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SANARE

Rev ista de Polít icas Públicas v.19, n.1, p.144 , Jan./Jun. 2020

Tornar sã, em lat im, SANARE é uma rev ista de polít icas públicas que tem por f inalidade divulgar exper iênc ias em polít icas públicas na área de saúde colet iva como forma de contr ibuir com o processo de elaboração e sistemat ização de novos

paradigmas sobre gestão governamental.

CONSELHO EDITORIAL NACIONAL/NAT IONAL

Adr iana Gomes N. Ferreira – UFMA, Imperatr iz-MA Aluisio Ferreira de Lima – PUC SP,For taleza-CE Ana Cec ilia Silveira Lins Sucupira - USP, São Paulo-SP

Ana Mat tos Br ito de Almeida - ESP/CE, For taleza-CE Andrea Silv ia Walter de Aguiar - UFC, For taleza-CE Ant. Germane Alves Pinto - URCA, Juazeiro do Nor te - CE Anya Pimentel Gomes F. V. Meyer – F IOCruz, For taleza-CE Bet ise Mer y Alencar S. Macau Fur tado – UPE, Rec ife-PE

Camilla Araújo Lopes Vieira - UFC, Sobral-CE Camilo Darsi de Souza – UNISC, Stª Cruz do Sul - RS Carlos Leonardo F. Cunha – UFRJ, Rio de Janeiro - RJ

Cibelly Aliny Siqueira Lima Freitas - UVA, Sobral-CE Cr ist ianne Mar ia Famer Rocha – UFRGS, Por to Alegre - RS

Edson Holanda Teixeira - UFC, For taleza-CE Eliany Nazaré Oliveira - UVA, Sobral-CE

Ér ika Bárbara Abreu Fonseca Thomaz – UFMA, São Luís-MA Fabiane do Amaral Guber t - UFC, For taleza-CE Fernando Sérgio Pereira de Sousa – UFPI, Flor iano-PI Franc isco Arnoldo Nunes de Miranda - UFRN, Natal-RN Franc isco Plac ido Nogueira Arcanjo - UFC,Sobral-CE Fco Rosemiro Guimarães Ximenes Neto – UVA, Sobral-CE

Geison Vasconcelos Lira - UFC, Sobral-CE Gerardo Cr ist ino Filho - UFC, Sobral-CE Glauber to da Silva Quir ino - URCA, Crato-CE Ivaldinete de Araújo Delmiro Gémes – UVA, Sobral-CE Izabelle Mont ’Alverne N. Al buquerque - UVA, Sobral-CE

Jeane Félix da Silva - UFRGS, Por to Alegre - RS José Jail son de Almeida Junior - UFRN, Santa Cruz-RN

José Mar ia Ximenes Guimarães - UECE, For taleza-CE

José Olinda Braga – UFC, For taleza-CE José Reginaldo Feijão Parente - UVA, Sobral-CE

Luc ia de Fát ima da Silva - UECE, For taleza-CE Luis Achilles Rodr igues Fur tado - UFC, Sobral-CE Luiza Jane Eyre de Souza Vieira - UNIFOR, For taleza-CE Marc ia Ma. Mont ’Alverne de Barros - UFPB, João Pessoa-PB

Mar ia Adelane Monteiro da Silva - UVA, Sobral-CE Mar ia Cor ina Amaral Viana - URCA, Crato-CE Mar ia da Conceição Coelho Br ito - EFSF VS, Sobral-CE Mar ia de Fat ima Antero Sousa Machado – URCA, Crato-CE

Mar ia de Nazaré de Oliveira Fraga - UFC, Sobral-CE Mar ia Fát ima de Sousa - UnB, Brasília-DF Mar ia Roc ineide Ferreira da Silva - UECE, For taleza-CE

Mar ia Socorro de Araújo Dias - UVA, Sobral-CE Mar ia Verac i Oliveira Queiroz - UECE, For taleza-CE Mar istela Inês Osawa Vasconcelos - UVA, Sobral-CE Milena Rodr igues Soares Mota - UNICEL, Manaus-AM Mirna Marques Bezerra Brayner - UFC, Sobral-CE

Paulo Rober to Santos – UFC, Sobral-CE Rober ta Cavalcante Muniz Lira - UFC, Sobral-CE Simone da Nóbrega Tomaz Moreira - UFRN, Natal-RN

Vicente de Paulo Teixeira Pinto - UFC, Sobral-CE Yolanda Flores e Silva – UNIVAL I, Itajaí- SC

INTERNACIONAL/INTERNAT IONAL

Félix Fernando Monteiro Neto - Por tugal Franc isco Antonio Loiola - Canadá Mirella Mar ia Soares Veras - Canadá Wil son Jorge Correia Pinto de Abreu - Por tugal

PREFEITURA

Ivo Ferreira Gomes Prefeito

Regina Célia Car valho da Silva Secretár ia da Saúde Mar ia Socorro de Araújo Dias

(3)

SANARE (Sobral, Online). 2020 Jan-Jun;19(1) PRODUÇÃO

Núcleo de Estudos e Pesquisas em Saúde da ESP-VS Mar ia Socorro de Araújo Dias

Editora Chefe

Diógenes Far ias Gomes Germana Mar ia da Silveira Kar ina Oliveira de Mesquita Lielma Carla Chagas da Silva Mar ia da Conceição Coêlho Br ito

Editores Assistentes

Antônio Felipe de Vasconcelos Neto Diagramação

Mar tônio Holanda Capa

Versão Digital

S A N A R E, Rev ista de Polít icas Públicas v.19, n.1, Jan./Jun. 2020

- Sobral[CE]: Escola de Saúde Pública Visconde de Saboia, 2020. Semestral

ISSNe 2317-7748

1 . Polít icas Públicas. 2. Polít icas Públicas – Per iódicos

CDD :362.1098131

É permit ida a reprodução do mater ial publicado, desde que c itada a fonte. Números anter iores:

Escola de Saúde Pública Visconde de Saboia Av. John Sanford, nº 1320 - Bairro Junco - Sobral/CE

CEP: 62030-362 - Fone/Fax : (88) 3614.5520 e-mail: rev ista _sanare @ hotmail.com Por tal Sanare : ht tp ://sanare.emnuvens.com.br/

(4)

Sumário

5 Editorial

7

TENDÊNCIAS DE MORTALIDADE POR DOENÇAS RESPIRATÓRIAS E DOENÇAS

CARDIOVASCULARES EM TERESINA-PI

MORTALITY TRENDS DUE TO RESPIRATORY AND CARDIOVASCULAR DISEASES IN TERESINA, PIAUÍ, BRAZIL

TENDENCIAS DE MORTALIDAD POR ENFERMEDADES RESPIRATORIAS Y ENFERMEDADES CARDIOVASCULARES EN

TERESINA, PIAUÍ, BRASIL

Gleison Vitor Ferreira de Castro da Silva,Luciana Tolstenko Nogueira,Izael Francisco de Brito Araujo, Daiane Ribeiro de Souza, Geovanna Arnaldo de Sousa, Allan Dellon da Silva

18

INVESTIGAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DA LEISHMANIOSE VISCERAL NO MUNICÍPIO DE

SOBRAL, CEARÁ DE 2014 A 2018

EPIDEMIOLOGICAL SURVEY OF VISCERAL LEISHMANIASIS IN THE MUNICIPALITY OF SOBRAL, CEARÁ FROM 2014

TO 2018

INVESTIGACIÓN EPIDEMIOLÓGICA DE LA LEISHMANIASIS VISCERAL EN EL MUNICIPIO DE SOBRAL, CEARÁ DE

2014 A 2018

Moisés Bruno Marinho Rocha

26

FATORES CONTEXTUAIS E USO DOS SERVIÇOS ODONTOLÓGICOS PÚBLICOS POR JOVENS

EM SOBRAL-CE

CONTEXTUAL FACTORS AND USE OF PUBLIC DENTAL SERVICES BY YOUNG PEOPLE IN SOBRAL, CEARÁ, BRAZIL

FACTORES CONTEXTUALES Y USO DE LOS SERVICIOS DENTALES PÚBLICOS POR JÓVENES EN SOBRAL, CEARÁ,

BRASIL

Adriano de Aguiar Filgueira,Luiz Roberto Augusto Noro,Ana Karine Macedo Teixeira,Angelo Giuseppe Roncalli

36

FATORES ASSOCIADOS À INICIAÇÃO SEXUAL PRECOCE DE ADOLESCENTES EM

SANTARÉM-PA

FACTORS ASSOCIATED WITH EARLY SEXUAL INITIATION OF TEENAGERS IN SANTARÉM, PARÁ, BRAZIL

FACTORES ASOCIADOS CON LA INICIACIÓN SEXUAL TEMPRANA DE ADOLESCENTES EN SANTARÉM, PARÁ, BRASIL

Mara Cristiany Rodrigues Spinola

48

VIVÊNCIA DE PUÉRPERAS DIANTE DA ASSISTÊNCIA OBSTÉTRICA NO PROCESSO

PARTURITIVO

PUERPERAL WOMEN’S EXPERIENCE IN FACE OF OBSTETRIC CARE DURING THE PARTURITIVE PROCESS

VIVENCIA DE PUÉRPERAS ANTE LA ATENCIÓN OBSTÉTRICA EN EL PROCESO PARTURITIVO

Quelrinele Vieira Guimarães,Luana Pereira Ibiapina Coêlho,Monyka Brito Lima dos Santos,Ana Carla Marques da Costa, Beatriz Mourão Pereira,Joanne Thalita Pereira Silva

58

NECESSIDADES DE CONFORTO DE TRANSPLANTADOS CARDÍACOS

COMFORT NEEDS OF HEART TRANSPLANT RECIPIENTS

NECESIDADES DE COMODIDAD DE RECEPTORES DE TRASPLANTE DE CORAZÓN

Lia Bezerra Furtado Barros,Maria Sinara Farias,Anne Kayline Soares Teixeira,Lúcia de Fátima da Silva

68

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA EQUIPE DE ENFERMAGEM SOBRE OS CUIDADOS DURANTE A

HIGIENIZAÇÃO NO PACIENTE IDOSO

NURSING TEAM’S SOCIAL REPRESENTATIONS ABOUT CARE WHEN PROVIDING ELDERLY PATIENTS WITH HYGIENE

REPRESENTACIONES SOCIALES DEL EQUIPO DE ENFERMERÍA ACERCA DEL CUIDADO DURANTE LA HIGIENIZACIÓN

DEL PACIENTE ANCIANO

(5)

76

SEGURANÇA DO PACIENTE NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: VISÃO DOS PROFISSIONAIS

DE ENFERMAGEM

PATIENT SAFETY IN PRIMARY HEALTH CARE: VIEW OF NURSE PRACTITIONERS

SEGURIDAD DEL PACIENTE EN LA ATENCIÓN PRIMARIA A LA SALUD: VISIÓN DE LOS PROFESIONALES DE

ENFERMERÍA

Karina Oliveira de Mesquita,Roberta Cavalcante Muniz Lira,Geison Vasconcelos Lira,Carla Ribeiro de Sousa, Maria Socorro de Araújo Dias

85

RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL: DETERMINANTES SOCIAIS DA SAÚDE E SUAS

DEMANDAS PARA O SERVIÇO SOCIAL

MULTIPROFESSIONAL RESIDENCY: SOCIAL DETERMINANTS OF HEALTH AND THEIR SOCIAL WORK NEEDS

RESIDENCIA MULTIPROFESIONAL: DETERMINANTES SOCIALES DE LA SALUD Y SUS DEMANDAS PARA EL SERVICIO

SOCIAL

Eli Fernanda Brandão Lopes,Edivania Anacleto Pinheiro Simões,Maria de Fatima Bregolato Rubira de Assis

95

IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA ACADEMIA DA SAÚDE NO SEMIÁRIDO BRASILEIRO:

LIMITES E DESAFIOS PARA A GESTÃO

DEPLOYING THE HEALTH ACADEMY PROGRAM WITH IN THE BRAZILIAN SEMIARID REGION: CONSTRAINTS AND

CHALLENGES FOR MANAGEMENT

IMPLEMENTACIÓN DEL PROGRAMA ACADEMIA DE LA SALUD EN EL SEMIÁRIDO BRASILEÑO: LÍMITES Y DESAFÍOS

PARA LA GESTIÓN

Patrícia Pereira Tavares de Alcântara,Taciane Raquel Gomes do Carmo,Geanne Maria Costa Torres,Inês Dolores Teles Figueiredo,José Auricélio Bernardo Cândido,Antonio Germane Alves Pinto

104 CONCEPÇÕES DA PSICANÁLISE SOBRE A ANOREXIA NO BRASIL: UMA REVISÃO DE

ESCOPO

CONCEPTIONS OF PSYCHOANALYSIS ON ANOREXIA IN BRAZIL: SCOPE REVIEW

CONCEPCIONES DE PSICONÁLISIS SOBRE ANOREXIA EN BRAZIL: UNA REVISIÓN

Diógenes Farias Gomes,Tanna Romão Silva,Marina Pereira Moita,Maria José Dias Gonzaga

113 PRODUÇÃO CIENTÍFICA NA ÁREA DA SAÚDE SOBRE SÍFILIS GESTACIONAL: REVISÃO

NARRATIVA

SCIENTIFIC WORKS IN HEALTH SCIENCES ON GESTATIONAL SYPHILIS: A NARRATIVE REVIEW

PRODUCCIÓN CIENTÍFICA EN EL ÁREA DE LA SALUD ACERCA DE SÍFILIS GESTACIONAL: UNA REVISIÓN

NARRATIVA

Natália da Silva Gomes,Lisie Alende Prates, Rhayanna de Vargas Perez,Camila Xavier Fialho,Mari Luci Chalme da Silva, Pâmela da Rosa Gonzalez

121 QUALIDADE DE VIDA DOS PACIENTES COM CÂNCER ORAL: REVISÃO INTEGRATIVA DA

LITERATURA

QUALITY OF LIFE OF PATIENTS WITH ORAL CANCER: INTEGRATIVE LITERATURE REVIEW

CALIDAD DE VIDA DE LOS PACIENTES CON CÁNCER ORAL: REVISIÓN INTEGRADORA DE LA LITERATURA

Denis Francisco Gonçalves de Oliveira,Débora Rejane Alves Cavalcante,Sthefane Gomes Feitosa

131 DO LITORAL À SERRA: A EXPERIÊNCIA DO PLANIFICASUS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À

SAUDE EM SANTA CATARINA

FROM THE COAST TO MOUNTAIN: THE EXPERIENCE OF PLANIFICASUS IN PRIMARY HEALTH CARE IN SANTA

CATARINA

DE LA COSTA A SERRA: LA EXPERIENCIA DE PLANIFICASUS EN LA ATENCIÓN PRIMARIA DE SALUD EN SANTA

CATARINA

Francisco Timbó de Paiva Neto,Débora Batista Rodrigues,Maria de Fátima de Souza Rovaris,Márcio Anderson Cardoso Paresque

(6)

Editorial

ECOS DA CIÊNCIA DIANTE DOS DESAFIOS

CONTEMPORÂNEOS DA SAÚDE

Nossa premissa é irrefutável: o mundo v ive a maior cr ise sanitár ia deste século. A reconhecida conjuntura política e econômica alinhada à defesa intransigente do capital tem desencadeado políticas de auster idade f iscal que demandam um posicionamento de cidadãos, gestores, pesquisadores e trabalhadores.

Embora recente, a COVID-19 (do inglês Coronavirus Disease 2019), doença infeciosa causada pelo novo coronav írus (SARS-CoV-2), reforça a contraposição entre viver e reinventar-se. E traz consigo situações inimagináveis, como a quase inexistência de informações e de conhecimento sobre: a) sua determinação; b) seu desenvolv imento; e c) suas consequências. Isso coloca todos nós diante de uma situação para a qual não haverá solução rápida – enquanto isso, o novo coronav írus exibe dia após dia um poder de disseminação espacial e transmissibilidade poucas vezes v isto pela humanidade.

Ademais, a atual quarentena de proporção global expõe uma contradição: Como a humanidade pode evoluir tecnologicamente sem alcançar, com a mesma velocidade, a reinvenção dos própr ios seres v ivos? Essa doença, para a qual o mundo não estava preparado, ev idenciou a f ragilidade econômica e social v ivenciada pelo ser humano no século X XI tão rapidamente quanto o novo coronav írus se impôs no espaço global.

Nesse diapasão, a ciência, tão questionada, deturpada e desprestigiada, foi chamada a dar sua resposta ao complexo contexto determinado pela atual pandemia de COVID-19. Difundir conhecimento é uma função estratégica inerente aos per iódicos científ icos e tal esforço tem sido empreendido por vár ias publicações nacionais – que abrem chamadas específ icas para estudos relacionados ao tema ou dão maior celer idade aos seus processos de publicação de ar tigos. Assim, é crucial realçar que a dinamicidade do processo saúde-doença tende a persistir para além da COVID-19.

Este ano de 2020 desaf ia a ciência a produzir novos conhecimentos, a cur to, médio e longo prazo, diante do potencial destrutivo de um v írus que se conf igura como um fenômeno de impacto biológico, econômico e social que transcende qualquer concepção unidisciplinar de saúde. Tal contexto de múltipla determinação requer tanto o seguimento das pesquisas em desenvolv imento quanto dispositivos de difusão capazes de expô-las com ef iciência à cr ítica científ ica e à tomada de decisão por par te dos gestores públicos.

É com essa compreensão e com esse compromisso ético-sanitár io que a SANARE – Rev ista de Políticas Públicas, desprendendo-se de qualquer concepção setor ializada de ciência e saúde e reconhecendo a necessidade de divulgar novos estudos sobre a pandemia em curso, conv ida a comunidade científ ica e o público leitor a se engajarem nessa luta.

Com a consciência de que persistem as precár ias condições pré-pandemia que pautam o processo saúde-doença e de que a tendência é que elas sejam agravadas, diante da necessidade de isolamento social, da precar ização das condições de trabalho e da queda de renda da população, o número 1 de 2020 da SANARE vem a lume com estudos que revelam nuances de tais fatores em um contexto político, econômico e social e buscam a construção de uma sociedade mais igualitár ia, solidár ia e saudável. Os ar tigos aprovados para esta edição dialogam com as necessidades de amplo espectro v ivenciadas pelos terr itór ios brasileiros, em nível nacional e local, e abrangem var iados temas no âmbito da Saúde Coletiva.

(7)

Outrossim, a SANARE busca inquietar a comunidade científ ica diante das novas perspectivas dos pesquisadores sobre a pandemia, em suas múltiplas dimensões, e coloca-se à disposição para acolher seus resultados de pesquisa e analisá-los entre pares, com celer idade, com v istas a divulgá-los em nossa próxima edição. Tudo isso sem deixar de manter-se atenta às necessidades do campo da Saúde Pública e das Políticas Públicas inerentes a ele – que constituem o escopo deste per iódico científ ico com 20 anos de histór ia.

Desejamos muita coragem, muita harmonia entre a humanidade e o espaço global e muita saúde para fazermos esta travessia rumo a um futuro melhor!

Profa. Dra. Maria Socorro de Araújo Dias

Editora Chefe da SANARE – Revista de Políticas Públicas Diretora da Escola de Saúde Pública Visconde de Saboia

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A

rtigo

o

riginAl

Palavras-chave:

Doenças Cardiovasculares; Doenças Respiratór ias; Epidemiologia Descr itiva.

Keywords:

Cardiovascular Diseases; Respirator y Diseases; Descr iptive Epidemiology.

Palabras clave:

Enfermedades Cardiovasculares; Enfermedades Respirator ias; Epidemiología Descr iptiva.

Submetido : 08/04/2020 Aprovado : 12/05/2020 Autor(a) para Correspondência :

Gleison Vitor Ferreira de Castro da Silva R. Revanche, 2184, apto. 104 Aeropor to – Teresina (PI) CEP: 64001-370

E-mail:gleisonvitorf@gmail.

com

TENDÊNCIAS DE MORTALIDADE POR DOENÇAS RESPIRATÓRIAS E

DOENÇAS CARDIOVASCULARES EM TERESINA-PI

MORTALITY TRENDS DUE TO RESPIRATORY AND CARDIOVASCULAR DISEASES IN TERESINA, PIAUÍ, BRAZIL TENDENCIAS DE MORTALIDAD POR ENFERMEDADES RESPIRATORIAS Y ENFERMEDADES CARDIOVASCULARES EN TERESINA, PIAUÍ,

BRASIL Gleison Vitor Ferreira de Castro da Silva 1

Luciana Tolstenko Nogueira 2

Izael Francisco de Brito Araujo 3

Daiane Ribeiro de Souza 4

Geovanna Arnaldo de Sousa 5

Allan Dellon da Silva 6

RESUMO

Este estudo teve por objetivo analisar as tendências de mor talidade por doenças respiratór ias (DR) e doenças cardiovasculares (DCV) e comparar o compor tamento dessas tendências no per íodo entre 2009 e 2016, em Teresina-PI. Trata-se de estudo descr itivo, com análise quantitativa, que teve como base os dados do Sistema de Informação sobre Mor talidade (SIM) e do Núcleo de Informação em Ser viços de Saúde (NUINSA). O aumento proporcional de mor tes por doenças do aparelho circulatór io (DAC) foi um pouco maior que o de mor tes por DR (40,6% versus 38,6%), com destaque para o grupo de DAC para as doenças isquêmicas do coração (DIC) e as Doenças cerebrovasculares e no grupo de DR para a influenza e a pneumonia. O incremento nos óbitos por DAC e DR entre 2009 e 2016, discretamente maior entre as pr imeiras, aponta a necessidade de comprometimento local com o plano de ações nacional para o enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e, também, a fragilidade dos processos de saúde que visam à prevenção e ao cuidado.

1. Médico graduado pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI). E-mail: [email protected] ORCID: https:// orcid.org/0000-0003-4518-5136

2. Dentista. Professora na UESPI. Doutora em Ciências Odontológicas pela Faculdade São Leopoldo Mandic. E-mail: [email protected] ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2547-7545

3. Médico graduado pela UESPI. E-mail: [email protected] ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1248-2049

4. Médica graduada pela UESPI. E-mail: [email protected] ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2551-8300

4. Médica graduada pela UESPI. E-mail: [email protected] ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1841-3690

5. Aluno de Graduação em Fisioterapia na UESPI. E-mail: [email protected] ORCID: http://orcid.org/0000-0003-2137-5058

(9)

ABSTRACT

This study aimed to analyze the mor tality trends due to respirator y diseases (RDs) and cardiovascular diseases (CVDs) and to compare the behavior of these trends within the per iod from 2009 to 2016, in Teresina, Piauí, Brazil. This is a descr iptive study, with a quantitative analysis, based on data from the Mor tality Information System (Sistema de Informação sobre Mor talidade [SIM]) and the Health Ser vices Information Center (Núcleo de Informação em Ser viços de Saúde [NUINSA]). The propor tional increased number of deaths due to circulator y system diseases (CSDs) was slightly higher than that of deaths due to RDs (40.6% versus 38.6%), highlighting the group of CSDs for ischemic hear t diseases (IHDs) and cerebrovascular diseases and in the group of RDs for influenza and pneumonia. The increased number of deaths due to CSDs and RDs between 2009 and 2016, slightly higher among the f irst ones, points out the need for local commitment to the national action plan to tackle chronic non-communicable diseases (CNCDs) and also the weak health processes aimed at prevention and care.

RESUMEN

Este estudio tuvo como objetivo analizar las tendencias de mor talidad por enfermedades respirator ias (ER) y enfermedades cardiovasculares (ECV) y comparar el compor tamiento de estas tendencias dentro del per íodo entre 2009 y 2016, en Teresina, Piauí, Brasil. Este es un estudio descr iptivo, de análisis cuantitativo, que se basó en datos del Sistema de Información de Mor talidad (Sistema de Informação sobre Mor talidade [SIM]) y del Centro de Información de Ser vicios de Salud (Núcleo de Informação em Ser viços de Saúde [NUINSA]). El aumento proporcional en las muer tes por enfermedades del sistema circulator io (ESC) fue ligeramente mayor que en las muer tes por ER (40,6% versus 38,6%), con énfasis en el grupo de las ESC para las enfermedades isquémicas del corazón (EIC) y las enfermedades cerebrovasculares y en el grupo de ER para influenza y neumonía. El aumento de las muer tes por ESC y ER entre 2009 y 2016, un poco más alto entre los pr imeros, señala la necesidad de un compromiso local con el plan de acción nacional para combatir las enfermedades crónicas no transmisibles (ECNT) y, también, la fragilidad de los procesos de salud dir igidos a la prevención y a la atención.

INTRODUÇÃO

As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) levam a óbito cerca de 38 milhões de indiv íduos a cada ano, sendo responsáveis por 70% das mor tes no mundo1. No Brasil, as DCNT apresentam

pr ior idade na área de saúde, pois o aumento de sua prevalência decorre do processo de mudança relativo à transição demográf ica, epidemiológica e nutr icional, v isto que atualmente representam a pr incipal causa de mor talidade no país2. Isso reforça

o reconhecimento da impor tância da estruturação da v igilância epidemiológica das DCNT nos níveis de gestão municipal e estadual como uma impor tante ferramenta para seu enf rentamento e controle3.

A alta carga de mor talidade das DCNT pode ser ver if icada nos países de baixa e média renda, sendo os pr incipais grupos: a) doenças do aparelho circulatór io (DAC); b) doenças respiratór ias crônicas (DRC); c) neoplasias; e d) diabetes4.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a estimativa é de que anualmente 17,9 milhões de pessoas morrem dev ido às doenças

cardiovasculares (DCV), representando 44% de todas as mor tes por DCNT5. Logo, as DCV constituem a

pr incipal causa de mor te no mundo5-6.

As DAC estão entre as causas de óbito mais f requentes e as estimativas mostram que representam em torno de 31% de todos os óbitos no Brasil7.

Em 2015, dois subgrupos dessas enfermidades (doenças isquêmicas do coração [DIC] e Doenças cerebrovasculares) foram as pr incipais causas de mor te no país8, apesar de seu padrão de declínio

ver if icado nos anos de 1996 a 2007, pr incipalmente entre as Doenças cerebrovasculares (34%) e outras formas de doenças cardíacas (44%). No entanto, há situações epidemiológicas contrastantes entre as diferentes regiões do país, v isto que no Nordeste houve aumento nas taxas de mor talidade por DIC e Doenças cerebrovasculares não obser vadas nas demais9.

No Brasil, em 2017, foi estimado um número de 383.961 mor tes por DCV. Projeções da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apontam que, no f im de 2020, quase 400 mil cidadãos brasileiros morrerão por doenças do coração e da circulação10.

(10)

As doenças respiratór ias (DR) são caracter izadas como infecções que obstruem a passagem de ar tanto no nível do trato respiratór io super ior quanto no infer ior e estão entre as infecções com maior índice de morbimor talidade do mundo11, o que pode ser

comprovado pela evolução do panorama das DR no mundo, corroborando os crescentes desaf ios aos sistemas de saúde, relacionados a uma mudança de paradigma epidemiológico12.

A preocupação em conhecer a f requência da mor talidade por DR e por DCV data de muitos anos e a impor tância dos registros de mor talidade por essas causas básicas tem grande valor para a política de saúde pública regional. Assim, surgiu a necessidade de uma pesquisa usando o Sistema de Informação sobre Mor talidade (SIM), pois, ao avaliar as tendências de crescimento da mor talidade nesses dois grandes grupos de doenças, será possível descrever se realmente houve aumento de mor talidade por ambos os grupos de maneira homogênea ou se o grupo de mor talidade por DR apresentou crescimento proporcionalmente super ior ao grupo de mor talidade por DCV, ou o inverso.

Em tal contexto, este estudo teve por objetivo analisar as tendências de mor talidade por doenças respiratór ias e doenças cardiovasculares e comparar o compor tamento dessas tendências entre 2009 a 2016, em Teresina-PI.

METODOLOGIA

Trata-se de estudo descr itivo, de análise quantitativa, conduzido em Teresina, capital do Piauí, estado situado na Região Nordeste do Brasil, com população estimada em 841.600 habitantes13.

A pesquisa teve como base fundamental os dados do Sistema de Informação sobre Mor talidade (SIM), tendo por objeto os dados quantitativos sobre causa básica de mor te por DCV (CID-10 I00 a I99) e por DR (CID-10 J00 a J99). Os dados foram coletados em 2017, com autor ização, apoio e super v isão de prof issionais do Núcleo de Informação em Ser v iços de Saúde (NUINSA), v inculado à Fundação Municipal de Saúde, e referem-se aos anos de 2009 a 2016, de todos os residentes em Teresina falecidos por causa de DCV e DR. Com base nesses dados foi possível descrever o per f il de crescimento proporcional entre esses dois grandes grupos de doenças, bem como avaliar como está ocorrendo, nesse município, o processo de mudança do per f il epidemiológico de mor talidade pelas causas básicas já citadas.

A análise de tendência dos coef icientes de crescimento da mor talidade se deu por meio de modelos de regressão linear simples. A construção de diagramas de dispersão dos óbitos e anos de estudo permite mostrar se ocorreu alguma suposição de evolução linear, para que se possa usar modelos lineares.

Este estudo seguiu os cr itér ios propostos na Resolução n. 466/2012, do Conselho Nacional de Saúde (CNS), do Ministér io da Saúde (MS)14, e

obteve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual do Piauí (CEP UESPI), sob o Parecer n. 1.643.877/2016. Respeitou-se a dignidade humana e garantiu-se a dev ida proteção aos par ticipantes da pesquisa, os quais, durante a coleta de dados, comprometeram-se a manter a conf idencialidade sobre os dados coletados.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Ao comparar as taxas de mor talidade por 100 mil habitantes por DCV e DR em Teresina, entre 2009 e 2016, obser vou-se um aumento proporcionalmente maior entre as DCV: a taxa de mor talidade foi de 155/100 mil habitantes em 2009 e saltou para 218/100 mil habitantes em 2016, representando um incremento de 63 (40,6%), ao passo que a taxa de mor talidade por DR foi de 44/100 mil habitantes em 2009 para 61/100 mil habitantes, em 2016, um aumento de 17 (38,6%).

No entanto, o compor tamento dessas taxas de mor talidade, tanto por DCV quanto por DR, ao longo dos anos, não registrou crescimento linear, como exemplif icado na Figura 1, havendo anos em que as taxas decresceram em comparação ao ano anter ior. No caso das DCV, houve queda nas taxas de mor talidade em comparação ao ano anter ior nos anos de 2010 (-33 ou -21,3%), 2012 (-12 ou -6,7%), 2013 (-17 ou -10,2%) e 2015 (-2 ou -1,1%), ao passo que houve incremento nessas taxas de mor talidade nos anos de 2011 (+56 ou + 45,9%), 2014 (+28 ou +18,8%) e 2016 (+ 43 ou +24,6%). Ao obser var o

... a importância dos

registros de mortalidade

por essas causas básicas

tem grande valor para

a política de saúde

(11)

compor tamento das taxas de mor talidade por DR em comparação ao ano anter ior, nota-se aumento nos anos de 2011 (+14 ou +34,1%), 2013 (+10 ou +19,2%) e 2015 (+9 ou +14,7%) e redução nos anos de 2010 (-3 ou -6,8%), 2012 (-3 ou -5,4%) 2014 (-1 ou -1,6%) e 2016 (-9 ou -12,8%).

Figura 1 – Sér ie histór ica das taxas de mor talidade por doenças

cardiovasculares e doenças respiratór ias (100 mil habitantes) na população de Teresina (2009-2016).

Fonte: Elaborada pelos autores.

Como mostra a Figura 2, no grupo de DCV, as 6 pr incipais causas de óbito encontradas foram as DIC (CID 10 : I20 a I25), com mediana do número de óbitos de 260 entre 2009 e 2016, seguidas pelas Doenças cerebrovasculares (CID 10 : I60 a I69), com mediana de 150, doenças hiper tensivas (DH) (CID 10 : I10 a I15), com mediana de 107, outras formas de doença do coração (CID 10 : I30 a I52), com mediana de 27, doença cardíaca pulmonar e doença da circulação (CID 10 : I26 a I25), com mediana de 8, e doenças das veias, dos vasos linfáticos e dos gânglios linfáticos (CID 10 : I80 a I89), com mediana de 6. Os demais grupos de causas de óbito entre as DCV (doenças das ar tér ias, ar ter íolas e capilares, doenças reumáticas crônicas do coração, febre reumática aguda e outras) tiveram mediana de óbitos no per íodo avaliado infer ior ou igual a 5.

Figura 2 – Mediana do número de óbitos por doenças cardiovasculares na população de

Teresina (2009-2016).

(12)

Já entre as DR (Figura 3), as 6 pr incipais causas de óbito foram: a) influenza (gr ipe) e pneumonia (CID 10 : J09 a J18), com mediana de 193; b) outras infecções agudas das v ias aéreas infer iores (VAI) (CID 10 : J20 a J22), com mediana de 42; c) doenças crônicas das VAI (CID 10 : J40 a J47), com mediana de 17; d) doenças pulmonares dev ido a agentes externos (CID 10 : J60 a J70), com mediana de 17; e) outras DR que afetam o interstício (CID 10 : J80 a J84), com mediana de 7; e f ) outras (CID 10 : J95 a J99), com mediana de 7. Os outros grupos de causas de óbito entre as DR (afecções necróticas e supurativas das VAI, outras doenças da pleura, infecções agudas das v ias aéreas super iores [VAS], outras doenças das VAS e outras infecções agudas das VAS) tiveram mediana de óbitos menor ou igual a 4.

Figura 3 – Mediana do número de óbitos por doenças respiratór ias na população de

Teresina (2009-2016).

Fonte: Elaborada pelos autores.

Nas tabelas 1 e 2 constam os valores absolutos e relativos do número de óbitos por grupo de causas entre 2009 a 2016, entre as DCV e DR, respectivamente, podendo-se obser var o compor tamento desses valores ao longo dos anos, seja de forma decrescente ou crescente.

Em relação aos óbitos ocorr idos por DCV nos anos de 2009 a 2016, em Teresina, foi possível descrever que as Doenças cerebrovasculares (4.243 casos), DIC (2.580 casos) e DH (2.163 casos) foram as responsáveis pelo maior número de óbitos das DCV, conforme apresentado na Tabela 1.

(13)

Ta b el a 1 – N úm er o e p er ce n tu al d e ó b it os p or d o en ça s c ar di ov as cu la re s n a p op ul aç ão d e T er es in a ( 20 0 9 -2 01 6) . CI D -1 0 20 0 9 2 0 10 2 0 11 2 0 12 2 01 3 2 0 14 2 0 15 2 0 16 n % n % n % n % n % N % n % n % Fe bre reu m át ic a a gu da 0 0, 0 0 0, 0 0 0, 0 0 0, 0 1 0,1 0 0, 0 1 0,1 0 0, 0 D o en ças r eu m át icas cr ôn icas d o c or açã o 5 0, 4 5 0,5 6 0, 4 7 0,5 9 0,7 7 0,5 8 0,5 4 0, 2 D o en ças h ip er te n si vas 25 0 20 ,1 14 4 14 ,7 293 20, 0 249 18, 1 26 9 21, 6 291 19, 6 35 0 23 ,7 317 17, 2 D o en ças i sq u êm icas d o c or açã o 26 8 21 ,5 26 8 27, 4 37 1 25, 3 311 22,6 232 18, 6 36 6 24 ,6 357 24 ,2 4 07 22 ,1 D o en ça c ar dí ac a p ul mo n ar e do en ça d a c ir cul aç ão p ul mo n ar 22 1, 8 5 0,5 15 1, 0 18 1, 3 18 1, 4 22 1,5 12 0, 8 11 0, 6 O u tr as f or m as d e d o en ça d o c or aç ão 222 17, 8 80 8, 2 20 6 14 ,1 235 17, 1 22 3 17, 9 219 14 ,7 20 0 13, 6 17 5 9, 5 Do en ça s c ere br ov as cu la re s 41 9 33 ,7 4 45 45, 5 524 35 ,7 50 9 37, 0 4 42 35, 4 537 36 ,1 502 3 4, 0 8 65 4 6,9 D o en ça s d as a rt ér ia s, d as a rt er ío la s e d os ca p il ar es 37 3, 0 15 1,5 20 1, 4 25 1, 8 31 2,5 30 2, 0 34 2, 3 45 2, 4 D o en ça s d as v eia s, d os v as os l in fá ti co s e d os g ân gl io s li n fá ti cos 17 1, 4 10 1, 0 16 1,1 16 1, 2 18 1, 4 15 1, 0 12 0, 8 20 1,1 O u tro s 4 0, 3 5 0,5 15 1, 0 6 0, 4 4 0, 3 1 0,1 0 0, 0 1 0,1 To ta l 124 4 10 0 97 7 10 0 14 66 10 0 13 76 10 0 12 47 10 0 14 8 8 10 0 14 76 10 0 18 45 10 0 F on te : E la b or ad a p el os a u to re s. N o q u e d iz r es p ei to a os ó b it os o co rr id os p or D R n os a n os d e 2 0 0 9 a 2 01 6, e m T er es in a, i de n ti fi ca -s e q u e o s n úm er os d e v ít im as f at ai s d o v ír u s d a inf lu en za jun to co m a p n eu m on ia f or am a c au sa b ás ic a d e ó b it o d e 2 .3 0 4 p es so as , m u it o s up er io re s e m c om p ar aç ão à s eg un da c au sa d e m or te p or D R , a s d o en ça s c rô n ic as d as V A S (8 66 c as os ), e m t er ce ir o l ug ar a s d o en ça s p ul m on ar es d ev id o a a ge n te s e xt er n os ( 16 5 c as os ) e , e m q ua rt o l ug ar , o u tr as D R q u e a fe ta m o i n te rs tí ci o ( 10 7 c as os ), co m o m os tr a a T ab el a 2 .

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Ta b el a 2 – N úm er o e p er ce n tu al d e ó b it os p or d o en ça s r es p ir at ór ia s n a p op ul aç ão d e T er es in a ( 20 0 9 -2 01 6) . CI D -1 0 20 09 2 0 10 2 0 11 2 0 12 2 01 3 2 0 14 2 0 15 2 0 16 n % n % n % n % n % N % n % n % In fe cç õ es a gu da s d as v ia s a ér ea s s up er io re s 1 0, 3 0 0, 0 1 0, 2 1 0, 2 1 0, 2 1 0, 2 3 0,5 3 0, 6 In fl u en za (g ri p e) e p n eu m on ia 215 6 0,9 202 61 ,8 24 8 5 4,5 26 9 6 4,5 32 6 62, 8 31 8 61 ,6 393 66, 3 333 63, 3 O u tr as i n fe cç õ es a gu da s d as V A I 6 1,7 2 0, 6 5 1,1 2 0,5 1 0, 2 0 0, 0 1 0, 2 0 0, 0 O u tr as d o en ças d as V A S 0 0, 0 1 0, 3 0 0, 0 2 0,5 0 0, 0 1 0, 2 1 0, 2 3 0, 6 D o en ças cr ôn icas d as V A I 95 26 ,9 77 23, 5 12 2 26, 8 10 2 24 ,5 12 2 23, 5 11 3 21 ,9 12 0 20, 2 11 5 21 ,9 D o en ça s p ul mo n ar es d ev ido a ag en te s e xt er no s 8 2, 3 16 4,9 17 3,7 17 4,1 29 5, 6 32 6, 2 26 4, 4 20 3, 8 O u tr as d o en ça s r es p ir at ór ia s q u e a fe ta m o i n te rs tí ci o 7 2, 0 11 3, 4 27 5,9 6 1, 4 9 1,7 23 4,5 12 2, 0 12 2, 3 A fe cç õ es n ec ró ti ca s e s up ur at iv as d as V A I 1 0, 3 1 0, 3 4 0,9 5 1, 2 1 0, 2 5 1, 0 3 0,5 3 0, 6 O u tr as d o en ça s d a p le ur a 2 0, 6 3 0,9 3 0,7 1 0, 2 5 1, 0 4 0, 8 1 0, 2 9 1,7 O u tro s 18 5,1 14 4, 3 28 6, 2 12 2,9 25 4, 8 19 3,7 33 5, 6 28 5, 3 To ta l 35 3 10 0 32 7 10 0 45 5 10 0 45 5 10 0 51 9 10 0 51 6 10 0 593 10 0 52 6 10 0 Fo n te : E la b or ad a p el os a u to re s.

(15)

O envelhecimento da população brasileira apresentou grande impacto social, econômico e epidemiológico no país e os declínios conjuntos das taxas de mor talidade e fecundidade ao longo do tempo foram determinantes no envelhecimento populacional, com ganho de anos de v ida em todas as faixas etár ias. A melhor ia da qualidade de v ida, o aumento da escolar idade, as opções de estilo de v ida mais saudável, além da maior cober tura das ações de saúde pública e assistência médica têm contr ibuído para a maior esperança de v ida e para eliminar par te dos óbitos precoces.

A queda nas taxas de mor talidade por DCNT ver if icada no Brasil, em especial nas taxas de DCV e DR, pode ser atr ibuída, parcialmente, à grande expansão do acesso aos ser v iços de saúde, ao declínio do tabagismo, bem como à melhora nas condições socioeconômicas da população de forma geral15-16.

Em contrapar tida, a Região Nordeste, área de enorme concentração de renda, mas com ev idente desigualdade social, quando comparada às demais regiões brasileiras apresenta um contínuo crescimento da taxa de mor talidade das DCNT dev ido aos fatores de r isco serem mais prevalentes na região, conforme estudo da SBC9,17.

Esse estudo descreveu a mor talidade por DR e DCV em Teresina, no per íodo de 2009 a 2016. Entre os pr incipais resultados se destacam o aumento de 40,6% da incidência de DCV e de 38,6% em DR, corroborando as tendências apresentadas na região de or igem do local de pesquisa. Essa discrepância pode ser atr ibuída a caracter ísticas específ icas das regiões, que têm per f il epidemiológico e de acesso aos ser v iços de saúde distinto, tanto em termos de caracter ísticas geográf icas quanto da organização do ser v iço de saúde9.

A Teor ia de Omram18 af irma que a humanidade ter ia

atravessado 3 fases epidemiológicas ao longo de sua histór ia: a) a Era da Fome e das Pestilências, do início dos tempos histór icos até o f im da Idade Média; b) a Era do Declínio das Pandemias, da Renascença ao início da Revolução Industr ial; e c) a Era das Doenças Degenerativas e das Causadas pelo Homem, da Revolução Industr ial até os tempos modernos. O quar to estágio da transição epidemiológica ser ia a Era do Retardamento das Doenças Degenerativas, surgida recentemente em razão do rápido aumento das populações idosas. Todav ia, essa nova fase constitui um desaf io para os grandes sistemas de saúde e de segur idade social19.

Estudos apontam, conforme dados de oscilações

das taxas de mor talidade das DCV e DR, que as regiões Sul e Sudeste já iniciaram a quar ta era da transição epidemiológica, ao passo que o Nor te e o Nordeste ainda têm caracter ísticas marcantes dos estágios anter iores9.

A SBC aponta que na Região Nordeste foi encontrado o maior percentual (32%) de indiv íduos com pressão ar ter ial média acima de 140/90 mmHg, além do maior percentual de indiv íduos de 45 a 54 anos com colesterol elevado, maior percentual de indiv íduos com tr iglicér ides elevados e alto percentual (91%) de indiv íduos que não praticavam nenhuma ativ idade f ísica17. Estes se conf iguram

como os pr incipais fatores de r isco modif icáveis para as DIC (260 óbitos no per íodo estudado), DCV (150 óbitos no per íodo estudado) e DH (107 óbitos no per íodo estudado) que compar tilham a aterosclerose como causa pr incipal. Sendo esta um processo difuso e de progressão lenta, que pode ter seu início na infância, culminando com o aparecimento de DIC sintomáticas, geralmente na v ida adulta e, sobretudo, em idosos17-20.

Instituído em 2011, atualmente está em v igência um plano de ações nacional de enf rentamento da DCNT, preconizado pelo MS, o qual def ine e pr ior iza as ações e os investimentos necessár ios, metas e compromissos a serem assumidos pelo Brasil, a f im de preparar o país para desaf ios das DCNT e seus fatores de r isco nos próximos 10 anos. Seus objetivos levam em conta as metas globais para a redução das taxas de mor talidade por DCNT: redução de fatores de r isco, como tabaco, álcool, sal e obesidade21.

Além disso, o plano inclui aumento dos níveis de ativ idade f ísica, do consumo de f rutas e verduras e das cober turas do exame, que não constam como metas globais9.

Dados obtidos neste estudo avaliando o per íodo 2009 a 2016 em Teresina ev idenciam aumento de 38,6% da taxa de mor talidade por DR. No Brasil, como nos outros países, as DCNT constituem o problema de saúde de maior magnitude, responsáveis por 72% das causas de óbito; já a DRC corresponde a 5,8% dessa

No Brasil, como

nos outros países, as DCNT

constituem o problema de

saúde de maior

magnitude...

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mor talidade7,podendo atingir indiv íduos de todas as

esferas sociais22, embora se mostre mais intensa em

indiv íduos per tencentes a grupos vulneráveis, como os idosos e os de baixa escolar idade e renda23.

Além disso, dados deste estudo ev idenciaram uma taxa de mor talidade por influenza e pneumonia var iando de 60,9% a 63,3% como as pr incipais causas de mor talidade por DR, entre 2009 e 2016. Considera-se fundamental a imunização anual contra a gr ipe de grupos pr ior itár ios. No entanto, apesar de fundamental a imunização anual contra a gr ipe de grupos pr ior itár ios, a prevalência dessa vacinação nas populações adulta e idosa com DRC tem-se mostrado abaixo da meta estabelecida pelo MS. Ainda assim, segundo um estudo anter ior, obser vou-se maior prevalência de vacinação para os idosos no Sul em comparação aos do Nordeste e, entre as doenças pulmonares citadas, a bronquite crônica foi a mais refer ida24.

CONCLUSÃO

Este estudo permitiu concluir que houve signif icativo aumento nas taxas de mor talidade tanto por DCV quanto por DR, entre 2009 a 2016, mostrando que as políticas públicas de saúde ainda são insuf icientes para seguir o plano de ações nacional para enf rentamento das DCNT. Há, ainda, uma impor tante f ragilidade no que respeita à conscientização da população geral acerca dos fatores de r isco para o surgimento de doenças do aparelho circulatór io e DR, preparo dos prof issionais de saúde, além de acesso a ser v iços de saúde de qualidade.

Com esta pesquisa, obser vou-se a grande impor tância do sistema de informação em saúde, especialmente o SIM, para o fornecimento de dados os mais acurados possíveis para o planejamento e a gestão de políticas públicas voltadas à melhor ia da efetiv idade no tratamento e no controle das DR e do aparelho circulatór io.

Sugere-se a realização de futuros estudos como este para traçar o per f il e o padrão de crescimento ou decrescimento das doenças descr itas, pois se espera que, com a melhor ia das políticas públicas no manejo, no controle e no tratamento dessas doenças, seja possível diminuir seu padrão de crescimento em Teresina e em outras localidades do Brasil.

Este estudo teve como limitações possíveis subnotif icações de mor tes tanto por doenças do aparelho circulatór io quanto por DR, pois o

desenho do estudo proposto consistiu em analisar as tendências de crescimento dessas 2 categor ias de doenças nos dados do SIM do Município de Teresina. Contudo, caso tenha hav ido mor tes por essas 2 categor ias de doenças não notif icadas no SIM, elas não puderam ser inser idas neste estudo, dev ido ao desenho de pesquisa adotado.

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES

Gleison Vitor Ferreira de Castro da Silva, Izael Francisco de Br ito Araujo, Daiane Ribeiro de Souza

e Geovanna Arnaldo de Sousa contr ibuíram com a

realização da pesquisa, o delineamento do estudo e a redação do manuscr ito. Luciana Tolstenko Nogueira

contr ibuiu com o delineamento do estudo e a redação e rev isão cr ítica do manuscr ito. Allan Dellon da Silva contr ibuiu com a redação do manuscr ito.

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...houve

significativo

aumento nas taxas

de mortalidade

tanto por DCV

quanto por DR...

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(19)

A

rtigo

o

riginAl

Palavras-chave:

Leishmaniose Visceral; Psychodidae; Inquér itos Epidemiológicos; Sistema de Informação de Agravos de Notif icação.

Keywords:

Leishmaniasis, Visceral; Psychodidae; Health Sur veys; Brazilian Information System for Notif iable Diseases.

Palabras clave:

Leishmaniasis Visceral; Psychodidae; Encuestas Epidemiológicas; Sistema Brasileño de Información de Enfermedades de Notif icación.

Submetido : 15/04/2019 Aprovado : 06/05/2020 Autor(a) para Correspondência :

Moisés Bruno Mar inho Rocha Vila Teixeira II, 420 Novo Hor izonte – Itapipoca (CE) CEP: 62502-564

E-mail: moises_ marinho123@

hotmail.com

INVESTIGAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DA LEISHMANIOSE VISCERAL NO

MUNICÍPIO DE SOBRAL, CEARÁ DE 2014 A 2018

EPIDEMIOLOGICAL SURVEY OF VISCERAL LEISHMANIASIS IN THE MUNICIPALITY OF SOBRAL, CEARÁ FROM 2014 TO 2018 INVESTIGACIÓN EPIDEMIOLÓGICA DE LA LEISHMANIASIS VISCERAL EN EL MUNICIPIO DE SOBRAL, CEARÁ DE 2014 A 2018

Moisés Bruno Marinho Rocha 1

RESUMO

A leishmaniose visceral (LV) é uma doença causada por protozoár io da família Psychodidae, gênero Leishmania, transmitida por flebotomíneos, conhecidos popularmente como mosquitos-palha. O Brasil é um país de área endêmica, registrando ocorrência de casos em todas as regiões nacionais, razão pela qual se mostra necessár io um estudo ativo de casos notif icados e conf irmados dessa parasitose. O objetivo deste estudo foi fazer um levantamento epidemiológico na base de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notif icação (SINAN) sobre o número de casos notif icados de LV no quinquênio de 2014 a 2018 em Sobral-CE. As var iáveis analisadas foram a incidência dos casos de LV em Sobral e, em nível estadual, a zona de residência, a faixa etár ia, a escolar idade e a evolução da doença. De acordo com os dados obtidos e tabulados em gráf icos e tabelas, identif icou-se um padrão de indivíduo que pode icou-ser acometido pela doença, além de dados que reforçam o fato da LV ser considerada caso novo, de recidiva ou de transferência. Depois da revisão dos dados, constatou-se que as medidas preventivas são efetivas, mas o Município de Sobral ainda é def inido como área endêmica, por ter um dos maiores números de casos do Estado do Ceará.

1. Biomédico graduado pelo Centro Universitário Inta (UNINTA). Analista Clínico. E-mail: moises_marinho123@ hotmail.com ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7535-3124

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ABSTRACT

Visceral leishmaniasis (VL) is a disease caused by a protozoan of the Psychodidae family, genus Leishmania, transmitted by Phlebotominae, popularly known as sandflies. Brazil is a countr y with an endemic area, which registers cases in all national regions, that is why an active study of notif ied and conf irmed cases of this parasitosis becomes necessar y. This study aimed to carr y out an epidemiological sur vey on the database of the Brazilian Information System for Notif iable Diseases [Sistema de Informação de Agravos de Notif icação (SINAN)] concerning the number of notif ied cases of VL within the f ive-year per iod from 2014 to 2018 in Sobral, Ceará, Brazil. The var iables analyzed were the incidence of cases of VL in Sobral, and at the state level, the area of residence, the age group, the educational level, and the evolution of disease. According to the data obtained and tabulated in graphs and tables, we managed to identif y an individual pattern that can be affected by the disease, in addition to data that reinforce the fact that VL is considered as a new case, a relapse, or a transfer of disease. Af ter reviewing data, we managed to f ind out that preventive measures are effective, but the Municipality of Sobral is still def ined as an endemic area, because it has one of the highest numbers of cases in the State of Ceará.

RESUMEN

La leishmaniasis visceral (LV) es una enfermedad causada por un protozoo de la familia Psychodidae, género Leishmania, transmitida por flebotominos, conocidos popularmente como jejenes. Brasil es un país con un área endémico, con registro de ocurrencia de casos en todas las regiones nacionales, por lo que es necesar io un estudio activo de casos notif icados y conf irmados de esta parasitosis. Este estudio tuvo como objetivo hacer una encuesta epidemiológica en la base de datos del Sistema Brasileño de Información de Enfermedades de Notif icación [Sistema de Informação de Agravos de Notif icação (SINAN)] acerca del número de casos notif icados de LV en el quinquenio de 2014 a 2018 en Sobral, Ceará, Brazil. Las var iables analizadas fueron la incidencia de casos de LV en Sobral y, a nivel del estado, el área de residencia, la franja etar ia, el nivel de educación y la evolución de la enfermedad. Según los datos obtenidos y tabulados en gráf icos y tablas, se identif icó un patrón individual que puede ser afectado por la enfermedad, además de datos que refuerzan el hecho de que la LV se considera un caso nuevo, de recaída o de transferencia. Después de la revisión de datos, se constató que las medidas preventivas son efectivas, pero el Municipio de Sobral todavía se def ine como un área endémico, por tener uno de los mayores números de casos en el Estado de Ceará.

INTRODUÇÃO

A leishmaniose v isceral (LV), ou calazar (kala-azar), é uma doença sistêmica grave que atinge as células do sistema mononuclear fagocitár io do homem e dos animais, em especial o baço, o f ígado, os linfonodos, a medula óssea e a pele. A pr incipal forma de transmissão da parasitose para o homem e outros hospedeiros mamíferos é a picada de fêmeas de dípteros da família Psychodidae, subfamília Phebotominae, conhecidos gener icamente como f lebotomíneos1.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a LV é def inida como enfermidade em grande expansão e constante ocorrência de casos novos, além de óbitos recorrentes anualmente. Estima-se que ocorram de 700 mil a 1 milhão de novos casos e de 20 mil a 30 mil mor tes por ano, embora apenas uma pequena parcela dos infectados por parasitas de Leishmania desenvolva a doença2.

A transmissão da LV ocorre pela picada dos vetores infectados pela Leishmania (L.) chagasi, não ocorrendo transmissão de pessoa a pessoa. No homem, o per íodo de incubação é de 10 dias a 24 meses, com média entre 2 e 6 meses. Conforme a diferença de suscetibilidade e imunidade, cr ianças e idosos são mais suscetíveis por seu sistema imune ser mais f rágil e propício à infecção3.

A sintomatologia inespecíf ica da LV dif iculta seu diagnóstico, sendo a educação em saúde uma estratégia capaz de minimizar tais desfechos, pois ela pode fornecer impor tantes conceitos sobre o ciclo e a sintomatologia dessa zoonose, bem como sobre os hábitos e as atitudes de prevenção que podem ser adotados pela população local. Tal processo de educação em saúde deve ser contínuo, v iabilizando o estabelecimento de v ínculos de compromisso e responsabilidade entre a população e os prof issionais que atuam no sistema de saúde4.

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desenvolva a doença, obser va-se que os exames que avaliam a imunidade celular ou humoral permanecem reativos por longo per íodo. Isso requer a presença de antígenos, podendo-se concluir que a Leishmania ou alguns de seus antígenos estão presentes no organismo infectado por longo tempo, depois da infecção inicial. Quando não tratada, pode evoluir para o óbito em mais de 90% dos casos, razão pela qual essa doença ainda constitui um grande desaf io à saúde pública, dada sua f requência e morbimor talidade3.

Além disso, a LV é a forma clínica mais associada ao v írus da imunodef iciência humana [human immunodef iciency v irus (HIV)] – duas potenciais endemias brasileiras. Estudos relacionados à coinfecção LV-HIV se mostram impor tantes por retratar o per f il epidemiológico da doença e contr ibuir com estratégias para a saúde das populações, enfatizando, ao mesmo tempo, o cuidado com a saúde indiv idual, voltado pr incipalmente ao diagnóstico precoce em casos de febre persistente5-13.

Os sintomas aparentes são os mesmos em pacientes expostos à área de transmissão em qualquer per íodo. Considera-se área de transmissão, para avaliação da exposição de r isco, qualquer município do país que tenha notif icado pelo menos 1 caso de LV no per íodo em que o paciente esteve exposto. A letalidade da LV é mais alta em grupos de indiv íduos específ icos, dentre eles os coinfectados LV-HIV, grupo que vem aumentando ao longo dos anos14.

Segundo o manual de recomendações para diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes com a coinfecção Leishmania-HIV, em pacientes com LV e HIV se obser va maior f requência de envolv imento de órgãos não per tencentes ao sistema fagocítico-mononuclear e maior f requência de recidivas. Há, no entanto, casos de coinfectados cuja LV evolui sem nenhum impacto aparente da infecção pelo HIV. A grav idade das manifestações clínicas, a resposta ao tratamento, a evolução e o prognóstico estão diretamente associados à condição imunológica do paciente15.

Dados do Boletim Epidemiológico: leishmaniose visceral16 mostram que a LV apresenta uma distr ibuição

terr itor ial dos casos autóctones em 25% dos 5.570 municípios brasileiros e ela está presente em 21 das 27 unidades federativas (77,8%), atingindo as 5 regiões brasileiras. Em 2012, a Região Nordeste foi responsável por 43,1% dos casos. Em 2017, os estados de Minas Gerais (750 casos), Maranhão (714), Pará (512) e Ceará (323) registraram os maiores números

de casos conf irmados de LV no país. No Ceará, a LV é descr ita desde a década de 1930, porém, desde 1986 ela passou a ser notif icada de forma contínua. De janeiro de 2007 a outubro de 2019 foram conf irmados 6.946 casos (média de 534 casos/ano) e 414 óbitos. Os coef icientes de incidência foram descr itos de forma cíclica, sendo os maiores valores obser vados nos anos de 2007 (8,81 casos por 100 mil habitantes) e 2011 (7,98 casos por 100 mil habitantes)16.

O recorrente número de casos de LV em Sobral-CE justif ica a impor tância do estudo dessa doença. Por isso, este estudo teve por objetivo fazer um levantamento epidemiológico na base de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notif icação (SINAN) sobre o número de casos de LV notif icados no quinquênio de 2014 a 2018 em Sobral.

METODOLOGIA

Este estudo é classif icado como retrospectivo, com abordagem quantitativa, do tipo transversal, e foi realizado com dados disponíveis no SINAN (casos de LV registrados em Sobral no quinquênio de 2014 a 2018).

Segundo o Instituto Brasileiro de Geograf ia e Estatística (IBGE), Sobral é uma cidade do noroeste do Ceará, com área de 2.122,989 km2, e sua população

foi estimada em 206.644 habitantes em 2018. O cr itér io de inclusão neste estudo foi: Caso de LV notif icado no Município de Sobral entre 2014 e 2018. Já os cr itér ios de exclusão foram: Presença de caracter ísticas que pudessem inter fer ir na interpretação dos resultados; ou dados considerados incompletos para os propósitos deste estudo.

Os r iscos foram considerados mínimos, por não se tratar de estudo inter vencionista que possibilitasse modif icações f isiológicas ou patológicas. Um exemplo de r isco possível ser ia um erro de tabulação dos dados notif icados. O equívoco na seleção dos dados a tabular pode ser ev itado ao não se fazer associações com muitas var iáveis. Assim, optou-se por elencar as var iáveis separadamente e

trabalhá-...essa doença ainda

constitui um grande

desafio à saúde

pública, dada sua

frequência e

morbimortalidade.

(22)

las em planilha eletrônica, para poster iormente uni-las e fazer as tabulações possíveis. Como benef ício se pode citar o possível uso deste estudo para futuras ações de combate a essa grave patologia, além de constituir fonte de pesquisa para os prof issionais da saúde que atuam na região.

Os dados foram coletados, tabulados e analisados usando os pacotes computacionais do sof tware Microsof t Off ice Excel, versão 2007, e os resultados foram organizados em tabelas e gráf icos que apresentam médias e percentuais para melhor delineamento dos casos notif icados.

Em relação aos aspectos éticos, este estudo não necessitou de avaliação por par te de um comitê de ética em pesquisa, em conformidade com a Resolução n. 466/2012, do Conselho Nacional de Saúde (CNS), do Ministér io da Saúde (MS), por se tratar de dados secundár ios e de livre acesso.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os dados foram coletados com base nas informações do SINAN, totalizando 342 casos de LV em Sobral no quinquênio de 2014 a 2018. Nesse inter valo temporal, ver if icou-se que o número de casos da doença vem decrescendo no município, tendo-se registrado seu ápice em 2014 (99 casos), contra 78 casos em 2015, 62 em 2016, 61 em 2017 e 42 em 2018 (Figura 1). A comparação com outro estudo realizado em Sobral revelou que em 2014 foi registrado o maior número de casos notif icados da doença na evolução histór ica do município, corroborando os dados deste estudo9.

No Ceará, o panorama é def inido assim: 578 casos em 2014, 506 em 2015, 353 em 2016, 406 em 2017 e 343 em 2018. A relevante incidência da doença nesse município em comparação com o estado é acompanhada por ano. Em relação aos dados desta pesquisa, percebe-se um constante percentual de casos em Sobral no total do estado: Em 2014, os 99 casos conf irmados desse município representaram 17,1% dos casos do Ceará; em 2015, seus 78 casos representaram 15,4% do estado; em 2016, os 62 casos representaram 17,6% do estado; em 2017, os 61 casos representaram 15,8% do estado; e em 2018, os 42 casos representaram 12,2% do estado.

Figura 1. Incidência dos casos de Leishmaniose Visceral em Sobral e

no Ceará (2014-2018). Fonte: Elaborado pelo autor.

Um estudo relatou que, de 2008 a 2012, a incidência de casos em um município da Bahia registrou um crescimento relevante de 2008 a 2010 e manteve-se constante de 2010 a 201210. E outro estudo mostrou que a

incidência da LV em Sobral sof reu um decréscimo relevante de 2014 a 201611. Tal situação pode estar associada

às campanhas de educação em saúde, que procuraram reduzir a doença mediante cuidados preventivos e obtiveram resultados considerados satisfatór ios.

Quanto à zona de residência no per íodo do estudo, foram analisadas 3 var iáveis: a) Urbana [1589 (46,2%)]; b) Rural [177 (51,7%)]; e c) Ignorado/em branco [7 (2%)](Tabela 1).

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Tabela 1. Casos conf irmados e notif icados de Leishmaniose Visceral em Sobral, conforme a zona de residência

(2014-2018).

Zona de residência 2014 2015 2016 2017 2018 Total

Urbana 46 34 33 27 18 158

Rural 53 42 28 32 22 177

Ignorado/em branco - 2 1 2 2 7

Fonte : Elaborada pelo autor.

Ev idenciou-se na literatura que em Teresina-PI, no per íodo de 2007 a 2015, a maior ia dos casos notif icados ocorreu na zona urbana e per iurbana, com 2.214 (74%) casos urbanos e 780 (26%) casos rurais12.

Um estudo anter ior já mencionara que em Sobral, no per íodo de 2007 a 2017, a zona urbana apresentou o maior número de casos da doença (58,8%), contra 38,2% da zona rural9.

O constante percentual de casos na zona urbana pode ser explicado por baixa condição socioeconômica, constante busca de novas condições de v ida por par te da população rural na zona urbana e precar iedade do saneamento básico nos centros urbanos. Quanto ao percentual de casos na zona rural, que aumentou com o passar dos anos, ele pode ser entendido pelo baixo nível de instrução da população sobre medidas preventivas e por ela continuar a lidar com condições precár ias.

Na var iável escolar idade, no per íodo em estudo, Sobral mostrou que a maior incidência de casos é representada por indiv íduos com baixo nível de educação formal, seguida por pessoas que ignoraram a pesquisa ou deixaram-na em branco e, logo depois, por aquelas que relatam ter da 5ª à 8ª sér ie incompleta do Ensino Fundamental (Tabela 2).

Tabela 2. Casos conf irmados e notif icados de Leishmaniose Visceral em Sobral, conforme a var iável escolar idade

(2014-2018).

Escolar idade 2014 2015 2016 2017 2018

Analfabeto 2 - - 3 1

1ª- 4ª sér ie incompleta do Ensino Fundamental 5 - - 7 1

4º sér ie completa do Ensino Fundamental 7 3 1 -

-5º-8º sér ie incompleta do Ensino Fundamental 13 8 7 7 4

Ensino Fundamental completo 2 - 1 1 2

Ensino Médio incompleto 1 1 2 2 2

Ensino Médio completo - 1 1 - 1

Não se aplica 51 43 25 30 18

Ignorado/em branco 18 22 25 11 13

Fonte: Elaborada pelo autor.

Um estudo mostrou que os indiv íduos acometidos pela patologia eram aqueles com baixo nível de instrução sobre as medidas de prevenção da LV, indicando que a var iável escolar idade é um fator pr imordial no controle da doença8. Os dados obtidos neste estudo revelam que a maior ia dos por tadores da parasitose não tem

conhecimento prév io acerca da doença e de como adotar medidas preventivas.

Na var iável faixa etár ia, o maior número de casos notif icados se encontra entre indiv íduos com 1 a 4 anos de idade, seguido por aqueles entre 20 e 39 anos (Tabela 3).

Tabela 3. Casos conf irmados e notif icados de Leishmaniose Visceral em Sobral, segundo a faixa etár ia

(2014-2018).

Faixa etár ia (anos) 2014 2015 2016 2017 2018 Total

< 1 12 12 6 7 6 43

1-4 31 28 16 21 10 106

5-9 11 6 7 5 4 33

(24)

15-19 5 4 4 5 1 19 20-39 17 15 14 9 10 65 40-59 13 7 5 9 5 39 60-64 - 1 - - 1 2 65-69 4 2 2 1 1 10 70-79 1 - 3 1 2 7 ≥ 80 1 - - - - 1

Fonte: Elaborada pelo autor.

Dois estudos mostraram que a faixa etár ia recorrente da patologia era a das cr ianças com menos de 10 anos9,10 – os dados do pr imeiro estudo indicaram 48,1% dos casos9 e os do segundo apontaram 40,3% dos

casos10. E um terceiro estudo destacou que a maior ia dos casos conf irmados correspondia a cr ianças com 1 a

4 anos de idade13.

Os dados apresentados podem ser explicados pelo fato de as cr ianças menores de 10 anos terem baixa imunidade e, possivelmente, um quadro de desnutr ição em comparação às outras faixas etár ias representadas no estudo, além de terem maior contato direto com os reser vatór ios da parasitose.

Em relação à coinfecção da LV com o HIV, o município, no per íodo em estudo, apresentou 7 casos conf irmados da doença e 262 casos sem coinfecção (Figura 2).

Figura 2. Casos conf irmados e notif icados de Leishmaniose Visceral em

Sobral, relacionados à coinfecção com o HIV (2014-2018). Fonte: Elaborado pelo autor.

A coinfecção com o v írus HIV se tornou um fenômeno global de grande magnitude e extensão, sendo de elevada signif icância em termos de saúde pública, por ser caracter izada pela disseminação em centros urbanos, locais com ausência de saneamento básico e em indiv íduos de menor status socioeconômico, o que também contr ibui signif icativamente para a rápida progressão clínica de ambas as doenças. A presença da coinfecção acomete grande par te do terr itór io brasileiro, com alta taxa de concentração na Região Nordeste. Isso pode ter relação com a ação opor tunista do HIV, causando a queda da imunidade e o aparecimento e a instalação de novas doenças17.

Já em relação à var iável evolução dos casos, temos evolução para a cura, para o abandono e para o óbito por LV e ignorado/em branco. Segundo os dados do estudo, a evolução para a cura apresentou 171 casos, para o abandono, 2 casos, e para o óbito por LV, 23 casos; já ignorado/em branco totalizou 56 casos da parasitose (Figura 3). Um estudo relatou que a evolução para a cura teve maior f requência em seu per íodo de estudo, com 90,4% dos casos conf irmados, seguida pela evolução para o óbito por LV (8,2% dos casos)10. E outro estudo

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Figura 1 – Sér ie histór ica das taxas de mor talidade por doenças  cardiovasculares e doenças respiratór ias (100 mil habitantes) na  população de Teresina (2009-2016).
Figura  3 – Mediana do número de óbitos por doenças respiratór ias na população de  Teresina (2009-2016).
Tabela 1 – Número e percentual de óbitos por doenças cardiovasculares na população de Teresina (2009-2016)
Tabela 2 – Número e percentual de óbitos por doenças respiratórias na população de Teresina (2009-2016)
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