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2.1 Generalidades sobre o sector das pescas em Portugal

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2 – Caracterização do sector das pescas em Portugal

Com este capítulo pretende-se caracterizar o sector das pescas e a sua importância na economia nacional e local. Tendo por base um conjunto de indicadores, procura-se dar a conhecer qual a situação actual, e como evoluiu o sector na última década.

2.1 – Generalidades sobre o sector das pescas em Portugal

A pesca é uma actividade que desde cedo se desenvolveu em Portugal devido à sua situação geográfica favorável. Uma faixa costeira relativamente alongada, associada à proximidade de pesqueiros e à grande variedade de espécies, determinou o desenvolvimento do sector. Deste modo, foram-se fixando gradualmente ao longo da costa, núcleos populacionais que se dedicavam em larga medida a esta actividade.

Entre os séculos XII e XIV, a pesca e o comércio eram das áreas económicas mais prósperas, e no século XV desenvolve-se a pesca longínqua nos mares do Norte (Flandres e Inglaterra) e nas águas do norte de África. Nos finais do século XVI, a Grande Pesca sofre os efeitos da perda de uma larga parte da nossa frota em batalhas marítimas. Só no século XIX é que o sector recupera desta perda aquando da evolução do arrasto, da introdução do vapor e do emprego do gelo a bordo, já numa lógica assente na exploração industrial. No século XX, a pesca assume-se como uma das actividades de maior importância a nível económico, mas também a nível social, atingindo o seu apogeu entre os anos 60 e 70, com a existência de uma frota que não só explorava os recursos locais, mas também os recursos marinhos dos mares do Noroeste Atlântico (Terra Nova, Gronelândia) e do Atlântico Sul (Cabo Branco, Mauritânia).

Nos últimos anos, o sector atravessou uma crise, a qual ainda não foi completamente ultrapassada. A inexistência de regras de controlo das pescarias devido às exigências de maior competitividade da economia, conduziu à sobrexploração dos recursos, o que teve como consequência a diminuição de uma quantidade considerável de unidades populacionais piscícolas. A redução das possibilidades de pesca teve efeitos negativos a nível económico e social, como iremos ver mais adiante.

Para combater a crise do sector, o desafio que se coloca actualmente é o de encontrar o equilíbrio entre a exploração dos recursos e as necessidades dos produtores e consumidores. Por outras palavras, é necessário fomentar a prática de uma pesca sustentável, na qual sejam preservados os recursos naturais e desenvolvida uma capacidade empresarial assente na valorização do produto. Estas acções deverão ser pensadas e levadas a cabo pelos diversos países em conjunto, mediante políticas efectivas.

Portugal, enquanto membro da União Europeia, tem a sua actuação condicionada às grandes linhas de orientação definidas no quadro da Política Comum de Pesca (PCP). A PCP tem em conta as dimensões biológica, económica e social da pesca e subdivide-se em quatro vertentes principais, a saber: política de conservação, política estrutural, política dos mercados comuns de pesca e relações com os países terceiros.

O peso do sector das pescas na economia nacional pode ser determinado com base num conjunto de indicadores sócio-económicos, que nos permitem chegar a algumas

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3 conclusões. No entanto, convém ter presente que “A importância do sector da pesca em Portugal não pode ser analisada apenas numa vertente economicista, na medida em que deverá ser tida em linha de conta a dependência de determinadas comunidades piscatórias, sobretudo nas regiões costeiras mais desfavorecidas (GPPAA, 1997: 181).”

Os dados que passamos a apresentar referem-se a Portugal Continental e Ilhas.

A importância relativa de uma actividade no total da economia nacional pode ser medida pelo peso do VABpm do ramo no total nacional.

Quadro 1- Peso do VABpm das pescas no VAB nacional

ANO 1990 1991 1992 1993 1994

VABpm nacional 9 156 371 10 534 193 11 774 460 12 516 654 13 461 829

VABpm ramo Pesca 49 824 (0.54% do VAB total) 60 356 (0.57% do VAB total) 66 385 (0.56% do VAB total) 58 951 (0.47% do VAB total) 54 416 (0.40% do VAB total) VABpm ramo Conservação de Peixe (0.62% do 56 597 VAB total) 52 142 (0.50% do VAB total) 69 534 (0.59% do VAB total) 70 550 (0.56% do VAB total) 76 620 (0.57% do VAB total) VABpm ramos Pesca + Conservação de Peixe 106 421 (1.16% do VAB total) 112 498 (1.07% do VAB total) 135 919 (1.15% do VAB total) 129 501 (1.03% do VAB total) 131 036 (0.97% do VAB total) Fonte: Direcção Geral das Pescas e Aquicultura e INE Unidade: 106 ESC O VABpm da Pesca tem vindo a decrescer desde 1992, situando-se em 1994 em 54 416 milhões de escudos, correspondendo a 0.40% do total nacional. No ramo da Conservação de Peixe, registaram-se valores um pouco superiores, representando 0.57% do VABpm nacional. Deste modo, se considerarmos estes dois ramos em conjunto, verifica-se que a importância do sector tem vindo a diminuir desde 1992, representando em 1994 0.97% do total. De acordo com estudos mais recentes, realizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), sabe-se que este valor tem-se mantido nos últimos anos, não ultrapassando em nenhum ano os 1% do VABpm nacional.

Portugal possui a maior ZEE (Zona Económica Exclusiva) da Europa, com cerca de 1 700 000 Km2 , uma costa de 942 Km no Continente e duas vastas áreas insulares. Contudo, dada a estreita plataforma continental, a ZEE portuguesa apresenta um volume relativamente reduzido de pescado em quantidade e pouca diversidade em termos de espécies, as quais são de geralmente de baixo valor comercial, tais como a sardinha ou o carapau. Esta situação conduz à procura de pesqueiros externos em águas internacionais, das quais se destacam a NAFO, Islândia e Marrocos.

Nos anos 90, assiste-se a uma quebra acentuada dos desembarques devido à sobreexploração dos recursos nos anos anteriores, a qual reduziu as oportunidades de pesca por falta de pescado. Em termos de quantidade, verifica-se o decréscimo global dos desembarques: em 1992 desembarcaram nos portos nacionais cerca de 265 mil toneladas de pescado, e no ano de 1998 esse valor diminui para as 209 mil toneladas. Este decréscimo tem como causa principal a redução dos desembarques provenientes quer de pesqueiros externos, quer de pesqueiros nacionais.

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4 Os dados respeitantes ao ano de 1999 não contabilizam os desembarques da pesca do largo em pesqueiros externos, pelo que não nos é possível fazer uma comparação fidedigna dos resultados. No entanto, julgamos que o valor total dos desembarques para o ano transacto não ultrapassarão as 200 mil toneladas.

Quadro 2 - Desembarques por pesqueiros (toneladas)

Unidade: mil toneladas

PESQUEIRO/SEGMENTO 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 ÁGUAS NACIONAIS 229 223 199 209 193 179 185 167 Continente 202 194 173 175 164 154 160 149 Arrasto 29 27 18 21 21 23 23 17 Polivalente 72 64 52 52 47 41 39 39 Cerco 102 103 104 103 96 90 98 93 R.A. Madeira 13 10 10 14 12 11 9 10 R.A Açores 14 19 15 20 17 13 16 8 PESQUEIROS EXTERNOS* 36 36 42 34 33 23 24 7** TOTAL 265 259 241 242 226 202 209 174**

Fonte: Direcção Geral das Pescas e Aquicultura

* Inclui Espanha, Marrocos, Mauritânia e Pesca do Largo

** O ano de 1999 não inclui a pesca do largo (pesqueiros externos)

A pesca desembarcada em termos de valor não conheceu um decréscimo tão acentuado como seria de esperar, tendo em conta a redução dos desembarques em toneladas. O valor da pesca desembarcada mantém-se acima dos 50 000 milhões de escudos, ao longo da década de 90, devido ao aumento do preço médio do pescado.

Quadro 3- Desembarques por pesqueiros (escudos)

Unidade: milhões de escudos

PESQUEIRO/SEGMENTO 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 ÁGUAS NACIONAIS 45 344 42 163 39 728 45 814 44 895 44 478 47 633 Continente 39 238 37 296 34 054 39 108 38 551 38 128 40 404 Arrasto 8 185 7 315 5 872 7 153 7 062 8 110 8 589 sem Polivalente 24 182 23 931 21 028 23 907 22 634 21 833 21 172 Cerco 6 871 6 050 7 154 8 048 8 855 8 185 10 643 dados R.A. Madeira 2 178 1 606 1 860 2 219 2 270 2 552 2 300 R.A Açores 3 813 4 000 3 814 4 487 4 074 3 799 4 929 PESQUEIROS EXTERNOS* 11 533 12 020 13 713 10 209 10 575 9 292 9 393 TOTAL 56 898 54 183 53 441 56 023 55 470 53 770 57 026 51 422**

Fonte: Direcção Geral das Pescas e Aquicultura

* Inclui Espanha, Marrocos, Mauritânia e Pesca do Largo * Não inclui o valor dos pesqueiros externos

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5 No que toca às principais espécies desembarcadas, podemos concluir pelos dados do Quadro 4 que é a sardinha o peixe mais pescado, seguido do carapau e da cavala. Segundo os dados da Direcção Geral das Pescas e Aquicultura, em águas nacionais as principais espécies capturadas são a sardinha, o carapau, o polvo e o peixe-espada. Os desembarques de atuns e seus similares, provenientes essencialmente das Regiões Autónomas dos Açores e Madeira, têm também uma importância considerável. Em águas externas, são o bacalhau, o cantarilho, a palmeta, o peixe-espada e o camarão, as espécies mais pescadas pelas embarcações portuguesas.

Quadro 4 - Desembarques por principais espécies

Unidade: toneladas Espécies 1997 1998 1999 SARDINHA 81 470 82 895 71 820 CARAPAU 18 650 21 398 14 580 CAVALA 5 411 6 695 13 877 POLVOS 9 056 6 407 9 181 PEIXE-ESPADA 6 459 4 324 3 182 PESCADA 2 722 2 697 3 084 FANECA 2 034 2 254 2 754 PEIXE-ESPADA PRETO 3 554 3 148 2 741 VERDINHO 2 439 1 900 2 625 SARDA 2 080 2 897 2 002 CONGRO 2 258 2 176 1 738 GAMBA 395 649 1 696 RAIAS 1 551 1 517 1 416 BERBIGÃO 1 284 1 264 1 409 BIQUEIRÃO 632 1 657 1 408

Fonte: Direcção Geral das Pescas e Aquicultura

Em termos genéricos, as artes de pesca mais utilizadas são as redes de cerco, empregues na captura da sardinha, e as redes de arrasto que operam em zonas mais afastadas da costa na captura do carapau e da pescada.

O consumo aparente per capita é um indicador fundamental para analisar o peso da importância da pesca na economia nacional, pois vai condicionar a evolução da balança comercial. São as necessidades de consumo da população que determinam, em parte, o volume de importações e exportações de um dado produto.

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6 Ano 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998

Consumo

Aparente 40.4 40.7 39.9 39.6 39.0 38.3 40.4

Per capita (Kg)

Fonte: Direcção Geral das Pescas e Aquicultura

Portugal é o maior consumidor de pescado da União Europeia, ocupando a nível mundial a 7ª posição, cuja liderança pertence às Maldivas. O consumo aparente per capita, ou seja, a estimativa quantificada em peso à descarga, tem rondado nos últimos anos os 40Kg (ver Quadro 5). O equivalente em peso vivo, ou seja, a capitação Kg/hab/ano, anda à volta dos 60Kg, situando-se acima da média da União Europeia que é de 22.5 Kg.

Segundo a Direcção Geral das Pescas e Aquicultura, no período de 1994-1995, os gastos das famílias portuguesas com o consumo de produtos da pesca atingiram os 14% do total das despesas com a alimentação e bebidas confirmando-se, mais um vez, a importância do consumo de produtos de origem marítima entre os portugueses.

O elevado consumo de pescado, associado à redução das capturas, teve como consequência o aumento das importações, o que agravou o déficit da balança comercial nos anos 90.

A produção nacional de pescado apenas satisfaz cerca de metade das necessidades do mercado, sendo inevitável o recurso à importação. As principais espécies importadas são o bacalhau, a pescada e os atuns, cujos mercados de origem são a Espanha, a Rússia, a Noruega e a Dinamarca. De acordo com os valores apresentados pela Direcção Geral das Pescas e Aquicultura, no período em análise, as importações cresceram cerca de 55% em quantidade e 121% em valor, devido ao aumento das quantidades importadas nos principais grupos, em especial o peixe congelado.

No que diz respeito às exportações, verifica-se um decréscimo relativo em quantidade entre os anos de 1990 e 1999 na ordem dos 2%. Em valor, as exportações conheceram um aumento de 27%. Os produtos exportados são essencialmente os derivados da indústria conserveira e os principais mercados são a Alemanha, o Reino Unido, a França e os Estados Unidos da América.

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7 As exportações de produtos da pesca não superam as importações, nem em volume nem em valor, pelo que o saldo tem-se apresentado sempre negativo. No período considerado, constata-se um agravamento no saldo de 98% em volume e de cerca de 200% em valor.

Quadro 6 - Balança comercial dos produtos da pesca

Unidades: tons e mil contos

Ano 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 Exporta. (tons) 94 420 101 387 88.592 76 838 93 027 105 538 86 487 94 126 90 108 91 829 Importa. (tons) 222 034 261 016 250 019 252 634 289 563 297 259 291 868 311 223 324 769 344 898 Saldo (tons) -127 614 -159 629 -161 427 -175 796 -196 536 -191 721 -205 381 -217 097 -234 661 -253 069 Exporta. (mil contos) 40 977 40 763 36 036 33 506 39 749 46 215 42 559 49 816 49 551 52 422 Importa. (mil contos) 86 549 109 733 100 183 100 313 117 453 121 512 120 525 136 364 170 922 191 371 Deficit comercial (mil contos) 45 572 68 970 64 147 66 807 77 704 75 297 77 966 86 548 121 371 138 949

Fonte: Direcção Geral das Pescas e Aquicultura

A descrição da frota de pesca constitui um indicador sócio-económico muito importante para caracterizar o sector das pescas, pois a ela estão associados os tipos de pesca que são praticados, os quais, por sua vez, têm influência ao nível da produção.

Dadas as suas características, podemos classificar a frota portuguesa em dois grandes grupos de embarcações:

as embarcações da frota local e costeira, as quais operam em águas nacionais e zonas adjacentes e,

as embarcações da pesca do largo, que actuam em pesqueiros longínquos, ou seja em águas internacionais ou de países terceiros.

As embarcações da pesca local são embarcações de pequenas dimensões (Cff <=9m) e, no ano de 1998, representavam cerca de 86% do número total de embarcações, 13% da tonelagem e 23% da potência propulsora total. São, na sua maioria, responsáveis pela manutenção de grande número de postos de trabalho e pelo desembarque do pescado fresco de maior valor comercial. Os aspectos sociais da actividade destas embarcações assumem particular importância, pois as tripulações, que em número não ultrapassam os

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8 três tripulantes, são normalmente membros do mesmo núcleo familiar, sendo frequente o resultado desta actividade constituir o único meio de subsistência da maioria das famílias das pequenas comunidades piscatórias da costa portuguesa.

As embarcações da pesca costeira detêm mais autonomia do que as anteriores, exercendo a sua actividade em pesqueiros mais afastados da costa, chegando as de maior dimensão a estar duas a três semanas no mar, normalmente em pesqueiros do Norte de África. Em 1998, este tipo de embarcações representava 14% do número total, 51% da tonelagem e 61% da potência propulsora.

Quadro 7 – Frota de pesca nacional por tipo de embarcação

1996 1998 TIPO DE EMBARCAÇÃO N.º TAB (tM) POT. (kw) N.º TAB (tM) POT. (kw) LOCAL 10 021 15 566 88 663 9 583 14 547 89 773 COSTEIRA 1 508 58 623 236 941 1 543 58 430 240 248 LARGO 68 46 154 69 716 63 41 666 64 028 TOTAL 11 597 120 363 395 320 11 189 114 643 394 048

Fonte: Direcção Geral das Pescas e Aquicultura

Por último, as embarcações da pesca do largo são aquelas que operam em pesqueiros mais longínquos, nomeadamente no Atlântico Norte (NAFO, Noruega, Svalbard) e na costa ocidental africana. Este segmento da pesca tem pouco peso no conjunto das embarcações, representando em número apenas 0.5% do total, atingindo em tonelagem os 36% e em potência os 16%.

Na década de 90, ao abrigo da política comum da pesca (PCP), a frota portuguesa sofreu uma redução à semelhança do que aconteceu noutras frotas da Comunidade. A reconversão das frotas surge da necessidade de adequar a capacidade das embarcações aos recursos disponíveis, como forma de combater a sobreexploração e assegurar uma pesca sustentável. No entanto, as saídas naturais causadas pelo abandono da pesca, por parte de alguns profissionais, contribuíram também para o decréscimo verificado.

Deste modo, no período de 1990 a 1999, verificou-se uma quebra de 31% no número de navios, de 39% na tonelagem de arqueação bruta e de 20% na potência. No ano transacto, a frota portuguesa registava 10 933 embarcações, com uma tonelagem de 112 800 TAB e uma potência de 397 938, como se pode observar no Quadro 8.

Quadro 8 – Evolução da frota de pesca nacional

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9 N.º 15 896 14 518 13 910 12 871 12 299 11 846 11 597 11 189 10 933 TAB (tM) 186 032 182 829 167 765 148 380 131 307 123 421 120 363 dados sem 114 643 112 800 POT (kw) 494 856 491 128 474 155 439 209 419 418 399 386 395 320 394 048 397 938

Fonte: Direcção Geral das Pescas e Aquicultura

A redução da frota é provocada pela saída de um grande número de embarcações. No período de 1990 a 1996, saíram da frota portuguesa 5 825 embarcações por três ordens de razões: 37% foram demolidas, 2% naufragaram e 61% devido a saídas por mudança de classificação para outras actividades ou para países terceiros, incluindo a constituição de sociedades mistas.

Quadro 9 - Fluxo das embarcações na frota de pesca nacional entre 1990 e 1996

Embarcações entradas na frota Embarcações saídas da frota

N.º 1 233 5 825

tM (tAB) 21 458 90 180

POT (kw) 77 692 199 886

Fonte: Direcção Geral das Pescas e Aquicultura e INE

Por seu turno, apenas entraram 1 233 embarcações provenientes, na sua maioria, de novas construções (72%). As restantes entradas resultaram da mudança de classificação de embarcações que se encontravam registadas noutras actividades.

Dados mais recentes, referentes ao ano passado, contabilizam um número de saídas superior ao número de entradas, à semelhança do que aconteceu nos anos anteriores.

Quadro 10 - Fluxo das embarcações na frota de pesca nacional em 1999

Ano 1999 Entradas (n.º) 329

Saídas (n.º) 585

Fonte: Direcção Geral das Pescas e Aquicultura e INE

Para avaliarmos a importância que assume a frota portuguesa no conjunto dos países da União Europeia é pertinente referir que Portugal ocupa a 4ª posição em número de embarcações, cuja liderança pertence à Grécia. Contudo, em termos de tonelagem de arqueação bruta Portugal ocupa o 5º lugar, sendo o sétimo país em termos de potência propulsora.

O emprego no sector das pescas é outro indicador que permite avaliar acerca do peso deste ramo de actividade na economia nacional. A reestruturação ao nível da frota e da indústria teve como consequência o decréscimo do número de postos de trabalho no sector. De

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10 acordo com os estudos do INE, em 1998, a população empregada no sector primário rondava os 13%, sendo que apenas 0,4% se encontrava empregada nas pescas.

Entre 1990 e 1999, o n.º de pescadores matriculados nas capitanias sofreu uma quebra de 34%. Como é possível observar através dos dados do Quadro 11, em 1990 encontravam-se matriculados 40 610 pescadores, e no ano passado esse número ficou reduzido a 26 660 pescadores.

Quadro 11 - Evolução do n.º de pescadores matriculados

Ano 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 N.º de pescadores matriculados 40 610 38 507 36 337 34 454 31 721 30 937 28 458 27 347 27 197 26 660 Fonte: INE

O grupo sócio-profissional dos pescadores e profissionais afins, caracteriza-se pela predominância de baixos níveis de escolaridade, prevalecendo os indivíduos com a 4ª classe e os analfabetos. Em termos etários, os pescadores distribuem-se maioritariamente pelos grupos etários mais elevados.

A evolução tecnológica das embarcações e a necessidade de praticar uma pesca mais distante, em virtude da escassez de recursos, criaram a necessidade de habilitar os profissionais da pesca para fazer face às novas exigências da profissão. Deste modo, nos finais dos anos 80 e princípios dos anos 90, e tendo também em vista o rejuvenescimento do sector, assiste-se à formação de um grande número de profissionais.

A partir de 1986, com a implementação de Centros de Formação do FORPESCAS ao longo de toda a costa, dá-se início a um esforço de formação em diversas áreas, mas principalmente ao nível da captura.

Os dados referentes à evolução do n.º de formandos, mostram-nos uma tendência crescente até 1994, passando a decrescer após aquele ano. Segundo a Direcção Geral das Pescas e Aquicultura, este decréscimo poderá ser atribuído a:

Fraco interesse, pelo sector, nas camadas mais jovens da população activa; Condições menos aliciantes de trabalho e vida a bordo, oferecidas aos jovens; Retracção, por parte dos marítimos no activo, em fazerem uso da oferta existente,

por considerarem insuficientes os apoios concedidos à frequência das acções de formação;

Recessão do mercado de emprego.

Quadro 12 - Formação Profissional

Ano 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 N.º de 2 479 3 427 3 496 3 442 3 581 2 497 2 293 2 244 2 045

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11 formandos

N.º de

cursos 25 25 25 30 32 26 43 37 37

Fonte: Forpescas

De acordo com a mesma fonte, a percentagem de formandos com aproveitamento evoluiu negativamente. Em 1990 84% dos alunos tiveram aproveitamento, mas em 1996 esta percentagem decresce para os 63%.

Em 1996, com o objectivo de aliciar um maior número de formandos, são criados novos cursos em diversas áreas que vão desde a captura a outras actividades a montante e a jusante do sector. Contudo, todo este empenho parece não ter tido os resultados esperados, na medida em que o número de alunos continuou a decrescer.

Uma vez que a profissão de pescador é considerada uma actividade de risco, quisemos dar a conhecer a média de acidentes de trabalho e o número de vítimas em consequências dos mesmos nos últimos anos. Os dados do INE permitem-nos averiguar que o sector das pescas é um dos sectores com maior índice de acidentes de trabalho (15.2%), sendo precedido apenas pelo sector da Construção civil e Obras públicas, o qual apresenta uma média de 19.7%.

Quadro 13 – Média de acidentes de trabalho no sector das pescas

ACTIVIDADE ECONÒMICA MÉDIA DE ACIDENTES

Agricultura, Silvicultura, Caça e Pesca 12.1%

Pesca 15.2%

Indústrias extractivas 10.5%

Indústrias transformadoras 9.3%

Electricidade, Gás e Água 5.9%

Comércio por grosso e a retalho 7.6%

Restaurantes e Hotéis 7.6%

Transportes, Armazenagem e Comunicações 5.7%

Banca, Seguros e Serviços a empresas 2.2%

Serviços à colectividade, sociais e pessoais 2.2%

Construção civil e Obras públicas 19.7%

Fonte: INE

Os dados mais recentes que possuímos, relativamente ao número de vítimas de acidentes de trabalho nas pescas, referem-se a 1996. Desde o início da década que a evolução do número de acidentados tem-se mostrado um pouco irregular. No entanto, é possível constatar, nos últimos anos, um relativo abrandamento o qual, segundo a Direcção Geral das Pescas e Aquicultura, se deve à melhoria das condições de segurança a bordo.

Quadro 14 – Vítimas de acidentes de trabalho no sector das pescas

Ano 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996

Mortos 53 11 26 9 14 33 13

Feridos 3 437 3 254 2 985 2 640 2 251 2 087 2 129

TOTAL 3 490 3 265 3 011 2 649 2 265 2 120 2 142

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12 A partir de 1996, com o intuito de fazer frente a alguns dos problemas causados pela crise no sector, as políticas das pescas dão particular importância às questões sociais, o que permite a regulamentação de alguma legislação específica nesta área. De entre as várias acções levadas a cabo destacam-se:

A aprovação de um diploma legal sobre o Regime Jurídico do Contrato Individual de Trabalho a Bordo de Embarcações de Pesca, o qual obriga os pescadores a possuírem um contrato de trabalho escrito que não esteja baseado apenas na palavra. Este regime é constituído por várias disposições que passam a regulamentar a prestação de trabalho a bordo das embarcações de pesca e que permitem um aumento das contribuições para a Segurança Social (exemplos: prestação de trabalho suplementar, horários de trabalho em terra, férias, trabalho prestado em dias de descanso semanal, 13º mês). Isto tem como consequência uma maior transparência de toda a situação.

A aprovação de um documento que determina que os titulares de pensão de velhice antecipada (direito à pensão de velhice a partir dos 55 anos de idade), não podem acumular as pensões com o exercício de actividade no mar a bordo de embarcações de pesca como inscritos marítimos sendo, contudo, permitido acumular a pensão com o exercício de actividade pesqueira em terra. Este decreto surge como um incentivo à continuidade do trabalho em terra, o qual está, gradualmente, a perder activos. Deste modo, os reformados que habitualmente trabalham nos armazéns de pesca, podem ser incluídos nas folhas de contribuições para a segurança social sem correrem o risco de perder a pensão da reforma. A actividade dos redeiros está incluída no conjunto destes trabalhos que podem ser desenvolvidos em terra. A criação de um Fundo de Compensação Salarial para os profissionais da pesca em

Agosto de 1999. Este fundo surge como um meio de solucionar uma questão para a qual os pescadores tinham vindo a chamar a atenção desde há algum tempo – a paralização das embarcações por razões que não são imputáveis aos próprios pescadores (exemplos: intempéries, calamidades naturais, “avaria grossa”, abalroamento, naufrágio, paragem biológica, defeso, entre outros). Tendo em conta que os salários dos pescadores estão dependentes da pesca efectivamente realizada, a paralização das embarcações tem consequências extremamente negativas.

O fundo de compensação salarial apoia financeiramente os profissionais da pesca, em situações excepcionais que os impeçam de exercer a sua actividade, nomeadamente:

a) “Catástrofe natural e imprevisível que origine falta de segurança na barra e no mar, implicando o encerramento daquela durante, pelo menos, dez dias consecutivos;

b) Interdição de pescar determinada por razões excepcionais de preservação de recursos, motivos de saúde pública ou defesa do ambiente, desde que não repetitivas e com duração mínima de trinta dias.”

O valor diário da compensação salarial será igual a 1/30 do valor da remuneração mínima mensal garantida aos trabalhadores, ou seja, cerca de 2.130$00. O pagamento da compensação salarial só é devido a partir do 11º ou 31º dia de imobilização total das embarcações.

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13 Dada a excepcionalidade das situações previstas por este documento, até à data ainda nenhum pescador beneficiou deste fundo.

Ainda associada à maior preocupação com as questões sociais, é implementada em 1996 a Iniciativa Comunitária PESCA, a qual permite apoiar pequenos projectos de extrema importância para a manutenção e sobrevivência de determinadas comunidades piscatórias, para além de criar postos de trabalho para os profissionais do sector que abandonaram, voluntária ou involuntariamente, a actividade da pesca. É neste âmbito que surge o Projecto REDEIRAS.

Referências

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