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Rev. Bras. Enferm. vol.43 número1234 v43n1 2 3 4a01

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Academic year: 2018

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EDITORIAL

g!

CONFERÉNCIA NACIONAL DE SAÚDE

• . • um evento que precisamos fazer acontecer

Apesar de programada para março deste ano, a realização da

9!

Conferência Nacional . de Saúde - CNS, não aconteceu.

Adiada e sem data prevista, a Conferência não parece constar das prioridades do Go­ verno que assumiu o poder em

15.03.90.

Ao mesmo tem po, nos meses iniciais desta década, vemos uma po pulação sofrida, em plena crise de per plexidade e a pavorada diante das pers pectivas que a polftica social do país, adotada pelo atual Governo, pode gerar

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cenário nacional.

É

do conhecimento de todos que o desem prego e a fome são fortes aliados na deteriorização das condições de sobrevivência e organização de um povo.

Assim, a execução do anúncio de medidas de contenção de gastos, extremamente ar­ bitrárias, conseguiu atingir, pelo confisco, a pou pança das classes menos favorecidas, atro pelando e evitando a partici pação dos re presentantes do povo na Câmara e no Senado. Através de medidas provisórias, o Presidente definiu, de uma vez por todas, o caráter autoritário deste Governo.

Seguindo a sua trajetória, em nome do enxugamento da máquina estatal, os servido­ res públicos da área de saúde, um grande número de pessoas prestes a se aposentarem, veêm-se em disponibilidade, remetidos às suas casls como funcionários de

2!

categoria e onerosos à Nação.

Muitas instituições de saúde, com crescente demanda - afinal estamos em tempo de dengue e do cólera que se aproxima - tiveram seu quadro de pessoal diminuído. Na mesma ocasião, as instituições de saúde tinham que se confrontar com o aumento de pessoas em busca de atendimento de males gerados pelas políticas anti-sociais.

Desta forma, face à ausência de critérios e argumentos convencíveis e trans parentes que justificassem essas decisões, deixa claro aos observadores do fenômeno, a firme in­ tenção de o Presidente em medir e ex perimentar, em toda a sua plenitude e risco, a força que o voto po pular lhe confiou nas urnas.

Ante o que se coloca, fica a pergunta:

- E o Sistema Único de Saúde, qual o seu futuro?

Por ora, está previsto a sua implantação para a sociedade no Art.

198

da Constituição Federal

(1988),

da mesma forma que o Art.

196

a pregoa a saúde como um bem de direito de todos e dever do Estudo.

Entretanto, no espaço existente entre o discurso legal e a vontade polftica de agir, manifestam-se os interesses dos gru pos privativistas do setor saúde, hoje confortavelmen­ te res paldados no verbo governamental que, efusivamente, vêm a pregoando à elite em pre­ sarial deste país, às nações estrangeiras e ao Fundo Monetário Internacional - FMI, o em­ penho em desestatizar o aparelho estatal, como fórmula de modernidade.

Mesmo assim, fazem parte de seus discursos de cam panha e de governo a referência permanente à obediência constitucional, contudo, a um só tem po, observa-se uma sórdida

cam panha desestruturadora do setor público de saúde. .

Conscientes ·da hora em que vivemos, convocamos a todos os profissionais de enfer­ magem, em seus estados, a se organizarem e pressionarem o poder público, no sentido da convocação e organização da

9!

CNS, sem dúvida, este fórum po pular, contando com a presença efetiva das categorias de trabalhado'res da ·saúde e dos vários segmentos da so­ ciedade, dará o rumo exigido ao prosseguimento da luta pela garantia dos direitos consti­ tucionais, mostrando a construção definitiva de um Sistema Único de Saúde que atenda aos interesses dos brasileiros.

Maria Therezinha Nóbrega da Silva

Referências

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