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Rev. Soc. Bras. Med. Trop. vol.29 número3

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Academic year: 2018

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R ev is t a d a S o c ie d a d e B ra s ile ira d e M e d i c in a T ro p ica l 2 9 ( 3 ) : 2 8 1 - 2 8 2 , m a i - j u n , 1 9 9 6 .

CO M UN ICA ÇÃ O

O CO RRÊN CIA D E TRANSM ISSÃO A UTÓ CTO N E D E

LEISHM A N IO SE V ISCERA L EM M ATO G RO SSO

M árcia Hueb, Sandra Breder Assis, Eliane Elisa D onadel G uimarães, D altro Lemos Rosa e Cor Jésus Fernandes Fontes

A leishm anio se v isceral (LV) no Brasil tem se m o strad o em franca exp ansão , tanto p elo au m en to d o nú m ero ab so lu to d e c aso s c o m o p e la te n d ê n c ia em se e x p a n d ir geo graficam ente6 7 9.

O Estad o de M ato Gro sso , antes d e sua d ivisão em 1979, ap resentava transm issão de LV na reg ião de Co rumbá, que se m antém até ho je. Essa região , ap ó s a sep aração d o s estad os, fico u lo calizad a no então recém -criad o Mato Gro sso d o Sul. O no v o Estad o d e M ato Gro sso , ap esar d e end ém ico para muitas d o enças tropicais co m o malária, p araco ccid io id o m ico se, leishm anio se tegumentar, entre outras, não tem registro da o co rrência de caso s autó cto nes de calazar9.

No p erío d o de 1992 a 1994, quatro caso s de LV fo ram d iagno sticad o s e tratado s no Hospital da Universid ad e Fed eral d e M ato Gro sso , em Cuiabá. A pó s inv estig ação so bre p ro ced ência e história m igracio nal d os p acientes, co ncluiu-se p o r tratar-se de transm issão autó cto ne da d o ença no Estado.

O p rim eiro caso fo i d e um p aciente m asculino de 49 ano s, natural de São Paulo , e resid ente em Mato Gro sso há 12 ano s, não se tend o ausentad o d o Estad o nesse p erío d o . A presentava quad ro d e febre, em agrecim ento , hep ato esp leno m egalia, ad eno m egalia, lesõ es cutâneas, pancitopenia e hipergamaglobulinemia. O d iag nó stico fo i feito p elo achad o do p ro to zo ário em m ed ula ó ssea, linfo no d o s e p ele ao exam e d ireto . O p aciente evo luiu bem co m o tratam ento co nv encio nal.

O segund o p aciente era um a m ulher de 39 ano s, natural e p ro ced ente de Santo A ntô nio

D epartam entos de C línica M édica e Pediatria - Universidade Federal de M ato G rosso, Cuiabá, MT.

E n d e re ç o p a r a c o rre s p o n d ê n c ia: Pro P M árcia H ueb . D ept°

d e C l í n i c a M é d ica ; H o s p i ta l U n i v e rs i tá ri o Jú l io M üller; R. L s / n , B airro A lvo rad a, 7 8 0 7 0 - 0 0 0 C uiab á, M T, Fax: (0 6 5 ) 322- 5426.

Recebido para publicação em 05/06/95.

de Leverger, MT, sem histó ria de v iagens para fo ra d e M ato Gro sso . A presentava quad ro febril, esp leno m eg alia e p ancito p enia. O a s p ir a d o d e m e d u la ó s s e a m o s tr a v a hip o celularid ad e e p lasm ó cito s abund antes, p o rém fo i neg ativ o p ara leishm ânia. A p aciente pio ro u pro gressiv am ente, ev o luind o p ara o ó b ito . O d ia g n ó s tic o d e LV f o i co nfirm ad o p elo exam e histo p ato ló g ico p o st m o rtem d o fígado.

A inda em 1992, d iagno stico u-se o terceiro caso da d o ença, em um jo v em d e 15 ano s, m asculino , natural de D iam antino , MT e resid ente na serra d e São Vicente, área rural distante ap ro xim ad am ente 70km de Cuiabá. T am b é m a p re se n ta v a e s p le n o m e g a lia , hip ergam aglo bulinem ia e p ancito p enia, e a

p esquisa d e L e i s h m a n i a em asp irad o de

m ed ula ó ssea resulto u p o sitiv a. A p ó s a instituição da terap êutica, o p aciente evoluiu para cura clínica.

O últim o caso o co rreu em 1994 e tratava-se de um a criança d e 3 ano s e 6 m eses d e id ad e, sexo masculino, natural de Cuiabá e p ro ced ente d e zo na rural d o m unicíp io vizinho , de N ossa Sen h o ra d o Liv ram ento , MT. O p ac ie n te ap resentav a feb re, hep ato esp leno m eg alia, anem ia, leuco p enia e hip ergam aglo bulinem ia. O d iagnó stico de LV fo i feito p ela v isualização d o parasita em aspirad o d e m ed ula ó ssea, ap ó s o qual a criança recebeu tratam ento , co m m elho ra co m p leta d o quad ro .

A tualmente, a LV o co rre em p elo m eno s 17 estad o s brasileiro s, d istribuíd o s p elas regiõ es N ord este, Sud este, N orte e Centro -O este6 9. A p resença de caso s autó cto nes d e LV em Mato Gro sso ind ica a p o ssibilid ad e de um fo co de transm issão em surgim ento . N esse Estad o , o afluxo de m igrantes d e várias lo calid ad es brasileiras o co rreu a partir da d écad a d e 70, e é p o ssív el que a exp ansão da d o ença para essa área, anterio rm ente ind ene, esteja asso ciad a à m igração de ind ivíd uo s p ro ced entes d e áreas end êm icas, muitas v ezes aco m p anhad o s de

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C o m u n ic a ç ã o . H u e b M , A s s is SB, G u im a rã e s EED , R o s a D L, Fo n t e s C JF. O c o rrê n c ia d e t ra ns m is s ã o a u t ó c t o n e d e le is h m a n io s e v is ce ra l e m M a t o G ro s s o . R ev is t a d a S o c ie d a d e B ra s ile ira d e M e d i c in a T ro p ica l 2 9 : 2 8 1 - 2 8 2 , m a i- j u n , 1 9 9 6 .

seus cães infectad o s, d and o o po rtunid ad e ao estabelecim ento d e no v o s fo co s da LV3. Em o utras reg iõ es brasileiras têm sid o relatadas situaçõ es sem elhantes, co m surgim ento de no v o s fo co s da d o ença, co m o d escrito em Roraima15, assim co m o a urbanização da d o ença o co rrid a em Terezina2, Belo H o rizo nte4 e Rio de Janeiro 8. O fato da d o ença ter se m anifestad o p red o m inantem ente em indivíd uo s adultos, co rro bo ra a p o ssib ilid ad e d e intro d ução recente da LV na região , uma vez que em áreas de transm issão estabelecid a esta p ro to zo o se p red o m ina em grupo s etário s mais b aixo s10.

É im p o rtante enfatizar que os caso s aqui relatad o s são de ind ivíd uo s p ro ced entes de d iferentes m unicíp io s m ato gro ssenses, p o rém situad o s na área d e abrang ência da região C en tro -Su l d o Estad o , a m ais p o p u lo sa e, p o rta n to , c o m ris c o m aio r d e ráp id a d issem inação . A o bserv ação d os caso s relatados co nd uz à necessid ad e d e uma inv estigação ep id em io ló gica am pla, para d etecção de caso s hum ano s e canino s, assim co m o p ara a id entificação d e inseto s veto res. So m ente a partir d esse estud o será p o ssív el co nfirm ar o fo co d e transm issão e im p lem entar açõ es p reco ces e eficazes para blo quear o ciclo da d o ença no Estad o .

REFERÊN CIA S BIBLIO G RÁ FICA S

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3- D eane LM, D eane M E O b servações preliminares sobre a im portância com parativa do hom em , do cão e da rap osa (L y c a l o p e x v e t u lu s ) co m o

reservatórios da L e is h m a n i a d o n o v a n i, em área

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Referências

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