FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS
MERCADOS SEQÜENCIAIS
COM DISPERSÃO DE PREÇOS
TESE SUBMETIDA A CONGREGAÇÃO DA
ESCOLA DE PÕS-GRADUAÇÃO EM ECONOMIA (EPGE)
PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE
DOUTOR EM ECONOMIA
POR
RENATO FRAGELLI CARDOSO
RIO DE JANEIRO
UUMSAÇAO
QETOLIO
VARGAS
TESE
DE
DOUTORADO
APRESENTADA
À EPGE
E M :
ESCOLA DE PÕS-GRADUAÇÃO EM ECONOMIA
DA FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS
CIRCULAR N9 23
Assunto: Apresentação e defesa pública
de Tese de Doutorado em Econo
mia.
Comunicamos formalmente ã Congregação da Escola que es
tá marcada para o dia 22 de junho de 1989 (5a. feira), ãs 15:30 ho
ras, no Auditório Eugênio Gudin (109 andar), a apresentação e defesa
pública da Tese de Doutorado em Economia, intitulada "MERCADOS SE
QÜENCIAIS COM DISPERSÃO DE PREÇOS", do candidato ao título de Doutor
em Economia, Renato Fragelli Cardoso.
A Banca Examinadora "ad hoc" designada pela Escola se
rá composta pelos doutores: Antônio Salazar Pessoa Brandão,Mario Hen
rique Simonsen, Sérgio Ribeiro da Costa Werlang e Carlos Ivan
Simon-sen Leal (Presidente).
Com esta convocação oficial da Congregação de Professo
res da Escola, estão ainda convidados a participarem desse ato acadê
mico os alunos da EPGE, interessados da FGV e de outras instituições.
EPGE/FGV
*1
Rio de Janeiro, 0 8 de junho de 19 89
lario Henrigue'Simonsen
ESCOLA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECONOMIA
DA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS
PRAIA DE BOTAFOGO, 190/10.» ANDAR
RIO DE JANEIRO - BRASIL - CEP 22.250
LAUDO SOBRE TESE DOUTORAL
Como integrante da Banca Examinadora, designado pe
Ia EPGE para julgar a tese doutorai, intitulada "MERCADOS SEQÜEN
CIAIS COM DISPERSÃO DE PREÇOS", do candidato ao título, Sr. RENATO
FRAGELLI CARDOSO, apresento as seguintes ponderações que justificam
meu parecer e voto:
1. A tese apresenta uma grande idéia inovadora: a da
sequencialidade cumulativa da procura;
2. A tese doutorai apresenta um modelo de equilíbrio
geral com o intuito de dissecar a teoria da dispersão de preços. 0
uso da técnica do equilíbrio geral para analisar um problema tipica
mente macroeconômico é a tendência mundial de já há algum tempo,
mas que tem tido sua introdução no Brasil retardada. A tese de Re
nato mostra que poderá haver um ímpeto maior desta tendência no Bra
sil.
Assim, e nesas condições, sou de parecer que a re
ferida tese seja aprovada e outorgado o título pretendido pelo can
didato e autor deste trabalho.
Rio de Janeiro, 2 2 de junho de 19 89
Sérgio Ribeiro da Costa Werlang;
ESCOLA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECONOMIA
DA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS
PRAIA DE BOTAFOGO, 190/10.0 ANDAR
RIO DE JANEIRO - BRASIL - CEP 22.250
LAUDO SOBRE TESE DOUTORAL
Como integrante da Banca Examinadora, designado
pela EPGE para julgar a tese doutorai, intitulada "MERCADOS SEQÜEN
CIAIS COM DISPERSÃO DE PREÇOS", do candidato ao título Sr. Renato
Fragelli Cardoso, sou de parecer que a referida Tese seja aprovada
e outorgado o título pretendido pelo candidato e autor deste tra
balho .
Rio de Janeiro, 22 de junho de 1989
Antoniol/Salazar P. Brandão
Professor da EPGE.
A-i Formato Internacional
ESCOLA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECONOMIA
DA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS
PRAIA DE BOTAFOGO, 190/10.° ANDAR
RIO DE JANEIRO - BRASIL . CEP 22.25O
LAUDO SOBRE TESE DOUTORAL
Como integrante da Banca Examinadora, designado pela
EPGE para julgar a tese doutorai, intitulada "MERCADOS SEQÜEN
CIAIS COM DISPERSÃO DE PREÇOS", do candidato ao título, Sr. RENA
TO FRAGELLI CARDOSO, apresento as seguintes ponderações que jus
tificam meu parecer e voto:
1. A tese trata de um assunto altamente interessante,
marcados com dispersão de preços, tópico da análise econômica com
informação incompleta, abordado pioneiramente por Stigler.
2. A tese apresenta uma resenha abrangente da literatu
ra sobre a matéria nos últimos vinte anos.
3. A tese inova ao abordar o problema sob a ótica se
qüencial, bem mais realista do que os tratamentos convencionais.
4. A tese inspira novas explorações técnicas, como a
dispersão crescente dos preços nos períodos de inflação aguda.
Assim, e nessas condições, sou de parecer que a re
ferida tese seja aprovada e outorgado o título pretendido pelo
candidato e autor deste trabalho.
Rio de Janeiro, 22 de junho de 19 89
/£*
-Mario Henri
ESCOLA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECONOMIA
DA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS
PRAIA DE BOTAFOGO, 190/10.° ANDAR
RIO DE JANEIRO - BRASIL - CEP 22.250
LAUDO SOBRE TESE DOUTORAL
Como presidente da Banca Examinadora, designado pela
EPGE para julgar a tese doutorai intitulada "MERCADOS SEQÜENCIAIS
COM DISPERSÃO DE PREÇOS", do candidato ao título Sr. RENATO FRAGELLI
CARDOSO, apresento as seguintes ponderações que justificam o meu
parecer e voto:
1 A tese é extremamente original a partir do seu segun
do capítulo, sendo que o primeiro capítulo serve de introdução aos
demais, fazendo uma aplicação criteriosa do que existe na Teoria da
Procura e do que virá a interessar no restante do trabalho.
2 0 segundo capítulo trata de forma muito interessante
o problema de como se gerar a função de demanda agregada num merca
do seqüencial. Neste mercado, levas sucessivas de gerações de con
sumidores decidem se comprar ou não de acordo com um.
"preço-gati-lho" que constróem a partir de suas expectativas sobre a distribui_
ção de preços.
Usando hipóteses bastante gerais, o Sr. Fragelli con
segue provar dois resultados muito interessantes:
a) A cada período que se passa, pelo menos uma fatia
fixa das pessoas que vêm ao mercado comprarão. Se a expectativa
comum de preços é representavel por uma função de distribuição con
tínua F, então está fatia é de pelo menos 25%.
b) 0 número de clientes com "preço-gatilho" menor ou
igual a um preço p é uma função N que é a solução de uma equação
diferencial autônoma:
N1 (p)=N'0(p) +f (p)N(p) ,
onde Nfi(p) é o número de clientes com preço-de-reserva menor ou
igual a p na O-ésima leva.
A-4 Formato Internacional
ESCOLA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECONOMIA
DA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS
PRAIA DE BOTAFOGO, 190/10.° ANDAR
RIO DE JANEIRO - BRASIL - CEP 22.250
Ele também constrói as funções de demanda por empresa
e mostra como elas funcionam.
3 0 terceiro capítulo ê mais ambicioso. A idéia básica
ê a de se demonstrar a existência de um equilíbrio em expectati
vas racionais neste modelo. Isto é, a distribuição F gerou a "fun
ção de demanda" pelo produto. Se as firmas que vendem o produto
são maximizadoras de lucro e agem como num equilíbrio de Nash, en
tão se gera uma distribuição F* dos preços. A idéia básica é mos
trar que existem casos em que a F =F*. Isto não ê um problema fá
cil: se a F tiver densidade, então o problema sõ terá solução com
um número infinito de firmas. De fato, o problema se transforma
num problema de ponto fixo em espaços de dimensão infinita, onde a
correspondência que leva F em F* não ê bem comportada e onde o do
mínio da F não necessariamente será compacto.
Assim e nestas condições, dou parecer favorável a que
esta Tese seja aprovada e que seja outorgado o título de doutor ao
candidato e autor deste trabalho.
Rio de Janeiro, 2 2 de junho de 19 89
CARLOS IVAN SIMONSEN LEAL,
Professor da EPGE e
AGRADECIMENTOS
Ao elaborar esta tese recebi a orientação do Professor
Carlos Ivan Simonsen Leal com a qual pude superar as dificuldades
encontradas. A Carlos Ivan agradeço a dedicação e paciência com
que leu as notas manuscritas que deram origem a esta versão fi
nal, apontando erros e sugerindo alternativas para corrigi-los.
Sou também muito grato ao Professor Sérgio Ribeiro da
Costa Werlang pelos valiosos comentários que dele recebi. Com
seu apoio pude convencer Carlos Ivan a aceitar algumas hipóteses
simplificadoras por mim adotadas na formulação matemática do mode
Io apresentado.
Aos Professores Mario Henrique Simonsen eAntônio Salazar
Pessoa Brandão agradeço a leitura desta versão final do trabalho
e os comentários recebidos.
Finalmente, a Jayr Ferreira Vaz sou grato pela atenção
com que pacientemente datilografou todo o texto, enfrentando tan
ÍNDICE
P<
INTRODUÇÃO 1
CAPITULO I
PROCURA COM INFORMAÇÃO IMPERFEITA SOBRE PREÇOS
1.1 - Introdução 6
1.2 - O modelo de procura com um produto 12
1.2.1 - 0 modelo básico de procura 12
1.2.2 - Solução da equação de Bellman 20
1.2.3 - Estática comparativa 27
1.2.4 - Nota sobre a procura com memória 29
1.2.5 - O modelo de procura com compra parcial .... 30
1.3 - O modelo de procura com bens substitutos 35
1.3.1 - O modelo com dois bens substitutos 35
1.3.2 - Solução da equação de Bellman 37
1.3.3 - Estática comparativa 44
1.4 - O modelo de procura com bens complementares 46
1.4.1 - O modelo com dois bens complementares 46
1.4.2 - Solução da equação de Bellman 47
1.4.3 - Estática comparativa 53
1.5 - Apêndice 55
CAPÍTULO II
DEMANDA EM MERCADO SEQÜENCIAL COM DISPERSÃO DE PREÇOS .
11.1 - Introdução 57
p.
11.2 - Procura coletiva em mercado com dispersão de
preços 61
II.2.1 - Procura coletiva no primeiro período 62
II. 2.2 - Procura coletiva ao longo dos perío
dos 65
11.3 - Procura coletiva em mercado seqüencial com
dispersão de preços 7 3
11.4 - Curva de demanda em mercado seqüencial com
dispersão de preços 83
II.4.1 - Função demanda por empresa 83
II. 4.2 - Função demanda quando os compradores
têm informação incorreta sobre a
distribuição de preços 96
CAPITULO III
OFERTA E EQUILÍBRIO EM MERCADO SEQÜENCIAL COM DISPER
SÃO DE PREÇOS
III .1 - Introdução 99
III.2 - Equilíbrio com dispersão de preços e firmas
iguais 104
III. 2.1 - 0 mercado 105
III.2.2 - Equilíbrio com dispersão de preços:
definição 108
I-II.2.3 - Exemplo de equilíbrio com dois pre
ços e firmas iguais 11*2
p.
III.3 - Equilíbrio com dispersão de preços e firmas.
diferentes 133
111.3.1 - 0 mercado 134
111.3.2 - Equilíbrio com dispersão de pre
ços : definição 136
111.3.3 - Exemplo de equilíbrio com dois.
preços e firmas diferentes s 149
111.3.4 - Estática comparativa do equilíbrio 158
CONCLUSÃO 162
BIBLIOGRAFIA
INTRODUÇÃO
à partir
da
publicação
em
1961
do
artigo
clássico
"The Economics of Information" de George Stigler, os mercados
em que se praticam vários preços para um mesmo produto têm si
do estudados sob diferentes enfoques. As fontes de geração das
diferenciações de preços têm variado muito. No entanto, a hi
pótese
simplificadora
de
que
ê
desprezível
o
tempo gasto
por
um comprador ao longo da pesquisa de preços, continua presen
te em diversos artigos sobre o assunto. Neste trabalho, tal
hipótese será abandonada: o tempo que um comprador gasta ã
procura de uma boa oferta será endõgeno ao modelo.
A hipótese de procura instantânea eqüivale a admitir
que, em um mesmo instante do tempo, os compradores chegam ao
mercado, visitam as firmas ã procura de bons preços, efetuam
suas compras e vão embora. Com base nesta simplificação, a
análise dos mercados com diferenciação de preços no longo pra
20 torna-se simples: representa-se o tempo de forma discreta,
por períodos sucessivos, em cada um dos quais os compradores e
as firmas agem segundo a descrição dos artigos que utilizam
aquela hipótese. Este procedimento leva â conclusão de que a
configuração do mercado no fechamento de um período não in
fluencia sua abertura no período seguinte. Ao se substituir
a hipótese de procura instantânea pela de procura seqüencial,
será possível estabelecer um elo entre o fechamento do merca
do num período e sua abertura no período subseqüente. Esta
seqüências da existência de diferenciações de preços que fi
cam mascaradas com o tratamento tradicional de procura instân
tânea em períodos isolados.
Conforme observado por Stigler, a ocorrência de merca
dos com diferenciação de preços decorre fundamentalmente dos
custos de transação que impedem um comprador de obter informa,
ção exata sobre os preços praticados por cada vendedor do mer_
cado. Com efeito, se estes custos fossem nulos, ele visitaria
todas as lojas do mercado e, ao final, compraria naquela que
vende ao menor preço. Em um mercado em que os compradores não
tivessem custos para obter informações perfeitas sobre preços,
todos os vendedores teriam que praticar o mesmo preço, pois
os compradores saberiam qual loja possui a melhor oferta e só
comprariam nela. Se os compradores incorressem em um custo
por cada loja visitada, uma empresa que pratica preços acima
do mercado conseguiria fazer suas vendas, desde que a diferen
ça de preço exigisse do comprador um gasto adicional inferior
ao custo de visitar outra firma. Os custos para obtenção de
informação tornam, pois, os compradores mais inelásticos, con
ferindo a cada empresa do mercado um pequeno poder de monopó
lio. 0 fato de a existência de um único preço de mercado de
pender do custo de obtenção de informações, que é um condicio
namento do lado da demanda, explica porque se encontra preço
único tanto em modelos em que o lado da oferta é formado por
empresas agindo em concorrência perfeita quanto em oligopó
lios ou cartéis.
Os modelos de procura diante da informação imperfeita
sobre preços apresentados em Stigler (1961) e McCall (1970)
explicaram o comportamento de um indivíduo que incorre em um
custo de transação quando visita uma firma. Este custo justi
ficava por que uma oferta relativamente ruim poderia ser acei_
ta, mesmo quando houvesse empresas no mercado com ofertas me
lhores.
Em uma importante resenha sobre mercados com informa
ção imperfeita,Rothchild (19 73) observou que as teorias de
procura diante de informação imperfeita então conhecidas eram
suficientes para justificar, pelo lado da demanda, a existên
cia de diferenças de preços em um mesmo mercado. No que con
cerne ao lado da oferta, contudo, aquelas teorias eram omis_
sas, pois não mostravam ser possível compatibilizar a atuação
de firmas maximizando lucro com compradores agindo de forma
ótima, de acordo com os modelos de procura. Isto posto, aque
las teorias revelavam-se insatisfatórias para explicar o fun
cionamento de mercados com preços diferenciados.
Em resposta ã critica de Rothschild, foram publicados
vários artigos compatibilizando a atuação dos compradores com
a das firmas. Baseados na hipótese simplificadora de procura
instantânea, estes trabalhos identificaram numerosas fontes
de dispersão de preços: custos de transação diferenciados en
tre indivíduos, bens substitutos próximos vendidos a preço
único em outros mercados, propaganda atingindo diferentemente
Neste
trabalho,
apresenta-se
um
modelo
para
explicar
a diferenciação de preços em que a hipótese simplificadora de
procura instantânea é substituída pela de que ela ocorre ao
longo de um número endõgeno de períodos. Esta modificação per
mitirá
se
considerar
a possibilidade
de
um
comprador
levar
vários
períodos
consecutivos
procurando
por
uma
boa
oferta
antes de fazer sua compra. Introduz-se um elemento seqüencial
no modelo ao se supor que, a cada período, chega ao mercado
uma (nova) geração de compradores diferenciados entre si pe
los seus custos de transação. Estes compradores se juntam aos
remanescentes de períodos anteriores que ainda não deixaram o
mercado por terem rejeitado todas as ofertas recebidas até en
tão.
A
demanda
a
cada
período
é
formada,
portanto,
não ape
nas pelos compradores que chegaram no início do período co
mo nos artigos baseados na hipótese de procura instantânea
mas também por aqueles que permaneceram no mercado no final do
período anterior.
0 trabalho está dividido em três capítulos. No capítu
Io I, desenvolve-se um modelo de procura diante de informação
imperfeita sobre preços que permite analisar diversos fatores
que influenciam as decisões tomadas por um comprador naquelas
circunstâncias. Adiante, no capítulo II, utiliza-se aquele mo
delo para se construir a curva de demanda observada por cada
empresa. Ao longo destes dois capítulos considera-se dado exo
geneamente o lado da oferta do mercado. Este é objeto de estu
do no capítulo III, no qual se analisa a atuação das firmas
anteriormente. Define-se o conceito de equilíbrio com disper
são
de
preços
em
duas
versões: com
empresas
idênticas
e
com
empresas diferenciadas. Discute-se, para cada versão, a pos
sibilidade de existência de equilíbrio no caso de qualquer dis
tribuição de indivíduos (de cada geração) segundo custos de
transação, prova-se a existência de equilíbrio em casos parti_
culares destas distribuições e faz-se a estática comparativa
CAPÍTULO I
PROCURA COM INFORMAÇÃO IMPERFEITA SOBRE PREÇOS
1.1 - INTRODUÇÃO
Neste capítulo será analisado o comportamento de
um indivíduo que deseja comprar um produto vendido por di
versas empresas a diferentes preços. 0 objetivo é preparar
o caminho para o capítulo II, onde se estudará a atuação de
um grupo heterogêneo de indivíduos frente ã informação im
perfeita sobre preços.
Ao encontrar-se em um mercado onde se praticam diferentes pre
ços para um mesmo produto, um comprador consciente da diver_
sidade de preços ofertados não aceitará uma oferta que jul
gar elevada pois sabe que, procurando mais, poderá obter
preço melhor. Desta forma, o indivíduo terá que adotar um
critério para aceitar ou rejeitar uma oferta recebida. Esta
belecer este tipo de critério é o objetivo dos modelos de
procura em mercados com informação imperfeita sobre preços.
O primeiro destes modelos foi apresentado em Sti.
gler (1961). Este autor descreve o lado da oferta do merca
do por uma infinidade de empresas que vendem um mesmo pro
duto a diferentes preços. A dispersão de preços é represen
ã fração do total de empresas que praticam preços menores
ou iguais a ele. 0 lado da oferta ê, pois, dado exogenamente
e toda a atenção do modelo recai sobre o consumidor. Este
conhece os preços praticados pelas empresas como um todo,
mas não sabe qual é o preço que cada firma pratica individu
almente. Para descobrir qual é o preço cobrado por uma de
terminada empresa, ele tem que visitá-la e, ao fazê-lo, in
corre em um custo de transação. Isto o desincentiva a visi
tar muitas firmas. Ele começa sua pesquisa visitando uma em
presa na qual recebe uma oferta. Diante da dispersão de pre_
ços e do custo de transação, ele deve decidir se aceitará
ou rejeitará esta oferta. Caso aceite, ele passará a desfru
tar do produto imediatamente e não incorrerá em novos cus
tos de transação, pois não visitará mais nenhuma empresa.
Caso rejeite, ele visitará uma outra empresa à procura de
uma oferta mais baixa e, ao fazê-lo, incorrerá em novo cus
to de transação. Diante da segunda oferta recebida, o consu
midor, mais uma vez, optará entre aceitá-la ou rejeitá-la
e, desta forma, o problema se repete até que ele finalmente
aceite uma oferta.
0 critério adotado por Stigler para a tonada de
decisão consiste na minimização, sobre o número de visitas,
do valor esperado da menor oferta recebida somada ao custo
total de transação incorrido. Assim, o indivíduo determina
um número N de visitas que deve fazer e, após efetuá-las, ele
Usando-se o critério de Stigler pode ocorrer que
o consumidor, após visitar as N firmas, conclua que rece
beu ofertas muito elevadas. Neste caso, seria uma atitude
racional visitar mais algumas empresas â procura de preços
inferiores aqueles recebidos nas N visitas. No entanto, o
critério adotado o impede de prosseguir, pois ele já terá
incorrido em custos de transação muito altos. O fato ê que
a regra de parada de Stigler possui o defeito de levar em
consideração, no momento da tomada de decisão, custos incor
ridos no passado. Por este motivo o consumidor pode ser in
duzido a aceitar uma oferta elevada, mesmo sabendo que podes
ria, com grande probabilidade, obter uma oferta mais baixa
caso visitasse novas firmas.
Um critério mais adequado foi proposto em McCall
(1970). Este autor estuda o comportamento de um trabalhador
desempregado que procura emprego em um mercado onde diver
sas firmas oferecem salários diferenciados. A estrutura do
problema ê análoga ã do artigo de Stigler. O trabalhador co
nhece os salários oferecidos pelas empresas como um todo,
isto ê, a dispersão de salários, mas não sabe qual é o sa
lário que cada empresa oferece individualmente. Para
sabê-lo ele tem que visitar a empresa e incorrer em um custo de
transação. Diante da dispersão de salários ofertados e do
custo de transação, o trabalhador deve decidir, a cada ofer
ta recebida, se lhe é preferível aceitá-la ou rejeitá-la.
Aceitando, passará a receber imediatamente o salário pro
posto e não incorrerá novamente em custo de transação, pois
não visitará mais nenhuma empresa. Por outro lado, ele per
derá a possibilidade de obter uma oferta mais elevada. Re
jeitando, ele não receberá qualquer salário até que venha
a aceitar uma nova oferta e, a cada nova empresa que vier a
visitar, incorrerá em um custo de transação.
0 critério para a tomada de decisão proposto por
McCall é obtido ã partir do conceito de retorno de uma ofer
ta. Este ê definido como o valor máximo entre o retorno que
se obtém ao se aceitar a oferta e o retorno que se obtém ao
se rejeitá-la. Ao aceitá-la, seu retorno ê dado pelo negati.
vo do custo de transação (incorrido para recebê-la) somado
ao valor da oferta. Ao rejeitá-la, seu retorno ê dado pelo
negativo do custo de transação somado ao valor esperado do
retorno de uma (nova) oferta. A dificuldade consiste em cal.
cular o valor esperado do retorno de uma oferta. McCall re
solve este problema e o valor calculado será o ponto de re
ferência para a tonada de decisão. Ofertas abaixo deste va
lor serão rejeitadas, ao passo que ofertas iguais ou supe
riores serão aceitas. Desta forma, o critério de McCall não
elimina a possibilidade de o trabalhador rejeitar eternamen
te todas as ofertas recebidas.
Sargent (1987) analisa a oferta de mão-de-obra quan
do há informação incompleta sobre os salários oferecidos em
um modelo semelhante ao de McCall. A diferença básica entre
os dois trabalhos está na formulação matemática do problema.
Sargent simplifica o equacionamento e, principalmente, a so
tados matemáticos contidos em Blackwell (1965).
Abaixo, desenvolve-se um modelo análogo ao de
Sar-gent para se estudar o comportamento de um indivíduo diante
de um mercado em que há informação imperfeita sobre preços.
Como nos demais trabalhos citados, c lado da oferta, carac
terizado pela dispersão de preços, é dado exogenamente, pois
a atenção concentra-se no consumidor. Utiliza-se também a
hipótese de que a distribuição dos preços seja conhecida pe_
Io indivíduo. Esta hipótese, em contraste com as hipóteses
de que a distribuição de preços seja desconhecida e de que
os indivíduos adquiram informação sobre ela ao procurar,não
altera qualitativamente as propriedades da estratégia ótima
de procura e, portanto, as atitudes dos agentes que a se
guem, conforme provado em Rothchild (1982).
0 capítulo está dividido em quatro seções. Em cada
uma delas o modelo básico é modificado em uma direção com o
objetivo de verificar-se a generalidade das conclusões obti_
das através daquele modelo. Ao estabelecer-se que as princi_
pais conclusões do modelo básico não são alteradas quando
se o generaliza, justifica-se sua utilização no capítulo II
para o estudo do comportamento de um grupo heterogêneo de in
divíduos. 0 uso do modelo básico em tal estudo
simplifica-lhe muito a formulação sem, contudo, comprometer-lhe as con
clusões .
Na seção 1.2 apresenta-se o modelo básico de procu
ra com informação imperfeita sobre preços. 0 modelo resolve
o problema de procura por menor preço de Stigler utilizan
do
o critério
para
tomada
de
decisão
de
McCall
e
Sargent.
Inclui-se, entre as variáveis relevantes para a tomada de
decisão,
a taxa
de
juros
ã qual
o indivíduo
pode
aplicar
seu dinheiro no período de tempo compreendido entre duas vi
sitas.
Calcula-se um preço de referência, denominado
pre-ço-de-reserva, acima do qual uma oferta recebida será rejei
tada. Tal preço é interpretado como uma medida do incentivo
a procurar. 0 preço-de-reserva será uma função decrescente
da
dotação
do
indivíduo
e da
taxa
de
juros
e uma
função
crês
cente do custo de transação. 0 custo de transação reduz o
incentivo
ã procura,
ao
passo
que
os
juros
recebidos
duran
te a procura a incentiva.
Na
formulação
do
modelo
básico
são
utilizadas
duas
hipóteses
simplificadoras.
A primeira consiste
em
supor
que
o indivíduo,
após
rejeitar
uma
oferta
P,
visitará
uma
nova
empresa tendo esquecido em que empresa recebera a oferta P
na visita anterior. Isto é, o indivíduo não possui memória.
A
segunda
supõe
que
o
indivíduo
só
pode
fazer
uma
única com
pra, nela gastando todo seu dinheiro. Esta hipótese o impe
de
de,
diante
de
uma
oferta
recebida,
julgá-la
baixa
o
sufi
ciente para justificar uma compra, mas não tão baixa para
nela comprometer todo seu dinheiro. Prova-se que estas duas
hipóteses,
caso.revogadas,
não
alterariam
a decisão
de
com
As seções 1.3 e 1.4 modificam o modelo básico ana
lisando a procura por dois bens distintos. As duas seções
são diferenciadas apenas pelas preferências do indivíduo em
relação aos dois bens. Na seção 1.4 os bens são considera
dos substitutos, ao passo que na seção 1.5 eles são vistos
como complementares. 0 equacionamento e solução destas duas
versões são análogos aos das seções anteriores. Os efeitos
de estática comparativa são qualitativamente iguais aos do
modelo básico.
1.2-0 Modelo de Procura com Um Produto
Nesta seção define-se um mercado que opera com dijs
persao de preços e apresenta-se a formulação matemática do
modelo de procura que analisará a atuação de um indivíduo
neste tipo de mercado.
1.2.1 - 0 Modelo Básico de Procura
Um mercado onde se praticam diferentes preços para
um mesmo produto é composto por um contínuo de firmas, cada
qual caracterizada pelo preço P que pratica, distribuídas
entre os preços mínimo P e máximo P... A dispersão de pre
ços é determinada pela função F:|P ,P -HO,ij que associa
ao preço P a fração F(P) do total de firmas que praticam pre
ços menores ou iguais a P. O tempo é descrito de forma dis
creta e as características do mercado não se alteram entre
diferentes períodos. Representa-se sucintamente este merca
do pelo tripla (Pm,PM,F).
Descreve-se um mercado financeiro por uma institui
ção
que
toma
emprestado
qualquer
volume
de
moeda
ã
taxa
de
juros r entre dois períodos subseqüentes.
Um indivíduo é um agente que vive infinitos perío
dos ã partir do período t = 0. Neste período ele recebe a do
tação de moeda M com a qual comprará o produto de forma a
maximizar sua função utilidade definida no período t=T por
UT =JlT6tT
(Ct " Kt
onde 0 < (3 < 1 é o coeficiente de desconto intertemporal;
Cfc representa o número de unidades do produto consumidas no
período t; Kfc £. 0 e f £. 0 são, respectivamente, os custos
subjetivos de transação ao visitar uma empresa e ao fazer
uma aplicação financeira medidos em unidades equivalentes de
consumo do período t.
0 indivíduo chega ao mercado no período t = 0 conhe
cendo-lhe as características (Pm,P ,F). Embora saiba para
cada preço P quantas firmas o praticam,ele não sabe quais
são estas firmas. Ele possui, portanto, informação sobre os
preços praticados pelas empresas como um todo, mas não co
nhece o preço ofertado por cada firma individualmente. Para
conhecê-lo ele precisará visitar a firma, incorrendo no eus
to K . Ao visitar uma firma ele recebe a oferta P do
jeitar a oferta. Caso aceite, ele fará uma compra única,
levando consigo tantas unidades do produto quanto puder pa
gar e não voltará novamente ao mercado. Caso rejeite, ele
irá ao mercado financeiro aplicar sua dotação, incorrendo
no custo ft No período seguinte seu poder de compra terá
crescido de 100r% e ele visitará outra empresa, incorrendo
novamente no custo K , para repetir o procedimento do perío
do anterior. 0 problema se repete a cada período até que o
indivíduo venha a aceitar uma oferta.
Duas hipóteses simplificadoras serão utilizadas
para facilitar o equacionamento do problema da decisão do
indivíduos. A primeira consiste em impor ao indivíduo a
obrigatoriedade de compra única, isto ê, caso aceite uma
oferta, ele deve gastar todo seu dinheiro na compra, não re
tornando mais ao mercado. Esta hipótese o impede de, diante
de uma oferta recebida, julgá-la baixa o suficiente para
justificar uma compra, mas não tão baixa para nela comprome
ter todo seu dinheiro. A segunda consiste em supor que o in
aivíduo, após rejeitar uma oferta P, visitará uma nova em
presa tendo esquecido em que empresa recebera a oferta P,
isto é, o indivíduo não possui memória. Nos itens 1.2.4 e
1.2.5 provar-se-ã que estas duas hipóteses, caso abandona
das, não alterariam a decisão de compra do indivíduo.
Um indivíduo que permanece no mercado até o perío
do T-l em que faz sua compra não fará a aplicação financei
ra nos períodos t >, T-l e não visitará nenhuma empresa nos
períodos t &T. Ao aceitar a oferta P em T-l, seu consumo
t
â partir
desta
data^
será
Md+r)1*"1
para
t ^ T-l
e
p
seus custos de transação serão f = 0 para t > T-l e K = 0
para t >, T. A especificação, de tais custos para os períodos
que antecedem a compra supõe que o indivíduo, ao adicionar
ã sua
dotação
inicial
juros
obtidos
através
de
sucessivas
aplicações financeiras, sente-se mais rico e torna-se, por
este motivo, mais comodista. Desta forma seus custos subje
tivos de transação se elevam ã medida que sua dotação cres
ça. Para simplificar o equacionamento do problema, admitir
-se-ã que existe uma proporção fixa entre estes custos e o
poder de compra do indivíduo. Esta regra de fixação dos eus
tos Kfc e f é tão arbitrária quanto qualquer outra, mas pos_
sui a vantagem de permitir o equacionamento do problema do
indivíduo por meio da equação de Bellman, conforme se verá
adiante. Além disso, para custos de transação pequenos quan
do comparados ao poder de compra da dotação inicial, isto é,
max
{K,f
}<<
M EJJ./PJ]
, ou
para
taxas
de
juros
não
muito
altas,
o efeito da variação destes custos sobre o comportamento do
indivíduo ao longo do tempo de procura será desprezível. Is_
to posto, sendo K1=K>0ef =f>0, para os períodos
que antecedem a compra tem-se:
K
_ K
Mt
K M(l+r)t
.
t-l
por:
Desta forma, os termos Kfc e ft de (1.1) são dados
K
t-1
K(l+r) , para
0, para
f(l+r) , para < C ;
para
(1.2)
0,
Seja
a
função
^[p^P^
-*-R
que
associa
ao
preço
P o valor desta oferta para o indivíduo que a recebe no pe
ríodo T.TV(P) é o valor esperado de U condicionado a P:
V(P)
= E{E
Bt"T(C
- K - f.)
| P>
t=T
Z
O valor da oferta P, se o indivíduo a aceitar será
t-T
Mt
Mt
L
t
8 (- - Cl - 0) - R
-e (p ü ü)- p t=()B
-para o caso de o bem ser durável . Se ele rejeitar a oferta
P, ele aplicará a dotação MT = (1+r) M, incorrendo, ainda
no período t=T, no custo ffc = (1+r) f .. Ao retornar ao
mercado no período seguinte, ele incorrerá no custo K =
(l+r)KT e disporá da nova dotação MT+, = (l+r)M . Diante da
mesma distribuição de preços do período anterior, mas com
custo de transação e poder de compra multiplicados por (1+r),
tem-se para todo P:
T+1V(P) = (l+r)TV(P)
Se rejeitar a oferta P, o indivíduo incorrerá
imediantamen-te no custo fT e, no período seguinte, no custo K , . Neste
período
ele
receberá
uma
oferta
cujo
valor
esperado
é:
M M
>=
/
T+1V(P)dF(P)
=
(1+r)
/
TV(P) dF(P)
m m
Isto posto, o valor da oferta P recebida no período T, se o
indivíduo a rejeitar, será:
PM
TV(P)
= fT
+
6[-KT+1
+
(1+r)
/
TV(P)dF(P)]
Pm
o valor da oferta P recebida no período T ê o valor máximo
que se obtém ao aceitá-la ou rejeitá-la:
MT
PM
V(P)=max
{ n-flipi-V-gG-Km+d+r)
/^V(P)dF(Pl}
(1.3)
TV(P)=max
{ (1_g)p;-fT+B[lKT+(l+r)
/ T
P
m
A expressão acima é uma equação funcional em V de
nominada Equação de Bellman. Para se compreender seu
signi-cado
matemático,
defina
por
C [p
,pJ]
o espaço
das
funções
J*P ,P 1. Seja o operador TH dado por:
Mm
PM
TH(Z)=max{(1_g)p;
fT
+ p[-y(l+r)
/ Z(P)dF(P)]}
que
transforma
junções
de
cfp^/P^
em
clj^Pj^].
A equação
(1.3) pode ser reescrita em notação funcional por
TV
-* r n
uma solução de (1.3) e, pois, uma junção TV : LF^' pm_I ~* R ciue'
no espaço C [p íPjJ, é um ponto fixo do operador TH.
A existência e unicidade da solução da equação (1.3)
será provada no item 1.2.2 e utilizará as seguintes condi
ções envolvendo os parâmetros exõgenos do modelo:
(a) 6(1+r) < 1 ;
(b)
{-f+BJ-K+i±|
M E[l/P]
|> 0
;
(1.4)
Estas condições recebem as seguintes interpretações:
a) Assegura que, mesmo se tivesse custos subjetivos
oferta P e a aceitasse preferiria fazer a compra imediatamen
te, levando consigo a quantidade M/P, do que aplicar seu di
nheiro â taxa r e voltar â mesma firma no período seguinte pa
ra comprar a quantidade (l+r)M/P. Com esta condição, se o mer
cado fosse de preço único, o indivíduo compraria o produto no
período t=0 pois a remuneração pela espera não lhe compensa
ria o desconforto.
(b) Garante ao indivíduo que avalia a possibilidade
de rejeitar uma oferta recebida que, mesmo diante dos custos
subjetivos de transação, o valor presente esperado de uma no
va visita ao mercado ê positivo.
(c) Assegura que existe pelo menos um preço pratica
do no mercado que é suficientemente alto para ser rejeitado,
pois o valor presente esperado de uma nova oferta é superior
ã utilidade proporcionada pela pequena quantidade do produto que
se pode comprar a tal preço.
A condição (c) é equivalente a
M ' M~~|
(1-3)P P
a qual implica
A expressão acima é a condição para a existência de rejeição
de oferta por um indivíduo com custos objetivos de transação
rp -i
iguais a zero. 0 termo E M/P representa a maior taxa (bru
Trata-se de uma taxa de remuneração pela espera decorrente
da dispersão de preços da mesma forma que (1+r) é a taxa de
remuneração pela espera decorrente da existência de um toma
dor de empréstimos.
1.2.2 Solução da Equação de Bellman
A existência e unicidade da solução da equação
(1.3) será provada com o auxílio de dois teoremas. O primei
ro é um conhecido teorema de Análise Funcional o qual afir
ma que se um operador F:OC, onde C é um espaço métrico com
pleto com métrica d, for uma contração, isto é, se existir
um número real R, O^R<1, tal que para todo x e y e C tem-se
d(F(x),F(y))^R d(x,y), então existe um único x z C tal que
o
xo
~ F^xo^
" Isto
significa
que
todo operador
que
ê uma
con
tração possui um único ponto fixo. Uma boa demonstração des
te teorema encontra-se em Lima (19 70). q segundo teo
rema foi demonstrado por Blackwell (1965) e afirma que se um ope
rador F:OC satisfaz às propriedades:
(1) Monotonicidade: Para todo x,yeC, x^-Y, tem-se F(x)^.F(y);
(2) Desconto: Seja c uma função real que vale a constante c
em todo o domínio de F. Para todo número real c e todo
xeC, tem-se F (x+cH F(x)+yc, para algum y real, 0<y<l;
então o operador F é uma contratação.
A existência e unicidade da solução de (1.3) é as
segurada pela proposição 1.1 abaixo:
Proposição 1.1
A equação (1.3) possui uma única solução.
Demonstração
Basta mostrar que o operador _H satisfaz às condi
ções de monotonicidade e desconto para se concluir que _H é
uma contração e, portanto, possui um único ponto fixo. 0 pon
to fixo de TH é a (única) solução de (1.3) .
A monotonicidade ê demonstrada tornando-se duas
funções
tf,q£CÍP
^J-mM-1,Z>.7\
tais
que
f (P)
>, g (P)
para todo
P e IP
| m,P.Je
Mobservando-se que
H
r MT
r
Pm
-T (g)= maxí,. ^, ;-f + g \K + (1+r) / g(P)dF(P)J}
P
PM
t r ~ ~i
<ç max í(1_e)p; -fT +6 Kfc + (1+r) / f (P)dF(P) }
= mK(f)
p
m
A propriedade de desconto ê demonstrado tomando-se
H(f + C) =
_
=
maxL(l-r ^
*
maxL(i-R)P ;
(i-g)P ;
\f (P)
+C]dF
(P)]
m
M
f (P)dF(P)]+B(l+r)C}
Pm
?M
Pm
onde 0 < S(l+r) < 1 pela condição (1.4.2)
Uma vez assegurada a existência de uma única
solu-TV* da equação 1.3 pode-se discutir o formato desta solu
ção no gráfico V*(P) x p. O termo
PM
-fT+e[-KT+(l+r)/
TV*(P)dF(P)]
P
m
é constante, ao passo que o termo
(l-B)P
é uma hipérbole e,portanto, decrescente. Três formatos para
TV* são a principio possíveis em função dos valores
assumi-dos
pela
hipérbole
M
XD
nos
extremos
do
intervalo
ÍP
,P
1.
0 primeiro corresponde ã situação onde o indivíduo rejeita
qualquer oferta, mesmo P , isto é, ao receber a dotação M o
indivíduo não visitará nenhuma loja.
r| - (KT+fT/B)
(P)m
m
M
M
O segundo ocorre quando o indivíduo aceita qualquer oferta,
mesmo P...
M
M
/V*(P)dF(P)
m
0 terceiro corresponde ao caso em que o indivíduo rejeita
M
$ I- (Km+fm
E
"T/B /o) + (1+r) / V* (P) dP (P)"m
.-6)P
m M
Neste terceiro caso existe um preço de referência P, a que
se dá o nome de preço-de-reserva (PR), abaixo do qual uma
o-ferta recebida será aceita e acima do qual ela será rejeita
da.
As condições (I.4.b) e (I.4.c) eliminam, respectivamen
te, o segundo e o primeiro caso. Isto será provado na propo
sição seguinte onde se apresenta a solução _,V* da equação 1.3.
A solução V* proposta é obtida por palpite. Para se verifi
car que V* é solução deve-se substituí-la ria equação 1.3 e
verificar se ela de fato satisfaz àquela equação. Em satis
fazendo, a proposição 1.1 garante que o palpite TV* é a úni
ca solução.
Proposição 1.2
A solução da equação funcional (1.3) é
nV*(P) =
, para P > P ;
, para P -S P ;
onde
P e
IP
, Pj]
.
Demonstração
A demonstração é feita por substituição de V* na
equação (1.3), no ponto P=P :
=f
(l-B)P
T+1 +d+r)
P (1-6)P
m
M M
dF(P)+/
i=dF(P))|
P (l-B)P -1
Integrando-se por partes o termos entre parênteses e denomi
nando
o valor
esperado
do
inverso
do
preço
por E[l/p]
tem-se
NL
;
P M - P1-$
1-6 "M
MF(Í
+B(l+r) / -~,
P ? /i3 ) + (1+r)
T^ E [l/d]
T
i i v \ T
Substituindo-se MT=(l+r) M, KT+1=(l+r)" K e f =(l+r) f e
T
M rl-B(1+r), S(1+r)
1-B
L
=
P..
'M
+ (l+r)
/ L^)dP]=3f-(K4f/g)
+ (l+r)JLE[i/p]|
(i.5)
Deve-se mostrar que existe Pe(P , P ) satisfazendo
ã equação acima. Para isto defina a função contínua
h: -IR
M
L dp
P
P2
-I
cujas propriedades sao:
h.(s)«
l-Bd+r)[l-F(s)l
h(P,J M' = (l-B)P M
M
"<V
"
.-6 d+r) m[l/P]]
Definindo-se a constante
D = B[-(K+f/B) + T^v M ]|
tem-se:
h(P)
m- D - A
1- p + 6 (K+f/B)> 0h(Pw)-D=
VD=(l-B)P
M
As duas expressões acima e a continuidade de h ga
rante
a existência
de
P£[Pm'PM]
satisfazendo
a
(1.2)
. A
uni-cidade é dada por h'(s)< 0.
O preço P obtido acima será denominado preço-de-re
serva (PR). Este preço é o ponto de referência para a tomada
de decisão do indivíduo. Ofertas superiores a P serão acei
tas .
-(K+f/B) +
i£
M E íl/p]
l-ü
L
_!
h(P)
+
Figura 1.1
proposição 1.2.
m P M
Ilustração do argumento utilizado na
1.2.3 Estática Comparativa
Os efeitos de alterações nos parâmetros exõgenos
do modelo sobre PR são dados a partir de
A =
M
9P gK +f
s = A < O
3M M
||=
-
(BK+f+
J|)
A<
O
) A<0
Uma alteração de parâmetro exõgeno que reduz (ele
va) o PR é interpretada como um incentivo (desincetivo) ã pro
cura por preço mais baixo. Aumentos nos custos subjetivos de
de transação são, pois, desincentivos à procura. Por outro
lado o aumento da dotação inicial incentiva a procura. Defi
nindo-se ni = ^ j- a elasticidade do PR em relação ao para
metro i tem-se:
nf
+ nK
A expressão acima significa que aumentos em igual proporção
na dotação inicial e nos custos subjetivos de transação ini
ciais não alteram o incentivo â procura. Por este motivo as
sucessivas capitalizações de juros, modificando 1*L, K ef
na mesma proporção, mantêm o PR constante ao longo do tempo
de procura.
0 aumento do coeficiente de desconto intertemporal
incentiva a procura, pois significa que o indivíduo fica me
nos imediatista, aceitando postergar o consumo sem grande per
da de satisfação.
O aumento da taxa de juros incentiva a procura pois
remunera o indivíduo pela espera.
1.2.4 Nota Sobre a Procura com Memória
0 argumento utilizado para se chegar â equação de
Bellman (1.3)supõe que o indivíduo, após rejeitar uma oferta
P, volta ao mercado no período seguinte tendo esquecido em
qual firma recebera a oferta P no período anterior, isto ê,
o indivíduo não possui memória. A reformulação do problema
para o caso em que o indivíduo possui memória leva em conta
que, após rejeitar uma oferta P e retornar ao mercado nos pe
ríodos seguintes, o indivíduo não precisará aceitar uma ofer
ta superior a P, pois poderia voltar ã firma onde recebeu a
oferta P e efetuar sua compra.
Redefinindo a função V: £p ,P ] > R como a fun
ção que associa ã menor oferta recebida P nos períodos
T=0, 1, ..., T seu valor na data T, tem-se TV(p) = v(P) pa
ra todo p > P. Portanto, o valor TV(P) para o caso da ofer
ta P ser rejeitada no período t =T é
T
P
PM
-r
TV(P) = -fT + 6 - K,rfl+ (1+r) ( / V(P)dF(p) + V(P) / dF(p) )
Pm
P
-i
,V(P)
=max{pn^-;-ír+B|-^r+1+(a+r)(
/TV(p)dF(P)+TV(P)
/
dF(p)
)
P
m
Esta equação funcional possui a mesma solução V*
da
equação
(1.2)
apresentada
na
proposição
1.2.
Isto
signi
fica que a existência de memória não altera o PR e, portanto,
o comportamento do indivíduo.
1-2.5 0 Modelo Básico de Procura com Compra Parcial
A hipótese de que, ao aceitar uma oferta em um pe
ríodo
t,
o
indivíduo
gastará
toda
sua
dotação
M
, não
voltan
do ao mercado ã partir do período seguinte, foi utilizada na
exposição precedente apenas por motivo didático. Com ela o
equacionamento de problema do indivíduo e a compreensão do
significado da equação de Bellman são muito simplificados.
Provar-se-ã à seguir que, se for permitido ao indivíduo fra
cionar sua dotação para efetuar compras em mais de um perío
do, ele optará por agir de acordo com aquela hipótese, fazen
do uma única compra.
De acordo com a hipótese simplificadora usada na
seção
1.2,
os
custos
subjetivos
de
transação
são
proporcio
nais ao poder de compra do indivíduo. Portanto, eles não po
dem mais ser dados pelas expressões 1.2, pois o poder de com
pra em um período t=T após uma compra parcial não será
T
= M(l+r) . Se, por exemplo, o indivíduo tiver gasto uma fra
ção
y da
dotação
MT_2
,
0 < y < 1 em
t =T-2,
a dotação
em
T
será
M^
=
(1-y)
M^U+r)2
=
(l-yjM^,.
Sendo
yt
a
fração
da
dotação M^, gasta no período t < T, a dotação disponível em
T T-l
t=T
será
Ml
= (1+r)
M
n
(1-y.).
Os
custos
de
transação
t=0
r
são, pois:
^J- /1 i \ »Jt 1J. . , t1
j=Q
"ST
- f
Seja
TY:
fPm/
PM^]
>
R a função
que
associa
ã of er
ta P recebida no período T seu valor neste período. Quaisquer
compras feitas nos períodos t=0, 1, ..., T-l não são leva
das em consideração no momento da tomada de decisão em
t =T pois são decisões passadas e, portanto, irrelevantes
para a escolha em t=T. Caso o indivíduo resolva gastar to
da sua dotação M^,, TV(p) será
nV(P)
= TT-^
Se o indivíduo rejeitar a oferta P, tem-se
TV(p)
dF(p)J
P
m
No caso de o indivíduo gastar uma fração YT de sua dotação
M^,, a oferta P lhe trará um fluxo de consumo cujo valor
empresa com dotação Mm,i = (1+r) (1-YJMl, incorrendo no cus
to K ,. A compra parcial ã fração y , ao preço P, na data
T traz _v(P) dada por
TV(P)
= (tãlP
- fT +6 p
M
TV(p) dF(p)
m
)~j
No caso de optar por compra parcial, o indivíduo escolherá
Y de modo a obter o naior valor para a expressão acima. A
principio a fração Y pode depender do período T e do preço
P, o que justifica a notação Y (P). Isto posto, o valor da
oferta P recebida na data T, no caso de compra parcial será
SUP {
O<YT(P)<1
YT(P) M
m
A equação de Bellman do modelo com compra parcial é, portan
to:
TV(P)
= max
YT(P)
;
sup
^~^T~
0<YT(P)<0
"M
m
rV(P)
dF(P)"|
;
M
-KT+1+
(1+r)
[1-yt
(PT]
/
TV
(P)
dF
(P)
}
m
A equação funcional (1.6) envolve duas funções: V
e YT-
Para
uma
função
y
: {^J?m
, E}^j
>
[Õ ,Y]
conhecida,
esta
equação transforma-se em uma equação funcional envolvendo uma
única função: _,Vy . Esta equação funcional em TVYT terá so
lução única pois o resultado de Blackwell permanece válido em
virtude de 0 < (1-Ym) <\* No entanto, a função y é desconhe_
cida e deve, pois, ser determinada em conjunto com a função
TV. Na proposição seguinte mostrar-se-á que para qualquer P
e T não ocorrerá 0 < YT(P) < 1- Isto eqüivale a afirmar que
no caso de uma oferta ser aceita, o indivíduo nela empregará
todo seu dinheiro.
Proposição 1.3
A solução do modelo de procura básico com possibi
lidade de compra parcial é igual ã solução do modelo com com
pra única, isto é, o indivíduo não fará uma compra em que
gaste apenas uma parcela de sua dotação.
Demonstração
A demonstração será feita sem perda de generalida
de para o período T = 0. Suponha-se que para algum Pe[p ,Pj]
ITl J*i~^
tenha-se y (P)e(0,l). Neste caso ter-se-ia
V*(P)=
"m
o que acarreta
PM
V*(g)dF(P)
m
De Íf + BK) > 0 e |J.-y(pO > 0 obtém-se
PM
m
Observando-se que;
P
qV*(P)
= IÍÍjL
|.-f+B|_K+(l+r)
[1-y(P)3/
QV*(P)dF(P)
m
P P
M
n
m
M
Pm
e usando (*) obtém-se
PM
/* (P) < _f + R |_K+n+r-1
O
oV*(P)dF(P)J+Y(p)(_^__g(i+r)/
oV(P)dF(P))
r
M
i
V*(P) < -f + 6 -K+(l+r) / qV*(P) dF(P)
P
m
o que mostra que qV* não ê solução da equação (1.5). Portan
to
para
toda
Pe
U>m/^H
,
0
< y (P)
<
1
implica
f QV*(P)dF(P) }
m
r
m
i
< -f + 8 -K+ (1+r) / V*(P) dF (P)
Pm°
logo, a equação (1.6)pode ser reescrita por
M
^
, f +e|-K+(l+r)
P
V(P)
' max{
(1_°)p
, f +s|-K+(l+r)/
QV*
(P)
dF (P)~[}
RI
que é a mesma equação (1.3) do caso de compra única.
I-3
O
Modelo
de
Procura
com
Bens
Substitutos
Nesta seção o modelo de procura com um único bem
e ampliado com a introdução de um segundo bem o qual ê subs
tituto (parcial) do primeiro. As características do mercado
e do
indivíduo
são
modificadas
de
modo
a
incluir
o
novo
bem
sem, contudo, alterar a essência do modelo anterior.
1-3.1 0 Modelo com Dois Bens Substitutos
0 mercado é composto por um continuo de firmas, ca
da
qual
caracterizada
pela
dupla
de
preços
(P1(p2)
aos
quais
vende cada bem. A dispersão de preços ê determinada pelas
funções
de
distribuição
F;
: 5im/PiMH
[0,1]
que
associam
a
cada
preço
P±e
(1^*?^
a fração
F±(Pi)
do
total
de
firmas
que praticam preços do bem i menores ou iguais a P., para
i=l,2.
As
distribuições
Fi
e F2
são
supostas
independentes.
Descreve-se sucintamente este mercado pelas triplas (P ,P
^ im' iW
F^)
i=l,2.
0 mercado
Financeiro
ê igual
ao
da
seção
1.2.
0 indivíduo ê descrito de forma análoga ao da se
ção 1.2, porém sua função utilizada é ligeiramente modifica
da pela substituição do consumo do (único) bem C pelo consu
mo
de
dois
bens,
de
forma
que
Cfc
=
(a.c£
+ C?),
onde
C1 re
presenta
o
número
de
unidades
do
bem
i possuídas
no
período
; + cv -Kt
-ft]
O < a < 1onde os parâmetros B,K.,f têm os mesmos significados e obe
decem ãs mesmas restrições (1.2) para C = (a C| + C2).
Como em 1.2 o indivíduo conhece as
caracterlsti-Cas
^Pim/PiM'Fi^
i=1'2
do
mercado,mas
não
sabe
quais
são
os
preços (Pi,P2) praticados por uma firma antes de visitá-la.
Ao receber a dotação M elevai ao mercado visitar uma firma.
Diante da oferta (Pi,P2) recebida, ele decide se compra os
bens imediatamente, deixando o mercado em seguida, ou se re
jeita a oferta, voltando ao mercado no período seguinte. Ca
so opte por rejeitar a oferta, o indivíduo fará uma aplica
ção financeira incorrendo no custo f . No período seguinte,
ele visitará outra empresa, incorrendo no custo Klf para re
petir o que fez no período anterior. Este procedimento se re
pete até que ele venha a aceitar uma oferta.
Seja
TV:
[>im,PiMl
x
[P2m,
P2M]+
R a função
que
associa ã oferta (Pi,P2) o valor desta oferta para o indiví
duo que a recebe no período t=T.
0 valor de (Pi,P2) se o indivíduo aceitar a ofer
ta será
f a M M
Se
-p^~
- °/ele
comprará
ambos
os
bens
em
quantidades
Ci
e
C2
satisfazendo à restrição PjCi +P2C2 = M . Se Pi < o ele
com-P2
prarã
sõ
o bem
1,
ao
passo
que
para
Pj_
> 0 ele
só
comprará
P2
o bem 2. Se rejeitar a oferta, o valor desta será
r
Pim'P2m
_
TV(Pi,P2)=-f +B L -K_, T+l + (l+r) p / p / T V(P1(P2) dF,(P2) . dFjífJi) _|
Plm
P2m
0 valor Ha íifer+-a ^ü- &.} n-.->~r> ^ ^^j-i.tTj,,^ . _ ^-..v^-, -_
t=T é, pois:
rV(PlfP2) - max { ; i ; -f + 6 |
(l-B)Pi (l-B)Pz
PlM
P2M
Pi m P2 m
n
(Pi)
A equação acima é análoga à (1.3) . Trata-se de uma
equação
funcional
na
função
de
duas
variáveis
V.
A
solução
desta equação será estudada a seguir.
1-3.2 Solução da Equação de Bellman
A existência de solução única para a equação fun
cional (1.7) é assegurada pelo resultado de Blackwell. A prova
de que a equação (1.7) satisfaz às condições deste autor é aná
loga
à.apresentada
na
proposição
1.1.
Na
proposição
abaixo
Proposição 1.4
A solução V* da equação 1.6 é
T ,V*(Pi, P2) = 4
aM
para Pi < Pi < Pi e P2 < P2 <
M
(1-S)P2' i < pi M P2 < P2
aM M
\ (l-B)Pi (l-B)Pz
-r-, para Pi < Pi < Pi e P2 < ?2 < P2 ;
onde P^^ (Plm , PiM ) , i=l# 2, satisfazendo a = a.
Demonstração
A demonstração é feita por substituição de V* na
equação (1.7) no ponto (Pi, P2) =(Pi, P2). Isto serã feito com
o auxílio de uma mudança de variáveis que facilita muito o
cálculo das integrais duplas:
19) Obtém-se a distribuição de probabilidade de va
riável
Po=
^-
;
29) Obtém-se as distribuições de probabilidades das
variáveis = Po e x2 = P2~ .
A obtenção destas distribuições é ilustrada no apêndice a es
te capítulo.
Sejam
G±:
U±M,
x±
I >
JO, Ij
as
distribuições
de
e x2 onde,
Para facilitar as integrações define-se G., i=l,2 sobre o
intervalo (0,+ °°):
G (x) = 0, para 0 < x. < x.
l l lM
G.(x) =1, para x. $ X: <
i im i +0O
Com essas modificações a equação 1.6 se transforma
em
\
v
r
Tr(xi,x2) = max { x1;- x2; -f_, + 6
-1-6
1-3
'-00 00
/ / Tr(xi,it2) dG2(x2)
0 0 "
X2) =
para e x2y[ $ x2 < x2 ;
r
jqç x2 , para x1m £ xl xi e x2 $ x2 ;
para x2 < x2 ;
onde Xi x2 e |max m< íaPlM, min -1 p-l}-l
Lm'
2m
_| "
Substituindo Tr* na equação (1.7) no ponto (Xi, x2) =
, x2) tem-se
xlf x2) dG2(x2) dG
Desenvolvendo a integral dupla tem-se
r*(xi, x2) dG2(x2)
X2
o o dG2(x2)
oo
+ J S dG2(x2) dGi(Xi) + / / X2 t^-x2VL dGi(xx) dG2(x2)
x2
°
^
Xl
L
/oo_
(X!) dGi(xi)+ / x2Gi(x2) dG2(x2)
X! X2
Definindo-se x=xi =x2 e eliminando-se os subscritos das va
riáveis de integração, obtém-se
X
" 1=6
X
(x)H
"
x d
Integrando-se por partes a última integral
x x
/
x d
rGi(x)G2(x)l
xGi(x)Gz(x)
-
/ G!(x)G2(x)dx
o o
Logo,
00 OO 1>P OO _ . _ X
/ / ^ dGidG2 = Y~ã f xd^iíx) G2 (x)| + /A Gi (x) G2 (x) dx
OO-L J- P [_o O
Substituindo-se esta expressão em (*) obtém-se:
^
r_
x
-,
r
~ x-3(l-r) q/ Gi(x) G2(x)dx -6 I - (
^r
-TI
jzqJ
xd[G1(x)
G2(x)l
De
Hp
=
d+r)TM,
KT+1
= (l+r)TK
e
f
« (l+r)Tf,
tem-se
1 Q I
J~
L
A
pfx12]
(**)onde
jjj
[xjãj
2
/°°
x d
[Gi(x)G2(x)].
Para
se
mostrar
que
existe
x e|max
{aP7M,
P^}
, min
{aPT^,
P JJ
= &M,xml
satisfazendo a última equação acima, define-se a função
h: (0, +°°)> R continua
h(s) = M
1-B
s
cujas propriedades são:
h(0) - 0
1 im h (s) = +
s >°°
h1 (s) = M
1-í l-6(l+r) Gi (s)G2 (s) > O
Por argumento de continuidade análogo ao utilizado
na proposição 1.2 conclui-se que há x e(xw, x ) satisfazendo
a equação (**) se forem satisfeitas as condições abaixo:
a) B(l+r) < 1
b)
|(K+f/3)
+ (l+r)
M ,_ 71
c) h x__ < 6 - (K+f/B) +(1+r) zr^-r- P fxi^ < h(x )
que são análogas ãs condições 1.4.
Os preços-de-reserva Pi e P2 serão P i = ~ e
P2 = . Figura 1.3)
1.3.3 Estática Comparativa
Os efeitos de variações nos parâmetros exõgeneos
sobre os preços de reserva Pi e P2 no modelo com bens subs
titutos têm os mesmos sinais calculados em 1.2.3. Para uma
variação num parâmetro exógeno , os efeitos sobre Pi e P2
são calculados por
3Pi 3P2 1 3x
= a = - a
3Y 9Y x2 3Y
Definindo-se
H E
x2|l-6(l+r)Gi
(x)G2(x)~I
Tem-se:
3P2
3P2
3K
3P2
3M
= H >
= 3H
f
0
> 0
+ 6K
M H < 0
33" = " [LÍ^oJ
Gi^G2(x)dx
+ 3ff
"
"gp
= " 2^3"
J
Gj (x)G2(x)dx
+ E
[xi2f]
H<0
Verifica-se, portanto, que assim como em 1.2.3, au
mento em custos subjetivos de transação desincentivam a pro
cura, ao passo que o aumento da dotação inicial a incentiva.
As elasticidades desses efeitos obedecem, como em 1.2.3, a
n_ + n + n = o
x K M
Isto justifica o fato de as sucessivas capitalizações de ju
ros, que alteram IML,, K . e f na mesma proporção, não modi
ficarem o PR ao longo do tempo.
0 aumento do coeficiente de desconto 8 e da taxa
de juros incentivam a procura. O aumento de 3 significa que
o indivíduo aceita postergar o consumo sem grande perda de
utilidade, e o aumento da taxa de juros é uma forma de remu
nerar a espera.
I.4 O Modelo de Procura com Bens Complementares
Nesta seção o modelo de procura com bens substitu
tos ê modificado de modo a considerar os bens como complemen
tares. As características do lado da oferta do modelo são
idênticos às do modelo com bens substitutos, sendo a única
diferença entre os dois modelos dada pela preferência do in
divíduo em relação aos dois bens. Conclui-se que o indiví
duo adotará um índice de preços P, que substitui os
preços--de-reserva da seção anterior, para decidir entre aceitar ou
rejeitar uma oferta recebida. Se o índice calculado pela
oferta recebida superar P, a oferta será rejeitada; caso con
trário, ela será aceita.
1.4.1 0 Modelo com Dois Bens Complementares
Considere-se um indivíduo que vai ao mercado da se
ção 1.3 conhecendo-lhe as características (P. , P ,F.) i=l,2
e pode fazer aplicações financeiras ã taxa de juros r. Se
jam suas preferências descritas pelo consumo dos dois bens
i-ot
na forma Cfc = C®t. C , 0 < a < 1, onde C. representa o nu
mero de unidades do bem i consumidas no período t. A função
utilidade é, pois, dada por
onde os parâmetros &, Kfc e ffc têm os mesmos significados e
obedecem às mesmas restrições (1.2) quando se considera C =
lt
C2t
0 indivíduo recebe a dotação M em t = 0 e vai ao
mercado visitar uma firma. Diante da oferta recebida (Pj,P2 ),
ele decide se compra os bens imediatamente, deixando o merca
do em seguida, ou se rejeita a oferta. Neste caso, após re
jeitar a oferta, o indivíduo fará uma aplicação financeira
incorrendo no custo fj . Ne período seguinte, ele visitará
outra empresa, incorrendo no custo Ki, para repetir o proce
dimento do período anterior. Ele visitará a cada período
uma nova firma até que venha a aceitar uma oferta.
Seja TV:
TV:
[p^,
P2J
, P2J
->
R
a
função
que associa â oferta (Px , P2) o valor desta oferta para o
indivíduo que a recebe no período t =T.
O valor de TV(PX,P2) se o indivíduo aceitar aofer
ta será
TV(Pi,P2)
=y3g-
arg
max
Ci
C2
(
onde a maximização em (Ci,C2) obedece ã restrição
Ci . Pi +C2 . P2 v< M
obtém-se, pois
46