Atas do
XVII Simpósio Internacional de Informática Educativa (SIIE’15)
Setúbal, Portugal
25 a 27 de Novembro de 2015
Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal
Editores
Maria do Rosário Rodrigues Martín Llamas Nistal Miguel Figueiredo
Créditos Atas do
XVII Simpósio Internacional de Informática Educativa (SIIE’15)
Setúbal, Portugal
25 a 27 de Novembro de 2015
Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal
Edição e copyright:
© 2015, Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal
Website: http://siie15.ese.ips.pt/
SIIE’
15
Atas do
XVII Simpósio Internacional
de Informática Educativa
Editores
Maria do Rosário Rodrigues
Martín Llamas Nistal
Miguel Figueiredo
Setúbal, Portugal
O XVII Simpósio Internacional de Informática Educativa (SIIE’15) foi organizado pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal e pretendeu reunir investigadores, professores e outros profissionais, a nível nacional e internacional, em torno da apresentação, discussão e reflexão no domínio das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) na Educação.
Para a edição de 2015 do SIIE foram selecionados os seguintes temas; - As TIC na formação de professores
- Integração das TIC no Ensino/Aprendizagem
- Conceção, construção e avaliação de recursos educativos digitais (RED) - Computação e aprendizagem
- A computação móvel/ubíqua na educação - Jogos e Simulações em Educação
- Robótica educativa
- Redes sociais e aprendizagem - Os MOOC e a formação a distância
O SIIE é um espaço aberto e, nesse sentido, estes temas não devem ser considerados exclusivos. Foram aceites também outras trabalhos relevantes que, não estando incluídos nos temas apresentados, se integram em outras temáticas do uso das Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação.
Ao simpósio foram submetidas 117 propostas para análise pela comissão científica a qual validou 59 artigos (53 full papers e 6 short papers) e 9 posters. Os artigos incluídos nestas atas estão organizados pelos temas da conferência.
Os conferencistas convidados foram José Luís Ramos, Professor Associado e investigador na Escola de Ciências Sociais da Universidade de Évora e coordenador do Centro de Competência TIC; Karen Brennan, professora auxiliar na Graduate School of Education de Harvard e Claudio da Rocha Brito, Professor Catedrático de Engenharia Elétrica e de Computação e Presidente do Conselho de Pesquisas em Educação e Ciências (COPEC).
Os artigos selecionados de entre os que foram aceites e apresentados no SIIE15 serão publicados nas revistas EEE Latin America Learning Technologies Journal [IEEE-RITA], IEEE Xplore – Digital Library, Medi@ções, biannual electronic journal of the School of Education of the Polytechnic Institute of Setúbal e Sensos-e, Multimedia Journal of Research in Education of the Centre of Research & Innovation in Education.
Comissão Organizadora
Miguel Figueiredo (Presidente), Albérico Afonso, Carla Cibelle, Catarina Delgado, Cristina Patacas, Dina Soares, Filipe Fialho, João Grácio, João Torres, Mário Baía, Teresa Marques
Comissão Científica
Martín Llamas Nistal (Presidente), Adriana Gewerc, Alberto Pedrero Esteban, Alda Pereira, Ana Amélia Carvalho, Ana Casali, Ana Loureiro, Ana M. Fernánez-Pampillón, Anabela Gomes, Ángel Velázquez Iturbide, Anke Berns, Antonio Balderas, Antonio Bartolomé, António Dias de Figueiredo, António José Mendes, António José Osório, Antonio M. Seoane Pardo, António Moreira, Antonio Navarro, Antonio Sarasa Cabezuelo, August Climent-Ferrer, Belmiro Rego, Camino Fernández Llamas, Carlos Brigas, Carlos Vaz do Carvalho, Christophe Choquet, Christos Bouras, Claudia Deco, Cristian Cechinel, Cristina Azevedo Gomes, Davinia Hernández-Leo, Edmundo Tovar Caro, Faraón Llorens, Fernando Albuquerque Costa, Francisco Arcega, Francisco José García Peñalvo, Gabriel Díaz Orueta, Gregorio Robles, Guilhermina Miranda, Gustavo Rossi, Henrique Gil, Isabel Pereira, Ivan Luković, Jaime Sánchez, Jaime Urquiza-Fuentes, Jesús González Boticario, João Correia de Feitas, Jose Angel Olivas, José António de Oliveira Duarte, José Luís Ramos, José Portela, Jose Ramón Hilera, José Reis Lagarto, Lucila Santarosa, Luis Pedro, Luis Valente, Manuel Castro, Manuel Gertrudix, Manuel Jose Fernandez Iglesias, Manuel Lama Penín, Manuel Ortega Cantero, Manuel Palomo-Duarte, Manuel Pérez Cota, Maria do Rosário Rodrigues, Maria João Gomes, Maria João Loureiro, Maria João Silva, Maria José Patrício Marcelino, Maria Jose Rodriguez-Conde, María Luisa Sein-Echaluce, Maria Teresa Pessoa, Maribel Pinto, Maximiliano Paredes Velasco, Mercedes Gomez-Albarran, Mercedes Ruiz Carreira, Miguel Ángel Redondo Duque, Miroslav Minović, Neuza Pedro, Octavio Henao Alvarez, Pablo Moreno-Ger, Pilar Rodriguez, Ramón Ángel Fernández Díaz, Ramon Fabregat Gesa, Regina Motz, Roberto Theron, Roberto Willrich, Rubén Fuentes-Fernández, Samuel Cruz-Lara, Scheila Martins, Silvia J. Pech-Campos, Telmo Zarraonandia, Vitor Teodoro, Vytautas Stuikys, Yannis Dimitriadis.
Í
NDICE
T
EMAS... 1
ICT AND TEACHERS’ PROFESSIONAL DEVELOPMENT ... 3
O jardim-de-infância e a família: uma relação mediada pela utilização de um blogue ... 1
O Quadro Interativo Multimédia (QIM) num Contexto de Prática de Ensino Supervisionada em 1º CEB ... 7
A integração das Tecnologias da Informação e Comunicação na Formação de Licenciandos ... 13
Integração das Tecnologias de Informação e Comunicação na Formação do Engenheiro Mecânico Um Estudo Comparativo ... 21
Mejorando la comunicación con los estudiantes en la fase de evaluación a través de BeA ... 27
Recursos Educacionais Abertos: OpenStax Connexion ou Wikilivros ... 35
Três Perspetivas & Um Projeto: um verdadeiro trabalho de grupo ... 43
ICT AND NEW APPROACHES TO THE TEACHING/LEARNING PROCESS ... 51
Educação através da Informática Educativa: De John Dewey a Seymour Papert ... 53
Evaluación de trabajadores mediante patrones de comportamiento en el campo de la conducción eficiente ... 61
Embodied education: Senses, Emotions, and Technology... 69
¿Cómo desarrollan los profesores la competencia digital en sus estudiantes? Apropiaciones, problemáticas y perspectivas ... 77
Envolvimento do estudante no ensino a distância: criação dum cenário de agregação LMS e Rede Social ... 86
Uso da Robótica Educacional como estímulo a criatividade ... 94
Projeto Escola de Hackers: Uma experiência em programação de computadores em escolas públicas de Passo Fundo – RS ... 102
A aprendizagem proporcionada pela transformação de um texto escrito num texto multimédia ... 108
Letrinhas: promoção da leitura através de dispositivos móveis ... 116
Currículos das Principais Universidades do Brasil e do Exterior e Tendências de Ensino de Teste de Software... 124
TIC no Currículo Scratch num Percurso Curricular Alternativo ... 132
Mobile Learning na Biblioteca Escolar com as Ciências Naturais e as TIC ... 137
DESIGN, FRAMING AND EVALUATION OF DIGITAL EDUCATIONAL RESOURCES
(RED) ... 147
Requisitos para jogos digitais educacionais: Uma especificação de requisitos criados para o jogo-simulador Kimera Cidades Imaginárias ... 149
The CeAMatE-on project: an online Mathematical Support Centre in Engineering ... 155
Robots & NEE: Learning by playing with robots in an inclusive school setting ... 162
Literacia Digital de Adultos: Contributos para o desenvolvimento de dinâmicas de formação ... 169
Proposta para avaliação de qualidade técnico-pedagógica de aplicações educacionais de televisão digital ... 176
Tecnologias Digitais na abordagem de conceitos de Matemática: uma experiência com alunos do Ensino Médio ... 184
COMPUTERS AND LEARNING; ... 193
La Visualización Interactiva como Apoyo al Desarrollo de Algoritmos de Programación Dinámica ... 195
Programação de computadores para alunos do ensino fundamental A Escola de Hackers ... 202
Uso de Scratch na aprendizagem da lógica do ensino fundamental ... 211
1910: Um jogo mobile para reviver a Implantação da República em Portugal ... 219
Usando Redes Neurais para Prever o Desempenho Futuro de Estudantes ... 227
Projeto Mutirão pela Inclusão Digital: Relato de uma experiência de programação de computadores na Educação Infantil ... 234
MOBILE/UBIQUITOUS COMPUTING IN EDUCATION ... 241
Los Modelos Pedagógicos 1:1 en América Latina: Evidencia, Posibilidades y Conflictos ... 243
O Ensino da Geometria, os Telemóveis e os QR Codes ... 253
Intención de Uso de Tecnologías Mobiles Entre los Profesores en Formación Aplicación de un modelo de adopción tecnológica basado en TAM con los constructos Compatibilidad y Resistencia al Cambio ... 260
Diretrizes de Acessibilidade em Plataforma de Educação a Distância ... 269
DIY M-Learning Apps com o APP Inventor do MIT: A aplicação LHPt (Letra e Hino de Portugal) ... 277
GAMES AND SIMULATIONS IN EDUCATION ... 281
Gaia ABstração Game: Um Jogo para Ensinar o Paradigma da Orientação a Objetos ... 282
Using Professional Design Contests for the Development of Realistic Teaching Activities in Embedded Systems Design ... 291
Protótipo de um Jogo Educativo para o Ensino-Aprendizagem de Memória Virtual por Paginação ... 299
The Squares: A Multi-touch Adaptive Game for Children Integration ... 306 Empleo de Perfiles de Jugador y Estilos de Aprendizaje en el Diseño de Videojuegos
Educativos ... 314 Tempoly A game designed to learn polynomial operations ... 320 Inclusão Digital e Educação a Distância: Compreensão e prática na formação inicial
de educadores ... 328
EDUCATIONAL ROBOTICS ... 337 Academia de Código Júnior: um projeto piloto ... 339 Affordable, Easy-to-use Robotic Arm Used in Hardware Description Languages
Teaching ... 343 Playful learning: Educational Robotics applied to Students with Learning Disabilities ... 351 Robótica educativa como recurso didático para o ensino das propriedades dos
quadriláteros notáveis ... 358
SOCIAL AND LEARNING NETWORKS ... 365 Repositório Institucional: Acessibilidade a produção acadêmica - um patrimônio
público ... 367 E nós seniores? Quais são as nossas dificuldades a utilizar as Tecnologias da
Informação e Comunicação? ... 373 Preferências no uso de tecnologias da comunicação: a influência da dimensão do
género entre os estudantes do ensino superior ... 379 Representações sobre as aprendizagens online Contributos para a
(re)conceptualização do currículo ... 386 Grupos do Facebook: o uso da rede social na educação Facebook groups: the use of
social networking in education ... 395
MASSIVE OPEN ONLINE COURSES (MOOC) AND DISTANCE LEARNING ... 401 Fortalezas y debilidades de la formación basada en Bledend learning Aportaciones de
los asesores de formanción permanente ... 403 Detección de aprendizaje no formal e informal en Comunidades de Aprendizaje
soportadas por Redes Sociales en el contexto de un MOOC Cooperativo ... 410 Tipos de iniciativas lançadas para promover o uso de tecnologias de apoio ao ensino
(LMS): dois estudos de caso em instituições de Ensino Superior ... 419
P
OSTERS... 427
e-Learning Tool for the Study of Rock Mechanics ... 429 Kids Media Lab: Tecnologias e a Aprendizagem da Programação em Idade
Pré-escolar ... 432 e-TECH An interactive game for learning technology ... 436
Sistema de Mapeamento de Patrimônio Histórico para dispositivos móveis Um
projeto de pesquisa ... 439 Clube Scratch da Bela Vista Prevenir Comportamentos de Risco e Aumentar
Competências na Área das TIC e da Socialização ... 442 Uma solução de baixo custo para a aprendizagem de Programação e Robótica ... 445 Distribuição e Abrangência dos Polos de Apoio Presencial na Educação a Distância
Uma Pesquisa para Apoio ao Desenvolvimento Social ... 448 Robótica na educação musical Utilização de arduino no desenvolvimento de um
protótipo de xilofone de baixo custo ... 451 Online Collaborative Research and Teacher Professional Development
ICT AND TEACHERS
’
PROFESSIONAL
DEVELOPMENT
O jardim-de-infância e a família: uma relação
mediada pela utilização de um blogue
Ana Filipa Martins
Escola Superior de Educação- IPCB Rua Prof. Dr Faria de Vasconcelos
6000-266 Castelo Branco +351272339100
Henrique Gil
ESE – Instituto Politécnico de Castelo Branco CAPP – Universidade de Lisboa Rua Prof. Dr Faria de Vasconcelos
6000-266 Castelo Branco +351272339100
Abstract - Este artigo apresenta os resultados de uma
investigação, que teve como grande objetivo refletir sobre a importância do Blogue Educativo como fator de mediação entre a Família e o Jardim-de-Infância. Esta investigação foi realizada no Jardim-de-Infância «O Raposinho», em Castelo Branco, na Sala dos 4 anos, onde participaram 26 crianças, com idades compreendidas entre os 4 e 5 anos.
A investigação implementada teve como base uma questão-problema que pretendeu verificar se a utilização de um blogue poderia promover uma maior e melhor aproximação entre o Jardim-de-Infância e a Família, através do acompanhamento das aprendizagens dos seus filhos.
A metodologia que se considerou mais adequada para a realização deste projeto foi a de carácter qualitativo, na qual se efetuou uma investigação-ação. A análise e tratamento dos dados vai permitir, pode-se afirmar que da utilização efetuada do Blogue, pelos Encarregados de Educação foi possível chegar-se à conclusão que as estratégias utilizadas vieram demonstrar que se poderá promover uma aproximação entre o Jardim-de-Infância e a Família. No entanto, também foi possível concluir-se que quanto maior for a exposição e a respetiva utilização do Blogue maior era o nível de interação, acrescido de um maiores níveis de qualidade relativos aos comentários e sugestões, que eram ‘postados’.
Palavras-chave: Jardim-de-Infância; Família; TIC;
Blogue educativo.
I. INTRODUÇÃO
Cada vez mais as crianças têm vindo a contactar com as tecnologias digitais praticamente desde que nasceram. Por essa razão, estes jovens, são designados de ‘nativos digitais’, tal como afirma [1], já nasceram num contexto repleto de tecnologias no presente contexto social, podem afirmar que todos os cidadãos se encontram imersos num ambiente onde são privilegiadas as
utilizações de ferramentas e de plataformas digitais. Neste sentido, é fundamental que se criem condições para a utilização destes recursos digitais no seio do sistema educativo português. Considerando estes aspetos, este artigo pretende refletir acerca do papel e a importância da Família, promovendo-se uma ‘ponte’ que relaciona as potencialidades das TIC no contexto educativo, em termos gerais, e a importância dos Blogues, em particular, no âmbito da Web 2.0 ou Web social.
II. ENQUADRAMENTO TEÓRICO
A. A Relação Jardim-de-Infância e Família no Processo de Ensino e Aprendizagem A Família é o primeiro agente no processo educativo da criança, seguindo-se a escola com um processo educativo que pretende ser mais abrangente e socializante. A Família é o primeiro foco de estimulação, mas a escola deve continuar a desenvolver condições de forma estruturada e orientada para a aquisição de aprendizagens e competências [2]. Neste sentido, tanto a escola como a Família partilham responsabilidades na construção da educação e personalidade das crianças.
A intervenção da Família/Encarregados de Educação na educação dos filhos é indiscutivelmente essencial. Atualmente, os pais estão ocupados e preocupados com outros problemas (profissionais, pessoais, económicos, financeiros) e, por isso, ‘dispensam’ algumas das suas obrigações relacionadas com a educação escolar dos seus filhos. Por essa razão, é fundamental nos dias de hoje, com a constante
evolução da sociedade, que as escolas promovam políticas e estratégias que reforcem uma maior aproximação dos pais à escola.
A escola é uma instituição que se deve complementar com a Família devendo constituir-se como espaços agradáveis para a convivência de todos os seus intervenientes. É na escola que se devem sensibilizar as crianças para questões que possam ir além dos conteúdos, em si mesmos, ou seja, deve sensibilizar para questões de ordem social, para que possam exercer, no futuro, uma cidadania plena.
Atualmente, a Escola deve ser inclusiva, com um verdadeiro espírito de escola de todos e para todos, onde a colaboração entre os professores e entre professores e as Famílias devem ganhar maior visibilidade dando especial ênfase ao diálogo, à comunicação mútua e a uma atitude cúmplice. Pois, só assim se constroem laços e ligações mais estreitas que terão como objetivo beneficiar e melhorar as aprendizagens das crianças.
O Jardim-de-Infância e a Família são os dois primeiros lugares de aprendizagem e desenvolvimento da criança, mas cada um com a sua função, mas com objetivos comuns. A construção de uma relação entre o Jardim-de-Infância e Família deve assentar, numa primeira fase, no conhecimento das características e, tanto quanto possível, da personalidade das crianças para que se possam criar condições para uma melhor adaptação. De acordo com [3] “(…) a relação entre a Escola e a Família tem vindo a ser alvo de todo um conjunto de atenções: através de notícias nos meios de comunicação, de discursos de políticos, da divulgação de projetos de investigação e de nova legislação”.
Neste sentido, as instituições devem estabelecer estratégias para atrair os Encarregados de Educação a participar nas atividades letivas, bem como, a terem uma presença ativa na Escola. As Famílias preocupam-se cada vez mais com o desabrochar e com a felicidade dos filhos, esperando que a escola os eduque sem os anular e os instrua sem os privar da sua infância. No entanto, cada um deve saber os seus papéis. O papel dos pais é de ‘cuidadores’, não forçosamente pedagógico, contrariamente ao papel do Jardim-de-Infância que é essencialmente pedagógico, sem perder o seu carácter de autoridade. Daí que ambos se completam e têm como objetivo, junto da criança, o seu respetivo sucesso. Tendo em consideração o facto da presente sociedade assentar no domínio e
utilização das TIC, torna-se importante que ao nível do Jardim-de-Infância se possam incluir as tecnologias na Educação Pré-Escolar.
B. TIC na Educação Pré-Escolar
A utilização de meios informáticos deverá permitir que as crianças se familiarizem com o código informático, tal como à abordagem ao código escrito e ao código matemático [4].Foram estruturadas algumas competências para a Educadora, de forma a facilitar a aprendizagem das TIC: compreensão da natureza e utilidade das TIC na sociedade e no quotidiano; desenvolvimento do interesse das crianças relativamente ao uso das TIC, adotando uma postura experimental; exploração de atividades lúdico-pedagógicas no computador; desenvolvimento de competências na área da motricidade fina e cinestesia, nas crianças, através do manuseamento do rato e/ou do teclado; observação e reconhecimento, das principais partes e funções de um computador; cooperar em grupo, desenvolvendo uma atitude crítica e construtiva nas atividades propostas.
O mundo digital vai forçar os educadores a mudar atitude e forma de abordagem dos projetos com as crianças. As crianças vivem num tempo em que o contato com as tecnologias é normal, frequente e facilitador da aprendizagem.
A criança não aprende unicamente na escola e através do professor. Os media assumem, cada vez mais, um papel ativo na aquisição de variados tipos de saber e, como tal, devem ser feitos esforços para a sua inclusão de forma a complementar o ensino e a aprendizagem. No âmbito do social construtivismo, como é afirmado por [5] há unanimidade em se conferir importância para a necessidade da Educadora ganhar familiarização com as TIC, não numa perspetiva tecnológica mas numa perspetiva pedagógica. Neste domínio, [6] alerta para a necessidade dos alunos serem melhor aprendizes no sentido destes serem capazes de construírem o seu conhecimento de uma forma ativa, ao invés de simples recetores. Com as TIC, [5] chegam a afirmar que se estabelecem condições para novos tipos de aprendizagens que serão mais facilmente assimilados por parte dos alunos como consequência do seu maior envolvimento na construção desse conhecimento.
C. Blogue: utilizações, vantagens e desvantagens
A palavra blog é uma abreviatura da palavra «weblog», que é constituída pelas palavras «web» e «log». Os blogues são páginas de internet com informação de vários tipos, que podem ser comentadas e que podem conter links de outros e para outros blogues.
Como afirmam [7], os blogues podem ser classificados em blogues educacionais ou
edublogs que têm como principal objetivo poder
ir ao encontro dos objetivos curriculares e dos conteúdos programáticos. Outra designação pode ser a de blogues escolares, os quais foram criados e sustentados por professores e alunos, contendo várias atividades relacionadas com os contextos escolares, desde o ensino Pré-Escolar ao Ensino Superior. Por outro lado, existem também blogues que funcionam como estratégias pedagógicas, no sentido de tornar o papel do aluno mais ativo, pelo facto de poder desempenhar o papel simultâneo de autor e de coautor, na realização de atividades, na seleção, na análise, na síntese e na publicação de informações.
Tal como referem [8], os blogues como
estratégias pedagógicas podem ser utilizados
como diários ou portefólios de aprendizagem, em que o espaço digital funciona como intercâmbio de informações, possibilitando autoria múltipla, em que vários autores podem participar na implementação do projeto educacional. Neste contexto digital, os alunos são desafiados a desenvolverem o papel que lhes for atribuído, permitindo criar condições para a aquisição de competências em diferentes áreas. Porém, a finalidade do uso do blogue dependerá, sempre, do que se deseja alcançar. Neste sentido, de acordo com [9] afirmam que “(…) se há alguma área onde os weblogs podem ser utilizados como ferramenta de comunicação e de troca de experiências com excelentes resultados, essa área é sem dúvida, a da educação.” Daí a importância dos blogues na educação ao permitirem a disponibilização de materiais e de exemplos de projetos, que permitam desenvolver e/ou adaptar metodologias e estratégias atrativas e diversificadas, permitindo a criação de um portefólio de apoio digital.
III. METODOLOGIA DO ESTUDO A metodologia que se pode considerar mais adequada na realização da presente investigação corresponde a uma investigação do tipo
qualitativo, onde imerge a investigação-ação, dada a relação próxima e direta entre investigador e investigados num contexto reflexivo e crítico, no sentido de criar espaços de reformulação e de melhoria na ação. Neste sentido, a investigação-ação só se deve realizar, se existir uma ligação/colaboração entre todos os participantes envolvidos.
A investigação foi enquadrada na seguinte temática: A Relação entre Jardim-de-Infância e a
Família mediada pela utilização de um blogue.
Pretendeu-se com o estudo responder à seguinte questão de investigação: «Poderá a utilização de
um blogue promover uma maior e melhor aproximação entre o Jardim-de-Infância e a família, no acompanhamento das aprendizagens dos seus filhos?»
Para esta questão-problema foram definidos vários objetivos como:- Promover a criação de um blogue em contexto educativo.
- Criar condições para o envolvimento dos pais, das crianças e Educadora, na aprendizagem mediada pelo blogue.
- Compreender de que forma pode a família cooperar nas aprendizagens dos seus educandos, através da utilização de um blogue, concebido para esse efeito.
- Investigar o contributo da utilização do blogue na colaboração da família, no que diz respeito à aproximação da família do Jardim-de-Infância.
Numa relação pedagógica é importante que se estreitem os laços e as relações entre a Família e a ‘Escola’, no sentido de se poderem propiciar melhores condições no âmbito do processo de ensino e aprendizagem. Na presente investigação, um dos principais objetivos consistiu na criação dessas condições que permitissem uma proximidade entre o Jardim-de-Infância e as famílias das crianças. Para o efeito, foi utilizada uma ferramenta digital – Blogue – para fomentar a já referida aproximação.
Tendo em consideração que o Blogue é uma das ferramentas digitais da Web 2.0, também designada por Web Social, o Blogue pretende valorizar/explorar as valências da socialização, no sentido de promover uma aproximação entre o Jardim-de-Infância e a Família, através da realização de atividades, do acompanhamos do desempenho das crianças e da possibilidade de poderem emitir sugestões, criticas e opiniões conducentes a melhorias no âmbito Prática Supervisionada em Educação Pré-Escolar.
IV. TÉCNICAS E INSTRUMENTOS DE RECOLHA DE DADOS
Foram utilizadas diferentes técnicas e instrumentos de recolha de dados, que incluíram inquéritos por questionário aos Encarregados de Educação, por forma a recolher opiniões acerca das TIC e da utilização particular dos blogues. Para além dos inquéritos aos Encarregados de Educação, foram realizadas entrevistas semiestruturadas à Educadora Cooperante e as restantes Educadoras do Pré-Escolar da instituição, para também se recolherem opiniões relativas à utilização das TIC e acerca das potencialidades dos blogues. Relativamente às crianças participantes foi feita uma observação participante, com o respetivo registo de notas de campo. A triangulação dos dados correspondeu à última etapa realizada ao promover uma comparação e interligação dos dados recolhidos nos diferentes instrumentos de trabalho utilizados.
V. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS OBTIDOS
Quanto a análise dos inquéritos por questionário realizados aos Encarregados de educação pode-se concluir que há um consenso generalizado no que diz respeito à importância e às potencialidades das TIC, em termos gerais, e dos Blogues, em termos particulares. Pode-se também afirmar que o Blogue utilizado na investigação conseguiu estabelecer relações de proximidade entre a Família e o Jardim-de-Infância pelo facto dos Encarregados de Educação conseguirem ter uma perceção mais correta e mais realista baseada nos registos fotográficos e nas interações de investigadora através dos ‘posts’. As fotografias ‘postadas’ diziam respeito às atividades realizadas na Sala, com diversas temáticas, como: Dia da Mãe; Visita à Quinta Pedagógica de S. Luís; Páscoa; Prevenção Rodoviária.
Em relação à análise das entrevistas realizadas às Educadoras da instituição na globalidade, todas as Educadoras de Infância reconheceram a importância da participação e colaboração dos Encarregados de Educação. Na sua maioria todas confirmaram que nas suas salas existia colaboração da parte dos Encarregados de Educação, quando solicitados.
Esta colaboração, de acordo com as opiniões das Educadoras de infância, é fulcral para se adequarem as atividades e estratégias aos contextos e às necessidades das crianças. O conhecimento prévio dos Encarregados de
Educação pode propiciar um relacionamento mais estreito com a Educadora de Infância que permitirá uma maior empatia que se irá repercutir em benefício das crianças.
Todas as Educadoras têm uma opinião favorável relativamente à utilização das TIC, no entanto, a sua utilização deve ser feita com moderação seja qual for o contexto. Concordam, também, que a utilização das TIC deve ser feita em duas vertentes: devem servir como complemento para as aprendizagens e, ao mesmo tempo, devem ser dadas indicações às crianças para que elas dominem competências básicas relacionadas com o computador (ex: ligar, desligar, colocar CD, manusear o rato…).
Todas as entrevistadas afirmam utilizar o Blogue, para partilhar e recolher ideias para atividades desenvolvidas ou a desenvolver. Referiram também a importância do Blogue relativamente à facilidade em se puderem partilhar ideias e experiências a pessoa que atualiza o Blogue, tem que despender algum tempo para introduzir as ‘coisas’ no Blogue e, ao mesmo tempo, há uma ‘obrigação’ de utilização muito regular
Tendo em consideração os resultados práticos obtidos a partir do Blogue utilizado na investigação, as opiniões das Educadoras foram unânimes em considerá-lo como uma mais-valia e apresentando apenas vantagens.
Das opiniões proferidas pode realçar-se a importância do Blogue em criar um espaço que permitiu acompanhar quase que em direto as atividades e os desempenhos das crianças, nas diversas temáticas desenvolvidas na Sala. Este aspeto é enfatizado pelos pais, porque o Blogue, apesar de propiciar informações diferidas, conseguia transmitir o que se tinha passado na realidade. Esta partilha através do Blogue conduz a um sentimento de maior proximidade entre as Educadoras e as Famílias, tal como se pode observar nas afirmações recolhidas nas entrevistas. Contudo, é transmitido algum receio em privilegiar em demasia o Blogue como elemento de contacto entre a Família e o Jardim-de-Infância. Pois, de acordo com as entrevistadas deve-se evitar uma dependência deste meio para o estabelecimento das relações citadas. Quer isto dizer, que sempre que possível, se deve implementar e intercalar o ‘espaço virtual’ e o ‘espaço real’.
A partir dos registos do Blogue (fotografias das atividades) pode verificar-se que os Encarregados de Educação apreciaram muito a possibilidade de poderem acompanhar as atividades e os
desempenhos dos seus filhos. Através destas fotografias foram-lhes dadas algumas pistas no sentido de poderem rentabilizar e aprofundar alguns aspetos referentes a essas atividades junto dos seus filhos.
Quer isto dizer que as fotografias representaram uma referência e um ponto de partida para se estabelecer um diálogo que interligasse as atividades realizadas num ‘espaço formal’ (Jardim-de-Infância) para um ‘espaço não-formal’ (Família). Um outro aspeto corresponde a uma unanimidade dos Encarregados de Educação em terem considerado muito importante a iniciativa da investigadora. Na opinião dos Encarregados de Educação o Blogue foi uma ferramenta digital considerada adequada para promover a aproximação entre o Jardim-de-Infância e as Famílias.
VI. CONCLUSÕES
Na atualidade, a instituição escolar não tem vindo a acompanhar esta tendência, tendo-se verificado que a inclusão das TIC em contexto educativo é implementada de uma forma que não pode ser considerada nem sistemática, nem exaustiva. Tendo a perceção e a consciência de que a Escola deve e tem que acompanhar esta tendência no sentido de incluir as tecnologias digitais no processo de ensino e de aprendizagem, é necessário que se desenvolvam estratégias e metodologias que levem à sua inclusão nas rotinas educativas. Pelo facto de cada vez mais cedo as crianças contactarem e acederem a diferentes recursos digitais é importante e pertinente que a instituição escolar crie condições que se adequem a estes nativos digitais.
Em simultâneo, havendo também uma consciência de que é fundamental o estreitamento de relações entre a Família e o Jardim-de-Infância, a investigação teve como objetivo conciliar e interligar um recurso digital (Blogue) como forma de promover uma maior e melhor aproximação entre a Família e o Jardim-de-Infância, realizada num espaço virtual de forma a não colidir com a disponibilidade dos Encarregados de Educação. Para a realização deste objetivo foi criado um Blogue no qual foram introduzidos conjuntos de fotografias, como uma periodicidade semanal, ilustrativas das atividades realizadas ao longo desse período. Para que se pudesse obter dos Encarregados de Educação um ‘feedback’, foram introduzidos espaços nos quais poderiam ser deixados ‘posts’ com as suas opiniões e sugestões. Para além, destas publicações, foram também
aplicados inquéritos por questionário aos Encarregados de Educação, bem como entrevistas às Educadoras de Infância. A obtenção de dados e de opiniões a partir de diferentes fontes e através de diferentes instrumentos, permitiu que se realizasse uma triangulação de dados que contribuísse para uma análise mais fiável e sustentada.
No decorrer das intervenções práticas do Blogue foi possível chegar-se à conclusão de que a sua utilização se pode considerar positiva e favorável no sentido de ter fomentado uma interação dos Encarregados de Educação que se veio a materializar na maior participação e colaboração com o Jardim-de-Infância. Contudo, deve-se assinalar o facto de no início este objetivo ter sido difícil em se atingir. Tratando-se de uma investigação que teve por base o paradigma de uma investigação-ação, esta metodologia fez com a investigadora refletisse sobre a ação e tenha introduzido algumas reformulações e adaptações. As novas abordagens introduzidas fizeram com que o Blogue fosse encarado de uma outra forma, no sentido dos Encarregados de Educação melhor compreendessem o âmbito e as vantagens da sua utilização. O facto do Blogue ser uma novidade foi mais difícil a sua integração nas rotinas educativas e familiares.
De acordo com a análise dos inquéritos por questionário, pode-se referir que os Encarregados de Educação utilizam as TIC, em termos globais, mas possuíam conhecimentos mais aprofundados acerca das potencialidades do Blogue. No entanto, numa fase final já utilizavam o Blogue ‘mais à vontade’, sem tanto receio de expressar e de partilhar as suas opiniões. A análise dos dados permitiu concluir que a utilização do Blogue foi positiva, porque conseguiu complementar a relação com Educadora de Infância, bem como partilhar com os Encarregados de Educação, quase em tempo real as atividades desenvolvidas com as crianças.
No que diz respeito às opiniões das Educadoras de Infância que foram recolhidas através das entrevistas, pode-se verificar que a grande maioria faz a utilização das TIC e tem uma postura favorável relativamente às suas potencialidades em contexto educativo. Relativamente, à construção e posterior inclusão do Blogue, as Educadoras de Infância não tinham opiniões claras, por não terem tido experiências anteriores, neste domínio em particular. Apesar deste facto, as suas opiniões foram positivas e incentivadoras para a introdução deste recurso digital.
Com a evolução da Web 1.0 para a Web 2.0, também conhecida por Web social, a forma como cada utilizador da Internet interage com este recurso sofreu uma grande alteração. Ou seja, passou de um consumidor passivo para um interveniente ativo numa perspetiva colaborativa e de coautoria num meio onde são privilegiadas as relações interpessoais. É no presente contexto digital que surgiram as redes sociais digitais que têm vindo a criar condições para o estabelecimento de mais relações sociais. Neste sentido, a investigação realizada ao adotar e incluir o Blogue, como uma ferramenta digital com características sociais, veio permitir e promover que se pudesse estabelecer através do ciberespaço uma maior interação e aproximação entre a Família e o Jardim-de-Infância ao permitir que esta relação pudesse efetivar-se a qualquer hora e em qualquer lugar.
Deste modo, foi possível evitar alguns constrangimentos pessoais relacionados com as disponibilidades dos Encarregados de Educação através de um contacto no meio virtual tendo, no entanto, a preocupação de não descorar o contacto presencial.
REFERÊNCIAS
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O Quadro Interativo Multimédia (QIM) num
Contexto de Prática de Ensino Supervisionada
em 1º CEB
Vanessa DiasESE – Instituto Politécnico de Castelo Branco Rua Prof. Dr. Faria de
Vasconcelos 6000-266 Castelo Branco
+351272339100
Henrique Gil
ESE – Instituto Politécnico de Castelo Branco
CAPP – Universidade de Lisboa Rua Prof. Dr. Faria de
Vasconcelos 6000-266 Castelo Branco
+351272339100
Teresa Gonçalves
ESE – Instituto Politécnico de Castelo Branco Rua Prof. Dr. Faria de
Vasconcelos 6000-266 Castelo Branco
+351272339100
Abstract - A investigação que levámos a cabo
pretendeu averiguar o contributo da utilização do quadro interativo multimédia (QIM) na iniciação à leitura e à escrita de alunos do 1º ano de escolaridade do 1º Ciclo do Ensino Básico (1ºCEB). A amostra foi constituída pela totalidade dos alunos de uma turma de uma Escola Básica, situada em Castelo Branco. Os objetivos que nortearam o nosso estudo foram: introduzir o QIM em contexto educativo e promover a sua utilização específica no processo de ensino/aprendizagem da leitura e da escrita, propondo estratégias didáticas nesse sentido; avaliar se a referida utilização melhora efetivamente o processo de ensino/aprendizagem na área em causa; identificar quais as principais vantagens e desvantagens de utilização do quadro interativo.
A metodologia adotada foi de caráter qualitativo e, especificamente, um estudo de caso. A triangulação dos dados possibilitou a perceção de que, em termos comparativos, a utilização do QIM veio promover melhores aprendizagens no âmbito do processo de ensino/aprendizagem da leitura e da escrita. Os índices de concentração dos alunos foram sendo mais extensos e mais consistentes, levando a uma melhoria gradual no seu desempenho.
Keywords - Tecnologias da Informação e da
Comunicação (TIC); Quadro Interativo Multimédia (QIM); Iniciação à leitura e à escrita.
I. INTRODUÇÃO
Numa sociedade em constante mutação, na era da globalização, há aspetos que prevemos serão mais efémeros e outros mais estáveis, como é o caso da
crescente importância das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) – definitivamente instaladas nas nossas rotinas - nos diferentes setores, nomeadamente no da educação.
As crianças de hoje, os «nativos digitais» [1] [2], estão habituadas a viverem as suas vidas rodeadas pelas TIC e dificilmente se imaginarão sem as mesmas para realizarem as ações mais triviais do quotidiano, nomeadamente, no processo de ensino/aprendizagem que ocorre no contexto formal da escola [3]. Assim, neste tipo de entorno, o setor da educação deve ter como uma das suas principais prioridades apetrechar as instituições escolares de recursos tecnológicos digitais e formar devidamente os professores para o seu uso eficaz. Ao professor, que também ele é um usuário, cabe ainda a função de orientador, mediando essa relação dos alunos com as TIC no sentido de poder fazer com que a mesma seja sempre o mais ajustada e vantajosa possível. Os espaços de ensino/aprendizagem estão agora muito mais ampliados, pois até há bem pouco tempo o professor tinha fundamentalmente que se preocupar com o aluno na sala de aula e atualmente tem que ter em atenção inúmeros ambientes virtuais de aprendizagem [4]. Anteriormente, o professor era considerado a principal fonte de informação a que os alunos tinham acesso e, hoje em dia, as fontes de informação são muito alargadas e diversificadas
pelo que se torna essencial saber selecioná-las, interpretá-las, criticá-las e fazer um uso correto das mesmas.
A dimensão virtual está a transcender o tempo e o espaço. Cada vez é mais óbvio que o conhecimento não é uma verdade estática e que é atualizado fundamentalmente através da comunicação. Assim sendo, no contexto educativo as TIC não devem ser entendidas como um simples repositório de informação, mas sim como um importante veículo de comunicação e interação sobre as novas descobertas [5].
O aparecimento da Internet tem ainda fomentado a existência de valores como a partilha e a cooperação, visto que os indivíduos já podem trabalhar em grupo e em tempo real sem a necessidade de estarem no mesmo espaço físico. A sociedade contemporânea é, cada vez mais, uma sociedade conectada em rede [6].
Na investigação que aqui apresentamos, o QIM foi usado na iniciação à leitura e à escrita. Acreditamos que a interação leitura-escrita tem por base uma relação biunívoca, pois a sua aprendizagem implica a mobilização de competências comuns, por isso trabalhámos em simultâneo a leitura e a escrita. A metodologia de trabalho que seguimos em sala de aula foi de caráter misto, também designada genericamente por metodologia mista, inspirada nos modelos de leitura interativos [7] [8] [9] [10] [11].
Estes modelos de leitura, interativos ou mistos, combinam a interação de capacidades de ordem inferior ou ascendentes (decifração de letras, sílabas e palavras soltas) e de capacidades de ordem superior ou descendentes (antecipação sobre a tipologia de texto, com base no suporte, e sobre o conteúdo provável, com base em conhecimento prévio; a exploração de pistas contextuais disponíveis para análise rápida, como a fonte, o título, subtítulos, ilustrações e outros elementos paratextuais). Segundo estes modelos, é possível a utilização de estratégias flexíveis de leitura, em função do tipo de texto a ler, do tipo de frase ou do tipo de palavra, dependendo de fatores internos e/ou externos ao indivíduo leitor, tais como, a sua experiência de leitura, a sua familiarização com o suporte e com o tipo de texto em causa, o seu conhecimento prévio relativo ao tema, se está ou não contextualizado, se está ou não concentrado e motivado, se o vocabulário lhe é familiar ou não, se o texto é ou não facilmente legível em termos gráficos e, entre outros aspetos, se está ou não claramente redigido. Como tal, o desempenho em leitura dependerá de duas capacidades fundamentais: a de processar o
código escrito e a de processar semântica e concetualmente o texto.
Assim, tendo em conta a nossa empatia com as bases teóricas destes modelos de leitura, optámos por uma metodologia de iniciação à leitura e à escrita que neles se inspira, a metodologia eclética, a qual tende a reunir as principais vantagens das metodologias sintéticas e das analíticas ou globais, operando uma síntese integradora do modus operandi destas duas grandes famílias de métodos. As primeiras contemplam a aquisição do nome das letras, da correspondência grafo-fonológica entre a letra (grafema) e o som (fonema) e da composição/estrutura da sílaba (leitura através da via fonológica); enquanto as segundas se ancoram na crença de que os alunos deverão estabelecer contacto frequente e habitual com o maior número de palavras possível, para que possam estabelecer associações e imagens mentais que facilitem a progressiva identificação das mesmas (leitura através da via lexical).
Resumindo, de acordo com a dinâmica e as necessidades da sociedade atual (que encara como fulcrais as competências de ler, escrever e comunicar com eficácia) e dos indivíduos que dela fazem parte (que integraram as TIC na sua rotina diária), a presente investigação pretendeu aliar a utilização do QIM ao ensino da leitura e da escrita e analisar os potenciais efeitos dessa interação, bem como os reflexos da sua utilização na motivação dos alunos.
II. METODOLOGIA DA INVESTIGAÇÃO A investigação realizada congregou, em simultâneo, uma abordagem que privilegiou a investigação-ação e o estudo de caso. A investigação-ação decorreu da deteção de alguma ineficácia e de alguma desmotivação por parte de alguns alunos durante o processo de ensino/aprendizagem da leitura e da escrita. Na sequência da tomada de consciência sobre este problema, foram propostas alterações relativamente aos recursos usados em sala de aula para dinamizar este processo. Assim sendo, a investigação contemplou ciclos que se repetiram e que contemplaram a planificação da ação, a sua implementação propriamente dita, a que se seguiu uma análise e reflexão sobre a mesma. Com a repetição do ciclo pressupôs-se que a análise do ciclo anterior acarretasse melhorias para o seguinte [12].
A nossa investigação é também um estudo de caso, na medida em que se baseou num trabalho de campo restrito, que envolveu um grupo particular de alunos (do 1º ano de escolaridade do 1º CEB, no âmbito da Prática de Ensino Supervisionada - 1ºCEB) e também por se tratar da utilização de um dispositivo digital específico, o Quadro Interativo Multimédia [13].
Fizemos, ainda, um estudo comparativo, visto que analisámos práticas de iniciação à leitura e à escrita com e sem a utilização do QIM para se poder averiguar se a mesma acarretava ou não melhorias para o processo de ensino/aprendizagem.
Na presente investigação não se pode considerar a existência de uma amostra mas antes a indicação de ‘participantes’, pelo facto de dizerem respeito à turma que foi atribuída à investigadora no âmbito da PES-1ºCEB. A turma era constituída por um total de vinte e três alunos do 1º ano de escolaridade do 1º CEB, com idades compreendidas entre os 5 e os 7 anos, que faziam parte da turma 4ST-1 da Escola Básica São Tiago. Para além dos alunos, a investigação em causa contou ainda com a participação da Orientadora Cooperante da PES-1ºCEB, assim como de mais duas professoras da referida instituição que se encontravam também a lecionar no 1º ano de escolaridade do 1º CEB.
As técnicas e instrumentos de recolha dos dados selecionados foram os seguintes: avaliação dos resultados obtidos pelos alunos antes e após a utilização do QIM, observação participante durante as sessões de intervenção, notas de campo, inquérito por questionário, inquérito por entrevista, produções dos alunos e registos fotográficos/filmagens. Todos eles foram escolhidos com o intuito de conseguir atingir os vários objetivos definidos para a investigação e todos estão intimamente relacionados entre si.
III.APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS OBTIDOS
Os resultados que aqui apresentamos decorrem de uma análise e triangulação dos dados recolhidos através dos diversos instrumentos usados.
Uma dessas técnicas foi a avaliação dos resultados dos alunos antes e depois da utilização do QIM. Numa apreciação global, os resultados obtidos deixam entrever um melhor desempenho dos alunos após a inserção do novo recurso educativo (Gráfico 1). De Ressalvar que as duas primeiras fichas de avaliação foram aplicadas sem que
tivesse sido ainda introduzido o QIM e as duas últimas fichas de avaliação já foram resolvidas pelos alunos após a introdução do recurso educativo em causa.
Gráfico I. Variação dos Resultados Obtidos nas Fichas de Avaliação de Português
A introdução deste recurso digital aumentou ainda a motivação dos alunos para o trabalho e para a aprendizagem, conseguindo ajudar a controlar a indisciplina que, por vezes, se fazia sentir e promovendo atitudes positivas de participação, colaboração e interação. Este incremento da motivação foi observado por nós e registado nas notas de campo e foi corroborado pelas opiniões expressas pela colega do par pedagógico e pela professora titular da turma (Figura 1).
Figura I. Treino do Desenho da Letra «R» no QIM
Foi também aplicado um inquérito por questionário e nele avaliámos o entendimento e a relação dos alunos com as TIC em geral e com o QIM em particular.
Através do inquérito por questionário aplicado, pela análise de todas as respostas dadas pelos alunos, foi possível perceber claramente que o acesso às TIC é já bastante generalizado, não sendo o mesmo influenciado pelo facto de os alunos viverem numa aldeia ou numa cidade. Hoje em dia esse já não é um fator determinante que condicione a possibilidade de ser feito uso dos recursos tecnológicos existentes.
Os agregados familiares dos alunos são numerosos. No entanto, apesar de toda a crise económica que se faz sentir, um grande número de alunos tem mesmo a oportunidade de ter um computador em casa para poder utilizar. Esta pode ser entendida como uma prova de que as TIC estão cada vez mais presentes na sociedade atual («sociedade em rede»). A atividade mais apontada como sendo concretizada com o computador foi a navegação na Internet (Gráfico 2), mas ainda assim, na maioria das situações, a utilização do computador não é devidamente acompanhada e supervisionada por adultos que possam efetivamente alertar e prevenir as crianças para todos os perigos existentes a esse nível (Gráfico 3). Esta situação reporta-se diretamente às questões relacionadas com uma utilização segura da Internet, onde se pode destacar a problemática associada à pedofilia
Gráfico 2. Distribuição das Aividades que os Alunos mais realizam com recurso ao computador
Gráfico 3. Acompanhamento Parental de que os Alunos usufruem na utilização das TIC
Todos os alunos se encontravam a frequentar pela primeira vez o 1º ano de escolaridade do 1ºCEB, o que leva a que o leque geral de experiências educativas com as TIC não seja ainda muito alargado, acontecendo o mesmo no que diz respeito ao processo de ensino/aprendizagem da
leitura e da escrita. O computador é realmente muito utilizado pelos alunos no seu quotidiano pessoal porém, nas aulas, este recurso já não é usado com a mesma frequência.
O QIM é igualmente pouco utilizado nas escolas. Quase a totalidade dos alunos participantes no estudo retratado não sabiam o que é um QIM e os quatro alunos que afirmaram conhecê-lo não conseguiram depois propor uma definição clara para o mesmo, porque efetivamente não sabiam o que é ou porque encontraram dificuldades em explicar. Em momento algum foi destacada a utilização do QIM na área disciplinar português, o que fez com que no momento de análise dos inquéritos por questionário propostos a investigadora tivesse assumido a necessidade clara de intervir previamente ao nível da exploração inicial do recurso tecnológico em questão e, seguidamente, aplicá-lo no processo de ensino/aprendizagem da leitura e da escrita. Os alunos que já tinham feito uso do QIM gostaram e encontraram-lhe muito proveito e muitas vantagens, de acordo com as afirmações que lhes foram apresentadas no questionário.
As três entrevistas realizadas (P1, P2 e P3) evidenciaram pontos de vista muito diferenciados em relação à utilização das TIC e, mais especificamente, do QIM no processo de ensino/aprendizagem. Enquanto duas das professoras inquiridas (P1 e P2) valorizaram essa mesma utilização e lhe reconheceram um verdadeiro proveito, a entrevistada P3 demonstrou algumas reticências nesse âmbito. Todas as entrevistadas referenciaram a necessidade e a pertinência de realizarem formação contínua para trabalharem com este recurso, numa perspetiva de formação ao longo da vida. Porém, consideram que se a mesma não puder depois ser aplicada em contexto real acaba por ser perdida informação e conhecimentos importantes, valorizando, assim, uma formação prática direcionada para os seus contextos educativos específicos, ao invés de uma formação preponderantemente teórica.
Um aspeto consensual foi a escassez de recursos que ainda se faz sentir atualmente em muitas escolas e, consequentemente, em muitas salas de aula. Segundo as entrevistadas, por muita vontade que exista por parte dos professor e dos próprios alunos em usarem os recursos TIC, tal não será possível se estes não existirem ou se estiverem obsoletos.
É ainda de salientar, apesar de esta amostra ser muito reduzida, o facto de uma das entrevistadas (uma num universo de três) se ter mostrado cética relativamente ao uso e à importância das TIC em
contexto educativo. Este ceticismo pode significar que, apesar das inúmeras ferramentas educativas que as TIC propiciam, alguns professores não sejam muito entusiastas relativamente às mesmas, por desconhecimento ou por decisão pessoal, assumida e fundamentada.
Em relação às práticas com o QIM aplicadas ao processo de ensino/aprendizagem da leitura e da escrita durante a PES-1ºCEB, estas foram, na opinião da Orientadora Cooperante (P1), proveitosas e conduziram a um maior sucesso das aprendizagens dos alunos. Estas evidências foram comprovadas, como já dissemos, pelos resultados das diferentes fichas de avaliação às quais os alunos foram submetidos. Do mesmo modo, as notas de campo também evidenciaram o grande envolvimento e motivação que os alunos manifestaram nas aulas sempre que as atividades de leitura e escrita recorriam ao QIM.
IV. CONCLUSÕES DO ESTUDO
As TIC têm vindo a ganhar um estatuto privilegiado no contexto educativo, como meio de comunicação omnipresente nas sociedades contemporâneas, como meio de acesso rápido e eficaz ao conhecimento, como fator motivador dos alunos e pelas múltiplas ferramentas educativas que oferecem.
Porém, é imprescindível não esquecer que estas ferramentas educativas não substituem o professor e que são meros recursos opcionais para trabalho em contextos específicos. Muitos professores se renderam já ao fascínio das potencialidades exponenciais destas tecnologias mas muitos outros não as usam e não deixam de ser excelentes profissionais.
Para tal, a formação específica no âmbito das TIC revela-se como fundamental para ajudar os professores a consciencializarem as potencialidades dos recursos, bem como para lhes dar a conhecer estratégias de inserção dos mesmos nos percursos de ensino/aprendizagem.
A introdução do QIM veio evidenciar que é possível usar o quadro na iniciação à leitura e à escrita; obter melhores resultados após a sua introdução e, com isso, aumentar a motivação dos alunos para as mesmas aprendizagens. No global, o aproveitamento dos alunos ao nível do processo de ensino/aprendizagem da leitura e da escrita foi melhorando gradualmente. Nas semanas de intervenção nas quais foi feito uso do QIM, tendo em conta o tempo disponibilizado para o efeito, os níveis de motivação dos alunos foram sempre
elevados. O desempenho foi melhorando, nunca se esquecendo o facto de ser uma turma difícil, com grandes níveis de dispersão e indisciplina quase sempre presentes.
Nos inquéritos por questionário analisados, ficou claro que a utilização das TIC pelos alunos é já bastante generalizada. Os alunos afirmaram utilizar mais vulgarmente o computador para jogar. Deste modo, o próprio QIM acabou por conseguir propiciar também esse ambiente mais lúdico e garantir a adesão dos alunos. Consequentemente, os índices de concentração dos mesmos foram mais extensos e mais consistentes, refletiram-se numa maior qualidade das suas aprendizagens.
Os dados dos inquéritos por entrevista realizados não podem ser generalizados mas, ainda assim, tornaram claro para a investigadora que apesar de a maioria das professoras entrevistadas serem adeptas das TIC continuam a existir professores que não têm vontade de as utilizar.
Para o efeito, uma estratégia central por parte do Governo pode ir no sentido de implementar uma abordagem do tipo «top-down». Quer isto dizer que as TIC terão que ser usadas por todos os professores de forma obrigatória. Em princípio, esta medida poderá assegurar que cerca de 100% das escolas utilizarão as TIC. Mas a resistência à mudança continuará a existir. Em sentido contrário, numa abordagem do tipo «bottom-up» em que são os professores os primeiros interessados em utilizarem as TIC em contexto educativo terão que existir medidas de incentivo e de apoio para essa concretização. Como se verificou na presente investigação, o número de equipamentos é diminuto e muitas vezes não existe, o que inviabiliza toda a boa vontade da utilização destes recursos. Um outro dado que foi constatado na investigação tem a ver com a acessibilidade aos equipamentos digitais quando eles existem. No caso específico, o QIM encontrava-se numa sala diferente da sala de aula onde se processava a maioria das atividades desenvolvidas e por cada vez que se quis utilizar o mesmo houve necessidade de deslocação que, consequentemente, fez com que fosse quebrado o ritmo das aulas. Estes obstáculos, muitas das vezes, desmotivam os professores a procurar utilizá-los. Ainda relativamente à acessibilidade também se verificou a necessidade de se propiciarem melhores condições logísticas que facilitem a utilização dos recursos digitais. A título de exemplo, aquando da utilização do QIM pelos alunos verificou-se que a sua baixa estatura constituiu um obstáculo para uma utilização mais fácil deste recurso. O foco principal devem ser
sempre os alunos e, como tal, as suas características e necessidades nunca poderão ser esquecidas e descuradas.
Para finalizar, concluir que o QIM quando bem utilizado pode ser efetivamente um recurso educativo repleto de potencialidades. Todavia, não deve ser nunca esquecido o princípio de que o processo de ensino/aprendizagem tenderá a ser tão mais proveitoso quanto mais diversificadas forem as estratégias metodológicas propostas e os recursos a elas associados. Apesar de esta investigação ter demonstrado a importância e o potencial das tecnologias, o papel do professor continuará a ser preponderante. Qualquer que seja a utilização ou a intervenção das tecnologias digitais em contexto educativo será sempre o professor que terá a seu cargo a responsabilidade de promover espaços mais motivadores, criativos e inovadores, surgindo essas tecnologias como complemento para a concretização destes objetivos.
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A integração das Tecnologias da Informação e
Comunicação na Formação de Licenciandos
Luciana de Lima
Instituto Universidade Virtual Universidade Federal do Ceará – UFC
Fortaleza, Brasil
Robson Loureiro
Instituto Universidade Virtual Universidade Federal do Ceará – UFC
Fortaleza, Brasil
Abstract - The goal of this paper is analyze how
undergraduates plan the use of Information and Communication Technologies (ICT) in teaching. The research is characterized as based on qualitative Case Study. The lesson plans developed by undergraduates are analyzed as activity Extension Course. It is possible to infer that some undergraduates seek to maintain the use of digital resources teacher-centered because their present difficulties in using DTIC in the educational context.
Keywords—ICT; teaching; teacher formation I. INTRODUÇÃO
A formação de licenciandos apresenta, na atualidade, problemas estudados por pesquisadores de diferentes países com o objetivo de encontrar soluções que surgem com a inserção desses profissionais no mercado de trabalho. As transformações se consolidam nas sociedades de forma a promover uma mudança nas relações sociais que se diferenciam na forma de coesão interpessoal e estímulo das pessoas a estabelecerem novas formas de relação e integração [10], [13].
Os licenciandos apresentam uma concepção sobre as teorias educativas e sua aplicação na prática docente geralmente mais próximas de uma visão tradicionalista, distante das inovações das pesquisas na área. A falta de uma formação qualificada do licenciando é, portanto, um dos entraves para a promoção de um processo educacional que contribua para sua aprendizagem [20].
Alguns aspectos modificam essas relações interpessoais: as novas possibilidades de comunicação, as novas linguagens utilizadas no
meio digital, a Educação a Distância e outros fenômenos que são interligados ao uso da Internet. Considerando-se ainda que os licenciandos estão imersos em uma sociedade cibercultural e que sua formação não contempla o uso das TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação) em diferentes contextos da docência, o pensar crítico da integração entre TIC e docência se torna uma ação imprescindível [9]. No contexto da cibercultura, “sociedade da conexão”, a tecnologia digital é um fenômeno que se alastra para todo o meio educacional, por toda a sociedade, mormente no ensino superior, o que é muito bem caracterizado nas palavras de [10], quando se refere à cibercultura como um fenômeno hegemônico sem ser um fenômeno de maioria.
No entanto, os recursos digitais nem sempre são utilizados de forma integradora na docência. Em geral, o uso das TIC na prática pedagógica é coerente com seus pensamentos pedagógicos. São utilizadas para apresentação e transmissão de conteúdos por profissionais que valorizam a prática centrada no professor. São utilizadas para promover atividades de exploração e questionamentos, por profissionais que apresentam uma visão mais ativa do ensino. Com isso, a incorporação das TIC à prática docente não garante uma transformação pedagógica e integradora de fato, apenas reforça uma prática vigente [4].
O uso das TIC no contexto da docência possibilita reflexões sobre os aspectos metodológicos envolvidos [2]. As modificações são percebidas tanto no contexto do ensino, quanto no da aprendizagem em que o trabalho diferenciado do professor proporciona ações de iniciativa e