UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
INSTITUTO DE HISTÓRIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA
JÚLIA SOUZA CABO
A TRAJETÓRIA DE UM POETA INDIGESTO: CONSTRUÇÕES E RECONSTRUÇÕES DA OBRA DE TORQUATO NETO (1973-2005)
NITERÓI
2021
JÚLIA SOUZA CABO
A TRAJETÓRIA DE UM POETA INDIGESTO: CONSTRUÇÕES E RECONSTRUÇÕES DA OBRA DE TORQUATO NETO (1973-2005)
Vol. 01
Tese apresentada ao Programa de Pós- Graduação em História do Instituto de História da Universidade Federal Fluminense, como requisito parcial à obtenção do título de Doutora em História
Orientadora
Prof
aDr
aJanaína Martins Cordeiro
Niterói
2021
JÚLIA SOUZA CABO
A TRAJETÓRIA DE UM POETA INDIGESTO: CONSTRUÇÕES E RECONSTRUÇÕES DA OBRA DE TORQUATO NETO (1973-2005)
Vol. 01
Tese apresentada ao Programa de Pós- Graduação em História do Instituto de História da Universidade Federal Fluminense, como requisito parcial à obtenção do título de Doutora em História
Campo de Confluência: História Aprovada em 25 de junho de 2021
BANCA EXAMINADORA
Prof
aDr
aJanaína Martins Cordeiro - UFF Orientadora
Prof. Dr. Edwar Alencar de Castelo Branco - UFPI
Prof. Dr. Frederico Oliveira Coelho – PUC-Rio
Prof. Dr. Júlio Cesar Valadão Diniz – PUC-Rio
Prof
aDr
aGiselle Martins Venâncio - UFF
Niterói
2021
Agradecimentos
Agradeço, primeiramente, à Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro a concessão da Bolsa Doutorado Nota 10 que me permitiu concluir a pesquisa, mesmo durante uma pandemia.
Ao Programa de Pós-Graduação em História e ao Instituto de História da Universidade Federal Fluminense, aos quais devo minha formação e que acolheu esta pesquisa.
À minha orientadora Janaína Martins Cordeiro, por ter aceitado me orientar, acolhido as diversas mudanças ocorridas em meu projeto de pesquisa ao longo dos últimos quatro anos e pelo cuidado e atenção com os quais leu a tese. Sua perspectiva sobre meu trabalho e sobre o período estudado foram essenciais para a construção desta tese.
À minha mãe, Sheila Cabo Geraldo, por todo apoio que me deu ao longo de minha trajetória acadêmica. Tive a sorte de ter como mãe uma das mulheres mais incríveis que já conheci e, por isso, sou imensamente grata.
Aos meus irmãos, Ana Sattamini e Miguel Moraes, que além de irmãos são amigos para toda hora e fonte constante de apoio e alegria.
À Erika Natasha, companheira desde os tempos da graduação, por ter me ouvido todas as vezes em que eu estava convencida de que a minha tese não fazia nenhum sentido.
É maravilhoso poder contar com esta amizade, mesmo lá do outro lado do Atlântico.
À Mariana Barbieri, que mesmo tendo largado mão desse negócio de ser historiadora continua sendo uma das melhores parceiras de estudo que eu já tive.
Obrigada pela troca constante.
À Dora Aranha, pelos mais de quinze anos de amizade e por sempre ter uma história para me distrair quando eu mais preciso.
Aos queridos amigos Rodrigo Deodoro e Simone Campos, por terem sido uma das melhores surpresas desta última década.
Aos vizinhos do prédio, Felipe, Beatriz, Marcelo, Ana Clara, Amanda, Jonatas,
Thay e Danilo, pela rede de solidariedade durante esta pandemia que tornou a situação
um pouco mais suportável. Obrigada pelas mudas de planta, pão caseiro, resistência de
chuveiro, sal, avisos de pontos de vendas de PFF2, indicações de delivery e trocas de informação.
À minha gata Cuíca, que sempre fica do meu lado quando eu estou escrevendo e me dá apoio moral nos momentos mais difíceis.
Ao meu amado companheiro, Orlando Scarpa Neto, qualquer agradecimento
seria pouco. Eu não sei o que eu fiz nas vidas passadas para ter a sorte de poder dividir
minha vida com você. Obrigada por ter ficado do meu lado, segurado a barra desta
pandemia comigo e ter sido o primeiro leitor desta tese.
Resumo
Esta tese investiga a trajetória da obra literária de Torquato Neto, um autor que até sua morte, em 1972, nunca havia publicado nenhum livro. Centrada nas três principais edições da obra de Torquato, publicada nos anos de 1973, 1982 e 2004, a tese acompanha o percurso desta obra para analisar as formas como, ao longo destas três décadas, o autor e sua obra foram situados em relação à história da literatura brasileira, o campo literário no Brasil e o processo de construção de uma memória coletiva sobre o período da ditadura civil-militar no país. Considerando-se que se trata de uma obra literária que nunca assumiu uma forma definida pelas mãos de seu autor, buscou-se compreender como o processo de construção desta por terceiros conformou-se em diálogo com as modificações pelas quais passou a sociedade brasileira durante e após os processos de abertura e redemocratização. Assim, observou-se que a posição de Torquato Neto em relação ao campo literário, aquela de um poeta ou artista marginal, não é estável e que os significados desta marginalidade a ele atribuída modificaram-se com o passar do tempo.
Palavras-chave: Literatura Marginal; Torquato Neto; História Cultural
Abstract
This dissertation explores the literary works of Torquato Neto, an author who, until his death in 1972, had not published a single book. Focusing on the three main editions of Torquato’s works, published in 1973, 1982 and 2004, this dissertation seeks to analyze the ways in which, over three decades, the author and his work have been situated in relation to the history of Brazilian literature, the Brazilian literary field, and the process of building a collective memory of the civic-military dictatorship in Brazil.
Given that his body of literary works was never fully defined by the author as such, I sought to comprehend how the construction process behind his œuvre occurred in an intense dialog with the changes in Brazilian society throughout Brazil’s re- democratization process in the late 1980s. Thus, the idea of Torquato Neto as an outsider to the literary field, a somewhat underground poet and artist, is not a stable one, and the meaning behind these vague categories varied intensely between the beginning of the 1970s and the early 2000s.
Keywords: Cultural History, Outsider Literature, Torquato Neto
Sumário
Introdução ... 9
Capítulo 1 – O nascimento de um autor ... 19
1.1 – Percursos de uma obra ... 19
1.2 – Os Últimos Dias de Paupéria, a primeira edição ... 26
1.3 – Poesia Marginal: primeiros debates e definições ... 47
Capítulo 2 – Aproximações e Afastamentos ... 70
2.1 – 26 Poetas Hoje e suas repercussões ... 72
2.2 – Fim de década: releituras e definições ... 84
2.3 – Um lugar para Torquato Neto na abertura ... 90
Capítulo 3 – Revendo os amigos ... 108
3.1 – Do lado de dentro: apresentação ... 109
3.2 – Aquilo que atravessa a segunda edição ... 116
3.3 – Concretos e Tropicalistas ... 133
Capítulo 4 – Memórias, Mitos e Martírios do Poeta Indigesto ... 149
4.1 – Cultura Marginal Arquivada ... 149
4.2 – Mitologias e Martírios Torquateanos ... 166
4. 3 – O Poeta Indigesto ... 184
Capítulo 5 – Os muitos lados de dentro e de fora de Torquato Neto ... 194
5.1 – Memórias e marginalidades: a moda dos anos 70 ... 194
5.2 – 3x à margem: Torquato independente ... 207
5.3 – Do lado de fora: a coluna música popular e seus desdobramentos ... 227
Conclusão ... 240
Bibliografia ... 247
Lista de Ilustrações
Figura 01 – Capa de Os Últimos Dias de Paupéria p. 29
Figura 02 – Reprodução de página de Os Últimos Dias de Paupéria p. 30 Figura 03 – Reprodução de página do livro Os Últimos Dias de Paupéria p. 42 Figura 04 – Ilustração do livro Os Últimos Dias de Paupéria p. 44
Figura 05 – Reprodução de ilustração de artigo do Jornal do Brasil p. 62 Figura 06 – Capa da Revista Navilouca p. 65
Figura 07 – Trabalho de Torquato Neto para a revista Navilouca p. 66 Figura 08 – Capa de 26 Poetas Hoje p. 75
Figura 09 – Reprodução de página de 26 Poetas Hoje p. 78
Figura 10 – Reprodução de página de Os Últimos Dias de Paupéria p. 111 Figura 11 – Reprodução de páginas de Os Últimos Dias de Paupéria p. 112 Figura 12 – Reprodução de Página de Os Últimos Dias de Paupéria p. 117 Figura 13 – Reprodução de página de Os Últimos Dias de Paupéria p. 118 Figura 14 – Reprodução de página de Os Últimos Dias de Paupéria p. 130 Figura 15 – Capa e primeira página de Últimos Dias de Paupéria p. 133
Figura 16 – Reprodução de Planos em Superfícies Moduladas de Lygia Clark p. 133 Figura 17 – Reprodução de página de Os Últimos Dias de Paupéria p. 138
Figura 18 – Capa do LP Um Poeta Desfolha a Bandeira p. 165 Figura 19 – Reprodução de imagem do livro Mitologias p. 168
Figura 20 – Reprodução de imagem do livro Mitologias alterada p. 169
Figura 21 – Still do documentário O Anjo Torto Torquato Neto (1995) p. 182
Figura 22 – Foto da Contracapa de Os Últimos Dias de Paupéria p. 184
Introdução
Esta tese investiga a trajetória da obra literária de Torquato Neto a partir de 1973, quando foi publicado o primeiro livro com escritos deste autor, até 2005, ano no qual a editora Rocco lançou uma edição em dois volumes com a maior quantidade de material já reunido de Torquato.
A ideia inicial para este trabalho surgiu enquanto escrevia minha dissertação de mestrado sobre o envolvimento de Torquato Neto com o Cinema Marginal da década de 1970. Durante o processo de pesquisa, me encontrava frequentemente frustrada. Isto porque, embora diversos dos artigos e teses que li naquela época afirmassem que Torquato Neto nunca havia publicado nenhum livro em vida, não incorporavam realmente este fato na análise. Não consideravam que a obra deste autor somente existe porque foi organizada e editada por terceiros e, portanto, qualquer narrativa, qualquer visão abrangente que se possa ter desta a partir dos livros que carregam o nome de Torquato Neto na capa deve levar isto em consideração.
Assim, enquanto escrevia o projeto para esta tese, estava convencida de que era isto que eu precisava fazer: elaborar uma reflexão sobre o conjunto da obra torquateana que fizesse a crítica das fontes, ou seja, dos livros publicados com escritos de Torquato Neto, para a partir daí poder oferecer caminhos que tornassem possível uma visão do autor e de sua obra que incorporasse este elemento do inacabado na análise. Mas os caminhos da pesquisa me levaram a outras direções.
A partir do momento em que comecei a analisar os livros que carregam o nome de Torquato Neto na capa, que comecei a traçar a forma como estes dialogam não apenas com os movimentos de valorizações e desvalorizações no campo literário, mas também com as mudanças que ocorreram na sociedade brasileira a partir da morte de Torquato em 1972, esta questão do inacabado tornou-se secundária. Aos poucos, tornou-se mais claro que o objetivo desta tese não era criar uma visão abrangente deste autor e de sua produção no campo literário, mas sim compreender de que forma as construções e reconstruções pelas quais a obra de Torquato Neto passou moldaram e moldam o entendimento desta.
Como escreveu Waly Salomão em artigo para o jornal Folha de São Paulo em 1995: “Muitas vezes escrever um livro ou fazer um filme representa adiar um suicídio, mas no caso de Torquato Neto pode-se afirmar que o suicídio precedeu e originou a obra”
(SALOMÃO, 2018, n/p). Esta tese, portanto, trata deste fenômeno, do percurso da obra
literária de Torquato Neto e da forma como esta foi construída e reconstruída sob o signo de um autor ausente.
Antes de detalhar as questões específicas que guiaram este trabalho, acredito ser necessário uma breve apresentação do autor. Não me deterei aqui em análises aprofundadas dos trabalhos que Torquato produziu em vida, pois estes serão mais bem descritos na medida em que forem aparecendo nos livros publicados após sua morte. No entanto, acredito ser necessário expor um pouco das movimentações culturais com as quais Torquato se envolveu durante seu tempo de vida e apresentar a forma como este foi lido por seus contemporâneos, ou seja, nas colunas que publicou em jornais.
Nascido na cidade de Teresina, no Piauí, em 9 de novembro de 1944, Torquato foi enviado pelos pais, aos quinze anos de idade, em 1960, à cidade de Salvador para que terminasse seus estudos de Segundo Grau – atual Ensino Médio – em um internato na cidade. Durante os três anos que residiu em Salvador, Torquato aproximou-se de Gilberto Gil, Caetano Veloso e José Carlos Capinam e se destacou por ser um grande conhecedor de literatura brasileira e bom poeta. Em 1963, mudou-se para o Rio de Janeiro com o objetivo de começar os estudos na Faculdade Nacional de Filosofia, que abandonou um ano mais tarde para dedicar-se ao trabalho como jornalista. Em 1966, começou a compor em parceria com Edu Lobo, Caetano Veloso e Gilberto Gil e tornou-se conhecido na cidade por suas letras de músicas.
Em março de 1967 começou a publicar diariamente a coluna Música Popular no Jornal dos Sports. O assunto desta era, tal como escreveu Torquato em sua primeira coluna, “música popular: discos, movimentos de gente mais ou menos popular no ambiente de música idem. Possíveis entrevistas com alguns figurões da música brasileira etc. etc. De vez em quando muito etecetera.” (NETO, 2004. p. 27).
Esta coluna, que só veio a ser publicada em livro em 2004, marcou um momento importante para Torquato, pois foi durante o período em que a escreveu que ele se envolveu com as movimentações tropicalistas ao lado do chamado grupo baiano. A coluna Música Popular, que será mais bem analisada no último capítulo, é um documento muito importante para o pesquisador interessado na trajetória intelectual de Torquato Neto.
Através dela é possível observar como, ao longo de 1967, Torquato Neto se afastou de
uma visão sobre música, cultura e modernidade no Brasil ainda muito marcada pelo
projeto nacional-popular (que teve sua mais marcante representação nos Centros
Populares de Cultura da UNE) e passou a articular com personagens como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé e José Carlos Capinam aquilo que ficou conhecido como o Tropicalismo.
Não entrarei aqui em uma análise mais detalhada sobre as redes de trabalho e sociabilidade que envolveram a formação do tropicalismo
1durante o ano de 1967. Em relação ao movimento em si, este será melhor abordado nos capítulos três e cinco, na medida em que aparece na obra literária de Torquato Neto. No entanto, cabe pontuar que o envolvimento de Torquato com o tropicalismo é um dos pontos mais marcantes de sua trajetória e, ao longo de seu período de vida, mesmo após a dissolução do grupo, Torquato ainda era conhecido como um dos compositores dos baianos. Tal associação foi tão marcante que é possível encontrar em jornais da época artigos que, fazendo confusão em relação às suas origens, o identificam como sendo do estado da Bahia.
As movimentações tropicalistas, que colocavam em xeque a oposição entre música popular brasileira e cultura de massa, causaram reações um tanto agressivas tanto de seus pares no campo da música popular, quanto por parte do público e da mídia. Entre o final de 1967 e 1968 estes músicos passaram a sofrer diversos ataques que os acusavam de aproveitadores, colonizados e vendidos.
A crescente hostilidade por parte de um público de esquerda ao longo do emblemático ano de 1968, aliada ao contato com outros artistas cujos trabalhos abordavam temas relacionados à violência e à marginalidade, fez com que o grupo tropicalista assumisse posturas cada vez mais combativas. Como colocou Frederico Coelho:
Os eventos ocorridos em 1968 conduziram os músicos tropicalistas a trabalhos de outras áreas que indicavam, desde os anos anteriores, a inevitabilidade da ruptura entre obra do artista, sua liberdade de criação e a satisfação de seus pares e do mercado consumidor. Gilberto Gil, Caetano Veloso e seus companheiros mais chegados (como Capinam e Torquato Neto) perceberam que não havia como conviver em harmonia com o conformismo da classe média e o sectarismo de grupos ditos de esquerda no país. (COELHO, 2010. p.
169)
Estas circunstâncias, aliadas ao crescente recrudescimento do regime que resultaria na outorga do Ato Institucional N
o5 (AI-5) em dezembro daquele ano, resultaram na dissolução do tropicalismo musical como um grupo de ações articuladas. A partir daí, Torquato Neto, junto com parte dos artistas que durante os anos de 1967 e 1968
1
Para maiores informações, ver: COELHO, Frederico, 2010.
haviam sido associados ao tropicalismo fariam uma opção deliberada pela marginalidade enquanto como projeto estético e de atuação.
O ano seguinte à edição do AI-5 também viu a prisão de Caetano e Gil e seus subsequentes exílios, bem como a ida de Torquato à Londres com Hélio Oiticica. Foi durante essa viagem para Londres que Torquato e Hélio Oiticica brigaram, o que acabou levando Torquato a Paris, onde moraria por um tempo com sua esposa. Foi também durante esse “exílio acidental” que Torquato teria rompido com seus parceiros tropicalistas. A partir deste momento, o envolvimento de Torquato com as atividades musicais do chamado grupo baiano tornou-se extremamente reduzido.
Durante o período que passou na Europa, Torquato frequentemente escrevia em diários e planejava filmes que gostaria de dirigir, sem, no entanto, publicar nada de sua produção escrita. Retornou ao Brasil em 1970, ano no qual nasceu seu filho e também no qual Torquato se internou pela primeira vez em um sanatório psiquiátrico.
Em meados de 1971, Torquato Neto e Waly Salomão
2começaram a trabalhar no Correio da Manhã, escrevendo sobre cinema no suplemento cultural do jornal, o Plug. O objetivo de ambos era criar um espaço para falar de cinema em super-oito e suas experimentações. No entanto, devido a complicações internas da redação do jornal, o empreendimento foi curto, durando apenas um mês.
A Torquato, no entanto, o editor Reinaldo Jardim ofereceu uma coluna no segundo caderno do jornal Última Hora. Neste, Torquato publicou a coluna Geléia Geral quase diariamente entre os meses de agosto de 1971 e março de 1972. Neste período de tempo relativamente curto, a coluna causou grande impacto, tornando-se leitura obrigatória para o pesquisador que procura compreender as movimentações no campo cultural do início da década de 1970.
A Geléia Geral foi um espaço singular no qual artistas que produziam fora dos circuitos consagrados recebiam espaço em um jornal de ampla circulação. O fato de Torquato divulgar artistas desconhecidos do grande público, como a banda Módulo Mil, por exemplo, já é por si só interessante, mas talvez a característica mais singular da coluna, seja a forma como Torquato informava ao público o que estava acontecendo no campo da cultura.
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