UFPE — MA989 — 2013.1 — PROF. FERNANDO J. O. SOUZA
LISTA DE EXERC´ ICIOS 03 – v. 1.0
Assuntos: Simboliza¸c˜ao l´ogica; uso de proposi¸c˜oes e predicados com co- nectivos e quantificadores.
Orienta¸ c˜ ao: Dar solu¸c˜oes leg´ıveis e completas, explicando todos os passos e detalhes, e indicando as propriedades e os resultados utilizados. S´o conferir a solu¸c˜ao de um item ap´os tentar resolvˆe-lo seriamente.
Considerem-se os seguintes predicados, onde = indica que o s´ımbolo `a b esquerda denota a express˜ao entre aspas `a direita para efeito desta quest˜ao:
P
1(x, y) = “x b = y”; P
2(x, y ) = “x < y”; b P
3(x, y, z) = “xy b = z”.
Utilizando apenas conectivos, quantifica¸c˜ao no dom´ınio de discurso
1R , e 0 e 1 como constantes reais
2(e n˜ ao como constantes l´ogicas) como achar apropri- ado, simbolizar as 15 proposi¸c˜oes S
ıabaixo como express˜oes bem formadas diretamente a partir dos predicados dados P
dados acima, moldando sua sintaxe convenientemente e, se necess´ario, usando equivalˆencias l´ogicas:
S
1= “0 n˜ao possui inverso (multiplicativo)”; b
S
2= “Se um n´ b umero real r n˜ao possui inverso, ent˜ao r tem que ser nulo”;
S
3= “0 ´e o ´ b unico n´ umero real que pode n˜ao possuir inverso”;
S
4= “0 ´e o ´ b unico n´ umero real que n˜ao possui inverso”;
S
5= “Para todo n´ b umero real r, apenas uma das trˆes situa¸c˜oes ocorre: ou r
´e positivo, ou r ´e negativo, ou r ´e nulo” (Tricotomia do sinal: todo n´ umero real r possui um ´ unico sinal);
S
6= “O inverso de um n´ b umero real n˜ao-nulo r tem o mesmo sinal que r”;
S
7= “Todo n´ b umero real n˜ao-negativo r possui uma raiz quadrada”;
S
8= “Todo n´ b umero real r possui, no m´aximo, uma raiz quadrada”;
S
9= “A raiz quadrada de um n´ b umero real r, quando existe, ´e ´ unica”;
S
10= “1 ´e o ´ b unico n´ umero real positivo igual ao seu pr´oprio quadrado”;
S
11= “0 e 1 s˜ao os ´ b unicos n´ umeros reais iguais aos seus respectivos quadra- dos”;
S
12= “Se a raiz quadrada de um n´ b umero real r ´e menor que r , ent˜ao r ´e maior que 1”;
1Apenas com instˆancias de ∃ e ∀, j´a se combinando vari´aveis quando conveniente.
Ex.: As duas senten¸cas a seguir poderiam ser usadas como partes de uma express˜ao bem formada: “∃z ∈R :” para denotar “existe um n´umero real z tal que”; e “∀x, y ∈R” para denotar “para todo n´umero real x, para todo n´umero real y,”. Observe-se que z ´e uma vari´avel, masz2e 1/zn˜ao o s˜ao.
2Ex.: P1(r,1) denota o predicado “r= 1”, enquantoP1(0,1) denota a proposi¸c˜ao (falsa)
“0 = 1”.
1
S
13= “Se a raiz quadrada de um n´ b umero real r ´e maior que r, ent˜ao r est´a estritamente entre 0 e 1”;
S
14= “A fun¸c˜ao quadrado de um n´ b umero ´e crescente nos n´ umeros reais n˜ao- negativos”;
S
15= “A fun¸c˜ao raiz quadrada ´e crescente nos n´ b umeros reais n˜ao-negativos”.
Solu¸ c˜ ao. Antes de tudo, deve-se ter em mente que este ´e um exerc´ıcio de simboliza¸ c˜ ao, e n˜ ao de dedu¸ c˜ ao. Observe-se que um n´ umero real s ser inverso multiplicativo de um n´ umero real r traduz-se por “ sr = 1 = rs ” que, neste contexto, simboliza-se como P
3( s, r, 1) ∧ P
3( r, s, 1). A inexistˆ en- cia de algo ´e a nega¸c˜ao da existˆencia daquilo. Finalmente, a unicidade ´e reproduzida matematicamente como: se dois objetos satisfazem a condi¸c˜ao em quest˜ao, ent˜ao eles s˜ao iguais. Mas:
S
1= ∄s ∈ R : s0 = 1 = 0s ∴ S
1= ¬ ∃ s ∈ R : P
3(s, 0, 1) ∧ P
3(0, s, 1).
S
3=
3S
2= ∀ r ∈ R, ( ∄s ∈ R : sr = 1 = rs) → r = 0 ∴
S
3= S
2= ∀ r ∈ R, ¬ ( ∃ s ∈ R : P
3(s, r, 1) ∧ P
3(r, s, 1)) → P
1(r, 0).
S
4= S
1∧ S
2(inexistˆencia e unicidade, respectivamente). Pode-se tamb´em moldar S
4como: ∀ r ∈ R, ¬ ( ∃ s ∈ R : P
3(s, r, 1) ∧ P
3(r, s, 1)) ↔ P
1(r, 0).
Para a proposi¸c˜ao S
5, ´e tentador o uso do conectivo l´ogico “ou exclu- sivo”, aqui denotado por ˙ ∨ . Ele ´e associativo e comutativo, o que pode ser facilmente deduzido a partir de sua tabela l´ogica, ou de express˜oes dele em termos de outros operadores, tais como A ∨ ˙ B = (A ∨ B) ∧ ( ¬ A ∨ ¬ B) = ( A ∨ B ) ∧ ¬ ( A ∧ B ). No entanto, deve-se ter cuidado com o fato de que V ∨ ˙ V ∨ ˙ V = V , expressando algo diferente do que se deseja com S
5. Esta ´e mais pr´oxima do senso comum a respeito do “ou exclusivo”. Isto pode ser contornado ao se suplementar A ∨ ˙ B ∨ ˙ C com o termo an´alogo `a ´ ultima rees- critura de A ∨ ˙ B acima, a saber, com ¬ (A ∧ B ∧ C). Isto elimina o valor V quando A = B = C = V : (A ∨ ˙ B ∨ ˙ C) ∧ ¬ (A ∧ B ∧ C) ´e verdadeira quando uma e apenas uma das trˆes vari´aveis proposicionais ´e verdadeira
4. Assim:
S
5= ∀ r ∈ R, (P
2(0, r) ˙ ∨ P
2(r, 0) ˙ ∨ P
1(r, 0)) ∧ ¬ (P
2(0, r) ∧ P
2(r, 0) ∧ P
1(r, 0)).
A rigor, S
6deveria ser simbolizada sem que se assumissem outras propo- si¸c˜oes (S
4, por exemplo) ou algum conhecimento sobre a rela¸c˜ao de ordem,
3H´a l´ogicas mais ricas do que a de predicados, como as l´ogicas modais que a estendem e incluem as id´eias (duais) denecessidadeepossibilidade. Nelas, S2 eS3 seriam distintas da express˜ao acima.
4Isto tamb´em pode ser facilmente escrito em formal normal disjuntiva ou conjuntiva.