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1Artigo elaborado a partir da dissertação de T. C. VASCONCELOS, intitulada “Personalidade, valores e condutas anti-sociais de jovens”. Universidade Federal
da Paraíb a, João Pessoa, 2004.
2Faculdade Sant a Maria. Cajazeiras, PB, Brasil.
3Universidade Federal da Paraíb a, Centro de Ciências Hum anas, Let ras e Art es, Dep art am en t o d e Psico lo g ia. Cam p u s I, Cid ad e Un iversit ária, s/ n.,
58051-900, João Pessoa, PB, Brasil. Corresp ondência p ara/ Correspondence to: V.V. GOUVEIA. E-m ail: < vvgouveia@gm ail.com > .
Agradecim entos à Coordenação de Aperfeiçoam ento de Pessoal de Nível Superior e ao Conselho Nacional de Desenvolvim ento Científico e Tecnológico, pelo apoio financeiro para realização desta pesquisa, em form a de bolsa de m estrado para a prim eira autora e de produtividade para o segundo.
Condut as desviant es e t raços de p ersonalidade:
t est agem de um m odelo causal
1Devian t beh avior an d person alit y t rait s:
t est in g of a cau sal m odel
Tatiana Cristina VASCONCELOS2
Valdiney Veloso GOUVEIA3
Carlos Eduardo PIM ENTEL3
Viviany Silva PESSOA3
Resumo
A m eta principal deste estudo foi com provar a adequação de um m odelo causal à explicação de com portam entos socialm ente desviantes (condutas anti-sociais e delitivas), considerando a contribuição dos traços de personalidade (neuroticism o, extroversão e busca de sensações). Para tanto, participaram 755 estudantes do Ensino Médio e Superior, sendo a m aioria do sexo fem inino (50,3%), de escolas privadas (53,0%) e com idades variando de 16 a 26 anos (m édia= 20,1; desvio-padrão= 3,12). Estes responde-ram ao Inventário dos Cinco Grandes Fatores de Personalidade, à Escala de Busca de Sensações e ao Questionário de Condutas Anti-Sociais e Delitivas. Os principais resultados indicaram que os traços neuroticism o e busca de sensações explicam satisfato-riam ente as condutas anti-sociais, e estas predizem diretam ente as condutas delitivas. Neste aspecto, conseguiu-se constatar que os traços de personalidade são úteis ao entendim ento das condutas socialm ente desviantes, com especial destaque para o traço busca de sensações. Destaca-se, no entanto, a necessidade de estudos posteriores considerando outras variáveis e contextos.
Unitermos: Busca de sensação. Extroversão. Transtorno da personalidade anti-social.
Abstract
The m ain purpose of this study w as to test the adequacy of a causal m odel to explain socially deviant behavior (i.e. antisocial and crim inal behavior), taking into account the contribution of personality traits (neuroticism , extraversion, and sensation seeking). To this end, 755 high
school and undergraduate students participated, m ost of them fem ale (50.3%) and from private schools/ universities (53%), w ith ages
ranging from 16 to 26 (average= 20.1; standard deviation= 3.12). They answ ered a questionnaire in w hich three different m easures w ere incorporated: Big Five Invent ory, Sensation Seeking Scale, and Antisocial and Crim inal Behavior Questionnaire. The m ain results
dem onstrated that the traits of neuroticism and sensation-seeking satisfactorily explained the antisocial behavior, and these directly
predicated crim inal behavior. It w as confirm ed that the personality traits, especially sensation seeking, are helpful in the understanding of socially deviant behavior. How ever, the need for further studies incorporating other variables and contexts should be em phasized.
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A sociedade atualm ente vive um contexto em q u e ad o lescen t es e jo ven s ap resen t am co m p o rt a-m entos anti-sociais e violentos, cada dia a-m ais freqüentes. Tal au m en t o é co n firm ad o p o r d iverso s est u d o s (Ad alb jarnard ot t ir & Rafnsson, 2002; Ding , Nelsen & Lassonde, 2002; Engels & Bogt, 2001; Haw kins, Catalano & M iller, 1992; Herren ko h l et al., 2000; Pat t erso n , DeBaryshe & Ram sey, 1989; Saner & Ellickson, 1996), caracterizando-se com o um fenôm eno social e de saúde pública. Diante deste fato, surgem questões do tipo: quais os m otivos que levam alguns jovens a se envol-verem em situações que rom p em as norm as sociais, b em com o em situações violentas? E, ainda, p orque alguns jovens se envolvem em tais situações, enquanto outros não o fazem ? Constata-se que estas, assim com o outras questões, não são fáceis de serem respondidas, p ois a com p lexid ad e e m ult id et erm inação d o com -portam ento hum ano exigem um a análise cautelosa na sua exp licação.
Pod e-se d izer q ue os joven s e ad olescen t es parecem ser naturalm ente m ais suscetíveis a transgredir norm as e regras sociais (Coelho Júnior, 2001). Pesquisas estadunidenses apontam que as pessoas nesta fase de desenvolvim ent o são m ais p rováveis causadoras ou vít im as d e violência int erp essoal, em com p aração a indivíduos adultos (Herrenkohl et al., 2000). No caso do Brasil, Waiselfisz (2002) m enciona que, no conjunto da população, 12,2% do total de m ortes são atribuíveis a causas exógenas (hom icídios, acidentes de autom óveis). Entre os jovens, as m esm as são resp onsáveis p or m ais de 70,0% dos óbitos.
Na p op ulação b rasileira, 4,7% das m ort es são devidos a hom icídios e, quando considerados especifi-cam ente entre os jovens, esses são responsáveis por 39,2% das m ortes. Segundo Waiselfisz (2002), é na faixa dos 15 aos 24 anos que os hom icídios at ingem sua m aior incidência, e o m om ento crítico, com m aior risco de ser vítim a de hom icídio, é na idade de 20 anos. Nos últim os dez anos, percebe-se que houve um aum ento de 77,0% no núm ero de vítim as jovens, sendo o Nordeste a região que apresentou o m aior crescim ento no índice (60,7%), seguido pelo Sudeste (55,8%) e Centro-Oeste (55,9%).
Parece plausível falar em um aum ento epidê-m ico d o s fen ô epidê-m en o s vio len t o s e d elin q ü en t es n a sociedade, e isso tem sido enfocado constantem ente
pela m ídia. Diferentes jornais e noticiários televisivos ap resent am , quase d iariam ent e, variad as form as d e exp ressão d as co n d u t as vio len t as e an t i-so ciais (Form iga, 2002; Gouveia, Coelho Júnior, Gontiès, Andrade & Andrade, 2003). Estudar seus antecedentes deveria ser p rioritário, p ois p erm itiria, p or exem p lo, desenvolver políticas e delinear program as de prevenção e controle de alguns problem as sérios que lhe são correlatos du-rante a adolescência, a exem plo do uso/ envolvim ento com drogas (Coelho Júnior, 2001; Rom ero, Luengo & Sobral, 2001).
A partir desta problem ática, a presente pesquisa b uscou com p rovar, p ela ad equação d e um m od elo causal, a influência d os t raços d e p ersonalid ad e na exp licação das condutas anti-sociais e delitivas, com destaque para o m odelo dos Big Five (Cinco Grandes Fatores de Personalidade) e do traço busca de sensações. No decorrer deste texto, são apresentadas considerações m ais detalhadas sob re tais construtos.
Condutas desviantes: anti-sociais e delitivas
As cond ut as d os ad olescent es e jovens, p or possuírem aspectos peculiares, são fontes de m uitas pesquisas, especialm ente das que consideram aspectos anti-sociais. Ainda m ais p orque, nos dias atuais, vê-se que os episódios de adolescentes e jovens envolvidos com drogas, roub os e até hom icídios têm sido am p la-m ente salientados.
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aos padrões tradicionais da sociedade, é possível afirm ar que a m aioria destes p ratica ou já p raticou algum tip o de conduta anti-social, no sentido am plo (Coelho Júnior, 2001). No presente artigo, condutas desviantes, portanto, faz referência aos dois tip os de condutas antes dis-cutidas.
Segundo Pfrom m Neto (1979), os adolescentes que apresentam condutas delinqüentes (ou desviantes) com p reendem um foco de grande p reocup ação na sociedade, p or se tornarem indesejáveis. Tais jovens, violadores de norm as e leis, caracterizam -se por apre-sentar um a personalidade que prioriza valores que vão de encontro às norm as sociais e à orientação cultural (Form iga, 2002).
É im portante expor, ainda, que a análise de tais condutas, ditas socialm ente indesejáveis, está vinculada a três elem entos indissociáveis, quais sejam : o com por-tam ento em si, o indivíduo que o adota e o am biente sócio-cultural. Em outras palavras, expõe-se aqui a idéia de que nem tudo que é anti-social em um a sociedade e contexto histórico será em outros.
As condutas, ap esar de serem vistas com o dinâ-m icas, funcionais, p od end o ser codinâ-m p reend id as edinâ-m função do contexto em que ocorrem , geralm ente são consideradas com o expressões da personalidade dos indivíduos, e podem ser explicadas em term os de traços d e p erso n alid ad e (Pau n o n en & Asht on, 2001). Não obstante, essa é um a hipótese que precisa ser com pro-vada. Cabe, neste instante, conhecer m ais acerca da personalidade tal com o foi tratada neste estudo.
Personalidade
A análise sistem ática da p ersonalidade é histo-ricam ente um tópico de grande relevância no âm bito da psicologia, tendo, nos últim os anos, recebido especial destaque a discussão acerca das suas dim ensões princi-pais (Benet-Martínez & John, 1998). No entanto, a litera-tura brasileira acerca desta tem ática ainda é escassa, especificam ente no que diz respeito à sua análise em pí-rica (Hutz et al. 1998; Jesus, 2001; Queiroga, 2002). Adem ais, dentre os estudos em píricos que vêm sendo realizados, p oucos são os que a consideram em relação a outros construtos, com o as condutas anti-sociais e pró-sociais. Diferentes abordagens dedicaram -se ao estudo da personalidade (Allport, 1973; Hall, Lindzey & Cam pbell,
2000; Pervin, 1978). Dentre as significativas contribuições, encontram -se os escritos de Allport (1973), que advogou que o nível m ais proveitoso de estudo para a persona-lidade era o traço, dando origem a um a nova m aneira de refletir acerca deste construto. Allport considerava traço de personalidade com o sendo predisposições a responder igualm ente ou de um m odo sem elhante a tipos diferentes de estím ulos, ou seja, form as constantes e duradouras de reagir ao am biente. Suas características seriam de individualidade, natureza real, determ inação do com portam ento, ser passível de dem onstração em -pírica e possuir variações situacionais e inter-relacionais (Schultz & Schultz, 2002). Neste sentido, o traço pode ser em pregado para resum ir com o as pessoas são ou se com p ortam no seu dia-a-dia.
Baseados nesta visão, outros teóricos levaram a cabo estudos sobre a personalidade, focalizando, todavia, aspectos diferentes, com o é o caso das teorias fatoriais. Cattell foi um dos precursores no uso da análise fatorial para o estudo de variáveis m últiplas, propondo o seu m odelo dos 16-PF (Dezesseis Fatores de Personalidade), com a finalidade de obter um conjunto consistente de itens capaz de m edir objetivam ente a personalidade (Cattell & Cattell, 1995; Jesus, 2001; Queiroga, 2002).
Tod avia, n a ép oca em q ue Cat t ell realizou a análise fatorial para elaborar o seu m odelo, esta técnica ainda era bastante lim itada e o m odelo, bastante com -p lexo, o que -p ro-p iciou várias críticas, com o ob servam Hutz et al. (1998), abrindo cam inho para m uitos m odelos inovadores acerca das dim ensões da p ersonalidade, enfatizando diferentes quantidades de fatores.
Do s m o d elo s q u e vêm sen d o p ro p o st o s, o OCEAN (abertura, consciencioso, extroversão, sociabi-lidade e neuroticism o), elaborado por Costa e McCrae (1992), p rop õe cin co d im en sõ es d a p erso n alid ad e, baseando-se na análise fatorial de um a série de ques-tionários. O Big Five, m odelo em que se baseou este trabalho, tem bastante em com um com o PEN (psico-ticism o, extroversão, neuro(psico-ticism o), criado p or Eysenck (1990, 1991), e inclusive com p artilham os fatores de extroversão e neuroticism o.
O Big Five vem ganhando destaque na literatura
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evidenciando a idéia de que existem dim ensões básicas da personalidade. Por esta razão, foi adotado o m odelo do Big Five na análise deste estudo. Justifica-se, então, que este seja tam bém resum ido m ais detidam ente a seguir.
O modelo dos cinco grandes fatores
No t rab al h o in t it u l ad o La s Cin co Gra n d es Dim ensiones de la Personalidad, de 1996, Jan ter Laak faz um ap anhado histórico do surgim ento do Modelo dos Cinco Grand es Fat ores (M CGF) d a p ersonalid ad e, e com enta que as análises de correlação de diversos ins-trum entos que m edem os traços ou disposições geral-m ente indicageral-m duas digeral-m ensões, interpretadas cogeral-m o extroversão e neuroticism o.
As pesquisas correlacionais com enfoque psico-léxico, ou seja, aquelas que utilizam adjetivos de perso-nalidade, levaram a agregar outras três dim ensões, a saber: agradabilidade (sociabilidade), escrupulosidade (conscienciosidade) e abertura à m udança (Laak, 1996). Este novo conjunto de dim ensões passou a ser conhe-cido com o os Cinco Grandes Fatores de Personalidade (Cattell, 1996; Goldberg, 1981).
Desd e a p ub licação d os p rim eiros est ud os a respeito dos cinco fatores, diversos autores têm se em -p enhado em ab ordar est a quest ão cient ificam ent e, p rop ondo inclusive novos instrum entos p ara m edi-los (Benet-Martínez & John, 1998; Hofstee, Raad & Goldberg, 1992).
Falar em um m odelo com posto por cinco fato-res de personalidade significa prover um a linguagem com um p ara p sicólogos de diferentes tradições, um fenôm eno b ásico p ara os t eóricos da p ersonalidade exp licarem u m a est ru t u ra n at u ral p ara o rg an izar a pesquisa, e um guia para a avaliação com preensiva dos in d ivíd u o s, p o d en d o ser d e valo r p ara p sicó lo g o s ed u cacio n ais, in d u st riais/ o rg an izacio n ais e clín ico s (Queiroga, 2002). Todavia, m esm o seus m ais ardentes defensores não proclam am que o m odelo dos cinco fatores é a últim a palavra na descrição da personalidade, existindo disputas entre os five-fatoristas sobre a m el hor interpretação dos fatores (McCrae & John, 1992).
Costa e McCrae (1992) e Goldberg (1981) são, provavelm ente, os m aiores proponentes do MCGF, tendo com o em basam ento teórico para seus estudos a díade
genética/ am biente, e a hipótese léxica. Esta últim a é defendida com o a m elhor estratégia para entender as características da personalidade, um a vez que as pessoas tendem a ressaltar na linguagem suas diferenças m ais significativas (Goldberg, 1981). Para Goldberg, se um a característica de personalidade for saliente, ou seja, capaz de gerar diferenças individuais socialm ente relevantes, as pessoas vão notar esta característica e, por ser im por-tante, vão querer falar sobre ela. Com o conseqüência, um a p alavra ou exp ressão p ossivelm ente será criada para descrever essa característica ou traço.
Em bora haja diferenciação em relação ao supor-te supor-teórico dos isupor-tens utilizados por alguns dos autores, observa-se certa convergência acerca das etiquetas para os fatores, podendo os m esm os ser apresentados da seguinte form a: agradabilidade, fator em pregado para exp ressar a tendência de o indivíduo ser socialm ente agradável, am igável, caloroso, dócil, ou não, e em que nível isto ocorre (Goldberg, 1981); conscienciosidade, fat o r t am b ém co n h ecid o p o r escru p u lo sid ad e o u vontade de realização (w ill to achive) (Hutz et al. 1998; Queiroga, 2002), que é, no geral, um fator que agrupa traços ou características de p ersonalidade que ap re-sen t am resp o n sab ilid ad e e h o n est id ad e, em u m extrem o, e negligência e irresponsabilidade, no outro; e ab ert ura à m udança, fat or t am b ém denom inado de abertura a experiências e intelecto, que agrupa caracte-rísticas com o flexib ilidade de p ensam ento, fantasia e im aginação, ab ertura a exp eriências novas, p rincip al-m ente aquelas coal-m ual-m foco cultural (Five Factor Model, 2001; Goldberg, 1981; Hutz et al. 1998).
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Ainda que se com ente ser im provável que estes sejam os únicos fatores da personalidade, parece rele-vante considerar a organização da personalidade em term os de cinco dim ensões básicas, sendo estas úteis tanto p ara a avaliação individual, quanto p ara auxiliar os p sicólog os est ud iosos d a p erson alid ad e a com -preender outros fenôm enos psíquicos (McCrae & John, 1992).
Segundo Perugini, Gallucii e Livi (2000), o Big Five
p od e, at ualm ent e, ser consid erad o com o o m elhor candidato para representar o sistem a coordenado da estrutura da personalidade. A este respeito, observa-se q ue um núm ero consid erável d e p esq uisas t em se dedicado a estudar diversos construtos a partir do MCGF. Nestas pesquisas são abordadas, por exem plo, as rela-ções dos diferentes construtos com aspectos culturais, b uscando sab er acerca das caract eríst icas de p erso-nalidade que são universais ou esp ecíficas, dos traços em distintas culturas ocidentais e orientais (Digm an, 1990; Gouveia, Meira, Santos, Jeans & Form iga, 2001; Katgbak, Church, Cuazon-Lapefia, Carlota, Del Pilar, 2002), e dos traços em relação às diferenças de gênero e/ ou idade (Feingold, 1994; Queiroga, 2001).
Busca de sensações
Outro traço de personalidade que tem sido estu-dado é a busca de sensações. Marvin Zuckerm an, desde a segunda m etade dos anos 1960 até a atualidade, busca analisar e aprim orar a teoria deste traço (Zuckerm an, 1994). Este autor verificou que ele se apresenta em todos os indivíduos, variando apenas na intensidade, sendo observadas na faixa-etária que varia entre 16 e 20 anos (ver tam bém Kopeikin, 1997) as suas m anifestações m ais intensas.
A busca de sensações é definida por Zuckerm an (1994, p. 1) com o “Um traço que descreve a tendência para procurar sensações e experiências novas variadas, com p lexas e intensas, e a disp osição p ara correr riscos com a finalidade de satisfazer tais experiências”. Esta é ap ont ada com o um a caract eríst ica p eculiar ao ado-lescente, estando, na m aioria das vezes, relacionada com com portam entos de risco, com o, por exem plo, uso de drogas, atividades de m ergulho e de pára-quedism o, além de dirigir em b riagado (Lin & Tsai, 2002). Nest e sentido, parece clara a necessidade de considerar tal construto neste estudo.
Dentre algum as características com uns aos cha-m ados altos buscadores de sensações estão as atitudes positivas em relação à em oção ou alegria, e expressões m ais desinibidas. Assim , espera-se que a busca de sensa-ções prediga um a abertura à m udança, um a atitude re-ceptiva em relação às novas experiências, e a habilidade p ara tolerar sensações e idéias que são com um ente estranhas p ara a m aioria das p essoas. Os altos b usca-dores de sensações são tam bém considerados com o m ais sociáveis, im petuosos, assertivos, atrevidos e de-m onstrade-m de-m enos de-m edo (Aluja, 1989, 1990; Zuckerde-m an, 1983, 1994; Zuckerm an, Eysenck & Eysenck, 1978).
Para m ensurar a busca de sensações, a Escala de Bu sc a d e Sen saç ão (EBS), p ro p o st a p o r M arv i n Zuckerm an, é a m ais utilizada. A p rim eira versão surgiu em 1964, a qual continha um só fator geral, derivado racionalm ent e, ou seja, t om and o com o referência a concepção de um construto que deveria expressar. Em função das pesquisas realizadas, tiveram lugar outras versões, com postas por quatro sub-escalas, derivadas de análise fatorial: 1) Busca de Aventuras e Em oção (BEM); 2) Busca de Experiências (BEX); 3) Desinibição (DES); e 4)
Suscetibilidade ao Aborrecim ento (SAB). Em estudos com
ingleses e holandeses, corroborou-se a presença destes quatro fatores (BEM, BEX, DES, SAB), resultando na versão V da escala, com posta por 10 itens em cada fator.
Greene, Kcrm ar, Walters, Rub in e Hale. (2000) observaram que os quatro fatores de busca de sensação
estão diretam ente correlacionados com um conjunto de com portam entos anti-sociais, a exem plo de fum ar (r= 0,22, p< 0,001), p rát ica sexu al arriscad a (r= 0,15,
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Condutas desviantes, Big Five e busca de sensações
Em vário s est u d o s, t en t o u -se est ab elecer a relação en t re t raço s d e perso n alid ad e e co n d u t as desviantes. Usando o m odelo de Hans Eysenck, p or exem plo, Rom ero et al. (2001), em am ostras de estu-dantes espanhóis, encontraram que os fatores n euro-ticism o e psicoticism o se correlacionaram com condutas anti-sociais (rm éd io= 0,14 e 0,32, respectivam ente; p<0,01 para am bos). Heaven (1994), com estudantes de Ensino Méd io d a Aust rália, ob servou que o psicoticism o se correlacionou com m edidas de vandalism o (rm éd io=0,35,
p< 0,001) e violência (rm éd io=0,37, p<0,001).
No caso d o Big Five, Gullone e Moore (2000) afirm am q ue o p ad rão d e correlação d os t raços d e personalidade com as condutas anti-sociais depende dos fatores de risco que são considerados. Para eles, os traços de personalidade foram m ais eficazes para pre-dizer os com portam entos de rebeldia, e m enos os de b usca de em oção. No caso das condutas anti-sociais, o fat or neurot icism o foi o único d os Cinco Grandes a exp licá-las sat isfat oriam ent e (
β
= -0,15, p< 0,01); o fator de ext roversã o lo g ro u exp licar a b u sca d eem o ção (β
= 0,23, p< 0,001). Os result ad os a resp eit o d o fat or ab ert ura à m udança, p resent e ent re os Big Five, não aparecem com o relevantes nos estudos prévios que o consideraram . Não obstante, Gullone e Moore (2000) observaram algum as correlações com com portam entos socialm ente desviantes, com o rebeldia (r= -0,11, p<0,05) e im prudência (r= -0,15, p< 0,05). Porém , em bora positiva, sua correlação foi fraca com a m edida em pregada de conduta anti-social(r= 0,05, p>0,05).Perceb e-se, p ois, a relevân cia d os t raços d e personalidade delineados no m odelo dos Big-Five e o papel do traço busca de sensações com o construto que p ode cont rib uir p ara a com p reensão das int erações sociais, descrição e exp licação dos com p ortam entos individuais (Heaven, 1996; Heaven, Caputi, Trivellion-Scott & Sw inton, 2000). Deste m odo, verificou-se a influência d e t ais const rut os na exp licação d as cond ut as d es-viantes. Para tanto, foi considerado o m odelo dos Cinco
Grandes Fatores enfocando, especificam ente, os traços
n eurot icism o e ext roversã o, além d o t raço bu sca de sensações, com o um fator geral.
Método
Nest e est ud o, assum iu-se um d elin eam en t o correlacional, ex post facto, considerando com o variável antecedente os traços de personalidade (neuroticism o, extroversão e busca de sensações) e, com o critério, as condutas desviantes. Levando isto em conta, foram for-m uladas as seguintes hipóteses: 1)o traço de persona-lidade neuroticism o explicará diretam ente as condutas ant i-sociais; 2) o t raço d e p ersonalid ad e ext roversão
explicará diretam ente as condutas anti-sociais; 3) o fator geral de busca de sensações exp licará d iret am ent e as co n d u t as an t i-so ciais; 4) as co n d u t as an t i-so ciais predirão diretam ente as condutas delitivas.
Participaram do estudo a que se refere este artigo 755 estudantes do Ensino Médio e Superior. Do total de p articip antes, 401 (53%) eram do sistem a privado e 354 (47%) do sistem a público da cidade de João Pessoa (PB), sendo 50,3% do sexo fem inino e com idades varian-do entre 16 e 26 anos (m édia (M)= 20,21; desvio-padrão (DP)=3,12).
Instrumentos
Os p art icip an t es resp o n d eram a u m questionário com posto por três m edidas:
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extrem os: 0=nunca e 10=sem pre. Form iga e Gouveia (2003) adaptaram este instrum ento, o qual apresentou p arâm etros p sicom étricos satisfatórios; ob servaram -se índices de consistência interna (Alfa de Cronbach) de 0,91 para as condutas anti-sociais, e 0,86 para as delitivas. Usan d o an álise fat o rial co n firm at ó ria, est e au t o r com provou igualm ente a adequação desta estrutura (
χ
²/ g.l.= 1,78; GFI= 0,91, AGFI= 0,90 e RMSEA= 0,04).In ven t ário dos Cin co Gran de Fat ores da
Perso-n a lid a d e. Elaborado por John, Donahue e Kentle (1991), tam bém foi adaptado, m as por Gouveia et al. (2001). Ut iliza-se aqui um a versão reduzida, com posta por 14 it ens, sendo set e p ara cada um dos dois fat ores de in t eresse: ext ro versã o (é so ciável;ext ro v ert i d o ) e
n eurot icism o (fica n ervo so facilm en t e; p reo cup a-se m uito com tudo). Estes itens são respondidos em escala de cinco pontos, tipo Likert, com os seguintes extrem os: 1= discordo t ot alm en t e e 5= con cordo t ot alm en t e. Os índices de consistência interna (Alfa de Cronbach) desta m edida ficaram acim a de 0,70, com o segue: n eurot i-cism o (0,75) e extroversão (0,74).
Escala de Busca de Sensações (EBS). Construída por Zu ckerm an , Eysen ck e Eysen ck (1978), a versão em pregada é com posta de 23 itens, distribuídos em dois fatores: busca de aventura e em oção (por exem plo, gostaria de escalar um a m ontanha, ou gostaria de saltar de pára-quedas) e busca de experiência e excitação (por exem p lo, sint o-m e m elhor d ep ois d e t om ar alg uns copos de bebida alcoólica, ou gostaria de provar drogas que causam alucinações). Estes itens são respondidos em escalas de cinco pontos, variando de1=discordo totalm ente a 5=con cordo t ot alm en t e. Em um a am p la am ostra (> 1,000 participantes) na cidade de João Pessoa (PB), Vasconcelos (2004) com prova que os dois fatores desta m edida estão diretam ente correlacionados entre si (r= 0,38, p< 0,001), sugerindo que pode ser considerado satisfatório o índice de consistência interna geral da escala (Alfa de Cronbach de 0,87).
Além d as m ed id as list ad as, o s p art icip an t es resp o n d eram a alg u m as p erg u n t as d e carát er sócio--dem ográfico (por exem plo, sexo, idade, em que m edida se consideram bons estudant es, ent re out ras). Est as contribuem para descrevê-los, assim com o p erm it em , no caso de ser nec essário, seu controle estatístico.
Procedimentos
Inicialm ent e, as inst it uições d e ensino foram contatadas com a finalidade de solicitar a p erm issão para a realização da pesquisa. Em seguida, solicitou-se aos participantes sua colaboração para responder aos instrum entos. Estes foram aplicados de form a coletiva, em salas de aula, m as resp ondidos individualm ente. A t odos foi inform ado o ob jet ivo g eral d o est ud o e o caráter confidencial e sigiloso de suas respostas. Com o fim de m inim izar os vieses de resposta, os instrum entos foram contrab alanceados, p orém , deixando-se inva-riavelm ente a folha de dados sócio-dem ográficos no final do questionário. Em m édia, foram necessários 40 m inutos para o preenchim ento total dos questionários.
Análise dos dados
A versão 11 d o p aco t e est at íst ico SPSSWIN (Statistical Package for the Social Sciences) foi utilizada p ara t ab ulação e análise d os d ad os. Fez-se uso d o p rog ram a AMOS 4 (Analysis M om ent Structures) p ara a realização da análise do m odelo proposto.
Indicadores estatísticos para o Modelo de Equa-ções Estruturais (SEM) foram considerados segundo um a bondade de ajuste subjetiva, dada pelo
χ
2/ gl (grau deliberdade), que adm ite com o adequados índices entre 2 e 3, aceitando-se até 5; índices de qualidade de ajuste, d ad os p elos GFI/ AGFI, q ue m ed em a variab ilid ad e explicada pelo m odelo, e com índices aceitáveis a partir de 0,80; e a Raiz Quadrada Média Residual (RMR), que indica o ajustam ento do m odelo teórico aos dados, na m edida em que a diferença entre os dois se aproxim a de zero (Joreskög & Sörbom , 1989).
Resultados
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fo i d e 1,78 (DP= 1,23; am p lit u d e m ín im a d e zero e m áxim a de sete), enquanto nas condutas delitivasos participantes apresentaram um a m édia de 0,25 (DP= 0,30; e am p lit ud e d e zero a d ois). Am b as as m éd ias são estatisticam ente inferiores ao ponto m ediano teórico da escala de resposta (Md= 5), t (754)
≥
71,96, p<0,001.Em seguida, visando averiguar se existem dife-renças em relação ao gênero e à faixa-etária no que se refere às condutas anti-sociais e delitivas, foram reali-zadas análises de com p arações de m édias, esp ecifi-cam ente Análise Multivariada de Variância (MANOVA). Não fo i o b servad o efeit o d e in t eração d as variáveis sexo e faixa etária dos p articip antes, p orém , estas apresentaram efeito principal, Lam bda de Wilks de 0,91[F=35,01, p< 0,001]. Concretam ente, com relação às condutas anti-sociais, verificou-se que os p articip antes d o sexo m ascu lin o ap resen t aram m éd ia su p erio r (M= 1,96, DP= 1,33) à do grupo de m ulheres (M= 1,60, DP= 1,09), sendo esta diferença estatisticam ente signi-ficativa [F= 15,89, p< 0,001]. Quanto à faixa-etária, esta tam bém se m ostrou relevante; aqueles com idades entre 16 e 20 anos apresentaram m édia superior de condutas anti-sociais (M= 1,90, DP= 1,25) do que o fizeram os com idades de 21 a 26 anos (M=1,63, DP=1,20) [F=8,92, p<0,01]. No caso das condutasdelitivas, unicam ente se observou efeito principal da variável sexo [F= 68,66, p< 0,001], com os hom ens ap resent ando m édia (M= 0,36, DP= 0,42) superior à das m ulheres (M= 0,14, DP= 0,27).
Testagem do M odelo
A fim de lograr o objetivo central deste artigo, lem brando, testar o m odelo teórico (causal) para explicar as condutas desviantes a partir dos traços de persona-lidade (busca de sensações, extroversão e neuroticism o), co n sid ero u -se u m m o d elo recu rsivo d e eq u açõ es estruturais. Os pesos (saturações) que explicam o m o-delo proposto são expostos na Figura 1.
Com o é possível observar na figura acim a, após as d evid as m od ificações en con t rou-se um m od elo adequado, apresentando um a razão
χ
²/ gl= 2,18, com GFI= 0,99, AGFI= 0,98, RMR= 0,010 e RMSEA= 0,040. Foi observado que os pesos das variáveis consideradas nos traços neuroticism o e b usca de sensações explicaramd iret a e sig nificat ivam ent e as cond ut as ant i-sociais. En t ret an t o , o t raço ext ro versão n ão se ap resen t ou significativo na explicação de tais condutas. As condutas anti-sociais tam b ém exp licaram direta e significativa-m ente as delitivas, cosignificativa-m o o esp erado. Esta últisignificativa-m a foi influenciada pelo fator busca de sensações. Assim , foi est ab elecida um a exp licação p ara as condut as des-viantes (anti-sociais e delitivas), a partir de dois fatores (busca de sensações e neuroticism o).
Discussão
Os ob jet ivos d est e est ud o foram cum p rid os. Visava-se, prim ordialm ente, abordar o fenôm eno das condutas socialm ente desviantes apresentadas pelos adolescentes e jovens. Por ser este um aspecto deveras presente na sociedade contem porânea, m uitos estu-diosos têm se dedicado a analisá-lo (Adalbjarnardotti & Rafnsson, 2002; Engels & Bogt, 2001; Haw kins et al., 1992; Herrenkohl et al., 2000). Prim eiram ente, deve-se ter em m ente que o estudo das condutas anti-sociais e, em grau m ais elevado, das condutas delitivas, apresenta alg um as d ificuld ad es, p rincip alm ent e p ela nat ureza com plexa do fenôm eno.
As condutas desviantes são consensualm ente consideradas um p rob lem a m ultidim ensional, e seus fatores norteadores podem se apresentar com o os m ais díspares possíveis. Pode-se m encionar a influência de fat ores est rut urais, cult urais, inst it ucionais, p olít icos, econôm icos, sociais, históricos, psicológicos, biológicos, entre outros. Daí decorre a existência de pesquisadores d as m ais d iversas áreas d e co n h ecim en t o q u e se
Figura 1. Modelo teórico p ara exp licação das condutas
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interessam pela tem ática. Frente ao exposto, decidiu-se aqui verificar em que m edida, especificam ente, os traços de personalidade (neuroticism o, extroversão e busca de sen saçõ es) são ú t eis p ara exp licar as co n d ut as anti-sociais e delitivas em um grupo de pessoas que têm características particulares: o grupo de adolescentes e jovens. Pfrom m Neto (1979) coloca que m uitas das t ransgressões dos adolescent es são, p or vezes, um a am eaça à sociedade, porém , estas são freqüentem ente est im ulad as e consid erad as necessárias p ara q u e o sujeito se sinta integrado ao seu grupo.
Em relação aos resultados expostos, com o antes foram descritos, os jovens deste estudo apresentaram pontuações baixas nas m edidas de condutas desviantes. O próprio fato de terem ingressado em escolas de ensino m édio ou universidades torna m enos provável que estes jovens se envolvam em condutas desta natureza. Apesar d e est at ist icam en t e rep resen t at iva, em n úm eros, a am ostra em questão tem um claro viés. Especificam ente, considera apenas jovens que estão estudando. Ter um a at ivid ad e reg ular d e ap rend izag em t em sid o m en-cionado com o um elem ento que inib e as condutas desviantes (Coelho Júnior, 2001; Haw kins et al., 1992). Além d isso, os p art icip an t es d est e est ud o , em b o ra p ossam ap resentar com p ortam entos desta natureza, não t êm exat am ent e um hist órico de delinqüência. Tratam -se, pois, de jovens da população geral dos estu-dantes. Este aspecto se deixa transparecer quando são consideradas as pontuações m édias que estes apresen-taram nas m edidas de condutas desviantes - claram ente, m uito ab aixo do p onto m ediano da escala.
No que tange às possíveis diferenças em relação ao sexo e à faixa-etária, coerentem ente com os estudos prévios, os jovens diferiram significativam ente em rela-ção às condutas desviantes em funrela-ção da faixa etária. Os hom ens, e com idades entre 16 e 20 anos, são m ais sujeitos a apresentar estas condutas (Form iga, 2002). Esta diferença entre hom ens e m ulheres provavelm ente ocorre devido aos fatores envolvidos no processo de so cialização , vist o q u e a m en in a é ed u cad a p ara o diálogo, enquanto o m enino é educado para a ação. No caso da idade, os jovens de 16 a 20 anos se encontram em p len a ad o lescên cia, co n fo rm e a OM S (Bah ls & Ingberm ann, 2005), sendo este um período em que é alta a probabilidade de se querer provar coisas, b uscar
aventuras, realizar travessuras e rom per norm as (Coelho Júnior, 2001; Petraits, Flay & Miller, 1995).
As p rincip ais indicações do m odelo p rop osto revelam o poder de explicação dos traços de perso-nalidade. Ob servou-se que os t raços neurot icism o e busca de sensações foram os únicos no m odelo que predizem satisfatoriam ente as condutas anti-sociais de form a direta; neste sentido, o traço extroversão não colab orou na exp licação de tais condutas. As p essoas que ap resentam alta p ontuação no traço neuroticism o são, geralm ente, ansiosas, tensas e em otivas. Têm alta prob ab ilid ad e d e ap resen t arem p ro b lem as n a su a aut o-est im a. De acordo com Benet -Mart ínez e John (1998), este traço põe em destaque os afetos negativos dos sujeitos, os quais incluem tristeza, irritab ilidade e tensão nervosa. Daí, pode se verificar a sua relevância para explicar as condutas em questão, pois, m uitas vezes, as p esso as, p o r ap resen t arem est as caract eríst icas, diferenciam -se do p adrão de com p ortam ento que é socialm ente esperado, podendo, então, ser percebidas e p erceb erem a si m esm as com o anti-sociais.
O segundo traço que se m ostrou relevante no m odelo foi a busca de sensações. Com o dito, este reflete a caract eríst ica d e q uerer b uscar n ovas e in t en sas exp eriên cias. No m od elo t est ad o, o t raço exp licou diretam ente as condutas anti-sociais, sendo o traço com m aior p eso fatorial no m odelo. Estes achados corro-boram os estudos que tratam da relação entre a busca de sensações e os com portam entos de risco. A despeito, Lin e Tsai (2002) encont raram que t ant o com p ort a-m entos de risco sociala-m ente aceitáveis (coa-m o é o caso de pára-quedism o e atividades de m ergulho), quanto os não aceitáveis (p or exem p lo, dirigir em b riagado e usar drogas) estão diretam ente relacionados a altas pontuações em busca de sensações.
Est es ac h ad o s c o n f i rm am o q u e ap o n t a Zuckerm an (1983; 1994) acerca dos altos buscadores de sensações. Para este autor, eles têm algo de anti-social em seu senso, o que faz com que seus com portam entos estejam baseados em sua própria vontade, ao invés das convenções sociais ou das vontades de outrem . Ade-m ais, eles são não-conforAde-m istas e valorizaAde-m situações de risco.
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condutas anti-sociais e delitivas (Heaven, 1996). Contudo, o traço busca de sensações parece ser m ais relevante neste contexto, um a vez que revela padrões de condutas in t im am en t e relacio n ad o s co m a p o ssib ilid ad e d e assum ir riscos.
Finalm ent e, cab e d est acar a necessid ad e d e novos estudos que abordem a tem ática em questão. Neste sentido, é im portante considerar outras variáveis apontadas pela literatura com o úteis à análise deste fenôm eno no qual, cada vez m ais, est ão envolvidos crian ças, ad olescen t es, joven s e ad ult os, at in g in d o diversas classes sociais e níveis de escolaridade.
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Recebido em : 27/ 7/ 2006
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