REVISTA DIREITO DAS RELAÇÕES SOCIAIS E TRABALHISTAS Periódico Científico do Programa de Pós-Graduação em Direito (Mestrado)
do Centro Universitário do Distrito Federal – UDF
ISSN 2446-8908
Volume 7, Número 2 Julho/Dezembro
2021
REVISTA DIREITO DAS RELAÇÕES SOCIAIS E TRABALHISTAS
Periódico Científico do Programa de Pós-Graduação em Direito (Mestrado) do Centro Universitário do Distrito Federal – UDF
Conselho Editorial
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Profa. Drª. Esperanza Macarena Sierra Benítez (Universidade de Sevilha, Espanha) Prof. Dr. Fernando Fita Ortega (Universidade de Valença, Espanha)
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Prof. Dr. João Leal Amado (Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Portugal) Prof. Dr. Adrián Goldin (Universidade de San Andrés, Argentina)
Prof. Dr. Mario Ackerman (Universidade de Buenos Ayres, Argentina) Prof. Dr. Oscar Zas (Universidade de La Plata, Argentina)
Prof. Dr. Hugo Barretto Ghione (Universidade da República, Uruguai) Prof.ª Dr.ª Rosina Rossi Albert (Universidade da República, Uruguai) Prof. Dr. Luiz Otávio Linhares Renault (PUC Minas)
Prof. Dr. Márcio Túlio Viana (UFMG e PUC Minas) Prof. Dr. Everaldo Gaspar Lopes de Andrade (UFPE) Prof. Dr. Sérgio Torres Teixeira (UFPE)
Prof. Dr. Fábio Túlio Barroso (UCPE)
Prof. Dr. Ivan Simões Garcia (UFRJ e UERJ)
Prof.ª Dr.ª Sayonara Grillo Coutinho Leonardo da Silva (UFRJ)
Prof. Dr. Guilherme Guimarães Feliciano (USP) Prof. Dr. Jorge Luiz Souto Maior (USP)
Prof. Dr. Ronaldo Lima dos Santos (USP)
Prof.ª Dr.ª Zélia Luiza Pierdoná (Universidade Mackenzie - SP) Prof. Dr. Tiago Figueiredo Gonçalves (UFES)
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Double Blind Review - Rol de Avaliadores
Profa. Dra. Adriana Goulart de Sena Orsini (Universidade Federal de Minas Gerais) Profa. Dra. Adriana Letícia Saraiva Lamounier Rodrigues (Universidade Federal de Minas Gerais)
Prof. Dr. Airto Chaves Junior (Universidade do Vale do Itajaí - Univali) Prof. Dr. Amauri César Alves (Universidade Federal de Ouro Preto) Prof. Dr. Américo Bedê Freire Júnior (Faculdade de Direito de Vitória) Prof. Dr. Antônio Leal de Oliveira (Universidade Vila Velha)
Prof. Dra. Ariete Pontes de Oliveira (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais) Profa. Dra. Carla Teresa Martins Romar (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) Profa. Dra. Carolina Pereira Lins Mesquita (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Prof. Dr. Claudimir Supioni Junior (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) Profa. Dra. Cláudia Coutinho Stephan (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais) Prof. Dr. Cláudio Jannotti da Rocha (Universidade Federal do Espírito Santo)
Prof. Dr. Cléber Lúcio de Almeida (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais) Profa. Dra. Daniela Muradas Antunes (Universidade Federal de Minas Gerais)
Prof. Dr. Fábio Túlio Barroso (Universidade Católica de Pernambuco)
Prof. Dr. Fábio Zambitte Ibrahim (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)
Prof. Dr. Felipe Forte de Negreiros Deodato (Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ) Profa. Dra. Flávia de Paiva Medeiros de Oliveira (Universidade Estadual da Paraíba) Profa. Dra. Gabrielle Jacobi Kölling (Universidade Municipal de São Caetano)
Profa. Dra. Gilsilene Passon Francischetto (Faculdade de Direito de Vitória)
Prof. Dr. Glauber Lucena de Cordeiro (Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ) Profa. Dra. Graciane Rafisa Saliba (Universidade Santa Úrsula-RJ)
Profa. Dra. Jane Lucia Wihelm Berwanger (Faculdade CERS) Prof. Dr. Jefferson Carús Guedes (UniCEUB)
Prof. Dr. José Cláudio Monteiro de Brito Filho (Centro Universitário do Estado do Pará) Prof. Dr. José Eduardo de Resende Chaves Junior (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais)
Profa. Dra. Juliana Teixeira Esteves (UFPE)
Profa. Dra. Karen Artur (Universidade Federal de Juiz de Fora)
Prof. Dr. Leonardo Vieira Wandelli (Centro Universitário UniBrasil-PR) Prof. Dr. Leonel Marchietto (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) Profa. Dr. Lívia Mendes Moreira Miraglia (Universidade Federal de Minas Gerais) Prof. Dr. Marcelo Ivan Melek (Universidade Positivo)
Prof. Dr. Ney Stany Morais Maranhão (Universidade Federal do Pará)
Prof. Dr. Paulo Henrique Tavares da Silva (Centro Universitário de João Pessoa-UNIPÊ) Prof. Dr. Platon Teixeira de Azevedo Neto (Universidade Federal de Goiás)
Profa. Dra. Raquel Betty de Castro Pimenta (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais)
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Prof. Dr. Ricardo Pereira de Freitas Guimarães (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo)
Prof. Dr. Henrique Garbellini (Universidade Presbiteriana Mackenzie) Profa. Dra. Roberta Freitas Guerra (Universidade Federal de Viçosa)
Prof. Dr. Thiago Fabres de Carvalho (Universidade Federal do Espírito Santo) Prof. Dr. Tiago Figueiredo Gonçalves (Universidade Federal do Espírito Santo) Profa. Dra. Valdete Souto Severo (Universidade de São Paulo)
Profa. Dra. Vanessa Rocha Ferreira (CESUPA-Centro Universitário do Estado do Pará) Profa. Dra. Wânia Guimarães Rabêllo Almeida (Faculdades Milton Campos-MG) Profa. Dra. Wanise Cabral Silva (Universidade Federal Fluminense)
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Equipe Editorial
Editora-Chefe: Dra. Maria Cecilia de Almeida Monteiro Lemos (Professora Titular UDF)
Coeditor Acadêmico: Dr. Mauricio Godinho Delgado (Professor Titular UDF)
Coeditor Acadêmico: Ricardo José Macêdo de Britto Pereira (Professor Titular UDF) Coeditor Acadêmico: Dr. Marcelo Borsio (Professor Titular UDF)
Coeditor Acadêmico: Dr. Paulo Campanha Santana (Professor Titular e Coordenador do Programa)
Coeditora Acadêmica: Dra. Cristina Aguiar Ferreira da Silva (Professora Titular)
Mestra: Priscila Lauande Rodrigues (Mestra pelo UDF e Doutoranda da Sapienza Università di Roma)
Mestra: Cristine Helena Cunha (Mestra pelo UDF)
Mestra: Eunice Maria Franco Zanatta (Mestra pelo UDF) Revisão:
Mestranda pesquisadora: Mariana Ferrucci Bega – Bolsista CAPES (UDF) Mestranda pesquisadora: Tatiana Felipe Almeida - Bolsista CAPES (UDF) Mestranda pesquisadora: Carolina Madeira Medeiro CAPES (UDF)
Contatos
www.udf.edu.br [email protected]
[email protected] Publicado em: 20/12/2021
Revista Direito das Relações Sociais e Trabalhistas / Centro Universitário do Distrito Federal. – Vol. 7, N. 2 (Julho/Dezembro 2021). Brasília, DF, 2021 [on-line].
Semestral.
ISSN: 2446-8908
1. Direito do Trabalho. 2. Relações Trabalhistas. Relações Sociais. I. Centro Universitário do Distrito Federal.
CDU: 349.2:331.1
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO ... 9 TELETRABAJO E INTELIGENCIA ARTIFICIAL EN LATINOAMÉRICA Y EN LA UNIÓN EUROPEA ... 13 Teleworking and artificial intelligence in Latin America and the European Union
Profa. Dra. Esperanza Macarena Sierra Benítez
UMA LUTA DE 30 ANOS: OS ESFORÇOS PERMANENTES PARA ATRIBUIR FORÇA NORMATIVA À DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS ... 20 A 30 year struggle: the sustained efforts to give force of law to the universal declaration of human rights
Prof. Doutor Karel Vasak (Tradução Prof. Dr. Tiago Santos Aguiar de Pádua)
TRASFERIMENTO D’AZIENDA E REGIME DELLA DECADENZA ... 30 Trasfer of the undertaking and legal limitation periods
Prof. Doutor Fabrizio Ferraro
GAMIFICAÇÃO NO TRABALHO: O NOVO “AVATAR” DO DIREITO DO TRABALHO ... 42 Gamification at work: the new labor law “avatar”
Profa. Dra. Rosane Gauriau
A REFORMA TRABALHISTA BRASILEIRA E O ESTADO CONSTITUCIONAL E CONVENCIONAL DE DIREITO ... 72 The brazilian labor reform and the constitutional and conventional state of law
Profa. Dra. Wânia Guimarães Rabêllo Almeida e Prof. Dr. Cléber Lúcio de Almeida
JURISPRUDÊNCIA DA CRISE DO COVID-19 E DIREITO DO TRABALHO: UMA ANÁLISE A PARTIR DA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE Nº 6.363 ... 88 Covid-19 crisis jurisprudence and labour law an analysis from direct action unconstitucionality n. 6.363
Prof. Doutor Sidney Machado e Ms. Michel Willian Conradt
DIFERENTES, MAS IGUAIS: A TERCEIRIZAÇÃO NO RECENTE JULGAMENTO DO STF E ALGUMAS REFLEXÕES A PARTIR DE MARCELO NEVES ... 103 Different but equal: outsourcing in the recent stf judgment and some reflections from Marcelo Neves
Prof. Dr. Tiago Santos Aguiar de Pádua e Ms. André Cleandro de Castro Dias
OS DESAFIOS PARA UM AMBIENTE DO TRABALHO DIGNO NO HOME OFFICE ... 135 The challenges for a decent work environment in home office
Prof. Dr. Marcelo Ivan Melek
REDES SOCIAIS E CONTRATO DE TRABALHO: EQUACIONAMENTO ENTRE O DIREITO FUNDAMENTAL À LIBERDADE DE EXPRESSÃO DOS TRABALHADORES E O PODER DISCIPLINAR DO EMPREGADOR ... 149 Social networks and labor contract: equating between the fundamental right to workers' freedom of expression and the employer's disciplinary power
Profa. Dra. Mista Gladis Lerena Manzo de Misailidis e Msc. Carolina Marzona e Msc.
Raphael Miziara
APRESENTAÇÃO
A Revista Direito das Relações Sociais e Trabalhistas - periódico científico do Mestrado em Direito das Relações Sociais e Trabalhistas do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), de Brasília-DF -, apresenta ao público a sua segunda edição do corrente ano (Vol. 7, N. 2), que abrange o semestre julho-dezembro de 2021.
A Revista foi publicada, em seus três primeiros anos, desde o primeiro semestre letivo de 2015, com periodicidade semestral (ou seja, do Vol. 1, N. 1, até o Vol. 3, N. 2), abrangendo, pois, dois números por volume anual, totalizando 18 artigos por ano. Por determinado período, começado no Vol. 4, N. 1, referente a janeiro-abril de 2018, o periódico se tornou quadrimestral, situação que perdurou até a edição do Vol. 6, N. 3, relativa ao quadrimestre setembro-dezembro de 2020.
Em 2021, a Revista Direito das Relações Sociais e Trabalhistas retornou à sua periodicidade original, semestre a semestre, lançando, pois, dois números semestrais.
Registre-se, a propósito, que em toda a sua história de seis anos completos, esta revista sempre respeitou o número mínimo de artigos científicos por volume anual, ou seja, pelo menos 18 artigos por ano, conforme estipulado pela CAPES.
A Revista é divulgada regularmente, desde o Vol. 1, N. 1, em meio digital e com acesso livre, alcançando ampla abrangência em território brasileiro e no exterior. Desde o primeiro número, relativo ao primeiro semestre de 2015, sob a liderança do Editor Acadêmico e Decano do Curso de Mestrado, Professor Doutor Maurício Godinho Delgado, a revista publicou até o volume 7.1, o impressionante número de 144 artigos, todos de professores doutores de renomadas universidades brasileiras e estrangeiras, sendo que entre as publicações destacam-se 48 artigos de autores estrangeiros, cumprindo papel relevante para a democratização e aperfeiçoamento do conhecimento. Trata-se de 16 números do periódico acadêmico e científico, abrangendo mais de seis anos de ininterrupta existência.
A partir da presente edição, relativa ao segundo semestre de 2021, a Professora Doutora Maria Cecilia de Almeida Monteiro Lemos assume a função de Editora-Chefe, ao lado de renovada Equipe Editorial, composta pelos Coeditores Acadêmicos, Professores Doutores Mauricio Godinho Delgado, Ricardo José Macêdo de Britto Pereira, Marcelo Borsio, Paulo Campanha Santana (Coordenador do Programa) e Cristina Aguiar Ferreira da Silva, além das Mestras pelo UDF Cristine Helena Cunha, Eunice Maria Franco Zanatta e Priscila Lauande Rodrigues, esta última, Doutoranda da Sapienza Università di Roma.
Ao lado da Equipe Editorial atuam como revisoras as mestrandas bolsistas do Programa PROSUP da CAPES, Carolina Madeira Medeiro, Mariana Ferrucci Bega e Tatiana Felipe Almeida, imprescindíveis para o sucesso da revista. A Revista apresenta-se no padrão internacional da Plataforma Open Journal Systems (OJS), ostentado pelos relevantes periódicos científicos e jurídicos do País, o que torna ainda mais fácil a submissão e o acesso aos artigos pelo público em geral, além de corroborar a transparência e a lisura dos métodos editoriais adotados. A Revista Direito das Relações Sociais e Trabalhistas encontra-se inserida em 8 (oito) indexadores de padrão internacional, quais sejam: Scientific Indexing Services (SIS), Enlaw e V-Lex, HeinOnline, Latindex, Citefactor, Livre e cadastrada no Google Acadêmico, o que amplia a possibilidade de consulta livre por constituírem plataformas de informação com alcance mundial e atende ao padrão de excelência exigido pelo Qualis Periódicos da CAPES. Além disso, a partir da presente edição, todos os artigos estão licenciados com a Creative Commons Attibuition NonCommercial 4.0 International License.
Ressalta-se que a Revista adota, há cerca de quatro anos, o sistema double blind review (revisão/avaliação dupla e cega), desde o seu Vol. 3, N. 2, referente ao semestre julho- dezembro 2017. Esse sistema de avaliação objetiva, dupla e impessoal, foi estruturado mediante a participação de Professores Doutores de Instituições de Ensino Superior públicas e privadas das cinco regiões do Brasil, os quais cordialmente têm avaliado, desde o segundo semestre de 2017, os artigos enviados para os diversos números deste periódico científico.
Por tudo isso, a Revista Direito das Relações Sociais e Trabalhistas firma-se como um periódico de referência no meio jurídico e acadêmico nacional e internacional, contemplando estudos de elevada profundidade e temáticas altamente inovadoras nas linhas de pesquisa do Mestrado em Direito do UDF, assim compostas: "Constitucionalismo, Direito do Trabalho e Processo" e "Direitos Humanos Sociais, Seguridade Social e Meio Ambiente do Trabalho".
O sucesso da Revista Direito das Relações Sociais e Trabalhistas é fruto da participação dos mais renomados pesquisadores das universidades brasileiras, que reconhecem a importância do periódico na medida em que emprestam seu prestígio à Revista, enviando artigos inéditos da mais alta qualidade.
A Revista também é resultado das atividades e esforços dos docentes do Mestrado em Direito das Relações Sociais e Trabalhistas do UDF, que habitualmente participam de diversos Congressos, Seminários, Simpósios, Jornadas, Colóquios realizados no Brasil e no exterior, bem como lançam livros ou publicam artigos em obras coletivas ou em revistas acadêmicas. Prova dessa virtuosa pluralidade, esta edição é integrada por nove artigos, sendo três de autoria de Professores Doutores estrangeiros, de importantes Universidades da
Espanha e Itália. Seis artigos, por sua vez, são da lavra de Professores Doutores brasileiros, alguns em parceria com Mestrandos dos respectivos Programas de Pós-Graduação, todos vinculados a Instituições de Ensino Superior situadas fora do âmbito do Distrito Federal.
Ao manter significativa participação de doutrinadores estrangeiros em todas as suas edições, desde a sua primeira publicação, a Revista enfatiza o seu processo de internacionalização e amplia os laços com pesquisadores de instituições universitárias da Europa, América Latina e Estados Unidos, cumprindo importante papel de difusão do conhecimento. Essa formação heterogênea fomenta uma verdadeira dialética entre o Mestrado em Direito das Relações Sociais e Trabalhistas do UDF e outros importantes Programas de Pós-Graduação em Direito de dentro e de fora do Brasil.
A presente edição conta com uma contribuição especial do Professor do Programa do Mestrado do UDF, Prof. Dr. Thiago Santos Aguiar de Pádua, em conjunto com o Mestrando em Direito das Relações Sociais e Trabalhistas André Cleandro de Castro Dias “Diferentes, mas iguais: a terceirização no recente julgamento do STF e algumas reflexões a partir de Marcelo Neves”, estudo de grande relevância que aborda aspectos controvertidos das transformações do mundo do trabalho e suas repercussões jurídicas.
Neste Vol. 7, N. 2, apresentam-se os seguintes trabalhos, iniciando-se pelos três artigos de autores estrangeiros: 1) Teletrabajo e inteligencia artificial en Latinoamérica y en la Unión Europea, da Professora Doutora Esperanza Macarena Sierra Benítez - Profesora Titular de Derecho del Trabajo y de la Seguridad Social - Universidad de Sevilla; 2) Uma luta de 30 anos: os esforços permanentes para atribuir força normativa à Declaração Universal dos Direitos Humanos, do Professor Doutor Karel Vasak, jurista tcheco-francês, que foi diretor Divisão de Direitos Humanos e Paz da Unesco e colaborou com os principais autores da Declaração Universal dos Direitos Humanos, incluindo René Cassin, com quem foi cofundador da Revue des Droits de l'Homme: Human Rights Journal, uma publicação trimestral internacional sobre a teoria e a evolução dos direitos humanos em direito internacional. O Professor Karel Vasak lecionou na Academia de Direito Internacional de Haia, na escola de direito da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e em outras universidades (Singapura, Bangkok, Besançon, Nairobi, etc.). Seu livro “La Convention Européenne des Droits de l'Homme” ("A Convenção Europeia sobre Direitos Humanos"), publicada em 1964, recebeu um prêmio da Academia de Paris de Ciências Morais e Políticas.
A tradução do texto foi realizada pelo Professor Doutor Thiago Santos Aguiar de Pádua, do Programa de Mestrado do UDF; 3) Trasferimento d’azienda e regime della decadenza, do Professor Doutor Fabrizio Ferraro, Pesquisador da Sapienza, Università di Roma.
Entre os artigos de autores brasileiros, o presente volume apresenta: 1) Gamificação no trabalho: o novo “AVATAR” do Direito do Trabalho, da Pesquisadora e Doutora em Direito pela Université de Paris 1- Sorbonne, Rosane Gauriau; 2) A Reforma Trabalhista Brasileira e o Estado Constitucional e Convencional de Direito, da Professora Doutora Wânia Guimarães Rabêllo Almeida, Professora Titular da Faculdade de Direito Milton Campos, Minas Gerais, e do Professor Doutor Cléber Lúcio de Almeida, Professor Titular do Programa de Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais; 3) Jurisprudência da crise do Covid-19 e Direito do Trabalho: uma análise a partir da Ação Direta de Inconstitucionalidade Nº 6.363, do Professor Doutor Sidney Machado, Professor Adjunto da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em conjunto com o Mestrando em Direitos Humanos e Democracia pela Universidade Federal do Paraná, Michel Willian Conradt; 4) Diferentes, mas iguais: a terceirização no recente julgamento do STF e algumas reflexões a partir de Marcelo Neves, do Professor Doutor Thiago Santos Aguiar de Pádua, Professor Titular do Programa de Mestrado do UDF-Centro Universitário, em conjunto com o Mestrando em Direito das Relações Sociais e Trabalhistas André Cleandro de Castro Dias; 5) Os desafios para um ambiente do trabalho digno no home office, do Professor Doutor Marcelo Ivan Melek, Professor Titular do Programa de Mestrado Profissional em Direito da Universidade Positivo, Paraná; 6) Redes sociais e contrato de trabalho: equacionamento entre o direito fundamental à liberdade de expressão dos trabalhadores e o poder disciplinar do empregador, da Professora Doutora Mirta Gladis Lerena Manzo de Misailidis, Professora Titular da Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP, em conjunto com a Mestra Carolina Marzona Hirata e do egresso do UDF, Mestre Raphael Miziara, Doutorando pela Universidade de São Paulo.
Diante do aqui explanado, constata-se que os artigos que integram este Vol. 7, N. 2, da Revista Direito das Relações Sociais e Trabalhistas, abrangendo o segundo semestre de 2021 (julho-dezembro) conectam-se clara e consistentemente à sua linha editorial, permitindo aos leitores terem acesso aos mais atuais e avançados estudos desenvolvidos no Brasil e no exterior acerca do estado atual das relações sociais e trabalhistas, além de contribuírem para ampliar e aprofundar os debates sobre seus problemas, insuficiências e potencialidades.
Desejamos, assim, à comunidade acadêmica e jurídica, uma excelente leitura.
Brasília, dezembro de 2021.
Equipe Editorial
TELETRABAJO E INTELIGENCIA ARTIFICIAL EN LATINOAMÉRICA Y EN LA UNIÓN EUROPEA
1TELEWORKING AND ARTIFICIAL INTELLIGENCE IN LATIN AMERICA AND THE EUROPEAN UNION
Esperanza Macarena Sierra Benítez2
RESUMEN: Este artículo aborda los mecanismos para el complejo y difícil tránsito entre un trabajo asalariado y garantista propio de sociedad industrial y el trabajo digital o digitalizado (teletrabajo, trabajo de plataformas, trabajos remotos) en Latinomaérica e en la Unión Europeia. En Latinoamérica, 23 millones de personas trabajaron desde sus domicilios (entre el 20 y el 30% de los asalariados) desde que entraron en vigor las medidas de confinamiento y otras como consecuencia de la pandemia de la COVID-19, en el peor momento de la crisis (segundo trimestre de 2020) según un informe de la Organización Internacional el Trabajo. Antes de la pandemia esa cifra era muy inferior (en torno a un 3%), y el teletrabajo era principalmente realizado por trabajadores por cuenta propia. En esta región del mundo no hay, por ahora, una regulación sobre la IA como la que se está diseñando en la Unión Europea. En definitiva, el uso de la IA constituye un tema novedoso y actual que será objeto de estudios, y quizás de resoluciones judiciales, conforme los avances en el uso de la inteligencia artificial afecten directa o indirectamente a los derechos de las personas teletrabajadoras o, en general, a las personas trabajadoras en remoto en la Economía 4.0.
PALABRAS CLAVE: Teletrabajo; Inteligencia Artificial; Relaciones Laborales; Normas Internacionales del Trabajo.
ABSTRACT: This article analyzes the mechanisms of the complex and difficult transition between a salaried and guarantor job in an industrial society and digital or digital work (telework, work on platforms, remote work) in Latin America and the European Union. In Latin America, 23 million people have worked from their homes (between 20 and 30% of employees) since the entry into force of the confinement measures and others as a consequence of the COVID-19 pandemic, during the crisis (second quarter of 2020) according to a report by the International Labor Organization. Before the pandemic, this figure was much lower (around 3%), and teleworking was mainly done by the self-employed. In this region of the world there is, for now, a regulation on AI as it is being designed in the European Union. In short, the use of AI constitutes a new and current topic that will be the subject of studies, and perhaps judicial decisions, since advances in the use of artificial intelligence directly or indirectly affect the decisions of teleworkers, in general. , the people that work. remotely in Economics 4.0.
KEYWORDS: Teleworking; Artificial intelligence; Labor Relations; International Labor Standards
Según un informe de la OIT (Desafíos y oportunidades del teletrabajo en América Latina y el Caribe, 2021)3, desde que en Latinoamérica entraron en vigor las medidas de confinamiento y otras como consecuencia de la pandemia de la COVID-19, en el peor
Artigo recibido en: 08/12/2021 Artigo aprobado en: 09/12/2021
1Publicado en el Blog Transforma e-work, el 22 de noviembre de 2021 "Transformaciones del trabajo en la economía digital: condiciones económicas y sociales para una transición justa". Disponible en:
https://www.transformaw.com/blog/revolucion-industrial-4-0-y-retos-de-regulacion-del-trabajo condicionespara- la-debida-transicion-justa/. Consultado en: 8 de diciembre de 2021.
2Profesora Titular de Derecho del Trabajo y de la Seguridad Social – Universidad de Sevilla.
3OIT – ORGANIZACIÓN INTERNACIONAL DEL TRABAJO. Nota Técnica “Desafíos y oportunidades del teletrabajo en América Latina y el Caribe”. Serie Panorama Laboral en América Latina y el Caribe 2021, Julio 2021. Disponible en: https://www.ilo.org/americas/publicaciones/WCMS_811301/lang--es/index.htm.
Consultado en: 22 de noviembre de 2021.
momento de la crisis (segundo trimestre de 2020), 23 millones de personas trabajaron desde sus domicilios (entre el 20 y el 30% de los asalariados). Antes de la pandemia esa cifra era muy inferior (en torno a un 3%), y el teletrabajo era principalmente realizado por trabajadores por cuenta propia. Según señala el informe, los grandes perjudicados fueron los trabajadores informales, que no tuvieron la posibilidad de mantener el empleo por no poder acceder al teletrabajo. Y, por otro lado, las mujeres, al no poder dejar las laborales tradicionales de cuidados que realizaban.
El teletrabajo implica que los trabajadores deben usar los medios tecnológicos y de comunicación para realizar la prestación de servicios. Estos medios incluyen los avances de la inteligencia artificial (en adelante, IA) que, como en anteriores épocas de avances en la automatización, comportan pérdidas de puestos de trabajo y un aumento adicional de la desigualdad pero que, por otro lado, suponen grandes oportunidades de aumento de la productividad, incluso para países en desarrollo, así como la reducción de costes de capital y del tiempo de trabajo.
Como en todo proceso de cambio y/o ruptura, se necesita la actuación de los responsables políticos y de los interlocutores sociales para abordar las características particulares de estas nuevas tecnologías en el mundo del trabajo y, en concreto, en las relaciones laborales (OIT, The economics of artificial intelligence: implications for the future of work, 2018)4.
En Latinoamérica el futuro de la IA se está abordando como un instrumento básico en la vida de las personas y, sobre todo, en el sector productivo y empresarial (por ejemplo, inversiones en uso de robots para automatización, gestión de la cadena de suministros y en la automatización industrial). Si bien es cierto que a un ritmo menor que en EEUU, China y la Unión Europea, un 58% de los grandes empresarios de Latinoamérica creen que la IA puede
“revolucionar” su empresa.
Entre los países que están implementando la IA destacan por inversión realizada, recursos involucrados o diversidad de aplicaciones las empresas del sector de
4OIT – ORGANIZACIÓN INTERNACIONAL DEL TRABAJO. The economics of artificial intelligence:
Implications for the future of work. International Labour Office – Geneva, 2018. Disponible en:
https://www.ilo.org/global/topics/future-of-work/publications/research papers/WCMS_647306/lang-- es/index.htm. Consultando en: 22 de noviembre de 2021.
telecomunicaciones y del sector financiero de Brasil y Argentina, cuyo modelo de negocio se basa en el tratamiento de la información y de los datos (Forbes, 2020)5.
En esta región del mundo no hay, por ahora, una regulación sobre la IA como la que se está diseñando en la Unión Europea, sino que encontramos estudios como, por ejemplo, el del Banco de Desarrollo de América Latina, que expone las estrategias de adopción de la IA en los gobiernos de Latinoamérica, y que urge a integrar principios éticos para reducir los riesgos asociados a estas tecnologías, para salvaguardar la privacidad y la seguridad de la información. En este sentido, se afirma que los gobiernos de países como Argentina, Brasil, Chile, Colombia, México, Perú y Uruguay están desarrollando estrategias de IA de manera desigual, con enfoques distintos y velocidades diferentes. Estos países se han dotado de una estrategia nacional en IA o están en proceso. De los países mencionados sólo Uruguay se ha centrado específicamente en el sector público (CAF, Banco de Desarrollo de América Latina, 2021)6. Esto constituye un paso importante, porque países como Argentina, Brasil, Colombia, Chile, Ecuador, Perú y Uruguay han implementado el teletrabajo y, de alguna manera, deben estar afectados por las políticas basadas en principios éticos, la protección de los datos y del uso de los algoritmos y, particularmente, por la necesidad de adaptación y preparación de los trabajadores en un mundo laboral en continuo cambio, incluido el teletrabajo.
Con respecto a la Unión Europea (en adelante UE), el teletrabajo no se encuentra regulado de forma específica, sino a través de instrumentos existentes como, por ejemplo, la Directiva 2019/1152 relativa a unas condiciones laborales transparentes y previsibles en el marco de la UE. Esta directiva aborda de forma indirecta algunos de los desafíos asociados con la protección de las personas teletrabajadoras y así, por ejemplo, contempla la necesidad que se establezcan disposiciones en relación con el lugar de trabajo y que las pautas de trabajo se concreten en el contrato de trabajo. Esto asegura que los patrones de tiempo de trabajo sean más predecibles, lo que podría tener un impacto positivo en el equilibrio entre la vida laboral y personal. Por supuesto destaca el Acuerdo Marco Europeo sobre Teletrabajo (2002), que supone la implementación del teletrabajo a través de la negociación colectiva para los representados de cada estado miembro. También cabe incluir las Directivas 2003/88 sobre
5 CHAO, Mario. El futuro de la inteligencia artificial en Latinoamérica. Forbes, agosto 7, 2020. Disponible en: https://www.forbes.com.mx/el-futuro-de-la-inteligencia-artificial-en-latinoamerica/. Consultado en: 22 de noviembre de 2021.
6 BANCO DE DESARROLLO DE AMÉRICA LATINA – CAF. Experiencia: Datos e Inteligencia Artificial en el sector público, 2021. Disponible en: https://scioteca.caf.com/handle/123456789/1793. Consultado en: 22 de noviembre de 2021.
ordenación del tiempo de trabajo, la 89/391 relativa a la seguridad y salud en el trabajo, y la 2019/1158 sobre conciliación de la vida familiar y la vida profesional.
En otro orden, cabría citar la Propuesta de Directiva sobre el reconocimiento al derecho a la desconexión y, en concreto, la Resolución del Parlamento Europeo, de 21 de enero de 2021, con recomendaciones destinadas a la Comisión sobre el derecho a la desconexión, que contempla que la Directiva debe establecer requisitos mínimos para el trabajo a distancia y “aclarar” las condiciones de trabajo, los horarios y los períodos de descanso. Este es un aspecto relevante puesto que entre los riesgos del teletrabajo se encuentran, entre otros, la invasión de la intimidad y la dispersión de los teletrabajadores, o los temas relacionados con la ciberseguridad, que deben abordarse de forma adecuada para defender a las empresas y proteger la privacidad de los teletrabajadores. En definitiva, aspectos que pueden ser tratados mediante la inteligencia artificial y que suponen un desafío para la garantía de los derechos de los teletrabajadores, en cuanto que pueden invadir la privacidad del trabajador pero, por otro lado, proporcionan mecanismos para asegurar el cumplimiento de las condiciones de trabajo.
En el ámbito de la UE se aprobó un Acuerdo Marco sobre la digitalización (junio, 2020) que aborda cuatro áreas específicas y, entre ellas, se encuentra la IA y la garantía del control humano. En este acuerdo se indica que, teniendo en cuenta que los sistemas y soluciones de IA tienen un valioso potencial para aumentar la productividad de la empresa, el bienestar de la fuerza laboral y una mejor asignación de las tareas entre máquinas y humanos, es necesario asegurarse de que no pongan en peligro la participación y las capacidades humanas en el trabajo, sino que las aumenten.
En este sentido, se establecen algunas directrices y principios sobre cómo y bajo qué circunstancias debe introducirse la IA en el mundo del trabajo:
1) el control de los humanos sobre máquinas y la IA deben estar garantizados en el lugar de trabajo.
2) la IA confiable tiene tres componentes que deben cumplirse durante todo el ciclo de vida del sistema y deben ser respetados en su despliegue en el mundo laboral: a) debe ser legal, transparente segura y protegida, cumpliendo con todas las leyes y normativas aplicables, así como los derechos fundamentales y normas sobre no discriminación; b) debe respetar las normas éticas acordadas, asegurando el cumplimiento de las normas fundamentales de la UE; y c) debe ser robusta y sostenible, tanto desde una perspectiva técnica como social, ya que, incluso con buenas intenciones, los sistemas de IA pueden causar daños no intencionados.
Los interlocutores sociales deberían explorar de manera proactiva el potencial de la tecnología digital y la IA para aumentar la productividad de la empresa y el bienestar de la fuerza laboral, incluida una mejor asignación de tareas, un mayor desarrollo de competencias y la capacidad de trabajo, y una reducción de la exposición a condiciones de trabajo nocivas.
Siguiendo las directivas mencionadas, el Acuerdo Marco sobre la digitalización (junio 2020) incluye una serie de medidas: A) en relación con el despliegue de los sistemas de IA, debe seguir el principio de control humano, debe ser seguro, es decir, predecir posible daños, debe seguir los principios de equidad y debe ser transparente y explicable, con una supervisión eficaz. B) El sistema de IA debe proteger la transparencia, mediante el suministro de información, cuando los sistemas de IA se utilizan en procedimientos de recursos humanos, como la contratación, la evaluación, la promoción, el despido o el análisis del desempeño. Todo trabajador afectado podrá solicitar la intervención humana y/o impugnar la decisión, junto con la prueba de los resultados de la IA. C) Los sistemas de IA deben diseñarse y operar cumpliendo con la normativa existente, incluido el Reglamento General de Protección de Datos, para garantizar la privacidad y la dignidad de los trabajadores. En este sentido, el art. 88 del RGPD regula la posibilidad de establecer mediante convenios colectivos normas más específicas para garantizar la protección de datos personales de los trabajadores (por ejemplo, abordar cuestiones relacionadas con los datos, el consentimiento, la protección de la privacidad y la vigilancia).
En definitiva, en la UE se intentan encontrar mecanismos que faciliten el complejo y difícil tránsito entre un trabajo asalariado y garantista propio de sociedad industrial y el trabajo digital o digitalizado (teletrabajo, trabajo de plataformas, trabajos remotos) característico de la sociedad digital. El trabajo digital de esta nueva era intenta eludir las formas del trabajo asalariado para sustituirlo por formas flexibles que, ciertamente, no contribuyen al mantenimiento del estado del bienestar y al sostenimiento de la seguridad social de los trabajadores, ya sea por cuenta ajena o por cuenta propia.
Por otra parte, un aspecto normativo novedoso que queda por añadir en el caso español es el de la Ley 12/2021, de 28 de septiembre, por la que se modifica el Estatuto de los Trabajadores para garantizar los derechos laborales de las personas dedicadas al reparto en el ámbito de plataformas digitales. Esta nueva norma modifica los derechos de información a la representación legal de los trabajadores –art. 64.4 d) ET–.
Esta regulación contempla que el comité de empresa tendrá derecho a “ser informado por la empresa de los parámetros, reglas e instrucciones en los que se basan los algoritmos o sistemas de inteligencia artificial que afectan a la toma de decisiones que pueden incidir en las
condiciones de trabajo, el acceso y mantenimiento del empleo, incluida la elaboración de perfiles”. Es decir, incluiría la selección o contratación de salarios, promociones, e incluso los despidos. La novedad de este derecho de información reside en que el empresario debe informar a la representación legal de los trabajadores, no solamente del uso de dichos sistemas para la toma de decisiones, sino también de los parámetros o métricas utilizados por parte del algoritmo. La doctrina ha subrayado la importancia de los riesgos que la IA presenta en materia del respeto a los derechos fundamentales de las personas trabajadoras. Así, por ejemplo, el uso de algoritmos plantea un reto respecto del principio de igualdad y no discriminación en relación al uso de variables sesgadas, sobre la justicia y la responsabilidad empresarial7. El derecho de acceso a las métricas o variables utilizadas por el algoritmo es un derecho que permite a la representación legal evaluar su adecuación para adoptar decisiones automatizadas en materia de condiciones de trabajo, acceso al empleo o mantenimiento del mismo. Es un derecho de información que, aunque no limitado a las plataformas digitales, es objeto de críticas razonadas. Por un lado, porque el derecho debería ir acompañado de la información sobre los resultados del uso de algoritmos para la toma de decisiones en el ámbito laboral; y, por otro lado, porque no incluye el derecho a las personas trabajadoras a conocer las variables métricas utilizadas por el algoritmo. No obstante, el art. 13 del RGPD, que es de aplicación directa en todos los estados miembros de la UE, establece el derecho de las personas trabajadoras a obtener información de forma individual y directa por parte de la empresa. Por lo tanto, en este caso la persona trabajadora tendría derecho a la información individual sobre la lógica utilizada por el algoritmo o sistema de inteligencia artificial para la adopción de decisiones automatizadas, incluida la elaboración de perfiles8.
En definitiva, el uso de la IA constituye un tema novedoso y actual que será objeto de estudios, y quizás de resoluciones judiciales, conforme los avances en el uso de la inteligencia artificial afecten directa o indirectamente a los derechos de las personas teletrabajadoras o, en general, a las personas trabajadoras en remoto en la Economía 4.0.
BIBLIOGRAFÍA
7GINÈS I FABRELLAS, Anna. El derecho a conocer el algoritmo: una oportunidad perdida de la "Ley Rider”. IUSLabor. Revista d’anàlisi de Dret del Treball, 2021, n.º 2, pp. 1-5. Disponible em:
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8 GINÈS I FABRELLAS, Anna, op.cit.
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UMA LUTA DE 30 ANOS: OS ESFORÇOS PERMANENTES PARA ATRIBUIR FORÇA NORMATIVA À DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS
DIREITOS HUMANOS
1A 30 YEAR STRUGGLE: THE SUSTAINED EFFORTS TO GIVE FORCE OF LAW TO THE UNIVERSAL DECLARATION OF HUMAN RIGHTS
Karel Vasak2 ( Tradução Thiago Santos Aguiar de Pádua)3 RESUMO: O artigo trata-se do início de um texto de Karel Vasak, traduzido pela primeira vez para o idioma português, sobre “30 anos de luta” para atribuição de força normativa aos Direitos Humanos, em uma perspectiva de efetivação e respeitabilidade dos direitos (teoria e práxis). A tradução adotou o paradigma da contextualização, ao invés da tradução literal, a partir da influência de Gregory Rabassa sobre estilos e traduções e influências tradutórias, presentes nos escritos de Paulo Rónai, Yves Gambier, Eugene Nida e Hans Vermeer.
PALAVRAS-CHAVE: Karel Vasak; Declaração Universal dos Direitos Humanos; Efetivação dos direitos.
SUMÁRIO: 1. Nota Prévia do Tradutor. 2. Início do Texto Traduzido: Uma Luta de 30 Anos: Os Esforços Permanentes para Atribuir Força Normativa à Declaração Universal dos Direitos Humanos. Referências.
ABSTRACT: The article is the beginning of a text by Karel Vasak, translated for the first time into Portuguese, about “30 years of struggle” for the persistence of normative force to Human Rights, in a perspective of effectiveness and respectability of rights (theory and praxis). The translation adopted the paradigm of contextualization, replacing the literal translation, based on the influence of Gregory Rabassa on styles and translations and on translational influences, present in the writings of Paulo Rónai, Yves Gambier, Eugene Nida and Hans Vermeer.
KEYWORDS: Karel Vasak; Universal Declaration of Human Rights; Realization of rights.
SUMMARY: 1.Translator's prior note. 2. Beginning of Translated Text: A 30-Year Struggle: Ongoing Efforts to Give Normative Strength to the Universal Declaration of Human Rights. References.
Artigo enviado em 13/12/2021.
Artigo aprovado em 17/12/2021.
1Originalmente publicado como: VASAK, Karel. A 30 Year struggle: The sustained efforts to give force of law to the Universal Declaration of Human Rights. In: The Unesco Courier, nov. 1977, p. 29-32.
O texto da presente tradução conta com uma “Nota Prévia do Tradutor”, como forma de contextualização do tema e de sua relevância. A seu turno, o texto traduzido conta com apenas duas notas de rodapé, mencionadas sem qualquer distinção. No corpo do texto traduzido, as Notas do Tradutor são identificadas pelas iniciais (NT), como forma de adicionar complementação informacional, ora para contextualizar, ora para ressaltar questões que não pareceram óbvias demais. Assim, os erros, excessos e problemas de estilo são atribuídos exclusivamente ao tradutor.
2Karel Vasak (1929-2015) foi um jurista tcheco-francês, foi diretor Divisão de Direitos Humanos e Paz da Unesco.
Ele colaborou com os principais autores da Declaração Universal dos Direitos Humanos, incluindo o falecido René Cassin, com quem foi cofundador da Revue des Droits de l'Homme: Human Rights Journal, uma publicação trimestral internacional sobre a teoria e a evolução dos direitos humanos em direito internacional. Ele lecionou na Academia de Direito Internacional de Haia, a escola de direito da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e em outras universidades (Singapura, Bangkok, Besançon, Nairobi, etc.). Seu livro “La Convention Européenne des Droits de l'Homme” ("A Convenção Europeia sobre Direitos Humanos"), publicada em 1964, recebeu um prêmio da Academia de Paris de Ciências Morais e Políticas.
3Pós-Doutoramento (UnB, Università degli Studi di Perugia e Univali). Doutor e Mestre em Direito (UniCEUB).
Professor do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Direito do UDF - Centro Universitário do Distrito Federal (Mestrado) e também da graduação em direito. Membro do Centro de Estudos Constitucionais – CBEC.
Membro da Academia Brasiliense de Letras. Advogado.
1. NOTA PRÉVIA DO TRADUTOR.
Como observado por Roberto Gonzáles Álvarez, “Vasak, introdujo el concepto de las tres generaciones de los derechos humanos en su conferencia para el Instituto Internacional de Derechos Humanos, en Estrasburgo, 1979; su inspiración fue la de la bandera francesa, es decir, «libertad, igualdad y fraternidad», sustituyendo esta última con mayor acierto por la presencia del valor
«solidaridad»”4. Assim também o reconhece o jurista Ingo Sarlet, ressaltando a origem da distinção
“geracional” 5.
Sobre o referido marco, também são conhecidas as críticas de Antônio Augusto Cançado Trindade, que foi aluno de Vasak e lhe perguntou sobre a inspiração para o conceito “geracional de direitos”, formulado na famosa conferência “ministrada em 1979, no Instituto Internacional de Direitos Humanos, em Estrasburgo”, vinculando a bandeira francesa, e obtendo como resposta que teria sido fruto da falta de tempo para preparar algo mais profundo, aliado ao teor crítico de Cançado Trindade sobre a suposta inadequação, tanto da cópia posterior feita por Norberto Bobbio, quanto dos pressupostos do raciocínio proposto6.
Embora insistam em mencionar que o conceito geracional dos Direitos Humanos tenha sua origem na famosa conferência de 1979, a verdade é que o texto ora traduzido pela primeira vez para o
4 ÁLVAREZ, Roberto Gonzáles. Aproximaciones a los Derechos Humanos de cuarta generación. Revista San Antonio de Abad, 2008.
5 SARLET, Ingo Wolfgang. Mark Tushnet e as Assim Chamadas Dimensões (“Gerações”) dos Direitos Humanos e Fundamentais: Breves Notas. Revista Estudos Institucionais, Vol. 2, 2, 2016, p. 498-516.
6 A expressão exata da crítica de Cançado Trindade foi: “Eu não aceito de forma alguma a concepção de Norberto Bobbio das teorias de Direito. Primeiro, porque não são dele. Quem formulou a tese das gerações de direito foi o Karel Vasak, em conferência ministrada em 1979, no Instituto Internacional de Direitos Humanos, em Estrasburgo Pela primeira vez, ele falou em gerações de direitos, inspirado na bandeira francesa: liberté, egalité, fraternité. A primeira geração, liberté: os direitos de liberdade e os direitos individuais. A segunda geração, egaIité: os direitos de igualdade e econômico-sociais. A terceira geração diz respeito a solidarité: os direitos de solidariedade. E assim por diante. Eu sou seu amigo pessoal, foi meu professor. Fui o primeiro latino- americano a ter o diploma do Instituto. Foi meu examinador, é meu amigo pessoal e agora tive a grata satisfação de colaborar com um artigo em homenagem a ele, publicado pela UNESCO, em Paris. Sou isento para falar sobre o assunto. Sou amigo dele e não concordo com a tese que ele apresentou pela primeira vez em 1979, e que Norberto Bobbio copiou (...) em primeiro lugar, essa tese das gerações de direitos não tem nenhum fundamento jurídico, nem na realidade. Essa teoria é fragmentadora, atomista e toma os direitos de maneira absolutamente dividida, o que não corresponde à realidade. Eu conversei com Karel Vasak e perguntei: “Por que você formulou essa tese em 1979?”. Ele respondeu: “Ah, eu não tinha tempo de preparar uma exposição, então me ocorreu fazer alguma reflexão, e eu me lembrei da – bandeira francesa” – ele nasceu na velha Tchecoslováquia. Ele mesmo não levou essa tese muita a sério, mas, como tudo que é palavra “chavão”, pegou.”. Cfr. CANÇADO TRINDADE, Antônio Augusto. Seminário Direitos Humanos das Mulheres: A Proteção Internacional Evento Associado à V Conferência Nacional de Direitos Humanos, Câmara dos Deputados, Brasília, DF, em 25 de maio de 2000. Para uma análise específica de Cançado Trindade sobre as implicações nos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais: CANÇADO TRINDADE, Antônio Augusto. A proteção internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais: evolução, estado atual e perspectivas. Em: CANÇADO TRINDADE, Antônio Augusto (Org). O Desafio dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. Fortaleza: FB Editora, 2019, p. 79 e s. Ver, ainda: CANÇADO TRINDADE, Antônio Augusto. Vers la Consolidation de la capacite juridique internationale des pétitionnaires dans le système interaméricain de protecion des droites de la personne humaine. Revista do Instituto Brasileiro de Direitos Humanos, ano 5, vol. 5, n. 5, 2004, p. 11 e ss.
idioma português demonstra que Karel Vasak já falava sobre o tema desde pelo menos 1977, conforme ensaio presente na revista “The Unesco Courier”7, na edição de novembro daquele ano, servindo inclusive para responder antecipadamente a duas das críticas formuladas (sobre a suposta falta de tempo, e, como o leitor também poderá vislumbrar, acerca do caráter histórico e híbrido de muitos direitos pertencentes a determinadas “gerações”).
Mesmo que alguns críticos tenham se debruçado sobre o pensamento proposto por Karel Vasak, criticando-o desde a nomenclatura, com sugestão de alteração substitutiva (“gerações” x
“dimensões”), ou mesmo sobre as implicações acerca de historicidade, verifica-se que muitas referências críticas fecundas parecem não se preocupar com a origem da expressão ou sobre sua suposta inadequação, como é o caso de Pérez-Luño8, ocupado sobre uma suposta “mutação dos direitos”, ou Mark Tushnet, que se propõe a aceitar as gerações, mas a criticar os conflitos entre direitos pertencentes as diferentes classes geracionais sob o pano de fundo do liberalismo e do libertarianismo9.
Outros autores, como o falecido e importante pensador Joaquín Herrera Flores, focaram em outros aspectos, como o elemento decorrente da articulação histórica presente na chamada escola de Budapeste, ao menos a partir de seus principais representantes (György Lukács, Agnes Heller, Ferenc Feher, György Markus, Mihaly Vajda, András Hegedus, e outros) com especial interesse pela análise das premissas teóricas, políticas e axiológicas da Escola e sua relação com os Direitos Humanos, pois “a teoria, por muitas pretensões de cientificidade que ostente, nunca deve suplantar a realidade dos fatos”10, algo que vai ser muito importante, anos mais tarde, para este importante pensador da “prática dos direitos humanos” quando da escrita de seu trabalho mais conhecido sobre a (re)invenção dos direitos humanos11.
Não se ignore, ainda, o fato de que o importante livro de Fábio Konder Comparato sobre a afirmação histórica dos direitos humanos” sequer menciona Karel Vasak, e quando menciona a
“primeira geração de direitos”, o faz para mencionar a influência dos Estados Unidos, ao lado da França12. Já Boaventura de Sousa Santos13, outro autor fundamental sobre a temática dos Direitos
7 Fato é que tem merecido pouca atenção as observações feitas pelo professor e pesquisador Steven L. B. Jensen, um dos poucos a constatar e apontar criticamente a distinção entre a versão de 1977 e a conferência de 1979.
Em: JENSEN, Steven L. B. Mettre fin à la théorie des trois générations de droits humains, Open Global Rights, November 15, 2017.
8 PÉREZ LUÑO, Antonio-Enrique. Las generaciones de derechos Humanos. Revista del Centro de Estudios Constitucionales, n. 10, 1991.
9 TUSHNET, Mark. Notes on Some Aspects of the Taxonomy of “Generations” of Rights. Revista Estudos Institucionais, Vol. 2, 2, 2016, p. 486-497.
10 HERRERA FLORES, Joaquín. Los Derechos Humanos desde la Escuela de Busapest. Madri: Tecnos, 1989, p. 9.
11 HERRERA FLORES, Joaquín. La (re)invención de los derechos humanos. Sevilla:Atrapasueños, 2008.
12 KONDER COMPARATO, Fábio. A Afirmação Histórica dos Direitos Humanos. 10ª Ed. São Paulo:
Saraiva, 2015, p. 72.
Humanos, em livro seminal (Se Deus Fosse um Ativista dos Direitos Humanos), só analisa o aspecto geracional do ponto de vista específico da “teologia da libertação”, ou seja, em contexto histórico de aspecto específico, também não fazendo referência ao falecido jurista tcheco-francês.
Pois bem, em nenhum momento Karel Vasak fala sobre gerações de direitos como se fossem superações históricas ou de gradação de importância, ponto comum da crítica recorrente a seu pensamento, valendo a circulação da tradução para a popularização do texto de 1977 e as anteparas de suas reflexões, amadurecidas anos mais tarde. Percebe-se, antes, que Karel Vasak menciona “30 anos de luta” para atribuição de força normativa aos Direitos Humanos, ou seja, uma perspectiva de efetivação e respeitabilidade dos direitos (teoria e práxis). Espera-se que o leitor tenha uma ótima experiência de leitura, para o aprofundamento da análise crítica ou de releituras possíveis, explicitando-se que se adotou, nesta tradução, o paradigma da contextualização, ao invés da tradução literal, a partir da influência de Gregory Rabassa sobre estilos e traduções, em seu famoso livro: “If Tis Be treason: translation and Its Dyscontents”, sem esquecer outras influências tradutórias, presentes nos seminais escritos de Paulo Rónai, Yves Gambier, Eugene Nida e Hans Vermeer.
2. INÍCIO DO TEXTO TRADUZIDO: UMA LUTA DE 30 ANOS: OS ESFORÇOS PERMANENTES PARA ATRIBUIR FORÇA NORMATIVA À DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS
Em um sentido, o sistema das Nações Unidas está baseado em um paradoxo. Um grupo de Organizações, composto exclusivamente por Estados, tem como uma de suas tarefas a defesa dos direitos humanos frente aos governos destes mesmos Estados.
Isto não implica que o objetivo final de quem exerce o poder político deve ser sempre a proteção de cada indivíduo ou grupo, sem qualquer forma de discriminação?
Ao final da Segunda Guerra Mundial, as próprias Nações Unidas estabeleceram uma tarefa tripla no campo dos direitos humanos:
1 - a proclamação de uma Declaração Universal dos Direitos Humanos, que deveria ser tomada como “um padrão comum de realização para todos os povos e todas as nações”;
2 - a elaboração de uma ou várias Convenções Internacionais sobre direitos humanos com força normativa de lei para todos os Estados ratificantes;
3 - a instituição de um grupo de órgãos para supervisionar o cumprimento das Convenções
13 SOUSA SANTOS, Boaventura. Se Deus fosse um ativista dos Direitos Humanos. São Paulo: Cortez, 2014, p. 76 e ss.
Internacionais.
A primeira parte desta tarefa foi concluída em 10 de dezembro de 1948 com a proclamação da Declaração Universal de Direitos Humanos pela Assembleia Geral das Nações Unidas.
A segunda e a terceira partes só foram cumpridas 18 anos depois, com a adoção de duas convenções de Direitos Humanos, em 16 de dezembro de 1966. Uma tratava de direitos econômicos, sociais e culturais; a outra, complementada por um protocolo facultativo, previu um maquinário de reclamações por particulares, e tratava dos direitos civis e políticos. A primeira Convenção entrou em vigor em 3 de janeiro de 1976. A segunda, juntamente com o protocolo opcional, em 23 de março de 197614.
Os direitos proclamados na Declaração Universal se enquadram em duas categorias: por um lado, direitos civis e políticos e, por outro lado, direitos econômicos, sociais e culturais. Por causa dos padrões de mudança da sociedade nos últimos anos, tornou-se imperativo formular o que o Diretor Geral da Unesco denominou de “a terceira geração de direitos humanos”15.
A primeira geração16 diz respeito aos direitos “negativos”, no sentido de que seu respeito exige que o Estado não faça nada para interferir nas liberdades individuais, e corresponde, aproximadamente, aos direitos civis e políticos.
A segunda geração, por outro lado, requer uma ação positiva a ser implementada por parte do Estado, como é o caso da maioria dos direitos sociais, econômicos e culturais.
A comunidade internacional está ingressando agora em uma terceira geração de direitos humanos, que podem ser chamados de “direitos de solidariedade”17.
14 Em outubro de 1977, o número de Estados-Membros que ratificaram ou aderiram a esses convênios é 69 para o Pacto sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, e 68 para o Pacto de Direitos Civis e Políticos.
15 NT: Durante a referida citação, quem servia à UNESCO como Diretor Geral era o senegalês Amadou-Mahtar M’Bow, a quem se atribuiu a expressão “terceira geração de direitos humanos”, que ocupou o referido cardo entre 1974-1987. Conforme dados do endereço eletrônico da própria UNESCO: “Nasceu em 1921. Após completar sua educação superior em Paris, ele ensinou história e geografia no Senegal, onde dirigiu a educação básica de 1952 à 1957. Foi ministro da Educação e Cultura durante o período de transição de autonomia interna de seu país (1957-1958), pediu exoneração do cargo para se engajar na luta pela independência. Após a conquista da independência, ele se torna Ministro da Educação (1966-1968) e depois Ministro das Questões Culturais e da Juventude (1968-1970) e foi membro da Assembleia Nacional do Senegal. Eleito para o Conselho Executivo em 1966, se torna Assistente do Diretor-Geral da Educação em 1970. Indicado Diretor-Geral da UNESCO em 1974, foi reconduzido para um segundo mandato em 1980”.
16 NT: Embora não conste a referência à bandeira ou à revolução (francesas), já é possível perceber a inserção sobre o raciocínio acerca do aspecto geracional dos direitos, inspirado pela ideia de luta permanente para atribuir
“força normativa de lei” aos Direitos Humanos, e, ainda, a partir da sugestão do então Diretor-Geral da UNESCO, um militante pela libertação colonial de um país africano, sugerindo-se recontextualização das críticas e necessidade de aprofundamento sobre a interrelação entre “teoria e prática” dos Direitos Humanos.
17 NT: Neste ponto, embora não mencionada explicitamente o famoso adagio da revolução francesa, menciona- se a expressão “solidariedade”, e é conhecida a comum vinculação entre aquela expressão e a palavra
“fraternidade”, já permitindo intuir a vinculação que seria amadurecida poucos anos mais tarde.
Tais direitos incluem o direito ao desenvolvimento, o direito a um meio ambiente saudável e ecologicamente equilibrado, o direito à paz, e o direito de propriedade do patrimônio comum da humanidade. Já que tais direitos refletem uma certa concepção de vida comunitária, eles só podem ser implementados pelos esforços combinados de todos: indivíduos, Estados e outros órgãos, bem como instituições públicas e privadas.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, assim como a francesa Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, em 1789, teve um impacto imenso em todo o mundo. Tem sido chamada de inserção moderna para o Novo Testamento, e também de Magna Carta da Humanidade, e tem se tornado uma fonte constante de inspiração para governos, juízes e para legisladores nacionais e internacionais.
As constituições de diversos países expressam os ideais inseridos na Declaração e, em alguns casos, até mesmo incorporam suas disposições literalmente. Incontáveis direitos e leis foram desenhados ou modificados para se adequarem às cláusulas específicas ou para refletir o espírito da Declaração.
Muitas e muitas vezes os juízes usaram a Declaração para apoiar seus argumentos mais convincentes. Inúmeros homens e mulheres lutaram e sofreram em seu nome.
Em nível internacional, a Declaração se tornou tão amplamente aceita como o base para normas universais e regionais em a defesa dos direitos humanos, que alguém poderia perguntar qual é a sua força normativa. Já que não é um tratado e, portanto, não é um instrumento obrigatório legal, a Declaração pode inicialmente parecer não ter mais força vinculativa do que qualquer outra recomendação forte de Assembleia Geral.
Nos últimos anos, no entanto, tem havido uma tendência, na medida em que a Declaração está interessada em olhar mais longe do que a distinção entre textos obrigatória e não-obrigatórios. Hoje, alguns especialistas consideram que a Declaração Universal possui força vinculante para Estados- Membros; outros sentem que se tornou parte do direito consuetudinário; outros ainda enxergam isso como uma espécie de “common law” para toda a humanidade.
Com toda a probabilidade, nenhuma dessas visões é inteiramente correta. Mas, reconhecendo a Declaração Universal como um documento vivo e deixando os juristas discutirem entre si mesmos, pode-se proclamar sua fé no futuro da humanidade.
A adoção da Declaração Universal, em 1948, abriu o caminho para a redação de uma “rede”
de textos jurídicos de valor inigualável. Hoje, o corpus internacional que regem os direitos humanos é compreendido de cerca de 15 declarações, sendo a mais importante a Declaração sobre a Concessão da Independência para Países Coloniais e Povos, adotado pela ONU em 14 dezembro de 1960.