Filosofia Quântica

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Texto

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FILOSOFIA QUÂNTICA

MARCOS AURÉLIO DE OLIVEIRA RAMOS

MARCOS AURÉLIO DE OLIVEIRA RAMOS

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TEXTO SOBRE O AUTOR – PARA AS ORELHAS TEXTO SOBRE O AUTOR – PARA AS ORELHAS

MARCOS AURÉLIO DE OLIVEIRA RAMOS MARCOS AURÉLIO DE OLIVEIRA RAMOS

Nasceu na cidade de Lages – SC, em 1948. Após concluir o primeiro grau, em sua cidade natal, ingressou, em 1964, na Escola Preparatória de Cadetes do Exército e, em 1967, na Academia Militar das Agulhas Negras. Como oficial intermediário foi pára-quedista e combatente especializado na selva amazônica. Permaneceu no Exército até o início de 2001, quando se aposentou no posto de Coronel. Como oficial da Arma de Engenharia, fez os cursos de graduação, mestrado e doutorado. Realizou, ainda, no Exército, o curso de Política e Estratégia, aposentando-se com trinta e sete anos de caserna. Ao longo de sua vida militar, serviu em diversos Estados, além de desempenhar, no biênio 1997/98, o cargo de Adido Militar na Embaixada do Brasil em La Paz – Bolívia.

Utilizando-se de conhecimentos de filosofia e teologia, escreveu este livro com o objetivo de abordar a evolução espiritual no contexto de um Grande Plano ou Manvantara.

Na sua atividade docente ministrou as seguintes disciplinas universitárias: Teoria Política Moderna e Contemporânea; Desenvolvimento Sócio Econômico; Sociologia Aplicada à Administração; e Filosofia e Ética Profissional. É autor do livro “O Ponto de Convergência” publicado pela editora Corifeu. Seu e-mail para contato: maror@terra.com.br

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TEXTO DA 4ª CAPA

TEXTO DA 4ª CAPA

O autor expõe, por meio de uma linguagem acessível, algumas informações gerais sobre o sistema solar e o atômico e sobre o Universo já identificado, ainda longe de ser conhecido. Faz uma correlação entre o Microcosmo e o Macrocosmo, destacando, nesse contexto, a relação espaço/tempo/velocidade nos ambientes da matéria aparente, da antimatéria e do espaço sideral. Salienta, ainda, a importância de um Grande Plano Evolutivo ou de um Manvantara. Apresenta o sistema astronômico, contido no Cosmo infinito, como instrumento de evolução espiritual de todos os gêneros e espécies de seres que vivem em seus respectivos ambientes. Ou seja, tudo na natureza está em função da criação e da evolução. Dentro dessa idéia geral, destaca, ainda, as atribuições dos seres supra-humanos; as possibilidades de realização de viagens espaciais, tudo dentro das necessidades evolutivas; a questão da antimatéria; e a ligação dos buracos negros, da Energia Negra ou Escura, da Matéria Negra, das estrelas novas e supernovas e do Big Bang com a evolução espiritual no contexto dos infinitos manvantaras.

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MARCOS AURÉLIO DE OLIVEIRA RAMOS

MARCOS AURÉLIO DE OLIVEIRA RAMOS

FILOSOFIA QUÂNTICA

FILOSOFIA QUÂNTICA

04 de novembro de 2006//08 de novembro de 2010

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SUMÁRIO SUMÁRIO

INTRODUÇÃO...

INTRODUÇÃO... .... 0606 CAPÍTULO I – O

CAPÍTULO I – O ÁTOMO – ALGUMAS INFORMAÇÕES GERAIS... 15ÁTOMO – ALGUMAS INFORMAÇÕES GERAIS... 15 CAPÍTULO II – O UNIVERSO JÁ IDENTIFICADO (AINDA LONGE DE SER CAPÍTULO II – O UNIVERSO JÁ IDENTIFICADO (AINDA LONGE DE SER CONHECIDO) - ALGUMA

CONHECIDO) - ALGUMAS INFORMAÇÕES GENÉRICAS ...S INFORMAÇÕES GENÉRICAS ... ... 2626 CAPÍTULO III – FILOSOFIA QUÂNTICA

CAPÍTULO III – FILOSOFIA QUÂNTICA 1.

1. Sistema solar ou atômico? ... ... 4141 2.

2. O sistema material (Microcosmo – Macrocosmo) e a evolução ... 50... 50 3.

3. O Manvantara do Planeta Terra ... .... 5858 4.

4. Correlação entre o Microcosmo Imediato e o Macrocosmo Imediato ... 71... 71 5.

5. As distâncias já relacionadas pelo ser humano do planeta Terra ... 77... 77 6.

6. Espaços sutis ... ... 7979 7.

7. O espaço e o tempo ... 83... 83 8.

8. Viagens interplanetárias e intersolares ... ... 8787 CONCLUSÃO...

CONCLUSÃO... . 104104 BIBLIOGRAFIA...

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INTRODUÇÃO

INTRODUÇÃO

As raízes da física, como de toda a ciência ocidental, podem ser encontradas no período inicial da filosofia grega do século VI a.C., numa cultura onde a ciência, a filosofia e a religião não se encontravam separadas. O termo “física” deriva da palavra grega “physis”, que significa, srcinalmente, a tentativa de ver a natureza essencial de todas as coisas. Portanto, para que se abranjam todas as coisas é necessário considerar o material, o espiritual, as suas relações básicas, o espaço, o tempo, o infinito e o eterno.

Os filósofos pré-socráticos foram os primeiros a oferecer uma interpretação racional do mundo. Para isso, buscaram o princípio fundamental das coisas - “o arjé”. A intenção era encontrar uma substância que fosse srcem de todos os fenômenos, ou seja, que se constituísse em uma autêntica essência. Os primeiros pensadores eram ao mesmo tempo cientistas e filósofos. Não existia, também, como hoje é entendida, a diferença entre o princípio espiritual e o material. Somente com os eleatas, começou-se a estabelecer distinção entre o mundo físico dos fenômenos percebidos pelos sentidos e o mundo espiritual imutável. Não obstante, é certo que os atributos conferidos pelos filósofos milésios ao “arjé”, como o infinito e a imortalidade, ainda não se aplicavam às divindades antropomórficas em que acreditavam1.

O primeiro filósofo milésio foi Tales (620/550 a.C.), de Mileto (Ásia Menor), considerado como um dos sete sábios da Grécia antiga. Foi o primeiro a tentar reduzir a diversidade dos fenômenos a uma srcem comum, encontrando na água (hygron) a fonte da vida. Por ser a mesma capaz de adotar a forma sólida, líquida e gasosa e, portanto, encontrar-se em distinto grau de condensação, poderia ser considerada como o princípio essencial da realidade e como tal eterna. Portanto, Tales considerou a água como o “arjé”. Alhures, Tales descobriu a esfericidade da Terra, a obliqüidade da eclíptica e a causa dos eclipses.

As concepções de Tales sobre o “arjé” foram desenvolvidas por Anaximandro (610/550 a.C.), provavelmente seu discípulo. Anaximandro considerou que o “arjé” não podia ser encontrado em uma substância particular como a água, já que a mesma não era uma substância infinita que pudesse dar srcem a todas as outras. Por isso, Anaximandro chamou o elemento primigênio de “apeiron”, que pode ser traduzido por indeterminado ou ilimitado. Desta forma, surge o primeiro passo no processo da abstração. Do “apeiron”, definido como uno, infinito, harmônico e atemporal, por um processo de separação, surgem as demais coisas. Anaximandro introduziu o conceito de Cosmo como sendo o Universo submetido, em todas as suas manifestações e fenômenos, a uma ordem racional, o que exerceria uma enorme influência no pensamento posterior.

Anaximenes (591/525 a.C.) foi o terceiro dos grandes filósofos milésios. Seu pensamento indica, em certa medida, um retrocesso ao de Anaximandro. Apesar de achar também que o “arjé” devia ser uno e infinito, considerou que,

1 Eleatas: da escola filosófica de Eléia, cidade grega da Antigüidade. Filósofos milésios:

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para poder constituir a srcem das demais coisas, o mesmo devia ser uma substância concreta, afirmando que esta substância era o ar (pneuma), que é, por um lado, a alma e, por outro, o suporte físico de todo o existente. Portanto, segundo Anaximenes todas as coisas formam-se a partir do ar mediante a condensação ou rarefação. A terra, por exemplo, seria produto da condensação e o fogo da rarefação.

Pitágoras (570/495 a.C.), de Samos, fundou uma sociedade do tipo mística e espiritual que chegou a converter-se em um importante movimento político. Introduziu a noção de que a alma possui uma srcem divina e se acha aprisionada no corpo. Portanto, o ser humano precisa purificar-se para alcançar a libertação. Esta idéia já supõe, de forma definitiva, a separação entre a matéria e o espírito, constituindo uma evidente reação idealista ao materialismo milésio. No campo estritamente filosófico, Pitágoras abandonou a busca de uma substância primigênia e propôs o “número” como um princípio ideal, entendido como medida e proporção, que seria a essência da realidade e a ordem do Cosmo. As correlações numéricas entre planetas, notas musicais, medidas geométricas, etc são, ao mesmo tempo, suporte da realidade e determinação da mesma. O Universo de Pitágoras está regido pela matemática que, em sua forma pura, é harmonia. Por outro lado, o ilustre pensador descobriu o movimento de rotação da Terra sobre o próprio eixo (dia e noite), seu movimento anual em torno do Sol e incorporou os planetas e os cometas ao sistema solar.

Contemporâneo de Pitágoras, Jenófanes de Calofon (570/475 a.C.) constitui uma peculiar mistura de filósofo e poeta. Criou uma metafísica baseada na unidade do ser primigênio, o “arjé”, que se encontra presente em todas as coisas. Em sua filosofia, sempre satirizou a concepção antropomórfica da divindade.

Por outro lado, o ponto fundamental que Heráclito de Éfeso (540/470 a.C.) baseia-se está na essência do ser, ou seja, na definição do “arjé”. Segundo Heráclito, o Cosmo possui uma perpétua dinâmica que se manifesta na tensão e superação contínua dos opostos. Como sustento material da ordem do Universo, o referido filósofo elegeu o fogo como o “arjé”, por ser o símbolo da energia e da transmutação. Portanto, na sua dialética, o fogo constitui uma causa formal, ou seja, uma expressão da ordem do Universo. O Cosmo sempre foi e sempre será o fogo vivente, que se acende e se apaga.

Parménides, nascido em 515 a.C., foi o principal representante de um movimento filosófico que consolidou a reação idealista iniciada por Pitágoras. Este idealismo tinha como objetivo separar o mundo espiritual e transcendente do universo material, que se conhece por meio dos sentidos. Segundo Parménides, existem duas vias de conhecimento: a primeira é a da verdade, orientada pelo pensamento; a segunda é a do erro ou da opinião, regida pelos sentidos. Porém, o mesmo baseia sua argumentação na primeira via e, a partir dela, refuta a segunda. Para pensar em algo é necessário que este exista, pois só aquele que é pode ser pensado. Portanto, ser e pensamento convertem-se em uma mesma coisa. Logo o não-ser, que não pode ser pensado, não existe. Como o vazio é “não-ser” e, portanto, não existe, o movimento das coisas não pode existir, já que necessita do vazio para poder deslocar-se. Desta forma, os

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sentidos que nos mostram o movimento nos oferecem um saber ilusório. Portanto, o único ser real é o que nos oferece o pensamento.

Anaxágoras (500/430 a.C.) considerou que os elementos constituintes da realidade são umas partículas mínimas, incriadas e infinitas, porém nem todas iguais entre si. A força que move estas partículas, para formar corpos sensíveis, é o “Nous”, razão ou inteligência que é o autêntico princípio do Cosmo. Empédocles explica o movimento pelo amor e ódio e o Anaxágoras pelo “Nous”, iniciando assim o sucesso do idealismo

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Empédocles (490/430 a.C.) escreveu dois poemas intitulados “Sobre a Natureza” e “As Purificações”. No primeiro poema postulou a existência de quatro elementos primigênios: fogo; terra; ar e água, que formam todo o existente. Esses elementos misturam-se e se separam, dando lugar ao Universo e aos fenômenos. Misturam-se pelo amor ou união e se separam pelo ódio ou desagregação. Essa teoria permitiu estabelecer uma concepção da natureza: o nascimento e a morte, por exemplo, provém, simplesmente, da união e da desagregação dos elementos. Graças também a isso, foi possível elaborar uma teoria do conhecimento, pois o semelhante é percebido pelo semelhante: a terra que existe em nós percebe a terra, o ar conhece o ar, etc. No segundo poema, Empédocles, parecendo contradizer suas explicações anteriores, afirma que o corpo dissolve-se nos quatros elementos, porém a alma retorna a sua srcem divina, à harmonia do amor, caso tenha levado uma vida digna. Na realidade, estas concepções idealistas correspondem à última etapa do filósofo, na qual predominaram as suas tendências espiritualistas.

Demócrito (460/370 a.C.), contemporâneo de Sócrates e dos sofistas, foi o último filósofo do materialismo milésio. Contrariando Parménides, admite decididamente a existência do vazio no qual se agitam os átomos, que constituem a essência de toda a realidade sensível. Estes átomos, incriados e infinitos, são sólidos, indivisíveis e impenetráveis, que se movem eternamente no vazio. O que separa Demócrito de Empédocles e de Anaxágoras, de forma definitiva, é que este movimento não precisa de uma força externa que o produza, resultando o mesmo do próprio processo. Demócrito considera que os corpos sensíveis são formados pelo choque e associação de átomos e que o conhecimento provém da inter-relação entre os átomos, pois o espírito é também composto por eles. Portanto, há mais de 2.400 anos, o filósofo grego Demócrito disse que se um objeto fosse dividido em partes cada vez menores o resultado seria pedaços tão pequenos que não seria mais possível dividi-los. Chamou esses pequenos pedaços de átomos - palavra grega que significa inseparável.

Sócrates (469/399 a.C.), não deixou nenhum escrito e seu pensamento é conhecido por meio dos diálogos platônicos. O ilustre filósofo procura, também, a virtude (areté), porém não concorda que a mesma seja encontrada no campo estritamente humano e social. Acredita que o conhecimento leve à virtude e esta à verdade. Para conseguir conhecimento utilizava-se da ironia, que se resume em fazer determinadas perguntas a um interlocutor e ir refutando as

2 Idealismo: nome comum a todos os sistemas filosóficos que fazem das idéias o princípio

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respectivas respostas até conseguir as conclusões desejadas (ironia socrática). Portanto, é inegável que o dogmatismo socrático responde ao desejo de conduzir o ser humano ao aperfeiçoamento moral. Neste caso, a liberdade humana, até certo ponto, é limitada já que o conhecimento é considerado como o único caminho para se atingir a virtude.

Platão (427/347 a.C.), por sua vez, buscou uma nova rota da filosofia descobrindo, intuitivamente, a existência do ser suprafísico, o ser inteligível no plano do raciocínio puro, aquilo que pode ser conhecido apenas pelo intelecto. Na realidade, Platão visualizou o mundo imaterial, espiritual, suprafísico e angélico.

Aristóteles (384-322 a.C.) continuou com a idéia de Platão sobre a dualidade do mundo em sua concepção do Cosmo. Dessa forma, o mundo encontra-se dividido em dois domínios, um celeste (onde existe a ordem eterna e a justiça plena), com movimento constante, formado pela essência divina, eterna e completamente distinta, dominada pelo éter que enlaça o Sol, a Lua e os planetas em geral, e o terrestre onde domina o eterno nascer e perecer formado pelos quatro elementos (terra, fogo, ar, água) em permanente mistura, gerando matérias uniformes e não uniformes. Estes dois mundos permanecem unidos, mas suas essências são radicalmente diferentes, uma é divina e a outra é humana.

Dentro de uma linha filosófica idealista, Aristóteles acreditava que as questões concernentes à alma e à contemplação da perfeição de Deus eram mais valiosas do que as investigações em torno do mundo material. É muito provável que a razão principal que conduziu à imutabilidade do modelo aristotélico do Universo, por tanto tempo, tem a ver exatamente com essa ausência de interesse no mundo material, lado a lado com o severo predomínio da Igreja Católica, que apoiou as doutrinas aristotélicas durante toda a Idade Média. Na realidade, o desenvolvimento posterior da ciência ocidental teve de aguardar o Renascimento. A partir daí, os homens começaram a deixar de lado a influência de Aristóteles e da Igreja Católica, passando a apresentar um novo interesse em torno da natureza.

Aristarco (310/230 a.C.), de Samos, o “Copérnico da Antigüidade”, foi o primeiro cientista ou filósofo a formular uma teoria heliocêntrica dos movimentos planetários, ou seja, com o Sol no centro e os planetas girando ao seu redor. Este modelo teve pouca penetração na época e sua fundamentação era mais filosófica do que astronômica. Aristarco concebeu também um método prático para se determinar diversas dimensões astronômicas a partir do tamanho da Terra.

Hiparco (194/120 a.C.), de Alexandria (Egito), inventou o astrolábio, calculou e predisse os eclipses, observou as manchas do Sol, determinou o ano trópico e a duração das revoluções da lua.

Cláudio Ptolomeu (100/170 d.C.), o último dos grandes astrônomos gregos, construiu o modelo geocêntrico mais completo. O objetivo de Ptolomeu era produzir um modelo que permitisse prever a posição dos planetas de forma correta, e nesse ponto ele foi razoavelmente bem sucedido. Por essa razão, esse modelo continuou sendo usado, sem mudança substancial, por 1300 anos.

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Suas teses principais eram: 1) o mundo (o céu) é esferiforme e move-se como uma esfera; 2) analogamente a Terra é também esferiforme; 3) ela se situa no meio do mundo, como um centro; 4) ela se encontra, em relação às estrelas, com se fosse um ponto; 5) a Terra não realiza nenhum movimento local, é imóvel. Portanto, para Ptolomeu a Terra, considerada a primeira região elementar, era uma esfera posta no centro do Universo e composta de quatro elementos: terra; água; ar; e fogo. A segunda região, dita etérea, compreendia onze céus, ou esferas concêntricas, a girar em torno da Terra, a saber: o céu da Lua, os de Mercúrio, de Vênus, de Marte, de Júpiter, de Saturno, do Sol, das estrelas, do primeiro cristalino (esfera sólida transparente), do segundo cristalino e, finalmente, do primeiro móvel, que dava movimento a todos os céus inferiores e os obrigava a fazer uma revolução de vinte e quatro horas. Para além dos onze céus estava o Empíreo, habitação dos bem-aventurados, denominação tirada do grego “pyr” ou “pur”, que significa fogo, porque se acreditava que essa região resplandecia de luz, como o fogo.

Apesar da dificuldade de compreender e explicar o movimento observado dos planetas do ponto de vista geocêntrico (a Terra no centro do Universo), o geocentrismo foi uma idéia dominante na astronomia durante toda a Antigüidade e Idade Média. Somente no fim do século XV, o estudo da natureza começou a ser abordado a partir de um espírito verdadeiramente científico, no qual os experimentos eram levados a cabo para testar idéias especulativas. À medida que esse desenvolvimento foi sendo acompanhado por um crescente interesse pela matemática, acabou por gerar a formulação de teorias científicas adequadas, tomando por base o experimento.

No início do século XVI, a Renascença sacudiu as cinzas do obscurantismo da Idade Média, trazendo novo fôlego a todas as áreas do conhecimento humano. Iniciava-se a tradução dos textos árabes e gregos, trazendo para a Europa os conhecimentos clássicos de astronomia, matemática, biologia e medicina. Nicolau Copérnico (1472/1543), nascido em Thorn (Prússia), representou o Renascimento na astronomia. Copérnico foi um astrônomo com grande inclinação para a matemática. Estudando na Itália, leu sobre a hipótese heliocêntrica proposta por Aristarco (300 a.C.), que não foi aceita pelos intelectuais da sua época. Baseado nas referidas conclusões de Aristarco passou a considerar o Sol no centro do Universo e não mais a Terra. Introduziu o conceito de que a Terra era apenas um dos seis planetas (então conhecidos) girando em torno do Sol. Além disso, colocou os planetas em ordem de distância do Sol: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno. Os demais planetas, Urano, Netuno e Plutão, ainda eram desconhecidos. Portanto, segundo o sistema de Copérnico, o Sol está no centro e ao seu redor os astros descrevem órbitas circulares, sendo a Lua um satélite da Terra. A idéia de órbitas elípticas surgiu com Kepler, em 1605.

Efeitos da teoria Heliocêntrica: 1) derrubou toda a construção que parecia dar segurança e firmeza ao ser humano neste mundo, despojando-o do centro da criação, tornando-o num simples ser sobre a superfície do planeta; 2) destruiu a idéia anterior de uma ordem universal, construída por um sistema estritamente centrado, único, estável, sempre idêntico a si mesmo; 3) afetou a antiga hierarquia social, teológica e científica; 4) acelerou a concepção

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relativista do mundo, fazendo com que as teorias antropocêntricas fossem alteradas; 5) deu início a uma explicação do mundo por meio de um sistema racional-naturalista, autônomo e conexo, eliminando desde o princípio toda a explicação místico-teológica dos fenômenos naturais.

A teoria Heliocêntrica de Copérnico deve ser compreendida como o resultado de modificações espetaculares que ocorreram no campo do conhecimento europeu, motivadas pelos grandes descobrimentos e pelas navegações transatlânticas. Em 1492, Cristóvão Colombo descobre a América, em 1498, Vasco da Gama chega à Índia por mar e, em 1521, Fernão Magalhães prova, por meio de uma viagem marítima, a esfericidade da Terra. Foi este alargamento extraordinário do horizonte humano que permitiu a aceitação das teorias de Copérnico.

Galileu Galilei (1564/1642), italiano de nascimento (Florença), ao construir a primeira luneta astronômica (telescópio) pôde observar a composição estelar da Via Látea, os satélites de Júpiter, as manchas do Sol e as fases de Vênus. Esses achados astronômicos foram relatados ao mundo, em 1610, por meio do livro “Mensageiro das Estrelas”. Foi por meio da observação das fases de Vênus que Galileu passou a adotar o Sol como o centro do Universo. Descobre quatro satélites de Júpiter (posteriormente foram descobertos mais oito) e calcula as suas revoluções. Reconhece que os planetas não têm luz própria como as estrelas, mas que são iluminados pelo Sol e que são esferas semelhantes à Terra. Observa, ainda, as fases e o tempo de duração das rotações dos diversos planetas, em torno de seus eixos.

Dessa forma rui-se, então, a construção dos céus superpostos, concebidos por Ptolomeu, e reconheceu-se que os planetas são muito semelhantes à Terra. As estrelas deixaram de estar confinadas numa zona da esfera celestial, para estarem irregularmente disseminadas pelo espaço sem limites, encontrando-se a distâncias incomensuráveis uma das outras.

Além disso, muitas idéias fundamentadas por Aristóteles foram colocadas em discussão por indagações de Galileu, entre elas, a dos corpos leves e pesados caírem com velocidades diferentes. Segundo o cientista, os corpos leves e pesados caem com a mesma velocidade. Estudando o movimento dos corpos, Galileu Galilei descobriu que um corpo que se move continuará em movimento a menos que uma força lhe seja aplicada e o force a parar. Argumentou, também, que o movimento é tão natural quanto o repouso, isto é, um corpo que está em repouso permanece em repouso a menos que seja submetido a uma força que o faça mover-se. Assim, Galileu foi o primeiro a combinar o conhecimento empírico com a matemática, o que lhe confere o título de pai da ciência moderna. Em 1642, morreu cego e condenado pela Igreja Católica por suas convicções científicas, tendo suas obras censuradas e proibidas. A mesma instituição que o condenou o absolveu muito tempo após a sua morte, em 19833.

Johannes Kepler (1571/1630), na Alemanha, em 1605, descobre que as órbitas que os planetas descrevem não são circulares, mas sim elípticas, e que o Sol localiza-se em um dos focos da referida elipse.

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Pierre Simon Laplace (1749/1827) fez uma explanação matemática, com base na teoria da gravitação, a respeito dos movimentos dos corpos do sistema solar e criou uma hipótese na qual considerava a srcem do sistema solar como resultado de uma contração e resfriamento de uma grande, rotativa e lenta nuvem de gás incandescente.

Até o início do século XX os físicos explicavam os fenômenos naturais utilizando como arcabouço duas teorias de alcance extraordinário: a Mecânica de Isaac Newton (1643/1727) e o Eletromagnetismo de James Clerck Maxwell (1831/1879). A primeira estuda o movimento dos corpos, como a órbita de um cometa ou a trajetória de um pêndulo, enquanto que a segunda trata de fenômenos eletromagnéticos, tais como a luz ou ondas de rádio. A Mecânica e o Eletromagnetismo formam os principais pilares do que é conhecido, hoje, como Física Clássica. Havia naquela época uma crença de que essas duas teorias seriam capazes de explicar todos os fenômenos observados na natureza, restando apenas aos físicos aplicá-las corretamente cada vez que um novo fenômeno fosse descoberto. Era o império da Física Clássica. Na realidade, ela foi considerada, por muito tempo, a teoria final para a descrição dos fenômenos naturais. No entanto, duas grandes reviravoltas nessa maneira de pensar acabaram por demolir a soberania da referida Física: a Teoria da Relatividade e a Mecânica Quântica.

A Teoria da Relatividade, formulada por Albert Einstein (1879/1955), é a parte da Física que trata de fenômenos envolvendo objetos que se movem com velocidades muito altas, próximas à velocidade da luz (300.000 km/s), ou aqueles fenômenos envolvendo objetos com massas astronômicas, galáxias, aglomerados de galáxias, etc. (Macrocosmo Imediato).

A Mecânica Quântica, por sua vez, descreve o comportamento de objetos com dimensões atômicas (0,00000001cm ou 10-8cm) e menores (Microcosmo Imediato). A Mecânica Quântica desenvolveu-se e se tornou a mais bem sucedida teoria da física, no que diz respeito às previsões quanto ao comportamento da matéria. Como exemplos de grandes sucessos de aplicações da Mecânica Quântica, podem-se citar: a descrição do comportamento para os semicondutores, que são a base da tecnologia dos chips dos computadores atuais e, também, para os supercondutores, materiais que conduzem corrente elétrica sem dissipação de energia e, ainda, a compreensão da estrutura do núcleo atômico que possibilitou o uso da energia nuclear em diversas aplicações4.

Da concepção da substância primordial da matéria por Tales de Mileto, do atomismo de Demócrito e Leucipo, chega-se, no século XVII, às obras de Nicolau Copérnico, Galileu Galilei e de Isaac Newton, os quais fundaram a ciência moderna. Ao lado da mecânica, que unificou a descrição dos movimentos no céu e na terra, surgiu, no século XIX, a descoberta de James

4Nota do autor: na Filosofia Quântica a dimensão do átomo está relacionada à dimensão do

sistema solar, a dimensão do núcleo à dimensão do Sol e a do elétron à do planeta. Portanto, a força da natureza e suas leis atuam semelhantemente no macro e no micro. Nesse caso, a referência é apenas uma indicadora, para si mesmo, do macro e do micro, pois todo macro é também micro e este, por sua vez, é também macro, tudo dependendo da referência. Assim sendo, a Teoria da Relatividade e a Mecânica Quântica estão envolvidas com as mesmas leis.

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Clerck Maxwell, que unificou a eletricidade, o magnetismo e a óptica. Por outro lado, o começo do século XX marcou uma nova etapa na história da física com o surgimento de uma nova concepção das trocas de energia entre a matéria e a radiação, contrariando os preconceitos da maioria dos físicos e introduzindo a noção fundamental da estrutura quântica da energia e da matéria. Com Albert Einstein, eleva-se, a partir de 1905, o belo edifício da teoria da relatividade, que aboliu os preconceitos do espaço e do tempo absolutos. Ainda a Einstein deve-se a noção de fóton, o quantum de luz que introduziu a dualidade “onda-corpúsculo” para a radiação e que nos levou à idéia de que as partículas elementares não são nem corpúsculos nem ondas, têm propriedades de ambos, sendo, portanto, objetos quânticos. Na realidade, os elétrons são partículas tão pequenas e orbitam em torno do núcleo com velocidades tão altas que a tecnologia da humanidade ainda tem dificuldades para perceber e dimensionar o que realmente ocorre.

Em 1911, o cientista neozelandês Ernest Rutherford (1871/1937) propôs seu modelo atômico semelhante ao sistema solar, com os elétrons girando em torno do núcleo, como os planetas giram ao redor do Sol, e ligados a ele por forças elétricas. Niels Bohr (1885/1962), dinamarquês, contribuiu para o aperfeiçoamento do modelo atômico de Rutherford. Para Bohr, os elétrons giram em torno do núcleo de forma circular e com diferentes níveis de energia.

De Einstein, Niels Bohr e de Broglie nasceu a mecânica quântica. As discussões de Einstein e Bohr sobre a interação probabilística da mecânica quântica serviram de estímulo ao desenvolvimento desta teoria, a qual foi dada finalmente a compreensão da ligação química, da estabilidade da matéria, do magnetismo e da própria identidade dos átomos. A partir de 1930, surgiu a física nuclear e dela se destacou, a partir de 1947, a física das partículas elementares.

Portanto, a física, do século XX e início do XXI, gerou uma profunda revisão da concepção humana a respeito do Universo e do relacionamento do indivíduo com este último. O atual nível de conhecimento do sistema atômico e subatômico está muito mais próximo dos limites do mundo material com o espiritual (ou sutil), do que antes estava a física clássica. Na realidade, a dialética filosófica de Friedrich Hegel (1770/1831), de que tudo se espiritualiza no contexto do Universo, confirma a tendência de aproximação, cada vez maior, da ciência com a teologia ou da razão com a fé.

Na realidade, a Filosofia Quântica pode expandir-se na direção da Mecânica Quântica, considerando o Microcosmo Imediato, e prosseguir, indefinidamente, pelo sistema infinito de alternâncias entre microcosmos e macrocosmos. A Filosofia Quântica pode, também, expandir-se na direção do Macrocosmo Imediato e prosseguir, indefinidamente, pelo sistema infinito de alternâncias entre macrocosmos e microcosmos. Na realidade, a Filosofia Quântica considera que um determinado Microcosmo de referência é, simultaneamente, o Macrocosmo de outro Microcosmo e, por sua vez, um determinado Macrocosmo de referência é, simultaneamente, o Microcosmo de outro Macrocosmo. Em ambos os casos, a seqüência é infinita. Considerando-se qualquer referência, os seres humanos encontram-se eqüidistantes do Microcosmo e do Macrocosmo imediatos. Ou seja, possuem dificuldades

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semelhantes nas lides com ambos. É constituído, materialmente, pelo Microcosmo Imediato e vive no Macrocosmo Imediato.

Por outro lado, existe a consciência científica de que o modelo da Física Clássica e as teorias quânticas e da relatividade são válidos para uma determinada faixa de fenômenos. Portanto, todos estes modelos são aproximados. Ou seja, fora de seus limites esses modelos deixam de fornecer uma descrição satisfatória da natureza. Quanto à descrição de algo por meio da Filosofia Quântica, que se propõe este livro, haverá, por certo, imprecisões, até mesmo por limitações de linguagem, que ao passar do tempo serão fatalmente corrigidas.

Desde os primórdios da Grécia antiga a filosofia vem indicando o caminho para a ciência e após a doutrina de Jesus Cristo a teologia vem indicando o caminho para a filosofia. Por outro lado, tudo indica que, em determinado momento, a teologia, a filosofia e a ciência serão um só instrumento de desenvolvimento dos seres humanos e da sociedade. Assim sendo, a nossa humanidade deparar-se-á, logo, com a coincidência da razão com a fé. Enquanto isso, o objetivo deste livro é mostrar que, no atual estágio científico e espiritual da humanidade, a filosofia ainda pode abrir caminho para a ciência. O caminho que ora se visualiza é o do avanço da Física Atômica e Subatômica (Mecânica Quântica), que é a ciência do infinitamente pequeno e, também, do avanço da Teoria da Relatividade, que é a ciência do infinitamente grande. Ou seja, pretende-se apresentar uma filosofia, aqui denominada de Filosofia Quântica, com o objetivo de sugerir algumas idéias sobre o Microcosmo e o Macrocosmo, dentro da idéia de que o Microcosmo é, por sua vez, o Macrocosmo de outro Microcosmo e assim indefinidamente e, alhures, o Macrocosmo é, por sua vez, o Microcosmo de outro Macrocosmo e assim indefinidamente, tomando-se como base qualquer referência. Portanto, a Filosofia Quântica procura expandir seus tentáculos, com a mesma desenvoltura, tanto na Mecânica Quântica quanto na Teoria da Relatividade. Na realidade, este livro não tem nenhum compromisso científico. Tem, sim, um compromisso com a imaginação e a intuição, não fugindo, porém, da lógica do raciocínio, do bom senso e do espírito cristão. Este autor tem total convicção de estar tratando de algo teológico e filosófico e de que a humanidade, um dia, tratará desse mesmo assunto com a autoridade científica devida. Portanto, não se trata aqui de uma ficção.

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CAPÍTULO I

CAPÍTULO I

O ÁTOMO – ALGUNS INFORMAÇÕES GERAIS

O ÁTOMO – ALGUNS INFORMAÇÕES GERAIS

Quanto às teorias dos antigos filósofos gregos sobre o átomo, que datam de cerca de 400 anos a.C., não eram teorias propriamente científicas, pois não passavam de intuições filosóficas, sem comprovação. Na realidade, a filosofia fundamenta o seu conhecimento na observação, complementada pela lógica do raciocínio. Por outro lado, a ciência vai mais além, observa, raciocina e busca comprovação por meio de experiências e formulações matemáticas, ou seja, quase sempre, a ciência racionalmente comprova o que a filosofia já deduziu intuitivamente. É importante reconhecer que a intuição filosófica só é exteriorizada quando há uma base de raciocínio lógico. Dentro desse contexto, mais de vinte e quatro séculos passaram-se sem grandes avanços nas teorias sobre a composição básica da matéria. A idéia inicial dos gregos era de um átomo rígido e sólido. No entanto, só no século XIX, vários físicos e químicos tentaram explicar o átomo como sendo constituído por outras partículas ainda menores.

O cientista inglês Joseph John Thomson (1856/1940), realizando experiências com os raios catódicos, descobriu, em 1887, a existência do elétron. Estava, pois, provado que o átomo não é indivisível. Na continuação da referida pesquisa, o cientista alemão Eugene Goldstein (1850/1930), utilizando também os raios catódicos, descobriu outra partícula subatômica, 1.836 vezes mais pesada que o elétron e dotada de carga elétrica igual a dele, só que com o sinal positivo. Para essa nova partícula foi dado o nome de próton. Em 1911, o cientista neozelandês Ernest Rutherford (1871/1937) propôs seu modelo atômico semelhante ao sistema solar, com os elétrons girando em torno do núcleo, como os planetas giram ao redor do Sol, e ligados a ele por forças elétricas. Em 1932, o inglês James Chadwick (1891/1974) descobriu outra partícula subatômica de massa muito próxima à do próton, porém sem carga elétrica. Essa partícula, que passou a ser chamada de nêutron, localiza-se no núcleo do átomo, juntamente com os prótons.

Niels Bohr (1885/1962), dinamarquês, contribuiu para o aperfeiçoamento do modelo atômico de Rutherford. Baseado na teoria quântica, Bohr explicou o comportamento dos elétrons nos átomos. Para Bohr, os elétrons giram em torno do núcleo de forma circular e com diferentes níveis de energia. Seus postulados, em resumo, são os seguintes:

- o átomo possui um núcleo positivo que está rodeado por cargas negativas; - a eletrosfera está dividida em camadas ou níveis eletrônicos e os elétrons, nessas camadas, apresentam energia constante;

- em sua camada de srcem (camada estacionária) a energia é constante, mas o elétron pode saltar para uma camada mais externa, sendo que, para tal, é necessário que ele ganhe energia externa. Trata-se aí do salto quântico;

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- um elétron que saltou para uma camada de maior energia fica instável e tende a voltar à sua camada de srcem. Nessa volta ele devolve a mesma quantidade de energia que havia ganho para o salto e emite um fóton5.

A teoria planetária da estrutura atômica proposta por Rutherford e Niels Bohr descreve o átomo como um núcleo central circundado por elétrons situados em certas órbitas. O elétron é, pois, considerado como partícula. Na década de 1920, porém, mostrou-se que partículas em movimento, como os elétrons, comportam-se, em alguns aspectos, como ondas. Esse é um conceito importante para explicar a estrutura eletrônica dos átomos. Provavelmente, o elétron foi considerado, em alguns aspectos, como onda, em virtude de sua pequenez e de sua elevada velocidade de deslocamento no sistema eletrônico (eletrosfera), o que naturalmente proporciona dificuldade para a observação científica.

Em 1927, o físico alemão Werner Karl Heisenberg (1901/1976) (princípio da incerteza) desenvolveu uma relação importante que mostra a existência de uma limitação rígida e natural em nossa capacidade de aprender e descrever o movimento de partículas extremamente pequenas. O princípio da incerteza de Heisenberg estabelece que é impossível conhecer simultaneamente e com certeza a posição e o momento de uma pequena partícula, tal como um elétron.

Por outro lado, deve-se a Einstein a noção de fóton, que é o quantum de luz que introduziu a dualidade onda-corpúsculo para a radiação e que nos levou à idéia de que as partículas elementares não são nem corpúsculos nem ondas, têm propriedades de ambos sendo, portanto, objetos quânticos.

O conhecimento humano sobre a estrutura do átomo desenvolveu-se de maneira extraordinária nas primeiras décadas do século XX. Os cientistas descobriram e comprovaram experimentalmente, e por meio de formulações matemáticas, que o núcleo do átomo é formado por dois tipos de partículas elementares básicas estáveis: os prótons e os nêutrons, que juntamente com os elétrons, constituem o átomo. No final da década de 1930 foram descobertas partículas ainda menores, entre elas as denominadas múons, píons e káons. Hoje em dia, já existe um número muito maior de partículas. Neste contexto, como já foi mencionado, o objetivo deste livro é mostrar que, no atual estágio científico e espiritual da humanidade, a filosofia ainda pode abrir caminho para a ciência. O caminho que ora se visualiza é o do avanço da Física Atômica e Subatômica (Mecânica Quântica) e, também, o da Teoria da Relatividade. Na realidade, trata-se de um único avanço, pois o infinitamente grande é ao mesmo tempo o infinitamente pequeno, tudo é questão de referência, ou seja, tudo é relativo.

A despeito de seu minúsculo tamanho, o átomo é composto, essencialmente, por partículas elementares básicas (elétrons, prótons e nêutrons) e por uma complexa combinação de componentes ainda menores, também chamados de partículas elementares não básicas (tão quanto ocorre no sistema solar). Fritjof Capra cita como exemplo, em seu livro “O Tao da Física”, o diâmetro de um átomo medindo cerca de 10-8cm (raio = 5. 10-9cm).

5Eletrosfera: região do átomo onde os elétrons e as partículas não-elementares se

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Há que considerar que o diâmetro do núcleo desse átomo é ainda muitíssimo menor. Dentro do seu exemplo, Fritjof Capra considerou o diâmetro do núcleo do referido átomo como sendo cem mil vezes menor que o diâmetro do próprio átomo (10-13cm), (raio = 5. 10-14cm). Nesse contexto, pode-se comparar este

átomo a uma praça de 500m de diâmetro e o seu núcleo a um grão de areia de aproximadamente 0,5 cm de diâmetro. Ou seja, o diâmetro de um átomo é milhares de vezes maior que o diâmetro de seu próprio núcleo. Tomando-se outro exemplo: se o núcleo de um átomo for do tamanho de um limão, com 6 cm de diâmetro, o diâmetro do átomo seria de 6 Km (considerando o diâmetro do átomo cem mil vezes maior que o diâmetro de seu próprio núcleo). Ou seja, o elétron mais afastado, nesse caso, estariam cerca de 3 km de distância do núcleo. Por sua vez, é importante considerar que o volume do núcleo é muito maior que o volume do elétron. Nessa questão há que ser levado em conta, também, que, normalmente, o raio do átomo é representado pela distância que vai do centro do núcleo até a órbita do elétron mais externo. Porém, na realidade, é muito difícil saber onde termina a nuvem eletrônica. É muito provável que além do elétron mais externo ainda haja uma porção do átomo, onde navegam vários componentes menores que as partículas elementares básicas. Conseqüentemente, um átomo, sob a visão humana, é um sistema constituído por um espaço (vazio?!) relativamente imenso, onde se encontra localizado, em seu centro, um minúsculo núcleo, com elétrons, ainda mais minúsculos, girando em seu redor, numa órbita circular ou elíptica. Ou seja, um átomo é preponderantemente constituído por espaços “vazios”, destituídos, em princípio, de matéria. De acordo com essa constatação, as partículas visíveis do átomo são relativamente insignificantes. Considerando que na natureza não há espaços vazios e nem desperdício, pergunta-se: o que há realmente nessa porção majoritária do espaço eletrosférico?67.

Dentro desse raciocínio, o Universo infinito, no contexto dos infinitos macrocosmos e microcosmos, em todas as direções, é preponderantemente imaterial. Na realidade, para os sentidos humanos há apenas uma sensação de materialidade, tudo em função da evolução. Por essa razão, cabe a humanidade desvendar, realmente, o que é e qual é a constituição e função do espaço imaterial, que, por sua vez, é a porção exuberante do Universo.

Essencialmente, o átomo consiste de um núcleo em torno do qual há uma região chamada de eletrosfera, que é a região onde os elétrons orbitais movimentam-se. Esse núcleo é composto por prótons e nêutrons, tendo os elétrons girando ao seu redor. Por sua vez, os prótons e os nêutrons, ambos juntos, são genericamente chamados de núcleons. Os prótons possuem carga elétrica positiva, enquanto que os nêutrons não possuem carga elétrica. Ambos possuem, praticamente, a mesma massa. O núcleo encontra-se no centro do átomo com os prótons e nêutrons ligados. Experiências realizadas há muitos anos demonstraram que existem dois tipos de carga elétrica: a chamada

6CAPRA Fritjof.

O Tao da Física ,Ed. Cultrix, 1983, p. 56.

7Nota do autor: não se deve considerar com rigor as dimensões citadas no referido exemplo.

Na natureza, cada caso é um caso. Apenas como ilustração: o volume do nosso Sol/núcleo é cerca de um milhão e trezentas mil vezes maior que o volume do planeta Terra/elétron.

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negativa, que é a do elétron, que gira em torno do núcleo atômico, e a positiva, que existe no próton, que habita o núcleo. A carga elétrica de cada uma dessas partículas é muito pequena e para a simplicidade de raciocínio costuma-se considerar a carga relativa do próton como sendo +1 e a carga relativa do elétron como -1. Como, normalmente, em todos os átomos há sempre igual número de prótons e elétrons a resultante da carga elétrica é zero. Portanto, as cargas elétricas dos prótons e dos elétrons, em valores absolutos, são iguais e, em nome da neutralidade elétrica do átomo, normalmente, o número de prótons localizados no núcleo é igual ao número de elétrons que giram em torno do citado núcleo.

O elétron contém a menor quantidade de carga elétrica negativa conhecida. Na realidade, os elétrons são minúsculas partículas sempre acompanhadas de uma onda de radiação, a qual permite demonstrar sua presença. As forças que prendem os elétrons aos átomos lembram a força de um imã que atrai metal. Podem ser visualizados como partículas orbitando em volta do núcleo como planetas em volta do Sol. Então, o átomo seria parecido com um minúsculo sistema solar onde o núcleo seria o centro do sistema (como o Sol) e os elétrons estariam girando em suas órbitas em torno do núcleo (como os planetas).

Como ilustração:

1) Numa pequena quantidade de água (18g) existem cerca de 6,02 x 10

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moléculas de água (H2O). Considerando que em cada molécula há três átomos,

sendo dois de hidrogênio e um de oxigênio, há, no total, 18,06 x 1023 átomos,

sendo 12,04 x 1023de hidrogênio e 6,02 x 1023de oxigênio. Considerando essa

quantidade de átomos numa referência macrocósmica, pode-se concluir que há, nesse exemplo, 18,06 x 1023 sistemas solares, ou seja, praticamente uma galáxia. Além disso, há que ser considerado, ainda, os incontáveis planetas que orbitariam essa imensa quantidade de sóis. Por outro lado, considerando que um simples elétron, no contexto desse sistema (Microcosmo), é, também, um “planeta” na referência macrocósmica, pode-se concluir que esse “planeta” é, por sua vez, constituído por uma quantidade incontável de átomos. Ou seja, um elétron (planeta) é constituído, naturalmente, por átomos. Isso, ainda, sem considerar a existência de vida, nos diversos reinos (vegetal, animal e humano) que podem ser encontrados nesse simples elétron (planeta). Por certo, o infinito é encontrado num simples elétron! Por esse exemplo, pode-se avaliar a grandeza da criação existente em apenas 18 gramas de água;

2) Na extensão de 1 (um) milímetro cabem cerca de 10 milhões de átomos dispostos um junto ao outro;

3) Uma bola de gude de 2 (dois) centímetros de diâmetro contém cerca de 25 setilhões (25 x 1024) átomos. Isto quer dizer que se fosse possível ampliar um de seus átomos até as dimensões da referida bola de gude (dois centímetros de diâmetro), o diâmetro desta bola passaria a medir, na mesma proporção, dois mil km8.

8PERUZZO, Francisco Miragaia e CANTO, Eduardo Leite do.

Química na Abordagem do Cotidiano , Ed Moderna Ltda, 2ª ed, 2001, p.347.

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Portanto, um átomo é extremamente pequeno se comparado a objetos macrocósmicos, mas é enorme se comparado ao seu núcleo. Os átomos que compõem a matéria sólida, líquida, ou gasosa, consistem, quase integralmente, de espaços vazios. Sendo assim, o que nos impede de passarmos através de paredes? Em outras palavras, o que confere à matéria seu aspecto sólido? Na realidade, o aspecto sólido da matéria é a conseqüência da elevada velocidade dos elétrons em sua trajetória em volta do núcleo. Ou seja, essas elevadas velocidades fazem com que o átomo aparente ser uma esfera rígida, da mesma forma que uma hélice girando em alta velocidade aparenta ser um disco910.

Por outro lado, a estabilidade do átomo dá-se em virtude da posição ótima em que o elétron toma em relação ao núcleo, evitando, simultaneamente, a sua atração fatal em direção ao mesmo e a sua fuga para fora da órbita. Esse é um dos principais fatores do equilíbrio global no contexto de toda a natureza. Dessa forma, um átomo pode constituir-se num sistema planetário. Assim sendo, normalmente, o elétron encontra-se em uma órbita que dá equilíbrio ao átomo (estado fundamental). Por algum motivo, particularmente por aumento de sua velocidade de translação e/ou de rotação ou por receber quantidades extras de energia, o elétron pode alterar sua órbita. Assim sendo, pode saltar para órbitas mais elevadas (estado excitado do átomo). Hoje, esse fenômeno é denominado pela ciência como salto quânticosalto quântico. Porém, no todo, o sistema atômico vive num perpétuo equilíbrio. Na realidade, todo o Universo vive assim.Outro aspecto característico dos estados atômicos consiste no fato de que eles podem ser completamente especificados por um conjunto de números inteiros denominados “números quânticos”, que indicam a localização e a forma das órbitas dos elétrons. O equilíbrio estabelecido por um sistema de forças universal mantém cada átomo com as suas características dentre de certos limites, pois todas as momentâneas alterações são imediatamente compensadas, pois o equilíbrio do Cosmo é o resultado da força infinita de Deus. A interação da força de atração elétrica entre o núcleo atômico positivamente carregado e os elétrons negativamente carregados resulta na correta determinação da órbita de cada elétron. Essa interação é igualmente responsável por todas as reações químicas e pela formação de moléculas, que são agregados de diversos átomos reunidos pela atração mútua. A referida interação entre elétrons e núcleos atômicos constitui, então, a base de todos os sólidos, líquidos e gases e, ainda, de todos os organismos vivos e de todos os processos biológicos a eles associados.

No entanto, a fim de que se possa compreender a natureza da matéria é necessário estudar os núcleos atômicos, que contém praticamente toda a massa do átomo. O primeiro passo para o entendimento da estrutura nuclear foi a descoberta do nêutron, por James Chadwick, em 1932, como o segundo componente do núcleo. O nêutron é uma partícula que tem aproximadamente a mesma massa do próton (o primeiro componente nuclear, descoberto por

9CAPRA Fritjof.

O Tao da Física ,Ed. Cultrix, 1983, p. 59.

10 Segundo XAVIER, Francisco Cândido.

A Caminho da Luz , por Emmanuel, Departamento

Editorial da Federação Espírita Brasileira, 15 ed., 1987, p. 19, a velocidade da Terra ao redor do Sol é cerca de 30 quilômetros por segundo.

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Eugene Goldstein). A massa do nêutron ou do próton, ou ambas somadas, é muitíssimo maior que a massa do elétron. Na natureza não há nada absolutamente igual, há, por outro lado, semelhanças marcantes, de acordo com algumas características preponderantes. Por essa razão, creio que a diferença da massa do núcleo comparado com a massa do elétron é muito variável, ou seja, cada caso é um caso. Porém, é fato que a massa atômica está, na realidade, concentrada no núcleo. Rutherford, utilizando uma finíssima folha de ouro (0,0001 ou 10

-4

cm de espessura) em suas experiências, descobriu que, neste caso, a massa relativa do nêutron era 1, a do próton era, também, 1 e a do elétron era de 1/1836, ou seja, muito menor1112.

Como já foi mencionado, o diâmetro de um átomo é muitíssimo maior que o diâmetro de seu próprio núcleo (algo, mais ou menos, na mesma proporção de um círculo de 500m de diâmetro com um grão de areia de 0,5 cm no centro). Isso demonstra a quantidade de espaço virtualmente vazio que existe na região correspondente à eletrosfera. Esse “vazio” é, de uma maneira especial, completado em virtude das altas velocidades percorridas pelos elétrons. Portanto, os elétrons navegam em torno do núcleo, em suas respectivas órbitas, a altíssimas velocidades. Por sua vez, os prótons e nêutrons ou núcleons navegam a uma velocidade ainda mais extraordinária no interior do núcleo (Sol), chegando próximo da velocidade da luz, que é de aproximadamente 300.000 km/s. O que se pode observar é que a velocidade do elétron, apesar de alta, é muitíssimo menor que a velocidade dos prótons e nêutrons.

Por outro lado, o diâmetro do núcleo atômico (Sol) é muitíssimo maior que o diâmetro do elétron (planeta), o que indica a insignificância da massa do elétron em relação à massa do núcleo. Por essa razão, o núcleo atômico, apesar de possuir um diâmetro significativamente menor que o diâmetro do átomo, contém quase toda a massa atômica. Isso significa que a matéria dentro do núcleo deveria ser extremamente densa, más não é (vide a seguir observações a respeito da teoria da relatividade). Na verdade, se todo o corpo humano fosse comprimido à densidade nuclear, ou seja, se todos os elétrons fossem compactados para o interior dos seus respectivos núcleos, reduzindo a zero a eletrosfera, então, neste caso, o referido corpo humano reduzir-se-ia a uma simples cabeça de alfinete, com a mesma massa. Nesse caso, estariam sendo reduzidos somente os referidos espaços “vazios”. Para completar esse raciocínio é necessário considerar, nesse exemplo, que toda a massa dos elétrons concentrada no interior do núcleo adotaria, por inércia, a mesma velocidade dos prótons e nêutrons, ou seja, adotaria uma velocidade próxima a da luz, transformando todo o conjunto em energia. Isso que dizer que o aumento da velocidade da partícula altera o seu estado.

Posto isso, é importante citar que uma partícula qualquer não pode deslocar-se a uma velocidade próxima da luz. Para que isto ocorra há necessidade de que a referida partícula desmaterialize-se, ou seja, torne-se

11CAPRA Fritjof.

O Tao da Física ,Ed. Cultrix, 1983, p. 59 a 62.

12PERUZZO, Francisco Miragaia e CANTO, Eduardo Leite do.

Química na Abordagem do Cotidiano , Ed Moderna Ltda, 2ª ed, 2001, p 81 a 83.

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energia ou até mesmo luz. Baseado nisso, a teoria da relatividade demonstrou que a massa nada tem a ver com qualquer substância, sendo, isso sim, uma forma de energia. Se não fosse dessa forma seria duvidoso dizer que a massa atômica está no núcleo, onde suas partículas deslocam-se com velocidades próximas à da luz. O fato de a massa de uma partícula ser equivalente a certa quantidade de energia significa que a citada partícula não pode mais ser considerada como um objeto estático, mas, sim, que ela deve ser concebida como um modelo dinâmico. Trata-se, portanto, de um processo que envolve uma energia que se manifesta a si mesma como a massa da partícula. Baseado nessa concepção da teoria da relatividade é lógico imaginar que não existe na natureza nada estático, o repouso aparente é definitivamente relativo. Em resumo, as partículas passam, então, a serem vistas como padrões dinâmicos, que envolvem uma determinada quantidade de energia que se manifesta a nós como sua massa. Assim sendo, pode-se considerar que, no exemplo dado sobre a compactação de todos os elétrons do corpo humano no interior de seus respectivos núcleos, a massa resultante seria a manifestação de energia, pois todas as partículas estariam se movimentando na velocidade da luz13.

Dentro desse contexto, observa-se que as partículas não sobrevivem em ambiente de desprendimento de energia de altíssima vibração, próxima da luz. Ou seja, o aumento de vibração, de velocidade e, conseqüentemente, de mais dinamismo, altera o estado da matéria. Coerentemente com esse raciocínio, creio que a evolução espiritual mantém uma relação estreita com esse contexto, pois tudo na natureza está voltado para a desmaterialização, ou seja, para a sutilização. Quanto mais energético, ou seja, quanto mais desmaterializado, mais poderoso é o ser. Parece que o destino de tudo que existe é atingir a desmaterialização total. A partir daí, a evolução estará voltada, exclusivamente, para o acúmulo de energia. Trata-se, pois, de um processo de evolução universal.

Ou seja, a massa do átomo está quase toda contida no seu núcleo e, como se sabe, é manifestada em energia. De acordo com experiência científica, a massa de um próton ou de um nêutron é de, aproximadamente, 1.836 vezes maior do que a massa de um elétron, considerando, neste caso, o elemento ouro. Porém,não existe um número absoluto a respeito. Considerando, dentro da Filosofia Quântica, que o Sol é, também, um núcleo, e a Terra é, também, um elétron, constata-se, neste caso, que a massa do núcleo (Sol) é 335.000 vezes maior que a do elétron (Terra). Ou seja, muito maior do que as 1.836 vezes previstas por Ernest Rutherford, ao fazer experiências com finíssimas folhas de ouro. Por outro lado, pode-se dizer, também, em virtude da multiplicidade que existe na natureza, que há relações de massas (núcleos x elétrons) menores do que aquela prevista por Rutherford, porém, universalmente, a massa do núcleo, em princípio, sempre será muito maior que a do elétron.

A soma do número de prótons com o número de nêutrons de um átomo é chamada de número de massa “A”. O núcleo é quem determina o tipo químico do elemento que representa, por causa do número de prótons que contém. O

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átomo é a menor partícula característica de um elemento. Assim, existe o elemento ferro e, portanto, existem átomos de ferro, existe o elemento oxigênio e, portanto, existem átomos de oxigênio, etc. Isso é válido para qualquer referência considerando os macrocosmos e microcosmos sucessivos. Para cada elemento há um tipo especial de átomo, que é definido pelo número de prótons contidos no seu núcleo atômico - esse número é também chamado número atômico Z. Portanto, A=Z+N. Por exemplo: o núcleo de um átomo de hidrogênio consiste de um só próton e de um só nêutron e, conseqüentemente, de um só elétron, pois o número de prótons é igual ao de elétrons. Dentro desse raciocínio, todo átomo existente no Universo que tenha um só próton no seu núcleo atômico é, em princípio, um átomo de hidrogênio 1415.

Portanto, o que determina a espécie de um elemento simples da matéria (elemento constituído por um só tipo de átomo) é a quantidade total de prótons existentes no seu núcleo e, em conseqüência, de elétrons existentes nas camadas orbitais desse átomo.

Em síntese, elemento químico é o conjunto de átomos que possuem um mesmo número atômico (Z), ou seja, o mesmo número de prótons. Assim sendo, todos esses átomos possuem as mesmas propriedades químicas. Dos 112 (cento e doze) elementos simples conhecidos: 87 (oitenta e sete) são metais (principais: ouro, prata, platina, mercúrio, chumbo, estanho, zinco, ferro, cobre, arsênico, sódio, potássio, cálcio, alumínio); 12 (doze) são não-metais (principais: oxigênio, hidrogênio, azoto, cloro, carbono, fósforo, enxofre, iodo); 7 (sete) são semimetais; e 6 (seis) são gases nobres. Dos 112 elementos simples, 20 são artificiais, isto é, podem ser sintetizados pelo homem.

Os átomos, no contexto da natureza, unem-se para formarem partículas maiores chamadas moléculas. Se elas são formadas por um só tipo de átomo ou por átomos iguais, trata-se de uma substância simples (por exemplo: o ferro, o oxigênio). No caso de os átomos unidos entre si serem diferentes, trata-se de uma substância composta (água, açúcar, gás carbônico). Quando um átomo une-se a outro essa união acontece por meio de modificações sofridas pela eletrosfera. Ou seja, o núcleo atômico, por sua vez, dificilmente tem sua estrutura alterada por fatores externos. Os fenômenos relacionados às mudanças no núcleo são chamados fenômenos nucleares ou radioativos. Para esses casos a natureza possui uma solução específica de estabilidade. Ou seja, em qualquer situação, a natureza não se revolta contra si mesma. Toda a matéria no Universo é feita com os mesmos constituintes básicos e é, portanto, controlada pelas mesmas forças fundamentais. Isto quer dizer que as galáxias, as nuvens interestelares, as estrelas, os planetas, os satélites e as pessoas são todos iguais, a nível atômico.

14Nota do autor: portanto o número atômico do hidrogênio (“Z”) é igual a 1 e o seu número de

massa “A” é igual a 2.

15Nota do autor: A = Z + N. Onde A = número de massa; Z = número de prótons contidos no

núcleo (chamado número atômico); e N = número de nêutrons contidos no núcleo. Portanto a massa atômica é a soma do número de prótons e nêutrons contidos no núcleo. Como já foi mencionado, o tipo de átomo é definido pelo número de prótons contidos no núcleo, ou seja, é definido pelo número atômico.

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Esse complexo atômico é o responsável pela formação de toda a matéria existente no Cosmo, tanto no Microcosmo quanto no Macrocosmo, pois a química universal se manifesta pelas alterações que se processam no âmbito da eletrosfera. Nesse particular, a dinâmica que rege a formação da matéria, por meio da criação de um sistema incomensurável de moléculas, é a mesma que a consolida, por meio de um processo de materialização constante. Na seqüência, essa mesma dinâmica inicia um processo de desmaterialização, também chamado de expansão. Em conseqüência, a matéria é criada e mantida por certo tempo e, na seqüência, é desmaterializada, por meio de um processo de sutilização controlado rigorosamente em função das necessidades de evolução dos seres vivos. Esse período existencial da matéria é chamado de Grande Plano ou Manvantara.

Segundo Allan Kardec, a existência dos planetas divide-se em três períodos. Primeiro período: condensação da matéria, período em que o volume do globo diminui consideravelmente, conservando-se a mesma massa. É o período da infância. Segundo período: contração, solidificação da crosta; eclosão dos germes, desenvolvimento da vida até a aparição do tipo mais aperfeiçoado (início da era Quaternária). Nesse momento o globo está em toda a sua plenitude. Terceiro período: À medida que seus habitantes progridem espiritualmente o planeta vai, progressivamente, sutilizando-se e as suas moléculas entram em processo de desagregação. Assim, nascimento, vida e morte, ou infância, virilidade e decrepitude são as três fases por que passa toda a aglomeração de matéria orgânica ou inorgânica. Indestrutível só o espírito, que não é matéria16.

Assim sendo, o mundo material, extremamente reduzido no Universo, é simplesmente um instrumento da natureza utilizado para a criação e o desenvolvimento de seres de diversos reinos (vegetal, animal, e humano e outros intermediários). O desenvolvimento dos reinos superiores ou os supra-humanos independem da matéria. Portanto, tudo o que se vê, ou seja, tudo que é material tem uma função limitada no contexto.

De acordo com essa idéia, quando se vê, no Macrocosmo, estrelas (sóis) em extinção isso significa que os seres humanos habitantes daqueles orbes (planetas ou elétrons) já se encontram em final de curso e, em conseqüência, prestes a iniciarem as suas respectivas caminhadas como seres supra-humanos. Assim sendo, o Universo apresenta-se com infindáveis inícios e términos de manvantaras, tanto nos microcosmos quanto nos macrocosmos sucessivos.

O espaço ocupado pela matéria aparente no Universo (tanto no Microcosmo quanto no Macrocosmo) é muito pequeno e, além disso, a própria matéria, constituída por incontáveis sistemas atômicos, possui, em sua estrutura atômica, uma maioria de espaços “vazios”. Ou seja, o Universo é na sua maior parte, uma sensação de “vazio”. Esses enormes “vazios” são extremamente intrigantes para a nossa mente humana, pois ainda não temos um lastro de

16ARDEC, Allan,

A Gênese,Departamento Editorial da Federação Espírita Brasileira, 32ª ed.,

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conhecimento e evolução espiritual suficiente para penetrar nessa questão. Enquanto isso, a nossa pequena mente nos permite, apenas, fazer algumas ilações a respeito. Na realidade, parece que o mundo daqueles que ainda dependem da matéria para o seu desenvolvimento é muito menos grandioso do que daqueles que não precisam mais desse instrumento. Ou seja, atingir o mundo dos supra-humanos é atingir a felicidade plena ou a “eudamonia” prevista pelos filósofos gregos. É nesse momento evolutivo que o Manvantara se encerra para aqueles que estão envolvidos com ele. Outros manvantaras surgem e, assim, sucessivamente, a vida escoa dentro de um contexto de evolução eterna17.

Os cientistas do século XX perceberam que, além dos prótons, nêutrons e elétrons (partículas elementares básicas), há outras partículas elementares (não básicas) que compõem o átomo. O número dessas partículas ampliou-se de três para seis por volta de 1935, de seis para dezoito por volta de 1955 e no final do século já eram conhecidas mais de duzentas dessas partículas. Na medida em que as referidas partículas iam sendo descobertas, ao longo dos anos, tornava-se claro que nem todas mereciam esse nome. Na realidade, a eletrosfera, pela sua complexidade e multiplicidade de causas e efeitos, ainda é desconhecida pela nossa atual humanidade.

Sabe-se, desde a década de 1930, que a cada uma das partículas fundamentais da matéria corresponde uma antipartícula. Ou seja, para cada elétron existe um antielétron, para cada próton um antipróton, para cada partícula uma antipartícula. Portanto, matéria e antimatéria são uma simetria básica da natureza. O pósitron, que é imagem do elétron, mas com carga elétrica contrária (positiva), já foi detectado experimentalmente, tem existência real. O pósitron, portanto, é a antipartícula do elétron. Assim sendo, os átomos, além de possuírem em suas estruturas a antimatéria, são responsáveis, também, pelas propriedades físicas e químicas da matéria. Os átomos constituem a matéria aparente e os antiátomos a antimatéria. O cientista Paul Adrien Maurice Dirac (1902/1984), em 1930, predisse, por motivos teóricos, que a cada tipo de partícula elementar corresponde outro tipo, a antipartícula, imagem da primeira, com características opostas. E em 1932, confirmando a teoria, Carl David Anderson (1905/1991) descobriu o pósitron, identificado como antipartícula do elétron.A lei da simetria da física afirma que na natureza, para cada partícula ou efeito, existe outra partícula ou efeito oposto, como por exemplo, cargas elétricas positivas e negativas, pólos magnéticos norte e sul, etc. As cidadelas atômicas, em qualquer construção da forma física, não são fortalezas maciças. O espaço persiste em todas as formações e, através dele, os elementos interpenetram-se. As características atômicas da matéria aparente são as responsáveis pela sua intangibilidade para os fluídos espirituais e para os

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Nota do autor: São Tomás de Aquino denomina a última etapa de evolução espiritual do ser humano como Beatitude. O início da etapa evolutiva como supra-humano é denominada por ele como Angelitude. Ou seja, os beatos são aqueles que estão vivendo os derradeiros dias como seres humanos (final de Manvantara) e os angélicos são aqueles que estão iniciando a sua caminhada evolutiva no mundo dos supra-humanos. Esses seres evoluídos têm livre acesso ao mundo dos “vazios”.

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espíritos desencarnados, que a atravessam sem nenhuma dificuldade. Em conseqüência, a matéria aparente é, ao mesmo tempo, tangível e intangível, tudo dependendo da referência. Ou seja, a tangibilidade da matéria aparente é tão relativa como o são o tempo o espaço e a velocidade. Na realidade, a matéria tangível só é compacta para os nossos atuais sentidos. O que existe, no momento, é apenas uma sensação de tangibilidade.

Dentro desse raciocínio, pode-se concluir que: à medida que o ser humano for evoluído espiritualmente a relatividade do conjunto espaço/tempo/velocidade/intangibilidade vai, também, se alterando, ou seja, vai se aproximando do mundo dos supra-humanos.

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