Agrupamento de Escolas de Valadares VILA NOVA DE GAIA

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Texto

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Agrupamento de

Escolas de Valadares

V

ILA

N

OVA DE

G

AIA

Delegação Regional do Norte da IGE

Avaliação Externa das Escolas

Relatório de escola

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I – INTRODUÇÃO

A Lei n.º 31/2002, de 20 de Dezembro, aprovou o sistema de avaliação dos estabelecimentos de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, definindo orientações gerais para a auto-avaliação e para a avaliação externa.

Após a realização de uma fase-piloto, da responsabilidade de um Grupo de Trabalho (Despacho Conjunto n.º 370/2006, de 3 de Maio), a Senhora Ministra da Educação incumbiu a Inspecção-Geral da Educação (IGE) de acolher e dar continuidade ao programa nacional de avaliação externa das escolas. Neste sentido, apoiando-se no modelo construído e na experiência adquirida durante a fase-piloto, a IGE está a desenvolver esta actividade, entretanto consignada como sua competência no Decreto Regulamentar n.º 81-B/2007, de 31 de Julho.

O presente relatório expressa os resultados da avaliação externa do

Agrupamento de Escolas de Valadares – Vila Nova de Gaia,realizada pela equipa de avaliação, na sequência da visita efectuada entre 18 e 20 de Novembro de 2009.

Os capítulos do relatório – Caracterização do Agrupamento,

Conclusões da Avaliação por Domínio, Avaliação por Factor e Considerações Finais – decorrem da análise dos documentos

fundamentais do Agrupamento, da sua apresentação e da realização de entrevistas em painel.

Espera-se que o processo de avaliação externa fomente a auto-avaliação e resulte numa oportunidade de melhoria para o Agrupamento, constituindo este relatório um instrumento de reflexão e de debate. De facto, ao identificar pontos fortes e pontos fracos, bem como oportunidades e constrangimentos, a avaliação externa oferece elementos para a construção ou o aperfeiçoamento de planos de melhoria e de desenvolvimento de cada escola, em articulação com a administração educativa e com a comunidade em que se insere.

A equipa de avaliação externa congratula-se com a atitude de colaboração demonstrada pelas pessoas com quem interagiu na preparação e no decurso da avaliação.

ESCALA DE AVALIAÇÃO

Níveis de classificação dos cinco domínios

MUITO BOM – Predominam os pontos fortes, evidenciando uma regulação sistemática, com base em procedimentos explícitos, generalizados e eficazes. Apesar de alguns aspectos menos conseguidos, a organização mobiliza-se para o aperfeiçoa-mento contínuo e a sua acção tem proporcionado um impacto muito forte na melhoria dos resultados dos alunos.

BOM – A escola revela bastantes pontos fortes decorrentes de uma acção intencional e frequente, com base em procedimentos explícitos e eficazes. As actuações positivas são a norma, mas decorrem muitas vezes do empenho e da iniciativa indi-viduais. As acções desenvolvidas têm proporcionado um impacto forte na melhoria dos resultados dos alunos.

SUFICIENTE –Os pontos fortes e os pontos fracos equilibram-se, revelando uma acção com alguns aspectos positivos, mas pouco explícita e sistemática. As acções de aperfeiçoamento são pouco consistentes ao longo do tempo e envolvem áreas limitadas da escola. No entanto, essas acções têm um impacto positivo na melhoria dos resultados dos alunos.

INSUFICIENTE – Os pontos fracos sobrepõem-se aos pontos fortes. A escola não demonstra uma prática coerente e não desenvolve suficientes acções positivas e coesas. A capacidade interna de melhoria é reduzida, podendo existir alguns aspectos positivos, mas pouco relevantes para o desempenho global. As acções desenvolvidas têm proporcionado um impacto limitado na melhoria dos resultados dos alunos.

O texto integral deste relatório, bem como o contraditório apresentado pelo Agrupamento, estão disponíveis

no sítio da IGE na área

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II – CARACTERIZAÇÃO DO AGRUPAMENTO

O Agrupamento de Escolas de Valadares, com sede na Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos de Valadares, criado em 2003, integra três escolas básicas do 1.º ciclo (EB1), dois jardins-de-infância (JI) e seis escolas básicas do 1.º ciclo com jardim-de-infância (EB1/JI), que se distribuem pelas freguesias de Valadares, Gulpilhares e Vilar do Paraíso, no concelho de Vila Nova de Gaia.

Segundo dados revistos pela Direcção do Agrupamento, no ano lectivo de 2009-2010, frequentam esta unidade de gestão 2550 crianças e alunos: 304 na educação pré-escolar (13 grupos); 1249 no 1.º ciclo (64 turmas); 594 no 2.º ciclo (23 turmas); 403 no 3.º ciclo (18 turmas), sendo 24 nos cursos de educação e formação, de nível 2, de Técnicas Comerciais (1 turma) e de Instalação e Manutenção de Sistemas Informáticos (1 turma). A Acção Social Escolar abrange 537 alunos do 1.º ciclo (43%), 288 do 2.º ciclo (48,5%) e 183 do 3.º ciclo (45,4%), totalizando 1008 alunos (44,9%), dos quais, 588 estão integrados no escalão A (58,3%).

O Agrupamento é frequentado por 50 alunos de outras nacionalidades ou etnias.

Relativamente à disponibilidade de computador e Internet em casa, 52,5% dos alunos não possuem nenhum destes recursos e 35,6% têm acesso à Internet.

Segundo os dados registados no Perfil do Agrupamento, entre as habilitações literárias conhecidas dos pais e encarregados de educação (72,5%), predomina o 2.º ciclo do ensino básico (25,4%), registando-se valores próximos nos 1.º e 3.º ciclos e ensino secundário (respectivamente, 19,4%, 20,6% e 19,8%). As profissões conhecidas dos pais/encarregados de educação (69,7%) enquadram-se prioritariamente nos seguintes grupos de referência: Serviços e Comércio (29,5%); Operários, Artífices e Trabalhadores da Indústria (27,2%); Quadros Superiores, Dirigentes e Profissões Intelectuais (22,7%); Técnicos e Profissões de Nível Intermédio (12,5%). Genericamente, todos os estabelecimentos têm sido objecto da manutenção necessária, dispondo de razoáveis condições de conservação e segurança, com excepção do JI de Lagos, da EB1 da Junqueira e da Escola-Sede. O pessoal docente é composto por 245 elementos: 170 do Quadro de Agrupamento; 46 do Quadro de Zona Pedagógica; e 29 contratados.

O pessoal não docente integra 53 elementos: 8 assistentes técnicos; 43 assistentes operacionais, 2 técnicos superiores (psicóloga e assistente social). Neste grupo profissional, 86,7% têm contrato de trabalho em funções públicas por tempo indeterminado e 13,3% contrato a termo resolutivo certo.

III – CONCLUSÕES DA AVALIAÇÃO POR DOMÍNIO

1. Resultados

BOM

Nos 1.º e 2.º ciclos, o Agrupamento registou, no último triénio, uma evolução positiva das taxas de sucesso. O mesmo não aconteceu relativamente ao 3.º ciclo, em que, para além da estagnação verificada nos dois últimos anos, as taxas estão abaixo dos valores nacionais. De uma maneira geral, tanto nas provas de aferição (4.º e 6.º anos) como nos exames nacionais (9.º ano), os resultados alcançados são superiores aos registados a nível nacional. A taxa de abandono escolar diminuiu acentuadamente, passando de 3,1% (2006-2007) para 0,3% (2008-2009).

Os alunos, embora não tenham participado na elaboração dos documentos estruturantes, conhecem bem o Regulamento Interno, em particular os seus direitos e deveres, assumem algumas responsabilidades na organização e concretização de actividades e manifestam grande satisfação pela qualidade dos serviços prestados, à excepção das condições existentes para a prática da Educação Física e do mau estado geral das instalações da Escola-Sede.

A comunidade educativa considera o Agrupamento seguro e a indisciplina, em grande parte, controlada. No entanto, no ano lectivo de 2008-2009, ocorreram 34 processos disciplinares, número inferior ao dos dois anos anteriores, fruto da acção desenvolvida neste âmbito.

A oferta educativa do Agrupamento, para além dos cursos regulares, contempla dois cursos de educação e formação, a opção de Espanhol (3.º ciclo), percursos escolares alternativos e o ensino articulado (música e dança).

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A comunidade educativa, em geral, manifesta-se satisfeita, não só pela oferta disponibilizada, como também pela qualidade das aprendizagens proporcionadas. Procura-se valorizar o sucesso dos alunos, nomeadamente, através da criação do quadro de excelência, que integra aqueles que obtêm melhores resultados académicos.

2. Prestação do serviço educativo

BOM

As planificações de médio e longo prazo são realizadas no âmbito dos grupos disciplinares. A articulação horizontal é basicamente levada a cabo através da realização de actividades conjuntas, nos conselhos de turma, e materializada nos projectos curriculares. A articulação vertical, embora seja efectuada, revela alguma falta de organização e sistematização, particularmente entre os 1.º e 2.º ciclos. Verifica-se a promoção do trabalho colaborativo e a elaboração de instrumentos de avaliação comuns, nomeadamente provas intermédias de Matemática e provas de aferição interna (4.º, 5.º e 6.º anos), nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática. Salienta-se o trabalho desenvolvido pela psicóloga, em colaboração com os directores de turma, no acompanhamento dos alunos, com destaque para a orientação vocacional levada a efeito no 9.º ano.

As planificações individuais de curto prazo têm em consideração as orientações provenientes dos departamentos e são adaptadas às características de cada turma. No entanto, não são monitorizadas, a não ser no âmbito da assistência às aulas dos professores que requereram a avaliação da componente científica. Os projectos curriculares de turma são analisados e avaliados regularmente, procedendo-se à sua eventual reformulação, no sentido de os adaptar ao ritmo das aprendizagens e às dificuldades encontradas.

O Agrupamento desenvolve um trabalho meritório no acompanhamento dos alunos com necessidades educativas especiais, apesar da escassez de recursos, face ao número de alunos nestas circunstâncias e às patologias dos mesmos, com destaque para os que são portadores de deficiência profunda (uma unidade de multideficiência) e autistas (duas unidades). Também os alunos com dificuldades de aprendizagem são acompanhados, no 1.º ciclo, por professores colocados exclusivamente para o efeito, e nos 2.º e 3.º ciclos, pelos respectivos professores, dentro da componente não lectiva. Aos alunos com maiores dificuldades são aplicados planos de recuperação ou de acompanhamento, tendo os discentes com planos de recuperação obtido uma taxa razoável de aproveitamento, enquanto os com planos de acompanhamento não conseguiram o mesmo desempenho, revelando taxas bastante inferiores, em especial no 3.º ciclo.

O Agrupamento procura diversificar as suas actividades educativas, proporcionando iniciativas de natureza cultural, desportiva e artística. Os clubes existentes actuam principalmenteno âmbito do teatro e da educação para a saúde, contribuindo para a formação integral dos alunos. Verifica-se, no entanto, algum défice na promoção do ensino experimental e do espírito científico.

3. Organização e gestão escolar

BOM

Os documentos estruturantes foram elaborados por equipas específicas, com a consulta da comunidade educativa e divulgados pelos meios de comunicação disponíveis, incluindo a distribuição de um CD. As actividades de planeamento têm em conta as necessidades dos alunos e os critérios definidos.

Na gestão dos recursos humanos, a Direcção tem em consideração o perfil e as competências individuais na afectação do serviço a cada profissional, o que lhe permite fazer uma gestão eficaz. A escassez de pessoal não docente é, de alguma forma, compensada pelo sentido de entreajuda destes trabalhadores. O Agrupamento proporciona alguma formação interna, em áreas vitais do seu funcionamento, e o Centro de Formação a que pertence procura corresponder às propostas apresentadas.

As diferentes unidades educativas, em geral, estão em razoável estado de conservação e segurança. Porém, a Escola-Sede, carece de obras de conservação, uma EB1 apresenta fissuras e um JI funciona num pré-fabricado de madeira. Entre os recursos físicos da Escola-Sede, salienta-se a Biblioteca e o Museu da Ciência, visitados por todos os alunos do Agrupamento. Grande parte das receitas próprias deriva da adesão a projectos, sendo geridas e aplicadas de forma criteriosa, na manutenção das instalações e renovação de equipamentos.

As associações de pais têm colaborado activamente na resolução de problemas do Agrupamento, mas, globalmente, os encarregados de educação ainda se empenham pouco no acompanhamento dos seus educados. Pais e outros elementos da comunidade aderem bem a algumas actividades abertas à população.

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O planeamento, as actividades, os projectos e as parcerias revelam equidade e justiça na participação e no atendimento dos alunos, salientando-se o especial cuidado prestado aos portadores de deficiências profundas e aos autistas, bem como o papel do Agrupamento na intervenção precoce.

4. Liderança

BOM

A liderança está enquadrada pelos documentos estruturantes e orientadores do Agrupamento, onde estão definidos, hierarquizados e calendarizados os objectivos, definidas metas e estabelecidas prioridades. A visão institucional é ainda pouco estratégica, dado que não se verifica, de forma sistemática e direccionada, uma definição de intervenção a médio e longo prazos, não existindo uma prospectiva de desenvolvimento do Agrupamento.

A Direcção actua de forma motivada, empenhada e orientada para as tarefas definidas, no sentido da melhoria de processos e de resultados. Há articulação entre os diferentes órgãos de direcção, administração e gestão e as diferentes estruturas de coordenação e supervisão, mobilizando-se a participação de todos. Os níveis de assiduidade de docentes e do pessoal não docente são elevados e não há registo de incidentes críticos nestes grupos profissionais.

A abertura à inovação é sobretudo caracterizada pela adesão a alguns projectos potenciadores de melhoria de processos e de resultados e pela activação de parcerias adequadas, que também contribuem para a qualificação da oferta educativa. Podem considerar-se iniciativas inovadoras, entre outras, a Escola de Pais, uma das primeiras do país, a dinamização do Projecto Ler Mais e o Toca a Ler.

O Agrupamento estabelece várias parcerias e protocolos com associações e entidades situadas na sua área de influência, bem como adere a vários projectos de âmbito local e nacional, dos quais retira vantagens concretas, com reflexos na melhoria das aprendizagens.

5. Capacidade de auto-regulação e melhoria do Agrupamento

BOM

A equipa de auto-avaliação iniciou funções no ano lectivo de 2007-2008 e já identificou pontos fortes e pontos fracos da organização, para implementar estratégias de melhoria (plasmadas no Projecto Educativo), superar as debilidades encontradas e consolidar os progressos já alcançados, tendo sido este processo devidamente divulgado junto de toda a comunidade educativa. Colaborou na reformulação dos documentos estruturantes do Agrupamento e na reflexão sobre os resultados escolares, com impacto na planificação das práticas pedagógicas, no presente ano lectivo. Prepara-se, agora, para alargar o seu âmbito de acção a outras áreas de funcionamento, consciente de que a melhoria do funcionamento do Agrupamento assentará no aperfeiçoamento continuado da auto-avaliação. Também foram identificados constrangimentos relacionados com o funcionamento em regime duplo, a degradação da Escola-Sede e a dispersão geográfica, associada a uma débil articulação da rede de transportes. Por outro lado, a construção de um centro escolar na área de influência do Agrupamento contribuirá para a melhoria da rede escolar e da prestação do serviço educativo a nível da educação pré-escolar e do primeiro ciclo do ensino básico.

IV – AVALIAÇÃO POR FACTOR

1. Resultados

1.1 Sucesso académico

O Agrupamento, nos três últimos anos lectivos, registou, respectivamente, as seguintes taxas de sucesso: no 1.º ciclo, 90,8% - 91,3% - 96,6%; no 2.º ciclo, 89% - 93,3% - 93,8%; no 3.º ciclo, 75,3% - 84,9% - 81,4%. Conjugando estes valores com os nacionais, verifica-se que, nos 1.º e 2.º ciclos, a evolução foi positiva, tendo-se registado, no último ano lectivo, taxas superiores às nacionais, que foram 96,1% (1.º ciclo) e 92% (2.º ciclo). No 3.º ciclo,

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nos dois últimos anos lectivos, as taxas de sucesso situaram-se abaixo dos valores nacionais, que foram, respectivamente, 85,3% e 85,1%.

Relativamente às provas de aferição (2009), no 4.º ano, o Agrupamento obteve, em Língua Portuguesa, uma taxa de sucesso de 90,8%, ligeiramente inferior à nacional (91%). Em Matemática, registou-se uma taxa de sucesso de 90,3%, superior à nacional (89%). Nas provas de aferição do 6.º ano, foram obtidas taxas de sucesso ligeiramente superiores às verificadas a nível nacional, tanto em Língua Portuguesa (92,1%), como em Matemática (80,5%), enquanto as taxas nacionais foram de 90% (Língua Portuguesa) e 79% (Matemática). Nos dois anos anteriores, os resultados obtidos nas provas de aferição (4.º e 6.º anos) apresentam taxas de sucesso superiores às nacionais, mas não evoluíram de forma linear, tendo-se registado algumas oscilações.

Nos exames nacionais do 9.º ano, nos três últimos anos lectivos, o Agrupamento registou, em Língua Portuguesa, sucessivamente, as médias de 3,4 (2007), 3,5 (2008) e 2,9 (2009), valores superiores, nos dois primeiros anos, às médias nacionais (respectivamente, 3,2 e 3,3) e ligeiramente inferiores às médias nacionais, em 2009 (3,0). Se compararmos as médias dos exames com as registadas nas classificações internas (3,0; 3,5; 3,0), verifica-se que, em 2008 e 2009, são praticamente iguais, enquanto que, em 2007, a média de exame foi superior em quatro décimas. Na disciplina de Matemática, o Agrupamento obteve as médias de exame de 2,2 (2007), 3,4 (2008) e 3,0 (2009), valores iguais às médias nacionais, em 2007 e 2009, enquanto que, em 2008, se registou uma média superior à nacional (2,9).

As taxas de abandono escolar registaram, nos três últimos anos, um decréscimo acentuado, em particular nos 2.º e 3.º ciclos, passando de 3,1% (2006-2007) para 0,3% (2008-2009). Este facto deve-se à política levada a efeito, neste âmbito, com o envolvimento e dedicação dos seus responsáveis no acompanhamento e detecção precoce de potenciais casos, em colaboração com as estruturas sociais de apoio da autarquia, para o que também terá contribuído o alargamento da oferta formativa.

1.2 Participação e desenvolvimento cívico

Os alunos não são envolvidos na elaboração dos documentos estruturantes e orientadores do Agrupamento. Sabem da existência destes documentos, mas apenas conhecem, com algum pormenor, o Regulamento Interno, em particular a parte que diz respeito aos seus direitos e deveres. Os directores de turma promovem a auscultação dos alunos, nomeadamente nas aulas de Formação Cívica, aproveitando algumas sugestões para serem integradas no Plano Anual de Actividades, ainda que esta prática não seja seguida da mesma forma por todos. Os alunos são responsáveis pela concretização de algumas tarefas e actividades, por exemplo, a marcação de campo de jogos e pintura de paredes, assumindo maior visibilidade no âmbito do projecto Jovens Promotores de Saúde, em que participam activamente em várias iniciativas relacionadas com a promoção da saúde.

Os alunos revelam bastante satisfação com a qualidade dos serviços prestados, manifestando um certo desagrado com o mau estado das instalações, em particular as desportivas. Participam em campanhas de solidariedade e de preservação do ambiente, sem que, no entanto, seja uma prática regular e com grande notoriedade. É de referir que o Agrupamento procura valorizar e desenvolver os comportamentos relacionados com a promoção de atitudes e de valores, criando o quadro de valor, que integra os alunos que mais se distinguem neste domínio.

1.3 Comportamento e disciplina

A comunidade educativa considera o Agrupamento seguro, ainda que sejam referidos alguns casos de indisciplina, que têm vindo a diminuir progressivamente, mas que, no último ano lectivo, ainda originaram 34 processos disciplinares, contra os 44 de 2006-2007 e os 39 de 2007-2008. Segundo as opiniões recolhidas, as situações de indisciplina mais frequentes resultam da imaturidade e irreverência de alguns alunos, não se verificando situações de vandalismo, sendo as agressões físicas pontuais e apenas envolvendo alunos.

O Regulamento Interno é divulgado e discutido nas aulas de Formação cívica, sendo distribuído, no início do ano lectivo aos pais/encarregados de educação num CD, juntamente com outros documentos. No sentido de acompanhar os alunos com problemas de indisciplina durante as aulas, existe o Gabinete do Aluno, para onde estes são encaminhados, a fim de concretizarem tarefas que lhes são distribuídas, enquanto o professor que, na altura, se encontra no Gabinete, procura identificar a situação que originou a saída da sala de aula para

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encaminhamento e tratamento posterior. Os responsáveis pelo Agrupamento desenvolvem esforços no sentido do cumprimento das regras de funcionamento e na adopção de normas de conduta, mas os alunos, por vezes, não aceitam bem a chamada de atenção, mesmo sabendo que os critérios de avaliação contemplam aspectos relacionados com o cumprimento das regras estabelecidas, penalizando os comportamentos indisciplinados.

1.4 Valorização e impacto das aprendizagens

De uma maneira geral, os pais e encarregados de educação manifestam grande satisfação pela qualidade das aprendizagens proporcionadas, bem como relativamente à oferta formativa que contempla cursos de educação e formação de Técnicas Comerciais e de Instalação e Manutenção de Sistemas Informáticos, de nível 2, oferecendo ainda a opção de Espanhol, no 3.º ciclo, e o ensino articulado, nas variantes de Música e Dança, em colaboração com instituições locais. Também os professores manifestam satisfação face às aprendizagens adquiridas pelos alunos, se bem que tivesse sido referido que, a par de alguns alunos que revelam fracas expectativas relativamente ao prosseguimento de estudos, outros ambicionam obter cursos superiores. No sentido de promover e valorizar o sucesso escolar, o Agrupamento procura aderir a alguns projectos e concursos, tendo instituído o quadro de excelência, que integra os alunos com melhor desempenho académico.

2. Prestação do serviço educativo

2.1 Articulação e sequencialidade

As planificações de médio e longo prazo são elaboradas nos grupos disciplinares, por equipas constituídas de acordo com os anos leccionados. A articulação horizontal, intra e interdepartamental, é fundamentalmente concretizada ao nível das actividades realizadas no âmbito do Plano Anual de Actividades e nos projectos curriculares de turma. Normalmente, são definidos objectivos, sem que, no entanto, sejam definidas metas mensuráveis, à excepção da Matemática. Os coordenadores dos departamentos da educação pré-escolar e do 1.º ciclo estabelecem as pontes de ligação entre os docentes das diferentes unidades educativas, procurando estabelecer a adopção de critérios uniformes de actuação, envolvendo os professores das actividades de enriquecimento curricular. Também as coordenadoras de departamento (2.º e 3 ciclos) promovem a articulação entre os diferentes grupos disciplinares que os integram e a elaboração conjunta de instrumentos de avaliação, nomeadamente de testes intermédios de avaliação, em Matemática, e nas provas de aferição internas (4.º, 5.º e 6.º anos), nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática. Por vezes, assiste-se à partilha de materiais e de experiências pedagógicas.

A articulação vertical do currículo vem sendo realizada nos diferentes níveis/ciclos de ensino, mas revela alguma fragilidade, particularmente entre o 1.º e o 2.º ciclos, não obstante algumas reuniões realizadas para o efeito entre os professores do 4.º ano e do 2.º ciclo, de Matemática e Língua Portuguesa. Também não é visível uma articulação organizada e sistemática com a escola secundária, situada mesmo ao lado da Escola-Sede. A psicóloga, em colaboração com os directores de turma, promove a divulgação de informação relativa aos percursos escolares e formativos após a conclusão do ensino básico, ao mesmo tempo que faz a orientação vocacional dos alunos, quando estes chegam ao 9.º ano.

2.2 Acompanhamento da prática lectiva em sala de aula

Os professores estabelecem as suas planificações individuais de curto prazo, considerando, por um lado, as orientações emanadas dos departamentos e, por outro, o contexto de cada turma. Não foram recolhidas evidências de que os coordenadores dos departamentos procedam à monitorização destes planos. No entanto, no último ano lectivo, em virtude de um número significativo de docentes (33) ter requerido a avaliação da componente científica, foram verificados vários planos diários, tendo-se procedido à assistência às aulas destes docentes. Não é uma prática regular promover o acompanhamento de docentes que revelem eventuais dificuldades, sobretudo porque este diagnóstico, normalmente, não é realizado. Nos conselhos de turma, procura-se monitorizar a aplicação dos critérios de avaliação definidos, reflecte-se sobre os resultados escolares e promove-se a análise e avaliação dos projectos curriculares de turma, procedendo-se à sua eventual reformulação, no caso dos resultados obtidos não serem os inicialmente expectáveis.

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2.3 Diferenciação e apoios

As crianças/alunos com necessidades educativas especiais, normalmente, já chegam referenciadas, procedendo-se, posteriormente, à sua avaliação, de acordo com a Classificação Internacional da Funcionalidade, pelos professores de Educação Especial. No presente ano lectivo, são apoiados 133 alunos com estas necessidades, incluindo 53 crianças da intervenção precoce. O Agrupamento tem ainda em funcionamento duas unidades de autismo e uma de multideficiência. O apoio é prestado por 29 docentes de Educação Especial (11 docentes colocados no âmbito da intervenção precoce), número que, face às necessidades existentes, é considerado manifestamente insuficiente, mas esta dificuldade é colmatada com a dedicação e o empenho de todos. Também os alunos com dificuldades de aprendizagem são identificados e apoiados no 1.º ciclo por professores colocados no Agrupamento para este efeito, enquanto, nos 2.º e 3.º ciclos, os professores, no âmbito da componente não lectiva, dão apoio, preferencialmente, aos seus próprios alunos. Quando tais apoios se revelam insuficientes, são elaborados planos de recuperação ou de acompanhamento, no caso de se tratar de retenção. No ano lectivo de 2008-2009, foram elaborados 446 planos de recuperação, tendo transitado 338 alunos, a que corresponde uma taxa de 75,8%. Foram igualmente feitos 82 planos de acompanhamento, tendo obtido sucesso 57,9%. Salienta-se, porém, o baixo sucesso dos alunos do 3.º ciclo, com uma taxa de 23,3%.

2.4 Abrangência do currículo e valorização dos saberes e da aprendizagem

O Agrupamento procura alargar a oferta de actividades educativas e o seu Plano Anual de Actividades integra um conjunto diversificado de iniciativas de natureza cultural, artística e desportiva. A adesão a alguns projectos, particularmente no âmbito da educação para a saúde, com o funcionamento de dois clubes, Jovens Promotores de Saúde e Liga-te, tem contribuído para a formação global dos alunos, com impacto positivo na comunidade. Nota-se algum défice em actividades de carácter experimental, o que não estimula o espírito científico. Contudo, as aulas de Ciências Naturais e de Físico-Química são desdobradas, uma vez por semana, para possibilitar a realização de experiências. Também se regista o facto de os alunos do 1.º ciclo se deslocarem, uma vez por período, à Escola-Sede, a fim de realizarem algumas pequenas experiências no âmbito das ciências.

3. Organização e gestão escolar

3.1 Concepção, planeamento e desenvolvimento da actividade

O Projecto Educativo reflecte a filosofia da acção educativa do Agrupamento, explicitada no Projecto Curricular,

as estratégias previstas para atingir os objectivos desejados, partindo do diagnóstico da situação, e são estabelecidas metas, algumas das quais estão quantificadas.

O Plano Anual de Actividades sugere múltiplas e diversificadas actividades que facilitam a concretização dos objectivos previstos. A oferta educativa é coerente e ajustada às necessidades da comunidade. Os projectos curriculares de grupo/turma, partindo de uma matriz comum, procuram adequar a planificação geral às especificidades de cada turma.

Os documentos estruturantes foram sempre dinamizados por equipas específicas, alargadas e diversificadas, com os contributos da comunidade educativa, até serem formalmente aprovados, divulgados por todos os meios disponíveis, incluindo os electrónicos, e distribuídos aos pais/encarregados de educação, através de um CD, com a colaboração da respectiva Associação. O planeamento é realizado atempadamente, tendo em conta a escassez de recursos físicos e humanos e os critérios definidos para a distribuição de tarefas. Nos 2.º e 3.º ciclos, a Formação Cívica é da responsabilidade dos directores de turma, o Estudo Acompanhado é atribuído preferencialmente a professores de Língua Portuguesa e Matemática, enquanto a Área de Projecto é prioritariamente afecta a professores da área de Expressões.

3.2 Gestão dos recursos humanos

O Director conhece bem as competências pessoais e profissionais da maioria do pessoal docente e não

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do perfil de cada um. Prevalece o princípio da continuidade pedagógica dos professores nas turmas em todos os ciclos, com destaque para a atribuição criteriosa da direcção de turma.

A escassez de pessoal não docente dificulta a sua gestão, apesar da entreajuda verificada em diversas funções. O Agrupamento tem promovido alguma formação interna, com recursos próprios, em áreas vitais do seu funcionamento, e o Centro de Formação da sua área procura corresponder às expectativas dos seus utentes. Existe uma boa integração de todos os profissionais, que começa com um acolhimento personalizado e se consolida com a realização de diversos momentos de convívio ao longo do ano lectivo. Além disso, a Direcção está sempre disponível e atenta para resolver eventuais constrangimentos de ordem pessoal e funcional. Professores e pessoal não docente empenham-se bastante na afirmação interna de um código de conduta, bem conhecido pelos alunos, que se procura reforçar através de diversas actividades de formação cívica e da acção dos tutores para os que precisam de um acompanhamento mais personalizado. Os serviços de administração escolar, a funcionar num espaço exíguo, estão organizados por áreas funcionais e, apesar da escassez de pessoal, dão, na opinião dos seus utentes, uma resposta eficaz.

3.3 Gestão dos recursos materiais e financeiros

Neste Agrupamento coexistem diferentes tipologias nas EB1 e poucas possuem condições adequadas para a

prática da Actividade Física e Desportiva. O JI de Lagos funciona em instalações provisórias pré-fabricadas. A EB1 da Junqueira apresenta algumas fissuras que estão a ser monitorizadas pela Autarquia. A Escola-Sede, com mais de 30 anos de existência, apresenta sinais evidentes de degradação estrutural, com saliência para a existência de coberturas com placas de fibrocimento (contendo amianto), nomeadamente nos três ginásios, que já permitem a infiltração de água da chuva. Nas restantes escolas, existem razoáveis condições de funcionamento e possibilidades de acesso para pessoas com mobilidade reduzida.Os JI não têm capacidade de resposta para todas as crianças, devido ao excesso de procura. Em média, existe um computador por cada cinco alunos da Escola-Sede e cerca de 10 no conjunto das restantes EB1. Em cada JI há, pelo menos um computador, embora nem todos tenham ligação à Internet. Algumas EB1 já estão equipadas com quadros interactivos e, na Escola-Sede, existem 10, tendo já sido realizada formação interna para utilização destes equipamentos.São efectuadas regularmente vistorias às instalações e equipamentos e cada unidade educativa possui um plano de emergência próprio. Na Escola-Sede, existe um sistema informático com cartão electrónico, para gestão de entradas, saídas e pagamentos de serviços internos, com acesso remoto pelos encarregados de educação.

Entre os recursos físicos da Escola-Sede, destaca-se a Biblioteca, integrada na Rede de Bibliotecas Escolares, e o Museu da Ciência, que também são visitados por crianças e alunos dos JI e EB1 do Agrupamento. Para além dos meios tradicionais de informação e comunicação, utiliza-se também a plataforma Moodle, a página do Agrupamento na Internet e o correio electrónico. O Agrupamento adere a projectos financiados por diversas entidades, para realização do seu Projecto Educativo, procurando também colmatar a escassez de receitas próprias.

3.4 Participação dos pais e outros elementos da comunidade educativa

No início do ano escolar, em todas as unidades educativas, realizam-se reuniões de esclarecimento e

informação com os pais/encarregados de educação a quem é entregue um CD, com a colaboração da Associação de Pais, contendo os documentos estruturantes e outra informação relevante.

Os pais participam nos órgãos onde está prevista a sua presença, mas, em geral, empenham-se pouco no acompanhamento dos seus educandos. A presença dos pais é mais frequente nos JI e nas EB1, nas reuniões com os educadores e professores titulares de turma, do que na Escola-Sede, apesar da maioria dos directores de turma se disponibilizar para o atendimento em horário pós-laboral ou em horas mais convenientes e fornecer contactos pessoais, mas são poucos os pais que comparecem por iniciática própria.

Na Escola-Sede, existe uma Associação de Pais comum à da escola secundária contígua, que é muito colaborante e tem sido um parceiro fundamental na resolução de muitos problemas, principalmente intermediando o contacto com algumas famílias, já organizou formação específica para pais e impulsionou a criação de uma página do Agrupamento na Internet. Na maioria das restantes unidades, também existem associações de pais e encarregados de educação empenhadas e cooperantes. No Agrupamento, realizam-se

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algumas actividades com a participação dos pais e outros elementos da comunidade educativa, com destaque para as festas populares, a corrida de 24 horas e “café para pais”, onde se discutem temas pedagógicos.

3.5 Equidade e justiça

Os documentos estruturantes reflectem princípios explícitos de equidade e justiça. A formação para a cidadania

e a inclusão social são uma preocupação constante, merecendo também destaque a existência de diferentes percursos formativos, como forma de criar oportunidades diversificadas, de acordo com as expectativas dos alunos. Para além de ser um Agrupamento de referência para a intervenção precoce, no concelho de Vila Nova de Gaia, alberga ainda duas unidades de apoio a crianças autistas e outra para crianças com multideficiências, estabelecendo parcerias com diversas entidades externas para apoio complementar a estas crianças e futura inserção na vida activa.

O Agrupamento recebe crianças e alunos de quatro bairros de habitação social, da Aldeia de Crianças SOS e da Associação de Protecção da Criança Dr. Leonardo Coimbra, a quem procura dar resposta adequada congregando recursos, dispondo dos serviços de uma psicóloga e de uma assistente social, cujo trabalho tem sido reconhecido pela comunidade, mas conta, também, sempre que necessário, com a colaboração pronta dos agentes da Escola Segura, da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, do Tribunal de Menores e outros técnicos da autarquia e instituições de solidariedade social. Procura-se criar as condições necessárias para que todos os alunos participem nas actividades previstas e foram definidos critérios para garantir a equidade e a justiça na constituição de turmas, embora alguns pais e alunos questionem o critério da concentração de alunos autistas em algumas turmas, o que o Agrupamento justifica com a rentabilização de recursos humanos.

4. Liderança

4.1 Visão e estratégia

Estão definidos, hierarquizados e calendarizados os objectivos pelos órgãos de gestão do Agrupamento e as

prioridades e metas definidas são claras, assumidas e operacionalizadas pelos responsáveis. Os problemas existentes, nomeadamente os relacionados com o comportamento e o aproveitamento dos alunos, são objecto de acção preventiva, através de medidas de apoio psicossocial e educativo. Os casos mais persistentes, envolvendo alunos em risco de reprovação ou abandono, são frequentemente encaminhados para ofertas educativas alternativas, nomeadamente os cursos de educação e formação. Neste momento, a oferta educativa alternativa no Agrupamento é ainda limitada, certamente condicionada pela ampla oferta existente na escola secundária próxima.

Está feita a identificação das áreas de excelência, reconhecidas interna e externamente, relacionadas com o bom clima escolar e a cultura do bom acolhimento, o enquadramento, a responsabilização e o acompanhamento dos alunos, o que motiva a grande procura deste Agrupamento por parte dos encarregados de educação da área de influência e de outras localidades a distância considerável.

Embora nos documentos se evidencie a existência de visão do Agrupamento, esta está perspectivada e orientada para o curto prazo, evidenciando alguma falta de prospectiva, não se mobilizando totalmente o potencial interno para a construção de alternativas de futuro.

4.2 Motivação e empenho

Os responsáveis pelo Agrupamento, nomeadamente a Direcção, são muito empenhados, motivados e activos. Conhecem bem as áreas de intervenção relativas às diferentes lideranças, assistindo-se a algum impasse, neste momento, na acção do Conselho Geral, que ainda não se encontra em exercício de funções, estando a aguardar a nomeação dos representantes da Autarquia. A articulação entre os diferentes órgãos é uma preocupação dominante, respeitando as competências específicas de cada um. Valoriza-se a complementaridade de funções e actua-se no sentido da operacionalização das decisões. A Direcção e as diferentes estruturas de coordenação e supervisão motivam, apoiam e monitorizam as acções executadas pelos diferentes intervenientes.

Os diferentes agentes da comunidade educativa são incentivados a participarem no quotidiano do Agrupamento, no sentido de contribuírem para a resolução dos problemas mais persistentes.

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Os níveis de assiduidade docente aumentaram, para o que terá contribuído a facilidade de permuta e a possibilidade de reposição de aulas em horário diferente, obtida a anuência dos alunos e respectivos encarregados de educação. Também o pessoal não docente, em geral, é assíduo, o que já vem acontecendo nos últimos anos. Não se têm verificado incidentes críticos nestes grupos profissionais, fruto da cultura e do clima institucionais vividos.

4.3 Abertura à inovação

Existe abertura à inovação, concretizando-se sobretudo no envolvimento em projectos potenciadores de

melhoria de processos e de resultados, como o Plano Nacional de Leitura e o Plano de Acção para a Matemática. Estão em funcionamento alguns clubes, embora nem sempre suficientemente divulgados entre os alunos. O Agrupamento tem procurado a solução para os problemas de literacia, na participação activa no Plano Nacional de Leitura, na modernização, valorização e animação da biblioteca da Escola-Sede e na criação, com a ajuda das juntas de freguesia, de núcleos de leitura nas diferentes escolas, bem como na dinamização do Projecto Ler Mais e no Toca a Ler, com a criação de um momento de leitura, no mesmo dia e hora, em todas as unidades educativas. A Educação para a Saúde é também trabalhada de forma inovadora, integrando múltiplas vertentes e parcerias, tentando responder a problemas específicos da população escolar, como, por exemplo, a obesidade infantil e juvenil crescente, a protecção civil, a segurança rodoviária, a educação sexual, entre outras. Iniciativas inovadoras são ainda as promovidas pela muito empenhada e interveniente Associação de Pais que criou, neste Agrupamento, uma das primeiras Escolas de Pais do país.

4.4 Parcerias, protocolos e projectos

O Agrupamento vem estabelecendo parcerias activas, materializadas em protocolos e outras formas de

associação com entidades sediadas na comunidade educativa que serve, salientando-se a Câmara Municipal de Gaia, as juntas de freguesia abrangidas, os serviços públicos de saúde, a Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Vila Nova de Gaia (CERCIGAIA), a Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo (APPDA) e os Bombeiros Voluntários de Valadares. Tem igualmente parcerias activas, enquadradoras de projectos com a Liga Portuguesa Contra o Cancro, a Protecção Civil, a Segurança Rodoviária, a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, o Instituto Superior da Maia, a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, a Escola de Enfermagem do Porto e a Universidade de Aveiro.

As lideranças do Agrupamento mobilizam os apoios necessários para que estas parcerias se operacionalizem em projectos e os resultados destas iniciativas materializam-se em melhorias perceptíveis na organização e segurança dos espaços e na aquisição, por parte dos alunos e suas famílias, de conhecimentos e práticas que podem melhorar a sua qualidade de vida.

Há benefícios concretos das parcerias, nomeadamente das estabelecidas com a Autarquia e outras instituições como o Externato Ribadouro, que ofereceu um estimulador de fibras para implementação do método Snorzlend, o que constitui uma mais-valia considerável para o apoio a alunos com necessidades educativas especiais e cujos resultados estão, apesar do pouco tempo de funcionamento, a revelar-se muito positivos.

A divulgação das acções e, particularmente, dos resultados obtidos, é feita, predominantemente, a nível interno.

5. Capacidade de auto-regulação e melhoria do Agrupamento

5.1 Auto-avaliação

A equipa de auto-avaliação foi constituída no ano lectivo de 2007-2008, integrando diferentes elementos representativos da comunidade escolar, entre os quais os pais, e houve elementos desta equipa que obtiveram formação externa, que serviu de impulso para a dinamização deste grupo de trabalho. Procurou informação noutras escolas em que o processo de auto-avaliação já estava mais desenvolvido e aplicou um questionário, previamente validado, a docentes do Agrupamento, para identificação de pontos fortes e pontos fracos da organização, com vista à implementação de estratégias de melhoria, tendo concluído que as debilidades encontradas resultavam, sobretudo, do funcionamento em regime duplo, pelo que propôs, como principal

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medida, o estabelecimento do regime de funcionamento em horário exclusivamente normal, sendo as conclusões divulgadas a toda a comunidade educativa. No ano lectivo de 2008-2009, participou activamente na reformulação dos documentos estruturantes, na análise dos resultados escolares e apreciou o programa de melhoria apresentado no âmbito de uma actividade de acompanhamento sobre os resultados escolares, tendo a equipa concluído pela urgência da uniformização de critérios de avaliação, o que veio a concretizar-se no âmbito da gestão e planificação da prática pedagógica do presente ano lectivo. Actualmente, a equipa foi reformulada e prepara-se para alargar o âmbito da sua acção, procurando aperfeiçoar, de forma continuada, o processo de auto-avaliação.

5.2 Sustentabilidade do progresso

Os órgãos de direcção, administração e gestão, bem com as estruturas de coordenação e supervisão, partindo

do diagnóstico da situação, estabeleceram prioridades e implementaram medidas de acção, patentes no Projecto Educativo, procurando consolidar os aspectos em que já revelam bons resultados e melhorar as debilidades identificadas. O Agrupamento considera como principais constrangimentos ao seu desenvolvimento: o funcionamento em regime duplo da Escola-Sede, que dificulta a gestão dos tempos escolares e as actividades de articulação; a sua dispersão geográfica, que se distribui por três freguesias, com fraca rede de transportes, o que dificulta a ligação entre as diferentes escolas; o estado de degradação da Escola-Sede, nomeadamente, das estruturas do edifício, com coberturas em placas de fibrocimento, já permeáveis à chuva, como acontece nos ginásios. Está prevista a construção de um centro escolar na zona de influência do Agrupamento, que é encarado como uma oportunidade, na medida em que vai permitir uma melhor organização da rede de educação pré-escolar e do 1.º ciclo e proporcionar condições facilitadoras do processo de ensino-aprendizagem.

V – CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste capítulo, apresenta-se uma selecção dos atributos do Agrupamento de Escolas de Valadares (pontos fortes e fracos) e das condições de desenvolvimento da sua actividade (oportunidades e constrangimentos). A equipa de avaliação externa entende que esta selecção identifica os aspectos estratégicos que caracterizam o Agrupamento e define as áreas onde devem incidir os seus esforços de melhoria.

Entende-se aqui por:

• Pontos fortes – atributos da organização que ajudam a alcançar os seus objectivos;

• Pontos fracos – atributos da organização que prejudicam o cumprimento dos seus objectivos;

• Oportunidades – condições ou possibilidades externas à organização que poderão favorecer o cumprimento dos seus objectivos;

• Constrangimentos – condições ou possibilidades externas à organização que poderão prejudicar o cumprimento dos seus objectivos.

Os tópicos aqui identificados foram objecto de uma abordagem mais detalhada ao longo deste relatório.

Pontos fortes

A evolução positiva das taxas de sucesso nos 1.º e 2.º ciclos, nos três últimos anos.

A diminuição acentuada da taxa de abandono escolar, em particular nos 2.º e 3.º ciclos, que passou de 3,1 % (2007) para 0,3% (2009).

A qualidade do trabalho desenvolvido no acompanhamento de alunos com necessidades educativas especiais e na orientação vocacional dos alunos do 9.º ano.

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O empenho das diversas associações de pais e encarregados de educação na resolução dos problemas do Agrupamento.

A gestão eficaz dos recursos humanos do Agrupamento.

A liderança protagonizada pelos órgãos de administração e gestão, que para além da articulação efectiva estabelecida entre as diferentes estruturas de coordenação e supervisão, assenta na partilha de competências e na atribuição de responsabilidades.

Pontos fracos

As taxas de sucesso no 3.º ciclo, com valores abaixo dos nacionais, nos dois últimos anos.

A existência de alguns focos de indisciplina que, apesar de terem vindo a diminuir, originou 34 processos disciplinares, em 2008-2009.

A fragilidade organizativa e a falta de consistência da articulação vertical do currículo e da transição entre os diferentes ciclos.

A falta de mecanismos sistemáticos de monitorização da prática lectiva em sala de aula.

A ineficácia dos planos de acompanhamento, particularmente no 3.º ciclo, com taxas de sucesso muito baixas.

A fraca disponibilidade de grande número de pais/encarregados de educação para acompanhamento do processo educativo dos seus educandos.

Oportunidade

A construção de um centro escolar na área de influência do Agrupamento, ao facilitar a distribuição da rede escolar da educação pré-escolar e do 1.º ciclo, poderá proporcionar melhores condições de aprendizagem e o funcionamento das turmas em regime normal.

Constrangimento

As insuficiências estruturais, em particular no que respeita à prática da Educação Física, associadas à sobrelotação da Escola-Sede, que obriga ao funcionamento em regime duplo, podem condicionar a qualidade da prestação do serviço educativo.

Em função do contraditório apresentado pelo Agrupamento, este relatório foi alterado:

- na pág. 3, 1 - Resultados (2..ª linha, 3.º parágrafo), onde se lia “…ocorreram 39 processos disciplinares”, passou a ler-se “… ocorreram 34 processos disciplinares … ”.

- na pág. 11, 4.4–Parcerias, protocolos e projectos (último parágrafo), onde constava “(…) é feita, predominantemente, a nível interno, descurando-se a externa”, passou a constar “(…) é feita, predominantemente, a nível interno”.

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