Fundação João Pinheiro - MG Escola de Governo de Minas Gerais
Programa de Mestrado em Administração Pública: Sistemas de Informação e Gestão Disciplina Optativa - 30h/aula
Professores: Maria de Fátima Junho Anastasia e Marco Aurélio Chaves Cepik
Estado, Democracia & Informação
I - Ementa:
O curso pretende analisar as relações entre informação e política a partir de duas perguntas básicas: Sob que condições se dá o exercício democrático do governo ? Por que a informação é uma condição central para o exercício da democracia ?
De modo geral, trata-se de tematizar um triplo desafio colocado para a democracia contemporânea, destacado por Adam Przeworski em Estado & Economia no
Capitalismo. Ou seja, como “tornar manifestas e agregar as preferências individuais,
como manter as instituições políticas especializadas responsivas às demandas democráticas e como satisfazer os objetivos democraticamente escolhidos, referentes à alocação de recursos escassos” PRZEWORSKI (1995: 133).
II - Procedimentos Didáticos:
O curso será conduzido como um seminário de estudos, com exposições no início de cada sessão e discussão da bibliografia pertinente. A avaliação será feita através de quatro pequenos exercícios escritos sobre questões tratadas no curso.
III - Bibliografia:
Obs.: As referências básicas estão listadas a seguir; os textos marcados com asterisco (*)
são de leitura obrigatória para cada parte do programa. Poderão ser feitas indicações complementares no decorrer do curso.
IV - Programa: Introdução - (l aula)
A definição schumpeteriana de democracia A definição weberiana de Estado
Estado, Democracia e Informação: considerações preliminares
Bobbio: “ democracia como o exercício do poder público em público”.
SCHUMPETER, J.Capitalism, Socialism and Democracy. New York, Harper and Row, l950. WEBER, “A política como Vocação”, in: Ensaios de Sociologia. 5a. ed., RJ, Ed. Guanabara,
l982.
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ELSTER, “The Market and the Forum”, in: Elster e HYLLAND. Foundations of Social Choice Theory.Cambridge, Cambridge University Press, l989.Parte I - A Informação no Processo Democrático: Cenários
I.1 - O Papel da Informação no Processo Eleitoral: voz, voto e veto (2 aulas)
Atores, ação e contexto: os custos e os benefícios da ação informada.
Produção, distribuição e consumo da informação nas sociedades democráticas: a poliarquia imperfeita.
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DAHL, R. Um Prefácio à Teoria Democrática. RJ, Zahar Ed., l989. (caps. 3 e 4)*
SARTORI, G. A Teoria Democrática Revisitada. Ed. Ática, SP, l994. (cap. 5)BARRY, B. Los Sociologos, los economistas y la democracia. Buenos Aires, Amorrotu Ed., l970.
CHACON, “Os meios de comunicação na sociedade democrática”, in: Vários Autores. Brasil, Sociedade Democrática.
I.2 - O Papel da Informação no Processo Legislativo - (2 aulas)
A teoria distributiva e a teoria informacional da organização legislativa
Instituições, racionalidade e decisões legislativas: quem decide o que e como no Parlamento
Participação e Representação. Atores, organizações e contexto: a interação estratégica.
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KREHBIEL. Information and Legislative Organization. The University of Michigan Press,l994. (caps. 2 e 3)
LIMONGI, F. e FIGUEIREDO, A. “Partidos Políticos na Câmara dos Deputados: l989-l994”. In: DADOS, Vol. 38, No. 3, l995.
_______________________. “O Processo Legislativo e a Produção Legal no Congresso Pós-Constituinte”. Novos Estudos CEBRAP, No. 38, março de l994.
LIMONGI, “O Novo Institucionalismo e os Estudos Legislativos: A Literatura Norte-Americana Recente”, BIB, RJ, No. 37, lo. semestre de l994, pp. 03-38.
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OSTROM, “Rational Choice Theory and Institutional Analyses: Toward Complementarity”, American Political Science Review, Vol. 85, No. l, march l99l.ARNOLD, The Logic of Congressional Action. New Haven e London, Yale University Press, l990.
Mc CONNELL, Private Power and American Democracy. Vintage Books Ed., l970. ORENSTEIN, Jogos da Ação Coletiva. Tese de Doutorado, IUPERJ, l992.
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ELSTER, The Cement of Society. Cambridge, Cambridge Un. Press, l989.*
TSEBELIS, Nested Games. Rational Choice in Comparative Politics. Berkeley, Los Angeles, Un. of California Press, l990. (caps. l e 2)Parte II - Atuação do Poder Executivo (4 aulas) II.1 - Processo Decisório Governamental.
POGGI, G. A Evolução do Estado Moderno. Rio de Janeiro, Zahar, 1981. (1978). Introdução (“A Tarefa de Governar”) e capítulo VI (“Estado e Sociedade sob o Liberalismo e Depois”). Páginas 16-29 e 125-154
GIDDENS, A. National-State and Violence. Berkeley, University of California Press, 1987. Capítulo 7 (“Administrative Power, Internal Pacification”). Páginas 172-197.
ALMOND, G. & POWELL Jr., G. B. Comparative Politics: A Developmental Approach. Boston, Little, Brown and Company, 1966. Ver Capítulo II (“An Overview”) e Capítulo VIII (“The Capabilities of Political Systems”). Pp 16-41 e 190-212.
SOLA, Lourdes. “Estado, Regime Fiscal e Ordem Monetária: Qual Estado?”. In: Revista Brasileira de Ciências Sociais - RBCS, número 27, fevereiro de 1995. Pp 29-60.
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DEUTSCH, Karl. The Nerves of Government. New York, Free Press, 1966. (1963). Capítulo 9 “Communication Models and Decision Systems: Some Implications for Research”. Páginas 145-162. Ver Também “Appendix: Main Information Flow”. Páginas 258-261. ETZIONI. Amitai. “Mixed-Scanning: a third way in the decision process”. In: PublicAdministration Review. V. 27:5, 1967. Páginas 385-392.
LINDBLOM, C. E. “The Science of ‘muddling through’ ”. In: Public Administration Review. Vol. 19, 1959. Páginas 79-88,.
*
LINDBLOM, C. E. O Processo de Decisão Política. Brasília: Universidade de Brasília, 1980. Capítulos 1 a 5 (07-36).BRAGA, Nice. “O Processo Decisório em Organizações Brasileiras”. In: Revista de Administração Pública. Vol. 21:3, 1987. Pp. 35-57.
*
SCHOEMAKER, Paul J. H. “Strategic Decisions in Organizations: Rational and Behaviour Views”. In: Journal of Management Studies. Vol. 30:1, 1993. Pp. 107-129.SIMON, Herbert A. Administrative Behavior: a study of decision-making process in administrative organizations. New York, The Free Press, 1965. (1945). Cap. 1 e 4.
II.2 – Produção, Distribuição e Consumo da Informação Governamental
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WILENSKI, Harold. Organizational Intelligence. New York, Basic Books, 1963. Introdução (“Varieties of Organizational Intelligence”), capítulo 3 (“The Quality of Organizational Intelligence”) e capítulo 4 (“Organizational Process”). Páginas 03-07, 41-74 e 75-93.*
GODSON, Roy; MAY, Ernest R. and SCHMITT, Gary (eds.). U.S. Intelligence at the Crossroads: Agendas for Reform. Washington - D.C., Brassey’s, 1995. Ver textos de J.SIMS (“What is Intelligence ? Information for Decision Makers”) e A. SHULSKY (“What is Intelligence ? Secrets and Competition Among States”). Páginas 03-27.
II.3 - Gestão de Sistemas de Informação: eficiência administrativa e democracia
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PRZEWORSKI, Adam. Estado & Economia no Capitalismo. Rio de Janeiro, Relume-Dumará, 1995. (1990). Ver Parte II (“O governo do Estado”). Páginas 45-86.*
SARTORI, Giovanni. A Teoria da Democracia Revisitada. Volume II (“As Questões Clássicas”). São Paulo, Ática, 1994. (1987). Ver capítulo 14 (“Mercado, Capitalismo, Planejamento e Tecnocracia”).*
GRAHAM JR., Cole B & HAYS, Steven W. Para Administrar a Organização Pública. Rio de Janeiro, Zahar, 1994. (1993). Capítulos 1 (“Funções Gerenciais e Administração Pública”), 6 (“Relatório e Orçamento”) e 7 (“Avaliação”). Páginas 13-38, 206-239 e 240-256.OSBORNE, D. & GAEBLER, T. Reiventando o Governo. Brasília, MH Comunicações, 1994. (1992). Ver capítulos 4 (“Governo orientado por Missões: transformando órgãos burocratizados”), 6 (“Governo e seus Clientes: atendendo às necessidades do cliente e não da burocracia”) e 11 (Governo Reiventado: Uma visão de Conjunto”). Páginas 116-148, 181-212, 338-391.
PROSERPIO, Renata. “Repartição de Encargos Governamentais: A Função de Informar”. In: Revista de Administração Pública. Vol. 29, número 4, dezembro de 1995. Páginas 14-26.
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GORRY, G. Anthony & MORTON, Michael S. Scott. “A Framework for ManagementInformation Systems”. In: Sloan Management Review. Vol. 30, n. 3, Spring 1989.
GREENE, H. F. “Competitive Intelligence and the Information Center”. In: Special Libraries. Vol. 79:4, Fall 1988. Pp. 285-293,.
HOLMES, Fenwicke W. “The Information Infrastructure and how to win with it”. In: IMR. Vol.1:2, 1985. Pp 09-19.
HORTON JR., F. W. Information Resources Management: Concepts and Cases. Cleveland, Association for Systems Management, 1979.
BUCKLAND, Michael K. “Information as Thing”. In: Journal of the American Society for Information Science. V. 42, n. 5, p. 351-360, 1991.
COMBS, Richard E., MOORHEAD, John D. The Competitive Intelligence Handbook. London: The Scarecrow Press, 1992. 187 p.
CRONIN, Blaise & DAVENPORT, Elisabeth. Elements of Information Management. London, The Scarecrow Press, 1991.
MINTZBERG, H. The Nature of Managerial Work. New York, Harper & Row, 1973.
DEGENT, R. J. “A importância Estratégica e o Funcionamento do serviço de Inteligência Empresarial”.In: Revista de Administração de Empresas. v. 26, n. 1, p. 77-83, jan./mar 1986.
MARTIN, J. Sperling. “Building an Information Resource Center for Competitive Intelligence”. In: Online Review. Vol. 16, n. 6, 1992.
MARTINSONS, M. G. “A Strategic Vision for Managing Business Intelligence”. Information Strategy: The Executive Journal. Pp. 17-30, Spring 1994.
SAPIRO, A. “Inteligência empresarial: a revolução informacional da ação competitiva”. In: Revista de Administração de Empresas. V. 33, n. 3, p. 106-117, mai./jun. 1993.
VIEIRA, Anna da Soledade. “Conhecimento como recurso estratégico empresarial”. In: Ciência da Informação. V. 22, n. 2, p.99-101, maio/ago. 1993.
WADDELL, Dianne, SOHAL, Amrik. S. “Forecasting the Key to Managerial Decision Making”. In: Management Decision. Vol. 32, n. 1, p. 41-49, 1994.
Conclusão - Informação e Cidadania (1 aula)
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MAURER, Alfred C. “National Security and the Right to Know”. In: MAURER, A.C., TUNSTALL, Marion D. & KEAGLE, James M. (editors). Intelligence: Policy and Process. Boulder and London, Westview Press, 1985. Páginas 88-99.WITKOWSKI, N. (coord.) Ciência & Tecnologia Hoje. Textos sobre “Trabalho”, “Estruturas Econômicas” e “Vida Política e Social” na Parte I. Páginas 37-55, 78-88 e 104-113”. REIS, Elisa M. Pereira. (1990). “Opressão Burocrática: O Ponto de Vista do Cidadão”. In:
Estudos Históricos. Vol. 3 (6). pp 161-179.
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ETZIONE, Amitai (org.). Organizações Complexas. São Paulo, Atlas, 1973. (1961). Textos da Parte 5 (“Organização e Sociedade”). Ver textos de Lipset, Eisenstadt e Janowitz, nas páginas 253-277.REIS, Fábio W. (1994). “Cidadania, Mercado e Sociedade Civil”. In: MITRE, Antonio F. (org.). Ensaios de Teoria e Filosofia Política em Homenagem ao Prof. Carlos Eduardo Baesse de Souza. Belo Horizonte, UFMG. Pp 117-139.
SCHAFF, Adam. (1985). A Sociedade Informática. São Paulo, Brasiliense/Unesp, 1993. Quarta edição. Parte I (“As Conseqüências Sociais da Atual Revolução Técnico-Científica”). Páginas 19-95.
TURNER, Bryan S. (1990). “Outline of a Theory of Citizenship”. In: Sociology. Vol. 24 (2). Pp 189-215.