Resumo
xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
o
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
artigo tem como objeto de estudo a relação teoria e prática na aprendiza-161
gem no âmbito do Proeja, no Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia do Pará (IFPA). A discussão teórica versará sobre os apartes
jurí-dico-normativos e os fundamentos teóricos da Educação de Jovens e
Adul-tos, dialogando com a teoria da dialogicidade de Paulo Freire, pressuposto
epistemológico deste estudo. Quanto aos fundamentos metodológicos da
investigação de campo serão problematizados a partir do diálogo entre
teo-ria e prática, seus desafios, contradições e possibilidades de 'aprendizagens'
significativas no universo dos sujeitos do Proeja, em 'espaços' e 'tempos'
diferenciados. Por último, serão apresentados os achados da pesquisa de
campo, e as aproximações possíveis para uma educação libertadora, por
exemplo; aonde o professor faça a mediação de atividades e saberes, e os
alunos e alunas criem os 'processos' com autonomia à apropriação ou não
de novos saberes e domínios científico-tecnológicos (conhecimentos),
vi-sando à emancipação sociopolítica.
Palavras-Chaves: PROEJA; DIÁLOGO; APRENDIZAGENS.
DCBA
o
DIÁLOGO ENTRE TEORIA E PRÁTICA NO PROEJA, NO INSTITUTO
FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOlOGIA DO PARÁ
DIALOGUE CONCERNING TO THEORY AND PRACTICE IN PROEJA
IN THE FEDERAL INSTITUTE DF EDUCATlON,
SClENCE AND TECHNOLOGY DF PARÁ
QPONMLKJIHGFEDCBA
H a r o ld o d e V a s c o n c e lo s B e n t e s ( lF P A )
Doutorando em Educação (UFC). Professor de Filosofia no Instituto Federal
de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA). [email protected]
162
The article has as object of study the relationship between theory and practice in learning in the circuit of PROEjA, in the Federal Institute of Education, Science and Technology of Pará (IFPA). The theoretical discussion will focus
on the contributions legal-normative and theoretical foundations of Young
and Adults Education, dialoguing with Paulo Frere's Theory of Dialogue,
epistemological purpose of this study. As to the methodological foundations
of the field investigation, they will be worked from the dialogue between
theory and practice, its challenges, contradictions and possibilities of learning significant in the universe of the subjects of PROEjA in differentiated 'space'
and 'time'. Finally it will be presented the findings ofthe field research, and
possible approaches to a liberating education, as for example, where the
teacher does the mediation of
PONMLKJIHGFEDCBA
a c t i v i t i e s and knowledge and the studentscreate the processes with autonomy to get or not new knowledge and
dominion in scientific-technological knowledge, aiming a social political
emancipation.
Key-Words: PROEjA, dialogue, learning.
DCBA
A b s t r a c t
xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
oPONMLKJIHGFEDCBA
d ió /o g o e n tr e te o r ia ep r ó tic a noP r o e ja , no Institutod e Educação.D ê eDCBA
T e a a ~ • • : . 5gfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
1.
Introdução
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
No contexto da Educação brasileira, o Decreto 5840/2006, que
instituiu o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional
com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos
- PROEJA, é um marco no diálogo sociopolítico do Estado com a
socie-dade brasileira, aonde aquele se propõe a dar respostas às demandas
ex-cluídas historicamente da escola formal.
Nesse cenário desafiador, o Proeja' reclama pelo reconhecimento
de milhões de brasileiros, marginalizados historicamente pelas condições
do saber institucionalizado (escola), e das contradições de um sistema de
produção excludente, que apenas pelos critérios do mercado de
traba-lho, seleciona e pune milhões de cidadãos brasileiros, negando-Ihes as
condições dignas de vida, trabalho e cidadania.
Diante dessa contradição, é preciso construir o enfrentamento
sociopolítico, ou seja, problematizar o processo de exclusão de forma
concreta, a partir da noção de "espaço de referência" que provoca a
"re-jeição" do outro, pelo viés da ideologia dominante, diferenciando, estere-
163
otipando, rotulando, inferiorizando. Freire (1992, p. 5) reforça a
necessi-dade do enfrentamento, quando plasma no exercício da esperança a
di-mensão ética do desafio: "l ... ] a esperança precisa da prática para
tornar-se concretude histórica. É por isso que não há esperança na pura espera,
nem tampouco se alcança o que se espera na espera pura, que vira,
as-sim, espera vã".
Por outro lado, é fundamental contextualizar os "espaços e tempos"
aonde o fenômeno da exclusão se dá e, principalmente nos "espaços"
escolares (SAWAIA, 2007). A partir disso, é possível inferir que o processo
de discriminação no Brasil é econômico, cultural e político, além de
étni-co, segundo Aldaíza Sposati (1996).
Dessas dimensões, no que tange aos sujeitos do Proeja no IFPA,
frente às nuances do processo de exclusão social e escolar, estes sofrem a
ação dos mecanismos seletivos escolares como a relação
professor-alu-no, os instrumentos de avaliação e a própria avaliação em si, e em
senti-do abrangente, pelo desempenho escolar, via conteúdos ministrados, além
dos planejamentos que buscam nos currículos oficiais sua fonte de
inspi-ração, sem levar em conta o currículo real da sala de aula, que muitas
vezes fica diluído nas práticas do currículo oculto (APPLE, 2006), entre
outros .
Haralda de Vasconcelas Bentes
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Considerando, então, a proposta central de investigação deste
arti-go, o diálogo entre teoria e prática no Proeja no IFPA, está formulado e
delimitado o problema de pesquisa: Quais os princípios,
comportamen-tos, habilidades e competências sócio-Iaborais que permeiam a prática
pedagógica no Proeja?
A pesquisa pretende responder a essa indagação no Instituto
Fede-ral de Educação do Pará, no período de maio/junho 2010, a partir das
respostas oferecidas por alguns alunos e professores que atuam nos
cur-sos do Proeja noturno.
As entrevistas foram realizadas com 35 alunos e 08 professores,
pelos alunos do curso de Pedagogia licenciatura no IFPA, 3º semestre,
como atividade de campo da disciplina? Seminário Temático: gestão da
educação e políticas educacionais, ministrada pelo professor MSc. Haroldo
Bentes, com o seguinte o objetivo: oportunizar ao (a) aluno (a) conhecer
o "estado da arte" da Educação de Jovens e Adultos, no âmbito macro e
local, buscando compreender a estrutura e funcionamento do sistema
educacional, no setor público e privado.
gfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
164
2.
Os aportes jurídico-normativos
no contexto da Educação de Jovens e
Adultos
Com o objetivo de superar a fragmentação entre formação geral e
específica na educação dos trabalhadores, ou seja, superar o tratamento
dicotômico entre conhecimentos de formação geral (cidadã) e formação
profissional (tecno-ciennfica), as ações normativas do Estado estão
pre-sentes na vida social, no universo da escola e da formação, a partir de
vários instrumentos jurídicos.
Nesse contexto, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
(LDB), Lei 9394/96 nos Art. 35, inciso IV - preceitua lia compreensão dos
fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos,
relacio-nando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina", e assim
rati-fica o pressuposto legal à EJA, conforme está previsto na citada legislação
no Art. 37, § 30 "A educação de jovens e adultos deverá articular-se,
preferencialmente, com a educação profissional".
Ainda no campo dos fundamentos legais, porém com ênfase no
desenho curricular, visando à formação dos sujeitos da EJA e suas
especificidades identitárias, valorativas e de percurso formativo (histórias
o
xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
diálogo entre teoria e prático no Proeja, na Instituto deE dO O lIÇ éC ,llil;D III~DCBA
l a t : d ! ; l Jde vidas e procedências histórico-sociais) a RESOLUÇÃCY C E CEB
1,DE 5 DE JULHO DE 2000, no inciso 11,destaca: "Quanto à diferença, a
identificação e o reconhecimento da alteridade própria e insepará el dos
jovens e dos adultos em seu processo formativo [... )".
Nesse sentido, o compromisso não pode estar vinculado apenas às
dimensões pedagógicas, mas, estas devem estar interligadas com as
ques-tões macro-políticas, forjadas na estrutura estatal, nas trincheiras
polarizantes dos segmentos sociais em geral, no espectro da sociedade
civil, e na participação ético-comunitária dos sujeitos sociais.
No núcleo duro dessas tensões, o Decreto 5.154/20044 é
emblemático, ao sinalizar com possibilidades de avanços e alternativas
de superação do paradigma da fragmentação entre conhecimentos gerais
e específicos (profissionalizantes).
No caso específico do Proeja, o DECRETOs 5840/2006 e o
DOCU-MENTO BASE6 2006, seus principais instrumentos orientadores sobre
questões pol ítico-pedagógicas, destacam respectivamente:
Art. 1Q , §4Q OS cursos e programas do PROEJA deverão ser
ofereci-dos, em qualquer caso, a partir da construção prévia de projeto
pedagógico integrado único, inclusive quando envolver
articula-ções interinstitucionais ou intergovernamentais (DECRETO 5840/
2006).
gfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
165
O grande desafio dessa política é a construção de uma identidade própria para novos espaços educativos, inclusive de/para uma es-cola de jovens e adultos. Em função das especificidades dos sujei-tos da EJA [...], a superação das estruturas rígidas de tempo e espa-ço presentes na escola (ARROYO, 2004) é um aspecto fundamen-tal (IDEM, p. 39).
3.
A
relação teoria e prática na aprendizagem do Proeja
Na confluência das transformações no processo produtivo e suas
variáveis dependentes (neoliberalismo e globalização), Frigotto (2005)
contrapõe a necessidade premente de fomentar oportunidades geradoras
de escolaridade e trabalho aos jovens e adultos, valorizando a educação
média como direito social e subjetivo que deve oportunizar formação
cidadã, técnica e tecnológica.
Haraldo de Vasconcelos Bentes
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
No que se refere à complementação escolar, Kenski (2008, p. 41)
destaca que cabe à escola "abrir-se para novas educações (PRETTO; e
PINTO, 2006)QPONMLKJIHGFEDCBA[ a p r e n d iz a g e n s ] , às novas formas de ensinar e aprender
possibilitadas pela atualidade tecnológica" também, visando interromper
o processo de exclusão vivenciado pelos sujeitos do Proeja na escola e
fora dela.
A dimensão do trabalho está relacionada com as questões
emer-gentes como; emprego, desemprego, emprego precário e informal, que
gera a instabilidade sociofamiliar e sociocomunitária. Esses dois
enfrentamentos estão intrincados nas nuances da política, com questões
do tipo: condições indignas de sobrevivência, ausência e/ou dificuldades
de acesso a direitos básicos, e a incapacidade de agir e se fazer
represen-tar na esfera pública (cidadania coletiva). Nessas condições, escolarização
e formação profissional estão revestidas por processos de exclusão social,
que segundo Lesbaupin, (2000, p. 36):
"Í ...)
estão sendo produzidos pelaconjunção das transformações no processo produtivo, com as políticas
neoliberais e com a globalização".
Nesse intrincado jogo de tensões entre questões sociais e interes-
gfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
166
ses econômico-políticos; nas instituições de ensino, muitas vezesdisfar-çados nos interesses de pequenos grupos e/ou 'posturas personalísticas'
enviesados em discursos falaciosos impregnados de excessivo
pragmatismo, que na prática, em termos de planejamento e execução
no campo da gestão e das práticas pedagógicas, são comparáveis a uma
caixa de presente belamente embrulhada, porém sem o conteúdo
subs-tancial - o presente.
A metáfora utilizada acima, pode ser concreta e socialmente
me-lhor compreendida, a partir da seguinte tese: Existe uma grande e
equivo-cada contradição na justificativa de que alguns são melhores, e por isso
podem mais. Eis ai a contradição, porque na verdade o que acontece é a
exclusão dialética (SAWAIA, 2007) premeditada para que muitos possam
pouco, e assim, possam ser rotulados de "inferiores" e "ignorantes", por
saberem pouco. Porém, esse pressuposto ideológico de conteúdo lógico
apenas formal, esvai-se na própria contradição estrutural de seu
funcio-namento material, quando não oportuniza condições igualitárias a todos.
Logo, a falácia "saber pouco" se alimenta, quase sempre, pela falta de
oportunidades de acesso.
Frente a isso tudo, à educação está posto o grande desafio de
que-brar o paradigma da tentativa de dominação via pensamento único, se
conseguir instituir na práxis/ educadora formal dos sujeitos da EJA, um
D diálogo entre teoria e prática no Proeja, no Instituto deE O tJ(JlÇ lII,u e::;O II:
gfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
íeaI::b;J:zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
~',=
processo de conscientização libertadora, que não separe teoria e prá ica
enquanto dimensões distintas na construção dos saberes. Como disse Pau o
Freire" (1992, p. 125) sobre a teoria da dialogicidade: "l ... ) uma
pedago-gia crítica e libertadora, nos levando a entender melhor ainda o seu
pen-samento pedagógico pela seriedade crítica, pela objetividade humanística
e pela subjetividade engajada [... [".
Nesse sentido, emancipar através da educação política significa
munir aqueles suje ito s de domínios cognitivos e de práticas
sociopolíticas conscientes sobre as contradições materiais de 'espaço'
e 'tempo', tão recorrentes nos dias atuais. O trabalho a ser feito deve
ter conteúdo programático pautado na realidade do aprendente, que
valorize [ ...]"0 pensar dos homens referido à realidade, seu atuar, sua
práxis" (FREIRE, 1987, p. 44), enfatizando-se o trabalho coletivo, de
viés interdisciplinar.?
O mote da ação interdisciplinar pode buscar a mediação
pedagó-gica por meio da 'categorização"? dos conteúdos comuns e/ou afins
entre as temáticas abordadas nas disciplinas do currículo, na
perspecti-va da integração de conteúdos gerais e específicos, a partir do
planeja-mento docente coletivo, com técnica de grupos por disciplinas afins de
167
conteúdos, num primeiro momento, e depois, numa produção coletiva
entre todos os grupos, mediados pela proposta de cada curso, de cada
perfil cidadão-profissional, tecendo um percurso formativo que esteja
aberto às mudanças, aos processos dinâmicos da vida social e da
pró-pria existência.
Por essa linha de trabalho, todos produzem individualmente de
acordo com os seus domínios de conhecimentos e habilidades,
defen-dendo suas 'categorias' fundantes por disciplina. Dessa forma, constroem
um currículo e uma prática pedagógica baseados na lógica
multidimensional que fomenta uma formação mais aberta, flexível,
soli-dária, democrática e crítica, nos contornos da ação técnica, política e
cultural do sujeito (SANTOMÉ, 1998; RAMOS, 2005).
Por esse prisma, nós, professores, precisamos estar abertos a novos
aprendizados, que potencializem novas práticas docentes e outras visões
de mundo e realidade, além de concretizar o princípio do respeito,
fun-damento ético do processo educativo tão imprescindível na educação de
jovens e adultos, no terreno das especificidades provenientes de origens e
percursos sócio-históricos diversos. Tudo isto pode ser favorecido pelo
trabalho em equipe de caráter interdisciplinar, a partir de uma educação
baseada no diálogo, que tanto Paulo Freire (1987, p. 45/46) destaca nas
Haroldo de Vasconcelos Bentes
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
suas reflexões: "Não há diálogo, porém, se não há um profundo amor ao
mundo e aos homens [... )" (p. 45). "O diálogo, como encontro dos
ho-mens para a tarefa comum de saber agir [... )" (p. 46).
No prefácio da obra Pedagogia do Oprimido, Freire (1987, p. 7), o
Professor Ernani Maria Fiori ratifica a necessidade premente de o sujeito
da educação de jovens e adultos 'aprender a dizer a sua palavra': "Com a
palavra, o homem se faz homem. Ao dizer a sua palavra, pois, o homem
assume conscientemente sua essencial condição humana". .
Essas condições básicas da teoria da dialogicidade de Paulo Freire
são imprescindíveis no redimensionamento da relação teoria e prática
nas intervenções educativas no Proeja no I FPA, a parti r do
redirecionamento engajado entre gestores, professores e alunos, visando
ao enfrentamento sociopolítico pela conquista de igualdade de direitos e
deveres no processo institucionalizado do Proeja; como destaca o
educa-dor: "A auto-suficiência é incompatível com o diálogo. Os homens que
não têm humildade ou a perdem, não podem aproximar-se do povo. Não
podem ser seus companheiros de
PONMLKJIHGFEDCBA
p r o n ú n c i a do mundo" (FREIRE, 1987,p. 46), portanto, não podem conviver democraticamente, porque ainda
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168
não estão preparados.No cerne dessa discussão, consideramos pertinente a seguinte
re-flexão: diluídos no universo dos 'muitos' estão os sujeitos do Proeja. O
enfrentamento deve começar a partir dos fatores motivacionais e
emancipatórios, prioritariamente interdependentes, que em linhas gerais
são: primeiro; interrupção do processo de exclusão social enviesado numa
concepção de divisão social diametralmente excludente.
Em oposição a isso, é preciso fomentar outras formas de
convivên-cias humanas a partir de matrizes sociais ancoradas numa outra
concep-ção de projeto societário, que seja mais justo e solidário. Segundo; é
pri-mordial intervir na cultura educacional da Instituição, enquanto
institui-ção pública, no sentido que esta facilite (a partir de critérios justos e
pú-blicos) o acesso e gere oportunidades de escolarização de qualidade, e
inserção no mundo do trabalho em condições competitivas, a partir de
uma gestão participativa e democrática; planejamento integrado
inter-áreas; coordenação pedagógica convergente baseada no diálogo
construído por dissensos e consensos; avaliação sistemática dos
proces-sos de 'aprendizagens' (de todos os agentes), através de instrumentos em
perspectivas diversificadas, e outros providências, lastreados em
princípi-os éticprincípi-os, balizadprincípi-os no pressuposto do direito público, ou seja, a
institui-ção como patrimônio de todos .
o
xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
diólogo entre teorio e prótico no Proejo, no Instituto deEcuw w o,U é:lIJII •• ..",,:,..-, ,••DCBA
1 " .- " ;A finalidade é construir conjuntamente uma instituição que se
ere-tive no seu tempo (físico e/ou virtual), procurando fazer o enfrentamen o
das questões atuais, por exemplo, no contexto do Proeja no IFPA -
procu-rando atender às necessidades humanas, pedagógicas, políticas e
cultu-rais desses sujeitos, sem desvinculá-Ios do processo formativo-tecnológico
das condições materiais e valorativas, exemplo; da auto-estima, do
senti-do de produção social coletiva, e outros. Nessa perspectiva, Freire (1995,
p. 5), orienta: "só pode ser 'bom professor' o cidadão que tenha clareza
política e competência científica, que conhece a história do seu país e as
raízes autoritárias da sociedade brasileira".
No bojo dessa outra proposta societária, a razão suficiente deve
buscar respostas 'situadas' à inserção dos sujeitos da educação de jovens
e adultos, a partir da convicção que eles podem e a escola tem o dever
público de trazê-I os para o universo dos conhecimentos científicos e
tecnológicos do 'nosso tempo' [que é dos alunos e alunas do Proeja
tam-bém]; de que forma? Auxiliando-os pedagogicamente, a partir dos seus
saberes, das suas experiências de vida, das suas habilidades técnicas, a
utilizarem as tecnologias como recursos didáticos nas atividades
desafia-doras no dia-a-dia, seja no ambiente escolar (auto-estima, motivação),
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169
nas relações interpessoais (produção coletiva), no âmbito da família, da
comunidade e nas práticas profissionais.
Dessa maneira, o esforço pedagógico- político da escola trará
sig-nificados à vida e à formação cidadã e profissional desses alunos e
alu-nas, desde que os conteúdos programáticos não fiquem restritos aos
co-nhecimentos técnico-científicos, engessados na visão linear e pragmática
excessiva. Diferente desta visão de mundo que é restritiva, a escola
for-madora atualizada tecnologicamente precisa integrar as bases gerais e
profissionais às necessidades concretas dos sujeitos reais, sem perder de
vista seus valores morais e éticos.
4 . P r o c e d im e n t o s m e t o d o ló g ic o s d a p e s q u is a
A metodologia escolhida para o desenvolvimento da pesquisa
si-tua-se numa abordagem qualitativa, por entendermos que a mesma tem
no ambiente natural sua fonte direta de dados, além do que, no estudo
das questões relacionadas ao ambiente educacional da EJA a
preocupa-ção com o processo é muito maior do que com o produto, (LUDKE E
ANDRÉ,1996).
Horoldo de Vasconcelos Benles
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
A pesquisa foi desenvolvida nas dimensões exploratória e explicativa,
com tratamento qualitativo dos dados analisados, sem descartar, no
en-tanto, a conjugação dos aspectos quantitativos. Nesse sentido, aquelas
dimensões foram encadeadas numa espécie de fio condutor à análise da
categoria principal - O diálogo entre teoria e prática no Proeja no IFPA.
Quanto aos participantes (35 alunos e 08 professores) da pesquisa,
opta-mos por um recorte no universo de alunos e professores do Proeja
notur-no, porém, com interação nas4 turmas em funcionamento (eletrotécnica,
edificações, informática e mecânica).
Algumas providências foram formalizadas antes da aplicação das
entrevistas: a) pedido de autorização por escrito, encaminhado pela
coor-denação dos cursos superiores àcoordenação pedagógica do Proeja,
in-formando o caráter pedagógico da pesquisa. Dessa forma, os próprios
alunos matriculados no curso de pedagogia licenciatura, 3º semestre,
dis-ciplina seminário temático: gestão e políticas educacionais levaram em
mãos o encaminhamento e realizaram a coleta de dados, através de
en-trevista com perguntas abertas, como atividade programática, ministrada
pelo professor MSc. Haroldo Bentes.
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170
A entrevista foi construída a partir de 04 (quatro) questõesnomi-nais:
. e Debnte > Fortaleza' v. 2, nO 60, ano 32 . 2010 p.161 a 179
1 - Qual a ideia central da formação para a Educação de Jovens e
Adultos?
2 - Qual a identidade/sentido dessa formação para você e para a
escola?
3 - Quais os maiores desafios dessa modalidade de educação, para
você e para a escola?
4 - Por que você está na Educação de Jovens e Adultos?
Quanto à análise dos dados da pesquisa, objetivou-se elucidar as
percepções dos alunos e professores que atuam no Proeja no IFPA, no
que se refere à relação teoria e prática, seus desafios, contradições e
pos-sibilidades de 'aprendizagens' significativas no universo dos sujeitos do
Proeja, em 'espaços' e 'tempos' diferenciados.
Nessa direção, o foco central da análise dos dados foi qualitativo,
contando, no entanto, com a contribuição dos aspectos quantitativos,
buscando os significados explícitos ou latentes das mensagens, cujo "ponto
de partida é a mensagem, seja ela verbal (oral ou escrita), gestual.
Silenci-osa, figurativa, documental ou diretamente provocada" (FRANCO, 2003,
o
xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
diólogo entre teorio e prótico no Proeja, no Insli5. O diálogo entre teoria e prática: achados da pesquisa
Apresentamos os achados da pesquisa de campo, por categoria de
análise, procurando dialogar, sempre que possível, e de forma dialética,
com a fundamentação teórica desenvolvida neste estudo, que por hora
assume a condição de provisório, no sentido da eterna dinamicidade da
construção do conhecimento humano.
Quanto à categorização, fez-se uma opção metodológica
pelos indicadores de maior convergência de respostas e porcentual, que
ora apresentamos sistematicamente configurados como sujeitos da
pes-quisa: Alunos e professores. Ressaltamos que as análises foram
produzi-das a partir de 18 relatórios sistematizados pelos alunos do curso de
pe-dagogia, que entrevistaram 35 alunos e 08 professores.
5.1. A ideia sobre a formação do Proeja no IFPA
O u~ 'C !Ii'''': p-e" ss0 0 1 1 _ .C '
l}Q ual aidéiacentral da form ação para a
educação de jovens e adultos?
171
T abela I: A lunos T abela 2: Professores
1) Q ual a idéia central da form ação para a
educação de jovens e adultos?
FO N T E : Pesouisa IFPA - Proeia, Junho/2010 FO N T E : Pesauisa IFPA - Proeia, Junho/2010
Se alunos (29%) e professores (43%) concordam (72%) com a ideia
de que a inserção no mercado de trabalho deve nortear a formação no
Proeja, é pertinente ressaltar que a visão de formar apenas com o foco
para o mercado de trabalho, encurta a dimensão cidadã da escolarização,
como pressuposto da cidadania coletiva, e ao mesmo tempo restringe a
idéia de formação profissional, porque subtrai dela os pressupostos da
formação cultural e humanística do trabalhador.
Diferente dessa visão de mundo, que é restritiva, desenvolver os
potenciais humanos (sociais, culturais, éticos) defendidos pela
concep-ção de formaconcep-ção integral, apresenta-se como parâmetro agregador, além
de potencializar resultados materiais e crítico-criativos,
quanti-qualitati-vamente mais significativos, se construídos nas bases
Horoldo de Vasconcelos Bentes
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
tecnológicas dos conteúdos, através da integração entre conhecimentos
gerais e profissionais. Nesta perspectiva, Freire destaca a importância do
papel do professor que faz leitura de mundo "só pode ser 'bom professor'
o cidadão que tenha clareza política e competência científica, que
co-nhece a história do seu país e as raízes autoritárias da sociedade
brasilei-ra" (FREIRE, 1995, p. 5).
Da parte dos alunos, o indicador 'abstenção' (33%) apresenta-se
como sinal de alerta e motivo para investigação futura mais detalhada. O
que nos remete,
PONMLKJIHGFEDCBA
a p r i o r i , a refletir, por exemplo: Será se os alunosconhe-cem a concepção de formação que norteia o Proeja? O questionamento é
procedente, levando-se em consideração os aportes jurídico-legais que
fundamentam a educação de jovens e adultos, por exemplo, o Decreto
5154/2004, além do próprio DOCUMENTO BASE (2006) do Proeja, que
traz orientações explícitas sobre a concepção do programa, e sobre as
diretrizes de planejamento da integração entre conhecimentos gerais e
profissionais.
172
5.2. Identidade/sentido com a formação para você e para a escola
gfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
2 )Q ual i!Iidentidade/sentido dessa form ação
para você e para a escola?
2) Qual a Identidade/sentido dessa formação
para você e para a escola?
T abela 3: A lunos T abela 4: Professores
'.1tÍ'l::'quadi!dedt,dll_S'=
f> ~ e' ~ { !I01:::
DCBA
d e(o,., os • unos _ 8~FO N T E : Pesquisa IFPA - Proeja, Junho/2010 FO N T E : Pesquisa IFPA - Proeja, Junho/201O
Os porcentuais de alunos (43%) e professores (57%) que
conver-gem de forma considerável, no que se refere ao indicador "abstenção"
apontam para duas direções. Primeiro, na direção da hipótese levantada
anteriormente, de que é preciso aprofundar estudos sobre os
fundamen-tos dos princípios pedagógicos e políticos do programa. Segundo, que
existem problemas de comunicação no desenvolvimento da modalidade
na Instituição (lFPA), e que esses "filtros", "ruídos" e "bloqueios" podem,
inclusive, ter ocorrido durante as entrevistas, alterando os processos de
'codificação' e 'decodificação' (FREIRE, 1987) durante a comunicação
entre entrevistadores e entrevistados.
o
diólogo entre teoria e prótica no Proeja, noIIISIII'mo ,;;etllôlC lÇ lC I,t.ec:azyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Merecem destaques (medianos) relevantes, os porcen uai e
nos (25%) e professores (21 %), quando perguntados sobre a cateso ia
'identidade/sentido'. Alunos relacionaram àquestão, aspectos rela i o a
domínios de conhecimentos, e os professores, relacionaram a que ão
com a formação diferenciada do respeito pedagógico a 'tempos' e
'espa-ços' singulares dos alunos, no universo heterogêneo de sua
especificidades.
A aproximação de "olhares" ratifica a fundamentação teórica
de-fendida por teóricos como Sawaia (2007), no sentido de que é
fundamen-tal contextualizar os 'espaços' e tempos' aonde o fenômeno da exclusão
se dá e, principalmente nos 'espaços' escolares. Outra reflexão pertinente
neste sentido é feita por Kenski (2008, p. 41) "l ...J cabe àescola abrir-se
para novas educações, [... J visando interromper o processo de exclusão
vivenciado pelos sujeitos da EJA na escola e fora dela". Além de Paulo
Freire (1987, p. 46), ao fazer a uma defesa contundente da importância
do diálogo no processo da aprendizagem: "O diálogo, como encontro
dos homens para a tarefa comum de saber agir, se rompe, se seus pólos
(ou um deles) perdem a humildade".
5.3. Desafios do Proeja para você e para a escola
173
T abela 5: A lunos T abela 6: Professores
3)Quais 0 5maiores desafios dessa m odalidade
de educação, para você e para escola?
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3) Quais os maiores desafios dessa modalidade
de educação, para você e par. escola?
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FO N T E : Pesquisa IFPA - Proeia, Junho12010 FO N T E : Pesquisa IFPA - Proeja, Junho/2010
Os maiores desafios enfrentados por alunos e professores no
âmbi-to do Proeja no IFPA, foram arremessados com bastante vigor e conver-gência perceptiva, a quatro indicadores em geral: Alunos, respectivamente;
carência de docentes (20%), preconceito (20%), falta de infra-estrutura
Haroldo de Vosconcelos Bentes
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
(11 %) e despreparo docente (11 %). Os professores destacaram; carência
de docentes (24%) e despreparo docente (24%), ausência de
infra-estru-tura (8%) e comprometimento dos profissionais da instituição (8%).
Os dados, em linhas gerais, apontam para duas questões
elementa-res dentro de uma estrutura escolar: a) a construção do currículo, quem
faz o currículo? Pra quem é feito o currículo? Quais os pressupostos desse
currículo? A que fins o currículo se propõe? Que expectativas o currículo
atende, ou almeja atender? A outra questão está diretamente relacionada
com a anterior; b) as práticas pedagógicas: Como se constituem no
uni-verso da instituição? Quais os canais de comunicação entre os
formado-res de informações e conhecimentos (gestores, burocratas, professores,
alunos, comunidade e outros)? Quem é, e como são feitas essas
interlocuções? Quais as interfaces da Instituição com seus agentes e a
comunidade em geral, inclusive com a comunidade científica?
No núcleo duro dessas questões [destacando que são consequentes
e interdependentes], perpassa discussões como; é preciso (re) pensar os
currículos por afinidades institucionais, e mesmo os oficiais, que não
le-vam em conta o currículo real da sala de aula dos alunos e alunas do
gfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
174
Proeja, que muitas vezes ficam diluídos nas práticas do currículo oculto(APPLE, 2006), entre outros.
Ainda no contexto do currículo, é necessário e urgente "quebrar" a
percepção equivocada e "justificada" de que alguns são melhores, e por
isso podem mais. Eis ai a contradição, porque na verdade o que acontece
é a exclusão dialética (SAWAIA, 2007) premeditada para que muitos
pos-sam pouco, e assim, possam ser rotulados de "inferiores" e "ignorantes",
por saberem pouco.
] No que tange às práticas docentes, é preciso desenvolver práticas
pedagógicas que valorizem a auto-estima e motivação dos alunos e
alu-nas do Proeja, estimulando suas habilidades humanas, pedagógicas,
polí-ticas e culturais, sem desvinculá-Ias do processo formativo-tecnológico,
e das condições materiais e valorativas. Neste sentido, investir na
inven-ção de metodologias, técnicas e recursos didáticos diversos, procurando
dar respostas 'situadas' (APPLE, 2006) à inserção dos sujeitos da educação
de jovens e adultos, a partir da convicção que eles podem e a escola tem
o dever público de trazê-Ios para o universo dos conhecimentos
científi-cos e tecnológicientífi-cos do 'nosso tempo' [que é dos alunos e alunas do Proeja
também].
Ainda no universo das práticas docentes, procurar sistematizar
ati-vidades de ensino e pesquisa ancorados no -trabalho interdisciplinar
o
diálogo entre teoria e prática no Proeja, no Instituto de Educa êo. Gê ezyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
(SANTOMÉ, 1998; RAMOS, 2005), a partir de planejamento pedagógico
por meio da 'categorização' dos conteúdos comuns e/ou afins entre as
temáticas abordadas nas disciplinas do currículo, na perspecti a da
integração de conteúdos gerais e específicos, a partir do planejamento
docente coletivo, com técnica de grupos por disciplinas afins de
conteú-dos, num primeiro momento, e depois, numa produção coletiva entre
todos os grupos, mediados pela proposta de cada curso, de cada perfil
cidadão-profissional, tecendo um percurso formativo que esteja aberto às
mudanças, aos processos dinâmicos da vida social e da própria
existên-cia dos alunos e alunas do Proeja no IFPA.
A partir dessas intervenções será possível auxiliá-Ios
pedagogica-mente, valorizando seus saberes, suas experiências de vida, suas
habili-dades técnicas, despertando-os assim, para que (re) façam seus novos
caminhos a partir dos "pedaços de sua vida".
5.4. Expectativas com relação ao Proeja
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4 }P orque você está na educação de jovens e adultos?
175
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T abela 7: A lunos T abela 8: Professores
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FO N T E : Pesquisa IFPA - Proeja, Junho/2010 FO N T E : Pesquisa IFPA - Proeja, J unho/20 10
Os indicadores apresentam nuances decifráveis. Por um lado os
alunos; inserção no mercado de trabalho (24%) e melhoria na qualidade
de vida (20%). Professores; aparente "descompasso", contribuir para a
for-mação dos alunos (21 %) e numa seqüência de outros indicadores,
inclu-sive inserção no mercado de trabalho, com (7%).
A multiplicidade de indicadores entre alunos e professores, de
porcentuais considerados baixos (entre 4% e 8%), aliados numa
rela-ção, com os altos índices de 'abstenção' também entre alunos (16%) e
professores (43%), sugerem uma apreciação mais detida nos detalhes
que "parecem secundários", por exemplo; o porcentual do indicador
'confiança na política governamental', mas, que na verdade nos dão
muitas pistas.
Haroldo de Vasconcelos Bentes
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Vamos segui-Ias, utilizando-nos dos aportes normativos; da
refle-xão teórica de autores reconhecidos; e da análiseQPONMLKJIHGFEDCBAin lo c o dos autores deste pequeno estudo, de "espíritos atrevidos" pelo conhecimento de
"ver-dades", em aspas, porque todas elas (as verdades) são transitórias e
'situa-das" nos seus respectivos 'espaços' e 'tempos'. O DOCUMENTO BASE,
2006; "Essa política concebe a educação como direito de todos e
proces-so contínuo que se desenvolve ao longo da vida" (p. 38). Nesse sentido, é
essencial considerar as especificidades da educação de jovens e adultos.
Na mesma direção, o aporte de Arroyo (2004, p. 39): "O grande
desafio dessa política é a construção de uma identidade própria para
no-vos espaços educatino-vos [... ] para a EJA. Em função das especificidades".
Frigotto (2005) aprofunda a necessidade premente de fomentar
oportuni-dades geradoras de escolaridade e trabalho aos jovens e adultos,
valori-zando a educação média como direito social e subjetivo que deve
oportunizar formação cidadã, técnica e tecnológica.
É primordial intervir na cultura educacional da Instituição,
enquan-to instituição pública, no sentido que esta facilite o acesso e gere
oportu-nidades de escolaridade de qualidade, e inserção no mundo do trabalho
gfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
176
em condições competitivas, a partir de uma gestão participativa edemo-crática; planejamento integrado inter-áreas; coordenação pedagógica
convergente baseada no diálogo construído nos dissensos e consensos;
avaliação sistemática dos processos de 'aprendizagens' (de todos os
agen-tes), através de instrumentos em perspectivas diversificadas, e outros
pro-vidências, lastreados em princípios éticos, balizados no pressuposto do
direito público, ou seja, a instituição como patrimônio de todos (p. 09).
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,161a179
o
diálogo entre teoria e prática no Proeja, no Instituto de Educaçõo, Ciência e Temolog'ozyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
___ ' Lei 9394/96 de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as
PONMLKJIHGFEDCBA
d i r e t r i z e s e b a s e s d a e d u c a ç ã o n s c i o n s l , e dá outras providências,
___ o RESOLUÇÃO CNE/CEB Nº 1, DE 5 DE JULHO DE 2000 -
Esta-belece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação e Jovens e Adultos.
___ ' DECRETO 5154/04 - Regulamenta o §2º do art. 36 e os arts. 39 a 41 da Lei n º 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, e dá outras providências.
_ _ _ o DECRETO 5840/2006 - Institui, no âmbito federal, o Programa
Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos - PROEJA, e dá outras providências.
_ _ _ o DOCUMENTO BASE, 2006 - Programa de integração da
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DCBA
N o t a s
Programa de Integração da Educação Profissional ao Ensino Médio na
178
Modalidade de Educação de jovens e Adultos (Proeja).2 Carga horária semestral 1OOh;uma incursão teórico-prática realizada
por alunos e professor problematizando os fundamentos teóricos da gestão e políticas educacionais, além da investigação orientada reali-zada nas unidades de educação básica e ensino superior, com apre-sentação de relatórios por níveis e modalidades, seguidos de discussão coletiva em sala de aula.
3 Estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação e
jo-vens e Adultos.
4 Regulamenta o §2º do art. 36 e os arts. 39 a 41 da Lei nº 9.394, de 20
de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educa-ção nacional, e dá outras providências.
5 Institui, no âmbito federal, o Programa Nacional de Integração da
Edu-cação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de jovens e Adultos - PROEjA, e dá outras providênci-as.
6 Orientações político-pedagógicas ao programa de integração da
edu-cação profissional técnica de nível médio ao ensino médio na modali-dade de educação de jovens e adultos (PROEjA). BASIL, MEC, Secreta-ria de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC).
o
diálogo entre teoria e prático no Proe]c, no Instituto de Euuw\Uu.uc .•••••7
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
(ação)
Palavra ---
=
Práxis (FREIRE, Paulo. Pedagogia do(reflexão) Oprimido, p. 44, nota de rodapé .
8 NOTAS, Ana Maria Araújo Freire, p. 125. Pedagogia da Esperança:
Um reencontro com a Pedagogia do Oprimido Rio de Janeiro: Paz e
Terra, 1992.
9 Pedagogia da interdisciplinaridade, "[ ... ] compreendida como um
mé-todo capaz de reunir o saber, delimitar as fronteiras dos
conhecimen-tos e entender a complexidade do mundo", Santomé (1998, p. 44).
10 Procedimento metodológico que utiliza a técnica da discussão entre
dissenso e consenso, visando àagregação de conteúdos de ensino na
perspectiva de uma aprendizagem interdisciplinar, de caráter integral
(BENTES, 2010).
17~
Enviada para publicação: 02.05.2010 Aceito para publicação: 29.11.2010