CENÁRIO E ECONOMIA APÓS 1945
O maior embate bélico-militar da história humana imprimiu grandes e profundas mudanças na sociedade mundial. As consequências da Segunda Guerra Mundial mudaram os rumos da vida em diversos sentidos, tanto de forma imediata como retardada.
Os países vencedores do confronto, principalmente os Estados Unidos da América, tinham total ciência de que a Crise de 1929, responsável por grande déficit mundial, fora uma consequência da política econômica adotada após a Primeira Guerra Mundial. Assim, buscando não incidir novamente nos mesmos erros, Washington iniciou um processo de concessão de pacotes de ajuda econômica e de reconstrução a países destruídos pela guerra, objetivando principalmente a reconciliação com seus até então desafetos, ampliando suas possibilidades e oportunidades comerciais, de mercado e econômicas, evitando também, ao mesmo tempo, a expansão dos ideais socialistas incentivados pela também vencedora União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
Na verdade, após o término da guerra, EUA e URSS, devido a suas inúmeras diferenças políticas, econômicas, ideológicas, sociais e militares, desenvolveram entre si grande rivalidade. Com o passar do tempo, a Guerra Fria, como ficou conhecida, foi responsável tanto por grande desenvolvimento tecnológico quanto pelos mais altos índices de tensões militares entre países após 1945.
Assim, frente ao duelo capitalismo (EUA) x socialismo (URSS), desenvolvimento econômico se tornara fator de demonstração hegemônica. Desenvolver e progredir era necessário a todo e qualquer custo. A expansão de mercados e do comércio, além de sinônimo de geração de riquezas, era também uma forma de se implantar o capitalismo em países que eventualmente poderiam se tornar adeptos do socialismo vermelho.
O comércio mundial expandiu e, com a tecnologia em constante evolução, novas formas de produção e negociação se desenvolveram. Planos de incentivo à mundialização do mercado viabilizaram gradativamente um comércio cada vez mais rápido, lucrativo e de ampla concorrência.
A população mundial alterou seu curso padrão de crescimento, passando a expandir-se de forma rápida e incontrolável na maioria dos países, o que elevou consideravelmente a demanda por produtos e serviços.
A mudança em diversos âmbitos da cultura popular, causada em boa parte pela homogenização de costumes e pela forte ação apelativa da mídia, colaborou de forma decisiva para o desenvolvimento de uma sociedade altamente consumista e com grandes índices de desperdício e mal aproveitamento de matérias-primas e alimentos.
Durante o keynesianismo, presente em muitas nações capitalistas no pós 1945, países como EUA, Japão e demais nações europeias, passaram por momentos dourados em termos econômicos, crescendo rapidamente. Aqueles devastados pelo conflito, principalmente no Velho Continente, se beneficiaram com o Plano Marshall, uma espécie de ajuda econômica e financeira ofertada por Washington.
Com o rápido desenvolvimento econômico de muitos países capitalistas, seus governos passaram a custear mais e mais benefícios à população, ampliando a lista dos direitos sociais de cada cidadão. A ampliação do leque assistencialista, além de causar majoração no ônus financeiro estatal, contribuiu ao desenvolvimento do consumismo social.
O Estado de Bem Estar Social durante a década de 1970 entrou em crise devido ao endividamento da máquina publica, a qual já não mais suportava os grandes gastos provenientes de suas políticas assistenciais, não garantindo sequer direitos sociais básicos universalmente reconhecidos como tal.
Tanto os recursos financeiros quanto de infraestrutura não mais atendiam à crescente demanda. O sistema ruiu, dando espaço a um novo modelo político-econômico: O neoliberalismo.
Com o surgimento de ideais neoliberais gradativamente as nações passaram a adotar práticas não intervencionistas em relação ao mercado, deixando-o livre à auto-regulamentação. Com a queda do sistema socialista e a consequente falência da URSS, o capitalismo neoliberal se alastrou pelo mundo.
Com todas as liberdades de atuação absolutamente garantidas ao mercado e com economias privadas cada vez maiores, a economia mundial se deparou com um horizonte permeado por boas perspectivas expansionistas. Como decorrência da livre acumulação de capitais surgiu também a livre concorrência. Nestes termos era permitido todo tipo de desenvolvimento e alta produção, tendo como objetivo a garantia de maiores vantagens, e benefícios à sociedade e, em decorrência, às pessoas.
O que aconteceu a partir daí foi um estrondo produtivo em muitas partes do mundo. Empresas passaram a qualquer custo buscar novas e melhores formas de se angariar lucros. Suas economias internas se tornaram tão volumosas que seus países de origens já não mais satisfaziam suas necessidades relativas quanto a demanda e consumo.
Surgiram assim empresas com atuação estendida, além de seus “países natais”, conhecidas como multi ou transnacionais. Suas atividades se estabeleceram em regiões além de suas linhas territoriais originais. Cultura, língua e distância, por exemplo, deixaram de ser problemas e se tornaram oportunidades de crescimento e lucro.
Explorando mercados diferentes, empresas de grande porte industrial passaram a assumir posturas irresponsáveis frente à sociedade e ao meio ambiente.
Devido às características sociais e ambientais de muitas nações ao redor do mundo, ficou claro às empresas a viabilidade do exercício de suas atividades produtivas em países considerados como sendo de “terceiro mundo”, uma vez que em tais localidades a mão de obra era barata, o povo, devido à precisão, estaria mais submisso e questionaria menos eventuais condições de trabalho impostas e a fiscalização quanto à exploração de recursos naturais seria praticamente nula.
Um país de economia neoliberal tende a abrir suas fronteiras à atuação de empresas internacionais. Tendo como pressuposto ser a economia o carro chefe do sucesso ou fracasso de uma nação em determinado momento histórico, concluí-se que com a abertura econômica o poder governamental enfraquece. Tal enfraquecimento se dá pelo controle externo da economia, ficando esta, muitas vezes, dependente de mega-corporações industriais. Assim, em termos mercadológicos, o governo apenas observa os rumos a serem tomados pela economia de seu país de acordo com tendências econômicas mundiais e de especulações de mercado.
Como consequência fixa-se o crescimento do poder político e de controle social de determinadas empresas transnacionais. Tais empresas desenvolvem não somente grande poder econômico junto a determinadas nações, mas também estabelecem importante poderio social, expresso, por exemplo, na alta dependência sofrida por milhares de pessoas frente à oferta de emprego de tais instituições. O conglomerado de capital e lucro se torna tão expressivo que muitas corporações transnacionais são maiores, em termos econômicos, que diversas nações ao redor do planeta.
Cientes de seu poderio, influência econômica e da dependência social por seus “benefícios”, tais organizações adotam posições, políticas e programas muitas vezes contrários não somente à cultura e aos costumes
locais, mas também à legislação nacional, apostando na ineficiência dos meios de aplicabilidade e imposição da lei.
Uma das áreas de maior incidência da atuação irresponsável e desrespeitosa frente à sociedade e legislação é, sem sombra de dúvidas, a ambiental. Algumas nações se encontram frente ao caos natural, com recursos ambientais altamente poluídos e degradados, urgindo pela minimização e reparação de tais danos.
Para as empresas transnacionais torna-se praticamente imperioso a instalação de atividades poluidoras, causadoras de grandes danos ambientais e sociais, em países subdesenvolvidos, restando aos países desenvolvidos, onde se encontram suas as matrizes, atividades “limpas” de gestão, tecnologia e coordenação, sem qualquer dos riscos anteriormente apresentados.
Enquanto a consciência ambiental se encontrava em processo de desenvolvimento nos países de primeiro mundo, nos demais nada era expressivamente dito pró meio ambiente, inexistindo verdadeiras normas jurídicas e legais de proteção ambiental, viabilizando a exploração irresponsável e desenfreada de recursos ambientais.
Outro fator evidente e que merece destaque no pós 1945 é, sem dúvida, a explosão populacional.
Crescimento populacional é a alteração positiva (aumento) do número de pessoas existentes em determinado local, em certo período de tempo, se comparados a indivíduos ali existentes em determinado tempo anterior.
No ano de 1950 a população mundial era de 2,5 bilhões de pessoas. Desde que se sabe, do surgimento da humanidade na Terra até o ano de 1950, a população atingiu o número de aproximadamente dois bilhões e quinhentos milhões de pessoas. Desde então houve um salto
impressionante. De 1950 até os dias atuais a população mundial cresceu espantosamente 4,5 bilhões de pessoas, totalizando, recentemente, 7 bilhões de indivíduos sobre nosso planeta. As informações são da Organização das Nações Unidas – ONU.
Supondo que a humanidade tenha em torno de 4.500 anos, a população mundial cresceu em pouco mais de 60 anos o que não havia crescido em mais de 4.400. Espantoso.
São mais 4,5 bilhões de pessoas em busca de alimentos, gerando constantemente lixo doméstico e todos os demais tipos de resíduos que são descartados na natureza.
Desta forma, atitudes irresponsáveis de empresas de pequeno, médio e grande porte, o elevado consumo e as inerentes consequências do aumento populacional, dentre outros fatores, geram ao meio ambiente um encargo praticamente impossível de ser suportado.