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Rev. Assoc. Med. Bras. vol.54 número2

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Academic year: 2018

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Rev Assoc Med Bras 2008; 54(2): 95-104

96

P

anorama I nternacional

Ginecologia

A

EXPOSIÇÃO

FETAL

À

CABERGOLINA

EM

MULHERES

COM

HIPERPROLACTINEMIA

PROMOVE

RISCOS?

Re c e nt e e int e re ssa nt e e st ud o ob se rva c iona l p rosp e c t ivo1

c on d u z id o p or Colao e t a l. (2 0 0 8 ) a na liso u a e voluçã o d e 3 2 9 ge st a çõe s e m m ulhe re s t ra t a d a s com ca b e rgolina d e sd e 1 9 9 4 . C o nst a t a ra m 2 5 8 (7 8 % ) na scim ent o s e 7 1 (2 2 % ) a bo r tos . Ent re os 2 5 8 na scim e nt os, 2 5 0 (9 7 % ) fora m na t ivivos, qua t ro (2 % ) na t im ort o s e e m re la çã o aos c asos re sta ntes nã o h avia re fe rê ncia s. Dos 2 5 0 na t ivivos, 1 9 3 (7 7 % ) t inha m id a d e ge st a cio n a l supe rior a 3 7 se m a na s, e nqua nt o e m 4 5 (1 8 % ) a ida de ge st a cio na l e ra infe rio r a 3 7 se m a na s. N o t o ca nte a o p e so, 6 2 % d os re c é m - na sc id os e xib ira m va lore s e nt re 3 Kg - 4 kg. Anorm a lida de s ne ona t a is fora m const a t a da s e m 2 3 (9 % ) d os re c é m n a sc id os, p oré m se m q u a lq u e r p a d rã o, t a n t o n o t ip o co m o n a se ve rid ad e .

O s a ut ore s c onc luíra m que a e xposiçã o fe t a l à ca be rgolina no início da ge st a çã o nã o in d u z a q u a lq u e r risc o d e a b ort o, p a rto p r e m a t uro o u m a lfo r m ação fe ta l.

Coment ário

A hipe rprolact ine m ia re pre se nt a condição fre qüe nt e na p rática clínica, acom e t e ndo 2 0 - 3 0 % das jove n s c om am enorréia secundária e reflet indo um a alt eração no eixo hipotalâm ico - hipofisário. C aract e riz a-se pe lo aum e nt o pe rsis-t enrsis-t e da prolacrsis-t ina sérica, decorrenrsis-t e de causas fisiológicas com o gravidez , lactação, e st ím ulo m am ário, e st re sse , e xe rcícios, uso de fárm acos (ant ide pre ssivos, hipot e nsore s, antipsicó ticos) e causas pato lógicas com o t um ore s hipofisários, le sõe s hipot alâm icas, hipot ire oidism o prim ário e insuficiê ncia renal crônica2.

O aum ento d a p rolactina pod e p rom ove r q u a d ro d e hipogonadism o e m função da dim inuição da libe ração do GnRH , com conse qüe nt e re dução nos pulsos de LH e FSH ; de ssa form a, a de pe nde r da severidade da hiperprolact inem ia, pode m surgir alt e raçõe s m e nst ruais (oligo e am e norré ia), re du-ção d a densidade m ineral óssea, galactorré ia e infert ilidade. N os c asos d e p rolact inom as, além das repercussões m enciona-d a s, p oenciona-d e m oc orre r ou t ros sin t om as enciona-d e c orre nt e s enciona-d e fe nôm e nos com pre ssivos, com o ce falé ia, pe rt urbaçõe s visuais e até hipopit uit arism o.

O s agonist as do p a m iné rgicos - b rom oe rgocript ina e cabe rgolina – são o s fárm aco s indicados para tratar os q u adro s de hipe rprolact ine m ia. N os casos de infe rt ilidade conse qüe nt e s à hipe rprolact ine m ia, os ago nist as dopam iné rgico s são fre qüe nt e m e nt e pre scrit os para re duz ir as conce nt raçõe s sé ricas de prolact ina, o que pe rm it e corrigir de sde sut is disfunções lút eas at é quadros de anovulação crônica.

O s e st udo s clínicos re ve lam que a cabe rgolina, ape sar de se u m aior c u st o, é m ais eficaz e apresent a m eno s e fe it os co lat e rais do que a brom oe rcocript ina3; de fato , ao se c om p

a-rar as taxas de gestação n as po rtado ras de m icroprolact ino m as usuárias de cabe rgolina e brom oe rgocript ina, const at ou- se nít ida supe rioridade da cabe rgolina (8 3 % cont ra 5 8 % de ge st açõe s).

D e form a geral, tanto a cabergo lina quanto a b rom oe rgo-criptina são usualm ent e descont inuadas após a confirm ação da gestação; no e nt ant o, há situaçõe s, c om o nos c aso s de cre sci-m e nt o dos prolact inosci-m as durant e a gravide z que se isci-m põe o uso d os ago nistas dop am iné rgicos.

N e sse s casos, no e nt ant o, as e vidê ncias de sve lavam que a brom oe rcocript ina pode ria se r m ant ida e se r a prim e ira e scolha na gestação; tal fato se ap oiava na análise de 1.410 gestaçõe s e m usuárias de sse agonist a dopam iné rgico, e m que não se t inha e vide nciado qualque r aum e nt o no risco de m alform açõe s c on-gênitas, abo rtos e spont âne os, ne m d e alteraçõe s no d e se nvol-vim e nt o psicom ot or de crianças acom p anhadas até nove anos4.

N o to cant e à cabergolina, apesar de ela ser usada desde a década de 9 0 , os est udos pert inent es à sua segurança relacionada à exposição m ate rna fetal ainda eram lim itados e con tro -ve rsos5. Diant e disso, em ergia um a quest ão: afinal, cabergolina

pod e ria ser usada durante a gestação ?

O s re sult ados do e st udo de Colao e t al., em 2 0 0 8 , con tri-buem de form a significat iva para esclarecer est a quest ão e pe rm it e e m it ir um a m e nsagem final para o s clínico s: Frente às p rolactino m as que cre sce m durant e a ge st ação, alé m da brom oe rgocript ina, a cabergolina passa a represent ar um a alt e rnat iva não só se gura para o conce pt o e e volução da gestação, m as de alta eficácia, po is e st udos ant e riore s e m m ulhe re s não grávid as já m ostravam m ais de 5 0 % na redução d o vo lum e de m acroprolact inom as em 9 6 % de suas usuárias2

.

JO S É ME N D E S ALDRIGHI

ANDRÉ LA R I S S A RI B E I R O PI R E S

ANTÔNIO HENRIQUESD E FRANÇA NE T O

AOKI T

Re fe rê nc ia s

1 . Cola o A, Ab s R, Bá rc e n a D G, Ch a n son P, Pa u lu s W , Kle in b e rg D L. Pre gn a n c y ou t c om e s follow ing c a b e rgoline t re a t m e nt : e xt e nd e d re sult s from a 1 2 - ye a r ob se rva t iona l st ud y. Clin End oc rinol (Oxf). 2 0 0 8 ;6 8 (1 ):6 6 - 7 1

2 . Ca sa n u e va FF, M olit c h M E, Sc h le c h t e JA, Ab s R, Bon e rt V, Bron st e in M D , e t a l. Gu id e lin e s of t h e Pit u it a ry Soc ie t y for t h e d ia gn osis a n d m a n a ge m e n t of p rola c t in om a s. Clin En d oc rin ol (O xf). 2 0 0 6 ;6 5 (2 ):2 6 5 - 7 3 .

3 . Cola o A, D i Sa rn o A, Ca p p a b ia n c a P, Briga n t i T, Tort ora F, Au rie m m a RS, e t a l. W it hdra w a l of lon g- t e rm c a b e rgolin e t h e ra p y for t u m ora l a n d n on t u m ora l hype rprola ct ine m ia . N Engl J M e d . 2 0 0 3 ;3 4 9 (2 1 ):2 0 2 3 - 3 3 .

4 . Rob e rt E, M usa t t i L, Pisc it e lli G, Fe rra ri CI. Pre gna nc y out c om e a ft e r t re a t m e n t w it h t h e e rgot d e riva t ive , c a b e rgolin e . Re p rod Toxic ol. 1 9 9 6 ;1 0 (4 ):3 3 3 - 7 .

Referências

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