A CONTESTAC;:ii.O
AO CENTENARIO ANTONIANO DE 1895
ANT6NIO VENTURA
*
o
anticlericali
s
mo portugues nao
diferiu,
no essencial, dos
seus
congeneres
europeus. Foi um fenomeno tipicamente
urban
o e elitis
-ta
I,resultante da tecnizayao, da crescente qualificayao profissional e
da
af
irma
yao
de tendencias heterodoxas
,
para utilizarmos uma
expres
-sao
consagrada
por Menendez
y
P
elayo: galicanismo, episcopalismo,
enciclopedismo,
ilumini
s
mo
'.
No caso
portugues
,
a expulsao da
Com-panhia
de
Jesus marcou
0infcio de um
vasto conjunto
de medidas que
o poder polftico tomou
ao
largo do
seculo XIX,
para limitar
a
aCyao da
Igreja
em geral
e
das ordens
religiosas
em
particular. Essa tendencia
ganhou novo fOlego
com
a revoluyao liberal de 1820 e, de um modo
mai
s
determinado
e
irreversfvel, apos a vitoria liberal de 1834. A
le-gisla9ao
que
suprimiu as
ordens religio
sas
e in
iciou
a
desamortizayao
foi a
pedra angular na polftica de ingerencia do E
s
tado na
vida
da
Igre-ja,
mas essa
intromissao nao ficou por
af. Recordemos, a
propo
s
ito
,
a
nomeayao
sistematica
de
govern
adore
s
temporais
para bispados
cu-jos prelados, fieis
a
D. Miguel
,
os haviam
abandonado, com a
recomen-dayao
aos
respectivo
s
cabidos
para que
os elegessem
vigarios
capitu-lares. Gerou-se
assim
um prolongado
conflito
que alguns
autores
nao
* Professor da Faculdade de Letras de Lisboa.
V., par exemplo. Jorge Borges de Macedo, «0 Anric1ericalismo em Ponu-gal no seculo XIX)), in Communio. nO 5, Setemhro-Outubro de 1895, pp. 440-450. A. Gondomar, «0 Anticlericalismo em Portugal», in Bratlria, Vol. XXIX, pp. 554-563. Marcelino Menendez y Pelayo, Hist6ria de los Heterodoxos Espatiole:s, em
especial 0 Volume Regalismo y Enciclopidia. Los Afrancesados y las Cortes de Ca-diz. Reinado de Fernando VI e Isabell/. Krausismo e ap%gistas cat6licos,
Cida-de do Mexico. Editorial Porrua, Col. «Sepan quantos ... ), nO 389, 1983.
362 ANT6NIO VENTURA
hesitaram em classificar de cisma, e que toldou, durante muitos anos, as rela<;oes entre Portugal e a Santa Se. Paralelamente foram dados os primeiros passos para a institui<;ao de urn registo ci viI, num processo iniciado com 0 decreto de 16-5-1832 e com a reforma administrati va
de 18-7-1835, em bora ficasse ainda por percorrer urn longo caminho que culminaria com a lei de 28 de Novembro de 1878, que regulamen tou efectivamente 0 registo civil.
o
anticlericalismo assumiu, com frequencia, a forma de ataques focalizados a aspectos concretos e acessorios da vida eclesiastica, com os quais se procurava estabelecer urn contraste entre a vida dossacerdotes eo quotidiano «normal». 0 celibato, a sacraliza<;ao de ac tos como 0 nascimento - atraves do baptismo - 0 casamento e a mor
te, os votos perpetuos eram criticados em varios niveis, da literatu ra 3 ao folheto anonimo e de gosto duvidoso, genero que tanta popula ridade alcan<;ou, na segunda metade do seculo XIX, nos paises latinos e tam bern entre n6s. A ofens iva contra a Igreja como institui~ao come ~ava a confundir-se com a crftica aos seus fundamentos . 0 anticlerica lismo pretendia construir uma concep~ao da sociedade, da cultura e da pr6pria vida antag6nica e alternativa ao catolicismo, sobrevalorizan do a ciencia, que era apresentada como antitese da religiao 4; a difusao de publica<;oes que pretendiam provar a incompatibilidade entre 0
progresso e a religiao era uma vertente dessa oposi~ao que se procu rava estabelecer, utilizando aspectos secundarios e superficiais pro movidos a fundamentais. Evocavam-se a cada passo a Inquisi~ao, as persegui<;oes religiosas atraves da Hist6ria, os martires provocados pelo fanatismo, a vida dissoluta dos papas, como se fossem elementos essenciais do catolicismo. A imprensa anticlerical e os almanaques do registo civil e do livre-pensamento surgiam povoados de ilustra<;oes grosseiras e primarias, representando torturas terriveis em
inter-Joel Serrao, «0 Anticlericalismo na literatura portuguesa», in Portugueses somos, Lisboa, Li vros Horizonte, s. d., pp. 167-210.
V., por exemplo, Malvert, Ciencia e Religiiio, Lisboa, Livraria Central de
Gomes de Carvalho Editor, 1903, trad. de Heliodoro Salgado, e do proprio Helio doro Salgado, Religiiio e Ciencia, Lisboa, Tip. do Comercio, 1903. Estudos actuais:
Fernando Catroga, v. A Militancia laica e a Descristianizar;iio da Morte em Por tugal (policopiado), dissertar;:ao de doutoramento apresentada it Faculdade de Le
tras de Coimbra, 1988, 2 vol., maxime 0 capitulo «Cientismo e Mundivivencia lai
ca», Vol. 1, pp. 222 a 279. De Amadeu Carvalho Homem, v.llusi5es do Cientismo nos Prim6rdios da Sociologia Portuguesa , separata de XI Encontro dos Projessores de Hist6ria da Zona Centro, Coimbra, 1994, pp. 10] a 118.
363
A CONTESTA<;:AO AO CENTENARlO ANTONIANO DE 1895
rogat6rios que tinham como cenario tenebrosas masmorras inquisi toriais, em poses que desafiavam as leis da Fisica, tudo com 0 objecti vo de provocar uma reacs:ao emocional por parte do observador e de a potenciar na luta contra a Igreja e os seus representantes. Ao mes mo tempo exaltavam-se figuras relacionadas com 0 anticlericalismo e
vitimas da intolerancia religiosa como Giordano Bruno, Ant6nio Jo se da Silva e Garcia de Orta, criando-se de sse modo uma hagiografia laica alternativa e concorrente com os hagiol6gicos cristaos. A celebra s:ao do centenario da morte do marques de Pombal, em 1882, assumiu
um significado muito especial, enquadrando-se na l6gica comemo rativista adoptada pelos positivistas portugueses 5.
o
anticlericalismo em Portugal foi animado, no plano organi zativo, por diversas associas:oes que floresceram com maior ou menos vitalidade e duras:ao a partir do ultimo quartel de oitocen tos. Em 18 de Novembro de 1876, surgiu a Associas:ao Promotora do Registo Civil 6 com uma forte influencia positivista. Esta era, alias, uma caracteristica comum nessa epoca - a participas:ao acti va dos. mais destacados positivistas em prol do registo civil, nu ma linha de actuas:ao que tinha como objectivo ultimo «libertar»os individuos e a sociedade da influencia religiosa, modificando desse modo comportamentos individuais e colectivos. Mais tar de surgiram outras agremias:oes do mesmo tipo como a Asso cias:ao dos Livres-Pensadores (1880), resultante da fusao da Liga dos Positivistas Luso-brasileiros e do Circulo dos Bibli6grafos Portugueses 7. Na Associas:ao Propagadora do Registo Civil (1885), a mais importante e duradoura de todas, estarao presentes elemen tos republicanos e positivistas como Teixeira Bastos, a par de so
cialistas da facs:ao de Azedo Gneco, incluindo este polemico diri gente operario, e socialistas heterodoxos como Guedes Quinhones, que publicara, em 1898, uma colecs:ao de folhetos anticlericais intitulada
Folhas que Voam,
com titulos sugestivos e ao gosto daV. Te6filo Braga. Os Centenarios como Sfntesa afectiva nas Sociedades modernas. Lisboa, Tip. de A. J. Silva Teixeira, Biblioteca Moderna Luso-Brasi
leira, 1884, nomeadamente sobre os centenarios de Cam6es (pp. 1 a 64) e do Pom bal (pp. 181 a 231), para s6 citarmos as figuras nacionais. Sobre 0 Centenario de Pombal v. Rui Bebiano, «01° Centenario do marques de Pombal (1882)>> , in Revis ta de Historia das ldeias , vol. 4 , Torno III, 1982, pp. 381 a 428.
~ Augusto Jose Vieira, ,,0 Livre Pensamento em Portugal», in Almanaque de
,,0 Mundo » para 1912, Lisboa, Tip. Casa Portuguesa, p. 128.
ANT6NIO VENTURA 364
epoca 8. Republicanos e socialistas de varias tendencias esUio unidos. mas, embora seja indiscutfvel que os segundos comeyam a ter urn cres cente protagonismo no movimento anticlerical a partir da decada de oitenta, as figuras provenientes do republicanismo eram determinan tes pelo seu prestfgio nacional, pelo menos naquele tipo de estruturas clara mente elitistas.
0
papel da mayonaria foi tambem significativo, desempenhando uma funyao transversal em relac;ao aos diferentes grupos e correntes ideol6gicas empenhadas no combatea
Igreja.A esse clima de agita9ao anticlerical ha que acrescentar a ressa ca do 31 de Janeiro de 1891, com 0 refluxo do Partido Republicano de que s6 vini a recuperar em 1896, com a constituic;ao do Grupo Re publicano de Estudos Sociais, a crise econ6mica que se agudizou nos anos noventa, a lenta implanta9ao de novas ideologias, nomeadamen te do anarquismo, e a rivalidade entre os partidos monarquicos, agra vada pelo go verno de Hintze Ribeiro, conhecido pelos seus adversa rios pel a «ditadura Hintze-Franco» (1893 - 1897), numa alusao ao Mi nistro do Reino, Joao Franco.
Era, pois, natural, que as comemora90es antonianas de 1895 assu missem uma dimensao e urn significado que transcendeu largamente a celebra9ao de uma grande figura da 19reja e da Hist6ria de Portugal.
1.
As
Comemora~oesAntonianas de 1895
As festividades foram precedidas de uma longa prepara9ao que se
processou em diversos niveis. A 13 de Junho de 1894 era instalada a Grande Comissao Central de Lisboa, sob a presidencia honoraria da rainha D. Amelia, integrando algumas centenas de personalidades com destaque para a fina flor da aristocracia encabeyada pelo duque e duquesa de Palmela e pelo duque de Louie. Dela ainda faziam par te polfticos, eclesiaticos, dirigentes de associayoes e outras persona lidades como Rafael Bordalo Pinheiro e Ramalho Ortigao. A Comis sao Executiva era formada pelo marques de Pombal (presidente), con de de Avila (secretario), conde de Burnay (tesoureiro) e pelos vogais marques de Fronteira, Julio Augusto de Oliveira Pires e Carlos da
Sil-Alguns dos tftulos dos folhetos: Os Jesu[tas, Tres Mdrtires da Ciencia, o Marques de Pombal, A ignorancia perante 0 Raio (conto), 0 Excomungado e A Excomunhtio.
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e A
A CONTESTAt;AO AO CENTENARIO ANTONIANO DE 1895 365
VII CENTENARIO DE SANTO ANTONIO
AS II.LUMINA<;OES 0 ARRAIAL NO Tt::RREIRO DO PA<;O {Ouenho dO sr. J.~R. Chr!slinol
va P e s s o a P o r d e c r e t o de 19 d e J u l h o de 1894, o c e n t e n á r i o foi d e c l a -r a d o f e s t a n a c i o n a l . A o m e s m o t e m p o , n o u t -r o s p a í s e s , e m e s p e c i a l e m Itália, p r e p a r a v a m - s e i g u a l m e n t e c e l e b r a ç õ e s . A 14 de F e v e r e i r o de 1894 era f u n d a d a a Pia U n i ã o d e S a n t o A n t ó n i o 10, q u e t i n h a c o m o port a v o z e m P o r port u g a l o j o r n a l Voz de Sanporto Anportónio, s e d i a d o em M o n port a -rial, B r a g a , c u j o n ú m e r o i n a u g u r a l saiu e m F e v e r e i r o d e 1895. A 5 d e M a i o de 1895, D. J o s é III, C a r d e a l P a t r i a r c a d e L i s b o a , p u -blicou u m a c a r t a p a s t o r a l s o b r e a c e l e b r a ç ã o d o VII C e n t e n á r i o d e S a n t o A n t ó n i o , c u j o p r o g r a m a j á t i n h a s i d o d i v u l g a d o e m M a r ç o , nas s u a d u p l a c o m p o n e n t e r e l i g i o s a e p r o f a n a " . A p ó s e v o c a r a p r o c l a m a ç ã o p o r L e ã o XIII de S a n t o A n t ó n i o « S a n t o de t o d o o m u n d o » , s a l i e n t a v a a s u a i m p o r t â n c i a na h i s t ó r i a de P o r t u g a l e a a t e n ç ã o q u e lhe d e d i -c a r a m d i v e r s o s m o n a r -c a s l u s o s , de S a n -c h o I a A f o n s o VI, -c o n -c l u i n d o q u e « s i m , a m a d o f i l h o s , P o r t u g a l n ã o s e r i a t ã o g r a n d e s e m A n t ó n i o de L i s b o a ; e S. A n t ó n i o n ã o teria s i d o tão g r a n d e s e m a fé de P o r t u g a l » . D e p o i s , a p e l a v a ao p o v o de L i s b o a para q u e c e l e b r a s s e c o n d i g n a m e n t e a e f e m é r i d e q u e se a p r o x i m a v a e a n u n c i a v a o p r o g r a m a d a s c e l e b r a ç õ e s r e l i g i o s a s que d e c o r r i a m e n t r e 13 e 2 3 d e J u n h o , c o m p r e e n -d e n -d o u m a f e s t a na Real C a s a -de S a n t o A n t ó n i o , s e r m õ e s , e x p o s i ç ã o e b ê n ç ã o c o m o S a n t í s s i m o na S é P a t r i a r c a l , S a n t o A n t ó n i o e S. V i c e n -te d e F o r a , C o m u n h ã o geral ( n o dia 23, na m e s m a i g r e j a ) . I n f o r m a v a a i n d a q u e o P a p a c o n c e d e r a d i v e r s a s g r a ç a s e i n d u l g ê n c i a s à c i d a d e de L i s b o a , as q u a i s e r a m e n u m e r a d a s . P o s t e r i o r m e n t e foi p u b l i c a d o um a p ê n d i c e à c a r t a p a s t o r a l a c i m a r e f e r i d a , q u e a n t e c e d i a u m a c a r t a de L e ã o X I I I d i r i g i d a ao C a r d e a l Pa-r i a Pa-r c a , d a t a d a d e 2 d e M a i o , o n d e o S u m o P o n t í f i c e a p o i a v a o u t Pa-r a ideia e n t r e t a n t o s u r g i d a : « e n t r e t u d o q u a n t o t e n d e s p l a n e a d o p a r a e n g r a n d e c e r a c e l e b r i d a d e das f e s t a s , j u l g a m o s q u e m u i t o a v i s a d a e s a b i a m e n te p e n s a i s e m r e u n i r e m L i s b o a u m C o n g r e s s o C a t ó l i c o I n t e r n a c i o -* V. « S a n t o A n t ó n i o de L i s b o a / 1 1 9 5 - 1 9 9 5 / F e s t a n a c i o n a l » ( P r o g r a m a de g r a n d e s d i m e n s õ e s , com 4 p.).
10 A U n i ã o Pia tinha dois o b j e c t i v o s f u n d a m e n t a i s : « D a r g r a ç a s a Deus, que
c o m p r o f u s ã o c u m u l o u de t a n t a s m e r c ê s e d o n s S a n t o A n t ó n i o de L i s b o a , a q u e m não só no Céu, m a s a i n d a por t o d a s as r e d o n d e z a s da terra está i n c e s s a m e n t e g l o r i f i -c a n d o » , e « p e d i r a S a n t o A n t ó n i o que t o d o s q u a n t o s se e n -c o n t r a m d e s t i t u í d o s d o ne-c e s s á r i o à s a l v a ç ã o da alma e bem do ne-c o r p o e a q u e l e s , ne-c u j o p r i m e i r o ne-c u i d a d o é o reino dos C é u s e a sua j u s t i ç a , a l c a n c e m t u d o isto p e l a m a r a v i l h o s a i n t e r c e s s ã o do m e s -m o S a n t o » . Voz de Santo António, n° 1, F e v e r e i r o de 1895, pp. 12 e 13.
nal» l2. De f a c t o , e s t a ideia t i n h a s i d o v e n t i l a d a na ú l t i m a c o n f e r ê n c i a dos p r e l a d o s p o r t u g u e s e s e f o r a a c a r i n h a d a pela c o m i s s ã o o r g a n i z a -d o r a -dos f e s t e j o s a n t o n i a n o s . A 19 -de M a r ç o -d e 1895 f o i a p r o v a -d a e t o r n a d a p ú b l i c a u m a c a r t a c o n v i t e a t o d o s os i n t e r e s s a d o s e m p a r t i -c i p a r n o r e f e r i d o -c o n g r e s s o , q u e se r e a l i z a r i a em L i s b o a , nos d i a s 25 a 2 8 de J u n h o , em S. V i c e n t e d e F o r a n. A c o m i s s ã o o r g a n i z a d o r a , p r e s i d i d a p e l o C a r d e a l P a t r i a r c a , c o m o A r c e b i s p o de M i t i l e n e c o m o V i c e P r e s i d e n t e , i n t e g r a v a a i n d a d i v e r s a s i n d i v i d u a l i d a d e s — a l g u -m a s d a s q u a i s f a z i a -m s i -m u l t a n e a -m e n t e p a r t e da G r a n d e C o -m i s s ã o C e n t r a i de L i s b o a , c o m o o m a r q u ê s de P o m b a l , o d u q u e d e Á v i l a e o c o n d e de B u r n a y — para a l é m de d i v e r s o s e c l e s i á s t i c o s c o m d e s t a q u e para o p a d r e S e n a F r e i t a s . O r e g u l a m e n t o , no seu A r t ° Io, d e f i n i a o s o b j e c t i v o s d o c o n c l a v e : « r e u n i r os c a t ó l i c o s de b o a v o n t a d e p a r a a c o r -d a r e m no m e i o s -d e a r r e i g a r a f é , e -d e s e n v o l v e r as o b r a s -de r e l i g i ã o ca-r i d a d e , e d u c a ç ã o , a s s o c i a ç ã o e l i b e ca-r d a d e c ca-r i s t ã ; bem c o m o p a ca-r a se o c u p a r e m das q u e s t õ e s s o c i a i s q u e i n t e r e s s a m às c l a s s e s o p e r á r i a s e às d e s f a v o r e c i d a s da f o r t u n a , s e g u n d o os p r i n c í p i o s d o E v a n g e l h o e os e n s i n o s d e S u m o P o n t í f i c e R o m a n o , o V i g á r i o de C r i s t o » l4. A o m e s m o t e m p o , p r o i b i a s e q u a l q u e r a l u s ã o a a s s u n t o s q u e p u d e s s e m o f e n d e r o s p o d e r e s c o n s t i t u í d o s e a q u e s t õ e s d e p o l í t i c a p a r t i d á r i a . T r a t a -v a - s e , c l a r a m e n t e , d e u m a r e s p o s t a aos a t a q u e s d e q u e a I g r e j a e s t a -v a a s e r a l v o . E r a e v i d e n t e a s i n t o n i a c o m a S a n t a Sé, n o m e a d a m e n t e na p r e o c u p a ç ã o m a n i f e s t a d a p o r L e ã o XIII pela q u e s t ã o s o c i a l , d e q u e a E n c í c l i c a Re rum novarum ( 1 8 9 1 ) f o i m o m e n t o f u n d a m e n t a l 12 Idem, pp. 101 c 102.
" O s t r a b a l h o s do c o n g r e s s o e s t ã o d e s c r i t o s no livro Actas do Congresso
Cató-lico Internacional de Lisboa celebrado nos dias 25 a 28 de Junho de 1895 por oca-sião do 7° Centenário de Santo António sob a Presidência do Exm° e Revm" Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa, Lisboa, T i p o g r a f i a M a t o s M o r e i r a & P i n h e i r o , 1896.
V. t a m b é m Voz de Santo António, n° 7, J u l h o de 1895, pp. 125 a 131. Para uma vi-s ã o g l o b a l , v. M a n u e l C l e m e n t e , « S a n t o A n t ó n i o no C o n g r e vi-s vi-s o C a t ó l i c o Interna-cional de L i s b o a ( 1 8 9 5 ) » , in Congresso InternaInterna-cional Pensamento e Testemunho
8° Centenário do Nascimento de Santo António — Actas. B r a g a , U n i v e r s i d a d e C a t ó
-lica / F a m í l i a F r a n c i s c a n a P o r t u g u e s a , 1996, Vol. II., pp. 875 a 885.
14 Voz de Santo António, n° 4, Abril de 1895, p. 75.
'•s S o b r e o l a b o r d a I g r e j a C a t ó l i c a no seio do m o v i m e n t o o p e r á r i o , e a c r i a ç ã o
de um a s s o c i a t i v i s m o o p e r á r i o c a t ó l i c o , v. M a n u e l Braga d a Cruz, A.í Origens da
Democracia Cristã e o Salazarismo, L i s b o a . Ed. P r e s e n ç a / G I S , 1980, m a x i m e o
c a p í t u l o III « O M o v i m e n t o Social C a t ó l i c o » , pp. 119 a 186, e uma e x t e n s a b i b l i o g r a f i a sobre o t e m a a pp. 4 4 7 a 4 4 9 da m e s m a obra.
O c e n t r o d a s f e s t i v i d a d e s e r a o T e r r e i r o d o P a ç o , d e c o r a d o c o m arc o s , p o s t e s , e u m loarcal n o arc e n t r o d e s t i n a d o à e x i b i ç ã o d e f i l a r m ó n i c a s , e s t u d a n t i n a s e c o r o s , À n o i t e h a v i a f o g o d e a r t i f í c i o , p o n t e s l u m i n o s a s , p r o j e c ç õ e s de luz e l é c t r i c a e r e p r e s e n t a ç ã o d e q u a d r o s a l u s i -vos a m i l a g r e s d e S a n t o A n t ó n i o . O u t r a s r u a s c o m e r c i a s a s s u m i r a m t a m b é m a s u a q u o t a p a r t e d e r e s p o n s a b i l i d a d e nas f e s t a s , c o n s t i t u i n d o c o m i s s õ e s l o c a i s , c o m o s u c e d e u c o m as r u a s d o O u r o , da P r a t a , A u g u s t a , F e r r e i r a B o r g e s , R e t r o s e i r o s e d o A l m a d a , V a l e d e S a n t o A n t ó -nio, M i r a n t e , P a r a í s o , I n f a n t e D. H e n r i q u e , R o s s i o , L a r g o da E s t a ç ã o e A v e n i d a da L i b e r d a d e , M e r c a d o da P r a ç a da F i g u e i r a , f r e g u e s i a s da P e n a e de S a n t a E n g r á c i a l6. A o m e s m o t e m p o , d e c o r r i a m c o r r i d a s de t o u r o s nas p r a ç a s d e A l g é s e d o C a m p o P e q u e n o , u m a f e s t a v e n e z i a na n o T e j o , d i v e r s ã o g i n á s t i c a e a c r o b á t i c a p e l o Real C l u b e G i n á s -t i c o , c o r r i d a s d e v e l o c í p e d e s e u m a r e g a -t a i n -t e r n a c i o n a l l7. No T e a t r o D. A m é l i a r e a l i z a v a - s e o e s p e c t á c u l o o f i c i a l d e gala c o m a o r a t ó r i a e m três a c t o s « M i l a g r e s d e S a n t o A n t ó n i o » , da a u t o r i a d o f a l e c i d o a c t o r J o s é M a r i a B r a z M a r t i n s l8. Para a l é m d e s t a s i n i c i a t i v a s , as c o m e m o r a -ç õ e s p o p u l a r e s a p r e s e n t a v a m u m a v e r t e n t e c a r i t a t i v a , c o m u m a f e s t a da i n f â n c i a — p r é m i o s a o s m e l h o r e s a l u n o s , a u x í l i o aos e s t u d a n t e s p o b r e s — e a i n a u g u r a ç ã o d o A s i l o O f í c i n a d e S a n t o A n t ó n i o , n o B a i r -ro A n d r a d e . U m a E x p o s i ç ã o d e A r t e S a c r a O r n a m e n t a l , n o M u s e u N a c i o n a l às J a n e l a s V e r d e s , e r a i n a u g u r a d a n o d i a 21 de J u n h o c o m a p r e s e n ç a d o s r e i s , c a b e n d o um p a p e l d e s t a c a d o na s u a o r g a n i z a ç ã o a R a m a l h o O r t i g ã o 19. T o d o e s t e v a s t o c o n j u n t o d e r e a l i z a ç õ e s t r o u x e a L i s b o a u m g r a n d e n ú m e r o d e f o r a s t e i r o s , p e l o q u e f o r a m t o m a d a s me-d i me-d a s p a r a os a c o l h e r . D e s me-d e a r e me-d u ç ã o me-de b i l h e t e s à p u b l i c a ç ã o me-de um g u i a e s p e c í f i c o , q u e t e v e p e l o m e n o s d u a s e d i ç õ e s , as e n t i d a d e s o r g a -n i z a d o r a s d o s f e s t e j o s -n a d a d e i x a r a m a o a c a s o . O u t r a c o m p o n e n t e q u e n ã o p o d e ser d e s v a l o r i z a d a foi a e n o r m e a c t i v i d a d e e d i t o r i a l r e l a c i o n a d a c o m o c e n t e n á r i o , t a n t o e m Itália c o -m o e-m P o r t u g a l . N e s t e ú l t i -m o c a s o , o ú n i c o e -m a p r e ç o n e s t e e s t u d o ,
16 «As Festas nas R u a s » , in Guia do Forasteiro nas Festas Antonianas.
Lis-boa , s. e „ 1895, pp. 129 a 132.
17 Esta r e g a t a era o r g a n i z a d a s o b a d i r e c ç ã o c o l e c t i v a da Real A s s o c i a ç ã o N a
-val, do Real C l u b e Naval e do C l u b e d o s A s p i r a n t e s da M a r i n h a . Guia, cit., pp. 9 9 e 100.
18 N o Guia a p a r e c e m o u t r o s t í t u l o s — « G a b r i e l e L u s b e l » ou « O T a u m a t u r g o
S a n t o A n t ó n i o » , c i t . , p. 132.
p u b l i c a r a m - s e l a r g a s d e z e n a s d e l i v r o s 2U, o p ú s c u l o s , f o l h e t o s e f o -lhas s o l t a s , d e s d e e s t u d o s e r u d i t o s a t é c u r i o s í s s i m a s m a n i f e s t a ç õ e s de o p o r t u n i s m o m e r c a n t i l i s t a e de e x p l o r a ç ã o da s u p e r s t i ç ã o p o p u l a r . A s s i m , a P e r f u m a r i a L u s i t a n a a n u n c i a v a um « f i n o s a b o n e t e p a r a a p e -le» c o m o o n o m e d o S a n t o 2 I; o o c u l i s t a R a m o s & S i l v a , da Rua da Es-c o l a P o l i t é Es-c n i Es-c a , g a r a n t i a , n u m p a n f l e t o Es-c o m v e r s o s de p é - q u e b r a d o , q u e o ê x i t o d o S a n t o c o m o o r a d o r s a g r a d o se d e v i a aos ó c u l o s q u e ad-q u i r i r a n a ad-q u e l e e s t a b e l e c i m e n t o . No P o r t o , p u b l i c o u - s e u m f o l h e t o c o n t r a os « m a l e f í c i o s d o d e m ó n i o e s e u s s e q u a z e s » . O Correio da Noi-te 22 a n u n c i a v a as « b o l a c h a s S a n t o A n t ó n i o » . N o s q u i o s q u e s v e n d i a se p o r 2 0 réis a « V i d a e M i l a g r e s d e S a n t o A n t ó n i o de P á d u a » . A s v e r s a l h a d a s p o p u l a r e s e r a m i n ú m e r a s , p o r v e z e s m u s i c a d a s . V e j a s e , c o -m o e x e -m p l o s , o « C a n t o d o P o v o a S a n t o A n t ó n i o » 23 e o « C a n t o do Po-vo d e d i c a d o a S a n t o A n t ó n i o » 24. C a r l o s S e r t ó r i o o r g a n i z o u um volu-me i n t i t u l a d o O Santo António do Povo, c o l e c ç ã o d e a n e d o t a s , r i f õ e s , a n e x i n s e p o e s i a s a l u s i v a s ao S a n t o , p r e c e d i d a de u m a b i o g r a f i a d e S a n t o A n t ó n i o 25. N ú m e r o s e s p e c i a i s de r e v i s t a s e j o r n a i s , d o Diário
de Notícias a o Ocidente, p a s s a n d o p e l o Boletim da Rea! Associação dos Arquitectos Civis e Arqueólogos Portugueses c o n t r i b u í r a m p a r a
d i v u l g a r , nos m a i s v a r i a d o s s e c t o r e s , as c o m e m o r a ç õ e s c e n t e n á r i a s . O Guia do Forasteiro f o r n e c i a ao p ú b l i c o i n t e r e s s a d o u m l e q u e v a r i a d o de i n f o r m a ç õ e s , os p r o g r a m a s p r e l i m i n a r e s das c o m e m o r a ç õ e s , h o r á rios de t r a n s p o r t e s , a l o j a m e n t o s e p u b l i c i d a d e . A n u n c i a v a s e a p u b l i -c a ç ã o de u m d r a m a e m 4 a -c t o s e 8 q u a d r o s , da a u t o r i a d e C a m p o s J ú n i o r , i n t i t u l a d o « S a n t o A n t ó n i o d e L i s b o a » , a c u n h a g e m na C a s a da M o e d a de u m a m e d a l h a c o m e m o r a t i v a , p o r i n i c i a t i v a da A s s o c i a
-20 V., por e x e m p l o , o c a t á l o g o da Exposição Antoniana realizada de I a 15 de
Junho de 1935 nos Paços do Concelho de Lisboa por ocasião das Grandes Festas da Cidade, L i s b o a , Ed. d a C â m a r a M u n i c i p a l de Lisboa, 1935.
21 Centenário de Santo António. Perfumaria Lusitana. Anúncio. Fino Sabone-te para a pele. Versos, s. 1., s. d. ( B i b l i o t e c a N a c i o n a l ) .
22 Correio da Noite, n° 4 7 5 3 , 3 1 - 5 - 1 8 9 5 . p. 2.
23 Canto do Povo a Santo António para ser acompanhado à guitarra por
ocasião dos grandes festejos, letra de Fulano e música de Sicrano: « V a m o s lá de
braço d a d o / E n t o a n d o a n o s s a lôa / F e s t e j a n d o o a f a m a d o / S a n t o A n t ó n i o de L i s b o a » .
24 « C a n t o do P o v o d e d i c a d o a S a n t o A n t ó n i o » , L i s b o a , N e u p a r h & Cia.
25 O Santo António do Povo, colecção de anedotas, refrães, anexins e poesias relativas ao Santo, precedida de uma breve biografia autêntica do Santo, L i s b o a ,
ç ã o P r o t e c t o r a da I n f â n c i a S a n t o A n t ó n i o de L i s b o a , e um h i n o m a r -c h a -c o m m ú s i -c a d o m a e s t r o A u g u s t o M a -c h a d o e letra d e D. J o ã o da C â m a r a . 2. A C o n t e s t a ç ã o a o C e n t e n á r i o A n t o n i a n o Um p r o g r a m a c o m tal m a g n i t u d e n ã o d e i x a r i a de s u s c i t a r r e a c ç õ e s d e s e n c o n t r a d a s na s o c i e d a d e p o r t u g u e s a . D o c a m p o m o n á r q u i -c o os a p l a u s o s f o r a m u n â n i m e s , m a s o e n t u s i a s m o v a r i o u -c o n s o a n t e a o r i e n t a ç ã o p a r t i d á r i a d o s p e r i ó d i c o s q u e os v e i c u l a r a m . O c o n t r a s t e e n t r e a Revista Católica e o Correio Nacional e r a f l a g r a n t e . V e j a - s e , p o r e x e m p l o , o Correio da Noite, v i n c u l a d o a o P a r t i d o P r o g r e s s i s t a , o q u a l , no início d a s c e l e b r a ç õ e s e s c r e v i a : « L i s b o a e s t e v e e m p l e n a f e s t a d o c e n t e n á r i o d e S a n t o A n t ó n i o . O s o p e r á r i o s d o P o r t o e s t i v e r a m e m g r e v e . P a r e c e , p o r é m q u e e s t á p o r p o u c o o a c o r d o com os p a t r õ e s , e q u e a g r e v e t e r m i n a r á p o r i s s o m a i s c e d o q u e as f e s t a s . A n tes a s s i m » . E c o n c l u í a : «as f e s t a s são b o a s , m a s a luta p e l a vida é d i f í -cil» 26. O tom c r í t i c o é e v i d e n t e . M a s n a d a q u e se c o m p a r e c o m as c e n -s u r a -s d i -s p a r a d a -s p o r o u t r o -s -s e c t o r e -s — r e p u b l i c a n o -s , -s o c i a l i -s t a -s , a n a r q u i s t a s — o n d e o a n t i c l e r i c a l i s m o e s t a v a m a i s a r r e i g a d o e se m a -n i f e s t a v a de um m o d o m a i s v i o l e -n t o e m a x i m a l i s t a . D e s s e c a m p o par-tirá u m a v a s t a c a m p a n h a de p r o p a g a n d a c o n t r a o c e n t e n á r i o , q u e se-rá u m m o m e n t o d e c i s i v o na m u d a n ç a q u a l i t a t i v a e q u a n t i t a t i v a da lu-ta a n t i c l e r i c a l e m P o r t u g a l . A i m p r e n s a s o c i a l i s t a , r e p u b l i c a n a e l i b e r t á r i a f o i p r ó d i g a e m art i g o s c o n art r a as c o m e m o r a ç õ e s . A Federação, ó r g ã o s o c i a l i s art a da f a c ç ã o d i r i g i d a p o r A z e d o G n e c o , c l a s s i f i c a v a a s de « i g n ó b i l m a s c a r a -d a » , « a r r a i a l -de S a n t o A n t ó n i o » e « i n f a m e c e g a -d a » , p r e v e n -d o « u m g r a n d e f i a s c o » p a r a e s s e « c e n t e n á r i o à f o r ç a » 27; e l a n ç a v a u m a p e l o : « q u e n e n h u m o p e r á r i o c o n s c i e n t e se i n c o r p o r e n e m a s s i s t a a o c o r t e -j o r e l i g i o s o d o c e n t e n á r i o . Q u e o c l e r i c a l i s m o f i q u e c o n s i g o p r ó p r i o e c o m os s e u s c o o p e r a d o r e s » 28. O j o r n a l q u e m a i s se d i s t i n g u i u n o s
ata-26 « A s f e s t a s e a luta p e l a v i d a » . Correio da Noite, n° 4 7 6 4 , 1 4 - 6 - 1 8 9 5 , p. 1.
27 /I Federação, n° 75, 9 - 6 - 1 8 9 5 , p. I.
2,1 « G r e v e no C e n t e n á r i o » , in A Federação, n° 73, 2 6 - 5 - 1 8 9 5 , p. 1. O u t r o s
artigos: « U m a V i t ó r i a — G u e r r a ao C l e r i c a l i s m o » , n° 7 4 , 2 6 1 8 9 5 , p. I; « U m a C o n s -p i r a ç ã o a b o r t a d a » , n° 75. 9 - 6 - 1 8 9 5 , -p. 1 ; « M a n i f e s t a ç ã o a n t i c l e r i c a l » , n° 7 6 . 16-6-- 1 8 9 5 , p. 2; « G u e r r a ao a n t i c l e r i c a l i s m o » , n° 77, 2 3 16-6-- 6 16-6-- 1 8 9 5 , p. 1.
q u e s a o c e n t e n á r i o f o i a Vanguarda, e n t ã o d i r i g i d o p o r A l v e s C o r -reia. O s f e s t e j o s e r a m a p r e s e n t a d o s c o m o u m a i n i c i a t i v a d a « r e a c ç ã o r e l i g i o s a » , q u e p r o m o v i a « u m a p a r a d a geral das s u a s f o r ç a s , o b e d e -c e n d o aos m e s m o s i n t u i t o s q u e o g o v e r n o q u a n d o m a n d o u e f e -c t u a r a g r a n d e p a r a d a da G u a r d a M u n i c i p a l » 29. N u m e r o s o s a r t i g o s de f u n d o i n v e c t i v a r a m as c o m e m o r a ç õ e s a p o d a d a s d e « c e n t e n á r i o j e s u í t i c o o r -l e a n i s t a » 30, d e p e r m e i o c o m o u t r o s t e x t o s d e r e c o r t e i m e d i a t i s t a , d e m a g ó g i c o e p r o p a g a n d í s t i c o c o m o a s e c ç ã o «os m i l a g r e s d e S a n t o A n -t ó n i o » , o n d e se p r e -t e n d i a r i d i c u l a r i z a r os m i l a g r e s a -t r i b u í d o s ao S a n t o . D o m e s m o m o d o as a l u s õ e s a c e r t o s p r o d u t o s c o m e r c i a l i z a d o s n o â m b i t o d o c e n t e n á r i o — c o m o os « b o l o s d e leite d e S a n t o A n t ó n i o » ou as « i s c a s d e S a n t o A n t ó n i o » — s e r v i a m os m e s m o s p r o p ó s i -t o s . O a r -t i g o de T e ó f i l o B r a g a , « S a n -t o A n -t ó n i o e o C e n -t e n á r i o » 3I, o n de a q u e l e e s c r i t o r p r e t e n d i a d e m o n s t r a r o a p r o v e i t a m e n t o d o c u l to a n t o n i a n o é u m a e x c e p ç ã o . N e l e , o p o l é m i c o d i v u l g a d o r d o P o s i -t i v i s m o c h a m a v a a S a n -t o A n -t ó n i o « f a m o s o -t a u m a -t u r g o q u e r e n e g o u a p á t r i a » . . . O d i á r i o Vanguarda a p r o v e i t a v a as m a i s p e q u e n a s n o t í c i a s , verd a verd e i r a s ou f a l s a s , p a r a a l v e j a r o C e n t e n á r i o . N o t i c i a v a , p o r e x e m -p l o , q u e c o m i s s õ e s j á c o n s t i t u í d a s se t i n h a m d i s s o l v i d o 32, e q u e «os b u r a c o s a b e r t o s n o R o s s i o p a r a c o l o c a ç ã o d o s m a s t r o s e e s t a c a s t ê m s i d o d e i x a d o s a d e s c o b e r t o d a n d o l u g a r a s é r i o s d e s a s t r e s » 33. D o s e v e n t o s q u e f a z i a m p a r t e d o e l e n c o d a s c o m e m o r a ç õ e s , a p e nas u m s u s c i t o u a l g u m a p l a u s o das f i l e i r a s a n t i c l e r i a i s — a i n a u g u r a -ç ã o da V i l a de S a n t o A n t ó n i o , na R u a da J u n q u e i r a , d e s t i n a d a a alo-j a r o p e r á r i o s c o m u m m í n i m o d e c o n f o r t o e d e d i g n i d a d e . O e d i f í c i o , 29 «A r e a c ç ã o r e l i g i o s a » . Vanguarda, n° 1414, 2 7 - 5 - 1 8 9 5 , p. I. 30 Vanguarda, n° 1417, 3 0 - 5 - 1 8 9 5 , p. 1. V e r t a m b é m « I n t o l e r a n t i s m o r e a c c i o n á r i o » , n" 1419, 1 - 6 - 1 8 9 5 , p. 1, o n d e é p a r t i c u l a r m e n t e visado o Correio
Nacional, e o artigo de A l e x a n d r e Braga, «A r e a c ç ã o m o n á r q u i c a - j e s u í t a » , n° 1430,
1 2 - 6 - 1 8 9 5 , p. 1.
}l Vanguarda, n° 1431, 1 3 6 1 8 9 5 , p. 1. T e ó f i l o Braga c o n c l u i : «O c e n t e
nário de S a n t o A n t ó n i o , sem o r e l e v o d a d o ao a s p e c t o h i s t ó r i c o , é u m a a d a p t a ç ã o dos a n t i g o s e l e m e n t o s é t n i c o s às c o n d i ç õ e s p r o f a n a s d a s g l o r i f i c a ç õ e s m o d e r -nas. É p o i s a r e p e t i ç ã o de um v e l h o p r o c e s s o , que não t e n d e a e l e v a r a c o n s c i ê n c i a s o c i a l » .
" Vanguarda, n° 1415, de 2 8 - 5 - 1 8 9 5 , p. 1. N o n° 1427, 9 - 6 - 1 8 9 5 . p. 3
n o t i c i a v a que a c o m i s s ã o de o r n a m e n t a ç ã o da P r a ç a da F i g u e i r a c e s s a r a os seus t r a b a l h o s .
d i v i d i d o e m d u a s a l a s , foi c o n s t r u í d o e m 63 d i a s n o local o n d e e s t a va u m v e l h o p a r d i e i r o q u e s e r v i a de d e p ó s i t o de f e r r a g e n s da a d m i n i s -t r a ç ã o m i l i -t a r . P o s s u í a r e f e i -t ó r i o e c o z i n h a , d i v i d i d a p o r b a l c õ e s seg u n d o o m o d e l o das c o z i n h a s e c o n ó m i c a s , e s o b r e o r e f e i t ó r i o s i t u a v a m s e 4 d o r m i t ó r i o s c o m 2 4 0 c a m a s e 12 r e t r e t e s p o r piso. O e d i f í -c i o p r i n -c i p a l p o s s u í a 6 0 q u a r t o s para d o r m i r , -c o m j a n e l a s , 4 q u a r t o s c o m l a v a t ó r i o s e a r r e c a d a ç õ e s para r o u p a . N a r e t a g u a r d a s i t u a v a - s e um j a r d i m . Do p r o j e c t o f a z i a p a r t e a f u t u r a c o n s t r u ç ã o de o u t r o edif í c i o para h o s p i t a l e b o t i c a . A s o b r a s edif o r a m d i r i g i d a s p o r M á r i o V e i -ga, s o b p r o j e c t o d o a r q u i t e c t o N i c o l a B i g a g l i a , e n e l a s t r a b a l h a r a m 2 8 0 o p e r á r i o s . A i n a u g u r a ç ã o d e c o r r e u a 21 de J u n h o de 1895, c o m a p r e s e n ç a d o s reis, d o c h e f e d o g o v e r n o , m i n i s t r o s , a u t o r i d a d e s c i v i s e r e l i g i o s a s , e d o m e n t o r da o b r a , o c o n d e de B u r n a y , s i m u l t a n e a m e n -te m e m b r o da c o m i s s ã o o r g a n i z a d o r a d o C e n t e n á r i o , q u e no d i s c u r s o j u s t i f i c o u a i n i c i a t i v a : «se a c a r i d a d e é a m a i s d o c e e l u m i n o s a das
vir-t u d e s h u m a n a s , a a s s i s vir-t ê n c i a é, no d o m í n i o s o c i a l , o seu e q u i v a l e n vir-t e m a i s j u s t o » O d i á r i o Vanguarda e s c r e v i a q u e «esta f e s t a c o n s t i t u i , para n ó s , um f a c t o s e p a r a d o , d i g n o até c e r t o p o n t o d o s n o s s o s a p l a u -s o -s ( . . . ) a p e -s a r d o -seu f u n d a d o r -ser o -sr. c o n d e d e B u r n a y , m e m b r o da C o m i s s ã o J e s u í t i c a q u e p r o m o v e as b u r l e s c a s f e s t a s em h o n r a do S a n t o m i l a g r e i r o » 35. O m e s m o j o r n a l , na d e s c r i ç ã o d o a c t o , q u a n do um t r a b a l h a d o r d e u vivas a o C o n d e de B u r n a y , e s c l a r e c i a q u e e s -se o p e r á r i o , u m tal A n t ó n i o S i m õ e s , e r a « u m p o b r e h o m e m , q u e de-p o i s e n t r e v i s t á m o s , e que n o seu t i de-p o d e n o t a v a u m c a s o de-p a t o l ó g i c o i n t e r e s s a n t e » 3 6... A a c ç ã o d o s e l e m e n t o s a n t i c l e r i c a i s não se f i c o u p e l a s p á g i n a s da i m p r e n s a . R a p i d a m e n t e t o m o u c o r p o a i d e i a de um p r o t e s t o m a i s a m -plo c u j a i n i c i a t i v a p a r t i u , e m p r i m e i r o l u g a r , d o C e n t r o S o c i a l i s t a de L i s b o a , o q u a l , n o i n í c i o de J u n h o de 1895, p r o p ô s m c o n j u n t o de ini-c i a t i v a s p a r a l e l a s e a l t e r n a t i v a s às d o C e n t e n á r i o : e d i ç ã o d e n ú m e r o e s p e c i a l de A Federação, r e a l i z a ç ã o de u m c o n g r e s s o a n t i c l e r i c a l q u e s e r i a um r e s p o s t a a o c o n g r e s s o c a t ó l i c o , m a n i f e s t a ç ã o ao t ú m u l o de S a r a de M a t o s 37. D e s s e p r o g r a m a , o c o n g r e s s o a n t i c l e r i c a l c o n s t i t u i o p o n t o m a i s s i g n i f i c a t i v o . 14 Vanguarda, n° 1440, 22-6-1 8 9 5 , p. 2. M I d e m . '*' I b i d e m . J7 A Federação, n° 76, 1 6 - 6 - 1 8 9 5 , p. 2.
2 . 1 . O C o n g r e s s o A n t i c l e r i c a l O s t r a b a l h o s d o c o n g r e s s o d e c o r r e r a m e n t r e 25 e 18 de J u n h o de 1895, e m L i s b o a , nas s a l a s da F e d e r a ç ã o d a s A s s o c i a ç õ e s de C l a s s e , na Rua d o B e n f o r m o s o , n u m a o r g a n i z a ç ã o c o n j u n t a d o s c e n t r o s so-c i a l i s t a s de L i s b o a e d e A l so-c â n t a r a . A sala e n so-c o n t r a v a - s e d e so-c o r a d a so-c o m r e t r a t o s de V i c t o r H u g o e d e A z e d o G n e c o , e c o m i n s c r i ç õ e s q u e t r a -d u z i a m as g r a n -d e s r e i v i n -d i c a ç õ e s -d o s p r o m o t o r e s — « s e c u l a r i z a ç ã o d o e n s i n o » , « r e g i s t o civil o b r i g a t ó r i o » , « l i b e r d a d e d e c u l t o » , « s e p a -r a ç ã o da I g -r e j a e d o E s t a d o » . O u t -r a l e g e n d a m a i o -r s e -r v i a de f u n d o — « P u g n a r pela v e r d a d e , pela c i ê n c i a e pela p a z s o c i a l : eis a r e l i g i ã o d o h o m e m c i v i l i z a d o » . C o u b e a A z e d o G n e c o a a b e r t u r a d o s t r a b a l h o s , s e c r e t a r i a d o por F r a n c i s c o de A s s i s e N u n e s da S i l v a . O d i r i g e n t e so-c i a l i s t a r e i v i n d i so-c a v a para o seu g r u p o o p a p e l de v a n g u a r d a na luta c o n t r a a i n f l u ê n c i a da I g r e j a : «o c l e r i c a l i s m o é o i n i m i g o da l i b e r d a d e , p o r t a n t o o p a r t i d o s o c i a l i s t a n ã o p o d i a f i c a r i n d i f e r e n t e p e r a n -te as s u a s r e i v i n d i c a ç õ e s ( . . . ) ; é ao p a r t i d o s o c i a l i s t a q u e c o m p e t e d a r b a t a l h a a essa seita n e f a s t a ( . . . ) ; se a c a p i t a l e s m a g a , o c l e r o e m b r u -t e c e » , s. E m b o r a os s o c i a l i s t a s f o s s e m a m p l a m e n t e m a i o r i t á r i o s , ou-tros s e c t o r e s m a r c a r a m u m a p r e s e n ç a q u e n ã o foi d e s p i c i e n d a . Es-pecial m e n ç ã o m e r e c e m os ó r g ã o s d e i m p r e n s a a d e r e n t e s c o m o
Vanguarda, A Batalha, o n d e p o n t i f i c a v a H e l i o d o r o S a l g a d o , O Dia, a n i
m a d o p e l o r e p u b l i c a n o e m a ç o n G o m e s das S i l v a , A Federação, p o r -t a - v o z d o g r u p o de A z e d o G n e c o , e dos j o r n a i s s o c i a l i s -t a s rela-ti- relati-v a m e n t e e q u i d i s t a n t e s e n t r e « p o s s i b i l i s t a s » e « m a r x i s t a s » , A Voz do Operário e A Obra. De r e g i s t a r a i n d a a p r e s e n ç a d o j o r n a l a n a r q u i s -ta Propaganda. O n ú m e r o de c o n g r e s s i s t a s o s c i l o u e n t r e 59 na p r i m e i r a s e s s ã o e 84 na ú l t i m a , c o m p r e d o m í n i o s o c i a l i s t a . E n t r e as f i g u r a s m a i s des-t a c a d a s d a q u e l e p a r des-t i d o c o n des-t a v a - s e T e o d o r o R i b e i r o e E r n e s des-t o da Sil-va, ao t e m p o a i n d a a l i n h a d o s c o m as p o s i ç õ e s de A z e d o G n e c o . Fiz e r a m s e o u v i r a l g u m a s c r í t i c a s à a l e g a d a i n o p e r â n c i a d o s r e p u b l i c a -n o s , c o m o f i c o u c l a r o -na i -n t e r v e -n ç ã o d e C a r l o s C a l i s t a , q u e l a m e -n t o u a sua f a l t a de r e a c ç ã o p e r a n t e o e n c e r r a m e n t o d a s e s c o l a s d o s c e n t r o s r e p u b l i c a n o s '9. M a s e s s e tom d e c r í t i c a não foi g e r a l . E r n e s t o da Sil-va, t a l v e z a n t e c i p a n d o f u t u r a s t o m a d a s de p o s i ç ã o q u e o l e v a r ã o , a n o s m a i s t a r d e , a r o m p e r c o m G n e c o e a a p r o x i m a r - s e de r e p u b l i c a n o s e
18 Vanguarda, n° 1444, 2 6 - 6 - 1 8 9 5 , p. 3.
a n a r q u i s t a s i n t e r v e n c i o n i s t a s , n ã o d e i x o u d e e l o g i a r A f o n s o C o s t a e G o m e s L e a l . D u r a n t e a Ia s e s s ã o , C â n d i d o Leal a p r e s e n t o u u m m o ç ã o , q u e foi a p r o v a d a , s a u d a n d o as f i l a r m ó n i c a s q u e n ã o t o m a r a m p a r t e nos f e s t e j o s . À n o i t e , G n e c o leu as c o n c l u s õ e s da t e s e em d i s c u s s ã o , «o e n s i -n o r e l i g i o s o -nas e s c o l a s » , p r o p o -n d o a s u p r e s s ã o d o e -n s i -n o r e l i g i o s o nas e s c o l a s o f i c i a i s p r i m á r i a s , s e c u n d á r i a s e p r o f i s s i o n a i s ; a e x t i n ç ã o d o s s e m i n á r i o s e d o s i n s t i t u t o s de e n s i n o r e l i g i o s o , das m i s s õ e s de c a t e q u e s e m a n t i d a s p e l o E s t a d o e da F a c u l d a d e d e T e o l o g i a da U n i v e r s i d a d e de C o i m b r a ; p r o i b i ç ã o d o s p a d r e s e dos m e m b r o s das c o n g r e -g a ç õ e s r e l i -g i o s a s e x e r c e r e m o p r o f e s s o r a d o 40. C a r l o s C a l i s t o a p r e -s e n t o u um a d i t a m e n t o d e f e n d e n d o a -s u p r e -s -s ã o d o e n -s i n o da H i -s t ó r i a S a g r a d a n o c u r s o de H i s t ó r i a U n i v e r s a l d o s l i c e u s n a c i o n a i s , q u e f o i a p r o v a d o p o r u n a n i m i d a d e . A s e g u n d a s e s s ã o f o i p r e s i d i d a p o r T e o d o r o R i b e i r o , q u e p r o t e s -tou c o n t r a «o e s p e c t á c u l o i n d e c o r o s o q u e se e x i b i u o n t e m p e l a s r u a s da c a p i t a l c o m o c h a m a d o c o r t e j o a l e g ó r i c o » , c o n s i d e r a n d o - o « u m in-s u l t o para a c i d a d e de L i in-s b o a e para o p o v o p o r t u g u ê in-s » 41. N u n e s da S i l v a leu o p a r e c e r s o b r e a tese «O m o v i m e n t o C a t ó l i c o e a sua inf l u ê n c i a n o s é c u l o X I X em inf r e n t e a o S o c i a l i s m o » , n u m a c l a r a r e s p o s ta à tese «O s o c i a l i s m o m o d e r n o e as s u a s c o n s e q u ê n c i a s p a r a a R e l i -g i ã o e para a s o c i e d a d e » , da a u t o r i d a d e de P. G. de P a s c o a l , lida na 2a s e s s ã o n o C o n g r e s s o C a t ó l i c o . A 8a e ú l t i m a c o n c l u s ã o d a q u e l a tese a p o n t a v a para u m a « o p o s i ç ã o a t o d a s as i n s t i t u i ç õ e s e a t o d a a a c -ç ã o do c a t o l i c i s m o » 42. A p a r t i c i p a ç ã o d o j o r n a l i s t a e d e p u t a d o r e p u -b l i c a n o F r a n c i s c o G o m e s da S i l v a a s s u m i u um d u p l o s i g n i f i c a d o . E r a , p o r um lado, u m a f i g u r a g r a d a d o seu p a r t i d o , e, p o r o u t r o , u m d e s t a -c a d o m e m b r o da m a ç o n a r i a . R e -c o r d e m o s q u e e l e p e r t e n -c i a ao t e m p o à l o j a « C a v a l e i r o s da Paz e C o n c ó r d i a » , o n d e a l c a n ç a r á e m 1 9 0 2 o grau 33 do Rito E s c o c ê s A n t i g o e A c e i t o , v i n d o a i n d a a o c u p a r c a r g o s c i m e i r o s n o G r a n d e O r i e n t e L u s i t a n o U n i d o 43. No seu d i s c u r s o a f i r -m o u ser u -m d e v e r p a r t i c i p a r n o c o n g r e s s o p o r q u e « u -m a a u s ê n c i a po-d e r i a t o m a r as p r o p o r ç õ e s po-de um po-d i v ó r c i o e n t r e o p a r t i po-d o r e p u b l i c a n o 40 I b i d e m . 41 Vanguarda, n° 1445, 2 7 - 6 - 1 8 9 5 , p. 2. 42 Vanguarda, n° 1445. 2 7 - 6 - 1 8 9 5 , p. 3. 41 G o m e s da S i l v a foi G r ã o - M e s t r e A d j u n t o do G r a n d e O r i e n t e L u s i t a n o U n i d o e n t r e 1900 e 1909, e G r ã o - M e s t r e i n t e r i n o e m 1906/7. V. A. H. de O l i v e i r a M a r q u e s ,
e os p r o l e t á r i o s p o r t u g u e s e s ( . . . ) » , c l a s s i f i c a d o a i n d a o p r o b l e m a s o -cial c o m o a q u e s t ã o m a g n a d o s t e m p o s m o d e r n o s e, p o r e s s e f a c t o , «os p a r t i d o s a v a n ç a d o s t ê m o d e v e r d e a e s t u d a r e d e lhe p r o c u r a r s o l u -ç õ e s . Se o p a r t i d o r e p u b l i c a n o n ã o t i v e s s e e s s a s p r e o c u p a -ç õ e s , não te-ria a s u a a d e s ã o » 44. O u t r a p r e s e n ç a n o t a d a foi a d o v e l h o « i n t e r n a c i o n a l » N o b r e F r a n ç a , c o n v e r t i d o a o r e p u b l i c a n i s m o , q u e se c o n g r a t u l o u « p o r v e r o p a r t i d o o p e r á r i o p o r t u g u ê s e n t r e o c a m i n h o q u e o r i e n -ta as s o c i e d a d e s m o d e r n a s » 4S. N a t e r c e i r a s e s s ã o f o r a m a p r o v a d a s to-d a s as c o n c l u s õ e s to-da tese i n t i t u l a to-d a «Da u n i to-d a to-d e r e l i g i o s a , c i e n t í f i c a e p o l í t i c a » , das q u a i s d e s t a c a m o s a a b s t e n ç ã o d o E s t a d o e m m a t é r i a r e l i g i o s a ; a e x t i n ç ã o d o o r ç a m e n t o d o s c u l t o s e d o s s u b s í d i o s às i n s t i -t u i ç õ e s r e l i g i o s a s e a o c l e r o ; a b o l i ç ã o da e m b a i x a d a j u n -t o da S a n -t a Sé; s u p r e s s ã o d o s c a p e l ã e s m i l i t a r e s e n o u t r a s i n s t i t u i ç õ e s de b e n e f i c ê n cia e de a s s i s t ê n c i a ; r e g i s t o civil o b r i g a t ó r i o ; l i b e r d a d e de c u l t o ; s e c u l a r i z a ç ã o d o s c e m i t é r i o s ; e n t r e g a aos m u n i c í p i o s de t o d o s os e d i f í c i o s r e l i g i o s o s b e m c o m o d a s r e s p e c t i v a s a l f a i a s e o u t r o s b e n s m ó -v e i s 46. G o m e s da S i l v a f e z u m a s e g u n d a i n t e r v e n ç ã o , d e s t a v e z na q u a l i d a d e de m a ç o n , s a l i e n t a n d o q u e a m a ç o n a r i a n ã o p r i v i l e g i a v a q u a l q u e r r e l i g i ã o , e q u e «o D e u s d e s s a i n s t i t u i ç ã o é o t r a b a l h o e c h a -m a - s e S u p r e -m o A r q u i t e c t o d o U n i v e r s o » 47. A q u a r t a e ú l t i m a s e s s ã o t e v e c o m o p o n t o s c u l m i n a n t e s as i n t e r -v e n ç õ e s de E r n e s t o da S i l -v a — q u e c r i t i c o u a Rerum No-varum — e de C a r l o s C a l i s t o , q u e e x p l o r o u o c o n t r a s t e e n t r e a p o b r e z a de J e s u s e a r i q u e z a da I g r e j a . G o m e s L e a l a p r e s e n t o u u m a p r o p o s t a q u e c o n s i d e r a m o s a m a i s i m p o r t a n t e de t o d a s p o r q u e n ã o se q u e d a v a p e l o e n u m e r a d o r e p e t i t i v o das e t e r n a s c o n d e n a ç õ e s e r e i v i n d i c a ç õ e s , a n t e s a p o n -tava para f o r m a s c o n c r e t a s e i n o v a d o r a s d e a c ç ã o e de o r g a n i z a ç ã o : « Io Q u e o p a r t i d o s o c i a l i s t a t r a t e , c a d a vez m a i s , de criar, f o m e n -tar e d o u t r i n a r as a g r e m i a ç õ e s e a s s o c i a ç õ e s f e m i n i n a s , a f i m d e q u e as m u l h e r e s d a s c l a s s e s p o p u l a r e s p o s s a m e s c a p a r à a c ç ã o e s u g e s t ã o da I g r e j a e d o s s e u s a p ó s t o l o s . 2o Q u e o p a r t i d o s s o c i a l i s t a n ã o d e s c u r e j a m a i s , à c u s t a dos m a i s í m p r o b o s s a c r i f í c i o s , a c r i a ç ã o e m a n u t e n ç ã o de c o l é g i o s l a i c o s , nos q u a i s s e j a o b r i g a t ó r i o o e n s i n o s e c u l a r . 44 Vanguarda, n° 1445. 2 7 - 6 - 1 8 9 5 . p. 3. 45 Vanguarda. n° 1447, 2 9 - 6 - 1 8 9 5 . p. 3. 46 Vanguarda, n° 1446, 2 8 - 6 - 1 8 9 5 , p. 3. 47 I d e m .
3° Q u e o p a r t i d o s o c i a l i s t a d e n e g u e , à s e m e l h a n ç a d o s a n t i g o s a p ó s t o l o s d o l i v r e - p e n s a m e n t o , q u e e m d e t e r m i n a d o s p e r í o d o s a n u a i s vão p e l a s a l d e i a s , b u r g o s , p r o v í n c i a s e t e r r a s m a i s s e r t a n e j a s de P o r t u g a l , p r e g a r o v e r b o d o s t e m p o s n o v o s , e s u b t r a i r o a l d e ã o , o t r a b a l h a -d o r rural, o g a n h ã o , o l e i t o r i n c o n s c i e n t e e f á c i l , à s u p e r s t i ç ã o reli-g i o s a e à t i r a n i a d o r e i t o r . 4o F i n a l m e n t e , q u e o p a r t i d o s o c i a l i s t a trate d e f a z e r e l a b o r a r e pub l i c a r , n o m a i s c u r t o p r a z o d e t e m p o , u m c a t e c i s m o p o p u l a r para e n s i -n a m e -n t o p ú b l i c o ( . . . ) » 48. Este d o c u m e n t o , em e s p e c i a l o seu p o n t o 3o, a p o n t a c l a r a m e n t e u m a n o v a d i r e c ç ã o à p r o p a g a n d a a n t i c l e r i c a l — a m i s s i o n a ç ã o laica, c o m o v e r e m o s m a i s a d i a n t e . A d e n ú n c i a das c o m e m o r a ç õ e s a n t o n i a n a s n ã o se q u e d o u p e l a s s e s s õ e s d o c o n g r e s s o — d e r e p e r c u s s ã o í n f i m a — , p e l a s p á g i n a s vir u l e n t a s d o s j o vir n a i s e pela vir o m a g e m viritual a o t ú m u l o de S a vir a de M a -t o s . O m o m e n -t o c u l m i n a n -t e d o s f e s -t e j o s , o c o r -t e j o m a r c a d o para dia 28 de J u n h o , foi p r e t e x t o para g r a v e s i n c i d e n t e s c o m a m p l o s r e f l e x o s na o p i n i ã o p ú b l i c a . A r e s p o n s a b i l i d a d e d e s s e s i n c i d e n t e s c o u b e q u a -se e x c l u s i v a m e n t e aos a n a r q u i s t a s . 3. O s A n a r q u i s t a s e o C e n t e n á r i o A n t o n i a n o O s a c o n t e c i m e n t o s e n c o n t r a m - s e d e s c r i t o s e m p o r m e n o r na i m p r e n s a c o e v a , v a r i a n d o o tom c o n s o a n t e a o r i e n t a ç ã o d o p e r i ó -d i c o . O Século -d e s c r e v e o o c o r r i -d o : « N o R o s s i o , a l é m -da C a l ç a -d a -d o D u q u e , a t i r a d o s p o r m ã o d e s c o n h e c i d a , c a í r a m c e n t e n a s de im-p r e s s o s em o i t a v o c o m o t í t u l o S u im-p l e m e n t o a o n° 61 da Proim-pagan- Propagan-da — « O s A n a r q u i s t a s ao P o v o T r a b a l h a d o r — A b a i x o a R e a c ç ã o » , c o m um v i o l e n t o a r t i g o d e f e n d e n d o o s p r i n c í p i o s a n a r q u i s t a s , a o m e s m o t e m p o q u e se o u v i a u m a v o z g r i t a r a b a i x o os j e s u í t a s »4 9. A par-tir d a í a c o n f u s ã o g e n e r a l i z o u - s e : «os p o p u l a r e s c o r r e r a m a a p a n h a r os p a p é i s f a z e n d o c a i r c r i a n ç a s . P â n i c o e c o r r e r i a s » . « C a i u um p e n -d ã o n o p r i n c í p i o -da Rua -d o O u r o , a isso c o r r e s p o n -d e u u m g r i t o -de u m a m u l h e r e n t r e o p o v o » 5Ü. A Vanguarda d e s c r e v e c o m f a r t a c ó -pia de p o r m e n o r e s as c o r r e r i a s , a p u p o s , b e n g a l a d a s e i n t e r v e n ç õ e s " Vanguarda. n° 1447, cit-, p. 3. " O Século, n° 4 8 2 9 . 1 - 7 - 1 8 9 5 , p. I.
Supplemento ao n.' 61 da -Propaganda'
os AOTOVOTRABALIUDOR
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! N o . fin. do .«calo X Í X , «eculo d e \ c i e n c i a c i p . d o « d o . «Ibigeosc., d i r - n o . - b l o que m a i . qae Ibe q u e r « , iropõr l e v a n t o r s e - h a ^ canto ! u do critica, . sociedade p r e . e o c i a . i n d u o do .ra.enla mil foram assa-.inaHo. - obra d1«.- do c j n * , q u . è « vuz J . .bordado; o aaeud.odo
1 carnavalesco e . p e c u c u l o d« prociaafle. que o i i i «as notaste. uongregaçB«. de i m u m o i do to- a fronte .emelúante ao lt»*o, arreroc«.ar-se na . pareoom baiuquo. . d c ^ W R O T O B O í B e g n r t . ' r o o t r . vós, padre. e burguezo. e e t o u l s a r v o « -í Qotiootottf. do que « c i o . de gente culta. O . cl.risttto.-oovo.f « p o o U n d o p . r a o . regi- ha, inaugurando uma n o - a .ocrodade e m q u o
Pedre» c rei», toda a alta burguezia dar-se- m e n t o , nunca extinctos da fradana, exolama- a crença soja a p e o u M U : O culto d a boma-• b i o as t u l o . n um motnonU) do terror o de ps- r i o com voz cavernosa : esse. p . d r e s qoo vê- nidade.
. nico, julgando. o . idiotoa, conter oo sea im- do« paae.r, .5o o . verdugo« quo b . quatro
aopeto av.».alador a ideia beoe6ca e humanité cuto» no» a«.M«inaram, que p r o d u z a m ero o ó . Povo—Ease fogueU.no quo estala, essas v i -ria. que ha do omaocipar o proletariado o dor- n o horr-vol morticioio, eçulando oma m u l i i d l o v a . córea do fog«> vistoso com que andam a en-r u i en-r do« «ea. a l i c - en-r c e . a sociedade c o en-r en-r u p t a em estúpida e fanatisada, matando o en-roubeaflo ten-refav-fc, en-r e p en-r e a e n u m o teu suoen-r e o ton san-I qoe oos oneontramoí. com a v i d o i de foras, durante o espaço de t r o t g u e .
E m r i o pretendem reouar até aos «eculos d u s , n u i . de v i o l a mil innoceotes. E ' o dinheiro quo te arrancam por moio d o •• do o b . c u r a n t i . m o o do embrutecimento, em O» huguenotes, eases l u c u d o r e » queselevan- pesados impostos, ï e m p r e e sempre c j M c e n t e s , \ / t o pretendem i m p l . n t a r de novo a i n q u i s i ç l o t a r a m coutra o despotismo d o . rei« e tyranoia q u e do« tous bolsos passa p * r a oa M i r e s d o com todo o cortejo de asj.sinos e do aicarioe, do« padre«, esses l u c u d o r e . que queriam im- E s u d o , e d'estes para as m i o s d ' u m bando de padre, cheio, do vícios e crueldade, ladrSea da pôr a liberdade do pensamento o inaugurar parasito», . e m brio n e m dignidade, verdadei-honra e da virtude, byeoas que tem «ido e m nma nova era d» felicidade ao povo «ub]ugído, ros lacaios, sustentáculos de governo« iramo-toda. aa epochas carrascos aoDguinario» d a comparecendo n'esta entrevista fúnebre, r a w , producto d u m a organisaçlo social, infa-humaoidado. e x c U m a r l o lugubremente : ei« abi as hyena, me e anti-igaalitoria, onde o» que t r a b a l h a m
. Já è tarde. A canalha reacionaria a r r a » U cobarde« e traiçoeira«, que fanatinaram o . rei« m o r r e m de fome e do miséria ao passo que os i^comVigo o . elementos da r é v o l u . A gangrena de França para n o . a u a i t i n a r , á maneira de mandrifles v i v e m & grande, no meio do l o x ô e
voeul tem ae alastrado com i o a u d i U velocidade cobardes salteadores, que espreiiam as victi- d * s riquezas.
por todo« os orgios regul.dore« d'e«to corpo ma« durante o «omno, a g a r r a o d - u o « do sur- Esse g a t que vês arder e m jactos vivíssimos, somiderompo.to ; e o cautério «alutar que ba preza em noite de SsintBarthelemy e coifan i e m utilidade nenhuma, essa bonita i l l a m i n a -de acabsr toda a podridão existente, as carnes do mais -de v i n t e e cinco n i l . y l o & veneziana, tudo isso, orafim, c o m que te e»ponjo»aa f é t i d a . , quo e x b . l u m miaama« de E nó», ao verraos do«li««r o» baodo« negro» faiem andar a ca&tça 3 rodA, é o producto d o todo» tecido», è t i o podero»is»imo, que torua do clericalismo no meio das r o a s d o Lisboa, di- teu trabalho excessivo e constante; é o p i o da mateis toda» as t e n u t i v a » para o d o a t r u i r . zeiuos : tua família,}a fome dos toas filhos e a cansa J j ^ - A ' l h . n o f w r . , • a reacçSo f õ r j a J a no paço; pactuada p j - da miséria e m que vivos,
ainda in<enUm i m p l . n u r r o i n o f ô r m a de con- los r e p r e « e n u n t e . d a b n r g u e í i a c « p i t a l i . U , por E , ao passo que por essas mas so desperdiça d u r i r s . u b j i i g a r a ioci«dad»,,A u m soQbo, uma r i u b y b r i d a alliança d e dua« raça. etpuria«, 0 gax — que 6 c a r f l o - em u n t o abundancia, „ . i l l o . J o do pa«»a«io. ' ' i . O - l o a n . e B . a g a 0 ç * » , c u j a b i s t o r i - é verg-oho««. em tua casa, pobre t r a b a l h a d o r , n l o b a u m T r a v a r se ba uma lucta saiigreoU, á c e i t a ; 0 « O r l e . o « , aMas.ino« celo<ado. de L u i * reles lampião n e m u m misoro fogareiro com • tanto p c i o r . — Va victi», ai dos vencido», u r . i o X V I , w r r i á j i * c s l w J a r a c s t « , apôs uma .-evo«-.-. ;,J f i p j ,U Ï 0 de e . W ecm que illumines a « W -peior para ellí». O .aogue correrá e m j»rroa, ç*o estrondosa, oue os v a r r i a da França, n l o ç*s k tua acunbada cabaua nas escura« e Irias icuodando o m u n d o ; mas Uso n l o fará trepi- cessaram naooa de conspirarcootra a liberdade noite» de inverno.
dar na senda f * u l estas » é t i c a s Lnrdaa do do» povo», lançando m i o aempejo n e m escrupu- E , ao poseoque os ministros respondem com bunos, cujas phalange» nomero«ÍMdfi(^Uín-çofti- • l o , d e . t o d o . p r o t e a s o s , a i n d a o» mai.iodecoro- iosoleacia aos operário« — que n l o h a dinheiro o» seu. trages g : u t e . c o a j ^ k - « í l o Oe u m po'vo tos. Na E í p o n h a , a m do» m u . membr.s, Mont- para lhe» a u g m e n u r os minguado» salarios, dos civiliMido. .. ^ • . . . p e n . i o r , a.ubcciouaodo . o b i r ao throoo a todo o cofre« publico» . a h o m mais de vinte o u t r i » * a . _
(IJUE i m p o r U que mais ama vea a bumani tran.e, l i a v a ao c o m o« bandidos meis VUIK« oontos de RAI« p a r a g a . U r ca« parodia« j e s a i -d.de tenha de a»»i»tir á» sirenas tragicas cujos ro», o, n'uma emboscada cobard» e traiçoeira, ticas.
episodina n>o a l o mai» do q u e a r e p r o d u c v l o arcabusava P r i m , qco o d e t e s u v a , em virtude O ma!-e«tor em que v i v e s n l o «o resolve com > - d o » À U T ü S D E F | ! ^ c r j m e » bediond«. pratica- de perteucer a u>ua raça v I. musicatas n e m f e s u s , nom ha de «er com
«er-do» r m nome do umã Faísueólid.àe a b s i r a c U , O . B r - g a n ç s s , raça maldita e nefaata, domi mf lo t nos tabornaculos n e m c o m paUr nouer que
v de crenças m n n t i r o . a a q u e s6 m i f . m a t r a n « f o r: n a m em Portugal começan «o pelo cobarde Ret- ie b i o de raaur a fome e tirar d a m i s ; r i a . — - mar o« homena n uma «ociedade do menteca- tourarfor—qae ironia!—apresentouj uma estir- A s difSculdades da tua v i d a , só tu i qne
pó-ptos, de doidos e estúpidos fanaticosl po de que u m do* i r m l o s prostituo a m u l h - r do de« resolvei-««.
Que i r o p o r u a' matança caroiôcioa, .e é outro e o metlo n ' u m a p r i s l o , roubsnda lhe a Acabar |v.-om toda a propriedade p r i v a d a , esse o continuo v i v e r dua tigres c do lobo cer- oorôa; roais tardo dá UUJ i d i o U que foge «spavo- acabar com os patrSe» q u o te e x p l o r a m , man-val J E ' o .aogue q u e os alimento ? a caroo rido e traosido da t e r r o r , — n l o .e e«quoce:.do, dar ao d i a b o todos os ricos p r o p r i e U r i o s o caquera* dr.» Victimas é o ciais estimado m a n j a r comtudo, do» t h n o u r o » — n o momento r m que o pítallistas, c o r r e r a chicote os agiotas ou v s u -di>b fcü.itre» povo está a conu« com uma iovasfto: depois rorios, verdadeiros abutres, que «e alimentam
l'ois n l o tcic «ido estos malvados, esUa con- d o i t ir m l o i ambiciosi« que pSe o paie a fogo e da tua carne, expulsar os governos com os seus gregnySc. brdiondas de frades q u e , para se a saque, degladiaodo se; e pvr Sm, u m rebento respectivos aatelytes, transformar toda« as r i -icaoter, p r o d u z i r a m hecatombe»»obre hecatom- t .o « beio de vicio» como qualqcer Nero ou H e qise.a. em propriedade c o m m u m , p o r q u e a ter-^ ! . liogabolo, que g o t a a »ida, c o n u i m i n d o etn de- r a , que só tu cultivas, è a única fonte de tudo
Ma« 1>S espwstroa c s q u . l i d o . d a . victimasle- bo^ hea e orgias, coin a c t r i z e . e via)atas, milha- qnanto o homem pròcu» para o seu alimento, v a u U r - k e b i o d a campa,- f J r n j » r l o extenso cor- res e milhares de contos, tudws o» recur.o« d u m conforto e p r a z e r , U l é , p r o l e t á r i o , a tarefa u-jc — tremendocontrasto 1 — q u e dcaliaará e m pais, sem .e apoquentar com a »orto do povo, que to compete fazer, se queres . e r l i v r e e in-I r t o t o do* biii.in-IbBoa negro». a victima qae »ofro e geme, que trabalha e m dependente, c passar vida mais desafogada e
0 4 Albigeiitu* v i r l o d-zer-nos que utn papa quanto ellea g o . . m ; |,vre de privaçSos.
vnngui&Dri'*, Innocencio I I I , de maldieia me- C«ata. parricida», o . VOMOS c r i r o e . enchem T e r á s de acabar com todas as religiSes, ba-inoria, ioktituiu a I n q u i s i ç l o para os esquarie- as pagina« da historia, as vosias v i c t i i n a . coo- n i r do seu cerebro toda a idéa de D e u s . p o q u e j a r , no momento em que elle., levantando-»e in- t a m «e j á por centena, de m i l h a r e i e de m i todo o sentido quo lho a t t r i b u a m é a l i a m c n t e d iguadui contra os v i c i o . d e Roma e.de todo o lhfl-^. p r e j u d i c i a l ao h o m e m ; « depois de demolires clvro, scn.prc m . a c i a v o l de prazeren e de c r i - V i n d e s para apagar a l u z do p r o g r e i . o , . o i . todas as instituiçSes q u o t e o p p i i m e m , deverá« ):. n , c* » Pr c , r u d ;", a " l o r n u r os costumos dissolu- o» demonios das trevas, quereis precipitar a b u - « g r u p a r - t e , p a r a a p r o d u c ç l o e consumo, com \ } luagua c a t e r v a ; q u i a . cruzados que manidade n o . aby.moa escuros e sombrio« d a os teu. companhoiros de t r a b a l h o , aegundo aa \ U 0 . p a n a r a m á ponto de espada, foram o r e . u l - o í c r - v i d i o . tuas affinidades ou tendencias, constituindo as-- tady da «D'.'.Dça de reia fas--iisücos e tyranno«, 0 « vossos esforços s e r i o bai lados, o proas-- s i m urna sociedade j u s t a , onde apenas se tenha j M C i U f o i á vox dos falsos obreiros d u m Deus g r e o è invencivel ; tornareis a sor expulsos, por n o r m a o d i r e i t o e a r a t i o , e a perfeita igual-q u i- o . o e,x"l° ' «»tae seguro, d ' i t s o . dade de todos o« seres h u m t o o s . E s t a socieda-U í vaudeosei, o c n t i n u a d o i e . do obra oman- O povo. aportodo m a i . uma vex pelo j u g o de bella é o C O M socieda-U socieda-U N I S m O A N A R Q socieda-U I S T A . \ T r p . - R u . do Di .rio de Notieiaa 93
p o l i c i a i s s u b s e q u e n t e s 5 I. O Século t a m b é m é p r ó d i g o no c o l o r i d o e n o p i t o r e s c o das d e s c r i ç õ e s : « o a p e r t ã o era t ã o g r a n d e , t o d o s t i n h a m tal p r e s s a d e f u g i r , q u e f i c a r a m s e n h o r a s d e s p i d a s e c a l ç a d a s , c r i a n -ç a s e s p e z i n h a d a s , p u l s e i r a s , l e q u e s e s o m b r i n h a s p e r d i d o s , c a b e l o s s o l t o s , f a t o s r a s g a d o s . O s p a d r e s , l e v a n t a n d o a b a t i n a , l o u c o s d e ter-ror, s e g u i d o s p e l o s s e m i n a r i s t a s , v o a r a m p e l a s t r a v e s s a s , m e t e r a m - s e n o i n t e r i o r das l o j a s , o n d e d e s p i a m as v e s t e s s a c e r d o t a i s , os i r m ã o s r a s g a v a m as c a p a s , b r a n d i a m as t o c h a s , c o r r i a m , t r o p e ç a v a m e c a í a m . T o d o s g r i t a v a m : F u j a m ! F u j a m ! e a c o n f u s ã o t o m o u a s p e c t o d e u m b u r b u r i n h o i n c o m p r e e n s í v e l » 52. O l a n ç a m e n t o d o s p a n f l e t o s i n i c i o u a c o n f u s ã o , a m p l i a d a p e l o s a p u p o s e p r o v o c a ç õ e s d e g r u p o s de m a n i f e s t a n t e s . A s i t u a ç ã o a g r a v o u - s e na Rua d o O u r o e na P r a ç a d o C o m é r c i o , c o m c a r g a s da G u a r d a M u n i c i p a l e a r e a l i z a ç ã o d e c e n t e -nas d e p r i s õ e s . A r e s p o n s a b i l i d a d e e p r e m e d i t a ç ã o d o s i n c i d e n t e s s u s c i t a r a m c e r t a p o l é m i c a . P a r a a l g u n s s e c t o r e s c a t ó l i c o s , o g r a n d e r e s p o n s á v e l seria a m a ç o n a r i a . Tal era a o p i n i ã o d e F e r n a n d o de S o u s a q u e tra-ç o u u m q u a d r o a p o c a l í p t i c o d o s i n c i d e n t e s : « v i m o s , e n t ã o , u m dia in-t e i r o , os p a d r e s c a ç a d o s c o m o f e r a s p e l a s r u a s d e L i s b o a » 54. A Voz do
Santo António t a m b é m , i n v e c t i v a v a a m a ç o n a r i a , q u e « p o r m e i o dos
seus ó r g ã o s a Batalha, Vanguarda, Folha do Povo, Independente e q u e j a n d o s , j á há t e m p o v i n h a i n d i s p o n d o os e s p í r i t o s c o n t r a t o d a s as m a -n i f e s t a ç õ e s p r o j e c t a d a s , c o m b a t e -n d o - a s » 5\ N ã o e x c l u í m o s a p a r t i c i -p a ç ã o d e e l e m e n t o s r e -p u b l i c a n o s n o s i n c i d e n t e s , m a s o d e -p o i m e n t o t a n t o de a u t o r e s c a t ó l i c o s c o m o d e r e p u b l i c a n o s a p o n t a m p a r a u m a r e s p o n s a b i l i z a ç ã o m a i o r dos l i b e r t á r i o s . V e j a - s e o q u e e s c r e v e L u z d e A l m e i d a : «os t r a b a l h o s d e r e a c ç ã o a o C e n t e n á r i o f o r a m i n i c i a d o s e l e v a d a s a e f e i t o t e n d o c o m o p r i n c i p a i s a g e n t e s , a l é m d e P e r e i r a Ba-t a l h a , os a n a r q u i s Ba-t a s B a r Ba-t o l o m e u C o n s Ba-t a n Ba-t i n o e M a r Ba-t i n s V a g u e i r o , o s o c i a l i s t a E r n e s t o da S i l v a , o r e p u b l i c a n o Dr. L o m e l i n o d e F r e i t a s , e 51 Vanguarda, n° 1447, c i t . . pp. I e 2. 52 O Século, n" 4 8 2 9 . c i t . , p. 1. " N e m o ( p s e u d ó n i m o de F e r n a n d o de S o u s a ) , A Doutrina maçónica, L i s b o a , Tip. da C a s a C a t ó l i c a , 1901. maxime c a p í t u l o «O c e n t e n á r i o A n t o n i a n o e as l o j a s » , pp. 1 7 1 - 1 7 8 .
54 N e m o , Religião, Moral e Política, L i s b o a , M a n u e l G o m e s E d i t o r , 1897,
pp. 2 1 3 e 214.