Rev Assoc Med Bras 2005; 51(3): 121-32
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Em ge staçõ e s de alto risco , a avaliação e le trô nica da fre qüê ncia cardíaca fe tal (FC F) é largam e nte utilizada co m o te ste de rastre am e nto do be m -e star fe tal, de sde o s prim ó rdio s da dé cada de 1980. N e ssas ge staçõ e s, o s re sulta-do s adve rso s no nascim e nto advê m , e m grande parte , e m razão da insuficiê ncia place ntária, um a ano rm alidade fre qüe n-te e m algum as inn-te rco rrê ncias ge stacio nais e do e nças m an-te r-nas crô nicas. C o m o a cardio to co grafia apre se nta altas taxas de re sultado s falso -po sitivo s aliado s à sua baixa se nsibilidade , o utro s m é to do s de ve m se r asso ciado s, quando dispo níve is, para o scre e ning da falê ncia place ntária. N e sse se ntido , a do pple rve lo cim e tria apre se nta-se , no s dias atuais, co m o a m e lho r fe rram e nta, particularm e nte apó s o aprim o ram e nto do s apare lho s ultra-so no gráfico s (D o pple r triple x) dispo níve is no m e rcado1.
A avaliação he m o dinâm ica da circulação place ntária, e m am bo s o s co m partim e nto s - m ate rno re pre se ntado pe las arté rias ute rinas (dire ita e e sque rda) e fe tal re pre se ntado pe las arté rias um bilicais co nstitui, indubitave lm e nte , e xam e re le -vante no s cuidado s pré -natais na m o de rnidade1 ,2. Im pre
scin-díve l assinalar que as indicaçõ e s de ve m se r pre cisas e dirigidas às ge stante s co m do e nças o u ante ce de nte s que as inclue m e m grupo de alto risco para insuficiê ncia place ntária co m o : sín-dro m e s hipe rte nsivas, re strição do cre scim e nto fe tal (RC F), natim o rto s ante rio re s, abo rtam e nto s tardio s, co lage no se s, diabe te s co m vasculo patias, cardio patias grave s, pne um o -patias re stritivas, síndro m e antifo sfo lípide s, tro m bo filias. D ian-te de re sultado s alian-te rado s, tanto nas arté rias uian-te rinas (de 18 a 26 se m anas de ge stação ) quanto nas um bilicais (a partir de 24 se m anas de ge stação ), cuidado s pré -natais m ais dife re nciado s
de ve m se r ado tado s e m função do s risco s adicio nais para a o co rrê ncia de RC F e so frim e nto fe tal.
Po r o utro lado , a he m o dinâm ica fe tal, que se alte ra e m de co rrê ncia da hipo xe m ia fe tal, de ve se r avaliada co m bastante parcim ô nia, e spe cialm e nte quando se inso na a arté ria ce re bral m é dia. Sabe -se que no co m partim e nto arte rial o co rre m alte ra-çõ e s m uito pre co ce s no pro ce sso de ce ntralização fe tal e isso ge ra iatro ge nias (no Brasil), po rque diante de sse s re sultado s m uito s o bste tras incauto s e m al info rm ado s pre fe re m a inte r-ve nção o bsté trica m e sm o na pre m aturidade . Fundam e ntal frisar que e ssas alte raçõ e s o co rre m , e m m é dia, duas se m anas ante s das alte raçõ e s bio físicas do fe to (cardio to co grafia, m o vi-m e nto s re spirató rio s, vi-m o vivi-m e nto s co rpó re o s e tô nus). Po r isso , a ce ntralização fe tal diagno sticada no co m partim e nto arte -rial não de ve se r co nside rada para a indicação do té rm ino da gravide z1,3. Entre tanto , e m ge staçõ e s abaixo de 32 se m anas (o u
34 se m anas para alguns pe squisado re s) co m insuficiê ncia place ntária grave , a do pple rve lo cim e tria do co m partim e nto ve no so fe tal (ducto ve no so ) co nstitui o m e lho r e xam e para o pre paro do nascim e nto (co rtico te rapia) e re so lução o bsté tri-ca3,4. Em ge staçõ e s apó s e sse pe río do , as alte raçõ e s das
ativi-dade s bio físicas, principalm e nte da FC F, aliada à do vo lum e do líquido am nió tico , são o s m e lho re s indicado re s para o té rm ino de um a ge stação3.
SEI ZO MI YADAH I RA RO SSAN A PULCI N ELI V. FRAN CI SCO MARCELO ZUGAI B
Re fe rê ncias
1. Miyadahira S. Avaliação da função place ntária po r m e io da do pple r-ve lo cim e tria das arté rias um bilicais: re lação co m o s re sultado s do s e xam e s de avaliação da vitalidade fe tal e co m o s pó s-natais [te se livre -do cê ncia]. São Paulo : Faculdade de Me dicina, Unive rsidade de São Paulo ; 2002.
2. Arduini D , Rizzo G. N o rmal value s o f pulsatility inde x fro m fe tal ve sse ls: a cro ss-se ctio nal study o n 1556 he althy fe tuss-se s. J Pe rinato l Me d 1990;18:165-72. 3. Miyadahira S. Avaliação da vitalidade fe tal. In: Z ugaib M, Miyadahira S, N o m ura R, Francisco RPV, e dito re s. Vitalidade fe tal: pro pe dê utica e avaliação . São Paulo : Athe ne u; 2001.
4. Francisco RPV, N o m ura RM, Miyadahira S, Z ugaib M. D iásto le ze ro o u Re ve rsa na do pple rve lo cim e tria das arté rias um bilicais. Re v Asso c Me d Bras 2001;47:30-6.