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Reunião do Colegiado - 04/08/10
Participantes: George Winnik, Gilberto, Jorge Wilheim, Nilton, Luiz, Caci, Maria Alice Nassif, Xixo, Vera, Victor, Tião, Bosco, Luis França,.
Informe: Sema informa que, como Isa já não está mais no colegiado, ele também precisou sair, porque não estava conseguindo espaço na agenda pessoal para participar. Mas Isa continua participando do Movimento e apoiando projetos.
Inicia debate do tema em pauta:
J.Wilheim - comenta que o exemplo do Sema mostra a maneira elástica como o colegiado se formou, nem sempre as pessoas representam uma entidade. Originalmente, reúne pessoas com interesse no movimento. Mas numa reorganização, seria necessário definir o que é colegiado, o que são as redes... Cada rede significa um problema e cada vez que se resolve ela se desfaz. Grupos de trabalho operando como rede são uma boa solução. Socializa a informação e trabalha um cronograma. Responde à instância da rede que foi determinada para isso (pela rede). Cada grupo se organiza, cada um trata de comunicar o que está acontecendo no próprio grupo. É preciso esclarecer quando é que movimento apoiaria decisão do grupo de trabalho ou se traria para o colegiado. Não vamos desprezar a força que o Movimento tem na opinião publica na sociedade. Precisa esclarecer se secretaria executiva vai se isentar de responsabilidade pelos grupos. Ou se é apenas precisa ter menos trabalho, neste caso, a solução é deixar que cada grupo se secretarie.
Vera – seria necessário ter representação dos GTs no colegiado. O documento propõe dois cenários, ou vira uma ONG ou instituto. Entendo que a gente está recusando a ideia de que o Movimento vire uma ONG, prestando serviços (de indicadores, publicações) para outras ONGs, e que queremos continuar como movimento, atuando em rede. Estou entendendo que vamos lapidar essa solução. O GT Educação sempre assumiu posicionamento e nunca pediu para a secretaria um posicionamento, assina como GT educação e subscreve as entidades. Não deixa de ser o movimento, é uma parte do movimento. Não sei se daria certo em áreas mais conflitivas, como zoneamento, que sofre interesses de construtoras. Fomos tomando nosso posicionamento de forma muito autônoma, isso tem dado certo. Contribui ter uma secretaria profissionalizada, pessoa
que dedica meio período, e produz documentos. É um GT que tem um conjunto razoável de quatro, cinco organizações com fôlego. Fico pensando se a gente poderia prescindir da identidade do Movimento. Se a gente poderia passar do GT educação para o Fórum Nossa SP. Por um lado até simpático. Fórum é uma marca forte também, de conhecimento internacional devido ao Fórum Social. Mas temos uma marca construída o do MNSP, é preciso ver se vale abrir mão disso. Eu gostaria de entender melhor o que significa a gente abrir mão de encampar coletivamente pautas específicas, a centralidade da questão da mobilidade, a campanha Ficha Limpa. É melhor consensualmente a gente abraçar campanhas específicas, do que a gente dizer que vai voltar às origens. A formação cidadã a gente pode até banir, porque é caro, é grande, não dá conta, mas não que não esteja na origem. A gente tem que pactuar o que vai ou não sair da secretaria executiva.
Oded - essa discussão começou por que comecei a pensar se a gente não está reproduzindo um velho modelo, com estrutura piramidal, concorrendo com outras organizações. O movimento era para trazer renovação. Igual FSM. Não acho que a gente está voltando às origens. A gente esta acumulando experiências e avançando. O GT educação ou Nossa Zona Leste são ótimos exemplos, um regional e um temático, de como as coisas funcionam ou poderiam funcionar. O GT Educação inclusive entrou na justiça e nunca veio consultar a secretaria executiva. As entidades se comprometem e fazem o que querem. As lideranças da Zona Leste nunca pediram para fazer o que fazem. Não ter que pedir autorização. A rede propicia a ampliação do apoio e da divulgação, não só do pessoal que está envolvido naquele grupo, mas das outras organizações, quem quiser participa. Põe na rede, quem quer apoia, quem quer se une. O fórum social São Paulo, que tem lançamento previsto para setembro, tem essa ideia de ampliar. O Fórum não é de ninguém, o Movimento é uma das instancias, das redes que fazem parte do fórum.
Vera- pensar no compromisso que a gente quer manter. Indicadores só tem sentido em pelo menos dez anos. Talvez pensar no compromisso de manter isso por pelo menos esse período.
Victor- faz pergunta hipotética: se carta que foi feita no final do ano passado, sobre plano diretor, fosse colocada pelos membros de “x” entidades, como seria colocada?
Oded responde - a rede tem muita gente, quem não concorda, não assina, assina quem quer.
Victor continua – dessa forma a gente acaba com um trunfo que é a força do MNSP. O grande capital que a gente teve no movimento é a união de esforços em prol de uma única bandeira - a cidade - para trabalhar juntos. Deixar de assinar pelo Movimento, seria negar toda a força política de trabalhar na forma de união. A gente tem que tomar cuidado para não esvazia a bandeira e a força que a gente criou em torno do nome do MNSP. Se eu não posso utilizar dessa nomenclatura isso enfraquece o que conquistamos ao longo dos anos. Indicadores, Irbem, rede de cidades, 2022 são fantásticos, mas maior produto é a união de entidades. Fico muito preocupado em tirar a força, em diminuir isso agora.
Mauricio- GT mobilidade urbana é exemplo de que às vezes é mais importante criar rede, porque tem muita gente que não quer ser do MNSP. A gente investiu muito mais na formação de um coletivo, do que de fortalecer o GT. O coletivo mobiliza. A gente não fica tentando o tempo todo ser uma organização que abarca e reorganiza. Não é uma questão de princípio fortalecer o GT, a gente quer fortalecer a causa.
Acho que a proposta em pauta contempla a tomada de determinadas posições: apoiar projetos de lei, mobilizar as ações comuns que unem a rede, em alguns casos levar para o colegiado. Na carta de princípios consta que organizações se articulam horizontalmente, em rede. Vários setores já atuam com autonomia e se juntam nestes momentos para atuar com mais força política. Mas existem muitos momentos que as organizações têm visões parciais da realidade. Precisamos entender a proposta que a gente quer amadurecer - como não perder articulação e mobilização, por um lado, como secretaria executiva pode ter um conjunto de tarefas dentro dos seus limites que continue nutrindo as outras organizações. A gente lançou alguns produtos e a gente tem um compromisso com uma série histórica de indicadores. A gente precisa garantir a continuidade desses produtos. A pauta específica cada um vai tocando. Não temos condições de ficar administrando centralizadamente, tomando decisões sobre todas as coisas políticas. Se moradores sem teto quiserem usar o dado e tomar posição, pode usar à vontade. A gente forneceu. Nossa missão não é ficar o tempo todo tomando posições sobre tudo.
Quando usa a marca – em produtos, atividades coletivas, eventos, seminários, debates, indicadores pesquisas, acho que precisa manter. Nas questões consensuais a gente pode manter. É preciso definir o que é específico ou que é de interesse mais geral, quais as
questões que precisam de uma consulta à rede. Na última reunião do Inter-gts a discussão dos integrantes dos grupos foi de como fortalecer o GT sem depender da secretaria.
Cassi - percebo grande ênfase no colegiado de que a gente não perca a ênfase no que conquistamos. Qualquer que seja a decisão, é preciso o máximo de cuidado naquilo que for mantido. Segundo ponto: talvez a gente pudesse adotar algumas sugestões que são consenso na proposta de mudança e deixar algumas até que se concretize o Fórum SP, por que são decisões bastante complicadas. Questões claras até aqui: 1. movimento não vai administrar tomadas de posição do gt. 2. Gts vão procurar se autoadministrar sem trazer demandas para Secretaria Executiva. Com essas posições a gente se organizaria até setembro, data do lançamento do Fórum. Temos 3 modelos positivos de funcionamento dos GTS ou rede: mobilidade urbana, educação, e zona leste. Vamos tentar levar isso como modelo para outros gts, seguir que as tomadas de posição não serão administradas pelo movimento, não pressionar a secretaria para que assuma mais funções do que as que estão previstas. E tentar caminhar até agosto, setembro, sem perder o que é precioso e que foi conquistado para a cidade de São Paulo. Vamos tratar com cuidado essa fase de transformação. E ver como a gente vai pensando em outras perspectivas. A gente poderia passar cada um dos 11 pontos e tomar as decisões.
George – em primeiro lugar temos que manter essa marca, já é um patrimônio da cidade e também funciona como rede, como fórum. Acho muito importante que a gente preserve isso. O movimento não é mais um, funciona como rede, é articulador e tem certa identidade. A gente poderia até discutir mais o conceito de rede. Escola de redes, por exemplo, tem mais de 5 mil participantes, mas não tem capacidade de propor ações. Esse processo todo é muito rico, por que estamos encontrando vários buracos nas ações, para a gente encontrar saídas. Acho que a sociedade não se auto-organiza, uma rede e um fórum não se auto-organizam. O exemplo do Mauricio, do grupo de mobilidade é legal. O movimento se dilui na rede, mas foi o responsável de criar o elo e se o movimento sair não vai continuar assim. Acho que não é rede, não é só fórum e não é só movimento. Só não sei ainda como harmonizar tudo isso. Vamos esperar, é um processo rico, é novo, mas acho que tomada de decisão burocrática para resolver isso não é solução.
Wilheim – o valor de marca do movimento é muito grande. Não tá na hora de desconstruir. Se queremos resolver problemas operacionais não podem ser confundidos com descontinuação do movimento. O fórum tem característica de fórum, fala quem quiser falar. Tem outro desenho, mas não se confunde. Podemos apoiar, mas não significa que deixamos de ser movimento. Seria arriscado se a gente declarar uma desconstrução do movimento neste momento.
Xixo – acho que quando falam em gts temático e regional, se esquecem dos transversais. O GT democracia participativa e o jurídico perdem sentido dentro desta proposta. A proposta não volta às origens, é uma outra coisa, corre o risco de desconstrução. A carta do Plano Diretor foi lida e referendada pelo colegiado. O que aconteceu é que principalmente o Oded viu de uma maneira diferente. Tudo começou com uma demanda que veio para o nosso grupo e nós achamos que o grupo não dava conta sozinho e trouxemos para o colegiado. A secretaria está dizendo que não quer mais fazer o que vem sendo feito. Então a gente tem que pensar o que a gente vai fazer com isso. Vai tirar da secretaria executiva a questão da ação política, quando tem que tomar decisão. E quem perde é quem está na periferia. O que está proposto é uma mudança muito grande. Não tem problema mudar. Só acho que a gente tem que avaliar o que a gente perde com a mudança, acho que é preciso delicadeza.
Nilton - a periferia está começando a reconhecer o movimento. A gente ouve as pessoas falarem. Fora de São Paulo, no interior a gente ouve falar. As instituições se sentem muito mais amparadas quando tem a assinatura do MNSP.
Maria Alice - gosto da proposta da Caci, de testar um período, o que decidir reavalia depois. A assinatura – a marca Nossa São Paulo não representa legalmente todos os seus membros. O movimento cuida de provocar a discussão. Eventualmente temos posição que não são iguais. Não vejo que o Movimento tem que assinar. O GTt ou as organizações do GT devem assinar, como parte do movimento. A gente não tem nem mais controle de quem faz parte do Movimento. A não ser as causas que têm unanimidade, coisas que são consensuais. A carta do plano diretor, eu teria dificuldade de assinar, porque não conheço o assunto.
Tião - Pela proposta e pelo que ouvi aqui, o movimento não está se extinguindo, Alguns GTs tendem a tornar-se órfãos. Eu tenho a impressão que o Movimento continua a responder àquilo que ele veio, de produzir conteúdo, pesquisar, ser instigador, ser animador, articulador e até de falar em algumas questões que competem à cidade de SP. Eu discordo que o movimento deve se desconstruir, não deve é se destruir, mas se desconstruir é necessário, é uma renovação. É facho de luz. E GTs serem orgânicos e se utilizem disso e continuem as suas lutas. A ideia de não ter um pai e uma mãe, de não ter centralidade, eu vejo que o movimento quer continuar a que veio. A proposta é trocar o isolamento por uma coresponsabilidade, ideia das entidades parceiras serem corresponsáveis. Diferente do que passar a paternidade para outros. Acredito que o movimento continua, mesmo que exista a marca ou não.
Oded- Aqui se falou sobre os riscos da mudança. Eu vejo riscos da “não mudança”, que é como movimentos ou organizações acabam. Risco de se encastelar num processo e depois ficar sozinho. A gente está falando de compartilhar problema, pouca gente quer. A gente perde força se ficar como está, o risco que eu vejo. A gente ganha força se mudar. A possibilidade de ter mais gente apoiando suas causas, abre oportunidade de outros se encontrarem, ganha força. Considero visão equivocada que é para desconstruir o que foi conquistado. Vejo o contrário, que é ampliar o poder coletivo, quando não põe camisa de força nas pessoas, e elas dizem: “essa não é minha, não concordo”. Conforme vai tomando decisões, vai desconstruindo os que estão atrás de você, e daqui a pouco está sozinho. Quando amplia e se junta a seus semelhantes, ganha força.
Dá para escrever um texto sobre o que GT jurídico e GT democracia participativa podem fazer... A ideia é os grupos produzirem coisas dentro do seu interesse, buscar força política na rede e levar isso adiante. Por que é interessante entidades se organizarem? Será que elas tem que se diluir no MNSP? Ou Movimento tem que dar voz a elas? A ideia é mostrar que tem organizações fazendo e dar visibilidade a elas. É também importante que organizações assumam suas bandeiras. Não entendo como pode enfraquecer a periferia. Rede põe em contato os diversos e amplia.
Alguns pontos da proposta são fundamentais - quem assina, como GTs se organizam e outros. É preciso decidir isso agora, nas outras questões a gente pode avançar depois. Na próxima reunião, temos que estabelecer como horizonte tomar decisões.
Marco antonio- é fundamental absoluta clareza do que vai ficar decidido sobre o que somos, como funcionamos etc. O que se estabelecer também não significa que não pode mudar. Tem que ficar claro, quem pode falar em nome do Movimento. Acho que ter que tomar posições pode esvaziar, concordo com Oded. Não podemos deixar dúbio como é que funciona, e depois muda à medida que é necessário.
Maurício - na proposta não existe perspectiva de mudança de nome ou marca. Não se pode confundir Nossa São Paulo com Fórum Social São Paulo. Está posto um desafio para todos de buscar reforçar suas próprias redes, estamos afirmando os compromissos fundamentais que a secretaria tem com todos. Não colocamos na proposta de mudança aquilo que a gente não tem condições físicas, financeiras e operacionais de fazer- captar mais recursos, secretariar todos os GTs, estar presente em todas as reuniões, elaborar publicações não previstas. Não podemos perder a produção de indicadores - um instrumento de ação política para todo mundo da cidade que quiser usar. Precisamos definir os limites da secretaria executiva, e até onde os GTs e movimentos regionais têm que se repensar para continuar o trabalho de mobilização. Vamos ter que fazer uma mexida para que a gente possa dar continuidade no trabalho.