COMISSÃO DAS COMUNIDADES EUROPEIAS. Proposta de DECISÃO DO CONSELHO

Texto

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COMISSÃO DAS COMUNIDADES EUROPEIAS Bruxelas, 26.07.1999 COM(1999)390 final 99/0171 (ACC) Proposta de DECISÃO DO CONSELHO

relativa à prossecução do processo de resolução do litígio respeitante à lei ucraniana sobre a promoção da indústria automóvel e regulamentos conexos

respeitantes ao mercado de automóveis usados com a designação de um conciliador e propostas ao Conselho de Cooperação tendo em vista a designação

de um terceiro conciliador, em conformidade com o disposto no nº 3 do artigo 96º do Acordo de Parceria e de Cooperação,

e à adopção do projecto de mandato dos conciliadores tendo em vista a resolução do litígio

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EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS

1. O governo da Ucrânia adoptou, em Setembro de 1997, uma série de leis que concedem privilégios fiscais a empresas estrangeiras que assumam o compromisso de efectuar investimentos não inferiores a 150 milhões de USD e de aumentar o conteúdo local, em conformidade com um plano aprovado pelo governo ucraniano. Esses privilégios fiscais são aplicáveis de facto a uma empresa estrangeira que investe actualmente no sector automóvel na Ucrânia.

Essas vantagens muito substanciais incluem a isenção de todos os direitos de importação sobre os factores de produção utilizados pela referida empresa, a isenção do IVA sobre os factores de produção, bem como sobre as vendas de automóveis no mercado ucraniano, a isenção da contribuição predial, a isenção do imposto para o fundo de inovação estatal e ainda a redução da base tributável do imposto sobre os lucros da sociedade. Além disso, há que referir uma outra lei especial que anula a dívida da sociedade anónima AvtoZAZ, incluindo várias dívidas fiscais e créditos que beneficiam de garantia pública:

- a lei relativa à promoção da indústria automóvel na Ucrânia (Lei nº 535/97-VR), aprovada pelo Parlamento da Ucrânia em 19 de Setembro de 1997, em vigor desde 23 de Outubro de 1997;

- a lei relativa à anulação da dívida da sociedade anónima AvtoZAZ (Lei nº 482/97 VR), de 18 de Julho de 1998;

- a lei relativa às taxas dos impostos especiais de consumo e aos direitos de importação aplicáveis a determinados veículos e respectivos pneus (Lei nº 217/96 VR, de Maio de 1996).

Além disso, a Ucrânia proibiu a importação de automóveis usados com mais de cinco anos e estabeleceu um valor aduaneiro mínimo de 5 000 USD relativamente a todos os automóveis usados. Estas medidas suplementares provocaram praticamente uma estagnação das importações de automóveis usados na Ucrânia:

- as resoluções do Conselho de Ministros "sobre as alterações e adições a determinadas resoluções do Conselho de Ministros da Ucrânia" no que respeita à importação de automóveis usados na Ucrânia (146/98 de Fevereiro de 1998).

2. Nas referidas leis ou disposições ucranianas relativas ao sector automóvel ucraniano, a Comissão identificou diversas violações do Acordo de Parceria e de Cooperação (APC) e/ou elementos incompatíveis com as normas da Organização Mundial do Comércio. Essas leis são, nomeadamente, contrárias ao artigo 10º, relativo à cláusula NMF, ao artigo 15º, relativo à não-discriminação, e ao artigo 49º, relativo aos auxílios estatais, do APC, bem como aos artigos I e III do GATT (referidos ou integrados nos artigos 10º e 15° do APC). A regulamentação relativa ao mercado de automóveis usados viola o disposto no artigo 14º do Acordo de Parceria e de Cooperação. A lei relativa à promoção da indústria automóvel na Ucrânia, para além de ser incompatível com os artigos I e III do GATT, também é incompatível com o Acordo sobre as Medidas de Investimento Relacionadas com o Comércio (TRIM) da OMC, em especial, na medida em que corresponde às medidas descritas

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no ponto 1 (a) da Lista Exemplificativa anexa ao Acordo TRIM e, por consequência, proibida;

A proibição da importação de carros usados também é incompatível com as regras da OMC, designadamente com o artigo XI do GATT (eliminação geral das restrições quantitativas);

O valor aduaneiro mínimo de 5 000 USD relativamente a todos os carros usados viola o artigo VII do GATT e o Acordo sobre a Aplicação do Artigo VII da OMC (acordo sobre o valor aduaneiro).

3. A Comissão considerou que o processo de resolução de litígios iniciado ao abrigo do artigo 96º do Acordo de Parceria e de Cooperação não foi bem sucedido.

Dado que as consultas formais (previstas no artigo 97º do APC) realizadas em Março de 1998 não deram resultados satisfatórios, a Comissão decidiu submeter o litígio à apreciação do Conselho de Cooperação em 23 de Dezembro de 1998 em conformidade com o disposto no nº 1 do artigo 96º do APC, tal como acordado na reunião do Conselho de Cooperação de 9 de Junho de 1998, tendo apresentado uma proposta de recomendação a adoptar pelo Conselho de Cooperação em conformidade com o disposto no nº 2 do artigo 96º do APC.

A resposta do governo ucraniano, de 29 de Janeiro de 1999, abordou alguns dos elementos suscitados pela Comissão durante as anteriores consultas, nomeadamente o conteúdo local, a isenção do IVA e dos impostos especiais de consumo no que respeita às vendas. Relativamente a estes pontos, a Ucrânia compromete-se a alterar a lei até ao final de 2000, por forma a suprimir a cláusula relativa ao conteúdo local e a tornar a isenção do IVA, bem como a isenção do imposto especial do consumo, extensivas às vendas de todos os automóveis. Além disso, foi anunciado (no documento do governo ucraniano de 20 de Abril sobre as questões de acesso ao mercado, preparado pela Ucrânia para o Conselho de Cooperação), que estava a ser elaborado "um projecto tendo em vista a eliminação do valor aduaneiro mínimo". Não foram abordados outros pontos, designadamente: a isenção dos direitos de importação sobre os factores de produção importados, a isenção do IVA sobre os factores de produção importados, a proibição de importações de carros usados, bem como outras isenções fiscais (isenção do imposto predial, isenção do imposto sobre os lucros, isenção do imposto para o fundo de inovação estatal).

Ponto da situação relativamente às principais questões em litígio:

- conteúdo local, isenção do IVA sobre as vendas: o compromisso assumido pela Ucrânia no sentido de alterar a legislação em Dezembro de 2000 foi confirmado (durante as consultas de 19 de Março), embora o pedido da UE no sentido de esta alteração ser introduzida mais cedo não tenha sido tomada em consideração (no entanto, este compromisso deverá ser aplicado o mais rapidamente possível, por forma a não retardar o pedido de adesão da Ucrânia à OMC).

Relativamente à proposta da Ucrânia no sentido de tornar a isenção do IVA extensiva às vendas de todos os automóveis, a Comissão havia salientado que a aplicação de uma taxa razoável e não discriminatória de IVA relativamente aos veículos

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importados e aos veículos montados localmente seria mais conforme às exigências dos dadores internacionais no que respeita à reestruturação do sistema fiscal da Ucrânia, sendo simultaneamente compatível com as disposições do APC. Efectivamente, a proposta de tornar a isenção do IVA extensiva às vendas de todos os veículos pode não ser compatível com as recomendações do FMI e da Comissão em matéria de equilíbrio orçamental. Além disso, não se afigura que esteja contemplada no projecto de código fiscal do governo.

- subvenções: a Ucrânia alega que, dado que a cláusula de conteúdo local foi suprimida (na realidade, ainda está em vigor, devendo ser, na melhor das hipóteses, eliminada até Dezembro de 2000 de acordo com o compromisso de 1 de Fevereiro de 1999), as subvenções já não são proibidas, não sendo, por conseguinte, passíveis de medidas de recurso a menos que se observem "efeitos negativos". Trata-se alegadamente de um "falso problema", uma vez que não há exportação de automóveis para a UE. A Comissão não está de acordo com esta posição, na medida em que as vantagens discriminatórias causam um prejuízo real às vendas de automóveis da Comunidade Europeia no mercado ucraniano e essa é, efectivamente, a principal questão em causa e a razão pela qual essas subvenções não são compatíveis com o artigo 49º do APC.

- NMF (isenção dos direitos aduaneiros) sobre os factores de produção/partes sobressalentes importados: A Ucrânia alega que estas vantagens não são específicas, na medida em que nenhum país de origem é especialmente mencionado e que as conclusões do painel Indonésia no âmbito do GATT não são válidas. Na sua resposta, a Ucrânia declara que autoriza "a isenção de direitos de importação relativamente às peças sobressalentes provenientes de qualquer país de origem". A Comissão mantém a sua posição de que tal constitui uma infracção de facto ao artigo I do GATT de 1994, como foi confirmado pelo painel sobre a Indonésia que concluiu que as "vantagens fiscais e pautais são contrárias ao nº 1 do artigo I, na medida em que não são concedidas incondicionalmente a todos os produtos similares". A legislação ucraniana especifica expressamente que a isenção dos direitos de importação é aplicável aos bens "utilizados para a produção ... da empresa que fabrica os automóveis e as suas peças sobressalentes com um investimento ... não inferior a 150 milhões de dólares" (artigo 2º). Estas disposições são contrárias às conclusões do painel sobre a Indonésia acima referido.

- a proibição da importação de automóveis usados: não se registaram progressos nesta matéria. A proposta da Ucrânia no sentido de criar um grupo de peritos técnicos para analisar os riscos ecológicos e de segurança relacionados com a importação de carros com mais de 5 anos na Ucrânia não é, segundo a Comissão, adequada, na medida em que não se trata de uma questão técnica que se prende com o ambiente e com a segurança, mas de uma medida de política comercial. Os aspectos ambientais e de segurança não são alegadamente decisivos a este respeito. Além disso, esta questão foi aprofundadamente discutida durante as anteriores consultas. Por conseguinte, esta proposta só contribuiria para atrasar a resolução do problema.

- Outras isenções fiscais (isenção do imposto predial, isenção do imposto sobre os lucros, isenção do imposto para o fundo de inovação estatal): a Ucrânia considera que estas isenções são conformes às regras do GATT/OMC. A Comissão salienta que estes privilégios violam o disposto no artigo 49º do APC, que prevê que a Ucrânia se deve abster " ... de conceder auxílios estatais ... que falseiem ou ameacem falsear a

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concorrência ... na medida em que afectem o comércio entre a Comunidade e a Ucrânia". Em conformidade com o artigo 87° (ex-artigo 92º) do Tratado CE, os privilégios constituem auxílios estatais, na medida em que beneficiam uma determinada empresa e são constituídos pela concessão de vantagens e pela renúncia a receitas por parte do Estado.

4. A posição da Comissão:

A última nota verbal da Ucrânia, de 24 de Abril de 1999, enviada após a realização das novas consultas de 19 de Março de 1999, não traz qualquer novo elemento de fundo susceptível de favorecer a resolução do litígio. Deixa também vários pontos por resolver, tais como a isenção dos direitos de importação sobre os factores de produção importados, a isenção do IVA sobre os factores de produção importados, a proibição da importação de automóveis usados, bem como outras isenções fiscais (isenção do imposto predial, isenção do imposto sobre os lucros, e isenção do imposto para o fundo de inovação estatal). Além disso, as últimas propostas apresentadas pelos serviços da Comissão no sentido de serem encontradas soluções de compromisso não foram tomadas em consideração.

Importa referir que a Ucrânia não tomou, até ao presente, nenhuma medida concreta para aplicar a recomendação da União Europeia de 8 de Dezembro de 1998 e que todas as propostas não passam de compromissos no sentido de tomar medidas até ao ano 2000.

5. Na falta de novos progressos, a Comissão propõe que seja prosseguido o processo de resolução de litígios como havia sido anunciado aquando do Conselho de Cooperação de 26 de Abril e que seja nomeado um conciliador, em conformidade com o nº 3 do artigo 96º do Acordo de Parceria e de Cooperação. 6. A Comissão propõe, por conseguinte, os nomes de três personalidades de entre as quais deverá ser designado o conciliador em nome da CE. Os dois outros conciliadores deverão ser propostos pela CE ao Conselho de Cooperação como terceiro conciliador potencial. Os conciliadores propostos são os seguintes:

- Dr. M. Schuette, Cabinet Bruckhaus-Westrick-Heller-Löber (Bruxelas) - Me. Jack Bussy, Cabinet BDLT (Paris)

- Me M. Merolla, Cabinet Bonelli-Erede-Pappalardo (Bruxelas) - Solicita-se, por conseguinte, ao Conselho:

- que adopte a proposta de decisão no sentido de prosseguir o processo de resolução do litígio no que respeita à legislação da Ucrânia sobre a promoção da indústria automóvel e a regulamentação conexa relativa ao mercado de automóveis usados, como havia sido anunciado aquando do Conselho de Cooperação de 26 de Abril, e que designe um conciliador em conformidade com o disposto no nº 3 do artigo 96º do Acordo de Parceria e de Cooperação,

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- que adopte o projecto de mandato dos conciliadores tendo em vista a resolução do litígio,

- que assine, em nome da Comunidade, o projecto de carta que figura no Anexo I, dirigida ao Presidente do Conselho de Cooperação, em que se notifica a designação de um conciliador por parte da CE.

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Proposta de

DECISÃO DO CONSELHO

relativa à prossecução do processo de resolução do litígio respeitante à lei ucraniana sobre a promoção da indústria automóvel e regulamentos conexos

respeitantes ao mercado de automóveis usados com a designação de um conciliador e propostas ao Conselho de Cooperação tendo em vista a designação

de um terceiro conciliador, em conformidade com o disposto no nº 3 do artigo 96º do Acordo de Parceria e de Cooperação,

e à adopção do projecto de mandato dos conciliadores tendo em vista a resolução do litígio

O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA,

Tendo em conta o Tratado e, nomeadamente, o n° 4 do seu artigo 133º em conjugação com a primeira frase do n° 2 e com a primeira frase do n° 3 do seu artigo 300º,

Tendo em conta a Decisão do Conselho e da Comissão, de 26 de Janeiro de 1998, relativa à conclusão do Acordo de Parceria e de Cooperação entre as Comunidades Europeias e os seus Estados-membros, por um lado, e a Ucrânia, por outro (JO L 49 de 19.2.1998), e, nomeadamente, o nº 1 do seu artigo 2º,

Tendo em conta a proposta da Comissão,

(1) Considerando que o artigo 96º do Acordo de Parceria e de Cooperação prevê a resolução de litígios,

(2) Considerando que as leis abaixo indicadas também poderiam ser objecto de exame no âmbito do Grupo de Trabalho sobre a adesão da Ucrânia à OMC, de que as Comunidades Europeias são membro, e que, tendo em conta a natureza totalmente diferente dos dois processos, a possível resolução do litígio no âmbito do artigo 96° do Acordo de Parceria e de Cooperação não poderia ser considerada como determinante da posição da Comissão durante essas negociações;

(3) Considerando que as leis ucranianas abaixo indicadas violam o Acordo de Parceria e de Cooperação:

- Lei relativa à promoção da indústria automóvel na Ucrânia (Lei nº 535/97-VR), aprovada pelo Parlamento da Ucrânia em 19 de Setembro de 1997, em vigor desde 23 de Outubro de 1997,

- Lei relativa à anulação da dívida da sociedade anónima AvtoZAZ (Lei nº 482/97 VR), de 18 de Julho de 1998,

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- Lei relativa às taxas dos impostos especiais de consumo e aos direitos de importação aplicáveis a determinados veículos e respectivos pneus (Lei nº 217/96 VR, de Maio de 1996),

- Resoluções do Conselho de Ministros "sobre as alterações e adições a determinadas resoluções do Conselho de Ministros da Ucrânia" no que respeita à importação de automóveis usados na Ucrânia (146/98 de Fevereiro de 1998);

(4) Considerando que as consultas realizadas em conformidade com o disposto no artigo 97º do APC não deram resultados positivos, pelo que se afigura agora adequado prosseguir o processo de resolução do litígio com a designação de um conciliador,

ADOPTOU A PRESENTE DECISÃO:

Artigo único

1. Em conformidade com o disposto no n° 3 do artigo 96° do Acordo de Parceria e de Cooperação, a Comunidade prossegue o processo de resolução do litígio relativo à lei ucraniana sobre a promoção da indústria automóvel e à regulamentação conexa relativa ao mercado de automóveis usados.

2. Por conseguinte, ... é designado como conciliador da Comunidade Europeia, encarregado de contribuir para a resolução do litígio no âmbito do mandato que figura em anexo. Esta designação será notificada através da carta que figura no Anexo I, co-assinada pela Comissão e pelo Conselho e dirigida ao Presidente do Conselho de Cooperação.

3. A Comunidade proporá em tempo útil ao Conselho de Cooperação a designação de ... e de ... como terceiros conciliadores.

4. É adoptado o mandato dos conciliadores que figura no Anexo II. Esta designação será notificada através da carta que figura no Anexo I, co-assinada pela Comissão e pelo Conselho e dirigida ao Presidente do Conselho de Cooperação.

Feito em Bruxelas, em

Pelo Conselho O Presidente

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ANEXO I

Projecto de carta da Comunidade ao Presidente do Conselho de Cooperação UE-Ucrânia

Senhor Presidente,

Em 23 de Dezembro de 1998, em conformidade com o disposto no nº 1 do artigo 96º do APC, a Comunidade submeteu o litígio relativo à lei ucraniana de Outubro de 1997 "sobre a promoção da indústria automóvel na Ucrânia" (nº 535/97-VR) e a regulamentação conexa relativa ao mercado de automóveis usados na Ucrânia (Resolução 146/98 do Conselho de Ministros de Fevereiro de 1998), bem como a legislação conexa (lei 482/97 VR de Julho de 1997, lei 217/96 VR de Maio de 1996), à apreciação do Conselho de Cooperação, tal como acordado aquando do Conselho de Cooperação de 9 de Junho de 1998, e apresentou um projecto de recomendação a adoptar pelo Conselho de Cooperação em conformidade com o nº 2 do artigo 96º do APC.

A Comunidade salientou repetidamente que esta legislação é contrária ao APC (artigo 10º relativo à cláusula NMF, artigo 15º não-discriminação e artigo 49º auxílios estatais), bem como aos artigos I e III do GATT (referidos ou integrados nos artigos 10° e 15° do APC). A regulamentação respeitante aos mercados de automóveis usados é contrária ao artigo 14º do APC. A lei relativa à promoção da indústria automóvel na Ucrânia, para além de ser incompatível com os artigos I e III do GATT, também é incompatível com o Acordo sobre as Medidas de Investimento Relacionadas com o Comércio (TRIM) da OMC, em especial, na medida em que corresponde às medidas descritas no ponto 1 (a) da Lista Exemplificativa anexa ao Acordo TRIM e, por consequência, proibida. A proibição da importação de carros usados também é incompatível com as regras da OMC, designadamente com o artigo XI do GATT (eliminação geral das restrições quantitativas). O valor aduaneiro mínimo de 5 000 USD relativamente a todos os carros usados viola o artigo VII do GATT e o Acordo sobre a Aplicação do Artigo VII da OMC (acordo sobre o valor aduaneiro).

Embora na sua carta de 29 de Janeiro de 1999, a Ucrânia tivesse dado resposta a algumas das questões suscitadas pela Comunidade durante as anteriores consultas, nomeadamente o conteúdo local, a isenção do IVA sobre as vendas e a isenção dos impostos especiais aplicáveis às vendas, outros pontos não foram abordados, designadamente: a isenção dos direitos de importação aplicáveis aos factores de produção importados, a isenção do IVA sobre os factores de produção importados e a proibição da importação de automóveis usados, bem como outras isenções fiscais (isenção do imposto predial, isenção do imposto sobre os lucros, isenção do imposto para o fundo de inovação estatal).

A nota verbal ucraniana de 24 de Abril de 1999, entregue após as novas consultas realizadas em 19 de Março de 1999, não traz qualquer novo elemento de fundo susceptível de permitir a resolução do litígio. Por conseguinte, na ausência de novos progressos, a Comissão decidiu prosseguir o processo de resolução do litígio (em conformidade com o artigo 96º do APC), como havia anunciado aquando do Conselho de Cooperação de 26 de Abril, designando um conciliador em conformidade com o disposto no nº 3 do artigo 96º.

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Por conseguinte, em conformidade com a decisão acima referida, tenho a honra de notificar que a Comunidade designou ... como conciliador da CE, encarregado de contribuir para a resolução do litígio. A União Europeia espera que a Ucrânia designe o seu próprio conciliador, num prazo de dois meses, tal como previsto no nº 3 do artigo 96º do Acordo de Parceria e de Cooperação.

Muito grato ficaria a V. Exa. se dignasse transmitir a presente carta e o mandato dos conciliadores que figura em anexo aos membros do Conselho de Cooperação, tal como previsto no artigo 6º do Regulamento Interno, e enviar à Comunidade um aviso de recepção da parte ucraniana.

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ANEXO II

Projecto de mandato dos conciliadores para o processo de resolução do litígio relativo à lei ucraniana sobre a promoção da indústria automóvel e à regulamentação conexa relativa ao mercado de automóveis usados na UcrâniaObjectivos e tarefas

1. Apresentar às partes um parecer sobre a legislação abaixo indicada e a sua conformidade com as regras do APC e da OMC:

- Lei relativa à promoção da indústria automóvel na Ucrânia (Lei nº 535/97-VR), aprovada pelo Parlamento da Ucrânia em 19 de Setembro de 1997, em vigor desde 23 de Outubro de 1997;

- Lei relativa à anulação da dívida da sociedade anónima AvtoZAZ (Lei nº 482/97 VR), de 18 de Julho de 1998;

- Lei relativa às taxas dos impostos especiais de consumo e aos direitos de importação aplicáveis a determinados veículos e respectivos pneus (Lei nº 217/96 VR, de Maio de 1996).

- Proibição da importação de automóveis usados com mais de 5 anos e estabelecimento de um valor aduaneiro mínimo de 5 000 USD relativamente a todos os automóveis usados.

- Resoluções do Conselho de Ministros "sobre as alterações e adições a determinadas resoluções do Conselho de Ministros da Ucrânia" no que respeita à importação de automóveis usados na Ucrânia (146/98 de Fevereiro de 1998).

Verificar, em especial, a conformidade desta regulamentação com :

- o APC: artigo 10º - cláusula MNF, artigos 14º e 15º - não-discriminação e artigo 49º - auxílios estatais,

- o GATT: artigos I e III (referidos ou integrados nos artigos 10° e 15° do APC); n° s 1, 2, 3, alíneas a), b) e d) do n° 4 e n° 5 do artigo VII (referidos ou integrados no artigo 16° do APC), artigo XI (eliminação geral das restrições quantitativas),

- a OMC: o Acordo TRIM e o Acordo sobre a Aplicação do Artigo VII do GATT (acordo sobre o valor aduaneiro).

2. Elaborar propostas normativas sobre o modo de resolver o actual litígio comercial entre a Ucrânia e a CE.

3. Contribuir para a resolução do litígio em cooperação com os dois outros conciliadores.

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Referências