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Percepção da condição de saúde entre mulheres.

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PERCEPÇÃO DA CONDiÇÃO DE SAÚDE ENTRE MULHERES·

Marlí V. Mamede* * Jliana V. Bueno*** Sônia M. V. Bueno***

RESUMO: Trata-se de uma pesquisa qualitativa , que objetivou verificar como um

g rupo de mulheres de baixa renda identificava sua condição de saúde. Foram entre­ vistadas 42 mulheres individualmente e a a nálise feita através do conteúdo de suas falas . Foi possível identificar que o conceito de saúde para esse grupo de mulheres está ligado à atividade física , ao sentido da vida, como também à ausência de doença . A tristeza , dor, desânimo, desconfoto e medo d e dependência foram o s principais motivos a legados pelas mulheres que se percebiam como doentes . Discute-se a i mpotâ n cia destes achados na prestação de assistência orientada para a saúde.

ABSTRACT:Th is is a qual itative resea rch that intends to veriy how a g roup of poor women identify their health conditio n . Women were i nterviewed individually and the ana lysis was made according to thei r speeches. It was possible to ide ntiy that their con cept of health was l inked to physical activity , sensoria l life and absence of d iseases. The main reasons expressed by the women that perceived themselves as sick were sad ness , pa i n , d iscouragement, discomfot and fear of dependence . The impotance of these findings in the hea lth-oriented are of women is here discussed.

1 . INTRODUÇÃO emocionais, toma clao que a saúde da mulher deve ser enfatiada além do diagnóstico e tatamento de doenças. Deve ser analisaa dentro do contexto do mundo em que vivemos(5).

Antes que qualquer questão possa ser apopria­ damente direcionada à sociedade, ela deve ser reco­ nhecida como um elemento que necessita de ampla atenção, pois resolver problemas começa com a iden­ tiicação dos mesmos.

Esta discussão cabe à Saúde da Mulher, visto que o telO saúde da mulher, ecentemente tem signii­ cado mais do que o estudo da capacidade reprodutiva da mulher. Ao longo da história, em muitas socieda­ des, as mulheres foram valorizadas pela sua capaci­ dade de eetuar a espécie, o que como conseqüên­ cia, tem ajudado a explicar o mito de que todos os problemas de mulher odem ser reduzidos ao útero e às variações hormonais.(8)

Quando a OMS etoma a deinição de saúde, reforçando que saúde é muito mais do que a ausência de doença, e incorora asectos sociais, culturais e

Dentro desa nova ersectiva, aúde não ode ser imosa e sim conquistada. Pa tanto, paa o alcnce de aúde, fz-se necessário haver m compometimento tanto or pate s essoas, quanto dos poissiois e do goveno. Desta maneia maneia, toa-se evidente que a Educação em Saúde é m fator esencial a o desenvolvimento deste compoiso(6).

Um ponto de patida para o tablho que objetiva a pomoção da saúde da mulher, neste contexto, é a busca do signiicado de saúde, que elas próprias têm

de si mesmas. Repensando a questão, BORGES(l>' lembra que é condição no mundo humano, que os acontecimentos vividos só são sigicativos quando ganham possibilidades de serem nomeados, isto é, postos em linguagem.

Trabalho apresentado no 44° Congresso Brasileiro de Enfennagem, Brasília, D.F. 1992

00 0.0

Docente do Departamento Matemo Inantil da Escola de Enfennagem de Ribeirão Preto - U . S . P

Docente d o DeptO d e Eennagem Psiquiátrica e Ciências Humanas da Escola d e Enfennagem d e Ribeirão Preto - U. S . P

(2)

Patindo-se ois, deste eferencial, e sentindo-se a ecessidade de ouvir as própris mulheres sobre o signiicado ou entendimento que elas próprias têm sobre o "estar doente" ou "saudável", é que se eali­ zou este tabalho. Potanto, ao focaliar o conceito de saúde, buscando uma compreensão do senso comum, que as muleres utilizam para a auto-identiicação, epressando se estão doentes ou não, está se buscando uma aproimação s suas experiências de vida, e potanto, dando oortunidade para epensar a siua­ ção de vida das mulhees e os programas de saúde a elas direcionados.

Estes progrmas de educação paa a saúde da mulher têm pael relevante a promoção da saúde, tanto a ivel idividual quanto coletivo. Para que estes sejam efetivos, deve-se criar oportunidades de levantamento de necessidades, executar ações educa­ tivas frente a esses problemas, bem como avaliar todo o processo, visando, fudamentalmente, a sesibili­ zação, a coscientiação e a responsabilidade da po­ pulação alvo trabalhada, fente s questões.

Pompidou in BUENO e CHEREGA TO (3), ir­ ma que educação paa a saúde é uma função inerente aos proissioais de saúde, e embora aparentemente simples e fácil, é um pocesso que requer numeosas especicidades do educador, paa que as meas se tomem factíveis e atinjam os objetivos eserados. Não basa simplesmente oferecer informações, pois estar informado ão signiica, necessariamente, co­ nhecer. Estar ciente não signiica necessaiamente fazer. Portanto, é ecessário desenvolver o senso de resonsabilidade individual e gupal, uma vez que é esse senso que ode conduzir s mais efetivas e aceitas mudanças de comortamento.

E hoje, mais do que nunca, quando a mulher vem lutando e assumindo novos espaços, redescobindo seu coro, sua vida, o seu tabalo, eim, o seu próprio existir, a educação tem tido peso considerável na Saúde da Mulher, contribuindo fotemente para a sua ascensão, para a luta conta a discriminação e o preconceito, que ao longo da históia da civilização humana existiu em relação ao ser mulher. Desta ma­ neira, as ossibilidades de oientação e iformação, nutriram e continuaão nutrindo o dieito da expansão da mulher a sociedade, sej a idividualmente ou em gupo. Desta forma, sensibilizadas com estas ques­ tões, popôs-se realiar este estudo, com os objetivos de veriicar como um gruo de mulheres deine e identiica sua condição de saúde.

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2. METODOLOGIA

Este estudo é parte do Projeto de Pesquisa Tans­ cultual na área Saúde da Mulher, do Deparamento de Efermagem Matemo-Infantil e Saúde Pública da Escola de Efermagem de Ribeirão Peto - Universi­ dade de São Paulo, o qual busca apreender como as mulhees respondem e percebem os eventos vivecia­ dos por els e que dizem espeito à sua saúde e ao seu

ser mulher. .

Para este estudo, as exeriêcias das mulheres são o principal objeto de investigação, visto que as suas percepções têm impotncia para a identiicação de suas reais ecessidades de saúde.

Portanto, esta é uma pesquisa qualiativa, cuja análise de conteúdo dos registros das falas de um upo de mulhees de baixa renda, residentes em três bairros da periferia de Ribeirão Preto, foi empregada para a análise dos dados.

A coleta de dados foi ealizada através de ente­ vistas individuais, face a face, onde se procurava espostas às seguintes questões :

I - Saúde e doença têm o mesmo signiicado paa as mulhees? O que signiica cada um destes concei­ tos?

2 - Como as mulheres identiical sua situação se saúde, aquele momento, ou seja, se doente ou sadia?

Os registros as falas das mulheres foam escitos durante a entrevista, os quais seviram de subsídios paa a identicação de temas ou categoias elacioa­ dos ao conceito de saúde enre as mulheres.

3.

ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS

A amostra constou de 42 mulheres, oriundas de familias carentes, cuja iade vaiou de 17 a 57 anos, sendo que a moda foi de 36 anos (14,2%). Todas eranl mães, sendo que 76,1% delas tiveram de 2 a 5 ilhos. Qanto ao estado civil 47,6% (20) eram casadas,

16,7% (7) solteiras, 16,7% (7) amasiadas, 11,9% (5)

sepaadas ou desquitadas e 7,1% (3) viúvas. No que se refee ao tio de trabalho ealizado, quase a toali­ ade delas (89,9%), desenvolvia trabalho doméstico, emunerado ou não, sendo que 50% (21) das mulheres entrevistadas, tabalavam apeas no lar.

(3)

co-tidiano,. Isto siniica considear a emacipação total da mulher, sua plena realiação enquanto essoa, aavés a atuação no mundo, conta os precoceitos que diicultam o seu desenvolvimento. (2)

Após o exame reetido das falas das mulees entrevistadas (Anexo 1 ), foi possível identiicar te­ mas que desertam pra a compreeSão, or pate dessa clientela, de um conceito de saúde, o qual se mostrou abangente e ão meramente ligado à ausên­ cia de doeça, muito presente no aadigma médico vigente.

As categorias represenativas do conceito de saú­ de, de acordo com as falas das mulheres entrevistadas, podem ser assim sumariadas:

- saúde sendo ligada à atividade física - saúde como dado sentido à vida

- saúde como sendo ausência de doença

Um dos fatores muito evidente nas flas das mulheres em estudo, que conicioa a percepção de sa saúde, é a osição o desempeno de seus papéis sociais, ou seja, sua paticipação no processo de po­ dução. Isto pode ser evidenciado quando as muleres deiniam saúde como estando ligada à possibilidade de ealização de atividades ísicas. A fala das seguin­ tes mulhees exempliica tal categoria: saúde é ter coragem de fazer tudo; saúde é poder trabalhar; saúde é ter disposição; é levantar disposta, raba­ lhar .. . (Quadro J)

Dentre as subcategorias do conceito de saúde ligado à atividade física, pudemos identiicar que estas atividades esavam ligadas ao trabalho, à inde­ pendência, ao estado de ânimo, bem como às ativida­ des de auto-cuidado e manutenção da vida.

A erceção de saúde como ligada ao estado de ânimo, tanto para o trabalho como pra a vida, foi a subcategoria mais mencionada entre as mulheres. No enanto, a atividade isica elacionada ao auto-cuida­ do e manutenção da vida, ainda que pouco referida, foi levantada como segue : saúde é não sentir nada, poder andar, trabalhar e comer; .. . é não ter dor e

alimentar bem.

QuadrQ 1 - Catego ria : Saúde ligada à atividade' física

Sub-categorias:

A- Trabalho B- I ndependência

D-Auto cuidado

C- Estado de â n i mo

B-C- saúde é esta r e sentir bem, a ndando

1(32)

A-B-D- saúde é não sentir nada, pod e r andar, trabalhar e comer (34)

A-B-C-D- é levantar d isposta, trabalhar, não ter dor e alimentar bem (36)

A-B- é poder trabalhar, sair

(39)

A-C- saúde é melhor, pode tra balha r, traz

alearia

(41)

C- ter energia, vitalidade e inteligência (8) A- com saúde pode trabalhar

(42)

C- saúde é ter mais disposição,

I paciência (28)

A- saúde é coisa boa, faz as coisas tudo cetinho (26)

A-C- ter coragem de fazer tudo

(2)

B-C- poder ajudar, ter disposição pa ra

tudo(19)

C� ter disposição

(1) (7) (14) (17) (27)

C- ter ânimo

(11) (17)

B- não depender dos outros (6)

* Os números representam os sujeitos que ex­ pressaram tais falas.

A refeência elas mulhees de que saúde signi­ ica dr um sentido paa a vida, como disseam, é estar feliz; é ter alegrias; é uma forma de ter mais vida, alimetar-se bem, saber-se cuidar bem, revela que elas entedem saúde como uma questão social que vai além do biológico, da ausêcia de doeqça (Qado 2).

É

interessante obseVar que uma entrevistada simbolizou saúde como algo que é intrinseco ao ser humano - saúde é energia, vitalidade e inteligência que as pessoas têm naturalmente. U ma outa tenta demostrar que a quesão da saúde esá viculada à resolução de problemas de toda ordem: saúde é ter descanso na vida.

(4)

Quadro 2 -Categoria : Saúde como dando sen­ tido para a vid a .

- tem disosição p a udo ( 1) (7)

ter coagem pa fzer tudo (2) (7) ( 1 9) (36) é bom demais (3)

é ser feliz (4) é mavilhoso (5)

é enegia, vitlidade e inteligência que as essoas têm natualmente (8)

- é uma foa de ter mais vida, alimentar bem, saber se cuidr bem (9)

- é coisa boa, é sentir bem ( 10) (30) (35) - é sentir bem, sem dor, ter disposição ( 14) - vida boa, norml ( 16)

- é imoante, é não sentir ada, alegria, disosição e âimo ( 1 7)

- estar feliz, ão sentir naa ( 1 8)

- saúde é alegia, é om demis (3 1) (3 3) - é estar bem, andando (32)

- saúde é melhor que doença, ode tabalhar, traz alegia (4 1 )

- é ter paciência (28) - saúde é o lado bom (23) - saúde é mis melhor (25)

- é não sentir nada, ânimo e coragem ( l I ) - ter descanso na vida ( 1 2)

- essoa que tem saúde é quem tem alegia, pode comprar um bico novo, uma roupa ova, comer foa. Pobre nunca ode fazer isso (24)

* Os n úmeros representam os sujeitos que ex­ pressa ram tais falas.

Por outo lado, outas mulheres dicotomiam a eeriência humana, ao referirem que saúde é o lado bom da vida. À busca de equilíbrio foram também imagens vebalizadas por algumas mulhees como : saúde é ter descanso na vida; é não ter nada. A seguintes e"pressão : pessoa que tem saúde é que tem alegria, pode comprar um brinco novo, uma roupa nova, comer fora. Pobre nunca pode fazer isso, de­ noa que para essa muler a questão saúde esá

forte-98 . R. Bras. Enferm. Brasília, v. 46, n. 2, 95- 1 00, br.ljun. 1 993

mente elacioada à condição scio-ecoômica. XAER,

Á

LA e CORREA(7) ao deinirem que saúde é estr bem no mundo, lembam que isso se refere não somente à condição corpoal, mas tam­ bém à situação das mulheres em outros campos. Ata­ vés a vebaliação das muleres, veriica-se que essa erspectiva eite incororar s ações que buscam a saúde em outros cmos: saúde é alegria . . . ; é estar feliz; é uma forma de ter mais vida, alimentar bem,

saber se cuidar bem; é vida boa, normal.

Lembam aia XAER,

Á

LA E CORREA(7) que, se por uma lado, essa abordagem conlitua com a segmentação do sujeito presente na conduta médica, or outo lado, tem inúmeros pontos de convergência com a conceituação de assistência integal, que hoje cicula ente os proissionais de saúde que assistem à mulher.

Outa temática possível de identiicação, foi o conceito de saúde ligado à ausência de doença, ou seja, m imagiário relacionado à condição biológica e isiológica. A ausência de dor,. enquanto conceito de saúde, é expesso s seguintes falas: saúde é não sentir nada; .. . é não ter dor. Esta expressão foi consante entre as muleres. Contudo, a fala de muitas mulhees exterioria a percepção de que cabe ao sujeito também a esponsabilidade pela sua saúde como segue : saúde é dorente de doença, pois tralan­ do evita a doença, se lem doença é porque foi descui­ do (Quadro 3). Esas considerações vêm ao encontro das referências de Pompidou in BUENO e CHIERE­ GATO(3), quado airia que a educação à saúde está ligada undamentalme.te, s esposabilidades do ser humano; no sentido de compreender o valor daquilo que se aprede, e de colocar em prática na vida, aquilo que assimilou, visando a promoção e resauação da saúde.

(5)

Quadro 3 -Categoria: Saúde como ausência de

doença

não sentir ada ( 12) ( 1 5) (2 1 ) (29)

não sentir nada, ão ter dor (3)

é imortante, é não sentir ada, alegria, disposição e ânimo ( 1 7) .

estar feliz, não sentir ada, poder trabalar, andar e comer (34)

saúde é ão ter peocupação (38) não sentir ada, ânimo e coragem ( 1 1)

é sentir bem, sem dor, ter disposição ( 14)

é uma fora de ter mais vida, alimentar bem, saber se cuidar bem (9)

saúde é diferente de doença, pois tratando evita

doe, se tem doença é porque foi descuido (37)

* Os n ú meros representam os sujeitos que ex­ pressara m tais falas .

Inteessante foi obsevar s falas dessas mulhe­ res a istea, a dor, o desânimo, descofoto, preocu­ pação e a possibilidade de dependência, esecialmen­ te a ísica, como não poder trabalhar, sair e icar na cama, como as principais justicativas alegads para o seu estado de saúde. (Anexo 2)

Emboa esas mulheres expressassem a idéia de que saúde para elas inclui valores e qualidade de vida, daquelas que se situaam como doentes, quando

ques-ioadas sobre o que têm feito, muias deiam ts­ paecer o descrédito no sistema de saúde, expresso nas seguintes falas: não faço nada; vou np médico mas não adianta ... ; faço prece; t0!0 água doce. Por outo lado, a realidade sócio-econôica, apaece como imorate bareia paa a muança de situação de saúde como algumas disseam: não tomo a medi­ cação prescrita pelo médico porque não tenho con­ dição de comprar, e , vou no médico mas não adianta

pois tenho vontade de comprar as coisas e não posso.

4.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os achados deste abalho, os quais epesentam a percepção que as mulhees têm sobre saúde, são de fundamental importância aa a áea de Saúde da Mulher, pois fonecem subsídios paa a presação de assistêcia orientada para a saúde. E eforçam que o envolvimento coordenado de uma equie multipo­ issional é condição básica paa essa assistência, ois nenhum poissional seá capaz de encontar as ne­ cessidades de saúde em todas as áreas. Conforme refoça CHOI(4), o doúnio do processo saúde/doen­ ça, a inteação e inluência de caa um dos poissio­ nais deve ser eqüitativamente representados. Diferen­ tes perspectivas ofeecem visões únicas de como as muleres podem ser compreedidas e assisidas mais completamente, como também odeá facilitar a pó­ pia compreensão da mulher sobre questões de sua saúde e faúlia.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 . BORGES, S.M.N. Proposts para uma relação: proissionais de sáude e mulheres. Cadernos de aúde Pública. FIO­ CRUZ, v. 7, p.284-9, 1 99 1 .

2. BRITO, J. C. & D. ACRI, V. Referencial de análise para o estudo da relação trabalho, mulher e saúde. Cadernos de Saúde Pública, v. 7, n. 2, p. 20 1 - 1 4, 1 99 1 .

3 . BUENO, S.M.V. e C HIEREGATO, E . Prevenção da AIDS e o Processo de Comunicação na Orientação Infantil. 3· SIBRACEn, E ERP-USP, ANAIS ... Ribeirão Preto, maio, 1 992, p. 690-704.

4. CHOI, M. W. Preamble to a new paradigm for women 's health care. Image:The Journal oi Nursing Scholarship, v. 1 7, n.l, p. 1 4-6, 1 985.

5 . MAMEDE, M.V. Saúde d a Mulher: visão feminista. FEMI­ NA, v. 1 7, n. 1 1 , p. 904-6, 1 989.

6. OMS - New approaches to health education in primary health care. Technical Reort eries. n. 690, 1983

7. XAVIER, D., ÁVILA, M. 8. & CORRE A, A. Questões femi­ nistas para a ordem médica: o feminismo e o conceito de saúde integral. In: LABRA, E., Mulher. saúde e sociedade no Brasil. Petrópolis : Vozes, p. 203-22, 1 989.

8. WEBSTER, D. & LIPETZ, M . Changing deinitions; chances times. Nursing Clinics oi North America, v. 21, n. 1, p. 87-97. 1986.

(6)

Anexo 1 -Sig n iicàdo de Saúde

- essoa sadia tem disposição pra udo ( 1 ) - tem coagem de fazer udo (2)

- é bom demais (3) - é ser feliz (4) - é maavilhoso (5)

- ão deende dos outos (6) - tem disosição (7)

- é energia, vitalidade e inteligência que as essoas tem naturalmente (8) - é uma forma de ter mais vida, alimentar

bem, saber se cuidar bem para ão ica doente (9) - é coisa boa, é sentir bem ( 10)

- é ão sentir nada, ânimo e coragem ( 1 1 ) - ter descanso na vida ( 1 2)

- não sentir nada, não ter dor ( 1 3)

- é sentir bem, sem dor, ter disposição ( 1 4) - é não sentir nada, despreocupada ( 1 5) - vida boa, normal ( 16)

- é importante, é ão sentir nada, alegria, disposição e ânimo ( 1 7) - estar feliz, não sentir nada ( 1 8) - juda e tem disposição para udo (19) - essoa não sente nada (2 1 )

- saúde é o lado bom (23)

- essoa que tem saúde é quem tem alegria, pode comprar um brico novo, uma roupa nova, comer fora. Pobre nunca pode fazer isso (24)

- saúde é mais melhor (25)

- saúde é coisa boa, faz as coisas tudo cetinho (26)

- estando doente não tem saúde, não tem disposição (27) - é ter paciência (28) - saúde ão tem ada (29) - saúde é coisa boa (30)

- saúde é alegria, é bom demais (3 1) - é estar bem, andando (32)

- saúde é alegria (3 3 ) - estar feliz, ão sentir nada,

poder tabalhar, adar e comer (34) - saúde é coisa boa (3 5)

- é levantar disposta, tabalhou, não ter dor, alimentar bem (36)

- saúde é diferente de doença, pois tratando evia doença, se tem doença é orque foi descuido (37) - saúde é não ter preocupação (38)

- saúde ode trabalhar, sair (39)

1 00 R. Brfs. Enferm. Brasília, v. 6, n. 2,95- 1 00, abr./jlm. 1993

- saúde é bem melhor que doença (40) saúde é melhor que doença,

pode trabalhar, taz alegria (4 1 ) - com saúde pode trabalhar (42)

Anexo 2 - Justificativa das mulheres que se consideram doentes.

- não tenho disposição;

dor nas pes e na cabeça (1) - estou resfriada (2)

- tenho dor (4)

- por causa dos problemas que tenho (5)

- poque tenho ferida no úteo e ifecção (6) - preocupada com "amigo" que bebe ( 1 2)

- dor na barriga (grávida) ( 1 3)

- unheio ( 1 7)

- gastrite (20)

- problema da vagina,

teo medo de doença grave (23)

- vivo mais doente, não tenho alegria, vivo com dor (24)

- sou doente orque se estivesse legal, estava mais

animada (25)

- está sangrando (31)

- não durmo, tenho faquea (32)

- estou muito gora (34)

- acho que tenho Aids (35) - estou cansaa (36) - acho que tenho Aids (37) - faz um ano que tenho grie (38) - quase não dei conta de chegr aqui.

Teho problema de estômago e gastite (39) - dói muito or baixo, por causa da opeação (40) - tenho glaucoma e desvio de coluna. Tem feito

traamento no H.c.; o médico manda tomar remédio só que não compo (41)

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