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UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES

AVM-NITERÓI

PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA

A importância da Afetividade no Processo de Ensino –

Aprendizagem.

AMANDA SILVA COELHO

Orientador: Marcelo Saldanha

NITERÓI / 2017

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UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES

AVM - NITERÓI

PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA

A importância da Afetividade no Processo de Ensino –

Aprendizagem.

AMANDA SILVA COELHO

Monografia apresentada à Universidade Cândido Mendes para a obtenção de título de Especialista no curso de pós-graduação em Psicopedagogia sob a orientação de Marcelo Saldanha.

NITERÓI 2017

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AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus por proporcionar muitos momentos de crescimento para a realização deste trabalho, aos meus familiares e amigos.

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DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho a Deus em primeiro lugar, aos meus familiares que muito ajudaram na conclusão e realização deste. Em especial aos meus alunos que

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RESUMO

O presente trabalho aborda o tema da importância da Afetividade no ambiente escolar, visando como fator imprescindível na construção do indivíduo.

Partindo do princípio de que, através do afeto, o aluno adquire segurança, confiança e condições para um desenvolvimento saudável a fim de que consiga atingir seus objetivos educativos. Devemos lembrar que o ser humano é dotado de desejos, emoções, expectativas e afetos, ou seja, sentimentos que devem ser trabalhados em sua totalidade, visto que o aspecto afetivo está relacionado ao aspecto cognitivo.

É necessário também apontar para a parceria entre família e escola: união essencial para que a criança tenha um empenho positivo em relação à aprendizagem.

PALAVRAS-CHAVE: Afetividade, Ensino-Aprendizagem, Família, Relação

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ... 07

CAPÍTULO 1 - CONCEPÇÃO DE AFETIVIDADE ... 10

CAPÍTULO 2 - AFETIVIDADE X ENSINO-APRENDIZAGEM ... 15

CAPÍTULO 3 - RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO...19

3.1 – A FUNÇÃO DO PROFESSOR... 23

CAPÍTULO 4 - O PAPEL DA FAMÍLIA (AFETO FAMILIAR) ...30

CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 35

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INTRODUÇÃO

O trabalho tem como assunto central a questão da afetividade no processo de ensino – aprendizagem, ressaltando um bom desenvolvimento intelectual e social de crianças e adolescentes. A pessoa que recebe afeto pode transformar-se em um ser humano com capacidade de enfrentar os obstáculos da vida, tornando-se assim uma pessoa mais solidária e segura de si.

O educador também precisa estar equilibrado emocionalmente para que a mediação seja feita com respeito e carinho, por isso é importante um bom relacionamento entre professor e aluno. Acredita-se que o professor possui um papel além do “clichê” de apenas transmitir conhecimentos, mas também um conciliador, um mediador, um amigo a fim de facilitar o processo de aquisição de aprendizados, através de uma relação afetiva.

Atualmente, as escolas estão focadas apenas em preparar crianças e adolescentes para o mundo competitivo do mercado de trabalho, construindo assim pessoas individualistas, esquecendo-se da solidariedade, do respeito, do companheirismo e até mesmo da amizade verdadeira que visa não esperar nada em troca. É necessário desenvolver o mundo interior de crianças e adolescentes e não apenas o que condiz à memória e racionalidade.

Pais e educadores concordam com a opinião de que há a necessidade de a escola trabalhar mais os aspectos humanos, emocionais, não visando apenas aos conteúdos conceituais. A escola precisa preparar o indivíduo para a vida. (CASTRO, 2015, p. 15).

E será justamente na relação afetiva, na confiança e segurança que uma sala de aula deve oferecer, no diálogo sincero entre alunos, professores e pais que se constrói com equilíbrio a personalidade humana, além das disciplinas básicas, visto que todo grupo precisa lidar com o desconhecido e assim é necessário sentir-se amparado.

A fim de entender melhor a importância da afetividade, Henri Wallon (1968) apresenta uma leitura fundamental sobre o conceito defendido pelo autor de que o

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desenvolvimento humano está ligado a três dimensões inseparáveis: o cognitivo, o afetivo e o psicomotor. Dimensões fundamentais para o desenvolvimento da criança. Sendo assim necessário o foco da escola não estar voltado apenas em conteúdos que valorizam o desenvolvimento cognitivo dos alunos, mas sim em uma educação direcionada para os aspectos cognitivos, afetivos e psicomotores da personalidade. Wallon (1975) afirma que:

A afetividade não é apenas uma das dimensões da pessoa: ela é também uma fase do desenvolvimento, a mais arcaica. O ser humano foi, logo que saiu da vida puramente orgânica, um ser afetivo. Da afetividade diferenciou-se, lentamente, a vida racional. Portanto, no início da vida, afetividade e inteligência estão sincreticamente misturadas, com predomínio da primeira. (LA TAILLE, 1992, P.90)

Como os professores encaram a afetividade no ambiente escolar? A partir dessa questão, o objetivo é compreender se há afetividade no ambiente escolar; caso sim, como ela é trabalhada e qual sua importância no processo de ensino – aprendizagem.

É necessário ressaltar também o papel da família no processo de ensino-aprendizagem, visto que a família e a escola compartilham o mesmo objetivo educacional, ainda que cada qual tenha uma função diferente neste processo. Os problemas familiares influenciam, mesmo que indiretamente, o desempenho escolar dos alunos, fazendo com que apresentem dificuldades ou transtornos emocionais.

Em muitos casos em que crianças e adolescentes apresentam dificuldades em adquirir novos conhecimentos, a instituição escolar que percebe que essa dificuldade ou transtorno é resultado de falta de afeto familiar, sendo necessário sinalizar a família de que o seu papel no processo de aprendizagem não está sendo feito adequadamente, podendo gerar outros conflitos na vida da criança e adolescente.

Por isso essa parceria precisa ser construída, a fim de auxiliar nas investigações que serão feitas quando um aluno apresentar qualquer tipo de

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dificuldade, seja um problema voltado para aquisição de conhecimentos ou até mesmo de relacionamento no espaço escolar com os demais colegas.

Refletir sobre Afetividade educacional é desejar uma educação baseada no respeito, na compreensão, na autoestima e na confiança. E para construir essa educação dotada de tantas qualidades é necessário que o ambiente escolar seja alegre para produzir motivação aos alunos, elevando sempre sua autoestima.

Acreditar que é possível sim mudar vidas e transformar histórias através da educação é o que move o coração daqueles que se dispõem a trabalhar para que isto aconteça, fazendo uso do afeto sempre.

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CAPÍTULO 1:

CONCEPÇÃO DE AFETIVIDADE

Atualmente, várias pesquisas têm apontado para a questão afetiva do

comportamento humano, mudando assim aquele pensamento, na escola, em que a afetividade sempre foi vista em segundo plano, pois acreditava-se que a aprendizagem era uma função exclusiva da razão, eliminando qualquer relação com emoções e sentimentos. De acordo com Antunes, a Afetividade é:

Um conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções que provocam sentimentos. A afetividade se encontra ‘escrita’ na história genética da pessoa humana e deve-se à evolução biológica da espécie. Como o ser humano nasce extremamente imaturo, sua sobrevivência requer a necessidade do outro, e essa necessidade se traduz em amor. (Antunes, 2006, p. 5).

A afetividade é apontada como um aspecto com capacidade de modificar até processos biológicos e acentuar-se em qualquer situação em que haja a presença de um ser humano. Isso confirma que ela exerce influência nos mecanismos do corpo. Sendo assim, é importante citar o trabalho de Luck (1983, p. 20) que afirma que:

Mesmo tratando-se de comportamento predominantemente psicomotor, como é o caso dos exercícios físicos e da realização de trabalhos manuais, nem por isso deixam de ser menos presentes os componentes afetivo e cognitivo. As emoções fazem com que as glândulas supra-renais sejam estimuladas e

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lancem na corrente sanguínea maior quantidade de adrenalina, o que estimula o ritmo da respiração e das batidas do coração que, por sua vez, levam o fígado a liberar maior quantidade de glicose para o sangue de maneira a alterar o metabolismo e a possibilitar ao homem maior dispêndio de energia. (p.20)

A aprendizagem, associada ao comportamento, é um resultado da experiência. Sendo assim, é importante ressaltar essa experiência como forma de adaptação ao ambiente, que não está relacionada apenas ao conceito de carinho e bondade, mas significa transmitir segurança e confiabilidade.

Wallon (1968) apresenta uma distinção entre emoção e afetividade. Segundo ele, as emoções são manifestações de estados subjetivos, contudo com componentes orgânicos. Já a afetividade apresenta uma concepção mais ampla, englobando sentimentos e emoções, ou seja, origem psicológica e biológica.

O mesmo autor ainda defende que, ao longo do desenvolvimento humano, a afetividade possui papel essencial. É através dela que é possível acessar o mundo simbólico, dando origem à atividade cognitiva. São os desejos, as intenções e os motivos que vão mobilizar a criança na seleção de atividades e objetos. (Wallon, 1968).

Assim, devemos observar a importância do ambiente escolar, pois o professor, através de sua proximidade com a criança ou adolescente, acaba tornando-se um referencial para a construção de identidade do aluno. O professor que valoriza as experiências do aluno, que não utiliza de ironia e humilhação, contribui de forma positiva com a elevação de sua autoestima. Segundo Tiba (1998), a autoestima é o sentimento que faz com que a pessoa goste de si mesma, aprecie o que faz e aprove suas atitudes. Sendo assim, imprescindível para o nosso comportamento, atrelada à afetividade.

A palavra afeto deriva de affekt – “qualquer estado afetivo, agradável ou penoso, ainda que vago, e que se manifesta por uma descarga emocional física ou psíquica, imediata ou adiada. O afeto traduz as emoções representadas e corresponde às sensações”, segundo Castro (2015).

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A afetividade diz respeito a ações e reações internas, que interferem no externo. É por meio dos sentimentos (que são dirigidos para o interior e são privados) que as emoções (que são dirigidas para o exterior e são públicas) iniciam o seu impacto na mente. (CASTRO, 2015, p. 27).

Pode-se afirmar que a Afetividade é vital, especialmente na esfera do desenvolvimento em sala de aula, visto que não se pode separar afetividade e cognição. A afetividade está sempre presente nas experiências vividas pelas pessoas, quando a criança ingressa na escola, torna-se ainda mais evidente o papel da afetividade na relação professor-aluno.

É importante que o aluno esteja rodeado de atitudes afetivas no ambiente escolar, cabendo ressaltar que não se deve confundir afeto com atenção, pois o aluno precisa sentir-se acolhido. Sendo assim, o ambiente escolar deve oferecer um aconchego familiar e proporcionar alternativas para que o educando se descubra diante do mundo. A criança e adolescente possui a necessidade de manter vínculos de amor e carinho por onde quer que circule.

A afetividade assimila-se aos estados do indivíduo, podendo ser identificada em uma base orgânica e outra social. A partir da teoria de Wallon (1975) pode-se destacar a existência de manifestações afetivas antes do aparecimento das emoções. São consideradas manifestações afetivas primitivas as primeiras expressões da criança, como a fome e a saciedade.

Conforme a criança vai tendo contato com o meio social, inicia-se o período emocional. Neste período, os movimentos passam a ser reações de resultados do ambiente social. Segundo Almeida (2002):

A vida afetiva da criança, inaugurada por uma simbiose alimentar, é logo substituída por uma simbiose emocional com o meio social. Com a emoção, as relações interpessoais se intensificam; é ela que une o indivíduo a outrem, possibilitando a participação do outro e,

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conseqüentemente, a delimitação do eu infantil. (Almeida, 2002)

A emoção é a manifestação afetiva que foi mais explorada por Wallon (1975). Segundo ele, a emoção é uma forma de exteriorização da afetividade que sofre uma evolução como as outras manifestações, a partir do impacto das condições sociais. À medida que a criança vai desenvolvendo-se, diferentes níveis de relações sociais são estabelecidos, estes que interferem o desenvolvimento do campo afetivo. A partir dessas relações, sentimentos e paixões são despertados, ou seja, manifestações afetivas relacionadas à outra pessoa.

Almeida (2002) afirma que, nos estudos de Wallon, a afetividade constitui um domínio funcional com o mesmo grau de importância da inteligência. Sendo assim, afetividade e inteligência formam um par inseparável na evolução psíquica, permitindo à criança atingir níveis de evolução cada vez mais elevados.

Assim como a inteligência, a afetividade não aparece pronta nem é imutável, as duas são construídas e sofrem modificações de um período a outro, pois à medida que o desenvolvimento ocorre, as necessidades afetivas se tornam cognitivas. Ressalta-se também que, segundo Wallon, o desenvolvimento da personalidade divide-se entre movimentos afetivos e cognitivos, ambos são interdependentes, uma interfere na outra, à medida que o desenvolvimento ocorre. O autor sugere que a afetividade evolui quando ela se desenvolve, primeiro, em um processo orgânico, e, posteriormente, social.

A pedagogia da afetividade está tomando o lugar da pedagogia antiga que oprimia em vez de acalentar.

As crianças devem ter oportunidade de desenvolver sua afetividade. É preciso dar-lhes condições para que seu emocional floresça, se expanda, ganhe espaço. A falta de afetividade leva à rejeição aos livros, à carência de motivação para a aprendizagem, à ausência de vontade de crescer. Portanto, uma das nossas máximas é: aprender deve estar ligado ao ato afetivo,

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deve ser gostoso, prazeroso. (ROSSINI, 2004, p.15).

Todo indivíduo necessita relacionar-se com o meio social para o seu próprio desenvolvimento. Dentre os mais diversos tipos de relacionamentos espalhados em nossa sociedade, ele reage de maneira diferente diante de situações que estimulam seus afetos. Assim acontece no ambiente escolar, o aluno apresenta seu comportamento guiado por emoções. A escola deve prepará-lo para a vida, a fim de enfrentar seus próprios problemas e valorizar o ser.

Por que a afetividade?

Porque é a base da vida. Se o ser humano não está bem afetivamente, sua ação como ser social estará comprometido, sem expressão, sem força, sem vitalidade. Isto vale para qualquer área da atividade humana, independentemente de idade, sexo, cultura. (Rossini, 2004, p.16)

Ou seja, para o indivíduo estar bem socialmente, ele precisará estar com sua vida afetiva bem resolvida. Tanto os adultos como as crianças precisam ser aceitos pelo próximo, por isso as pessoas agem de maneiras diferentes, dependendo de seus objetivos. Nessa troca afetiva, onde as emoções são exteriorizadas, o indivíduo pode ter bons ou maus relacionamentos, por isso a afetividade é um tema tão importante que precisa ser estudado e expandido.

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CAPÍTULO 2:

AFETIVIDADE X ENSINO-APRENDIZAGEM

O tema afeto, apesar de ser debatido na atualidade, ainda é ausente em muitas

instituições de ensino em que professores tendem a separar afeto de cognição. Com base no que já foi discutido no capítulo anterior, estudos já comprovaram que o afeto influencia diretamente na aquisição de conhecimento dos alunos. Nossas emoções nos ajudam a entender os processos químicos, elétricos, biológicos e sociais que nos deparamos ao longo da vida. O afeto que dará qualidade ao aprendizado.

Mas qual será a relação que existe entre Afetividade e Aprendizagem?

A afetividade modifica-se conforme a criança desenvolve os seus conhecimentos. Tal sentimento, tema desta monografia, é o agente motivador da atividade cognitiva.

No espaço escolar, a afetividade deveria ter uma maior divulgação para que assim os professores possam saber lidar melhor com eles próprios e com os demais alunos. Entender melhor o conceito e influência do afeto para obter bons resultados na relação de ensino-aprendizagem.

A afetividade exerce forte influência no campo da inteligência e do desenvolvimento humano, abrangendo os aspectos emocionais e sociais, são os sentimentos que trabalham em conjunto no psicológico do ser humano.

As emoções, assim como os sentimentos e os desejos, são manifestações da vida afetiva. Na linguagem comum costuma-se substituir emoção por afetividade, tratando os termos como sinônimos. Todavia, não o são. A afetividade é um conceito mais abrangente no qual se inserem várias manifestações. (Wallon 1979 apud GALVÃO, 2003, p.61)

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Dantas (1994) ressalta que a influência que a afetividade exerce na construção do conhecimento, afirmando que o tempo, no qual a aprendizagem se processa, dependerá do clima afetivo na sala de aula. Os professores possuem a função, além de apresentar conteúdos, de se relacionar afetivamente com seus alunos a fim de promover motivação, facilitando a aprendizagem dos mesmos. As crianças relacionam as experiências aos esquemas afetivos, do mesmo modo que relacionam as experiências às estruturas cognitivas. Segundo Piaget apud Wadsworth (1997):

Ninguém é movido a fazer algo se não houver um pouco de motivação que origina esforço para desenvolver determinada atividade intelectual. O interesse é um exemplo de como são selecionados as atividades intelectuais. Esta seleção é provocada pela afetividade e não pelas atividades cognitivas. Portanto, faz-se necessário pensar em afeto como sentimentos, desejos, interesses, valores e todo tipo de emoção. (p.70)

O autor Capelatto (2012) destaca a escola como ambiente relevante para o desenvolvimento cognitivo e afetivo. Capelatto (2012 p.8) diz que a afetividade é a dinâmica mais profunda na qual o ser humano pode participar, e que se inicia no momento em que um sujeito se liga a outro por amor.

Cabe a escola construir esse elo, proporcionando aos alunos oportunidades de evolução como seres humanos. Sendo assim:

Algumas escolas preocupam-se apenas com a quantidade de informações que transmitem por meio de competição e do uso de modernas tecnologias, de forma meramente burocrática e mercadológica.

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Afastam-se assim do “ser humano”, tratando os alunos apenas como número de registro. Com isso, apesar de dispor de um grande espaço onde os jovens passam metade do seu dia durante duzentos dias por ano, acabam por perder a oportunidade de ajudá-los a desenvolver a afetividade. (CAPELATTO, 2012 p.14)

O autor apresenta a idéia de que a escola não deve ser apenas um espaço limitado à aquisição intelectual, mas um ambiente que ofereça amizade, que mostre a importância do grupo e de questões afetivas. Assim:

Os momentos de afetividade vividos na escola são fundamentais para a formação de personalidades sadias e capazes de aprender. (CAPELATTO, 2012 p.14)

Sendo a escola não apenas um espaço de aprendizagem cognitiva, Dias (2007) assinala que a afetividade deveria ser discutida nos currículos escolares brasileiros, defendendo uma educação compromissada com a formação de pessoas livres e amorosas. Os alunos precisam de uma formação baseada nos valores do grupo social a fim de que não se tornem homens individualistas.

Todavia, quase todos os profissionais de educação compartilham do mesmo discurso, em que “o problema da educação se resolveria com a melhoria das salas de aula, bibliotecas, laboratórios, materiais pedagógicos, equipamentos de informática e audiovisuais”. (DIAS, 2007).

Como o aspecto afetivo influencia diretamente o desenvolvimento intelectual, ele pode acelerar ou desacelerar o ritmo de desenvolvimento da criança. A afetividade é, na verdade, essencial porque sua contribuição é positiva em relação à criação de um clima favorável de confiança, respeito, compreensão e motivação. Sendo que:

Os resultados positivos de uma relação educativa movida pela afetividade opõem-se

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àqueles apresentados em situações em que existe carência desse componente. Assim, num ambiente afetivo, seguro, os alunos mostram-se calmos e tranqüilos, constroem uma auto-imagem positiva, participam efetivamente das atividades propostas e contribuem para o atendimento dos objetivos educativos. No caso contrário, o aluno rejeita o professor e a disciplina por ele ministrada, perde o interesse em freqüentar a escola, contribuindo para seu fracasso escolar. O professor que possui a competência afetiva é humano, percebe seu aluno em suas múltiplas dimensões, complexidade e totalidade. (RIBEIRO e JUTRAS, 2006)

Através das idéias discutidas até aqui fica cada vez mais evidente que a afetividade é realmente um aspecto importante no processo de aprendizagem dos alunos, principalmente nos anos iniciais, já que fundamenta a relação entre o professor e o aluno. Ela deve ser vista como um dos elementos influenciadores do processo de ensino e aprendizagem.

O professor desempenha um papel muito relevante neste processo de ensino, lembrando que a escola deve promover um ambiente em que os alunos tenham a oportunidade de se expressar livremente e dialogar com os colegas e seus professores. Este papel de grande relevância do professor será discutido no próximo capítulo.

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CAPÍTULO 3:

RELAÇÃO PROFESSOR - ALUNO

Conforme as teorias de Vygotsky, sobre a construção de uma visão social

voltada para o processo de aprendizagem e retomando o que foi elucidado no capítulo anterior que o enfoque está nas relações sociais, fica mais evidente que a criança internaliza os instrumentos culturais.

Segundo Vygotsky (2003, p. 75): “É evidente que esse novo sistema de reações é totalmente determinado pela estrutura do ambiente no qual o organismo cresce e se desenvolve.” Confirmando que toda educação possui um caráter social. A criança internaliza os hábitos culturais do ambiente que está inserida, valorizando o meio social para a formação do indivíduo.

É a partir do momento em que a criança é inserida na cultura, ou seja, o contato que ela passa a ter com as pessoas de sua convivência social, que seu desenvolvimento acontece. Ela passa a amadurecer, pensando nas formas abstratas que ajudarão a compreender e a controlar a realidade.

Segundo Oliveira (1992):

Se por um lado a ideia de mediação remete a processos de representação mental, por outro se refere ao fato de que os sistemas simbólicos que se interpõe entre sujeito e o objeto de conhecimento têm origem social. Isto é, é a cultura que fornece ao indivíduo os sistemas simbólicos de representação da realidade e, por meio deles o universo de significações que permite construir uma ordenação, uma interpretação, dos dados do mundo real. Ao longo de seu desenvolvimento o indivíduo internaliza formas culturalmente dadas de comportamento, num processo em que atividades externas, funções

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intrapessoais, transformam-se em atividades internas, intrapsicológicas. (OLIVEIRA, 1992, p.27)

O autor enfatiza a importância do outro na construção do conhecimento e na formação da própria personalidade e do comportamento do sujeito. O processo, primeiramente, acontece entre pessoas e, segundamente, no interior da criança. São as relações humanas que constroem o conhecimento, é a interação com a sociedade, através do processo de mediação, que o conhecimento torna-se concreto.

Portanto, são as experiências vividas com o semelhante que irão oferecer aos objetos um sentido afetivo, determinando a qualidade do objeto internalizado. Sendo assim, a aprendizagem é um resultado das interações sociais dotadas de vínculos, dentre eles a afetividade. Vínculo que, na aprendizagem escolar, ocorre entre alunos e professores.

A afetividade é um sentimento essencial para o desenvolvimento cognitivo da criança, o educador representa essa base efetiva por estar ligado diretamente ao educando, e seu dever é motivar a criança, de forma carinhosa, para que os objetivos de aprendizagem sejam atingidos. Segundo o pensamento de Martinelli (2002):

O aspecto afetivo é um importante elemento a se considerar quando se pretende compreender o processo de aprendizagem dos indivíduos. Situações como abandono, a separação dos pais, a perda do processo de progenitores, um ambiente desfavorável a manifestação afetiva, a depreciação, são variáveis intervenientes no processo de aprendizagem humana. (MARTINELLI: SISTO ET AL, 2002, p.99).

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De acordo com as contribuições de Libâneo (1994), a relação professor e aluno cria uma condição favorável de aprendizagem, pois a interação entre ambos acaba sendo o centro de todo esse processo de ensino e aprendizado do aluno. Em alguns casos, essa relação pode apresentar-se de forma conflituosa, pois as idéias de ambos podem ser contraditórias, visto que há um convívio de classes culturais, valores e objetivos diferentes. Segundo Libâneo (1994):

O aspecto cognoscitivo (que diz respeito às formas de comunicação dos conteúdos escolares e às tarefas escolares indicadas aos alunos) e o aspecto sócio-emocional (que diz respeito às relações pessoais entre professor e aluno e às normas disciplinares indispensáveis ao trabalho docente. (LIBÂNEO, 1994, p.249)

Ainda segundo Libâneo (1994):

Um professor eficaz se preocupa em ministrar e orientar a atividade mental dos alunos, de um modo que cada um deles seja um sujeito consciente, ativo e autônomo. (LIBÂNEO, 1994, p. 252).

Cada sujeito, durante a interação afetiva, intensifica seu autoconhecimento, sua relação consigo mesmo, conhece seus limites e passa a respeitar os limites do outro. Então para a formação de pessoas seguras, confiantes e felizes é essencial a presença da afetividade.

Infelizmente, para muitos professores, a afetividade pode atrapalhar o processo de aprendizagem, são considerados como fatores que dificultam os

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aspectos cognitivos, afastando as crianças de manterem uma relação de confiabilidade e atrasando a resolução inteligente de seus próprios conflitos.

Para Libâneo, o aspecto de transmissão de conhecimento é a própria relação pessoal entre professor e aluno que deve estar baseado na confiança, afetividade e respeito, cabendo ao professor orientar o aluno para seu crescimento interno, fortalecendo assim suas bases morais e críticas.

Para que o aluno consiga construir sua autonomia e independência, cabe ao professor indicar os caminhos e as oportunidades. Segundo Vigotsky (2003):

No processo de educação, o professor deve ser como os trilhos pelos quais avançam livres e independentemente os vagões, recebendo deles apenas direção do próprio movimento. (VIGOTSKY, 2003, p. 75).

A relação afetiva será formada em longo prazo: são as conversas informais em sala de aula que extrapolam o conteúdo burocrático das disciplinas e assim aproximam aluno e professor que, naquele momento, compartilham visões de mundo, criando o vínculo afetivo.

Segundo Bom Sucesso (2000):

A sala de aula é um espaço rico para o desenvolvimento da inteligência intrapessoal. O professor deve contribuir e estimular a reflexão sobre atitudes e condutas ajudando a reconhecer valores e crenças indispensáveis a vida em sociedade. (BOM SUCESSO, 2000, p.103).

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Elucidando que a competência do professor torna-se indispensável para o pleno desenvolvimento de competências para conviver em sociedade.

De acordo com as idéias fundamentadas pelo estudioso José Carlos Libâneo, conhecer a realidade dos alunos para aproveitar suas experiências de vivência em sociedade resulta na segurança dos mesmos no momento do processo de aprendizagem motivando em participarem das aulas.

Paulo Freire (1996) também relativiza essa questão da relação professor e aluno, em que esse vínculo diário deve ser movido por respeito, dedicação e alegria. O educador precisa resgatar a alegria de estar em sala de aula e, consequentemente, transferir essa sensação aos seus alunos. Segundo Freire (1996):

O meu envolvimento com a prática educativa, sabidamente política, moral, gnosiológica, jamais deixou de ser feito com alegria, o que não significa dizer que tenha invariavelmente podido criá-la nos educandos. Mas, preocupado com ela, enquanto clima ou atmosfera do espaço pedagógico, nunca deixei de estar. (FREIRE, 1996, p. 72)

3.1 – A Função do Professor

A interação se realiza e constrói-se um conhecimento envolvente conforme o grau de afeto entre professor e aluno, seja dentro ou fora da sala de aula, cresce. Segundo ALMEIDA (1999):

Como meio social, é um ambiente diferente da família, porém bastante propício ao seu desenvolvimento, pois é diversificado, rico em interações, e permite à criança estabelecer relações simétricas entre parceiros da mesma

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idade e assimetria entre adultos. Ao contrário da família, na qual a sua oposição é fixa, na escola ela dispõe ter uma maior mobilidade sendo possível a diversidade de papeis e posições. (ALMEIDA, 1999, p. 99).

Entendemos então que a afetividade deve estar focada no processo de ensino, ou seja, vínculo afetivo em sala de aula para juntos, professor e aluno, atingirem os objetivos de aquisição de conteúdo. A afetividade tem a função de criar uma ponte, uma relação agradável de aprendizagem. O laço maternal e paternal são deveres da família e não cabe ao professor realizar tal papel.

De acordo com Libâneo (1994):

O professor não transmite apenas informações ou faz perguntas, ele também deve ouvir os alunos de forma a entender suas carências e suas dificuldades. Nesse sentido, caberá ao professor diferenciar severidade e respeito, já que o processo de ensino ao mesmo tempo em que direciona a aprendizagem em suas atividades deve ter como objetivo orientar as atividades autônomas e independentes dos alunos estabelecendo normas e deixando bem claro aos alunos o que se espera deles. (LIBÂNEO, 1994, p. 251).

A postura do professor em sala de aula deve ser desenvolvida como uma motivação e auxílio para a construção cognitiva e ética de seus alunos. Ele deve estabelecer metas sociais e pedagógicas, organizar os conteúdos a serem dados e estimular a participação de sua classe para que seus alunos tornem-se sujeitos ativos e independentes. O autor (LIBÂNEO) ainda afirma que:

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O processo de ensino e uma atividade conjunta de professores e alunos, organizado sob a direção do professor, com a finalidade de prover as condições e meios pelos quais os alunos assimilam ativamente conhecimentos, habilidades, atitudes e convicções. (LIBÂNEO, 1994, p. 29).

O foco principal do professor é direcionar seu olhar ao aluno, ouvi-lo, para assim tentar descobrir suas dificuldades, através do diálogo, ferramenta primordial para que o vínculo ocorra. Todo esse processo resulta em um maior interesse por parte do aluno, chegando assim a uma síntese, que vai explicar ou tentar resolver a situação-problema desenvolvida durante a aula.

O professor que tem como propósito atingir o objetivo abordado acima, precisa ter um olhar mais humano em relação à sua classe. Ele não pode realizar suas atividades, enquanto educador, se não estiver firmado nessa visão da totalidade humana. Para LIBÂNEO (1994, p. 252): “Um professor competente se preocupa em dirigir e orientar a atividade mental dos alunos, de modo que cada um deles seja um sujeito consciente, ativo e autônomo.”

Portanto, cabe à escola, principalmente ao educador, compreender o aluno em seu caráter humano, tanto afetivo como intelectual, haja vista que o indivíduo depende, para se desenvolver, do crescimento biológico e de sua inserção no ambiente social.

Atualmente, diversas instituições estão preocupadas com o ensino cognitivo, oferecendo pouca oportunidade para que o aluno tenha capacidade de se desenvolver nos aspectos afetivos e motores, o que seria essencial, especialmente o desenvolvimento do aspecto afetivo, que conduz ao aprimoramento do aspecto cognitivo.

Segundo WALLON (1975):

A escola é também um meio funcional. As crianças vão com a finalidade de se instruir e elas devem familiarizar-se com uma disciplina e relações interindividuais

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de um novo tipo. Mas a escola é ainda um meio local onde se encontram crianças que podem pertencer a meios sociais diferentes. Também se pode falar do meio familiar como de um meio funcional, onde a criança começa por encontrar meios de satisfazer todas as suas necessidades sob formas que podem ser próprias à sua família e onde a criança conquista as suas primeiras condutas sociais. (WALLON, 1975, p. 166 – 167).

Entretanto, fica evidente que a sociedade funciona como uma interferência no desenvolvimento psíquico da criança, através de suas experiências, pois elas dependem do adulto para que o seu desenvolvimento aconteça.

As manifestações de afetividade refletem no ser humano em todos os momentos ao longo de sua vida, apresentando resultados positivos ou negativos. Cabe ao professor criar um vínculo inseparável, através da afetividade e da qualidade do diálogo. Quando o professor tem a disposição de ensinar e o aluno aprender, é construída uma corrente de elos afetivos que propiciam boa vontade e cumprimento das tarefas e funções de cada um. Assim:

Ama-se na medida em que se busca comunicação, integração a partir da comunicação com os demais. (FREIRE, 1983, p. 29).

A partir do momento em que o professor apresenta uma postura desmotivada e apática no momento de sua aula, isso atinge nas manifestações de aprendizagem dos alunos, resultando em uma classe lenta e desinteressada.

No ambiente escolar também é necessário que haja ação e interação, pois o indivíduo aprende a partir do momento que interage com o outro e com o meio. Segundo Piaget (1997):

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O conhecimento social é construído pela criança à medida que ela interage com os adultos e com outras crianças. (PIAGET, 1997, p. 75).

Sendo assim, de acordo com o teórico, a interação precisa existir e é necessária na construção e aquisição de conhecimentos.

A sala de aula precisa assegurar o aluno de que ele está em um lugar que pode considerar sua segunda casa, transmitindo segurança e proteção.

A relação que atribui o ensinar e o aprender ocorrem a partir de laços entre pessoas e inicia-se no âmbito familiar. Portanto, é o laço afetivo entre o adulto e a criança que mantém a fase inicial do processo de aprendizagem. A interação precisa ser estimulada desde cedo, por isso que as escolas precisam desenvolver ambientes de aprendizagem coletiva.

Quando a criança inicia a escola, ela já apresenta conhecimentos que adquiriu em sua área familiar, esta bagagem deve ser considerada pelo educador. Muitos dos valores sócio-culturais aprendidos no meio familiar podem gerar conflitos com as informações que a escola pretende transmitir, o que cria uma barreira, dificultando o trabalho dos professores.

De acordo com Vygotsky (2003):

A educação nunca se inicia em um terreno vazio, nunca começa a forjar reações totalmente novas, nunca realiza o primeiro impulso. Ao contrário, sempre partir de formas de comportamento já dados e preparados e se refere às suas modificações, sempre tende a modificar, porém nunca a criar algo totalmente novo. Nesse sentido, a educação e a reeducação do que foi realizado. Por isso a primeira exigência de qualquer educação é o conhecimento absolutamente preciso das formas de comportamentos herdados, pois sobre

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ele se exigirá a esfera pessoal da experiência. E aqui surge com força especial o conhecimento das diferenças individuais. (VYGOTSKY, 2003, p. 283.)

O professor, em hipótese alguma, deve desprezar os conhecimentos prévios dos alunos, pois ele deve valorizar a individualidade de cada indivíduo e não tratá-lo como uma folha em branco.

O afeto é um valoroso recurso que auxilia o professor diariamente, sendo usado, principalmente, dentro da sala de aula, que é o momento em que a troca de conhecimentos ocorre, resultando em uma maior participação do aluno no ensino aprendizagem. É através da interação afetiva que o diálogo acontece, tanto entre o professor e seu aluno quanto entre o aluno e seus demais colegas de classe. Toda essa interação vai gerar um desenvolvimento intelectual nos envolvidos.

O educador deve observar cada educando, valorizando seus talentos, seus dons e sua história de vida. O diálogo deve manter-se vivo, assim como em qualquer relação que envolva “preocupação” com o outro. O educador deve se importar com os problemas particulares dos alunos e, até mesmo, tentar solucioná-los. Todos estes elementos citados acima funcionam como um combustível no elo afetivo que liga o educador ao aluno.

[...] Como professor [...] preciso estar ao gosto de querer bem aos educandos e à prática educativa de que participo. Esta abertura ao querer bem não significa, na verdade, que, porque professor, me obrigo a querer bem a todos os alunos de maneira igual. Significa, de fato, que a afetividade não me assusta que tenho de autenticamente selar o meu compromisso com os educandos, numa prática específica do ser humano. Na verdade, preciso descartar como falsa a separação radical entre “seriedade docente” e “afetividade”. Não é certo, sobretudo do

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ponto de vista democrático, que serei tão melhor professor quanto mais severo, mais frio, mais distante e “cinzento” me ponha nas minhas relações com os alunos, no trato dos objetos cognoscíveis que devo ensinar. (FREIRE, 1996, p. 159).

O professor precisa construir em si mesmo a vontade de tentar modificar cada um de seus educandos, fazendo com que se tornem cidadãos reflexivos e afetivos. Pois dado o vínculo afetivo, o professor terá um melhor resultado no processo de ensino aprendizagem. Ele pode interferir positivamente as reações emocionais de seus alunos, favorecendo a formação de atitudes benéficas à aprendizagem.

Como educadores, devemos assumir esse compromisso de provocar mudanças e transformações, nesta perspectiva, pois o caminho é a Educação.

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CAPÍTULO 4:

O PAPEL DA FAMÍLIA (AFETO FAMILIAR)

Na história do Brasil, o modelo da família passou por muitas modificações,

de acordo com o contexto sociocultural e econômico no país.

Antigamente, durante o Brasil – Colônia, a família possuía um modelo patriarcal, as mulheres tinham a função de cuidar dos afazeres domésticos e à educação dos filhos.

Ao longo dos anos, essa tradicional divisão de papeis sofreu modificações. A mulher fez um movimento que lhe garantiu uma posição diferente no mundo, exterminando a clássica divisão de tarefas em que o pai é um provedor e a mãe uma rainha do lar. Contudo, as famílias estão destruindo suas estruturas, prejudicando os laços de afeto entre pais e filhos.

Lobo (2003) afirma:

A família recuperou a função que, por certo, esteve nas suas origens mais remotas: a de grupo unido por desejos e laços afetivos, em comunhão de vida. O princípio jurídico da afetividade faz despontar a igualdade entre irmãos biológicos e adotivos e o respeito a seus direitos fundamentais, além do forte sentimento de solidariedade recíproca, que não pode ser perturbada pelo prevalecimento de interesses patrimoniais. É o salto, à frente, da pessoa humana nas relações familiares. (LOBO, 2003, p.40)

Nos últimos vinte anos, muitas mudanças no plano socioeconômico e cultural, exerceram forte interferência na dinâmica e estrutura familiar, gerando alterações em seu padrão tradicional de organização.

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A família era conservadora, pensando em um cenário mais tradicional, e o amor era visto como eterno, ou seja, a famosa frase “até que a morte nos separe”. No cenário atual, as famílias adquiriram aspectos mais modernos, a famosa frase citada acima perdeu força para a insegurança, então o casamento não significa certeza de eternidade entre os casais. E isso resulta no crescimento da falta de afeto e amor entre as famílias na sociedade.

É necessário ressaltar também que a escola, no contexto da família ao longo do tempo, possui a finalidade de contribuir na educação dos filhos, sem se tornar responsável por esse processo, visto que a responsabilidade fundamental é do núcleo familiar.

A família é responsável pelo amadurecimento psíquico e sustentação emocional dos filhos, para que eles alcancem sucesso na aprendizagem escolar, conduzindo-os para lidar com as frustrações em relação aos modelos de aprendizagem formal. Castro (2015) afirma:

O alicerce da construção das nossas emoções, do senso de “pertencer” e de ter valor, de ser amado ou rejeitado é transmitido de forma consciente ou inconsciente, com palavras, gestos ou ações. Esta transmissão é feita inicialmente pelos pais e reforçada pelos demais adultos com quem a criança vier a conviver. Antes de entender as palavras, o bebê “sente”. A criança, o adolescente e o adulto, mesmo conhecendo a linguagem falada ou escrita, também “sentem”. Os sentidos tornam-se um canal essencial para a construção do “senso de existência e de valor.” E, neste aspecto, há uma grande dificuldade de os pais entenderem a diferença entre o fato de amar seus filhos e o fato de seus filhos sentirem-se amados ou não. Se você diz que ama

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seu filho, mas a mensagem que ele recebe não confirma este amor, o sentimento dele é: “meu pai e minha mãe não me amam”. As mensagens que os pais transmitem aos seus filhos confirmam o amor ou a rejeição em suas vidas. (CASTRO, 2015, p. 40)

A falta de tempo, os desencontros e a solidão indicam as dificuldades dos adultos dentro de suas casas. A criança e adolescente necessita de estabilidade, segurança, compreensão e afetividade para sentir-se forte diante dos processos de aprendizagem. Um ambiente desfavorável fragiliza os laços amorosos, logo surgem os transtornos de aprendizagem, que pode levar a criança ou adolescente à marginalização e ao fracasso escolar.

Ao longo de sua vida, o indivíduo desenvolverá experiências baseadas em seu seio familiar, seguindo os exemplos adquiridos durante este convívio, que indica uma essencial importância para a formação do mesmo.

Por isso que a troca de afeto é necessária, como sentimentos de amor, carinho, não excluindo os limites que também são necessários para que a criança e adolescente cresçam bem estruturados nos aspectos de sua personalidade.

O princípio da afetividade especializa, no âmbito familiar, os princípios constitucionais fundamentais da dignidade da pessoa humana (art. 1º, III) e da solidariedade (art. 3º, I), e entrelaça-se com os princípios da convivência familiar e da igualdade entre conjugues, companheiros e filhos, que ressaltam a natureza cultural e não exclusivamente biológica da família. (BRASIL. Código Civil de 1915, p. 70 – 71)

A carência afetiva influencia no desenvolvimento e construção da personalidade, identidade e na capacidade de autoestima da criança. Cada pessoa

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crescerá e se definirá pelas trocas com outras pessoas, principalmente nas relações familiares.

A dificuldade de aprendizagem pode ser uma maneira encontrada pela criança e adolescente de tentar manifestar a sua carência, a falta de vínculos familiares.

Caso a família e a escola se unissem desde o início, em relação aos anos escolares iniciais, tudo poderia ser diferente. Afinal, haverá uma melhora na criança que já está bem e a criança que apresentar algum tipo de dificuldade receberá auxílio tanto da escola quanto dos pais para derrubar os possíveis obstáculos no processo de aprendizagem.

Infelizmente, a postura dos pais deixa muito a desejar, principalmente, nos modelos de ensino e aprendizagem, pois é exigida uma prática, sustentada por equilíbrio emocional, já que falta à criança e adolescente maturidade suficiente para enfrentar seus obstáculos sozinhos, sem a presença e os limites impostos pelos pais. Assim:

Muitos pais ficam surpresos com determinados comportamentos dos seus filhos, mas se esquecem de que, como eles, os filhos dão o que têm. (CASTRO, 2015, p. 56)

A relação entre pais e filhos , quando apresentada de maneira rígida, não permite possibilidades de alternativa de crescimento, ocorrendo um bloqueio no processo de comunicação.

Disciplinar é educar o coração. A disciplina visa à formação do caráter. Para alcançar o coração, precisamos de relacionamento. Os educadores exigem comportamento, mas não se dirigem ao coração, que impulsiona o comportamento; e disciplina sem relacionamento gera rebeldia. (CASTRO, 2015, p. 57)

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Cada criança e adolescente apresenta uma maneira diferente de aprender, tendo também um tempo diferente para assimilar conhecimentos. É necessário compreender cada sujeito e fornecer os meios necessários ao desenvolvimento de cada um.

A pedagogia que exala afetividade está presente e é exercida no nosso dia a dia, através do amor familiar e também no ambiente escolar enquanto educadores. Entretanto, a criança que apresenta carência de afeto possui um sentimento de inferioridade em relação às demais, manifesta-se com baixa estima e tem certa dificuldade em socializar-se com outras pessoas no geral.

Tal carência afetiva pode ser desenvolvida quando a mãe não transmitiu carinho e amor necessários ao filho. Da mesma forma que uma mãe que mima demais o filho também enfrentará problemas no campo emocional, pois a criança cresce muito dependente, não conseguindo resolver as circunstâncias do cotidiano sozinho.

Ao ser amada durante a infância, este sentimento atuará de forma positiva na vida da criança, refletindo bom rendimento, tanto na escola quanto no contexto de sua existência.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considera-se, através do que foi discutido, que a afetividade funciona

como um estímulo na aquisição de conhecimentos. O objetivo do trabalho do educador é que o seu aluno atinja satisfatoriamente o processo de aprendizagem, entre eles o desejo de aprender do aluno, sua capacidade intelectual, seus conhecimentos e possibilidades de transmitir conteúdos.

Como diz Freire, não existe educação sem amor. Sendo completamente inviável conseguir desenvolver as habilidades sociais e cognitivas sem trabalhar a emoção. “Ama-se na medida em que se busca comunicação, integração a partir da comunicação com os demais”. (FREIRE, 1983, p.29)

O conjunto de emoções e sentimentos está presentes em todas as manifestações do dia a dia. O pensamento intelectual possui duas vertentes: cognitivo e afetivo. Ficando clara a importância da afetividade no processo de ensino-aprendizagem.

Fica evidente também a contribuição do afeto para a formação da personalidade do indivíduo e seu comportamento como aluno, lembrando que ele reflete suas ações nos modelos de interação social, principalmente, voltada para o ambiente familiar.

Entre as características da afetividade no período escolar, abordadas no presente trabalho, destacam-se as funções responsáveis pela sensação, percepção e emoção. Funções que ainda são confusas para a criança em seus anos iniciais, por isso é de extrema importância a intervenção e orientação do professor.

A relação professor e aluno será determinante no processo de ensino aprendizagem, esta relação precisa ser saudável para que os objetivos educacionais sejam alcançados. É necessário compreender como auxiliar o outro a se desenvolver como ser humano, valorizando capacidades já existentes e ajudando a desenvolver novas.

Segundo Almeida (2014 p 18): “Ter empatia consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo. A empatia leva as pessoas a ajudarem umas a outras e está intimamente ligada ao altruísmo – amor e interesse pelo próximo, capacidade de ajudar.”

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O professor precisa construir situações significativas de aprendizagem para alcançar o desenvolvimento de habilidades cognitivas, psicomotoras e socioafetivas. O afeto precisa ser entendido como combustível necessário para que o lado cognitivo possa operar. Tanto a inteligência quanto a afetividade contribuem para a construção do próprio sujeito, sua identidade e percepção de mundo.

Ressaltamos também a importância da presença de afeto familiar, o que resultará em apoio à criança e adolescente e que, em parceria com a escola, os problemas de aprendizagem enfrentados na sala de aula poderão ser amenizados e até mesmo eliminados.

É a partir da aprendizagem que podemos modificar o mundo, através de nossa atuação, seja como educadores ou pais. A aprendizagem não limita-se apenas ao conteúdo disciplinar, é necessário inserir também no pacote o conhecimento e desenvolvimento ligados à conduta da vida.

É preciso ter uma visão mais crítica em relação à afetividade. O educador precisa, no comprometimento com a educação, ter uma postura afetuosa. Reconhecer que a afetividade é válida em todas as fases da vida, principalmente na escola, pois ela contribui no desenvolvimento da moral e autonomia, deixando crianças mais felizes e seguras de si no momento da aprendizagem.

Educador que deixa sua marca é aquele que tem paixão por ensinar e reconhece em seus alunos o seu espelho. A escola tem uma importância significativa para a formação sociocultural dos alunos.

Nesse sentido, devemos conscientizar nossos alunos a agregar valores, cultivando o amor, respeito, o trabalho em equipe, a humildade e a vontade de vencer os obstáculos para que possamos construir lições para a vida.

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