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Academic year: 2021

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TÍTULO: AVALIAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE MICRORGANISMOS EM CASCAS DE OVOS EXPOSTOS EM COMÉRCIO POPULAR NA REGIÃO DE GUARULHOS – SP

TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:

SUBÁREA: BIOMEDICINA SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE GUARULHOS INSTITUIÇÃO:

AUTOR(ES): MELISSA COLPANI DE VITOR AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): DENISE BARCELOS ORIENTADOR(ES):

COLABORADOR(ES): AUREA REGINA MALDONADO MUNHOZ COLABORADOR(ES):

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5 RESUMO

Introdução: O ovo de galinha é um alimento rico em proteínas e de fácil acesso à população, está presente na alimentação por se tratar de um alimento de baixo custo e de fácil preparo. Vários microrganismos podem ser encontrados do lado de fora do ovo sobre a casca, que expostos a condições favoráveis, podem penetrar a casca contaminando assim o produto e causando sua deterioração. Objetivo: Portanto, o objetivo deste trabalho foi avaliar a ocorrência de microrganismos como Escherichia coli, Samonella sp e Staphylococcus aureus na casca de ovos expostos em comércio na região de Guarulhos tendo em vista a manipulação da população e a manipulação dos funcionários do estabelecimento comercial. Material: Foram coletadas amostras no estabelecimento escolhido em três momentos diferentes, pré e pós-exposição. Método: As amostras foram divididas em dois grupos distintos, o grupo A foi o grupo de ovos que esteve em contato com os funcionários do estabelecimento e grupo B é foi grupo que ficou em contato com o público. Resultados: O estudo da contaminação pela exposição em estabelecimento comercial mostrou a presença S aureus em 99% dos casos seguida por 2% de S. saprophyticcus e 1% de Micrococcus. Sobre a relação das áreas, não houve diferença entre as contaminações visto que os resultados não apresentaram discrepância. Conclusão: Estes resultados podem contribuir para o conhecimento da microbiota encontrada em ovos e assim no ajuste de políticas de saneamento e educação sanitária.

Palavras-chave: comércio, ovos, microbiologia, contaminação, microrganismos. INTRODUÇÃO

Independente da cultura do indivíduo e da época vivida, o alimento é um fator essencial e indispensável à manutenção e à ordem da saúde. Sua importância está associada ao fornecimento de nutrientes necessários ao corpo humano mantendo assim a integridade do organismo (Moura et al., 2002).

Segundo Pascoal et al (2008) o ovo apresenta em sua composição proteínas, vitaminas, minerais e ácidos graxos, desse modo é um dos alimentos mais completos para alimentação do ser humano, colabora para a dieta de famílias de

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6 baixa renda, por ser de baixo custo e também está presente nas mesas de toda a população sem distinção de classe social.

Contudo, o ovo pode estar associado à contaminação alimentar sendo, o tempo, a temperatura de armazenagem e a manipulação incorreta alguns dos fatores de contaminação onde microrganismos passam da superfície da casa para as estruturas internas (Oliveira e Silva, 2000).

A intoxicação alimentar é uma infecção que ocorre devido ao fato de alimentos contaminados com microrganismos, toxinas ou vírus, terem sido ingeridos. Essa contaminação pode ser causada pelo contato de alimentos com ratos, moscas, baratas, fungos ou até mesmo por pesticidas e agrotóxicos aplicados sobre o alimento. Com isso há o aumento dos casos de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs) como, por exemplo, as toxinfecções alimentares de origem microbiana que surgem com sintomas como dores abdominais, febre, náuseas, diarréia e vômitos (Sonemann, 2012). Outra forma de contaminação é através da estocagem, preparação ou manuseamento errado do alimento. Devido ao clima úmido do Brasil, o aparecimento desses microrganismos é propício, principalmente no verão, quando aumentam os casos de intoxicações alimentares.

Os sintomas surgem, após algumas horas ou até dias depois da ingestão do alimento contaminado dependendo do tipo de microrganismo consumido. Esse tempo é o chamado de tempo de incubação, estes microrganismos passam pelo estômago, vão até o intestino e começam a se multiplicar. Muitos produzem toxinas que são absorvidos pela circulação sanguínea e podem invadir diretamente tecidos mais profundos do corpo (ddsonline.com. br, 2014).

Rodrigues et al (2003) cita que esses microrganismos podem ser patogênicos ou não, dentre eles: Escherichia coli, Salmonella sp e Staphyloccoccus aureus que são as principais bactérias envolvidas em contaminações alimentares e maus hábitos de higiene podendo causar diversas conseqüências.

A E coli é o gênero mais comum das cinco espécies de Escherichia e clinicamente importante por se tratar de um microrganismo associado a uma variedade de distúrbios incluindo sepse, Infecções do Trato Urinário (UTI), meningite e gastrenterite possuindo amplos fatores de virulência, além dos fatores gerais presentes em todos os membros da família Enterobacteriaceae, fazendo parte da

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7 microbiota normal do ser humano sendo capaz de estabelecer infecção do trato gastrointestinal (Murray, et al., 2004).

A Salmonella sp pode estar praticamente em todos os animais, porém está altamente adaptada aos seres humanos, contudo ela causa doenças graves em ambos. A maioria das infecções resulta da ingestão de alimentos contaminados, a incidência maior é em crianças com menos de 5 anos de idade e em adultos com mais de 60 anos, as fontes mais comuns de infecção são as aves domésticas, os ovos, os laticínios e os alimentos preparados em superfícies contaminadas (por exemplo, tábuas de cortar onde são preparadas aves não cozidas), ou quando são ingeridos alimentos ou água contaminados por manipuladores (Kottwitz et al., 2008).

A dose infectante de Salmonella sp é baixa, de modo que a disseminação pessoa a pessoa é comum, porém, quando os microrganismos se multiplicam atingem alta densidade. Desse modo, quando produtos contaminados são estocados, em condições impróprias, ou seja, deixados à temperatura ambiente este risco aumenta consideravelmente (Murray et al., 2004).

O Staphylococcus aureus é uma bactéria do grupo dos cocos Gram-positivos que faz parte da microbiota humana, mas, que pode provocar doenças que vão desde uma infecção simples, como espinhas e furúnculos, até as mais graves, como pneumonia, meningite, endocardite, síndrome do choque tóxico e sepse. Esta bactéria foi uma das primeiras a serem controladas com a descoberta dos antibióticos, mas, devido a sua enorme capacidade de adaptação e resistência, tornou-se uma das espécies de maior importância no quadro das infecções hospitalares e comunitárias. Os sintomas são cefaléias e doenças do trato respiratório como as rinites; alterações gastrointestinais como diarréias e do trato urinário como a infecção renal (Koneman, 2008). A identificação bacteriana é feita por etapas, elas consistem em inicialmente cultivar em meios não seletivos as bactérias que se quer identificar e após isso selecionar métodos mais específicos até que se chegue ao grupo ou espécie suspeita. Foram realizados também testes bioquímicos para confirmação dos gêneros bacterianos.

A exposição de alimentos é culturalmente aceita e incentivada em nossa sociedade desde comércios populares até em estabelecimentos com circulação de pessoas com maior poder aquisitivo. Esta exposição dos ovos facilita a

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8 disseminação de alguns tipos de microrganismos presentes no ambiente e nas mãos.

Desse modo, no intuito de esclarecer os possíveis riscos aos quais os consumidores estão expostos, este projeto propôs a avaliação da ocorrência de microrganismo frequentemente associadas à contaminação alimentar devido ao mau acondicionamento dos ovos e a exposição direta dos mesmos, visando melhorar as condições de higiene e manipulação dos ovos no local.

OBJETIVO Objetivo Geral:

 Avaliar a ocorrência de microrganismos presentes em cascas de ovos expostos em um comércio popular na região de Guarulhos.

Objetivo Específico:

 Detectar microrganismos como Salmonella sp, Escherichia coli, e Staphyloccoccus aureus, nas cascas de ovos expostos em um estabelecimento no município de Guarulhos;

 Comparar a contaminação entre áreas destinadas (área A circulação interna de funcionários e área B circulação de consumidores locais)

MATERIAL E MÉTODOS Coletas do material

O estabelecimento escolhido para esta pesquisa acondiciona seus ovos em bandejas retangulares com capacidade para 30 unidades cada.

As bandejas são dispostas em um balcão contendo 2 fileiras com 3 bandejas num total de 180 ovos, conforme ilustrado na figura 1.

Figura 1: Disposição das bandejas expostas no balcão

Área A

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9 Este balcão separa duas áreas de circulação distintas, sendo uma área de circulação interna (onde circulam somente funcionários do local) e outra área de circulação externa (onde circulam os clientes do local). A área interna será denominada Área A e a área externa será denominada Área B (figura 2). Todas as coletas foram feitas em triplicata.

ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS

Os ovos foram levados ao Laboratório de Microbiologia de Alimentos da Universidade Guarulhos, onde foram realizadas as análises microbiológicas.

A coleta das amostras foi realizada com auxílio de um Swab embebido em solução fisiológica estéril e colocada dentro de um tubo contendo Caldo Triptona de Soja (TSB), que foi levado à estufa durante 24 horas a 37ºC onde houve o crescimento bacteriano. As amostras que apresentarem crescimento foram semeadas em meios específicos e seletivos como Agar MacConkey para detecção de bacilos Gram negativos como Escherichia coli, Agar Manitol para detecção de Staphylococcus aureus e Agar Salmonella Shigella (SS) ou Agar Verde Brilhante (VB) meio seletivo para Salmonella. Os meios foram levados à estufa pelo período de 24 horas, na temperatura de 37ºC overnight onde se deu a análise do crescimento. Efetuou-se a coloração de Gram onde ocorreu a diferenciação das espécies Gram positivas e Gram negativas.

RESULTADOS

Após os procedimentos realizados seguem nas tabelas abaixo os resultados obtidos: Tabela I – Resultados da semeadura no caldo TSB, SS e Manitol durante as 3 coletas analisadas.

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10 + = positive; Ø = negativo

Tabela II. Frequência de microrganismos encontrados nas análises das três coletas realizadas e semeadas em Agar Manitol.

Microrganismos Coleta 1 Coleta 2 Coleta 3

S. aureus 17/18 (99%) 15/18 (97%) 15/18 (97%) S. saprophyticcus 0/18 (0%) 2/18 (2%) 2/18 (2%)

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11 DESENVOLVIMENTO

Este trabalho verificou que as amostras de ovos estudadas apresentaram contaminação com S. aureus na maioria das amostras em dentre as três coletas realizadas. Entretanto outros autores encontraram os mesmos microrganismos, mas em outro tipo de alimento (Priscilla D. L. SILVA,) como em queijos e berinjela (Tareq M. Osaili) reafirmando a presença de S.aureus com o solo e reforçando a hipótese da má manipulação e higienização dos ovos adquiridos para este experimento. Quanto aos ovos não estão publicados muitos trabalhos sobre este tipo de análise. Porém assim como outros autores (Katianne C. de NEDEROS) também encontraram S.aureus. Segundo (Xavier et al). O acondicionamento dos ovos em bandeja com filmes plásticos além de melhorar a qualidade dos ovos ia evitar a manipulação direta e proliferação e disseminação de tais microrganismos. Apesar de a Salmonella ser muito associada aos casos de contaminação com ovos, muitos trabalhos comprovaram que ela não é encontrada com tantas facilidades, onde a maioria dos trabalhos faz a contaminação das suas amostras para realizar pesquisas de invasão, mostrando também que dependendo de vários fatores como espessura da casca e se tem rachaduras ou não existe esta penetração pós-inoculação (K. De Reu) publicou um trabalho sobre os fatores que influenciam a penetração de vários tipos de microrganismos que foram encontrados na superfície de ovos. A utilização de políticas públicas de sanitização e da própria disseminação da cultura de higienização na população pode ter contribuído para estes resultados.

CONCLUSÃO

O estudo da contaminação pela exposição em estabelecimento comercial mostrou a presença S aureus em 99% dos casos seguida por 2% de S. saprophyticcus e 1% de Micrococcus. Estes resultados podem contribuir para o conhecimento da microbiota encontrada em ovos e assim no ajuste de políticas de saneamento e educação sanitária. Sobre a relação das áreas, não houve diferença entre as contaminações visto que os resultados não apresentaram discrepância.

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12 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Hoffman FL Fatores limitantes à proliferação de microorganismos em alimentos. Brasil Alimentos, n. 9, jul/ago 2001. Unesp – São José do Rio Preto, SP. http://www.ddsonline.com.br/ (acessado em 06/04/2014).

Jay JM. Microbiologia de alimentos. 6ª edição, ed. Artmed: Porto Alegre, 2005.

Koneman E W, Junior WCW, Allen S D, Janda W M, Procop GW, Screnberger P C, et al. Diagnóstico microbiológico: texto e atlas colorido. 6ª ed. Guanabara Koogan: Rio de Janeiro, 2008.

Moura, M.R.L.;Reys,F.G.Interações fármaco-nutriente:uma revisão. Revista de Nutrição.Vol.15, n.2, p.223-238, 2002Franco, B. D. G. M. & Landgraf, M.

Microbiologia dos alimentos. São Paulo: Atheneu, 1996.

NEDEROS K.C.D. et al. Salmonella sp e Escherichia coli em ovos. Caderno verde de agroecologia e desenvolvimento sustentável. V.1, n.1 2011.

Pascoal, Leonardo Augusto Fonseca; BENTO JUNIOR, Francisco de Assis; SANTOS, Willian Silva dos, et al. Qualidade de ovos comercializados em diferentes estabelecimentos na cidade de Imperatriz-MA. Rev. Bras. Saúde Prod. An., v.9, n.1, p. 150-157, jan/mar, 2008. ISSN 1519 9940

Reu.K.D et al. Eggshell factors influencing eggshell penetration and whole egg contamination by different bacteria, including Salmonella enteritidis.

International Journal of Food Microbiology, 112 (2006) 253–260.

Rodrigues KL, Gomes JP, Conceição RCS, Brod CS, Carvalhal JB, Aleixo JAG. Condições higiênico-sanitárias no comércio ambulante de alimentos em Pelotas. Ciênc Tecnol Aliment. 2003, 23 (3): 447-452.

Santos.L.A.et al. Staphylococcus aureus: visitando uma cepa de importância hospitalar. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial,Rio de Janeiro, Dez 2007. vol.43 no.6

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13 Silva.P.D.L.et al. Avaliação microbiológica do queijo minas frescal

comercializado em feiras-livres do sudeste do Pará. Caderno verde de agroecologia e desenvolvimento sustentável. V.1, n.1 2011.

Sonemann.G,et al. Avaliação dos aspectos higiênico-sanitária de feiras livres em cruz alta – RS e posterior elaboração de cartilhas para boas práticas de manipulação de alimentos.In:XVII Seminário Interinstitucional de Ensino,Pesquisa e Extensão.

Tareq.M.O.et al. Survival and growth of Salmonella typhimurium, Escherichia coli O157:H7 and Staphylococcus aureus in eggplant dip during storage. International Journal of Food Microbiology, 198 (2015) 7-42.

Xavier et al. Qualidade de ovos de consumo submetidos a diferentes condições de armazenamento. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.60, n.4, p.953-959, 2008.

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