BASE DAS INFORMAÇÕES: ATÉ 2012 REVISÃO DE MARÇO DE 2013
mês 2012
Sumário
1 – INTRODUÇÃO ... 3
2 - OBJETIVOS DO DIAGNÓSTICO ... 4
3 - CARACTERIZAÇÃO GERAL DO MUNICÍPIO ... 4
3.1. Inserção Regional ... 4
3.2 – Dinâmica Populacional ... 7
3.2.1 - Crescimento Populacional ... 7
3.2.2 - Caracterização Etária e Étnica da População ... 10
3.3 – Perfis de Rendas Domiciliares ... 16
3.4 – Domicílios de Uso Ocasional... 21
3.5 – Caracterização da População Flutuante ... 26
4. INSTITUCIONALIDADE E DINÂMICA SOCIOPOLÍTICA ... 30
4.1. Relações Sociopolíticas em Santos ... 30
4.1.1. A Organização da Sociedade Civil ... 30
4.1.2. Organização e Articulação ... 32
4.1.3 Os Espaços de Gestão Participativa ... 36
4.2. Leitura Comunitária: Visão do Município e os Desafios para o Desenvolvimento Sustentável 46 4.2.1. A Gestão Pública e as Políticas Públicas em Santos ... 47
4.2.2. Santos não é mais para os Santistas ... 62
4.2.4. O Porto de Santos ... 65
4.2.5. Visões sobre o Pré-sal em Santos ... 66
4.2.6. O Papel da Petrobras no Município ... 69
4.2.7. O Turismo como Atividade Econômica ainda de Peso ... 72
4.2.8. Potencialidades e Desafios para o Desenvolvimento Sustentável de Santos ... 74
4.3. Considerações Finais e Aspectos Relevantes ... 80
5 – DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO ... 85
5.1. Introdução ... 85
5.2. Mercado Produtivo - Produção de Bens e Serviços ... 89
5.2.1. Informações Gerais ... 89
5.2.2. A especialização produtiva do trabalho no Município ... 92
5.2.3. A estrutura produtiva da economia local ... 111
5.2.4. Algumas decisões cruciais que podem atingir a economia local ... 114
5.2.5. Rede Petros Baia de Santos ... 116
5.2.6. Considerações preliminares ... 129
6 - ORDENAMENTO TERRITORIAL ... 130
6.1. Evolução da Mancha Urbana entre 1970 e 2010 ... 130
6.2. - Regulação dos princípios e diretrizes de política urbana e ordenamento territorial ... 135
6.2.1. Regulação do ordenamento territorial... 137
6.3. Regulação das Áreas de Expansão Urbana ... 140
6.3. Regulação das Áreas de Expansão Urbana ... 142
6.4. Áreas de Monitoramento Territorial ... 144
6.4.1 Procedimentos técnicos adotados para definição de áreas de monitoramento territorial – Litoral Paulista ... 147
6.5. Bens da União do Município de Santos ... 156
6.6. Dinâmica Imobiliária ... 158
6.6.1 - Empreendimentos Imobiliários Verticais ... 158
6.6.2 . Regulação dos Empreendimentos Imobiliários Verticais ... 175
6.6.3 - Loteamentos e Condomínios Horizontais ... 178
6.6.4 - Regulação dos Loteamentos e Condomínios horizontais ... 181
6.7. Patrimônio Histórico Cultural ... 182
6.8. Regulação dos Bens da União nas Legislações Municipais e Federais ... 190
6.8.1. Regime Jurídico dos Bens Públicos Municipais ... 190
6.8.2 Uso Privativo dos Bens Municipais ... 190
6.8.3 Alienação ou Aquisição de Bens Públicos ... 192
6.8.4. Bens Públicos Municipais e os Loteamentos e Condomínios ... 193
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1 – INTRODUÇÃO
O presente relatório apresenta um conjunto de leituras técnicas sobre as condições e tendências urbanas e socioambientais do Município de SANTOS.
As leituras sobre as condições urbanísticas e socioambientais apresentadas neste relatório estão articuladas com análises sobre diferentes aspectos como, por exemplo, o desenvolvimento econômico, a cultura, a segurança alimentar e nutricional, a saúde, a segurança pública, as finanças publicas entre outros. Tais leituras estão articuladas também com um exame detido sobre marcos jurídicos relativos às políticas públicas que incidem nos espaços territoriais daquele Município, bem como com a visão de moradores e representantes de entidades sobre o município. Os marcos regulatórios e conceituais a nível federal e estadual foramm tratados no volume 1 do relatório, e os temas e questões no âmbito regional, serão tratados em relatório especifico.
Este relatório faz parte de um conjunto de estudos que abrangem as realidades de 13 municípios do litoral paulista que estão sendo analisados no âmbito do convênio entre a Petrobras e o Instituto Pólis. Esses relatórios municipais deverão servir como base para a consolidação de um estudo regional. Como posto adiante, todos esses estudos tem como objetivo principal formular programas de desenvolvimento local e regional considerando as transformações que poderão ocorrer no litoral paulista em função de diversos projetos e obras de impacto tais como as explorações de petróleo e gás nas camadas do pré sal, a ampliação dos portos, duplicação de rodovias, entre outros.
A organização dos conteúdos do presente relatório segue uma estrutura básica, constituída pelos seguintes componentes:
- caracterização geral do município a partir dos seguintes aspectos: (i) inserção regional; (ii) dinâmicas populacionais, inclusive da população flutuante; (iii) domicílios de uso ocasional;
- análises do ordenamento territorial a partir dos seguintes aspectos: (i) crescimento da mancha urbana no período entre 1970 e 2010; (ii) dinâmica imobiliária, especialmente da implantação de empreendimentos verticais, loteamentos e condomínios horizontais; (iii) áreas potenciais para ocupações urbanas futuras; (iv) imóveis públicos; (v) imóveis de interesse histórico e cultural e (vi) áreas com restrição à ocupação urbana; - análises sobre os diferentes tipos de necessidades habitacionais, especialmente aquelas existentes em assentamentos precários e irregulares, e sobre a provisão habitacional recente promovida pelo poder público; - análises sobre as demandas e desempenhos relativos ao sistema de saneamento básico constituído pelos sistemas de abastecimento de água, de coleta e tratamento de esgoto, de drenagem urbana e de gestão de resíduos sólidos;
- análises sobre as condições de mobilidade local e regional, especialmente aquelas relacionadas aos problemas relativos aos sistemas viários e às diferentes modalidades de transportes coletivos municipais e intermunicipais;
- análises sobre as características e implicações dos grandes equipamentos e infraestruturas de logística existentes e previstos, principalmente as ferrovias, rodovias, armazéns, indústrias, portos e aeroportos; - análises sobre os espaços territoriais especialmente protegidos, em especial as diferentes modalidades de unidades de conservação instituídas pelos governos federal, estadual e municipal e as áreas de interesse ambiental definidas no zoneamento ecológico-econômico e em zoneamentos municipais;
- análises sobre as questões relativas ao desenvolvimento econômico local, à cultura,à segurança pública, à segurança alimentar e nutricional e à saude;
- análises sobre aspectos da gestão pública e democrática considerando especialmente as finanças municipais.
- analises a partir de escutas da sociedade, sobre suas organizações, a participação em espaços de gestão democrática e suas visões sobre o município e seu desenvolvimento;
Vale dizer que todas essas análises se referenciam em políticas e programas públicos nacionais e estaduais que envolvem atuações dos governos municipais e incidem nos territórios locais. Nesse sentido, leva-se em conta, entre outras, as seguintes políticas nacionais:
- política nacional e estadual de desenvolvimento urbano, compostas pelas políticas de ordenamento territorial, de habitação, de regularização fundiária, de mobilidade urbana e de saneamento ambiental; - política nacional e estadual de resíduos sólidos;
- política nacional e estadual de segurança alimentar e nutricional. - politica nacional e estadual de segurança publica
- política nacional e estadual de saúde; - política nacional e estadual de cultura;
Ademais, aquelas análises procuram traçar um quadro geral das ofertas e demandas relativas a serviços, equipamentos e infraestruturas urbanas em âmbitos municipais e regionais a fim de identificar déficits, gargalos e pontos críticos que necessitam ser superados na busca por um desenvolvimento que promova o dinamismo econômico, mas também melhore as condições de vida das pessoas e não provoque perdas e desequilíbrios ambientais.
2 - OBJETIVOS DO DIAGNÓSTICO
Os principais objetivos do presente diagnóstico é subsidiar a formulação de programas de desenvolvimento local, regional e no litoral paulista baseados no envolvimento dos diversos agentes governamentais e da sociedade civil. Tais programas deverão se referenciar na articulação entre políticas públicas nacionais já instituídas no país. Deverão se referenciar também em políticas, programas e ações realizadas pelo Governo do Estado de São Paulo inscritas em diferentes setores. As análises que compõem esse diagnóstico não se encerram em si mesmas. Pretendem se constituir em instrumentos que orientem ações estruturantes direcionadas ao ordenamento territorial e ao atendimento de diferentes tipos de necessidades sociais.
3 - CARACTERIZAÇÃO GERAL DO MUNICÍPIO
3.1. Inserção Regional
O Município de Santos possui fortes articulações com toda a Baixada Santista, com outras regiões do Estado de São Paulo, com outras partes do país e até com países da América Latina e de outros continentes. Tais articulações não são recentes e possuem determinantes históricos, econômicos, políticos, culturais e ambientais. No século XVI, a colonização portuguesa do Brasil começou com a ocupação da costa marítima onde portos foram construídos para permitir a atracagem das embarcações oriundas de outras partes do mundo e também de pontos distintos do extenso litoral brasileiro. Nessa costa, os colonizadores construíram sólidos fortes militares utilizados na defesa do Brasil Colônia. Algumas das primeiras cidades brasileiras se formaram nas proximidades desses fortes militares. Outras, como Santos e Rio de Janeiro, se estruturaram nos arredores daqueles portos marítimos. Essas cidades serviram como pontos de articulação entre a economia colonial das regiões litorâneas e os mercados europeus. Com os avanços da colonização em direção ao interior do Brasil Colônia, outros núcleos urbanos surgiram em pontos mais distantes da orla marítima. O litoral paulista foi um dos locais onde houve os primeiros núcleos de ocupação que logo foram acompanhados por outros que se implantaram nas terras altas do planalto após vencer os obstáculos impostos pelas encostas da atual Serra do Mar. Com o passar do tempo, algumas dessas cidades se tornaram importantes polos regionais, capitais estaduais e sedes de grandes regiões metropolitanas.
As atividades portuárias realizadas no período colonial influenciaram diretamente a formação dos núcleos que deram origem à ocupação urbana na Baixa Santista. No território do atual Município de Santos foram instalados os primeiros trapiches do Porto que passou a ter o mesmo nome. No último quarto do século XIX o
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Porto de Santos ganha importância econômica com o desenvolvimento da produção do café nas fazendas do interior da então Província de São Paulo direcionada para exportação. Essa produção cafeeira oriunda das fazendas do interior paulista chegava ao Porto de Santos por meio da antiga ferrovia São Paulo Railway, inaugurada em 1867. Na cidade de São Paulo, essa ferrovia atravessava as várzeas dos Rios Tietê e
Tamanduateí que, nas décadas seguintes, passaram a receber importantes plantas industriais que buscavam se instalar nos terrenos mais planos. No final do século XIX, o aumento da importância econômica do Porto de Santos colocou a necessidade de expansão física e de melhoramentos nas infraestruturas e nas condições de funcionamento. Em 1892, marco oficial da inauguração desse Porto, a Companhia Docas de Santos entregou os primeiros 260 metros de cais na área que até hoje é denominada como Valongo, localizado no centro histórico de Santos. Nesse período, “os velhos trapiches e pontes fincados em terrenos lodosos foram sendo substituídos por aterros e muralhas de pedra” (Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do Porto de Santos - PDZPS, 2012: p. 13).
Já no século XX, o Porto de Santos ganha novo impulso com a abertura da Rodovia Anchieta (SP-150) realizada na década de 1940, com o desenvolvimento industrial da atual Região Metropolitana de São Paulo, especialmente na Região do Grande ABCD (com os municípios de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Diadema) e com o processo de industrialização de Cubatão. Esse processo de
industrialização representa um ponto de inflexão na economia paulista iniciado a partir da década de 1950. Trata-se de uma inflexão marcada pela instalação de grandes empresas multinacionais em cidades que passaram a receber grandes contingentes migratórios e iniciaram acelerado processo de urbanização periférica baseada na produção de assentamentos precários, muitas vezes irregulares do ponto de vista fundiário, ocupados pelas moradias das populações de baixa renda. Essa imbricação entre crescimento da base econômica e urbanização precária estruturou grande parte dos territórios das maiores cidades brasileiras, inclusive da metrópole paulistana e da principal cidade portuária da Baixada Santista. As características desse processo de urbanização são examinadas adiante.
O fortalecimento e a estruturação do trinômio porto-indústria automobilística-indústria de base no sistema econômico regional formado por Santos, São Paulo e Cubatão é baseado na conexão do Porto de Santos com os parques industriais do Município de São Paulo e da atual Região do Grande ABC, onde se instalaram indústrias da cadeia de produção de bens duráveis, como eletrodomésticos e automóveis, e de Cubatão onde se instalou um polo industrial de base formado pela Companhia Siderúrgica Paulista (COSIPA), hoje parte do grupo USIMINAS, e pela Refinaria de Petróleo Presidente Bernardes da Petrobras. A Rodovia Anchieta (SP-150), importante eixo articulador desse trinômio, amplia a ligação entre o Porto de Santos e aqueles parques industriais formando um complexo sistema econômico e logístico de importância nacional e internacional. Na década de 1970 essa ligação se fortalece com a abertura da Rodovia Imigrantes (SP-160).
Apesar de o Porto de Santos ter forte articulação com os polos industriais mais próximos, é necessário levar em conta a sua influência macrorregional. De acordo com o PDZPS (2012) a vocação natural desse Porto é “atender às necessidades de movimentação de cargas dos estados do Sudeste e de grande parte do Centro-Oeste do país” (PDZPS, 2012: p. 44). O PDZPS define o chamado “vetor Logístico Centro-Sudeste” como a área de influência primária do Porto de Santos. Segundo esse documento, a “área de influência secundária compreende todo o restante do Brasil e alcança também parte de outros países sul-americanos, como Paraguai e Uruguai e parte da Argentina, Bolívia e Chile” (PDZPS, 2012: p. 45).
Os municípios da Região Metropolitana da Baixada Santista, instituída pela Lei Complementar Estadual nº 815 de 30 de julho de 1996, conectam-se com as áreas de influência primária do Porto de Santos a partir de vias de acessos rodoviários, ferroviários e dutoviários existentes. O “modal rodoviário é responsável por aproximadamente 73% da carga movimentada, o ferroviário por aproximadamente 20% e o dutoviário por aproximadamente 7%” (PDZPS, 2012: p. 74). Os dutos são basicamente utilizados para a movimentação de derivados de petróleo e produtos petroquímicos transportados de/para as refinarias de Cubatão
(principalmente) e o terminal da Transpetro, na Alemoa.
Os acessos rodoviários que chegam ao Porto de Santos também promovem fortes ligações da Baixada Santista com diferentes regiões do planalto e do litoral paulistas. As já mencionadas Rodovias Anchieta (SP-150) e Imigrantes (SP-160) ligam o Planalto Paulista com a Baixada Santista. Esse complexo rodoviário
Anchieta-Imigrantes estreita as relações entre as atuais Regiões Metropolitanas de São Paulo e da Baixada Santista. Milhares de moradores dessa parte do litoral paulista se dirigem para aquela Região Metropolitana para trabalhar e estudar todos os dias. A Rodovia Manoel Hyppolito Rego (SP-055) faz a conexão entre Santos e o Litoral Norte. Nos meses de verão muitos turistas vindos de outras metrópoles paulista ou dos municípios do interior usam essa Rodovia para chegar ao Litoral Norte passando pela Baixada Santista. A Rodovia Cônego Domênico Rangoni (SP-055), mais conhecida como Piaçaguera-Guarujá, interliga o Sistema Anchieta-Imigrantes, que chega a Santos e Cubatão vindos do Planalto Paulista, com o Município de Guarujá. Muitos empregados das indústrias de Cubatão usam essa Rodovia. A Rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP-055) liga Santos com os municípios na porção Sul da Região Metropolitana da Baixada Santista (Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe) e, a partir daí, com os municípios do Litoral Sul (Iguape, Cananéia e Ilha Comprida). Moradores dos municípios localizados nas porções Sul da Baixada Santista usam essa Rodovia para ir a Santos, São Vicente e Cubatão para trabalhar e estudar. Isso provoca congestionamentos como se verá adiante.
Ademais, o PDZPS descreve rotas que ligam regiões produtoras do país com Santos e seu importante Porto. Trata-se das rotas RondonóPólis-Santos (utilizada no escoamento de granéis agrícolas e derivados como soja, farelo milho, entre outros, produzidos no Centro Oeste do país); Dourados-Santos (utilizada no escoamento de granéis agrícolas produzidos no Mato Grosso do Sul) e Brasília-Triângulo Mineiro-Santos (utilizada no escoamento de granéis agrícolas produzidas em regiões de Goiás). Além dessas rotas mais longas, há rotas curtas que servem para o escoamento da “produção de açúcar e etanol do interior do Estado de São Paulo e a produção e importação de bens manufaturados acondicionados em contêineres na Grande São Paulo e no Vale do Paraíba” (PDZPS, 2012: p. 64).
As ferrovias operadas pelas empresas MRS Logística, ALL Logística e FCA se somam àqueles acessos terrestres regionais e macro regionais ao Porto de Santos. A ferrovia da MRS faz a ligação do Porto de Santos com regiões dos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais enquanto as da ALL conecta aquele Porto com os Estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, demais regiões do Estado de São Paulo e com estados do Sul do Brasil. As ferrovias da FCA (Ferrovia Centro Atlântica) acessam o Porto de Santos a partir de uma malha que se espalha por 7 estados: Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Sergipe, Goiás, Bahia, São Paulo e Distrito Federal. Vale citar, com base no PDZPS (2012) que a “MRS utiliza os trilhos da antiga Santos-Jundiaí, enquanto a ALL utiliza os trilhos da antiga FERROBAN; as duas se encontram em Cubatão no pátio de intercâmbio de Perequê. Do pátio as composições são conduzidas até as duas margens do Estuário, onde a PORTOFER (que realiza as operações somente no interior das dependências do Porto de Santos) assume as composições” (PDZPS, 2012: p. 69).
O acesso aquaviário é o que interliga os diferentes terminais portuários e berços de atracação do Porto de Santos. Esse tipo de acesso é de abrangência local e consiste no Canal da Barra com extensão de
aproximadamente 25 km dos quais 13 km com instalações de acostagem, largura de 150 m até a Barra do Saboó e de 110 m desse ponto em diante e profundidade variável entre 12 m e 14 m (PDZPS, 2012: p. 50-51). Nas margens direita (Santos) e esquerda (Guarujá) desse Canal distribuem-se aqueles berços de atracação e terminais portuários utilizados na movimentação de cargas e descargas.
O Porto de Santos não é beneficiado por acessos hidroviários importantes devido às condições geográficas existentes. Segundo o PDZPS (2012), a “hidrovia Tietê-Paraná movimenta cargas (principalmente grão, farelo e açúcar) do sudeste e centro-oeste, tendo como destino final o Porto de Santos. A maior parcela é
transbordada para a ferrovia ALL (malha da antiga Ferroban), em Pederneiras, ou para caminhões em Anhembi, no interior do Estado, antes de acessar o porto” (PDZPS, 2012: p. 56).
Além das bases econômicas e logísticas descritas anteriormente, outros fatores promovem as articulações regionais que inserem o Município de Santos e toda a Baixada Santista em outras dinâmicas urbanas e demográficas. Trata-se dos fatores relacionados com as características de balneário existentes em municípios de todo o litoral paulista. Em meados do século XX, o Município de Santos era um importante destino turístico para os moradores dos municípios localizados no planalto, especialmente da capital paulista e dos seus municípios vizinhos. Nas décadas de 1950 e 1960 o Município de Santos recebeu vários
empreendimentos imobiliários constituídos pelas chamadas “segundas residências” destinadas ao veraneio. Tais empreendimentos se implantaram principalmente nas orlas marítimas, junto às praias de maior interesse dos investidores e dos consumidores de renda média e alta. Esse segmento imobiliário se expandiu a partir de Santos avançando sobre as áreas junto às praias do Guarujá, São Vicente e demais municípios da Baixada Santista. A influência dessas atividades de veraneio no processo de uso e ocupação do espaço urbano de Santos será
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analisada mais detalhadamente adiante. Do ponto de vista da inserção regional, vale dizer que, até hoje, muitas famílias que vivem nos municípios do planalto e do interior paulista, e em outras partes do país, se dirigem para Santos e outros municípios da Baixada Santista durante os feriados e os períodos de férias. A maior parte desses visitantes se instalam nas “segundas residências” que permanecem ociosas parte do ano.
Com o fortalecimento e crescimento das atividades portuárias, industriais, comerciais e de serviços, houve certa retração no turismo de veraneio em Santos principalmente nas décadas de 1970 e 1980 quando as condições de balneabilidade das praias estavam muito ruins por causa da poluição provocada por esgotos domésticos e efluentes líquidos oriundos do porto e até das indústrias. Porém, isso não significa que essas atividades de veraneio deixaram de existir. Tais atividades sempre existiram na Baixada Santista, principalmente nos município localizados a Sul de Santos e São Vicente (Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe). Nas últimas décadas houve melhorias nas condições de saneamento básico e no controle de emissão de poluentes com reflexos positivos nas praias. Ademais, foram realizados investimentos em melhorias urbanas e paisagísticas nessas praias. Isso tem provocado valorização nos imóveis mais próximos ao mar e atraído grande quantidade veranistas e visitantes de veraneio e de fins de semana. Vale dizer que as rodovias mencionadas anteriormente facilitam o acesso de centenas de milhares de turistas que se dirigem para suas casas de veraneio, hotéis e pousadas na Baixada Santista.
Como dito anteriormente, a Região Metropolitana da Baixada Santista, instituída pela Lei Complementar Estadual nº 815 de 30 de julho de 1996. O Município de Santos polariza essa Região Metropolitana junto com São Vicente, Guarujá e Cubatão. A Sul desses municípios, a Região Metropolitana da Baixada Santista contem Praia Grande, Itanhaém, Mongaguá e Peruíbe e a Norte Bertioga. Essa Lei autoriza o Poder Executivo a instituir o Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista (CONDESB), uma autarquia responsável pela gestão metropolitana e o Fundo de Desenvolvimento Metropolitano da Baixada Santista (FUNDESB). Em 23 de dezembro de 1998, a Lei Complementar Estadual nº 853 cria a Agência Metropolitana da Baixada Santista (AGEM) entidade autárquica vinculada à Secretaria dos Transportes Metropolitanos, com a finalidade de integrar a organização, o planejamento e a execução das funções públicas de interesse comum nesta região. Em 2004, Lei Complementar nº 956 transfere a AGEM para a Secretaria de Economia e Planejamento.
3.2 – Dinâmica Populacional 3.2.1 - Crescimento Populacional
O município de Santos vem apresentando crescimento populacional praticamente zero nas últimas duas décadas. Entre 1991 e 2000 a taxa geométrica de crescimento anual (TGCA) foi de 0,02%a.a., ao contrário dos demais municípios do litoral paulista que, em sua maior parte, durante o mesmo período apresentaram altas taxas de crescimento. Na década de 2000 a 2010 esta tendência se manteve com o município crescendo a apenas 0,04%a.a. Nesse período Santos saltou de 417.983 para 419.400 habitantes, conforme tabela ___ abaixo.
Tabela. Municípios do Litoral Paulista - População Residente e Taxa Geométrica de Crescimento Anual - TGCA - 2000-2010
Município Ano TGCA 1991 - 2000 TGCA 2000-2010 1991 2000 2010 Bertioga - SP 11.426 30.039 47.645 11,34 4,42 Cubatão - SP 91.136 108.309 118.720 1,94 0,96 Guarujá - SP 210.207 264.812 290.752 2,60 0,93 Itanhaém - SP 46.074 71.995 87.057 5,08 1,92 Mongaguá - SP 19.026 35.098 46.293 7,04 2,80 Peruíbe - SP 32.773 51.451 59.773 5,14 1,52 Praia Grande - SP 123.492 193.582 262.051 5,12 3,17 Santos - SP 417.100 417.983 419.400 0,02 0,04 São Vicente - SP 268.618 303.551 332.445 1,37 0,94 São Sebastião - SP 33.890 58.038 73.942 6,16 2,48 Ilhabela - SP 13.538 20.836 28.196 4,91 3,12 Caraguatatuba - SP 52.878 78.921 100.840 4,55 2,49 Ubatuba - SP 47.398 66.861 78.801 3,90 1,72
Os mapas ___abaixo permitem visualizar as diferenças nessas taxas geométricas de crescimento anual dos municípios litorâneos que estão sendo analisados. Como pode-se observar, Santos distaca-se na década de 1990 como o municipio que apresenta uma taxa de crescimento inferior a 1%. Já no mapa que apresenta a performace da década de 2000, observamos que existe uma tendência geral de diminiuição do ritmo de crescimento populacional nos municípios da regiões, fator que faz com que alguns municipios se aproximem da faixa de crescimento populacional de Santos que ainda é muito baixa.
Mapa. Municípios do Litoral Paulista – Taxa Geométrica de Crescimento Anual - TGCA 1991–2000 e 2000-2010
Fonte: Censos Demográficos IBGE, 1991 e 2000 e Censos Demográficos IBGE, 2000 e 2010.
O município de Santos possui uma área total de 28 mil hectares e divide-se em duas áreas geográficas distintas: a área insular e a área continental. As duas áreas diferem tanto em termos demográficos, quanto em termos econômicos e geográficos.
A área insular estende-se sobre a Ilha de São Vicente, cujo território é dividido com o município vizinho de São Vicente, e é densamente ocupada. Já a porção continental do município, que representa a maior parte do território do município, tem quase 70% do seu território inserida em unidades de conservação e
permanece não ocupada. A área efetivamente urbanizada ocupa apenas aproximadamente 12% do território, resultando em uma densidade populacional total do município de apenas 15hab/ha. Já a área urbanizada do município atinge densidades maiores, chegando a 119 hab/ha, dentre as maiores densidades dentre os municípios analisados.
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Tabela. Municípios do Litoral Paulista - Área do Município e Densidade demográfica – 2010
Município População 2010 Área total do município (hectare) Densidade demográfica do município (Habitante por hectare) Área urbanizada (hectare) Densidade demográfica da área urbanizada (Habitante por hectare) Bertioga 47.645 49.000 1,0 2.723 17,5 Caraguatatuba 100.840 48.540 2,1 3.368 29,9 Cubatão 118.720 14.240 8,3 2.411 49,2 Guarujá 290.752 14.290 20,3 3.804 76,4 Ilhabela 28.196 34.750 0,8 831 33,9 Itanhém 87.057 59.960 1,5 4.948 17,6 Mongaguá 46.293 14.210 3,3 1.531 30,2 Peruíbe 59.773 31.140 1,9 3.447 17,3 Praia Grande 262.051 14.750 17,8 3.927 66,7 Santos 419.400 28.110 14,9 3.507 119,6 São Sebastião 73.942 40.040 1,8 2.508 29,5 São Vicente 332.445 14.890 22,3 2.462 135,0 Ubatuba 78.801 71.080 1,1 2.456 32,1
Fonte: Censo Demográfico IBGE, 2010.
No município de Santos, a maior parte de sua área urbanizada possui densidade populacional de até 200hab/ha. As áreas que apresentam maior densidade encontram-se próximas ao litoral e nos bairros de Campo Grande, Santa Maria, Radio Clube e no Saboo, conforme pode-se observar no Mapa___, abaixo.
Mapa. Santos - Densidade Demográfica de População Residente Segundo Setores Censitários – 2010
3.2.2 - Caracterização Etária e Étnica da População
A primâmide etária do município de Santos reflete o perfil diferenciado da população bem como seu envelhecimento. A população jovem de até 29 anos passou de 44% em 2000 para 38% da população total em 2010, enquanto a população de 30 até 59 anos aumentou de 39% para 42% da população total. Neste período, também percebe-se o aumento da população com mais de 60 anos que passou de 15% para 19% sobre a população total, ver figura____.
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Figura. Santos - Pirâmides Etárias – 2000 e 2010
Fonte: Censos Demográficos IBGE, 2000 e 2010.
Em relação à classificação da população de acordo com as categorias de cor e raça utilizadas pelo IBGE, Santos é o município que concentra maior porcentagem de população branca residente, ao contrário da maior parte dos municípios litorâneos paulistas onde o percentual da população parda e negra sobre a população total está acima do percentual verificado para o Estado de São Paulo. No caso de Santos o percentual de população branca sobre a população total é quase 10% superior à média do estado.
Tabela. Estado de São Paulo e Municípios do Litoral Paulista - População Residente Segundo Cor ou Raça - 2010
Unidade da Federação e Municípios
Cor ou raça
Total Branca Preta Amarela Parda Indígena
Estado de São Paulo 41.262.199 63,9% 5,5% 1,4% 29,1% 0,1%
Bertioga - SP 47.645 47,0% 7,6% 1,1% 43,8% 0,5% Cubatão - SP 118.720 42,6% 7,7% 0,7% 48,8% 0,2% Guarujá - SP 290.752 47,0% 6,7% 0,6% 45,5% 0,2% Itanhaém - SP 87.057 58,4% 5,0% 0,7% 35,5% 0,4% Mongaguá – SP 46.293 58,2% 6,3% 0,6% 34,2% 0,7% Peruíbe - SP 59.773 57,8% 6,0% 1,3% 34,1% 0,7% Praia Grande – SP 262.051 57,1% 5,9% 0,8% 36,1% 0,1% Santos - SP 419.400 72,2% 4,7% 1,0% 22,0% 0,1% São Vicente – SP 332.445 53,5% 7,1% 0,6% 38,7% 0,1% São Sebastião – SP 73.942 53,9% 6,4% 0,7% 38,5% 0,4% Ilhabela - SP 28.196 52,2% 5,1% 0,7% 41,8% 0,2% Caraguatatuba – SP 100.840 66,2% 4,4% 0,9% 28,3% 0,1% Ubatuba - SP 78.801 59,2% 5,9% 1,0% 33,5% 0,4%
Fonte: Censo Demográfico IBGE, 2010.
-20.000-15.000-10.000 -5.000 0 5.000 10.000 15.000 20.000 0 a 4 anos 5 a 9 anos 10 a 14 anos 15 a 19 anos 20 a 24 anos 25 a 29 anos 30 a 34 anos 35 a 39 anos 40 a 44 anos 45 a 49 anos 50 a 54 anos 55 a 59 anos 60 a 64 anos 65 a 69 anos 70 a 74 anos 75 a 79 anos 80 anos ou mais população fai xas e tár ias
Pirâmide Etária - Santos 2000
-20.000-15.000-10.000 -5.000 0 5.000 10.000 15.000 20.000 0 a 4 anos 5 a 9 anos 10 a 14 anos 15 a 19 anos 20 a 24 anos 25 a 29 anos 30 a 34 anos 35 a 39 anos 40 a 44 anos 45 a 49 anos 50 a 54 anos 55 a 59 anos 60 a 64 anos 65 a 69 anos 70 a 74 anos 75 a 79 anos 80 anos ou mais População Fai xas Etár ias
Gráfico. Santos – Distribuição Percentual da População Segundo Cor ou Raça - 2010
Fonte: Censo Demográfico IBGE, 2010.
Quando observa-se a distribuição territorial da população de Santos segundo raça ou cor, percebe-se maior presença da população branca nos setores censitários mais próximos às faixas litorâneas, beneficiada pela proximidade com a praia, enquanto as populações pardas e negras estão mais distantes da orla marítima, concentradas nos setores censitários vizinhos ao município de São Vicente e na região portuária. Ao mesmo tempo a distribuição da população parda e preta, parece fazer o inverso do mapa de distruição da população branca, concentrando-se com mais intensidade justamente nas áreas mais afastadas da orla marítma e na porção continental do município.
Mapa. Santos. Distribuição dos Percentuais da População Branca Segundo Setores Censitários – 2010
Fonte: Censo Demográfico IBGE, 2010.
Branca; 72,2% Preta; 4,7%
Amarela; 1,0% Parda; 22,0%
Indígena; 0,1%
Cor ou raça da população residente Santos
BASE DAS INFORMAÇÕES: ATÉ 2012 REVISÃO DE MARÇO DE 2013
mês 2012
Mapa. Santos – Distribuição dos Percentuais da População Parda Segundo Setores Censitários – 2010
Mapa. Santos – Distribuição dos Percentuais da População Preta Segundo Setores Censitários – 2010
Fonte: Censo Demográfico IBGE, 2010.
De acordo com dados do censo, não há uma concentração expressiva de população indígena no município de de Santos.
BASE DAS INFORMAÇÕES: ATÉ 2012 REVISÃO DE MARÇO DE 2013
mês 2012
Mapa. Santos – Distribuição dos Percentuais da População Indígena Segundo Setores Censitários – 2010
3.3 – Perfis de Rendas Domiciliares
Para analisarmos os perfis de renda no município de Santos utilizaremos dois tipos de variáveis: a renda mensal do responsável pelo domicílio; e a renda mensal domiciliar, composta de todos os rendimentos dos moradores. Estes são importantes indicadores da capacidade de consumo das famílias.
A pessoa responsável pelo domicílio é identificada pelo IBGE como homem ou mulher, de 10 anos ou mais de idade, reconhecida pelos moradores como responsável pela unidade domiciliar. No município de Santos, 44% das pessoas responsáveis por domicílios possuem rendimento mensal de 0 a 3 salários mínimos.
Gráfico. Santos – Distribuição Percentual das Pessoas Responsáveis Segundo Faixas de Renda Mensal – 2010
Fonte: Censo Demográfico IBGE, 2010. Elaboração: Instituto Pólis.
Dentre todos os municíoios analisados, Santos se distingue por ter maiores percentuais de responsáveis por domicílios que possuem níveis mais altos de renda, conforme gráfico___ a seguir, sendo o único município que tem menos de 50% dos responsáveis com menos de 3 salários mínimos.
10%
44% 19%
18% 7% 2%
Rendimento nominal mensal das
Pessoas responsáveis por domicílios -
Santos
Sem rendimento Até 3 S.M. Acima de 3 até 5 S.M. Acima de 5 até 10 S.M. Acima de 10 até 20 S.M. Acima de 20 S.M.BASE DAS INFORMAÇÕES: ATÉ 2012 REVISÃO DE MARÇO DE 2013
mês 2012
Gráfico. Municípios do Litoral Paulista – Distribuição Percentual das Pessoas Responsáveis Segundo Faixas de Renda Mensal – 2010
Fonte: Censo Demográfico IBGE, 2010. Elaboração: Instituto Pólis.
Com o objetivo de observar a distribuição espacial dos domicílios e dos responsáveis domiciliares segundo os níveis de renda, somamos o valor do rendimento nominal mensal de todos os responsáveis pelos domicílios em cada setor censitário. O resultado foi dividido pelo número total de responsáveis pelo domicílio do próprio setor. Com isso se obteve o rendimento médio dos responsáveis pelos domicílios segundo os setores censitários.
A espacialização desse indicador segundo diferentes faixas de renda (conforme mapa____ abaixo) permite visualizar as desigualdades socioespaciais existentes em Santos. Verificamos uma maior concentração de responsáveis domiciliares com os maiores níveis de rendimento na parte insular do município. Quanto maior a proximidade com a orla marítima maior a renda. Já a parte continental do município concentra população de média renda entre R$ 622,00 e R$ 1.866,00 (1 a 3 salário mínimos).
Mapa. Santos – Rendimentos Nominais Médios dos Responsáveis pelos Domicílios Segundo Setores Censitários – R$ - 2010
Conforme mapa ___ abaixo, há vários setores com alta concentração de responsáveis domiciliares com renda maior do que 10 salários mínimos, todos próximos a orla, as maiores concentrações estão no Bairro do Boqueirão, ponta da Praia e Gonzaga.
Mapa. Santos – Percentuais de Responsáveis por Domicílios com Rendimento Nominal Mensal Acima de 10 Salários Mínimos Segundo Setores Censitários – 2010
BASE DAS INFORMAÇÕES: ATÉ 2012 REVISÃO DE MARÇO DE 2013
mês 2012
Já os responsáveis por domicílios sem rendimento estão concentrados na parte insular e em setores censitários dispersos na parte insular do município, mas sempre mais afastados da orla oceânica conforme pode ser visto no mapa ___ abaixo.
Mapa. Santos – Percentuais de Responsáveis por Domicílios Sem Rendimentos Segundo Setores Censitários – 2010
Como visto anteriormente, 44% dos responsáveis por domicílios de Santos possuem renda até 3 s.m. Este grupo social se distribui na parte continental do município e no interior da parte insular. Apresentando maior concentração na porção continental, que como pode-se observar no mapa___ abaixo, é quase integralmente ocupada por famílias com chefes que ganham até 3 s.m.
Mapa. Santos– Distribuição, Segundo Setores Censitários, do percentual de concentração da pessoa responsável com rendimento nominal mensal de até 3 Salários Mínimos – 2010
Outra importante variável de rendimento observada é a renda domiciliar que corresponde à somatória da renda individual dos moradores de um mesmo domicílio. Como dito antes, este indicador tem relação com a capacidade de consumo da família e deve ser considerado para a definição de critérios para a formulação e implementação de diversas políticas públicas, especialmente no setor habitacional.
Foram adotadas as faixas de renda utilizadas pelo IBGE nas tabulações realizadas. Desse modo, foram consideradas as seguintes faixas: sem rendimentos, de 0 a 2 s.m.; mais de 2 a 5 s.m.; mais de 5 a 10 s. m. e mais de 10 s.m. O município de Santos possui somente 15% dos domicílios com renda até 2 salários mínimos, 33% dos domicílios com renda entre 2 e 5 salários mínimos, 28% com renda domiciliar entre 5 e 10 salários mínimos e 21% com renda maior que 10 s.m., apresentando uma renda domiciliar média superior aos outros municípios estudados, conforme comentado anteriormente.
BASE DAS INFORMAÇÕES: ATÉ 2012 REVISÃO DE MARÇO DE 2013
mês 2012
Gráfico. Santos – Distribuição Percentual dos Domicílios Segundo Faixas de Renda Domiciliar Mensal – 2010
Fonte: Censo Demográfico IBGE, 2010.
3.4 – Domicílios de Uso Ocasional
Segundo dados censitários do IBGE, o Município de Santos passou de 170.439 domicílios em 2000 para 177.137 domicílios em 2010, confirmando a tendência ao baixo crescimento populacional ocorrido no período anterior. Diferentemente da maior parte dos municípios do litoral paulista que também possuem característica de municípios turísticos e de veraneio, o município de Santos apresenta um percentual de domicílios de uso ocasional mais baixo.
Domicílio de uso ocasional é o domicílio particular permanente que serve ocasionalmente de moradia, geralmente usado para descanso nos fins de semana, férias, entre outras finalidades.
De acordo com dados do Censo 2010, 11,33% dos domicílios particulares permanentes de Santos são de uso ocasional. Apesar de ser um número expressivo, é proporcionalmente bem menor do que no restante do litoral paulista onde em alguns municípios o número de domicílios de uso ocasional chega a 60% do total de domicílios. Isso ocorrem em Bertioga e em Mongaguá. Este fato demosntra a reversão do municipio de Santos como cidade de veraneio com ocupação de segunda residências e confirma a presença de uma maioria de população fixa.
Tabela. Santos - Domicílios Recenseados Segundo Condição de Ocupação - 2010 Domicílios recenseados- dados 2010
Município Total recenseados
Particular - ocupado Particular - não ocupado - uso ocasional Particular - não ocupado - vago Coletivos Nº Nº % do total de domicílios Nº % do total de domicílios Nº % do total de domicílios Nº % do total de domicílios Santos - SP 177.137 144.715 81,70% 20.073 11,33% 12.111 6,84% 238 0,13% Fonte: Censo Demográfico IBGE, 2010.
3% 15%
33% 28%
21%
Rendimento mensal domiciliar Santos % sem rendimento % até 2SM % mais de 2 a 5 SM % mais de 5 a 10 % mais de 10 SM
Gráfico. Santos – Domicílios Recenseados Segundo Condição de Ocupação - 2010
Fonte: Censo Demográfico IBGE, 2010.
Entre 2000 e 2010, o crescimento dos domicílios de uso permanente em Santos foi de 7,54%, enquanto o domicílios de uso ocasional diminuiu nesse mesmo período indicando fixação crescente de moradores no município, que já representam um percentual muito mais elevado em relação aos domiclios de uso ocasional.
Tabela. Municípios do Litoral Paulista – Variação no Percentual de Domicílios Particulares Permanentes Ocupados, de Uso Ocasional e Vagos – 2000-2010
Municípios Crescimento (%) entre os anos de 2000 e 2010 Domicílios ocupados
permanentes
Domicílios de uso ocasional
Domicílios não ocupados vagos Bertioga - SP 13,05% 27,18% 1,72% Caraguatatuba - SP 15,00% 4,80% -0,23% Cubatão - SP 16,76% -0,24% -2,15% Guarujá - SP 9,15% 0,99% -1,52% Ilhabela - SP 22,32% 6,72% 4,15% Itanhaém - SP 11,44% 12,07% 0,63% Mongaguá - SP 11,32% 9,91% -0,47% Peruíbe - SP 11,92% 6,69% 1,49% Praia Grande - SP 14,29% 5,82% -0,10% Santos - SP 7,54% -0,42% -2,76% São Sebastião - SP 16,99% 6,69% 0,17% São Vicente - SP 14,76% -2,31% -2,39% Ubatuba - SP 11,25% 10,07% 1,62%
Fonte: Censos Demográficos IBGE, 2000 e 2010.
ocupado; 81,70% ocasional; 11,33% vago; 6,84% coletivo ; 0,13% Domicílios recenseados Santos
BASE DAS INFORMAÇÕES: ATÉ 2012 REVISÃO DE MARÇO DE 2013
mês 2012
Como já se comentou, em Santos, a maior parte dos domicílios são de uso permanente, servindo à população moradora. Os domicílios de uso ocasional estão concentrados nos setores censitários mais próximos à orla marítima. Nesses setores censitários, entre 25% e 75% dos domicílios são de uso ocasional. Ver
figuras___e___.
Mapa. Santos – Distribuição dos Percentuais dos Domicílios Particulares Permanentes Ocupados Segundo Setores Censitários – 2010
Mapa. Santos – Distribuição Percentual dos Domicílios de Uso Ocasional Segundo Setores Censitários – 2010
Fonte: Censo Demográfico IBGE, 2010.
Em relação ao tipo de domicílio, ou seja, se são casas ou apartamentos, o Censo 2010 classifica somente os domicílios particulares permanentes ocupados com moradores fixos. Vale dizer que os domicílios particulares permanentes de uso ocasional, correspondentes a 11% do total de domicílios de Santos, não são computados nessa classificação.
O município apresenta residências predominantemente verticais, com mais de 63% dos domicílios ocupados classificados como apartamentos e 34% classificados como casas. Os apartamentos estão
predominantemente concentrados nos setores censitários próximos às faixas litorâneas, em quanto as casas estão concentradas nos setores censitários mais afastados.
BASE DAS INFORMAÇÕES: ATÉ 2012 REVISÃO DE MARÇO DE 2013
mês 2012
Gráfico. Santos – Distribuição Percentual dos Domicílios Particulares Permanentes Ocupados Segundo Tipo (Casa, Casa de Vila ou de Condomínio, Apartamento) – 2010
Fonte: Censo Demográfico IBGE, 2010.
Figura. Santos – Distribuição Percentual dos Domicílios Particulares Permanentes com Residentes Fixos do Tipo Apartamento Segundo Setores Censitários – 2010
Fonte: Censo Demográfico IBGE, 2010.
34% 2% 63% 1%
Santos
tipo de domicílio
Casa Casa de vila ou em condomínio ApartamentoFigura. Santos – Distribuição Percentual dos Domicílios Particulares Permanentes com Residentes Fixos do Tipo Casa Segundo Setores Censitários – 2010
Fonte: Censo Demográfico IBGE, 2010.
3.5 – Caracterização da População Flutuante
Dentre as diversas formas de turismo, a modalidade balneária é um dos segmentos mais significativos da economia regional, contribuindo efetivamente para o crescimento do setor terciário. No entanto, há um grave desequilíbrio provocado pela adoção, ao longo do século XX, de um modelo de turismo baseado na
sazonalidade, e na criação de um significativo parque de residências de veraneio, em todas as cidades litorâneas de São Paulo.
A modalidade de turismo denominada de “segunda residência”, e que se desenvolveu por todo o litoral paulista, menos a baseada em meios de hospedagem, e mais a baseada na comercialização de unidades habitacionais, em tipologias horizontais ou verticais, é problemática, pois demanda a implantação de infraestrutura urbana para atender os picos das temporadas de veraneio, deixando-a ociosa grande parte do ano.
Assim, os sistemas de saneamento básico, de fornecimento de energia elétrica, de transportes e trânsito, além de serviços de saúde e do terciário, devem estar dimensionados de forma a atender população muito superior à residente. Esta dinâmica, historicamente, sempre implicou em investimentos estatais necessários ao atendimento desta demanda, os quais sempre foram realizados em nível insuficiente, produzindo significativo passivo socioambiental.
Contudo, este fenômeno há várias décadas vem reduzindo seus impactos nos municípios da ilha de São Vicente. Como demonstra o gráfico ___ abaixo, tanto em Santos, como em São Vicente, a proporção da população flutuante com relação a fixa é muito inferior do que nos demais municípios analisados. Em Santos, segundo o mencionado gráfico, a população flutuante é cerca de 20,0% da população fixa total.
BASE DAS INFORMAÇÕES: ATÉ 2012 REVISÃO DE MARÇO DE 2013
mês 2012
Gráfico ___. Municípios do litoral paulista: Aumento populacional baseado nas contagens populacionais oficiais de 2002 e 2011.
Fonte: IBGE apud Relatório Qualidade das Praias Litorâneas no Estado de São Paulo – 2011 (CETESB, 2012, p.18).
Nos itens em que serão avaliados os sistemas de abastecimento de água e de coleta e tratamento de esgotos de Santos, bem como no capítulo em que será estudada a mobilidade urbana neste município, serão apresentadas análises mais aprofundadas dos impactos da população flutuante sobre o desempenho destes sistemas.
O estudo da evolução populacional realizada para Santos, no âmbito dos estudos do Plano Municipal Integrado de Saneamento Básico de Santos (DAEE, 2010), apresenta projeções da população fixa e flutuante para este município. Segundo esta fonte (DAEE, 2010, p.34), tal projeção foi realizada em conjunto com a dos outros municípios da Baixada Santista através de diferentes técnicas, antes da elaboração do Censo Demográfico 2010.
Na projeção denominada “Inercial”, os saldos migratórios aumentavam ligeiramente entre 2005 e 2010. Conforme este estudo, esta seria a projeção recomendada para a avaliação dos investimentos em melhorias e ampliação dos sistemas de saneamento básico, “caso não estivesse a região sujeita a uma série de
investimentos que atraem população, além de sua vocação turística por excelência devido à proximidade da RMSP e de pertencer ao Estado de São Paulo, que tem grande contingente populacional com renda crescente”. Na projeção denominada “Dinâmica”, considerada a mais provável pelo referido trabalho, os saldos
migratórios apresentados na época, que eram positivos e crescentes, tenderiam a diminuir no longo prazo. Mas, por causa dos grandes investimentos previstos, se supôs que estes saldos continuariam a subir entre 2010 e 2015 para começar a diminuir lentamente a partir deste ponto. Na terceira projeção, denominada “Porto Brasil”, foi considerada a hipótese de que, além dos investimentos na região, o projeto de um porto no município de Peruíbe seria implantado, o que aumentaria em 54.400 pessoas o saldo migratório da projeção Dinâmica. Contudo a construção deste empreendimento já foi descartada.
Segundo o mesmo estudo (DAEE, 2010, p.34), a ênfase nessa análise recaiu sobre as variáveis e fatores que afetam os movimentos migratórios, pois esse é o componente mais importante para entender a dinâmica demográfica brasileira. A razão principal reside no fato de que as taxas de fecundidade e de mortalidade baixaram significativamente nos últimos anos e apresentam tendência nítida à estabilização e à
homogeneização. Assim, restaria à migração a explicação das maiores mudanças na dinâmica populacional futura dos municípios do país e, especificamente, da Baixada Santista.
O referido trabalho, baseado nos estudos acima mencionados, apresenta o gráfico ___ abaixo, que mostra a projeção para o município de Santos, em diferentes cenários.
Gráfico ___. Santos segundo diferentes projeções de 1980 a 2030.
Fonte: SABESP (2011) apud Relatório 4 da Proposta do Plano Municipal Integrado de Saneamento Básico de Santos, Revisão 5 (DAEE, 2010, p.35).
Conforme este trabalho, os municípios da Baixada Santista apresentavam, em 2000, uma população urbana muito próxima dos 100%, variando de 97,1% (Bertioga) a 100% (Praia Grande e São Vicente). Por este motivo o estudo foi realizado somente com a população total. Além disso, pela análise dos estudos já realizados, optou-se por adotar a projeção dinâmica (Cenário 2). Considerando que as projeções foram realizadas até o ano de 2030, as mesmas foram avaliadas para o ano de 2039 de forma a alcançar o período de planejamento de 30 anos do Plano Integrado de Saneamento, conforme apresentado na tabela ___ a seguir, para o caso de Santos.
Tabela ___. Santos: Projeção populacional completa.
Ano População Domicílios
Residente Flutuante Total Ocupados Ocasionais Total
20101 441.413 68.111 509.524 151.924 21.619 173.543 2011 441.602 67.608 509.210 153.168 21.691 174.859 2012 441.792 67.108 508.900 154.423 21.763 176.186 2013 441.982 66.613 508.594 155.687 21.835 177.523 2014 442.171 66.120 508.292 156.962 21.908 178.871 2015 442.361 65.632 507.993 158.248 21.981 180.229
1 A população de 2010 foi estimada conforme estudos demográficos produzidos para o Plano Diretor de Abastecimento de Água da
BASE DAS INFORMAÇÕES: ATÉ 2012 REVISÃO DE MARÇO DE 2013 mês 2012 2016 442.217 65.163 507.380 159.233 22.025 181.257 2017 442.073 64.697 506.770 160.224 22.068 182.292 2018 441.929 64.235 506.164 161.221 22.112 183.333 2019 441.785 63.776 505.561 162.224 22.156 184.380 2020 441.641 63.320 504.961 163.234 22.200 185.434 2021 441.550 63.016 504.566 164.079 22.272 186.351 2022 441.460 62.713 504.173 164.928 22.344 187.273 2023 441.369 62.412 503.781 165.782 22.417 188.199 2024 441.279 62.112 503.391 166.640 22.490 189.130 2025 441.188 61.814 503.002 167.503 22.563 190.066 2026 441.307 61.454 502.761 168.273 22.633 190.905 2027 441.426 61.097 502.522 169.046 22.703 191.749 2028 441.545 60.741 502.286 169.823 22.773 192.596 2029 441.664 60.387 502.051 170.603 22.843 193.446 2030 441.783 60.036 501.819 171.387 22.914 194.301 2031 441.797 59.717 501.514 171.393 22.792 194.185 2032 441.811 59.400 501.211 171.398 22.671 194.069 2033 441.826 59.084 500.910 171.404 22.551 193.954 2034 441.840 58.771 500.610 171.409 22.431 193.840 2035 441.854 58.458 500.312 171.415 22.312 193.726 2036 441.868 58.148 500.016 171.420 22.193 193.613 2037 441.882 57.839 499.722 171.426 22.076 193.501 2038 441.897 57.532 499.429 171.431 21.958 193.389 2039 441.911 57.226 499.137 171.437 21.842 197.278
Fonte: Relatório 4 da Proposta do Plano Municipal Integrado de Saneamento Básico de Santos, Revisão 5 (DAEE, 2010, p.36).
Observa-se que a projeção acima apresentada superestimou a população residente, que segundo o Censo Demográfico de 2010 era de 419.400 habitantes. Segundo esta projeção a população fixa permaneceria estável até 2039, com variação de cerca de 0,1% e no mesmo período, a população flutuante decresceria 16,0%. Portanto, em função deste descompasso e de algumas tendências verificadas no Censo, que abordaremos no item sobre abastecimento de água, é necessário que esta projeção seja reconsiderada.
De fato, os municípios da ilha de São Vicente, em especial Santos, apresentaram um processo de ampliação significativa de suas bases econômicas, nas últimas décadas e são muito menos dependentes da atividade turística balneária, principalemente de segunda residencia, com relação aos demais municípios da região, fato demonstrado já na análise sobre os percentuais dos domicilios de uso ocasional.
Além deste aspecto, deve-se considerar que a saturação urbana e o adensamento da ilha, que resultou em um quadro de declínio da balneabilidade de suas praias, a partir da década de 1970, contribuíram para o deslocamento do fluxo turístico para outros municípios da região. Este deslocamento foi em muito facilitado pelos investimentos estatais na melhoria e ampliação da rede rodoviária regional, a partir desta década.
No caso de Santos, o peso econômico do turismo balneário nunca chegou a ser superior ao da atividade portuária e o parque de domicílios de uso ocasional, que atingiu um patamar elevado nas décadas de 1950 e 1960, passou a declinar. Ao final da primeira metade da década de 1980, conforme Soares (1984, p.79), a população flutuante de Santos foi reduzida de 13,86% para 12,68%2. Em São Vicente, a redução foi de 19,62% para 12,75%. Enquanto isso, em Praia Grande ocorreu o inverso, passando de 19,62% para 56,27%. Em Guarujá os domicílios ocasionais também cresceram, passando de 31,23% para 35,40%.
Segundo Carriço (2006, p.194) pode-se afirmar que a partir deste decênio a atividade turística passou a produzir mais imóveis de veraneio nas extremidades da RMBS. Por outro lado, os municípios mais populosos e mais centrais, passaram a contar com uma proporcionalmente maior população fixa.
4. INSTITUCIONALIDADE E DINÂMICA SOCIOPOLÍTICA
4.1. Relações Sociopolíticas em Santos
O mapeamento das organizações da sociedade civil de Santos identificou 162 organizações civis, das quais 16 foram entrevistadas e mais de 50 pessoas de 27 diferentes organizações estiveram presentes à oficina pública, realizada no dia 12 de junho. Dentre elas, encontram-se sindicatos, ONGs e Institutos, OSCIPs, associações de moradores e sociedades de melhoramentos de bairro, entidades representativas de categorias profissionais, movimentos populares, associações classistas regionais, centros comunitários e redes socioassistenciais, organizações religiosas, cooperativa de catadores, entre outras.
Portanto, com base nas conversas, nas entrevistas, nas informações públicas disponíveis e nos debates estabelecidos, junto a essa gama de sujeitos políticos, é que são feitas as seguintes ponderações e análises a respeito da sociedade civil organizada de Santos.
4.1.1. A Organização da Sociedade Civil
A história de Santos parece ser profundamente permeada pela história da participação, organização e mobilização de sua sociedade. Uma das cidades mais antigas do país, de grande valor histórico, Santos também é reconhecida por ter abrigado uma série de movimentos de ideais abolicionistas, anarquistas, comunistas e artísticos. A posição de cidade portuária teria lhe conferido o lugar de porta de entrada para muitos dos imigrantes que chegaram ao Brasil, a partir do final do século XIX, contribuindo para a construção de uma imagem de cidade cosmopolita e de efervescência cultural.
A existência do porto e a sua dinâmica econômica, de modo semelhante, teriam contribuído para estabelecer, desde o início e em sintonia com os movimentos políticos da época (sobretudo, anarquistas, anarco-sindicalistas e comunistas), um lastro de organizações classistas de intensa vivência política. A ampla organização sindical, a quantidade significativa de greves dos trabalhadores e a resistência a regimes ditatoriais (já com o Estado Novo, em 1937) foram elementos-chave para que a cidade de Santos se tornasse conhecida, nas primeiras décadas do século XX, sob as denominações de “Cidade Vermelha” (como teria lhe apelidado Jorge Amado em um de seus romances), de “Moscou Brasileira” ou de “Porto Vermelho” – aludindo, dessa forma, às matizes políticas mais à esquerda da cidade.
Destarte, a história das primeiras organizações civis da cidade parece se confundir com a própria história da constituição do porto de Santos. A Associação Comercial de Santos, por exemplo, existe desde 1870 e parece ser uma das mais antigas da cidade. Teria surgido em virtude da atividade cafeeira, voltada ao escoamento de sua produção pelo porto:
“Santos sempre foi e continua sendo uma praça cafeeira. A origem foi o café e, depois, ao longo dos anos, foi se diversificando, ampliando. Ainda hoje, 80% do café brasileiro exportado sai pelo porto de Santos”. O histórico de mobilização e de associativismo da sociedade santista, na vida política local das primeiras décadas do século XX, teria ocorrido sob a forma de sindicatos (de operários ligados ao porto e à construção civil sobretudo), ou de sociedades mutualistas-beneficentes (principalmente, entre os imigrantes espanhóis, portugueses e italianos), ou de associações profissionais (mais vinculadas às classes médias que trabalhavam com o comércio e com a atividade portuária), além de organizações partidárias.
Essa vivência política carregada, por sua vez, desembocaria na forte repressão política sofrida pela cidade durante os anos da ditadura militar (1964-1985), como aponta o episódio marcante da chegada do navio Raul Soares ao porto de Santos, ainda nos primórdios da ditadura militar (em 24 de abril de 1964), para servir como presídio flutuante dos sindicalistas considerados subversivos no período. O navio veio a ser um símbolo histórico da forte repressão política vivida pela cidade, além de ser considerado um “divisor de águas no sindicalismo” de Santos3. Ainda durante o regime militar, Santos teve a sua autonomia política cassada ao
ser designada área de segurança nacional pelo governo, sob o pretexto de sediar o maior porto do país - perdendo, desse modo, o direito de eleger o seu próprio prefeito durante as duas décadas seguintes. Apenas
3 Melo, Lídia Maria de. Há 48 Anos, o Navio Raul Soares Virava Prisão no Porto. Retirado do Diário do Litoral (24 de abril de 2012,
BASE DAS INFORMAÇÕES: ATÉ 2012 REVISÃO DE MARÇO DE 2013
mês 2012
em 1983, com o enfraquecimento do regime e com as pressões políticas da sociedade em prol da autonomia política, a cidade pôde eleger, democraticamente, um novo prefeito (Oswaldo Justo, que assumiu em 1984). Santos, nesse momento histórico, também se insere no contexto sociopolítico que permeou o surgimento dos novos movimentos sociais e das novas modalidades de organizações da sociedade civil, atrelado às lutas pela redemocratização do país e pelo alargamento das fronteiras colocadas à cidadania e aos direitos sociais. Se alguns dos sindicatos de Santos sofrem certo abalo com a privatização do porto, na década de 1990, por outro lado, também parecem surgir novas formas organizativas no seio da sociedade civil santista, como ONGs e movimentos populares (sobretudo, ligados à moradia e à saúde).
A eleição subsequente de duas gestões municipais ligadas ao PT, entre 1989 e 1996, também parece colocar a cidade de Santos em uma posição de vanguarda frente aos desdobramentos políticos que serão vivenciados posteriormente pelo país, a partir dos anos 2000 (o que, até aquele momento, parece reforçar a sua imagem de “Cidade Vermelha”). A eleição de um governo petista, segundo algumas das organizações entrevistadas, teria dado impulso ao surgimento e ao fortalecimento de movimentos populares, em torno de demandas como o direito à moradia, uma vez que a participação popular se colocava como um eixo da gestão pública municipal de então.
A breve descrição da história de organização, mobilização e participação da sociedade de Santos, na vida política de sua cidade, serve apenas como uma ilustração das profundas heranças que se encontram ainda entranhadas na vivência política das organizações civis de hoje. Apesar do arrefecimento da mobilização popular em Santos, mencionado e sentido por muitas organizações, parece ainda prevalecer um alto grau de politização das organizações da sociedade civil, bem como uma indicação latente de que a mobilização popular constante é imprescindível na garantia de conquistas sociais:
“Porque o povo santista é lutador, bem ‘antenado’”.
“E esse túnel para o Guarujá que não sai de jeito nenhum... então, a gente tem que pressionar, para que isso saia do papel...”.
“É possível verticalizar no morro também, e é possível verticalizar nas comunidades... primeiramente, falta muita vontade política e vontade para fazer... e falta nós do povo pressionar para fazer...”. “Perspectiva de desenvolvimento sustentável não vai acontecer enquanto não houver também uma cobrança por conta da sociedade da atenção dos gestores a essa questão”.
“É preciso cobrar dos gestores políticas públicas que combatam a desigualdade”.
“Temos que pensar nas eleições. Não adianta a gente falar aqui entre a gente só. A gente tem que falar com os caras que vão assumir a Prefeitura”.
“A gente elege e não é só ir lá cobrar. Tem que exigir que a sociedade tenha participação. Não existe nenhum Conselho, nessa cidade, que não seja dirigido hoje pela Prefeitura”.
Em outras palavras, parece haver uma cultura política local, com toda a sua bagagem histórica, que ainda se encontra bem arraigada hoje, bem como vivenciada, no cotidiano de boa parte das organizações da sociedade civil de Santos.
Santos também é uma cidade que se destaca dos demais municípios do litoral paulista, em termos organizativos, por abrigar uma profusão dos mais diversos tipos de organizações da sociedade civil e por concentrar, em seu território, uma gama de conflitos e de interesses que são característicos a qualquer cidade grande - o que se reflete, por sua vez, na natureza plural de seus tipos organizativos, assinalada acima. A cidade abriga, nesse sentido, desde associações de bairro e movimentos populares reivindicatórios de direitos considerados básicos (como a moradia digna), passando por ONGs e institutos de assessoria (com perfil predominante de classe média e composto por profissionais liberais), até organizações que representam grandes interesses empresariais e industriais, que ultrapassam o nível local.
Essa diversidade de formas organizativas e de sujeitos políticos permanece, em alguns pontos, como outrora, vinculada a interesses e a conflitos gestados a partir da existência do porto. Contudo, ainda no século XX,
novos arranjos sociais e organizativos passam a ser criados com a instalação do polo industrial de Cubatão, com o crescimento do setor da construção civil e mesmo relacionados às atividades turísticas de Santos (e seus impactos). Mais recentemente, alguns dos processos organizativos da sociedade santista também passam a ser interpelados por uma nova dinâmica regional, imprimida pelas operações e pelos
empreendimentos em torno da Petrobras, que os influencia na sua forma de seleção: 1) de temas relevantes para a atuação (como a questão ambiental ou a qualificação profissional de jovens), 2) de tipos organizativos, 3) de possibilidades abertas ao financiamento externo, além de condicioná-los a diferentes graus de autonomia interna.
Como foi mencionado acima, apesar da forte cultura política local de organização, o fôlego de mobilização e de participação popular se encontraria mais fraco hoje, segundo algumas das organizações da sociedade civil entrevistadas. Além disso, as queixas mais recorrentes parecem recair sobre a falta de articulação entre as organizações, em espaços ampliados de discussão, contribuindo para gerar lutas fragmentadas (e, por isso, menos eficazes):
“A pessoa não participa mais, olha só pra si, não se juntam mais para exigir do governo”.
“Ninguém aqui participa de muita coisa... são muito poucas pessoas. Se você contar, são umas vinte...”. “(...) então, o pessoal tá sendo expulso da cidade... virou assim uma coisa que as pessoas falam tanto, cada um visando o seu interesse... você tem 60 entidades falando sobre habitação, e você não consegue fazer o governo construir habitação... ninguém se une na real, ninguém se articula... não estão levando a sério a questão da habitação em Santos”.
Dentro desse contexto de descenso da participação popular, parece haver referências implícitas ao cansaço e ao desgaste de algumas lideranças locais atuantes há mais tempo – o que pode ser visto como resultante de uma hiperparticipação de alguns na contrapartida da desmobilização mais generalizada da população. Ao contrário de outros municípios, em Santos, não houve referências diretas aos entraves colocados à participação política (como a dificuldade na mobilidade urbana, o horário e o local das reuniões ou dos eventos públicos, a pouca divulgação das atividades etc). Uma ou outra organização apenas fez menção indireta à ausência de resultados concretos dos processos participativos, referindo-se à iniciativa inicial de construção de uma Agenda 21 em Santos.
No conjunto, Santos parece estar mudando seu perfil socioeconômico (ver leitura comunitária abaixo), tornando-se progressivamente uma cidade de “classe média alta”. Tal transformação, por sua vez, parece ser importante para contextualizar as recentes mudanças sentidas no perfil político e organizativo de sua sociedade, tanto em termos de desmobilização popular quanto em termos de posicionamento mais à direita no espectro político (comparada à imagem de “Cidade Vermelha” até a década de 1990).
4.1.2. Organização e Articulação
Como apontado anteriormente, a pluralidade de organizações civis espalhadas pelo território santista torna difícil a tentativa de dar contornos mais precisos ao perfil predominante dessas organizações. Várias são as formas de organização assumidas pela sociedade civil de Santos, bem como as suas temáticas de atuação, seu funcionamento interno, seus níveis de articulação (municipal, metropolitano, regional e nacional), sua localização no território, sua composição social (segmentos populacionais e grupos identitários), entre outras características organizativas.
De um modo geral, entretanto, pode-se afirmar que as organizações civis da cidade são predominantemente de natureza urbana, institucionalizadas, concentradas na área insular (sobretudo, na parte central) e costumam manter relações próximas com o Poder Público - seja na forma de cobrança mais direta, seja na forma de parcerias, de convênios ou de cooperações técnicas.
No que diz respeito às ONGs locais, a qualificação profissional parece ser o tema central que desponta hoje e que mais parece mobilizá-las. Esse tema vem frequentemente associado à atuação junto a segmentos populacionais em situação de maior vulnerabilidade social, como jovens e mulheres de baixa renda. Não raras vezes, a preocupação com a qualificação profissional, visando à inserção desses segmentos populacionais no mercado de trabalho, também aparece vinculado à questão da sustentabilidade:
“A gente trabalha numa linha de protagonismo juvenil. Capacitação de jovens para o turismo, por causa dos megaeventos, como Copa do Mundo”.