Júlio César Pereira Salgado
Técnicas e Práticas Construtivas:
da Implantação ao Acabamento
1ª Edição
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Salgado, Júlio César Pereira
Técnicas e práticas construtivas : da implantação ao acabamento / Júlio César Pereira Salgado. -- 1. ed. -- São Paulo : Érica, 2014.
Bibliografia.
ISBN 978-85-365-0687-6
1. Canteiro de obras 2. Construção 3. Engenharia civil I. Título.
14-01179 CDD-624
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Coordenação Editorial: Rosana Arruda da Silva
Capa: Maurício S. de França
Edição de Texto: Beatriz M. Carneiro, Bruna Gomes Cordeiro, Carla de Oliveira Morais Tureta, Juliana Ferreira Favoretto, Nathalia Ferrarezi, Silvia Campos
Preparação de texto e Editoração: Triall Composição Editorial Ltda
Produção Editorial: Adriana Aguiar Santoro, Alline Bullara, Dalete Oliveira, Graziele Liborni,
Laudemir Marinho dos Santos, Rosana Aparecida Alves dos Santos, Rosemeire Cavalheiro
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Agradecimentos
O agradecimento mais importante é para a minha esposa, por ter participado da elaboração deste livro com palavras de entusiasmo e otimismo.
Aos meus filhos Thaís e Lucas, pela torcida por um bom trabalho realizado.
Agradeço com o mesmo entusiasmo Àquele que nos arquiteta e nos inspira em nosso dia a dia. Ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, câmpus Caraguatatuba, pelo incentivo.
Sobre o autor
Julio Salgado é natural da cidade de Pindamonhangaba (SP), nascido em 1957. É técnico em Edificações. Iniciou seu aprendizado na área da construção civil em 1975, trabalhando em obras residenciais. Graduou-se em Engenharia Civil pela Universidade de Taubaté SP, em 1984. Atuou pre-dominantemente em diversas obras de médio porte na construção de pré-moldados, o que direta-mente envolve um contato com diversas máquinas e equipamentos voltados à produção e à manu-tenção industrial, sempre à frente da execução dos serviços até o ano de 2003.
A partir de 1979 teve início – sempre que as atividades profissionais o permitissem – sua expe-riência didática no Ensino Médio, e desde o ano de 2003 vem se dedicando à educação, concluindo seu mestrado em Ciências da Educação em 2009, especialização em Gestão Pública em 2013, e atu-ando como professor na área da Construção Civil pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tec-nologia, atualmente no campus de Caraguatatuba-SP.
É autor de outros livros na área da Construção Civil: Técnicas e práticas construtivas, Gestão
para mestre de obras e Instalações hidráulicas, todos pela Editora Érica.
Sumário
Capítulo 1 - Preparativos Iniciais ... 11
1.1 Conceito ...11
1.2 Classificação das construções quanto ao uso ...12
1.3 Fases da obra ...12
1.4 Instalações provisórias ...16
Agora é com você! ...22
Capítulo 2 - Implantação da Obra ... 23
2.1 Locação ...23
2.2 Movimento de terra ...27
2.3 Segurança e cuidados nas escavações ...29
2.4 Escoramentos ...29
Agora é com você! ...30
Capítulo 3 - Fundações ... 31
3.1 Fundações ou infraestrutura ...31
3.2 Fundações superficiais ...32
3.3 Fundações profundas ...36
Agora é com você! ...40
Capítulo 4 - Impermeabilização ... 41
4.1 Conceito ...41
4.2 Nomenclatura usual ...42
4.3 Classificação dos impermeabilizantes ...43
4.4 Tipos de impermeabilização ...44
4.5 Proteção mecânica ...47
4.6 Cuidados na execução de impermeabilizações ...47
Agora é com você! ...48
Capítulo 5 - Concreto ... 49 5.1 Concreto ...49 5.2 Tipos de concreto ...49 5.3 Componentes do concreto ...51 5.4 Aditivos ...52 5.5 Mistura do concreto ...55
5.6 Aplicação do concreto ...57
5.7 Cura do concreto ...62
5.8 Equipamentos auxiliares ...63
Agora é com você! ...64
Capítulo 6 - Formas e Escoramentos ... 65
6.1 Conceito ...65
6.2 Materiais para execução de fôrmas ...66
6.3 Tipos de fôrmas ...67
6.4 Nomenclaturas usuais para fôrmas de madeira ...67
6.5 Exemplos de montagem de fôrmas e escoramentos ...69
6.6 Considerações gerais sobre fôrmas ...73
6.7 Prego ...75
Agora é com você! ...76
Capítulo 7 - Armação ... 77
7.1 Conceito ...77
7.2 Categoria e classes ...77
7.3 Cobrimento da armadura ...78
7.4 Armação típica das peças estruturais ...79
7.5 Interpretação das nomenclaturas em projeto ...80
7.6 Tabela de resumo de aço ...81
7.7 Comercialização ...82
7.8 Arames para amarração ...82
7.9 Ilustrações de corte, dobra e montagem ...83
7.10 Planejamento de corte ...84
7.11 Cuidados ...84
7.12 Telas soldadas para concreto armado ...85
Agora é com você! ...87
Capítulo 8 - Alvenarias ... 89
8.1 Conceito de alvenaria ...89
8.2 Aspectos construtivos de uma alvenaria ...90
8.3 Projeto de uma alvenaria ...91
8.4 Tipos de elementos de alvenaria ...91
8.5 Argamassa de assentamento ...94
8.7 Execução das alvenarias ...95
Agora é com você! ...102
Capítulo 9 - Gesso Acartonado – Sistema Drywall ... 103
9.1 Sistema drywall - Conceito ...103
9.2 Tipos de chapas de gesso acartonado ...104
9.3 Utilizações e propriedades ...105
9.4 Revestimento ...105
9.5 Instalações embutidas ...106
9.6 Cuidados ...106
Agora é com você! ...106
Capítulo 10 - Laje Pré-Moldada – Uso Residencial ... 107
10.1 Conceito geral ...107
10.2 Montagem ...108
10.3 Armação de distribuição ...110
10.4 Espessura da laje pré-fabricada ...110
10.5 Instalações embutidas ...110
10.6 EPS – Poliestireno expandido ...111
10.7 Cuidados com a laje pré-moldada ...111
Agora é com você! ...112
Capítulo 11 - Cobertura ... 113
11.1 Cobertura ...113
11.2 Estrutura da cobertura ...114
11.3 Medidas usuais para cobertura em telhas cerâmicas ...115
11.4 Ponto do telhado ...115
11.5 Tipos de emendas em vigas de madeira ...116
11.6 Sambladuras ...117
11.7 Estrutura do telhado ...118
11.8 Colocação das telhas e acabamento ...119
11.9 Tipos de telhas ...119
11.10 Calhas e condutores ...124
11.11 Cuidados na execução e manutenção de um telhado ...125
Capítulo 12 - Esquadrias ... 127
12.1 O que é esquadria? ...127
12.2 Componentes de uma esquadria ...128
12.3 Materiais utilizados...128
12.4 Tipos de esquadrias ...129
12.5 Medidas usuais das portas e janelas ...132
12.6 Assentamento ...133
12.7 Uso de contramarcos ...136
12.8 Ferragens e acessórios ...136
12.9 Vidros ...136
Agora é com você! ...138
Capítulo 13 - Revestimentos ... 139
13.1 O que é revestimento de uma obra? ...139
13.2 Revestimentos mais comuns ...139
Agora é com você! ...148
Capítulo 14 - Pintura ... 149
14.1 Por que a pintura? ...149
14.2 Sistema de pintura ...150
14.3 Componentes de uma tinta ...150
14.4 Tipos de tinta e complementos ...151
14.5 Preparo da superfície para pintura ...152
14.6 Defeitos na pintura ...155
14.7 Recomendações gerais ...156
Agora é com você! ...156
Capítulo 15 - Máquinas e Equipamentos ... 157
15.1 Definições ...157
15.2 Manutenção ...158
15.3 Ferramentas mínimas ...158
15.4 Ferramentas e máquinas – Orientações gerais ...159
15.5 Ferramentas de corte – Orientações gerais ...160
15.6 Normas pertinentes ...160
15.7 Ferramentas e máquinas – Figuras ilustrativas ...161
Anexo 1 ... 163
Apresentação
O livro Técnicas e Práticas Construtivas: da Implantação ao Acabamento se refere a serviços abordados no dia a dia da construção civil oferecendo um aprendizado de forma fácil, agradável e acessível. Os assuntos estão abordados em etapas sequenciais na execução dos trabalhos. São eles:
Capítulo 1 – Preparativos iniciais: tem por finalidade dar um conhecimento das diferentes eta-pas de uma obra bem como mostrar os conceitos de um canteiro de obras.
Capítulo 2 – Implantação da obra: está voltada aos aspectos gerais da implantação de um can-teiro de obras partindo da locação da construção até a os cuidados com a movimentação de terras e nas escavações para as fundações.
Capítulo 3 – Fundações: aborda os principais tipos de fundações e seus modos de execução. Os cuidados nas suas execuções são também abordados.
Capítulo 4 – Impermeabilização: são feitas considerações sobre a sua importância e os tipos principais bem como a sua aplicação.
Capítulo 5 – Concreto: explica os diferentes tipos de concreto, sua execução e os cuidados que se deve ter na sua aplicação.
Capítulo 6 – Formas e escoramentos: aborda os princípios da execução das formas para con-creto, seus escoramentos e seus cuidados na execução.
Capítulo 7 – Armação: apresenta o porquê das armaduras no concreto, sua execução e cuidados. Capítulo 8 – Alvenaria: são apresentados os principais tipos de alvenaria, suas funções e suas execuções.
Capítulo 9 – Gesso acartonado (Sistema Drywall): é apresentado o sistema de construção a seco como alternativa para divisões de ambientes.
Capítulo 10 – Laje pré-moldada: são considerados neste capítulo sua estrutura e montagem. Capítulo 11 – Cobertura: são considerados neste capítulo os princípios da execução de uma cobertura com suas estruturas básicas tanto para telhas de cerâmica como para telhas de cimento amianto.
Capítulo 12 – Esquadrias: são apresentados os diferentes tipos de esquadrias, suas funções e a suas instalações na obra.
Capítulo 13 – Revestimentos: detalha suas funções e importância e seus diferentes sistemas de execução em pisos e paredes
Capítulo 14 – Pintura: sua importância é aqui mostrada e seus diferentes sistemas de aplicação para diversos substratos.
Capítulo 15 – Máquinas e equipamentos: são mostrados os principais equipamentos e os crité-rios para manutenção.
Capítulo 16 – Normas técnicas: são listadas as principais normas técnicas da ABNT.
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Preparativos Iniciais
Neste capítulo serão abordados os aspectos básicos para o início de uma obra, inclusive a verifi ca-ção do terreno, as principais etapas de uma construca-ção, e suas instalações provisórias.
Para começar
1.1 Conceito
Este trabalho visa à informação e à correta aplicação dos diferentes materiais empregados em uma construção, sem, no entanto, se preocupar com as suas características físico-químicas, assunto que é específi co de outras fontes e publicações.
Um aspecto importante que não será esquecido é a aplicação de novas tecnologias em um pro-cesso construtivo, sem deixar de considerar os propro-cessos práticos e importantes que auxiliam muito as tarefas do dia a dia de uma obra.
É também necessário ter em mente que uma obra passa por diferentes etapas construtivas, e que as construções têm características próprias e requerem, em maior ou menor grau, diferentes especializações que vão infl uenciar no tempo de execução, na qualidade, na segurança e no acaba-mento, refl etindo, assim, no processo de entrega e uso fi nal da edifi cação.
1.2 Classificação das construções quanto ao uso
A classificação mais significativa das construções e seus usos: 1) Obras industriais 2) Obras comerciais 3) Obras rurais 4) Obras rodoviárias 5) Obras ferroviárias 6) Obras portuárias 7) Obras aeroportuárias 8) Obras especiais 9) Obras temporárias 10) Obras de arte 11) Obras mistas 12) Obras subterrâneas 13) Obras aquáticas 14) Monumentos
1.3 Fases da obra
É importante para um profissional da construção civil distinguir rapidamente as diferentes fases de uma obra, independentemente de seu tipo e seu uso. A seguir encontram-se as principais dessas fases:
1.3.1 Verificação do terreno e sondagem
De posse dos projetos necessários, é importante verificar o terreno onde a obra será edificada, tentando observar todas as implicações e facilidades, desde a existência de água superficial, rochas e pedras, acessos, árvores, matagal, animais, construções vizinhas, existência de rede de abastecimento de água (e sua capacidade), energia elétrica (e sua capacidade), rede de telefone, declividade etc.
Tais verificações se fazem necessárias para um perfeito planejamento, instalação de um can-teiro de obras e contribuição do sucesso do empreendimento.
1.3.2 Projeto
É o principal elemento de trabalho de um profissional da construção. É nele que as informa-ções de execução estão inseridas, tais como:
» Locação: é a orientação do posicionamento da obra em relação a determinado ponto ou lugar.
» Planta baixa (executiva/arquitetura): desenho com as informações básicas tais como cotas horizontais, destinação dos cômodos, materiais de acabamento, peças dos mobiliários ou de instalações, entre outros.
» Cortes: é onde se encontram as informações não representadas em planta baixa, tais como as medidas verticais e outros detalhes.
» Urbanização: representa os detalhes de acabamento externo, por exemplo, o ajardina-mento.
» Instalações: são vários projetos, conforme a obra, onde se verificam os detalhes de instala-ções hidrossanitárias, elétricas, incêndio, telefonia etc.
» Memorial de especificações (memorial descritivo): é o caderno em que se encontram, por escrito, todos os detalhes, materiais e especificações a serem empregados na obra.
1.3.3 Implantação da obra e locação
Muitas vezes, durante a implantação do canteiro de obras, tem início a obra principal. Nessa etapa são verificados os primeiros movimentos de terra, sempre que necessários, acompanhados pelos responsáveis pela marcação (topógrafos) dos principais pontos (Referência de Nível = RN).
As marcações das Referências de Níveis se fazem necessárias, porque a partir desses pontos a obra será demarcada seja quanto às medidas horizontais (comprimentos e larguras), seja quanto às medidas verticais (alturas). E, o mais importante, é que os RNs sejam o mais preciso possível e devi-damente protegidos quanto à sua destruição e a seus deslocamentos.
O canteiro de obras, por mais simples que seja, é o local da obra onde serão executados todos os trabalhos intermediários e preparativos para a obra, além de ser o local destinado aos depósi-tos de materiais e muitas das vezes onde serão construídas as instalações operacionais (escritórios, almoxarifados etc.) e as instalações de convivência (refeitórios, área de lazer).
Nem sempre o projeto de um canteiro de obras é especificado no projeto principal. No entanto, se faz necessário um planejamento para a sua instalação onde deverão ser observados todos os aspectos da obra. As informações coletadas quando da visita e verificação do terreno serão bas-tante úteis nessa etapa.
Em alguns casos, por falta de espaço no terreno destinado às construções, não há possibilidade da instalação de um canteiro de obras adequado e, nesse caso, pode-se optar pelo aluguel de um ter-reno adjacente ou o mais próximo possível da obra.
1.3.4 Movimento de terra e drenagem
Uma vez estabelecido o RN da edificação é também importante que seja realizado todo o movimento de terra, seja corte ou escavação, para o início propriamente dito das obras. Não menos importante é a proteção quanto à ação das águas pluviais (chuva), de modo que não causem prejuí-zos durante a execução dos trabalhos.
1.3.5 Fundações e infraestrutura
É a etapa da obra em que são executadas as estruturas de sustentação da edificação com a fina-lidade de descarregar os esforços no solo. Cuidados deverão ser observados nas escavações, de modo que propiciem proteção aos trabalhadores, protegendo-os de possíveis desmoronamentos. Outro cuidado a ser observado é quanto à presença de água, que pode dificultar os trabalhos e, neste caso, medidas de rebaixamento de lençol freático deverão ser tomadas.
1.3.6 Impermeabilização
É o procedimento que visa a evitar a influência da água nas edificações. Normalmente são execu-tadas no respaldo (parte superior) das fundações. Vale lembrar: Não existe “meio” impermeabilização ou impermeabilização “mais ou menos”. É tempo e dinheiro jogado fora e sérios transtornos no futuro!
Existem vários processos de impermeabilização e em casos especiais é conjugada com o sis-tema de drenagem.
1.3.7 Alvenaria
São as paredes que vão definir as diferentes áreas de uma edificação.
1.3.8 Superestrutura
São as estruturas que irão suportar todos os esforços construtivos e de uso de uma edificação. É nessa etapa das obras que surgem os pilares, as vigas e as lajes, quando forem necessárias. Cuida-dos deverão ser tomaCuida-dos na montagem de andaimes e nos cimbramentos Cuida-dos trabalhos de forma, armação, concretagem e desforma.
Capítulo à parte são os cuidados do lançamento e adensamento dos concretos.
1.3.9 Pisos
Já é uma etapa construtiva, em que muitos consideram já como etapa de acabamento da obra, porém é importante que sua base de sustentação esteja corretamente executada e, em alguns casos, requer um eficiente tratamento de impermeabilização. Um defeito muito comum é o não respeito às declividades em direção aos pontos de escoamento, principalmente nas áreas consideradas “molha-das” onde o uso da água é constante, por exemplo, em edificações residenciais: banheiros, áreas de serviço, cozinhas, lavanderias, varandas e canis.
Quando se fala em “pisos”, normalmente vem à lembrança aquele piso onde encontramos peças de cerâmica assentadas. É bom lembrar que não é só isso. Também podem ser executados pisos de concreto destinados a suportar enormes carregamentos e às vezes dosados com aditivos que proporcionam características de alto desempenho.
1.3.10 Cobertura
O sistema de estrutura do telhado, mais as telhas, é o que se denomina “cobertura”. Sistemas e materiais são inúmeros para as diferentes utilizações. Cuidados especiais deverão ser tomados no caso do uso de madeiras: estas deverão ser realmente de lei (madeira dura e compactada) e isenta de umidade natural (madeira seca) para que não haja comprometimento da estrutura em caso de retra-ções indesejáveis. Telhados extensos demandam um projeto específico.
1.3.11 Esquadrias
Trata-se do assentamento dos batentes (portais) das portas e das janelas (ou “vitraux”). As folhas de portas, ferragens e vidros normalmente são colocados dias antes da entrega da obra, já em sua fase final de construção.
1.3.12 Instalações hidráulicas, elétricas e incêndio
Muitas vezes, por intermédio de projetos específicos, as instalações de abastecimento e proteção são executadas antes do início do acabamento (revestimentos) final das obras. Atenção redobrada deve ser dispensada, uma vez que, quaisquer problemas nas instalações que surgirem após os revestimentos finais, acarretarão transtornos irreparáveis, principalmente quando a edificação já estiver em uso.
As tubulações hidráulicas devem ser testadas sob pressão para verificar possíveis pontos de vazamentos; as instalações elétricas, testadas quanto à fuga de energia, aterramentos, e equilíbrio das tensões; e, por último, as instalações de combate a incêndio, testadas quanto à pressão de água nos hidrantes e demais sistemas de controle.
1.3.13 Revestimento
É a etapa da obra em que são executadas as medidas de proteção (finalidade principal dos revestimentos) de tudo o que foi edificado. Na grande maioria das vezes, concilia-se proteção e beleza. É quando o proprietário mais observa, principalmente se a obra for residencial. São executa-dos nessa fase os rebocos, emboços, a pintura, e assentaexecuta-dos azulejos e cerâmicas.
1.3.14 Isolamento térmico e acústico
Algumas obras requerem serviços especiais, como a de serem providas de isolamentos de som (acústico) e de calor (térmico). Para isso, materiais especiais são empregados, e normalmente aplica-dos com mão de obra especializada.
São exemplos de isolamento acústico as salas de gravação, os ambientes próximos a ruídos excessivos, as casas de espetáculos, entre outros. E, quanto ao isolamento térmico temos: câmaras frigoríficas, salas destinadas ao abrigo de equipamentos de alta sensibilidade, fornos, entre outros.
1.3.15 Pintura
Também é considerada um revestimento. Técnicas apropriadas são empregadas para propor-cionar durabilidade adequada e cumprir a sua função de proteger o substrato (onde a tinta se fixa). Cada tipo de tinta possui especificação própria e deve ser rigorosamente seguida.
Em ambientes industriais as tintas não são utilizadas com a finalidade primeira de embeleza-mento, e sim de proteção.
1.3.16 Paisagismo e limpeza
Nessa etapa, no final de uma edificação, são executados os serviços de paisagismo, com o plan-tio de gramas, árvores, plantas ornamentais e, para completar, a limpeza final para entrega da obra ao cliente.
1.3.17 Entrega da obra
Depois de tudo limpo, é importante uma conferência das instalações e se necessário, corrigir os defeitos e efetuar retoques antes da entrega ao cliente.
1.4 Instalações provisórias
A Norma Regulamentadora nº 18 estabelece diretrizes de ordem administrativa, de planeja-mento e de organização, que objetivam a implementação de medidas de controle e sistemas preven-tivos de segurança nos processos, nas condições e no meio ambiente de trabalho na Indústria da Construção (Ministério do Trabalho, Portaria nº 4, de 4 de julho de 1995).
Essa norma e outras relativas à segurança no trabalho podem ser obtidas no seguinte ende-reço: <http://www.mte.gov.br/legislacao/normas_regulamentadoras/>.
1.4.1 Edificações provisórias – NR 18
São as instalações destinadas ao apoio às obras de construção. Estas devem ser executadas com materiais de baixo custo, sem, no entanto, comprometer os objetivos e as especificações da NR 18.
NR 18 é a Norma Regulamentadora nº 18 do Ministério do Trabalho e Emprego, que visa às condições de saúde e segurança do trabalhador na construção civil.
Normalmente essas construções são moduladas conforme o material a ser utilizado, em geral, chapa de madeira compensada de 1,22 m × 2,44 m, com 6 ou 8 mm de espessura, assentadas sobre pontaletes de madeira de 7 × 7 cm ou 5 × 5 cm e com cobertura de telhas de cimento amianto. O piso normalmente é de cimento, com acabamento “desempenado” e “queimado”.
As instalações sanitárias são o mais simples possível, respeitando as condições mínimas de higiene, bem como as instalações elétricas.
Quanto às dimensões dos diversos cômodos, estas deverão obedecer às estabelecidas na NR 18 ou no Código de Obras do Município da obra.
Áreas operacionais
São as instalações destinadas à:
» escritórios, almoxarifados, depósitos;
» instalações de preparo de formas, armação e concretos; » manutenção de máquinas e equipamentos.
Essas instalações requerem o mínimo possível e necessário para a operacionalidade da obra. Devem-se prever instalações elétricas e hidráulicas compatíveis com o número de pessoas que irão ocupar tais instalações.
Áreas de vivência
São as instalações destinadas a: » refeitórios; » sanitários; » lazer; » dormitórios; » ambulatório; » vestiários.
Para os funcionários que vão permanecer na obra, deverão ser previstas instalações que propi-ciem conforto mínimo e obedecer aos requisitos mencionados na NR18.
1.4.2 Preparação do terreno
A limpeza do terreno consiste na retirada de todos os eventuais entulhos e obstáculos para a construção. Estes devem ser removidos e destinados a local apropriado. Em alguns casos pode-se proceder à abertura de buracos para que sejam enterrados ou, ainda, se for possível, aproveitá-los para um aterro, dependendo da qualidade do material.
Uma vez feita a limpeza dos entulhos e outros materiais, deve ser retirada toda a vegetação, inclusive da camada vegetal do solo, o que normalmente não ultrapassa 20 centímetros. Isto pode ser feito com ferramentas manuais (enxadas) ou equipamento apropriado (tratores com lâminas, patrol etc.), dependendo do tamanho da área a ser edificada.
A necessidade da remoção da camada vegetal se faz necessária porque pode comprometer a estabilidade da base de aterros ou de pisos.
Cuidado especial também deve ser observado quanto às árvores que não serão retiradas, e que estejam próximas às construções, pois as suas raízes causam sérios problemas para as fundações e as redes de abastecimento.
Cuidado especial para a remoção de árvores: consultar com antecedência os órgãos florestais competentes.
1.4.3 Movimento de terra
Destinado a adequar a condição do terreno para a implantação da obra, os movimentos de terra (corte e/ou escavação) são executados após a intervenção topográfica, onde são definidos as cotas e os marcos necessários.
Equipamentos mais comuns utilizados: » retroescavadeira;
» pá carregadeira;
» caminhões basculantes.
1.4.4 Fechamento e cercas
A economia é um item que deve sempre estar presente em todos os aspectos da obra, sem comprometer o projeto e a segurança.
No canteiro de obras isso não é diferente. Os fechamentos e cercas devem ser sempre de material que não comprometa os custos.
No final da obra, essas instalações serão desfeitas para dar lugar ao fechamento definitivo e nem sempre os materiais uti-lizados são reaproveitados.
Os materiais comumente utilizados para o fechamento (também chamados de tapumes) são placas ou chapas de madeira compensada resinada, na medida de 1,22 m × 2,44 m, com 6 ou 8 mm de espessura, de segunda qualidade e, quando muito, pintadas com tinta látex de segunda linha ou com tinta à base de cal.
É bom que se faça uma análise do projeto quanto ao fechamento da área. Muitas vezes, parte do fechamento provisório pode ser substituída pelo fechamento definitivo.
E não esquecer da necessidade de um portão de pelo menos 3,20 m de largura, destinado à entrada e saída de equipamentos. Em canteiros de obras de grande porte, esses acessos podem até ser independentes.
Para sua execução, o procedimento é o seguinte:
» Limpeza e alinhamento do local do tapume a ser executado.
» Escavação de buracos de pelo menos Ø 20 cm, com 40 cm de profundidade, e espaçados a cada 1,22 m (largura da chapa).
» Colocação de “pontaletes” de madeira na bitola de 7 × 7 cm, com pelo menos 2,90 m de comprimento nos buracos escavados, na posição vertical e a prumo. Apiloar (socar) com terra o buraco com os pontaletes posicionados.
» Fixação das chapas nos pontaletes com pregos.
» É bom que, pelo menos a cada oito chapas de fechamento, seja executado um apoio de sustentação no sentido vertical ao tapume executado.
Outro sistema a ser considerado é a execução do fechamento com cerca de arame, e o uso de mourões de concreto ou de madeira.
1.4.5 Drenagem
A água, às vezes, é um inconveniente para as obras de construção civil e, portanto, convém prevenir sua ação. Seria desagradável ter uma atividade interrompida por haver água empoçada e formação de lama no canteiro de obras.
Nesse caso, viabilizar a construção de valas com inclinação mínima de 1% para o escoamento rápido das águas pluviais e tomar cuidados de mantê-las sempre desobstruídas. Não esquecer de pre-ver dutos de passagem da água nas vias de acesso.
É evidente que a dimensão das valas deve ser compatível com a expectativa do volume pluvio-métrico e a sua intensidade, prevendo, assim, surpresas desagradáveis.
1.4.6 Acessos
Item pouco considerado num canteiro de obras são os acessos de entrada e saída de materiais e sua distribuição. De acordo com a obra, tais acessos deverão ser o mais simples possível, tomando-se o cuidado de ter sempre condições de trânsito. No planejamento e, dependendo do porte da obra, tal item é de fundamental importância.
Os acessos e o sistema viário devem ser executados com material de boa procedência e qualidade, compatível com os custos previstos da obra. A drenagem comentada no item 1.4 é um procedimento que, quando bem executado, proporcionará pouco desgaste nas vias internas de um canteiro de obras.
1.4.7 Fornecimento de água
Uma obra não tem bom desempenho se não for garantido um suprimento de água confiável e constante. Para isso, é bom tomar algumas providências:
» Rede pública: O volume de fornecimento é compatível com o consumo da obra? Se não, é necessário solicitar ligação de maior fornecimento. O fornecimento não sobre interrupção constante? Se sim, providenciar condição de estoque de água, seja por meio de tambores apropriados, construção de cisterna ou cacimbas, ou contratação de fornecimento externo de água (caminhões pipa).
» Não há rede pública de abastecimento: Nesse caso é necessária a construção de cisternas (ou cacimbas), que consiste na escavação de um buraco no solo de aproximadamente 80 cm de diâmetro até a profundidade suficiente onde se encontre água (lençol freático) em volume necessário para o abastecimento da obra. Essa cisterna deve ser revestida com alvenaria de tijolos furados no sentido transversal ou com manilhas de concreto no diâ-metro da escavação.
Esse procedimento visa à proteção do poço contra eventuais desabamentos. O local deve ser protegido na superfície quanto à queda de materiais e pessoas. A retirada da água deve ser feita com baldes, utilizando um sarilho ou mesmo bombas de água acionadas eletricamente. Muita atenção quanto à época da escavação do poço. Em períodos de seca, o lençol freático é mais profundo. Deve--se, também, observar o volume de reposição da água no poço, quando o consumo é muito grande.
Em alguns casos não se encontra água em profundidade compatível a um poço (cisterna) a céu aberto, e a opção é um poço artesiano.
1.4.8 Fornecimento de energia elétrica
Da mesma forma quanto ao fornecimento de água, o fornecimento de energia elétrica não é menos importante. Portanto, em primeiro lugar, verificam-se quais os equipamentos e máquinas elé-tricas serão utilizados na obra e suas respectivas potências eléelé-tricas com o cuidado de anotar o equi-pamento de maior potência e consumo. Não esquecer, no entanto, as instalações próprias do canteiro tais como iluminação, tomadas de energia, chuveiros, equipamentos de escritório, entre outros.
De posse dessas informações, solicita-se à concessionária local a devida ligação provisória de energia elétrica. É interessante uma consulta prévia, pois as exigências para tal ligação podem variar de local para local, de acordo com a disponibilidade de fornecimento de energia por parte da con-cessionária.
Quando não há rede pública de energia elétrica. é necessária a instalação de um gerador de energia elétrica compatível para suprir a demanda da obra.
1.4.9 Esgoto
Feitas as instalações hidráulicas, também deve haver uma preocupação de dar um destino aos esgotos gerados pela obra. Se não houver rede pública de coleta, serão então construídas fossas sép-ticas e sumidouros quando for o caso. Se for necessária a construção de fossas, estas devem ser esva-ziadas ao final da obra e devidamente aterradas.
Uma alternativa bastante interessante e que deve ser considerada é o uso de sanitários químicos, Figura 1.1, pois proporcionam rápida instalação, principalmente no início da implantação de uma obra.
Figura 1.1 - Banheiro químico.
1.4.10 Estocagem de materiais
Os materiais utilizados nas obras podem ser perecíveis (que em contato com as intempéries, modificam suas características), como o cimento, a cal, o gesso, e devem ser estocados apropriada-mente e protegidos das intempéries, e os não perecíveis, por exemplo, areia, pedra, tijolos, ferros etc. que podem ser armazenados ao ar livre.
» Cimento e cal: devem ficar armazenados, protegidos do sol, da chuva e da umidade, em depósitos cobertos, conforme Figura 1.2, arrumados sobre estrados de madeira, afastados das paredes e do piso cerca de 10 centímetros.
Afastamento de pelo menos 10 cm da parede Empilhamento máximo de 10 sacos Afastamento de pelo menos 10 cm do piso
Figura 1.2 - Estocagem do cimento.
» Areia e pedra: devem ser armazenadas em depósitos em forma de baias, separadas por divisórias de madeira, de acordo com as suas granulometrias. A declividade do solo na região das baias deve ser suficiente para que não haja acúmulo de água sob o material estocado. Prever acesso dos veículos que vão descarregar tais materiais.
» Tijolos: são armazenados em área nivelada, arrumados em pilhas de quinhentas unidades (para tijolos furados na medida de 20 × 20 × 10), ocupando uma área de aproximada-mente 1,30 m2. Em épocas de muita chuva, deve-se proteger as pilhas com lonas plásticas
para que a umidade constante não prejudique os tijolos.
» Madeiras: sempre que possível, são armazenadas em galpões cobertos e ventilados, tomando-se o cuidado de colocar sob as pilhas espaçadores sobre o solo para evitar que a umidade atinja a madeira. O tamanho do local é muito variável em virtude da
dade das “bitolas” e dos comprimentos das peças a serem utilizadas. As chapas de madeira compensada devem receber cuidado especial e ser protegidas contra as intempéries.
» Ferros: não há necessidade de estocagem coberta, devendo ser reservada uma área de, no mínimo, 15 metros de comprimento e 50 centímetros de largura, para cada bitola. Essas barras deverão ser assentadas sobre cavaletes de madeira ou mesmo de ferro, distanciadas de 4 metros para as bitolas maiores e de 2 a 3 metros para as bitolas mais finas. Não esque-cer, sempre que possível, de deixar espaço suficiente para a entrada de caminhões para o descarregamento de material.
» Cerâmicas, azulejos, tubos e conexões: apesar de não serem materiais perecíveis, devem ser armazenados em locais cobertos e fechados (almoxarifado) por causa de seu alto custo e de sua fragilidade.
1.4.11 Distribuição de máquinas e equipamentos
As instalações das máquinas para execução dos trabalhos em canteiro de obras tais como: betoneira, serra de fita, serra de disco, bancadas de corte e dobramento de aço deverão obedecer a critérios de uso racional para evitar deslocamentos desnecessários e improdutivos.
Estudo específico deve ter o canteiro de obras quando for destinado, também, à produção de peças pré-moldadas, pois o uso de equipamentos de médio ou grande porte se faz necessário, a exem-plo de utilização de gruas, pórticos e guindastes, especificamente dimensionados para tal atividade.
É importante que esses locais sejam muito bem iluminados (para trabalhos noturnos) e suas instalações elétricas muito bem executadas.
1.4.12 Local para preparo de argamassas e concretos
Esse local (chamado de “masseira” ou “terreiro”) consiste de uma área de aproximadamente 6 m2 com revestimento executado em tijolos, tábuas ou cimentado com ligeiro caimento para o
cen-tro e protegido por tábuas laterais numa altura de aproximadamente 30 cm para evitar o espalha-mento dos materiais quando do preparo. Deve-se posicioná-la próximo a um ponto de água e estra-tegicamente colocado junto às baias de agregados e depósito de cimento. O mesmo princípio deve ser aplicado quando da montagem de uma betoneira.
1.4.13 Proteção contra incêndios
Em um canteiro de obras, os extintores portáteis de combate a incêndio são os equipamentos básicos e somente devem ser utilizados aqueles que atendem às normas vigentes. Para efeito prá-tico estão aqui relacionados os locais e tipos de extintores apropriados, que devem ser colocados em locais de fácil acesso e totalmente desobstruídos:
» escritórios de administração: extintor de água pressurizada (AP), água-gás (AG) ou de espuma;
» depósito de inflamáveis: extintor de CO2, pó químico seco (PQS) ou espuma; » cozinha e refeitório: extintor de CO2, pó químico seco (PQS) ou espuma;
» serra circular: extintor de água pressurizada (AP) ou água-gás (AG) para madeira e extintor de CO2 para o equipamento elétrico energizado;
» máquinas e equipamentos: extintor de CO2 ou pó químico seco (PQS).
É sempre bom lembrar que chamas e dispositivos de aquecimento devem ser mantidos afasta-dos de madeira e outros materiais infl amáveis, e que a areia é um bom aliado no combate a incêndio.
Você aprendeu a distinguir os diferentes tipos de construção e as diferentes etapas de um projeto. Aprendeu também a importância da boa organização de um canteiro de obras para o sucesso de uma construção.
Vamos recapitular?
Agora é com você!
1) Dos itens a seguir, identifi que a etapa da obra a que corresponde à: a) execução do projeto de instalação elétrica.
b) escavação das fundações. c) reirada fi nal dos entulhos. d) colocação de azulejos. 2) O que é o RN da obra? Explique.
3) Qual a importância de uma drenagem superfi cial do terreno na execução das obras? 4) Há alguma regulamentação para a construção de um canteiro de obras? Qual é? 5) Cite alguns itens que um construtor deve observar e verifi car num terreno antes
ini-ciar as obras.
6) Em sua região ou bairro deve haver algum terreno desocupado e imagine que nele será construído um posto de gasolina. Forme um grupo de trabalho e verifi que se esse terreno tem as condições necessárias e ideais para o início imediato das obras. Caso contrário, determine as ações que deverão ser tomadas.
Dica: talvez seja necessário coletar dados nas concessionárias de água, esgoto, energia elé-trica e telefonia.
Nunca hesite em chamar o corpo de bombeiros!
2
Implantação
da Obra
Este capítulo apresenta os aspectos que envolvem a técnica da marcação e locação de uma obra, e os movimentos de terra necessários.
Para começar
2.1 Locação
Entende-se por locação de uma obra a transferência dos dados e medidas de um projeto para o local (terreno) onde a edifi cação será consolidada. É considerada de grande importância, e cuida-dos deverão ser tomacuida-dos para que essas medidas sejam as mais confi áveis possíveis, pois seria muito desagradável perceber, já no adiantado da obra, que uma parede foi executada no lugar errado.
As etapas a seguir têm como base uma obra de pequeno a médio porte, onde não haverá necessidade da utilização de instrumentos e equipamentos especiais (apesar de os instrumentos de precisão serem sempre bem-vindos).
Para uma boa locação de uma obra, antes de qualquer atitude, é importante observar certos aspectos que proporcionarão um bom trabalho:
» O local da obra deve estar limpo e livre de vegetação .
» Utilizar instrumentos de medida (trena de pelo menos 20 m e “mangueira de nível ”) em perfeito estado de conservação e preferencialmente aferidos.
» Ter anotado nos desenhos as cotas e medidas acumuladas ponto a ponto. » Ter certeza da veracidade de RN (Referência de Nível).
» Estar com os materiais e ferramentas de marcação tais como: sarrafos de madeira com 10 cm de largura, serrote, pontaletes de madeira de 7 × 7 cm, linhas, pregos, tintas, lápis, martelo, marreta, estacas, entre outros.
» Ter auxiliares competentes.
2.1.1 1ª etapa – Definição do tipo de locação – gabarito
Para uma obra com poucos elementos a serem locados, a utilização de cavaletes estrategica-mente colocados nos principais alinhamentos é o mais recomendado e em obras com diversos ele-mentos a utilização de sarrafos de madeira ao longo da periferia da obra é a mais correta e segura, como se observa nas Figuras 2.1 e 2.2. Em ambos os casos, essas marcações estarão a aproximada-mente 50 cm acima do solo, no seu ponto mais alto, e muito bem fixadas ao solo, e em nível.
Sarrafo 2,5 x 10 cm
Pontaletes 7 x 7 cm firmemente cravados no solo
Travas com sarrafo 2,5 x 5 cm
Figura 2.1 - Exemplo de uma marcação utilizando sarrafos de madeira.
Figura 2.2 - Distância entre pontaletes.
2.1.2 2ª etapa – Posicionamento das locações
As locações devem estar afastadas, quando possível, a pelo menos 1 metro das escavações que serão feitas para a execução das fundações e dos alicerces. Deverão ser cravados firmemente no solo
pontale-tes alinhados e distanciados de 1,50 m a 2 m, e, em seguida, serão pregados, em nível, os sarrafos de madeira. O nivela-mento se consegue utilizando-se a “mangueira de nível”. O excesso (sobra) de pontalete acima do sarrafo deverá ser ser-rado. Em terrenos em aclive, as locações deverão ser feitas em forma de degraus, como mostra a Figura 2.3.
2.1.3 3ª etapa – Esquadro da obra
Uma vez definido o eixo principal da obra, deve-se proceder à marcação de um eixo transver-sal, o que se consegue com a utilização dos conceitos básicos do triângulo retângulo. As medidas cômodas de um triângulo a ser utilizado são 3 e 4 m para os catetos, e de 5 m para a hipotenusa (ou 60 × 80 × 100 cm). Veja a Figura 2.4.
Outra forma de conferir o esquadro dos alinhamentos dos eixos é medir as diagonais entre eixos paralelos, o que forma um quadrilátero. Essas diagonais devem ter a mesma medida.
5,00 m ou 100 cm
3,00 m ou 60 cm 4,00 m ou 80 cm
eixo eixo eixo
eixo
D D
eixo eixo
(b) (a)
Figura 2.4 - Exemplo de conferência do “esquadro” das medidas.
2.1.4 4ª etapa – Marcação dos alinhamentos
Sobre os sarrafos, já em nível, deverão ser marcados os alinhamentos das peças construtivas, de acordo com o projeto, como mostra a Figura 2.5. Essas marcações poderão ser feitas com pre-gos ou por entalhes executados com serrote. É conveniente que seja marcado no lado do sarrafo o número do eixo correspondente àquela marcação.
Uma marcação básica consiste em:
Figura 2.5 - Marcação sobre o sarrafo do gabarito.
Figura 2.3 - Gabarito em terreno em declive (ou aclive).
O alinhamento dos elementos construtivos tais como paredes e bases são defi nidos, então, pelo posicionamento de linhas ligando-se os eixos ou marcações correspondentes em cada lado do gaba-rito. Normalmente são utilizadas linhas de náilon nº 60 ou arames galvanizados nº 18.
Quando a distância entre os lados opostos de um gabarito é muito grande, são executados gabaritos intermediários.
Quando a distância entre os lados opostos de um gabarito é muito grande, são executados gabaritos intermediários.
Fique de olho! Fique de olho!
A Figura 2.6 mostra a planta de uma residência circundada por gabarito, em que constam: » os sarrafos fi xados nos pontaletes;
» as linhas dos eixos das paredes a serem construídas; » as cotas do projeto marcadas de forma acumulativa.
2.2 Movimento de terra
Muitas vezes será necessária uma adequação nos níveis do terreno em relação ao nível natural para a implantação de uma obra, de acordo com o projeto de arquitetura, ou seja, um movimento de terra deverá ser executado.
2.2.1 Corte e aterro
Uma vez limpo o terreno, deve-se fazer a conferência dos levantamentos planialtimétricos fornecidos pela topografia. Assim, são demarcados no terreno os marcos principais da obra (RN = Referência de Nível) para que se inicie, se for o caso, o movimento de terra para a adequação do ter-reno àquele projetado para a obra.
A porção de terra retirada chama-se de corte e a porção de terra destinada ao enchimento de determinada área chama-se aterro. Ambos os casos exigem procedimentos técnicos e profissional habilitado quando o volume a ser movimentado corresponde a:
» aterros com responsabilidade de suporte; » aterros com altura superior a 1 m;
» aterros com volume maior que 1.000 m3.
A Figura 2.7 apresenta elementos de um movimento de terra:
Figura 2.7 - Nomenclaturas em movimento de terra.
Quanto à classificação dos materiais para efeito de corte/escavação, podemos dizer:
» Material de 1a categoria: terras em geral, argilas, rochas em adiantado estado de
decompo-sição (saibro) e seixos com diâmetro máximo de 15 cm.
» Material de 2a categoria: rochas com resistência à penetração mecânica inferior ao granito.
» Material de 3a categoria: rocha com resistência à penetração mecânica igual ou superior
ao granito.
É evidente que existem ensaios normalizados para a garantia da qualidade do material a ser utilizado no caso de aterros e a sua compactação.
Quanto ao material a ser utilizado nos aterros, não são recomendadas as turfas, argilas orgâni-cas, solos com material orgânico, entre outros.
Para boa compactação em aterros, recomenda-se para compactação manual uma camada de material solto não superior a 20 cm, e para compactação mecanizada, a altura de material solto varia em função do equipamento utilizado podendo ser de 20 cm até 40 cm, e o grau de compactação não deve ser inferior a 95%.
Uma nova camada de solo solto só pode ser lançada após a verifi cação da qualidade da com-pactação da camada anterior e se não forem atingidos os valores adequados tal trecho deve obedecer às seguintes etapas de recomposição:
» escarifi cação; » homogeneização;
» acerto da umidade adequada; » recompactação;
» e, em último caso, troca do solo.
Toda a camada de solo vegetal deve ser retirada antes do início dos serviços de aterro.
Toda a camada de solo vegetal deve ser retirada antes do início dos serviços de aterro.
Respeite o ângulo de talude nos cortes e nos aterros de acordo com o solo utilizado e ensaios de laboratório.
Respeite o ângulo de talude nos cortes e nos aterros de acordo com o solo utilizado e ensaios de laboratório.
Fique de olho! Fique de olho!
Os equipamentos normalmente utilizados são: » caminhão basculante;
» retroescavadeira; » rolo compactador; » caminhões pipa; » trator de lâmina; » trator com grade; » motoniveladora.
Veja a seguir as orientações para um bom trabalho em solos:
» Terreno arenoso ou terra solta: escavação em talude, isto é, cortando o terreno em plano inclinado. Se a profundidade for grande, escava-se em degraus.
» Escavação vertical: proteger os barrancos conforme as normas de segurança ou projeto específi co.
» Terrenos com nascente d’água: desviar o curso da água ou executar drenos.
» Terrenos muito úmidos: fazer drenagem superfi cial ou rebaixamento de lençol freático antes da escavação ou aterro.
» Terrenos inclinados: fazer patamares horizontais antes dos aterros.
Os manuais dos equipamentos fornecem informações suficientes quanto à produ-tividade.
» Empolamento: frever o empolamento do material antes dos movimentos de terra. Empo-lamento é a relação percentual de volume do material escavado com o volume do mesmo material solto.
» “Selagem” do aterro: recomenda-se compactar o solo solto imediatamente na iminência de chuva.
» Compactação: tem de ser eficiente e com equipamentos adequados. O movimento de veículos sobre o solo a ser compactado cria uma “ilusão de solo compactado”: isso não funciona.
2.3 Segurança e cuidados nas escavações
Para que os trabalhos em terra ocorram de maneira segura, algumas medidas devem ser toma-das para efeito de segurança dos trabalhadores, dos equipamentos e do bom andamento da obra:
» Retirada ou escoramento de todo e qualquer material ou objeto.
» Verificação das construções vizinhas tais como: casas, muros e toda e qualquer constru-ção. Caso haja necessidade, executar escoramentos para proteconstru-ção.
» Desligamento de todos os cabos subterrâneos de energia elétrica. Na impossibilidade de tal procedimento, adotar medidas preventivas.
» Escoramento dos taludes instáveis ou com presença de água para escavações com profun-didade superior a 1,25 m (NR 18).
» Prever escadas ou rampas para escavações com mais de 1,25 m de profundidade.
» Escavações acima de 1,75 m de profundidade deverão ter, obrigatoriamente, escoramento apropriado (NR 18).
» Uma sinalização (inclusive noturna) deve ser prevista, inclusive todo o perímetro dos tra-balhos devem ser isolados.
» Vistoria das escavações e taludes após a ocorrência de chuvas. » Evitar trânsito de veículos próximos às escavações manuais. » Outras medidas afins.
2.4 Escoramentos
Numa escavação, seja ela para simples drenagem, seja para outros fins, cuidados quanto a des-moronamentos deverão ser tomados. Conforme o tipo de terreno deverá ser o escoramento e para profundidades acima de 1,25 m um escoramento deverá ser considerado, Figura 2.8.
» Para terrenos de consistência média, são usadas tábuas colocadas na vertical, espaçadas de pelo menos 1 m e apertadas contra o terreno por meio de “estroncas” horizontais na largura da canaleta.
» Em terrenos pouco consistentes, Figura 2.9, deve ser feita a colocação de tábuas umas junto às outras, unidas por uma prancha de madeira, na horizontal e ao longo da escava-ção, e devidamente “estroncadas”.
Figura 2.8 - Escoramento descontínuo em valas.
Figura 2.9 - Escoramento contínuo em valas.
Neste capítulo foram abordados os procedimentos para fazer um gabarito e a importância das medidas acumuladas a serem marcadas. Além disso, tiveram destaque as nomenclaturas usuais nos movimentos de terra, a diferença entre corte e aterro, e, ainda, como se deve proteger uma escavação em valas.
Vamos recapitular?
Agora é com você!
1) Qual a importância de uma boa locação de uma obra?
2) Talvez haja uma obra sendo iniciada no seu bairro ou na sua região. Monte um gru-po de trabalho, acompanhado gru-por um resgru-ponsável, e verifi que se as instalações dos gabaritos da obra estão de forma ideal e identifi que como as medidas foram marca-das nos sarrafos do gabarito. Discuta as observações feitas.
Dicas: antes de entrar numa obra não se esqueça de usar calçados e roupas adequados, e de pedir permissão ao responsável para entrar na obra. Procure usar também capacete de segurança. Se for tirar fotos ou fazer uma fi lmagem, peça permissão.
3
Fundações
Este capítulo apresenta as principais e corriqueiras fundações do dia a dia, e sua forma de execu-ção. E também a forma de preparar algumas das fundações para o recimento dos blocos de fundações para receber os pilares de uma obra.
Para começar
3.1 Fundações ou infraestrutura
Fundações são elementos estruturais destinados a suportar toda a carga de pressão proveniente dos carregamentos de esforços oriundos do peso próprio dos elementos estruturais como um todo, acrescidos dos carregamentos provenientes do uso (sobrecargas).
Esses elementos de fundação têm por fi nalidade distribuir todos os esforços estruturais para o terreno (solo) dando assim estabilidade à obra, como mostra a Figura 3.1.
Para a perfeita decisão sobre o tipo de fundação a ser utilizado é imprescindível não só o conhecimento das cargas atuantes no solo como também das características do solo, que vai suportar tais esforços. Para tanto, sondagens são realizadas, que têm por fi nalidade fazer uma prospecção das camadas profundas do solo e verifi car os tipos de solo, suas características (reconhecimento geoló-gico), bem como a presença de água. Nesse trabalho de reconhecimento são então retiradas amos-tras de solo, a cada metro de profundidade, que serão identifi cadas de acordo com a profundidade e depois analisadas em laboratório.
Figura 3.1- Carregamentos ou cargas numa estrutura.
No trabalho de sondagem analisa-se, também, a dificuldade de penetração das sondas, com a finalidade de verificar a resistência ao cisalhamento e a compressibilidade desses solos, que irão suportar todo o carregamento da estrutura projetada e definir os tipos de fundações adequados.
3.2 Fundações superficiais
São as também chamadas “fundações rasas”, pelo fato de não haver necessidade de equipamen-tos complexos para sua execução por serem a pouca profundidade.
Nesse grupo encontram-se os seguintes tipos: » sapata;
» bloco;
» radier;
» vigas de fundação.
3.2.1 Sapatas isoladas e blocos armados
São elementos estruturais cujos esforços não podem ser absorvidos somente pelo concreto e, para tanto, são usadas armaduras para suporte dos esforços de tração.
Normalmente essas sapatas, mostradas na Figura 3.2, são assentadas sobre estacas de concreto ou simplesmente apoiadas no solo, de acordo com o carregamento e/ou o tipo de solo.
Para a execução das sapatas deve-se assim proceder:
» As escavações devem seguir às recomendações pertinentes ao serviço.
» A largura das escavações tem de ser compatível com as atividades de execução das formas. » Eventualmente, as escavações podem ser “contra barranco” (ver Capítulo 6, item 6.3)
desde que o solo assim o permita. Nesse caso, um chapisco de argamassa no traço 1:3 (cimento e areia) nas paredes verticais do solo deve ser executado, e atenção no uso de vibradores para que não danifiquem as paredes chapiscadas.
Armadura Bloco
Base de concreto magro Armadura
Sapata isolada
Base de concreto magro
Sapata Bloco
Figura 3.2 - Exemplos de sapata isolada e bloco.
» Recomendável apiloar o fundo da escavação (base de apoio da fundação).
» Executar uma camada de concreto magro de pelo menos 5 cm de espessura sobre o solo apiloado e ultrapassando pelo menos 5 cm de cada lado da sapata, com a finalidade de regularizar a superfície e evitar a perda excessiva de água de amassamento para o solo. » Colocar calços sob a armadura para garantia do recobrimento.
» Retirar todo o resto de arames de amarração e sujeiras antes da concretagem. » Umedecer todo o conjunto antes da concretagem.
» Em situações especiais prever poços de captação de água e colocação de bombas.
3.2.2 Blocos não armados
São elementos de fundação em que os esforços de tração são por eles absorvidos e normal-mente não possuem armaduras, como mostra a Figura 3.3. Podem ser feitos de concreto ou pedras.
Para a execução dos blocos deve-se assim proceder:
» As escavações devem seguir às recomendações pertinentes ao serviço. » Recomendável apiloar o fundo da escavação (base de apoio da fundação).
» As escavações devem ter largura compatível com as atividades de execução das formas. » Eventualmente as escavações podem ser “contra barranco”, desde que o solo assim o
per-mita. Neste caso, um chapisco nas paredes verticais do solo deve ser executado, e atenção no uso de vibradores para que não danifiquem as paredes chapiscadas.
» Em situações especiais prever poços de captação de água e colocação de bombas.
» Uma alternativa usualmente recomendável é a utilização de pedras arrumadas com a apli-cação de argamassas, para a construção de blocos. É evidente que o uso deste ou daquele material, é em função dos esforços recebidos pelo bloco, o que é definido pelo projeto e pelo cálculo estrutural.
3.2.3 Radier
Nada mais é do que uma “laje sobre o solo”, Figura 3.4, a fim de receber todos os pilares de uma obra ou todos os carregamentos da edificação, em terrenos com pouca resistência de suporte para a execução de uma fundação direta tipo “sapata”. Muito utilizados em tanques, silos, terrenos de pouca consistência, depósitos etc.
Essas “lajes” possuem armaduras duplas nas duas direções, e os pilares são distribuídos de tal forma que todos os esforços de carregamento sejam uniformemente distribuídos no solo. Os cuida-dos de execução são os mesmos pertinentes a todo tipo de fundação.
Armação
Radier Pontos de energia (conduites) Ponto de
esgoto Ponto deágua
Figura 3.4 - Radier.
Para a execução dos radiers deve-se proceder da seguinte maneira: » Nivelar perfeitamente o terreno.
» Executar camada de pelo menos 5 cm de espessura de concreto magro.
» Prever espaçadores entre a camada inferior da armadura e a base de assentamento, para garantia do recobrimento;
» Prever espaçadores entre as armaduras superior e inferior para garantia do espaço entre as armaduras previstas em projeto, e minimizar o efeito mecânico do movimento de pessoas sobre as mesmas.
» Prever passarelas de tábuas sobre a armadura para a execução da concretagem e nas colo-cações de tubulações elétricas e hidráulicas.
» Evitar ao máximo possível a interrupção da concretagem. Mas, se for necessária e impres-cindível, esta deve seguir rigorosamente as orientações do calculista e, quando do seu rei-nício, proceder a um rigoroso tratamento da “junta fria”. “Junta fria” é a emenda de um concreto já endurecido com um concreto novo.
3.2.4 Vigas de fundação
São vigas, muitas vezes chamadas de “vigas bal-drames” com formato retangular, Figura 3.5, trapezoi-dal, quadrado, onde são assentados num mesmo ali-nhamento os pilares da estrutura e as alvenarias. Essas vigas recebem armaduras de acordo com a necessi-dade, e podem possuir apenas a armadura inferior.
Normalmente são assentadas sobre estacas de concreto ou simplesmente apoiadas no solo de acordo com o carregamento e/ou o tipo de solo.
As recomendações são as mesmas para a execu-ção de uma sapata.
3.2.5 Fundação simples para obra simples
Para obras de pequeno porte, principalmente as residenciais, com pouco carregamento (destacando--se as que não possuem laje em concreto) e muros de pequena altura, e para solos bem resistentes, é usual e bem-aceito.
A execução de fundação direta é constituída de uma viga baldrame de pequena altura (variando de 20 a 30 cm), com uma armação simples dotada de estribos, e sobre a qual é assentada uma alvenaria de embasamento até a altura de piso da obra, como na Figura 3.6 (a). Muitas vezes a viga de concreto é substituída por camada de tijolos maciços assenta-dos sobre uma camada de pouca espessura (10 cm) de concreto com duas barras de ferro, normalmente de 8 mm de diâmetro, como na Figura 3.6 (b). É sempre bom lembrar que a definição por essa fundação deve estar solidamente embasada no tipo de terreno e nas cargas recebidas.
Viga baldrame Sapata corrida Figura 3.5 - Viga baldrame e sapata corrida.
(a)
(b)
3.3 Fundações profundas
Como o próprio nome sugere, esses tipos de fundações vão buscar apoio em solos a profun-didades não suportadas pelas fundações diretas. São obras consideradas muitas vezes especiais, pois requerem meios de execução específicos e ensaios de solo muito rígidos. Os tipos mais usuais são:
» estacas de concreto pré-moldada; » tubulões a céu aberto;
» estacas - concreto;
» estacas tipo strauss; » estacas tipo Franki.
3.3.1 Estacas de concreto pré-fabricadas ou pré-moldadas
São “pilares” de concreto pré-fabricados, cravados no solo por meio de percussão, em que são utilizados equipamentos cha-mados “bate-estacas”, como mostra a Figura 3.7, que consistem do martelamento da estaca por intermédio de um peso até atingir a nega. É considerado um dos tipos de estacas mais utilizados.
Normalmente possuem seção quadrada, que variam de 25 a 40 cm, podendo chegar a 15 metros de profundidade. São armadas longitudinalmente, utilizando-se de estribos devi-damente afastados, ou por espirais (estas chamadas de “cin-tadas”). Em razão da grande solicitação de esforços durante a cravação, há maior concentração de estribos nas pontas da estaca e muitas vezes possuem uma cinta metálica nos extremos que, além do reforço, têm a finalidade de servir de emenda de estacas por meio de solda elétrica.
Para cravar a estaca em terrenos duros, são utilizadas pontas metálicas com a finalidade de facilitar a penetração no solo e proteger a estaca. Em solos pouco consistentes essa ponta metálica é dispensada.
Durante a cravação da estaca, a cabeça é devidamente protegida contra o “esmigalhamento” ou rompimento; caso aconteça, será necessário o seu refazimento.
3.3.2 Tubulões a céu aberto
São consideradas fundações profundas e consistem da simples escavação de um “poço” - por meios mecânicos ou manuais -, com diâmetros que podem variar em 60 cm, e a profundidades que podem chegar a valores superiores a dez metros.
Quando a escavação tiver atingido a cota de projeto e/ou o solo resistente, e ainda por exigir maior distribuição de cargas no solo, pode-se ou não ter a sua base alargada, como mostra a Figura 3.8 (a). Uma técnica cada vez mais utilizada é a de perfuratrizes acopladas em veículos especiais, que perfuram o solo na profundidade desejada e evitam a utilização de mão de obra para a abertura do fuste, como mostra a Figura 3.8 (b).
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(a) (b)
Figura 3.8 - Nomenclatura para tubulões e abertura do fuste.
Cuidados na execução de tubulões
» Os trabalhos de escavação devem ser executados por, no mínimo, dois operários (poçei-ros). Nunca, mas nunca mesmo, o operário que está escavando pode ficar sozinho.
» Cuidados adicionais devem ser tomados quando os tubulões são escavados próximos a depósitos de lixo e de indústrias químicas.
» O depósito da terra escavada deve ser colocado a pelo menos 1 metro de afastamento da boca do tubulão.
» Não permitir, em hipótese alguma, o trânsito de veículos a pelo menos 3 metros do tubulão. » Nunca escavar tubulões simultâneos, estando estes muito próximos. Executa-se um,
inclusive com concretagem e cura, para depois executar o outro. » O sistema de içamento (“sarilho”) deve estar em perfeita ordem.
» Interromper a escavação imediatamente ao sinal de alguma suspeita de desmoronamento. » Não executar escavações em dias de chuva, por menor intensidade que seja.
» Conferir sempre o prumo (verticalidade) do fuste durante a escavação. » Cuidado na colocação da armadura para não provocar desmoronamentos. » Usar dispositivos especiais para concretagem (tubos - trompas, funil). » Quanto à escavação, com relação ao solo, verificar o
quadro a seguir:
Solo Encamisamento
Coesivo Não
Não coesivo Sim
Encamisamento: dispositivo que impe-de o impe-desmoronamento do solo durante a escavação. Estes podem ser recuperados ou não. Consiste da colocação de tubos de conceto ou de aço, e esses tubos des-cem sobre a escavação à medida que os trabalhos avançam.
Quando houver presença de água e for preciso escavar tubulões, pode-se recorrer a uma técnica de escavação de tubulão a ar primido, conforme Figura 3.9, que consiste de um sistema com-posto de uma campânula e injeção de ar na escavação com a fina-lidade de expulsar a água presente no solo, durante os trabalhos. Essa técnica de execução é muito perigosa para a saúde do traba-lhador, por estar sujeita a variações de pressão (compressão e des-compressão) e, por isso, deve ser executada com muito rigor e segu-rança, e somente por profissionais habilitados e treinados. Maiores informações encontram-se na Norma Regulamentadora nº 15, do Ministério do Trabalho.
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3.3.3 Estaca moldada no local tipo broca
Também conhecida popularmente como broca, é uma estaca moldada no local, considerada de baixo custo e de sim-ples execução. A distribuição das cargas recebidas é transmi-tida ao solo pelas pontas.
O terreno é perfurado por uma broca (trado) ou esca-vadeira até atingir solo fi rme e consistente, cujo diâmetro da esvação pode estar entre 15 e 25 cm de profundidade e atingir por volta dos 4 metros. Normalmente usam-se como armação longitudinal três a quatro ferros de 6,3 mm, amar-rados em estribos de 4,2 mm. Conforme o projeto estrutural, a quantidade e diâmetros das ferragens pode ser alterada. Uma vez colocada a armação procede-se, então, à concreta-gem até a cota desejada.
Cuidados na sua execução são necessários, principal-mente quanto à perpendicularidade da estaca e ao desmoro-namento.
Recomenda-se esse sistema somente em solos coesivos, compactos e fi rmes, sem a presença de areia; e quanto à pos-sível presença de água, esta deve ser em pouca quantidade, não devendo ultrapassar 10% de profundidade em relação à profundidade total da estaca, como mostram as Figuras 3.10 e 3.11. Nesse caso, o concreto a ser utilizado deve conter pouca água, ou seja, usar concreto com fator água-cimento baixo.
3.3.4 Estaca Franki
A estaca Franki, da Figura 3.12, é executada posicionando-se um tubo camisa no local e real-izado um “embuxamento” com concreto quase seco na sua extremidade. Um “pilão” é introduzido
Figura 3.9 - Tubulão a ar comprimido.
Fonte: Estaca Raiz. Disponível em: <www.estacaraiz.com.br>. Acesso em: 21 maio 2008.
Figura 3.10 - Broca moldada “in loco”.
Figura 3.11 - Trado para escavação.
Fonte: Grupo Sato. Disponível em www.gruposato.com.br/ ferra_cavadeira.html. Acesso em21maio 2008
no tubo e promove-se o socamento do concreto efet-uando-se assim a penetração dessa bucha e o tubo vai então também penetrando. Atingida a nega, pro-movem-se novos e enérgicos apiloamentos, formando assim um “bulbo” no subsolo.
Introduz-se a armadura e adiciona-se o con-creto, sendo este apiloado, e retira-se o tubo gradati-vamente. As compressões de concreto provocam sua expansão na ponta do tubo, adaptando-se ao terreno e adquirindo forma rugosa.
Esta estaca pode atingir diâmetros entre 30 e 60 cm, e suportar cargas de até 100 toneladas, a depender, naturalmente, das condições do solo, do diâ-metro da estaca, da armação e do concreto utilizados.
3.3.5 Preparo da cabeça da estaca
Uma vez executadas as estacas ou os tubulões, estas devem ser solidarizadas às vigas ou aos blocos. Para que essa solidarização seja feita de modo a garantir a integridade do conjunto, alguns cuidados devem ser observados:
» a estaca deve ser concretada - quando moldada in loco - pelo menos 15 cm acima da cota de acabamento;
» a estaca deve ser cravada - quando pré-moldada -, com comprimento mínimo, de tal forma que fique uma sobra de pelo menos 60 cm da cota de acabamento;
» as “sobras” devem ser “arrasadas” ou cortadas - menos a ferragem - de forma que a estaca fique embutida pelo menos 5 cm dentro do bloco de solidarização ou das vigas.
Esse procedimento de arrasamento, Figura 3.13, garante a retirada de parte da estaca, que eventualmente esteja comprometida pelo processo de cravação.
Figura 3.13 - Arrasamento da estaca.
Eventualmente, uma estaca cravada não possui comprimento suficiente acima do terreno para que possa ser arrasada normalmente e garantir solidarização com blocos ou vigas, Figura 3.14. Nesse caso, deve-se promover um complemento no seu comprimento: