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A atividade comercial nas ruas Pompeia, Chegança e Boa Sorte no contexto da produção do espaço urbano da Zona Norte de Natal/RN-Brasil

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Academic year: 2021

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(2) UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM GEOGRAFIA. SONEIDE MOURA DA COSTA. A ATIVIDADE COMERCIAL NAS RUAS POMPÉIA, CHEGANÇA E BOA SORTE NO CONTEXTO DA PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO DA ZONA NORTE DE NATAL/RN – BRASIL. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia (PPGE) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte para a obtenção do Título de Mestre em Geografia Orientadora Prof.ª Doutora Rita de Cássia da Conceição Gomes. NATAL - RN 2017.

(3) SONEIDE MOURA DA COSTA. A ATIVIDADE COMERCIAL NAS RUAS POMPÉIA, CHEGANÇA E BOA SORTE NO CONTEXTO DA PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO DA ZONA NORTE DE NATAL/RN – BRASIL. Natal, 07/03/2017. BANCA EXAMINADORA. ________________________________________ Profª Drª Rita de Cássia da Conceição Gomes Orientadora (UFRN). _________________________________________ Profª Drª Ione Rodrigues Diniz Morais Examinador Interno (UFRN). __________________________________________ Profª Drª Kátia Cristina Ribeiro Costa Examinador Externo (UFCG). NATAL - RN 2017.

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(5) Caminhante, são teus passos o caminho e nada mais; Caminhante, não há caminho, faz-se caminho ao andar. (Antônio Machado).

(6) AGRADECIMENTOS. Não se imagine capaz de construir um sonho sozinho. A solidão é escura e perversa. Quando achamos que estamos seguros e confiantes no nosso caminho, nos deparamos com o vazio e a sensação de que nada mais importa. Por isso, agarre-se constantemente aos sinais da liberdade da mente e elevação do espírito. Atreva-se a sorrir para o desconhecido e torne-o participante da sua vida. Vivi de muitas formas; desconhecida de mim e dos outros, me senti em vários momentos caminhando sozinha. Por várias vezes tentei e tentaram me desviar, contudo fui resgatada por pessoas que caminharam comigo e me ajudaram a realizar este sonho. Pelo caminho que trilhei, agradeço a todos que, de modo muito peculiar, deram mais significado à minha vida. Obedecendo a cronologia da minha jornada, agradeço: À Deus, que me privilegiou com o dom da vida ao lado da família certa. Usaria todas as formas para agradecer a semente que plantou no meu coração, ainda quando pequena, do desejo incansável de estudar. Como as palavras não dão conta de explicar o tamanho da minha gratidão, lhe ofereço a voz do meu coração que só o Senhor pode ouvir. À minha mãe, Alice, que cuida muito bem de mim desde o primeiro dia que me teve em seus braços; aliás é justamente em seus braços onde me sinto segura e inteira. Mãe, muito obrigada por celebrar as minhas conquistas e chorar as minhas decepções junto comigo. Obrigada pelo incentivo e por me guardar em suas orações todas as noites. Eu te amo! Ao meu pai, Fernando, motivo indireto desta conquista. Pai, o senhor me ajudou a ressignificar muitos sentimentos. Obrigada pela vida! Que possamos trilhar lindos caminhos. À minha irmã, Simone, pelas lindas lembranças de infância quando esperávamos ansiosamente pelo amanhecer, depois das tão aguardadas chuvas no sertão, para brincarmos nas poças de água que a terra, temporariamente saciada, já não tinha condições de beber. Lembro ainda de mamãe nos chamando após as brincadeiras, para tomarmos aquele delicioso café feito no fogão à lenha. Obrigada por ter me presenteado com a dádiva de ser tia e assim viver um amor puro. Os meus sobrinhos: Jarley, Samuel Lucas e Ana Cecília são pérolas preciosas que guardo no meu coração..

(7) Ao meu irmão, Adair, um homem que tem me ensinado que é possível superar muitas adversidades quando se crer em dias melhores. Estarei sempre ao seu lado. Aos meus avós maternos Severino Costa (in memoriam) e Alice; e Francisco Moura (in memoriam) e Maria Beatriz pelas histórias que contavam do “povo de antigamente” que prendiam a minha atenção nos finais de tarde na calçada de barro batido. Às minhas professoras das séries iniciais, Geisa e Julinha, que na humilde escola do Sítio Timbaúba (Ouro Branco/RN), lugar onde nasci, me fizeram iniciar o percurso acadêmico. Ao meu professor de Geografia do 8º ano, Luiz Figueiredo, que me fez amar a ciência que escolhi e ora defendo. À toda a equipe da Pro-Reitoria de Assuntos Estudantis (PROAE/UFRN), em especial a assistente social Graça, por ter me ajudado durante todo o meu percurso acadêmica na UFRN. Obrigada por ter me acolhido e feito o possível, juntamente com sua esquipe, para que eu permanecesse tendo o melhor acompanhamento que a universidade poderia oferecer. Às minhas amigas da época da residência universitária: Marluce, Jucimeire, Taís, Iselda, Gabi e Arianne, com quem tive muitos anos de excelente convivência e companheirismo. À minha admirada e, sempre professora, Ione Rodrigues Diniz Morais. Não conheço mulher mais íntegra e verdadeira nas ações que visam exclusivamente o crescimento acadêmico e pessoal dos seus alunos. Você atende com excelência todos as definições cabíveis para a palavra professor, pois sempre defendeu a ética e o ensino de qualidade. Seguirei os seus passos sempre. À professora Ana Cláudia Ventura dos Santos pelos sábios conselhos e pelo acolhimento físico e emocional. Pessoas como você são raras porque conseguem enxergar no outro o que está além do aparente, portanto se tornam especiais e prazerosas de ser ter por perto. Compartilhamos muitas opiniões e dividimos muitas batalhas. À professora Drª. Maria Aparecida Pontes pelas pertinentes contribuições no exame de qualificação. À professora Drª Kátia Cristina Ribeiro Costa por ter conduzido, com tanto delicadeza e competência, as suas palavras como membro da banca de defesa da presente dissertação..

(8) À Rita de Cássia da Conceição Gomes, minha orientadora do presente trabalho e também da vida. Obrigada por ter me recebido na sua família GPEUR, a qual quero ser membro sempre. Agradeço especialmente pelas vezes que me acolheu com suas palavras sábias, por me animar diante das tristezas, por me conduzir a um encontro mensal com Deus, através das missas em Arês/RN. Obrigada ainda pelos cafés das 14:30 e risadas compartilhadas. De modo especial você sempre me mostrou que podemos fazer mais do hoje e vislumbrar um amanhã de possibilidades. Obrigada pelo sonho realizado! À minha família GPEUR, pela troca de experiências pessoais e acadêmicas em nome de quem quero me dirigir à Rosa, Jomara, Ândria, Moacir e Josélia. À Kelson (in memoriam), amigo de poucas palavras, mas que muito me ensinou com o seu coração imenso. Um homem íntegro, educado e que emitia paz e boas energias. Alguém a ser sempre lembrado pela família GPEUR. À Joabio, grande amigo, aquele que tem a história de vida parecida com a minha; meu irmão do Seridó, com quem dividi angústias profundas e alegrias extremas. Obrigada pela construção dos mapas e sua companhia, ela me faz muito bem. À Anderson e Marília pelos ensinamentos compartilhados e amizade consolidada. À um anjo especial, Moizés Muniz, principalmente pela paciência em tentar me compreender, quando nem eu mesma consegui. A sua participação na minha vida foi/é fundamental para eu entender que podemos confiar no outro sem medidas quando nos propomos capazes de ser felizes. Muito obrigada por cuidar de mim e por me ajudar com a pesquisa de campo. Você me faz acreditar na bondade humana, cada vez mais rara. Ao Laboratório de Estatística Aplicada (LEA/UFRN), às pessoas de Pedro Luciano e Érica, pelo acompanhamento da minha pesquisa e pela elaboração das amostras de campo. Às Secretarias de Tributação Municipal de Natal (SEMUT), Meio Ambiente e Urbanismo (SEMURB) e Transportes e Trânsito Urbano (STTU) pelo fornecimento de dados secundários importantes para a consecução da pesquisa.. Por fim, aos que, direta ou indiretamente caminharam comigo, Obrigada!.

(9) RESUMO Sendo o binômio comércio e cidade, indissociável, empreende-se que a produção do espaço urbano pode ser entendida à luz da atividade comercial ao passo que este, ou seja, o espaço, influencia na produção e localização do comércio. Desta forma, a pesquisa enveredou pela discussão do processo de expansão urbana de Natal/RN em direção à Zona Norte via política habitacional e o percurso assumido pelo comércio tradicional nas ruas Pompéia, Chegança e Boa Sorte. O trabalho está embasado em pesquisa bibliográfica, documental e pesquisa de campo. Do ponto de vista teórico-metodológico, adotou-se o método regressivo-progressivo proposto por Lefebvre (2000), cuja perspectiva de investigação está organizada em três momentos: descritivo; analítico-regressivo e histórico-genérico. A análise desenvolvida revelou que a atividade comercial na Pompéia, Chegança e Boa Sorte apresenta um caráter de proximidade física e social, uma vez que, além de atender a demanda de consumo local e de bairros próximos a estas, também mantém uma clientela fidedigna no que concernem às relações de compra com o comerciante da rua. Outrossim, mesmo não se configurando como grandes corredores de passagem na Zona Norte, estas ruas se constituem em lócus de representação sócio-espacial embasada, por um lado na lógica de reprodução hegemônica e por um lado na reprodução da vida. Ainda que inserido no contexto da crise econômica, também vivenciada no Rio Grande do Norte e que repercute em altas taxas de desemprego, o comércio da Pompéia, Chegança e Boa Sorte apresenta perspectivas de crescimento, principalmente no tocante ao comércio informal, sendo este último uma possibilidade de garantia de renda familiar alternativa. PALAVRAS-CHAVE: Produção do espaço urbano de Natal/RN; habitacional; comércio tradicional; ruas Pompéia, Chegança e Boa Sorte.. Política.

(10) ABSTRACT Understanding the binomial commerce and city, inseparable, it is realized that the production of the urban space can be understood from the commercial activity whereas this, that is, the space, influences in the production and location of the commerce. In this way, the research began by discussing the process of urban expansion of Natal / RN towards the North Zone through housing policy and the path taken by the traditional commerce in the streets Pompeia, Chegança and Boa Sorte. The dissertation is based on bibliographical research, documentary and field research. From the theoretical-methodological point of view, the regressiveprogressive method proposed by Lefebvre (2000) was adopted. The research perspective of this method is organized in three moments: descriptive; analyticregressive and historical-generic. The analysis revealed that the commercial activity in Pompeia, Chegança and Boa Sorte has a physical and social proximity, because it meets the demand of local consumption and neighborhoods close to them and maintains a trustworthy clientele in relation to the purchase relations with The street merchant. Moreover, even though they are not configured as major passageways in the North Zone, these streets constitute a locus of socio-spatial representation based on the logic of hegemonic reproduction and reproduction of life. Although in the context of the economic crisis, also experienced in Rio Grande do Norte and which has a high unemployment rate, the commercial activity in the streets of Pompeia, Chegança and Boa Sorte presents growth prospects, especially with regard to informal commerce, which is a possibility to guarantee alternative family income. Keywords: Production of the urban space of Natal / RN; Housing policy; traditional commerce; Pompeia, Chegança and Boa Sorte streets.

(11) LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS. AABB – Associação Atlética Banco do Brasil ABRASCE – Associação Brasileira de Shopping Centers APERN – Associação de poupança e empréstimo do Rio Grande do Norte BNH – Banco Nacional da Habitação CAERN – Companhia de Água e Esgotos do RN CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados CCAB – NORTE - Centros Comerciais Aloisio Bezerra Norte CCAB –SUL- centros comerciais Aloisio Bezerra Sul COAHB-RN- Companhia de Habitação Popular do RN COSERN – Companhia de Serviços Elétricos do RN CNAE – Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNB – Construtora Norte Brasil DER – Departamento de Estradas e Rodagens DETRAN – Departamento Estadual de Trânsito DIN – Distrito Industrial de Natal ED – Escola Doméstica de Natal FARN – Faculdade Natalense para o Desenvolvimento do Rio Grande do Norte FIERN – Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte HC – Colégio Henrique Castriciano IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IFRN – Instituto Federal do Rio Grande do Norte IMA – Instituto Maria Auxiliadora INOCOOP – Instituto de Orientação às Cooperativas Habitacionais IPI – Impostos sobre Produtos Industrializados ITEP – Instituto Técnico-Científico de Polícia do Rio Grande do Norte LEA/UFRN – Laboratório de Estatística Aplicada da UFRN LOT. – Lote PROAE – Pró-reitora de Assuntos Estudantis PROCON – Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor PMC – Pesquisa Mensal do Comércio PROMORAR – Programa de Erradicação de Sub-Moradias.

(12) SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SELIC – Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SEMURB – Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo SEMUT – Secretaria de Tributação Municipal de Natal SM – Salários Mínimos STTU – Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito Urbano SUDENE – Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste UNI-RN – Centro Universitário do Rio Grande do Norte.

(13) LISTA DE ILUSTRAÇÕES FIGURAS Figura 1 – Síntese do itinerário da pesquisa ..................................................................... 28 Figura 2 - Placa que anuncia primeiro voo transatlântico ocorrido em 1930 entre São Luis do Senegal e Natal ........................................................................................................ 94 Figura 3 - Ponte Rodoferroviária de Igapó nos anos de 1970 ....................................... 97 Figura 4 - Distrito Industrial de Natal – DIN nos anos 1970 ........................................... 98 Figura 5 - Ponte Costa e Silva (Igapó) duplicada ........................................................... 108 Figura 6 - Ilustração de rua na cidade Pompéia, Itália em 150 a.C. ........................... 112 Figura 7 - Rua Pompéia – Zona Norte de Natal/RN/2016 ............................................ 112 Figura 8 - Noticiário sobre abalos sísmicos em João Câmara (a direita) e evasão da população da cidade (a esquerda) ................................................................................... 118 Figura 9 - Rua na cidade Pompéia-Itália 150 a.C .......................................................... 123 Figura 10 - Nome das ruas adjacente à Chegança - 2016 ........................................... 137 Figura 11 - A dança da chegança ..................................................................................... 138 Figura 12 - Barraca de feira na Rua Chegança - Natal/RN - 2016.............................. 145 Figura 13 - Ponte Newton Navarro - Natal/RN - 2011 ................................................... 154 GRÁFICOS Gráfico 1 - Número de estabelecimentos de comércio e serviços quanto à formalização – Pompéia/2016 ............................................................................................. 60 Gráfico 2 - Percentual de funcionários que trabalham no estabelecimento – Pompéia/2016 ........................................................................................................................ 62 Gráfico 3 - Motivos para escolha do comércio – Pompéia/2016 ................................... 63 Gráfico 4 - Lugar de compra da mercadoria pelo comerciante – Pompéia/2016 ........ 64 Gráfico 5 - Preço da mercadoria de acordo com o consumidor – Pompéia/2016 ...... 65 Gráfico 6 - Número de estabelecimentos de comércio e serviços quanto à formalização – Boa Sorte/2016 ........................................................................................... 71 Gráfico 7 - Percentual de funcionários que trabalham no estabelecimento – Boa Sorte/2016............................................................................................................................... 73 Gráfico 8 - Motivos para escolha do comércio – Boa Sorte/2016 ................................. 74 Gráfico 9 - Lugar de compra de mercadoria pelo comerciante – Boa Sorte/2016 ...... 75 Gráfico 10 - Qualidade da mercadoria de acordo com o consumidor – Boa Sorte/2016............................................................................................................................... 76 Gráfico 11 - Número de estabelecimentos de comércio e serviços quanto à formalização – Chegança/2016 ........................................................................................... 81 Gráfico 12 - Percentual de funcionários que trabalham no estabelecimento – Chegança/2016 ...................................................................................................................... 82 Gráfico 13 - Motivos para escolha do comércio – Chegança/2016 ............................... 83 Gráfico 14 - Lugar de compra da mercadoria pelo comerciante – Chegança/2016 ... 84.

(14) Gráfico 15 - Qualidade da mercadoria de acordo com o consumidor – Chegança/2016 ...................................................................................................................... 85 Gráfico 16 - Evolução da população da Zona Norte de Natal/RN – 1980 a 2010 .... 107 Gráfico 17 – Intenção de compra das famílias brasileiras entre Jan de 2010 e Jan de 2017 ....................................................................................................................................... 157 Gráfico 18 – Escala de crescimento do comércio de 0 a 10 na perspectiva do comerciante nas ruas Pompéia, Chegança e Boa Sorte - 2016 .................................. 160 Gráfico 19 - Utilização de mecanismos de publicidade pelos comerciantes das ruas Pompéia, Chegança e Boa Sorte/2016 ............................................................................ 162 Gráfico 20 - Lugar de moradia do comerciante - Pompéia, Chegança e Boa Sorte 2016 ....................................................................................................................................... 171 Gráfico 21 - Origem da Clientela – Pompéia, Chegança e Boa Sorte/2016 ............. 173 Gráfico 22 - Motivo de escolha do consumidor para fazer compras – Pompéia, Chegança e Boa Sorte/2016 .............................................................................................. 174 QUADROS Quadro 1 – Síntese dos procedimentos metodológicos .................................................. 30 Quadro 2 - Atributos do comércio varejista moderno e tradicional, segundo Fernandes; Cachinho e Ribeiro (2000) .............................................................................. 46 Quadro 3 - Lojas da Rua Pompéia - 2016 ......................................................................... 54 Quadro 4 - Lojas da Rua Boa Sorte – 2016 ...................................................................... 69 Quadro 5 - Lojas da Rua Chegança – 2016...................................................................... 78 Quadro 6 - Conjuntos habitacionais construídos na Zona Norte de Natal/RN .......... 102 Quadro 7 - Ordem de serviço operacional da linha de transporte público 02 Gramoré/Mirassol - Empresa Guanabara/2016 .............................................................. 121 Quadro 8 - Ordem de serviço operacional das linhas de transporte público que circulam nas ruas Pompéia, Chegança e Boa Sorte – 2016 ........................................ 166 MAPAS Mapa 1- Ruas Pompéia, Chegança e Boa Sorte , Zona Norte de Natal/RN ............... 22 Mapa 2 – Natal/RN: Zonas Administrativas e Bairros - 2017 ......................................... 35 Mapa 3 - Conjuntos Habitacionais e Loteamentos na Zona Norte/2016 ...................... 45 Mapa 4 - Rua Pompéia, Natal/RN – 2016 ......................................................................... 54 Mapa 5 - Rua Boa Sorte - Natal/RN – 2016 ...................................................................... 66 Mapa 6 - Rua Chegança - Natal/RN – 2016 ..................................................................... 77 Mapa 7 – Rua Pompéia-Natal/RN..................................................................................... 114 Mapa 8 - Perfil de produção de ruas em torno da Pompéia nos bairros Pajuçara e Potengi – Natal/RN .............................................................................................................. 116 Mapa 9 - Boa Sorte - Natal/RN .......................................................................................... 129 Mapa 10 – Rua Chegança -Natal/RN ............................................................................... 141 Mapa 11 - Abrangência territorial das linhas de ônibus que circulam nas ruas Pompéia, Chegança e Boa Sorte ............................................................................168.

(15) Mapa 12 - Abrangência territorial das linhas de ônibus que circulam nas ruas Pompéia, Chegança e Boa Sorte no âmbito da Zona Norte de Natal/RN...............169. FOTOS Foto 1 - Principais Avenidas da Zona Sul de Natal/RN/2015 ......................................... 43 Foto 2 - Comércio na Rua Pompéia - 2016 ....................................................................... 52 Foto 3 - Comércio na Avenida Coronel Estevam (Av. 9) - Alecrim/2016 ..................... 52 Foto 4 - Lojas de preço único, Pompéia, Natal/RN/2016 ................................................ 58 Foto 5 - Incoerência entre divulgação e venda de mercadorias, Boa Sorte, Natal/RN – 2015 ...................................................................................................................................... 67 Foto 6 - Incoerência entre divulgação e venda de mercadorias, Boa Sorte, Natal/RN – 2015 ...................................................................................................................................... 68 Foto 7 - Exposição de mercadorias na Rua Chegança - 2015 ...................................... 86 Foto 8 - Casas adaptadas para agregar o comércio- Pompéia-Natal/RN - 2016 ..... 124 Foto 9 - Trecho da Rua Pompéia sem estacionamento ................................................ 127 Foto 10 - Buraco na Rua Boa Sorte (2016) ..................................................................... 134 CROQUIS Croqui 1 – Distribuição do comércio - Pompéia (CNAE, 2.2/2015) – 2016................56 Croqui 2 - Distribuição do comércio - Boa Sorte (CNAE, 2.2/2015) – 2016...............70 Croqui 3 - Distribuição do comércio - Chegança (CNAE, 2.2/2015) – 2016..............79.

(16) LISTA DE TABELAS. Tabela 1 - Distribuição da renda familiar na Zona Norte Natal/RN, por bairro (2010)50 Tabela 2 - Evolução da população da Zona Norte de Natal/RN – 1980 a 2010 ....... 107 Tabela 3 - Evolução da população residente em Natal de 1991-2010 ....................... 152 Tabela 4 - Taxa de crescimento de Natal/RN por Zona Administrativa 2000-2010 . 153.

(17) SUMÁRIO. 1.. INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 20. 2.. DESCREVENDO A REALIDADE .............................................................................. 32. 2.1. NATAL/RN: A ATIVIDADE COMERCIAL EM FOCO ............................................... 33 2.1.1. A ATIVIDADE COMERCIAL NA ZONA NORTE DE NATAL/RN ........................ 46 2.1.2.. POMPÉIA: O ALECRIM DA ZONA NORTE ....................................................... 51. 2.1.3.. BOA SORTE: ESPAÇO COMERCIAL DE ROTATIVIDADE ........................... 66. 2.2.4. CHEGANÇA: A DESCOBERTA DE UM COMÉRCIO DISTANTE ..................... 76 3.. A CONSTRUÇÃO DA REALIDADE .......................................................................... 90. 3.1.. A PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO DE NATAL/RN E O COMÉRCIO: NAS. TRILHAS DA ZONA NORTE ............................................................................................... 92 3.2.. O RESGATE DA MEMÓRIA: NARRATIVAS SOBRE AS RUAS POMPÉIA,. BOA SORTE E CHEGANÇA ............................................................................................. 110 3.2.1.. MEMÓRIAS SOBRE A RUA POMPÉIA ............................................................ 111. 3.2.2.. MEMÓRIAS SOBRE A RUA BOA SORTE ....................................................... 128. 3.2.3.. MEMÓRIAS SOBRE A RUA CHEGANÇA ....................................................... 136. 4 - A RECONSTRUÇÃO DA REALIDADE ...................................................................... 147 4.1. DO ESPAÇO DO HABITAR AO ESPAÇO DO HABITAT ..................................... 149 4.2. A CRISE ECONÔMICA E A REALIDADE “POSSÍVEL” ........................................ 156 4.3. A FUNÇÃO SOCIAL DO COMÉCIO NAS RUAS POMPÉIA, BOA SORTE E CHEGANÇA ......................................................................................................................... 170 À GUISA DE CONCLUSÃO ............................................................................................... 179 REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 182.

(18) APÊNDICE A - FORMULÁRIO APLICADO AO COMERCIANTE ............................... 190 APÊNDICE B - FORMULÁRIO APLICADO AO CONSUMIDOR................................. 192 APÊNDICE C – ROTEIRO DA ENTREVISTA REALIZADA COM COMERCIANTE E CONSUMIDOR .................................................................................................................... 194 APÊNDICE D - PERFIL DO COMERCIANTE DA RUA POMPÉIA COM BASE DOS FORMULÁRIOS APLICADOS/2016 ................................................................................. 195 APÊNDICE E - PERFIL DO COMERCIANTE DA RUA CHEGANÇA COM BASE DOS FORMULÁRIOS APLICADOS/2016 ....................................................................... 196 APÊNDICE F - PERFIL DO COMERCIANTE DA RUA BOA SORTE COM BASE DOS FORMULÁRIOS APLICADOS/2016 ....................................................................... 197 APÊNDICE G - PERFIL DO CONSUMIDOR DAS RUAS POMPÉIA, CHEGANÇA E BOA SORTE COM BASE DOS FORMULÁRIOS APLICADOS/2016 ........................ 198 APÊNDICE H - PERFIL DOS COMERCIANTES E/OU CONSUMIDORES DAS RUAS POMPÉIA, CHEGANÇA E BOA SORTE COM BASE NAS ENTREVISTAS REALIZADAS/2016 ............................................................................................................. 199.

(19) 19.

(20) 20. 1. INTRODUÇÃO. O comércio viabiliza a existência da cidade, explica a sua organização e justifica muito do movimento e animação que nesta acontece.. (SALGUEIRO E CACHINHO, 2009, p.9) No fragmento acima, extraído do texto “As relações cidade-comércio: dinâmicas de evolução e modelos interpretativos”, Salgueiro e Cachinho (2009) discutem a correlação existente entre a atividade comercial e a cidade. Para os autores, mesmo que o comércio não esteja necessariamente relacionado à origem da forma espacial ora citada, esta se constitui como substrato de distribuição, realização e organização da atividade comercial. Já no que se refere à relação de origem entre ambos os temas mencionados, a afirmação do historiador Pirenne (1992) de que “as cidades são filhas do comércio”, evidencia a relação existente, posto que, para o autor, estas assumem a função majoritária de agregar pessoas, informações e mercadorias. Pirenne (1992) também se refere à cidade como importante substrato de realização do encontro mediado pela atividade comercial. Corroborando com a ideia do autor supracitado, Salgueiro (1996) acrescenta alguns fatores que ultrapassam a relação de origem entre o comércio e a cidade, ao enfatizar que a atividade comercial tem a capacidade de influenciar na formação de núcleos populacionais e na integração entre centro e periferia estabelecendo a conexão entre bairros do conjunto urbano. Somam-se a estas informações a influência que o comércio exerce sobre a paisagem urbana, modificando-a de um espaço para o outro mediante diversificação de uso e apropriação pela atividade comercial. Se por um lado o comércio influencia a produção da cidade pelos fatores apresentados, por outro, esta última apresenta condicionantes para a localização dos equipamentos comerciais. Desta forma, compreende-se que este binômio deve ser analisado de forma indissociada, visto que o espaço da cidade pode ser entendido à luz da atividade comercial ao passo que este influencia na produção e localização do comércio..

(21) 21. Com base nos pressupostos acerca do binômio comércio e cidade, o trabalho ora apresentado se faz pertinente por contemplar a análise do comércio no contexto da produção do espaço urbano de Natal/RN. Nesta cidade, fora observado a expansão deste segmento econômico, principalmente a partir da década de 1980, com destaque para o comércio desenvolvido nas ruas Pompéia, Chegança e Boa Sorte, quando houve uma acentuada expansão urbana de Natal intermediada pela política habitacional. Esta política ocorreu de forma contundente na Zona Norte e em parte da Zona Sul, demandando em paralelo, a expansão também das atividades comerciais e, por ocasião, o surgimento do varejo moderno, este marcadamente expresso pelo livre serviço e presença de grandes superfícies comerciais. Cabe mencionar que a instalação do supermercado Hiper Bom Preço em 1982, no Bairro Lagoa Nova, foi o marco do surgimento deste segmento na capital potiguar. Neste período, a Zona Norte de Natal que tinha o Nordestão, localizado na Avenida Bacharel Tomaz Landim, como único empreendimento de destaque, ficou à parte da dinâmica comercial promovida pelo varejo moderno até então ascendente na Zona Sul. O varejo moderno passou a firmar-se na Zona Norte principalmente a partir da segunda metade da década de 1980, e mais fortemente na década de 1990 e 2000, no contexto da expressiva expansão urbana da referida porção da cidade em detrimento da atuação da Companhia de Habitação Popular (COAHB/RN) por meio da construção de conjuntos habitacionais naquela área. A partir de então, grandes superfícies comerciais por exemplo supermercados de grande porte, shoppings e outros estabelecimentos se fixaram nas avenidas Bacharel Tomaz Landim e Doutor João Medeiros Filho, principais eixos articuladores entre a Zona Norte e o restante da cidade, de modo que esta área passou a integrar a mesma lógica do comércio moderno localizado na Zona Sul de Natal. Este tipo de comércio, assim como a consolidação da política de habitação, por meio de conjuntos habitacionais, resultaram da concepção de forças vetorizadas do capital hegemônico. Chama-se de capital hegemônico àquele liderado por grupos de força política, econômica ou financeira sobre os grupos constituintes da massa. Não obstante, no entorno dessas avenidas, desenvolveu-se um comércio tradicional em ruas como Pompéia, Chegança e Boa Sorte (Mapa 1), pertencentes, seja a conjuntos habitacionais projetados pelo Estado ou a loteamentos, resultante da própria força de reprodução social. A atividade existente nas ruas supracitadas é.

(22) 22. caracterizada. pela. presença. de. lojas. pouco. especializadas,. de. caráter. predominantemente familiar e com a oferta de mercadorias de caráter popular.. Mapa 1- Ruas Pompéia, Chegança e Boa Sorte , Zona Norte de Natal/RN. Fonte: Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo – Natal/RN; malha municipal do Brasil/IBGE, 2010. Elaboração: Joabio Costa; Soneide Moura. Concebidas pelo Estado ou pela própria população residente, estas ruas foram construídas para atender à necessidade da habitação e tiveram essa função fundamental transformada, tornando-se ruas de comércio na medida em que o uso do solo tornou-se quase que totalmente ocupado por esta atividade. Pompéia, Chegança e Boa Sorte, objeto desse estudo, além de serem comercialmente representativas para a Zona Norte, se configuraram em espaços contra-.

(23) 23. hegemônicos de reprodução do capital. Espaço de produção contra-hegemônico são aqueles que se consolidaram, que ganharam conteúdo a partir das práticas dos grupos sociais de classes não dominantes. Essas ruas, do ponto de vista da nomenclatura, são designadas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (SEMURB/RN) como avenidas de modo que, no intuito de não contrariar a definição do referido órgão público, os mapas da pesquisa contêm a nomenclatura oficial. Entretanto, no decurso do trabalho, optou-se por nomeá-las de ruas, em virtude do conteúdo social incorporado nas relações cotidianas nelas desenvolvidas. Outrossim, o sentido de rua assumido pela pesquisa baseia-se nas discussões elaboradas por Lefebvre (1999, p. 27) ao discorrer a favor do uso dos espaços públicos, segundo o qual a rua: Não se trata simplesmente de um lugar de passagem e circulação. (...) A rua é o lugar (topia) do encontro, sem o qual não existem outros encontros possíveis nos lugares determinados (cafés, teatros, salas diversas). Esses lugares privilegiam, animam a rua e são favorecidos por sua animação, ou então não existem.. Carlos (2001, 2007) é tributária da ideia de Lefebvre e se refere a rua como o lugar das experiências cotidianas. A autora acrescenta o sentido múltiplo de atividades que incluem o encontro, o lazer, mas também a troca e o trabalho. A essência do encontro apontada por Lefebvre (1999) e a multiplicidade apresentada por Carlos (2001, 2007) são características inerentes à Pompéia, Chegança e Boa Sorte que desenvolvem um comércio de proximidade física e social, na medida em que atendem à demanda de consumo local e de bairros próximos, também mantém uma clientela fidedigna no que concerne as relações de compra com o comerciante da rua. Outrossim, foram ruas que, mediante processo de produção do espaço urbano da Zona Norte de Natal, se ergueram comercialmente como resultado das práticas sócio-espaciais de seus moradores. Diante do contexto social e comercial de contra-hegemonia e proximidade elucidados nas ruas, se problematiza: como se caracteriza o comércio em Natal com destaque para as ruas Pompéia, Chegança e Boa Sorte? Que fatores contribuíram para o surgimento da atividade comercial nestas ruas? Qual a importância do comércio desenvolvido na Pompéia, Chegança e Boa Sorte para a dinâmica da atividade comercial na Zona Norte? Qual o papel social do comércio nestas ruas?.

(24) 24. Norteada por tais questionamentos, a pesquisa objetiva analisar a dinâmica das atividades de comércio nas ruas Pompéia, Chegança e Boa Sorte no contexto da produção do espaço urbano da Zona Norte de Natal/RN, bem como caracterizar o comércio na cidade do Natal com base nas Regiões Administrativas, com destaque para as atividades desenvolvidas nas ruas mencionadas; discutir os fatores que contribuíram para a formação do comércio nas referidas ruas; compreender a importância do comércio nessas ruas para a dinâmica da atividade comercial na Zona Norte; analisar o papel social do comércio nas ruas Pompéia, Chegança e Boa Sorte. A escolha por se trabalhar com Pompéia, Chegança e Boa Sorte como objeto empírico, se explica pelo fato de que, nestas, há uma expressiva expansão da atividade comercial com características de pequeno porte, de gestão familiar e de proximidade física e social. Estas ruas são corredores secundários intraurbanos no contexto na Zona Norte e se constituem em lócus de representação sócio-espacial embasada por um lado, na lógica de reprodução hegemônica e, por outro, na reprodução da vida. Desta forma, o espaço revela, portanto, uma “(...) relação contraditória entre o uso dos lugares de realização da vida e os lugares produzidos como valor de troca, contradição esta que está na base dos conflitos em torno da reprodução do espaço” (CARLOS, 2011, p. 65). A utilização do conceito sócio-espacial no decurso do trabalho, está embasada na definição de Souza (2013), quando tratou dos conceitos fundantes da pesquisa sócio-espacial na Geografia. Nas palavras do autor, para se compreender e elucidar o espaço “é necessário interessar-se pela sociedade concreta, em que relações sociais e espaço são inseparáveis, mesmo que não se confundam” (SOUZA, 2013, p. 16). Para o autor, o conceito sócio-espacial está longe apenas de qualificar o espaço, como assim o faz o socioespacial, preocupando-se também com as relações sociais. O arquétipo teórico-metodológico que estrutura o conteúdo da pesquisa está baseado na tríade conceitual elaborada por Lefebvre (2000): espaço concebido, percebido e vivido. O espaço concebido é entendido como estruturas construídas pelas representações capitalistas resultantes de um saber técnico que se materializam através das ações hegemônicas; o espaço vivido é justamente aquele que se revela no âmbito das práticas sociais que diferentemente umas das outras produzem espaços variados e o espaço percebido se evidencia entre o espaço,.

(25) 25. produto das ações hegemônicas de instituições como Estado, e o resultante das práticas sociais locais. Em outras palavras, é aquele é aquele que se encontra entre a ordem distante e a ordem próxima, segundo o próprio Lefebvre (2000). Se o espaço geográfico é um produto social, não é neutro, mas reflete as contradições e os conflitos sociais de sua produção. A partir de tal premissa, direciona-se o olhar para as ruas de comércio sem perder de vista o processo que engloba, desde a sua produção embasada na lógica capitalista, até a sua reprodução a partir de práticas sócio-espaciais que alteraram a sua função inicial de fundamentalmente habitacional para eminentemente comercial. Deste modo, a tríade conceitual concebido-percebido-vivido perpassa o texto em consonância com o método regressivo-progressivo também proposto por Lefebvre (2000), cuja perspectiva de investigação está organizada em três momentos: descritivo; analítico-regressivo e histórico-genérico. O primeiro momento do método trata da descrição da realidade social em evidência, cujo ponto de partida é a paisagem; o segundo momento busca, a partir da realidade descrita, fragmentála e historicizá-la evidenciando as coexistências dos processos sociais. O terceiro momento trata do vir a ser, ou seja, as tendências que se anunciam mediante contexto descrito e fragmentado nos momentos anteriores do método. Cada momento serviu de base para a estruturação do trabalho, o qual está dividido em quatro seções. Na segunda seção trata-se da descrição atual da atividade comercial na Pompéia, Chegança e Boa Sorte tendo como ponto de partida o comércio na cidade do Natal por Zona Administrativa. A pesquisa adotou como referência a descrição da paisagem comercial, por entender que esta é capaz de revelar a materialização dos instantes sociais presentes no estudo em questão. A descrição da paisagem permitiu uma leitura das ruas em discussão, que em tempos de outrora foram pensadas e construídas pelas representações capitalistas resultantes de um saber técnico que se materializou através das ações hegemônicas, ou seja, o espaço concebido. Na terceira seção do trabalho analisa-se as coexistências evidenciadas na representação daquilo que está situado entre o espaço edificado como reflexo das ações hegemônicas e aquele criado e apreendido pelas agentes sociais do/no lugar. A análise das representações, podem ser compreendidas no que Lefebvre (2000) denomina de espaço percebido..

(26) 26. Na quarta seção discute-se as possíveis tendências para a produção do espaço em questão em consonância com o terceiro momento do método regressivoprogressivo de Lefebvre (2000) denominado histórico-genérico. Também chamado de o vir a ser, este momento do método constitui-se na “tentativa de retornar ao que foi anteriormente descrito, com a finalidade de reencontrar o presente, no entanto elucidado e compreendido” (VIEIRA, 2015, p.32). Para tanto, realizou-se o retorno a paisagem inicialmente descrita, posteriormente fragmentada e analisada, para então se apontar perspectivas a partir da realidade vivida. Vale salientar que embora as seções estejam norteadas consecutivamente obedecendo a tríade concebidopercebido-vivido, esta ganha substância maior empiricizada em todo o corpo do trabalho, de modo que, mesmo ao tomar como base, por exemplo, o concebido como encaminhamento da discussão da segunda seção, não foi negligenciado o percebido ou vivido, visto que na leitura do espaço geográfico, essa tríade deve ser analisada de forma indissociada. Desta forma, é imprescindível que o vivido, o concebido e o percebido sejam empregados na análise espacial inseparavelmente. Para Lefebvre (2000, p.474) “a triplicidade garante a possibilidade de uma produção sem fim, enquanto cada momento considerado separadamente ou cada oposição binária se esgota”. Do ponto de vista metodológico, a pesquisa assume um caráter analítico cuja discussão teórica envereda pela leitura dos trabalhos de Salgueiro (1996), Pintaudi (1999, 1992), Fernandes, Cachinho e Ribeiro (2000) que empreenderam discussões sobre o aparelho comercial e a sua relação com a cidade. Outras contribuições importantes para a tessitura teórica foram dadas por Carlos (2011, 2008, 2007, 2001), Lefebvre (2008, 2001, 2000, 1999, 1991), Lipovetsky (2006, 2007), Baudrillard (2010) e Bauman (2008). Esses foram fundamentais para a compreensão da produção do espaço empiricizado das ruas em análise e também da reprodução das relações sociais nelas envolvidas. Na construção deste trabalho ressalta-se a contribuição, dos estudos realizados pelo filósofo Lefebvre (2000) sobre a produção do espaço. Para tanto, o autor inicia a sua discussão trilhando caminhos sobre o sentido da produção no sentido stricto sensu. O mesmo induz a compreensão de que é preciso que se entenda as diversas relações existentes no processo de produção sem que se perca de vista aquelas que se efetivam do âmbito da família à esfera do Estado. A.

(27) 27. produção, no trabalho de Lefebvre, é entendida não apenas pelo sentido economicista, mas também social. Neste sentido, Lefebvre também considera o espaço enquanto uma estrutura social na qual estão impressas as relações sociais por ela produzidas, sem desconsiderar que estas podem ser parte das relações de produção. Por esta concepção, Lefebvre (2000) aponta que a cidade, o lugar de obras diversas, é o melhor exemplo para se entender a produção do espaço e a reprodução das relações sociais. Do ponto de vista comercial, a apropriação teórica acerca de algumas obras do autor se faz ímpar no exercício da análise do comércio nas ruas estudadas, uma vez que este tece ricas considerações sobre a produção do espaço pela sociedade através de suas práticas. Essas práticas conferem ao espaço características peculiares que o tornam diferentes da ordem hegemônica estabelecida. No que se refere à análise do desenvolvimento do comércio e suas implicações sócio-espaciais na Zona Norte de Natal e também nas ruas estudadas, a apropriação teórica e empírica de alguns trabalhos foram imprescindíveis. Cita-se as obras produzidas por geógrafas do Rio Grande do Norte como Cunha (1987) que discutiu o processo da expansão territorial urbana de Natal; Araújo (2004) que analisou a história da produção do espaço na Zona Norte à luz do planejamento urbano e da gestão do território, e Paula (2010) que fez um estudo sobre a dinâmica comercial da atividade varejista moderna também na Zona Norte. Os trabalhos destas autoras favoreceram sobremaneira a contextualização da produção do espaço urbano da referida Zona Administrativa de forma a estreitar o percurso empírico da presente pesquisa. Para compartilhar com o leitor os pensamentos traçados e os caminhos percorridos, a figura 1 faz uma síntese do itinerário da pesquisa. A ilustração tem por finalidade explicitar o ponto de partida das discussões empreendidas no trabalho, a construção das decisões tomadas e os passos executados..

(28) 28. Figura 1 – Síntese do itinerário da pesquisa. Fonte: Elaboração da autora, 2017.. Sendo assim, conforme representado na figura 1, cada momento do método constitui-se num guia para a construção das seções do trabalho, sendo a descrição da realidade comercial concebida o ponto de partir da discussão. Após a realidade descrita, efetuou-se um movimento de regressão a fim de analisar as coexistências dos momentos sociais presentes no espaço percebido. Nomeado “a construção da realidade, a terceira seção teve por objetivo evidenciar os fatores de formação do comércio nas ruas Pompéia, Chegança e Boa Sorte, considerando o processo de expansão urbana e comercial de Natal mais especificamente da Zona Norte. A figura 1 ainda apresenta a estrutura da quarta seção elaborada com base no procedimento histórico-genérico, cujo propósito esteve envolto na reconstrução da realidade descrita e analisada. Este procedimento esboçou o vir a ser com base no espaço vivido. Em outras palavras, apresentou a tendência crescente do comércio nas ruas estudadas mostrando que, a partir das práticas sócio-espaciais.

(29) 29. na Pompéia, Chegança e Boa Sorte, a função nestas ruas se projetará substancialmente para o comércio. O caminho traçado se encerra na relação cidade e comércio visto que o processo de produção do espaço urbano de Natal, que demandou a expansão do comércio para outras localidades da cidade, fez com que novas práticas fossem emergindo e se reproduzindo no espaço. A discussão feita sobre comércio e cidade, empiricizada no início e no final da pesquisa e representada no trabalho, ratifica sua relação de origem e indissociabilidade. No que se remete aos procedimentos técnicos, a pesquisa de campo exploratória se constituiu na principal fonte de referência, visto que no Rio Grande do Norte os bancos de dados sobre a atividade comercial são ainda pouco explorados e com informações pouco depuradas. Desse modo, foi realizada a priori, uma categorização do comércio existente nas ruas Pompéia, Chegança e Boa Sorte, cujo ponto de partida constituiu-se na descrição da forma comercial nas referidas. Após essa descrição e anotação de cada segmento existente, foi realizada a categorização de cada estabelecimento comercial e de serviços adotando como referência a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) versão 2.2/2015. Esta categorização também auxiliou na tomada de decisão no que se remete à quantidade de formulários a serem aplicados considerando o total de estabelecimentos. Para melhor compreensão dos procedimentos metodológicos e técnicos, está disposto no quadro 1 uma síntese compondo as questões norteadoras da pesquisa, os objetivos e os procedimentos adotados..

(30) 30. Quadro 1 – Síntese dos procedimentos metodológicos QUESTÕES Como se caracteriza o comércio em Natal tendo por referência as Regiões Administrativas, com destaque para as ruas Pompéia, Chegança e Boa Sorte?. Quais os fatores que contribuíram para o surgimento do comércio nas ruas Pompéia, Chegança e Boa Sorte? Qual é o papel social no comércio nestas ruas?. OBJETIVOS. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS. Caracterizar o comércio em Natal - Pesquisa de campo com base na observação do comércio em Natal por Zona tendo por referência as Regiões Administrativa e categorização dos estabelecimentos nas ruas Pompéia, Chegança e Administrativas, com destaque Boa Sorte para a descrição das atividades nos recortes mencionados; para as ruas Pompéia, Chegança e - Aplicação de formulários a uma amostra não probabilística a comerciantes e uma Boa Sorte. amostra por conveniência a consumidores para descrever o perfil do comércio nas ruas estudadas; - Pesquisa documental em fontes como IBGE, SMUT, SEMURB para obter dados sobre formalização da atividade comercial nas ruas e também indicares sociais nos recortes espaciais pesquisados; - Pesquisa bibliográfica que subsidiou o entendimento científico do objeto empírico. Discutir os fatores que - Pesquisa de campo com realização de entrevista com os primeiros moradores e/ou contribuíram para a formação das comerciantes e consumidores das ruas, para com base na análise de conteúdo, ruas de comércio Pompéia, identificar a história de formação das ruas e também do comércio nelas existente; Chegança e Boa Sorte. - Pesquisa bibliográfica que subsidiou o entendimento científico do objeto empírico.. Analisar o papel social do comércio nas ruas Pompéia, Chegança e Boa Sorte.. Fonte - Elabora da autora, 2016.. - Aplicação de formulários a uma amostra não probabilística a comerciantes e uma amostra por conveniência a consumidores que ajudaram a entender o perfil atual do comércio nas ruas estudadas que pudessem ser pensadas nas perspectivas; - Produção de representações cartográficas, a partir do uso de técnicas de geoprocessamento, para demonstrar a espacialização das ruas de comércio no que diz respeito ao fluxo de pessoas e mercadorias. - Pesquisa bibliográfica que subsidiou o entendimento científico do objeto empírico..

(31) 31.

(32) 32. 2. DESCREVENDO A REALIDADE A presente seção realiza uma caracterização sumária da atividade comercial na cidade do Natal/RN para, em seguida, se aprofundar na descrição do comércio da Zona Norte, com atenção especial direcionada às ruas Pompéia, Chegança e Boa Sorte. Para tanto, metodologicamente, o ponto de partida é observação e descrição da paisagem atual do comércio nestes recortes espaciais, na medida em que este conceito geográfico permite a interpretação dos instantes históricos, sociais e culturais de produção do espaço pela sociedade. De acordo com Carlos (2008, p. 48): A paisagem é humana, histórica e social e se justifica; existe pelo trabalho do homem, ou melhor, da sociedade que a cada momento ultrapassa a anterior. É produzida e justificada pelo trabalho considerado como atividade transformadora do homem social, fruto de um determinado momento das forças produtivas, e que aparece aos nossos olhos, através do tipo de atividade, do tipo de construção, etc.. No trabalho estruturado a partir do método regressivo-progressivo, Vieira (2002, p.27), ao analisar do processo de revalorização do centro da cidade de São Paulo, também utiliza o conceito de paisagem, ressaltando que: A bem da verdade, este momento do método resgata uma categoria bastante cara aos geógrafos, tal seja, a paisagem. Afinal, os elementos da paisagem guardam em si a aparência da realidade. São mais do que isto é verdade, mas em um primeiro momento é o que mostram: a aparência.. Vale salientar que, assim como no trabalho desenvolvido por Vieira (2002), a paisagem é adotada como ponto de partida por se configurar como recurso de investigação fundamental ao que sugere o primeiro momento do método regressivoprogressivo. Desta forma, a descrição da paisagem comercial dos recortes espaciais propostos, principalmente das ruas Pompéia, Chegança e Boa Sorte, a partir deste conceito geográfico se realiza sem a preocupação, a priori, de relacionar a diversidade das relações sociais com sua data de origem, afinal este é o momento de descrever o que se mostra aparente. Na pesquisa, o olhar está voltado principalmente para a descrição da paisagem comercial no recorte empírico representado nas ruas Pompéia, Chegança e Boa Sorte, que em tempos de outrora foram pensadas e construídas pelas representações capitalistas resultantes de um saber técnico que se materializou.

(33) 33. através das ações hegemônicas, ou seja, o espaço concebido. Este último é entendido como espaços materializados pelas intenções capitalistas das relações de produção ligados ao conhecimento, é o espaço fecundado pela ordem distante. Parafraseando Lefebvre (2000, p. 67): O espaço concebido é aquele dos cientistas, dos planifica dores, dos urbanistas, dos tecnocratas retalhadores e gerenciadores, de certos artistas próximos da cientificidade, identificando o vivido e o percebido ao concebido (o que perpetua as sábias especulações sobre os Números: o número de ouro, os módulos e canhões). É o espaço dominante numa sociedade (um modo de produção).. Em consonância com o pensamento de Lefebvre (2000), a presente seção está dividida em duas partes: na primeira constitui-se uma breve apresentação da atividade comercial na cidade do Natal, adotando por referência o comércio e os serviços em cada Zona Administrativa. Na segunda parte descreve-se o comércio na Zona Norte, com destaque para a presença desta atividade nas ruas Pompéia, Chegança e Boa Sorte, objeto empírico da pesquisa, como pode ser lido na sequência.. 2.1. NATAL/RN: A ATIVIDADE COMERCIAL EM FOCO O município de Natal, capital do Rio Grande do Norte, está localizado na Mesorregião Leste Potiguar, mais especificamente na Microrregião de Natal. O município se limita ao Norte com Extremoz, ao Sul com Parnamirim, ao Leste com o Oceano Atlântico e ao Oeste com São Gonçalo do Amarante e Macaíba. Natal teve o seu território considerado institucionalmente totalmente urbano em 1984 quando áreas rurais, que atualmente correspondem à Zona Norte, foram incorporadas ao perímetro urbano pelo plano diretor-Lei 3.175/84. Contribuíram para esse processo, a contundente atuação da indústria naquela área, que por sua vez, atraiu a atenção do Estado que atuou fortemente por meio da política habitacional, consolidada pela construção de conjuntos habitacionais pela COHAB. Vidal (1998, p.18), ao discutir a expansão urbana de Natal em direção à Zona Norte, aponta que: A partir de então a população da cidade passou a ser considerada urbana. (...) principalmente em decorrência da construção intensiva de conjuntos habitacionais pela COHAB, que ampliou a cidade aos limites geográficos do município, extinguindo as áreas rurais.

(34) 34. A total urbanização da capital potiguar necessitou da ampliação de serviços e de infraestrutura de modo que, para a gestão estratégica dos 167, 263 Km² da cidade1, efetivou-se a sua divisão em Zonas Administrativas: Leste, Oeste, Norte e Sul, criadas pela Lei Ordinária nº 03878/89. Os critérios para a divisão em Zonas Administrativas levaram em consideração aspectos físicos e naturais da cidade como. também. as. demandas. administrativas. a. fim. de. gerar. tendências. descentralizadoras político/gerenciais. A cidade é composta por 36 bairros (mapa 2) agrupados nas zonas administrativas mencionadas e possui uma população de 803.739 habitantes e uma densidade demográfica de 47,69 hab/ha, (SEMURB, 2014).. 1. Em virtude da total urbanização de Natal/RN e pela própria indefinição legislativa em diferenciar cidade e município no que se refere ao recorte espacial em questão, a pesquisa adota o conceito de cidade, visto que já não existem espaços rurais na capital potiguar..

(35) 35. Mapa 2 – Natal/RN: Zonas Administrativas e Bairros - 2017. Fonte: Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal/RN, 2014. Adaptação da autora, 2017..

(36) 36. De acordo com o Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (IBGE, 2010), a Zona Leste é a menor zona administrativa do ponto de vista territorial, com 1.614,76 ha. (2),. cuja população é de 115.297. habitantes, correspondente 14, 35 % da população total de Natal. Essa Zona Administrativa possui o menor percentual populacional da cidade, no entanto é a de maior densidade demográfica com 71, 40 hab/ha. Esta porção da cidade é composta pelos bairros Santos Reis, Rocas, Praia do Meio, Cidade Alta, Petrópolis, Areia Preta, Mãe Luiza, Alecrim, Barro Vermelho, Ribeira, Tirol e Lagoa Seca. A renda média mensal da Zona Leste é de 2,86 salários mínimos – SM. Os bairros que dispõem de população de maior poder aquisitivo são Petrópolis e Tirol, com um rendimento médio mensal de 6,74 e 6,46 SM, consecutivamente, (SEMURB, 2012). Esses se desenvolveram consideravelmente na década de 1940 por meio da articulação que existia entre as avenidas Hermes da Fonseca e Salgado Filho com o Aeroporto Augusto Severo em Parnamirim, de modo que esta conexão possibilitou o crescimento de Natal a partir dos bairros mencionados que abrigavam pessoas de alto poder aquisitivo e político, logo na Segunda Grande Guerra. Diferentemente do evidenciado em Petrópolis e Tirol, Mãe Luiza, que possui a segunda maior densidade demográfica dentre os 36 bairros de Natal com 156,33 hab/ha, é o bairro de maior vulnerabilidade econômica da Zona Leste, com um rendimento médio mensal de 0,87 SM - SEMURB, 2012 - ou seja, menos do que o estipulado enquanto um valor considerado apropriado para uma vida em situação de sobrevivência. O mesmo pode ser dito de quase 23, 28% da população desta área que apresenta um rendimento mensal de meio até um salário mínimo. Isto significa que quase ¼ das pessoas que residem na Zona Leste vive abaixo da linha da pobreza que estabelece um rendimento diário de 7,32 R$ no caso do Brasil3. Do ponto de vista comercial, ao se fazer a descrição da paisagem da Zona Leste, se faz indispensável à alusão ao comércio dos bairros Alecrim, Cidade Alta e Ribeira que historicamente são referência da referida atividade na capital potiguar. 2 3. 1 hectare equivale a 10.000m² ou 0,01 Km². Informação coletada do site da BBC Brasil com base em informações fornecidas pelo banco mundial. Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/10/151009_reducao_pobreza_banco_mundial_ac_lgb.

(37) 37. Estes, além de serem emblemáticos no processo de formação de Natal, também se configuraram como áreas tradicionais de comércio. O comércio do Alecrim apresenta uma diversidade de mercadorias e se constitui como referência para os potiguares no quesito preço baixo, variedades e exclusividade de mercadorias da cultura tradicional. “Tudo que você procura tem no Alecrim”! Essa é a frase comumente mais escutada quando o assunto é o comércio neste bairro; isso porque a atividade dispõe de mercadorias já não comercializadas no restante da cidade como utensílios domésticos tradicionais, por exemplo: colher de pau, raspador de côco, mangai e também lojas especializadas em chás, licores e outros. Esse comércio, pela sua pluralidade, tanto no que concerne ao tipo de mercadoria quanto ao público atendido, apresenta uma intensa dinâmica de pessoas e informações. Difícil mesmo é percorrer as ruas de grandes dimensões comerciais no Alecrim sem chocar-se fisicamente com as pessoas. No quesito vendas, este bairro permanece na liderança do ranking do comércio popular na cidade. Diante dessa pluralidade destaca-se o camelódromo, construído pelo poder público na década de 1980, como uma tentativa de resolver os conflitos entre ambulantes e comerciantes do bairro. Trata-se de uma forma comercial constituída de um aglomerado de pequenas lojas de comércio informal no centro de maior movimentação comercial do bairro. Aliás, a informalidade não é uma característica inerente apenas ao camelódromo, mas também ao comércio de rua que se territorializa nas calçadas de forma que os ambulantes chegam a misturar-se com os próprios consumidores, tornando-se difícil diferenciá-los dos transeuntes. A este respeito, cabe mencionar a presença de serviços ambulantes de alimentação que ocupam as ruas ou mesmo as calçadas das lojas. De longe é possível escutar o som que ecoa sem cerimônia: “olha a água de côco geladinha!”, “Cocada, só um real!”, “Olha o picolé Caicó!!!” Aliás, difícil é identificar de onde vem cada som especificamente, uma vez que, na prática da venda ambulante, as vozes se misturam. Assim também acontece com os vendedores de lojas que ficam na porta do estabelecimento convidando o transeunte para “dar uma olhadinha”! Essa prática de abordar o cliente é comum, exceto para o popularmente conhecido “comércio chinês”, que está ocupando cada vez mais espaço no comércio do Alecrim e atraindo um público interessado na variedade de mercadorias de baixíssimo preço..

(38) 38. As ruas são também corriqueiramente disputadas entre pedestres e veículos, públicos e privados, porque é justamente no centro comercial do Alecrim, no cruzamento das avenidas Presidente Bandeira com Coronel Estevam, sentido Zona Sul-Cidade Alta, que existe um ponto nodal da rede de transporte público da cidade. Do ponto de vista das atividades de comércio e de serviços, situação similar é encontrada no Bairro Cidade Alta, também com a marcante presença do comércio varejista com lojas de pequeno e grande porte. O comércio de Cidade Alta apresenta um mister com estabelecimentos que vão desde lojas de departamento como Riachuelo e CeA a pequenas lojas de roupas e calçados. A grande concentração da atividade se estende ao longo da Avenida Rio Branco, um corredor de passagem que se constitui numa via que interliga o bairro ao comércio do Alecrim e da Ribeira. Ainda que com toda a expressividade do ponto de vista comercial, a Cidade Alta também apresenta serviços representativos para Natal no que concernem a equipamentos de ordem administrativa como órgãos públicos de poder executivo federal e municipal, a exemplo do Centro Administrativo e da Prefeitura Municipal; e de ordem judiciária como a Assembleia Legislativa, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte; de saúde como a Secretaria de Saúde. Também existem equipamentos religiosos como a Catedral Metropolitana e as igrejas históricas Igreja do Galo, Igreja de Nossa Senhora da Apresentação (antiga catedral da cidade) e Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Esses espaços apresentam estrutura arquitetônica de influência portuguesa com a formação de praças e largos. A cultura está representada por meio de museus e exploração de lugares e prédios históricos e atrações similares, como também outros segmentos do comércio e de serviços. Pode-se inferir que a Cidade Alta se constitui num lócus importante de estruturação do poder. Mesmo com a descentralização das atividades comerciais do Alecrim, Cidade Alta e Ribeira, na década de 1980, em virtude da expansão do terciário em Natal e também pela demanda de consumo da população de outras áreas da cidade, os dois primeiros bairros conseguiram manter a condição de centros comercias. No entanto, o bairro da Ribeira é recorrentemente lembrado pelo papel que assume na história da cidade, apesar da existência de alguns serviços e do comércio atacadista e especializados. Neste bairro, alguns prédios são emblemáticos, do ponto de vista histórico, por terem servido ou ainda estarem em condições de servirem de cenário.

(39) 39. para grandes eventos ocorridos na cidade. A este respeito, fazem-se salutares alguns exemplos como a antiga Capitania dos Portos, a Antiga Escola Doméstica de Natal, o Antigo Palácio do Governo, a Casa Câmara Cascudo, a Casa onde nasceu Café Filho, o Teatro Alberto Maranhão, o Solar Bela Vista e outros. Ainda que a Ribeira seja referência quando se trata da história da cidade, cabe lembrar a existência de alguns serviços que se encontram no bairro como a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (PROCON), o Instituto TécnicoCientífico de Polícia do Rio Grande do Norte (ITEP) e serviços voltados para a população estudantil como o NatalCard, com a oferta de confecção de carteira de estudante. A Ribeira representa, junto com a Cidade Alta, o berço histórico e cultural de Natal. Nesses bairros semanalmente ocorrem programações com música ao vivo, como é o caso do Beco da Lama na Cidade Alta, cujo nome justificado pelo lamaçal que se formava na rua não pavimentada – Coronel Cascudo – durante as chuvas na segunda metade do século XX. No Beco da Lama alguns espaços são promotores da vida noturna, a exemplo do Bar da Meladinha, famoso por servir uma bebida à base de aguardente, limão e mel; e o Bar da Nazaré que inclui na sua programação grupos de samba. As atividades de lazer também se inserem em praças públicas da Cidade Alta, a exemplo do samba que acontece todas as quintas-feiras na praça André de Albuquerque, popularmente conhecida como Praça Vermelha. Essa atividade não recebe investimentos do poder público, sendo desencadeada pela iniciativa dos ambulantes que, juntos, contratam o grupo musical a fim de atrair apreciadores da boa música. Na Ribeira, representações culturais se fazem presentes no Teatro Alberto Maranhão e na Casa da Cultura, esta última sendo um espaço que recebe grupos de todo o país e promove eventos como o circuito cultural que ocorre na Rua Chile, localizada na área do centro histórico, composta de prédios antigos como armazéns que estocavam os produtos que eram escoados pelo porto. No entorno desta rua também estão localizados bares que atraem a população boemia como o Buraco da Catita, Consulado Bar, Atelier Bar, Bar Central Ribeira e outros que, juntos, compõem um dos espaços da manifestação musical formada por rodas de choro na cidade..

Referências

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