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Direito Processual Penal

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Direito Processual Penal

INQUÉRITO POLICIAL

TÍTULO II

Do Inquérito Policial

Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas

autoridades policiais no território de suas res-pectivas circunscrições e terá por fim a apura-ção das infrações penais e da sua autoria.

Parágrafo único. A competência definida

neste artigo não excluirá a de autoridades administrativas, a quem por lei seja cometi-da a mesma função.

Art. 5º Nos crimes de ação pública o inquérito

policial será iniciado:

I – de ofício;

II – mediante requisição da autoridade

judi-ciária ou do Ministério Público, ou a reque-rimento do ofendido ou de quem tiver qua-lidade para representá-lo.

§ 1º O requerimento a que se refere o no II

conterá sempre que possível:

a) a narração do fato, com todas as

circuns-tâncias;

b) a individualização do indiciado ou seus

sinais característicos e as razões de convic-ção ou de presunconvic-ção de ser ele o autor da infração, ou os motivos de impossibilidade de o fazer;

c) a nomeação das testemunhas, com

indi-cação de sua profissão e residência.

§ 2º Do despacho que indeferir o

requeri-mento de abertura de inquérito caberá re-curso para o chefe de Polícia.

§ 3º Qualquer pessoa do povo que tiver

co-nhecimento da existência de infração penal em que caiba ação pública poderá, verbal-mente ou por escrito, comunicá-la à auto-ridade policial, e esta, verificada a proce-dência das informações, mandará instaurar inquérito.

§ 4º O inquérito, nos crimes em que a ação

pública depender de representação, não poderá sem ela ser iniciado.

§ 5º Nos crimes de ação privada, a

autori-dade policial somente poderá proceder a inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la.

Art. 6º Logo que tiver conhecimento da prática

da infração penal, a autoridade policial deverá:

I – dirigir-se ao local, providenciando para

que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos crimi-nais;

II – apreender os objetos que tiverem

rela-ção com o fato, após liberados pelos peritos criminais;

III – colher todas as provas que servirem

para o esclarecimento do fato e suas cir-cunstâncias;

IV – ouvir o ofendido;

V – ouvir o indiciado, com observância, no

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VI – proceder a reconhecimento de pessoas

e coisas e a acareações;

VII – determinar, se for caso, que se

proce-da a exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias;

VIII – ordenar a identificação do indiciado

pelo processo datiloscópico, se possível, e fazer juntar aos autos sua folha de antece-dentes;

IX – averiguar a vida pregressa do indiciado,

sob o ponto de vista individual, familiar e social, sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e quaisquer outros elemen-tos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento e caráter.

Art. 7º Para verificar a possibilidade de haver a

infração sido praticada de determinado modo, a autoridade policial poderá proceder à repro-dução simulada dos fatos, desde que esta não contrarie a moralidade ou a ordem pública.

Art. 8º Havendo prisão em flagrante, será

ob-servado o disposto no Capítulo II do Título IX deste Livro.

Art. 9º Todas as peças do inquérito policial

se-rão, num só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela au-toridade.

Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo

de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso em fla-grante, ou estiver preso preventivamente, con-tado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver solto, mediante fian-ça ou sem ela.

§ 1º A autoridade fará minucioso relatório

do que tiver sido apurado e enviará autos ao juiz competente.

§ 2º No relatório poderá a autoridade

in-dicar testemunhas que não tiverem sido inquiridas, mencionando o lugar onde pos-sam ser encontradas.

§ 3º Quando o fato for de difícil elucidação,

e o indiciado estiver solto, a autoridade po-derá requerer ao juiz a devolução dos au-tos, para ulteriores diligências, que serão realizadas no prazo marcado pelo juiz.

Art. 11. Os instrumentos do crime, bem como

os objetos que interessarem à prova, acompa-nharão os autos do inquérito.

Art. 12. O inquérito policial acompanhará a

de-núncia ou queixa, sempre que servir de base a uma ou outra.

Art. 13. Incumbirá ainda à autoridade policial: I – fornecer às autoridades judiciárias as

in-formações necessárias à instrução e julga-mento dos processos;

II – realizar as diligências requisitadas pelo

juiz ou pelo Ministério Público;

III – cumprir os mandados de prisão

expedi-dos pelas autoridades judiciárias;

IV – representar acerca da prisão

preventi-va.

Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal,

e o indiciado poderão requerer qualquer di-ligência, que será realizada, ou não, a juízo da autoridade.

Art. 15. Se o indiciado for menor, ser-lhe-á

no-meado curador pela autoridade policial.

Art. 16. O Ministério Público não poderá

reque-rer a devolução do inquérito à autoridade poli-cial, senão para novas diligências, imprescindí-veis ao oferecimento da denúncia.

Art. 17. A autoridade policial não poderá

man-dar arquivar autos de inquérito.

Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do

inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade policial po-derá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia.

Art. 19. Nos crimes em que não couber ação

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Direito Processual Penal – Inquérito Policial – Prof. Joerberth Nunes

juízo competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu representante legal, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, me-diante traslado.

Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o

sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade.

Parágrafo único. Nos atestados de

antece-dentes que lhe forem solicitados, a autori-dade policial não poderá mencionar quais-quer anotações referentes a instauração de inquérito contra os requerentes.

Art. 21. A incomunicabilidade do indiciado

de-penderá sempre de despacho nos autos e so-mente será permitida quando o interesse da sociedade ou a conveniência da investigação o exigir.

Parágrafo único. A incomunicabilidade, que

não excederá de três dias, será decretada por despacho fundamentado do Juiz, a re-querimento da autoridade policial, ou do órgão do Ministério Público, respeitado, em qualquer hipótese, o disposto no artigo 89, inciso III, do Estatuto da Ordem dos Advo-gados do Brasil (Lei nº 4.215, de 27 de abril de 1963)

Art. 22. No Distrito Federal e nas comarcas em

que houver mais de uma circunscrição policial, a autoridade com exercício em uma delas poderá, nos inquéritos a que esteja procedendo, orde-nar diligências em circunscrição de outra, inde-pendentemente de precatórias ou requisições, e bem assim providenciará, até que compareça a autoridade competente, sobre qualquer fato que ocorra em sua presença, noutra circunscri-ção.

Art. 23. Ao fazer a remessa dos autos do

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Arts. 4º a 23 do CPP e art. 5º, CF

1. Inquérito policial NÃO é processo. É procedimento administrativo 2. Atribuições da PF e PC: art. 144, CF

3. Caráter inquisitorial: não aplica-se o contraditório em ampla defesa: art. 5º, LV, CF. Nada

obsta que a defesa formule requerimentos à Autoridade Policial. art. 14 do CPP.

4. Vícios ou irregularidades: não afetam a ação penal 5. Valor probatório: caráter informativo

6. Sigilo: art 20, CPP e art 7º, XIV, lei nº 8.906/94: não se estende aos advogados; Súmula

Vin-culante nº 14 do STF

7. Incomunicabilidade: art. 21 do CPP e art 136, parágrafo 3º, IV, CF 8. Arquivamento: art. 17 do CPP e Súmula 524 do STF

9. Identificação criminal: art. 5º, LVIII, CF; art. 6º, VIII, CPP;

10. Prazos: art. 10 do CPP (regra geral), lei 5010/66 (art. 66): Justiça Federal, art. 51, lei nº

1.1343/06.

11. Exclusividade: art. 4º, parágrafo único do CPP 12. Escrito: art. 9º do CPP

13. Formas de instauração: art. 5º do CPP e parágrafos 4º e 5º 14. Recurso administrativo: art. 5º, parágrafo 2º do CPP

15. art. 5º, CF: ler os principais incisos em matéria penal (XLV, XLVI, XLVII, XLIX, L, LIII, LIV, LV,

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Direito Processual Penal

AÇÃO PENAL

PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS

1. CONCEITO : é o direito de o Ministério Púbico, me crimes de ação pública, ou a vítima,

em casos de ação penal privada, requerer a instauração de processo criminal contra o réu perante o Poder Judiciário.

2. FUNDAMENTO LEGAL : art. 24 a 62, Código de Processo Penal; art. 100 a 107, v, Código

Penal; art. 5º, LIX e 129, I, CF.

3. CONDIÇÕES DA AÇÃO : 3.1 CONDIÇÕES GENÉRICAS :

• possibilidade jurídica do pedido : • “legitimatio da causam” :

• interesse de agir : • justa causa;

3.2 CONDIÇÕES ESPECÍFICAS :

• representação do ofendido; • Requisição do Ministro da Justiça;

• preenchimento do requisitos do art, 7º, parágrafo 2º, CP.

4. ESPÉCIES DE AÇÃO PENAL

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TÍTULO III

Da Ação Penal

Art. 24. Nos crimes de ação pública, esta será

promovida por denúncia do Ministério Público, mas dependerá, quando a lei o exigir, de requisi-ção do Ministro da Justiça, ou de representarequisi-ção do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo.

§ 1º No caso de morte do ofendido ou

quan-do declaraquan-do ausente por decisão judicial, o direito de representação passará ao cônju-ge, ascendente, descendente ou irmão. (Pa-rágrafo único renumerado pela Lei nº 8.699, de 27.8.1993)

§ 2º Seja qual for o crime, quando praticado

em detrimento do patrimônio ou interesse da União, Estado e Município, a ação penal será pública. (Incluído pela Lei nº 8.699, de 27.8.1993)

Art. 25. A representação será irretratável,

de-pois de oferecida a denúncia.

Art. 26. A ação penal, nas contravenções, será

iniciada com o auto de prisão em flagrante ou por meio de portaria expedida pela autoridade judiciária ou policial.

Art. 27. Qualquer pessoa do povo poderá

provo-car a iniciativa do Ministério Público, nos casos em que caiba a ação pública, fornecendo-lhe, por escrito, informações sobre o fato e a autoria e indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção.

Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao

in-vés de apresentar a denúncia, requerer o arqui-vamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de consi-derar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação ao procurador-geral, e este oferecerá a denún-cia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido de arqui-vamento, ao qual só então estará o juiz obriga-do a atender.

Art. 29. Será admitida ação privada nos crimes

de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal, cabendo ao Ministério Público adi-tar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os termos do processo, fornecer elementos de prova, inter-por recurso e, a todo tempo, no caso de negli-gência do querelante, retomar a ação como par-te principal.

Art. 30. Ao ofendido ou a quem tenha

qualida-de para representá-lo caberá intentar a ação privada.

Art. 31. No caso de morte do ofendido ou

quan-do declaraquan-do ausente por decisão judicial, o di-reito de oferecer queixa ou prosseguir na ação passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.

Art. 32. Nos crimes de ação privada, o juiz, a

requerimento da parte que comprovar a sua pobreza, nomeará advogado para promover a ação penal.

§ 1º Considerar-se-á pobre a pessoa que

não puder prover às despesas do processo, sem privar-se dos recursos indispensáveis ao próprio sustento ou da família.

§ 2º Será prova suficiente de pobreza o

atestado da autoridade policial em cuja cir-cunscrição residir o ofendido.

Art. 33. Se o ofendido for menor de 18 (dezoito)

anos, ou mentalmente enfermo, ou retardado mental, e não tiver representante legal, ou coli-direm os interesses deste com os daquele, o di-reito de queixa poderá ser exercido por curador especial, nomeado, de ofício ou a requerimen-to do Ministério Público, pelo juiz competente para o processo penal.

Art. 34. Se o ofendido for menor de 21 (vinte e

um) e maior de 18 (dezoito) anos, o direito de queixa poderá ser exercido por ele ou por seu representante legal.

Art. 35. (Revogado pela Lei nº 9.520, de

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Direito Processual Penal – Ação Penal – Prof. Joerberth Nunes

Art. 36. Se comparecer mais de uma pessoa

com direito de queixa, terá preferência o cônju-ge, e, em seguida, o parente mais próximo na ordem de enumeração constante do art. 31, po-dendo, entretanto, qualquer delas prosseguir na ação, caso o querelante desista da instância ou a abandone.

Art. 37. As fundações, associações ou

socieda-des legalmente constituídas poderão exercer a ação penal, devendo ser representadas por quem os respectivos contratos ou estatutos de-signarem ou, no silêncio destes, pelos seus dire-tores ou sócios-gerentes.

Art. 38. Salvo disposição em contrário, o

ofen-dido, ou seu representante legal, decairá no di-reito de queixa ou de representação, se não o exercer dentro do prazo de seis meses, contado do dia em que vier a saber quem é o autor do crime, ou, no caso do art. 29, do dia em que se esgotar o prazo para o oferecimento da denún-cia.

Parágrafo único. Verificar-se-á a decadência

do direito de queixa ou representação, den-tro do mesmo prazo, nos casos dos arts. 24, parágrafo único, e 31.

Art. 39. O direito de representação poderá ser

exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes especiais, mediante declaração, escrita ou oral, feita ao juiz, ao órgão do Ministério Pú-blico, ou à autoridade policial.

§ 1º A representação feita oralmente ou por

escrito, sem assinatura devidamente auten-ticada do ofendido, de seu representante legal ou procurador, será reduzida a termo, perante o juiz ou autoridade policial, pre-sente o órgão do Ministério Público, quan-do a este houver siquan-do dirigida.

§ 2º A representação conterá todas as

infor-mações que possam servir à apuração do fato e da autoria.

§ 3º Oferecida ou reduzida a termo a

repre-sentação, a autoridade policial procederá a inquérito, ou, não sendo competente, re-metê-lo-á à autoridade que o for.

§ 4º A representação, quando feita ao juiz

ou perante este reduzida a termo, será re-metida à autoridade policial para que esta proceda a inquérito.

§ 5º O órgão do Ministério Público

dispen-sará o inquérito, se com a representação fo-rem oferecidos elementos que o habilitem a promover a ação penal, e, neste caso, ofe-recerá a denúncia no prazo de quinze dias.

Art. 40. Quando, em autos ou papéis de que

co-nhecerem, os juízes ou tribunais verificarem a existência de crime de ação pública, remeterão ao Ministério Público as cópias e os documen-tos necessários ao oferecimento da denúncia.

Art. 41. A denúncia ou queixa conterá a

expo-sição do fato criminoso, com todas as suas cir-cunstâncias, a qualificação do acusado ou escla-recimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas.

Art. 42. O Ministério Público não poderá desistir

da ação penal.

Art. 43. (Revogado pela Lei nº 11.719, de 2008). Art. 44. A queixa poderá ser dada por

procura-dor com poderes especiais, devendo constar do instrumento do mandato o nome do querelante e a menção do fato criminoso, salvo quando tais esclarecimentos dependerem de diligências que devem ser previamente requeridas no juízo cri-minal.

Art. 45. A queixa, ainda quando a ação penal for

privativa do ofendido, poderá ser aditada pelo Ministério Público, a quem caberá intervir em todos os termos subseqüentes do processo.

Art. 46. O prazo para oferecimento da

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§ 1º Quando o Ministério Público dispensar

o inquérito policial, o prazo para o ofereci-mento da denúncia contar-se-á da data em que tiver recebido as peças de informações ou a representação

§ 2º O prazo para o aditamento da queixa

será de 3 dias, contado da data em que o órgão do Ministério Público receber os au-tos, e, se este não se pronunciar dentro do tríduo, entender-se-á que não tem o que aditar, prosseguindo-se nos demais termos do processo.

Art. 47. Se o Ministério Público julgar

neces-sários maiores esclarecimentos e documentos complementares ou novos elementos de con-vicção, deverá requisitá-los, diretamente, de quaisquer autoridades ou funcionários que de-vam ou possam fornecê-los.

Art. 48. A queixa contra qualquer dos autores

do crime obrigará ao processo de todos, e o Mi-nistério Público velará pela sua indivisibilidade.

Art. 49. A renúncia ao exercício do direito de

queixa, em relação a um dos autores do crime, a todos se estenderá.

Art. 50. A renúncia expressa constará de

decla-ração assinada pelo ofendido, por seu represen-tante legal ou procurador com poderes espe-ciais.

Parágrafo único. A renúncia do

represen-tante legal do menor que houver comple-tado 18 (dezoito) anos não privará este do direito de queixa, nem a renúncia do último excluirá o direito do primeiro.

Art. 51. O perdão concedido a um dos

querela-dos aproveitará a toquerela-dos, sem que produza, to-davia, efeito em relação ao que o recusar.

Art. 52. Se o querelante for menor de 21 e maior

de 18 anos, o direito de perdão poderá ser exer-cido por ele ou por seu representante legal, mas o perdão concedido por um, havendo oposição do outro, não produzirá efeito.

Art. 53. Se o querelado for mentalmente

en-fermo ou retardado mental e não tiver

repre-sentante legal, ou colidirem os interesses deste com os do querelado, a aceitação do perdão ca-berá ao curador que o juiz Ihe nomear.

Art. 54. Se o querelado for menor de 21 anos,

observar-se-á, quanto à aceitação do perdão, o disposto no art. 52.

Art. 55. O perdão poderá ser aceito por

procu-rador com poderes especiais.

Art. 56. Aplicar-se-á ao perdão extraprocessual

expresso o disposto no art. 50.

Art. 57. A renúncia tácita e o perdão tácito

ad-mitirão todos os meios de prova.

Art. 58. Concedido o perdão, mediante

decla-ração expressa nos autos, o querelado será in-timado a dizer, dentro de três dias, se o aceita, devendo, ao mesmo tempo, ser cientificado de que o seu silêncio importará aceitação.

Parágrafo único. Aceito o perdão, o juiz

jul-gará extinta a punibilidade.

Art. 59. A aceitação do perdão fora do processo

constará de declaração assinada pelo querela-do, por seu representante legal ou procurador com poderes especiais.

Art. 60. Nos casos em que somente se procede

mediante queixa, considerar-se-á perempta a ação penal:

I – quando, iniciada esta, o querelante

dei-xar de promover o andamento do processo durante 30 dias seguidos;

II – quando, falecendo o querelante, ou

so-brevindo sua incapacidade, não compare-cer em juízo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, qual-quer das pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36;

III – quando o querelante deixar de

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Direito Processual Penal – Ação Penal – Prof. Joerberth Nunes

IV – quando, sendo o querelante pessoa

ju-rídica, esta se extinguir sem deixar sucessor.

Art. 61. Em qualquer fase do processo, o juiz, se

reconhecer extinta a punibilidade, deverá decla-rá-lo de ofício.

Parágrafo único. No caso de requerimento

do Ministério Público, do querelante ou do réu, o juiz mandará autuá-lo em apartado, ouvirá a parte contrária e, se o julgar con-veniente, concederá o prazo de cinco dias para a prova, proferindo a decisão dentro de cinco dias ou reservando-se para apre-ciar a matéria na sentença final.

Art. 62. No caso de morte do acusado, o juiz

so-mente à vista da certidão de óbito, e depois de ouvido o Ministério Público, declarará extinta a punibilidade.

TÍTULO IV

Da Ação Civil

Art. 63. Transitada em julgado a sentença

con-denatória, poderão promover-lhe a execução, no juízo cível, para o efeito da reparação do dano, o ofendido, seu representante legal ou seus herdeiros.

Parágrafo único. Transitada em julgado a

sentença condenatória, a execução poderá ser efetuada pelo valor fixado nos termos do inciso IV do caput do art. 387 deste Códi-go sem prejuízo da liquidação para a apura-ção do dano efetivamente sofrido. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).

Art. 64. Sem prejuízo do disposto no artigo

an-terior, a ação para ressarcimento do dano pode-rá ser proposta no juízo cível, contra o autor do crime e, se for caso, contra o responsável civil. (Vide Lei nº 5.970, de 1973)

Parágrafo único. Intentada a ação penal, o

juiz da ação civil poderá suspender o curso desta, até o julgamento definitivo daquela.

Art. 65. Faz coisa julgada no cível a sentença

pe-nal que reconhecer ter sido o ato praticado em estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento de dever legal ou no exer-cício regular de direito.

Art. 66. Não obstante a sentença absolutória no

juízo criminal, a ação civil poderá ser proposta quando não tiver sido, categoricamente, reco-nhecida a inexistência material do fato.

Art. 67. Não impedirão igualmente a

propositu-ra da ação civil:

I – o despacho de arquivamento do

inquéri-to ou das peças de informação;

II – a decisão que julgar extinta a

punibili-dade;

III – a sentença absolutória que decidir que

o fato imputado não constitui crime.

Art. 68. Quando o titular do direito à reparação

do dano for pobre (art. 32, §§ 1º e 2º), a exe-cução da sentença condenatória (art. 63) ou a ação civil (art. 64) será promovida, a seu reque-rimento, pelo Ministério Público.

CÓDIGO PENAL

TÍTULO VII

Da Ação Penal

Ação Pública e de Iniciativa Privada

Art. 100. A ação penal é pública, salvo

quan-do a lei expressamente a declara privativa quan-do ofendido. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 1º A ação pública é promovida pelo

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§ 2º A ação de iniciativa privada é

promo-vida mediante queixa do ofendido ou de quem tenha qualidade para representá--lo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 3º A ação de iniciativa privada pode

in-tentar-se nos crimes de ação pública, se o Ministério Público não oferece denúncia no prazo legal. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 4º No caso de morte do ofendido ou de

ter sido declarado ausente por decisão judi-cial, o direito de oferecer queixa ou de pros-seguir na ação passa ao cônjuge, ascenden-te, descendente ou irmão. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

A Ação Penal no Crime Complexo

Art. 101. Quando a lei considera como

elemen-to ou circunstâncias do tipo legal faelemen-tos que, por si mesmos, constituem crimes, cabe ação públi-ca em relação àquele, desde que, em relação a qualquer destes, se deva proceder por iniciativa do Ministério Público. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Irretratabilidade da Representação

Art. 102. A representação será irretratável

de-pois de oferecida a denúncia. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Decadência do Direito de Queixa ou de Repre-sentação

Art. 103. Salvo disposição expressa em

contrá-rio, o ofendido decai do direito de queixa ou de representação se não o exerce dentro do prazo de 6 (seis) meses, contado do dia em que veio a saber quem é o autor do crime, ou, no caso do § 3º do art. 100 deste Código, do dia em que se esgota o prazo para oferecimento da denúncia. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Renúncia Expressa ou Tácita do Direito de Queixa

Art. 104. O direito de queixa não pode ser

exercido quando renunciado expressa ou

taci-tamente. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Parágrafo único. Importa renúncia tácita

ao direito de queixa a prática de ato incom-patível com a vontade de exercê-lo; não a implica, todavia, o fato de receber o ofen-dido a indenização do dano causado pelo crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Perdão do Ofendido

Art. 105. O perdão do ofendido, nos crimes em

que somente se procede mediante queixa, obs-ta ao prosseguimento da ação. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Art. 106. O perdão, no processo ou fora dele,

expresso ou tácito: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

I – se concedido a qualquer dos querelados,

a todos aproveita; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

II – se concedido por um dos ofendidos, não

prejudica o direito dos outros; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

III – se o querelado o recusa, não produz

efeito. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 1º Perdão tácito é o que resulta da

prá-tica de ato incompatível com a vontade de prosseguir na ação. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 2º Não é admissível o perdão depois que

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Direito Processual Penal – Ação Penal – Prof. Joerberth Nunes

TÍTULO VIII

Da Extinção da Punibilidade

Extinção da Punibilidade

Art. 107. Extingue-se a punibilidade: (Redação

dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

I – pela morte do agente;

II – pela anistia, graça ou indulto;

III – pela retroatividade de lei que não mais

considera o fato como criminoso;

IV – pela prescrição, decadência ou

pe-rempção;

V – pela renúncia do direito de queixa ou

pelo perdão aceito, nos crimes de ação pri-vada;

VI – pela retratação do agente, nos casos

em que a lei a admite;

VII – (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005) VIII – (Revogado pela Lei nº 11.106, de

2005)

IX – pelo perdão judicial, nos casos

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MATERIAL COMPLEMENTAR

AÇÃO PENAL E AÇÃO CIVIL EX DELICTO: art. 24 a 68 do CPP e art. 100 a 107, CP 1. Espécies e condições da ação penal:

• Incondicionada: titular: MP (denúncia); independe da vontade da vítima; Ex.: art. 155, CP

• Condicionada: titular: MP(denúncia); depende de vontade da vítima; Ex.: art. 130, Pa-rágrafo 2º, CP; ou depende de requisição do Ministro da Justiça: Ex.: art. 145, paPa-rágrafo único do CP.

• Privada: titular: ofendido(queixa-crime); MP: fiscal da lei;

• Exclusiva: art. 100, parágrafo 2º, CP; Ex.: art. 163 c/c art. 167, CP; aplica-se o art. 36, CPP

• Personalíssima: Ex.: art. 236, parágrafo único; não se aplica o art. 36, CPP • Subsidiária da Pública: inércia do MP; art. 5º, LIX,CF e art. 29, CPP

• condições genéricas da ação penal: possibilidade jurídica do pedido, interesse de agir e legitimidade de parte;

• condições específicas da açãoa penal: representação do ofendido ou requisição do Mi-nistro da Justiça nos crimes de ação penal pública condicionada.

2. Princípios da Ação Penal Pública:

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Direito Processual Penal – Ação Penal – Prof. Joerberth Nunes

• indisponibilidade: art. 42, CPP • oficialidade: art. 129, I, CF

• divisibilidade: para alguns autores, vigora a indivisibilidade.

3. Princípios da Ação Penal Privada:

• oportunidade ou conveniência

• disponibilidade: perdão (arts. 105 e 106, CP e arts. 51 e 52, CPP e art. 107, V, CP) perempção: art. 60, CPP

• indivisibilidade: arts. 48 e 49, CPP

4. Arquivamento do inquérito policial ou peças de informação: art. 28, CPP 5. Denúncia e queixa-crime: requisitos: art. 43, CPP

6. Representação (ação penal condicionada) e Requerimento (ação penal privada): arts. 25,

30, 31, 34,36,38,39, 44, CPP; prazo decadencial: não se suspende e não se interrompe;

7. Aditamento da queixa-crime: art. 45, CPP e renúncia ao direito de representação ou de

queixa-crime: independe do autor do fato; art. 107, V, CP

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Direito Processual Penal

LEI Nº 10.25901 – A COMPETÊNCIA PENAL DA JUSTIÇA FEDERAL DO

STF, DO STJ, DOS TRFS, DA JUSTIÇA FEDERAL E DOS JUIZADOS ESPECIAIS

FEDERAIS

LEI Nº 10.259, DE 12 DE JULHO

DE 2001.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a se-guinte Lei:

Art. 1º São instituídos os Juizados Especiais

Cí-veis e Criminais da Justiça Federal, aos quais se aplica, no que não conflitar com esta Lei, o disposto na Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995.

Art. 2º Compete ao Juizado Especial Federal

Cri-minal processar e julgar os feitos de competên-cia da Justiça Federal relativos às infrações de menor potencial ofensivo, respeitadas as regras de conexão e continência.

Parágrafo único. Na reunião de processos,

perante o juízo comum ou o tribunal do júri, decorrente da aplicação das regras de cone-xão e continência, observar-se-ão os institu-tos da transação penal e da composição dos danos civis.

Art. 3º Compete ao Juizado Especial Federal

Cí-vel processar, conciliar e julgar causas de com-petência da Justiça Federal até o valor de ses-senta salários mínimos, bem como executar as suas sentenças.

§ 1º Não se incluem na competência do

Jui-zado Especial Cível as causas:

I – referidas no art. 109, incisos II, III e XI, da

Constituição Federal, as ações de mandado de segurança, de desapropriação, de divisão

e demarcação, populares, execuções fiscais e por improbidade administrativa e as de-mandas sobre direitos ou interesses difu-sos, coletivos ou individuais homogêneos;

II – sobre bens imóveis da União, autarquias

e fundações públicas federais;

III – para a anulação ou cancelamento de

ato administrativo federal, salvo o de natu-reza previdenciária e o de lançamento fiscal;

IV – que tenham como objeto a

impugna-ção da pena de demissão imposta a servido-res públicos civis ou de sanções disciplina-res aplicadas a militadisciplina-res.

§ 2º Quando a pretensão versar sobre

obri-gações vincendas, para fins de competência do Juizado Especial, a soma de doze parce-las não poderá exceder o valor referido no art. 3º, caput.

§ 3º No foro onde estiver instalada Vara do

Juizado Especial, a sua competência é abso-luta.

Art. 4º O Juiz poderá, de ofício ou a

requeri-mento das partes, deferir medidas cautelares no curso do processo, para evitar dano de difícil reparação.

Art. 5º Exceto nos casos do art. 4º, somente

será admitido recurso de sentença definitiva.

Art. 6º Podem ser partes no Juizado Especial

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I – como autores, as pessoas físicas e as

mi-croempresas e empresas de pequeno porte, assim definidas na Lei nº 9.317, de 5 de de-zembro de 1996;

II – como rés, a União, autarquias,

funda-ções e empresas públicas federais.

Art. 7º As citações e intimações da União

se-rão feitas na forma prevista nos arts. 35 a 38 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993.

Parágrafo único. A citação das autarquias,

fundações e empresas públicas será feita na pessoa do representante máximo da entida-de, no local onde proposta a causa, quando ali instalado seu escritório ou representa-ção; se não, na sede da entidade.

Art. 8º As partes serão intimadas da sentença,

quando não proferida esta na audiência em que estiver presente seu representante, por ARMP (aviso de recebimento em mão própria).

§ 1º As demais intimações das partes serão

feitas na pessoa dos advogados ou dos Pro-curadores que oficiem nos respectivos au-tos, pessoalmente ou por via postal.

§ 2º Os tribunais poderão organizar serviço

de intimação das partes e de recepção de petições por meio eletrônico.

Art. 9º Não haverá prazo diferenciado para a

prática de qualquer ato processual pelas pes-soas jurídicas de direito público, inclusive a in-terposição de recursos, devendo a citação para audiência de conciliação ser efetuada com ante-cedência mínima de trinta dias.

Art. 10. As partes poderão designar, por escrito,

representantes para a causa, advogado ou não.

Parágrafo único. Os representantes

judi-ciais da União, autarquias, fundações e em-presas públicas federais, bem como os indi-cados na forma do caput, ficam autorizados a conciliar, transigir ou desistir, nos proces-sos da competência dos Juizados Especiais Federais.

Art. 11. A entidade pública ré deverá fornecer

ao Juizado a documentação de que disponha para o esclarecimento da causa, apresentando--a até a instalação da audiência de conciliação.

Parágrafo único. Para a audiência de

com-posição dos danos resultantes de ilícito cri-minal (arts. 71, 72 e 74 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995), o representante da entidade que comparecer terá poderes para acordar, desistir ou transigir, na forma do art. 10.

Art. 12. Para efetuar o exame técnico

necessá-rio à conciliação ou ao julgamento da causa, o Juiz nomeará pessoa habilitada, que apresenta-rá o laudo até cinco dias antes da audiência, in-dependentemente de intimação das partes.

§ 1º Os honorários do técnico serão

ante-cipados à conta de verba orçamentária do respectivo Tribunal e, quando vencida na causa a entidade pública, seu valor será in-cluído na ordem de pagamento a ser feita em favor do Tribunal.

§ 2º Nas ações previdenciárias e relativas à

assistência social, havendo designação de exame, serão as partes intimadas para, em dez dias, apresentar quesitos e indicar assis-tentes.

Art. 13. Nas causas de que trata esta Lei, não

haverá reexame necessário.

Art. 14. Caberá pedido de uniformização de

in-terpretação de lei federal quando houver diver-gência entre decisões sobre questões de direito material proferidas por Turmas Recursais na in-terpretação da lei.

§ 1º O pedido fundado em divergência

en-tre Turmas da mesma Região será julgado em reunião conjunta das Turmas em confli-to, sob a presidência do Juiz Coordenador.

§ 2º O pedido fundado em divergência entre

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Direito Processual Penal – Lei nº 10.259/01 - A competência penal da Justiça Federal – Prof. Joerberth Nunes

por juízes de Turmas Recursais, sob a presi-dência do Coordenador da Justiça Federal.

§ 3º A reunião de juízes domiciliados em

ci-dades diversas será feita pela via eletrônica.

§ 4º Quando a orientação acolhida pela

Turma de Uniformização, em questões de direito material, contrariar súmula ou juris-prudência dominante no Superior Tribunal de Justiça -STJ, a parte interessada poderá provocar a manifestação deste, que dirimirá a divergência.

§ 5º No caso do § 4º, presente a

plausibi-lidade do direito invocado e havendo fun-dado receio de dano de difícil reparação, poderá o relator conceder, de ofício ou a re-querimento do interessado, medida liminar determinando a suspensão dos processos nos quais a controvérsia esteja estabeleci-da.

§ 6º Eventuais pedidos de uniformização

idênticos, recebidos subseqüentemente em quaisquer Turmas Recursais, ficarão retidos nos autos, aguardando-se pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça.

§ 7º Se necessário, o relator pedirá

infor-mações ao Presidente da Turma Recursal ou Coordenador da Turma de Uniformização e ouvirá o Ministério Público, no prazo de cin-co dias. Eventuais interessados, ainda que não sejam partes no processo, poderão se manifestar, no prazo de trinta dias.

§ 8º Decorridos os prazos referidos no § 7º,

o relator incluirá o pedido em pauta na Se-ção, com preferência sobre todos os demais feitos, ressalvados os processos com réus presos, os habeas corpus e os mandados de segurança.

§ 9º Publicado o acórdão respectivo, os

pe-didos retidos referidos no § 6o serão apre-ciados pelas Turmas Recursais, que poderão exercer juízo de retratação ou declará-los prejudicados, se veicularem tese não aco-lhida pelo Superior Tribunal de Justiça.

§ 10. Os Tribunais Regionais, o Superior

Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal, no âmbito de suas competências, expedirão normas regulamentando a com-posição dos órgãos e os procedimentos a serem adotados para o processamento e o julgamento do pedido de uniformização e do recurso extraordinário.

Art. 15. O recurso extraordinário, para os efeitos

desta Lei, será processado e julgado segundo o estabelecido nos §§ 4º a 9º do art. 14, além da observância das normas do Regimento.

Art. 16. O cumprimento do acordo ou da

sen-tença, com trânsito em julgado, que imponham obrigação de fazer, não fazer ou entrega de coi-sa certa, será efetuado mediante ofício do Juiz à autoridade citada para a causa, com cópia da sentença ou do acordo.

Art. 17. Tratando-se de obrigação de pagar

quantia certa, após o trânsito em julgado da de-cisão, o pagamento será efetuado no prazo de sessenta dias, contados da entrega da requisi-ção, por ordem do Juiz, à autoridade citada para a causa, na agência mais próxima da Caixa Eco-nômica Federal ou do Banco do Brasil, indepen-dentemente de precatório.

§ 1º Para os efeitos do § 3º do art. 100 da

Constituição Federal, as obrigações ali de-finidas como de pequeno valor, a serem pagas independentemente de precatório, terão como limite o mesmo valor estabele-cido nesta Lei para a competência do Juiza-do Especial Federal Cível (art. 3º, caput).

§ 2º Desatendida a requisição judicial, o Juiz

determinará o seqüestro do numerário sufi-ciente ao cumprimento da decisão.

§ 3º São vedados o fracionamento,

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§ 4º Se o valor da execução ultrapassar o

estabelecido no § 1º, o pagamento far-se--á, sempre, por meio do precatório, sendo facultado à parte exeqüente a renúncia ao crédito do valor excedente, para que possa optar pelo pagamento do saldo sem o pre-catório, da forma lá prevista.

Art. 18. Os Juizados Especiais serão instalados

por decisão do Tribunal Regional Federal. O Juiz presidente do Juizado designará os conciliado-res pelo período de dois anos, admitida a recon-dução. O exercício dessas funções será gratuito, assegurados os direitos e prerrogativas do jura-do (art. 437 jura-do Código de Processo Penal).

Parágrafo único. Serão instalados Juizados

Especiais Adjuntos nas localidades cujo mo-vimento forense não justifique a existência de Juizado Especial, cabendo ao Tribunal designar a Vara onde funcionará.

Art. 19. No prazo de seis meses, a contar da

publicação desta Lei, deverão ser instalados os Juizados Especiais nas capitais dos Estados e no Distrito Federal.

Parágrafo único. Na capital dos Estados, no

Distrito Federal e em outras cidades onde for necessário, neste último caso, por deci-são do Tribunal Regional Federal, serão ins-talados Juizados com competência exclusiva para ações previdenciárias.Art. 20. Onde não houver Vara Federal, a causa poderá ser proposta no Juizado Especial Federal mais próximo do foro definido no art. 4o da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, ve-dada a aplicação desta Lei nº juízo estadual.

Art. 21. As Turmas Recursais serão instituídas

por decisão do Tribunal Regional Federal, que definirá sua composição e área de competência, podendo abranger mais de uma seção.

Art. 22. Os Juizados Especiais serão

coordena-dos por Juiz do respectivo Tribunal Regional, escolhido por seus pares, com mandato de dois anos.

Parágrafo único. O Juiz Federal, quando o

exigirem as circunstâncias, poderá

deter-minar o funcionamento do Juizado Especial em caráter itinerante, mediante autorização prévia do Tribunal Regional Federal, com antecedência de dez dias.

Art. 23. O Conselho da Justiça Federal poderá

limitar, por até três anos, contados a partir da publicação desta Lei, a competência dos Juiza-dos Especiais Cíveis, atendendo à necessidade da organização dos serviços judiciários ou admi-nistrativos.

Art. 24. O Centro de Estudos Judiciários do

Con-selho da Justiça Federal e as Escolas de Magis-tratura dos Tribunais Regionais Federais criarão programas de informática necessários para sub-sidiar a instrução das causas submetidas aos Jui-zados e promoverão cursos de aperfeiçoamento destinados aos seus magistrados e servidores.

Art. 25. Não serão remetidas aos Juizados

Es-peciais as demandas ajuizadas até a data de sua instalação.

Art. 26. Competirá aos Tribunais Regionais

Fe-derais prestar o suporte administrativo necessá-rio ao funcionamento dos Juizados Especiais.

Art. 27. Esta Lei entra em vigor seis meses após

a data de sua publicação.

Brasília, 12 de julho de 2001; 180o da Indepen-dência e 113o da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Paulo de Tarso Tamos Ribeiro

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Direito Processual Penal – Lei nº 10.259/01 - A competência penal da Justiça Federal – Prof. Joerberth Nunes

CONSTITUIÇÃO FEDERAL

Seção II

DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Art. 101. O Supremo Tribunal Federal

compõe--se de onze Ministros, escolhidos dentre cida-dãos com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade, de notável saber jurídico e reputação ilibada.

Parágrafo único. Os Ministros do Supremo

Tribunal Federal serão nomeados pelo Pre-sidente da República, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal.

Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal

Fede-ral, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:

I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de

lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal;

b) nas infrações penais comuns, o

Presiden-te da República, o Vice-PresidenPresiden-te, os mem-bros do Congresso Nacional, seus próprios Ministros e o Procurador-Geral da Repúbli-ca;

c) nas infrações penais comuns e nos crimes

de responsabilidade, os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ressalvado o disposto no art. 52, I, os membros dos Tribunais Supe-riores, os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente;

d) o habeas corpus, sendo paciente

qual-quer das pessoas referidas nas alíneas ante-riores; o mandado de segurança e o habeas data contra atos do Presidente da Repúbli-ca, das Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de Contas da União, do Procurador-Geral da República e do próprio Supremo Tribunal Federal;

e) o litígio entre Estado estrangeiro ou

orga-nismo internacional e a União, o Estado, o Distrito Federal ou o Território;

f) as causas e os conflitos entre a União e

os Estados, a União e o Distrito Federal, ou entre uns e outros, inclusive as respectivas entidades da administração indireta;

g) a extradição solicitada por Estado

estran-geiro;

h) REVOGADO

i) o habeas corpus, quando o coator for

Tri-bunal Superior ou quando o coator ou o pa-ciente for autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à jurisdi-ção do Supremo Tribunal Federal, ou se tra-te de crime sujeito à mesma jurisdição em uma única instância;

j) a revisão criminal e a ação rescisória de

seus julgados;

l) a reclamação para a preservação de sua

competência e garantia da autoridade de suas decisões;

m) a execução de sentença nas causas de

sua competência originária, facultada a delegação de atribuições para a prática de atos processuais;

n) a ação em que todos os membros da

ma-gistratura sejam direta ou indiretamente interessados, e aquela em que mais da me-tade dos membros do tribunal de origem estejam impedidos ou sejam direta ou indi-retamente interessados;

o) os conflitos de competência entre o

Su-perior Tribunal de Justiça e quaisquer tribu-nais, entre Tribunais Superiores, ou entre estes e qualquer outro tribunal;

p) o pedido de medida cautelar das ações

diretas de inconstitucionalidade;

q) o mandado de injunção, quando a

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do Senado Federal, das Mesas de uma des-sas Cades-sas Legislativas, do Tribunal de Contas da União, de um dos Tribunais Superiores, ou do próprio Supremo Tribunal Federal;

r) as ações contra o Conselho Nacional de

Justiça e contra o Conselho Nacional do Mi-nistério Público;

II – julgar, em recurso ordinário:

a) o habeas corpus, o mandado de

seguran-ça, o habeas data e o mandado de injunção decididos em única instância pelos Tribu-nais Superiores, se denegatória a decisão;

b) o crime político;

III – julgar, mediante recurso extraordinário,

as causas decididas em única ou última ins-tância, quando a decisão recorrida:

a) contrariar dispositivo desta Constituição; b) declarar a inconstitucionalidade de

trata-do ou lei federal;

c) julgar válida lei ou ato de governo local

contestado em face desta Constituição.

d) julgar válida lei local contestada em face

de lei federal.

§ 1.º A argüição de descumprimento de

preceito fundamental, decorrente desta Constituição, será apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, na forma da lei. (Trans-formado do parágrafo único em § 1º pela Emenda Constitucional nº 3, de 17/03/93)

§ 2º As decisões definitivas de mérito,

pro-feridas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais ór-gãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.

§ 3º No recurso extraordinário o recorrente

deverá demonstrar a repercussão geral das questões constitucionais discutidas no caso,

nos termos da lei, a fim de que o Tribunal examine a admissão do recurso, somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois terços de seus membros.

Art. 103. Podem propor a ação direta de

incons-titucionalidade e a ação declaratória de consti-tucionalidade:

I – o Presidente da República; II – a Mesa do Senado Federal;

III – a Mesa da Câmara dos Deputados; IV – a Mesa de Assembléia Legislativa ou da

Câmara Legislativa do Distrito Federal;

V – o Governador de Estado ou do Distrito

Federal;

VI – o Procurador-Geral da República; VII – o Conselho Federal da Ordem dos

Ad-vogados do Brasil;

VIII – partido político com representação no

Congresso Nacional;

IX – confederação sindical ou entidade de

classe de âmbito nacional.

§ 1º O Procurador-Geral da República

de-verá ser previamente ouvido nas ações de inconstitucionalidade e em todos os proces-sos de competência do Supremo Tribunal Federal.

§ 2º Declarada a inconstitucionalidade por

omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das pro-vidências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta dias.

§ 3º Quando o Supremo Tribunal Federal

apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo, citará, previamente, o Advogado-Geral da União, que defenderá o ato ou texto impugnado.

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Direito Processual Penal – Lei nº 10.259/01 - A competência penal da Justiça Federal – Prof. Joerberth Nunes

Seção III

DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

Art. 104. O Superior Tribunal de Justiça

compõe--se de, no mínimo, trinta e três Ministros.

Parágrafo único. Os Ministros do Superior

Tribunal de Justiça serão nomeados pelo Presidente da República, dentre brasileiros com mais de trinta e cinco e menos de ses-senta e cinco anos, de notável saber jurídi-co e reputação ilibada, depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo:

I – um terço dentre juízes dos Tribunais

Re-gionais Federais e um terço dentre desem-bargadores dos Tribunais de Justiça, indica-dos em lista tríplice elaborada pelo próprio Tribunal;

II – um terço, em partes iguais, dentre

advo-gados e membros do Ministério Público Fe-deral, Estadual, do Distrito Federal e Terri-tórios, alternadamente, indicados na forma do art. 94.

Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de

Jus-tiça:

I – processar e julgar, originariamente: a) nos crimes comuns, os Governadores dos

Estados e do Distrito Federal, e, nestes e nos de responsabilidade, os desembargado-res dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, os membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Fede-ral, os dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do Ministério Público da União que oficiem perante tribu-nais;

b) os mandados de segurança e os habeas

data contra ato de Ministro de Estado, dos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica ou do próprio Tribunal;

c) os habeas corpus, quando o coator ou

paciente for qualquer das pessoas mencio-nadas na alínea "a", ou quando o coator for tribunal sujeito à sua jurisdição, Minis-tro de Estado ou Comandante da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral;

d) os conflitos de competência entre

quais-quer tribunais, ressalvado o disposto no art. 102, I, "o", bem como entre tribunal e juízes a ele não vinculados e entre juízes vincula-dos a tribunais diversos;

e) as revisões criminais e as ações

rescisó-rias de seus julgados;

f) a reclamação para a preservação de sua

competência e garantia da autoridade de suas decisões;

g) os conflitos de atribuições entre

autorida-des administrativas e judiciárias da União, ou entre autoridades judiciárias de um Esta-do e administrativas de outro ou Esta-do Distrito Federal, ou entre as deste e da União;

h) o mandado de injunção, quando a

elabo-ração da norma regulamentadora for atri-buição de órgão, entidade ou autoridade federal, da administração direta ou indireta, excetuados os casos de competência do Su-premo Tribunal Federal e dos órgãos da Jus-tiça Militar, da JusJus-tiça Eleitoral, da JusJus-tiça do Trabalho e da Justiça Federal;

i) a homologação de sentenças estrangeiras

e a concessão de exequatur às cartas roga-tórias;

II – julgar, em recurso ordinário:

a) os habeas corpus decididos em única ou

última instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a deci-são for denegatória;

b) os mandados de segurança decididos em

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Distrito Federal e Territórios, quando dene-gatória a decisão;

c) as causas em que forem partes Estado

estrangeiro ou organismo internacional, de um lado, e, do outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no País;

III – julgar, em recurso especial, as causas

decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida:

a) contrariar tratado ou lei federal, ou

ne-gar-lhes vigência;

b) julgar válido ato de governo local

contes-tado em face de lei federal;

c) der a lei federal interpretação divergente

da que lhe haja atribuído outro tribunal.

Parágrafo único. Funcionarão junto ao

Su-perior Tribunal de Justiça:

I – a Escola Nacional de Formação e

Aper-feiçoamento de Magistrados, cabendo-lhe, dentre outras funções, regulamentar os cur-sos oficiais para o ingresso e promoção na carreira;

II – o Conselho da Justiça Federal,

cabendo--lhe exercer, na forma da lei, a supervisão administrativa e orçamentária da Justiça Federal de primeiro e segundo graus, como órgão central do sistema e com poderes correicionais, cujas decisões terão caráter vinculante.

Seção IV

DOS TRIBUNAIS REGIONAIS

FEDERAIS E DOS JUÍZES FEDERAIS

Art. 106. São órgãos da Justiça Federal:

I – os Tribunais federais.

Art. 107. Os Tribunais Regionais Federais

com-põem-se de, no mínimo, sete juízes, recrutados, quando possível, na respectiva região e nomea-dos pelo Presidente da República dentre

brasi-leiros com mais de trinta e menos de sessenta e cinco anos, sendo:

I – um quinto dentre advogados com mais

de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público Federal com mais de dez anos de carreira;

II – os demais, mediante promoção de

ju-ízes federais com mais de cinco anos de exercício, por antigüidade e merecimento, alternadamente.

§ 1º A lei disciplinará a remoção ou a

per-muta de juízes dos Tribunais Regionais Fe-derais e determinará sua jurisdição e sede.

§ 2º Os Tribunais Regionais Federais

instala-rão a justiça itinerante, com a realização de audiências e demais funções da atividade jurisdicional, nos limites territoriais da res-pectiva jurisdição, servindo-se de equipa-mentos públicos e comunitários.

§ 3º Os Tribunais Regionais Federais

pode-rão funcionar descentralizadamente, cons-tituindo Câmaras regionais, a fim de asse-gurar o pleno acesso do jurisdicionado à justiça em todas as fases do processo.

Art. 108. Compete aos Tribunais Regionais

Fe-derais:

I – processar e julgar, originariamente: a) os juízes federais da área de sua

jurisdi-ção, incluídos os da Justiça Militar e da Justi-ça do Trabalho, nos crimes comuns e de res-ponsabilidade, e os membros do Ministério Público da União, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral;

b) as revisões criminais e as ações

rescisó-rias de julgados seus ou dos juízes federais da região;

c) os mandados de segurança e os habeas

data contra ato do próprio Tribunal ou de juiz federal;

d) os habeas corpus, quando a autoridade

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Direito Processual Penal – Lei nº 10.259/01 - A competência penal da Justiça Federal – Prof. Joerberth Nunes

e) os conflitos de competência entre juízes

federais vinculados ao Tribunal;

II – julgar, em grau de recurso, as causas

de-cididas pelos juízes federais e pelos juízes estaduais no exercício da competência fe-deral da área de sua jurisdição.

Art. 109. Aos juízes federais compete processar

e julgar:

I – as causas em que a União, entidade

au-tárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de fa-lência, as de acidentes de trabalho e as su-jeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Traba-lho;

II – as causas entre Estado estrangeiro ou

organismo internacional e Município ou pessoa domiciliada ou residente no País;

III – as causas fundadas em tratado ou

con-trato da União com Estado estrangeiro ou organismo internacional;

IV – os crimes políticos e as infrações penais

praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competên-cia da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral;

V – os crimes previstos em tratado ou

con-venção internacional, quando, iniciada a execução no País, o resultado tenha ou de-vesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reci-procamente;

V - A as causas relativas a direitos humanos

a que se refere o § 5º deste artigo;

VI – os crimes contra a organização do

tra-balho e, nos casos determinados por lei, contra o sistema financeiro e a ordem eco-nômico-financeira;

VII – os habeas corpus, em matéria criminal

de sua competência ou quando o constran-gimento provier de autoridade cujos atos

não estejam diretamente sujeitos a outra jurisdição;

VIII – os mandados de segurança e os

ha-beas data contra ato de autoridade federal, excetuados os casos de competência dos tribunais federais;

IX – os crimes cometidos a bordo de navios

ou aeronaves, ressalvada a competência da Justiça Militar;

X – os crimes de ingresso ou permanência

irregular de estrangeiro, a execução de car-ta rogatória, após o "exequatur", e de sen-tença estrangeira, após a homologação, as causas referentes à nacionalidade, inclusive a respectiva opção, e à naturalização;

XI – a disputa sobre direitos indígenas. § 1º As causas em que a União for autora

serão aforadas na seção judiciária onde ti-ver domicílio a outra parte.

§ 2º As causas intentadas contra a União

poderão ser aforadas na seção judiciária em que for domiciliado o autor, naquela onde houver ocorrido o ato ou fato que deu ori-gem à demanda ou onde esteja situada a coisa, ou, ainda, no Distrito Federal.

§ 3º Serão processadas e julgadas na justiça

estadual, no foro do domicílio dos segura-dos ou beneficiários, as causas em que fo-rem parte instituição de previdência social e segurado, sempre que a comarca não seja sede de vara do juízo federal, e, se verifica-da essa condição, a lei poderá permitir que outras causas sejam também processadas e julgadas pela justiça estadual.

§ 4º Na hipótese do parágrafo anterior, o

recurso cabível será sempre para o Tribunal Regional Federal na área de jurisdição do juiz de primeiro grau.

§ 5º Nas hipóteses de grave violação de

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dos quais o Brasil seja parte, poderá susci-tar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal.

Art. 110. Cada Estado, bem como o Distrito

Fe-deral, constituirá uma seção judiciária que terá por sede a respectiva Capital, e varas localizadas segundo o estabelecido em lei.

Parágrafo único. Nos Territórios Federais,

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Direito Processual Penal

SUJEITOS PROCESSUAIS

TÍTULO VIII

Do Juiz, Do Ministério Público, Do

Acusado E Defensor, Dos Assistentes

E Auxiliares Da Justiça

CAPÍTULO I

DO JUIZ

Art. 251. Ao juiz incumbirá prover à

regularida-de do processo e manter a orregularida-dem no curso dos respectivos atos, podendo, para tal fim, requisi-tar a força pública.

Art. 252. O juiz não poderá exercer jurisdição no

processo em que:

I – tiver funcionado seu cônjuge ou

paren-te, consangüíneo ou afim, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, como defensor ou advogado, órgão do Ministério Público, autoridade policial, auxiliar da jus-tiça ou perito;

II – ele próprio houver desempenhado

qual-quer dessas funções ou servido como teste-munha;

III – tiver funcionado como juiz de outra

ins-tância, pronunciando-se, de fato ou de di-reito, sobre a questão;

IV – ele próprio ou seu cônjuge ou

paren-te, consangüíneo ou afim em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, for parte ou diretamente interessado no feito.

Art. 253. Nos juízos coletivos, não poderão

servir no mesmo processo os juízes que forem entre si parentes, consangüíneos ou afins, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclu-sive.

Art. 254. O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não

o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes:

I – se for amigo íntimo ou inimigo capital de

qualquer deles;

II – se ele, seu cônjuge, ascendente ou

des-cendente, estiver respondendo a processo por fato análogo, sobre cujo caráter crimi-noso haja controvérsia;

III – se ele, seu cônjuge, ou parente,

con-sangüíneo, ou afim, até o terceiro grau, in-clusive, sustentar demanda ou responder a processo que tenha de ser julgado por qual-quer das partes;

IV – se tiver aconselhado qualquer das

par-tes;

V – se for credor ou devedor, tutor ou

cura-dor, de qualquer das partes;

Vl – se for sócio, acionista ou administrador

de sociedade interessada no processo.

Art. 255. O impedimento ou suspeição

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Art. 256. A suspeição não poderá ser decla-rada nem reconhecida, quando a parte inju-riar o juiz ou de propósito der motivo para criá-la.

CAPÍTULO II

DO MINISTÉRIO PÚBLICO

Art. 257. Ao Ministério Público cabe:

I - promover, privativamente, a ação penal

pública, na forma estabelecida neste Códi-go; e

II - fiscalizar a execução da lei.

Art. 258. Os órgãos do Ministério Público não

funcionarão nos processos em que o juiz ou qualquer das partes for seu cônjuge, ou paren-te, consangüíneo ou afim, em linha reta ou co-lateral, até o terceiro grau, inclusive, e a eles se estendem, no que Ihes for aplicável, as prescri-ções relativas à suspeição e aos impedimentos dos juízes.

CAPÍTULO III

DO ACUSADO E SEU DEFENSOR

Art. 259. A impossibilidade de identificação do

acusado com o seu verdadeiro nome ou outros qualificativos não retardará a ação penal, quan-do certa a identidade física. A qualquer tempo, no curso do processo, do julgamento ou da exe-cução da sentença, se for descoberta a sua qua-lificação, far-se-á a retificação, por termo, nos autos, sem prejuízo da validade dos atos prece-dentes.

Art. 260. Se o acusado não atender à intimação

para o interrogatório, reconhecimento ou qual-quer outro ato que, sem ele, não possa ser reali-zado, a autoridade poderá mandar conduzi-lo à sua presença.

Parágrafo único. O mandado conterá, além

da ordem de condução, os requisitos men-cionados no art. 352, no que Ihe for aplicá-vel.

Art. 261. Nenhum acusado, ainda que ausente

ou foragido, será processado ou julgado sem de-fensor.

Parágrafo único. A defesa técnica, quando

realizada por defensor público ou dativo, será sempre exercida através de manifesta-ção fundamentada.

Art. 262. Ao acusado menor dar-se-á curador. Art. 263. Se o acusado não o tiver, ser-lhe-á

no-meado defensor pelo juiz, ressalvado o seu di-reito de, a todo tempo, nomear outro de sua confiança, ou a si mesmo defender-se, caso te-nha habilitação.

Parágrafo único. O acusado, que não for

po-bre, será obrigado a pagar os honorários do defensor dativo, arbitrados pelo juiz.

Art. 264. Salvo motivo relevante, os advogados

e solicitadores serão obrigados, sob pena de multa de cem a quinhentos mil-réis, a prestar seu patrocínio aos acusados, quando nomeados pelo Juiz.

Art. 265. O defensor não poderá abandonar o

processo senão por motivo imperioso, comuni-cado previamente o juiz, sob pena de multa de 10 (dez) a 100 (cem) salários mínimos, sem pre-juízo das demais sanções cabíveis.

§ 1º A audiência poderá ser adiada se, por

motivo justificado, o defensor não puder comparecer.

§ 2º Incumbe ao defensor provar o

impedi-mento até a abertura da audiência. Não o fazendo, o juiz não determinará o adiamen-to de aadiamen-to algum do processo, devendo no-mear defensor substituto, ainda que provi-soriamente ou só para o efeito do ato.

Art. 266. A constituição de defensor

independe-rá de instrumento de mandato, se o acusado o indicar por ocasião do interrogatório.

Art. 267. Nos termos do art. 252, não

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Direito Processual Penal – Sujeitos Processuais – Prof. Joerberth Nunes

CAPÍTULO IV

DOS ASSISTENTES

Art. 268. Em todos os termos da ação pública,

poderá intervir, como assistente do Ministério Público, o ofendido ou seu representante legal, ou, na falta, qualquer das pessoas mencionadas no Art. 31.

Art. 269. O assistente será admitido enquanto

não passar em julgado a sentença e receberá a causa no estado em que se achar.

Art. 270. O co-réu no mesmo processo não

po-derá intervir como assistente do Ministério Pú-blico.

Art. 271. Ao assistente será permitido propor

meios de prova, requerer perguntas às testemu-nhas, aditar o libelo e os articulados, participar do debate oral e arrazoar os recursos interpos-tos pelo Ministério Público, ou por ele próprio, nos casos dos arts. 584, § 1º, e 598.

§ 1º O juiz, ouvido o Ministério Público,

de-cidirá acerca da realização das provas pro-postas pelo assistente.

§ 2º O processo prosseguirá

independen-temente de nova intimação do assistente, quando este, intimado, deixar de compare-cer a qualquer dos atos da instrução ou do julgamento, sem motivo de força maior de-vidamente comprovado.

Art. 272. O Ministério Público será ouvido

pre-viamente sobre a admissão do assistente.

Art. 273. Do despacho que admitir, ou não, o

assistente, não caberá recurso, devendo, entre-tanto, constar dos autos o pedido e a decisão.

CAPÍTULO V

DOS FUNCIONÁRIOS DA JUSTIÇA

Art. 274. As prescrições sobre suspeição dos

ju-ízes estendem-se aos serventuários e funcioná-rios da justiça, no que Ihes for aplicável.

CAPÍTULO VI

DOS PERITOS E INTÉRPRETES

Art. 275. O perito, ainda quando não oficial,

es-tará sujeito à disciplina judiciária.

Art. 276. As partes não intervirão na nomeação

do perito.

Art. 277. O perito nomeado pela autoridade

será obrigado a aceitar o encargo, sob pena de multa de cem a quinhentos mil-réis, salvo escu-sa atendível.

Parágrafo único. Incorrerá na mesma multa

o perito que, sem justa causa, provada ime-diatamente:

a) deixar de acudir à intimação ou ao

cha-mado da autoridade;

b) não comparecer no dia e local

designa-dos para o exame;

c) não der o laudo, ou concorrer para que a

perícia não seja feita, nos prazos estabele-cidos.

Art. 278. No caso de não-comparecimento do

perito, sem justa causa, a autoridade poderá de-terminar a sua condução.

Art. 279. Não poderão ser peritos:

I – os que estiverem sujeitos à interdição de

direito mencionada nos ns. I e IV do art. 69 do Código Penal;

II – os que tiverem prestado depoimento no

processo ou opinado anteriormente sobre o objeto da perícia;

III – os analfabetos e os menores de 21

anos.

Art. 280. É extensivo aos peritos, no que Ihes for

aplicável, o disposto sobre suspeição dos juízes.

Art. 281. Os intérpretes são, para todos os

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