AN THROPOM ETRY: THE IN DIVIDUAL AN D THE POPULATION . S. J. Ulijassek & C. G. N . M ascie-Taylor (editores). Cambridge: Cambridge Univer-sity Press, 1994. 213 pp., ils.
ISBN 0-521-41798-8
A an trop om etria é u m m étod o d e in vestigação cien tí-fica q u e se o cu p a d a m e d içã o d a s va ria çõ e s n a s d im en sões físicas e n a coim p osição glob al d o corp o h u -m a n o. Mu ito e -m b o ra a su a u tiliza çã o se ja b a sta n te re m o ta n a h istó ria d a h u m a n id a d e, a lgu n s a u to re s a p o n ta m q u e o s estu d o s a n tro p o m étrico s co m eça -ram a ap arecer n a literatu ra p or volta d o sécu lo XVIII. In icia lm e n te vin cu la d a à e sfe ra d a s a rte s p lá stica s (estética), d a an trop ologia e d a etn ologia, a p artir d o sécu lo XIX a a n trop om etria foi sen d o in corp ora d a a ou tros ca m p os, com o o d a sa ú d e, d a econ om ia e d o p lan ejam en to, d a n u trição e d a en gen h aria. Qu an to à an trop om etria n u tricion al, aq u ela q u e trata d o esta-b e le cim e n to d e re la çõ e s e n tre a s va ria çõ e s n a s d i-m en sões físicas e o estado n u tricion al de in divídu os e p op u lações, foi ap en as n a segu n d a m etad e d este sé -cu lo, m ais p recisam en te, a p artir d os an os 1960, q u e os estu d os n esta área esp ecífica gan h aram ên fase.
An t h rop om et ry: t h e in d iv id u a l a n d t h e p op u la-tion é u m a coletân ea d e trab alh os elab orad os p or an tro p ó lo go s, b ió lo go s h u m a n o s, m éd ico s e n u tricio -n ista s, q u e, a lé m d e d e m o -n stra r a la rga a m p litu d e d as esferas d a u tilização, p ossib ilita-n os a visu alizaçã o d os a va n ços tecn ológicos q u e fora m in corp ora -d os à an trop om etria ao lon go -d as ú ltim as três -d éca-d as. Daéca-d as estas características esp ecíficas, este livro n ão se d estin a a u m a categoria p rofission al esp ecífi-ca , p o d e n d o se r d e in te re sse e d e gra n d e va lia p a ra p rofission ais d e saú d e e ou tros p rofission ais, p articu -larm en te, aq u eles en volvid os com p esq u isas d e b ase p op u lacion al.
Na seqü ên cia d e ap resen tação d o livro, o Cap ítu -lo 1 p rocu ra, d e form a in trod u tória e su m ária, - locali-zar o su rgim en to h istórico d a an trop om etria e situ ar seu am p lo u n iverso d e u tilização. O Cap ítu lo 2 ap re-sen ta u m a revisão d a literatu ra sob re assim etria corp oral, en focan d o, b asicam en te, ascorp ectos clín icocorp a -tológicos. Os Cap ítu los 3 e 4 são d e p articu lar im p or-tân cia p ara os p rofission ais vin cu lad os às p esq u isas p op u lacion ais, à m ed id a qu e d iscu tem qu estões rela-tiva s à a p lica çã o d o m é to d o e sta tístico e m e stu d o s an trop om étricos, en focan d o asp ectos com o a d eter-m in ação d o d esen h o e d o taeter-m an h o d a aeter-m ostra, a d e-fin ição d as d iferen tes m ed id as e testes estatísticos a serem u tilizad os n a in vestigação e a u tilização d e m ed ied as estatísticas ed e estim ativas ed o erro p ara a garan -tia d a “p recisão” d os d ad os. Os Cap ítu los 5, 6 e 7 são d ed icad os à q u estão d a con stru ção d e in d icad ores e grá fico s p a ra o a co m p a n h a m en to d o crescim en to e d esen volvim en to d e crian ças em p aíses d esen volvi-dos e “em desen volvim en to”. Os Cap ítu los 8, 9, 10 e 11 discu tem a u tilização da an trop om etria em avaliações
d a com p osição corp oral, d a p erform an ce e d a ad ap -tação física, d estacan d o a im p ortân cia d a in corp ora-ção d os avan ços tecn ológicos à an trop om etria n u tri-cion al, a exem p lo d a técn ica d a “b ioim p ed ân cia”. Fi-n a lm eFi-n te, o Ca p ítu lo 12 é d ed ica d o à d escriçã o d o s d iferen tes p roced im en tos e d as d iversas p ossib ilid a-d es qu e a “an trop om etria m ilitar” p oa-d e oferecer.
Em su m a, An th rop om etry: th e in d ivid u al an d th e p op u lation é com p osto p or cap ítu los q u e, n em sem -p re, m ostram -se in tegrad os, com exceção, talvez, d o o b jetivo im p lícito d o livro em p ro cu ra r d em o n stra r o s d ife re n te s u so s d a a n tro p o m e tria e o s d ive rso s p ro b le m a s a sso cia d o s co m o s m é to d o s d e a n á lise d as variações n as m ed id as corp orais. Ou seja, talvez p or tratar-se d e u m a “coletân ea” d e artigos, d en tro d a estru tu ra d e com p osição d o livro, os cap ítu los m an -têm -se in d ep en d en tes en tre si, o q u e n ão n os p ossi-b ilita u m a n o çã o d e co n ju n to o u u m a visu a liza çã o seq ü en cial d os con teú d os ab ord ad os. Aliás, tam b ém é p reciso ressaltar qu e, ap esar d o títu lo fazer referên -cia à qu estão d o “in d ivíd u o”, o livro en con trse qu a-se q u e exclu sivam en te voltad o p ara u m a ab ord agem d e “cu n h o p op u lacion al”, p ou co en fatizan d o con teú d os relacion ad os a asp ectos clín icoin d ivid u ais. En tretan to, d ian te d a “crise d e p arad igm as” q u e viven -cia m o s, n o n o sso e n te n d im e n to, isto é a p e n a s u m p ecad o ven ial.
Fran cisco d e Assis Gu ed es d e Vascon celos Dep artam en to d e Nu trição
Un iversid ad e Fed eral d e San ta Catarin a Florian óp olis
ADAPTABILIDADE HUM AN A: UM A IN TRO DU-ÇÃO À AN TROPOLOGIA ECOLÓGICA. Emílio F. M oran. São Paulo: EDUSP, 1994, 445 pp., ils.
ISBN 85-314-0148-8
A Eco lo gia Hu m a n a d e riva -se d a e co lo gia ve ge ta l e an im al com o u m estu d o esp ecializad o d os p rocessos d e d istrib u ição e d in âm ica d as p op u lações h u m an as e d e su a s re la çõ e s in te ra tiva s, te n d o sid o o rigin a l-m en te p rivilegiad a n os esp aços acad êl-m icos d a socio-lo gia , d a geo gra fia , d a a n tro p o socio-lo gia e d a p sico socio-lo gia . Seu m arco in icial, n o p rin cíp io d esse sécu lo, associa-se aos trab alh os d e Park, qu e, a p artir d e en foqu es sociológicos e p sicológicos, p rocu ra d iscu tir o am b ien -te p rod u zid o p ela socied ad e h u m an a, en fatizan d o as relações sociais h u m an as com o fatos ecológicos m ais fu n d am en tais p ara a esp écie d o qu e os asp ectos b io-lógicos em geral.
origem d essa área d e estu d os, u m gran d e n ú m ero d e tra b a lh o s se vo lta p a ra a sp e cto s co m p o rta m e n ta is, p rin cip alm en te n os esp aços socialm en te m ais com -p le xo s, co m o a s gra n d e s cid a d e s. Essa verte n te d a e co lo gia h u m a n a é m a rca d a p e la e d içã o, e n tre o u -tros, d o livro Estu d os d e Ecologia Hu m an a, organ iza-d o p or Don aliza-d Pierson , ob ra im p ortan te m as q u e só foi p u b licad a n o Brasil n a d écad a d e 70.
Desd e o crescim en to d o in teresse p elas q u estões e co ló gica s n a s d u a s ú ltim a s d é ca d a s e a a m p lia çã o d o olh ar d a ecologia h u m an a, esten d eu -se m ais lar-gam en te o estu d o d os p rocessos relacion ad os à in teração d as com u n id ad es h u m an as, con sid eran d o tan -to o a m b ie n te so cia l, co m o o s a m b ie n te s b ió tico e a b ió tico, e tro u xe a n e ce ssid a d e d e n ova s a b o rd a -ge n s. O d e se n vo lvim e n to d e u m a p e rsp e ctiva m a is sistêm ica tem b u scad o in tegrar o com p lexo con ju n to d o s e le m e n to s q u e in te ra ge m n o p ro ce sso d e re la -çõ e s so cie d a d e h u m a n a -a m b ie n te. A co m p re e n sã o d os elem en tos q u e p articip am d o p rocesso ad ap tati-vo vem sen d o b u scad a n ão m ais através d e en foq u es se to ria is, e sp e cífico s, d o d o m ín io d a fisio lo gia , d a p sicologia, d a sociologia, d a b iologia, m as, an tes, d o p o n to d e vista d e u m a a b o rd a ge m tra n sd iscip lin a r e d e com p lexid ad e.
Ap esar d o d esen volvim en to d o cam p o e d o cres-cen te in teresse p ela s su a s q u estõ es, a litera tu ra em ecologia h u m an a, com o se d á em ou tras áreas d e co-n h ecim eco-n to, é escassa co-n o Brasil, até p elas d ificu ld a-d es existen tes em n osso m ercaa-d o ea-d itorial, n ão ob s-tan te a gra n d e m o b iliza çã o d a so cied a d e em d efesa d o m e io a m b ie n te e a b u sca d e p ro ce d im e n to s p o r u m d esen volvim en to su sten tável. Daí d ecorre a ten -tativa d e su p rir essa n ecessid ad e com a ed ição d e textos sem in ais d a área, p arte d a p reocu p ação d e algu -m as ed itoras, p rin cip al-m en te as d e p erfil acad ê-m ico. É n e sse co n te xto q u e se in se re m tra b a lh o s co m o Ad a p ta b ilid a d e Hu m a n a , fin a lm en te p u b lica d o em p ortu gu ês.
Em ílio F. Mo ra n é p ro fesso r d a Un iversid a d e d e In d ian a, EUA, e tem lon ga exp eriên cia d e trab alh o n o Brasil, on d e d ed ica-se p rin cip alm en te aos estu d os d e e co lo gia h u m a n a n a Am a zô n ia . Te m -se d e d ica d o a in vestigar as estratégias d e m an ejo d e am b ien te d e-sen volvid as ao lon go d e áreas rib eirin h as e ao lon go d e gran d es vias com o a tran sam azôn ica, ap rofu n d an -d o o olh ar sob re os im p actos -d ecorren tes -d a ocu p a-çã o h u m a n a , d esm a ta m en to e u so d o so lo e d o s re-cu rsos econ ôm icos region ais, d e tal form a a exp licar em m aiores d etalh es, e d e form a m en os estereotip a-d a , o q u e re a lm e n te o co rre n e ssa n ova fro n te ira a-d e o cu p a çã o h u m a n a , su a s tra n sfo rm a çõ es h istó rica s. Atu a lm e n te, n o s EUA, Mo ra n re sp o n d e p e lo ACT – An th rop ological Cen ter for Train in g an d Research on Glo b a l En viro n m e n ta l Ch a n ge, d a Un ive rsid a d e d e In d ia n a , o n d e d esen vo lve estu d o s so b re a s m u d a n ça s glo b a is d e gra n d e in te re sse p a ra a e co lo gia h u -m an a.
O seu livro, ed itad o origin alm en te em 1979 e ago-ra tago-ra d u zid o p a ago-ra o p o rtu gu ês, co n stitu i a in d a o b ago-ra ú n ica, p ela form a com q u e p rocu ra, ap esar d as d ifi-cu ld ad es in eren tes ao tem a, trab alh ar a com p lexid a-d e a-d o s p ro ce sso s a-d e in te ra çã o h o m e m -a m b ie n te, tan to n a ord em d a n atu reza qu an to n a ord em d a cu ltu ra, ten d o a gran d e van tagem d e ser d id ático e com -p osto em lin gu a gem a cessível, -p rin ci-p a lm en te a d e-q u ad a aos alu n os d e tod os os n íveis. Tal com o h isto-ria o p róp rio au tor em seu p refácio, o volu m e trad u z em p arte a in flu ên cia d os trab alh os realizad os p ou co an tes d e su a ed ição origin al p elo Program a Biológico In tern acion al (In tern ation al Biological Program ), d e-p ois con tin u ad os em u m a e-p erse-p ectiva m ais e-p róxim a d a e co lo gia h u m a n a p e lo p ro gra m a O Ho m e m e a Biosfera (Man an d th e Biosp h ere).
A tra d u çã o é d e Ca rlos Coim b ra Jr. e d e Marcelo So a re s, co m re visã o té cn ica d e Ad a u to Ara ú jo. A fi-n a liza çã o d o livro fo i a co m p a fi-n h a d a p e lo p ró p r io a u t o r q u e, à p a rt e d e su a s q u a lid a d e s co m o a n t ro -p ó lo go d ed ica d o à á rea d e eco lo gia h u m a n a , tem o gran d e m érito d e falar p ortu gu ês, o q u e p erm itiu as-segu ra r à p rep a ra çã o d esta ed içã o u m a co m p a n h a-m e n t o cu id a d o so e p e sso a l d a t ra d u çã o. De fa t o, o livro e st á m u it o b o m , p ra t ica m e n t e se m fa lh a s o u e rro s, se n d o u m t e xt o cla ro, co m p re e n síve l e d e agrad ável leitu ra.
O volu m e está organ izad o em cap ítu los, agru p a-d o em três gran a-d es u n ia-d aa-d es. A p rim eira ab ora-d a h is-toricam en te a Ecologia Hu m an a, as teorias d e in tera-çã o h o m e m -a m b ie n te, a e vo lu tera-çã o d o p e n sa m e n to a n tro p o ló gico so b re e sta q u e stã o e a lgu n s fu n d a-m en to s eco ssistêa-m ico s e fisio ló gico s q u e p er a-m itea-m com p reen d er os m ecan ism os b iológicos tem p orários ou p erm an en tes d e ad ap tação e ad ap tab ilid ad e. A se-gu n d a p arte d iscu te a in teração d e m ecan ism os fisio-ló gico s e só cio -cu ltu ra is q u e p e rm itira m , d e sd e d e tem p os p ré-h istóricos, a ocu p ação b em su ced id a d e d ife re n te s re giõ e s d o p la n e ta . Sã o a p re se n ta d o s a l-gu n s e xe m p lo s clá ssico s d o s gru p o s h u m a n o s q u e ocu p am cin co gran d es am b ien tes: os clim as árticos, as gran d es altitu d es, as terras árid as, os cam p os ab er-tos e os tróp icos ú m id os. Na p arte fin al d o livro, são ap on tad os os n ovos ru m os d o p en sam en to e d a p es-q u isa e m ca d a u m d o s ca m p o s d e e stu d o a n te rio r-m en te d elin ead os, aí se in clu in d o u r-m a p eq u en a d is-cu ssão sob re ecologia u rb an a.
O livro é am p lam en te ilu strad o com m ap as e d ia-gram as, além d e fotos d o p róp rio au tor. In felizm en te, en treta n to, a o co n trá rio d o q u e o co rre co m o texto, as rep rod u ções d as fotografias n a trad u ção b rasilei-ra, n ão fez ju z ao q u e se en con tra n a ed ição origin al, ú n ico p on to fraco d esta ed ição.
Sh eila M. F. Men d on ça d e Sou za Dep artam en to d e En d em ias Sam u el Pessoa Escola Nacion al d e Saú d e Pú b lica, Fiocru z Rio d e Jan eiro
CEN AS JUVEN IS: PUN KS E DARKS N O ESPETÁ-CULO URBANO. H. W., Abramo. São Paulo: Scrit-ta. Editora Página Aberta, 1994. 172 pp.
ISBN 85-85328-87-8
O e stu d o d e Ab ra m o (1994) te ve co m o o b je tivo a com p reen são d a exp ressão d e gru p os ju ven is, com o o s p u n k s e d a rk s, n o cen á rio u rb a n o d e m etró p o les b rasileiras n os an os 80. In satisfeita com as recorren tes associações d e tais gru p os com as n oções d e alie -n a çã o e fa lta d e visã o crítica d a situ a çã o so cia l e p o lítica , a a u to ra b u sco u co n textu a liza r a su a o ri-ge m e sign ifica d o. Assim , m e d ia n te co n sid e ra çõ e s a cerca d a s co n d içõ es so cia is e h istó rica s referen tes à em ergên cia d a ca tego ria ju ven tu d e, fo i sen d o d e -m o n stra d a a sin gu la rid a d e d a s -m a n ifesta çõ es ju ve-n is e a su a correla çã o com m om eve-n tos h istóricos es-p ecíficos.
Por esta via d e an álise, foi qu estion ad a a ab ord a-ge m so cio ló gica d e e stu d o s b ra sile iro s re fe re n te s à ju ven tu d e, cen trad a b asicam en te n a p articip ação d os estu d an tes n a tran sform ação d a ord em social e p olí-tica vigen te.
O su rgim en to d o sen tim en to d e in fâ n cia e a d o -lescên cia n as socied ad es in d u striais m od ern as – se-gu n d o o clássico estu d o d e Ariés (1981) –, a b u sca d e a u to n o m ia d o s jove n s q u e fu n d a ra m o Movim e n to Ju ven il Alem ão n o fin al d o séc. XIX, a crise d e valores gerad a d u ran te o en tregu erras, o m ovim en to d e arte va n gu a rd ista , en tre o u tro s, fo ra m a p resen ta d o s p o r Ab ra m o co m o in d ica d o re s d o a p a re cim e n to e d a con solid ação, d atad a h istoricam en te, d a visão d o jo-vem co m o u m su jeito so cia l d iferen cia d o d evid o à s esp ecificid ad es etárias e geracion ais, em con trap osi-ção à geraosi-ção ad u lta.
A p artir d os an os 50, n ota-se a caracterização d a n oção d e cu ltu ra ju ven il d e form a m ais gen eralizad a. As tran sform ações ocorrid as ap ós a Segu n d a Gu erra – d ecorren tes d o d esen volvim en to in d u strial e d o au -m en to d a op ortu n id ad e d e e-m p rego p ara os joven s – tiveram com o con seq ü ên cia o crescim en to d os b en s d e co n su m o. Ta is fa to s se re fle tira m n o co m p o rta -m e n to re b e ld e d a ju ve n tu d e -m a rca d o p e la p ro cu ra d e lib erd ad e e d e au ton om ia. De acord o com a visão d a a u to ra o rock n’ roll fo i u m d o s gra n d es sím b o lo s d essa “n ova cu ltu ra ju ven il”. Esta p ersp ectiva foi ilu s-trad a com as an álises d e Morin (1986): “O d esen volvi-m en to d essa cu ltu ra está ligad o a u volvi-m a con q u ista d a a u to n o m ia d o a d o le sce n te n o se io d a fa m ília e d a socied ad e” (1986:140).
Den tro d esta ab ord agem h istórica, foi ob servad o qu e, en qu an to n os an os 60 os p rotestos d a ju ven tu d e con tra os p ad rões m orais, cu ltu rais e p olíticos vigen -tes gan h aram m aior vu lto, n os an os 70 e 80 foi regis-trad a u m a d im in u ição d o vigor d a reb eld ia ju ven il e
a p a recera m gru p os d e joven s id en tifica d os com u m “e stilo m u sica l e m o d o s e sp e ta cu la re s d e a p a re ci-m en to”.
A o rige m d o m ovim e n to p u n k n a In gla te rra e m 1976/ 77 foi ap on tad a com o u m m arco d este fen ôm e-n o, see-n d o coe-n sid erad o u m a e-n ova su b cu ltu ra ju vee-n il. Con form e a d escrição d e Bivar (1982), San tos (1985), Mu ggiatti (1985) e ou tros, os joven s p u n k sap resen ta-vam algu n s traços com u n s com o b aixo p od er aq u isitivo e d ificu ld a d e d e in serçã o n o m erca d o d e tra b a -lh o. Tal realid ad e, associad a a “sen sação d e estagn a-çã o e exílio so cia l” m o tiva ra m rea çõ es d e p ro testo s e xp re sso s p o r p rovo ca çõ e s e p e la d e so rd e n a çã o d a ord em estab elecid a.
Co m b a se n e sta s a n á lise s, a a u to ra b u sco u d em on strar o eq u ívoco d a visão u n iversalizan te d a ju -ven tu d e com o agen te d e tran sform ação social e, d esta form a, reforçar a n ecessid ad e d e se con textu aliza -rem as exp ressões ju ven is social e h istoricam en te.
É in teressa n te ilu stra r esta p ersp ectiva n o in te-rio r d a re a lid a d e b ra sile ira . Fo i o b se rva d o q u e, e m con seq ü ên cia d o m od elo econ ôm ico d o p aís, ad ota-d o ota-d u ra n te o re gim e m ilita r – 1968 a 1973 –, h o u ve u m crescim en to sign ificativo d e joven s qu e in gressaram n o m ercad o d e trab alh o, o q u e p erm itiu u m au -m en to d a a u to n o -m ia e u -m a a -m p lia çã o d o -m erca d o con su m id or.
O cre scim e n to d a s á re a s d e la ze r e o a ce sso a o sistem a b rasileiro d e créd ito foram , e ain d a são, in d i-cad ores d o p oten cial d e con su m o d os joven s em relação a b en s cu ltu rais, p rod u tos e serviços. Con stitu in -d o-se em u m local -d e exp ressão -d as “asp irações e -d e-sejos”, estes esp aços torn aram -se im p ortan tes p ara o d esen volvim en to d a sociab ilid ad e d os joven s, sen d o caracterizad os com o “u m a d as d im en sões m ais sign i-ficativas d a vivên cia ju ven il”. Neste cen ário, a m ú sica e a d an ça d estacaram -se com o ativid ad es d e lazer. A valorização e os in vestim en tos n o m od o d e vestir, p or su a vez, refletira m o sign ifica d o d a rou p a com o sta-tu s e id en tid ad e social. Afin al, a p ad ron ização d o ves-tu á rio ca m u fla a d iferen ça d e p o d er a q u isitivo, to r-n ar-n d o-se u m ob jeto p rivilegiad o d e cor-n su m o.
Na década de 80, p or su a vez, foi iden tificada u m a in flu ên cia d as ativid ad es d e d iversão d as classes p o-p u lares n as vivên cias d os estu d an tes u n iversitários – trad icion alm en te en volvid os em lu tas p olíticas. Nas p alavras d a au tora: “Mu itos d estes estu d an tes se sen -tem im p actad os e atraíd os p elas m ovim en tações qu e já ocorriam en tre os setores joven s d as classes p op u -lares, qu e estavam u san d o o tem p o e os elem en tos d e d iversão p ara ab rir esp aços sign ificativos d e vivên cia e p ara elab orar e exp ressar as in q u ietações relativas à su a co n d içã o, b em co m o a s su a s p ersp ectiva s n a -qu ela con ju n tu ra social” (1994: 79)
ti-m en to d e in satisfação coti-m as con d ições d e eti-m p rego, a falta de op ortu n idade e a in ju stiça social. Neste con -texto, a id en tid a d e a firm a -se a tra vés d o im p a cto d e u m estilo estran h o, esqu isito, exp resso n o vestu ário e n a m ú sica. Segu n do o dep oim en to de u m ex p u n k: “Se v ocê é u m office b oy v ocê t á fod id o. Aí se você v ira p u n k , você é algu ém , tod o m u n d o vai te id en tificar”.
Con sta tou -se, a ssim , q u e esses gru p os ju ven is e su a s d eriva çõ es têm u m a fo rm a p ecu lia r d e p ro testa r. Ap e sa r d e n ã o a p re se n testa re m p ro p o stesta s d e m u -d a n ça -d a situ a çã o, -d e n u n cia m a m e sm a . Ou tro a s-p e cto id e n tifica d o re fe re -se a o fa to d e e sse s jove n s p ro te sta re m b a sica m e n te n o â m b ito d o la ze r e d o co n su m o, se m p ro cu ra re m a lte rn a tiva s a o siste m a p rod u tivo e in stitu cion al vigen te. Dian te d estas evi-d ên cias, Ab ram o con clu i qu e as m an isfestações ju ve-n is, com o os m ovim eve-n tos d osp u n k s e d ark s, “p rod u -zem u m a in terven ção crítica n o esp aço u rb an o”. Para a au tora, a n ova con figu ração d o u n iverso ju ven il d e-fin e-se co m o “a crise d o esp a ço u n iversitá rio co m o sign ificativo p ara a elab oração d as referên cias cu ltu -rais, o en fraq u ecim en to d a n oção d e cu ltu ra altern a-tiva co m o m o d o d e co n tra p o siçã o a o siste m a e a em ergên cia d e u m a in ten sa vivên cia , p o r p a r te d o s joven s d as cam ad as p op u lares, n o cam p o d o lazer li-gad o à in d ú stria cu ltu ral” (1994:82).
In d iscu tivelm en te, o livro “Cen a s Ju ven is” é u m con trib u ição sign ificativa p ara q u e as m an ifestações d a ju ven tu d e sejam p en sad as e avaliad as, p rin cip al-m en te n o cen á rio u rb a n o, p o is p eral-m ite u al-m a visã o m ais abran gen te destes fen ôm en os. Ao en fatizar a im -p ortân cia d a caracterização d o con texto sócio-h istó-rico n a a n á lise d e fa to s so cia is em ergen tes, co m o a categoria de ju ven tu de, e fu n dam en tar tal p ersp ectiva com fatos e evid ên cias, este trab alh o torn ou -se u m a referên cia im p ortan te p ara estu dos n este cam p o.
Sim on e Mon teiro
Lab oratório d e Ed u cação Am b ien tal e em Saú d e Dep artam en to d e Biologia
In stitu to Oswald o Cru z, Fiocru z Rio d e Jan eiro
AS CIÊNCIAS NO BRASIL. Fernando de Azevedo (organizador). Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1994. 2aed., 2 vols., ilus.
ISBN 85-7108-067-4
Novam en te está d e p arab én s a ed itora UFRJ p ela ed i-ção d esse segu n d o volu m e d e “As Ciên cias n o Brasil”, organ izad a p or Fern an d o d e Azeved o. É u m a ed ição fe ita co m m u ito e sm e ro e a o b ra é in d isp e n sá ve l a qu em se in teressa p ela evolu ção d os d iversos cam p os d a ciên cia n o p aís.
Biologia– O cap ítu lo sob re a Biologia n o Brasil é p rim oroso. A cu ltu ra d e Th ales Martin s é irim p ression an te, p ois ele é cap az d e op in ar sob re os d iversos ca m -p os d a Biologia.
Algu m as in stitu ições m erecem d estaqu e. O In sti-tu to Oswa ld o Cru z, o n d e se in icio u , é tra ta d o co m m u ito carin h o. O au tor lem b ra qu e os gran d es trab a-lh os qu e d eram ao In stitu to a m ed aa-lh a d e ou ro n a Ex-p osição d e Berlim , em 1907, foram feitos n as casas d a Fazen d a d e Man gu in h os, an tes d a con stru ção d o p ré-d io m ou risco.
Com resp eito à s n ossa s p seu d o-u n iversid a d es é m u ito crítico. Elas são ap en as u m a reu n ião d e
escola s p ro fissio n a is à s q u a is, p a ra p io ra r, a crescen to u se m ais u m escalão b u rocrático, p or sin al b em com -p licad o. O m esm o -p od e ser d ito em relação à Fu n d açã o Oswa ld o Cru z, q u e reu n iu , em torn o d o In stitu -t o, u m co n ju n -t o d e e n -t id a d e s o m a is h e -t e ro gê n e o p ossível.
Con sidera o In stituto Biológico de São Paulo com o m ais um “ep ifen ôm en o útil das calam idades p úblicas”, u m a vez qu e n asceu d o p rob lem a d a b roca d o café.
Os m u se u s e o s ja rd in s b o tâ n ico s sã o tra ta d o s co m o m a io r re sp e ito. Ne le s é q u e n a sce u a ciê n cia b iológica n o Brasil.
A leitu ra d esse cap ítu lo d eixa u m a im p ressão u m p ou co triste: a d e qu e, tiran d o o trab alh o d a EMBRA-PA, p ou co tem evolu íd o a Biologia n a Brasil. Qu ím ica – Pa ra a p resen ta r a Qu ím ica , fo i esco lh id o Hein rich Rh ein b old t, q u e revolu cion ou essa ciên cia n o Brasil.
A via sacra d a Qu ím ica até a criação d as facu ld a-d es a-d e Filosofia, Ciên cias e Letras está até p itoresca. Em Po rtu ga l a h istó ria n ã o é d ife re n te. O cu rio so é q u e o in trod u tor d o en sin o d a Qu ím ica n a Un iversi-d aiversi-d e iversi-d e Coim b ra foi u m reitor b rasileiro.
Dep ois d e id as e vin d as d a Acad em ia d a Marin h a, d a Escola Militar e d a Politécn ica, a Qu ím ica vai n as-cer d efin itivam en te n o Mu seu Nacion al, on d e fru tifi-cou p or m ais d e cem an os.
Para os cu rsos d e Med icin a e Farm ácia, era m u ito reco m en d a d o o en sin o d a Qu ím ica , m a s co m o b em destaca L. Agassiz, até 1880, era feito apen as com livros.
A carta d e alforria d o en sin o d a Qu ím ica foi d ad a p elo Viscon d e d o Rio Bran co, com a criação d a Escola Politécn ica.
O au tor m en cion a com o ótim as in stitu ições cien -tífica s a Esco la d e Min a s d e Ou ro Pre to, o In stitu to Agro n ô m ico d e Ca m p in a s e o In stitu to d e Qu ím ica Agrícola.
É im p ression an te com o u m estran geiro con segu e d e scre ve r tã o b e m a vid a a trib u la d a d o e n sin o d a Qu ím ica n o p aís.
Zoologia – Para a Zoologia, foi escolh id o Clivério Pin -to, q u e, a lé m d e gra n d e zo ó lo go, é u m p e n sa d o r. A p arte in trod u tória q u e vai d a carta d e Cam in h a até o p e río d o d a s gra n d e s e xp e d içõ e s d e n a tu ra lista s e s-tran geiros, tem com en tários in teressan tíssim os.
O tra b a lh o d os n a tu ra lista s via ja n tes está m u ito b em ap resen tad o, com d estaq u es p ara Wallace e Ba-tes, q u e, a lém d o tra b a lh o zo o ló gico, d era m im p o r-tan tes con trib u ições à Biologia.
Sob re Fritz Mü ller, ressalta, além d a extraord in á-ria som a d e ob servações origin ais, a “orien tação filo-sófica qu e in variavelm en te lh es sou b e im p rim ir”.
Do Mu seu Nacion al saíram Em ílio Goeld i e Herm a n n vo n Ih erin g. O p riHerm eiro, o rga n iza d o r d o Mu -seu Paraen se, qu e h oje leva o -seu n om e, e o segu n d o, fu n d ad or d o Mu seu Pau lista, d e b rilh an te carreira.
So b re o s p ro tozo á rio s, d e sta ca o s tra b a lh o s d a Escola d e Man gu in h os e d e au tores p au listas.
Nos celen terad os, lem b ra os trab alh os d a Facu ld a ld e ld e Filo so fia e ld o In stitu to Ocea n o grá fico, a m -b os d e São Pau lo.
No s p la te lm in to s, m e n cio n a a fa m ília Ma rcu s e Diva D. Corrêa.
O estu d o d os n em atelm in tos tam b ém foi in icia -d o p e la e sco la b a ia n a , se gu i-d a -d e Go m e s -d e Fa ria , Travassos e seu s d iscíp u los.
Os an elíd eos m ereceram a aten ção d e E. Marcu s, e os h iru d ín eos, d e Cezar Pin to.
En tre os artrópodos, os m alacópodos foram estuda-dos por A. Leitão de Carvalho e pela escola de E. Marcus. Os cru stá ce o s m e re ce ra m sin gu la r ca rin h o d e Fritz Mü ller, segu id o p or Carlos Moreira e d ep ois p or Lejeu n e d e Oliveira.
O estu d o d os aracn íd eos foi in iciad o p or E. Goel-d i, q u e fo i se gu iGoel-d o p o r Me lo Le itã o, To le Goel-d o Pisa , W. Bü ch erl e Araú jo Feio.
Os acarin os m ereceram a aten ção d e Beau rep aire Aragão e Flavio d a Fon seca.
Os in setos, d evid o à gra n d e im p ortâ n cia econ ô-m ica, têô-m sid o estu d ad os p or ô-m u itos b rasileiros, d e-ven d o-se d estacar o extraord in ário tratad o d e Costa Lim a “In setos d o Brasil” e os seu s catálogos d os in se-tos qu e vivem n as p lan tas b rasileiras.
Para o estu d o d os d íp teros, p u xaram a carru agem a m alária e a feb re am arela.
Os in setos ch am ad os vu lgarm en te d e m oscas re-ceb eram a aten ção d e Lu tz, Neiva e, p rin cip alm en te, d e Hu go Sou za Lop es.
As p u lgas tiveram u m catálogo m u n d ial d e Costa Lim a e Hath way.
Nos h em íp teros, d estacaram -se Neiva e Len t. Os h om óp teros m ereceram a aten ção d e d iversos agrôn om os en tom ologistas.
Nos lep id óp teros, d estacam -se Lau ro Travassos e Ferreira d e Alm eid a.
Com resp eito aos coleóp teros ou b esou ros, cab e d estacar Costa Lim a e Gregório Bon d ar.
En tre os h im en óp teros, ab elh as e vesp as, d esta -cam -se os estudos de A. Ducke e do Padre Jesus Moura. Em re la çã o à s fo rm iga s, le m b re m -se J. Hu b e r, Costa Lim a e Mário Au tu óri.
Os m olu scos receb eram a aten ção d e Lu tz e Via-n a MartiVia-n s.
Os co rd a d o s fo ra m in a u gu ra d o s ta m b é m p o r Fritz Mü ller.
Os p e ixe s m e re ce ra m u m a m o n o gra fia d e L. Aga ssiz, m a s o m a io r d esta q u e ca b e a Alíp io d e Mi-ran d a Rib eiro.
Nos an fíb ios, d estacam -se Miran d a Rib eiro, Lu tz e Bokerm an n .
Os ofíd ios, in au gu rad os p or Wu ch erer, receb eram gra n d e d e sta q u e d e Afra n io d o Am a ra l e h o je e stã o n as m ãos d e P. E. Van solin i.
“Aves d o Brasil”, d e E. Goeld i, é u m m arco n o estu d o d o gru p o. Ain d a n a Am azôn ia, E. Sn eth lage p u -b lica o “Ca tá lo go d a s Aves Am a zô n ica s”. Segu e-se o “Catálogo d as Aves d o Brasil” d e H. Von Ih erin g. Nos tem p os recen tes d evem -se d estacar as con trib u ições d e H. Sick e Olivério Pin to.
Qu an to ao estu d os d os m am íferos, d estacam -se Miran d a Rib eiro, João Moogen , C. Vieira, Lu n d e Pau -la Cou to.
Bot ân ica – Cou b e a Mário Gu im arães Ferri ap resen -ta r a Bo tâ n ica . Co m o b em d es-ta ca o a u to r, o estu d o d a Botâ n ica com eçou com os ín d ios, q u e n ecessita -va m con h ecer a s p la n ta s e su a s u tilid a d es. Diversos cro n ista s se re fe re m à s p la n ta s cu ltiva d a s p e lo s ín -d ios e Th evet -d eclara qu e o h áb ito -d e fu m ar é sau -d á-vel. É, en tretan to, Gab riel Soares d e Sou za o p rim eiro a d escrever a n ossa vegetação.
A Botân ica, q u e p od eríam os ch am ar d e cien tífi-ca, foi in iciad a p or Marcgrave e a p arte m ed icin al se d eve a seu com p an h eiro Piso.
A Bo tâ n ica cie n tífica b ra sile ira fo i, se m d ú vid a n en h u m a, in iciad a p or Alexan d re Rod rigu es Ferreira. Segu e-se u m gru p o d e p ad res, Frei Veloso, Arru d a Câ-m a ra (ex-p a d re), Frei Lea n d ro d o Sa cra Câ-m en to e Frei Cu stó d io Se rrã o. A e sse s ca b e a cre sce n ta r Fre i Ale-m ão.
A e ra d o s n a tu ra lista s via ja n te s fo i in icia d a p o r Lan gsd orff, qu e trou xe Sellow, o m aior forn eced or d e m aterial p ara a Flora d e Matiu s. Aqu i, h á d e se d esta-ca r o Prín cip e Wie d -Ne u wie d , a u to r d e “Via ge m a o Bra sil n os An os d e 1815 a 1817”. Em m a téria d e d es-criçã o d e via ge n s, n in gu é m su p e ro u Sa in t-Hila ire, qu e tem oito ob ras trad u zid as p ara o Portu gu ês.
Tra zid o p o r Do n a Le o p o ld in a , fu tu ra e sp o sa d e Dom Ped ro I, veio Carl von Martiu s e m ais u m a p lêiad e lêiad e sáb ios. Martiu s era u m verlêiad alêiad eiro sáb io, fez ob -servações as m ais d iversas e coord en ou a gigan tesca ob ra “Flora Brasilien sis”, q u e con tém a d escriçã o d e d ez m il esp écies.
Chegam os a Lun d e Warm in g, que fizeram de lagoa san ta u m “recan to clássico d a História d as Ciên cias”.
Glaziou p rep arou u m m agn ífico h erb ário, in tro-d u ziu a s p la n ta s n a cion a is n a a rb oriza çã o e orga n i-zou os b elíssim os p arqu es d o Cam p o d e San tan a e d a Qu in ta d a Boa Vista.
Ba rb o sa Ro d rigu es é u m p rim u s in t er p a res, co -m o Dire to r d o Ja rd i-m Bo tâ n ico e p o r su a o b ra , d a qu al se d estaca o “Sertu m Palm aru m Brasilien siu m”.
En tre os n a tu ra lista s via ja n tes d o Mu seu Na cio -n al, d evem ser d estacad os Fritz Mü ller, Ule e Herm a-n von Ih erin g.
Hu b e r ve io p a ra o Mu se u Go e ld i, o n d e fo rm o u u m gran d e d iscíp u lo, A. Du cke.
Voltan do os olhos para a Ecologia, tem os o extraor-d in ário trab alh o extraor-d o au stríaco Wettstein . Tam b ém n a Ecologia h á d e se d estacar o trab alh o d e Lid m an , tra-duzido por Löfgren , “Vegetação do Rio Gran de do Sul”.
Ou tro astro foi Alberto Löfgren , qu e ocu p ou diver-so s ca rgo s, fez gra n d es tra d u çõ es e term in o u a vid a com o ch efe da Seção de Botân ica do Jardim Botân ico. Na va rro d e An d ra d e d e ve se r le m b ra d o, p rin ci-p a lm en te, ci-p ela in trod u çã o d o eu ca lici-p to n o ci-p a ís. Es-sas m atas q u e p rod u zem m ad eira p ara d iversos fin s vêm p rotegen d o as n ossas m atas n ativas.
A. J. Sam p aio d estaca-se p elo livro “Ph ytogeogra-fia d o Brasil”. Já Lib erato Barroso teve u m a cu rta car-re ira , m a s fo rm o u a gra n d e Bo tâ n ica Dra . Gra zie la Maciel Barroso. F. C. Hoeh n e d esen volveu gran d e ati-vid ad e, sob retu d o com o d ivu lgad or.
No In stitu to Agro n ô m ico d o No rte, tra b a lh o u u m a p lêiad e d e b otân icos. En tre su as con trib u ições, d e ve -se d e sta ca r “Ph yto ge o gra p h ica l No te s o n th e Brazilian Am azon”, d e Du cke e Black.
Um a ob ra m on u m en tal d e Pio Correia, “Dicion á-rio d as Plan tas Úteis d o Brasil e d as Exóticas Cu ltiva-d as”, felizm en te foi term in altiva-d a p or Leon am ltiva-d e Azere-d o Pen n a.
Psicologia – Co u b e a Ma n u el Bergström Lou reço Fi-lh o ap resen tar a Psicologia.
A Psicofisiologia é in iciad a p or Migu el Osório. Gu sta vo Rie d e l, co m a Liga d e Higie n e, m e n ta l d e u gra n d e im p u lso à Psico lo gia cie n tífica . Em Sã o Pau lo, Fran co d a Roch a d esen volve a Psiq u iatria Fo-ren se e en sin a Psica n á lise. Ta m b ém n o In stitu to d e Higien e cu ltivou -se a Psicologia Ap licad a.
Em Recife, Ulisses Pern am b u co cria o In stitu to d e Psicologia, e a Med eiros e Alb u qu erqu e d eve-se a in s-talação d o p rim eiro lab oratório d e Psicologia.
Em Belo Horizon te, Helen a An tip off cria u m a es-cola d e Psicologia Ped agógica.
O In st it u t o Na cio n a l d e Est u d o s Pe d a gó gico s (INEP) ta m b é m d e u gra n d e im p u lso à Psico lo gia Ap licad a.
A co n trib u içã o d o s e n ge n h e iro s fo i in icia d a n a Escola Politécn ica d e São Pau lo e d eu origem ao In s-titu to d e Organ ização Racion al d o Trab alh o.
A Psico lo gia in gre sso u n o e n sin o su p e rio r n a Un iversid ad e d e São Pau lo. Por su a vez , o en sin o d a Psicologia Méd ica foi in iciad o n a Facu ld ad e d e Rib ei-rão Preto.
Econ om ia – Pau l Hu gon in icia o cap ítu lo sob re a Eco-n o m ia Po lítica Eco-n o Bra sil, co m p a ra Eco-n d o a s id é ia s d e Ad am Sm ith com as d o Viscon d e d e Cairu .
O en sin o com eçou n as facu ld ad es d e Direito e só n o in ício d este sécu lo tom a u m a exp ressão cien tífica n a Facu ld ad e d e Direito d e São Pau lo.
Na En gen h aria, o en sin o d a Econ om ia é in iciad o pelo Barão do Rio Bran co, n a an tiga Escola Politécn ica. Com a criação d a Facu ld ad e d e Filosofia d a Un i-versid ad e d e São Pau lo, a Econ om ia p assa tam b ém a fazer p arte d os cu rsos d e Ciên cias Sociais. Nessa Facu ld ad e é q u e se d esen volveram as p rim eiras p rod u -ções cien tíficas sob re Econ om ia n o Brasil.
Co m a cria çã o, e m 1945, d a Fa cu ld a d e d e Ciê n cias Econ ôm icas, a Econ om ia torn ase o estu d o cen -tral e as ou tras d iscip lin as ju ríd icas, sociais, etc. p as-sam a ser en sin ad as a títu lo com p lem en tar.
A co o rd en a çã o d e to d o s o s ser viço s esta tístico s p elo IBGE ab riu n ovos cam p os p ara a p esq u isa eco -n ôm ica.
Na Fu n d ação Getú lio Vargas, está o In stitu to Brasileiro d e Econ om ia, q u e p u b lica as revistas Con ju n -tu ra Econ ôm ica e Revista Brasileira d e Econ om ia.
Diversa s a ssocia ções d o com ércio, d a in d ú stria , d a p rod u ção ru ral têm criad o in stitu tos d e Econ om ia. An t rop ologia – A ap resen tação d a An trop ologia e d a Sociologia cou b e a o orga n iza d or d a ob ra , Fern a n d o d e Azeved o.
Na fase p récien tífica, con sid era Pero Vaz d e Ca -m in h a o p ri-m eiro etn ógrafo.
O p e río d o d a in ve stiga çã o cie n tífica é in icia d o p ela “Viagem Filosófica”, d e Alexan d re Rod rigu es Fer-reira, e a Martiu s cab e o m érito d a sistem atização d a Etn o lo gia b ra sileira . Nessa ép o ca , d o is a rtista s, De-b ret e Ru gen d a s, registrara m tip os, u sos e costu m es d os ín d ios.
Os estu d os lin gü ísticos foram in iciad os p or Koch -Grün berg e Karl von den Stein . En tre os brasileiros, de-vem ser citad os Gon çalves Dias, Barb osa Rod rigu es, Ferreira Pen a, Cou to d e Magalh ães e Roqu ete Pin to.
Foi n o Mu seu Nacion al, p or in iciativa d e Lad islau Neto e Batista Lacerd a, qu e se in iciou a An trop ologia b ra sile ira . Ao m e sm o te m p o, n a Ba h ia , Nin a Ro d ri-gu es com eça o estu d o d o elem en to afroam erican o.
Em São Pau lo, Alfon so Bovero in icia u m cen tro d e in vestigações an trop ológicas.
Neste sécu lo, sob ressa i Cu rt Nim u en d a ju . En tre b rasileiros, d evem -se citar Herb ert Bald u s, Egon Sh a-d en , Heloísa Torres e Plín io Airosa.
O estu d o d o n egro p rossegu e com Gilb erto Freire e Arth u r Ram os, en tre ou tros.
Fo i p ela s esco la s n o rm a is e p ela s fa cu ld a d es d e Filosofia q u e a Sociologia en trou n o en sin o d o p a ís. Precu rsores d a Sociologia são Tavares Bastos, Alb erto Torres e Eu clid es d a Cu n h a. Em ép oca recen te, d esta-ca m -se Po n te s d e Mira n d a , De lga d o d e Ca r va lh o e Fern a n d o d e Aze ve d o, a o s q u a is se gu e m -se Ego n Sch ad en , Florestan Fern an d es e An ton io Cân d id o.
Mário B. Aragão
Dep artam en to d e Ciên cias Biológicas Escola Nacion al d e Saú d e Pú b lica, Fiocru z Rio d e Jan eiro
AID S – PESQ UISA SO CIAL E ED UCAÇÃO . D . Cze re snia, E. M . Sant os, R. H . S. Barb osa & S. M onteiro, orgs. São Paulo: Hucitec/ Rio de Janeiro: Abrasco, 1995, 206 pp.
ISBN 85-271-0295-1
AIDS – ÉTICA, M EDICIN A E BIO TECN O LO GIA. D. Czeresnia, E. M . Sant os, R. H. S. Barbosa & S. M onteiro, orgs. São Paulo: Hucitec/ Rio de Janeiro: Abrasco, 1995, 158 pp.
ISBN 85-271-0294-3
O livro, co -e d ita d o p e la Hu cite c e p e la Asso cia çã o Bra sile ira d e Pó s-Gra d u a çã o e m Sa ú d e Co le tiva – ABRASCO –, é u m a coletân ea d e artigos d e p esqu isa-d o re s e / o u p e sso a s e n vo lviisa-d a s co m p ro gra m a s isa-d e p re ve n çã o à AIDS, o rga n iza d a p o r Din a Czere sn ia , Elizab eth Moreira d os San tos, Regin a Helen a Sim ões Barb osa e Sim on e Mon teiro. Fru to d o I Cu rso em Me-tod ologias d e In vestigação e In terven ção Relacion ad os à p reven ção d a Ep id em ia d e HIV-AIDS, fin an ciad o p e-lo Program a Nacion al d e DST/ AIDS d o Min istério d a Saú d e e coord en ad o p or p esqu isad ores d a ENSP/ Fio-cru z, IOC/ FioFio-cru z, NESC/ UFRJ e IMS/ UERJ.
A p u b lica çã o, a lém d e d ivu lga r con teú d os a b or-d aor-d os n o referior-d o cu rso, é op ortu n a p ela in evitab ili-d a ili-d e ili-d e a n á lise so b re a AIDS n a s p esq u isa s so cia is, seja com o tem a cen tral, seja com o u m a variável q u e já n ão p od e ser d escon sid erad a. O con ju n to d e arti-gos con tid os n este volu m e registra u m con h ecim en to acu m u lad o p or p esqu isad ores qu e se d ed icam ao es-tu d o socia l d a ep id em ia h á a lgu n s a n os. O p rocesso d e d iscu ssão en tre os au tores evid en cia d e form a ím -p ar a relação en tre a racion alid ad e cien tífica e as -p o-siçõ es p o lítica s fren te a u m a situ a çã o d ifícil, p a ra a q u al n ão faltam n orm atizações, d iscip lin as e m orali-zações, m as p ou cas saíd as efetivas.
n ecessário d esm ascará-las, criticá-las, atacá-las, d es-gastá-las. “AIDS – p esq u isa social e ed u cação” afasta a s m etá fo ra s, reco n stru in d o a h istó ria d a ep id em ia n o Brasil, sim u ltan eam en te an u lan d o a id éia d e “gru -p os d e risco” e -p ossib ilitan d o o con h ecim en to d os d i-feren tes gru p os sociais.
A m u ltip licid ad e d a q u estão ap arece claram en te n as ab ord agen s sob re a sexu alid ad e e a h om ossexu a-lid ad e (Parker et al.; Mota), sob re a cu rva ascen d en te d a in cid ên cia d a ep id em ia en tre as m u lh eres (Barb o-sa; Brasil), sob re a d ifícil e p olêm ica an álise a resp eito d a p reven ção ao HIV e à AIDS en tre Usu ários d e Dro-gas In jetáveis – UDIs (Mesq u ita; Bu ch er; Bastos), so-b re a ed u cação – tan to n a aso-b ord agem qu e visa a u m a in terven ção ju n to aos ad olescen tes escolares (Mon -teiro), qu an to p elo p ap el qu e d esem p en h a n as p olíti-ca s d a p re ve n çã o d a AIDS, ge ra n d o u m a a va lia çã o h istórica d os cam in h os p ercorrid os (Sch all e Stru ch i-n er) – e, d e form a m ais d ireta, sob re a d iscu ssão refe-ren te ao m on itoram en to e à avaliação d e p rogram as (Aggleton ). Sob ou tro asp ecto, h á d ois recortes teóri-cos qu e se en trecru zam , o da sexu alidade e o de gên e-ro (m ais exp lícitos n os estu d os d e Mota e Barb osa).
O e stu d o d e Rich a rd G. Pa rke r, Gilb e rt Herd t e Man u el Carb allo ap on ta p ara a n ecessid ad e d e d ad os sob re o com p ortam en to sexu al e registra a au sên cia d e u m a trad ição teórica e m etod ológica em p esqu isa sob re o sexo. Os au tores p rop õem , com o in stru m en to d e an álise, o con ceito d e cu ltu ra sexu al e qu e se aten te p a ra a rela çã o en tre a sexu a lid a d e e o u tro s siste -m as sócio-cu ltu rais. Destaca-m os recu rsos d as -m eto-d ologias qu alitativas e a relevân cia eto-d os fatores sócio-cu ltu ra is n a d e fin içã o d o co m p o rta m e n to se xu a l. Ch am an d o a aten ção p ara a d iversid ad e cu ltu ral, en ten d em qu e a n oção d e “p arceiros sexu ais” é u m con -ceito m u tável. Ap on tam recu rsos m etod ológicos q u e p od em ser u tilizad os n os estu d os sob re a cu ltu ra se-xu a l. Im p re scin d íve l le itu ra p a ra a q u e le s q u e e stã o trab alh an d o sob re sexu alid ad e e tran sm issão d o HIV. Mu rilo Pe ixo to d a Mo ta situ a su a d iscu ssã o n o d iá lo go e n tre a s ciê n cia s b io m é d ica s e h u m a n a s. Qu an to ao asp ecto m etod ológico, b u sca alian ças en tre as ab ord agen s qu alitativa e qu an titativa. Um p on -to d e d e sta q u e n e ste e stu d o é a m a le a b ilid a d e q u e atrib u i à id en tid ad e. O artigo su scita u m a d iscu ssão teórica m ais am p la, m esm o q u e n ão esteja exp lícita, sob re os estu d os referen tes à AIDS (u m a tem ática ou u m cam p o p róp rio d a an álise teórica?). No in ício d o artigo h á u m a afirm ação p olêm ica d o au tor d e qu e “a AIDS trou xe p ara a d iscu ssão cien tífica os tem as “gê-n e ro” e “se xu a lid a d e”. As a “gê-n á lise s so b re a s re la çõ e s so cia is d e gê n e ro d e co rre m d e u m a tra d içã o d o s estu d os fem in istas, q u e an teced e a p rob lem ática d a AIDS. Sob re a sexu alid ad e, tam b ém é p ossível traçar u m p ro ce sso cre sce n te n a d iscu ssã o in d e p e n d e n te d a AIDS. En tretan to, in egavelm en te, o su rgim en to d a ep id em ia gerou u m a p roliferação d e d iscu rsos sob re a sexu alid ad e e sob re o gên ero. Por isto m esm o, o ar-tigo d e Mota su scita a d iscu ssão q u an d o se refere às “a n á lise s n o ca m p o d a s re p re se n ta çõ e s d a AIDS” e p ara este cam p o d efen d e u m a ab ord agem m ais q u a-litativa.
Regin a Helen a Sim ões Barb osa p rioriza o trajeto sobre as con cep ções h istóricas, cien tíficas e sociais do corp o fem in in o e d o p ap el social d a m u lh er. Parte d o con ceito d e Gên ero, o q u e im p lica a ap resen tação d e u m con texto sem p re relacion al e a valorização da su
b-jetividade e do u n iverso su bjetivo com o con stitu in tes d e n ova s p rá tica s socia is. Ou tro p on to fu n d a m en ta l n a an álise d e gên ero é a lu ta sim b ólica. Isto p ossib ili-ta à au tora refletir sobre o discu rso biom édico, qu e rferen da e rep rodu z as rep resen tações sobre as m u lh e-res n a b ip olarid ad e p rocriad ora/ p rostitu ta. Barb osa p reocu p a-se com o ressu rgim en to d e ab ord agen s essen cialistas sob re a sexu alid ad e e a AIDS, com a m e -d icalização e a rep atologização -d a sexu ali-d a-d e.
Vera Vital Brasil, p or su a vez, su gere u m a form u -lação m etod ológica d e trab alh o em gru p o q u e in tei-re p en sam en to/ afeto/ ação, a p artir d a “d esn atu rali-za çã o” d a rela çã o AIDS-m u lh er, “cria n d o con d ições d e p o ten cia liza çã o d a s m u lh eres”. Pa ra a a u to ra , a s m u lh eres já eram atin gid as p ela ep id em ia m esm o an -tes d os registros d e casos d e AIDS, d evid o à p ersp ectiva social e h istórica qu e as resp on sab iliza p elos en -ca rgo s d o m éstico s, p ela ed u -ca çã o e p ela sa ú d e d o s filh os e d a fa m ília . É cora joso e m etod ologica m en te im p o rta n te o m o m e n to e m q u e e xp õ e su a p ró p ria trajetória fren te à ep id em ia d a AIDS, caracterizan d o a im p o ssib ilid a d e d a n e u tra lid a d e d o p e sq u isa d o r. O estu d o é su gestivo a o a p resen ta r u m a a b ord a gem a lte rn a tiva q u e a trib u i “a o d e se jo u m a d im e n sã o p ro d u to ra”, u ltra p a ssa n d o a d ico to m ia ra cio n a l-irracion al.
A p reven ção d o HIV e d a AIDS en tre UDIs é an alisad a n os estu d os d e Fáb io C. Mesq u ita, Rich ard Bu -ch er e Fran cisco Ign ácio Bastos. As d elim itações são se m p re d ifíce is, m a s, n a te n ta tiva d e ca ra cte riza r o eixo con d u tor d e cad a au tor, d iria q u e Fáb io C. Mes-q u ita en foca asp ectos sócio-econ ôm icos, p olíticos e cu ltu rais a p artir d a realid ad e b rasileira, in serin d o-a n o con texto in tern acion al. Reflete sob u m a p ersp ec-tiva m acro, o q u e é im p ortan te, já q u e a ep id em ia d a AIDS su rge com o u m a qu estão in tern acion al e im p li-ca sa íd a s q u e co n sid e re m e ste re fe re n cia l. O a u to r in icia a firm a n d o q u e o co n tro le d a e p id e m ia e n tre UDIs é p ossível. Argu m en ta com firm eza sob re as es-tratégias d e p reven ção e sob re a p osição n ortead ora p ara os p rofission ais d e saú d e (e tod os aqu eles en vol-vid o s n a lu ta co n tra a AIDS): “No sso fo co, p o rta n to, d eve ser o abu so”. Se as d rogas forem p en sad as sob o a sp e cto d o a b u so e n ã o d o u so (ile ga l), ro m p e -se a d istin ção en tre d rogas lícitas e ilícitas, o qu e p ossib i-lita u m olh ar d etid am en te voltad o à saú d e in d ivid u al e coletiva.
Rich a rd Bu ch e r ce n tra su a o b se rva çã o so b re a ed u cação e d estaca a d istin ção en tre o legal e o legítim o. Assin ala d ificu ld ad es n a p reven ção d a AIDS en -tre UDIs, em d ecorrên cia d os p recon ceitos sociais e d os lim ites n a legislação vigen te. Prop õe q u e se olh e m e n o s a q u e stã o so b u m e n fo q u e re p re ssivo e se aten te m ais p ara as m otivações qu e geram a crescen -te d em an d a p elo u so d e d rogas. Ressalta q u e a p osi-ção d a Organ izaosi-ção Mu n d ial d e Saú d e – OMS – h oje n ão é red u zir o u so d as d rogas, m as red u zir os riscos, p reju ízos e d an os à saú d e. Assim , o m elh or é n ão u sar d rogas; se u sar, q u e seja n ãoin jetável; se fo r in jetá -ve l, q u e se u u so se ja “lim p o”. De st a ca a in d a , q u e é im p ortan te d iscern ir o legal d o legítim o, já qu e legíti-m o são os d ireitos d a p op u lação à saú d e p ú b lica.
p arceiros. Sob este referen cial, ap resen ta criticam en -te os resu ltados do estu do m u lticên trico da OMS. Me-recem m aior aten ção os segu in tes p on tos: a desin fec-ção d e agu lh as e serin gas, o en foqu e p en al d a legisla-ção, a escassez d e trab alh o ju n to à p op u lação carce-rária e o alto con su m o d e cocaín a, d en tre ou tros.
Sob re ad olescen tes escolares, d estacse o trab alh o d e Sim o n e Mo n te iro. A a u to ra a p re se n ta o p ro -cesso d e a va lia çã o d o “Projeto Viva a Vid a”, q u e teve co m o re fe re n cia l o co n ce ito d e co n scie n tiza çã o d o ed u ca d o r Pa u lo Freire. O p ro jeto visa a ca p a cita çã o d o s p ro fissio n a is d a re d e p ú b lica d e e n sin o p a ra o p o ste rio r d e se n vo lvim e n to d e u m tra b a lh o d e p re-ven ção d a AIDS n a com u n id ad e e con tou com a p ar-ticip ação d e 122 p essoas n as resp ostas aos form u lá-rios d istrib u íd os. Sob re estes form u lá lá-rios, Mon teiro avalia o p rojeto, ap on tan d o in clu sive os m ateriais in -fo rm a tivo s e d id á tico s p ro d u zid o s n o p e rcu rso d o trab alh o.
O artigo d e Virgín ia T. Sh all e Mirian Stru ch in er é elu cid ativo, d id ático e h istoriciza a d iscu ssão teórica, in clu in d o n ã o só p a rte d a h istó ria d a AIDS, m a s, p rin cip alm en te, a p reven ção d esta n o con texto h istó-rico d a ed u cação. Há u m a p reocu p ação com a refle-xã o teó rica so b re a in ter ven çã o so cia l, q u e, n o ca so d a e p id e m ia d a AIDS, re fe re -se e m gra n d e p a rte à ed u cação (in form ação, com u n icação – com p rom isso p olítico, m u itas vezes n ão refletid o teórica e m etod o-lo gica m en te), m esm o q u e o s ed u ca d o res seja m lei-gos. Ap esar d a revisão teórica, a p rop osta d as au toras é clara e tem com o p ú b lico alvo os ad olescen tes. Des-ta q u e p a ra a ê n fa se n o “d e sco n h e cid o m u n d o d o s m otivos”, a n ecessid ad e d e ser ob servad o o con texto e o en volvim en to p essoal e a p reocu p ação em con si-d erar o esi-d u casi-d or en volvisi-d o e p articip an te.
O ú ltim o a rtigo é d e Peter Aggleton , q u e d irigiu a á re a d e co m p o rta m e n to d o Pro gra m a Glo b a l d e AIDS d a OMS. O texto n ã o é recen te, m a s su a p u b li-cação ocu p a u m a lacu n a e aten d e a u m a d em an d a crescen te sobre o m on itoram en to e a avaliação de p ro-jetos. O au tor d efin e e d iferen cia os con ceitos d e ava-liação e m on itoram en to n os p rogram as d e ed u cação e m sa ú d e. Ap re se n ta a s p o ssib ilid a d e s d e m o d e lo s sob re avaliação e d estaca vários recu rsos técn icos n a elab oração d e p rojetos, assim com o os p ossíveis p ro-b le m a s n a s e sco lh a s. Tra n sita d e sd e a im p o rtâ n cia d os in d icad ores sociais, p assan d o p or d iversos tip os d e am ostragem , até os recu rsos etn ográficos e com -p a ra tivo s. Co n clu i a firm a n d o q u e u m a a va lia çã o n u n ca é n e u tra e o b je tiva , e q u e a s a va lia çõ e s sã o m ais sign ificativas se aten d em a estru tu ra d e u m p ro-jeto.
Em su m a, são d en sas as d iscu ssões trazid as p elos a u to res. “AIDS – p esq u isa so cia l e ed u ca çã o” é u m a leitu ra ob rigatória p ara os p rofission ais e estu d an tes qu e estão en volvid os ou com eçam a se en volver com as an álises sob re a ep id em ia, além d e ser u m a con tri-b u ição à cap acitação d os d irigen tes d as Organ izações Nã o -Govern a m e n ta is q u e lu ta m co n tra a e p id e m ia d a AIDS e a fa vo r d a s m ilh a re s d e p e sso a s q u e h o je vivem com o HIV e a AIDS.