TRIBUTOS MUNICIPAIS
Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana ‐ IPTU
Introdução
O Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana é um dos impostos privativos dos Municípios, cabendo também a competência do Distrito Federal, por força da competência cumulativa, de que trata o artigo 147 da CF/1988.
Em que pese seja imposto da competência dos Municípios, a União deve estabelecer normas gerais sobre o IPTU, em especial para os temas previstos no artigo 146 da CF/1988, tais como normas gerais sobre fato gerador, base de cálculo e contribuintes.
Dessa forma, a estrutura central e fundamental do IPTU é uniforme em todo o Brasil, variando todavia de Município para Município quanto a certos temas, como isenções, forma da Planta Genérica de Valores (utilizada para cálculo da base de cálculo), e normas de solidariedade e de responsabilidade tributária.
A Constituição trata do IPTU no artigo 156 e também no artigo 182, parágrafo 4, inciso II. Além disso, o Código Tributário Nacional (lei 5172/1966) dispõe sobre o IPTU nos seus artigos 32 a 34.
É classificado como um dos Impostos sobre Patrimônio e Renda e além disso, ganha destaque em diversas classificações.
O IPTU é um imposto real, pois seu fato gerador é vinculado a aspectos relativos aos imóveis tributados, não sendo (em regra) relevante características dos proprietários ou titulares. Dessa forma, por exemplo, o IPTU é cobrado em virtude do tipo, localização, tamanho, forma de utilização do imóvel. Mas não há cobrança diferenciada em razão do tipo de contribuinte que se apresenta (salvo, evidentemente, em casos de isenções pessoais, que são possíveis no IPTU).
Além disso, o IPTU é imposto direto, pois não é fácil ao titular e contribuinte do imposto repassar seu ônus a terceiros (como clientes, por exemplo). Portanto, é um imposto que, na maioria das vezes, é suportado financeiramente pelo próprio contribuinte de direito, não existindo o contribuinte de fato. A situação dos contratos de locação, onde via de
regra os locatários são responsabilizados pelo ônus do imposto, apesar de parecer uma exceção a esta ideia, não é assim interpretada pela maioria das doutrinas e bancas de concursos.
Fato Gerador
Segundo o Código Tributário Nacional, o imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóvel por natureza ou por acessão física, como definido na lei civil, localizado na zona urbana do Município.
A definição de propriedade aqui é a mesma do Direito Civil, ou seja, é a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê‐la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. (Código Civil 2002, artigo 1228).
Também a posse sofre a incidência do IPTU. O conceito de posse também é o mesmo adotado pelo Direito Civil, ou seja, considera‐se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade. (CC/2002, art.
1196).
Com relação ao domínio útil, este se contrapõe ao domínio direto.
Domínio direto é a situação jurídica, relativa à propriedade, que se gera do desdobramento dos direitos reais sobre a coisa, ficando o proprietário do bem com o domínio direto, pelo que conserva o direito de propriedade sobre a mesma, embora privado do uso e gozo de suas utilidades. No entanto, ele não fica privado do direito de disposição do domínio que lhe é concernente. O domínio direto diz‐se, também, domínio limitado, para ser distinguido do domínio pleno, que é o domínio integrado de todos os direitos reais sobre a coisa.
Já o domínio útil (este último tributável pelo IPTU) é a situação jurídica, relativa à propriedade, que se gera do desdobramento dos direitos reais sobre a coisa, ficando o foreiro com o domínio útil, pelo que o proprietário conserva o direito de propriedade sobre o bem, mas cabe ao foreiro o direito de uso e gozo pela utilização do mesmo.
Um exemplo de domínio útil ocorre no contrato de enfiteuse (também chamados
“terrenos foreiros”). Enfiteuse é um direito real em contrato perpétuo, alienável e transmissível para os herdeiros, pelo qual o proprietário atribui a outrem o domínio útil de imóvel, contra o pagamento de uma pensão anual certa e invariável. Também é conhecido por aforamento. Este tipo de contrato, embora proibido pelo CC/2002, ainda existe para os terrenos cedidos nesta condição antes do advento do Código Civil novo (ou seja, na vigência do CC/1916).
Já quanto ao tipo de imóvel tributável, o CTN diz que submetem‐se ao IPTU os imóveis por natureza e por acessão física.
Os bens imóveis por sua natureza abrangem o solo com sua superfície, os seus acessórios e adjacências naturais, compreendendo as árvores e frutos pendentes, o espaço aéreo e o subsolo. Um exemplo de imóvel por natureza é a terra nua.
Os bens imóveis por acessão física artificial incluem tudo aquilo que o homem incorporar permanentemente ao solo, como a semente lançada à terra, os edifícios e construções, de modo que não se possa retirar sem destruição, modificação, fratura ou dano. Um exemplo deste tipo de imóvel são os edifícios, casas e demais edificações construídas sobre o terreno. Por isso, aliás, que o IPTU se chama “imposto predial”.
Por fim, “Zona Urbana do Município” significa a área de terras, dentro do território de um certo município, que preenche alguns requisitos impostos pelo Código.
O primeiro requisito é que deve haver uma lei municipal definindo a extensão, localização e demais detalhes sobre a zona urbana. Porém, a simples vontade do legislador municipal não basta para incluir uma área na zona urbana. O terreno, para estar previsto nesta zona urbana, deve possuir um conjunto mínimo de melhoramentos ou serviços públicos, construídos ou mantidos pelo Poder Público.
Segundo o CTN, para ser incluída na zona urbana, o terreno deve desfrutar de pelo menos dois dos seguintes melhoramentos:
I ‐ meio‐fio ou calçamento, com canalização de águas pluviais;
II ‐ abastecimento de água;
III ‐ sistema de esgotos sanitários;
IV ‐ rede de iluminação pública, com ou sem posteamento para distribuição domiciliar;
V ‐ escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de 3 (três) quilômetros do imóvel considerado.
Mas não é somente a zona urbana que é atingida pela incidência do IPTU. Também incide IPTU sobre os imóveis localizados nas áreas urbanizáveis (ou de expansão uirbana). Estas áreas podem ser definidas em leis municipais, desde que sejam previstas em loteamentos aprovados pelos órgãos competentes, destinados à habitação, à indústria ou ao comércio. Dessa forma, mesmo que estas áreas se localizem fora da zona urbana, seus imóveis renderão tributo ao IPTU.