas compactadas em aterros
sa-nit´arios. Esse modelo foi deduzido com a t´ecnica de expans˜ao assint´otica na escala dos
2
poros. Que por sua vez, consiste da eletrohidrodinˆamica dado pelo problema de Stokes
modificado, transporte de ´ıons e eletrost´aticas locais na solu¸c˜ao eletrol´ıtica dados,
res-pectivamente, pelas equa¸c˜oes de Nernst-Planck e o problema de Poisson-Boltzmann.
As simula¸c˜oes computacionais foram realizadas considerado a hip´otese de arranjo
mi-crosc´opico estratificado para a argila montmorillonita (MURAD; MOYNE,2008). Por
sua vez,Murad, Limaet al.(2013) pulicaram o artigo intituladoA Two-Scale
Computa-tional Model of pH-Sensitive Expansive Porous Media(MOYNE; MURAD,2006), onde desenvolveram uma nova modelagem em trˆes escalas (nanosc´opica, microsc´opica e
ma-crosc´opica) para meios porosos argilosos com a finalidade de descrever o acoplamento
entre o fluxo eletrosm´otico e transporte de solutos iˆonicos, considerando fenˆomenos
de adsor¸c˜ao eletroqu´ımica na interface fluido/s´olido. Utilizando a t´ecnica de
homo-geneiza¸c˜ao de estruturas peri´odicas para o acoplamento entre a escala microsc´opica e
macrosc´opica foi poss´ıvel obter um modelo na escala macrosc´opica. Para as simula¸c˜oes
computacionais foi utilizado o m´etodo de volumes finitos (LIMA et al., 2010a; LIMA
et al.,2010b).
Na modelagem matem´atica desenvolvida neste trabalho, consideramos um meio
bi-f´asico composto de part´ıculas s´olidas e uma fase vazia comumente denominada de poro.
Consideramos o meio poroso preenchido por uma solu¸c˜ao aquosa contendo quatro
solu-tos iˆonicos monovalentes totalmente dissolvidos no solvente. No poro, a solu¸c˜ao
eletro-l´ıtica ´e assumida eletricamente neutra. Devido a esta condi¸c˜ao, acentuados fenˆomenos
de atra¸c˜ao/repuls˜ao surgem para assegurar a eletroneutralidade do fluido. Em virtude
dos fortes fenˆomenos de atra¸c˜ao/repuls˜ao, ´ıons tendem a serem atra´ıdos para regi˜oes na
vizinhan¸ca da part´ıcula s´olida, caracterizando fenˆomenos de adsor¸c˜ao el´etrica. Al´em
disso, alguns ´ıons tendem a reagir quimicamente com a superf´ıcie da part´ıcula s´olida,
dando origem a fenˆomenos de adsor¸c˜ao qu´ımica. Em raz˜ao desse ac´umulo de ´ıons na
vizinhan¸ca da part´ıcula s´olida, uma fina camada denominada de dupla camada el´etrica
´e formada. Tal fenˆomeno ocorre em uma regi˜ao de dimens˜ao caracter´ıstica da ordem
de alguns nanˆometros (GOUY,1910;LEROY; REVIL, 2004).
Para a modelagem do fenˆomeno de dupla camada el´etrica, fazemos uso da teoria de
3
e o campo el´etrico gerado pelo fenˆomeno de atra¸c˜ao/repuls˜ao. Utilizando as rela¸c˜oes
de Boltzmann, conseguimos deduzir a equa¸c˜ao de Poisson-Boltzmann suplementada
por condi¸c˜oes de interface fluido/s´olido. Para modelar os fenˆomenos de adsor¸c˜ao
ele-troqu´ımica, deduzimos uma express˜ao para o computo das adsor¸c˜oes el´etricas. Al´em
disso, para calcular as adsor¸c˜oes qu´ımicas, diferentemente de Lima (2007), propomos
um modelo 2-pK com o intuito de incorporar duas rea¸c˜oes qu´ımicas ao modelo
nanos-c´opico. Sob hip´otese de carga el´etrica superficial uniformemente distribu´ıda, reduzimos
o problema de Poisson-Boltzmann ao caso unidimensional e encontramos uma solu¸c˜ao
suave para o potencial el´etrico gerado pelo excesso de carga el´etrica superficial (LIMA,
2007).
O deslizamento da dupla camada el´etrica em conjunto com as for¸cas de atrito d´a
origem ao movimento do fluido na escala microsc´opica. Para produzir o deslizamento
da dupla camada consideramos a imers˜ao de eletrodos nas fronteiras externas do meio
poroso. O movimento do fluido ´e governado pelo cl´assico problema de Stokes
suplemen-tado por condi¸c˜oes de interface fluido/s´olido. Al´em disso, o transporte dos solutos
iˆoni-cos ´e governado pelas equa¸c˜oes de Nersnt-Plank. As condi¸c˜oes de interface fluido/s´olido
para o movimento do solvente e o transporte dos solutos s˜ao dadas pelos fenˆomenos que
ocorrem na superf´ıcie s´olida, que por sua vez s˜ao modelados pelo sistema de equa¸c˜oes
nanosc´opicas. Tal fato mostra o acoplamento entre os modelos nano e microsc´opico
atrav´es das condi¸c˜oes de interface. Para deduzir o modelo nano/microsc´opico para
a escala macrosc´opica, considerando a hip´otese de separa¸c˜ao de escalas e
periodici-dade do meio, utilizarmos a t´ecnica de homogeneiza¸c˜ao de estruturas peri´odicas. Tal
t´ecnica consiste em adimensionalizar e normalizar o modelo nano/microsc´opico, bem
como a expans˜ao assint´otica das vari´aveis de interesse. De posse do modelo
normali-zado, obtemos uma equa¸c˜ao para a conserva¸c˜ao da massa de um fluido incompress´ıvel,
conserva¸c˜ao do momento linear expressa pela Lei de Darcy modificada e conserva¸c˜ao
da carga el´etrica na escala macrosc´opica (AURIAULT; ADLER, 1995; AURIAULT;
BOUTIN; GEINDREAU, 2010).
Devido ao processo de homogeneiza¸c˜ao, fortes n˜ao linearidades surgem com o
4
linearizar o sistema de equa¸c˜oes macrosc´opicas, fazemos uso do m´etodo de Newton.
Diferentemente de Lima(2007), discretizamos as equa¸c˜oes macrosc´opicas pelo m´etodo
de elementos finitos. O m´etodo de elementos finitos consiste na divis˜ao do dom´ınio do
problema em subdom´ınios denominados elementos. Usando concep¸c˜oes variacionais, a
solu¸c˜ao ´e dada por uma combina¸c˜ao linear de fun¸c˜oes de base com suporte compacto
(BECKER; CAREY; ODEN, 1981; DONEA; HUERTA, 2003).
Finalmente, fazemos uma aplica¸c˜ao do modelo multiescala a um meio poroso
ar-giloso. Para as simula¸c˜oes nanosc´opicas usamos um c´odigo feito em MATLAB para
reproduzir o comportamento constitutivo do potencial zeta, densidade superficial de
carga el´etrica e adsor¸c˜oes eletroqu´ımicas. As simula¸c˜oes macrosc´opicas foram obtidas
usando um c´odigo in house escrito em FORTRAN 90, juntamente com as constantes
f´ısico-qu´ımicas propostas por Leroy e Revil (2004) e Tertre et al. (2006). Com isso,
obtemos os perfis para o campo de press˜ao, transporte de s´odio,pH e potencial el´etrico
macrosc´opico.
Do ponto de vista organizacional deste trabalho, al´em desse cap´ıtulo introdut´orio,
esta disserta¸c˜ao ´e composta pelos seguintes cap´ıtulos:
• Cap´ıtulo 2: Utilizando a Teoria de Gouy-Chapmann modelamos o potencial
el´etrico localmente distribu´ıdo, densidade superficial de carga el´etrica e
adsor-¸c˜oes na dupla camada el´etrica. Considerando rea¸c˜oes qu´ımicas de
protona-¸c˜ao/deprotona¸c˜ao juntamente com uma rea¸c˜ao de troca catiˆonica, derivamos o
modelo 2-pK com o intuito de incorporar as rea¸c˜oes de adsor¸c˜ao qu´ımica ao
modelo nanosc´opico. Admitindo a hip´otese de carga el´etrica uniformemente
dis-tribu´ıda sobre a superf´ıcie da part´ıcula s´olida, conseguimos deduzir um modelo
unidimensional para o problema de Poisson-Boltzmann suplementado por
condi-¸c˜oes de interface. Tal problema permite modelar o potencial el´etrico na camada
dupla em termos potencial el´etrico na superf´ıcie da part´ıcula s´olida.
• Cap´ıtulo 3: Considerando a imers˜ao de eletrodos na fronteira externa de um
meio poroso, desenvolvemos a modelagem matem´atica para o movimento do
5
microsc´opico, consideramos um meio poro r´ıgido incompress´ıvel carregado
eletri-camente saturado por uma solu¸c˜ao eletrol´ıtica. Rea¸c˜oes de ioniza¸c˜ao, hidr´olise
e eletr´olise originam quatro ´ıons monovalentes (N a+, H+, Cl−, OH−) parcial ou
completamente dissociados no solvente aquoso. Para modelar o fenˆomeno
advec-tivo, sob justificativa de carga el´etrica l´ıquida neutra no bulk, consideramos que
o movimento eletrohidrodinˆamico do fluido ´e governado pelo cl´assico problema
de Stokes, juntamente com a condi¸c˜ao de deslizamento sobre a part´ıcula s´olida.
Para o transporte dos solutos iˆonicos, postulamos as equa¸c˜oes de Nernst-Plank
em conjunto com as adsor¸c˜oes oriundas da dupla camada el´etrica, que s˜ao
for-necida pelo modelo nanosc´opico. Tal fato mostra o acoplamento dos modelos
nano/microsc´opico que ser´a crucial dedu¸c˜ao do modelo macrosc´opico.
• Cap´ıtulo 4: Fazemos uso da t´ecnica de homogeneiza¸c˜ao de estruturas peri´odicas
para fazer o upscaling do modelo nano/microsc´opico para a escala macrosc´opica.
Para o processo de homogeneiza¸c˜ao, supomos uma microestrutura peri´odica de
forma que a raz˜ao entre as dimens˜oes caracter´ısticas do poro e do dom´ınio
ma-crosc´opico seja ε = O(10−4), caracterizando separa¸c˜ao entre as escalas micro
e macrosc´opicas. O processo consiste em adimensionalizar, normalizar e fazer
a expans˜ao assint´otica das vari´aveis do modelo. Reescrevendo o modelo em
termo das potencias de ε, encontramos subproblemas suplementados por
condi-¸c˜oes de interface, que por sua vez incorporam ao modelo macrosc´opico os efeitos
nano/microsc´opicos.
• Cap´ıtulo 5: Inicialmente, caracterizamos solos argilosos bem como a origem da
carga el´etrica das part´ıculas s´olidas das argilas. Sob hip´otese de arranjo
microsc´o-pico estratificado, reduzimos o modelo macrosc´omicrosc´o-pico a uma forma unidimensional.
Em seguida, fazemos uma aplica¸c˜ao do modelo multiescala a um meio poroso
ar-giloso. Considerando as constantes f´ısico-qu´ımicas fornecidas por Leroy e Revil
(2004) e Tertre et al. (2006) conseguimos reproduzir o comportamento
constitu-tivo do potencial el´etrico na superf´ıcie da part´ıcula s´olida, densidade de carga
6
solu¸c˜ao eletrol´ıtica salina.
• Cap´ıtulo 6: Fazemos uma breve introdu¸c˜ao do m´etodo de elementos finitos e
usando concep¸c˜oes variacionais discretizamos as equa¸c˜oes macrosc´opicas.
Intro-duzimos o m´etodo de Newton para linearizar as equa¸c˜oes n˜ao lineares do
trans-porte.
• Cap´ıtulo 7: De posse do sistema de equa¸c˜oes discretas, realizamos simula¸c˜oes
nu-m´ericas do modelo multiescala considerando regimes ´acido e b´asico. Os resultados
num´ericos nanosc´opicos possibilitam quantificar fenˆomenos eletrocin´eticos em um
meio poroso argiloso, demonstrando dessa forma que os processo eletrocin´eticos
Cap´ıtulo 2
Modelagem Nanosc´
opica
Meios porosos carregados eletricamente s˜ao caracterizados por um excesso de carga
el´etrica na superf´ıcie da fase s´olida (GRIM; GRIM,1962;SPOSITO,2008). Fenˆomenos
eletroqu´ımicos aliados a presen¸ca de uma solu¸c˜ao eletrol´ıtica produz fortes
acoplamen-tos entre a matriz s´olida e a solu¸c˜ao aquosa. Devido ao excesso de carga el´etrica na
superf´ıcie da part´ıcula s´olida, itera¸c˜oes eletroqu´ımicas d˜ao origem a fortes fenˆomenos de
atra¸c˜ao e repuls˜ao entre as part´ıculas s´olidas e os ´ıons presentes na solu¸c˜ao eletrol´ıtica.
Os acentuados fenˆomenos de atra¸c˜ao e repuls˜ao que ocorrem na vizinhan¸ca da part´ıcula
s´olida, d˜ao origem a fenˆomenos de adsor¸c˜ao eletroqu´ımica na interface fluido/s´olido.
Neste trabalho, tais fenˆomenos ocorrem em uma fina camada do ordem deO(10−9m)
o qual denominamos escala nanosc´opica (TOMB ´ACZ; SZEKERES, 2006).
Neste cap´ıtulo, consideramos um meio poroso saturado por uma solu¸c˜ao
eletrol´ı-tica contendo quatro solutos iˆonicos monovalentes (N a+, H+, Cl−, OH−). Utilizando
a teoria de Gouy-Chapman e modelo 2-pK1, desenvolvemos a modelagem matem´atica
na escala nanosc´opica dos fenˆomenos f´ısico-qu´ımicos na vizinhan¸ca da part´ıcula s´olida.
Tal teoria permite deduzir a equa¸c˜ao de Poisson-Boltzmann que por sua vez quantifica
o potencial el´etrico localmente distribu´ıdo e densidade superficial de carga el´etrica na
dupla camada. Considerando duas rea¸c˜oes qu´ımicas na interface fluido/solido,
desen-volvemos o modelo 2-pK com o intuito de incorporar os efeitos qu´ımicos ao modelo
nanosc´opico. Finalmente, sob hip´otese de carga el´etrica superficial uniformemente
dis-1
Nomenclatura usada para modelos matem´aticos desenvolvidos a partir de duas rea¸c˜oes qu´ımicas em equil´ıbrio termodinˆamico.
2.1 Modelagem da Dupla Camada El´etrica 8
tribu´ıda, conseguimos expressar um modelo unidimensional para o problema n˜ao linear
de Poisson-Boltzmann suplementado por condi¸c˜oes de interface do tipo Newmann n˜ao
homogˆenea. Tal formula¸c˜ao permite deduzir uma solu¸c˜ao anal´ıtica para o problema de
Poisson-Boltzmann e consequentemente uma significativa simplifica¸c˜ao na modelagem
nanosc´opica sem perda de generalidade.
2.1
Modelagem da Dupla Camada El´
etrica
Seja Ωη o dom´ınio nanosc´opico na dire¸c˜ao normal `a part´ıcula s´olida de um meio
poroso carregado eletricamente, onde Ωη est´a saturado por uma solu¸c˜ao eletrol´ıtica
salina (ver Figura2.1(a)). Definindo Cb a concentra¸c˜ao total de ´ıons (c´ations e ˆanions)
do fluido bulk, que ´e definido como uma solu¸c˜ao eletricamente neutra. Dessa forma,
assumimos que na solu¸c˜ao bulk, a concentra¸c˜ao de c´ations ´e igual a concentra¸c˜ao de
ˆanions. Definindo Cib, onde i= {H
+, N a+, Cl−
, OH−}, como a concentra¸c˜ao de cada
esp´eciei no fluido bulk. Logo a condi¸c˜ao de eletroneutralidade na solu¸c˜ao bulk´e dada
na forma
Cb =CN ab+CHb =CClb +COHb. (2.1)
Devido ao excesso de carga eletrol´ıtica na superf´ıcie da matriz s´olida, itera¸c˜oes
eletroqu´ımicas d˜ao origem a acentuados fenˆomenos de atra¸c˜ao e repuls˜ao entre os ´ıons
da camada dupla e a superf´ıcie da fase s´olida. Tal processo gera um campo el´etrico E
e um potencial el´etrico ϕ, onde o potencial el´etrico ϕ=ϕ(z) varia espacialmente com
a distˆancia z `a superf´ıcie da fase s´olida (ver Figura 2.1(a)). Considerando a teoria de
Gouy-Chapman podemos computar o campo el´etrico e o potencial el´etrico na camada
dupla fazendo uso da equa¸c˜ao de Boltzmann dada na forma (GOUY,1910;CHAPMAN,
1913)
∇ ·E =− q
eǫ0eǫr
E =−∇ϕ em Ωη,
(2.2a)
(2.2b)
onde eǫ0 e eǫr denotam a permissividade do v´acuo e constante diel´etrica da ´agua,
2.1 Modelagem da Dupla Camada El´etrica 9
forma
q:=F
4
X
i=1
νCi, (2.3)
onde Ci ´e a concentra¸c˜ao dos solutos iˆonicos na dupla camada el´etrica, ν a valˆencia e
F ´e a constante de Faraday. Assumindo uma condi¸c˜ao de equil´ıbrio termodinˆamico,
podemos igualar os potenciais eletroqu´ımicos das esp´ecies dissolvidas na solu¸c˜ao
ele-trol´ıtica e no fluido bulk (DORMIEUX et al., 1995; MOYNE; MURAD, 2006). Dessa
maneira conseguimos expressar a rela¸c˜ao de Boltzmann que permite modelar a
concen-tra¸c˜ao dos ´ıonsCi na dupla camada el´etrica a partir da concentra¸c˜ao no fluido bulkCib
expressa na forma (LIMA, 2007)
Ci =Cib·exp(∓ϕ¯) com i={N a
+, H+, Cl−
, OH−}, (2.4)
ondeϕ =F ϕ/RT ´e o potencial el´etrico adimensional comReT denotando a constante
Universal dos Gases e temperatura termodinˆamica, respectivamente.
Combinando a distribui¸c˜ao de Boltzmann (2.4) e a condi¸c˜ao de eletroneutralidade
(2.1) com a defini¸c˜ao (2.3), encontramos a seguinte express˜ao para a densidade
volu-m´etrica de carga
q=F(CN ab +CHb −CClb−COHb) =F Cb[exp( ¯ϕ)−exp(−ϕ¯)] = −2F Cbsinh( ¯ϕ).
(2.5)
Substituindo (2.5) em (2.2) obtemos a equa¸c˜ao de Poisson-Boltzmann na forma
△ϕ= 2F Cb
e
ǫ0eǫr
sinh( ¯ϕ). (2.6)
A equa¸c˜ao (2.6) permite calcular o potencial gerado pelo excesso de caga el´etrica
superficial.
Se considerarmos que na interface fluido/s´olido Γf s o campo el´etrico equilibra a
densidade superficial de carga ent˜ao podemos assumir a seguinte condi¸c˜ao de interface
∇ϕ·n = σ
e
ǫ0eǫr
2.1 Modelagem da Dupla Camada El´etrica 10
ondeσ ´e a densidade superficial de carga el´etrica.
Uma vez que o campo el´etrico ´e nulo no fluidobulk, podemos assumir uma condi¸c˜ao
limite de Newmann homogˆenea expressa na forma
∇ϕ·n= 0 sobre kzk ≫LD, (2.8)
com LD :=
s
eǫ0eǫrRT
2F2C
b
denotando o comprimento de Debye que expressa a espessura
caracter´ıstica da dupla camada el´etrica (ver Figura 2.1(a)) (HUNTER, 1993).
OH+2–O−–OH–O−–O−–O−–OH–O−–OH+
2–OH
Superf´ıcie de Silicato de Alum´ınio
Superf´ıcie Carregada da Argila
LD
z
Ωf l
A−
Interface Nano/Micro
Ωη
B+
B+
B+
A−
A−
Solu¸c˜ao Bulk
B+
A−
A−
B+
A− BB++ Camada de Stern
Camada Difusa Superf´ıcie Carregada da Argila Solu¸c˜ao Bulk
(a) (b)
A−
Figura 2.1: Representa¸c˜ao da dupla camada el´etrica de uma argila proposta porLeroy
e Revil (2004), onde os s´ımbolo B+ e A− s˜ao c´ations e ˆanions, respectivamente.
Na superf´ıcie da part´ıcula s´olida, devido `a condi¸c˜ao de compatibilidade do problema
surge uma restri¸c˜ao entre os valores da densidades superficial σ e volum´etrica q. Para
relacionarmos tais densidades, combinamos as equa¸c˜oes (2.2) e (2.7). Dessa forma
encontramos
σ =−eǫ0eǫr∇ϕ
z=0 =−eǫ0eǫr
Z
Ωη
△ϕ dΩη =−
Z
Ωη
q dΩη. (2.9)
A equa¸c˜ao (2.9) permite calcular a densidade superficial de carga el´etrica a partir
da densidade volum´etrica.
Portanto, encontramos a express˜ao (2.10) que descreve o comportamento do
2.2 Modelagem dos Fenˆomenos de Adsor¸c˜ao Eletroqu´ımica 11
suplementado pelas condi¸c˜oes de interface (2.7) e (2.8).
△ϕ= 2F Cb
e
ǫ0eǫr
sinh( ¯ϕ) em Ωη,
∇ϕ·n= σ
eǫ0eǫr
sobre z = 0,
∇ϕ·n= 0 sobre kzk ≫LD.
(2.10a)
(2.10b)
(2.10c)
2.2
Modelagem dos Fenˆ
omenos de Adsor¸c˜
ao
Ele-troqu´ımica
Fenˆomenos eletroqu´ımicos em meios porosos carregados eletricamente s˜ao
caracte-rizados pela adsor¸c˜ao eletroqu´ımica na dupla camada el´etrica. A modelagem de tal
fenˆomeno ´e de fundamental importˆancia para a modelagem multiescala de processos
eletrocin´eticos. Nesta se¸c˜ao, desenvolvemos uma express˜ao para computar a adsor¸c˜ao
de ´ıons eletricamente adsorvidos, bem como o modelo 2-pK que descreve a densidade
de ´ıons quimicamente adsorvidos na camada dupla e a densidade superficial de carga
el´etrica.
2.2.1
Adsor¸c˜
ao na Dupla Camada El´
etrica
Devido ao excesso de carga el´etrica superficial da part´ıcula s´olida, acentuados
fenˆo-menos de atra¸c˜ao e repuls˜ao surgem para assegurar a eletroneutralidade dada pela
express˜ao (2.9). Tais fenˆomenos d˜ao origem a atra¸c˜ao el´etrica de ´ıons para a camada
dupla, caracterizando um fenˆomeno de adsor¸c˜ao el´etrica (LEROY; REVIL, 2004) (ver
Figura 2.1). A densidade de ´ıons eletricamente adsorvidos na dupla camada el´etrica
com rela¸c˜ao a concentra¸c˜ao de cada esp´ecie no bulk´e definida pela seguinte express˜ao
Γi :=
Z
Ωη
(Ci−Cib) dΩ
η
com i={N a+, H+, Cl−, OH−}. (2.11)
Utilizando a defini¸c˜ao acima juntamente com a rela¸c˜ao de Boltzmann (2.4),
2.2 Modelagem dos Fenˆomenos de Adsor¸c˜ao Eletroqu´ımica 12
forma
Γi± =
Z
Ωη
(Cibexp(∓ϕ¯)−Cib) dΩ
η
=Cib
Z
Ωη
(exp(∓ϕ¯)−1)dΩη, (2.12)
para cada soluto iˆonico i={H, N a, Cl, OH}.
2.2.2
Rea¸c˜
ao de Protona¸c˜
ao/Deprotona¸c˜
ao
Devido ao excesso de carga el´etrica na superf´ıcie da part´ıcula s´olida, alguns ´ıons
s˜ao atra´ıdos eletricamente para a dupla camada. Por´em alguns desses ´ıons tendem a
reagir quimicamente com a superf´ıcie s´olida, caracterizando rea¸c˜oes de adsor¸c˜ao
qu´ı-mica (ver Figura 2.1(b)) (LEROY; REVIL, 2004; TOMB ´ACZ; SZEKERES, 2006).
Por outro lado, caso haja um desbalan¸co de carga el´etrica entre part´ıcula e fluido,
as liga¸c˜oes qu´ımicas entre ´ıons e a superf´ıcie s´olida s˜ao rompidas e os ´ıons s˜ao
atra´ı-dos para o fluido bulk. Tal fato caracteriza uma dessor¸c˜ao qu´ımica. Caso os ´ıons
quimicamente adsorvidos/dessorvidos sejam positivos, as rea¸c˜oes s˜ao denominadas de
protona¸c˜ao/deprotona¸c˜ao.
Para modelar as rea¸c˜oes qu´ımicas que ocorrem na interface fluido/s´olido, ´e preciso
saber quais rea¸c˜oes ocorrem na superf´ıcie da part´ıcula s´olida. Diferentemente deSilva
(2013) que propˆos uma modelagem multiescala considerando uma rea¸c˜ao qu´ımica de
protona¸c˜ao/deprotona¸c˜ao, neste trabalho propomos o modelo 2-pK com o objetivo de
incorporar duas rea¸c˜oes qu´ımicas e modelar a dependˆencia da carga superficial da fase
s´olida e a adsor¸c˜ao qu´ımica em termos dopH2 e salinidade da solu¸c˜aobulk. Desse modo
assumimos uma rea¸c˜ao de protona¸c˜ao/deprotona¸c˜ao e uma rea¸c˜ao de troca catiˆonica
dadas na forma
(> M−OH2)+
1
2 ⇋(> M−OH)− 1
2 +H+, (2.13)
(> M−OH)−12 +N a+ ⇋(> M−N aOH)+ 1
2, (2.14)
onde (> M) representa os ´ıons da estrutura mineral´ogica na fase s´olida. Sob hip´otese
de equil´ıbrio termodinˆamico, fazemos uso da Lei de A¸c˜ao das Massas para definir
2´
2.2 Modelagem dos Fenˆomenos de Adsor¸c˜ao Eletroqu´ımica 13
as constantes de equil´ıbrio K1 e K2 associadas, respectivamente, as rea¸c˜oes (2.13) e
(2.14). Tais constantes, s˜ao definidas como a raz˜ao entre os produtos das molaridades
dos constituintes resultantes dos reagentes e dos produtos. As constantes s˜ao expressas
na seguinte forma (FONSECA, 1992;AVENA; PAULI, 1996)
K1 :=
{(> M −OH)−12}C
H0+
{(> M −OH2)+
1
2}
, (2.15)
K2 :=
{(> M−N aOH)+12}
{(> M −OH)−1
2}C
N a+0
, (2.16)
onde {i} denota a concentra¸c˜ao adimensional do s´ıtio reativo i, com i = {(> M −
OH)−12, (> M−OH
2)+
1
2,(> M−N aOH)+ 1
2}. Por sua vez, a concentra¸c˜ao de c´ations
na superf´ıcie do s´olido Ci0, com i = {N a
+, H+}, ´e quantificada usando a rela¸c˜ao de
Boltzmann (2.4) dada por
CN a+
0 =CN abexp(−ζ) e CH
+
0 =CHbexp(−ζ),
ondeζ =F ζ/RT eζ =ϕ(z = 0) ´e o potencial el´etrico na superf´ıcie da part´ıcula s´olida.
Denotandoγi = Γmax× {i} como a densidade superficial de cada esp´ecie iˆonica na
estrutura s´olida, podemos reescrever as express˜oes (2.15)–(2.16) na forma
K1 =
γ{
(>M−OH)−12}CH0+
γ{
(>M−OH2)+ 12}
, (2.17)
K2 =
γ
{(>M−N aOH)+ 12}
γ{
(>M−OH)−12}×CN a+0
. (2.18)
A densidade superficial m´axima de s´ıtios reativos Γmax ´e definida na forma
Γmax :=γ{
(>M−OH2)+ 12} +γ{(>M−OH)− 1
2}+γ{(>M−N aOH)+ 12}. (2.19)
Combinado as equa¸c˜oes (2.17), (2.18) com (2.19) encontramos
γ{
(>M−OH)−12} =
ΓmaxK1
CH+
0 +K1+CN a
+
0K1K2
2.2 Modelagem dos Fenˆomenos de Adsor¸c˜ao Eletroqu´ımica 14
Combinado (2.20) com as equa¸c˜oes (2.17) e (2.18) podemos obter
γ{
(>M−OH2)+ 12} =
ΓmaxCH0+
CH+
0 +K1+CN a
+
0K1K2
, (2.21)
γ{
(>M−N aOH)+ 12} =
ΓmaxCN a+0K1K2
CH+
0 +K1+CN a
+
0K1K2
. (2.22)
A partir das equa¸c˜oes (2.20) e (2.22) podemos deduzir a express˜ao que governa a
densidade superficial de ´ıons H+ quimicamente adsorvidos na superf´ıcie da part´ıcula
s´olida dada por
γH+ := 1
2γ{(>M−OH2)+ 12}− 1
2γ{(>M−OH)−12} =
Γmax
2
CH+
0 −K1
CH+
0 +K1+CN a
+
0K1K2
!
.
(2.23)
De maneira an´aloga, podemos descrever uma express˜ao para a densidade superficial
de ´ıonsN a+ adsorvidos a partir da equa¸c˜ao (2.22) expressa de seguinte forma
γN a+ := 1
2γ{(>M−N aOH)+ 12} =
Γmax
2
CN a+
0K1K2
CH+
0 +K1 +CN a
+
0K1K2
!
. (2.24)
Al´em disso, a densidade de carga superficial ´e definida por
σ :=F
n
X
i=1
νγi . (2.25)
Sendo assim, combinando as equa¸c˜oes (2.20)–(2.22) com (2.25) obtemos a express˜ao
para a densidade superficial de carga dada na seguinte forma
σ = Γmax·F 2
CH+
0 −K1+CN a
+
0K1K2
CH+
0 +K1+CN a
+
0K1K2
!
. (2.26)
As express˜oes (2.23), (2.24) e (2.26) juntamente com a rela¸c˜ao de Boltzmann (2.4)
paraCH+
0 eCN a
+
0 permitem quantificar as adsor¸c˜oes qu´ımicas dos c´ations de hidrogˆenio
e s´odio, bem como a densidade superficial de cargaσ na superf´ıcie da part´ıcula s´olida
em termos do pH e salinidade da solu¸c˜ao intersticial. Al´em disso, podemos notar a
dependˆencia de γH+, γN a+ e σ com as constantes K1, K2 e Γmax. Tais parˆametros
2.3 Solu¸c˜ao Anal´ıtica da Equa¸c˜ao de Boltzmann 15
s´olida e podem ser estimados mediante ensaios BET3 e ´acido-b´asico, que tem a
fina-lidade de construir curvas experimentais que caracterizam a adsor¸c˜ao qu´ımica de ´ıons
H+ em fun¸c˜ao dopH da solu¸c˜ao aquosa para uma determinada salinidade (HUERTAS;
CHOU; WOLLAST,1999).
2.3
Solu¸c˜
ao Anal´ıtica da Equa¸c˜
ao de Boltzmann
Considerando uma microestrutura s´olida homogˆenea com uma densidade superficial
de carga uniformemente distribu´ıda, a equa¸c˜ao de Boltzmann ´e reduzida a um problema
unidimensional. Considerando o dom´ınio nanosc´opico na forma Ωη = (0, LD) na dire¸c˜ao
normal `a superf´ıcie da fase s´olida (ver Figura 2.1(a)), o problema (2.10) ´e reduzido a
forma
d2ϕ
dz2 =
2F Cb
eǫ0eǫr
sinh(ϕ) em Ωη = (0, LD),
dϕ dz =
σ
e
ǫ0eǫr
sobre z = 0,
dϕ
dz = 0 sobre z ≪LD.
(2.27a)
(2.27b)
(2.27c)
De maneira an´aloga, podemos reduzir a equa¸c˜ao (2.9) a uma forma unidimensional
expressa da seguinte maneira
σ =−eǫ0eǫ0
dϕ dz
z=0 =eǫ0eǫr
Z LD
0
d2ϕ
dz2 dz =
Z LD
0
q dz. (2.28)
Invocando o resultado descrito no Apˆendice A, o potencial el´etrico ϕ admite uma
representa¸c˜ao na forma
ϕ= 4RT
F arc tanh
tanh F ζ 4RT exp − z LD , (2.29)
ondeϕ ´e o potencial el´etrico da superf´ıcie da part´ıcula s´olida.
Substitu´ıdo a equa¸c˜ao (2.29) na condi¸c˜ao de interface fluido/s´olido (2.27b) obtemos
uma express˜ao que relaciona a densidade superficial de carga σ e potencial el´etrico
3
2.3 Solu¸c˜ao Anal´ıtica da Equa¸c˜ao de Boltzmann 16
ζ = ϕ(z = 0) uniformemente distribu´ıdo na superf´ıcie da part´ıcula s´olida dado na
seguinte forma
σ = eǫ0eǫrRT
F LD
sinh
F ζ
2RT
=p8eǫ0eǫrRT Cbsinh
F ζ
2RT
. (2.30)
Finalmente, considerando que a carga el´etrica est´a uniformemente distribu´ıda sobre
a faze s´olida ent˜ao a equa¸c˜ao (2.12) tem a seguinte forma unidimensional
Γi± =
Z z=LD
z=0
(exp(∓ϕ)−1)dz . (2.31)
Adimensionalizando z na forma z := z
LD
e usando o fato de que sinh
ϕ
2
=
exp ϕ2−exp −ϕ2
2 (ver Apˆendice A) temos
dz =− dϕ
2 sinh ϕ2 =−
dϕ
exp ϕ2−exp −ϕ2 .
Combinado a express˜ao acima com a equa¸c˜ao (2.31) obtemos o seguinte resultado
Γi± =−Ci
bLD
Z ϕ=0
ζ
exp(∓ϕ)−1
exp ϕ2−exp −2ϕdϕ,
Γi± =−Ci
bLD
Z ϕ=0
ζ
exp ∓ϕ2−exp ∓ϕ2−exp ±ϕ2
exp ϕ2−exp −2ϕ dϕ,
Γi± =Ci
bLD
Z ζ ϕ=0 exp ∓ϕ 2 dϕ ,
Γi± = 2Ci
bLD
2 exp ∓ϕ 2 ζ 0 ,
Γi± = 2Ci
bLD
exp
∓ F ζ
2RT
−1
. (2.32)
A express˜ao (2.32) nos permite calcular a adsor¸c˜ao dos solutos iˆonicos eletricamente
adsorvidos no dom´ınio da camada dupla em termos do potencialζ e das concentra¸c˜oes
2.4 Sum´ario da Modelagem Nanosc´opica 17
2.4
Sum´
ario da Modelagem Nanosc´
opica
O modelo nanosc´opico desenvolvido neste cap´ıtulo consiste em: Dados os valores
das constantes f´ısico-qu´ımicas (F, R, T,eǫ0,eǫr, K1, K2,Γmax) juntamente com pH e
sa-linidade da solu¸c˜ao aquosa (CHb, CN ab), o modelo nanosc´opico calcula as inc´ognitas
(ϕ, σ,Γi, γH+, γN a+) sujeitas ao seguinte sistema de equa¸c˜oes alg´ebricas
ϕ= 4RT
F arc tanh
tanh F ζ 4RT exp − z LD ,
σ=p8eǫ0eǫrRT Cbsinh
F ζ
2RT
,
σ= ΓmaxF 2
CH+
0 −K1+CN a
+
0K1K2
CH+
0 +K1 +CN a
+
0K1K2
!
,
γH+ =
Γmax
2
CH+
0 −K1
CH+
0 +K1+CN a
+
0K1K2
!
,
γN a+ =
Γmax
2
CN a+0K1K2
CH0++K1+CN a+0K1K2
!
,
CN a+0 =CN abexp(−ζ),
CH+
0 =CHbexp(−ζ),
ΓH+ = 2CH
bLD
exp
− F ζ
2RT
−1
,
ΓN a+ = 2CN a
bLD
exp
− F ζ
2RT
−1
,
ΓOH− = 2COH
bLD
exp F ζ 2RT −1 ,
ΓCl− = 2CCl
bLD
exp F ζ 2RT −1 . (2.33a) (2.33b) (2.33c) (2.33d) (2.33e) (2.33f) (2.33g) (2.33h) (2.33i) (2.33j) (2.33k)
O sistema de equa¸c˜oes (2.33) denota um modelo nanosc´opico geral que permite
computar o potencial el´etrico nanosc´opicoϕ e consequentemente o potencial zeta ζ =
ϕ(z = 0). De posse do potencial zeta (ζ), podemos calcular as concentra¸c˜oes de c´ations
na superf´ıcie do s´olido em termos dopH e salinidade da solu¸c˜aobulk. Tais concentra¸c˜oes
s˜ao necess´arias para o computo das adsor¸c˜oes qu´ımicas, que por sua vez s˜ao calculadas
pelo modelo 2-pK que necessita das constantes de equil´ıbrio (K1, K2) e a densidade
2.4 Sum´ario da Modelagem Nanosc´opica 18
cap´ıtulo, devido a sua extrema importˆancia na incorpora¸c˜ao das rea¸c˜oes qu´ımicas na
interface fluido/s´olido na modelagem nanosc´opica. A modelagem nanosc´opica ser´a
extremamente relevante para a modelagem micro e macrosc´opica desenvolvidas nos
Cap´ıtulo 3
Modelagem Microsc´
opica
Neste cap´ıtulo, considerando a imers˜ao de eletrodos na fronteira externa de um meio
poroso carregado eletricamente, desenvolvemos a modelagem matem´atica para o
movi-mento do solvente e o transporte dos solutos na escala microsc´opica. Para a deriva¸c˜ao
do modelo microsc´opico, consideramos a fase s´olida r´ıgida e incompress´ıvel. Por sua vez,
o volume poroso assumimos saturado por uma solu¸c˜ao eletrol´ıtica. Rea¸c˜oes de
ioniza-¸c˜ao, hidr´olise e eletr´olise d˜ao origem a quatro ´ıons monovalentes (N a+, H+, Cl−, OH−)
parcial ou completamente dissociados no solvente.
Para a modelagem do movimento do fluido, consideramos o fenˆomeno
eletrohidrodi-nˆamico governado pelo cl´assico problema de Stokes. Os fenˆomenos de atra¸c˜ao/repuls˜ao
na interface fluido/s´olido aliados a existˆencia de eletrodos externos d˜ao origem a uma
condi¸c˜ao de deslizamento na interface fluido/s´olido. Por sua vez, o transporte dos
so-lutos iˆonicos ´e modelado por equa¸c˜oes de advec¸c˜ao/difus˜ao do tipo Nernst-Plank. A
carga el´etrica superficial do s´olido produz um excesso de ´ıons na vizinhan¸ca da
part´ı-cula, originando a dupla camada el´etrica. As rea¸c˜oes qu´ımicas que ocorrem na interface
fluido/s´olido s˜ao quantificadas considerando uma condi¸c˜ao de Neumann n˜ao homogˆenea
para o transporte das esp´ecies. ´E importante ressaltar que a modelagem microsc´opica
´e fortemente dependente dos fenˆomenos nanosc´opicos modelados no cap´ıtulo anterior.
3.1 Rea¸c˜oes de Ioniza¸c˜ao 20
3.1
Rea¸c˜
oes de Ioniza¸c˜
ao
A existˆencia de ´ıons parcial ou completamente dissociados em uma solu¸c˜ao
eletrol´ı-tica ´e descrita pela teoria de ioniza¸c˜ao idealizada por Arrhenius que propˆos o equil´ıbrio
entre os ´ıons e mol´eculas n˜ao ionizadas em um eletr´olito (SCHMIDT, 2004). Muitas
substˆancias quando dilu´ıdas, tornam-se completamente ionizadas, o que caracteriza
um eletr´olito forte. Por exemplo, o cloreto de s´odio (N aCl), quando dilu´ıdo em ´agua,
ocorre uma completa dissocia¸c˜ao produzindo os ´ıonsN a+ eCl−, regida pela rea¸c˜ao de
ioniza¸c˜ao (FONSECA,1992)
N aCl⇋N a++Cl−. (3.1)
Alguns solventes apresentam uma percept´ıvel condutividade el´etrica. Isso ocorre
devido a dissocia¸c˜ao das part´ıculas que comp˜oe as mol´eculas do solvente, tal fenˆomeno ´e
comumente denominado de autoioniza¸c˜ao. Por exemplo, ´agua apresenta este fenˆomeno
por meio de uma hidr´olise dada pela rea¸c˜ao (FONSECA,1992)
H2O ⇋H++OH−. (3.2)
Considerando a Lei de A¸c˜ao das Massas, o equil´ıbrio termodinˆamico permite definir
uma constante de equil´ıbrio KC que possibilita quantificar a rea¸c˜ao (3.2) na forma
KC :=
CH+COH−
CH2O
, (3.3)
ondeCH+, COH− e CH
2O s˜ao as concentra¸c˜oes molares dos ´ıons hidrogˆenio, hidroxila e
do solvente aquoso respectivamente. Podemos reescrever a defini¸c˜ao (3.3) da seguinte
forma
KCCH2O =CH+COH−. (3.4)
Definindo o produto iˆonico da ´agua na forma KW :=KCCH2O e considerando que
3.2 Rea¸c˜oes de Eletr´olise 21
Substituindo o produto iˆonico da ´agua em (3.4) temos que
KW =CH+COH−, (3.5)
onde o valor de KW ´e determinado via medidas de condutˆancias feitas em ´agua
des-tilada cujo valor aproximado ´e KW = 10−14(mol/l)2 = 10−8(mol/m3)2. Portanto, o
parˆametro para KW implica na seguinte restri¸c˜ao nas concentra¸c˜oes iˆonicas de H+ e
OH− na solu¸c˜ao bulk dada na forma
CH+COH− = 10−8(mol/m3)2. (3.6)
3.2
Rea¸c˜
oes de Eletr´
olise
A imers˜ao de eletrodos juntamente com a aplica¸c˜ao de uma corrente el´etrica
con-t´ınua em uma solu¸c˜ao aquosa, desencadeia rea¸c˜oes de oxida¸c˜ao nas proximidades do
eletrodo positivo (ˆanodo) e oxirredu¸c˜ao na vizinhan¸ca do eletrodo negativo (c´atodo)
(ver Figura3.1). Na vizinhan¸ca do ˆanodo ocorre rea¸c˜oes de oxirredu¸c˜ao da ´agua
pro-duzindo hidroxilas OH− e g´as hidrogˆenio H2. Por outro lado, na proximidade do
c´atodo ocorre uma rea¸c˜oes de oxida¸c˜ao da ´agua produzindo os ´ıons hidrogˆenio H+ e
g´as oxigˆenioO2. Tais rea¸c˜oes qu´ımicas, s˜ao dadas na forma (AZZAM; OEY,2001)
• Anodo(+):ˆ
2H2O−4e−→O2 ↑+4H+; (3.7)
• C´atodo(-):
2H2O+ 2e− →H2 ↑+2OH−; (3.8)
com “e” a carga elementar de um el´etron.
Considerando que os gases produzidos pelas rea¸c˜oes (3.7)–(3.8) sejam liberados para
a atmosfera, o meio poros ´e saturado pela solu¸c˜ao aquosa. Podemos notar que a rea¸c˜ao
3.2 Rea¸c˜oes de Eletr´olise 22
Ωf
Γf s
Ωs
ˆ
Anodo C´atodo
Figura 3.1: Caracteriza¸c˜ao do dom´ınio microsc´opico Ωµ = Ω
f ∪ Ωs com interface
fluido/s´olido Γf s na presen¸ca de eletrodos ˆAnodo (+) e C´atodo (−).
do ˆanodo. Al´em disso, devido a rea¸c˜ao (3.8) ocorre uma produ¸c˜ao de hidroxilas OH−
originando uma basifica¸c˜ao na vizinhan¸ca do c´atodo. Em meios carregados
eletrica-mente, o excesso de carga el´etrica na superf´ıcie da part´ıcula s´olida aliado `a corrente
el´etrica aplicada nos eletrodos d˜ao origem a efeitos eletrosm´otico, eletromigrativos e
eletrodifusivos que impulsionam os c´ations na dire¸c˜ao do c´atodo (ver Figura 3.2). Por
sua vez, os ˆanions movem-se em sentido ao ˆanodo conduzidos pela eletromigra¸c˜ao e
eletrodifus˜ao. ´E importante salientar que a eletrodifusividade do ´ıon H+ ´e maior que
dos ´ıonsOH−. Dessa forma, a frente ´acida em dire¸c˜ao ao c´atodo ´e predominantemente
e consequentemente domina a eletrodifus˜ao dos ´ıons produzindo uma acidifica¸c˜ao do
3.3 Modelo Microsc´opico 23
Superf´ıcie Carregada Eletricamente
Superf´ıcie Carregada Eletricamente
LD + + + + + + + + + + + + + + + + + + + -+ + + + + + + + + + + -- - -+ + + + + + + + + + + + + + + + + +++ + ++ + ++ + + + + + ++ Camadas Carregadas Positivamente -+ + + + + + + + + +
-Dire¸c˜ao do Fluxo Eletrosm´otico
Figura 3.2: Perfil do fluxo eletrosm´otico em um meio poroso carregado negativamente mediante uma aplica¸c˜ao de carga el´etrica cont´ınua nos eletrodos.
3.3
Modelo Microsc´
opico
Seja Ωµ = Ω
s∪Ωf ⊂ R3 um dom´ınio microsc´opico ocupado por um meio poroso,
onde Ωsdenota part´ıculas s´olidas r´ıgidas e incompress´ıveis e Ωf representa o poro
satu-rado por uma solu¸c˜ao eletrol´ıtica incompress´ıvel. A solu¸c˜ao eletrol´ıtica ´e tratada como
um fluido cont´ınuo composto por quatro ´ıons monovalentes (N a+, H+, Cl−, OH−). O
movimento do fluido ´e governado pelas equa¸c˜oes da eletrohidrodinˆamica e o
trans-porte dos ´ıons presentes na solu¸c˜ao intersticial ´e governado pelas equa¸c˜oes de
ad-vec¸c˜ao/eletrodifus˜ao do tipo Nernst-Plank (ERINGEN; MAUGIN, 1990; SAMSON;
MARCHAND, 1999).
3.3.1
Modelo Eletrohidrodinˆ
amico
Para derivarmos o modelo eletrohidrodinˆamico para o movimento do fluido, vamos
considerar a solu¸c˜ao eletrol´ıtica um fluido newtoniano, incompress´ıvel e desprezamos
3.3 Modelo Microsc´opico 24
de regi˜oes com carga hidr´aulica inferior ´e quantificado atrav´es do gradiente de press˜ao.
Al´em disso, considerando uma part´ıcula s´olida carregada negativamente, o excesso de
´ıons positivos na camada dupla se movimentam em dire¸c˜ao ao eletrodo negativo
im-pulsionando o movimento do fluido em dire¸c˜ao ao c´atodo. Sendo assim, os mecanismos
f´ısicos que governam o movimento do fluido s˜ao gradiente de press˜ao e velocidade
tan-gencial eletrocin´etica que ocorre na vizinhan¸ca das part´ıculas s´olidas (ver Figura 3.2).
´
E importante ressaltar que o comprimento caracter´ıstico do poro l ´e bem maior que
o comprimento de Debye LD (ver Figura 2.1), isto ´e, l ≫ LD e o fluido no dom´ınio
Γf s ´e considerado eletricamente neutro. Dessa forma, a hip´otese de eletroneutralidade
dada pela igualdade entre as concentra¸c˜oes de c´ations e ˆanions ´e assumida na
modela-gem microsc´opica no dom´ınio da solu¸c˜aobulk. Tal fato significa que n˜ao h´a excesso de
carga el´etrica no fluidobulk. Portanto, o movimento do fluido no microporo, dado pelo
balan¸co de massa e conserva¸c˜ao do momento linear do fluido, ´e governado pelo cl´assico
problema de Stokes (LIMA, 2007)
(∇ ·v= 0,
µf△v− ∇p= 0 em Ωf,
(3.9a)
(3.9b)
ondevdenota o campo de velocidade microsc´opica do fluido, p´e a press˜ao
termodinˆa-mica,µf ´e a viscosidade do solvente.
3.3.2
Transporte dos ´Ions
Considerando o cloreto de s´odio um eletr´olito forte, ocorre uma dissocia¸c˜ao completa
produzindo os ´ıonsN a+ e Cl− na solu¸c˜ao. Al´em disso, as rea¸c˜oes de hidr´olise (3.2) e
eletr´olise da ´agua (3.7)–(3.8) d˜ao origem aos ´ıons H+ eOH− parcialmente dissociados
na solu¸c˜ao intersticial. Denotandot o tempo caracter´ıstico do movimento das esp´ecies
dissolvidas na solu¸c˜ao eletrol´ıtica, o transporte dos solutos iˆonicos ´e governado pelas
3.3 Modelo Microsc´opico 25
KAMRAN et al.,2012; ZOURMAND et al., 2015)
∂CN ab
∂t +∇ ·(CN abv)− ∇ ·
DN a ∇CN ab+CN ab∇Ψ
= 0,
∂CClb
∂t +∇ ·(CClbv)− ∇ ·
DCl ∇CClb −CClb∇Ψ
= 0,
∂CHb
∂t +∇ ·(CHbv)− ∇ ·
DH ∇CHb+CHb∇Ψ
+m· = 0,
∂COHb
∂t +∇ ·(COHbv)− ∇ ·
DOH ∇COHb−COHb∇Ψ
+m·= 0,
(3.10a)
(3.10b)
(3.10c)
(3.10d)
ondeCib, comi={N a
+, H+, Cl−, OH−}, denota as concentra¸c˜oes das esp´ecies
dissol-vidas na solu¸c˜ao intersticial,Di´e a difus˜ao molecular de cada esp´ecie na ´agua, Ψ =
FΨ
RT
´e o potencial el´etrico adimensional que surge devido a imers˜ao dos eletrodos no meio
poroso em· ´e o termo de fonte associado a produ¸c˜ao dos ´ıons H+ eOH− devido a
dis-socia¸c˜ao parcial da ´agua. ´E importante observar que os mecanismos que d˜ao origem ao
transporte dos solutos iˆonicos s˜ao advec¸c˜ao induzida pela velocidade do fluido, difus˜ao
molecular de cada esp´ecie produzida pelo movimento Browniano e eletrodifus˜ao devido
ao gradiente de potencial el´etrico gerado pelos eletrodos.
3.3.3
Condi¸c˜
oes de Interface
Para complementar nosso modelo microsc´opico ´e necess´ario algumas condi¸c˜oes de
contorno para a interface fluido/s´olido Γf s. Como discutido anteriormente, a aplica¸c˜ao
de uma corrente el´etrica cont´ınua nos eletrodos, d´a origem ao movimento dos ´ıons na
dupla camada el´etrica (ver Figura 3.2). Consequentemente o fluido ´e impulsionado na
dire¸c˜ao do eletrodo em consequˆencia das for¸cas viscosas. Considerando a hip´otese de
que a espessura do dom´ınio microsc´opico l ´e muito maior que a espessura da dupla
camada LD (ver Figura 2.1(a)), o movimento do fluido na interface fluido/s´olido ´e
tratado como uma camada limite na vizinhan¸ca da part´ıcula s´olida, modelado
mate-maticamente na escala microsc´opica por uma condi¸c˜ao de deslizamento na componente
tangencial da velocidade (slip condition) (LIMA, 2007). Denotando Γf s a interface
3.3 Modelo Microsc´opico 26
condi¸c˜oes de interface para o modelo eletrohidrodinˆamico (3.9) s˜ao dadas na forma
(v·τ
fs =Vslip,
v·nfs = 0 sobre Γf s,
(3.11a)
(3.11b)
com Vslip denotando a velocidade de deslizamento na dire¸c˜ao da componente
tangen-cial τfs definida na interface fluido/s´olido (EDWARDS, 1995). Podemos demonstrar
que a velocidade de deslizamento ´e proporcional ao gradiente de potencial el´etrico
ge-rado pelos eletrodos (ver Apˆendice B) comumente chamada de equa¸c˜ao de
Helmhotz-Smoluchowski. Denotando eǫ0 a permissividade do v´acuo, eǫr a constante diel´etrica da
´agua e ζ o potencial el´etrico na superf´ıcie da part´ıcula s´olida, a rela¸c˜ao
Helmhotz-Smoluchowski ´e dada na seguinte forma (MITCHELL; SOGA et al., 1976; HUNTER,
1993;MURAD; LIMA et al., 2013)
Vslip= e
ǫ0eǫrζ
µf
=−kE∇Ψ·τfs sobre Γf s, (3.12)
ondekE ´e comumente denominada permeabilidade eletrosm´otica (MITCHELL; SOGA
et al.,1976).
Para o transporte dos solutos iˆonicos, consideramos que excesso de carga el´etrica
na superf´ıcie da part´ıcula s´olida d´a origem a acentuados processos de atra¸c˜ao e
repul-s˜ao na vizinhan¸ca da fase s´olida, caracterizando fenˆomenos de adsor¸c˜ao/dessor¸c˜ao de
´ıons no dom´ınio nanosc´opico denominado de dupla camada el´etrica. Para acoplar os
efeitos desse fluxo iˆonico ao transporte dos solutos, assumimos que as rea¸c˜oes (3.7)–
(3.8) ocorram de forma instantˆanea. Al´em disso consideramos que o fluxo na interface
part´ıcula/poro na dire¸c˜ao normal governado pela difus˜ao natural de cada esp´ecie e
3.4 Redu¸c˜ao do Modelo 27
esp´ecies s˜ao dadas na forma (AURIAULT; LEWANDOWSKA,1993)
−DN a ∇CN ab +CN ab∇Ψ
·nfs =
∂ΓN a
∂t +
∂γN a
∂t ,
−DCl ∇CClb +CClb∇Ψ
·nfs =
∂ΓCl
∂t ,
−DH ∇CHb+CHb∇Ψ
·nfs =
∂ΓH
∂t + ∂γH
∂t ,
−DOH ∇COHb+COHb∇Ψ
·nfs =
∂ΓOH
∂t sobre Γf s,
(3.13a)
(3.13b)
(3.13c)
(3.13d)
onde Γi, comi={N a+, H+, Cl−, OH−}, denota adsor¸c˜ao el´etrica devido a fenˆomenos
de atra¸c˜ao/repuls˜ao de ´ıons no dom´ınio nanosc´opico eγi expressa a adsor¸c˜ao qu´ımica
que ocorre na superf´ıcie da part´ıcula s´olida.
As condi¸c˜oes de interface (3.12) e (3.13) incorporam ao modelo microsc´opico a
influˆencia do fenˆomeno el´etrico no escoamento do fluido, bem como a dinˆamica dos
fenˆomenos de adsor¸c˜ao/dessor¸c˜ao oriundos dos acentuados fenˆomenos de atra¸c˜ao e
re-puls˜ao na dupla camada el´etrica. ´E importante ressaltar que os parˆametros: potencial
zeta (ζ) e adsor¸c˜ao (Γi, γi) s˜ao solu¸c˜oes do sistema de equa¸c˜oes (2.33). Tal fato
de-monstrar na modelagem multiescala desenvolvida neste trabalho o acoplamento entre
as escalas nano/microsc´opica dado atrav´es das condi¸c˜oes de interface.
3.4
Redu¸c˜
ao do Modelo
A modelagem microsc´opica ´e dada pelas equa¸c˜oes para eletrohidrodinˆamica (3.9) e
transporte dos solutos iˆonicos (3.10) suplementadas pelas condi¸c˜oes de interface (3.12)
e (3.13). Na modelagem microsc´opica vamos reescrever as equa¸c˜oes do transporte em
uma forma reduzida, de modo a simplificar o sistema de equa¸c˜oes resultante. Para
tanto, se subtrairmos a equa¸c˜ao (3.10c) de (3.10d) obtemos
∂CHb
∂t −
∂COHb
∂t +∇ ·[(CH −COHb)v]−
− ∇ · DH∇CHb+DHCHb∇Ψ +DOH∇COHb+DOHCOHb∇Ψ
3.4 Redu¸c˜ao do Modelo 28
Substituindo o produto iˆonico da ´agua (3.5) em (3.14) temos que
∂CHb
∂t +
KW
C2
Hb ∂CHb
∂t +∇ ·
CHb− KW
CHb
v − − ∇ ·
DH∇CHb+
DOHKW
C2
Hb
∇CHb+DHCHb∇Ψ +
DHOKW
CHb
∇Ψ
= 0. (3.15)
Rearranjando os termos obtemos
1 + KW
C2
Hb
∂CHb ∂t +∇ ·
1− KW
C2
Hb
CHbv
−
− ∇ ·
DH +
DOHKW
C2
Hb
∇CHb+CHb∇Ψ
= 0. (3.16)
A equa¸c˜ao (3.16) desacopla o transporte de ´ıons H+ do termos de fonte m· que ´e
devido a hidr´olise da ´agua.
Al´em disso, podemos escrever os fluxo de ´ıons em termos da corrente el´etrica If
definido na forma (LIMA,2007)
If :=F
˜
JNa+˜JH−˜JCl−˜JOH
, (3.17)
de modo queJ˜i =Civ+Di(∇Ci±Ci∇ϕ¯) com i ={N a+, H+, Cl−, OH−} exprimem
o fluxo total advectivo e eletrodifusivo de cada esp´ecie na solu¸c˜ao eletrol´ıtica. Tal
resultado combinado com as equa¸c˜oes de Nernst-Plank (3.10) e a condi¸c˜ao de
eletro-neutralidade (2.1) permite derivar uma express˜ao para a conserva¸c˜ao da carga el´etrica
dada na forma
(∇ ·I f = 0,
If =A∇CN ab+B∇CHb +C∇Ψ em Ωf,
(3.18a)
(3.18b)
com
A:=F (DN a−DCl) , (3.19)
B:=F
DH −DCl+
(DOH −DCl)KW
C2
Hb
, (3.20)
C:=F
(DN a+DCl)CN ab+ (DH +DCl)CHb+
(DOH −DCl)KW
CHb