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Geografia, turismo e meio ambiente: uma nova face do litoral dos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim/RN

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Academic year: 2017

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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM GEOGRAFIA

LIDYANNE KALINE SOUSA DO NASCIMENTO

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LIDYANNE KALINE SOUSA DO NASCIMENTO

GEOGRAFIA,TURISMO E MEIO AMBIENTE: UMA NOVA FACE DO

LITORAL DOS MUNICÍPIOS DE EXTREMOZ E CEARÁ-MIRIM/ RN

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, para a obtenção do título de Mestre em Geografia.

Orientador: Prof. Dr. Elias Nunes.

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LIDYANNE KALINE SOUSA DO NASCIMENTO

GEOGRAFIA,TURISMO E MEIO AMBIENTE: UMA NOVA FACE DO LITORAL DOS MUNICÍPIOS DE EXTREMOZ E CEARÁ- MIRIM/ RN

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-graduação e Pesquisa em Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como exigência para obtenção do título de Mestre em Geografia.

APROVADA EM _______/______/______

BANCA EXAMINADORA

_______________________________________________________________ Prof. Dr. Elias Nunes

Programa de Pós-Graduação em Geografia, UFRN – Orientador

________________________________________________________________ Profª. Drª. Rita de Cássia Ariza da Cruz

Programa de Pós-Graduação em Geografia, USP – Membro Externo

__________________________________________________________________ Profª. Drª. Maria Edna Furtado

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AGRADECIMENTOS

Agradeço, primeiramente, a Deus que, na Sua Infinita Sabedoria, inspirou-me e ajudou-me a suplantar os desafios de realizar este trabalho.

Á minha mãe, minha principal incentivadora; ela foi a grande responsável por tudo o que eu consegui realizar de bom em minha vida. A ela, meus eternos agradecimentos, carinho e respeito.

Ao meu irmão que, por várias vezes, renunciou ao seu lazer, ao seu descanso, para me proporcionar um ambiente favorável de estudo.

Aos meus avós, Manoel Maurício e Francisca Xavier (in memorian), que sempre me incentivaram e oraram por mim. Valiosas contribuições emocionais, das quais nunca me esquecerei.

À minha madrinha, a querida “Tica”, a qual eu considero uma segunda mãe. Compartilhamos sonhos, dificuldades, choros, mas, principalmente, vitórias.

Ao meu Orientador, Elias Nunes, pela confiança demonstrada na minha capacidade enquanto pesquisadora e pela boa condução nas orientações, ao longo do trabalho. Não poderia deixar de citar a querida Edna Furtado, pela incansável atenção e respeito demonstrados para comigo e meu projeto.

Ao professor do CEFET_RN, Pedro Valdenildo, que me “iluminou” nos momentos iniciais da pesquisa, mesmo não tendo, na época, laços de amizade comigo.

Aos professores Francisco Ednardo e Malco que, num gesto de solidariedade incomparável, propuseram-se a me substituir em sala de aula, para que eu pudesse me dedicar à pesquisa. Igualmente, agradeço à Coordenação do CEFET_RN, por permitir tal substituição.

A Flávio Teotônio que me acompanhou, durante toda a trajetória do meu trabalho, renunciando ao seu lazer, para me fazer companhia.

Á minha querida amiga Ana Cecília; uma amiga desde sempre e para sempre! A ela e sua família minha gratidão, simplesmente, por tudo!

À Jane Roberta (“A Bala”) que foi para mim um grande refúgio emocional nos momentos em que pensei em desistir. Se cheguei até aqui, devo muito a ela.

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A Iron Medeiros que me ajudou na confecção dos mapas, com grande prestatividade, competência e carinho.

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RESUMO

A presente pesquisa contempla reflexões acerca da atividade turística na organização socioespacial das áreas litorâneas, em específico, no litoral dos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim, Região da Grande Natal. Nosso objetivo principal é o estudo das transformações espaciais e suas implicações sócio-ambientais emergentes no processo de produção do espaço turístico litorâneo dos referidos municípios, situados no Estado do Rio Grande do Norte, tendo como recorte temporal os anos de 1997 a 2007, correspondendo ao momento de importância pública privada, que a partir do PRODETUR, teve a base para o incremento das potencialidades turísticas. Nesse sentido, utilizou-se de técnicas para a compreensão das aspirações e da percepção dos atores envolvidos com a atividade turística (população local, comerciantes, turistas e poder público local), no sentido de descobrir quais são as suas considerações quanto às mudanças provenientes da implantação da atividade turística na localidade, quanto à melhoria da qualidade de vida, geração de emprego e renda, comercialização, conservação/ preservação ambiental, cumprimento da legislação, afirmação cultural, bem como as ações implementadas nos municípios. Para tal mister buscou-se analisar os dados estatísticos a partir da aplicação de questionários com perguntas estruturadas e semi-abertas como instrumento de coleta de informações, correlacionando-as com a percepção dos atores locais para que possamos formar e compreender de forma fidedigna os elementos básicos que fazem parte dos espaços turísticos em questão. Foram utilizadas fotografias aéreas dos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim, fornecidas pelo IDEMA, com o intuito de percebermos as mudanças de ordem espacial e implicações socioambientais da área em estudo.Concluímos, em função dos resultados, que o modelo do Turismo concebido pelo Brasil, incentivado e financiado pelo Governo Federal, está inserido no contexto da economia global e, por conseguinte, o Estado do Rio Grande do Norte, em específico os espaços litorâneos dos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim, possuem características semelhantes a esse modelo, com suas particularidades, que se traduzem pela exclusão social, formas de apropriação privada dos espaços públicos e áreas de proteção ambiental como praias, dunas e lagoas, desrespeito ou não-cumprimento da legislação ambiental, acentuação das desigualdades de renda numa região que possui uma problemática social crônica por ser desprovida de investimentos, implantação de infra-estrutura, ausência do poder público local, onde os interesses econômicos são prioritários frente às questões ambientais e aos interesses e vontades populares. Propõe-se um repensar quanto ao atual modelo de desenvolvimento adotado, para que o seu planejamento seja pautado com base na participação integrada dos vários agentes envolvidos com a atividade turística, incluindo, na medida do possível, as aspirações da população local como precursoras das suas reais necessidades, onde essa ação interativa responderá certamente em um esforço significativo na construção de um novo paradigma, modelo de desenvolvimento sustentável, possibilitando superar paulatinamente a reprodução da pobreza, da exclusão e dos impactos ambientais, para que a qualidade de vida seja fator fundamental.

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RESUMEN

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LISTA DE FOTOGRAFIAS

Fotografia 1 Ponte Newton Navarro... 37

Fotografia 2 Restaurante Naff Naff... 43

Fotografia 3 Aquário Natal... 43

Fotografia 4 Passeio de bugre em cima das dunas... 43

Fotografia 5 Passeio de dromedário em cima das dunas... 44

Fotografia 6 Passeio a cavalo... 44

Fotografia 7 Lagoa de Pitangui... 44

Fotografia 8 Lojas de artesanato na praia de Jenipabu... 45

Fotografia 9 Praia da Redinha Nova - presença de lixo a céu aberto, demonstrando ausência de infra-estrutura local... 77

Fotografia 10 Praia da Redinha Nova - presença de lixo a céu aberto... 78

Fotografia 11 Construções em cima das dunas destinada para fins especulativos... 83

Fotografia 12 Construções em cima das dunas destinada para fins especulativos... 83

Fotografia 13 Construções em cima das dunas destinada para fins especulativos... 84

Fotografia 14 Construções em cima das dunas destinada para fins especulativos... 84

Fotografia 15 Construções em cima das dunas destinada para fins especulativos... 85

Fotografia 16 Construção destinada a moradores com perfil social de baixa renda... 86

Fotografia 17 Construção destinada a moradores com perfil social de baixa renda... 86

Fotografia 18 Segunda residência... 87

Fotografia 19 Construção sendo implantada sem licenciamento ambiental 87 Fotografia 20 Área alagadiça de recarga do aqüífero subterrâneo... 88

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Fotografia 22 Expansão do comércio formal descaracterizando a

paisagem... 91

Fotografia 23 Expansão do comércio informal... 91

Fotografia 24 Variedade do comércio informal... 92

Fotografia 25 Variedade do comércio informal... 92

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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 Sexo... 48

Gráfico 2 Faixa etária... 49

Gráfico 3 Profissão... 50

Gráfico 4 Naturalidade... 51

Gráfico 5 Presença nesta localidade outras vezes... 51

Gráfico 6 O que motivou a visita... 53

Gráfico 7 Motivo que levaria a voltar... 53

Gráfico 8 Nível de satisfação em relação ao lugar... 54

Gráfico 9 Sugestões para melhoria da localidade... 54

Gráfico 10 Sexo... 56

Gráfico 11 Faixa etária... 56

Gráfico 12 Escolaridade... 57

Gráfico 13 Ramo de atividade... 58

Gráfico 14 Conhecimento das transformações na dinâmica sócio-espacial e cultural da localidade... 59

Gráfico 15 Existência de impactos sociais, ambientais e econômicos provocados pelo turismo na localidade... 60

Gráfico 16 Criação de política de valorização cultural, valorização do artesanato, do patrimônio histórico... 60

Gráfico 17 Sexo... 61

Gráfico 18 Faixa etária... 62

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LISTA DE MAPAS

Mapa 1 Localização da área em estudo... 15 Mapa 2 Carta Geo-ambiental da Grande Natal... 36

LISTA DE QUADROS

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LISTA DE SIGLAS

APA Área de Proteção Ambiental

CNUMAD Conferencia das Nações Unidas Sobre Meio Ambiente e Meio Ambiente CONAMA Conselho Nacional de Meio Ambiente

EMBRATUR Instituto Brasileiro de Turismo ETE Estação de Tratamento de Esgoto

IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ICMS Imposto de Circulação sobre Mercadoria e Serviço

IDEMA Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente ISS Imposto sobre Serviço

IPTU Imposto Predial e Territorial Urbano MMA Ministério do Meio Ambiente

PRODETUR Programa de Desenvolvimento do Turismo

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO... 13

2 RELAÇÃO TURISMO E ESPAÇO... 20

3 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A ÁREA EM ESTUDO... 28

4 DO TURISMO DE PASSAGEM AO DESENVOLVIMENTO 41 4.1 DADOS GERAIS... 47

4.1.2 Perfil do entrevistado: turista... 47

4.1.2.1 Sexo... 48

4.1.2.2 Faixa etária... 48

4.1.2.3 Profissão... 49

4.1.2.4 Naturalidade... 50

4.1.3 Perfil do entrevistado: comerciante... 55

4.1.3.1 Sexo... 56

4.1.3.2 Faixa etária... 56

4.1.3.3 Escolaridade... 57

4.1.3.4 Ramo da atividade... 57

4.1.4 Perfil do entrevistado: comunidade local... 60

4.1.4.1 Sexo... 61

4.1.4.2 Faixa etária... 61

4.1.4.3 Escolaridade... 62

5 TURISMO E MEIO AMBIENTE... 66

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS... 97

REFERÊNCIAS... 100

APÊNDICES... 106

APÊNDICE A – Secretaria do Meio Ambiente... 107

APÊNDICE B – Secretaria de Turismo... 109

APÊNDICE C– Comerciantes antigos e associações... 111

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1 INTRODUÇÃO

No final do século XX, o Turismo converteu-se em uma das atividades econômicas mais importantes do mundo. “É o setor da economia que mais cresce na atualidade, já tendo atingido o status de principal atividade econômica do mundo, superando setores tradicionais, como a indústria automobilística, a eletrônica e a petrolífera “(DIAS, 2003, p.9) Segundo Cruz (1999, p.2), as “[...] estatísticas oficiais mostram ainda que a atividade turística revela números expressivos, também, no que se refere a deslocamentos de fluxos, à mão-de-obra empregada na atividade, à geração de renda etc”. Afirma ainda que:

A sedução matemática desses números tem levado a diversas análises reveladores de certo grau de euforia, trazendo como conseqüência certas distorções de alguns pesquisadores, que sombreiam, empobrecem, mascaram, fatos que, supostamente, deveriam contribuir para revelar (CRUZ, 1999, p.2).

Esse fato tem despertado, nos últimos anos, interesse da comunidade científica quanto aos estudos relativos a esta atividade, bem como suas implicações. De acordo com (CRUZ 2003), o interesse da Geografia pelo Turismo já não é tão recente, assim como, não são mais escassos estudos realizados por geógrafos em torno do fenômeno.

Partindo do princípio de que a Ciência Geográfica tem como objeto de estudo a relação espaço e sociedade, e que a principal característica intrínseca à prática social do Turismo está relacionada ao fato de que o espaço constitui seu principal objeto de consumo, incluindo a sociedade local e os recursos naturais, torna-se, compreensível entender o crescente interesse da Geografia pelos estudos relativos ao turismo.

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Trata-se de uma prática social que envolve em seu escopo vários agentes que possuem interesses distintos. Dessa forma, podemos afirmar que o Turismo é uma atividade econômica que se distingue das demais atividades preexistentes, dadas suas particularidades no que diz respeito ao processo de produção dos espaços. Para refletimos acerca dessa multiplicidade de questões que o Turismo suscita, devemos voltar nosso olhar para a Geografia do Turismo, campo da Ciência Geográfica que lida com essa complexidade.

A presente pesquisa encontra-se inserida nos estudos relativos à problemática socioespacial e ambiental litorânea. A temática concernente a este estudo geográfico diz respeito à análise das transformações espaciais e suas implicações socioambientais emergentes no processo de organização do espaço litorâneo nos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim, Região Metropolitana de Natal, situados no Estado do Rio Grande do Norte1, a partir dos anos de 1990, dando uma maior ênfase à inserção da atividade turística.

O município de Extermoz encontra-se na latitude 5º 42´04´ sul, possui uma área de 126 Km2, equivalente a 0,25% da superfície estadual e uma população, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (2007), de 21.792 habitantes, distante 25 Km da capital. Seis praias compõem o referido município, a saber: Redinha Nova, Santa Rita, Genipabu, Barra do Rio, Graçandu e Pitangui. Na latitude 5º 38´ 04´´sul, localiza-se o município de Ceará-Mirim, compreendendo uma área de 740 Km2

, representando 1,37% da superfície estadual e uma população de 65.450 habitantes, distante 38 Km de Natal. Jacumã, Porto Mirim e Muriú são as praias que compõem este município. A população total dos dois municípios é de 87.242 habitantes; dessa soma, estima-se que 10% se concentram no litoral, correspondendo a aproximadamente 8.725 habitantes (IBGE, 2007).

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Mapa 1: Localização da área em estudo.

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Historicamente, o processo de produção dos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim aconteceram atrelados a atividades pertencentes ao setor primário, como a agricultura, pecuária e a pesca, responsáveis pelo sustento da maioria da população local. A carcinicultura é uma outra atividade dos municípios. Ela teve início no final da década de 1990. No caso específico do município de Ceará-Mirim, a atividade canavieira foi, durante muito tempo, a responsável por sua dinamização. Atualmente essa atividade se encontra em menor expressividade, dando lugar ao cultivo irrigado do mamão, o qual vem sendo produzido principalmente para exportação.

O Turismo constitui-se na mais recente atividade econômica instalada nos municípios em evidência; nestes desenvolve-se um processo de ocupação dos espaços litorâneos, através das instalações de equipamentos e serviços que propiciam o consumo do espaço Turístico.

O consumo do espaço pelo turismo é intermediado por inúmeras formas de consumo, entre as quais pode-se listar os meios de transporte, de hospedagem e de restauração, o setor de agenciamento da atividade, os serviços bancários, o comércio de bens de consumo de uma maneira geral (CRUZ, 1999, p.3).

Diante do exposto, podemos entender que, ao falarmos em consumo do espaço pelo turismo, estamos nos referindo ao consumo do meio ambiente existente naquele espaço como um todo, e isso incluem os ecossistemas, padrões comportamentais da população local, recursos construídos pelo homem, enfim todo um conjunto indissociável de elementos que compõem o fazer turístico (RUSCHAMANN, 2004).

Para que o fazer turístico – inserido na lógica de uma atividade econômica organizada – possa acontecer, faz-se necessária à criação de um sistema de objetos capaz de atender a demanda de ações que lhe é própria (CRUZ, 1999, p.2).

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Neste contexto, no âmbito do presente estudo está a análise de que a instalação da atividade turística na faixa litorânea dos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim/RN, enquanto inovação econômica, tem provocado transformações espaciais, socioeconômicas e ambientais no processo de organização do espaço litorâneo em estudo, sugerindo, portanto, novas relações de trabalho, crescimento urbano, problemas ambientais como aumento de resíduos sólidos e líquidos, degradação da cobertura vegetal e contribuição para o aumento da contaminação do aqüífero.

Neste contexto, para o desenvolvimento desta pesquisa, procederemos ao estudo do processo de transformação da faixa litorânea dos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim, com base no desdobramento da atividade turística, tendo como recorte temporal o período de 1997 a 2007, correspondendo ao momento de importância da intervenção público-privada, que a partir do PRODETUR2, teve a base para o incremento das suas potencialidades.

Por fim, o objetivo geral constitui-se em analisar o processo de organização da faixa litorânea dos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim/RN, tendo por base as transformações espaciais, bem como implicações socioambientais ocorridas com o desenvolvimento da atividade turística. Alguns questionamentos são de grande relevância para nortear esta pesquisa; indaga-se: como ocorre a dinâmica da atividade turística na faixa litorânea dos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim, em relação à produção, comercialização e geração de emprego? Quais os impactos ambientais decorrentes no uso do solo do litoral por esta atividade? Como o poder público enxerga essa relação que se dá entre a atividade turística e seus impactos ambientais? Como as populações locais vêem tais ações serem implementadas nos seus municípios?

Quanto à escolha da área de pesquisa, partiu do interesse em realizar um estudo sobre a realidade sócio-espacial do litoral dos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim, área caracterizada por ser detentora de uma problemática complexa em relação às questões social, econômica, política, cultural e ambiental que, historicamente teve como dinâmica de produção social, as atividades agropecuárias

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e a pesca artesanal3 e que recentemente, tem sido resultado de práticas sociais atreladas à atividade turística. Destaca-se também como justificativa a implantação de um complexo turístico que ocupará aproximadamente uma área de 300 hectares, desse total 60 % da área total do município de Extremoz e 40% do município de Ceará-Mirim. Além desse fato, existe o desejo de produzir um trabalho de cunho científico que possa contribuir com a prática dos setores envolvidos com a atividade turística, no que diz respeito ao desenvolvimento regional, tendo em vista a escassez de trabalhos científicos na área em estudo. Portanto, o presente trabalho tem um papel de relevância, posto que produzirá e difundirá conhecimento científico acerca do objeto de estudo, evidenciando seus problemas, podendo contribuir dessa forma para minimizar os danos socioambientais.

Para a realização do projeto foram utilizados os seguintes procedimentos metodológicos: levantamento e leitura da bibliografia pertinente ao tema proposto, visitas e levantamentos de dados em instituições públicas4. Também fez parte dos procedimentos metodológicos a realização de entrevistas pessoais obedecendo ao método de observação direta para efeito quantitativo e qualitativo dos resultados.

Como instrumento de coleta de dados, a pesquisa utilizou um formulário estruturado denominado questionário.Os roteiros de entrevistas utilizados foram elaborados a partir dos dados empíricos do campo, através de pesquisas preliminares, levando em consideração os aspectos de identificação dos indivíduos, assim como os sociais, econômicos, políticos e ambientais. A realização das entrevistas se deu com representantes de diferentes segmentos da sociedade local, bem como da atividade turística, são eles: representantes do setor público estadual e municipal envolvidos com a atividade turística, comerciantes antigos, população local e representante da classe política.

Os dados coletados no campo são dados primários, observados sob a técnica de pesquisa aplicada. Para a realização da pesquisa foi utilizada uma amostra casual simples totalizando em 400 questionários. O erro máximo da pesquisa sofreu um erro máximo permissível de 5%, com confiabilidade de 96%.

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Para a apresentação dos dados, através das tabelas e gráficos, foram utilizadas as técnicas de Estatística Descritiva, sendo feita pela análise descritiva dos dados à tabulação simples dos dados.

Os softwares utilizados foram: Statistc, para a análise dos dados da pesquisa (tabulação), Microsoft Excell 2003, para construção dos gráficos e tabelas e o Microsoft Word 2003 na digitação do trabalho.

Além disso, utilizamos técnicas de georeferenciamento, como dados complementares para a localização dos empreendimentos da atividade turística, bem como a caracterização da área na qual os empreendimentos estão instalados, através dos mapas georeferenciados, fornecidos pelo IDEMA e pelo Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, utilizando o programa Arc gis 3.2.

Outro procedimento adotado neste trabalho está relacionado ao processo de expansão da atividade turística e sua relação com os impactos ambientais na faixa litorânea dos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim. Nesse sentido, foram utilizadas fotografias e imagens aéreas do local no intuito de percebermos se as mudanças de ordem espacial ocasionaram implicações socioambientais na área em estudo5. Para Mendonça (2001), a utilização de fotografias aéreas se constitui hoje numa das mais importantes ferramentas para o desenvolvimento dos trabalhos do Geógrafo. É um mecanismo metodológico fundamental para o estudo dos componentes do quadro físico, assim como permite inúmeras correlações compreendendo assim suas inter-relações, além da inserção da ação antrópica no jogo de influências que se processam no espaço.

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2 RELAÇÃO TURISMO E ESPAÇO

O tema turismo, nas últimas décadas, vem ocupando cada vez mais lugar de destaque nas pesquisas geográficas; isso se deve em parte pelo fato do turismo se constituir em uma atividade que interfere de maneira significativa na organização do espaço geográfico6 e, por conseguinte, pela sua proximidade com o objeto e os objetivos de estudo da geografia.

Partindo do princípio de que o Turismo é a única prática social e, na sua essência, consome e produz elementarmente o espaço, constituindo um dos conceitos-chave da Geografia e que contribui para síntese do que objetiva a Ciência Geográfica, não poderíamos deixar de suscitar uma discussão acerca da natureza geográfica da atividade turística, procurando mostrar como ela se encontra intrinsecamente ligada ao espaço, em específico, ao espaço litorâneo.

O conceito de Turismo é, no léxico da Geografia do Turismo, sem dúvida, o mais polêmico de todos. O Turismo que, antes de mais nada, é uma prática social, vem mudando de sentido ao longo da história e cada nova definição consiste em uma nova tentativa de se conceituar algo que tem, reconhecidamente, uma dinâmica inquestionável (CRUZ, 2003).

Cruz (2003) chama a atenção ainda, no que diz respeito à definição do conceito, de que toda ela é sempre carregada de ideologia e exprime, portanto, alguma forma particular de se ver o mundo, por parte daqueles que criam essas definições. Diante desse fato, elegemos alguns conceitos, os quais consideramos importantes, para encaminharmos nossa discussão.

Uma das conceituações mais antigas remonta ao ano de 1911, quando o economista austríaco Heman Von Schullard definiu o turismo como sendo “[...] a soma das operações, especialmente as de natureza econômica, diretamente relacionada com a entrada, permanência, e o deslocamento de estrangeiros para dentro e para fora do país, cidade ou região”. (AZEVEDO, 1998, p.33).

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na medida em que não leva a residência permanente e não esta relacionada a nenhuma atividade remuneratória”.

O conceito de turismo, atualmente adotado pela Organização Mundial do Turismo (OMT) é o desenvolvido por Oscar de La Torre (1992 apud MERIGUE7 , p.21) que assim o enunciou:

Turismo é um fenômeno social que consiste no deslocamento voluntário e temporário de indivíduos ou grupos de pessoas que, fundamentalmente por motivos de recreação, descanso, cultura ou saúde, saem de seu local de residência habitual para outro, no qual não exercem nenhuma atividade lucrativa nem remunerada, gerando múltiplas inter-relações de importância social, econômica e cultural.

Como podemos observar, a OMT considera deslocamento como característica elementar do turismo, independentemente da razão pela qual motivou; ou seja, não necessariamente a razão do deslocamento seria o lazer, o que de acordo com Cruz (2003) vai de encontro com a lógica que rege o planejamento da atividade, que é a lógica do lazer. Este fato traz polêmicas e distorções quando nos voltamos para a questão do planejamento, se levar em consideração às estatísticas.

A Organização das Nações Unidas assim o definiu:

[...] Uma atividade humana intencional que serve como meio de comunicação e como elo de interação entre povos, tanto dentro de um mesmo país como fora dos limites geográficos dos países. Envolve o deslocamento temporários de pessoas para outra Região, país ou continente, visando a satisfação de necessidades outras que não o exercício de uma função remunerada. Para o país receptor, o turismo é uma indústria cujos produtos são consumidos no local formando exportações invisíveis. Os benefícios originários deste fenômeno podem ser verificados na vida econômica, política, cultural e psicossociológico da comunidade. (WAHAB, 1991, p.26).

Fazendo uma análise dos conceitos que buscam definir o turismo, podemos perceber elementos presentes em suas varias definições, são eles: 1) deslocamento temporário dos turistas de seu local de residência; 2) atividade que visa satisfações outras que não o exercício de uma função remunerada; 3) atividade que serve como elo de interações entre povos; 4) benefícios originários da atividade turística que são verificados na vida econômica, cultural e política.

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Diante do exposto, percebe-se que se trata de conceitos que não dão conta da complexidade concernente ao Turismo. Tornando-se, portanto, fatores limitantes no que diz respeito a sua análise. Para Furtado (2005), a grande maioria dos estudiosos considera o turismo fenômeno econômico gerador de rendas, tal atividade, no entanto parece ir além desse fato.

Embora o conceito de turismo da OMT seja considerado o oficial e, portanto julgado mais adequado nos estudos que envolvem o tema, elegemos o conceito de turismo de Almeida (1999, p. 185):

O turismo se configura como um processo de produção de um complexo de imagens, atores e territórios para que a exploração possa ser efetivada. O turismo ao contrário do que se pensa, não é somente conseqüência natural dos desenvolvimentos tecnológicos de transporte de massa, das comunicações. É também, mais uma forma de exploração planejada, uma estratégia de dominação sobre os países subdesenvolvidos, porém ainda ricos de ecossistemas naturais de interesse turístico.

Podemos verificar que o conceito de Almeida (1999) aponta a complexidade do tema de forma mais explícita e completa, bem como os conflitos nos quais perpassam a atividade turística, distinguindo-o dos outros conceitos supracitados. Entendendo que o conceito de Turismo é complexo, tendo em vista os vários elementos que o compõem, considerando que não existe ainda uma unanimidade, dada à dinamicidade pela qual seu contexto esta inserido, partimos, então, para o conceito de espaço e posteriormente a relação que se dá entre Turismo e espaço a partir do enfoque da apropriação do espaço de maneira desordenada.

Para Santos (1978), a definição de espaço é árdua, porque a sua tendência é mudar com o processo histórico, uma vez que o espaço geográfico é também o espaço social e, portanto fortemente influenciado pela cultura.

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vida do homem, assim como seu domínio transforma-se em elemento crucial para sua história.

Nesse contexto, Ratzel desenvolve dois conceitos fundamentais: território e espaço de vida. O primeiro vincula-se à apropriação de uma porção do espaço por um determinado grupo, enquanto o segundo expressa as necessidades territoriais de uma sociedade em função de seu desenvolvimento tecnológico do total de população e dos recursos naturais. O espaço de Hartshorne aparece como um receptáculo que apenas contém as coisas, o tempo espaço é empregado no sentido de área a qual esta relacionada a fenômenos dentro dela, somente aquilo que ela contém.

Segundo Corrêa (1995), em um segundo momento na Geografia Teorético-Quantitativa, a qual se adotou a visão da unidade epistemológica da ciência, calcada nas ciências da natureza, na qual o raciocínio hipotético dedutivo foi o consagrado e entre os modelos adotados, destacam-se os matemáticos. O espaço aparece, pela primeira vez, na história do pensamento geográfico, como conceito - chave da disciplina, sendo considerado sob duas formas: de um lado através da noção de planície isotrópica e, de outro, representação matricial. Quanto à planície isotrópica, o ponto de partida para esta análise é uma superfície uniforme, aspectos físicos e sociais; a variável mais importante é a distância e representações matriciais, sendo o espaço representado por uma matriz. Para Corrêa (1995), trata-se de uma visão limitada do espaço, privilegiando em excesso à distância e as contradições. Os agentes sociais, o tempo e as transformações são inexistentes ou relegadas a um plano secundário.

Para Corrêa (1995), a concepção de espaço na Geografia Crítica está fundamentada em teorias marxistas; porém, é a partir da obra de Henri Lefévre que o espaço aparece efetivamente, entendendo como sendo locus das relações sociais de produção da sociedade.

Para Santos (1978, p. 122), o espaço deve ser entendido como:

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que se manifestam através de processos [tempo e mudança] e funções [papel a ser desempenhado pelo objeto criado].

Ainda neste sentido, de acordo com Santos (1985), o espaço deve ser analisado a partir de quatro categorias as quais devem ser consideradas em suas relações dialéticas, são elas: estrutura, processo, função e forma. A forma é o aspecto visível, arranjo de um ou um conjunto de objetos, formando um padrão espacial (equipamentos turísticos, por exemplo)8; a função indica o papel a ser desempenhado pelo objeto criado, o lazer e o trabalho, por exemplo, constituem algumas das funções associadas aos equipamentos turísticos.

Uma outra categoria de análise do espaço é a estrutura que diz respeito à natureza social e econômica de uma sociedade num dado momento do tempo. Dessa forma podemos perceber que, ao inserirmos forma e função na estrutura social, poderemos captar a natureza histórica do espaço. Finalmente, o processo: definido como uma ação que se realiza de modo contínuo, visando a um resultado, implicando tempo e mudança, ocorrendo no âmbito de uma estrutura social e econômica e resultam das contradições internas das mesmas.

E por fim, não poderíamos deixar de mencionar como o espaço foi abordado pelos geógrafos humanistas e culturais. Calcada na fenomenologia e no existencialismo, a Geografia Humanística está assentada na subjetividade, na intuição, nos sentimentos, na experiência, no simbolismo e na contingência; privilegiando o singular e não o particular ou o universal; ela tem na compreensão a base de inteligibilidade do mundo real. O lugar aparece como conceito-chave, e o espaço passa a ser concebido como espaço-vivido, sendo ele uma experiência contínua, egocêntrica e social. Aspectos como crença, cultura e sobrevivência são objetos de estudo desta visão, as quais estão vinculadas à Geografia Francesa vidaliana, a Psicologia Genética de Piaget, Sociologia e Psicanálise com Bachelard e Rimbert (CORREA, 1995).

Ainda que tratemos de questões que trazem em sua essência assuntos abordados pelo espaço concebido pelos geógrafos humanistas e culturais, como cultura, costumes das comunidades receptoras da atividade turística, sensações

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como sentimentos de prazer, de inveja, de ressentimento, entre outros, não as teremos como base para a discussão do nosso objeto de estudo.

É mister pensar a relação entre Turismo e espaço, uma vez que a dinâmica desta atividade se dá, entre outros fatores, através da apropriação dos espaços pela prática social do Turismo. Este, assim como outras atividades, introduz no espaço objetos que possibilitem seu desenvolvimento, assim como se incorpora de outros pré-existentes que terão conseqüentemente mudanças em suas funções Parciais ou totais.

Cruz (2003) destaca que a intensificação do uso turístico de dada porção do espaço geográfico leva a introdução, multiplicação e, em geral, concentração espacial de objetos cuja função é dada pelo desenvolvimento da atividade. Entre esses objetos destacam-se os meios de hospedagem, os equipamentos de restauração de prestação de serviços e infra-estrutura de lazer.

Ao longo da literatura que trata da relação Turismo e espaço, é possível encontrar uma série de termos e conceitos, dentre eles iremos dar destaque ao conceito mais amplamente utilizado na literatura geográfica sobre o Turismo, o espaço turístico.

Segundo a OMT, o espaço turístico é um determinado lugar geográfico no qual acontece a oferta turística9 e de onde flui a demanda10.

O espaço turístico é, antes de tudo, um espaço geográfico e, portanto, constitui um produto social em permanente processo de transformação. (SANTOS,1985).

Santos (1999, p.77), afirma:

[...] todo e qualquer momento histórico se firma com um elenco correspondente de técnicas que o caracterizam e com um novo arranjo de objetos que responde ao surgimento de cada novo sistema de técnicas [...] que se dá em função das novas exigências da sociedade [...] e que a evolução que marca as etapas do processo do trabalho e das relações sociais marca também, as mudanças verificadas no espaço geográfico tanto morfologicamente quanto do ponto de vista das funções e dos processos.

9

De acordo com Organização Mundial do Turismo (OMT), oferta turística é composta por um conjunto de produtos, serviços e organizações envolvidas atuando na experiência da atividade em questão.

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Essa mudança verificada no espaço geográfico, mais especificamente no espaço litorâneo, quer seja do ponto de vista morfológico, quer seja do ponto de vista das funções e dos processos que se dão a partir da dinâmica da atividade turística, é marcada por conflitos e contradições que se revelarão através de suas marcas expostas na paisagem, são elas: ocupação desordenada, segregação social e espacial e degradação ambiental referentes à atividade em estudo.

“O turismo no litoral é a forma mais comum e diferencial do desenvolvimento turístico; é lá que se gera a maior parte dos movimentos turísticos internacionais, de maneira que o litoral é o principal espaço de destino em muitos países”. (PALOMEQUE, 2001 p.90). O litoral nordestino se caracteriza, principalmente, por seu potencial paisagístico peculiar graças a fatores naturais como sua localização geográfica, sol tropical, clima agradável durante praticamente todo o ano, encontrando, em seu litoral, as dunas, as praias, lagoas, falésias, coqueirais, representando um grande potencial a ser explorado pela atividade turística.

No espaço litorâneo dos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim, podem ser identificadas três tipos de ocupação: a primeira mantida pela própria comunidade litorânea: a segunda é decorrente da ocupação de segundas residências para veraneio e finais de semana; a terceira ocupação se dá pela atividade turística através da inserção de equipamentos turísticos, que são responsáveis pela sua dinamização.

Atrelado a essas peculiaridades, encontra-se um ambiente extremamente frágil, do ponto de vista ambiental, o que requer planejamento no processo de ocupação de seu espaço. No entanto, o que se verifica na faixa litorânea dos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim é um processo de ocupação do espaço feito de forma desordenada, sem o acompanhamento de infra-estrutura adequada para receber tal atividade, sem obedecer a uma diretriz ou plano específico e sem estar integrada a um plano de desenvolvimento econômico que esteja compatível com as questões socioambientais as quais não se percebe maiores preocupações. Vale ressaltar que os planos diretores dos municípios em estudo se encontram ainda em fase de revisão, o que de fato se constitui um problema, pois na ausência dos mesmos, a população local é a principal prejudicada.

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Para se pensar o desenvolvimento de um segmento da economia global, comprometido com as questões sociais e ambientais e, baseado em princípios éticos, o turismo deve partir da premissa que nem a conservação dos recursos naturais, nem os lucros empresariais devem desrespeitar as populações locais ou impedir o seu acesso aos benefícios gerados pelo seu desenvolvimento. Pode-se considerar, desta forma, que estratégias de planejamento turístico que neguem direitos e possibilidades às comunidades receptoras são destrutivas e ilegais.

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3 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A ÁREA EM ESTUDO

O processo de ocupação e organização do espaço litorâneo do Estado do Rio Grande do Norte, ao longo da história, apresenta-se atrelado as suas atividades econômicas e à utilização de recursos naturais existentes. No espaço litorâneo dos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim não foi diferente.

A historiografia sobre a organização do espaço da área litorânea desses municípios tem contemplado ações de transformação da natureza ocasionadas pelo desenvolvimento da agricultura, pecuária e pesca, associadas à cultura alimentar tradicional (feijão, mandioca, milho, entre outros).

Enquanto houve o predomínio das atividades econômicas de natureza rural, ligadas ao setor primário da economia, a ocupação da faixa litorânea obedeceu às condições naturais do ambiente. O mar, o conjunto relevo e tipo de solo, os estuários, rios, riachos e lagoas eram determinantes para escolha de locais onde se estabeleceriam os núcleos populacionais (MARCELINO, 1999).

Ainda nesse contexto, Marcelino afirma que:

Os primeiros habitantes da área resguardavam os seus assentamentos – núcleos de pescadores – em regiões protegidas do vento e do risco de soterramento pela migração das areias eólicas, que formam as dunas móveis. Havia também a preferência por ocupar áreas próximas a abastecimento d`água, em terraços costeiros protegidos de inundações marítimas ou fluviais. (MARCELINO, 1999, p.45).

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de ter como elemento responsável pela dinamização de sua economia a cana-de-açúcar, considerada uma atividade de grande magnitude11.

Quanto ao valor comercial que a cana-de-açúcar agrega, verificou-se que sua valorização se originou em um contexto da crise do Petróleo mundial em 1973, época em que foi estimulada a produção do álcool para servir de combustível, aumentando assim a área dos canaviais; dentre elas, a do município de Ceará-Mirim (LIMA, 2003).

De acordo com a Secretaria de Agricultura12 do referido município, até o ano de 1995, a atividade canavieira era o expoente da economia, constituindo-se a principal fonte de renda dos trabalhadores. O município possuía mais de setenta engenhos e usinas, sendo duas usinas principais: a Usina São Francisco, responsável pela produção de álcool e açúcar e a Destilaria Agromar, que produzia apenas álcool. Porém, após o período citado, houve uma queda da cultura canavieira, fato atrelado à crise do PROALCOOL. Como conseqüências, a Usina Agromar fechou e, a Usina São Francisco, a partir de 2002, vem produzindo apenas álcool, o que implicou em uma redução do número de trabalhadores. Atualmente o município vem investindo na fruticultura irrigada, em específico no cultivo do mamão, contribuindo para o crescimento da economia local.

No que diz respeito à atividade pecuária dos municípios em estudo é considerado um setor de pouca representatividade, ou seja, é uma atividade complementar sem fins comerciais. Quanto à produção leiteira, podemos afirmar que é responsável apenas pelo abastecimento interno.

Uma outra atividade econômica presente na realidade dos municípios é a carcinicultura, embora tenha se iniciado nos anos 70 no nosso Estado, com a implementação do Projeto Camarão, criado pelo Governo do Estado, tendo certa representatividade nos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim há cinco anos; contudo é considerada atualmente uma atividade pouco expressiva. Esse fato se deve à concorrência com o mercado exterior e a crise do dólar.

É válido ressaltar que, apesar de todas as atividades mencionadas, responsáveis pelo processo de organização dos referidos municípios, tais mudanças não foram significativas no que diz respeito as suas áreas litorâneas, sendo a pesca

11

Características naturais, como o tipo de solo e o clima, propiciaram o cultivo em larga escala, assim como pelo valor comercial que o produto agrega.

12

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a atividade predominante, embora seja inexpressiva, tendo em vista o uso de técnicas artesanais, permitindo portanto a manutenção da paisagem natural, sendo marcada principalmente por coqueirais e pela cobertura vegetal característica da Mata Atlântica e da Mata Ciliar, as quais recobriam a formação dunar e as vertentes dos corpos d’água.

O processo de urbanização da região litorânea foi se dando de forma relativamente lenta, a partir da existência de pequenos aglomerados com economia artesanal de pequena magnitude e um pequeno comércio limitado de bens de consumo. Quanto ao parcelamento do solo com fins de loteamento, iniciou-se a partir da década de 80, de forma incipiente a princípio, passando a se dar de forma contínua com o passar dos anos, destinando-se em um primeiro momento a construções de segundas residências para veraneio das classes média e alta da sociedade natalense.

Nos últimos anos, um novo cenário econômico vem se expandindo no espaço litorâneo dos municípios de Extremoz e Ceará - Mirim. A presença de serviços como restaurantes, hotéis, pousadas, equipamentos de lazer, comércio, investimentos de capital público na ampliação de infra-estrutura básica, investimento de capital do setor privado em atividades produtivas, destacando-se o turismo, esses entre outros vem fazendo parte da nova configuração espacial dessa faixa litorânea.

Casseti (1991, p. 20) afirma que “uma nova estrutura sócio-econômica implantada em uma região implica em uma nova organização do espaço, que por sua vez modifica as condições ambientais anteriores”. Cruz (1999, p. 6), ao discorrer sobre o processo de transformação do espaço em que a atividade turística se insere entende que:

A nova organização sócio-espacial imposta pelo turismo não tem apenas uma conotação de “novidade”. Ela implica mudanças, transformações, adaptações, novas relações, novos sentidos na vida de quem vive nesses lugares.

Ainda no que diz respeito ao processo de transformação do espaço pela atividade, Furtado (2005, p. 22), ressalta que:

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das economias, por outro, se constitui em um forte mecanismo de exclusão sócio-espacial.

Sendo assim, é preciso refletir sobre a forma de ocupação, produção e transformação do espaço litorâneo concebido pelos gestores dos municípios da área em estudo, buscando evidenciar seus problemas.

Situados no litoral oriental do Estado, os municípios de Extremoz e Ceará-Mirim concentram equipamentos e serviços de apoio ao turismo, interesses público e privado em investir na área através da implantação de empreendimentos e estão entre os municípios que recebem destinação de investimentos dos recursos do Programa de Ação para o Desenvolvimento do Turismo no Nordeste PRODETUR/RN e “[...] constituem o conjunto de municípios considerados o principal destino turístico potiguar” (FONSECA, 2005, p.107). Diante desse fato podemos perceber que se trata de uma área representativa do ponto de vista do Turismo, havendo, portanto, uma maior demanda e, conseqüentemente, maiores implicações tanto ambientais quanto sociais.

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inconsolidadas de origem marinha que foram transportadas com a ação dos ventos (eólica), formando “cordões alongados”, atualmente fixados por vegetação.

Acompanhando a faixa litorânea, encontram-se depósitos de praias também de origem marinha remodeladas pelo vento; são compostos de areias finas e grossas, com níveis de cascalho, associadas às praias e dunas móveis; arenitos e conglomerados com cimento carbonático, formando os arrecifes de arenitos ou beach rocks. Todos esses fatores conjugados contribuem para um ambiente

propício: a expansão da atividade turística.

Os principais atrativos turísticos da área em estudo são: Aquário Natal, passeios pelas dunas de dromedários, buggys e jegues. Visitas às lojinhas com produtos artesanais. Refrescar-se nas lagoas e cachoeiras, passeios de caiaque na praia de Pitangui, travessia de balsa na praia da Barra do Rio e descidas radicais no“aerobunda”

No que concerne à infra-estrutura turística da faixa litorânea dos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim, os equipamentos são considerados de pequeno e médio porte, localizam-se em sua maioria na faixa litorânea e são distribuídos entre as praias da Redinha Nova a Muriú (vide quadro 1).

Nome fantasia Localidade Tipo de estabelecimento

Hotel Atlântico Norte Redinha Nova Hotel

Condomínio Varandas Redinha Nova ---

Chalés Oásis da Redinha Redinha Nova Chalés

Miramar Apart Hotel Redinha Nova Hotel

Pousada Entre Mares Redinha Nova Pousada

Pousada Felicidade/ Resort Santa Rita Pousada / Resort

Genipabu Hotel Genipabu Hotel

Hotel Aldeia Genipabu Hotel

Vila do Sol Hotel Genipabu Hotel

Hotel Casa de Jenipabu Genipabu Hotel

Palm Beach Genipabu Pousada

Pousada Soleil Genipabu Pousada

Chalés Genipabu Genipabu Chalés

Pousadas 3 Coqueiros Genipabu Pousada

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Posada Raio do Sol Genipabu Pousada

Hotel Pousada Dunas de Genipabu Genipabu Hotel

Hotel Atlântico Norte Redinha Nova Hotel

Condomínio Varandas Beira Mar Redinha Nova Chalés

Chalés Oásis da Redinha Redinha Nova Chalés

Miramar Apart Hotel Redinha Nova Hotel

Pousadas Entre Mares Redinha Nova Pousada

Pousada Felicidade Resort Santa Rita Pousada

Muriú By Pousada e Restaurante Porto Mirim Pousada

Pargos Clube do Brasil Porto Mirim Pousada

Pousada Algarve Muriú Pousada

Charles Porto Mirim Porto Mirim Pousada

Estrela de Davi Quiosque Muriu Quiosque

Pargos Clube do Brasil Jacumã Restaurante

Barraca Estrela do Mar Muriú Restaurante

Barraca Atlântica Muriú Restaurante

Barraca Muriu Muriu Restaurante

Golfinho Azul Muriu Restaurante

Mirante de Muriu Muriu Restaurante

Muriu By Pousada e Restaurante Muriu Restaurante

Brisa Mar Muriu Restaurante

Muriart Muriu Quiosque

Bar do Posto Muriu Bar/Restaurante

Bar da Sandra Muriu Restaurante

Sal e Mar Muriu Restaurante

Restaurante Estrela Guia Bar Jacumã Restaurante

Barraca Estrela do mar Quiosque Jacmã Restaurente

Restaurante Naf Naf Jacumã Restaurante

Restaurante Jacumã Jacumã Restaurante

Miramar Restaurante Porto Mirim Restaurante

Water Park do Nordeste Muriú Clube

Portugalia Ilmo Pesca e Bar Porto Mirim Clube

Santa Mônica Parque das Águas Porto Mirim Clube

Quadro 1 – Relação dos equipamentos de hospedagem e restauração da atividade turística nos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim/RN.

Fonte: Secretaria de Turismo do RN – SETUR, Secretaria de Turismo do Município de Ceará-Mirim e amostra da pesquisa em campo.

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crescimento significativo a partir de 2001, mas especificamente em 2004, fato esse que se explica a partir da política do PRODETUR.

Por meio de investigações empíricas, realizadas na área em estudo, no mês de fevereiro de 2006, percebeu-se que, em períodos anteriores, a pesca e o artesanato se constituíam nas únicas e principais fontes de renda para a maioria da população litorânea. Com a inserção do turismo, atividade que tem como uma de suas características proporcionar uma diversidade de serviços, tem-se observado uma maior dinamização local. Quanto aos empregos gerados, não existem dados concretos dispostos nos órgãos competentes, porém, de acordo com as Secretarias de Turismo dos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim, houve uma melhoria na quantidade e qualidade dos serviços, embora a área ainda esteja carente quanto à parte de infra-estrutura. Calcula-se, também, que aproximadamente 50 % da população informal litorânea vêm sendo empregada. Porém trata-se de uma relação de produção que ainda se desenvolve com uma lógica própria, isso se deve ao fato de que a maioria da população envolvida com a atividade turística possui baixo grau de escolaridade, não recebe apoio do poder público local, nem dos gestores envolvidos com a atividade turística, tornando, portanto, uma relação de produção que nem sempre se torna coerente com a essência da lógica capitalista que pressupõe um modelo mais organizado no que diz respeito à produção de renda.

A área litorânea dos municípios de Extremoz e Ceará - Mirim é marcada por inúmeros problemas, dentre eles: população com baixa renda, construções de obras públicas em locais inadequados13, pouco acesso a serviços públicos (saúde, segurança, educação e etc.), ausência de saneamento básico e de estação de tratamento de esgoto (ETE), destinação final do lixo em pequenos lixões e uso de materiais para construção civil.

Nunes (2000, p. 51), referindo-se aos esgotos, observa:

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Do ponto de vista da saúde, salienta Nunes (2000, p. 55): “A água contaminada acarreta inúmeras doenças, entre elas: diarréias infantis, febre, tifóide, cólera e verminoses diversas.”

Quanto ao lixo urbano e ao seu destino final, o município de Ceará-Mirim produz em média 30 ton/dia e Extremoz 20 ton/dia, que juntos produzem aproximadamente 50 ton/dia (NUNES, 2002). Quanto ao seu destino, atualmente o município de Ceará - Mirim conta com um aterro sanitário construído em seu território para destinação de resíduos sólidos. Porém, esse fato não condiz com a realidade do município de Extremoz. De acordo com o Secretario do Meio Ambiente, toda deposição de seus resíduos sólidos vai para um lixão, localizado em seu território, numa área de relevo plano aberto para deposição de lixo do município próximo à praia de Jenipabu. Todos esses fatores mencionados, além de indicar uma má qualidade de vida da população local, não são condizentes com o desenvolvimento do Turismo.

Nunes (2000), estudando a Região da Grande Natal, elaborou uma Carta Geo-ambiental da Grande Natal (vide mapa 4), que identifica e aponta áreas de uso restrito, inadequado e adequado, cuja finalidade é fazer um melhor aproveitamento do espaço geográfico, respeitando-se a capacidade de uso, produção e limitação de cada domínio. Neste sentido, a carta faz referência à área de estudo, classificando-a, de uso restrito e inadequado a aterros sanitários, cemitérios, fossas sépticas, lagoas de efluentes industriais e domésticos, estradas e edificações, mecanização agrícola, obras enterradas e material para construção civil, como areia e argila.14

14

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Mapa 2: Carta Geo-ambiental da Grande Natal. Fonte: Nunes (2000, p.119)

Os municípios de Extremoz e Ceará

- Mirim estão classificados na carta

geo-ambiental, em áreas de uso

restrito e inadequado para: aterros

sanitários, cemitérios, fossas

sépticas, lagoas de efluentes

industriais e domésticos, estradas e

edificações, mecanização agrícola e

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No que tange às políticas ambientais voltadas para os municípios, percebe-se uma grande fragilidade na administração pública bem como dificuldades em as gerir. Segundo a Secretaria do Meio Ambiente de Extremoz, atualmente a mesma não possui projetos de proteção ou manutenção dos espaços naturais efetivados, todos se encontram em fase de elaboração ou em andamento; também não há uma política ambiental definida. Fato semelhante se verifica no município de Ceará-Mirim que, embora possua uma política ambiental definida, que está preceituada na lei municipal Nº 1.459/2005 de 16 de dezembro de 2005 conforme preceitua o art. 225 da Constituição Federal e art. 98 da Lei Orgânica do município e de outras providências, está presente apenas no papel pois, na prática, nada foi aplicado. Quanto aos projetos, a situação é semelhante a do município de Extremoz, não existe ainda um projeto ambiental definido, todos ainda estão em fase de elaboração.

Vale ressaltar um fator preponderante que vem contribuindo para grandes modificações na especificidade da paisagem assim como no conjunto das relações sociais e econômicas da região litorânea. Esse fator diz respeito a uma construção de grande porte, que é a ponte Newton Navarro, a qual já se encontra concluída. Trata-se da nova ponte, que liga os bairros de Santos Reis e Redinha: a Ponte Newton Navarro15, que tem como principal objetivo, dentre outros, dinamizar o Turismo para o Litoral Norte, o que vem sendo, adicionalmente, um fator contribuinte para o crescimento econômico dos municípios, tendo em vista aumento da procura de imóveis e terrenos a partir do início de sua construção.

Fotografia 1 – Ponte Newton Navarro. Fonte: Andréa Hart (ABR/2007)

15

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Nesse contexto, Nascimento (2005, p. 15) ao fazer uma análise acerca da inserção de um empreendimento de grande porte, em uma determinada área, afirma:

[...] acarreta consigo mudanças tanto a nível da morfologia urbana

quanto ao nível do cotidiano das pessoas ali presentes. Essa inserção desse instrumento condiciona um processo de reestruturação, visto que vai alterar tanto estruturas físicas quanto sociais a nível parcial ou total.

Ainda de acordo com Nascimento (2005, p. 27): “A ponte Newton Navarro pode ser considerada como um empreendimento causador de grande impacto”. O Plano Diretor de Natal em seu capítulo IV, art 35 ressalta:

Empreendimentos de impactos são aqueles públicos ou privados que quando implantados, venham a sobrecarregar a infra-estrutura urbana ou, ainda que tenha uma repercussão ambiental significativa, provocando alterações nos padrões funcionais e urbanístico da vizinhança ou do espaço natural circundante (NASCIMENTO, 2005, p.27).

De acordo com o senhor Antônio Marinho, supervisor geral da imobiliária Marinho Imóveis, localizada no bairro da Redinha Velha, que funciona a trinta e quatro anos, sendo, portanto, a mais antiga imobiliária da Região, há existência de um maior interesse pela área, pois a procura por terrenos e imóveis durante os últimos cinco anos tem aumentado, porém, no último ano, verifica-se uma maior intensificação, com a construção da Ponte Newton Navarro (informação verbal)16. De acordo com o supervisor, os Europeus são os maiores interessados, mais especificamente portugueses e italianos.

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em 2006 no município de Extremoz. Esse valor aumentou para 49.800, ou seja, em um recorte temporal de cinco anos observou-se um aumento em termos de percentual de 118%; acredita-se que esse crescimento esteja atrelado à atividade turística. Marcelino (1999, p. 51) em sua pesquisa fez a seguinte colocação:

Os acessos viários aos núcleos populacionais são asfaltados, o que facilita o surgimento contínuo de novas construções. Mesmo assim, ainda se mantém a característica de horizontalidade na ocupação, quase não existindo edificações de mais de três pavimentos (a exceção é um edifício na praia de Jenipabu, construído na década de 80). Portanto é possível se descortinar a paisagem característica do lugar, por não haver maiores interferências na visualização do relevo dunar, composto pelo branco de areias e o verde da vegetação que fixa as partes mais elevadas do terreno ondulado.

Através de informações do setor de infra-estrutura, do Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (PRODETUR), pode-se firmar que o novo Pólo de investimento será o litoral norte, pois se trata de uma área que se enquadra na atual tendência da atividade, tendo em vista que os turistas e investidores da área de turismo buscam lugares tranqüilos, que ainda preservem em sua estrutura características naturais e culturais, por tratar-se de um turismo diferenciado, o qual necessita de grandes áreas.

Ratificando este fato, em 27 de fevereiro de 2005, foi publicada uma reportagem no Jornal Tribuna do Norte em que Porpino (2005) ressalta o aumento de investimentos no Estado por grupos estrangeiros, havendo pelo menos dezessete grandes empreendimentos de grupos europeus em andamento no litoral oriental norte, dos quais cinco se encontram na faixa litorânea dos municípios de Extremoz e Ceará - Mirim/ RN, apontando ainda que estrangeiros buscam uma cidade pequena, provinciana, tranqüila e com baixo custo de vida. Vale salientar que, em uma entrevista realizada recentemente, no mês de setembro de 2007 com a secretária de infra-estrutura de Extremoz, esse número de empreendimentos não condiz mais com a atual realidade, tendo em vista que, apenas na faixa litorânea do respectivo município, foram aprovados e estão em processo de construção 17 novos hotéis.

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A Lei orgânica do município de Extremoz (1990, p.7) enfatiza em seu capítulo V, artigo 17, inciso IX, que é preciso “zelar pela preservação do patrimônio histórico, cultural, artístico, paisagístico e turístico, observadas a legislação e a ação fiscalizadora estadual e federal”. A lei orgânica do município de Ceará-Mirim (1990, p. 39), em seu capítulo X, artigo 121, ressalta: “o município promove e incentiva o turismo, fator de desenvolvimento econômico e social, como atividade prioritária, tendo como princípio de sua exploração, a preservação ecológica e proteção ao meio ambiente”.

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4 DO TURISMO DE PASSAGEM AO DESENVOLVIMENTO

A proposta deste capítulo é fazer uma análise teórica empírica do Turismo nos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim. Para isso estamos partindo do pressuposto de que a atividade turística, não vista apenas como uma atividade econômica, mas, acima de tudo, enquanto prática social, pode ser implementada como uma das alternativas propulsoras de desenvolvimento na área em estudo, desde que seja realizada com seriedade, e que a melhoria da qualidade de vida da sociedade seja um compromisso prioritário no contexto das chamadas políticas públicas e isso inclui, dentro desse mesmo contexto de desenvolvimento da atividade turística, o planejamento como elemento fundamental e indispensável.

Na primeira parte buscaremos apresentar como a atividade turística acontece nos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim/RN; num segundo momento desenvolveremos esforços na tentativa de refletir sobre a relação entre a atividade turística, em sua situação atual, nos referidos municípios, com a proposta do conceito de desenvolvimento na perspectiva do desenvolvimento socioespacial sustentável.

Ao falarmos em Turismo no município de Ceará-Mirim, podemos dividi-lo em itinerários: no primeiro, é o turismo mais interiorano, realizado na sede do município, é o que se chama de turismo pedagógico, que em sua maioria é realizado por instituições de ensino que têm como público-alvo, estudantes e pesquisadores, que saem dos mais diversos municípios para vivenciar o contexto histórico do município, onde os engenhos são os principais pontos de atração. Suas vindas são conduzidas em sua maioria por ônibus alugados ou trens. No que diz respeito à recepção, esta é realizada por jovens guias de turismo, os quais são frutos de um convênio com o Governo do Estado, Banco do Nordeste e prefeituras que fazem parte do pólo Costa das Dunas.

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os restaurantes, Miramar, Jacumã, e Naff Naff17. A Lagoa de Jacumã e o Pargos Clube do Brasil também constituem num dos principais pontos de visita.

Já no município de Extremoz, de acordo com a Secretaria de Turismo, a atividade ocorre predominantemente no litoral. A vinda dos turistas, assim como no município de Ceará-Mirim, é viabilizada por agências operadoras localizadas em Natal; buggys e ônibus constituem os principais meios locomotores dos passeios. O percurso tem início na Redinha, lá se encontra o Aquário Natal18, cujo grande atrativo são as espécies de animais, tais como: tubarão, moréias, peixes de corais, cavalos marinhos e pingüins; em seguida a praia de Santa Rita onde a emoção do passeio consiste em ver as praias de Redinha e Genipabu, do alto das dunas; Em seguida há a praia de Jenipabu, que de acordo com a Secretaria de Turismo, é considerada o ícone do turismo potiguar, constituindo-se em um dos pontos turísticos mais procurados. Lá existe o passeio de bugre nas dunas19, ski bunda20, o passeio de dromedários21 e jegues também em cima das dunas; ainda em Jenipabu, há os passeios de jangadas, de cavalos22, presença de barzinhos e lojas de artesanato23. Continuando pela orla litorânea, o próximo ponto turístico é a travessia de balsa na Barra do Rio, na foz do Rio Ceará - Mirim, em seguida tem a praia de Graçandu, com lagoas naturais. Na praia de Pitangui um dos pontos turísticos mais visitados é a Lagoa de Pitangui.24

17

Vide fotografia 2.

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Vide fotografia3.

19

Vide fotografia 4.

20

Passeio que se realiza através do deslizamento nos morros de areias em cima de pranchas de madeira até o mar.

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Fotografia 2 – Restaurante Naff Naff - praia de Jacumã. Fonte: Idiana Soares (ABR/2007)

Fotografia 3 – Aquário Natal localizado na praia da Redinha Nova. Fonte: Idiana Soares (ABR/2007)

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Fotografia 5 – Passeio de dromedário. Fonte: Idiana Soares (ABR/2007)

Fotografia 6 – Passeio de cavalo. Fonte: Idiana Soares (ABR/2007)

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Fotografia 8 – Lojas de artesanato na praia de Jenipabu. Fonte: Idiana Soares (ABR/2007)

Trata-se de uma área rica em belezas naturais, fator fundamental de atração turística, no entanto essa beleza esta associada a inúmeros problemas os quais constituem barreiras para a promoção do desenvolvimento da atividade bem como da comunidade local.

Os municípios de Extremoz e Ceará-Mirim não fogem às características comuns das várias cidades que compõem as regiões do nordeste brasileiro, onde predominam carências sociais das mais variadas ordens e relações de produção que ainda se desenvolvem com uma organização própria desse grupo.

O PRODETUR/NE tem como objetivo desenvolver e consolidar a atividade turística na região nordeste, aproveitando o enorme potencial natural existente e ao mesmo tempo, garantir a sustentabilidade econômica, ou seja, a geração de trabalho de forma digna, a possibilidade e a distribuição de renda, através de uma atividade crescente mundialmente, como forma de reduzir e eliminar a desigualdades sociais entre as diversas regiões do país. No entanto, os dados obtidos através das entrevistas sobre geração de emprego e renda mostrou-nos que a absorção de trabalhadores pelos empreendimentos turísticos e os baixos salários bem como a informalidade não condizem com o objetivo de geração de emprego e renda apresentados pelo Programa para o Desenvolvimento do Turismo no Nordeste – PRODETUR /NE.

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área em estudo, podemos perceber claramente, no que diz respeito ao processo de organização do espaço litorâneo pela atividade turística, as marcas da pobreza.

É comum nos espaços turísticos em estudo, a associação dos equipamentos turísticos à sujeira, lixos espalhados, falta de qualificação profissional, à precariedade de infra-estrutura de saneamento básico, casas abandonadas, bares, hotéis e agências fechadas, proliferação de favelas e construções em locais inapropriados, ausência de sinalização, dificultando o acesso aos destinos turísticos, problemas de iluminação e conseqüentemente de segurança, limitando o trabalho dos vendedores locais.

A resolução desse impasse pode ser obtida através de um planejamento socialmente justo, que leve em consideração as relações sociais, a estrutura institucional local, migrações, sazonalidades e suas conseqüências na dinâmica local, a geração de emprego e renda. Todos esses elementos levados em consideração estão na base do planejamento estratégico.

Por planejamento estratégico entende-se um processo de gestão de ações e empreendimentos, estabelecidos a partir de um processo decisório sistematizado, voltado e comprometido com estratégias definidas para o alcance do objetivo futuro. Ele busca, a partir da análise do presente, definir ações que terão influência no futuro, para que sejam atingidos os objetivos propostos. Dessa forma, leva em consideração, principalmente, as conseqüências futuras de ações tomadas no presente.

Nesse sentido, Beni (2006, p.94) defende que o planejamento estratégico deve apoiar-se na participação social, bem como na equidade, intersetorialidade e sustentabilidade. Afirma ainda que:

Tal ação interativa certamente representará um esforço ponderável na construção de um modelo de desenvolvimento integral, integrado e sustentável, possibilitando superar paulatinamente a reprodução da pobreza e da exclusão social provocada pelo aumento das desigualdades, da internacionalização da economia, da incontrolada competitividade e do esgotamento das verbas públicas. Nesse processo integrado, a ênfase recai na observação de possíveis conseqüências das políticas25 alternativas ambientais, sociais e econômicas para, só então, por meio de sua avaliação em

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comparação com os objetivos, aplicar as medidas e os passos mais indicados (BENI, 2006, p. 94).

Nesse sentido observou-se na área em estudo que ainda não existem ações articuladas entre os setores, instituições municipais e estaduais quanto às propostas de desenvolvimento da atividade turística, implicando em ações superpostas, desarticuladas, que não possuem um encadeamento lógico, não contribuindo dessa forma para os benefícios sociais, ambientais e econômicos.

Portanto, partimos da idéia de que, para que possamos pensar no desenvolvimento do turismo de forma sustentável nos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim, deve-se, antes de mais nada, contemplar as necessidades e expectativas coletivas da população local, comerciantes envolvidos com a atividade e os visitantes, ou seja, os turistas. Nesse sentido, com o objetivo de identificar necessidades e subsidiar as proposições de políticas públicas e estratégias que viabilizem a sustentação econômica dos negócios que se desenvolvem nos espaços turísticos, foram aplicados questionários por meio dos quais realizou-se uma análise quantitativa e qualitativa das variáveis de interesse do presente estudo, tento sua população composta pelos seguintes atores: comunidade local, comerciantes envolvidos pela atividade e turistas.

4.1 DADOS GERAIS

Foram aplicados 400 questionários nas praias pesquisadas entre comunidade local, comerciantes e turistas.

4.1.2 Perfil do entrevistado: turista

(51)

4.1.2.1 Sexo

Em relação ao sexo, durante o período das entrevistas realizadas em todas as praias pertencentes aos municípios de Extremoz e Ceará-Mirim, há uma equivalência entre o público masculino e o público feminino conforme o gráfico 1. No geral 51,43% são do sexo masculino.

Gráfico 1 – Sexo.

Fonte: Pesquisa de campo 2007.

4.1.2.2 Faixa etária

Imagem

Gráfico 2 – Faixa etária.
Gráfico 3 – Profissão.
Gráfico 5 – Presença nesta localidade outras vezes. Fonte: Pesquisa de campo 2007.
Gráfico 6 – O que motivou a visita.  Fonte: Pesquisa de campo 2007.  Obs: Questão de múltipla escolha
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Referências

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