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LINGUAGENS EXPRESSIVAS

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Academic year: 2021

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LINGUAGENS

EXPRESSIVAS

Eveline CARRANO

Gerassina COSTA

Ivan COROMANDEL

Juliana OHY

Maria Estela LOPES

Naila BRASIL

Renata CURY

Virginia Maria de SOUZA

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Aula 1

Corpo e expressão

32

Aula 2

Linguagens literárias

61

Aula 3

Música

95

Aula 4

Dança

124

Aula 5

Teatro

164

Aula 6

Fotografia

(4)
(5)

Linguagens Expressivas

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Olá, caros alunos: neste caderno apresentaremos as diversas

linguagens expressivas, distribuídas em seis aulas. Na primeira aula, trataremos do tema corpo e as mais diversas expressões, onde abordaremos a importância da consciência corporal. Na segunda aula, o nosso encontro está marcado no prazer da literatura e suas diversas expressões, conhecendo um pouco mais sobre as linguagens literárias. Na terceira aula, é hora de ouvir música e seus encantos, compreendendo sua importância para a formação do ser. Na quarta, é hora de dançar e trazer o movimento para o nosso dia a dia.

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Este caderno de estudos tem como objetivos:

 Conhecer a aplicar as diferentes linguagens expressivas;

 Entrar em contato com dinâmicas e conteúdos das linguagens expressivas;

 Aprender a utilizar as diversas formas expressivas em sintonia com o corpo e o movimento.

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Corpo e expressão

Renata Fiani Cury

Juliana Bastos Ohy

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Olá, seja bem-vindo! Você agora vai entrar em contato com o mundo corporal. O corpo aqui vai ser abordado dentro de uma visão de integração entre corpo, mente, espírito e o meio. Para isso, vamos despertar a consciência corporal e a sua importância na forma de expressão. Vamos manter um diálogo com o nosso corpo. Para que isso ocorra, aqui vai um convite: Estamos entrando em um processo de percepção, onde será necessária uma transformação do olhar para depois poder haver a integração dessa linguagem no seu dia a dia. O processo requer envolvimento, abertura e ter um objetivo. O objetivo é trabalhar a consciência corporal.

Segundo Elisabeth Bauch Zimmermann, “Quando pensamos em educação, surgem diante de nós os diversos níveis da existência humana: o do corpo, o das emoções e da energia, o da mente e dos valores. Tomo como exemplo um exercício meditativo: fazendo um gesto que contenha toda nossa pessoa naquele momento, tal como abrirmos uma das mãos lentamente, de olhos fechados: reconhecemos a presença de nossa realidade física - a mão com seus músculos e nervos, a realidade vital - a energia da moção - e a mental - a intenção de abri-la. Estamos presentes e vivos nesse único gesto, simples e aparentemente delimitado. Esse gesto simbólico talvez represente o germinar de uma semente, o desabrochar das pétalas de uma flor ou o despertar da natureza com seus primeiros sons na manhã e a expectativa da chegada de um novo dia. No plano humano e com referência à educação, pode representar o começo da formação do indivíduo. Esse movimento de abertura lenta da mão expressa a minha reflexão neste momento sobre a existência da educação e que significado ela tem em nossa vida.”

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Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja

capaz de:

 Estar em contato consciente com o seu corpo;  Entender a importância do trabalho corporal;

 Ser capaz de ministrar algumas vivências corporais, inclusive utilizando a arte como meio expressivo do trabalho de corpo.

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História do corpo

Abordaremos a história do corpo dentro da relação que o homem estabelecia com o seu corpo e como se dava o processo de cura desde o homem primitivo. Essa relação é importante, pois vamos perceber que cada vez mais, com o desenvolvimento do mundo capitalista e a era mecanicista, o homem foi se distanciando do seu corpo e se relacionando apenas com o seu mundo intelectual. Essa relação foi ficando fragmentada e o homem passou a ser um reflexo dessa fragmentação. O corpo expressa de diversas formas essa cisão sendo através da doença, da dor física ou na não expressão ou expressão parcial de estados emocionais.

Modelo Primitivo

O xamã (...) ouvia a história do paciente não em busca do sintoma, mas para descobrir qual tinha sido o erro do doente. A doença era sempre a consequência da violação de um tabu ou de uma ofensa aos deuses. A cura estava no restabelecimento da ligação do homem com o divino por intermédio de arrependimento e sacrifício.

Nesse sentido, doença e transformação são conceitos interligados. (...) A doença pode ter muitas causas (diferentes transgressões), mas tem sempre uma finalidade: a transformação(...).

(Ramos, Denise, p. 22) Neste modelo, o homem e a natureza eram um só. A totalidade era a existência. Não existia uma forma de ser separada da natureza. As relações se davam a um nível em que o homem era subjugado pelo poder das forças da natureza, as quais sua mente não era capaz de entender.

História do corpo 07

O corpo e a criança 11

O corpo na adolescência 15

O corpo e a meia idade 15

O corpo e sua simbologia 17

Dica de atividade 21

Gestos e posturas 22

O corpo contemporâneo 24

Atividade 25

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Modelo Grego

(...) Assim como não é possível tentar a cura dos olhos sem a da cabeça, nem a da cabeça sem a do corpo, do mesmo modo não é possível tratar do corpo sem cuidar da alma. (...).

(Platão, 380 a.C., cit. Ramos, p. 25) No séc V a.c., surge Hipócrates, pai da medicina moderna. A busca do conhecimento da natureza no sentido de entender o funcionamento do corpo fez com que a palavra tivesse uma importância menor. Mas, de qualquer forma, a finalidade maior era a busca do conhecimento da natureza, e não o desejo de dominá-la.

Modelo Cartesiano

(...) O corpo podia ser comparado com uma máquina que funcionaria igualmente bem ou mal, com ou sem psique.

(Ramos, Denise, p. 27) Modelo cartesiano, séc. XVIII. Ocorre a desintegração entre o corpo e a natureza. No modelo cartesiano, ocorre a cisão do homem e sua relação com

o seu corpo. Prevalece o racionalismo e o

determinismo. A visão do todo se perde.

Modelo Romântico

(...) na medicina do futuro, a interdependência da mente e do

corpo será mais plenamente

reconhecida e a forma como uma poderá influenciar a outra nem sequer é possível imaginar agora.

(Lipowiski, 1984, cit. Ramos, Denise, p. 31) Meados do séc. XIX. Ocorre uma volta à busca

do homem como um ser total e ligado à natureza. Ênfase na maneira de ver, sentir, reagir, própria de

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cada pessoa. A doença era vista como um fator ligado a diversos fatores que não só biológicos, mas a fatores morais, psíquicos, espirituais e biológicos também.

Modelo Biomédico

Final do séc. XIX. Ocorrem o reducionismo, o determinismo e o universalismo. O homem não é visto na sua individualidade, mas de uma forma geral. O olhar clínico é deslocado dos aspectos individuais para os aspectos universais da patologia. Séc. XX - visão fragmentada do homem.

Psicossomática

Esse termo parece ter sido usado pela primeira vez em 1808. Dunbar (1935) trouxe a base principal para a formação desta área. A psicossomática veio trazer a união entre corpo e mente. Conteúdos emocionais e biológicos não podem ser separados. Existe uma relação entre eles que determina o estado de saúde do indivíduo. Alguns teóricos criticam este termo psicossomática, pois deixa de fora a relação do homem com o meio externo, social.

Modelo Holístico

Década de 80. Holos=todo. Traz a idéia do todo. O homem existe em muitos níveis de igual importância: corpo, mente, espírito, meio. Cada pessoa deve ser vista como única e tratada como tal. Saúde Integral: Físico, psíquico-emocional, social e energético.

SOBRE A SOMATIZAÇÃO

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no corpo quando este não se expressa. O corpo que falo aqui não é somente o corpo físico mas também o corpo emocional. Quando não há espaço para simbolizar verbalmente a dor emocional, ela vai ser vivida a nível corporal. O sintoma traz a ideia de que algo está lhe faltando e traz consigo a possibilidade de cura, desde que se entenda para que aquele sintoma apareceu. Segundo Groddeck, pai da medicina

psicossomática, “curar significa interpretar

corretamente o que esta totalidade está tentando expressar através dos sintomas.”

Observando pessoas que tendem a reagir aos conflitos internos e externos através de manifestações somáticas, Joyce MacDougall relata que muitas delas se revelam superadaptadas à realidade e mesmo às dificuldades de

sua existência. Em seu

comportamento, as pessoas são

frequentemente impelidas à ação em vez de lidar com os conflitos pela

elaboração psíquica, solicitando

permanentemente dos objetos do

mundo exterior a realização de

funções que deveriam ser asseguradas

por objetos internos simbólicos

ausentes ou comprometidos.

(Mente e Cérebro, Linguagens do Corpo, Edição Especial nº 14, pág. 11) O sintoma pode ser vivido através de uma rigidez corporal. Geralmente, as pessoas transitam muito pouco, flexibilizam pouco os seus movimentos e sem perceber caem em uma rotina corporal. Não experimentam transitar pelas diferentes plásticas ou personagens e ficam prisioneiras delas mesmas. Isso causa uma rigidez muscular e emocional, que pode ser flexibilizada através da consciência corporal e da expressividade. Essa rigidez restringe a capacidade que a pessoa tem de se comunicar, relacionar, de estar no mundo de uma forma mais prazerosa.

É importante trabalhar o corpo expressivo desde cedo, mas, se isso não foi possível, sempre é tempo de começar.

(11)

Vamos estudar o corpo e a criança.

O corpo e a criança

O bebê quando nasce é todo corporal. Não há uma distinção entre eu-outro. Ele vivencia tudo corporalmente. A criança vivencia a eternidade, estando em um universo que a envolve, a contém, a circunda e a nutre. O bebê explora o seu próprio corpo. Esse período é chamado por Piaget de período sensório-motor.

Esse período vai de 0 até 2 anos de idade e a criança começa a diferenciar os objetos externos e o próprio corpo.

Nesta fase, os trabalhos corporais devem ser bastante incentivados. O trabalho deve focalizar o universo sensorial. Ela vai tentar elaborar, repetindo e vivenciando as mesmas atividades.

 Passar dentro de um túnel (o pano do túnel deve ter uma certa transparência para a criança enxergar o lado de fora), onde o facilitador da atividade deve estar à espera da criança. É importante ela ver o facilitador do outro lado, pois isso passa segurança.

 Dar contorno corporal. A criança nesta fase gosta de se esconder e aparecer. Pode se esconder atrás de almofadas, debaixo de panos... qualquer material que toque o seu corpo de forma suave e segura.

 Fazer trabalhos em cima de panos que permitem o balanceio da criança.

Como a criança está conhecendo os objetos externos e o seu corpo, também, é interessante trabalhar com 2 bacias de água: uma com água morna

Dica da professora Procure conhecer as fases de desenvolvimento de Piaget! É muito importante para o trabalho de arte e corpo!

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e outra com água fria e a criança colocar as mãos na água sentindo essas duas temperaturas.

Aos poucos, a criança vai criando a percepção de um envelope corporal. Com o passar do tempo, seguindo o desenvolvimento da criança, podem se introduzir objetos diversos como bolas grandes e caixas grandes.

Na fase inicial do desenvolvimento, a criança arremessa objetos ao chão para em seguida a pessoa que cuida recuperar este objeto e retornar para a criança. Ela faz isso experimentando a possibilidade de perder e recuperar o que ama. Depois, engatinhando e andando, ela mesma se aproxima e se afasta dos objetos que deseja.

Seguindo o desenvolvimento, a criança vai precisar experimentar sua força e sua capacidade de ação no mundo. É importante a criança vivenciar isso de forma segura. Pode correr, pular, soltar a voz e, também, fazer uso de objetos que possam soltar a raiva.

Depois, a criança começa a gostar das

brincadeiras de roda e jogos cantados. Eles

desenvolvem a coordenação motora, linguagem e a consciência corporal.

A criança vai crescendo e sempre será importante manter atividades que trabalhem esse lado corporal. Atividades de música, teatro, arte, dança, exercícios físicos.

Podemos observar como nas fases de

desenvolvimento o corpo sempre foi estimulado, pois a criança, inicialmente, se comunica com o adulto através

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do corpo. O desenvolvimento psíquico ocorre junto com o desenvolvimento corporal.

Sempre estivemos intimamente ligados ao nosso corpo e em um determinado momento ocorreu a fragmentação dessa união. É necessário recuperar este contato e esse olhar.

Uma atividade que gosto de fazer com crianças é o contorno do corpo. Eu faço com crianças de três anos e meio para cima, mas vai da percepção de cada um.

Atividade:

Você pode usar papel pardo ou papel 40kg. Prenda o papel na parede na posição vertical. Peça para a criança ficar encostada no papel e enquanto isso você vai contornando o corpo dela com caneta ou lápis. Depois que terminar, peça para a criança pintar o seu corpo contornado no papel. Use tinta guache ou pintura a dedo.

Essa atividade permite que a criança entre em contato com o seu corpo de uma forma plástica, concreta. Traz a noção corporal e o uso das cores.

Atividade para crianças a partir de 7 anos:

TÍTULO: Brincando com a argila.

TEMA: Expressar os sentimentos através da

argila.

OBJETIVO: Se expressar através da argila

TÉCNICA: Modelagem.

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PROPOSTA:

 Atividade corporal;  Brincar de estátua;

 Mexer na argila seguindo os comandos dados pelo arteterapeuta;

 Compartilhar.

RELAXAMENTO: Movimentar pela sala ao som

da música e se imaginar nas seguintes situações:

 Caminhar com os pés bem firmes no chão;  Caminhar na ponta do pé;

 Atravessar a grama alta;  Andar no barro;

 Asfalto (chão quente);  Rodopiar;

 Se arrastar como cobra.

Brincar de estátua. Ao desligar a música, todos devem se congelar no movimento.

DESENVOLVIMENTO: Após os trabalhos de

corpo, sentar em roda e pegar um pouco de argila. Ficar um momento com as mãos sobre a argila e respirar profundamente. Sentir como o monte de argila é. Fique amigo dele. Ele é liso? Mole? Ondulado? Frio? Quente? Seco? Molhado? Agora pegue-o e segure-o. É leve? Pesado? Belisque. Use as duas mãos. Belisque devagar, mais depressa. Dê beliscões grandes e beliscadas pequenas. Aperte a sua argila e alise-a usando cada parte da sua mão. Junte tudo formando uma bola. Depois, com outro pedaço, faça uma bolinha. Junte tudo de novo. Agora, você já o conhece bem.

Do que você mais gostou? Do que menos gostou?

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O corpo na adolescência

O adolescente passa por inúmeras

transformações tanto corporal quanto psíquicas. Essas transformações trazem desequilíbrios e instabilidades extremas. Este período é marcado por mudanças hormonais, corporais e emocionais e, também, por uma forte insegurança e ansiedade no movimento de conquista de um espaço no mundo dos adultos. O trabalho corporal traz a possibilidade da expressão dos conflitos de identidade, elaboração da despedida do corpo infantil, do papel infantil e da profunda mudança na relação com os pais. Todo adolescente vai passar por estas transformações.

Uma boa dica para o trabalho corporal com adolescente é trabalhar esta nova imagem do corpo que está se manifestando. Como já citei antes, trabalhar o contorno do corpo, buscar a autoimagem, trabalhar com espelho. A expressão como forma de entrar em contato com sentimentos confusos, dúvidas e conflitos de identidade. A dramatização traz um suporte muito positivo para este tipo de trabalho. Vocês entrarão em contato com o teatro nas próximas aulas.

O corpo e a meia-idade

Ele envolve finalmente

enfrentarmos nossas

dependências, complexos e

temores sem a mediação de terceiros. Requer que deixemos de culpar os outros pelo nosso

destino e assumamos total

responsabilidade pelo nosso

bem-estar físico, emocional e espiritual.

(Hollis, James. A Passagem do Meio. São Paulo, Editora Paulus, 1995)

Torna-se fundamental na meia-idade que algumas questões estejam melhores resolvidas como:

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 Aprimorar os relacionamentos;

 Melhor adaptação ao mundo exterior;  Equilíbrio da psique.

Quanto mais eu souber a respeito de mim mesmo, maior parte do meu potencial poderei personificar, mais diversificados serão os tons e os matizes da minha personalidade e mais rica será a minha experiência de vida.

(Hollis, James. A Passagem do Meio. São Paulo, Editora Paulus, 1995) Desse modo, o corpo também sofre muitas alterações (a hormonal e a corporal). O metabolismo fica mais lento. O cuidado e a atenção com o corpo devem ser maiores. A relação com o corpo se modifica. Trabalhar a respiração, a meditação, o relaxamento, os exercícios de alongamento e, através destes exercícios, trazer a consciência corporal. Abaixo, segue um bom relaxamento para ser trabalhado com pessoas na meia-idade. As atividades devem ser feitas em um ambiente confortável, com almofadas ou cadeiras. Se possível, as atividades de relaxamento pedem um ambiente silencioso e com uma música tranquila de fundo.

Relaxamento: Sentar em uma posição

confortável, fechar os olhos. Inspirar pelo nariz e soltar o ar pela boca. Sentir o ar chegar até os seus dedos dos pés... (fazer uma pausa) sentir o ar chegar até suas mãos... (fazer uma pausa) sentir o ar na sua cabeça, massageando seus cabelos... Inspire fundo novamente e solte o ar pela boca e se estiver sentindo alguma tensão em qualquer parte do corpo, respire nela e vá deixando com que ela se desfaça. Agora, inspire felicidade e expire tristeza. Inspire confiança e expire o medo, inspire amor e expire a raiva. Aos poucos, abrir os olhos e se espreguiçar.

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O corpo é a nossa memória mais arcaica. Nosso corpo não se esquece de nada. Tudo que vivemos fica guardado em nosso corpo. E o corpo, também, nos comunica algo. Existem centros específicos no corpo que devem ser trabalhados para se buscar um equilíbrio e harmonia. Devemos conhecer o nosso corpo físico para desenvolvermos através das atividades propostas um trabalho que ajude a modificar os aspectos rígidos de nossa personalidade e assim poder trazer à tona a criatividade.

Nosso corpo é o meio de expressão mais direto de nossas emoções. Quando estas são conflituosas e nos fazem sofrer, reprimimos como algo nocivo no lugar de direcionar e harmonizar no todo. Isso produz um estancamento da energia em algum lugar do nosso corpo. Chamamos de couraças a essas cargas energéticas que se localizam em nossos músculos e articulações, impedindo de nos expressarmos como realmente necessitamos e causando limitações físicas, mal-estar e enfermidades.

Seguem, abaixo, algumas características

principais do nosso corpo.

Planta dos pés, calcanhares, canelas, pernas

O trabalho de corpo visando o desenvolvimento

e o alongamento destas partes proporciona

principalmente a expressão da autoafirmação e da confiança em si mesmo. Os movimentos rítmicos dos pés batendo firmes no chão trazem a confiança e a capacidade para enfrentar a vida. Traz o indivíduo para a realidade, ajuda na concentração, na capacidade de realizar, traz energia física, "pique", capacidade de criar, sexualidade, capacidade de ação.

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tribal o movimento rítmico com os pés, como em uma grande dança em uma aldeia indígena. Movimentar as pernas e sentir bem os seus pés no chão. Será muito bom utilizar a argila em atividade artística. A argila trabalha essa relação com a terra e fortalece estes aspectos.

Abdômen, virilha, lombar, parte interna das pernas, pés.

O trabalho de corpo visando o desenvolvimento e o alongamento destas partes proporciona alegria e prazer. Traz a necessidade de se opor às resistências e vencê-las, de lutar e de vencer, de conquistar espaço. O importante é o movimento das pernas e da cintura. O não desenvolvimento e o atrofiamento destas áreas acarreta a perda da capacidade de sentir prazer nas coisas da vida. É sempre bom lembrar que a enfermidade surge primeiramente no plano energético e depois no corpo físico. Então, estar consciente e trabalhar corporalmente, alongando e movimentando, reduz a depressão, fortalece a autoconfiança, re-equilibra a área renal, a intestinal, a capacidade de fazer amigos, estabelecer relações emocionais, o modo de encarar o cotidiano, a liberação da criatividade através da emoção, herança familiar na expressão emocional, na sexualidade.

Atividade proposta: Colocar uma música bem alegre e dançar livremente movimentando bastante a parte da cintura. Depois expressar com tinta estes movimentos. A tinta usada pode ser guache.

Estômago, fígado, vesícula e intestino.

Esta área situada acima do abdômen traz a capacidade de lidar com a raiva, o medo, a tristeza e

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também com o prazer de comer e beber, de descansar e de sentir-se protegido na companhia de outros. Aprender a se expressar, dizer sim ou não de uma maneira correta. A função abdominal tem uma função de união e de separação assim como a digestão. A emoção é entendida aqui como reação emotiva frente a um estímulo interno e ou externo.

Emoções estão a serviço:

 Da vida biológica;

 Da vida psicológica: ego se sente ameaçado – raiva, medo, tristeza. Ego carícia afetiva – alegria como se o corpo tivesse recebido uma gratificação alimentícia ou sensorial de outro tipo.

O trabalho corporal permite amenizar distúrbios

digestivos. Consciência do ser e do querer,

autocontrole, maior realização de desejos, maior progresso material.

Atividade proposta: Fazer o contorno do seu corpo em uma folha de papel pardo. Ou você mesma pode fazer (colar o papel na parede e em pé encostada na folha ir contornando o seu corpo) ou pode pedir para contornarem o seu corpo. Depois ache figuras de revistas para colar em todo o corpo. Observe as figuras coladas. Veja o que gostou ou não. Esta atividade permite um olhar mais profundo sobre como você está lidando com o seu corpo.

Região do tórax e parte interna dos braços compreendendo as palmas das mãos

Aqui o bem-estar do outro é tão importante quanto o nosso. O bom desenvolvimento e a consciência desta região do tórax faz com que a pessoa

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veja melhor parte dos outros e se reconheça nelas, em vez de buscar as diferenças. O tórax é o centro da pulsação. É o ponto central da nossa vida. Todo fluxo do organismo depende da pulsação do coração. Trabalhar esta área gera calor suavemente, alivia a tensão, equilibra as emoções, liberação de trauma emocionalmente reprimido, consciência alma/coração, expressão do amor em ações, amar a si próprio e aos

outros, autoestima, autovalorização, afetividade,

mágoas, carências, coração. Ajuda a curar as feridas do coração e transformar o amor em amor incondicional

Atividade proposta: Em uma atividade de grupo, pedir aos participantes que formem duplas. Uma pessoa deve massagear a outra e depois quem recebeu a massagem agora vai fazer. Uma massagem simples. Massageando os ombros, cervical, cabeça e braços. Esta atividade permite doar e receber. A música pode ser suave como música clássica.

Olhos, ouvidos, nariz, língua, lábios, laringe

Ponte entre cabeça e coração, mente e corpo. Inclui os órgãos dos 5 sentidos. Função principal

expressiva e de comunicação das emoções,

sentimentos, ideias e pensamentos. Criatividade superior, do mundo não material. Qualquer coisa que sentimos, pensamos, queremos e opinamos necessita de uma forma para passar do nosso mundo interno para o mundo exterior e se manifestar.

Atividade proposta: Falar, cantar e criar algo com as mãos. Além disso, todas as funções expressivas estão ligadas a este centro. Na aula de teatro, vocês entrarão em contato com algumas atividades de expressão que serão muito ricas para trabalhar os órgãos dos sentidos.

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Assim, podemos verificar que o corpo físico é, também, corpo emocional.

Dica de atividade

Esta atividade deve ser feita em grupo de adultos. Esta atividade traz a consciência para o corpo.

TÍTULO: O que faria com mais quantidade de

energia se a tivesse?

TEMA: O que me faz perder tanta energia?

OBJETIVO: Conscientização.

TÉCNICA: Dramatização.

RELAXAMENTO: Trabalhar o corpo. Alongar

primeiro o pé direito e movimentar a cintura com movimentos circulatórios. Depois, o mesmo com o pé esquerdo. Apoiar sua mão no ombro da pessoa ao lado e colocar o pé sobre o joelho e inclinar a coluna soltando a cabeça. Esticar as mãos à frente e subir lentamente. Peito para frente e cabeça para trás. Soltar o ar. Deixar a mão descer pela perna direita e depois pela perna esquerda, lembrando que a cabeça sempre acompanha. Repetir esse movimento. Descer com a mão direita e elevar (empurrar) para cima com a palma da mão esquerda e olhar para cima. Fazer com o outro lado. Repetir. Ir com a cabeça até o peito e depois com a cabeça para trás. Depois, girar para um lado e para outro. Depois, me abraçar com o braço direito por cima. Colocar a perna direita à frente e ir até o chão. Ir subindo e, ainda, abraçada elevar o cotovelo e ir desfazendo, abrindo espaço para outras coisas entrarem. Fazer o mesmo com o pé esquerdo e mão esquerda. Voltar para o eixo. Em dupla, proporcionar uma massagem no ombro e no braço da outra pessoa.

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DESENVOLVIMENTO: A energia fica presa:

atitudes repetitivas/acomodar-se a sua forma de existir até que algo dê errado.

Para dispor de energia, uma nova Educação se faz necessária. Como dispor de energia? Como usar sua energia?

Depois, escolher uma frase de como perco

energia e expressar corporalmente. Fazer

exageradamente o movimento e desfazer. Como é? O que sente? O que mudou?

Gestos e posturas

Hoje, já sabemos como os gestos falam. Como diz o ditado popular, “um gesto fala mais do que mil palavras”. O tempo todo nosso corpo está se comunicando, um simples aceno pode transmitir uma série de desejos.

Segue uma entrevista feita pela revista Mente e Cérebro à linguista Cornelia Muller, da Universidade Livre de Berlim. Cornelia Muller pesquisa a importância dos gestos na comunicação.

Mente e Cérebro: Europeus do sul (italianos,

por exemplo) gesticulam realmente mais que pessoas de outras regiões?

Cornelia Muller: É opinião comum, mas

empiricamente não está provada. Numa pesquisa comparativa entre espanhóis e alemães, não pude constatar que os germânicos utilizam menos gestos. Mas é inegável que gesticulam de outra forma, partindo do pulso. Espanhóis usam ombros e cotovelos mais frequentemente, isto é, seus movimentos são mais amplos e visíveis. Isso talvez despertasse a impressão

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de que eles usam gestos com maior frequência.

Mente e Cérebro: Por que a pesquisa dos

gestos foi negligenciada por tanto tempo?

Muller: Nos anos 70, muitos pesquisadores

tinham a convicção de que a linguagem do corpo e a mímica tinham a ver só com as emoções e com as relações que as pessoas constroem entre si. No plano semântico, a comunicação verbal parecia ser a única responsável pelos significados. Por isso, muitos linguistas e psicólogos não perceberam que os gestos podem mais que expressar apenas sentimentos.

Mente e Cérebro: O que os gestos dizem e as

palavras não?

Muller: Um único gesto é capaz de transmitir

muitas informações ao mesmo tempo. A linguagem sonora precisa ordenar mais palavras. Se estendo minha mão com a palma da mão para cima, posso enviar a mensagem: “Isto está claro para você?”. Um movimento breve pode significar duração, então enfatizo um período de tempo e não um momento isolado.

Mente e Cérebro: Gestos, portanto, não são

responsáveis pela empatia?

Muller: Certo. É um equivoco atribuir a uma

pessoa um “emocionalismo” exacerbado só porque ela gesticula muito.

Mente e Cérebro: Mas em treinamentos para

oradores é comum que se tente atenuar o hábito que a pessoa tem de gesticular.

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Muller: Desde o retórico romano Quintiliano, a

gesticulação excessiva é vista como expressão de um fraco domínio da linguagem falada. Muitos concluem que quanto menos gestos, melhor. Mas os oradores profissionais sabem o quão poderoso pode ser um movimento bem colocado. É muito mais inteligente usar a linguagem do corpo como canal adicional de informação do que reprimi-la.

O corpo contemporâneo

Hoje em dia, muitas pessoas se preocupam com o bem-estar físico e mental. Mas apesar destas preocupações de unir corpo e mente, em tentar trazer para a consciência a importância de cuidar do corpo, como na Yoga, meditação, Pilates, dança, biodança e outros, o corpo vem sofrendo fortes pressões por parte da mídia, no sentido da perfeição do corpo. A indústria e o comércio que norteiam a estética é muito sedutor. Com o corre-corre do dia a dia as pessoas buscam resultados imediatos. Mas é preciso tentar sair um pouco desse vício e tentar buscar uma alimentação mais equilibrada, um olhar para o seu corpo de uma forma mais natural, integrando-o, buscando atividades que permeiam esse olhar.

Hoje, temos muitos procedimentos violentos sobre o corpo e sobre a vida psíquica para a eliminação de sintomas, de traços de dor, do mal-estar. A indústria do corpo busca anestesiar as experiências mais profundas de vazio. As formas de mal estar da pós- modernidade tem no corpo e na ação os registros de sua apresentação. Na ação, estão as compulsões, que evidenciam o descontrole dos impulsos – ânsia do consumo. No plano da corporeidade, vivemos o polo da dor que está intimamente relacionada ao narcisismo.

Para navegar Vá correndo buscar mais informações no site www.berlingesturece nter.de Centro Berlinense de Pesquisa do Gesto.

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As patologias contemporâneas são depressão, anorexia, bulimia, obesidade que tangenciam no vazio e nas questões narcísicas.

Pensando nessas questões, é importante você entrar em contato com técnicas que promovam a capacidade de expressão espontânea, buscando trazer a pessoa para o seu centro.

Atividade

Movimento: Trabalhar o chegar. Como está o seu corpo agora. Sinta os seus pés firmes no chão e comece a entrar em contato com a sua respiração. Inspire e expire lentamente cada um no seu ritmo. Solte o ar pela boca. Sente alguma tensão? Alguma parte do seu corpo que precise de cuidados? Inspire mais intensamente pela boca e solte o ar, soltando um som. Agora, leve lentamente a cabeça até os pés. Solte a cabeça, sinta alongar a parte de trás do pescoço, joelhos flexionados e esvazie os pensamentos. Solte a

respiração, esvaziando os pensamentos. Suba

lentamente, a cabeça é a última a voltar para o eixo. Alongue o corpo, gire um pouco o pescoço, apóie no ombro do colega do lado e vamos alongar um pouco os pés. (Até aqui sem música).

 Colocar a Música:

Vamos começar entrando em contato com o nosso corpo e se apossar do movimento que vai ser feito. Acompanhar o movimento, lembrando que todas as partes estão presentes em cada movimento, inclusive o olhar, a cabeça, o tronco. Entrar em contato e sentir o que esse movimento está dizendo.

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Começar trabalhando mãos, braços. Movimento de abrir e fechar. Depois, soltar bastante o braço. Buscar o infinito e conter. Fazer esse movimento mais rápido. Conter e abrir. Mãos e braços esticados em lados opostos. Fazer um mergulho até o chão. Flexionar um pouco os joelhos e caminhar com as mãos para frente. Sinta abrir os espaços da coluna. Respire na coluna. Dobre os joelhos e fique aí um pouco. Experimente não fazer nada... Coloque agora os braços para trás. Aos poucos, vamos desenrolando a coluna e vamos sentar e deitar. Sinta sua coluna no chão, se entregue ao chão. Agora, lentamente, vá levando seus braços para trás. Sinta o peso dos seus braços. Lentamente, vá voltando e entregue seus braços ao chão, palmas das mãos inteiras no chão. Sinta esse movimento de conter e se entregar. Faça mais uma vez. Agora leve a cabeça até os joelhos e os joelhos até a cabeça, mãos atrás da cabeça. O que sente? Como é fazer esse movimento? Faça lentamente. Conter e soltar e se entregar ao chão novamente. Repita esse movimento mais 2 vezes. Fazer a torção. Como está sendo torcer, está mexendo com tudo dentro de você. Vamos prestar atenção nessa torção. Na respiração. Volte à posição e fique um pouco aí. Estique as pernas e mantenha os braços ao longo do corpo e não faça nada.

Atividade em dupla:

Seguindo a vivência, cada dupla receberá uma folha de papel A3 e pastel oleoso colorido, onde deverá expressar com rabiscos o movimento. Cada dupla não deverá se comunicar verbalmente. Apenas deixar sentir. Esse espaço é de vocês!!!

Depois, entre em contato com o resultado desse rabisco em conjunto e perceba as formas, o movimento, as imagens, as cores, o espaço ocupado. Pode se comunicar com a sua dupla verbalmente.

(27)

Agora, vamos soltar a mão e expressar todos os sentimentos que surgiram durante a vivência. Não pense, apenas faça. Não use a crítica lembre que essa arte é uma arte de expressão e não uma arte estética. Comecem utilizando uma cor e depois de esgotá-la peguem outras.

Vamos compartilhar sentando em roda.

Primeiro, começamos a falar e depois cada um falará da sua experiência. Depois, falaremos da pintura final e vamos em conjunto buscar um título para esta pintura.

Respiração

A respiração tem um papel funcional no organismo que é oxigenar o sangue e, por este motivo, fazer a limpeza dos órgãos e músculos. O cérebro mal oxigenado é responsável pelos pensamentos confusos, pelos pensamentos negativos, pela dificuldade de concentração e falta de memória.

Já sabemos da importância de trabalhar a respiração de uma forma consciente, conhecendo e trazendo o movimento do corpo junto com a respiração. Em vários trabalhos com o corpo, a respiração é vista como fator principal de qualquer movimento e exercício. Já está comprovado que os exercícios de meditação e relaxamento ajudam na recuperação e no equilíbrio da saúde.

Segundo Sylvie Lagache, a respiração com movimento tem o poder de:

 Descarregar as tensões;

 Facilitar o alongamento muscular graças à liberação de energia;

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 Ajudar na concentração, porque o esforço para coordenar a respiração com o movimento torna o movimento perceptível e sensível, não simplesmente um ato mecânico;

 Criar um movimento circular e harmônico, recolhendo ao inspirar e expandindo ao expirar;

 A prática da respiração torna a dança mais livre, mais viva, inclusive no balé clássico.

A respiração permite a liberação da tensão mental quando mentalizamos no movimento que o ar percorre ao entrar e sair pelo nariz. Depois, quando se inspira pelo nariz e expira pela boca, sentimos um relaxamento da laringe, trazendo à tona a criatividade e a comunicação. Ajuda, também, a liberar as tensões emocionais, estimula as forças vitais, pois está relacionada com a caixa torácica e a abdominal.

Sendo assim, é de suma importância a relação da respiração com os fatores emocionais. Trabalhar e estimular a respiração ajuda a mexer e a reacender a vida, pois estamos falando dos sentimentos. Não somente os sentimentos de medo, raiva e tristeza, mas também os sentimentos de alegria e amor que, por muitas vezes, ficaram anestesiados pelo medo de sofrer. Respiração é vida e deve ser trabalhada sempre de forma consciente.

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EXERCÍCIO 1

Marque a alternativa correta sobre o corpo e a criança:

( A ) O bebê quando nasce é todo corporal;

( B ) O bebê não precisa de atividades que o estimule

corporalmente;

( C ) Passar dentro de um túnel não é indicado para

crianças;

( D ) A alternativa 1 e 2 são corretas;

( E ) Nenhuma das resposta anteriores.

EXERCÍCIO 2

Coloque Falso ou Verdadeiro:

(oba) Corpo e mente são um só;

(oba) Trabalhar os pés traz a questão da auto-afirmação;

(oba) O corpo é a nossa memória mais arcaica;

(oba) Os adolescentes não passam por transformações

psíquicas e corporais;

(oba) A respiração tem um papel funcional no organismo.

EXERCÍCIO 3

Citar duas características essenciais da respiração para o bem-estar da pessoa. ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________

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EXERCÍCIO 4

Quais são as sete fases da história do corpo?

____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________

RESUMO

Vimos até agora:

 Na aula de corpo, algumas questões que poderão ser de grande valor na sua prática escolar ou terapêutica. Espero que você possa utilizar os conhecimentos e as propostas

sugeridas com bastante criatividade e

proporcionar aos seus alunos ou clientes atividades enriquecedoras e que os auxiliem no crescimento pessoal;

 Em seguida, contei um pouco da história do corpo e espero que você se interesse em apro fundar seus conhecimentos, pois é um estudo fascinante;

 Finalizando, conversamos um pouco também sobre a importância do corpo em cada fase da vida: bebê, criança, juventude e meia-idade. Trouxemos, também, a respiração como primordial para um trabalho de corpo.

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Linguagens literárias

Virginia Maria Castilho Ribeiro de Souza

Maria Estela Lopes Renata Cury (revisora)

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Quem viajar no mundo da imaginação verá o que nós já vimos por

lá: A riqueza dos contos para o desenvolvimento, principalmente, o da criança. Depois, falamos dos mitos, contos, lendas e fábulas e como o contador de histórias deverá estar atento à expressão e à memória.

Foram abordadas diversas técnicas para o contador entrar em contato com o mundo das histórias e poder fazer uma boa apresentação. As histórias podem ser apresentadas de diversas formas, desde que quem as conta esteja em contato com quem ouve, interagindo e tornando a história dinâmica. Vem que você vai gostar.

O

b

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v

o

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Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:

 Trabalhar as linguagens literárias com o seu grupo;  Diferenciar e conhecer as diferentes linguagens literárias;  Criar novas atividades utilizando os contos;

 Estabelecer uma linha constante de contato com o mundo da imaginação.

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O contador de histórias

E em noite de lua cheia, o índio Taipi buscava em vão alcançar a lua pelo seu arco e flecha; às vezes chorava olhando aquela enorme bola prateada no céu escuro, pedindo a Tupã uma árvore bem alta para chegar até ela...

(anônimo) O menino brinca de pirata

Sua espada é de ouro e sua roupa é de prata

Atravessa os sete mares Em busca do grande tesouro

Seu navio tem setecentas velas de pano

E é o terror do oceano

Mas o tempo passa e ele se cansa De ser pirata

E vira outra vez menino.

(cantiga de roda – Roseanna Murray) No mundo mágico do faz de conta, da libertação das histórias, sejam contos de fada, lendas, mitos, fábulas ou contos populares, o essencial é compartilhar a fantasia.

Nenhuma formação prescinde da

educação do espírito, porque esta é a que vai formar o homem, despertando a sensibilidade, os valores éticos para a conscientização do ser humano e seu relacionamento.

(Carvalho, P., 1998) Aqui se inclui uma discussão sobre cultura e civilização, seus significados e como estão relacionados.

A cultura vai fornecê-la, através da

Literatura, como fonte de

conhecimentos e informação. E a poesia é a primeira manifestação de expressão literária, é pela poesia que se iniciam todas as Literaturas.

(Id., 1998)

O contador de histórias 33 Expressão corporal e estudo

das vozes 50 A importância da leitura 53 Conclusão 57 Importante Analisar a questão cultural é muito importante quando falamos em histórias, seja no âmbito da Literatura ou do Folclore. Lembre-se sempre da questão do MULTICULTURALISMO e pense o quanto as histórias podem trazer para dentro da escola as diversas culturas regionais com as quais convivemos no cotidiano educacional.

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Câmara Cascudo já nos dizia que o leite materno era temperado com os contos populares, considerados como a “alma do povo”, pois só através deles conhecemos o verdadeiro perfil dos moradores de um lugar. O folclore, portanto, trabalha a psicologia coletiva, trazendo o imaginário do homem comum.

E essa fonte também foi abordada pelo nosso saudoso Monteiro Lobato, com seu estilo único:

“...Agora vou contar pra vocês uma história bem comprida...” Já dizia D. Benta, um dos personagens centrais de sua obra.

Só de ouvir esse nome, muita gente já revive cenas gostosas da infância. Parece que todos os personagens nos chegam numa viagem da Via Láctea: Emília, Pedrinho, Narizinho, Visconde de Sabugosa, todos nos convidando para cenas com tantos outros (o Saci, tio Barnabé, a onça pintada, fadas)...

O autor sabia, como poucos, combinar os mais diversos ingredientes em seus livros, como a história de Peter Pan, de autoria de James Barring (viva o Capitão Gancho, a fada Sininho, as sereias, Wendy e seus irmãos) em sua obra. E, assim, ia aproximando elementos pouco humanos, uma vez que não possuem a vida humana interior da psique, de outros com quem é fácil nos identificarmos.

O uso de histórias envolve vários ingredientes: invenção das próprias histórias trazendo elementos de nosso dia a dia, a leitura de histórias de livros, escrever histórias, ditá-las, utilizar coisas para estimulá-las como figuras, testes projetivos, bonecos, painel de feltro, mesa de areia, desenhos, fantasias de final aberto, entre outros.

Para navegar

Para saber mais sobre Monteiro Lobato, conhecer um pouco de sua vida e obra, consulte o site www.lobato.com.br

(35)

Sendo a história da criança uma projeção, ela reflete algo sobre a vida da própria pessoa; cada história é encerrada com uma lição, uma filosofia de vida extraída da situação. Portanto, ao se utilizar esta técnica, você deve ter em mente a importância de perceber o outro ouvinte; é essencial saber algo sobre a criança (ou o participante em qualquer faixa etária) e entender rapidamente o tema central da história apresentada.

Daí também a ênfase que o próprio contador enquanto orientador, deve dar ao olhar. Ao perceber sua “plateia”, ele dará o exemplo do que deve ser seguido, estará guiando o participante do grupo para se ver, buscando o reflexo do que está sendo contado, no outro. Trata-se, portanto, de uma pesquisa paciente que muitas vezes nos conduz a ver, ouvir, sentir e calar...

“A importância do Olhar"

Bernardo Arraes Gonzalez Cruz*

Atualmente, as pessoas mal se falam, muito menos se permitem o olhar sincero. O olhar que existe é o da crítica raivosa, ofensiva, para diminuir, desmoralizar, confundir e estimular a baixa autoestima das pessoas. Nos desacostumamos a ver os rostos e até sentimos vergonha muitas vezes de olhar nos olhos de nosso semelhante. A que ponto chegamos. Nos sentimos cansados com tanta pressão, opressão

e cobranças descabidas, sem o

interesse pelo afeto e pelo calor humano.

Daí a necessidade do olhar, que

desperta na alma a troca do

sentimento humano, da emoção do

próximo. Quando olhamos com

sinceridade nos olhos de uma pessoa, ficamos mais próximos. É esse olhar intenso, cheio de vontade, com sentimento, que permite o alcance de um amor sincero, que nasce do desejo de ajudar, porque tem vontade de

Quer saber mais? Dicas de alguns meios e técnicas para contar histórias:

 Usar o próprio livro – Contar a história apontando as figuras ricas de ilustração;  Figuras sobre um

cenário – Pode ser feito de cartolina, papel cartão. Cada suporte pode conter figuras e cenários diversos conforme o desenrolar da história;  Criando bonecos e fantoches – Criar vários personagens e narradores. As crianças também podem manusear os fantoches;  Criação de cenários – Estes devem ser criados com a ajuda das crianças. Ex.: Casinha de papelão, Floresta de papel crepom;  Avental de histórias – Um avental com desenhos, bolsos e personagens para contar histórias.

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amar. É dentro dessa proximidade que se permite a troca de experiências e até da descoberta dos desejos em comum. Porque só o olhar consegue o saber sem palavras, o sentir sem dizer, o conhecer sem saber, a troca, a proximidade, a igualitariedade e a compreensão. Este olhar sincero é

naturalmente ético e, por isso,

puramente humano.

Nas civilizações primitivas, bem como nas tribos indígenas, as pessoas sentavam-se em roda, olhavam-se umas para as outras e então os mais idosos, com toda naturalidade pessoal, contavam as histórias de seu povo, de sua vida e até das explicações dos fenômenos da natureza. Já na Idade Média, surgem os menestréis, que contavam histórias, cantando notícias. Estes foram os primeiros contadores de história.

O contar histórias parte do princípio

deste olhar, da necessidade de

comunicação, do desejo de estar junto de outras pessoas e compartilhar o sentimento que se move do coração e sai pelo olhar, pela história oralizada, pela palavra.

O contar histórias não só exige como resgata a questão da comunicação pelo olhar, como pela palavra que, junto ao sentimento, à voz e ao corpo, transmite o desejo de proporcionar ao outro momentos agradáveis, em que

retornamos sentimentos puros,

vivenciados em nossa infância. Nada mais agradável do que isso, neste

mundo tão conturbado em que

vivemos e muitas vezes não sabemos mais o que fazer.

E é absorvido nesse mundo do imaginário, no momento em que se conta ou em que se ouve uma história, que podemos pensar em ser felizes, porque conseguimos levantar o sorriso de alguém ou até mesmo fazer feliz esse alguém”.

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SUGESTÃO DE ATIVIDADE PARA INICIAR OU FINALIZAR UMA CONTAÇÃO DE HISTÓRIA

Sentados, solicita-se que todos fechem os olhos, se quiserem, trabalhando a respiração de forma suave, pedindo que se imaginem no único lugar onde gostariam de estar naquele instante, seu lugar especial. Imaginar um sol ameno, agradável e uma suave brisa ao redor. Pede-se que façam movimentos leves com as articulações, que tragam alguém para compartilhar com aquele lugar sugerindo-se que se abracem, se quiserem. Lentamente, vão retornando ao local de onde vieram e, num movimento lento, inclinando a cabeça e abrindo os olhos devagar.

Em círculo: todos de pé, vamos procurando um

par para desenvolvermos movimentos juntos. Sempre nos olhando nos olhos, procurando o reflexo do que estamos passando no próprio olhar, nos gestos, na expressão corporal.

Uma pessoa vai ser a imagem real e a outra, a virtual. A primeira vai guiando os movimentos, nos três planos (superior, médio e inferior). E a outra, sendo o “espelho”, vai procurar imitá-la, sem desviar o olhar “dentro dos olhos’’. Num segundo momento, as duplas vão se alinhar umas às outras em duas filas, uma em frente à outra. Numa sequência, cada dupla vai repetindo os movimentos feitos pelas duplas que as antecedem à sua esquerda; o que era imagem virtual

agora vai liderar a expressão, copiando-a e

repassando-a para seu parceiro, sem desviar o olhar deste.

Esta dinâmica deve levar cerca de 20 minutos.

Uma vez realizada, todos podem concluir os

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SE VOCÊ ESCREVEU UMA HISTÓRIA, É SÓ CONTAR...

Agora, incluiremos a fala de Bernardo Arraes (1999) sobre sua experiência como oficineiro da arte de contar histórias. Pois, indo ao encontro do que dissemos antes, saber trabalhar as propriedades de cada ferramenta agiliza a imaginação e potencializa a criação, pois favorece a desinibição:

Não sendo um trabalho específico para uma editora, o contador de histórias poderá pesquisar e escolher com calma seu repertório. Esse, quando desenvolvido em grupo, é enriquecido pelas qualidades literárias existentes nas histórias.

Alguns contadores escolhem as histórias

gradativamente e cada uma delas, sendo apresentada mais de uma vez, torna-se um encanto para o público, pois novos ângulos vão sendo mostrados e a expressão sendo melhor elaborada. Um registro por escrito é importante para se preservar a forma como foi contada, facilitar a memorização e as futuras apresentações.

Ao se fazer a seleção das histórias, os elementos essenciais da estrutura definem sua classificação em lendas, mitos, fábulas, contos populares e contos de fadas. Todos apresentam introdução, enredo e desenlace.

Apresentam diferenças significativas entre si; um conto de fadas, segundo a Dra. Marie Louise von

Franz (1993), “não é produzido pela psique do

indivíduo e não constitui material individual” (Franz, M., 1993: 12-13). Podem se associar fenômenos parapsicológicos. Um outro tipo de conto de fadas é o da saga local que contém referências a um determinado local, o herói se torna um ser humano definido e o

Dica de leitura PAVONI, A. Os contos e os mitos no ensino: uma abordagem junguiana. São Paulo: EPU, 1989.

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conto é narrado associado a um evento concreto que realmente aconteceu, mesmo com características de

contos de fadas. Nas sagas, os elementos

fantasmagóricos são mais frequentes.

Luís da Câmara Cascudo já nos anunciava que:

O conto nasceu do povo e foi feito para ele. É um documento vivo,

denunciando costumes, ideias,

mentalidades, decisões e

julgamentos. Para todos nós, é o primeiro leite intelectual.

(Oaklander, V., 1980, p. 113) As mensagens simbólicas transmitidas, tanto nos contos de fadas como nos populares, emergem das profundezas da humanidade, tratam dos problemas existenciais, relacionando, portanto, momentos alegres, tristes, extremamente dolorosos, corajosos, que vão favorecendo, aos poucos, a estrutura psíquica da criança. Essa passa a incluir elementos sólidos em sua personalidade que vão ajudá-la a dar respostas na vida, sob forma lúdica.

São compreensíveis para a criança como nenhuma outra forma de arte é; como toda arte significativa, o sentido mais profundo dos contos de fadas, por exemplo, será diferente para cada pessoa, e diferente para a mesma pessoa em momentos diversos de sua vida. A criança extrairá um sentido diferente do mesmo conto de fadas, dependendo de seus interesses e necessidades do momento. Sendo-lhe dada a oportunidade, ela voltará ao mesmo conto de fadas, dependendo dos seus interesses e necessidades do momento; quando estiver pronta a ampliar significados ou substituí-los por novos.

(Id., 1980, p. 113)

Dica da professora

Mesmo não mais na infância, os contos nos ajudam a encontrar respostas para nossa vida, não é verdade?

Você se lembra de uma história que seja significativa para sua vida?

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Os contos de fadas são verdadeiros tesouros da sabedoria humana, passados de geração a geração, estão no maravilhoso mundo da fantasia, carregados de emoções. Os contos de fada têm uma linguagem internacional de toda espécie humana, estão além das diferenças de idade, raça e cultura ou crenças.

As famílias se reuniam em roda e o mais velho contava histórias que prendiam a atenção e a todos encantavam, principalmente as crianças, com suas fantasias, imaginação, alegria.

Existe uma diferença entre contos de fadas, saga local e mito. Os contos de fadas não têm raízes, eles são de todos os lugares e não são destruídos. A saga local é um conto de um determinado lugar, tem raízes no local.

O mito é uma produção cultural, expressa o caráter da civilização de onde surge, onde continua vivo.

Agora, falaremos um pouco sobre as lendas e as fábulas.

As lendas são uma narrativa fantasiosa transmitida pela tradição oral através dos tempos.

De caráter fantástico e/ou fictício, as lendas combinam fatos reais e históricos com fatos irreais que são meramente produto da imaginação aventuresca humana. Já diz o ditado popular: “Quem conta um conto aumenta três pontos.”

Também, segundo a Dra. Von Franz, a saga local e a lenda histórica têm fundamentos reais, que foram vivenciados, detalhados e depois ampliados até se resumirem numa história, passando a ser recontada

Dica de leitura

CAMPBELL, Joseph.

O Poder do Mito.

São Paulo: Editora Palas Athena, 1990.

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durante um longo período de tempo.

Estudar uma lenda é como estudar o corpo todo de uma nação.

(Id, p. 15)

Nas fábulas, os animais têm características humanas e transmitem lições morais de grande

simplicidade com mensagens relacionadas ao

comportamento no cotidiano, com singelos conselhos sobre lealdade, generosidade e as virtudes do trabalho. Quase sempre os animais apresentam comportamento humano, satirizando os defeitos dos homens e revelando verdades universais sobre a natureza humana.

A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS

Se os contos são contados por pessoas, com imaginação e/ou talento de um contador de histórias, tornam-se mais bonitos e interessantes.

Marie-Louise Von Franz nasceu em 1915, em uma família austríaca que veio se fixar na Suíça depois de 1918. Depois de terminar seus estudos literários, ela se encontra com o homem que iria mudar toda a sua vida: Jung. Ela veio a falecer em fevereiro de 1998.

Aprofundou-se no estudo da alquimia e se tornou uma colaboradora importante na tradução dos textos em grego e em latim.

Tornou-se uma Analista e participou de vários trabalhos junto com Jung. Von Franz publicou vários livros, em particular sobre a interpretação dos contos de fadas.

Além de sua brilhante carreira como psicoterapeuta e escritora, ela ainda construiu uma brilhante carreira como professora e conferencista no Instituto C.G. Jung de Zurich.

Para saber mais sobre suas obras, acesse o site http://www.salves.com.br/jb-franz.htm

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Cada pessoa tem, em cada momento, os conflitos mais emergentes a serem enfrentados. Quando entra em contato com uma história que traz esse tema,

cria-se a oportunidade de se

estabelecer uma rede de associações

que lhe permite chegar a um

significado psicológico essencial. Este pode ser desvendado e compreendido

através das figuras e eventos

simbólicos que as histórias trazem. (Dias, C., 1999, p. 93) As crianças, ao ouvirem contos de bruxas, ficam esperando aparecer a ajuda da fada ou de um outro herói.

Na história de João e Maria que se perdem de casa e a bruxa os coloca em uma gaiola, retrata os temas de abandono, medo, solidão, desamparo, mas faz com quem ouve entre em contato com estes temas e a possibilidade de poder elaborar os seus conflitos.

As religiões e os cultos baseiam seus

ensinamentos através dos contos de conteúdo moral. Da mesma forma, existem também as histórias de ensinamento de tradição sufi, que são documentos de contos que há milênios os povos do oriente usam, os contos são como instrumentos para ensinamentos importantes da humanidade.

Exemplo:

O empréstimo

Na casa de chá, um homem dizia aos amigos:

- Emprestei uma moeda de prata a uma pessoa e não tenho testemunhas. Receio que quem a recebeu negue que a pus em suas mãos.

Os amigos ficaram com pena dele, mas um sufi que estava sentado a um canto ergueu a cabeça e disse:

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- Convide-o para tomar um chá aqui e diga-lhe, na presença de todas as pessoas, que você lhe emprestou vinte moedas de ouro.

- Como posso fazer isso se só

emprestei uma de prata?

- É exatamente isso que ele vai

responder indignado - disse o sufi - e todos poderão ouvi-lo de seus lábios. Você não queria testemunhas?

(Nícia, G., 1993) Um conto de fadas leva você para bem longe, para o mundo sonhador da infância, do inconsciente coletivo, onde não se pode ficar e por isso toda história tem que ter um fim para entrarmos novamente na realidade.

Os contos podem ser entendidos como materiais muito ricos no trabalho com arte. Normalmente, todos gostam de ouvir e contar histórias e através delas podem-se abordar diversos temas.

Quando se inventa uma história, projetamos algo de nossa vida, falando de algum tema que nos é importante. A forma que se encerra a história mostra como se resolvem os conflitos e se pensa sobre outras alternativas. Em cada personagem, se encontra

parte de nós mesmos.

Na microssérie da emissora de TV, Rede Globo, “Hoje é dia de Maria – Segunda Jornada”, se buscou um imaginário popular brasileiro. Falou-se, também, do poder que os contos de fadas têm na arqueologia da infância no Brasil e na reinvenção de um território lúdico, tão sacrificado no cotidiano das grandes cidades.

Em entrevista feita à Revista da TV, do jornal O Globo, o diretor Luiz Fernando Carvalho faz uma crítica social ao mundo de hoje, tão distante da nossa infância:

Dica da professora

Por vezes nos identificamos mais com uma personagem da história. No entanto, se prestarmos atenção, todos temos um pouco do herói, do vilão, da fada, do mago e das outras personagens que compõem os contos e os mitos. Faça esse exercício. Identifique em uma história o que você tem de cada personagem.

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Onde está a nossa infância? Onde ela foi morar? Os contos de fadas revelam o nosso imaginário mais arcaico, a

origem dos nossos medos e

fantasmas. São histórias ancestrais, seculares da tradição oral, que têm comunicação muito direta, simples.

(CARVALHO, 2005, pp. 22-24) Nesse conto, o autor busca o confronto não só das crianças, mas também dos adultos de enfrentar o medo e o desejo de tudo. O mundo do faz de conta foi utilizado para mostrar sentimentos da modernidade como o desejo de justiça, a necessidade de reatar uma relação lúdica com o mundo, confrontando com a descrença que assola a cidade, a falta de poesia, o excesso de raciocínio e a falta de criatividade e, assim, o apelo aparece: não fechem a porta ao sonho humano.

O processo que se vive através da fantasia, do imaginário, com invenção de personagens mágicos como fadas, bruxas, animais e plantas que falam, todos têm significados que pode-se não saber o simbolismo real, porém ele é assimilado ao nível do inconsciente. Encontramos o amor, os medos, as dificuldades,

carências, perdas, solidão, encontro, buscas,

descobertas, entre outros. Os símbolos apresentados nos contos de fadas, como os monstros e as bruxas, representam nossos próprios temores e incapacidade que temos para lutar, enquanto as fadas representam nossas capacidades e possibilidades.

Para as crianças pequenas, os contos devem ser curtos e com poucos personagens, elas acreditam que tudo à sua volta tenha vida (animismo), para elas a história está acontecendo no tempo real, pois ainda não separam a realidade e a fantasia. Gostam de histórias de animais, plantas e objetos que falam. Quando já alfabetizadas, elas se interessam por detalhes, prestam mais atenção em contos mais longos.

Referências

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