CAIXA POSTAL 4OS1 ZC - O5
RIO DE JANEIRO GUANABARA - BRASIL
ESCOLA DE POS-GRÁDUAÇAO EM ECONOMIA
PA FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS
Tese de Mestrado, apresentada à Escola pelo e
conomista JOSÉ LUIZ DE CARVALHO, examinada pelos
professô-íes Augusto Jefferson de Oliveira Lemos, C. Elton Hinshaw
e Werner Baer, e aprovada com grau 8,6 (oito vírgula seis).
Rio de Janeiro, 31 de Julho de 1969.
o EPGE/IBRE
SY JSOE DE OLIVEIRA
Coórdenador/EPGE
A-4 Formato Internacional
CAIXA POSTAL 4O81 ZC - OS
RIO DE JANIIRO - BRASIL
Rio de Janeiro, 15 de julho de 1969,
A Direção da Escola de Pós-Graduação em Economia
do Instituto Brasileiro de Economia
da Fundação Getúlio Vargas
EXAME DE TESE
(Declaração)
Para os devidos fins, declaro que examinei a Tese de
Mestra-d0 apresentada pelo candidato sr. JOSÉ LUIZ DE CARVALHO» sobre "Bancos
Comerciais no Brasil - Considerações Gerais - 1968",
Tratando-se mais de generalidades, embora se apresente como
boa tese, sobretudo por sua oportunidade, atribuo-lhe o grau 8 (oito).
AUGUSTO^JEFFEBSON
DE
OLIVEIRA
LEMOS
Prof.: Teoria Econômica Geral
-A-4 Formato Internacional
CAIXA POSTAL 4O81 - ZC - OS
RIO DE JANEIRO - GUANABARA BRASIL
I have examined the Master's Thesis of JOSÉ LUIZ
CARVALHO, "Bancos Comerciais no Brasil - Considerações Gerais
1968".
I have found the thesis to be of high quality
and recommend a grade of nine (9).
February 23, 1969
C. ELTON HINSHAW
Visiting Professor
Sepge/ibres
A-4 Formato Internacional
NASHVILLE, TENNESSEE 37203 Tblephone 254-5411 Área 615
Department of Economics & Business Administration
February 23, 196?
Professor N«y Coe de Oliveira
EPGB
Fundação Getúlio Vargas
Praia de Botafogo 190
Rio de Janeiro, GB
Brasil
Dear Professor Ney:
Bnclosed I aro returning the thesis of José Laia de Carvalho,
"Bancos Comerciais No Brasil11. " "
I find Mr. de Carvalho*s thesis acceptable and I am giving it
the grade of H9M.
Sincerely yourg,
Werner Baer
N0BHA3IL
Consld«r*ç5«i (tarais
José Luia de Carvalho - 1963
i
Os problemas relativos ao sivtema bancário até* bem pouco
tempo não eram considerados pelos economistas pelo fato de terem
as atividades governamentais poder de controlá-lo* Uma vez que
as autoridades pudessem intervir a qualquer instante no sistema /
de modo a corrigir qualquer de suas tendências, pensavam os estu
diosos dos problemas econômicos que deste modo - sendo o sistema
bancário controlado pelo governo - qualquer esfSrço de explicação
teórica de seu funcionamento seria infrutífero* Dal porque por
muito tempo pouco ou quase nada se fea nãste campo. Estudou-se /
os sistemas bancários como simples peça de um complexo chamado /
Sistema Monetário, sem preocupação de se formular uma teoria a
respeito do sistema operacional dos bancos, estrutura eoneorrenci
ai, composição dos custos etc* For este motivo torna-se difícil
preparar um estudo, neste campo, rico em teoria» A escassez de
teorias bem como a dificuldade de acesso as mesmas - por serem /
mais ou menos recentes os estudos feitos nos países adiantados /
ainda não são muito divulgados fora dos mesmos - alem da imaturi
dade que possuo, impediram-me de elaborar um estudo bem mais sa
-fisfiçado como era de se esperar» For outro lado as limitações /
de tempo financeiras e de informações foram responsáveis pela fal
ta de profundidade de alguns pontos*
Gostaria de agradecer ao Ministro do Planejamento que a*
travas de seu Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas promo
-veu financeiramente um estudo sobre bancos por mim elaborado que
serviu de base para este trabalho*
Hão poderia deixar de agradecer ao Professor David E. Go
odman da Universidade de Berckley (Califórnia * Estados Tinidos) /
que muito me auxiliou, orientando-me e incentivando-me nas etapas
mais difíceis embora, todos os conceitos, comentários e conolu
-soes que constam deste trabalho sejam de minha inteira responsabi,
lidade*
CONSIDERAÇÕES GERAIS
APRESENTAÇÃO
INSTRODUÇlO
CAPÍTULO I
CAPÍTULO II
-3.
4.
5.
6.
O SISTEMA BANCÁRIO BRASILEIRO
1. Histórico
2. Descrição
CONSIDERAÇÕES SOBRE OS SERVIÇOS BANCÁRIOS
1. Instrodução
2. Bancos como Empresa.
A procura dos depósitos
A oferta dos depósitos
Os serviços de crédito
Outros serviços
CAPÍTULO III - A ESTRUTURA E A AÇÃO DOS BANCOS
1. Introdução
2. Numero de Rivais
A Concentração
A Substituição
A Entrada de novas firmas
Evidências sô"bre o grau de concorrência
no sistema "bancário "brasileiro
- ECONOMIAS DE ESCALA
1. Introdução
2. As Pontes de Economias de Escala nos
-Bancos
3. Custos operacionais
4. Metodologia
CONCLUSÕES
3.
4.
5.
6.
A primeira idéia que tivemos era de elaborar um estudo
sobre a existência de economias de escola nos bancos brasilei
-roa.
Assim
teríamos
necessidade
de
outros
estudos
a respeito
/
dos bancos, para diste modo nos dedicarmos exclusivamente às
e-eonomias
de
escola.
Uma
vez
que não
possuíamos
as
informações
desejadas resolvemos mudar o objetivo do estudo*
Por certo qualquer conclusão que se cheque sfibre as e*
conomias de escola no sistema bancário brasileiro embora impor
tante, não se constituirá num resultado muito signifieante uma
vez que pouco ou quase nada ae conhece do sistema bancário no
Brasil. Por isto mesmo, procuramos através de um trabalho gene
rico levantar alguns aspectos do problema que devem ser estuda
dos. Assim, é bom que se analise este estudo lesando em consi
deração que seu principal objetivo é o de despertar nos estudiç»
aos o interesse pelo problema.
Hosso trabalho, será desenvolvido em IV Capítulos,
re-sumidos num conjunto de conclusões apresentados ao final do es
tudo. Procuraremos nas nossas análises caracterizar o comporta
mento dos bancos comerciais brasileiros e justificar eu refutar
a afirmação de que existem economias de escola para estes ban
-eos.
O Capítulo I procurará descrever o sistema bancário /
não só* nos seus aspectos históricos mas também funcionalmente.
O Capítulo II apresentará os serviços prestados pelos
bancos brasileiros, destacando o conceito do banco como empre
sa, analisando as condições da oferta e procura de depósitos /
bem como as dos serviços de crédito. Os outros serviços bancá
rios serão também analisados mas de maneira superficial.
O Capítulo III terá por finalidade apresentar algumas
peculiaridades a respeito da estrutura do sistema no Brasil, /
tentando caracterizar o grau de concorrência entre os bancos*
Ha medida do necessário apresentará a influencia da legislação
sobre as decisões no sistema.
O Capítulo IV - será desenvolvido com base nos resulta
dos dos capítulos anteriores e procurará testar a hipótese de
CAPÍTULO I
O SISTEMA BANCÁRIO BRASILEIRO
1* Histérico
O sistema bancário no Brasil, apesar da existência
desde a época colonial de um razoável movimento
financeiro,-nao pode florescer principalmente devido aos lucros exagera
dos do comércio* Como as transações comerciais, permitiam um
lucro muito elevado, náo havia motivação para criar-se um
-banco que certamente daria lucros inferiores aos que se pode_
riam auferir com o comércio comum*
Uma outra causa do retardamento da abertura de ban
cos no Brasil se prende ao fato de que a própria
Metrópole,-nao possuia banco algum. Com a vinda da família real em 180$
criou-se o "Banco do Brasil11 (nao confundir com o atual Ban
co do Brasil) que além de ser o primeiro banco aberto no
-Brasil foi o primeiro banco do Reinado Português»
No princípio, os bancos brasileiros tinham o cará
ter emissor e uma vez superadas as dificuldades provenientes
da imaturidade ou mesmo da instabilidade politica,novos ban
cos foram surgindo oferecendo agora serviços de depósitos e
de crédito e alguns mesmo de câmbio* A medida que as transa
ções com o exterior aumentaram, bancos estrangeiros abriram
agências no país e o número de bancos que operava com câmbio
aumentava*
Nesta fase inicial, os tipos de operação mais co
-muns eram as comerciais embora fossem conhecidos financiamen
tos de Safras de matérias primas para a indústria ou ainda
-os investimentos agrícolas»
A medida que o sistema foi se desenvolvendo, a ne
cessidade de fiscalizar a ação dos bancos obrigava as autori
dades governamentais a criar um mecanismo fiscalizador» As
-sim o governo decidiu criar o Banco do Brasil em 1906* Com
-as características de banco comercial, mas exercendo ativida
des de Banco Central, logo mais tarde, 1920, criou-se a
Ins-petoria geral dos Bancos, subordinada ao Ministério da Fazen
da, para fiscalizar os bancos, casas bancárias e quaisquer
Entretanto, a fiscalização aos "bancos era bastante ineficien
te. Na época da segunda grande guerra, devido a inflação e a
+ineficiar fiscalização o número de bancos cresceu assusta
-douramente. A necessidade de um maior controle do sistema se
impunha. Assim criou-se a Superintendência da Moeda e do Cré
dito com a finalidade de exercer uma maior fiscalização sô
-bre o sistema e de preparar a organização do Banco Central
-do Brasil.
Com a sumoc a fiscalização passou a ser mais rigo»
sa mas era ainda necessário criar-se o Banco Central. Duran
te este período, as atividades do Banco Central eram exerci
das pelo Banco do Brasil, pela Sumoc e pela casa da Moeda.
Com o passar do tempo, o sistema bancário brasilei
ro foi se solidificando de modo que, hoje, apesar do Brasil
ser um país com todas as características dos subdesenvolvi
-dos, possui um sistema bancário já razoavelmente desenvolvi
do e que vem satisfazendo às exigências do sistema. Embora
-seus serviços não sejam bem distribuídos pelo país, algumas
regiões brasileiras já podem contar com bancos modernos,
-aptos a responder a qualquer desafio que lhes sejam propôs
-tos.
A importância do Sistema bancário no Brasil pode
-ser constatada pela participação dos depósitos a vista no vo
lume de meios de pagamento e pelo número de cheques compensa
dos. (tabelas I e II)
2. Descrição
0 sistema bancário brasileiro é constituído basica
mente de um Banco Central, de alguns bancos especiais, dos
bancos eomerciais e por outras entidades de crédito e finan
ciamento*
Como é do conhecimento geral, o Banco Central brasi
leiro surgiu em 3l/l2/l964 com a lei 4595. Como anteriormen
te as atividades do Banco Central eram exercidas pela SUMOC,
Banco do Brasil e pela Casa da MOEDA. 0 Banco Central do Bra
sil absorveu tanto a SUMOC como a Casa da MOEDA bem como to
das as atividades do banco central exercidas até então pelo
Banco do Brasil, Como foge aos nossos objetivos, dispensare
mos maiores considerações a respeito do Banco Central.
Os bancos especiais existentes no país são os ban
-cos de desenvolvimento, o Banco do Brasil e mais recentemen
-Brasil ser um "banco comercial o que justifica sua inclusão
em nosso estudo não vamos considerá-lo por suas características
atuais bem como pela sua atividade de banco central exercida
-no passado*
Os bancos comerciais que são o objeto de nosso estu
do sao bancos que praticam serviços de crédito por prazo relati
vãmente curto, sendo por isto mesmo considerados como os
supri-dores de capital de giro das empresas brasileiras. Utilizam- se
principalmente de duplicatas e notas promissórias conforme ex
-plicaremos mais adiante. São bancos que sofrem um controle rela
tivamente grande das autoridades monetárias, fiste controle se
-faz
sobre
o volume
de
empréstimos
através
da
fixação
de
encai
-xes
obrigatórios
e dos
depósitos
compulsórios.
A expansão
atra
vés agências é controlada tanto quantitativamente quanto regio
nalmente pela fixação de cotas anuais de agências bem como pro
curando
através
de
incentivos localizá-las
nas
regiões
mais
ne
cessitadas*
As
demais
entidades
de
crédito
e financiamento
são
as
seguintes:
Caixas Econômicas que anteriormente eram destinadas a
guardar as economias popular, modificaram seu comportamento di
ante ao grande desenvolvimento dos bancos, passando a concorrer
com os mesmos por depósitos.
Sociedades de crédito e financiamento, são sociedades
de crédito que não podem criar moeda escriturai cobd os bancos
-nem realizar operações de curto prazo»
Temos ainda as sociedades ou fundos de investimentos
que se dedicam a compra e venda de títulos; as cooperativas de
crédito que em algumas regiões brasileiras são importantes prLn
cipalmente no financiamento da produção agrícola, e as casas
-bancárias que tendem a desaparecer.
Deste modo, o que chamaremos no decorrer do nosso es
tudo
de
sistema
bancário
e o
que
levaremos
em consideração
para
efeito de análise será o ponjunto dos bancos comerciais, exclu
TABELA I - PARTICIPAÇÃO DOS DEPÓSITOS X VISTA NOS MEIOS BE PAGAMENTO ANOS 1955 1956 1957 1958 1959 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966
Total dos Meios
de pagamento NCrfl.000 177.923 217.283 290.939 353.138 500.572 692.032 1.041.842 1.702.262 2.792.182 5.190.709 9.104.056 10.522,100 Depósitos a vista 120,9 149.8 209.662 253.407 373,547 522,678 786,068 1.305.627 2.108.357 4.034.930 7.374.154 8.176.900 dv ^ MP 67,96 68,94 72,06 71,76 74,62 75,53 75,45 76,70 75,51 77,73 81,00 77,71
PONTES: SERVIÇO DE ESTATÍSTICA ECONÔMICA E FINANCEIRA
-CAIXA DE AMORTIZAÇÃO
II - NUMERO DE CHEQUES COMPENSADOS
- 5
-CAPÍTULO II
COKSIDERAgÕES SOBRE OS SEBVIQOS BANCÁRIOS
1, Introdução
Procuraremos neste capitulo, apresentar os servi
ços prestados pelos bancos, com uma preocupação apenas des
critiva. As dificuldades em obtermos melhores informações
-bem como a escassez das mesmas nos impediram de elaborar
u-ma análise com maiores fundamentos teóricos* Por isto mesmo
nos limitaremos a caracterizar cada um dos serviços de for
ma descritiva, como base em conhecimentos pessoais ou hipó
teses que julgamos plausíveis de modo que nenhuma conclusão
entrasse em choque com a teoria existente*
Assim, teceremos alguns comentários a respeito
-dos bancos quando considerados como empresa, isto é, o que
produzem e quais seus "inputs". Por não ser de primordial
importância para o desenvolvimento de nosso estudo não nos
aprofundaremos no assunto embora um estudo a respeito do
processo produtivo dos bancos brasileiros seja de real inte_
rêsse*
Com referência às demandas e ofertas dos diversos
produtos dos bancos, procuraremos observar o que ocorreu
-nos últimos anos no país, ressaltando as forças que inflaen
ciaram os mercados de cada produto, em especial o de depósi^
tos*
2. Bancos como Empresa
Apesar das simplificações e das críticas que se
-possam fazer podemos considerar o Banco como uma empresa*
-que transforma depósitos em ativos» Evidentemente outros
-conceitos de banco como empresa podem ser levantadas mas de
um modo ou de outro representarão este mesmo pensamento. Os
bancos são empresas que utilizando de seus "inpats", os de
pósitos, geram "outputs" como serviços de cheques, emprèsti
mos, segurança, transferências financeiras, cheques de via
gem, etc*
Devido às suas características os bancos são em
-presas que melhor e mais prontamente podem responder às va
riações do mercado* Desde que lhe seja conveniente é fácil
para um banco mudar a composição de seus ativos, isto ê do
seu produto misto, mesmo em curto prazo» fi fácil de se en
processo de produção do qual não pode se afastar totalmente
conforme a flexibilidade do processo é sempre possível uma
pequena mas não total variação. Uma vez que as condições de
mercado exijam modificações no produto e consequentemente
-em seu processo produtivo, a empresa necessitará de um prazo
para adaptar-se às novas exigências o que lhe pode acarretar
sérios transtornos* Já um "banco, por suas características não
sofrerá nenhuma solução de continuidade nem tão pouco neces
sitará de grandes transformações* Talvez seja apenas neces
-sário uma variação na composição de seu produto. Esta varia
ção consistirá tão somemte em algumas fáceis mudanças admi
-nistrativas uma vez que só se trata da substituição de um
a-tivo por outro. Assim, um banco pode com muito mais facilida
de adaptar-se às exigências de mercado ou modificar seu pro
duto de modo a aumentar sua rentabilidade - ou atingir outr»
fins- do que qualquer outra empresa. Não nos deteremos neste
ponto uma vez que sua importância para nosso estudo assim o
exige. Devemos entretanto lembrar, que existe toda uma teori
a a respeito do assunto que ao considerar o banco como uma
empresa discute as decisões que o mesmo tenha que tomar ao
-dividir seu patrimônio e seus ativos. 0 que se torna impor
-tante no momento para nosso estudo, é a caracterização do
-produto do banco*
De imediato, podemos verificar que o banco não pro
duz uma única cousa que possa ser chamada de produto do ban
co. Assim, será necessário que identifiquemos quais os produ
tos do banco, e a partir daí, utilizemos uma variável que pçb
sa representar este produto composto»
Os produtos básicos do banco são: segurança, depó
sitos, concessão de crédito, serviço de cheque e outros ser
viços. A segurança pode ser desprezada, uma vez que, por
si-só, nao representa custo algum para o banco. A concessão de
crédito depende do volume de depósitos que o banco possue, do
lapso de tempo concedido pelo banco para que cada empréstimo
seja pago, do tipo de empréstimo, das necessidades de crédi
to da região e de outras variáveis locais e do oomportamento
específico do banco, o serviço de cheque também depende
do-volume de depósitos, do numero de contas, do tipo de conta e
dos costumes da região em usar cheque. Os outros serviços
a-pesar de acarretarem rendimentos para o banco, pelo seu vola
-depósitos dependem do nível de desenvolvimento da região, tanto
econômico como comercial e educacional, e dos costumes regiona
is.
Se considerarmos, para efeito de análise, que a regi
ão é a mesma, e tomarmos os valores num dado momento, podere
-mos admitir que o volume de depósito constitui uma variável in
dependente, uma vez que, por si tratar de uma mesma região, as
variáveis locais que afetam cada um dos produtos do "banco serão
constantes de modo que poderemos desprezá-las como variáveis ex
plicativas. Por outro lado, o comportamento específico do "ban
co deverá variar conforme seu tamanho* Uma vez que o tamanho do
"banco seja medido pelo seu volume de depósito, será justo supor
que a política do "banco varie com os depósitos» Assim, os ser
viços de cheque, e os de crédito serão funções do volume de de
pósito. Deste modo, podemos admitir como razoáveis, a hipótese
de que o volume de depáotito é a variável desejada para repre
-sentar o produto do banco. Devido as dificuldades em se obter
o numero de depósito para cada banco, vamos usar, como variável
representativa do produto do banco, seu volume total de depósi
to. Evidentemente, estaremos incorrendo numa grave simplifica
-ção, uma vez que os custos dependem muito do numero de depósitos
e, também, do número das demais transações do banco. Pela im
-possibilidade de obtermos estes dados, não vamos considerar es
sas variáveis.
Outras duas variáveis além do depósito, têm sido usa
das pelos estudiosos do problema para representar o produto do
banco, e são: Ativos totais e Ativos rentáveis. Ho decorrer do
estudo, usaremos os ativos rentáveis como variável representati
va do produto.
Alguns aspectos dos serviços que os bancos prestam à
coletividade devem ser abordados principalmente os de depósito
e os de crédito. Assim, proâararemos descrever a seguir estes
tipos de serviço tentando na medida do possível tecer comenta
-rios
sobre
a oferta
e a procura
dos
mesmos.
Por
certo,
nosso
/
trabalho aqui será apenas descritivo sem muita comprovação mas,
baseado em observações pessoais e conclusões que poderemos ti
-rar
a partir
de
certas
hipóteses
que
levantaremos
no
decorrer
/
da análise.
3. A demanda de depósito
"
Os
depósitos
na
realidade
constituem
os
"inputs"
/
de serviço de cheque» Tem sido a maior preocupação dos "banquei
ros "brasileiros e é fácil de se explicar porquê. Todas as opera
ções dos bancos, estão intimamente ligadas ao volume de seus de
pósitos pois com eles consegue o "banco produzir seus ativos (pr£
duto). Nada mais justo que os "banqueiros procurarem ampliar cada
vez mais seu volume. Por outro lado o volume de depósitos de um
"banco
e consequentemente
o número
de
clientes
que
o banco
tem,
/
constituem um fator altamente representativo do poderio do "ban
-co. No período considerado, poderemos notar que a disputa pelos
depósitos deve ter sido muito intensa. As evidências nos indi
-cam como esta concorrência se processou. Be Início, tentaram os
bancos
conseguir
mais
depósitos
através
do
pagamento
de
juros
/
mais elevados ou prêmios aos depositantés. Contra esta preten
-ção se opôs as instruções 34, 36, 38 e 56 da SDMDO que fixavam /
as taxas máximas de juros a serem pagas a cada tipo de depósito.
A pressão dos banqueiros sobre as autoridades foi tão intensa /
que em fevereiro de 1954 através da instrução 84 a SDMOC libera
va as taxas de juros pagas pelos bancos aos seus clientes em to
das as contas, encarregando porém a Inspetoria Geral de Bancos /
de observar e registrar os efeitos desta medida. Devido aos e
-feitos maléficos dessa concorrência, explicados no relatório da
Inspetoria, em outubro do mesmo ano, pela instrução 105 a SUMOC
fixava de novo, limites para todos os tipos de depósitos banca
-rios.
Devido a impossibilidade legal de se obterem maiores
depósitos pelo aumento da taxa de juros paga pelos bancos, o pro
blema foi contornado através da ampliação dos serviços, da propa
ganda e mesmo da expansão do número de agências. Assim os ban
-cos
passaram
a prestar
outros
serviços
como
os
de
recebimento
/
das contas de gaz, luz e telefone, com rendimento líquido muito
pequeno ou negativo» A inclusão de moças nos «eus quadros de
funcionários foi um aspecto curioso do problema. Com a finalida
de de conservar seus clientes e conseguir novos, os bancos empre
garam moças, normalmente vistosas que muito bem vestidas atendi
am os clientes aos balçães. Assim, dando maior conforto aos cli
entes que passaram a ser muito bem atendidos, pretendiam os ban
cos
aumentar
ou
mesmo
conservar
seus
depósitos.
A preocupação
/
pelo conforto não ficou aí. Um outro aspecto que deve ser lembra
do diz respeito às agências dos bancos. Se observarmos o imobi
lizado dos bancos no pwpíodo em causa (1955 - 1966) vamos verifi
car
que
o mesmo
vem
aumentando
gradativãmente
sua
participação
/
na destribuição do ativo dos bancos. Isso se explica por dois mo
tivos; o primeiro - devido a inflação os bancos procuravam atra
infla-inflacionária e o segundo, foi a propaganda e uma vez mais a con
corrência pelos depósitos* A medida que a concorrência pela pro
cura de depósitos aumentava, os "bancos procuraram através de agfct
cias confortáveis e muito bem decoradas - principalmente nas gwn.
des praças - conseguir o maior numero de clientes*
Uma vez que não era possível concorrer através das ta
xas de juros pagas pelos depósitos e os serviços adicionais bem
como o maior conforto do cliente náo foram considerados sufieien
tes, os bancos procuraram na expansão do número de agências a s£
lução do problema* Deste modo, o número de agências se expandiu
não só devido à inflação que a facilitava mas também devido a
necessidade dos bancos em conseguir maiores depósitos* Evidente
mente, diante deste comportamen o, as autoridades monetárias ti
veram que intervir e o fizeram através da SUMDC que com suas inji
truções limitavam o número de agências que cada banco poderia
a-brir anualmente, facilitando sua localização nas regiões menos /
dotadas de assistência bancária e dificultando sua proliferação
nas regiões mais bem dotadas principalmente nas cidades do Eio
-de Janeiro e de Sao Paulo.
A expansão do número de agências tem um outro aspecto,
o da propaganda* Devido a grande concorrência entre os bancos pe_
los depósitos, a propaganda bancária assumiu no paíz proporções
imensas e o número de agências foi e ainda é um dos pontos mais
explorados publicitàriamente* Por outro lado, a expansão do nú
mero de agências de um banco se traduzia de seus serviços pres
-tados aos seus antigos clientes que com mais agências espalhadas
pelo paiz viam facilitado o bom andamento dos seus negócios* In
felizmente não podemos medir ou qualificar melhor nossas afirma
ções, mas acreditamos que os pontos abordados foram as principais
armas
usadas
pelos
bancos
na
concorrência
pelo
maior
volume
de
/
depósito*
4. A oferta de depósito
Com relação à oferta de depósito devemos destinguir /
dois tipos básicos: os depósitos a vista e a curto prazo (depÓsi,
tos com pr%zo inferior a 90 dias) e os depósitos a longo prazo*
Ho Brasil, tradicionalmente os depósitos a prazo regresentam uma
parcela pequena do total dos depósitos* Conforme podemos observar
- tabela
I,
coluna
1 -
os
depósitos
à prazo
no período
1955/66
/
representam menos de 15# do volume total dos depósitos de todos
os bancos comerciais excluindo o Banco do Brasil, o que se pode
o que certamente os impossibilita de competir com títulos que em
bora passíveis de risco apresentam taxa de rendimento
superior,-obtendo por isso mesmo a preferência dos investidores. Nos anos
mais recentes, apezar da correção monetária a que estes depósi
-tos estão sujeitos não houve modificação sensível em sua particl^
pação total,
A oferta dos depósitos à vista se faz através dos de
pósitos
em
conta
corrente
popular,
em conta
corrente
limitada,
/
em conta corrente sem limite, em conta corrente sem juros, e ae
aviso (já extintos) além dos depósitos do setor público.
Os depósitos em conta corrente popular representam a
oferta
proveniente
das
pessoas
físicas
que
em sua
maioria
mantêm
este
depósito
a título
de
transação.
Além
das
pessoas*
físicas,-as instituições de caridade, religiosas, educativas ou culturais,
beneficentes ou recreativas também mantêm depósitos populares,
Não sabemos ainda com certeza o que leva o indivíduo a procurar
tal
ou
qual
banco,
bem
como
qualquer
destas
instituições,
para
/
efetuar
este
tipo
de
depósito,
entretanto
possuimos
algumas
hipó,
teses que talvez expliquem o fato.
Vamos
admitir
ò caso
de
um
indivíduo
que
procura
um
/
banco para depositar pela primeira vez. De um modo geral podemos
afirmar que o indivíduo procurará um banco que lhe seja bem co
-nhecido isto é no qual seus parentes depositem, no qual tem co
-nhecidos trabalhando, do qual já ouviu falar, etc, à medida que
o indivíduo
passe
a exigir
os
serviços
do
banco,
estes
fatores
/
iniciáíBopodem deixar de ser importantes pois a procura de maior
conforto e comodidade além de melhores serviços o levam a mudar
de banco. Este aspecto inicial foi considerado de muita impor
-tância
por
alguns
bancos
que
apezar
dos
problemas
introduziram
/
contas especiais para crianças visando com isso garantir uma ma
ior clientela no futuro além de se utilizarem deste fato que e
-feito publicitário. Um outro aspecto importante para o cliente,
principalmente para os depositantes em conta corrente popular se
prende ao fato da demora no seu atendimento, 0s bancos brasilei
ros,
em
particular
os
bancos
grandes
mostraram-se
preocupados
/
com este problema e vêm procurando melhorar seus serviços. A gran
de maioria
dos
bancos
de
penetração
que
são
os
que
enfrentam
o /
problema da concorrência utilizam-se de sistemas no qual o clien
te vai diretamente ao caixa para descontar seus cheques sem a
-quela demora tão comum até há bem pouco tempo. Evidentemente, a
ação dêstesbancos no que se refere aos serviços prestados varia
conforto que o banco oferece aos seus clientes depende do grau de
concorrência da praça.
A importância dos depósitos em conta corrente popular
pode ser atestada pela sua participação no total dos depósitos /
dos "bancos comerciais excluindo o Banco do Brasil. No período /
1955/59» os depósitos em conta corrente popular correspondiam a
cerca de 30# do total dos depósitos à vista. A medida que a infla
ção foi assumindo maiores proporções, sua participação declinou /
até 1965 quando representava pouco menos de 2096 - tabela III colu
na 2. Parece porém que a partir dos melhores resultados da polí
tica monetária colocada em prática nos anos mais recentes os de pó.
sitos em conta corrente popular retornaram sua importância na com
posição dos depósitos a vista. Assim, a análise isolada da conta
que representa o comportamento do público diante da inflação, no
que se refere a depósitos bancários, confirma seu comportamento /
tradicional, contrariando a idéia inicial que se poderia ter ao /
constatar-se que os depósitos a vista neste período aumentaram /
sua participação na composição dos meios de pagamento.
Os depósitos em conta corrente sem limite representam
a oferta de depósitos daqueles que mais se utilizam do serviço de
crédito do banco. Satãs depósitos são mantidos por entidades jurí
dicas ligadas ao processo produtivo do paíz. De um modo geral, es
tas entidades procuram dividir seus depósitos entre dois ou três
bancos, de modo a ampliar suas possibilidades de obter serviços /
de crédito. Certamente um dos bancos deverá ser seu principal for
necedor de crédito e por conseguinte receberá, não necessariamente
maior volume de depósitos. Quais os fatores que levam estas entida
des a procurar um certo banco? Uma vez mais, os fatores iniciais
são importantes, mas perdem sua importância muito mais rapidamen
te que no case dos depósitos em conta corrente popular pois as em
presas procuram os bancos principalmente pelo serviço de crédito
que eles podem lhes prestar.
Co$ relação as contas correntes sem limite devemos dis
tinguir os grandes depositantes dos pequenos. i lícito esperar
-se que os grandes depositantes representam as empresas maiores.
Esta destinção que não se fazia necessária no caso das contas cor
rentes populares por motivos óbvios, deve ser importante agora. Ê
de se esperar que as grandes empresas procurem os grandes bancos
pela possibilidade que estes têm de conceder maiores volumes de
-crédito e maiores facilidades nas transações, pelo numero de agên
cias que ê&es mantêm através do paiz. Deste modo, poderíamos ex
e porquê não crescem. Subsistem porquê operam num mercado, diga
mos, paralelo, no qual clientes pequenos que não conseguem ser a*
tendidos pelos bancos grandes se sujeitam aos seus serviços, nor
malmente mais carosf Não crescem porque possuem apenas pequenos /
clientes o que os impede de ampliar suas operações. Se observara
mos os bancos existentes no paíz durante o período de 1955/66 va
mos verificar que os bancos pequenos desapareceram - absorvidos /
ou não pelos grandes - ou permaneceram pequenos. Assim, o cresci,
mento parece só ter sido possível aos grandes ou a bancos de ta
-manho média isto é que operam com grandes e pequenos clientes*
Outro aspecto importante - talvez o mais importante /
- para os depósitos em conta corrente sem limite reside na gerên
cia do banco ou melhor da agência bancária* Uma vez que este ti
po de depositante está em contacto permanente com as gerências
-das agências, a pessoa do gerente torna-se de real importância*
Be um modo geral, as decisões ao nível de agência são tomadas pe
lo gerente. A agência é autônoma nas suas decisões de emprestar /
dentro de certos limites* Esta flexibilidade aliada a capacidade
do gerente podem tornar-se a chave do sucesso de uma agência* In
felizmente não temos elementos para qualificar melhor esta afirma
ção, mas através de entrevistas com empresários e gerentes de agên
cias
bancárias
pudemos
depreender
a importância
da
gerência
inflú
ênciando as decisões de escolha do banco por parte dos empresários
que constituem a maior fonte de depósitos para os bancos brasilei,
ros - tabela III coluna 4
-0 setor páblico vem a ser outra fonte de oferta de de
pósito mas não chega a ser de grande importância a não ser para /
bancos isoladamente, especialmente o Banco do Brasil que uma vez
considerado juntamente com os Bancos comerciais acarreta um aumen
to bastante sensível da participação do setor publico (entidades
públicas e autarquias) na formação dos depósitos totais.Tabela IV
5. Serviços de crédito
Assim como distinguimos três fontes de depósitos para
os bancos devemos distingui-las também para análise dos serviços
de crédito. Como já dissemos anteriormente, as pessoas físicas /
são as que menos se utilizam deste tipo de serviço. Isto pode /
ser constatado pela sua participação no total dos empréstimos /
sempre em torno de 10# para todo o período. Esta participação /
tornase ainda menor se considerarmos o Banco do Brasil incluído
importância que passam a ter os empréstimos ao setor público,(Ta
teia Y coluna 7 e 8),
As empresas participam dos serviços de crédito, princi
palmente através dos- empréstimos em conta corrente e dos títulos /
descontados» Podemos verificar que se excluirmos o Banco do Brasil
os empréstimos sob a forma de títulos descontados representam uma
parcela significante no total dos serviços de crédito. Isto se ex
plica não só pela facilidade de operação com os títulos mas também
pelas características de alguns destes títulos, especialmente du
-plicatas e notas promissórias que podem ser redescontadas pelos ban
cos na Carteira de Redescontos do Banco do Brasil, A outra fonte"
de empréstimos com a qual as empresas podem contar é o empréstimo
em conta corrente, Este tipo de empréstimo tem perdiüo um pouco /
sua importância principalmente pela preferência que os bancos co
-merciais têm por operar com títulos, Se considerarmos sua partici
pação incluindo o Banco do Brasil sua posição é exatamente oposta
com relação aos títulos descontados um vez que os empréstimos do
Banco do Brasil, ao setor, público são em grande monta sob a forma
de empréstimos em conta corrente, (Tabela V colunas 1,2,3, e 4).
Com relação ao setor público devemos repsaltar que a
importância dos empréstimos que lhes são concedidos depende da in
clusão ou não do Banco do Brasil, Os dados nos mostram a marcante
diferença, É fácil de se entender tal discrepância bastando para
isso lembrar que o Banco do Brasil se constituia no maior financia
dor do setor público (Tabela V colunas 5 e 6),
6, Outros serviços
0 que aqui chamamos de outros serviços constitui todos
os outros serviços prestados pelos bancos como o de cambio, che
-quês de viagem, recebimento de impostos, e outros além dos já por
nós analizados,
Estes outros serviços têm sido importantes principal
-mente quando da competição por maiores depósitos. Já vimos quando
analizamos a demanda de depósitos como eles tornaram-se importan
tes e em alguns casos como surgiram recebimento de contas de
gaz, luz e telefone, além da manutenção de contas infantis. Tra
taremos agora apenas dos serviços mais importantes,
0 serviço de câmbio não tem como alguns caracter publi,
citário, Certas agências bancárias e mesmo bancos têm no serviço
de câmbio sua maior fonte de rendimentos. Alguns bancos teriam
-prejuízo se não fosse o lucro proveniente das operações de câmbio.
tipo de serviço, Apesar de possuir uma contabilidade separada
-das demais atividades do banco seus resultados só são apresenta
dos nas contas de lucros e perdas sob o título "saldo de opera
ções de câmbio" o que nos impede de elaborar maiores estudos.
Nos últimos anos, com a unificação dos institutos no
Instituto Nacional de Previdência Social (ÍNPS) e com a possibl,
lidade das contribuições ao mesmo instituto serem pagas nos ban
cos, um novo tipo de serviço que antes não tinha grande impor
-tancia passou a ser oferecido pelos bancos* Sm algumas praças
o montante a ser recolhido é de tal ordem que há um interesse m
muito grande por parte dos bancos em prestar este serviço o que
certamente pode ser considerado como um sintoma de este tipo de
serviço é rentável pelo menos nestas praças*
Os cheques de viagem criados pela instrução da SUMOC
nS 237 de 26-3-63 é um serviço característico dos bancos grandes*
Sua emissão só pode ser feita por bancos cujo capital os capacJL
ta a operar em todo território nacional conforme exigências dá
própria SUHDC* Este tipo de serviço oferecido por alguns ban
-cos grandes do paiz constitui uma vantagem que estes bancos tem
TABELA III - DEPÓSITOS X VISTA ANOS 1955 1956 1957 1958 1959 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 4> DV (1) 83,19 85,38 87,53 88,97 91,05 89,96 91,51 95,19 95,65 95,93 95,99 89,69
ü S/ DEPÓSITOS A VISTA
C/C POPULAR 29,90 30,28 30,11 29,55 26,97 27,49 27,29 23,63 20,12 20,84 19,17 38,14 C/C JATADA 9,21 7,96 7,16 5,81 5,13 5,64 5,20 4,28 2,85 2,57 2,07 2,56 C/C ^LIMITE 46,97 45,28 46,82 48,65 51,07 54,00 55,24 58,35 63,80 56,99 62,79 47,69 PONTE: IBGE
TABELA
iv
. PARTICIPAÇÃO
DO
SETOB
PÚBLICO
NA
FORMAÇÃO
DOS
DEPÓ
SITOS PERÍODOS 1955/59 1960/62 1963/66 1959/66
COM 0 BANCO DO BRASIL
A 32,41 33,84 49,05 40,39 B 31,00 34,20 47,70 39,85
SEM 0 BANCO DO BRASIL
A 7,77 7,32 8,49 8,05 B 8,39 9,67 8,73 9,22 FONTE: IBGE
A - $ dos depósitos à vista do Setor Publico sobre os de
pósitos à vista nos bancos comerciais*
B - 96 dos depósitos totais do setor Publico sobre os de
vo H ANOS 1955 1956 1957 1958 1959 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966
EMPRÉSTIMOS EM C/C
A | 58,73 58,49 58,81 54,96 47,96 47,97 55,30 57,70 58,35 67,46 69,14 52,21 B 27,55 25,06 21,96 21,03 17,74 14,73 14,04 12,19 11,02 10,05 10,84 14,90 TÍTULOS A 39,72 40,31 40,33-44,21 51,27 51,47 44,28 42,04 41,44 32,37 30,67 47,25 ]3ESC0NTAIX)S B 69,13 72,22 75,98 77,13 80,75 84,10 84,87 87,07 88,33 89,33 88,48 83,86
EMP.AO SETOR PUBLICO
A 20,29 25,74 29,77 23,27 18,39 25,37 37,88 42,86 45,21 57,23 59,49 34,99 B 3,95 2,74 2,54 2,94 2,31 2,04 2,05 1,93 2,94 2,59 3,47 6,01 EMP.A PARTICULARES A 4,82 4,53 4,47 4,99 5,33 5,11 4,04 1,22 3,04 2,50 2,55 4,84 B 9,73 9,82 9,97 10,11 10,13 10,47 10,37 10,66 8,86 8,73 9,10 10,90 POHTE: IBGE
A - Inclui o Banco do Brasil
QAPlTUK) III
A ESTBUTUBA E A AÇlO DOS BASCOS
1. IHTBQDUQAb
Vários estudos têm sendo elaborados desde 1962 a
respeito da estrutura dos sistemas bancários, principalmente
-nos Estados Unidos, Apesar da utilização das mais variadas -_
técnicas, desde as percentagens até* as sofisticações econométri
cas, não se tem conseguido explorar a existência da dependênci
a entre a entrada de mercado e a ação dos bancos. Isto nao si£
nifica entretanto que a relação não existia. A teoria economia»
e o bom senso admitem. Assim, somos obrigados a concordar oom
aqueles que questionam a formulação da hipótese a testar ou
-mesmo a deficiência dos dados coletados ou com os que admitem
ser a teoria inadequada. Preferimos concordar com os primeiros
uma vez que não possuímos uma teoria que possa substituir a
-existente*
Deste modo, três corrente surgiram: a dos que acredji
tam que não há relações perceptíveis entre a estrutura do mer
cado e o comportamento dos bancos; a dos que afirmam sua exis
tência e a dos que acham que a estrutura é apenas importante»
Evidentemente, temos que coneordar que a estratura
-do sistema bancário I importante» Mas na© só* isto, o bom sendo
nos leva a afirmar que uma vez a estrutura se modifique, o com
portamento dos bancos deve-se modificar» Mas, como comprovar
-mos esta idéia? Com que elementos poderemos contar para justi
ficar tal relação? Os estudiosos do problema enumeram o numero
de rivais, a concentração, a substituição e a entrada de novas
firmas comô os principais respoaaáveis pela estrutura de um
-sistema bancário. Assim, nos limitaremos a analisar cada ele
mento da estrutura, com os dados disponíveis, sem a preocupação
de relacionámos com as modificações nas ações dos bancos»
2» 0 Número d_e rivais
0 sistema bancário brasileiro passou por duas fases
distintas
com
relação
ao
número
de
rivais»
Até
1946
a expansão
do sistema bancário se fêz pelo aumento do número de bancos»
Entre 1940 a 1946, se verificou o maioxn crescimento do numero
de matrizes no Brasil. Devido a inflação e às facilidades de
se abrir novos bancos, pela falta de uma eficiente fiscaliza
-ção, o número de bancos aumentou, atingindo seu máximo em 1944
ponto que o governo criou o SÜMOC (Superintendência da Moeda e
-do Crédito) com a finalidade dt coibir estes abusos, fiscalizar
-e r-egular a ação dos bancos e preparar a organização de um Ban*
-co Central. Com a criação da SUBIOC em 1945 e mesmo com sua pre-
-caria eficiência inicial (1946) o número de bancos passou a di*
-minuir. Primeiro devido às restrições legais mais severas e a mai
or fiscalização e segundo porque os bancos que surgiram devido a
desorganização do sistema foram sendo absorvidos por outros mais
sólidos ou simplesmente desaparecendo (em 1954 o país como um tod>
possuía 384 matrizes).
A diminuição do número de matrizes parece que em nada £
fetou os serviços bancários como um todo uma vez que a análise de
conjuntura no período 1944/54 (período no qual o número de matri
zes diminuiu de quase 5©?O não se registrou nenhuma crise que lhe
pudesse ser imputada. Isto se explica pelo fato de que os bancos
que subsistiram no período passaram a aumentar o número de agênci
as, filiais, escritórios, etc. (o que chamaremos genericamente de
agências).
Devemos ressaltar que o sistema bancário brasileiro as
sumiu deis comportamentos diversos diante de dois períodos de in
flação* Isto se explica pelas características da duas épocas e
-das restrições que foram impostas ao sistema. Io priéeiro período
1940/46 o sistema,bancário aproveitando-se da inflação e de condi
ções peculiares aumentou seu número de matrizes» Ho período 1961/
66 a expansão se deu através do aumento do número de agência devi
do
à inflação
e a facilidade
maior
em
se
conseguir
autorização
le
gal para abrir uma agência que para abrir um banco.
A tendência declinante do número de matrizes e a persis
tente elevação do número de agências podem ser comprovadas pelos
dados apresentados para o Brasil como um todo e para as regiões
nas tabelas TI' e VII»
Como podemos observar, excetuando-se a região Norte, pa
ra o qual o número de matrizes aumentou tanto absttluta como rela
tivamente - para as demais e para o Brasil com© um todo o número
de matrizes tem declinado» t bom lembrar que o crescimento relatjL
vo do número de matrizes para o Morte é* exagerado devido a diminui
ção do número de matrizes para o país e ao seu pequeno valor abs£
luto*
A região centro-leste ê a que tem apresentado um declí
nio maior no número de matrizes: de 175 matrizes em 1955 passou jaa
declínio não tem sido igualmente distribuído pelo» anos analisados
no
período
1955/59
a queda
foi
de
10,9*
enquanto
que
para
o perío
do seguinte 1959/66 foi de 27»6*»
A região Sul, apresentou uma queda de i2* no numero de
-matrizes para todo período, não acompanhado entretanto o mesmo com
portamento
das
demais,
Para
ambos
período
(55/59
« 59/66)
a queda
foi de 1,6*.
0 grande Nordeste, ma»teve o mesmo padrão de oomportamen
to da região, oentro-leste do Brasil, apresentando uma queda de
-8,9*
menos
acentuada
no
primeiro
período
(4,6*)
que
n©
segundo
(
5,6*).
Com relação ao número de agencia podemos verificar se»
crescimento para todo período analisando. Para o Brasil como um to
do o número de agência mais do que duplicou, não havendo muita di
ferença entre o período de 1955/59 1959/66. Cujos crescimentos
foram da ordem de 50*.
Entretanto para a regiões podemos ressaltar alguns as »
pectos curiosos. As regiões Horte e grande Hordeste foram as que
-apresentaram maior crescimento mais que triplicando o número de
a-gência para todo período, sendo que este crescimento foi mais acen
tuado na segunda parte do período analisando (59/66). A região cen
tro-leste mais que dobrou nas agências tendo experimentado um cre£
cimento
mais
acentuado
entre
1955
e 1959 que
em
59/66.
Isto
tal
-vez se explique através das restrições impostas pelo SÜMOC e pelo
fato
de
que
neste
período
houve
uma
queda
muito
acentuada
(27,6*)
no
número
de
matrizes.
Se
esta diminuição
não
foi
devido
a fusões
mas sim ao fechamento puro e simples destes bancos e conseqüente
-mente de suas agências teríamos a explicação de fato.
n Entretanto não temos base de informação suficiente para
comprovarmos.
A região sul também teve suas agências mais que duplica
das
mas
seu
crescimento
foi
quase
o mesmo
para
1955/59
e 1959/66*
Assim, o número de estabelecimento bancários tem apresen
tado
dois
aspectos
distintos.
0 primeiro
com
relação
ao
número
de
matrizes que vem deoresoendo mas que apresentou um decréscimo mai
or
no
período
59/66.
0 segundo
que
trata
do
número
de
agências
que
vem
crescendo
sendo
seu
crescimento
mais
acentuado
no
período
59/
66. Haveria alguma explicação, ldgioa para tal comportamento? Por
que
no
período
59/66, de
maior
inflação
o número
de
matrizes
dimiai
masi rapidamente?
Alguns aspectos de problema podemos entender. Hao nos e
difícil
justificar
o crescimento
mais
do
número
de
agências
do
Hor
tíl
m -
.
crescimento
mais
acentuado
no
segundo
período 4 de fácil compreensão. Basta que nos lembremos que pa
ra estas duas regiões o número de agencias sendo pequeno, um au
mento no seu valor absoluto acarreta um crescimento relativo grm
de* 0 crescimento mais acentuado do número de agências no segun
do período para estas duas regiões pode ser associado às rela
-ções legais que dificultam a expansão dos bancos nas regiões mais
desenvolviedas, facilitando-a para as demais regiões.
Mas, para tentarmos explicar porque o número de matri
-zes dimiaii mafcs rapidamente no período de inflação precisamos de
maiores informações* Acreditamos que algumas fusões juntamente oon
as restrições legais para a abertura de novos bancos tenham sido
os principais responsáveis por tal comportamento. Embora tenhamos
esta explicação com certa, ela precisaria ser
confirmada.Falta-nos entretanto os elementos desejáveis para que isto venha a ser
feito.
3. Concentração
A concentração no sistema bancário i bastante acentua
-da considerando-se os depósitos, os ativos rentáveis ou mesmo o
-número
de
estabelecimentos
bancários.
Esta
concentração
tem tam
-bém
um
caráter
regional.
As
regiões
Centro
leste
e Sul,
são
as
-mais importantes qualquer que seja a varável considerada. Esta cm
centração
regional
i de
tal
forma
que
dentro
destas
duas
regiões
os estados de S. Paulo, Guanabara e Minas representam uma parcela
respeitável do total de serviços bancários» Os dados da tabàa
YIH nos indicam que o grau de concentração do número de estabe
lecimentos bancários tem apresentado um decréscimo ao longo do
-tempo. 8ste decréscimo mostrou-se mais acentuado para o período
1959/66
devido
principalmente
às
maiores
restrições
legais
que
coercetivamente
procuram diminuir
a concentração
nas
regiões
ma
-is
desenvolvidas
principalmente
Guanabara
e São
Paulo.
lomando-se os ativos rentáveis para o grau de ooncentra
ção
bancária
vamos
cerificar
que
em
1966
15*
dos
bancos
(35)
que
mantinham
52,4*
do
número
dos
estabelecimentos
englobavam
76,3*
dos ativos rentáveis gerados pelo sistema bancário como um todo»
Se
considerássemos
todos
os
bancos
com
mais
de
HCr$
5 milhões
de
ativos
rentáveis
em
1966
o que
corresponde
a 4-2,29*
dos
bancos
(i
è 100 bancos) possuindo 73,6* dos estabelecimentos, eles engloba
riam 95»6* do total dos ativos rentáveis.
0 grau de concentração não seria muito diferente se con
siderássemos como variável representativa o volume de depósitos
vimos que as retrições legais vêm diminuindo a concentra
ção regional mas, acreditamos ser ela responsável pelo aumento da
concentração dos serviços banóários conforme explicaremos adiante»
4. Substituição
E preciso destacar, os dois tipos de substituição pos j>
sível dentro do sistema bancário. Em primeiro lugar a substituição
interna, na própria Industria, do produto de uma firma pela de ou
tra.
Ba
segundo
lugar
a substituição
do
produto
da
Industria
banca
ria pelo de outra indústria. Como já vimos anteriormente I possível
destinguir-se dois tipos de banco» Obanco pequeno e o banco grande
Por certo seus produtos são diferentes devido principalmente a ca
pacidade de gerar grandes ou pequenos empréstimos» Assim, é muito
provável que o banco pequeno seja substituído por bancos maiores a
medida que o cliente passe a necessitar de um volume maior de
ser-viços bancários. Por outro lado, a eficiência dos bancos, a qual
-quer
nível
de
tamanho,
o preço
de
seus
serviços
bem
como
os
fat8
*
res
«.ciais
é a ação
da
gerencia
podem
influir
nas
decisões
dos
-clientes fazendo-os mudar de banco. Já vimos anteriormente que os
fatêres
iniciais
sã©
importante»
na
escolha
de
um
banco
porém,
é
bom lembrar que os fatores psicológicos muitas vezes conseguindos
através da propaganda, podem se constituir num elemento decisivo
-de diferenciação dos produtos dos bancos, diminuindo diste modo o
grau de substituição dos serviços de um banco específico pelos ser
viços dos outros. E claro que as relações de amizade que o cliente
possa ter com os funcionárias do banco ou mesmo com o gerente,
exercem o mesmo efeito que os "fatores psicológicos". Assim podemcs
ter a substituição do produto de um banco pelo de outro devido ao
tamanho do banco, a qualidade e aos pregos dos serviços e a fato
-res psicológicos e sentimentais.
0 outro
tipo
de
substituição,
se
refere
a substituição
-dos
serviços
dos
bancos
por outras
entidades
que
não
estão
aqui
cm
siderados como pertencentes ao »os*o sistema bancário como o caso
do
Banco
do
Brasil, das
Caixas
Econômicas
das
Casas
Bancárias,
das
Cooperativas de crédito, das financiadoras, etc.
Por certo, de todos os concorrentes dos bancos comercia*
acima citados o banco do Brasil é o mais importante, Por ser um
-banco
espeóial
e por
possuir
a maior
rSae
de
agências
bancárias
do
país concentra grande parte dos serviços bancários se incluindo no
Este problema apresenta dois aspectos distintos a en
trada através de uma nova matriz e a entrada através de uma agêa
cia» St um modo geral, a entrada de novas firmas no sistema ban
cario brasileiro parece estar ligada exclusivamente ao atendimen
to das restrições legais. Estas restrições têm um caráter distri.
buitivo. Procurando impedir que as de novas firmas se estabele
-çàm sempre nas regiões mais adiantadas, facilitam sua entrada pria
eipalmente nas áreas menos favorecidas. Estas facilidades tem si.
do concedidas principalemente através de exigências de um volume
de capital menor e de menor proporção de enoaixe compulsório. Em
vora isto nos indique que a entrada no mercado é livre através de
agências ou de novas sedes acredito que temos evidência sufucien
te para considerá-la livre apenas para os bancos grandes* Confor
me veremos no Capítulo IV, a expansão dos bancos pelo número de
agências no período 1955/59 dava a entender que a entrada no mer
cado para os bancos pequenos apesar de livre, limitava-se às pra
ças do fiio e S.Paulo - devido ao volume de negócios nestas cida
-des*
Isto pode ser explicado pela impossibilidade financei
ra pois devido ao seu tamanho, não tinham condições de expandirem
-se fora destas duas praças. Com o aumento das restrições a aber
tura de novas agências e matrizes nas áreas mas desenvolvidas, es,
peoialmente S.Paulo de Hio de Janeiro, estes bancos que não tinha
como entrar nas outras praças, não puderam entrar mais em nenhuma
Assim, a totalidade dos bancos pequenos e grandes parte dos ban
-cos de tamanho médio não podem entrar no mercado, ficando apenas
esta possibilidade aberta a alguns bancos médios e aos bancos
grandes, satisfeitas as exigências legais*
6. Evidências sobre £ grau jie concorrência no sistema bancário
-Brasileiro
Como vimos anteriormente, o grau de concentração nos bai
cos brasileiros tem sido relativamente alto. Deste modo, como ju£
tificarmos a existência de bancos pequenos no sistema ? Em prime^
ro lugar porque as economias de escala não são tão grandes de mo
do a impossibilitar sua existência. Além disso por produzirem ser
viços diferentes daqueles produzidos pelos bancos maiores, cobram
mais pelos mesmos conseguindo deste modo uma renda líquida. Assim
as forças de mercado são suficientes para impedir sua sobrevivên
cia embora muitos bancos pequenos tenha desaparecido nos últimos
-grandes bancos em absorvê-los*
Por isto mesmo, achamos que a estrutura concorrencial
dos Bancos no Brasil muito se assemelha à concorrência monopolís
tica,
deferindo
da
mesma
pelo
fato
de
possuirmos
grandes
oligopõ
listas - em vez de um monopolista - permitindo a existência de
-muitas firmas menores. Deste modo a concorrência ologopolista, se
é que
a podemos
chamar
assim,
pode
facilmente
ser
caracterizado
no sistema bancário. Embora possamos admitir que a estrutura
do sistema tenha se mantido assim por todo período analizano, po
demos verificar que no período 59/66 o poder dos olipolistas pa
rece ter aumentado bem como a disposição dos mesmos em absorver
bancos menores ou fundirem-se entre si. Por outro lado, os ban
-cos de^tamanho médio, também têm procurado recentemente atraveí
de
fusões entrar
para
o grupo
dos
oligopolistas.
A caracterização
desta
estrutura
reside
em
principio
-na
existência
de
alguns
bancos
grandes
representando
uma
elevada
parcela dos serviços bancários e um número muito maior de médios
e pequenos bancos. Mas para que a concorrência fosse
oligopolis-ticas
isoladamente
influencie
na
ação
dos
demais
enquanto
que
o
médio
ou
pequeno
banco
se
limite
a seguir
os
oligopolistas
sendo
que sua
ação
isolada-
nao
afeta
em
nada
as
decisões
de
todos
os
-outros bancos. A incapâoidade de um banco médio ou pequeno de in
fluenciar
nas
decisões
dos
outros
bancos
é obvia
sendo
desneceB?
sário
qualquer
justificativa.
Entretanto,
com
relação
a ação
dos
oligopolistas torna-se necessário que Justifiquemos nossa hipô*te
se
de
que
a ação
de
um
destes
bancos
influencia
a ação
dos
dema
is. Esta hipdtese pode ser comprovada através da constatação
-dos seguintes fatos: a) expansão do numero de agências-se tomar
mos o número de agências dos bancos brasileiros vamos verificar
que quando um banco grande iniciou sua expansão através da aber
tura
de
agências
pelo
país,
foi
imediatamente
seguido
pelos
outms
especialmente os maiores que não não querendo perder sua parcela
de mercado abriam agências a procura de mais depósitos e clientes
b)
utilização
de
novos
serviços
-se
verificarmos
quais
os
bancos
que adotaram esta medida para obter maior número de clientes va
mos constatar que se tratavam de bancos grandes, o) luxo nas a
-geneias
- a observação
nos
tem
mostrado
que
se
numa
determinada
praça um banco grande toma a iniciativa de construir um edifício
sede,
dotando
sua
agência
de
todo
conforto
moderno,
efcediatamen
te seguido pelos outros bancos grandes que não querendo perder
ã) intensa publicidade -ao* a existência de uma intensa publieida
de, feita pelos grandes bancos, seria o suficiente para sustentar
a hipótese de que a competição entre estes bancos 4 grande* Não
-seria necessário maiores comentários a respeito da propaganda
u-ma vez que sofremos sua influencia diariamente com "slogans" do
-tipo: "0 banco que mais cresce no país Hum amigo em toda parte
"0 guarda chuva da colaboração financeira" 0 banco que está ao
-seu lado"etc. e_) melhora nos serviços - nos últimos anos, os ban
cos maiores têm procurado melhorar seus serviços e consequentemen
te se aparelhar melhor* A adoção da técnica "direto ao caixa" bem
como a ultulização de computadores eletrônicos se constituem em
-exemplos que podem ser constatados ainda hoje pois nem todos os
-bancos grandes já os utilizam.
Acreditamos, serem estes elementos suficientes para
-justificar nossa hipótese. Assim podemos afirmar com boa dose de
certeza que a estrutura de concordância bancária no Brasil deve
-ser de conc»r?enoia oligopolistioa com tendência a transformar-se
em oligopolistica, caso o número de fusões e absorções oresça con
forme as evidências indicam, devido principalmente aos insenti
TABELA VI - NUMERO EE ESTABELECIMENTOS BANCÁRIOS NO BRASIL ANOS 1944 1954 1955 1956 1957 1958 1959 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 TOTAL m ESTABELEC 2.737 3.845 3.558 4.257 4.628 4.857 5.135 5.348 5.581 6.109 6.481 6.874 7.271 7.568 ESTABELEC. ESTRANGEIROS 39 37 35 35 35 36 39 41 43 44 44 44 45 48 MATRIZES 663 384 366 360 357 345 343 338 332 332 326 328 320 297 AGENCIAS 2.074 3.461 3.192 3.897 #.271 4.512 4.792 5.010 5.249 5.777 6.155 6.550 6.951 7.271 PONTE: IB&E
TABELA VII - NUMERO EE ESTABELECIMENTOS BANCÁRIOS POR REGIÕES
1955 - 1959 - 1966
TABELA VIII-.HOMERO DE ESTABELECIMENTOS POR REGIÃO E ALGUNS
TADOS COMO $ 10 BBASIL
REGIÕES NORTE NORDESTE centro-lest: SUL MINAS GUANABARA SÃO PAULO
MG +GB+ SP
1955 T,E 1,71 7,48 !33,16 57,64 16,30 9,67 37,63 63,60 MAT 2,73 15,30 47,81 34,15 9,29 33,33 28,41 71,03 AG 1,60 6,58 31,48 60,34 17,10 6,95 38,69 62,74 T.E 1,77 8,16 33,55 56,52 16,28 9,44 35,47 61,19 L959 MAT 2,91 15,74 45,48 35,86 8,73 31,19 29,15 69,07 AG 1,69 7,62 32,70 57,99 16,82 7,89 35,93 60,64 T.E 2,52 10,09 31,86 55,52 11,96 9,63 34,92 56,51 1966 MAT 4,04 17,17 38,05 40,74 8,08 23,23 31,31 62,62 - -AG 2,46 9,81 31,60 56,13 12,12 9,08 35,07 56,27 FONTE: IBGE
TABELA IX - CONCENTRAÇÃO DE ATIVO RENTÁVEL
PARTE A: CONCENTRAÇÃO EM 1955/59/66
NÚMERO DE BANCOS 5 10 15 20 25 30 TOTAL BE BANCOS USA DOS 1955 21,24 37,64 40,76 57,68 64,68 70,26 163
* ACUMULADA
DE
ATIVO
PAKT3 B CONCENTRAÇÃO M 1Q66
POR CLASSE DE ATIVO
CLAòüli
NCr# MILHOS
+ 150
150 - 75
75 - 50
50 - 25
MÚISÜRO DiS
BANCOS
7
9
19
12
47
N2 DE
AGÊNCIAS
1.269
1.153
1.546
615
4.583
% Dü ATIVO
EENílVEL
39,82
16,50
20,00
8,36
84,64
°/o S/ NÜMxjKü Diií
Áá-IABLLüiÜlüíiNT05
16,77
15,23
20,43
8,13
60,56
CAPÍTULO IV
ECONOMIAS JE ESCALA
1.Introdução
A existência de economias de escala nos bancos, signi
fica que os bancos, os maiores são de algum modo mais eficientes
no uso de seus recursos que os bancos pequenos. Isto implica
em-se afirmar que a maior ou menor eficiência de um banco depende
de seu tamanho. Sendo assim a eficiência dos bancos devem ser
-explicada pelas características da Indústria bancária. Uma que
-vez que já possuímos uma noção do comportamento dos bancos, da
-conceituação de seu produto e da composição de seus custos procu
raremos agora verificar até que ponto a afirmação de que existem
economias de escala nos bancos brasileiros é correta* Antes po
-rém devemos tecer alguns comentários sobre eficiência e rendimen
tos crescentes de escala*
£ possível que uma empresa seja eficiente mas não in
corra em economias de escala, isto é, a eficiência da empresa xsso
depende de seu tamanho. Por outro lado a admissão de rendimentos
crescentes pressupõe uma estreita e determinada relação entre
e-ficiência e tamanho de empresa ou da indústria* Há dois tipos
-básicos de eficiência: a eficiência no sentido amplo, que se re
fere a eficiência da indústria como um todo e no sentido restri
to, que trata da eficiência da empresa* Evidentemente não temos
pretensão de adotar o conceito mais amplo uma vez que as dificul
dades nao só conceituais a respeito do produto mas também as de
manipulação dos dados têm se apresentado como principal obstácu
lo aos estudiosos, sendo por isso que nós adotaremos o conceito
restrito de eficiência* Por certo, este conceito de eficiência
está associado a um oonceito de economia de escala que deve ter
o caráter também restrito istoé, as economias de escala for nós
consideradas representam uma eficiência que é crescente a medida
que o banco cresce de tamanho.
Assim, com o objetivo de constatar ou não a existência
de economias dé escala para os bancos brasileiros procuraremos
neste capítulo definir a variável custo que adotaremos, apresen
tando detalhadamente como foram computados e quais as fontes es
tatísticas utilizadas. A metodologia de análise será desenvolvi
da de três formas diferentes devido às dificuldades em se obter