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Nota Trimestral de Conjuntura

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Academic year: 2021

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Nota Trimestral de Conjuntura

PRIMEIRO TRIMESTRE – 2018

Observatório de Políticas Econômicas | 2018

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FUNDAÇÃO DOM CABRAL

NÚCLEO DE ESTRATÉGIA E

NEGÓCIOS INTERNACIONAIS

OBSERVATÓRIO DE POLÍTICAS ECONÔMICAS

Nota Trimestral de Conjuntura | Primeiro Trimestre – 2018

EQUIPE TÉCINICA

Paulo Paiva

Professor Associado da Fundação Dom Cabral

Foi ministro do Trabalho e do Planejamento e Orçamento

Cássio Daldegan

Assistente de Pesquisa no Núcleo de Estratégia e Negócios Internacionais da FDC Bolsista de Apoio Técnico – FAPEMIG

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NOTA TRIMESTRAL DE CONJUNTURA | PRIMEIRO TRIMESTRE – 2018

Observatório de políticas Econômicas

1 PRODUÇÃO E DEMANDA AGREGADA

Ao longo do primeiro trimestre de 2018, o Produto Interno Bruto (PIB) apresentou crescimento de 0,4% frente ao último trimestre de 2017. Na mesma base de comparação, apresentaram resultados positivos Agronegócio (1,4%) assim como Indústria e Serviços (ambos crescendo 0,1%). Pela ótica das despesas, comparando com o quarto trimestre de 2017, apresentaram crescimento o Investimento (0,6%) e a Despesa de Consumo das Famílias (0,5%). As Despesas de Consumo do Governo, por sua vez, apresentaram redução (-0,4%). Em relação ao setor externo, tanto as Exportações de Bens e Serviços quanto as Importações apresentaram expansão, respectivamente, 1,3% e 2,5%.

Na comparação com o mesmo período de 2017, o PIB apresentou crescimento de 1,2% no primeiro trimestre de 2018, sendo o quarto resultado positivo consecutivo nesta base de comparação. A Agropecuária apresentou queda, -2,6%, ao passo que a Indústria teve uma expansão de 1,6%. Os Serviços mostraram variação positiva de 1,5%. Tendo seu quarto trimestre seguido de avanço, a Despesa de Consumo das Famílias mostrou expansão de 2,8%. O Investimento também avançou, 3,5%, tendo seu segundo resultado positivo depois de quatorze trimestres de recuo. A Despesa de Consumo do Governo apresentou redução, -0,8%, enquanto no setor externo tanto Exportações quanto Importações apresentaram expansão de, respectivamente, 6,0% e 7,7%.

PRODUTO INTERNO BRUTO*

DISCRIMINAÇÃO 2017 2018

I TRI II TRI III TRI IV TRI I TRI

PIB a preços de mercado 1,3% 0,6% 0,2% 0,1% 0,4%

Agropecuária 11,9% -2,7% -2,0% 0,0% 1,4%

Indústria 1,9% -0,7% 1,0% 0,5% 0,1%

Serviços 0,3% 0,8% 0,6% 0,2% 0,1%

Consumo das famílias 0,2% 1,2% 1,1% 0,1% 0,5%

Consumo do governo -0,1% -0,1% -0,3% 0,2% -0,4%

Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) -0,6% 0,4% 1,8% 2,0% 0,6%

Exportação 5,8% 0,6% 3,3% -0,9% 1,3%

Importação ( - ) 2,1% -2,6% 6,5% 1,6% 2,5%

* Trimestre/Trimestre imediatamente anterior. Dados dessazonalizados.

Tabela 1. Produto Interno Bruto.

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Ao longo do primeiro trimestre do ano, a taxa de investimento alcançou 16% do PIB, acima do observado no mesmo período de 2017 (15,5%). Já a taxa de popança ficou em 16,3% ante 15,8% no mesmo período do ano anterior.

2 PREÇOS

O primeiro trimestre do ano foi caracterizado por uma inflação em níveis historicamente baixos. Tendo como base o IPCA mensal, a inflação acumulada no trimestre foi de 0,7 p.p., o menor valor para o período desde a implementação do Plano Real. Apesar de grupos como alimentação terem apresentado um efeito acumulado positivo quanto à variação dos preços após meses de efeito negativo (como consequência da safra recorde em 2017), grupos como transporte e educação apresentaram crescimento modesto.

O IPCA acumulado em doze meses, índice que reflete o custo de vida das famílias que recebem de 1 a 40 salários mínimos, terminou o período em 2,68%, ficando um pouco abaixo do valor obtido pelo índice ao fim de 2017, 2,95%. O valor do IPCA se mantém abaixo do limite inferior da meta de inflação, 3,0%, tendência esta que deve permanecer. Isso se deve às expectativas de inflação para o ano ainda serem de queda, apesar da política monetária expansionista do Banco Central (BC). O INPC acumulado em doze meses, que tem como foco famílias que recebem de 1 a 5 salários mínimos, terminou o período valendo 1,56%, seu menor valor na série histórica. Considerando os preços livres e administrados, enquanto aqueles mostraram estabilidade de janeiro a março, terminando o período em 2,04%, estes apresentaram redução de 0,44 p.p. no primeiro trimestre, chegando a 7,05%.

Inflação Acumulada em 12 meses

* Bens duráveis, semiduráveis, não duráveis e serviços.

** Serviços públicos e residenciais, transporte público, combustíveis, plano de saúde, pedágio, licenciamento Gráfico 1: Evolução do IPCA versus inflação dos preços administrados – acumulados em 12 meses. Abril de 2015 a março de 2018.

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3 JUROS

Nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) promovidas ao longo dos meses de fevereiro e março de 2018, optou-se pela continuidade da política monetária expansionista. Estando em janeiro de 2018 já em seu menor nível da série histórica, 7,0%, a SELIC sofreu dois cortes de 0,25 p.p. no primeiro trimestre, alcançando 6,5% no mês de março de 2018. Os juros reais (meta da SELIC descontada da inflação esperada), terminaram o período em 2,47%. Já os juros neutros (valor que a taxa de juros precisa alcançar para manter a estabilidade da taxa de inflação), ficaram em 3,37%. Como os juros reais estão menores que os juros neutros, a política monetária do Banco Central foi de estímulo à atividade econômica durante todo o período, dinâmica esta que pode ser associada à política do BC desde março de 2017. A justificativa para esta contínua redução nos juros reside no cenário de elevada taxa de desemprego e ociosidade dos fatores de produção, assim como de inflação abaixo do centro da meta.

Evolução observada da Taxa de Juros Real* versus Juros Neutros**

Gráfico 2: Evolução da Taxa de Juros Real e dos juros Neutros. Abril de 2015 a março de 2018. * Taxa de Juros Real: Meta SELIC descontada a inflação esperada;

** Juros Neutros: Tendência SELIC deflacionada.

Fonte: Elaboração Própria a partir de dados da Taxa de juros SELIC e da Expectativa de inflação em 12 meses disponíveis no Banco Central do Brasil. Faixas de Juro Neutro seguem dados do FMI.

4 ECONOMIA INTERNACIONAL

Ao longo do primeiro trimestre de 2018, o Federal Reserve Bank, banco central americano, promoveu uma nova elevação na taxa de juros dos Estados Unidos da América (EUA). A elevação foi de 0,25 p.p. para a faixa de 1,5 a 1,75%. A adoção de uma política de aumento nos juros, que vigorou por todo o ano de 2017, se deve ao fato de a economia americana estar operando com crescimento elevado (projeção de 2,2% ao ano para o primeiro trimestre de 2018) e taxa de desemprego baixa (3,8 p.p. em maio de 2018). A tendência de elevação nos juros americanos tende a promover a saída de recursos das economias emergentes, levando a desvalorização do real frente ao dólar.

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Também em relação à economia americana, a adoção de tarifas de importação mais elevadas (variando entre 10 e 25%) sobre a importação de aço e alumínio dos países emergentes, anunciada pelo presidente Donald Trump, poderia levar a uma mudança brusca nas projeções de receita destes setores no Brasil. Porém, o governo americano aprovou a adoção de isenção destas tarifas a países como Brasil e Argentina, implementado posteriormente uma cota de importações válida para Brasil, Argentina e Austrália. As cotas, válidas a partir de 1º de junho de 2018, são calculadas com base na média dos volumes exportados ao longo dos últimos três anos.

5 EMPREGO E RENDA

Os dados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego1 (CAGED), indicam para um saldo positivo na criação de vagas formais no mercado de trabalho neste primeiro trimestre. Houve um saldo positivo de 204.064 vagas de trabalho formais ao longo dos três primeiros meses do ano.

A taxa de desocupação terminou o primeiro trimestre de 2018 em 13,1%. O resultado representa um aumento de 1,3 p.p. em relação ao quarto trimestre de 2017 e uma variação de -0,6 p.p. em relação aos primeiros três meses do ano anterior. Observa-se neste primeiro trimestre do ano um comportamento sazonal, ou seja, um fenômeno que se repete a cada primeiro trimestre do ano, que consiste na demissão de temporários e contratados para o natal. Como pode ser observado no gráfico 3.1, nos primeiros trimestres de 2017 e 2016 a taxa de desemprego cresceu a uma taxa elevada, sem mostrar relação com o ritmo de crescimento dos meses imediatamente anteriores. Mesmo em períodos de queda do desemprego, os primeiros meses do ano são caracterizados por esse fenômeno, sem que a tendência apresentada nos meses anteriores seja alterada. Portanto, já a partir do mês de abril de 2018 espera-se que a taxa de desemprego dê continuidade à trajetória de queda. Já o rendimento médio real (rendimento médio descontado a inflação) de todos os trabalhos ficou em R$ 2.169 neste primeiro trimestre de 2018, ficando estável em relação ao trimestre anterior e ao mesmo período de 2017.

1 Os dados do CAGED, de responsabilidade do Ministério do Trabalho, tendem a apresentar diferenças em

relação aos resultados de trabalho formal divulgados pelo IBGE por meio da PNAD. As diferenças entre as duas bases compreendem abrangência (compreendem regiões geográficas distintas), metodológica, entre outras.

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| 7 | Taxas trimestrais de desemprego e rendimento real trimestral médio dos trabalhadores no Brasil

Gráfico 3: Taxa de Desocupação Rendimento Médio Real habitual recebido em todos os trabalhos, por trimestres móveis – PNAD Contínua. Abril de 2015 a março de 2018.

Fonte: Elaboração própria com dados da PNAD-Contínua Trimestral disponibilizada pelo IBGE.

6 CONFIANÇA

Alcançando 92 pontos, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) está em um patamar superior se comparado ao resultado para o mesmo período de 2017. Do crescimento de 8,1 pontos nos últimos doze meses, 5,6 ocorreram ao longo do primeiro trimestre de 2018. O resultado indica para expectativas mais favoráveis que as do ano passado, com melhoras tanto na percepção sobre a situação atual quanto nas perspectivas para os próximos meses. O ICC chegou a seu maior valor desde outubro de 2014, quando alcançou a 97 pontos.

Apesar de apresentar uma maior tendência à estabilidade, considerando a variação nos últimos dois meses, as expectativas de inflação não interromperam sua tendência de queda iniciada ainda no início de 2016. Comparativamente a resultado do último trimestre de 2017, os primeiros três meses do ano corrente contaram com uma variação de -0,5 p.p. nas expectativas de inflação, alcançando 5,3%, menor nível desde setembro de 2007. Frente ao mesmo período de 2017, a variação foi de -2,2 p.p. Dado o choque temporário nos preços causada pela greve de caminhoneiros e, principalmente, a perspectiva de oneração de alguns setores para cobrir os subsídios no óleo diesel (corte dos impostos federais Cide e PIS-Cofins), espera-se para os meses que seguem uma interrupção na tendência de queda.

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Evolução Dessazonalizada dos índices de Confiança do Consumidor e de suas expectativas de inflação

Gráfico 4. Evolução Dessazonalizada do índice de Confiança dos Consumidores (ICC) e das Expectativas de inflação dos Consumidores. Abril de 2015 a março de 2018.

Fonte: Elaboração Própria a partir dos dados das Sondagens das Expectativas do Consumidor Elaboradas pelo IBRE-FGV.

O Índice de Confiança dos Comerciantes (ICOM) chegou a 96,8 pontos, seu maior valor desde abril de 2014. Os indicadores sobre a situação atual apresentaram forte avanço em relação ao trimestre anterior devido à recuperação nas vendas. Já as expectativas mostraram estabilidade após crescimento acentuado ao longo de 2017. O Índice de Confiança dos Prestadores de Serviços (ICS) alcançou 91,4 pontos, crescimento de 2 pontos no primeiro trimestre de 2018. Após crescimento de 10,4 pontos em oito meses, até fevereiro, em março do ano corrente houve um ajuste nas expectativas com variação de -1,7 p.p. O indicador de percepção sobre a situação atual recuou apenas ligeiramente.

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) chegou a 101,7 pontos em março de 2018 (crescimento de 2,1 no trimestre), seu maior valor desde agosto de 2013 (101,9 pontos). Melhoras na percepção sobre a situação atual e nas perspectivas sobre o futuro próximo possibilitam a manutenção da tendência de alta, indicadores diretamente influenciados pelo aumento na utilização da capacidade ociosa. Já o Índice de Confiança da Construção Civil (ICST) apresentou crescimento de 2,9 pontos no primeiro trimestre do ano, alcançando 82,1 pontos. Apesar do crescimento de 7,2 pontos em relação ao mesmo período do ano passado, os resultados positivos ainda não estão generalizados no setor, ficando restritos a algumas atividades.

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Evolução Dessazonalizada dos Índices de Confiança dos Produtores

Gráfico 5. Evolução Dessazonalizada dos Índices de Confiança dos Produtores. Abril de 2015 a março de 2018. Fonte: Elaboração Própria a partir dos dados das Sondagens das Expectativas do Comércio e das Sondagens das Expectativas dos Serviços elaboradas pelo IBRE-FGV.

7 EXPECTATIVAS

Após um primeiro mês com estabilidade nas expectativas de inflação para 2018 (4%) e um primeiro bimestre com projeções estáveis para 2019 (4,25%), o mês de março configurou uma queda contínua tanto nas expectativas de inflação para o ano corrente quanto para o próximo. Parte desta dinâmica se deve à inflação efetiva obtida para os primeiros meses do ano de 2018 ter ficado muito abaixo das expectativas anteriores. Foram o menor valor para um mês de janeiro desde a implantação do Plano Real e o menor valor para fevereiro desde o ano 2000, justificando um ajuste de expectativas. A conjuntura econômica também tem um papel relevante, não tendo a retomada gradual do nível de atividade permitido uma inversão na tendência das expectativas de inflação, permanecendo as perspectivas de queda. As expectativas para 2018 terminaram o período em 3,54% e para 2019 em 4,08%.

Apesar das oscilações ao longo dos três primeiros meses de 2018, as expectativas de crescimento do PIB terminaram o período com um valor muito semelhante ao do primeiro mês do ano, 2,84%. Mesmo com o resultado de crescimento de agregados como consumo das famílias e investimento de forma conjunta desde o último trimestre de 2017, a incerteza política no médio e longo prazo limitam as perspectivas de crescimento. A projeção de desequilíbrio fiscal devido à impossibilidade de se fazer uma reforma na previdência social ainda em 2018, pasta na qual o aumento na despesa tem sido contínuo desde a constituição de 1988, limitam as perspectivas de crescimento. Apesar de o teto de gastos limitar despesas públicas, impossibilitando um desequilíbrio fiscal mais acentuado, a imprevisibilidade sobre a origem dos recursos para cobrir o déficit na previdência gera incerteza quanto ao futuro, visto que mais de 90% do orçamento federal se mostra vinculado a algum programa ou pasta específica. Para além deste fato, a imprevisibilidade a médio e longo prazo no quadro político, dada a ocorrência de eleições, dificulta as projeções quanto a continuidade ou ruptura em relação às políticas atualmente adotadas no campo macroeconômico.

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Evolução das expectativas Focus de mercado – 2017 e 2018

Gráfico 6. Previsões de mercado para a inflação (IPCA) e crescimento do PIB acumulados em 2017, 2018 e 2019. Fonte: Elaboração Própria a partir dos dados das Sondagens das Expectativas de mercado dispostas nos Relatório Focus, do Banco Central do Brasil.

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