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Dental Press J. Orthod. vol.21 número2

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Academic year: 2018

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© 2016 Dental Press Journal of Orthodontics 10 Dental Press J Orthod. 2016 Mar-Apr;21(2):10-1

edito

rial

Conhecer a realidade vivenciada pela comu-nidade ortodôntica em diferentes países pode fa-vorecer o posicionamento político e administra-tivo de entidades envolvidas com a Ortodontia enquanto ciência.

No filme Being There (1979), traduzido como Muito Além do Jardim, Peter Sellers interpreta Chance, um jardineiro. Vivendo em profundo isolamento social em Washington D.C., Chan-ce conheChan-ce do mundo apenas aquilo que vê na televisão. Lançado na vida real por um infortú-nio, acaba adentrando em um restrito círculo de poderosos homens do governo, famintos pela sua “sabedoria”. O Brasil era um grande jardim. Or-todontistas viviam como jardineiros no melhor estilo “em terra de cego, quem tem um olho é rei”. Repentinamente, o tempo negro veio, pra-gas e tempestades dizimaram todo o esplendor do jardim e se fez a escuridão. Você está achando essa história sombria? Eu o provoco a continuar a leitura. Parafraseando Nietzsche, “não existem fatos, existem interpretações”.

Ser ortodontista no Brasil nos anos 70, 80 e mesmo no início dos anos 90 era sinônimo de pres-tígio social, consultórios abarrotados de pacientes

e expressivos ganhos inanceiros. Existiam pou-cos proissionais, poupou-cos cursos de especialização e uma enorme demanda pelo tratamento orto-dôntico. O acesso aos benefícios proporcionados pelo uso de aparelhos era mediado exclusivamente pela capacidade de pagamento e considerado uma forma de status. Nesse contexto, o número de fa-culdades de Odontologia no Brasil saltou de 90 para 202 nos últimos 10 anos, para uma popula-ção de 200 milhões de habitantes. Nos EUA, que possuem 280 milhões de habitantes, houve uma queda no número de instituições, de 65 para 58 no mesmo período. Paralelamente, houve uma proliferação indiscriminada de abertura de novos cursos de especialização em Ortodontia, associada a uma verdadeira epidemia de dentistas clínicos, sem cursos de especialização, colocando apare-lhos, sem qualquer tipo de critério. O resultado foi a popularização do tratamento ortodôntico no Brasil, suportada pela impossibilidade do públi-co em geral espúbli-colher um especialista verdadeiro. Assim, os preços do tratamento se tornaram mais acessíveis, porém de qualidade duvidosa, e uma especialidade antes vista como glamourosa passou a ser vista com desconiança.

Como citar essa seção: Marques LS. On gardens, braces and money. Dental Press J Orthod. 2016 Mar-Apr;21(2):10-1. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/2177-6709.21.2.010-011.edt

DOI: http://dx.doi.org/10.1590/2177-6709.21.2.010-011.edt

Leandro Silva Marques1

Sobre jardins, braquetes e dinheiro

1 Professor Adjunto da disciplina de Ortodontia na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Pró-reitor de Administração da UFVJM.

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© 2016 Dental Press Journal of Orthodontics 11 Dental Press J Orthod. 2016 Mar-Apr;21(2):10-1 Editorial

Por outro lado, os efeitos colaterais da crise que a Ortodontia brasileira tem amargado estão contri-buindo sobremaneira para signiicativas mudanças da realidade: as entidades de classe, especialmente a ABOR (Associação Brasileira de Ortodontia), estão se mobilizando no sentido de estabelecer critérios para formação de novos especialistas e para reconhecer os cursos que já estão em funcionamento. O Board Brasi-leiro de Ortodontia foi criado e surgiram campanhas de esclarecimento à população sobre a importância da escolha de um especialista devidamente qualiicado para realização do tratamento ortodôntico. Além dis-so, observa-se crescente aumento da produção cientí-ica brasileira na área de Ortodontia: para se ter uma ideia, nos últimos cinco anos, das 1.465 publicações

do AJO-DO, 98 (7%) foram de autores brasileiros.

Ao considerarmos os últimos três anos, o Dental Press Journal of Orthodontics é o periódico da Odontologia brasileira com o maior volume de publicações.

No Brasil, assim como em todo o mundo, as estações mudaram. A classe ortodôntica tem pela frente o desafio de reciclar seus valores e para-digmas. Em tempos de tomada de decisões clíni-cas baseadas em evidências, é necessário repensar os valores éticos e morais que norteiam a nossa profissão. Talvez os lucros não sejam os mesmos do passado, mas é importante uma reflexão no sentido de que mudanças não necessariamente ocorrem para pior, como conjeturou o jardineiro Chance, na epígrafe desse texto.

Leandro Marques – editor adjunto ([email protected])

Edição especial sobre REVISÕES SISTEMÁTICAS

Pesquisadores, estudantes de pós-graduação e especialistas da área estão convidados a submeter artigos para essa edição especial, temática, sobre as Revisões Sistemáticas (RevSis). Os artigos que se enquadrarem nessa categoria (RevSis) serão preferidos para integrar a edição — após terem passado pelo processo padrão de revisão por pares.

O prazo para submissão de artigos para essa edição se encerra em 31/5/2016. Os artigos selecionados serão publicados

na edição nov/dez 2016, vol. 21, n. 6.

Estamos aguardando sua participação,

Referências

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