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1 - INTRODUÇÃO À CONTABILIDADE GERENCIAL

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1. INTRODUÇÃO À CONTABILIDADE GERENCIAL 1.1 A contabilidade e seus usuários

A contabilidade existe desde os primórdios da humanidade, ou seja, pelo menos há 4.000 anos antes de Cristo. Assim, é possível imaginar o homem primitivo, o qual não conhecia moeda, nem escrita, cuidando de seu rebanho no oriente. Este homem, como todos, é ambicioso e de repente pergunta-se: quantas ovelhas tenho? Qual o crescimento no último período de tempo? Será que meu rebanho cresceu mais que meu vizinho? A fim de mensurar seu rebanho este homem decide separar uma pedra para cada ovelha. Utilizando tal técnica o homem primitivo já estava realizando de forma simplista a contabilidade, ou seja, estava realizando um inventário. Percebe-se que mesmo em sua forma primitiva a contabilidade já cumpria sua principal função, ou seja, registrar, controlar e avaliar a riqueza ou o patrimônio, bem como seus acréscimos ou decréscimos (IUDÍCIBUS e MARION, 2002).

Mesmo havendo surgido nos primórdios da humanidade, a contabilidade passou por um período de estagnação, de modo que somente por volta do século XV ela apresenta um maior desenvolvimento. Alguns eventos que ocorreram na história contribuíram para seu desenvolvimento, visto que, verifica-se uma íntima relação entre o desenvolvimento econômico e o crescimento da importância da contabilidade. Dentre os eventos ocorridos pode-se destacar: aperfeiçoamento da imprensa por Gutemberg, Colombo iniciando as navegações e descobertas, o mercantilismo, o surgimento da burguesia, o protestantismo, etc. No entanto, o que mais marcou esse período foi a obra do Frei Luca Pacioli de 1494, a qual difundiu o método das partidas dobradas, dando início à fase científica da contabilidade (IUDÍCIBUS e MARION, 2002).

Desde então, a contabilidade tem sido vista como uma ciência, pertencente ao grupo das ciências sociais aplicadas, que existe há muito tempo com a finalidade de auxiliar as pessoas a tomarem decisões. Ao longo do tempo o governo começou a utilizar-se dela para arrecadar impostos, tornando-a obrigatória para a maioria das empresas. No entanto, sua finalidade não deve restringir-se ao atendimento às exigências do governo, mas manter sua finalidade principal, ou seja, auxiliar as pessoas a tomarem decisões (MARION, 2004).

É interessante, neste momento, recorrermos a alguns conceitos de contabilidade, o que nos ajudará a visualizar melhor a finalidade dessa tão importante ciência.

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(...) é a ciência que estuda os fenômenos ocorridos no patrimônio das entidades, mediante o registro, a classificação, a demonstração expositiva, a análise e a interpretação desses fatos, com o fim de oferecer informações e orientação – necessárias à tomada de decisões – sobre a composição do patrimônio, suas variações e o resultado econômico decorrente da gestão da riqueza patrimonial.

Na definição de Basso (2005 p. 22) a contabilidade é assim visualizada:

Entendemos que contabilidade, como um conjunto ordenado de conhecimentos, leis, princípios e método de evidenciação próprios, é a ciência que estuda, controla e observa o patrimônio das entidades nos seus aspectos quantitativo (monetário) e qualitativo (físico) e que, como conjunto de normas, preceitos e regras gerais, se constituí na técnica de coletar, catalogar e registrar os fatos que nele ocorrem, bem como de acumular resumir e revelar informações de suas variações e situação, especialmente de natureza econômico-financeira.

De forma bastante simples e objetiva, Marion (2004, p. 26) define contabilidade como “o instrumento que fornece o máximo de informações úteis para a tomada de decisões dentro e fora da empresa”.

A contabilidade também pode ser definida tendo abordagem relacionada à escola de pensamento contábil adotado pelo teórico. Existem basicamente duas escolas, ou seja, a italiana ou europeia e americana. A primeira enfatiza a contabilidade como ciência e destaca seu lado filosófico, enquanto a segunda destaca seu lado prático, associando a contabilidade mais a um sistema de informação econômico-financeira.

Como representante da escola italiana no Brasil, Sá (1998, p. 42) define a contabilidade como “a ciência que estuda os fenômenos patrimoniais, preocupando-se com realidades, evidências e comportamentos dos mesmos, em relação à eficácia das células sociais”.

Representando a escola americana Iudícibus et al. (1990, p. 66) definem a contabilidade como “um sistema de informação e avaliação destinado a prover seus usuários com demonstrações e análises de natureza econômica, financeira, física e de produtividade, com relação à entidade objeto de contabilização”.

Diante dos muitos conceitos apresentados, é possível tentar reuni-los num único conceito de modo que a contabilidade poderia ser assim definida:

É uma ciência que permite através de suas técnicas manter o registro e controle permanente do patrimônio e provê informações úteis para a tomada de decisão.

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Diante dos vários conceitos, verifica-se que ao longo da história a função fundamental da contabilidade ainda se mantém, ou seja, registrar os fatos e produzir informação de auxílio à tomada de decisão.

As informações que são produzidas pela contabilidade são utilizadas pelos chamados usuários da contabilidade. Tais usuários podem ser classificados em internos e externos. Os internos são os administradores e empregados. Os externos são os investidores (sócios ou acionistas), fornecedores, bancos, governo, sindicatos, concorrentes, etc. (Figura 1).

Figura 1 – Usuários da informação contábil Fonte: Marion (2004)

Ressalta-se que cada um desses usuários tem determinado interesse na informação contábil produzida pela empresa. Os governos querem saber se a empresa está recolhendo adequadamente os tributos; os fornecedores e bancos desejam verificar a capacidade de pagamento da empresa ao analisar a possibilidade de lhe conceder crédito; os funcionários necessitam da segurança de que a empresa está indo bem, não correndo risco de falência; e os investidores desejam acompanhar a rentabilidade proporcionada ao capital investido na empresa.

Assim, todos os usuários, embora com necessidades diferentes quanto ao tipo de informação tem na contabilidade a fonte necessária para que orientem as mais diversas decisões. Desse modo, a contabilidade constitui-se num importante sistema de informação, sendo o processo de produção da informação realizado como mostra a figura 2.

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Figura 2 – Processo de produção da informação contábil Fonte: Iudícibus e Marion (2006)

1.2 Contabilidade gerencial e contabilidade financeira

A fim de atender os usuários internos e externos, a contabilidade pode ser classificada em contabilidade financeira e contabilidade gerencial. Será destacada a seguir a diferença entre as duas e o próximo tópico será dedicado a explorar mais profundamente a contabilidade gerencial.

A contabilidade gerencial é realizada com a finalidade de fornecer informações para os administradores, ou seja, aqueles que estão dentro da organização, sendo os responsáveis pela direção e controle das operações. Já a contabilidade financeira está relacionada com o fornecimento de informações para os acionistas, credores e outros usuários externos (PADOVEZE, 2010).

Ao comentar sobre a diferença entre as duas Bruni e Famá (2004) afirmam que a contabilidade financeira ou geral preocupa-se com as leis e normas, sendo obrigatória para as entidades legalmente estabelecidas. Seu maior objetivo está ligado ao passado, tendo seus atos e práticas estabelecidos por meio de normas, as quais, muitas vezes, comprometem a utilização da informação para a tomada de decisões. Assim, enquanto a contabilidade financeira dedica-se à realização dos registros do patrimônio, obedecendo as normas, convenções e princípios contábeis, a contabilidade gerencial preocupa-se com o processo decisorial e de tomada de decisões.

A fim de tornar mais evidente as diferenças existentes entre a contabilidade financeira e a gerencial, o quadro 1 apresenta as mesmas de forma resumida.

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Fator Contabilidade financeira Contabilidade Gerencial Usuários dos relatórios Externos e internos Internos

Objetivo dos relatórios Facilitar a análise financeira para as necessidades dos usuários externos

Objetivo especial de facilitar o planejamento, controle e avaliação de desempenho e tomada de decisão internamente Forma dos relatórios Balanço Patrimonial,

Demonstração dos Resultados, Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos e Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido

Orçamentos, contabilidade por responsabilidade, relatórios de desempenho, relatórios de custo, relatórios especiais não rotineiros para facilitar a tomada de decisão

Frequência dos relatórios Anual, trimestral e

ocasionalmente mensal Quando necessário pelaadministração Custos ou valores utilizados Primariamente históricos

(passados) Históricos e esperados(previstos) Bases de mensuração usadas

para quantificar os dados Moeda corrente Várias bases (moeda corrente,moeda estrangeira – moeda forte, medidas físicas, índices, etc.)

Restrições nas informações fornecidas

Princípios contábeis geralmente aceitos

Nenhuma restrição, exceto as determinadas pela administração Arcabouço teórico e técnico Ciência contábil Utilização pesada de outras

disciplinas, como economia, finanças, estatística, pesquisa operacional e comportamento organizacional.

Características da informação

fornecida Deve ser objetiva (sem viés),verificável, relevante e a tempo Deve ser relevante e a tempo,podendo ser subjetiva, possuindo menos verificabilidade e menos precisão

Perspectiva dos relatórios Orientação histórica Orientada para o futuro para facilitar o planejamento, controle e avaliação de desempenho antes do fato (para impor metas) acoplada com uma orientação histórica para avaliar os resultados reais (para o controle posterior do fato)

Quadro 1 – Comparação entre contabilidade gerencial e contabilidade financeira Fonte: Padoveze (2010)

1.3 Contabilidade gerencial: conceitos e evolução

De forma simplista e objetiva Anthony (1979, p. 17) define assim a contabilidade gerencial: “A Contabilidade Gerencial, que constitui o foco deste livro, preocupa-se com a informação contábil útil à administração”.

Para Associação Nacional dos Contadores dos Estados Unidos através de seu relatório número 1 (apud FRANCIA et al.,1992, p. 4) a contabilidade gerencial é:

(...) o processo de identificação, mensuração, acumulação, análise, preparação, interpretação e comunicação de informações financeiras utilizadas pela administração para planejamento, avaliação e controle dentro

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de uma organização e para assegurar e contabilizar o uso apropriado de recursos.

Já Iudícibus (1987, p. 15) assim a define:

A Contabilidade Gerencial pode ser caracterizada, superficialmente, como um enfoque especial conferido a várias técnicas e procedimentos contábeis já conhecidos e tratados na contabilidade financeira, na contabilidade de custos, na análise financeira de balanços, etc., colocados numa perspectiva diferente num grau de detalhe mais analítico ou numa forma de apresentação e classificação diferenciada, de maneira a auxiliar os gerentes das entidades em seu processo decisório.

Na visão de Crepaldi e Crepaldi (2014) a contabilidade gerencial pode ser assim definida:

Contabilidade Gerencial é o ramo da Contabilidade que tem por objetivo fornecer instrumentos aos administradores de empresas que os auxiliem em suas funções gerenciais. É voltada para a melhor utilização dos recursos econômicos da empresa, através de um adequado controle dos insumos efetuado por um sistema de informação gerencial.

Como se pode observar, todas as definições ressaltam a contabilidade gerencial como sendo um instrumento que auxilia a administração da empresa no processo de tomada de decisão.

É importante ressaltar que a Contabilidade de Custos, cuja função inicial era de fornecer elementos para avaliação dos estoques e apuração do resultado, passou, nas últimas décadas, a prestar duas funções muito importantes para a Contabilidade Gerencial: a utilização dos dados de custos para auxílio ao controle e para a tomada de decisões. É hoje, talvez, a área mais valorizada no Brasil e no mundo. Tornou-se muito importante com a redução da taxa de inflação e a abertura econômica aos produtos estrangeiros (CREPALDI e CREPALDI, 2014).

A contabilidade gerencial, ao longo da história tem passado por um processo de evolução e mudança. Esse processo é destacado pela Federação Internacional de Contabilidade (apud PADOVEZE, 2010) nos seguintes termos:

 O estágio um compreende o período antes de 1950 e enfatiza a determinação de custos e o controle financeiro, por meio da utilização de técnicas de contabilidade de custos e orçamento;

 O estágio dois teve início por volta de 1965, quando deu ênfase ao fornecimento de informações para o planejamento e controle, por meio do uso de técnicas como análise de decisão e contabilidade por responsabilidade;

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 O estágio três ocorreu por volta de 1985, quando a atenção voltou-se para a redução de desperdícios dos recursos usados nos processos de negócios, por meio do uso de técnicas de gerenciamento de custo e análise do processo; e  O estágio quatro teve início por volta de 1995, quando a atenção foi

deslocada para a geração ou criação de valor por meio do efetivo uso dos recursos, do uso de tecnologias, as quais examinam os direcionadores de valor dos clientes, de valor dos acionistas e inovação organizacional.

Segundo o autor, cada estágio da evolução representa a adaptação da contabilidade gerencial a um novo conjunto de condições que as organizações enfrentam, pela absorção, reforma e adição aos focos e tecnologias utilizadas anteriormente.

1.4 Objetivos, finalidade e natureza da contabilidade gerencial

O processo administrativo das organizações é composto pelas chamadas funções administrativas, as quais são quatro: planejamento, organização, direção e controle (SILVA, 2005).

Para Pizzolato (1997) as finalidades gerenciais da informação contábil devem auxiliar na execução principalmente de duas importantes funções gerenciais, ou seja, planejamento e controle. O planejamento é a tomada de decisões que terão consequências futuras. Para que tais decisões sejam tomadas, há a necessidade de dados pregressos, sendo a contabilidade a principal fonte desses dados. O controle é o conjunto de procedimentos e normas que levam a empresa a preservar seu patrimônio evitando desvios. Além disso, por meio do controle a administração verifica se a organização está agindo em conformidade com os planos traçados e alcançando os padrões estabelecidos pelo planejamento.

Assim, o controle auxilia na retroalimentação do processo administrativo, ou seja, gera informações que verificam o cumprimento do que foi anteriormente planejado e tais informações orientam a elaboração de novos planejamentos, conforme demonstra a figura 3.

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Figura 3 – Processo administrativo Fonte: Silva (2005)

Conforme já destacado por Crepaldi e Crepaldi (2014), a contabilidade de custos modernamente tem auxiliado no controle e exercido uma função gerencial contribuindo com a tomada de decisões. Pode contribuir para decidir sobre questões como, por exemplo:

1. Se a capacidade de produção da fábrica é insuficiente para atender a todos os pedidos dos clientes, qual produto ou linha de produtos deve ser cortado?

2. Como fixar o preço de venda de um produto?

3. Deve-se continuar comprando matérias-primas de terceiros ou interessa fabricá-los na empresa?

Assim, fica evidente que a contabilidade gerencial é a parte do sistema contábil que se dedica à produção de informações para os usuários internos da organização, ou seja, dedica-se a coletar, identificar e fornecer informações importantes para dar apoio às necessidades dos gestores no planejamento, controle e processo decisório (HANSEN e MOWEN, 1997).

O principal motivo pelo qual grande parte das pequenas e médias chegam à falência é a tomada de decisões sem estar embasadas em informações. Diante disso, pergunta-se: no cumprimento de seu objetivo, como a contabilidade gerencial poderia ser utilizada para auxiliar as empresas, especialmente as pequenas e médias?

Para Crepaldi e Crepaldi (2014, p. 4), algumas orientações básicas poderiam ajudar:

 Confrontar as compras mensais, através dos livros de entradas, com as vendas pelos livros de saídas; e verificar se não há excesso de estoque – isto poderá criar problemas no seu caixa;

• calcular o preço de venda, pois é fundamental embutir no preço todos os impostos, as despesas e o lucro desejado;

• montar o fluxo de caixa onde serão registrados o saldo atual de caixa (bancos), a previsão das entradas pelas duplicatas ou vendas a receber, e/ou previsão de vendas futuras; as saídas, que são os pagamentos já compromissados, e a previsão de gastos, tais como: matérias-primas ou

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mercadorias, folha de pagamento, encargos, impostos, empréstimos e outras despesas etc.;

• certificar-se mensalmente de que os livros fiscais foram escriturados e os impostos calculados e recolhidos dentro dos prazos especificados pelos órgãos governamentais federal, estadual e municipal, se for o caso;

• calcular mensalmente o volume de compras e o estoque atualizado em quantidades e valor; este será o seu termômetro para novas compras ou atender aos pedidos extras. Informar-se, da mesma forma, do volume de vendas e do estoque em quantidades e valor, que lhe servirão de parâmetro para planejar sua produção, vendas ou serviços;

• analisar mensalmente o balancete contábil, ou uma previsão realística (vendas, menos impostos, menos custo das mercadorias vendidas, menos despesas), para saber o lucro do mês; isto vai lhe dar um parâmetro para verificar se o seu preço de venda foi calculado corretamente ou se suas despesas não estão além do planejado. Começar pelas vendas, observando se foram suficientes para cobrir os gastos do mês ou se há necessidade de incrementá-las; verificar também se não está vendendo somente produtos de baixa lucratividade; talvez necessite forçar a venda de produtos mais rentáveis;

 depois, analisar o custo dos produtos vendidos, se as matérias-primas, as mercadorias ou os serviços não subiram, se a folha de pagamento da fábrica continua estável, ou se os gastos gerais de fabricação não se alteraram;

• na seqüência, deve analisar as despesas administrativas e comerciais, iniciando pela folha de pagamento, onde normalmente há a maior incidência de despesas, tanto para a indústria como para o comércio; as outras despesas administrativas menores também devem ser controladas.

E quanto ao perfil do profissional contador que irá atuar na contabilidade gerencial para que a mesma cumpra com seus objetivos?

O perfil do profissional moderno é o de um homem de valor que precisa acumular muitos conhecimentos, mas que tem um mercado de trabalho garantido; todavia, é preciso que o mesmo tenha consciência de que para uma maior remuneração exige qualidade na realização do trabalho.

O contador gerencial tem como forte característica saber tratar e apresentar de maneira clara, resumida e operacional dados esparsos contidos nos registros de contabilidade financeira e de custos, dentre outros, além de unir seus próprios conhecimentos com os demais que não estão ligados à área contábil, para suprir a administração em seu processo decisório.

O Contador Gerencial, pela própria natureza das funções que lhe são solicitadas a desempenhar, necessitará de formação bem diferente daquela exigida para o profissional que atua na contabilidade financeira, precisando assim de conhecimentos matemáticos e estatísticos, pesquisa operacional e técnicas de planejamento (CREPALDI e CREPALDI, 2014).

Em virtude disso, Padoveze (2010) traz alguns questionamentos quanto à contabilidade gerencial: seria ela uma técnica ou uma ação? Não deveria ser

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considerada uma disciplina integradora? Seria a contabilidade gerencial um instrumento de administração ou uma ação administrativa?

O autor responde apresentando seu ponto de vista de que quanto à primeira e a segunda questão. Em virtude da contabilidade se utilizar do conteúdo de outras disciplinas como contabilidade de custos, administração financeira para suas práticas, muitos aceitam o fato de que ela não poderia ser considerada uma disciplina autônoma, devendo ser tratada apenas como uma disciplina integradora. Assim, antes de lidar com a contabilidade gerencial, no processo de formação o aluno aprende isoladamente contabilidade de custos, técnicas de orçamento, técnicas de análise de balanços, e assim sucessivamente, cabendo à contabilidade gerencial integrar em sua prática todos esses conhecimentos.

E por último, o autor afirma que entende que a contabilidade gerencial é uma ação administrativa, visto que utiliza-se dos dados contábeis como instrumentos da administração. Desse modo, o gerenciamento é uma ação, pois havendo a informação, se a mesma não for utilizada no processo gerencial então não existe contabilidade gerencial. Assim, a contabilidade gerencial é ação e não apenas técnicas específicas de contabilidade. Não existe contabilidade gerencial, pelo contrário, ou se faz ou não se faz contabilidade gerencial.

1.5 A controladoria e a contabilidade gerencial

A Controladoria surgiu nas grandes corporações norte-americanas, no início do século XX. A controladoria surgiu para ampliar e disseminar o entendimento do processo de gestão, identificando a razão de ser de uma organização e quais fatores estão contribuindo ou não, para a eficiência e eficácia de suas operações, assegurando a continuidade do negócio pela geração contínua de resultados econômicos favoráveis (TUNG, 1997).

A controladoria pode ser conceituada como um conjunto de princípios, procedimentos e métodos das Ciências da Administração, Economia, Psicologia, Estatística, e principalmente da Contabilidade, que se dedicam à gestão econômica das empresas, a fim de orientá-las para eficácia (MOSSIMANN et al., 1993).

Ao verificar a opinião dos pesquisadores brasileiros a respeito do tema controladoria, Carvalho Junior e Rocha (2008) verificaram que a controladoria pode ser

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vinculada a três definições básicas: como órgão administrativo, como função gerencial ou como área do conhecimento.

A Controladoria como órgão administrativo, tem a finalidade de garantir informações adequadas ao processo decisório, colaborando com gestores em esforços de obtenção de eficácia empresarial e também dos aspectos econômicos através da coordenação de esforços dos gestores das áreas (FIGUEREDO e CAGGIANO, 1997; MOSIMANN e FISH, 1999).

Para Almeida et al. (2001) a Controladoria pode atuar como órgão de gestão empresarial ou administrativo, com o objetivo de garantir a qualidade das informações e auxiliar os administradores em suas áreas, orientando-os a atingir os objetivos da empresa e modelando e implantando sistemas de informações.

De acordo com Kanitz (1976) a função primordial da controladoria é a direção e a implantação dos sistemas organizacionais de: (a) informação; (b) motivação; (c) coordenação; (d) avaliação; (e) planejamento; e (f) acompanhamento.

De acordo com Crepaldi e Crepaldi (2014), a atuação da controladoria como o órgão administrativo pode ser semelhante a um tipo de “contador geral” situado como um órgão de linha subordinado diretamente ao diretor financeiro. Nesse caso, ele seria responsável pelas informações geradas pelos diversos setores a ele subordinados.

Nesse tipo de estrutura, a controladoria seria responsável pelas seguintes áreas, segundo Crepaldi e Crepaldi (2014):

• Contabilidade geral: escrituração, análise de contas e elaboração dos relatórios contábeis;

• Contabilidade de custos: apuração dos custos e preparação dos relatórios gerenciais;

• Contabilidade fiscal: cumprimento de obrigações tributárias e acessórias; • Controle patrimonial: registro e controle de patrimônio;

• Planejamento: elaboração de orçamentos, acompanhamentos da execução orçamentária, análise de custos, análise de balanços, interpretação das tendências e perspectivas econômicas, sugestão de preços, estudos de mercado, balanços projetados, tabelas estatísticas;

• Finanças: planejamento financeiro, administração do fluxo de caixa, tesouraria, contas a pagar, contas a receber, cobrança, cadastro, contratos, administração dos recursos financeiros;

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• CPD: desenvolvimento e implantação de sistemas integrados, específicos, personalizados, multiusuários, implantação de redes de micro-computadores, treinamento e integração dos conjuntos de atividades aos funcionários, administração dos dados e a preservação e integridade dos recursos tecnológicos.

• Auditoria Interna: desenvolvimento e implantação do plano de auditoria interna.

• O&M: desenvolvimento, implantação e aperfeiçoamento dos controles internos, planos de formulários, sistemas de comunicação formal, manualização de normas e procedimentos internos.

Outra forma de forma de alocação da controladoria, como órgão administrativo, a qual segundo Crepaldi e Crepaldi (2014) é a mais adequada, seria posicionada como órgão de staff, ligada diretamente à alta administração e funcionando como filtro das informações geradas pelos diversos setores da empresa. Nesse caso, a função do setor de controladoria não seria elaboração das informações, mas garantir que elas cheguem às pessoas certas no tempo certo, sendo responsabilidade da controladoria a compilação, síntese e análise dos dados.

Nesse caso, a controladoria ficaria posicionada na estrutura da empresa como mostra a figura 4.

Figura 4 – Controladoria como órgão de staff Fonte: Crepaldi e Crepaldi (2014)

A respeito da controladoria como função gerencial, ela é visualizada na pessoa do profissional responsável pela sua atuação, ou seja, o chamado controller.

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Para Crepaldi e Crepaldi (2014) o controller é o homem de informações. Deve ser capaz de dar informações e elaborar relatórios no momento em que for solicitado. Deve ser conselheiro e formador de discípulos.

O controller é o executivo de normas, controles, metas, objetivos, orçamentos, contabilidade, finanças e informática. Tem como principal função obter, gerar e interpretar as informações que possam ser usadas na formulação da política empresarial e principalmente na execução dessa política. Na realidade, o controller envolve-se em planejamento, tomada de decisão, desenho de sistemas de informações e de sistemas de incentivos e em várias outras tarefas, além de ajudar gerentes em decisões operacionais.

Deve ser capaz de prever problemas nos diferentes departamentos da empresa e se antecipar a eles e também de propiciar os elementos para as devidas soluções. Fornecer à alta direção as informações na linguagem dos executivos de primeira linha. Tais informações podem variar desde complicadas tabelas estatísticas de vendas e mercados a balanços futuros projetados.

Segundo Figueredo e Caggiano (1997), os primeiros controllers foram recrutados entre os indivíduos das áreas de contabilidade e finanças das empresas, por possuírem uma ampla visão da empresa, o que os capacitava a reconhecer dificuldades e propor soluções gerais. Nessa visão, o controller é o chefe da contabilidade, é aquele que supervisiona e mantém os arquivos financeiros formais da empresa. Nestes arquivos, além dos dados, encontram-se os critérios de mensuração e de valoração e as regras de decisão, entre outras informações que controlam todas as vertentes de decisão da empresa, sejam elas operacionais, econômicas ou financeiras.

Alguns dos requisitos necessários para a atuação como controller são:: (a) Um bom conhecimento do ramo de atividade ao qual a empresa faz parte, assim como dos problemas e das vantagens que afetam o setor; (b) Um conhecimento da historia da empresa e uma identificação com seus objetivos, suas metas e suas políticas, assim como com seus problemas básicos e suas possibilidades estratégicas; (c) Habilidade para analisar dados contábeis e estatísticos que são a base direcionadora de sua ação e conhecimento de informática suficiente para propor modelos de aglutinação e simulação das diversas combinações de dados; (d)Habilidade de bem expressar-se oralmente e por escrito e profundo conhecimento dos princípios contábeis e das implicações fiscais que afetam o resultado empresarial (MOSSIMANN, et al.,1993)

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Para Crepaldi e Crepaldi (2014), o controller conhece mais a empresa do que qualquer gerente ou diretor, podendo auxiliar nas mais diversas áreas como por exemplo:

• Na área de compras ele tem a visão dos estoques e do que poderá ocorrer se continuar a comprar abaixo ou acima do limite;

• Na produção ele conhece a capacidade de produção e a ociosidade, podendo sugerir mudanças para não desperdiçar dinheiro e tempo;

• Na área comercial ele sabe quais os produtos que estão sendo vendidos com preço abaixo ou acima do mínimo desejável, como também quais as quantidades necessárias para atingir os objetivos da empresa;

• Na área de recursos humanos sabe se os salários e os benefícios estão adequados aos objetivos traçados;

• Na área tributária indireta ele conhece todos os impostos incidentes, tais como o ICMS, IPI, ISS e outros;

• No planejamento estratégico, com todos esses números e dados da empresa, os transforma em informações para tomada de decisões e sugere alternativas para alavancar, ou até mesmo para diversificar seus produtos ou negócios.

Finalmente, a Controladoria como ramo do conhecimento, está voltada para modelar a correta mensuração da riqueza, traduzida no patrimônio dos agentes econômicos e a estruturação do modelo de gestão – principalmente os relacionados com os aspectos econômicos da empresa, incluindo os modelos de decisão e informação – e do sistema de informações. A interação multidisciplinar é verificada pela agregação de conceitos das áreas de economia, administração, psicologia e sistemas de informações, dentre outras (MOSIMANN e FISCH, 1999).

Assim, percebe-se que há uma relação íntima entre a contabilidade gerencial e a controladoria, ou seja, a contabilidade gerencial como uma disciplina integradora utiliza-se da controladoria para cumprir com seus objetivos. A controladoria como órgão administrativo exerce atividades que coadunam com as especificações da contabilidade gerencial, ou seja, produzir informação de apoio à decisão. Assim, a controladoria na pessoa do controller exerce atividades relacionadas aos objetivos da contabilidade gerencial, podendo ainda exceder a essas atividades.

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REFERÊNCIAS

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