Universidade Federal Fluminense
Escola de Engenharia
Curso de Gradua¸
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ao em Engenharia de
Telecomunica¸
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Caio C´esar Lima de Senna
Pedro Igor Estrela Soares
Estudo de aplica¸c˜
oes RFID na plataforma de IoT
Niter´
oi – RJ
2017
Caio C´esar Lima de Senna Pedro Igor Estrela Soares
Estudo de aplica¸c˜oes RFID na plataforma de IoT
Trabalho de Conclus˜ao de Curso apresentado ao Curso de Gradua¸c˜ao em Engenharia de Teleco-munica¸c˜oes da Universidade Federal Fluminense, como requisito parcial para obten¸c˜ao do Grau de Engenheiro de Telecomunica¸c˜oes.
Orientadora: Jacqueline Silva Pereira
Niter´oi – RJ 2017
Caio C´esar Lima de Senna Pedro Igor Estrela Soares
Estudo de aplica¸c˜oes RFID na plataforma de IoT
Trabalho de Conclus˜ao de Curso apresentado ao Curso de Gradua¸c˜ao em Engenharia de Teleco-munica¸c˜oes da Universidade Federal Fluminense, como requisito parcial para obten¸c˜ao do Grau de Engenheiro de Telecomunica¸c˜oes.
Aprovada em 13 de dezembro de 2017.
BANCA EXAMINADORA
Prof. Dra. Jacqueline Silva Pereira - Orientadora Universidade Federal Fluminense - UFF
Prof. Dra. Vanessa Przybylski Ribeiro Magri Universidade Federal Fluminense - UFF
Prof. Dr. Murilo Bresciani de Carvalho Universidade Federal Fluminense - UFF
Niter´oi – RJ 2017
iv
Resumo
A tecnologia vem ganhando cada vez mais espa¸co em atividades comuns do nosso dia a dia. O grande crescimento no uso de tecnologias de identifica¸c˜ao por radiofrequˆencia (RFID) aliado `a busca incess´avel de desenvolvimento de servi¸cos que facilitem o dia a dia do usu´ario, fizeram com que o conceito de Internet das Coisas (IoT) se tornasse um dos conceitos mais importantes da ´ultima d´ecada. Neste trabalho, ser´a realizada uma discuss˜ao sobre os atuais esfor¸cos para a implementa¸c˜ao de sistemas RFID. Al´em de passar por todo a base te´orica que est´a por tr´as da mesma, ser´a realizada uma an´alise de sistemas comerciais de RFID utilizados no mercado, a fim de entender melhor e levantar quest˜oes sobre os rumos da tecnologia em dire¸c˜ao a uma poss´ıvel adapta¸c˜ao `a Internet das Coisas(IoT).
Abstract
Technology has been gaining more and more space in our daily activities. The great growth in the use of radio frequency identification technologies (RFID) allied to the continuous search for the development of new services in order to facilitate the life of its users, have made the concept of Internet of Things (IoT) become one of the most important concepts of the latest decade. In this work, it will be held a discussion regarding the current efforts to implement RFID systems. Besides visiting all the theoretical basis behind this kind of technology, an analysis of a RFID commercial system that is being currently in use will be conducted in order to better understand and raise questions about the technology directions towards a possible Internet of Things adaptation.
vi
Agradecimentos
Aos meus pais, Julio e Dil´ea, por se dedicarem a me dar tudo que eu precisei durante todo os anos de caminhada. Obrigado por todos os incentivos, suas apostas nunca ser˜ao em v˜ao.
`
A Ingrid, minha namorada, por todo o carinho e por entender minhas preocupa¸c˜oes nesses ´ultimos meses de trabalho.
Aos amigos que fiz durante minha temporada fora do pa´ıs. Vocˆes foram a minha segunda fam´ılia durante o per´ıodo longe de casa.
Aos meu amigos dos tempos de escola, que sempre me apoiaram e caminharam comigo durante esses anos.
`
A Jacqueline, nossa orientadora, por ser t˜ao atenciosa e dedicada na corre¸c˜ao de nosso trabalho.
Aos que fizeram parte de todos esses anos de faculdade. Foi um prazer poder estar com vocˆes em todos os momentos de alegria e tristeza, seja nos bares ou nas salas de aula.
viii
Agradecimentos
Agrade¸co primeiramente aos meus pais, Altahyr e Ana, que apesar das cobran¸cas e pux˜oes de orelha, sempre foram muito atenciosos e com muito amor e carinho me incentivaram, aconselharam e me apoiaram nos momentos de dificuldade. Sem vocˆes nada disso seria poss´ıvel, muito obrigado.
Agrade¸co aos meus irm˜aos Anna Paula e Paulo Henrique, que s˜ao e sempre ser˜ao meus maiores exemplos de vida e, que apesar da distˆancia, sempre me motivaram a buscar meus sonhos e objetivos.
Agrade¸co a minha namorada Gabrielle, vocˆe ´e o melhor presente que a faculdade me deu. Obrigado pelo seu companheirismo acompanhado de muito amor, carinho, afeto e amizade. E obrigado tamb´em pelas suas corre¸c˜oes de portuguˆes, sem vocˆe uma ´unica linha de texto n˜ao seria escrita.
Agrade¸co aos meus amigos que me acompanharam n˜ao s´o nos momentos de alegria em festas, “chopadas” e “cantareiras”, mas tamb´em nos momentos de dificuldade que juntos enfrentamos ao longo dessa jornada. Que a “resenha” prevale¸ca mesmo ap´os o t´ermino do curso.
Agrade¸co a professora Jacqueline Silva Pereira pela sua orienta¸c˜ao, paciˆencia e dedica¸c˜ao.
Lista de Siglas
AIDC Automatic Identification and Data Capture DOS Denial of Service
EAS Eletronic Article Surveillance EPC Electronic Product Code
EPCIS Eletronic Product Code Information Services GE General Electric
GIAI Global Individual Asset Identifier GID General Identifier
GRAI Global Returnable Asset Identifier HF High Frequency
IDT Interdigital Transducer
IEEE Institute of Electrical and Electronic Engineers IIoT Industrial Internet of Things
IP Internet Protocol
ISM Industrial Scientific Medical (faixa de frequˆencia ITU International Telecommunications Union
KB Kilobytes LF Low Frequency
x LNA Low Noise Amplifier
NFC Near Field Communication ONS Object Naming Service PA Power Amplifier
RF Radio Frequency
RFID Radio Frequency IDentification ROI Retorno de Investimento
Rx Recep¸c˜ao
SAW Surface Acoustic Wave
SGLN Serialized Global Location Number
SGTIN Serialized Global Trade Identification Number SSCC Serial Shipping Container Code
TI Tecnologia Da Informa¸c˜ao Tx Transmiss˜ao
UHF Ultra High Frequency USB Universal Serial Bus UWB Ultra Wide Band
VPN Virtual Private Network WSN Wireless Sensor Network
Lista de Figuras
2.1 Ciclo de Tendˆencias. [5] . . . 4
2.2 Modelo de referˆencia da ITU [8]. . . 6
3.1 Sistema RFID [37] . . . 11
3.2 Modos de Transmiss˜ao [1]. . . 12
3.3 Acoplamento Indutivo [18]. . . 14
3.4 Acoplamento Magn´etico [18]. . . 15
3.5 Funcionamento de um Surface Acoustic Wave transponder [38]. . . 16
3.6 Hard RFID tag [12] . . . 17
3.7 Inlays [12] . . . 18
3.8 Tag ativo [12]. . . 18
3.9 Tag Semipasivo [13]. . . 19
3.10 Funcionamento do sistema RFID chipless [14] . . . 20
3.11 Tag RFID chipless [15] . . . 21
3.12 Leitor RFID chipless [14]. . . 21
3.13 Classes de tags [18]. . . 27
3.14 Subsistema Empresarial [23] . . . 30
3.15 Exemplo de um sistema autom´atico.[27] . . . 37
5.1 Conferˆencia inicial [32]. . . 45
5.2 Segunda fase de leitura [32]. . . 45
5.3 Portal de leitura [32]. . . 46
5.4 Etiqueta RFID usada no sistema [32]. . . 47
5.5 Circuito presente na etiqueta RFID [32]. . . 47
5.6 Leitor-UHF-EDGE-50 [32]. . . 48
5.7 Leitor port´atil [32]. . . 48 xi
xii 5.8 Funcionalidades Propostas. . . 53 5.9 Fluxo de informa¸c˜ao proposto [32]. . . 54
Sum´
ario
Resumo iv
Abstract v
Agradecimentos vii
Agradecimentos viii
Lista de Siglas viii
Lista de Figuras xii
1 Introdu¸c˜ao 1
2 Internet das Coisas 3
2.1 Aplica¸c˜oes Poss´ıveis . . . 4
2.2 Industrial Internet of Things . . . 5
2.3 Arquitetura e Organiza¸c˜ao . . . 5 2.3.1 Arquitetura ITU . . . 6 2.4 Componentes . . . 7 2.4.1 Aplica¸c˜ao . . . 8 2.4.2 Softwares . . . 8 2.4.3 Sensorial . . . 8 2.5 Privacidade e Seguran¸ca . . . 9 3 Tecnologia RFID 11 3.1 Princ´ıpios de Funcionamento . . . 12
3.2 Componentes do Sistema RFID . . . 16 xiii
xiv 3.2.1 Tag . . . 17 3.2.2 Chipless RFID . . . 19 3.2.3 Leitores . . . 22 3.2.4 Antena RFID . . . 23 3.2.5 Controlador . . . 24
3.3 Faixas de frequˆencia de opera¸c˜ao . . . 24
3.4 Padroniza¸c˜ao . . . 25
3.5 Sistemas RFID no ˆambito empresarial . . . 29
3.5.1 Subsistema RF . . . 29
3.5.2 Subsistema Empresarial . . . 30
3.5.3 Subsistema Inter-Empresarial . . . 32
3.6 Vantagens do sistema RFID . . . 33
3.7 Desvantagens do sistema RFID . . . 34
3.8 Aplica¸c˜oes de sistemas RFID existentes no mercado . . . 36
3.8.1 Controle e Seguran¸ca de Acesso . . . 36
3.8.2 Transporte P´ublico . . . 37
3.8.3 Gerˆencia e monitoramento de cadeias de abastecimento . . . 37
3.8.4 Rastreamento . . . 38
4 Seguran¸ca e privacidade dos sistemas RFID 39 4.1 Problemas de seguran¸ca . . . 39 4.1.1 Eavesdropping . . . 39 4.1.2 Man-in-the-middle . . . 40 4.1.3 Relay Attack . . . 40 4.1.4 Replay Attack . . . 40 4.1.5 Spoofing e Clonagem . . . 40
4.1.6 Denial of Service (DOS) . . . 41
4.1.7 Jamming . . . 41
4.2 Solu¸c˜oes para o problema de seguran¸ca e privacidade . . . 42
4.2.1 Criptografia . . . 42
4.2.2 Blindagem . . . 42
5 Estudo de caso 44
5.1 Descri¸c˜ao do Sistema . . . 44
5.1.1 Descri¸c˜oes t´ecnicas da aplica¸c˜ao . . . 46
5.2 Benef´ıcios e Funcionalidades do Sistema . . . 49
5.3 An´alise de Custos . . . 51
5.4 Sustentabilidade . . . 52
5.5 Seguran¸ca e Confiabilidade . . . 52
5.6 Funcionalidades Propostas . . . 52
5.6.1 Mudan¸ca de tags . . . 53
5.6.2 Integra¸c˜ao para a Internet das Coisas . . . 53
6 Conclus˜ao 57 6.1 Sugest˜oes para trabalhos futuros . . . 58
Cap´ıtulo 1
Introdu¸
c˜
ao
O desenvolvimento de novas tecnologias de conectividade, como o LTE e Bluetooth, e a evolu¸c˜ao dos equipamentos de infra estrutura de rede, permitiu que se come¸casse a pensar em produtos que tivessem a rede de internet como uma parte cr´ıtica de seu funcionamento. Desta forma, houve a populariza¸c˜ao do termo IoT (Internet das Coisas). Caracterizada pela possibilidade de integra¸c˜ao de objetos comuns `a rede de internet, a Internet das Coisas permite transformar a vida das pessoas, possibilitando a cria¸c˜ao de sistemas que automatizem e facilitem o ambiente em que operam.
As tecnologias de identifica¸c˜ao autom´atica se desenvolveram em grande escala nos ´
ultimos anos, tornando-se not´aveis para diversos tipos de aplica¸c˜oes nos setores de log´ıstica de fornecimento, ind´ustrias e monitoramento [1]. Esse tipo de tecnologia ´e utilizado para obter informa¸c˜ao sobre objetos, produtos em trˆansito, animais e at´e mesmo de pessoas.
O c´odigo de barras, uma das primeiras tecnologias de identifica¸c˜ao a ser desen-volvida, ´e ainda encontrada em diversos setores principalmente nos grandes mercados, e apesar do baixo custo, apresenta algumas limita¸c˜oes. A leitura do c´odigo ´e feita in-dividualmente e necessita de m˜ao de obra humana, o que torna a velocidade de leitura de grandes lotes baixa. Esse tipo de tecnologia tamb´em apresenta baixa capacidade de armazenamento e n˜ao ´e reprogram´avel [1].
As deficiˆencias apresentadas motivaram a busca por novas tecnologias de identifi-ca¸c˜ao que permitissem superar todos esses entraves e implementar novas fun¸c˜oes al´em da de simplesmente identificar um objeto. A partir desta motiva¸c˜ao, originou-se a tecnologia de RFID (Radio Frequency IDentification).
r´adio para identificar e rastrear objetos, al´em de transferir e armazenar dados trocados entre um controlador e um tag anexado a um objeto [2]. Esta dinˆamica permite que os processos da ind´ustria e do com´ercio possam ter a oportunidade de sofrer transforma¸c˜oes, automatizando os procedimentos que eram feitos manualmente antes e fazendo assim com que se tenha acesso a diferentes tipos de benef´ıcios como redu¸c˜ao de custos, melhores ferramentas para gest˜ao e aumento de eficiˆencia.
Partindo do in´ıcio, no cap´ıtulo 2 ser´a realizada uma explica¸c˜ao sobre o conceito de Internet das Coisas, onde ser˜ao apresentados alguns ramos das in´umeras possibilidades que esta corrente pode oferecer. O cap´ıtulo 3, reserva-se para introduzir a tecnologia de identifica¸c˜ao em quest˜ao, o RFID, apresentando quest˜oes t´ecnicas e exemplos de funci-onamento, a fim de preparar a base para a conclus˜ao do trabalho. Para complementar o aprofundamento te´orico, o cap´ıtulo 4 cobrir´a o segmento de seguran¸ca, descrevendo os tipos de ataques e os diferentes m´etodos de preven¸c˜ao.
Na principal parte do trabalho, o cap´ıtulo 5, ser´a feita a apresenta¸c˜ao de uma situ-a¸c˜ao real de implementa¸c˜ao da tecnologia RFID no com´ercio, apontando as caracter´ısticas t´ecnicas estudadas. Isto permitir´a uma discuss˜ao sobre a estrutura t´ecnica do projeto, possibilitando a indica¸c˜ao de poss´ıveis pr´oximos passos em dire¸c˜ao `a integra¸c˜ao a uma grande rede, utilizando o conceito de IoT apresentado. Para a finaliza¸c˜ao do trabalho, no cap´ıtulo 6 ser˜ao tomadas as devidas conclus˜oes e realizadas propostas para estudos futuros.
Cap´ıtulo 2
Internet das Coisas
A Internet das Coisas (Internet of Things) ´e um conceito que se refere a integra¸c˜ao de objetos e equipamentos comuns do nosso dia a dia atrav´es de rede, normalmente sem fio, visando gerar resultados que impactem na maneira em que operamos e lidamos com as m´aquinas. O conceito de IoT pode ser considerado bastante amplo e apesar da recente explos˜ao de popularidade nos ´ultimos anos, o termo IoT j´a existia ao fim da d´ecada de 90 [3].
Em suma, seu uso ´e direcionado a jun¸c˜ao de objetos (coisas) ou que utilizam a internet como a forma de integra¸c˜ao a fim de alcan¸car um objetivo em comum [4] . Vale ressaltar que o conceito ´e extremamente abrangente e permite que sejam usados quaisquer tipo de tecnologias, desde que atendam as necessidades do usu´ario.
A figura 2.1, descreve um estudo feito pelo Gartner Group [5], empresa respons´avel pela produ¸c˜ao de pesquisas de tendˆencias de tecnologias do mercado [5].
Como ´e poss´ıvel observar, a plataforma da tecnologia IoT est´a localizada no pico das expectativas (na regi˜ao mais alta do gr´afico). Isto significa que est´a em seu ponto de maiores expectativas, onde o grande n´umero de discuss˜oes ao redor deste assunto faz com que se iniciem diversas tentativas de implementa¸c˜ao e desenvolvimento. A figura tamb´em mostra que o tempo estimado at´e que seja adotado em massa e que seja provada a sua viabilidade econˆomica, seria de aproximadamente 5 anos (´ultima se¸c˜ao do gr´afico) [5].
Figura 2.1: Ciclo de Tendˆencias. [5]
2.1
Aplica¸
c˜
oes Poss´ıveis
A quantidade de configura¸c˜oes que podem ser montadas ´e bastante extensa. O uso na agricultura, na integra¸c˜ao de eletrodom´esticos e na produ¸c˜ao industrial, s˜ao apenas algumas da aplica¸c˜oes em que seria poss´ıvel intervir a fim de criar facilidades de processos. Na agricultura, ´e poss´ıvel criar sistemas automatizados que identificam a necessi-dade de se irrigar a planta¸c˜ao, al´em de tornar poss´ıvel a monitora¸c˜ao do clima, permitindo assim que o sistemas saiba os melhores momentos para realizar os tratamentos necess´arios. O uso em conjunto com eletrodom´esticos pode ser considerado tamb´em uma das principais aplica¸c˜oes existentes onde a interliga¸c˜ao entre equipamentos presentes em uma residˆencia pode trazer melhorias a qualidade de vida dos usu´arios, como economia de energia e a possibilidade de ter o controle sobre todos os aspectos dos eletrodom´esticos.
pos-5 suem diferentes fun¸c˜oes al´em de apenas mostrar as horas. Em um smartwatch est˜ao presentes fun¸c˜oes como localiza¸c˜ao, monitoramento do sono e de frequˆencia card´ıaca , tudo isso atrav´es da integra¸c˜ao com smartphones para que seja poss´ıvel receber e-mails e liga¸c˜oes sem ter que utilizar o celular.
Al´em do uso em aplica¸c˜oes comuns do dia-a-dia, inclui-se tamb´em a ades˜ao da ind´ustria. Essa tendˆencia, de usar o conceito de IoT para automatizar e sofisticar os pro-cessos de produ¸c˜ao dentro das ind´ustrias vem sido chamada de IIoT (Industrial Internet of Things) e foi estabelecida pela GE (General Electric) juntamente com outras gigantes do ramo industrial, no ano de 2012 [6]. A proposta desta organiza¸c˜ao ´e integrar equipamentos inteligentes capazes de interpretar dados, resultando em an´alises e indicadores precisos, capazes de auxiliar na gerˆencia de recursos como energia e capacidade de produ¸c˜ao [7].
2.2
Industrial Internet of Things
O uso de tecnologia para alavancar os meios de produ¸c˜ao tem tido papel funda-mental no desenvolvimento das ind´ustrias e, por consequˆencia, as aplica¸c˜oes. Atrav´es do uso extensivo de ferramentas como o Big Data para a coleta e an´alise de dados foi poss´ıvel aumentar produtividade e eficiˆencia de processos industriais [6].
Diante da necessidade de se obter melhorias na eficiˆencia de seus servi¸cos, foi criada o Industrial Internet Consortium. O grupo, fundado por diversas empresas da ind´ustria tecnol´ogica, tem por motiva¸c˜ao promover a ades˜ao do uso de tecnologias nos processos de produ¸c˜ao, o que ´e feito atrav´es da identifica¸c˜ao e promo¸c˜ao das pr´aticas que trazem maiores benef´ıcios para elas, como a capacidade melhorada de gerenciamento de seus bens, estudos sobre eficiˆencia e facilidade na gera¸c˜ao de relat´orios, tudo com o objetivo de melhorar os custos e eficiˆencia dos m´etodos de produ¸c˜ao. [7].
2.3
Arquitetura e Organiza¸
c˜
ao
Existem diversos arranjos na arquitetura de IoT, por conta de ainda n˜ao existir nenhum padr˜ao que seja mais utilizado que outro, cabendo aos desenvolvedores escolher ou pensar no modelo que se adeque melhor as suas necessidades. Nesta se¸c˜ao, ser´a discutido um pouco de como um sistema de IoT pode ser classificado e dividido.
2.3.1
Arquitetura ITU
Apesar da falta de uma normatiza¸c˜ao especifica, a ITU (International Telecom-munications Union), ´org˜ao respons´avel pela normatiza¸c˜ao na ´area de telecomunica¸c˜oes, possui um modelo de uma arquitetura de referˆencia, o qual ser´a usado aqui para exem-plificar a estrutura dessa tecnologia e pode ser observado na figura 2.2.
Segundo a ITU, a arquitetura de um sistema IoT pode ser dividido em quatro ´
areas que se referem `as partes essenciais de seu funcionamento, passando desde a coleta dos dados at´e a entrega do servi¸co ao usu´ario . S˜ao elas as camadas de Aplica¸c˜ao, Suporte de Aplica¸c˜ao, Rede, Dispositivos, Administra¸c˜ao e Seguran¸ca [8].
Figura 2.2: Modelo de referˆencia da ITU [8].
Camada de Aplica¸c˜ao
Camada respons´avel pela utiliza¸c˜ao das informa¸c˜oes coletadas, a fim de tornar o sistema capaz de realizar o seu objetivo final.
7 Camada de Apoio a aplica¸c˜ao
Oferece todo o suporte necess´ario para que a aplica¸c˜ao na camada superior. Para que as funcionalidades da camada de aplica¸c˜ao funcionem adequadamente, ´e necess´ario que se tenha um servi¸co capaz de entregar uma boa capacidade de processamento e ar-mazenamento de dados, aspectos esses que dever˜ao ser supervisionados por esta camada [8].
Camada de Rede
Engloba toda a organiza¸c˜ao necess´aria para o transporte dos dados coletados [8]. A camada de rede deve estar focada em providenciar os melhores meios, organizando pro-tocolos e modos de opera¸c˜ao para que a informa¸c˜ao chegue em sues destino com eficiˆencia.
Camada de Dispositivos
Respons´avel pela coleta dos dados para envio para outras se¸c˜oes. Pode ser con-siderada a mais importante parte do sistema, respons´avel por prover a intera¸c˜ao com os usu´arios [8].
Capacidade de Administra¸c˜ao
Deve oferecer suporte `as configura¸c˜oes dos equipamentos e da rede, como cadastro de contas de usu´arios, gerenciamento dos equipamentos conectados e controle do fluxo de dados que transitam na rede [8].
Capacidade de Seguran¸ca
Camada respons´avel por prover procedimentos de seguran¸ca para todas as outras camadas envolvidas. Envolve o uso de fun¸c˜oes como autentica¸c˜ao, encripta¸c˜ao e controle de acesso dos sistemas relacionados [8].
2.4
Componentes
Do ponto de vista dos equipamentos utilizados, ´e poss´ıvel dividir o sistema em trˆes grandes ´areas [4].
2.4.1
Aplica¸
c˜
ao
Extens˜ao f´ısica do resultado final que ser´a a interface com o usu´ario. Para que seja poss´ıvel ter uma plataforma capaz de realizar uma entrega totalmente focada com o conceito de IoT, ´e necess´ario pensar em inova¸c˜ao e tecnologia de ponta [4].
Bra¸cos rob´oticos, lˆampadas que se auto regulam e equipamentos para administra-¸c˜ao de medica¸c˜oes, s˜ao apenas algumas das tecnologias que podem fazer parte deste pilar de IoT.
2.4.2
Softwares
Tecnologias respons´aveis pelo tratamento dos dados obtidos. Na pr´atica o software deve ser capaz de prover um sistema capaz de realizar o tratamento dos dados e fazer as an´alises necess´arias, para que sejam enviados prontos para serem usados na aplica¸c˜ao desejada . Isto possibilita que os desenvolvedores e as partes respons´aveis pelas outras duas ´areas a se preocupar apenas com a coleta e com o que fazer com os dados organizados por esta parte [4]. O assunto ser´a tratado com mais profundidade na se¸c˜ao 3.5.2.
2.4.3
Sensorial
Respons´avel pela coleta dos dados para envio para outras ´areas. Pode ser consi-derada a mais importante parte do sistema, tendo a fun¸c˜ao de prover a intera¸c˜ao com os usu´arios, a fim de realizar coleta de dados para o servi¸co. Na maioria dos casos, ´e composto por tecnologias como WSN (Wireless Sensor Network ), NFC (Near Field Com-munication) e o RFID, que ´e o tema deste trabalho e ser´a abordado detalhadamente no cap´ıtulo 3 [4].
WSN
Consiste em um esquema onde diferentes tipos de sensores inteligentes atuam em grupo para permitir a coleta de dados e o consequente processamento e an´alise das infor-ma¸c˜oes capturados [4]. Os sensores podem envolver diferentes tipos de tecnologia, como sensores de movimento, luz, infravermelho e de calor.
9 NFC
O NFC ( Near Field Communication) ´e uma tecnologia de baixo alcance feito para permitir com facilidade e seguran¸ca, a troca de informa¸c˜oes entre dois dispositivos compat´ıveis. A tecnologia teve o in´ıcio de desenvolvimento no in´ıcio dos anos 2000 pelas empresas de eletrˆonica Sony e Philips, que juntas formaram o NFC Forum, uma organiza-¸c˜ao que tem por objetivo, desenvolver a tecnologia e promover o seu uso, al´em de buscar por melhorias no campo de tecnologias de proximidade [9].
Diferente do RFID, o NFC n˜ao possui a mesma gama de frequˆencias poss´ıveis de transmiss˜ao,o que acaba limitando o alcance dos leitores, fazendo com que seja necess´ario aproximar transmissor ao leitor, j´a que a distˆancia aproximada de alcance ´e de aproxi-madamente 10 a 20 cent´ımetros. O NFC ´e operado com uma frequˆencia central de 13,56 MHz e possui dois modos de opera¸c˜ao, Ativo e Passivo. No modo de opera¸c˜ao ativo, cada uma das partes presentes na comunica¸c˜ao utiliza sua pr´opria fonte de energia para gerar o campo magn´etico para a troca de dados,permitindo assim que cada um se comunique no momento que desejar [1]. No modo passivo, o transponder se utiliza do campo gerado por outro que seja ativo, para enviar os dados. Neste caso, o sistema funciona em um esquema leitor - transmissor [1].
Nos dia de hoje ´e poss´ıvel facilmente encontrar um smartphone no mercado que j´a possua a tecnologia embutida de f´abrica, e isso nos leva as suas aplica¸c˜oes. Podemos citar os dois principais usos nos quais temos contato no dia a dia : o mercado de pagamentos e controle de acesso. O mercado de pagamentos tem como foco os pagamentos cashless onde ´e poss´ıvel utilizar um smartphone para realizar pagamentos, dispensando assim a necessidade de se ter sempre um cart˜ao f´ısico por perto. No mesmo ramo ´e poss´ıvel identificar os sistema em que ´e poss´ıvel realizar pagamentos apenas aproximando o cart˜ao de cr´edito do leitor, com praticidade e economia de tempo. As duas principais tecnologias em atividade no mercado s˜ao a MasterCard Paypass e Visa PayWave [1].
2.5
Privacidade e Seguran¸
ca
A seguran¸ca e a privacidade s˜ao fatores fundamentais de qualquer aplica¸c˜ao. O fato de existirem equipamentos diferentes interligados, faz com que um sistema deste tipo se torne especialmente sens´ıvel a eventuais problemas de seguran¸ca, visto que cada uma
das partes envolvidas na montagem do esquema, como o software e a rede de sensores, podem estar vulner´aveis a diferentes formas de ataque, as quais s˜ao espec´ıficas a cada caso. Assim, o tratamento para a preven¸c˜ao dever´a ser feito de maneira diferente. ´E not´avel que o usu´ario final n˜ao possui nenhum controle sobre esses aspectos, cabendo aos desenvolvedores dos produtos projetarem seus equipamentos com cautela [10] .
Os sistemas IoT devem oferecer garantia de privacidade de acordo com o reque-rido pelos usu´arios. Para isso, atrav´es de organiza¸c˜oes empresariais e pol´ıticas, dever˜ao ser estabelecidas pol´ıticas que possam garantir que a regula¸c˜ao seja o mais transparente poss´ıvel.
Cap´ıtulo 3
Tecnologia RFID
A identifica¸c˜ao por radiofrequˆencia (RFID) ´e uma tecnologia de comunica¸c˜ao sem fio, que utiliza ondas de r´adio para transmitir dados entre um leitor e um tag geralmente em forma de etiqueta, anexada a um objeto, animal ou pessoa, possibilitando a sua iden-tifica¸c˜ao e rastreamento sem a necessidade de contato visual ou f´ısico. Posteriormente, as informa¸c˜oes s˜ao enviadas para um controlador (Computador), onde os dados s˜ao pro-cessados e analisados. Ao contr´ario do NFC, essa tecnologia se destaca pelo fato de n˜ao requerer contato entre o tag e o leitor para que ocorra transferˆencia de dados. Al´em disso, ´e poss´ıvel efetuar a leitura de m´ultiplos tags permitindo a identifica¸c˜ao de m´ultiplos ob-jetos simultaneamente [1]. Um exemplo b´asico de um sistema RFID ´e apresentado na figura 3.1.
3.1
Princ´ıpios de Funcionamento
Os sistemas RFID apresentam diversos princ´ıpios de comunica¸c˜ao entre o tag e o leitor. Estes modos de transmiss˜ao especificam transferˆencia de energia e de dados e podem ser classificados em dois grandes blocos(figura 3.2): o 1-bit Transponder e o N-bit Transponder [1].
Figura 3.2: Modos de Transmiss˜ao [1].
O mais simples deles, ´e o sistema baseado em 1-bit transponder(tag), em que exis-tem apenas duas condi¸c˜oes: o tag est´a na regi˜ao do sinal interrogador ou o tag n˜ao est´a na regi˜ao do sinal de interroga¸c˜ao. Entretanto, apesar de sua limita¸c˜ao, a aplica¸c˜ao do 1-bit transponder ´e bastante utilizado, principalmente em sistemas anti-furto, presente na maioria das lojas e shoppings. O sistema anti-furto, tamb´em chamado de EAS (Electronic Article Surveillance), ´e composto por uma antena de um leitor, um tag e um disposi-tivo de desativa¸c˜ao, respons´avel pela desativa¸c˜ao do tag ao sistema, ap´os a confirma¸c˜ao de pagamento do item da loja. O desempenho desse tipo de sistema que utiliza o 1-bit
13 transponder, ´e determinado pela taxa de detec¸c˜ao em rela¸c˜ao a m´axima distˆancia entre o tag e a antena do leitor. Sistemas EAS apresentam diversos tipos de procedimentos que viabilizam a detec¸c˜ao de tags presentes na zona de alcance do sinal interrogador, s˜ao eles: por radiofrequˆencia, por microondas, por divis˜ao de frequˆencia, eletromagn´eticos e ac´ustico-magn´eticos [1].
Sistemas RFID mais complexos, exigem tags que apresentem certa capacidade de mem´oria e de armazenamento de dados, permitindo a transferˆencia de dados entre o leitor e o tag e vice-versa. Existem trˆes procedimentos de transferˆencia de dados: full-duplex, half-duplex e sistemas sequenciais, que s˜ao classificados como N-bit transponder [1].
No procedimento half-duplex, tanto os tags quanto os leitores podem transmitir e receber os dados, por´em esses processos n˜ao ocorrem simultaneamente. J´a o procedimento Full-duplex, tags e leitores s˜ao capazes de transmitir e receber dados simultaneamente. Em ambos procedimentos, full e half-duplex o fornecimento de energia ao tag ´e cont´ınuo e n˜ao depende do fluxo de dados, diferente do sistema sequencial, em que o fornecimento de energia e a transferˆencia de dados ocorrem alternadamente.
Todos os procedimentos mencionados anteriormente, apresentam diferentes tipos de processos de comunica¸c˜ao sem fio, tamb´em chamado de acoplamento. Diante dessa diversidade, somente os acoplamentos mais utilizados nos sistemas RFID ser˜ao descritos a seguir [1].
Acoplamento Indutivo
O acoplamento indutivo, ilustrado pela figura 3.3, ´e normalmente usado para a comunica¸c˜ao de tags passivos (mais detalhes ser˜ao apresentados na se¸c˜ao 3.2.1), ou seja, a energia necess´aria para o funcionamento do microchip do tag ´e fornecida pelo leitor.
Figura 3.3: Acoplamento Indutivo [18].
O processo se inicia com um campo eletromagn´etico gerado pelo microchip do lei-tor, recebido pela antena do transponder. Com isso, por indutˆancia, ´e gerada uma tens˜ao, que ´e retificada e usada para produzir energia ao microchip do tag. Agora carregado, este come¸ca a transmitir o sinal digital que cont´em o c´odigo de identifica¸c˜ao. O sinal digital gera altera¸c˜oes na resistˆencia do circuito do tag, criando um campo magn´etico pr´oprio, que ir´a interagir com o campo magn´etico do leitor, produzindo um efeito chamado load modulation. Essa intera¸c˜ao entre os campos magn´eticos resulta em modifica¸c˜oes no fluxo de corrente na antena do leitor, nos mesmos padr˜oes do sinal digital emitido pelo mi-crochip do tag. Um dispositivo contido no leitor reconhece essas varia¸c˜oes de corrente e converte esses padr˜oes em um sinal digital, permitindo enfim, a identifica¸c˜ao do c´odigo do tag [11].
Para que esse processo de comunica¸c˜ao ocorra, a distˆancia entre o transponder e o leitor n˜ao deve exceder 0.16 λ, sendo λ o comprimento de onda correspondente a frequˆencia de opera¸c˜ao. Portanto, o tag deve permanecer no chamado near field da antena do leitor e trabalhar somente com frequˆencias entre 125 KHz e 13.56 MHz, adequado para sistemas RFID de baixa frequˆencia [1].
Acoplamento Magn´etico
Diferente do acoplamento indutivo, o acoplamento magn´etico representado pelo esquema da figura 3.4, tamb´em chamado de Electromagnetic Backscatter Coupling, ´e apropriado para sistemas RFID que operam em altas frequˆencias, nas faixas de Ultra High Frequency e microondas. Com isso, a comunica¸c˜ao entre o tag e o leitor pode ser
15 estabelecida em longas distˆancias, ou seja, o tag deve estar localizado na regi˜ao de far field. Devido aos pequenos comprimentos de onda destas faixas de frequˆencias, ´e poss´ıvel a constru¸c˜ao de antenas menores e mais eficientes, e consequentemente tags menores [1].
Figura 3.4: Acoplamento Magn´etico [18].
O processo de acoplamento magn´etico (Electromagnetic Backscatter Coupling), co-me¸ca com a transmiss˜ao de um sinal em radio-frequˆencia pela antena do leitor. O campo eletromagn´etico originado do sinal propagado, gera um fluxo de corrente nos capacitores do circuito do tag, resultando numa diferen¸ca de potencial que alimenta o microchip do tag, que ´e ent˜ao energizado e habilitado para enviar um sinal digital contendo o c´odigo de identifica¸c˜ao do tag. Varia¸c˜oes carga no circuito do tag, faz com que a potˆencia do sinal enviado pelo leitor seja refletida ou absorvida. Por sua vez, o sinal refletido sofre varia¸c˜oes em amplitude, e ´e modulado pelo m´etodo de modula¸c˜ao por retrodispers˜ao (backscatter modulation). Um dispositivo que atua como transmissor e receptor denominado trans-ceiver, contido no leitor reconhece o sinal refletido e converte em um sinal digital que ´e processado pelo circuito integrado do leitor, e por fim o c´odigo de identifica¸c˜ao do tag ´e identificado [1]-[11].
Surface Acoustic Wave transponder (SAW)
O funcionamento de dispositivos Surface Acoustic Wave (SAW), representado pela figura 3.5, ´e baseado na baixa velocidade da dispers˜ao superficial de ondas ac´usticas. A faixa de frequˆencia desse tipo de comunica¸c˜ao se encontra na faixa de microondas, por volta de 2,45 GHz [1].
Figura 3.5: Funcionamento de um Surface Acoustic Wave transponder [38].
Primeiramente a antena dipolo contida no transponder recebe um sinal interroga-dor proveniente de um leitor RFID, que ´e convertido em uma onda ac´ustica superficial pelo interdigital transducer (IDT). A frequˆencia da onda de superf´ıcie corresponde a frequˆencia do pulso do sinal interrogador. Parte da onda de superf´ıcie ´e refletida em cada um dos refletores que est˜ao distribu´ıdos ao longo de um substrato, enquanto que a por¸c˜ao restante do sinal ´e absorvida pelo substrato. As componentes refletidas voltam para o interdigital transducer, onde s˜ao convertidas em uma sequˆencia de pulsos em alta frequˆencia e trans-mitidas pela antena dipolo do transponder. O leitor, portanto, recebe essa sequˆencia de pulsos que cont´em informa¸c˜oes associadas ao tag. O n´umero de refletores ´e diretamente relacionado ao n´umero de pulsos da sequˆencia recebida pelo leitor, com isso os atrasos dos pulsos individuais s˜ao proporcionais `a distˆancia espacial entre os refletores [1].
3.2
Componentes do Sistema RFID
Um sistema RFID ´e composto basicamente por trˆes componentes, um transponder ou tag, um leitor ou interrogador e um controlador. O transponder ou tag ´e basicamente formado por uma antena e um microchip, usado para armazenar os dados. O leitor ou escritor/leitor ´e um dispositivo usado para se comunicar com um tag RFID, ´e capaz de converter as ondas de r´adio em informa¸c˜ao digital que ´e armazenada no controlador ou computador. O controlador (midleware) que geralmente inclui um servidor e banco de dados, tem a fun¸c˜ao de armazenar, filtrar, processar e gerenciar os dados do sistema RFID [2].
17
3.2.1
Tag
O tag ´e um dos componentes de um sistema RFID. Tem como principal fun¸c˜ao armazenar dados e transmiti-los para o leitor. Um tag ´e composto por uma antena capaz de receber e enviar sinais, e um chip RFID que tem a fun¸c˜ao de guardar os dados relacionados a identifica¸c˜ao do tag e tamb´em outras informa¸c˜oes do sistema.
Os sistemas RFID podem ser classificados quanto ao fornecimento de energia aos transponders, portanto podem ser classificados em passivos ou ativos.
Tags Passivos
Os tags passivos n˜ao possuem nenhuma fonte interna de energia, s˜ao compostos somente pelo circuito integrado e uma antena, al´em disso s˜ao alimentados pela energia eletromagn´etica proveniente do sinal do leitor RFID. Tags passivos s˜ao usados para apli-ca¸c˜oes como controle de acesso, rastreamentos de objetos ou produtos, gerˆencia da cadeia de suprimentos entre outras. Sua maior vantagem ´e seu baixo pre¸co, o que incentiva a implementa¸c˜ao de sistemas RFID em diversas ind´ustrias. Existem diversos tipos de tags passivos, por´em s˜ao usualmente divididos no mercado em duas categorias: inlays e hard tags [12].
Hard RFID tags s˜ao mais robustas e resistentes. Apresentam um formato, tamanho e material espec´ıfico para determinada fun¸c˜ao e aplica¸c˜ao. A figura 3.6 demonstra um exemplo de um Hard RFID, resistente `a impacto e altas temperaturas, pr´oprio para industrias e ambientes externos.
Figura 3.6: Hard RFID tag [12]
Inlays apresentam baixo custo por tag e s˜ao classificadas de acordo com o material, funcionalidade e em qual tipo de material ser´a anexado. Podem ser encontradas em
forma de papel adesivo ou material laminado. S˜ao vendidos em grandes quantidades e em formatos de rolo como mostra a figura 3.7.
Figura 3.7: Inlays [12]
Tags Ativos
Tags ativos s˜ao compostos por um chip, uma antena e uma bateria interna que fornece energia e isso garante um maior alcance de leitura de dados e torna poss´ıvel inserir bancos de mem´oria com grande capacidade de armazenamento.
Os tags RFID ativos s˜ao usados para suportar ambientes que apresentam um ce-n´ario com temperaturas extremas e alta taxa de umidade, consequentemente os formatos desse tipo de tag s˜ao mais robustos. Tipicamente o tag ´e encapsulado por uma casca protetora, cujo o material dessa depende do tipo de aplica¸c˜ao que o tag ser´a destinado como mostra a figura 3.8. O tamanho dos tags ativos ´e relativamente maior do que de um tag passivo, devido ao tamanho da bateria, dos circuitos e do revestimento externo que envolve o tag. Alguns tag ativos possuem em seu interior sensores respons´aveis pela coleta de dados relacionados a parˆametros do ambiente, tais como temperatura e n´ıveis de umidade [12].
Figura 3.8: Tag ativo [12].
Al´em desses dois tipos apresentados, existe uma varia¸c˜ao, chamada de tag semi-passivo, mostrado na figura 3.9, que ´e uma forma¸c˜ao hibrida entre um tag ativo e passivo.
19 Utilizam o sinal eletromagn´etico proveniente do leitor contido no sistema RFID como fonte de energia. A principal diferen¸ca est´a no fato de que o tag semipassivo, possui uma bateria interna, que n˜ao contribui para transmiss˜ao de dados destinados ao leitor. Essas baterias funcionam como uma fonte de energia para os circuitos eletrˆonicos internos ao tag, como por exemplo um sensor de temperatura [13].
Figura 3.9: Tag Semipasivo [13].
3.2.2
Chipless RFID
Dentre os componentes de um tag RFID, o circuito integrado ´e o que mais influencia no pre¸co de fabrica¸c˜ao do tag, consequentemente torna mais elevado o custo de instala¸c˜ao de um sistema RFID em rela¸c˜ao a um sistema de c´odigo de barras. O custo do tag ´e um obst´aculo, principalmente para etiquetas que operam em altas frequˆencias (UHF e microondas). Portanto para reduzir os custos dos sistemas RFID, os tags passaram a ser desenvolvidos sem chip e de forma impressa, viabilizando o surgimento do chamado sistema chipless RFID [14].
O princ´ıpio b´asico de funcionamento do sistema RFID sem chip ´e a retransmis-s˜ao do sinal de interroga¸c˜ao composto pela identifica¸c˜ao espectral ´unica codificada. O diagrama de blocos que representa o sistema RFID chipless ´e mostrado na figura 3.10.
Figura 3.10: Funcionamento do sistema RFID chipless [14]
Como ´e poss´ıvel observar na figura 3.10, o chipless tag recebe o sinal interrogador emitido pelo leitor RFID. O multi-ressonador composto por ressonadores em cascata que operam como um filtro rejeita-faixa, gera uma frequˆencia ressonante que acrescenta uma atenua¸c˜ao na amplitude do espectro do sinal, al´em disso, ocorre uma mudan¸ca abrupta de fase do espectro. Em outras palavras, o multi-ressonador realiza uma modula¸c˜ao em fase e amplitude do sinal. O leitor identifica as transi¸c˜oes em amplitude e fase pelo n´ıvel l´ogico baixo e as ausˆencias dessas mudan¸cas s˜ao representadas pelo n´ıvel l´ogico alto. O sinal de resposta ´e codificado pelo tag chipless e enviado ao leitor RFID, que decodifica os dados possibilitando a identifica¸c˜ao do tag [14].
O tag RFID sem chip representado pelo diagrama da figura 3.11 ´e formado por duas antenas (Tx e Rx) e um multirressonador. As antenas s˜ao do tipo monopolo e possuem tecnologia UWB (Ultra Wide-Band ), sendo que a antena de recep¸c˜ao opera com polariza¸c˜ao vertical e de transmiss˜ao opera com polariza¸c˜ao horizontal. A polariza¸c˜ao das antenas ´e cruzada com a finalidade de maximizar o isolamento entre o o sinal interrogador enviado continuamente e o sinal de resposta codificado pelo tag. O multiressonador, composto por um conjunto de ressonadores, tem como fun¸c˜ao realizar a modula¸c˜ao em fase e amplitude do sinal interrogador enviado pelo leitor [15].
21
Figura 3.11: Tag RFID chipless [15]
O leitor RFID chipless ´e um dispositivo eletrˆonico capaz de identificar os tag pre-sentes na regi˜ao de alcance do sinal interrogador. O leitor chipless cujo o diagrama de blocos est´a ilustrado na figura 3.12, ´e composto por antenas de recep¸c˜ao e transmiss˜ao usadas, respectivamente, para receber o sinal de reposta codificado pelo tag e enviar o sinal interrogador. O transmissor do leitor RFID chipless, que ´e respons´avel pelo envio do sinal interrogador ao tag, ´e composto por um amplificador de baixo ru´ıdo (Low Noise Amplifier – LNA) e amplificador de potˆencia (Power Amplifier ) [14].
Figura 3.12: Leitor RFID chipless [14].
Apesar de ser uma interessante solu¸c˜ao para reduzir os custos de produ¸c˜ao de uma etiqueta RFID, o tag RFID sem chip apresenta algumas limita¸c˜oes como alcance de leitura e frequˆencia de opera¸c˜ao, que est˜ao sendo estudadas para que futuramente apresente um custo benef´ıcio e eficiˆencia superior ao c´odigo de barras. Embora apresente um grande
potencial, essa tecnologia ainda est´a em fase de desenvolvimento em compara¸c˜ao aos tags com chip dispon´ıveis no mercado.
Ainda que apresentem um grande potencial, os tags sem chip s˜ao voltados para uma quantidade limitada de aplica¸c˜oes e situa¸c˜oes, devido a polariza¸c˜ao usada pelas antenas do tag chipless, que influencia diretamente no alcance de leitura dos dados. O desenvol-vimento de t´ecnicas que tornem poss´ıvel a utiliza¸c˜ao de antenas com polariza¸c˜ao circular em tags chipless, solucionaria o problema da restri¸c˜ao dessa tecnologia para determinadas situa¸c˜oes e aplica¸c˜oes [14]-[15].
Por ser uma tecnologia que permite ser impressa em materiais de baixo custo como pl´astico e papel, o aperfei¸coamento da tecnologia RFID chipless ´e inovador principalmente para aplica¸c˜oes voltadas parar o controle e rastreamento de certos itens, como passaporte e a c´edula monet´aria [14]-[15].
3.2.3
Leitores
Os leitores, tamb´em chamados de interrogadores de um sistema RFID, s˜ao dis-positivos respons´aveis pela comunica¸c˜ao entre o RFID tag e o computador principal ou sistema de dados (middleware). Essa comunica¸c˜ao ´e estabelecida por meio de ondas de r´adio, que s˜ao transmitidas ao tag RFID. O tag detecta o sinal do leitor e envia uma resposta contendo dados ou informa¸c˜oes ao leitor.
Os leitores encontrados em grande parte dos sistemas RFID, podem ser subdividi-dos em dois blocos distintos: o sistema de controle e a interface de alta frequˆencia (HF). A interface de alta frequˆencia ´e respons´avel pela execu¸c˜ao de trˆes processos: gerar o sinal de transmiss˜ao com energia suficiente para ativa¸c˜ao e funcionamento do tag (no caso dos tags passivos), modular o sinal transmitido ao tag e realiza a demodula¸c˜ao e recep¸c˜ao dos sinais de alta frequˆencia que s˜ao enviados pelo tag. O sistema de controle executa fun¸c˜oes relacionadas `a gerˆencia e processamento dos dados referentes ao sinal, tais como a codi-fica¸c˜ao e decodifica¸c˜ao e controle da comunica¸c˜ao com os tags do sistema. Em sistemas mais complexos o sistema de controle tamb´em inclui algoritmos de anticolis˜ao, aplica¸c˜oes de desempenho e encripta¸c˜ao e desencripta¸c˜ao de dados referentes `a comunica¸c˜ao entre o leitor e o tag [16].
Leitores RFID, podem ser encontrados em formatos variados, podendo ser dividido em trˆes classes: integraded RFID readers ( Leitores RFID integrados), fixed RFID readers
23 ( Leitores RFID fixos) e handheld RFID reader (Leitores RFID port´ateis).
Um leitor RFID integrado ´e simplesmente um leitor que possui em seu interior uma antena. Geralmente esse tipo de leitor apresenta uma porta reservada para o caso de uma instala¸c˜ao de uma antena extra. ´E uma solu¸c˜ao de baixo custo adequada para sistemas que exigem no m´aximo duas antenas.
Como o nome indica, um leitor RFID fixo ´e instalado em uma local estrat´egico em que as condi¸c˜oes de leitura dos tags s˜ao favor´aveis para a comunica¸c˜ao do sistema RFID. Esse tipo de design de leitor ´e pr´oprio para ambientes que exigem uma cobertura de sinal mais ampla, oferendo flexibilidade em termos de organiza¸c˜ao das antenas, permitindo a adi¸c˜ao de m´ultiplas e diferentes modalidades de antenas. Sistemas de identifica¸c˜ao de ve´ıculos presentes em ped´agios, em que o leitor ´e fixado a um poste pr´oximo a cancela ´e um bom exemplo de aplica¸c˜ao dessa classe de leitor. A conex˜ao entre as antenas e o leitor ´e realizada por meio de cabos de rede, mas existem tamb´em leitores que estabelecem essa conex˜ao via Wi-Fi, chamados de Wi-Fi RFID readers [17].
Leitores port´ateis s˜ao dispositivos m´oveis compostos internamente por um leitor e uma antena. S˜ao indicados para sistemas RFID hospedados em locais remotos em que a instala¸c˜ao de um interrogador fixo ´e invi´avel. Tamb´em ´e indicado para localiza¸c˜ao de itens espec´ıficos como itens em uma prateleira de um supermercado ou galp˜ao de estoque [2].
3.2.4
Antena RFID
A antena de um sistema RFID, sendo ela interna ou externa ao leitor, se trata de um elemento de grande importˆancia, pois ´e essencial para transmiss˜ao e recep¸c˜ao do sinal destinado ao tag. As antenas geram ondas eletromagn´eticas que induzem uma corrente el´etrica necess´aria para energizar o circuito interno do tag passivo. O formato e tama-nho da antena assim como suas caracter´ısticas t´ecnicas est˜ao diretamente relacionadas a frequˆencia de opera¸c˜ao utilizada para o sistema. Para baixa e alta frequˆencia (LF e HF) de opera¸c˜ao, as antenas s˜ao indutivas (antena loop), e para microondas e UHF s˜ao usadas antenas capacitivas (antena dipolo)[2].O ganho da antena ´e diretamente associado ao seu alcance. Quanto maior o ganho da antena, maior ´e seu campo eletromagn´etico e maior o seu alcance.
os tags do sistema. Se os tags est˜ao na mesma altura que a antena, ´e indicado se usar uma antena com polariza¸c˜ao linear, pois a energia ´e emitida em um ´unico plano, gerando um maior alcance. Caso a distribui¸c˜ao dos tags n˜ao estejam padronizadas a uma mesma altura, ´e recomendado se utilizar uma antena com polariza¸c˜ao circular, em que a energia RF ´e emitida nos eixos vertical e horizontal, facilitando a identifica¸c˜ao dos tags [17].
3.2.5
Controlador
O controlador consiste em um computador principal encarregado de administrar todo o fluxo de dados enviado por m´ultiplos leitores contidos em uma ´unica rede. Nor-malmente, este computador principal inclui dois principais elementos: um software e um banco de dados, que em conjunto s˜ao encarregados de exercer as fun¸c˜oes de processa-mento, gerˆencia e filtragem de dados pertinentes a aplica¸c˜ao da tecnologia RFID. Em uma cadeia de abastecimento, uma das fun¸c˜oes de um controlador ´e monitorar os itens e alertar os fornecedores quando houver necessidade de efetuar um novo invent´ario de estoque [2].
3.3
Faixas de frequˆ
encia de opera¸
c˜
ao
A frequˆencia de opera¸c˜ao ´e um parˆametro de grande importˆancia, que determina todas as caracter´ısticas como alcance de leitura e o tipo de tag e leitor, que definem o tipo de aplica¸c˜ao que o sistema RFID ser´a destinado. Os sistemas RFID podem ser classificados em trˆes conjuntos de frequˆencia descritos a seguir.
Low Frequency (LF)
De 125 KHz a 134 KHz. Possui baixo alcance, de no m´aximo 10 cent´ımetros. ´E usado para aplica¸c˜oes em ambientes que podem ter contato com ´agua e metais, como por exemplo rastreamento de animais e controle de acesso.
High Frequency (HF)
Os tags de HF, operam a uma frequˆencia de at´e 13.56 MHz. O alcance t´ıpico dessa faixa de frequˆencia pode chegar at´e um metro em condi¸c˜oes ideais. ´E usada para
25 transmiss˜ao de dados, controle de acesso e seguran¸ca do passaporte, ou seja, aplica¸c˜oes que n˜ao demandam um alcance t˜ao longo.
Ultra-High Frequency (UHF)
De 865 MHz a 960 MHz. Para essa faixa de frequˆencia o alcance pode atingir cerca de 5 a 6 metros, dependendo do tamanho da tag pode chegar a um alcance de leitura de cerca de 30 metros ou mais, em condi¸c˜oes ideais. Essa frequˆencia ´e usada para aplica¸c˜oes que requerem um alcance superior a um metro, como por exemplo, rastreamento de ativos de TI (Tecnologia da Informa¸c˜ao) tais como switches e roteadores, controle de invent´ario em grandes f´abricas e identifica¸c˜ao de ve´ıculos em ped´agios eletrˆonicos. Altas frequˆencias apresentam certas vantagens, como maior alcance, comprimentos de onda mais curtos e altamente energizados. Entretanto quanto maior a frequˆencia, surgem maiores preocupa¸c˜oes com rela¸c˜ao a proximidade de materiais a base de ´agua ou metal, que podem causar interferˆencia na leitura do sinal [18].
Microondas
Foram alocadas duas frequˆencias de microondas para aplica¸c˜oes RFID: 2,45 GHz e 5,8 GHz. Essa faixa de frequˆencia tamb´em chamada de ISM (Industrial-Scientific-Medical ), ´e voltada para estudos e pesquisas das ´areas industriais m´edicas e cient´ıficas. Essa banda n˜ao ´e regulamentada, por´em possui uma s´erie de normas que especificam limites potˆencia e tolerˆancia de interferˆencia [2].
3.4
Padroniza¸
c˜
ao
O crescimento da ado¸c˜ao de sistemas RFID nas ind´ustrias que atuam em diferentes setores gerou o desenvolvimento de uma tecnologia diversificada. Cada empresa construiu uma tecnologia RFID com um conceito pr´oprio, direcionando a sua solu¸c˜ao para aplica¸c˜oes de seu interesse. Isso gerou barreiras de compatibilidade entre os produtos de diferentes fornecedores, tornando necess´aria a padroniza¸c˜ao.
A padroniza¸c˜ao da tecnologia RFID surgiu com a finalidade de uniformizar as caracter´ısticas t´ecnicas dos sistemas RFID, visando a integra¸c˜ao dos sistemas RFID pre-sentes nas mais diversas industrias, possibilitando o compartilhamento de informa¸c˜oes
entre empresas e organiza¸c˜oes. Em outras palavras, empresas parceiras que fazem parte de uma ´unica rede devem possuir sistemas habilitados para efetuar a leitura dos tags per-tencentes a todas as organiza¸c˜oes envolvidas. Se os sistemas n˜ao estiverem padronizados, m´ultiplas empresas n˜ao poder˜ao efetuar a leitura de um mesmo tag RFID [2].
A ISO (International Organization for Standardization), ´e uma uni˜ao mundial das institui¸c˜oes nacionais de padroniza¸c˜ao, e foi pioneira na tarefa de introduzir as primeiras normas t´ecnicas para os sistemas RFID [1]. Para auxiliar na fun¸c˜ao de padroniza¸c˜ao de sistemas RFID, a ISO e a IEC (International Electro-technical Commission), formaram um subcomitˆe chamado ISO/IEC JTC1. Do mesmo modo que a GS1, que ´e uma or-ganiza¸c˜ao sem fins lucrativos que desenvolve padroniza¸c˜oes globais para a comunica¸c˜ao comercial [19], criou a EPCglobal que participa na elabora¸c˜ao de regulamenta¸c˜oes para a padroniza¸c˜ao de sistemas RFID [20].
Os padr˜oes propostos pela ISO variam desde o modo de comunica¸c˜ao entre os tags e leitores RFID, at´e a forma de como os dados s˜ao organizados e armazenados. Existem padr˜oes voltados para cada tipo de aplica¸c˜ao de RFID. Como por exemplo, os padr˜oes ISO : 14223, 11784 e 11785, que s˜ao destinados ao rastreamento de animais. Estes apresentam, respectivamente, defini¸c˜oes de interface RF e de estrutura de dados, tamb´em chamados de advanced transponders, normas de estrutura de c´odigo e conceitos t´ecnicos, como por exemplo o m´etodo de transmiss˜ao de dados entre o leitor e o tag [1].
A padroniza¸c˜ao de sistemas RFID se tornou um parˆametro t˜ao necess´ario, que levou o surgimento de outras organiza¸c˜oes que assumiram o compromisso de criar novos padr˜oes visando melhorias no sistema RFID. A EPCglobal surgiu em um centro de pes-quisas chamado Auto-ID center, que estudava conceitos de padroniza¸c˜ao com o intuito de facilitar a identifica¸c˜ao de itens, principalmente para as aplica¸c˜oes de RFID em cadeias de abastecimento [2]. A id´eia do Auto-ID center era elaborar um conceito de internet das coisas (IoT), em que a identifica¸c˜ao instantˆanea de objetos fosse uma realidade. Nome-aram, portanto, esse conceito de Eletronic Product Code Network, tamb´em chamada de rede EPCglobal.
Um dos componentes da rede EPCglobal ´e o EPC (Eletronic Product Code), de-finido por um n´umero que possibilita a identifica¸c˜ao individual de um objeto marcado por um tag RFID. O n´umero EPC, ´e definido por uma sequˆencia de bits e ´e composto por quatro segmentos: Header, EPC Manager, Object Class e Serial Number. Os tags
27 que possuem um n´umero EPC podem ser encontrados em vers˜oes de 64 bits e 96 bits de mem´oria. Al´em disso o EPC suporta uma s´erie de esquemas de codifica¸c˜ao tais como: Serialized Global Trade IdentificationNumber (SGTIN), Serial Shipping Container Code (SSCC), Serilized Global Location Number (SGLN), Global Returnable Asset Identifier (GRAI), Global Individual Asset Identifier (GIAI), and General Identifier (GID) [21]-[1]. Um exemplo de padroniza¸c˜ao criado pela EPCglobal ´e a classifica¸c˜ao de tags de acordo com algumas especifica¸c˜oes, como capacidade de leitura e mem´oria (figura 3.13). Em seguida, ser´a feita uma breve descri¸c˜ao de cada classe de tag.
Figura 3.13: Classes de tags [18].
Tag Classe 0 (read - only )
Se refere a um simples transponder passivo que permite apenas a leitura e possui a programa¸c˜ao original de f´abrica. Al´em disso n˜ao possui mem´oria no chip, e ´e composto por apenas um n´umero de s´erie. ´E pr´oprio para aplica¸c˜oes de controle e seguran¸ca, em que o objetivo ´e apenas alertar o usu´ario caso o produto ou objeto ultrapasse o limite do alcance de leitura da antena, como por exemplo, sistemas de antifurto (EAS) de supermercados, farm´acias, livrarias entre outros estabelecimentos [22].
Tag Classe 0+
Possui as mesmas caracter´ısticas do tag de classe 0, com uma ´unica diferen¸ca, ´e poss´ıvel realizar a grava¸c˜ao de dados apenas uma vez [22].
Tag Classe 1(write once / read only ) ´
E um tag passivo, com a capacidade de leitura e realiza apenas uma grava¸c˜ao de dados. Logo, o transponder possui a programa¸c˜ao de f´abrica habilitada, mas pode ser reprogramada pelo usu´ario somente uma vez. Possui uma capacidade de mem´oria de at´e 128 bits. Tags dessa classe geralmente exercem a fun¸c˜ao de identifica¸c˜ao [22].
Tag Classe 2 (read/ write)
Tamb´em ´e um tag passivo, que permite a leitura e grava¸c˜ao de dados a qualquer momento. Possui uma capacidade de mem´oria de at´e 65 KB. Esse tipo de tag se destaca devido sua flexibilidade, ou seja, possibilita que os dados sejam regravados a qualquer momento. ´E bastante comum encontrar esse tipo de tag nas aplica¸c˜oes de controle de acesso [22]
Tag Classe 3 (Read Write com sensores on-board ) ´
E um tag semipassivo, composto por uma bateria e por sensores. Assim como o tag de classe 2, possui a fun¸c˜ao de leitura e grava¸c˜ao de dados a qualquer instante. Sua mem´oria suporta a grava¸c˜ao de dados referentes a parˆametros como temperatura, press˜ao, tens˜ao el´etrica, etc. Esses dados s˜ao armazenados na mem´oria sem a necessidade da energia proveniente do sinal do leitor, mas esse processo depende da energia da bateria embutida no pr´oprio tag. Esse tipo de tag ´e usado normalmente para aplica¸c˜oes de controle e gerˆencia de estoque [22].
Tag Classe 4 ´
E um tag ativo com capacidade de leitura e escrita de dados, e ´e composto por transmissores integrados. Possui uma bateria que alimenta o circuito do microchip e o transmissor respons´avel pela emiss˜ao do sinal para o leitor. Al´em disso possui a habilidade de se comunicar com outros transponders da mesma classe, atrav´es dos transmissores integrados, permitindo a troca de informa¸c˜oes. Tags de classe 4 s˜ao usados para aplica¸c˜oes voltadas para o rastreamento, como por exemplo uma tag no interior de um container se comunicando e enviando informa¸c˜oes para com outros tags at´e chegar a um leitor externo, criando uma grande rede de log´ıstica [22].
29 Tag Classe 5
Se trata de um tag ativo, com as mesmas caracter´ısticas de um tag de classe 4, com a capacidade de se comunicar entre transponders de mesma classe e com tags de classe 4. Possui a funcionalidade adicional de se comunicar com outros transponders passivos, consequentemente servindo como fonte de energia para os tags de classe 1, 2 e 3 [18].
Al´em dessas classes, existe ainda o tag Gen2. S˜ao tags passivos com capacidade de leitura e grava¸c˜ao ´unica. Possui uma mem´oria de cerca de 224 bits, onde 96 bits s˜ao voltados para os dados EPC, 32 bits para corre¸c˜ao de erros, e o restante de acordo com a preferˆencia e necessidade do usu´ario. tags Gen 2, substituir˜ao futuramente os tags de Classe 0 e 1 [1].
3.5
Sistemas RFID no ˆ
ambito empresarial
Devido `a complexidade e variedade de aplica¸c˜oes dos sistemas RFID, suas ca-racter´ısticas b´asicas de organiza¸c˜ao e modo de se projetar podem ser diversificados, por´em no dom´ınio empresarial, podem ser divididos em trˆes subsistemas: subsistema RF (RF subsystem), subsistema empresarial (enterprise subsystem) e o subsistema inter-empresarial (inter-enterprise subsystem). O subsistema RF ´e composto por tags e leitores, e o subsistema inter-empresarial que n˜ao ´e encontrado na maioria dos sistemas RFID, ´e respons´avel pela conex˜ao dos diversos subsistemas empresariais que pertencem a uma ´
unica empresa ou organiza¸c˜ao, em que a informa¸c˜ao deve ser compartilhada entre setores que operam em locais geogr´aficos diferentes, como por exemplo em aplica¸c˜oes voltadas para a cadeia de abastecimento. O subsistema empresarial tem como finalidade armaze-nar, processar e analisar os dados recebidos pelos leitores do sistema RFID, transformando os dados em informa¸c˜oes uteis para os processos que ocorrem na empresa ou organiza¸c˜ao [23].
3.5.1
Subsistema RF
Um subsistema RF ´e composto basicamente por dois componentes, tags e leitores. O tag, ´e basicamente formado por uma antena e um microchip, usado para armazenar os dados. O leitor ou escritor/leitor ´e um dispositivo usado para se comunicar com um tag RFID, ´e capaz de converter as ondas de r´adio em informa¸c˜ao digital que ´e armazenada
no controlador ou computador. Mais detalhes sobre ambos os componentes do subsitema RF est˜ao apresentados nas subse¸c˜oes 3.2.1 e 3.2.3 [23].
3.5.2
Subsistema Empresarial
Conforme mencionado na se¸c˜ao 3.5, o subsistema empresarial tem a fun¸c˜ao de ana-lisar, processar, e armazenar toda e qualquer tipo de informa¸c˜ao enviada pelo subsistema RF. O subsistema empresarial representado pelo diagrama da 3.14 possui trˆes elementos principais: middleware, sistema anal´ıtico (Analytic System) e infraestrutura de rede.
Figura 3.14: Subsistema Empresarial [23]
Middleware
O middleware RFID ´e um software voltado para o sistema de identifica¸c˜ao por radiofrequˆencia e tem a fun¸c˜ao de conectar a infraestrutura de hardware (RF Subsystem) ao sistema anal´ıtico (Analytic Systems). O middleware RFID ´e respons´avel por todo o processamento, gerˆencia, monitoramento, filtragem e coleta dos dados enviados pelo subsistema de RF.
O sistema anal´ıtico ´e composto pelo banco de dados, servidor web e aplica¸c˜oes de processamento de dados. Dentre suas fun¸c˜oes, a filtragem de dados se destaca pelo fato de oferecer aos desenvolvedores e usu´arios, apenas os dados relevantes comercialmente para a aplica¸c˜ao sem se preocupar com a comunica¸c˜ao sem fio. A filtragem elimina dados duplicados, incompletos ou com erros de informa¸c˜ao recebidos pelos leitores do sistema, gerando vantagens para aplica¸c˜oes em que h´a uma grande quantidade de tags e a proximidade entre os tags ´e reduzida.
31 As fun¸c˜oes de monitoramento e gerˆencia encontradas usualmente em middlewares comerciais tamb´em possuem certos benef´ıcios. No caso da gerˆencia, ´e poss´ıvel adequar a potˆencia e o fluxo de trabalho do sistema para reduzir a ocorrˆencia de erros. O monitora-mento ´e baseado no log de transa¸c˜oes do middleware, respons´avel pelo registro de todas as transa¸c˜oes e modifica¸c˜oes feitas no banco de dados, isso auxilia na identifica¸c˜ao de comportamentos at´ıpicos do sistema, possibilitando a detec¸c˜ao de acesso n˜ao autorizado ao sistema RFID [23].
As caracter´ısticas e a complexidade do middleware s˜ao determinadas pelo fluxo de informa¸c˜oes, pela velocidade do processamento dos dados e o tipo de aplica¸c˜ao de sistema RFID que ser´a implementado. Para aplica¸c˜oes em que existem um grande n´umero de leitores ´e preciso associar e filtrar os dados e um intenso tr´afego de dados pode exigir um processamento em tempo real, portanto a implementa¸c˜ao de um middleware corretamente projetado pode trazer vantagens em rela¸c˜ao ao sistema como a disponibilidade, tolerˆancia de falhas, escalabilidade, entre outros servi¸cos. O processamento ´e t˜ao importante quanto a coleta dos dados. Um middleware que n˜ao suporta o fluxo de dados torna o sistema RFID ineficiente, sendo necess´ario uma an´alise rigorosa do sistema operacional existente na organiza¸c˜ao em que o sistema RFID ser´a implementado [24].
Sistema Anal´ıtico
O subsistema Anal´ıtico ´e formado por um banco de dados, aplica¸c˜oes de pro-cessamento de dados e um servidor web encarregado de processar todas as informa¸c˜oes recebidas pelo middleware. Al´em disso, o sistema anal´ıtico correlaciona os dados origina-dos de outros sistemas de identifica¸c˜ao autom´atica, como por exemplo o c´odigo de barras, com as informa¸c˜oes adquiridas pelo sistema RFID. Sistemas anal´ıticos que pertencem a rede EPCglobal (ver se¸c˜ao 3.4) que processam dados referentes `a tags padronizados pela EPCglobal s˜ao chamados de EPC Information Services (EPCIS) [23].
Infraestrutura de Rede
O ´ultimo elemento do subsistema empresarial ´e a infraestrutura da rede, que tem como fun¸c˜ao conectar o subsistema RF e o middleware. A arquitetura f´ısica e l´ogica, assim como os protocolos de dados usados na comunica¸c˜ao entre os elementos da rede, s˜ao caracter´ısticas importantes de um projeto infraestrutura de rede de um sistema RFID.
A localiza¸c˜ao do middleware, o fluxo de dados gerados pelos leitores e a quanti-dade de leitores s˜ao fatores que influenciam diretamente a topologia f´ısica da rede. Para as aplica¸c˜oes em que o volume do tr´afego de informa¸c˜oes for elevado, como por exemplo nas esta¸c˜oes das barcas em Niter´oi, onde existe uma grande quantidade de leitores e o tr´afego de leitura de cart˜oes de transporte p´ublico ´e intenso, a localiza¸c˜ao mais adequada do middleware seria pr´oximo aos leitores. Com isso, os problemas relacionados a rede, `a latˆencia e a taxa de transferˆencia requerida pelo sistema, entre outros obst´aculos, podem ser evitados. A localiza¸c˜ao do sistema anal´ıtico n˜ao influencia na topologia f´ısica da rede quando inclui unicamente o sistema RFID voltado para identifica¸c˜ao autom´atica. Por-tanto, ´e usualmente alocado por grande parte das empresas em data centers que oferecem uma infraestrutura de alto n´ıvel que inclui geradores el´etricos com redundˆancia, seguran¸ca f´ısica, equipamentos modernos al´em do suporte de profissionais especializados.
O protocolo de comunica¸c˜ao de dados mais utilizado para conectar os componentes do subsistema empresarial ´e o Ethernet (IEEE 802.3). Por ser um protocolo que, em grande maioria das empresas, ´e usado para conex˜ao de computadores a uma rede local e n˜ao inclui nenhuma aplica¸c˜ao de seguran¸ca, ´e necess´ario, portanto, buscar outros protocolos que oferecem a prote¸c˜ao adequada para estabelecer a integra¸c˜ao entre os componentes do susbsistema empresarial. A rede geralmente ´e cabeada, mas existem aplica¸c˜oes que utilizam leitores RFID port´ateis, em que a conex˜ao entre os demais elementos da rede ´e estabelecida via Wi-fi (IEEE 802.11). O protocolo IP (Internet Protocol, destinado para comunica¸c˜ao de dados entre m´aquinas conectadas `a internet, tamb´em ´e muito comum para comunica¸c˜ao do subsistema empresarial, pois tanto o sistema anal´ıtico como o middleware podem se comunicar entre si pela rede interna da empresa ou pela internet, entretanto pode apresentar um risco de seguran¸ca devido a facilidade de se estabelecer uma comunica¸c˜ao com computadores comuns e suas aplica¸c˜oes [23].
3.5.3
Subsistema Inter-Empresarial
Conforme mencionado anteriormente, o subsistema inter-empresarial tem como fun¸c˜ao interligar m´ultiplos subsistemas empresarias que pertencem a uma grande rede corporativa. S˜ao encontrados usualmente em empresas que utilizam sistemas RFID vol-tados para cadeia de abastecimentos como por exemplo a rede de mercados Wal-Mart.
33 deve incluir uma infraestrutura de rede aberta, na qual os dados associados ao padr˜ao EPC poder˜ao ser compartilhados pela internet entre as empresas e organiza¸c˜oes parceiras. Para isso, ´e necess´ario projetar um sistema aberto em que o acesso ao sistema anal´ıtico esteja dispon´ıvel entre as empresas parceiras, seja por meio de uma rede dedicada como a Internet ou por uma VPN (Virtual Private Network ) que apresente as caracter´ısticas de uma rede dedicada e utilize uma infraestrutura p´ublica ou compartilhada [23].
Entretanto, a cria¸c˜ao de um sistema de rede aberta gerou problemas em rela¸c˜ao `
a identifica¸c˜ao do sistema anal´ıtico associado ao tag anexado ao objeto. Para solucionar esse problema, a EPCglobal desenvolveu o Object Naming Service (ONS), um banco de dados global que cont´em todas as informa¸c˜oes relacionadas aos objetos marcados com o padr˜ao EPC.
Existe ainda um mecanismo de pesquisa ainda em desenvolvimento, chamado Dis-covery Services, em que o objetivo ´e encontrar todas as organiza¸c˜oes que possuem as informa¸c˜oes associadas a um identificador EPC [23].
3.6
Vantagens do sistema RFID
A escolha do tipo de identifica¸c˜ao autom´atica ou AIDC (Automatic Identification and Data Capture) est´a diretamente relacionado ao tipo de aplica¸c˜ao ou situa¸c˜ao no qual a tecnologia ser´a destinada. O custo de instala¸c˜ao do sistema RFID, que nos ´ultimos anos era visto como empecilho, e que gerava a preferˆencia pelo c´odigo de barras como tecnologia de identifica¸c˜ao nas ind´ustrias e companhias, atualmente ´e considerado um investimento, j´a que minimiza a ocorrˆencia de erros e consequentemente incrementa a eficiˆencia das aplica¸c˜oes. Dentre as tecnologias de identifica¸c˜ao autom´atica existentes no mercado, o sistema RFID apresenta vantagens que ser˜ao descritas a seguir [21].
Velocidade e eficiˆencia de leitura
Sistemas RFID oferecem maior velocidade e eficiˆencia de leitura, pois ´e poss´ıvel efetuar a leitura e grava¸c˜ao de dados em m´ultiplos tags simultaneamente, gerando maior eficiˆencia no controle e qualidade na identifica¸c˜ao dos itens. Devido `a essa automa¸c˜ao do processo de coleta de dados, a ocorrˆencia do erro humano na leitura manual dos dados ´e minimizada [21].
Campo visual direto
A leitura e grava¸c˜ao dos dados n˜ao depende do campo visual direto, tamb´em cha-mado de non line-of-sight, entre uma etiqueta RFID e um leitor. Itens no interior de uma embalagem ou container podem ser identificados sem a necessidade de retir´a-los individualmente para efetuar a leitura dos dados [21].
Capacidade de mem´oria e armazenamento
Al´em de ser a tecnologia de identifica¸c˜ao autom´atica que oferece a maior capacidade de armazenamento de informa¸c˜ao, os dados podem ser modificados in´umeras vezes. A possibilidade de altera¸c˜ao das informa¸c˜oes em um tag torna a tecnologia RFID uma solu¸c˜ao que oferece maior dinamismo aos processos empresariais [21].
Alcance de leitura
O sistema RFID tamb´em se destaca entre as outras tecnologias devido ao alcance de leitura oferecido. Dependendo da frequˆencia de opera¸c˜ao, do tamanho da antena e do tipo de fornecimento de energia ao tag, o alcance pode chegar a aproximadamente 100 metros [21].
3.7
Desvantagens do sistema RFID
Apesar de ser uma tecnologia inovadora na ´area de identifica¸c˜ao autom´atica, o sistema RFID apresenta algumas limita¸c˜oes. Entretanto, as pesquisas voltadas para so-lucionar as dificuldades enfrentadas por esse tipo de tecnologia vem sendo motivadas, principalmente, devido ao surgimento da plataforma IoT. A seguir ser˜ao apresentadas as principais barreiras para implementa¸c˜ao de um sistema RFID [21].
Interferˆencias do Ambiente
Os sistemas RFID s˜ao baseados em ondas de r´adio frequˆencia, logo a propaga¸c˜ao das ondas eletromagn´eticas depende de certas condi¸c˜oes que variam de acordo com o local . A ocorrˆencia de interferˆencia devido a certos fatores como por exemplo, excesso de calor, tempestades solares, eletricidade est´atica, podem causar varia¸c˜oes e at´e mesmo impossibilitar a leitura de dados entre antenas e tags. Poss´ıveis obst´aculos entre o tag e