O que é a Biblioteca UFO
A Biblioteca UFO já está consagrada pela Ufologia Brasileira. Foi lançada pela Revista UFO em 1998 para veicular obras de quali- dade, atuais e consistentes sobre a presença alienígena na Terra e suas consequências, produzidas por autores ativos e que ajudaram a construir a história atual da Ufologia. A Biblioteca pretende abastecer os estudiosos e entusiastas do assunto com livros ricos em informação de qualidade sobre nossos visi- tantes extraterrestres. O critério de seleção de autores leva em consideração o significado, a utilidade e a repercussão de seu trabalho.
Assim como são escolhidos temas que ofereçam verdadeira contribuição ao entendimento da questão ufológica em todas as suas vertentes.
Ao serem consideradas novas obras para comporem este acervo, ob- serva-se também um critério muito presente no Fenômeno UFO, ou seja, sua manifestação em múltiplos níveis físicos e não físicos. Para tanto, um estudo de tão complexo cenário deve ter em conta a transdiciplinaridade como fer- ramenta de trabalho, ou seja, um conceito que mescle diferentes formas de pensamento e inter-relacione várias disciplinas, estimulando novas maneiras de se compreender e assimilar a realidade dos fatos por meio da articulação dos elementos que os compõem, sob todos os seus ângulos.
Assim, refletindo o esforço da Revista UFO há quase 40 anos, a Biblioteca UFO, agora com 58 títulos, busca encontrar as respostas para a ação na Terra de outras espécies cósmicas e seus efeitos para a humanidade, entendendo que apenas uma abordagem adogmática, profunda e responsável poderá oferecer entendimento a seu respeito e as respostas para o enigma do milênio. Esta abordagem é a que se imprime nesta coleção de livros, com a expectativa de que o Fenômeno UFO e matérias adjacentes e igualmente importantes sejam compreendidas em sua totalidade e profundidade evidentes.
BIBLIOTECA UFO
Dedicatória
Este livro é dedicado aos meus netos Maria Fernanda e Murilo, que, em sua tenra idade, vão ter muito tempo em suas vidas para presenciarem um futuro fabuloso e surpreendente. Dedico também aos meus filhos Daniel, Daniela () e Pedro, que me enchem de
alegria o tempo todo.
Agradecimentos
Agradeço a realização deste livro aos queridos amigos Alcides Cores, Áureo Galvane, Carlos Alberto
Machado ,Colin Andrews, Denilso Casal, Douglas Albrecht, Gary King, Fernando de Araújo Moreira, Ivo Luiz Dohl, Jacqueline Koppe Diniz, Jorge Dal
Zot, Lallá Barretto, Marcelo Franzosi, Michael Glickman (), Nadja Serrano, Otacílio Pasa, Paulo
Cosmelli, Paulo Pilon, Pedro de Campos, Rodolfo Schier, Thiago L. Ticchetti, Toni Inajar Kurowski e
Wallacy Albino (), Wilson Picler e Júlio Zilli.
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A. J. Gevaerd
Curitiba, setembro de 2021
A. J. Gevaerd estudou e foi professor de química até 1986, quando desistiu da área para se dedicar exclusivamente à Ufologia, uma paixão que tinha desde antes dos 10 anos. Em 1983, com 21 anos, fundou e até hoje é presidente do Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV), a maior entidade do gênero do mundo, baseada em Curitiba (PR) e com mais de 2.000 associados. Entre seus consultores estão os mais destacados e reconhecidos ufólogos brasileiros e estrangeiros.
Em 1985, fundou a Revista UFO, da qual é editor desde então.
A publicação é a única sobre Ufologia existente no país, com quase 40 anos de duração, e a mais antiga em circulação em todo o mundo, recordista em longevidade e tiragem. Antes desta publicação, pioneira- mente no país, Gevaerd também criou e manteve as revistas Ufologia Nacional & Internacional, Parapsicologia Hoje, PSI-UFO, Temas Avançados, Esotera e Contato. UFO conta com um Conselho Editorial com mais de 400 integrantes, sendo o maior corpo consultivo de uma publicação do gênero em todo o mundo.
Além da atual série UFO, Gevaerd é editor de uma série de livros especializados em Ufologia, chamada coleção Biblioteca UFO, hoje com 58 títulos de autores nacionais e internacionais selecionados, e coordenador de uma série de documentários ufológicos, a coleção Videoteca UFO, com 170 títulos, considerado o maior acervo do gênero em língua portuguesa.
Gevaerd começou suas atividades na Ufologia ainda muito jo- vem. Desde que passou a dedicar-se ao assunto, já realizou milhares
Quem é A. J. Gevaerd
ARQUIVO UFO
de conferências em todo o Brasil, e desde 1989 vem fazendo pesquisas e palestras em cerca de 60 países, onde fez, até o momento, cerca de 1.000 apresentações em dezenas de viagens. É constantemente convidado para apresentar-se em eventos no exterior, quando se dedica a mostrar a riqueza e a profundidade da casuística ufológica brasileira.
Ainda na década de 80, A. J. Gevaerd foi convidado pelo doutor J. Allen Hynek, pioneiro da Ufologia Mundial, para representar no Brasil o Center for UFO Studies (CUFOS). Também foi diretor no país, desde 1993, da Mutual UFO Network (MUFON), uma das mais antigas entidades do gênero em todo o mundo, e participa de muitas organiza- ções similares baseadas em vários países. É filiado a inúmeras outras entidades e tem dezenas de artigos publicados em revistas especializadas de todo o mundo, assim como centenas de seus textos publicados nos mais diversos sites da Ufologia Mundial.
Gevaerd é idealizador de três séries de congressos que vêm mudando a face da Ufologia Brasileira, o Fórum Mundial de Ufo- logia, que está em sua 9ª edição e se realiza anualmente em Foz do Iguaçu, o Fórum Mundial de Contatados, que está em sua 5ª edição e ocorre a cada ano em uma cidade do país, e os Congressos Brasilei- ros de Ufologia, em sua 25ª edição. Fora estes, organiza e promove eventos também em vários municípios do país, sendo, há 7 anos, o convidado da Prefeitura de Peruíbe, em São Paulo, para coordenar seu Encontro Ufológico Anual de Peruíbe.
Em 2004, foi o idealizador da campanha pioneira UFOs: Li- berdade de Informação Já, encampada pela Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU), da qual foi coordenador, fundada por Gevaerd em 1996 e vigente até hoje, para demandar ineditamente junto ao Governo e à Força Aérea Brasileira (FAB) que abram seus arquivos secretos sobre os discos voadores e admita a participação civil no processo de investigação do tema em nosso país. Esta campanha foi baseada em declarações secretas de autoridades militares brasileiras sobre a existência dos UFOs, que Gevaerd coletou.
O movimento foi bem-sucedido e os ufólogos da CBU foram recebidos ineditamente pela Aeronáutica em 20 de maio de 2005 e pelo Ministério da Defesa em 18 de abril de 2013, em ambos os casos para
discutir o processo de abertura no país. Gevaerd também tem servido como consultor em campanhas semelhantes em vários países, onde também se busca uma abertura ufológica. Hoje, graças à campanha iniciada por Gevaerd e seus companheiros, o Governo Brasileiro não apenas reconhece oficialmente a existência dos UFOs como também abriu seus arquivos secretos e liberou até hoje cerca de 20 mil páginas de documentos ufológicos, enviados ao Arquivo Nacional para acesso de toda a sociedade. Poucos países do mundo fizeram isso.
Em sua tentativa de tornar os segredos militares sobre a presença extraterrestre na Terra conhecidos por toda a população, Gevaerd também localizou e convenceu militares de alta patente a revelar experiências até então mantidas secretas, a maioria deles aposentados da Força Aérea Brasileira (FAB) e do Exército. Dois de seus recentes entrevistados são o ex-ministro da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Sócrates Monteiro, que revelou ter tido uma observação ufológica, e o tenente-brigadeiro José Carlos Pereira, ex-comandante do Comando de Defesa Aeroespa- cial Brasileiro (Comdabra), o órgão da Força Aérea responsável pela detecção e intercepção de UFOs, como parte de suas funções de defesa do sistema aeroespacial brasileiro.
Gevaerd se especializou na investigação de casos ufológicos no Pantanal e na Região Amazônica e em localizar e expor as investigações e operações militares secretas de investigação ufológica. Por seu des- taque na área, foi o pesquisador a quem, em 1997, o coronel Uyrangê Hollanda decidiu revelar pela primeira vez detalhes da Operação Prato, a maior operação militar conhecida em todo o mundo para investigar o Fenômeno UFO oficialmente. A Operação foi conduzida pela Força Aérea Brasileira (FAB) na Ilha de Colares, Pará, em 1977, para docu- mentar secretamente e tentar manter contato com UFOs, o que realmente aconteceu, segundo Gevaerd apurou. É agora conhecida mundialmente por meio de seus esforços e de suas palestras em inúmeros países.
Desde a década de 90 Gevaerd coordena investigações de cam- po de um dos mais importantes fenômenos ufológicos da atualidade, os agroglifos, sinais geométricos inexplicados e produzidos sem ação humana em plantações de grãos em mais de 40 países, totalizando hoje mais de 10 mil figuras. Tendo se iniciado na Inglaterra no fim da década
de 70, o fenômeno orginalmente se chamou “círculos ingleses” e se es- palhou pelo mundo, chegando ao Brasil em 2008 e manifestando-se em cidades de Santa Catarina e Paraná. Acredita-se que sejam mensagens de avançadas inteligências não terrestres.
Gevaerd é constantemente requisitado e tem participação ativa em praticamente todos os círculos mundiais onde o tema Fenômeno UFO é tratado com seriedade, participando de eventos, debates, programas, campanhas etc. Tem sido regularmente entrevistado em talk shows na- cionais e estrangeiros, incluindo Coast to Coast (de George Noory). Ele também atua como consultor ou entrevistado de inúmeros documentários de TV internacionais, tais como Chasing UFOs, do Discovery, UFO Connection, do National Geographic, Contacto Extraterrestre e Ancient Aliens, do History Channel, entre outros.
O editor da Revista UFO também mantém um circuito de viagens a locais de alta incidência ufológica no Brasil e exterior, para onde leva grupos, e fundou em 2019 a Academia Brasileira de Ufologia, por meio da qual os mais renomados ufólogos brasileiros apresentam cursos aprofundados sobre temas específicos e relevantes da presença alienígena na Terra.
Em 07 de março de 2005, Ademar José Gevaerd perdeu sua filha Daniela Elisa Fontoura Gevaerd, então com 28 anos, em um trágico acidente de trânsito, quando ela estava com seu noivo Marcelo.
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Sumário
PREFÁCIO Um fenômeno para se sentir 15
CAPÍTULO 01 Os círculos chegaram 23
CAPÍTULO 02 Os agroglifos estão de volta 51
CAPÍTULO 03 A pesquisa dos agroglifos 69
CAPÍTULO 04 Do ceticismo à persistência 85 CAPÍTULO 05 Os agroglifos se revolucionam 99 CAPÍTULO 06 Eles voltam à Santa Catarina 111 CAPÍTULO 07 Eles retornam com uma novidade 121 CAPÍTULO 08 O fenômeno de volta a Santa Catarina 129 CAPÍTULO 09 Uma grande surpresa no Paraná 137
CAPÍTULO 10 Eles voltaram a Ipuaçu 155
APÊNDICE 01 As investigações confirmam os agroglifos 163 APÊNDICE 02 Eles trazem cada vez mais dúvidas 181
APÊNDICE 03 A simbologia dos agroglifos 205 APÊNDICE 04 Uma conversa com Colin Andrews 215 APÊNDICE 05 O fenômeno se estende pelo planeta 233 APÊNDICE 06 O lado invisível dos agroglifos 245 APÊNDICE 07 A Revista UFO vai à Inglaterra 267 APÊNDICE 08 Uma conversa com Michael Glickman 281
Prefácio convidado
Michael Glickman (†)
Um fenômeno para se sentir
A
lton Barnes, 1990. Olhando para trás, eu posso ver agora que não existia a possibilidade de eu entender a significância da- quele dia. O jornal The Guardian, de sábado, 21 de julho, 1990, portava uma imagem que permaneceria comigo pelo resto da minha vida. Um padrão grande e elaborado havia sido impresso em um campo de trigo em Alton Barnes, em Wiltshire, na InglaterraEu queria ser capaz de dizer que a figura me produziu ime- diatamente, em uma memória profundamente enraizada, um senso inato de reconhecimento. Eu não posso. Muitos, relembrando sua primeira visita a uma figura em uma plantação, descrevem um senso de conhecimento, de familiaridade. Alguns, relembrando o evento, falam de terem sentido que estavam — de uma forma quase surreal
— esperando por aquele exato momento.
Eu tinha visto relatos de crop circles, hoje conhecido como agro- glifos, em revistas especializadas. Naqueles dias eles eram modestos:
círculos e, ocasionalmente, anéis circulares. Eu estava especialmente intrigado por estes estranhos eventos circulares revelados em pequenas fotografias em preto e branco. Estava, contudo, totalmente desprepa- rado para o choque do que o The Guardian relatava e, certamente, não antecipei que importância este fenômeno assumiria em minha vida.
A formação tinha aparecido em 09 de julho e levou surpreendentes doze dias para alcançar o público em geral. Anos após a ocasião, muitas
pessoas lembravam a formação de Alton Barnes como uma espécie de corneta prendendo imediatamente sua atenção — alguns a compararam aos irresistíveis chamados emanando de Devil’s Tower em Contatos Imediatos de Terceiro Grau [1977]. Eu não era exceção, e me preparei para dirigir cedo naquela manhã. Meu filho mais novo, Max, que tinha catorze anos, queria vir comigo e, assim, partimos para Wiltshire.
O local era em East Field, em Alton Barnes, um que se tornou talvez o mais famoso dos eventos crop circles. Quase sem nenhum lapso desde aquele ano seminal, o campo recebeu pelo menos uma, às vezes várias, formações anualmente.
A Estrada de Lockeridge repentinamente curva-se e cai sobre o bordo das colinas que formam o cume norte do Vale de Pewsey. Ao seu lado jaz uma magnífica vista do vale e, imediatamente abaixo da estrada, fica o charmoso East Field. A estrada estava estreitada por dúzias de carros estacionados e um helicóptero estava lá para oferecer visões aé- reas de formações vizinhas. Os fazendeiros, Tim e Polly Carson, tinham organizado alguns adolescentes para coletar ingressos.
Esta era a primeira vez, garoto de cidade que eu era, que tinha caminhado por uma plantação. Eu estava para entrar em meu primeiro crop circle e minha vida estava para mudar. Eu tenho repensado aquele momento muitas vezes nestes anos. Sobretudo, minha memória é de algo incomum. A formação era muito maior do que eu tinha esperado, mas ela era, acima de tudo, estranha.
Muitas pessoas veem os círculos como fotografias de padrões bidimensionais impressos em uma plantação. Assim, o senso comum dos círculos tem sido como desenhos ou arte no solo. Para mim, en- trando na formação em Alton Barnes foi, de algum modo fundamental, uma experiência arquitetônica tridimensional. Claramente, aquilo não era um edifício, não tinha paredes, nem um teto. Apesar disso, ao redor do trigo rebaixado que providenciava um solo plano, a plantação em pé formava uma parede metafórica, a qual, embora fosse baixa, era um recipiente simbólico de um espaço arquitetural.
O Vale de Pewsey vai de leste à oeste, alargando-se ao longo.
Em Alton Barnes, que jaz abaixo do flanco mais ao norte do vale, tem em torno de 8 km de largura. O vale é substancialmente plano, mas
umas poucas e marcantes pequenas colinas surgem do seu centro.
Destacável entre essas e próxima de Alton Barnes está Woodborough Hill, coroada dramaticamente com um pequeno bosque de árvores ancestrais que a identificam de todas as direções. Um pouco mais à leste de Woodborough Hill está Picked Hill, um monte cônico me- nor, e poucos quilômetros à oeste jaz Etchilhlampton Hill. Estas três colinas independentes ficam na palma da mão do vale. Os campos abaixo são sítios regulares de crop circles.
Woodborough, sobretudo, tem sido uma testemunha chave à muita atividade de crop circles, continuando como tal apenas um pouco abaixo do sul de East Field. E apenas um pouco acima deste campo, sobre a estrada que desce de Lockeridge, está Adam’s Grave, um dos pontos mais altos em Wiltshire, culminado com uma antiga fortificação.
A formação de Alton Barnes tinha mais de novecentos metros de comprimento e era de longe a maior que qualquer um já tinha visto.
Sua inegável grandeza, além de sua diferenciação abrupta da simples circularidade, impressionava qualquer um que a visse.
Alton Barnes estava para fundar um dos maiores e mais persis- tentes grupos de desenhos que os crop circles produziram. Geralmente conhecidos como agroglifos ou pictogramas, surgiram, dentro de dias, dois ou mais “irmãos” do mesmo comprimento e características gerais do primeiro. Posteriormente, ao longo da temporada de 90, e persistindo no verão seguinte, os desenhos elementares que foram introduzidos em Alton Barnes foram reposicionados e rearranjados.
A inventividade e ludicidade com a qual umas poucas formas
— círculos e anéis, clavas e avenidas — foram manipuladas era im- pressionante. Era claro para mim quem quer ou o que quer que fosse o autor deste projeto, que ele tinha habilidades maravilhosas.
Nós vivemos em um mundo material que tem regras claramente definidas. Desde o nascimento somos introduzidos aos elementos de nossa realidade física: gravidade e peso, claro e escuro, dificuldade e facilidade, flexibilidade e rigidez. Familiarizamo-nos com a mecânica do mundo por tocar e morder, levantar e jogar, acertar e deformar.
Eu era um arquiteto e levei meu encantamento infantil à minha vida adulta desenhando e fazendo coisas. Como arquiteto, e posteriormente
como designer de produtos, gastei muito da minha vida profissional propondo como coisas poderiam ser feitas e então supervisionando sua manufatura e construção. Eu passei uma significante parte de meu tempo em fábricas com engenheiros de produção e em locais mexendo com todo o tipo de regras requeridas para levantar uma edificação. Eu pensava — arrogantemente, eu sei agora — que entendesse como tudo no mundo material era produzido e montado.
E então eu entrei na formação Alton Barnes. Foi profundamente chocante. Era uma confrontação com algo que eu não poderia nem re- conhecer nem explicar. Nós procuramos, em cada momento de nossas vidas, a segurança de que o mundo é como deveria ser, que tudo está em ordem e funcionando como aprendemos a esperar. Aqui estava um dilema para meu mundo assegurado. A ríspida incongruência deste símbolo gigante impresso em uma plantação de trigo levou-me a um estado que um psicólogo chamaria de dissonância cognitiva.
Nós não tínhamos experiências de vastos sinais impressos sobre a superfície da Terra. Era ímpar e sem precedentes. Sua escala era surpreendente. Eu sabia como fazer coisas, mas não tinha nem como começar a entender como tinha sido feita essa criação. Eu tinha expe- riência em demarcar grandes projetos de construções, mas não podia nem imaginar como isso poderia ter sido ali colocado.
Sobretudo, eu me lembro de um sentido de reverência. Cla- ramente, a gravidade estava ainda operando. O Sol estava ainda brilhando. Mas eu estava profundamente consciente da diferença.
As regras ordinárias do mundo pareceram, por um momento neste campo, terem sido suspensas. Eu parecia estar fugaz, provisório, em outro lugar. Ao passar dos anos eu me persuadi crescentemente de que em outro tempo seria mais acurado.
Lembre-se de que este era meu primeiro crop circle. Eu não tinha nenhuma experiência parecida para trazer à luz. Muitas pessoas passaram por ali então e certamente muito da parte dobrada, a plantação aplainada, tinha perdido sua frescura e tinha sido pisoteada além do reconhecimento.
As súbitas pistas encrustadas na plantação deitada foram esmagadas e perdidas. Mas em 1990 eu era um intruso visitante de agroglifos. Eu não tinha ideia do que deveria procurar. Contudo, um aspecto da formação
foi particularmente intrigante. Eu olhei cuidadosamente as duas longas caixas retangulares rodeando a avenida central.
Tenho que divagar aqui para falar da construção dos retângulos externos e internos. Se você precisa cortar um simples quadrado ou retângulo de um painel em uma prancha, você o marca e simples- mente serra ao longo dos quatro lados. Os cantos não necessitam de especial atenção, cada um ocorre em função de dois cortes de serra.
Da mesma forma com papel — os quatro cortes retos de tesoura gerarão automaticamente quatro cantos.
Contudo, um quadrado ou retângulo interno é uma coisa diferente, seja serrado em uma prancha ou cortado em um pedaço de papel. Os cantos são o problema. Se, por exemplo, você está cortando uma forma de janela em uma folha de papel, a dificuldade é parar a tesoura exatamente no canto. Da mesma forma com o painel de madeira. Como prevenir a serra ou cinzel de ultrapassar e deixar marcas na superfície final?
Este é um problema antigo com o qual artesões tiveram que lidar por séculos. Mas esta questão dos cantos internos me fez examinar as caixas em Alton Barnes com um interesse particular.
Todos os quatro cantos foram impecavelmente formados para ofe- recer precisos ângulos retos, um encontro prefeito de dois planos.
Não havia nenhum sinal de qualquer invasão pela serra metafórica.
Qualquer que fosse a ferramenta, mecanismo ou fonte de energia empregada aqui, o dilema dos cantos tinha sido trabalhado de uma forma magistral. Não havia indicação do método.
As caixas eram retângulos longos e o trigo foi movido de um lado menor ao outro, em uma simples reta corrida. Isto levantou outra questão fundamental. A plantação foi dobrada na direção sul, para fora da estrada e apontando para Woodborough Hill. No começo da dobragem uma divisão fora feita, quase uma risca, entre a parede de plantação em pé e o solo de trigo que tinha sido dobrado na caixa. Mas, se a intenção era fazer uma quarta parede em pé de trigo no final da dobrada tão limpa quanto as das paredes no começo e lados, então onde deveria ser colocado o corte de caules horizontais?
Como as caixas estavam separadas da maior formação, fazendo-as inacessíveis a partir da avenida central, a dobragem não estava pisoteada.
A resposta à minha pergunta era que o corte de plantação dobrada tinha sido “penteado” junto à parede no fim. Os caules horizontais foram postos alternadamente entre os caules em pé. Assim o fluxo de plantação deitada fora absorvido dentro da plantação em pé.
Esta surpreendente solução de pentear não fora levada a cabo completamente em uma base de caule por caule, mas quase assim. O observador casual veria um longo retângulo, feito de quatro paredes perfeitas de trigo em pé e um solo belamente formado coberto com um tapete unidirecional de trigo deitado. Era necessário um pouco mais de atenção para ver onde o fim do tapete e das plantas estava escondido.
Eu vou mencionar aqui apenas outro evento de 1990, que foi o curioso pequeno grupo de curvas e triângulos em Beckhampton, que apareceu em 25 de julho. A plantação deitada nas caixas de Alton Barnes fora dobrada ao longo do solo de uma caixa retangular estreita e o fluxo do trigo caído foi penteado entre a parede em pé no fim. Mas nos dois triângulos externos de Beckhampton a dobragem veio do lado mais curto do triângulo ao vértice! Obviamente, a onda de plantação dobrada não pôde ser penteada no vértice ao fim de um triângulo, nem foi perdida, bit por bit, virando-a para escondê-la nas paredes do lado.
Lembre-se de minha preocupação com construir coisas e considere minha perplexidade, apenas alguns dias após as caixas de Alton Barnes, quando eu achei que as apostas tinham subido.
Um ano não tinha se passado quando eu examinei os triângulos de Beckhampton e eu não tinha, mais uma vez, me confrontado este dilema. Como você dispõe plantas retas, entre paredes em pé, e as faz desaparecer, sumindo em um ponto?
Nosso senso de localização é dado como certo. Nossa infância está sempre conosco e nós às vezes transladamos cenas em livros que lemos para locações familiares de quando éramos crianças. Enquanto crescemos, nossas experiências do mundo material são substancialmente espaciais — a arquitetura de salas, escadas, estradas, os caminhos que nos levam à escola, todos deixam uma impressão indelével em nossa memória em desenvolvimento. Este senso de localização é tão visceral- mente poderoso porque ele nos conecta a algo intuitivo e instintivo. Para animais, o primeiro imperativo de sobrevivência é entender onde eles
estão. Nós dividimos com eles a habilidade de movimento, presos pela gravidade, através da superfície da Terra. Tão natural é nosso sentimento por localização, tão automático e inevitável seu desenvolvimento, que ele é raramente discutido ou reconhecido em nossa cultura.
Eu acredito que os que fazem estes círculos são apaixonadamente convictos da importância do sentido de localização deles em nossas vidas. Ao confeccionar seu brilhante currículo, eles poderiam apenas ter ambicionado um meio de nos dar símbolos gráficos. Ao contrário, eles entenderam como sua comunicação seria intensificada se ela fosse mediada primariamente através de nossa sensibilidade à localização.
Uma visita a um crop circle é sempre um evento. Pessoas geralmente lembram-se dessas ocasiões como momentos nos quais sua experiência do clima, seus amigos e, sobretudo, a localização, são de alguma forma engrandecidos. Embora as formações tenham somente paredes baixas e vestígios de tais, eles criam um ambiente implícito, uma contenção, uma arquitetura gestual, a qual parece encantar e reassegura visitantes.
Existem dois modos distintos de ver crop circles: a visita que oferece uma experiência real e arquitetural e as visões de fotografias aéreas e desenhos, que abrem uma janela para outro nível de compreen- são. Através do desenho, um crop circle pode ser trazido a uma forma simbólica que revela aspectos menos aparentes no solo ou no campo.
A forma, geometria, o número, são revelados para uma análise mais contemplativa. Um desenho revelará a completeza que os crop circles às vezes exibem. A totalidade que formações carregam é um tributo à perfeição de seu design. Nunca são menos do que finalizados e nunca necessitam de mais trabalho, atenção ou pensamento.
Talvez mais importante, desenhar os círculos revelam fascinantes deslumbres do desejo e intenção atrás do fenômeno. O lápis trabalha como uma espécie de amplificador. Às vezes, como se pensando através de um vidro embaçado, eu senti que poderia compreender o programa que dirigia este intrincado empreendimento.
Embora eu tenha adquirido um computador e as habilidades básicas para operá-lo, eu nunca usei um para desenhar um crop circle.
Eu sempre desenhei as formações tradicionalmente, usando lápis,
compasso e régua. O tempo que tomava para desvendar a natureza precisa da forma e tornou-se uma atividade quase meditativa que era, por si mesma, recompensadora.
Desenhar à mão é uma atividade repetitiva que produz um calmo e contemplativo estado mental. Às vezes permite insights que eu tinha certeza não estariam tão disponíveis se houvesse trabalhado com um computador. Olhando para trás, me dei conta de que eu gastei cente- nas de horas em Londres, Califórnia e Wiltshire sentado ao desenhar pranchas e conferindo fotografias de crop circles em uma tentativa de capturar deles uma pista dos sistemas e códigos que sublinham suas formas graciosas. Ano após ano eu comecei a entender alguns dos meios pelos quais os círculos eram baixados, cantos eram formados, caminhos estabelecidos, elementos eram conectados ou separados, e pedaços eram emoldurados para ênfase.
Os crop circles tinham estabelecido uma comunicação. Seu intento e agenda é um mistério, mas não pode haver dúvidas de que a linguagem de sua conversação é forma, modelagem, geometria e número. Como um arquiteto, cheguei com uma indisposição.
Contudo, eu estou convencido de que, se esperamos adquirir co- nhecimento, devemos continuar a explorar esse fenômeno usando os termos visuais que o fenômeno por si mesmo escolheu.
Michael Glickman foi referência na pesquisa dos agroglifos. Faleceu em 01 de maio de 2020, aos 78, vítima de complicações de esclerose múltipla, mas nunca deixou de, mesmo com cadeira de rodas, visitar os agroglifos ao redor de sua residência, em Alton Barnes.
Tradução: Márcio Cerqueira, da Equipe UFO.
Capítulo 01
Os círculos chegaram
I
puaçu, uma pequena cidade do noroeste de Santa Catarina, com pouco mais de seis mil habitantes e localizada a 520 km de Flo- rianópolis, capital do estado, é o local onde foram registrados os primeiros casos de agroglifos do país. É assim que são chamados os enigmáticos desenhos em plantações de grãos, surgidos inicialmente na Inglaterra, na década de 80, e hoje presentes em vários países. Ante- riormente conhecidos como círculos ingleses, devido às suas origens, já foram exaustivamente estudados e vêm sendo acompanhados inin- terruptamente há décadas por cientistas, autoridades, militares e espe- cialmente pelos circólogos, como são denominados os pesquisadores que se dedicam a decifrar o mistério.Sofisticados conjuntos geométricos
Para eles, os agroglifos seriam algum tipo de mensagem que civi- lizações extraterrestres estariam enviando à espécie humana. Até hoje, já foram registrados mais de 20 mil deles em pelo menos 30 nações [Dados da época], embora o local de seu surgimento original, a Grã-Bretanha, ainda detenha cerca de 80% das manifestações mundiais, que podem chegar a mais de duas mil por ano [Idem]. As figuras surgem do nada e impressionam por sua graciosidade aliada ao seu gigantismo. E da mesma maneira como aparecem, sempre no início do verão no Hemisfério Norte
Texto publicado originalmente na edição UFO 149, de janeiro de 2009
— época de plan- tio e colheita de cereais em alguns países —, desapa- recem quando se encerra a estação, deixando para trás perplexidade e muitas pergun- tas sem respostas.
Q u a n d o começaram a surgir nas plan- tações inglesas, quase sempre culturas de grãos
— trigo, cevada, aveia e canola, principalmente
—, os desenhos se limitavam a círculos de ta- manhos modes- tos, às vezes com anéis circundan- do-os. Com o
passar do tempo, as figuras foram ficando cada vez mais comple- xas, reunindo muitas vezes inúmeras formas geométricas dispostas harmonicamente — o que só aumentou a perplexidade de quem os acompanha e o número de perguntas sem respostas.
Em alguns casos, os agroglifos podem chegar a até 1.000 ou 1.200 m de comprimento e conter mais de 600 figuras dispostas de uma ma- neira absolutamente desafiadora para a mente humana. Muitas vezes, os conjuntos geométricos apresentam padrões matemáticos e astronômicos complexos, além de representações de conceitos científicos, desenhos de
moléculas como o DNA e até coi- sas mais simples, como figuras que remetem a artefa- tos do cotidiano.
Tudo isso denota, inquestionavel- mente, a ação de uma inteligência por trás do fenô- meno — e ela não parece ser huma- na ou terrestre.
Mas, des- de que começa- ram a ser regis- trados, e com a evolução de seus formatos e tamanhos, tam- bém passaram a ser copiados por pessoas que pretendiam ora desmoralizar os pesquisadores, ora provar que podem ser feitos pelo homem. “Tive- mos anos em que até 90% dos círculos na Inglaterra eram falsos”, diz Colin Andrews, consultor da Revista UFO no país e nome de referência no assunto. “Felizmente, desenvolvemos técnicas para distinguir os casos verdadeiros dos fraudados”. Mas as caracterís- ticas dos agroglifos forjados são visivelmente diferentes daquelas encontradas nos considerados genuínos pelos estudiosos.
Não se sabe por que Ipuaçu e região foram os locais escolhidos para os primeiros casos de agroglifos brasileiros, mas as imagens surgi-
Uma marca circular de quase 20 m de diâmetro e com um anel externo, ambos feitos de plantas de triticale dobrados próximos ao solo, despertaram a curiosida- de da população e de todo o país
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