A PRÁTI CA EDUCATI VA DOS AGENTES COMUNI TÁRI OS
DE SAÚDE À LUZ DA CATEGORI A PRÁXI S
Carla Andrea Trapé1 Cássia Baldini Soares2
Est e est udo t ev e com o obj et iv os: analisar as concepções de educação em saúde que nor t eiam as práticas educativas dos agentes com unitários de saúde do Program a de Saúde da Fam ília da Coordenadoria de Saúde da Subprefeit ura do But ant ã da cidade de São Paulo, e analisar o carát er dessas at ividades educat ivas. A coleta de dados ocorreu por m eio de grupos focais e entrevistas individuais com 39 agentes. Os procedim entos de análise seguir am as r ecom endações da análise t em át ica, t endo a pr áxis com o cat egor ia de análise. Em relação à atividade teórica, com ponente da práxis, constatou- se que grande parte das concepções de educação em saúde se paut ava na t ransm issão de inform ações norm at ivas aprendidas com os t écnicos de saúde. Essa atividade teórica acabou por guiar um a atividade prática característica da práxis reiterativa em que os agentes não participam do planej am ento do processo de trabalho em saúde e não dom inam o “ obj eto ideal” , reproduzindo t arefas planej adas por out ros.
DESCRI TORES: educação em saúde; agent e com unit ário de saúde; program a saúde da fam ília
EDUCATI VE PRACTI CE OF COMMUNI TY HEALTH AGENTS
ANALYZED THROUGH THE CATEGORY OF PRAXI S
This st udy aim ed t o: analyze t he concept ions of healt h educat ion t hat guide educat ional pract ices of com m unit y healt h agent s in t he Fam ily Healt h Program of t he But ant ã Healt h Coordinat ion, São Paulo, Brazil, and analyze t he charact er of t hese educat ional act ivit ies. Dat a were collect ed t hrough focus groups and in-dept h sem i- st ruct ured int erviews wit h 39 agent s. The analysis procedures followed t he recom m endat ions of them atic content analysis, and praxis was the analytical category. Regarding theoretical activity as a com ponent of pr ax is, w e found t hat m ost healt h educat ion concept ions w er e based on t he t r ansm ission of nor m at iv e infor m at ion lear ned fr om healt h t echnicians. This t heor et ical act iv it y ended up guiding a pr act ical act iv it y t ypical of repet it ive praxis, in which t he agent s do not part icipat e in t he healt h work planning process and do not dom inat e t he “ ideal obj ect ” , reproducing t asks planned by ot hers.
DESCRI PTORS: healt h educat ion; com m unit y healt h agent ; Fam ily Healt h Program
LA PRÁCTI CA EDUCATI VA DE LOS AGENTES COMUNI TÁRI OS
DE SALUD A LA LUZ DE LA CATEGORI A PRAXI S
Est e est udio t uvo com o obj et ivos: analizar las concepciones de educación en salud que orient an las prácticas educativas de los agentes com unitarios de salud en el Program a de Salud de la Fam ilia de la Coordinación de Salud de la Alcaldía m enor de But ant ã en la ciudad de São Paulo, Brasil; y analizar el caráct er de esas act ividades educat ivas. La colect a de dat os ocurrió por m edio de grupos focales y ent revist as individuales con 39 agent es. Los procedim ient os de análisis siguieron las recom endaciones del análisis t em át ico, t eniendo la praxis com o cat egoría de análisis. En relación a la actividad teórica, com ponente de la praxis, se const at ó que gran parte de las concepciones de educación en salud se basaba en la transm isión de inform aciones norm ativas aprendidas con los técnicos de salud. Esa actividad teórica acabó por guiar una actividad práctica característica de la praxis reiterativa, en que los agentes no participan del planeam iento del proceso de trabaj o en salud y no dom inan el “ obj et o ideal” , reproduciendo t areas planeadas por ot ros.
DESCRI PTORES: educación en salud; agent e com unit ario de salud; program a salud de la fam ilia
1 Enfer m eir a, Mest r e em Enfer m agem em Saúde Colet iv a,. Técnica, e- m ail: car [email protected] ; 2 Enfer m eir a, Dout or em Educação, Docent e,
I NTRODUÇÃO
O
obj eto do presente trabalho é a educação em saúde com o prát ica social realizada pelo Agent e Com u n it ár io de Saú de ( ACS) , per cebido com o u m a g e n t e d e m u d a n ça d i a n t e d a i m p l a n t a çã o d o Program a de Saúde da Fam ília ( PSF) . A educação em saúde const it ui um dos inst rum ent os de int ervenção, com o preconiza e reconhece o Minist ério da Saúde, por m eio da Lei 10.507, que cria a profissão do ACS, car act er izan d o- se p elo ex er cício d e at iv id ad es d e p r e v e n çã o d e d o e n ça s e p r o m o çã o d a sa ú d e , desenvolvidas em conform idade com as diret rizes do SUS e sob supervisão do gest or local( 1).Ne st e t r a b a l h o p a r t e - se d e u m a docum ent ação sobr e a figur a do ACS no Est ado de São Paulo, reunida a part ir de 1981, com o Proj et o d e Ex p a n sã o d o s Se r v i ço s Bá si co s d e Sa ú d e e Saneam ent o em Ár ea Rur al ( Pr oj et o DEVALE) , que int egr av a a r ede do Pr ogr am a de I nt er ior ização de Ações de Saúde e Saneam ent o ( PI ASS)( 2).
O PI ASS, desenvolvido em m eados da década de 7 0 , con f igu r ou - se com o u m dos Pr ogr am as de Ex t e n sã o d e Co b e r t u r a ( PEC) e m sa ú d e m a i s ex pr essiv os. Pau t ado n as con cepções da Medicin a Co m u n i t á r i a d o s Est a d o s Un i d o s, o p r o g r a m a o b j et i v av a a m en i za r, p o r m ei o d e a çõ es f o ca i s, conflit os decorrent es das desigualdades sociais( 3).
A a çã o co m u n i t á r i a b u sca v a a t u a r n o s problem as de saúde j á inst alados, rest ringindo- se as ações à esfer a do consum o sem int er v enções que alcançassem o m undo do t r abalho. Baseav a- se na part icipação da com unidade com a clara int enção de for necer or ient ações pr econizadas pelo pessoal da saúde, ficando a palavra final a cargo do técnico. Além disso, a par t icipação da população er a solicit ada a fim de resolver problem as a partir de recursos locais, l i m i t a d o s e m d e t r i m e n t o d e t r a n sf o r m a çõ e s est rut urais que viessem at ender adequadam ent e às n e ce ssi d a d e s d e sa ú d e d o s g r u p o s so ci a i s q u e conform am um a dada com unidade( 3).
No final da década de 60, os program as de a çã o co m u n i t á r i a e o m o v i m e n t o d a Me d i ci n a Com unit ária foram t razidos para a Am érica Lat ina e para o Brasil, principalm ente por m eio da Organização Pan - Am er ican a d a Saú d e ( OPAS) e d e f u n d ações pr iv adas nor t e- am er icanas( 3).
A cr i ação d e p r o j et o s co m o esse est ar i a associad a à r esolu ção d a ONU ( Or g an ização d as Na çõ e s Un i d a s) , n a q u a l p a íse s r i co s d e v e r i a m prom over auxílio aos países pobres após a I I Guerra
Mundial, com o est r at égia par a afast ar o per igo da expansão das ideologias com unistas do leste europeu. D e ssa f o r m a , o s EUA p r o m o v e r a m p r o j e t o s d e a ssi st ê n ci a t é cn i ca a o s p a íse s d a p e r i f e r i a d o ca p i t a l i sm o , p r i n ci p a l m e n t e d a Am é r i ca La t i n a , i n cl u si v e o Br a si l , d e se n v o l v e n d o i n ú m e r a s ex p er iên cias q u e, a p r in cíp io, en f ocar am r eg iões rurais e pequenas localidades e que foram t em a de diver sas pesquisas( 4).
Esse pr incípio r evigor ou a par t ir da década de 70, com a crise do capitalism o, cuj a resposta foi o p r o j e t o e co n ô m i co , p o l ít i co e i d e o l ó g i co d o n eoliber alism o. At r av és do com bat e ao Est ado de Bem - Est ar Social, o cap it al g lob alizad o g an h ou a a d e sã o d e u m Est a d o q u e o f i ci a l i zo u m o d e l o s racionalizadores de assist ência à saúde pública, com g a st o s m ín i m o s, p e r m i t i n d o a o se t o r p r i v a d o a exploração da saúde com o m ercadoria( 5).
“ Frent e a esse quadro, é im port ant e pensar o s si g n i f i ca d o s q u e e st ã o se n d o a t r i b u íd o s cr escent em ent e ao dir eit o à saúde, em um cenár io em que os arranj os ent re o set or público e o set or p r i v a d o n e m se m p r e sã o p a u t a d o s e m u m a r acionalidade ét ica inclusiv a, onde a m iser abilidade e as sit uações denom inadas de vulnerabilidade social definem o pr oj et o pr iv ilegiado das polít icas sociais ( . . . ) . [ e n o q u a l ] A f o r m a d e f i n a n ci a m e n t o e operacionalização das polít icas sanit árias apont a para a art iculação público- privado, exim indo- se o Est ado de seu papel de garant idor de direit os”( 6).
Assim , o PSF acabou por se const it uir em p r o g r a m a co m p e n sa t ó r i o n u m co n t e x t o d e transform ação dos serviços públicos em Organizações Sociais( 7), não sendo “ difícil associar est e m odelo de at en ção ao da m edicin a de f am ília/ com u n it ár ia. É evidente que, para oferecer o pacote m ínim o essencial, m éd icos esp ecialist as, m esm o n as esp ecialid ad es b á si ca s, sã o d e sn e ce ssá r i o s, a ssi m co m o investim entos na qualificação e m odernização da rede de serviços ( ...) ”( 8).
CONSI DERAÇÕES TEÓRI CAS
A pr áx is se apr esent a com o um a cat egor ia de análise pot ent e para explicar a conexão/ discussão e n t r e o co n h e ci m e n t o a cu m u l a d o ( e x p e r i ê n ci a / cap acit ação p ar a o t r ab alh o/ in t en cion alid ad e d os ag en t es com u n it ár ios d e saú d e com o ag en t es d o pr ocesso de t r abalho em saúde) e a concr et ização desse pr oj et o.
A pr áx is se r ef er e à ação do h om em qu e t ransform a a nat ureza, fundam ent ada na t eoria que exist e para guiar a ação, ou sej a, “ a práxis se nos a p r e se n t a co m o u m a a t i v i d a d e m a t e r i a l , transform adora e ajustada a objetivos. Fora dela, fica a atividade teórica que não se m aterializa, na m edida em que é atividade espiritual pura. Mas por outro lado, não há práxis com o atividade puram ente m aterial, isto é, sem a pr odução de finalidades e conhecim ent os que caract erizam a at ividade t eórica”( 9).
O que caract eriza a at ividade propriam ent e hum ana é a consciência das ações, que são dirigidas par a um obj et o com a finalidade de t r ansfor m á- lo, sendo que o r esult ado final t ent a se apr ox im ar do que foi idealizado. Dessa form a, a pr á x is, at ividade prática m aterial, guiada pela consciência ( teoria) para t r a n sf o r m a r a n a t u r e za a p a r t i r d e u m p r o j e t o int encionalizado, diferencia- se da at ividade geral( 9).
A t eoria pode se apresent ar com o at ividade t eór ica na m edida em que t r ansfor m a per cepções, concepções ou conceitos, ou sej a quando há produção tanto de obj etivos com o de conhecim entos. Entretanto, a a t i v i d a d e t e ó r i ca p o r si só n ã o t r a n sf o r m a a r ealidade, pois “ su a at iv idade n ão se obj et iv a ou m at erializa”( 9), caract eríst ica im perat iva da práxis e por isso não se pode falar em práxis t eórica.
A a t ivida de t e ór ica se dist ingue da prát ica no obj et o, finalidades, m eios e inst r um ent os. Se o
obj eto da atividade prática é a natureza, a sociedade ou os h om en s, a f in alidade é a t r an sf or m ação do m undo nat ural ou social, e o result ado é um a nova realidade m at erial; na at ividade t eórica o obj et o são as per cepções, conceit os, t eor ias, r epr esent ações e a f i n a l i d a d e é o b t er co m o p r o d u t o s t eo r i a s q u e expliquem a realidade present e ou t raçar finalidades
q u e a n t e ci p e m i d e a l m e n t e a t r a n sf o r m a çã o d a realidade, sem que essa realm ent e se efet ive( 9).
Por out ro lado, a form a com o a consciência está presente na atividade prática do suj eito, configura
diferent es níveis de práxis. Sendo assim , é possível dist inguir a práxis criadora da práxis reit erat iva. “A práxis se apresent a ou com o práxis reit erat iva, ist o é , e m co n f o r m i d a d e co m u m a l e i p r e v i a m e n t e t r açada, e cuj a execução se r epr oduz em m últ iplos pr odut os que m ost r am car act er íst icas análogas, ou com o práxis inovadora, criadora, cuj a criação não se adapt a plenam ent e a um a lei previam ent e t raçada e culm ina num produt o novo e único”( 9).
A práxis reit erat iva propicia a m ult iplicação quant it at iva de um a m udança qualit at iva provocada pela pr áx is cr iador a. Com o o hom em não v iv e em eterno estado criador, j á que ele só se vê obrigado a cr i a r d i a n t e d e a l g u m a n ecessi d a d e, el e r ep et e enquant o não cria. Ent ret ant o essa repet ição precisa ser transitória, pois é criando que o hom em transform a o m undo e t ransform a a si m esm o( 9).
Dev ido à u n idade en t r e a con sciên cia qu e proj et a e a m ão que realiza o que foi proj et ado, na práxis criadora se apaga de cert o m odo a diferença ent re t rabalho m anual e int elect ual( 9).
Hi st o r i cam en t e, en t r et an t o , esse car át er cr i a d o r d o t r a b a l h o r e p r e se n t a d o p e l o t r a b a l h o a r t e sa n a l f o i se n d o su b st i t u íd o p e l o t r a b a l h o m ecan izado, dev ido às ex igên cias de au m en t o da p r o d u çã o d a so ci e d a d e ca p i t a l i st a . Co m o con seqü ên cia do pr ópr io desen v olv im en t o t écn ico, sobr ev eio a cr escen t e div isão e especialização do trabalho. “ [ Assim ] , os traços característicos da práxis criadora desaparecem do t rabalho ( ...) [ do hom em ] . A at iv id ad e p ar celad a, u n ilat er al e m on ót on a d o operário foi fixada previam ent e, sem que ele t ivesse nenhum a part icipação nisso. Ou sej a, não só se fixa por antecipação, e de form a acabada, a finalidade de sua atividade, o obj eto ideal que há de realizar, com o igualm ente todos e cada um dos passos que ele dará t a m b é m sã o d e t e r m i n a d o s d e a n t e m ã o , se m possibilidade de desvios”( 9).
PROCEDI MENTOS METODOLÓGI COS
Trat a- se de pesquisa qualit at iva de car át er ex plor at ór io. O est u do foi con du zido em Un idades Bá si ca s d e Sa ú d e ( UBS) d a r e g i ã o so b a r esp on sab i l i d ad e d a Coor d en ad or i a d e Saú d e d a Subpr efeit ur a do But ant ã* , que abr ange o ext r em o oest e do m unicípio de São Paulo, congregando um a
população de 3 5 9 . 6 5 6 habit ant es, dispost os num a ár ea g eog r áf ica d e 5 6 , 1 k m 2 , d iv id id a em cin co Dist r it os Adm inist r at ivos.
As unidades focalizadas nest a invest igação -UBS Jardim Boa Vist a com 36 ACS, -UBS Vila Dalva com 30 ACS, UBS Jd. São Jorge com 36 ACS e Centro de Saúde Escola Butantã ( CSEB) com 12 ACS - eram as únicas que contavam com ACS à época do estudo. A população de est udo foi conform ada ent ão por t odos os ACS da coordenadoria, sendo que, dos 114, 39 se propuseram a para participar da pesquisa. A colet a de dados foi realizada durant e os m eses de j unho, j ulho e agosto de 2004, por m eio de entrevistas individuais com dois agent es de cada ser viço e em grupo - 1 grupo com 5 ACS da UBS Boa Vist a, um grupo com 6 do CSEB, um , com 10 ACS da UBS São Jorge e out ro grupo com 10 ACS da UBS Vila Dalva. Obedecidos os pr eceit os ét icos est ipulados pela Resolução nº 196/ 96, o proj eto foi aprovado pelo Com it ê de Ét ica da Pr efeit ur a do Município de São Pa u l o . Os e n t r e v i st a d o s a ssi n a r a m t e r m o d e co n sen t i m en t o l i v r e e escl ar eci d o au t o r i zan d o a pesquisa e a divulgação dos dados.
A entrevista em grupo foi selecionada a partir das considerações de especialist as em grupos focais que se valem de abordagem em ancipat ória( 10). Nessa d i r e çã o , r e a l i zo u - se se n si b i l i za çã o d o s ACS, solicit ando que r eflet issem a r espeit o de sit uações v i v en ci a d a s n a esco l a q u e t i v e sse m t i d o a l g u m significado em suas vidas. Os t em as abordados, que const it uem o recort e dest e art igo, foram : concepção de educação, saúde e educação em saúde dos ACS, com o se faz educação em saúde.
As ent revist as individuais foram conduzidas com agentes que não haviam participado da discussão em grupo, valendo- se de um roteiro sem i- estruturado q u e ab o r d o u o s seg u i n t es t em as: co n cep ção d e educação em saúde, descrição de ações educat ivas, descrição da supervisão da equipe.
As ent r ev ist as indiv iduais e discussões em g r u p o f or am g r av ad as com o con sen t im en t o d os par t icipant es e t r anscr it as, pr ocedendo- se, ent ão à análise. A análise dos dados foi t em át ica, de acordo co m a s se g u i n t e s e t a p a s( 1 1 - 1 2 ): ca p t a çã o d a s ent r evist as individuais e em gr upo; t r anscr ição das ent revist as na ínt egra pela própria pesquisadora ou com a aj uda de out r a pessoa; r ealização de v ár ias leit uras de cada ent revist a individual, ou em grupo, com a finalidade de apreendê- las e int erpret á- las de f o r m a m ai s p r ó x i m a p o ssív el d o q u e f o i f al ad o ;
ficham ent o das ent revist as, anot ando- se na m argem do t ex t o os t em as e su bt em as de acor do com as quest ões e problem as previam ent e form ulados e dos novos t em as e sub- t em as que for am em er gindo ao lon g o d as su cessiv as leit u r as; f r ag m en t ação d os discur sos num pr ocesso de const r ução de unidades de significação, ou t em as, buscando perceber out ras cat egorias em píricas e analít icas a part ir dos relat os, com a fin alidade de or gan izar e in t er pr et ar o seu co n t e ú d o ; a n á l i se d o co n t e ú d o a p a r t i r d o s p r e ssu p o st o s t e ó r i co s e ca t e g o r i a s d e a n á l i se previam ent e est abelecidas e daquelas que surgiram a part ir do m at erial em pírico.
Os ser v iços d e saú d e est ão id en t if icad os p e l a s si g l a s UBS I , UBS I I , UBS I I I e UBS I V, r espeit ando a or dem de r ealização dos gr upos. As falas decor r ent es das ent r ev ist as indiv iduais est ão i d en t i f i cad as p el a l et r a E e p or u m n ú m er o q u e t am b ém d i z r esp ei t o à o r d em d e r eal i zação d as ent revist as, considerando o conj unt o das unidades.
RESULTADOS E DI SCUSSÃO
At iv idade t eór ica: as con cepções de edu cação em saúde dos agent es com unit ários de saúde
A m aior part e das falas dos agent es, t ant o nos grupos focais com o nas ent revist as individuais, perm it iu perceber que a concepção de educação em saúde que perm eia o t rabalho é aquela paut ada na t r ansm issão de infor m ações e de r eceit as par a se a d q u i r i r sa ú d e , ca r a ct e r i za n d o u m a a t i v i d a d e
pr e scr it iva e n or m a t iva. Conseqüent em ent e, um a f r e q ü ê n ci a m e n o r d e d i scu r so s e x p l i ci t a r a m a con cepção de edu cação em saú de com o r esu lt ado d e u m a co n st r u çã o p a u t a d a n o r e sp e i t o a o s co n h e ci m e n t o s e e x p e r i ê n ci a s d o s u su á r i o s, consider ando seus saber es e per cepções a r espeit o de sua saúde.
Dent r e as falas de educação em saúde de ca r á t e r p r e scr i t i v o a s m a i s f r e q ü e n t e s se e n q u a d r a v a m n o t e m a “ e d u ca r é f o r n e ce r inform ações focais sobre cuidar da saúde”.
[ Educar em saúde é] Falar de um a doença, falar com o
tratar uma doença, ser capaz de falar como a pessoa deve proceder,
né? A pessoa doente, sei lá, a pessoa cardíaca você vai falar com o
essa pessoa deve proceder, orientar sobre determ inadas doenças,
né... (UBS I ).
Ou t r os t em as com o “ edu car é am edr on t ar os usuár ios par a que pr ev inam a doença” t am bém se fizeram r epr esent ar.
Essa pessoa não t om ava rem édio pra pressão, pra
hipertensão, ela não fazia nada, ela não m edia a pressão dela, ela
não tava nem aí e depois disso eu tive que m eter m edo nela, foi à
base de am eaças, m as eu consegui... ( risos) . ( UBS I I I )
O m esm o car át er pr escr it iv o se r epr oduziu nos tem as: “ educar é prom over m udança de hábitos”, “ e d u ca r e m sa ú d e é r e p e t i r v á r i a s v e ze s a inform ação”, “ educar em saúde é realizar um trabalho de conv encim ent o”.
Pe r ce b e - se , a ssi m , q u e a co n ce p çã o d e educação em saúde gir a em t or no da finalidade de m u d a r co m p o r t a m e n t o s, q u e r p o r m e i o d o i n st r u m e n t a l d e co n v e n ci m e n t o , q u e r e q u e r a t ransm issão repet ida de inform ações, quer por m eio de est rat égias de am edront am ent o.
Essa com p r een são d o t r ab alh o ed u cat iv o apr ox im a- se bast ant e da educação nos m oldes dos Sist em as Locais de Saúde ( SI LOS)( 13), que se paut a por culpabilizar o indivíduo por ficar doent e, cabendo a ele, port ant o, a responsabilidade pelo cont role da doença. Assim , busca- se m elhorar a situação de vida das pessoas a partir de recursos individuais sem que se cont est e a est r ut ur a e a dinâm ica do m odo de pr odução, que engendr am as r aízes dos pr oblem as de saúde.
Desse m od o, a ed u cação em saú d e t er ia com o obj et ivos: a) depurar, ext rair dos indivíduos as cr en ças e idéias desf av or áv eis ao com por t am en t o esperado pelo conhecim ent o acadêm ico hegem ônico; b) norm atizar, ordenar a vida dos indivíduos de acordo co m p a d r õ e s p r e v i a m e n t e e st a b e l e ci d o s se m co n si d e r a r o s co n h e ci m e n t o s e e x p e r i ê n ci a s ant eriores dos suj eit os, bem com o as diferenças de inserção social; c) legitim ar as práticas e os conteúdos inst it ucionais, cuj o saber é o considerado válido( 14).
Nessa per spect iv a, a educação é pr at icada co m o d e l e g a çã o d e r e sp o n sa b i l i d a d e s p a r a o
indivíduo e com o ação com plem ent ar à ação m édica com a f in alidade de bar at ear cu st os das polít icas sociais. A m an eir a com o a ed u cação em saú d e é conduzida acaba por atribuir à “ ignorância” e à “ falta de consciência” dos indivíduos a causa dos fracassos das ações em saúde( 14).
Par a su p er ar essa “ f alt a d e con sciên cia”, m uit as v ezes, se r ecor r e às est r at égias de r efor ço de or ien t ações e do con t r ole sobr e os cor pos dos i n d i v íd u o s( 1 5 ) n o s m o l d e s d a sa ú d e p ú b l i ca cam panhista( 16). Muitas vezes se nega o saber popular e im põe- se o saber cient ífico, desconsiderando- se a capacidade dos grupos sociais de reconhecerem seus pr oblem as e agir em par a t r ansfor m ar a r ealidade, cabendo ao t écnico a norm at ização da vida( 14).
Por outro lado, tam bém deve- se estar atento para post uras que caract erizem o ext rem o opost o, o de considerar que apenas o saber popular é válido, adequando- se o profissional à “ realidade cult ural da com unidade”, de form a acrít ica, sem conflit os, o que p o d e ser v i r d e j u st i f i cat i v a p ar a a u t i l i zação d e est r a t ég i a s b a r a t a s a p a r t i r d e r ecu r so s l o ca i s, m inando a lut a da população pela conquist a de seus direit os( 14).
Um ou t r o p on t o a ser ab or d ad o é q u e a educação em saúde, ao volt ar- se para a prevenção e t r at am ent o de doenças, r esponde aos int er esses do capit al que t ransform a as legít im as necessidades de saúde da população em m er cador ias ( indúst r ia f ar m acêu t ica e d e m ed icam en t os) . Ev id en cia- se, assim , um m ecanism o cont r adit ór io, de um lado, a i n d ú st r i a m éd i ca e d e m ed i ca m en t o s en f a t i za a necessidade de que se consum am essas m ercadorias para se ter saúde, de outro, aqueles que se encontram com dificuldades de reprodução social não conseguem t er acesso a essas m ercadorias( 14).
discurso, onde se const it ui com o suj eit o novo. Nesse p r ocesso, con st r u íd o colet iv am en t e, t om am p ar t e profissionais e população ( ...) ”( 14).
Nessa perspectiva, verificaram - se nos grupos focais e nas entrevistas individuais as seguintes falas dos agen t es com u n it ár ios: “ edu cação em saú de é respeitar a cultura, a realidade e os lim ites do outro”, “ int er v ir na sit uação de v ida”, “ discut ir cidadania”, “ q u e st i o n a r p a d r õ e s v e i cu l a d o s p e l a m íd i a ”, “ possibilit ar a part icipação da população no processo ed u cat iv o”, “ or ien t ar a r esp eit o d a u t ilização d o ser v i ço ”. Ou t r o t em a f r eq ü en t e f o i “ m o b i l i za r a população para a busca de direit os”.
(...) eu tinha com o visão de agente com unitário de saúde
quando com ecei que eu est aria agindo com as fam ílias para
divulgar prevenção de saúde. Chegar lá: ‘você tem que tom ar tal
m edicação’. Essa era a m inha visão com o agente, quando eu
assum i. Hoje, eu vejo, não, de um a m aneira diferente que além de
ir até lá e prom over a saúde, eu tenho que ajudar essa com unidade
a buscar os direitos que são oferecidos a ela ( ...) . ( UBS I I I ) .
Nessas falas verifica- se que a finalidade do processo educat ivo não se rest ringe à prevenção de doenças, m as am plia- se para a esfera dos direit os e da const r ução da cidadania, pr ocur ando discut ir as r aízes dos pr oblem as de saúde nos m oldes de um processo político e dialógico que possibilite a reflexão sobr e a r ealidade social e a sua t r ansfor m ação( 17). Ent r et ant o, v er ifica- se que as falas concent r am - se no âm bit o da v ida, do bair r o, do consum o. Não se alcançam as relações entre saúde e trabalho que, na verdade, det erm inam as form as de viver.
D e t o d a f o r m a , n e ssa p e r sp e ct i v a , a s e x p e r i ê n ci a s a n t e r i o r e s sã o co n si d e r a d a s e a p o p u l a çã o t e m p a r t i ci p a çã o a t i v a n o p r o ce sso educat ivo nos m oldes da educação em ancipat ória( 18). Verifica- se t am bém o carát er cont ra- ideológico dessa edu cação n a m edida em qu e con t est a os padr ões veiculados pela m ídia com relação ao que “ se deve fazer para se t er saúde”.
Sen d o assim , v er if ica- se q u e a at iv id ad e t eó r i ca ( co n cep ção d e ed u cação , d e saú d e e d e ed u cação em saú d e) , q u e g u ia a p r áx is d os ACS ( at iv idade pr át ica de t r ansfor m ação da r ealidade) , apresent a carát er cont radit ório, ora se apresent ando com caract eríst icas progressist as e t ransform adoras da or dem dom inant e, de cont est ação da r ealidade de desigu aldade social, or a se apr esen t an do com car act er íst icas pr edom in an t em en t e con ser v ador as, q u e r e sp o n d e m a o s i n t e r e sse s d o ca p i t a l e reproduzem a ideologia dom inant e.
Práxis: o que fazem os agentes com unitários de saúde
O car át er da at iv idade pr át ica dos agent es aco m p an h o u a o sci l ação v er i f i cad a n a at i v i d ad e t eórica, por vezes, práxis criat iva, por vezes, práxis r eit er at iv a, com pr edom ínio dessa, com o pôde ser v er if icado n as at iv idades r ef er idas pelos agen t es, t a n t o n o s g r u p o s f o ca i s q u a n t o n a s en t r ev i st a s individuais em que relat aram sit uações do cot idiano do t rabalho.
As p r át icas q u e car act er izam u m a p r áx is criat iva se apresent aram nos t em as: “ fazer educação em saú d e é am p liar a v isão d o ser v iço sob r e as n e ce ssi d a d e s d e sa ú d e d a p o p u l a çã o ” , “ f a ze r educação em saúde é r ealizar ações int er set or iais”, “ f azer ed u cação em saú d e é ser r ef er ên cia p ar a t ransform ar a sit uação de saúde” e “ fazer educação e m sa ú d e é t e r l i d e r a n ça p a r a t r a n sf o r m a r a r ealidade”.
A gente ( ...) é a liderança lá da com unidade, porque a
própria associação ela não participa de m uitas coisas que estão
acontecendo lá na região do Butantã...(...). Às vezes a gente está
em reuniões que a associação de m oradores às vezes nem sabe,
e deveriam estar, que é im portante, e não está ( ...) . Eu vej o essa
parte de liderança na com unidade na gente m esm o ... porque pelo
que eu percebo, a gente corre atrás de m eio am biente, corre atrás
da educação das crianças, corre atrás de adolescentes ... para
m elhorar a com unidade a gente vai atrás do zoonoses por causa
dos ratos, da prefeitura, de tudo ... Tudo a gente vai atrás ... A
associação só tem nom e ...( UBS I V) .
Aq u i o s a g e n t e s b u sca v a m a m p l i a r a s pr át icas essencialm ent e cur at iv as, buscando incluir e st r a t é g i a s q u e d e m o n st r a sse m d e sa g r a d o e cont est ação por referência à m arginalidade em que v iv em os m or ador es das ár eas at endidas por eles. Assi m , m u i t a s v e ze s, r e sg a t a r a m se u p a p e l d e lid er an ça em p r ocessos d e m ob ilização, j á q u e a m aior parte dos agentes do estudo trazia no currículo a l g u m a f o r m a d e e n g a j a m e n t o e m g r u p o s e associações.
p r od u zid os n a m ed id a em q u e se p lasm am n eles finalidades ou pr oj et os hum anos, com o t am bém o hom em se produz, form a ou t ransform a a si m esm o ( ...) . [ Já] a práxis social é a atividade de grupos, ou classes sociais, que leva a transform ar a organização e direção da sociedade, ou a realizar certas m udanças m ediante a atividade do Estado. Essa form a de práxis é j ust am ent e a at ividade polít ica”( 9).
Tal con st at ação r ev ela- se coer en t e com a discussão apresent ada por out ros aut ores( 19) que, ao a n a l i sa r e m o ca r á t e r d o p r o ce sso e d u ca t i v o d e for m ação de aux iliar es de enfer m agem at r av és do Pr oj et o Lar ga Escala, t am bém v er ificar am , por um lad o, ên f ase n o car át er t écn ico d as cap acit ações pedagógicas e, por out ro, um a com preensão polít ica lim it ada do processo educat ivo.
A pr áx is v olt ada par a o plano da pr odução m u it as v ezes r est r in ge- se à ex ecu ção de t ar ef as, ca r a ct e r i za n d o u m a p r á x i s r e i t e r a t i v a q u e , n o present e est udo, correspondeu às at ividades prát icas ev idenciadas pelas falas nos gr upos focais de que “ fazer educação em saúde é ser os olhos do posto na co m u n i d a d e”, “ f a zer ed u ca çã o em sa ú d e é u m a m i ssã o d e v i d a p a r a a j u d a r o p r ó x i m o ”, “ f a zer educação em saúde é ser ‘tapa- buraco’ para cam uflar as lim it ações do serviço”.
E atualmente nós somos tapa-buraco aqui no posto, tudo
que tá precisando “vai fazer”, entendeu? Precisa fazer um trabalho
adm inistrativo, fazer um envelope, do ATA que ganha duas vezes o
que a gente ganha, nós estam os fazendo o trabalho dele, ele deixa
a gente lá no balcão e vai passear, ler revista e você fica atendendo
lá, se você fizer errado é ‘porque o agente fez’ (UBS I ).
A práxis reit erat iva t am bém est eve bast ant e r epr esen t ada n o r elat o das sit u ações v iv en ciadas, v er i f i ca n d o - se q u e a s i n t er v en çõ es o b j et i v a v a m p r e v e n çã o e t r a t a m e n t o d e d o e n ça s n o â m b i t o i n d i v i d u al o u f am i l i ar e m esm o as p r o p o st as d e resolução de conflit os eram perm eadas por ações de cu n h o m o r a l i za n t e, u t i l i za n d o - se est r a t ég i a s d e conv encim ent o e am edr ont am ent o.
Dessa form a, grande parte das atividades dos a g e n t e s p a r e ce a ssu m i r ca r á t e r i n st r u m e n t a l , confor m ando a pr áx is r eit er at iv a em que o suj eit o age sobre a realidade por m eio da repetição de tarefas par a adapt ar - se a essa r ealidade. Além de su pr ir lim it ações do ser v iço, essas t ar efas se r esum em a a t i v i d a d e s d e “ l e v a - e - t r a z“ d e i n f o r m a çõ e s d a com unidade para a UBS e vice- versa, correspondendo s grande parte do trabalho do agente. I sso foi tam bém constatado em outro trabalho( 20), ao verificar que parte
expressiva do trabalho dos agente se destina a “ levar m en sag en s” co m o as d at as d e co n su l t as p ar a a popu lação.
Co n st a t o u - se , a i n d a , q u e a s a t i v i d a d e s práticas tam bém possuem características m essiânicas, de aj uda ao próxim o, explicitando o caráter ideológico d a at i v i d ad e t eó r i ca q u e a em b asa. Ver i f i co u - se t am bém a realização de práxis reit erat iva quando os agent es não int encionalizam a finalidade do t rabalho, conseqüência da divisão social e t écnica, própria da a l i e n a çã o . D e ssa f o r m a , o s a g e n t e s se n t e m - se im pot ent es ao t om ar par a si a r esponsabilidade de at en der t odas as dem an das da com u n idade. Sem saber com o realizar o enfrent am ent o dessa sit uação, os ACS lançam m ão de estratégias de convencim ento e am edr ont am ent o que condicionem a população a seguir suas orient ações.
CONSI DERAÇÕES FI NAI S
Verificou- se que t ant o a práxis dos agent es quant o a at iv idade t eór ica que a em basa possuem car act er íst icas con t r ad it ór ias, oscilan d o en t r e as ca r a ct e r íst i ca s m a i s t r a n sf o r m a d o r a s e m a i s co n ser v ad o r as, sen d o q u e essas p r ed o m i n ar am , r ep r esen t a d a s p el a s co n cep çõ es p r escr i t i v a s d e educação em saúde e pela práxis reit erat iva.
No e n t a n t o , a l g u n s a g e n t e s co n se g u e m realizar a práxis criativa na m edida em que ilum inam su a s p r á t i ca s co m co n ce p çõ e s t e ó r i ca s q u e ult rapassam o pólo t écnico e que, por isso m esm o, e x t r a p o l a m o ca r á t e r b i o m é d i co d a sa ú d e e fundam ent am ações de t r ansfor m ação da r ealidade de saúde ainda que no âm bit o do consum o.
deixaria de se constituir em m era repetição de tarefas, tornando- se princípio educativo na perspectiva de um a pr áx is t r ansfor m ador a.
Cabe r essalt ar que a t ar efa de qualificação d o s a g e n t e s d e p e n d e f u n d a m e n t a l m e n t e d a concr et ização do SUS em m odelos de at enção que superem as arm adilhas da alienação no t rabalho, ou se j a , a q u a l i f i ca çã o d e v e p a ssa r t a m b é m p e l o aper feiçoam ent o daqueles que são os r esponsáv eis pelo aprim oram ent o da força de t rabalho em saúde
em geral e dos agentes em particular. Dessa form a, a super ação da pr áx is r eit er at iv a na dir eção de um a práxis criadora dar- se- ia por m eio da qualificação do t r a b a l h o d e t o d o s o s t r a b a l h a d o r e s d e sa ú d e , aperfeiçoando as concepções e o saber operante - de educação, saúde e educação em saúde, da perspectiva da saúde coletiva - que ilum inam o recorte do objeto e inst rum ent alizam a prát ica, para apoiar, j unt o dos g r u p o s so ci ai s, o p r o cesso d e t r an sf o r m ação d a realidade de saúde e de construção da cidadaniaplena.
Recebido em : 22.12.2005 Aprovado em : 29.5.2006
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