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OCeticismoProbabilísticoeaPsicologia
ArnoEngelmannUniversidadedeSãoPaulo
RESUMO-Oartigoapresentaumapesquisapsicológicanaqualsujeitoshumanossemanifestampormeioderelatosverbaisa questõeschamadasdeilosóicas.Nocasopresente,asperguntasreferem-seaalgunsfundamentosdadoutrinacéticaprobabilista. Ossujeitosforam46pessoasqueassistiramàminhaconferência,durantea31ªReuniãodaSociedadedePsicologia,noRiode Janeiroem2001.Ométodoconsistiaemduasperguntasescritasdotipoverdadeiro-falso.Osresultadosconirmaramminhas hipótesesquenãoexistesemelhançaentreaconsciênciaimediatadosujeitoeasconsciênciasdeoutraspessoaseque,além disso,cadaconsciênciaimediataédiferentedaprópriaconsciênciadeumminutoatrás.Maistarde,interessadosnoassunto poderãorealizarpesquisasmaisbemelaboradas.Emsegundolugar,oartigoapresentaashipótesesbásicasquefundamentam oceticismoprobabilístico,bemmaisdiscutidasdoqueemoutrosescritosarespeito.Chamodehipótesesbásicasashipóteses iniciaisnasquaissebaseiamasinúmerashipótesescientíicasempíricasposteriores.
Palavras-chave:Psicologia;Filosoia;ceticismo;ciênciaempírica;hipótese.
ProbabilisticSkepticismandPsychology
ABSTRACT-Themaincriteriathatcharacterizeresearchesinwhichphilosophicalprinciplesaremanifestedthroughhuman psychologicalverbalreportsareanewrealmofknowledge.Anexamplecouldbethepresentcase,wheresomeresultsfrom probabilisticskepticdoctrinewerereferredaspositiveornegativebyhumansubjects.Forty-sixpeoplethatlistenedtomy 2001RiodeJaneirolecturewerethepsychologicalsubjects.Twotrue-falseitemstophilosophicalquestionsweretheonly methodologicalprocess.Theresultsabout(1)thenonexistenceofsimilaritybetweeneachsubject’simmediateconsciousness andtheconsciousnessofothersand(2)thedifferencebetweenthesubject’simmediateconsciousnessandhisoneminute consciousnesspriortoimmediateconsciousnessconirmedmyhypotheses.Furtherresearchesaboutsimilarbutbetterdone philosophicalquestionscouldbelaterundertaken.Inthesecondplace,Idiscussbetterthefundamentalprobabilisticskepticism
basichypothesesthanIdidinotherwritings.Icallbasichypothesestheinitialhypothesesthatmarkafoundationfornumerous laterempiricalscientiichypotheses.
Keywords:Psychology;Philosophy,skepticism;empiricalscience;hypothesis.
Otítulodomeuartigoé“Oceticismoprobabilísticoe apsicologia”.Psicologiaéumtermobemconhecidopara prováveisleitores.Entretanto,ceticismoprobabilísticopode parecerestranho.Éumadoutrinailosóica.Deacordocom oceticismo, o ser humano nunca pode chegar a verdades absolutas.Deacordocomoceticismoprobabilístico,oser humanonuncapodechegarapossuirum conhecimentore-almenteverdadeiro,aindaquesejacapazdeseaproximar desse ponto na medida em que aumenta a probabilidade subjetivadesseconhecimento.Umoutronomeéceticismo mitigado.Porexemplo,sabe-sedeinúmeras,masmesmo inúmeras,observaçõesemqueaTerraapresentaumaforma maisoumenosesférica.Porém,pormaiorquesejamestas observações,hásempreaeventualidadedeseencontrara negaçãodessaverdade.Qualquerserhumanoqueolhapara fora vê uma parte desse mundo, não como esférico, mas comoplano.Énecessárioquesevejaodesaparecimentode naviosqueseafastamnomar.Nessecaso,oinícioépelo cascoeotérminopelapartesuperior.Aíteremosumaprova simplesqueasuperfíciedaTerrapareceseresféricaenão plana.Sabe-se,hojeemdia,queaTerrapodeserfotografada delongeapartirdeumsatéliteartiicialeparecerumabola
azul.Entretanto,houveumpensadorrelativamenterecente naAlemanhanazistaqueacreditavaque,apesardasuperfície daTerraparecerconvexa,serianarealidadeumasuperfície côncava.ATerraseriaoenvoltóriointernodeumabolaque contenhadentrodelatudooquenormalmenteachamosfora daTerra:oUniverso.
Oiníciodequalquertipodeceticismoésempre,domeu pontodevista,aexperiênciaimediatadeTolman(1935/1951) ou,utilizandooutraspalavras,o“isto”ouomeu-mundoou aconsciência-imediataemmeustextos(Engelmann,1997a, 2001).“Experiência”notextodeTolmanedemuitospsicó-logosdaépocaerasinônimode“consciência”.Entretanto, pelousohomônimodapalavra“experiência”comsentidode observaçãocontrolada,oprimeirosentidofoiabandonado, principalmentepelospsicólogos.
“Isto”éonomequeuseiparadenominaraquiloqueé, aquiloqueimediatamenteé.“Isto”éoconhecimentoabso-lutamenteverdadeiro.Portanto,seriaumaparterealistaenão céticadomeupensamento.Entretanto,aduraçãodo“isto” émínimaealémdissonãoseproduziriaemoutraspessoas. Orestotodoérealmentecético.“Fora”éesserestoquenão cabenadeiniçãode“isto”(Engelmann,1997a).
comoacordouhojedemanhã,vocêpodepensarnocaminho quevocêfaráquandoacabardeleropresentetexto.Tudo issoépartedoseu“isto”.Comopartedo“fora”,vocênão conheceabsolutamentenada.Entretanto,comopossodizer que você não conhece absolutamente nada, se você pode pensar,pelomenos,emocorrênciasquesedãoforadevocê? Sevocêpensaremalgumacoisaforadevocê,essaalguma coisa,essalembrançasetornapartedoseu“isto”.Somente sãopartesdo“fora”ocorrênciascomaquaisvocêsnãotêm qualquermododerelaçãonomomentopresente.E,sevocê nãotêmqualquermododerelaçãocomaspessoas,animais, plantasouobjetos,entãonãoconhecedissoabsolutamente nada.Éevidentequesevocêselembraagoradealgumfato quevocêantesnãolembrava,estalembrançaatualsuanão vaifazerpartedo“fora”masdo“isto”.
Comoo“fora”ocupaumaparteenormediantedamini-minúsculapartequecorrespondeao“isto”,acheimaistarde chamar o “fora” deresto-do-mundo e, por conseqüência, o“isto”demeu-mundo(Engelmann,2001).Entretanto,o “isto”,oprimeironome,émaiscorreto.Meu-mundoseria umtermoquequaliicaomundocomomeu.Equaliicá-lo de meu já pode supor um mundo-não-meu. Realmente, a palavra“isto”nãosupõeessaalternativa.
Ainda,demaneirasemelhanteaTolman,dividiacons-ciênciaemduas,e,demododiferentedeTolman,chamei ambasdeconsciência:aconsciência-imediata,idênticaao “isto”oumeu-mundo,eaconsciência-mediata ,queéconhe-cidaparaumobservadoratravésdamediaçãodeoutraspartes. Essamediaçãopodeseraprópriamemória— consciência-mediata-do-observador—ouemprimeirolugarapartedo observador,aseguiroarcircundanteeinalmenteapartedo animalhumanoounão-humanoqueapresentaconsciência —consciência-mediata-de-outros .ParaTolmanoquecha-meideconsciência-imediataeledenominoude“impressão crua”em1932ede“experiênciaimediata”em1935;para Tolmanoquechameideconsciência-mediataeledenominou simplesmentede“consciência”(Engelmann,1997a,2001; Tolman,1932/1960,1935/1951).
Aconsciência-imediata(1)éumaconsciênciaindividual, nãocoletiva,e(2)apresentaumaduraçãomomentânea.É assuntodeilosoiaenãodepsicologia,umadasciências empíricas.
Qualadiferençaentreasciênciasempíricaseailosoia? Édifícilapresentarumaexplicaçãoadequadaparatodasas partesconstituintes.Entretanto,háumpontocomrelaçãoao qualasduasdivergem.
Basicamente,numaciênciaempíricaobserva-sedetida-mente um acontecimento e teoriza-se sobre o observado. Aobservaçãonuncaéúnica.Aocontrário,háumasériede observações, cada qual ocorrendo em inúmeras consciên-cia-s-imediata-s.Essasinúmerasconsciências-s-imediata-s evidentementepertencemaumobservador;mas,alémdisso eémuitoimportante,sãotambémdeoutrosobservadores. Aciênciaempíricaéefetuadapordiversosobservadores,a nãosersituaçõesparticularesquepodemreduzironúmero deobservadoresasomenteum.Seforpermitidopelotipode ciência,pode-seutilizaresquemasexperimentais.Nessetipo deesquemaháumcontrolegrandedasvariáveisindependen-tesquepodemagirsobreaobservação.Asconclusõessãoo resultadodointercâmbioentreteorizaçãoeobservação.
Oilósofo,aindaquecomeceaproduzirapóspassarpor umbomconhecimentodesuaárea,nãonecessitarealizaras observaçõescomunsnasciênciasempíricas.Aobradeum ilósofoéobracompletamentesua.Noentanto,hácientistas empíricosquefazem,devezemquando,ilosoiaeháilóso-fosquefazem,devezemquando,ciênciaempírica.
Háinúmerasquestõesquesãoapresentadasporilóso-fos.Essasquestõessãorespondidasporoutraspessoasque seinteressamporilosoia.Creio,entretanto,quesehouver umenquadramentopsicológicoadequado,essasperguntas serãorespondidasnãoapenasporoutraspessoas,maspor sujeitos.Sujeitoéonomequesedáaoorganismohumano ou não-humano numa dada situação estimulatória e que, porconseqüência,dáorigemaoespecíicocomportamento (Fraisse,1963;WoodwortheSchlosberg,1938/1954).
Asperguntassãodeteorilosóico.Ossujeitossãoseres humanos.Osobservadoresestãointeressadosemfatosque ocorrem nas consciências-mediatas-de-outros dentro das pessoas.Oscomportamentosatravésdosquaissevaiinferir oqueocorreunessessujeitosutilizamumaespéciede indi-cadordeconsciênciachamadoderelato,istoé,aqueleque apresentaumaestruturasemelhanteàquiloqueérelatado. Osrelatossãoverbais,istoé,aquelesquesevalemdeuma línguanatural.Amaneiradeexprimi-lossãorelatosverbais gráicos, isto é, aqueles que utilizam a linguagem escrita (Engelmann,1997b).
Como um exemplo de tal observação psicológica de natureza ilosóica, mandei distribuir aos que assistiam à conferêncianaqualbaseeiopresenteartigoduasperguntas. Evidentemente,nãocontroleiaprovávelinluênciadoco-nhecimentoilosóicooupelomenosdograuemquetiveram taistiposdepensamentosgerais.Nãocontroleiasalaemque aspessoasresponderam.Nãocontroleiotempodadopara aresposta.Portanto,nãopossoacharosresultadoscomple-tamenteconiáveis.Combomcontroledasperguntaseda situação,esperofuturamenteummeioparacreremmuitas airmações ilosóicas que, no caso, seriam captadas por meiospsicológicos.
Apesardetodasasfalhas,possoapresentarosresultados obtidos.Duasperguntasforamrealizadasacercadaconsci-ência-imediata: uma acerca da identidade da consciência-imediataedealgumasconsciências-mediatas-de-outros;e asegundaacercadaidentidadedaconsciência-imediatae daconsciência-mediata-do-observadordeumminutoatrás. As respostas possíveis eram “Sim” ou “Não”. Sessenta e cincosujeitosresponderam.Quarentaeseisforamdesexo feminino,17domasculinoe2deixaramoespaçoembranco paraaidentiicaçãodosexoedaidade.Aidademédiados 63foi30,59anos,variandoentre18e65anos.Naprimeira pergunta,86,2%responderam“Não”,19,8%responderam “Sim”; na segunda pergunta, 96,9% responderam “Não”, 3,1%responderam“Sim”.Submetendoosdoisresultados aotestenão-paramétricodabinomial,ashipótesesaceitassão altamentesigniicativasemambososcasos.VejaoApêndice sobreapesquisa.
verdadeabsolutamentecertaforadoeumomentâneo.Uma formadedogmatismoéorealismo,talcomofoiexpostopor ilósofosdosúltimosdoisséculos:aexistênciadoUniverso éverdadeira.Oceticismopodeserprincipalmentepirrônico ouprobabilístico.Deacordocomoceticismopirrônico,há suspensãodejulgamento,qualquerquesejaaocorrência. Deacordocomoceticismoprobabilísticooumitigado,além dasuspensãodejulgamento,haveráocorrênciascujaproba-bilidadeémaioreocorrênciascujaprobabilidadeémenor, baseadonafreqüênciaanteriordasocorrênciasounacrença queseouvemouselêemarespeito.
ÉinteressantequemeuceticismosejavistoporPopkin (1967)comoextremo,namedidaemqueseoriginasempre daquechamodeconsciência-imediata,ecomomitigado,no usodeumaversãodeprobabilismo.Probabilismosebaseia naobradeCournot.Esteautorchamavaaprobabilidadeem questãodesubjetivaouilosóica.Nomomentopresente,a probabilidadesubjetivapode-semostrarcomumaconvic-çãoinquebrantável.Entretanto,seocritérioparaaceitá-la se altera, por conseguinte muda a probabilidade subjetiva (Cournot,1851/1975).
Paramimaprobabilidadesubjetivapodeadquirirqual-quervalor,anãoserovalormáximoouovalornulo.Os valoresapresentam-senumaescalademensuraçãoordinal. Umaprobabilidadepodesermaioroumenordoqueoutras. Sehouverváriasprobabilidadesdeobjetos,entãoasproba-bilidadespodemserpostasnumaescalaordinal.Entretanto, alémdaordemdasprobabilidades,adistânciarelativaentre elasnãoexiste.Nãoéumaescalaracional,istoé,anormal utilizadaemaritmética,nemumaescaladeintervalos,como a da temperatura centesimal. Exemplos de escala ordinal seriaosistemadegrausdosistemamilitar,istoé,noexército brasileirocabo<sargento<tenente<major<coronel<ge-neral;adurezademineraispelaescaladeMohsnaqualum mineralsuperiorriscatodososinferiores;aagradabilidade deodores;etc.(Engelmann,1997a;Stevens,1951).
Hipótese para Lalande, no seu conhecido “Vocabulário TécnicoeCríticodaFilosoia”,éuma“proposiçãoadmitida, independentementedaquestãodesaberseelaéverdadeira oufalsa,...”(Lalande,1926/1993,p.466).Porexemplo,uma ocorrência comum é que uma moeda largada no ar cai no chão.Ahipótesemaisfreqüente,hojeemdia,édagravitação universal.Entredoiscorposexistiriasempreumaatraçãotal queaforçaseriadadapelamassadeumvezesamassadooutro divididapeloquadradodadistânciaentreelesemultiplicada pelaaceleraçãodagravidade.Descontandooarentreeleseo fatodamassadaTerraserimensamentesuperioràmassada moeda,aaceleraçãoserárealmentefunçãodagravidade.Antes dessaexplicação,eracomumaceitar-seahipótesearistotélica. Haveriaqualidadesdiferentesdematéria:oscorpospesados caiamparaaTerraeparaocentrodoUniverso;oscorpos levessubiamparaacircunferênciadoUniverso.OUniverso paraAristóteleseraesférico;aTerraeraocentro;asestrelas, apartesupericial.Amoedaseriaumcorpopesadoeporisso cai.OsacontecimentosdoUniversosãoexplicadosatravésde hipótesesecadahipóteseéumaexplicaçãoàqualumindivíduo dámaioroumenorprobabilidadedeaceitação.
Oiníciodaexplicaçãocéticaprobabilistaéumaverdade. Entretanto,essaverdade,comojádissemos,éindividuale momentânea. Muda de momento para momento. Como
explicaroUniversodasciênciasempíricas,baseando-seno individualmomentâneo?
Baseei-meemcertashipótesesbásicasque,domeuponto devista,explicariamapassagemdoindividualmomentâneo aocoletivogeral,característicadaciênciaempírica.Seriam anterioresahipótesesmaisespecíicas.Presentemente,acho queonúmerodelaséoito.Pretendoapresentá-lasemordem deprioridade.
Antesdecontinuar,querodeinirmaisalgunstermosque serãoutilizados.Fenômenoéqualquerocorrênciano“isto” oumeu-mundoouconsciência-imediata.Acontecimentoé qualquerocorrênciano“fora”ouresto-do-mundo. Ocorrên-ciabaseia-seounofenômenoounoacontecimento.
OUniversoqueapessoaconhececomoverdadeabsoluta resultanumaespéciedesolipsismo.Masnãoéosolipsismo comum;éoqueRussellchamoude solipsismo-do-momen-to: o “isto” no momento que existe. Sem a aceitação das hipótesesbásicas,éumsolipsismometafísico,istoé,aúnica realidade.Osolipsismo-no-momentoseriamelhordeinido simplesmente como “o momento que existe”, nada mais. Russellcrêquepsicologicamenteéimpossívelcrernoso-lipsismo-do-momento.AchoqueRussellapresentaenorme razão nesta impossibilidade de crer. Entretanto, e isso de acordocomomesmoRussell,éimpossívelnegarpormeio dedutivoacrençanarealidadedosolipsismo-do-momento (Rollins,1967;Russell,1948).
Husserl(1950),aindaquefosseumopositordequalquer ceticismo,naépochêoureduçãofenomenológica,parteda desconexãodomundocircundantenaturalparachegarauma realidade“entreparênteses”.Husserlachaqueareduçãoé absolutamentenecessárianocaminhodachegadaàsessências (Lyotard,1954/1967).Semfalarnasessênciashusserlianas, creioque—aocontráriodocaminhodeHusserlpartindo domundonaturalparachegaraomundoreduzido—esse mesmocaminhodevesertrilhado,masemsentidocontrá-rio.Deve-separtirdo“isto”echegar,apósaaceitaçãodas hipótesesbásicas,aomundonatural.
Porque não veriicar a origem das percepções e dos pensamentosnopassadodossereshumanose,aocontrário, acharqueopresentedaconsciência-imediataseráoinício? Nopresente,éfreqüentepensarnaorigemdaquiloquenão ocorreagora.Porémsemprequeeupensonaorigemdopen-samento,essaorigeméumaquestãoquefaçoagora,nãoé umaquestãoqueseoriginanopassado.Esendoagora,esse agoraéoiníciodaquelepensamento.
A nossa ciência empírica apoia-se no tempo. E nossa compreensão do que ocorre apoia-se exclusivamente no tempo.Noentanto,amaneirapelaqualseutilizaessacom-preensãobaseia-senumacapacidadedemuitosanimaisna qual,peloquesabemosdossereshumanos,ocorreapenas presentemente.Portanto,cadavezqueocorreéaconsciência momentânea,éaconsciência-imediataou“isto”.
Voltemosagoraàshipótesesbásicas(vejaFigura1). Aprimeirahipótesebásicaéadaduraçãoousolipsista. Airmaquealémdaduraçãocurtíssimado“isto”,existem “fora-s”queanteriormenteforam“isto-s”.Umaoutrama-neiradeairmarestefatoédizerqueaprimeirahipóteseé solipsista.
Parecequeelanãoénuncaquebradaparaapessoaqueatem, anãoserporinterrupçõesduranteosono.Entretanto,mesmo osonosenãoestiversinalizadoparaapessoaquedormiu, passarásemapessoasaberquehouveumainterrupção.James imaginouqueopresenteécomoaluzdeumpirilampo.O presenteestáemcontínuamudança.Aluzdopirilampoocupa umespaço,masesseespaçomudacontinuamente.James, comotodosnós,faladotempoimaginandoumespaçopara explicá-lo. É a maneira com que representamos o tempo. Masseráamaneiracorreta?Nãosabemos.Aúnicacoisa quesabemoséqueumapartedenossaconsciência-imediata estásetornandocontinuamenteumpassadorecente(James, 1890/1950;1892/1961).
Sevocêestánumaconsciência-imediata—eevidente-mente as pessoas conscientes estão sempre numa consci-ência-imediata—,quandoseráqueaconsciência-imediata começaequandotermina?Aspessoasnuncasabemquando issoocorre.Entretanto,quandoumaocorrênciaépassada hábastantetempo,possosaberdisso.Semelembrodeuma ocorrênciapassada,tenhonomomentoumalembrançado passado. E a lembrança não é uma ocorrência passada, é umaocorrênciapresente.Podenãoseassemelharaopas-sado.Inclusive,podenãohaverumpassadonoqualteria existido,aindaqueatualmentesejaumalembrança(Loftus eKetcham,1994).
Semprequeouçomúsica,éapenasumtrechodapeça. Entretanto, a estrutura da peça musical é maior do que o momentodo“isto”.Comoissoocorre?Éumaquestãodifí-cilderesponder.Semprequesevaiprocurarsaberoquese ouve,éum“isto”comaestruturamusicalquesedesenvolve. Comosedá?Nãosei.
A segunda hipótese básica é a dos “foras-não-partes-do-eu”.Airmaquealémdos“fora-s”quenummomento anteriorforamum“isto”,existemtambémos“foras”que nuncaforamum“isto”.Seo“eu”forconstituídopelo“isto” epelos“foras”queforamanteriormente“isto”,asegunda hipóteseairmaaexistênciados“foras”quenuncacompu-serampartesdo“eu”.Entretanto,nãoseisenestemundo hápessoasouseháseresvivosousehápelomenosapenas substânciasminerais.Osolipsismo-do-momentoemesmo osimplessolipsismosãosemprehipóteses,mascomuma probabilidadeextremamentepequena.
Aterceirahipótesebásicaéadaconstituiçãocomum.(a) Airmaquedeformasemelhanteamimquetenhoum“isto”, hános“foras”algunsqueseexpressamdamesmaforma queo“isto”.Sãoos“pseudo-istos”.(b)Alémdisso,airma quecada“pseudo-isto”apresentaoseu“pseudo-fora”.Este “pseudo-fora”seriaigualao“isto”maiso“fora”menoso “pseudo-isto” em questão. (c) Finalmente, a constituição seria comum entre o “eu” e os diferentes “pseudo-eus”, sendo formado cada “pseudo-eu” por um “pseudo-isto” e seucaracterístico“pseudo-fora”.
A constituição comum lembra a intersubjetividade de Husserl (1954) e de Merleau-Ponty (1945). Entretanto, HusserlcomoMerleau-Pontypartemdorealismo.Aminha explicação, ainda que de certa forma mais complicada, é cética.Hápoucotempo,NelsonCoelhoJr.(2002)criticouo meuceticismo,lembrandooperceptoduplodeumapessoa queaotocarcomamãodireitaasuamãoesquerda,percebe deumladooperceptodesuamãoesquerdarelativaàsuamão direitaedeoutroladooperceptodesuamãodireitarelativa àsuamãoesquerda,baseadoistoemHusserl(1952)e,daí, emMerleau-Ponty(1960).Essesperceptosalternadosduplos seriamfenômenosquedestruiriamoceticismo.Respondique atotalidadedopercepto,enãoosdoisperceptoscadaum, podeestarerrada.Possosonharquehádoisperceptos,posso possuirailusãodequehádoisperceptos.Apesardisso,acor-respondênciaentreofenômenodo“isto”eoacontecimento do“fora”podenãoocorrer.Atéagora,todososargumentos quelicontraoceticismopadecemdomesmocontra-senso (Engelmann,2002a).
A quarta hipótese básica é a dasemelhança entre o “fora-não-parte-do-eu”,deumlado,eos“pseudo-foras-não-partes-dos-pseudo-eus”,deoutro.Airmaqueo“fora” externodecadapessoa,sejaeumesmoousejam“eus”de outraspessoas,pareceomesmo.Porémasemelhançanão éamesmacoisaqueidentidade.Hásempreapossibilidade deduaspercepçõesdoUniversonãoseremexatamenteas mesmas.Apesardetudo,aciênciaempíricasevaledessa semelhançaparaprosseguir.
AquintahipótesebásicaéadacompreensãodeKante Einstein .Airmaqueosacontecimentosdo“fora”sãoorde-nadosdeumamaneiracompreensívelparaoobservador.Sua origempróximaédevidaaAlbertEinstein.Éacompreensibi-lidadenaproduçãodeumaordemgeral.Éasemelhançaentre aordemdoUniversoeaordemquepodesercompreendida pelaconsciência-imediata.Éumasériederelaçõesgeraisque podemserconhecidas.“...omundodenossasexperiênciasé compreensível.Ofatodesercompreensível”,deoutrolado, “éummilagre”2.ComoEinsteinoreconheceu,aofalardesse fatofoiinluenciadoporKant(Einstein,1936/1956).
Essa ordem compreensível pode serelementarista ou podeseremparteelementaristaeempartegestaltistaou podesertotalmentegestaltista.Aordemelementaristajulga queoUniversoéconstituídodepartículaselementaresin-dependentesqueseunem.Aordemgestaltistajulgaqueos todosougestaltensesubdividemempartes,masqueserão partessempredagestaltoriginadora(Engelmann,2002b).Os trêstiposdeordenscontamcominúmerosinvestigadores.
HipótesesdeFundamentoOntológico
1. Hipótesesdaduraçãoousolipsista 2. Hipótesedos“foras-não-partes-do-eu”
3. Hipótesedaconstituiçãocomum
4. Hipótesedasemelhançaentreo“fora-não-parte-do-eu”,deum lado,eos“pseudo-foras-não-partes-dos-pseudo-eus”,deoutro
HipótesesdeFundamentoCientíicoEmpírico
5. HipótesedacompreensãodeKanteEinstein
6. Hipótesedadivisãodosacontecimentosemfatuaiseteóricos
7. Hipótesedadivisãodosacontecimentosfatuaisemsupericiaise profundos
8. Hipótesedadivisãodosacontecimentosfatuaisprofundosem dinâmicoseestáticos
Figura1.Hipótesesbásicas.
Asdiferençassãotratadasdepoisdeaceitasasoitohipóteses básicas.Oimportanteéqueaordem-elementarista,gestal-tistaoumista-écompreensível.
Asextahipótesebásicaéadadivisãodosacontecimentos emfatuaiseteóricos.Airmaqueháacontecimentosfatuais oufatos,inferidosapartirdefenômenospassivosproeminen-tesefenômenosativosnão-proeminentes,eacontecimentos teóricosouteorias,inferidosapartirdefenômenosativos proeminentesefenômenospassivosnão-proeminentes.
Podem-secitarcomoexemplosdeacontecimentosfatu-ais,a“janeladomeuquartodedormir”,um“siri”,um“átomo decarbono”,“D.PedroII”3.Exemplosdeacontecimentos teóricossão“doisgruposderatosqueforamreforçadosna mesmaquantidadedereforço,porémdeacordocomdois padrõesdiferentes:padrãode100%epadrãode50%”oua “leidepotênciadeS.S.Stevens”oua“teoriadarelatividade geraldeEinstein”.
Asétimahipótesebásicaéada divisãodosacontecimen-tosfatuaisemsupericiaiseprofundos.Osacontecimentos fatuaissedividememdois:aquelesqueoobservador,feitaa primeirainferência,percebediretamenteacontecimentosque chamodesupericiais;eaquelesnaqualoobservadorrealiza uma segunda inferência tendo como base acontecimentos supericiais,equechamodeprofundos.
Osobservadoressemprerealizamobservaçõescientíi-castendoemvistaacontecimentosprofundos.Entretanto, osperceptíveissãosempreacontecimentossupericiais.A buscadeacontecimentosprofundosinclusivepodeabranger acontecimentosqueparecemàprimeiravistasupericiais. Porexemplo,umzoólogoestáinteressadonacordaspenas deumaespéciedepato.Aobservaçãodeumúnicoaconte-cimento supericial não é de maneira nenhuma cientíico. Seránecessáriorepetiraobservaçãoumnúmerodevezestal queoresultadopossaserconsideradoadequado.Osacon-tecimentossupericiaisdaspenascoloridasquasesemprese dãodentrodeumpadrãomaisoumenosexatodiferentedos acontecimentossupericiais.Aconseqüênciaéoaconteci-mentoprofundodacordaspenas.
A oitava e última hipótese básica é a dadivisão dos acontecimentosfatuaisprofundosemdinâmicoseestáticos. Airmaqueosacontecimentosfatuaisprofundospodemser divididosemdinâmicosluidoseestáticosduráveis.
Realmente,todososacontecimentosdoUniversopare-cemsersempre,emúltimaanálise,dinâmicos.Entretanto, háacontecimentostãolentamentemodiicadosqueémelhor dar-lheonomedeestáticos.Inclusive,adinâmicaétãolen-taqueapassagemdeseresvivosocupaapenasumaparte pequenadesuaexistência.OUniversoapresentaumaboa partedeacontecimentosestáticos.
Evidentemente, na medida que as oito airmações são hipotéticas,qualquerumadelasapresentapelomenosuma hipótesedeteorcontrárioàanterior.Assim,alémdahipótese básicadaduração,háahipótesebásicadosolipsismo-do-momento. Airma a existência apenas do “isto”. Além da hipótesebásicadasemelhançaentreo“fora-não-parte-do-eu”eos“pseudo-foras-não-partes-dos-pseudo-eus”,háduas outrashipótesesbásicas:adaidentidadee,deoutrolado,a
dadiferença.Alémdahipótesebásicadadivisãodosacon-tecimentosfatuaisemsupericiaiseprofundos,háahipótese básicadaausênciadadivisãodosacontecimentosbaseados emsupericialidadeeprofundeza.
Ashipótesesbásicassãoontológicas ,asquatroprimei-ras,ecientíicasempíricas,asquatrorestantes.Ashipóteses básicasontológicasprocuramchegaraoiníciodoconheci-mento.Começamcomo“isto”eterminamcomumconjunto desereshumanosaperceberemumambiente.Ashipóteses básicascientíicasapresentamasexigênciasdeumaciência empírica.
Porquêdenomineiasquatroprimeirashipótesesbásicas deontológicas?Introduzinoâmbitocientíico,maisexata-menteemsereshumanos,conceitosilosóicos.Eporquê? Porteremessessereshumanosacapacidadedeconscien-temente realizarem perguntas em relação ao Universodo qualsãopartes.Essasperguntasfeitasdemaneiracuidadosa podemdarorigem,emúltimocaso,apesquisascientíicas. Mascadaumadessasperguntaséfeitaporumserhumano. Esseserhumanoprecisafazerperguntasquetraduzemasua relaçãoilosóicadiantedoUniverso.Essarelaçãochamei deontológica.Ontologiaéumamaneiradeconheceralgo sobre as coisas em si. A minha ontologia é, em primeiro lugar,céticae,emsegundolugar,probabilista.Asperguntas sãosobreoUniversoe,dentrodoUniverso,tambémsobre sereshumanos.
Nãoseiemqueinstanteaaceitaçãodehipótesesbásicas dãoorigemaorealismonãoingênuo.Maséimportantedizer queorealismosetornaválido.Masé válidoapenascomohi-pótese,aindaqueahipóteseseráaltissimamenteprovável
Naminhaconcepçãodeciência,asoitohipótesesbási-cassãoabsolutamentenecessárias.Seaceitas,umnúmero enormedeoutrashipótesesconstróiaciêncianatural.Há hipótesessobrearealidadedeacontecimentos,como“um lápisquevejonaminhamesa”,atéhipótesesamplíssimas, comoa“teoriadaevoluçãodeDarwin”.Háhipótesesbem fortes,como“aTerragiraremtornodoSól”,atéhipóteses bemfracas,comoa“teoriadatransmigraçãodasalmas”.
Aceitando-seateoriageraldesistemas,nosseresminerais enosseresvivosháníveis.Nocasodosanimaisumdosníveis correspondeaoanimalcomoumtodo.Deacordocomigo,o nomepodeseroudeorganismooudemente .Ambasaspa-lavrassereferemaomesmoacontecimento(Farthing,1992; Miller,1978).Entretanto,onomedementeéseuusopresentee nãoautilidadetradicionalemquefoisinônimodeconsciência ou,deempregomaisantigoainda,dealma.Osorganismosde muitosanimaisapresentamumapartecomrelaçãoàqualé possívelentreterahipótesedoconhecimento.Deacordocom essahipótese,existealgoque,emgeral,correspondeauma partedopróprioorganismoepartedoambiente.
objetividaderequerpelomenosserpercebidapordiversas consciências-mediatas-de-outros.Eaexistênciadediversas consciências-mediatas-de-outros solicita a não existência apenasdeumaconsciência-imediata.Entretanto,épossível captaraduraçãodotempopresentedeoutraspessoashuma-nas.Essetempopresentevariaaoredordedoisemeioetrês segundoserecebeonomedepresentepercebidoouagora (Fraisse,1957/1967;Pöppel,1985/1988).
Como conceber um tempo que duraria em média a consciência-mediata-de-outroshumana-3segundos-sea percepçãodeacontecimentosémuitomaior?Umdiscurso deumoradoréemgeralmuitomaiorque3segundos;uma músicaémuitomaiorque3segundos;aspessoaspodem andarporumtempobemmaiorque3segundos.Qualavan-tagemparaospsicólogosreduziremoagoraaumaduração tãoreduzida?
Paramim,comoexemplobemsigniicativo,oagoranão abarca a maioria das percepções. Percebo as gestalten no resto-do-mundo e grande parte das gestalten seriam bem maioresdoque3segundos.Entretanto,aúnicaocorrência realmenteverdadeiraéaquelaqueduramaisoumenos3 segundos.Portanto,captandoessaconsciência-imediatain-dividualemomentânea,essefatorilosóico,construocom osacontecimentosnaminhaconsciência-mediata-do-obser-vadorpercepçõesqueseriambemmaioresdoqueaduração daconsciência-imediata.
Apesardaenormesemelhançaentreaconcepçãodoiló-sofoJoãoPauloMonteiroeaminha,há,deacordocomele, “argumentosilosóicoscapazesdequestionaradiferença forteestabelecida...entreainferencialidadedoResto-do-Mundo e a ‘datidade’ (‘givenness’ seria menos ruim) do Meu-Mundo” (J. P. Monteiro, comunicação pessoal por e-mail,23-9-2001).
Aexistênciadeduassubstânciasnosentidocartesianoou dedoisMundosnosentidodePoppereEccles,istoé,duas coisastaisqueexistamdetalmaneiraqueelasprecisamape- nasdesimesmoparaexistir,meperseguiamdesdequeescre-vi“Apossibilidadedoestudocientíicodaconsciência”em 1991(Descartes,1641-1642/1647/1967;Engelmann,1991; PoppereEccles,1977).Achoquesouradicalmentemonista, istoé,queoUniversoqueexisteéapenasum.Entretanto, escrevinotextoháonzeanosqueháumatremendadiferença entre“isto”ouconsciência-imediatae“fora”.O“isto”(1)é real,(2)éatemporale(3)élivre.Pelocontrário,obedecendo àmesmanumeração,o“fora”(1)éconstruído,(2)étemporal e(3)é,comoumtodo,determinado.O“isto”éaverdade;o “fora”éumnada.Em1997eem2001repetiessaposição. Comonãofalar,então,deduassubstânciasoudoisMundos independentes(Engelmann,1997a;2001)?
OmeuUniversoserestringiriaao“isto”oumeu-mundo ouconsciência-imediata?Easinferências,seforemaceitas, seordenariamnumaoutrasubstânciacartesianaounumou-troMundopopperiano-ecclesiano?Creioqueasinferências aceitasconstituiriamumamesmasubstânciaouummesmo Mundoqueo“isto”.Sesouumcéticoprobabilista,aquiloque estabelecicomoashipótesesbásicasapresentariamprobabi-lidadesextremamentealtas?Eapresentandoprobabilidades extremamentealtas,maisforteéaprobabilidadedeserem partes do único Universo. Ceticismo é apossibilidade de
negarqualquerapresentaçãoao“isto”.Masapossibilidade denegarnãodeveserconfundidacomsimplesmentenegar. Étambém,comenormefreqüência,aceitar.
Paramim,aconsciência-imediataéo únicofatoabso-lutamente verdadeiro. Na medida em que se comprovam consciências-mediatas-de-outros,principalmenteemques-tõescientíicas,aconsciência-imediataachaemtalassunto probabilidadesmuitoaltas.Creioqueacharanaturezadessa experiênciasimplesmenteumaconjecturaénegaroúnico fatoqueseapresentaabsolutamenteverdadeiro(Monteiro, 2001).
Futuramente espero que questões ilosóicas difíceis, comoosfundamentosdoceticismoprobabilista,encontrem algumabaseemexperimentospsicológicos.
Referências
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Recebidoem20.10.2002 Primeiradecisãoeditorialem17.01.2003 Versãoinalem11.04.2003
Apêndice Questionário
(1) Vocêapresentanesseprecisomomentoumapercepçãodasala,dosoutrosparticipantes,dafalaoudoruídodafaladeoutraspessoas,dospensa-mentosquevocêtem,delembrançasquevocêporventuratem,deimagens,deemoções,desensaçõesdocorpo,emresumo,desuaconsciência.O quevocêobservanasuaconsciêncianopresentemomentoéalgoqueoutraspessoasconhecemtambém,istoé,queoutraspessoasachamiguais, idênticos,comovocê?
Lembroque
diferentessãoduasocorrênciasqueapresentamconteúdosdiversos, semelhantessãoduasocorrênciasqueapresentamconteúdosparecidos,e idênticossãoduasocorrênciasqueapresentamconteúdosperfeitamenteiguais. £ Sim £ Não
(2) Essealgoquevocêconheceatualmenteéexatamenteomesmoouidênticoaoquevocêconheciaháumminuto?
£ Sim £ Não
Nota:Asrespostasinteressamaoconferencista.Podeentregá-lonoimdaconferência.Entretanto,senãoquiser,podedeixardeentregar. Idade:Sexo:
NumasalagrandedePsicologiadaUniversidadeEstadualdoRiodeJaneiro,durantea31ªReuniãodaSociedadedePsicologia,65sujeitos responderam,noiníciodaconferênciasobre“Oceticismomitigadoeapsicologia”feitapeloautordoartigoemoutubrode2001,porumperíodonão maiorque10minutos.
Sessentaetrêsindivíduosreferiramasuaidade.Quarentaeseisdessesforamdosexofeminino,17dosexomasculinoe2nãoresponderama essapergunta.Aidademédiafoide30,59anos.Aidademínimafoide18anoseamáximade65anos.
Osmesmos63responderamquantoaseusexo:46erammulherese17,homens.Naprimeiraperguntadas46mulheres,6responderam“Sim”e 40,“Não”;17homensresponderam“Sim”em2casos,“Não”em15casos.Submetendoasrespostasdasmulheresedoshomensaotestenãoparamétrico doquiquadradodeduasamostrasindependentes,ahipótesenulacom1graudeliberdadefoiaceita.Asegundaperguntafoiefetuadanocasodas46 mulheres,quenãoresponderam“Sim”emnenhumcaso.Os17homensresponderam“Sim”para2casose“Não”paraos15restantes.Submetendoo resultadoaomesmoquiquadrado,asduasamostrasderamomesmoresultadoqueparaaprimeirapergunta.Portanto,paracadaperguntaasduasamostras anteriorespodemserjuntadas,temautorizaçãoparaseremconsideradasumasó.Essejunçãodasduasamostrasnumasódeveseraindaaumentadacom osdoisindivíduosquenãoresponderamquantoaoseusexo.
Aprimeiraperguntafoirespondidapor65sujeitos,havendo9respostas“Sim”e56“Não”.Submetidooresultadoaotestenãoparamétrico dabinomial,comumacorreçãoparaatransformaçãoemdistribuiçãonormalportermaisdoque25sujeitos,ahipótesenulafoirejeitada.Asegunda pergunta,foitambémrespondidapelosmesmos65sujeitos,havendo2respostas“Sim”e63“Não”.Oresultadopelotestedabinomialfoiomesmo.A hipótesenulafoinovamenterejeitada.