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ALDEFRAN ADERSON DA SILVA

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO - UFERSA PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO

CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS E HUMANAS - CCSAH CURSO DE LICENCIATURA INTERDISCIPLINAR EM EDUCAÇÃO DO CAMPO

-LEDOC

ALDEFRAN ADERSON DA SILVA

O EXTRATIVISMO DO CALCÁRIO: IMPACTOS AMBIENTAIS E SOCIOECONÔMICOS GERADOS NA COMUNIDADE DE PALHEIROS III,

MUNICÍPIO DE UPANEMA/RN

MOSSORÓ/RN 2019

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ALDEFRAN ADERSON DA SILVA

O EXTRATIVISMO DO CALCÁRIO: IMPACTOS AMBIENTAIS E SOCIOECONÔMICOS GERADOS NA COMUNIDADE DE PALHEIROS III,

MUNICÍPIO DE UPANEMA/RN

Monografia apresentada à Universidade Federal Rural do Semi-Árido como requisito para obtenção do título de Licenciado em Educação do Campo, com habilitação em Ciências da Natureza.

Orientadora: Profa. Dra. Késia Kelly Vieira de Castro

MOSSORÓ/RN 2019

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©Todos os direitos estão reservados à Universidade Federal Rural do Semi-Árido.O conteúdo desta obra é de inteira responsabilidade do (a) autor (a), sendo o mesmo, passível de sanções administrativas ou penais, caso sejam infringidas as leis que regulamentam a Propriedade Intelectual, respectivamente, Patentes: Lei nº 9.279/1996, e Direitos Autorais: Lei nº 9.610/1998. O conteúdo desta obra tornar-se-á de domínio público após a data de defesa e homologação da sua respectiva ata, exceto as pesquisas que estejam vinculas ao processo de patenteamento. Esta investigação será base literária para novas pesquisas, desde que a obra e seu (a) respectivo (a) autor (a) seja devidamente citado e mencionado os seus créditos bibliográficos.

Ficha catalográfica elaborada pelo Sistema de Bibliotecas

da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, com os dados fornecidos pelo(a) autor(a)

O serviço de Geração Automática de Ficha Catalográfica para Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC´s) foi desenvolvido pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (USP) e gentilmente cedido para o Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (SISBI-UFERSA), sendo customizado pela Superintendência de Tecnologia da Informação e Comunicação (SUTIC) sob orientação dos bibliotecários da instituição para ser adaptado às necessidades dos alunos dos Cursos de Graduação e Programas de Pós-Graduação da Universidade.

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ALDEFRAN ADERSON DA SILVA

O EXTRATIVISMO DO CALCÁRIO: IMPACTOS AMBIENTAIS E SOCIOECONÔMICOS GERADOS NA COMUNIDADE DE PALHEIROS III,

MUNICÍPIO DE UPANEMA/RN

Monografia apresentada à Universidade Federal Rural do Semi-Árido como requisito para obtenção do título de Licenciado em Educação do Campo, com habilitação em Ciências da Natureza.

Defendida em: 09 / 08 / 2019

BANCA EXAMINADORA

_________________________________________ Késia Kelly Vieira de Castro, Profa. Dra. (UFERSA)

Presidente

_________________________________________ Emerson Augusto de Medeiros, Prof. Dr. (UFERSA)

Membro Examinador

_________________________________________ Regina Célia de Oliveira Brasil Delgado, Profa. Dra. (UFERSA)

Membro Examinador

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Rita Maria Filha (In Memoriam).

Neste momento, o coração aperta e as palavras se tornam insuficientes para demonstrar o meu agradecimento para minha saudosa avó. Ao chegar nesse percurso de vida, onde descrevo meu último trabalho para ganhar o título de graduado em licenciatura interdisciplinar em educação do campo - LEDOC, lembro-me do tempo quando criança, e nessas lembranças vêm os incentivos da mulher que cuidou de minha pessoa até quando pôde. Diante disso, dedico essa conquista a minha querida e saudosa avó. Meu desejo era que estivesse aqui, para juntos comemorarmos essa vitória. Mas, Deus sabe de todas as coisas, e onde quer que a senhora esteja, sei que está alegre pela chegada desse dia e por essa grande conquista.

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As minhas tias Aldenora Neci e Antonia Rita, Aos meus pais, Aderson Raimundo e Raimunda Rita, Ao meu tio José Martim A minha namorada Lidiane, Com todo meu amor e dedicação!

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AGRADECIMENTOS

Antes de tudo, agradeço a Deus, meu fiel amigo, por estar presente em todos os momentos da minha vida, me ajudando, dando-me forças e erguendo-me nos momentos de fraquezas. Se hoje estou aqui, graças dou ao senhor por tudo, bem sei que não foi fácil, isso por ter consciência do processo árduo que enfrentei. Mas a presença do senhor me inspirou a continuar e conquistar um sonho tão distante, mas bastante almejado.

Agradeço as minhas Tias, Aldenora Neci da Silva e Antonia Rita da Silva. Duas mães que tem demonstrado grande amor, apoio, companheirismo e dedicação para minha pessoa. Sei que mesmo não sendo o filho biológico, isso não tem alterado na nossa relação, e assim fazem de tudo para ver minha felicidade. Sabendo disso, me sinto imensamente grato, por tê-las comigo e assim compartilho essa conquista, dizendo que conseguimos juntos. Amo vocês, preciosidades.

Agradeço a meus pais biológicos, Raimunda Rita e Aderson Raimundo, por me concederem o direito à vida. Sei que com os problemas da vida não conseguimos viver juntos. Creio que muitas vezes sentiram o desejo de estar ao meu lado, nem que seja para dar uma palavra de ânimo. No entanto, mesmo distante, jamais guardarei mágoas de ambos e tenho maior orgulho de apresentá-los como meus pais.

Agradeço a minha orientadora, Késia Kelly Vieira de Castro, por aceitar a seguir esse trajeto de pesquisa comigo. Quero que saiba que tenho maior consideração por sua pessoa, não somente como a docente orientadora, mas por ser uma verdadeira amiga, e uma ótima mãe. Assim agradeço por todas as vezes que se preocupou comigo, por me incentivar a seguir no ramo da pesquisa e contribuir bastante para que obtivesse uma boa formação.

Agradeço a Banca Examinadora, na pessoa do Professor Dr Emerson Augusto de Medeiros e a Professora Dra Regina Célia de Oliveira, por aceitarem participar desse momento, o qual se torna um dos últimos, enquanto graduando desse curso.

Expresso meu muito obrigado a minha namorada Lidiane. Agradeço por todo amor destinado a minha pessoa, e também por ter paciência e compressão nos momentos difíceis.

Agradeço a todos os meus Amigos. Em especial aos que considero como verdadeiros irmãos. Inicialmente quero citar Ricardo, elenco sobre ele, porque desde o início da faculdade, e depois de alguns anos, o mesmo se disponibilizou todas as vezes para transportar-me até a cidade de Upanema, para que pudesse ir para faculdade. Também agradeço a Evângela Fernandes, que sempre me ajudou quando precisei.

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Dentro da faculdade, tive a oportunidade de conhecer Ramon, Jefferson e Josiel, irmãos que Deus me presenteou para que pudéssemos vivenciar os melhores momentos da vida e ajudarmos uns aos outros. Ainda na faculdade, tive a oportunidade de conhecer, Janailma, Kaliane, Otila e Glícia, mulheres a qual tenho maior admiração, consideração e afeto. As mesmas também representam o verdadeiro perfil de um amigo e sempre estiveram comigo nos momentos de felicidades e também quando as dificuldades chegaram até mim.

Também externalizo meus agradecimentos, a todos os docentes do Curso de Licenciatura Interdisciplinar em Educação do Campo – LEDOC. Em especial aos professores que mantive um contato mais direto, sendo, José Erimar dos Santos, Simony Maia e Maria da Conceição Fernandes de França.

Em suma, agradeço a todos que de forma direta ou indiretamente contribuíram para a realização desta pesquisa, e concretização dessa formação.

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“Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus”. 2ª Coríntios 3:5 (A BIBLIA, 2009).

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É perceptível que no mundo contemporâneo, vive-se o auge dos avanços tecnológicos, como também a predominância do ser humano sobre a natureza, fato que chega a gerar um grande fluxo de retirada de matéria prima e recursos naturais para diversos fins a serem utilizados pelo homem. Refletindo nesse processo, o presente trabalho busca compreender como é desenvolvida a prática do extrativismo do calcário, executada pelos residentes da comunidade de Palheiros III, Município de Upanema/RN, e quais os impactos ambientais e socioeconômicos, gerados por meio dessa prática. Na realização desse trabalho, utilizou-se a pesquisa bibliográfica por meio de diversas leituras de materiais que embasam o assunto em discussão, como artigos, dissertações, livros, TCC’s e outros. A fim de atingir os objetivos, pôde-se realizar a observação no âmbito de trabalho, onde é conhecida como pedreira, sendo que para a obtenção de dados mais específicos, buscou-se fazer aplicação de um questionário, para um público de 20 pesquisados. Ao analisar os resultados, compreendeu-se que se tratava de um assunto crítico, por gerar perda da fauna, da flora, afetar a saúde do trabalhador e deixar os sujeitos em decadência econômica, tornando-se preciso uma intervenção imediata. Frente a isso, conseguiu-se realizar uma palestra com fisioterapeutas, para informar aos trabalhadores os problemas que afetam a saúde por meio dessa prática, sendo possível proporcionar-lhes métodos adequados para trabalharem e terem uma vida mais saudável. Além disso, foi realizada uma aula de campo na pedreira com os alunos do ensino fundamental (anos finais), da escola municipal 13 de maio. Nessa feita, os alunos realizaram entrevista com os trabalhadores e fizeram observações no ambiente, para assim compreender os impactos ambientais e socioeconômicos, fazendo alusão a importância da educação ambiental. Diante disso, considera-se que a problemática repercutida no campo de estudo, ocorre mediante os mesmos não terem acesso a uma educação ambiental que os faça refletir sobre os impactos de tal prática.

Palavras-chave: Extrativismo. Impactos. Socioeconômico. Ambiental. Palheiros III.

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It can be seen that the contemporary world is experiencing the height of technological advances, as well as the predominance of human beings over nature, a fact that creates a great withdrawal flow of raw material and natural resources for various purposes to be used by man. Reflecting on this process, the present work seeks to understand how the practice of limestone extraction is made by the dwellers of the community of Palheiros III, in the town of Upanema / RN, and what are the environmental and socioeconomic impacts generated by this practice. For this work, it was used the bibliographical research through several readings of materials that support the subject under discussion, such as articles, dissertations, books, final papers and others. In order to achieve the objectives, it was made the observation in the workplace, which is known as a quarry, and to obtain more specific data, it was applied a questionnaire to an audience of 20 respondents. By analyzing the results, it was understood that this was a critical issue, which generates loss of fauna and flora, affects the health of the worker and leaves them in economic decay, requiring immediate intervention. Faced with this, a lecture was held with some physiotherapists, to inform workers about the problems that can affect their health through this practice, and it is possible to provide them with adequate methods to work and have a healthier life. In addition, a field class was held in the quarry with the elementary students (final years) of the Escola Municipal 13 de Maio (May 13th Municipal School). This time, the students interviewed the workers and made observations in the environment, in order to understand the environmental and socioeconomic impacts, alluding to the importance of environmental education. Given this, it is regarded that the issue, reflected in the field of study, occurs due to the lack of access to an environmental education that leads to reflection on the impacts of such practice.

Keywords: Extractivism. Impacts. Socioeconomic. Environmental. Palheiros III.

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LISTA DE GRÁFICOS

Figura 1 – Esquema simplificado das ações evidenciadas pelos pesquisados ...… 40

Figura 2 – Família realizando a extração do calcário ...…...………… 41

Figura 3 – Retirada da cobertura da terra, com retroescavadeira ...….……….... 42

Figura 4 – Alagamentos na pedreira em períodos chuvosos ………....…... 44

Figura 5 – Área de extração sem vegetação ………...………….……….. 46

Figura 6 – Placa de licenciamento ambiental ... 47

Figura 7 – Carregamento manual da caçamba com paralelepípedos ... 49

Figura 8 – Participantes da palestra ... 53

Figura 9 – Fisioterapeutas proferindo a palestra ... 54

Figura 10 – Aula de campo na pedreira localizada no Palheiros III ... 57

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Gráfico 1 – Situação escolar dos trabalhadores extrativistas de calcário ....….…..….... 36

Gráfico 2 – Nível de escolaridade dos pesquisados ...…..………..…..……... 37

Gráfico 3 – Motivos que levaram os pesquisados a se ausentarem da escola ... 38

Gráfico 4 – Circunstâncias que levaram os pesquisados a desenvolverem o trabalho extrativista ………...…... 39

Gráfico 5 – Familiares que desenvolvem o trabalho na extração de calcário ...….. 41

Gráfico 6 – Impactos ambientais e socioeconômicos ocasionados pela prática extrativista ... 43

Gráfico 7 – Ações decorrentes da extração do calcário ... 45

Gráfico 8 – Possibilidade de voltar a estudar se obtivessem oportunidade ... 50

Gráfico 9 – Aspectos apresentados pelos trabalhadores sobre a visão da educação ... 51

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Mapa 1 – Mapa da localização de Palheiros III, no Município de Upanema/RN …... 71

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Quadro 1 – Dados referentes aos alunos que participaram da aula de campo .…...…… 57

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Tabela 1 – Faixa etária dos pesquisados …...………...… 35 Tabela 2 – Profissões desejadas pelos trabalhadores ...………... 52

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Dr Doutor

EPI´s Equipamentos de Proteção Individual

IDEMA Instituto de desenvolvimento sustentável e meio ambiente do Rio grande do Norte LEDOC Licenciatura Interdisciplinar em Educação do Campo

PROF Professor

RN Rio Grande do Norte

TCC Trabalho de Conclusão de Curso

TCLE Termo de consentimento livre e esclarecido UFERSA Universidade Federal Rural do Semi-Árido

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% Porcentagem R$ Reais

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1 INTRODUÇÃO ………...………... 19

2 REFERENCIAL TEÓRICO ……...………...………... 21

2.1 Conceituando o extrativismo do calcário: Rocha sedimentar química ... 22

2.2 Análise do extrativismo do calcário no Brasil e Rio Grande do Norte (Semiárido) ………... 23

2.3 Impactos Ambientais e Socioeconômicos ………..………... 24

2.4 A importância da Educação Ambiental ………..………... 28

3 MATERIAIS E MÉTODOS ……….……….……... 31

3.1 Classificação da pesquisa ………..………..…………... 31

3.2 Procedimentos da pesquisa ………... 31

3.2.1 Levantamento Bibliográfico ….………...……... 32

3.2.2 Obtenção de dados de campo ….………...……... 32

3.3 Condução da intervenção ….………...……... 33

3.3.1 Palestra sobre a saúde do trabalhador ….………...……. 33

3.3.2 Pesquisa de campo com os alunos do ensino fundamental (anos finais) da escola localizada na comunidade ….………...……... 33

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO …...………... 35

4.1 Palestra sobre a saúde do trabalhador ….………... 53

4.2 Pesquisa de campo com os alunos do ensino fundamental (anos finais) da escola localizada na comunidade ….………...……... 55

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ………... 60

REFERÊNCIAS ………... 62

APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO ESTRUTURADO ………... 66

APÊNDICE B – TCLE PARA MAIORES DE 18 ANOS ….……….. 67

APÊNDICE C – TCLE PARA MENORES DE 18 ANOS ….……… 68

APÊNDICE D – TERMO DE AUTORIZAÇÃO PARA AULA DE CAMPO . 69 APÊNDICE E – QUESTIONÁRIO PARA OS ALUNOS APLICAREM COM OS TRABALHADORES ….………... 70

ANEXO A – MAPA DA LOCALIZAÇÃO DE PALHEIROS III, NO MUNICÍPIO DE UPANEMA/RN ………..……….. 71

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1 INTRODUÇÃO

É evidente pontuar, que na atualidade chega-se a encontrar variadas atividades exercidas sobre o meio ambiente (DREW, 1998). Tais ações são consideravelmente acarretadas por diversos fatores, os quais obtêm como maior determinante a prática de extração dos recursos naturais, retirados para comtemplarem o desenvolvimento do mercado moderno e industrial. Visualizando essas ações, compreende-se que essas práticas podem transformar e expandir o nicho ecológico, como também afetar os mecanismos do sistema da terra.

Torna-se importante frisar, que muitas dessas ações exercidas sobre a natureza, podem se tornar irreversíveis, ou demorar um longo período para total restauração, dando origem a muitos impactos, os quais podem afetar o ambiente físico e as sociedades desse ciclo. Nesse viés, a ação do homem no ambiente é uma influência, que por interferência modifica o ambiente natural. Assim, na atividade de extração do calcário, não é diferente, pois pode ser encontrada uma série de modificações problemáticas, tais como degradação do ambiente, extinção animal, entre outros.

Portanto, a presente pesquisa, foi desenvolvida levando como base a prática do extrativismo de calcário, exercida pelos moradores da comunidade de Palheiros III, Município de Upanema/RN. Com esse estudo, pretendeu-se compreender, a motivação do baixo nível de formação escolar dos sujeitos, a precariedade vivida por maior parte dos envolvidos no processo de extração da rocha, e se esse fato faz relação com a falta de uma educação ambiental, incluindo também problemas socioeconômicos.

Seguindo essa perspectiva, a pesquisa buscou focar no desenvolvimento de Palheiros III, seja na parte ambiental, educacional, econômica ou social, sendo que também foram realizadas análises, para saber que impactos ambientais afetivos estão constrangendo o ambiente e o que os leva a acontecer. Assim levou-se como considerações a busca por uma solução racionalista, onde pudesse contribuir no requisito que tenta inverter o problema, para que haja um convívio equilibrado na comunidade.

O trabalho em síntese, pôde ser dividido em algumas partes, sendo que todas são de total importância, por serem consideradas um conjunto indissociável. Isso porque em cada tópico há um complemento significativo, o qual atribui informações que contribui fundamentalmente para total realização e finalização da pesquisa.

Seguindo esses critérios, inicia-se os tópicos tratando do referencial teórico, sendo um embasamento, retirados de materiais bibliográficos, para fundamentar as discussões referentes

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a temática abordada. Nessa parte pôde-se utilizar ideias de vários autores, os quais abordam sobre os impactos negativos no meio socioeconômico e ambiental, evidenciados pelo extrativismo do calcário.

O segundo tópico desse trabalho, trata dos métodos utilizados para concretização da pesquisa, através da aplicação de questionários com os trabalhadores que desenvolvem o extrativismo e também de observações no âmbito de trabalho dos mesmos. Para finalizar, apresenta-se as intervenções realizadas com os pesquisados e os devidos procedimentos para realização.

No terceiro tópico, são apresentados e discutidos os resultados obtidos por meio da aplicação do questionário e das observações realizadas. Para melhor explanação e compressão dos resultados, fez-se uso de gráficos, conduzidos com percentuais, tabelas esquematizadas e algumas fotografias registradas no local de trabalho desses pesquisados.

Em suma, pôde-se ver que essas ações realizadas no extrativismo são acopladas por vários impactos negativos, e por esse fato surge a intenção de desenvolver a pesquisa, na expectativa de construir bastante aprendizagem sobre o campo de estudo. Também trazer contribuições para o meio acadêmico, com o desenvolvimento de um aporte teórico sobre impactos socioeconômicos e ambientais, a partir do extrativismo do calcário, tornando-se importante por abordar dois termos impactantes em uma mesma discussão.

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2 RERENCIAL TEÓRICO

No mundo contemporâneo, tem-se deparado com grande domínio do homem sobre a natureza. Essas ações têm ganhado mais empoderamento, a partir da implementação do capitalismo nas sociedades. É considerável que com esse sistema, as produções tenham se multiplicado e consequentemente mais minérios são extraídos do ambiente, para fornecimento de determinados materiais.

Esse modo de exploração da natureza, vêm esgotando as reservas de recursos naturais, degradando a fertilidade dos solos de modo a exaurir as condições de regeneração do ambiente natural. Com essa visão, é importante ter consciência das ações desenvolvidas, pois agindo de acordo com o sistema capitalista, não haverá espaço para conservação e muito menos preservação, pois a única visão obtida é o capital adquirido.

Passando a refletir sobre tal evolução, chega-se a associar o fato com o mundo moderno, que emite as inovações tecnológicas, uma vez que deixa o ser humano com o pensamento de domínio sobre a natureza (DREW, 1998). Isso é algo que se torna crítico, pois a extração é realizada de forma tecnicamente indevida, não seguido as condições estipuladas por lei, sendo que dessa forma deixa a área de extração desestruturada, fato que chega a se tornar irreversível. Tais considerações, permiti-nos associar essas ações aos impactos que podem ser considerados como ambientais.

Seguindo esse enfoque, sabe-se que esse problema ocorre na comunidade de Palheiros III, efetivado pela ação de extração de calcário, uma prática que é realizada principalmente pelos jovens. Baseando-se nessa realidade, pontua-se que esse direcionamento se dê por problemas socioeconômicos enfrentados pelos mesmos, sendo influenciados em grande parte pelas necessidades econômicas, como também pela ausência de uma educação ambiental, no currículo escolar. Esses dados, refletem na ação realizada por muitos estudantes, os quais chegam a se evadirem da escola para adentrarem no ramo trabalhista da extração.

Para melhor compressão da prática extrativista do calcário, nos próximos tópicos desse referencial teórico, serão abordados como se realiza o processo, elencados de forma conceitual, sendo conveniente falar da prática de extração a nível de Brasil e Semiárido, para então adentrar nas discussões relacionadas aos impactos ambientais e socioeconômicos. Por fim, será realizado uma análise crítica, referente a importância da educação ambiental e o que a ausência desse conhecimento pode afetar.

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2.1 Conceituando o extrativismo do calcário: Rocha sedimentar química

Consegue-se compreender que a extração é um processo que a cada dia vem evoluindo, pelo fato das mútuas atividades desenvolvidas sobre o ambiente. Assim, é possível entender o extrativismo, como a ação que o ser homem exerce sobre a natureza, para extrair materiais e assim atender as suas necessidades. Essa pontuação é bem presente na abordagem de Homma (1990, p.10):

A atividade extrativa caracteriza-se pela oferta fixa determinada pela natureza. O início da extração pode ser entendido como tendo uma oferta potencial de determinado recurso natural como um bem livre. As curvas de oferta e demanda não têm interseção, uma vez que a extração do recurso se destina essencialmente à utilização direta dos próprios extratores.

Em anos posteriores, ao desenvolver uma outra obra teórica, o mesmo elenca que “a conceituação do extrativismo envolve desde processos empíricos, com baixa produtividade da terra e da mão-de-obra, até processos de capital intensivo, como se verifica no extrativismo madeireiro, mineral e pesca” (HOMMA, 2008, p.20). Frente a essas citações, vê-se que a única mudança é referente ao modo expresso na escrita, sendo que a ideia teórica permanece sem alteração.

Partindo desse viés extrativista dimensional, torna-se possível realizar uma associativa ao trabalho realizado com o calcário no ambiente em estudo. Isso por apresentar características que se assemelham ao conceito de extrativismo. Dentro desse tópico, também será discutido sobre um meio de trabalho que é a extração da rocha calcária. Para obtenção dessas informações, utilizou-se algumas bases teóricas, as quais se tornaram fundamentais para uma melhor compreensão.

“O calcário é matéria prima para produtos da construção civil, indústria química, açucareira e outros seguimentos industriais” (LIMA; SILVA; MUSSE, 2012, p.2). “Encontrado extensivamente em todos os continentes, é extraído de pedreiras ou depósitos que variam em idade” (SAMPAIO; ALMEIDA, 2009, p.363).

“As pedreiras tornaram-se fontes lucrativas na região a partir dos anos 1930, época em que a fabricação de cal e brita avançou rapidamente, e também a extração da pedra Lagoa Santa” (EXPLORAÇÃO do calcário provoca diferentes impactos socioambientais no Brasil, 2013, p.2).

A extração de calcário acontece de forma mecanizada. Inicia-se com uma retroescavadeira, a qual remove a cobertura mista (solo). Posteriormente, um

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rompedor hidráulico acoplado numa escavadeira hidráulica executa a extração dos níveis compactados do calcário. (VIEIRA et al., 2015, p.3).

Essa mecanização é bem ocorrente, sendo que para isso acontecer, os trabalhadores pagam uma certa taxa, equivalente as horas, ou seja, dependente da quantidade de horas que o sujeito solicitar é que saberá quanto pagará. Caso contrário, não queira efetuar o pagamento, terá que realizar o serviço braçalmente, e isso ocasiona uma produção reduzida por parte do trabalhador, pois o mesmo irá destinar um tempo para fazer o descobrimento da matéria, que no caso é a rocha, utilizando como suporte algumas ferramentas para cavar e depois retirar a areia. Feito tudo isso, é que passará a realizar processamento da quebra da rocha.

2.2 Análise do extrativismo do calcário no Brasil e no Rio Grande do Norte (Semiárido)

“O Brasil é um país bastante rico em recursos minerais, devido tanto à sua dimensão continental quanto aos fatores geológicos” (ANDRADE, 2014, p.15). No entanto, com tantos minérios, pode-se prevê que há uma grande utilização desses patrimônios. De acordo com Andrade (2014, p.18), “a produção de calcário beneficiado também se dá em praticamente todos os estados brasileiros”.

Partindo desse segmento, destaca-se o Estado do Rio Grande do Norte, pois segundo Lima, Silva e Musse (2012), a extração do calcário, é algo que vem recebendo mais investimentos no Estado.

O Rio Grande do Norte se apresenta como o nono estado brasileiro com maior reservatório de calcário (DNPM, 2010). Analisando a obra de Lima, Silva e Musse (2012), pode-se ver que esses dados vão mais à frente, pois além do Rio Grande do Norte ser considerado como um dos maiores produtores de calcário, possui as maiores reservas de calcário de boa qualidade no Brasil.

Tratando-se de recursos minerais, o Rio Grande do Norte sempre esteve em destaque no cenário nacional. “Devido à sua diversidade mineral, este estado é fonte de muitos materiais utilizados na construção civil” (VIEIRA et al., 2015, p.2). O Rio Grande do Norte (RN) é um estado riquíssimo em recursos minerais. Dentre suas Mesorregiões, o Oeste Potiguar destaca-se por apresentar grandes depósitos minerais que podem ser aplicados na construção civil. (p.1, etapa 2).

A construção civil é um setor que vem crescendo bastante nos últimos anos. Esta área é uma das que mais extraem recursos minerais da natureza, pois,

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além de estar diretamente a ela ligada, possui muitos campos de atuação, como construção de estradas, edifícios, usinas hidrelétricas, aeroportos. Pode-se perceber facilmente a aplicação de certos materiais disponíveis na natureza. Na construção de barragens, por exemplo, é necessária a utilização de materiais impermeáveis e bastante resistentes. Ou seja, é indispensável à utilização desses recursos numa área tão fundamental que é a construção civil. (VIEIRA et al., 2015, p.2).

Diante de todas as colaborações evidenciadas pelas discussões que os autores mencionados trazem, compreende-se que a produção do calcário tem se tornado um recurso material de grande utilização e importância, principalmente na construção civil, a nível de Brasil e também para região Semiárida. Mas, o que não se pode esquecer, é que através da extração desse material são gerados impactos, os quais serão pontuados e discutidos no tópico a seguir.

2.3 Impactos ambientais e socioeconômicos

A extração do calcário vem aumentando significativamente no Brasil nos últimos anos, mas como implicação, vem causando sérios problemas em relação às condições de trabalho e problemas ambientais (LEITE; SILVA; BARBOSA, 2003). Neste tópico serão discutidos esses impactos, levando como base a experiência de extração praticada na comunidade de Palheiros III, Município de Upanema/RN e a contribuição de alguns autores que trazem abordagens sobre os impactos afetivos conduzidos pela extração da rocha.

Segundo Vieira (2011, p.2):

Tendo em vista as características da indústria da mineração, [...] tem-se como pressuposto que dependendo da forma como são implantados, operados, desativados, e desenvolvidas suas relações sociais, os empreendimentos mineradores podem causar impactos sociais, ambientais e econômicos, muitas vezes, irreversíveis.

Assim, torna-se bastante evidente que a exploração de recurso natural na atividade de mineração tem ocasionado impactos negativos ao meio ambiente. “[...] em geral, a mineração provoca um conjunto de efeitos não desejados” (VASCONCELOS et al., 2009, p.3). O termo impacto se caracteriza pela alteração e modificação no ser humano ou ambiente, chegando a ser desejável ou indesejável, ou seja, positivo ou negativo.

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Vainer (2003, p. 5), elenca que “o impacto é entendido como um processo de mudança social e físicas que interferem em várias dimensões e escalas, espaciais e temporais desestruturando as relações sociais”. O impacto causado por essa extração, também pode ser visto como a alteração no meio ou em algum de seus componentes por determinada ação ou atividade. Ao tratar-se da extração do calcário, chega-se a encontrar uma série de impactos socioeconômicos e ambientais.

De acordo com Silva (2007, p.2):

As alterações do equilíbrio ecológico e o impacto da atividade humana sobre a ecosfera terrestre, começaram a se transformar em assunto de preocupação de alguns cientistas e pesquisadores durante a década de 60, ganharam dimensão política a partir da década de 70, e são hoje um dos assuntos mais polêmicos do mundo.

Estas alterações ocorrentes necessitam ser quantificadas, pois apresentam variações relativas, sendo que essas podem ser positivas ou negativas, grandes ou pequenas (SOARES, 2009). Essa discussão também pode ser comprovada a partir da análise de Lima e Albuquerque (2012, p.67), quando citam que “as alterações socioambientais decorrentes da mineração não são poucas, são bastante significativas, tanto no interior da mina como em seu entorno, afetando a comunidade”.

Assim, é ressaltante apresentar alguns dos impactos ambientais causados por essa atividade de exploração do calcário.

[...] são: retirada da camada de solo (decapeamento); erosão do solo, devido à necessidade de se retirar camada de terra para fazer a exploração da rocha; desmatamento e perda da fauna; poluição atmosférica, devido à dispersão de pó de calcário na atmosfera durante o processo de britagem; poluição sonora, devido ao grande fluxo de escavadeiras e caçambas e também devido ao processo de britagem; poluição visual, devido à remoção da vegetação nativa do local. (VIEIRA et al., 2015, p.4).

“Neste contexto, a mineração causa grandes impactos ambientais negativos ao meio ambiente, pois, altera intensamente áreas exploradas e áreas vizinhas, principalmente pelos depósitos de material estéril e de rejeito do processo” (VASCONCELOS et al., 2009, p.3).

Em análise, compreende-se que essa ação causa diferentes impactos ambientais, como pode-se ver. No entanto, é importante frisar, que esses impactos afetam outras áreas da região,

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ou seja, não somente na parte que se refere ao ambiente, mas também na parte econômica, social ou educacional.

Geralmente esses impactos acarretam uma série de problemas, mas o pior de tudo é que em mútuas ocasiões, os próprios trabalhadores que estão nesse processo de extração, não obtêm o conhecimento e também não são informados sobre os riscos que correm diariamente.

Como cita Lima e Albuquerque (2012, p.72):

Os impactos sociais resultantes da operação de uma mineradora podem afetar desde a qualidade de vida dos moradores do entorno, uma vez que estes terão que se adaptar às condições ambientais impostas pelo funcionamento da empresa, tais como ruídos, emissões de poeira, abalos sísmicos, transtornos diversos, chegando até mesmo a afetar a sua saúde, pois mobilizam os processos adaptativos de convívio com estresse diário, que, por sua vez, poderão acarretar transtornos mentais, tais como, ansiedade, depressão, síndromes de pânico, desencadeando na somatização destes transtornos no corpo, provocando outros tipos de doenças.

É imprescindível ver como tal ação se torna tão prejudicial na vida do ser humano, mesmo vendo que o resultado desse trabalho seja de grande importância para a construção civil, que favorece muitas sociedades. De fato, a opção de eliminar a extração de calcário é totalmente inviável, isso porque é uma prática que eleva a economia brasileira e também pelo fato de ser uma atividade extrativista que é regulamentada por lei, no caso da pedreira em estudo, é legalizada pelo IDEMA (Instituto de desenvolvimento sustentável e meio ambiente do Rio Grande do Norte). Além disso, deve-se refletir que muitas famílias obtêm um meio de subsidiar a renda familiar, por estarem trabalhando com a prática extrativista do calcário, mesmo gerando uma diversidade de impactos sobre tais.

Vê-se que é bem redundante favorecer a necessidade de uma regulamentação nessa prática, tanto no que se desrespeita a pertinente informação sobre os riscos ocorrentes, como também na obrigatoriedade de vestimentas (proteção corporal) adequadas para tal atuação, sabendo que esses equipamentos são elementos essenciais para efetuar a manutenção de proteção do trabalhador, o que garante a segurança do mesmo quando em serviço.

Estudos e pesquisas dentro da área de segurança e saúde ocupacional, buscam identificar, avaliar e controlar situações de risco. No intuito de proporcionar um ambiente de trabalho mais seguro, visando a redução de acidentes e doenças ocupacionais. Para isso, criam um método conhecido como ergonomia.

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A Ergonomia visa melhorar o trabalho humano, estudando as diversas capacidades que o homem utiliza para a realização das atividades e, a partir daí fazer a adaptação das máquinas, das ferramentas, do ambiente e da organização do trabalho às características humanas. A Ergonomia permite a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores de modo que os mesmos possam trabalhar com mais conforto e eficiência, com redução da fadiga excessiva e dos riscos de acidentes e doenças que se observam em muitas ocupações profissionais.

Compreende-se que é um método válido e que traz diversas contribuições para melhoria no trabalho e na vida diária do trabalhador. No entanto em nosso contexto essa estratégia não tem sido aplicada de forma concreta. “Mesmo com o desenvolvimento ocorrido nos últimos anos, no Brasil não é comum encontrarmos a prática da ergonomia como ferramenta para melhorias nos postos de trabalho no setor de extração de calcário” (LEITE; SILVA; BARBOSA, 2003, p. 07).

Frente a isso, tem-se a informação que é de responsabilidade das empresas adequarem esse método, sendo que a primórdio deve ser uma iniciativa dos representantes, por serem responsáveis pelas ações e produtividade. Esses empresários, visam as pedreiras como bens privados, sendo levados pela força de consumo econômico, realizam a compra de tais, para poderem extrair delas os recursos naturais. Assim, fazem uso dos moradores da região impulsionando-os a conduzirem a extração.

Nessa história, um fato que se torna crítico é o de saber que os empresários não são residentes do local onde se encontram as pedreiras, sendo que para essa realização, toda ação é desenvolvida por um atravessador, o qual não tem os conhecimentos devidos e assim não se preocupa com o que pode ocasionar através do trabalho em evidência, deixando a situação em extrema decadência.

A obrigatoriedade desta comunidade em conviver com estes fatores, condicionada pelo nível de renda como fator impeditivo de deslocar-se para outros locais melhores, torna a qualidade de vida destes moradores precária, demonstrando a condição de vida destes margeando a linha da pobreza, situação a qual as populações de pequenos centros urbanos, especialmente as rurais estão submetidas. (LIMA; ALBUQUERQUE, 2012, p.72).

Como afirma o autor, esse é um fator que gera uma imensa preocupação. Vendo esses sujeitos se submetendo a tal ação, achando que a única forma de sobrevivência é se evadir da escola e se deter apenas a essa prática de extração, quando na verdade perdem o domínio da prática, pois como a pedreira é da comunidade, o direito seria dos sujeitos que nela habitam

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28

desfrutar desses recursos de forma equilibrada, assim como também no que se refere a economia que recebem por um trabalho tão brusco. Certamente a maior economia obtida, fica com a empresa, e os trabalhadores marginalizados a pobreza.

No entanto, refletindo sobre essa questão, foi que surgiu a ideia de se afunilar mais nessa realidade, para poder buscar mais informações sobre essa ocorrência e assim trazer uma justa contribuição. Como fala Silva (2007, p.1), “é importante reconhecer e manter sob controle os impactos que esta atividade provoca no meio ambiente, assim proporcionando um meio ambiente adequado para as futuras gerações que estão por vir”.

2.4 A importância da educação ambiental

“A natureza é um grande patrimônio da sociedade. Consequentemente, a Educação Ambiental se torna uma prática social, com a preocupação da preservação dessas suas riquezas” (VARINE, 2000, p. 62). Essa ação educativa, busca desmistificar as influências do capitalismo na degradação do meio ambiente, a qual tem se tornado notória e muito forte. Ocorrências dessa linhagem, tem gerado imensos conflitos, provocando muitos danos ambientais e preocupações pertinentes à necessidade de garantir a vida das espécies no planeta, ou seja, a preservar vida dos seres de maneira geral, por meio do cuidado com os recursos que a natureza oferece.

Esse é o processo que origina o surgimento da Educação Ambiental (EA). Segundo Souza (2011, p. 9):

A educação ambiental, ao longo de sua história, recebeu definições que foram sendo aprimoradas. Os seres humanos já perceberam os efeitos maléficos e suas interferências sobre o meio em que vivem, e tentam mudar tal situação, demonstrando pelo menos que estão praticando a educação ambiental.

Se tratando da educação ambiental, relata-se que essa pode se efetivar em todos os aspectos das interações sociais, seja na escola, no sindicato, nas visitações, ou guias da reserva, que se preocupam em passar conceitos e explanar a importância das atividades desenvolvidas, para as comunidades, os moradores e para o desenvolvimento sustentável.

Essa modalidade de educação, é um ensino que traz reflexões críticas aos sujeitos cidadãos, sobre os processos ambientais, possibilitando-os o direito de tomar decisões adequadas, a partir da compreensão das ações que podem gerar impactos, ou seja, que

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agridem ou violam o meio ambiente. É por meio dessa discussão, que passa-se a ver quão importante é a obtenção de uma educação ambiental e certo que a ausência da mesma pode causar diversos problemas no cotidiano.

Agindo com criticidade, pôde-se analisar que ao tratar-se da prática de extração, dentro do contexto em estudo, a alternativa mais englobante para ajudar a amenizar os problemas que se evoluem em grande repercussão, é referente a disciplina especifica de educação ambiental nas escolas.

Como afirma Santos (2007, p. 10):

Uma das formas que pode ser utilizada para o estudo dos problemas relacionados ao meio ambiente é através de uma disciplina específica a ser introduzida nos currículos das Escolas, podendo assim alcançar a mudança de comportamento de um grande número de alunos, tornando-os influentes na defesa do meio ambiente para que se tornem ecologicamente equilibrados e saudáveis. Porém, estes projetos precisam ter uma proposta de aplicação, tratando de um tema específico de interesse dos alunos, e não longe da proposta pedagógica da escola.

No entanto, para melhor situar essa modalidade de disciplina, chega-se a caracterizá-la como uma educação política, sendo comprometida com a ampliação da cidadania, do livre arbítrio, da autonomia e da intervenção direta dos cidadãos, no intuito de encontrar soluções e alternativas que permitam uma convivência digna e equilibrada para todos (REIGOTA 2009).

Nessa perspectiva, vê-se que quando a disciplina passa a ser inserida como parte integrante do currículo escolar, por lei a escola deve ter autonomia nessa adequação, para que dessa forma a educação ambiental se dissemine nos projetos escolares, na capacitação dos professores e nas estratégias que visem desenvolver o espaço escolar e seu entorno.

De acordo com Jacobi (2003, p. 204):

A educação ambiental, nas suas diversas possibilidades, abre um estimulante espaço para repensar práticas sociais e o papel dos professores como mediadores e transmissores de um conhecimento necessário para que os alunos adquiram uma base adequada de compreensão essencial do meio ambiente global e local, da interdependência dos problemas e soluções e da importância da responsabilidade de cada um para construir uma sociedade planetária mais eqüitativa e ambientalmente sustentável.

Evidentemente, com a ausência da educação ambiental, os sujeitos sentem dificuldades para obter criticidade e alinhar os pensamentos a decisões corretas relacionadas ao ramo ambiental. Dessa maneira, acredita-se que a grande quantidade de sujeitos que

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trabalham no extrativismo do calcário na região de Upanema/RN, se dê pela ausência de informações, com relação aos riscos e os impactos que os cercam diariamente nessa prática.

Sabe-se que a educação ambiental é uma prática educativa, nisso, Fernandes e Molina (2004), consideram que é por meio da educação que acontece a construção do conhecimento, sendo fortalecidos por meio da pesquisa e pelo desenvolvimento de projetos. Porém quando a educação é voltada aos interesses, necessidades e identidades dos sujeitos, tende a se tornar significativa para os mesmos, sendo que, com a inserção da educação ambiental no contexto estudado, a escola pode estar estudando diretamente a prática de extração do calcário e seus impactos, assim, os alunos conseguirão suporte para transformar essa realidade.

Essa é uma análise repercutida por Freire (1987, p.87), onde diz que a “educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo". Porém, deve-se levar em consideração que dentro do processo educativo, em nenhuma ocasião deve-deve-se buscar transferir o conhecimento, mas sim buscar criar os meios para que os educandos produzam sua própria construção.

No próximo tópico, serão tratados os métodos e técnicas que foram utilizados para adquirir as informações necessárias, a fim de compreender os impactos ambientais e socioeconômicos e assim pontuar estratégias que visem solucionar tais impactos, para que as futuras gerações da comunidade, possam obter um futuro equilibrado, no sentido de amenizar os impactos efetuados pelo extrativismo do calcário.

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3 MATERIAIS E MÉTODOS

Para realização deste trabalho, obteve-se como objeto de estudo, a prática exercida na extração do calcário, desenvolvida pelos trabalhadores que residem na comunidade de Palheiros III, localizada acerca de 37 quilômetros da cidade de Upanema/RN (ANEXO A).

3.1 Classificação da Pesquisa

De acordo com Silveira e Córdova (2009, p.32). “A pesquisa qualitativa preocupa-se, portanto, com os aspectos da realidade que não podem ser quantificados, centrando-se na compreensão e explicação da dinâmica das relações sociais”. Tendo essa compressão, classifica-se essa pesquisa, como abordagem qualitativa, visto que para aprimorar os conhecimentos acerca da questão a ser estudada, precisou-se fazer utilização de referenciais teóricos, os quais se tornam resultados para a fundamentação do trabalho. Além da preocupação em explicar o porquê das coisas e aprofundamento da compreensão de um grupo de pessoas.

3.2 Procedimentos da Pesquisa

Com relação aos procedimentos da pesquisa, inicialmente buscou-se detectar um problema emergente na comunidade, e a partir disso, apontou-se a prática extrativista do calcário, como um impacto que atinge diversos fatores na comunidade. Após saber definitivamente qual seria o campo de estudo a ser pesquisado, passou-se para etapa de definição de um tema cabível, que pudesse contemplar o trabalho desenvolvido. Em seguida, buscou-se definir os objetivos da pesquisa, para compreender o que realmente estava sendo requerido, ou seja, qual a legítima importância que a pesquisa proporcionaria a comunidade e ao pesquisador.

Depois de ter realizado todas essas definições, passou-se a refletir sobre o processo metodológico, e assim associar as técnicas e classificações de abordagem necessárias para um resultado plausível ao término da pesquisa. Mediante isso, conseguiu-se usar como técnicas, a aplicação do questionário e a observação de campo, onde também, pôde-se classificar a pesquisa na abordagem qualitativa, no intuito de fundamentar o trabalho, sendo realizado levantamentos bibliográficos.

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3.2.1 Levantamento Bibliográfico

Essa pesquisa fundamentou-se, tendo como base os materiais bibliográficos (artigos científicos, livros, TCC’s, teses, dissertações e outros), realizando-se por meio de leituras para obtenção do embasamento teórico e seguindo o intuito de propagar discussões sobre os resultados obtidos. Essa parte do trabalho, é considerada como um requisito muito importante, pois esses aportes teóricos, proporcionaram reflexões sobre o que já estava sendo discutido anteriormente e também na atualidade, e da temática que está sendo estudada, além da contribuição para um resultado significativo.

3.2.2 Obtenção de Dados em Campo

Para a obtenção dos resultados, utilizou-se como método, a observação no local de trabalho dos pesquisados, e também a aplicação do questionário estruturado, (APÊNDICE A), que segundo Rampazzo (2009, p. 116). “É um instrumento de coleta de dados constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito”. No entanto, no questionário pode-se conter três tipos de perguntas. “As abertas, em que as respostas são discursivas. As fechadas, onde a resposta é simplesmente “sim” ou “não”. Por fim, as de múltipla escolha, sendo pontuadas opções de possíveis respostas” (RAMPAZZO, 2009, p. 117-119).

Ainda sobre o questionário, pode-se mencionar que o mesmo foi elaborado seguindo três fatores: Levando em consideração o perfil dos pesquisados, os impactos socioeconômicos relacionados aos trabalhadores, por meio da extração e também os impactos ambientais, os quais são identificados na natureza. No caso dessa pesquisa, esse ambiente é demarcado na região conhecida como pedreira.

Sabendo que o público alvo da pesquisa compreende aos trabalhadores que exercem a prática extrativista do calcário, pôde-se aplicar o questionário com 8 perguntas, a 20 participantes. O mesmo foi utilizado para evidenciar os questionamentos aos pesquisados e assim poder obter os dados precisos. A aplicação dos questionários procedeu-se na residência de cada sujeito, durante um período de dois dias, sendo especificamente os dias 03 e 04 de agosto do ano 2018.

No ato da aplicação, o participante assinava o TCLE (Termo de consentimento livre e esclarecido), para garantir a participação voluntária dos mesmos na pesquisa, após a

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explicação completa sobre a natureza da mesma. Foram feitos dois termos, um para os que são maiores de idade (APÊNDICE B) e outro para os menores (APÊNDICE C).

De posse dos dados, realizou-se a etapa de tabulação dos mesmos e posterior a discussão dos resultados corroborando com a leitura.

3.3 Condução da intervenção

3.3.1 Palestra sobre a Saúde do trabalhador

Analisando a vida desses sujeitos, surgiu grande preocupação, principalmente no que se refere a saúde desses trabalhadores, pois viu-se que os mesmos estão imersos a problemas sociais que influi diretamente na saúde física e demais específicas. Sabendo disso, buscou-se realizar uma intervenção nessa realidade para de certa forma contribuir na vida dos mesmos, com reflexões acerca da importância da saúde e os meios que podem ser colocados em prática para ter uma vida mais saudável.

Seguindo essas colocações, pôde-se realizar uma palestra sobre a saúde do trabalhador, para um público com mais de 30 pessoas, os quais fazem parte da pesquisa, por desenvolverem o trabalho com a extração do calcário. A palestra foi realizada no dia 17 de agosto de 2018 e conduzida pelas fisioterapeutas Daniela Mirtes e Roberta Praxedes. Após toda apresentação, foi reservado um tempo para entrevistar alguns participantes, buscando saber se a palestra contribuiu com informações eficazes na vida dos mesmos. Esses dados, se tornam parte dos resultados desta pesquisa.

3.3.2 Pesquisa de Campo com os alunos do ensino fundamental (anos finais) da escola localizada na comunidade

Refletindo na problemática de evasão escolar por parte dos alunos na comunidade, buscou-se propor uma forma de intervenção, onde os alunos pudessem visualizar e perceber os impactos que a extração do calcário gera sobre os mesmos. No entanto, em diálogo com os professores e a gestão escolar, decidiu-se realizar uma aula de campo na pedreira com os alunos, sendo especificamente os do ensino fundamental (anos finais).

A aula de campo ocorreu no dia 24 de maio, sendo que para essa realização, os pais ou responsáveis pelos alunos assinaram um termo de autorização (APÊNDICE D), permitindo a participação dos mesmos. Logo em seguida, juntamente com os professores, realizou-se orientações aos mesmos, socializando o objetivo da aula, podendo também ser entregue um

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roteiro de perguntas aos alunos, para eles entrevistarem os trabalhadores e realizarem observações no ambiente de trabalho.

Na segunda etapa dessa proposta, em conjunto com os professores e alunos, pôde-se analisar as entrevistas, transformando os dados obtidos em trabalhos científicos para serem apresentados na feira de ciências, onde pôde-se ver que os métodos se tornaram favoráveis para expandir a visão dos alunos. No entanto, com o intuito de propagar uma melhor compreensão sobre essa ação, essa discussão será retomada de forma detalhada nos resultados desse trabalho.

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4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A discussão abordada nessa etapa é baseada nos resultados obtidos, sendo que também foi levado em consideração o referencial teórico para confrontar os mesmos. Seguindo esse direcionamento, torna-se importante pontuar que os dados adquiridos nessa pesquisa, foram obtidos por meio da observação na prática em estudo, e da aplicação do questionário com os trabalhadores, os quais estão incluídos no perfil de jovens e adultos.

Feito essas considerações, inicia-se a discussão pontuando sobre alguns dados acerca do perfil dos pesquisados. Mediante isso, elenca-se que o primeiro questionamento feito aos participantes, tratava-se da idade dos mesmos, para identificar-se em qual perfil se encontravam, conforme mostra a tabela 1.

Tabela 1- Faixa etária dos pesquisados

JOVENS ADULTOS

FAIXA ETÁRIA Jovens com idade entre 16 e 26 anos Adultos com idade entre 27 e 35 anos

Nº DE PESQUISADOS

11 9

PERCENTUAL

55%

45%

Fonte: Dados do autor (2018).

Com os dados apresentados, pode-se visualizar que a faixa etária dos pesquisados está firmada entre os 16 e 35 anos, confirmando assim um perfil de jovens e adultos. Tendo esse resultado, passa-se a entender que na prática de extração do calcário, os sujeitos começam a trabalhar ainda muito jovens, causa essa que dificulta a relação com o espaço escolar, pois como se sabe, nessa idade alguns desses pesquisados ainda não concluíram o ensino médio.

Esse é um contexto onde apresenta muitas dificuldades, e nesse sentido muitos jovens enfrentam no dia a dia, a falta de apoio, incentivo e valorização familiar, para seguirem estudando. Muitas das vezes, isso ocorre pelo fato de muitos pais não terem chegado se quer ao nível fundamental. Esses acontecimentos, chegam a ser um reflexo das necessidades

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socioeconômicas, que por decorrência se constitui uma barreira para o acesso escolar, uma vez que, esses não chegam a concluírem o ensino médio, por precisarem trabalhar para se sustentarem ou contribuírem na renda familiar (ALVARENGA, et al., 2012).

Frente a essa discussão, torna-se importante analisar o gráfico 1, pois o mesmo traz dados relacionados a situação escolar dos trabalhadores que executam a prática de extração da do calcário, os quais estão como participantes nessa pesquisa.

Gráfico 1 – Situação escolar dos trabalhadores extrativistas de calcário

Fonte: Dados do autor (2018).

Ao analisar o gráfico 1, percebe-se que 75% dos pesquisados não estão matriculados na escola. Isso requer dizer, que se esses sujeitos não concluíram o ensino médio, significa que tais se evadiram do âmbito escolar por algum motivo. Seguindo esses dados, passa-se a compreender que a evasão escolar está dentre os temas que historicamente são mais debatidos e refletidos, no que se refere a educação pública brasileira (QUEIROZ, 2006).

Seguindo essa reflexão, pode-se visualizar no gráfico 1 que apenas 25% dos pesquisados, equivalente a 5 sujeitos, estão matriculados e frequentado a escola. Sabendo disso, torna-se importante identificar qual o nível de escolaridade desses sujeitos, já que apenas 5 de um total de 20 pesquisados, estão atualmente frequentando a escola. Para análise desse resultado, torna-se preciso ver o gráfico 2.

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Gráfico 2 – Nível de escolaridade dos pesquisados

Fonte: Dados do autor (2018).

Ao serem questionados sobre o nível escolar que se encontravam, ou que tenham feito pôde-se obter quatro níveis. Dentre os dados, apresentou-se um maior percentual para os trabalhadores que ainda não concluíram o ensino fundamental anos finais, encontrando-se um percentual de 50%, ou seja, uma grande parte significativa do público pesquisado. O segundo dado, representa os trabalhadores que não concluíram o ensino médio, para esses pôde-se obter um percentual de 25%. No ensino médio completo encontram-se cerca de 15%, enquanto no ensino fundamental completo, há apenas uma representatividade de 10%.

Obtendo-se esses dados, entende-se que o índice de desistência e evasão escolar é elevado, tornando-se motivo de grande preocupação. De todos, apenas 3 sujeitos finalizaram o ensino médio, sendo que pararam nesse nível, não tendo perspectiva para cursar o ensino superior, se destinando por completo a prática de extração do calcário. Também há casos de sujeitos que concluíram o ensino fundamental (anos finais), mas não seguiram para o ensino médio, percorrendo assim um caminho mais brusco, ou seja, trabalhando em um serviço mais pesado, que é a extração do calcário.

Visualizando-se essas decisões, tomadas pelos participantes dessa pesquisa, buscou-se questioná-los sobre o motivo que os levou a parar de estudar. No entanto, para melhor compreensão, torna-se cabível analisar o gráfico 3.

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Gráfico 3 – Motivos que levaram os pesquisados a se ausentarem da escola

Fonte: Dados do autor (2018).

A partir das respostas elencadas pelos pesquisados, pôde-se associar que o alto índice de desistência com relação à escola, deu em maior parte devido a necessidade de trabalhar. Como pode-se ver no gráfico 3, esse percentual é de 40%. Criticamente, vê-se que maior parte dos resultados estão voltados para a necessidade de trabalho, sendo que essas tem modificado profundamente a relação dos trabalhadores com escola, gerando elevados índices de evasão. No entanto, há os que afirmam não se interessar pelos estudos, pelo fato de não obterem visão de importância na educação.

Feita essa interpretação, torna-se importante refletir na discussão realizada por Alvarenga et al. (2012, p.65):

Alunos desmotivados no ensino público são, muitas vezes, o reflexo das dificuldades socioeconômicas de suas famílias, que impede que esses estudantes possam se dedicar integralmente aos estudos, como a grande maioria dos estudantes do ensino privado. Desta forma, mais uma vez a desigualdade social impõe seus limites sobre os indivíduos de classe social mais baixa, que precisam trabalhar para se sustentar e sustentar suas famílias, mas que, por outro lado, precisam do estudo para conseguir trabalhar.

Como visto na citação de Alvarenga, o fator econômico é algo que tem grande influência para o segmento da educação, pois ao obter conhecimento da realidade dos sujeitos pesquisados, torna-se evidente afirmar que a maior parte desses, tem renda do grupo familiar entre quinhentos reais (500,00 R$), até um salário mínimo.

Portanto, obtendo um capital mensal como esse, dependendo da quantidade do grupo familiar, pode ocasionar a existência da necessidade de jovens trabalharem para ajudar a

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família. De acordo com Neri et al. (2015, p.57) “[...] a evasão escolar é pior quando se junta a oportunidade de trabalho com a carência de renda”. Com isso, faz com que os jovens deixem o espaço escolar para irem trabalhar, e assim contribuir na renda da família.

Para melhor compreensão dessa discussão, o gráfico 4 expressa os dados.

Gráfico 4 – Circunstâncias que levaram os pesquisados a desenvolver o trabalho extrativista

Fonte: Dados do autor (2018).

Por meio do gráfico 4, consegue-se compreender que a maior circunstância que levou os pesquisados a desenvolver o trabalho com o calcário, é pela falta de oportunidade para outro emprego, dado esse que é representado por um percentual de 60%, ou seja, a maioria dos participantes. O outro motivo considerado por esses sujeitos é decorrente a necessidade financeira, a qual chega aos 35% dos resultados. E por fim, 5% dizem que não veem outro caminho para seguir.

Considera-se uma situação crítica nesses dados, pois os mesmos são refletidos por meio das desigualdades socioeconômicas, que esses sujeitos perpassam em seus trajetos de vida. Certamente, diante das dificuldades, maior parte desses sujeitos, não buscam refletir no futuro promissor, e assim perdem o estímulo para continuar no ramo educacional, chegando a se evadir da escola, e se entregando totalmente ao trabalho na extração do calcário.

“Apenas o conhecimento dos benefícios associados a decisão de um maior tempo de permanência na escola, permitirá que a educação atrativa e de qualidade se coloque no topo das prioridades deles [...]” (NERI et al., 2009, p.18). Na figura 1, é apresentado um esquema sobre algo bem ocorrente na comunidade de Palheiros III, tornando-se criticamente uma ação preocupante.

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Figura 1: Esquema simplificado das ações evidenciadas pelos pesquisados

Fonte: Dados do autor (2019).

Esse esquema simplificado, tem o intuito de explanar de forma resumida o problema evidenciado por parte dos sujeitos que desenvolvem a prática de extração do calcário. Como havia-se detectado nos resultados anteriores, os mesmos deixam a escolaridade pela necessidade de trabalhar. Mediante isso, chega um determinado tempo que não conseguem outro emprego, pelo fato de não terem uma formação, seja de ensino médio, técnico ou de nível superior, por serem exigências que se enquadram no padrão determinado pelo mercado de trabalho atual.

No tocante a essa problemática, torna-se imprescindível para os sujeitos seguirem outros caminhos considerados mais relevantes, com as condições socioeconômicas que convivem e também por não terem uma educação ambiental, que os faça refletir sobre os impactos ambientais causados no meio ambiente, ocasionados pela prática extrativista. Assim, com a ausência dessas condições, os mesmos se direcionam ao trabalho pesado, realizado por força braçal, mais que de certa forma é um trabalho digno e que proporciona o sustento de muitas famílias.

Sabendo-se que esse trabalho, é desenvolvido pelos homens que fazem parte da comunidade estudada, torna-se cabível abordar o quadro de parentesco que esses têm com os demais trabalhadores que desenvolvem essa prática. Para a obtenção dessa informação, será realizada a análise do gráfico 5.

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Gráfico 5 – Familiares que desenvolvem o trabalho na extração de calcário

Fonte: Dados do autor (2018).

Com a apropriação dos dados, relacionados ao grau de parentesco dos trabalhadores, pôde-se constatar a veracidade da informação, pois realmente há presença de um ciclo familiar nessa prática de extração do calcário, podendo-se pontuar um maior envolvimento entre irmãos, seguido pelos pais e primos.

Frente aos dados obtidos, pode-se refletir no que vem sendo discutido nos resultados anteriores, onde apresenta uma maior presença dos jovens no trabalho, seja com o parentesco de irmão ou de primo (Ver figura 2). Percebe-se, que esses têm se evadido do espaço escolar para seguirem ao trabalho, por questões consideravelmente socioeconômicas, no sentido de necessidade financeira, não obterem visão de futuro e também por não conseguirem associar o estudo com o trabalho.

Fonte: Dados do autor (2019).

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A prática de extração do calcário é um trabalho que apesar de proporcionar renda às famílias, implica algumas condições para os trabalhadores. Primeiramente pode-se pontuar que, os sujeitos inseridos nesse trabalho não obtêm uma renda mensamente fixa, certos que depende do rendimento do trabalho, pois “a cada mil paralelepípedos feitos, é que recebem um valor de 90 reais” (Pesquisado, 2018). Outro fator decisivo na renda é a questão da retirada da cobertura da rocha de forma manual (braçal), ou mecanizada, com procedimentos de uma retroescavadeira (Figura 3).

Como visto na figura acima, para realização da extração do calcário, é necessário fazer a retirada da cobertura da rocha. Diante dessa ação, os trabalhadores podem solicitar uma retroescavadeira, mas é preciso pagar uma taxa referente a quantidade horas para realização do procedimento. Assim, “a cada hora é cobrado 250 reais dos trabalhadores” (Pesquisado, 2018). Com esse método, nota-se que reduz o esforço físico do trabalhador e proporciona mais tempo para realização da quebra da rocha no formato requerido (paralelepípedo). Porém, muitos trabalhadores por terem um lucro bem reduzido, não querem seguir esse procedimento mecanizado e acabam realizando de forma manual, com ferramentas que os mesmos usam no dia a dia.

Mediante observação e análise sobre como é processado o trabalho na pedreira pelos sujeitos, buscou-se questioná-los sobre os impactos ocasionados por essa prática, se tal trabalho gerava impacto negativo ao ambiente e ao meio socioeconômico dos mesmos, conforme resultados mostrados no gráfico 6.

Figura 3: Retirada da cobertura da terra, com retroescavadeira

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Gráfico 6 – Impactos ambientais e socioeconômicos ocasionados pela prática extrativista

Fonte: Dados do autor (2018).

De posse dos dados, pôde-se verificar que 80% dos pesquisados apontaram haver impactos ambientais e socioeconômicos, evidenciados por meio da prática exercida com a extração do calcário. No entanto, apesar de ser uma pequena minoria, houve 20% dos pesquisados apontando não gerar nenhum impacto por meio desse trabalho.

Foi possível realizar uma análise crítica por meio dos dados obtidos através do questionário e também das observações realizadas no campo em estudo. Assim, chegou-se a entender que realmente a prática de extração de calcário tem ocasionado problemas ambientais e socioeconômico aos sujeitos e ambiente deste ciclo.

Torna-se importante pontuar que no que se refere aos impactos ambientais, existe grande negatividade, pelo fato de ocasionar desmatamento, e consequentemente perda da flora, mas também da fauna, visto que na atualidade é raro encontrar espécies de animais próxima a essa região. Essa e uma ação evidenciada pela remoção vegetativa, destruição do habitat natural e dos sons que são emitidos pelas batidas das ferramentas nas pedras.

Vendo essa precaução que é direcionada a essas espécies, gerou-se de certa forma grande preocupação por parte do pesquisador, pois sabe-se que dessa forma as gerações futuras não verão a existência dessas espécies, por estarem sendo extintas no dia a dia, o que significa dizer que se continuar dessa forma, futuramente não será possível mais encontrá-las.

Frente a esse fato, existe uma lei que visa proteger a vegetação natural e os animais, a qual está inserida no art. 225 da Constituição Federal e no inciso VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica,

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