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(1)UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO ESCOLA DE COMUNICAÇÃO, EDUCAÇÃO E HUMANIDADES PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO. ANDREIA FERNANDES OLIVEIRA. A FORMAÇÃO PARA O MINISTÉRIO PASTORAL: PERCEPÇÕES DE PASTORAS METODISTAS. SÃO BERNARDO DO CAMPO 2018.

(2) ANDREIA FERNANDES OLIVEIRA. A FORMAÇÃO PARA O MINISTÉRIO PASTORAL: PERCEPÇÕES DE PASTORAS METODISTAS. Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu Escola de Comunicação, Educação e Humanidades da Universidade Metodista de São Paulo, para obtenção do título de Doutora em Educação. Orientadora: Profª. Drª Roseli Fischmann Coorientador: Prof. Dr. Marcelo Furlin. SÃO BERNARDO DO CAMPO 2018.

(3) FICHA CATALOGRÁFICA. OL4f. Oliveira, Andreia Fernandes A formação para o ministério pastoral: percepções de pastoras metodistas / Andreia Fernandes Oliveira. 2018. 238 p.. Tese (Doutorado em Educação) --Escola de Comunicação, Educação e Humanidades da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2018. Orientação de: Roseli Fischmann. Coorientação de: Marcelo Furlin.. 1. Teólogos - Formação profissional 2. Ministério pastoral Mulheres - Igreja Metodista 3. Educação teológica - Ministério pastoral I. Título. CDD 374.012.

(4) A tese de doutorado sob o título “A formação para o Ministério Pastoral: percepções de pastoras metodistas”, elaborada por Andreia Fernandes Oliveira foi defendida e aprovada em 31 de agosto de 2018, perante banca examinadora composta por Prof. Dr. Marcelo Furlin (Presidente/UMESP), Profª Drª. Denise D’ Aurea Tardeli (Titular/UMESP), Profª. Drª. Patricia Margarida Farias Coelho (Titular/UMESP), Prof.ª Drª. Sandra Duarte de Souza (Titular/UMESP), Prof. Dr. Boris Agustín Nef Ulloa (Titular/PUC/SP).. __________________________________________ Prof. Dr. Marcelo Furlin Orientador e Presidente da Banca Examinadora. __________________________________________ Prof. Dr. Marcelo Furlin Coordenador do Programa de Pós-Graduação. Programa: Programa de Pós-Graduação em Educação Área de Concentração: Educação Linha de Pesquisa: Formação em Educadores.

(5) A todas as mulheres que, em suas entranhas, têm fé na vida e o coração na luta. A todas as pastoras metodistas e àquelas que virão a ser. À Gabriela e Ana Clara..

(6) AGRADECIMENTOS. A Deus por seu sustento e motivação. À minha família, A tantas amigas e amigos que no exercício peculiar do dom da amizade foram lugar seguro na realização desse doutorado. Os nomeio no meu coração. Á Telma Cezar, Beatriz Faleiro, Joana Darc Meireles, Giselma Matos, Isabelle de Freitas, Fábio Fonseca, Sara de Paula, Maryuri Mora Grisales, Mauren Julião, Emily Everett, Lais Bessa que em vários momentos deram suportes efetivos e afetivos para que eu pudesse persistir na aventura de escrever esse texto. À Igreja Metodista, em especial à Sede Nacional. À Universidade Metodista de São Paulo, em especial ao Programa de Pósgraduação em Educação e à Faculdade de Teologia. Às pastoras participantes da pesquisa. À professora Roseli Fischmann, minha querida e admirável companheira nessa aventura acadêmica. Ao professor Marcelo Furlin Às professoras Sandra Duarte de Souza e Zeila de Brito Fabri Demartini Aos professores e professoras de toda a minha a vida..

(7) RESUMO. OLIVEIRA, Andreia Fernandes. A formação para o ministério pastoral: Percepções de pastoras metodistas. 2018. Tese (Doutoramento) - Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo/SP, 2018.. Esta tese tem por objetivo identificar as percepções de oito mulheres no exercício do ministério pastoral, graduadas pela Faculdade de Teologia da Igreja Metodista. Partindo de pressupostos de autoras(res) do pensamento crítico de distintas áreas dos estudos sociais (COLLINS, RIBEIRO, KILOMBA), teológicos (GEBARA, DEIFELT) e educacionais (FREIRE, HOOKS), o embasamento teórico desta pesquisa é formado a partir de pensadoras(es) que, ao problematizarem as relações entre homens e mulheres, marcadas pela imposição dos valores hegemônicos, como a colonização, a masculinização e o embranquecimento do saber, evidenciam que a educação pode ser um instrumento de reprodução desses valores. Neste sentido, a formação teológica para o exercício do ministério pastoral tem sido influenciada por esses valores. Conceitos de educação teológica, ministério pastoral, interseccionalidade e educação problematizadora fazem parte desse diálogo crítico entre as fontes bibliográficas. Como instrumento metodológico de campo, foi utilizado aplicação de grupo focal com pastoras em exercício ministerial, formadas em períodos diferentes na Faculdade de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo. A partir da análise dos dados, confirmou-se a hipótese de que a formação teológica da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista é masculinizada e masculinizante, estabelecida prioritariamente por homens e para homens. Por isso, faz-se necessário transformar o espaço de formação teológica e o espaço clerical. É preciso construir lugares de reflexão e fomento de ações que confrontem a igreja em relação às práticas de discriminação e de rejeição das mulheres no exercício do ministério pastoral. Palavras-chave: formação teológica, educação teológica, ministério pastoral, pastoras, interseccionalidade, educação problematizadora..

(8) ABSTRACT. OLIVEIRA, Andreia Fernandes. Formation for pastoral ministry: Perceptions of Methodist Female Pastors. 2018. Thesis (Doctorate) - Graduate Program in Education, Methodist University of São Paulo, São Bernardo do Campo / SP, 2018. This thesis aims to identify the perceptions of women in the practice of pastoral ministry who graduated from the School of Theology of the Methodist Church. Based on the assumptions of critically thinking authors in various areas of social, theological and educational studies, the theoretical basis of this research is composed from thinkers who, when discussing relationships between men and women, which are marked by the imposition of hegemonic values, such as colonization, masculinization and whitening of knowledge, make it evident that education can be an instrument toward the reproduction of these values. In this sense, the theological formation for the practice of the pastoral ministry has been influenced by these values. Concepts of theological education, pastoral ministry, intersectionality, and problematizing education are part of this critical dialogue among bibliographic sources. As a methodological field instrument, the focus group included female pastors in ministerial practice, who all studied and graduated from the School of Theology of the Methodist University of São Paulo at different times. From the analysis of the data, the hypothesis was confirmed that the theological formation of the School of Theology of the Methodist Church is masculinized and masculinizing, established mainly by men and for men. It is therefore necessary to transform the space of theological formation and clerical space. It is necessary to build places for reflection and encouragement of actions that confront the church in relation to practices of discrimination and rejection of women in the exercise of pastoral ministry. Keywords: theological formation, theological education, pastoral ministry, female pastors, intersectionality, problematizing education..

(9) RESUMEN. OLIVEIRA, Andreia Fernandes. A formação para o ministério pastoral: Percepções de pastoras metodistas. 2018. Tese (Doutoramento) - Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo/SP, 2018. Esta tesis tiene como objetivo identificar la percepción que las mujeres, graduadas en la Facultad de Teología de la Iglesia Metodista, tienen en el ejercicio del ministerio pastoral. Partiendo de presupuestos teóricos de autores/as de pensamiento crítico de diferentes áreas de estudios sociales teológicos y educacionales. El fundamento teórico de esta investigación se compone a partir de pensadoras(es) que, al problematizar las relaciones entre hombres y mujeres, marcadas por la imposición de valores hegemónicos como la colonización, la masculinización y el blanqueamiento del saber, colocan en evidencia que la educación puede ser un instrumento de reproducción de esos valores. En este sentido, la formación teológica para el ejercicio del ministerio pastoral ha sido influenciada por estos valores. Conceptos de educación teológica, ministerio pastoral, interseccionalidad y educación problematizadora hacen parte de ese diálogo crítico entre las fuentes bibliográficas. Como instrumento metodológico de campo fue realizado un grupo focal con pastoras en ejercicio ministerial, graduadas en periodos diferentes en la Facultad de Teología de la Universidad Metodista de São Paulo. A partir del análisis de los datos, se confirmó la hipótesis de que, la formación teológica de la Facultad de Teología de la Iglesia Metodista es masculinizada e masculinizante, establecida prioritariamente por hombres y para hombres. Por esto, se hace necesario transformar el espacio de formación teológica y clerical. Es necesario construir lugares de reflexión y fomento de acciones que confronten la iglesia en relación a sus prácticas de discriminación y de rechazo de las mujeres en el ejercicio pastoral. Palabras clave: formación teológica, educación teológica, ministerio pastoral, pastoras, interseccionalidad, educación problematizadora..

(10) LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS. ANPED - Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação..13 DNED – Departamento Nacional de Escola Dominical.....................................14 PVMI – Plano para a Vida e Missão da Igreja...................................................16 FATEO – Faculdade de Teologia......................................................................16 EST – Escola Superior de Teologia...................................................................18 UMESP – Universidade Metodista de São Paulo..............................................18 EAD – Educação à Distância.............................................................................19 IPEA – Instituto de Pesquisa e Estatística Aplicada..........................................22 PNET – Plano Nacional Missionário de Educação Teológica...........................96.

(11) LISTA DE GRÁFICOS. Gráfico 1 – Bibliografia básica e complementar: autorias masculinas e femininas..........................................................................................................104 Gráfico 2 – Composição do quadro docente da FATEO por gênero...............105 Gráfico 3 – Titulação da equipe docente – FATEO.........................................107 Gráfico 4 – Corpo Docente da FATEO quanto à titulação e gênero................108 Gráfico 5 – Formandos em Teologia EAD.......................................................109 Gráfico 6 - Formandas em Teologia EAD........................................................109 Gráfico 7 – Membros Clérigos(as)...................................................................144 Gráfico 8 – Categorias de Nomeação..............................................................144 Gráfico 9 – Liderança nas igrejas locais..........................................................145 Gráfico 10 - Superintendência distrital e supervisão...................................... 146 Gráfico 11 – Remuneração financeira.............................................................146.

(12) SUMÁRIO. APRESENTAÇÃO ................................................................................................................... 13 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................... 21 CAPÍTULO 1. CAMINHO TEÓRICO-METODOLÓGICO .................................................. 33 1.1. Referenciais teóricos ............................................................................................ 33. 1.1.1. Educação: aportes freireanos ..................................................................... 33. 1.1.2. Gênero, interseccionalidade e lugar de fala ........................................... 42. 1.1.3. Teologia Feminista ......................................................................................... 54. 1.2. Caminhos metodológicos .................................................................................... 58. CAPÍTULO 2. EDUCAÇÃO TEOLÓGICA ........................................................................... 70 2.1. Educação teológica: uma aproximação conceitual .............................................. 70 2.2. O início da educação teológica das mulheres na Igreja Metodista .............. 80 2.3. Educação Teológica no Século XXI ....................................................................... 91 2.4. O curso de teologia: regulamentações eclesiástica e federal........................ 98 2.5 O projeto pedagógico do curso de Teologia ...................................................... 100 2.6. A estrutura curricular do curso ............................................................................ 101 2.7. A presença das mulheres no corpo docente e discente da FATEO ........... 106 CAPÍTULO 3. O MINISTÉRIO PASTORAL NA IGREJA METODISTA ....................... 113 3.1. Ministério e pastoral: aproximações conceituais ............................................ 113 3.2. O ministério pastoral na Igreja Metodista .......................................................... 116 3.3. A participação de mulheres na igreja ................................................................. 128 3.4 A participação de mulheres nos primórdios do movimento metodista...... 131 3.5. Histórias do início do ministério pastoral das mulheres na Igreja Metodista ............................................................................................................................................... 134 3.6 As pastoras metodistas em São Paulo: um retrato em 2018 ......................... 143 CAPÍTULO 4. AS NARRATIVAS DAS PASTORAS ....................................................... 151 4.1 Formação teológica .................................................................................................. 152 4.2.1. “A faculdade teve esse abrir de horizontes para mim”: a educação teológica ........................................................................................................................................... 154 4.2.2. “Aí no murinho eu aprendi teologia”: outros espaços formativos ................ 164 4.2.3. “A eletiva de Teologia Feminista”: sobre Teologia Feminista ...................... 168 4.2.4. “Você quer ser bonita ou quer ser pastora”: as relações entre homens e mulheres na FATEO ...................................................................................................... 171 4.2. Ministério Pastoral ................................................................................................... 175.

(13) 4.1.1: “A minha palavra é Ministério Pastoral”: conceituações expressas nas vozes das mulheres ................................................................................................................... 176 4.1.2: “E o “nós vai” dele tem mais poder porque ele é homem?”: preconceitos e discriminações ................................................................................................................ 182 4.1.3: “Não espere que eu vá ser um homem no púlpito, porque eu sou mulher”: insurgências necessárias .............................................................................................. 199 4.3. Considerações sobre a análise ............................................................................ 205 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................. 208 REFERÊNCIAS ...................................................................................................................... 217.

(14) 13. APRESENTAÇÃO. “...e se não nos veem nas cadeiras das universidades, não se pode dizer que seja por incapacidade, mas sim por efeito da violência com que os homens se sustentam nesses lugares em nosso prejuízo”. (Nísia Floresta, Direitos das mulheres e injustiça dos homens, 1832) Contar a história da minha família é reconhecer o protagonismo das mulheres que trabalharam desde muito cedo e nunca ascenderam à universidade. Minhas bisavós, avós, mãe, tias e primas, nenhuma delas conseguiu cursar uma faculdade e, entre elas, havia as que não sabiam ler. Eu fui a primeira a ter um diploma de curso superior, logo em seguida minha irmã ingressou e terminou a faculdade de fisioterapia, depois uma prima e agora seguimos esperando e esperançando com as nossas pequenas. Ao escrever este breve itinerário, recordo-me da minha avó Geni (avó materna), analfabeta, mas que volta e meia me pedia explicações sobre o porquê de eu nunca sair da universidade. Conversávamos muito, ela me escutava atenta e, com um misto de orgulho e preocupação, sempre sentenciava: “isso mesmo minha filha, estude mesmo, mas cuidado para não ficar maluca, estudar muito faz a gente ficar ruim do juízo”. Quando criança, minha avó não pôde estudar porque trabalhava na roça. Quando foi para cidade, trocou a enxada pela máquina de costura. Sempre que eu lhe perguntava por que não havia estudado, mesmo depois de adulta, ela me confidenciava: “não sou boa para os estudos, não tenho cabeça para isso”. Eu consegui chegar até as cadeiras da universidade, lá adquiri possibilidades de suspeitar, questionar e problematizar a fala da “vó” Geni. Minha avó era uma mulher que dominava a matemática; tinha uma oralidade deliciosa; pronunciava muito bem as palavras e se orgulhava disso: “eu não tenho estudo, mas falo direitinho. O português é para ser bem falado”. Ao relembrar tudo isso, me pergunto: realmente ela não tinha habilidades para aprender? Uma pena que as transgressoras e necessárias reflexões da.

(15) 14. professora Nísia, escritas bem antes da minha avó nascer, não tenham chegado até ela. Quando chego ao doutorado, venho imbricada com histórias de mulheres como a minha avó e com o protagonismo de outras mulheres como Nísia Floresta, geralmente tomados como transgressão. O fato de ser fonoaudióloga, professora e pastora me coloca em espaços de exercício do cuidado. Foram as cadeiras da universidade que me garantiram a possibilidade de problematizar esses espaços de cuidado e os próprios papéis que desempenho. Chego na atual etapa da minha vida, fascinada com a possibilidade de estudar e conhecer, mas também com o compromisso político de ocupar espaços historicamente negados às mulheres, de refletir e questionar as relações de gênero e de colaborar com a emancipação feminista das mulheres. Esse mesmo compromisso político tenho assumido no espaço eclesiástico. Foi nele que encontrei o terreno e participantes desta pesquisa. A partir da minha militância na igreja há mais de 30 anos, foi que surgiu o desejo de conhecer as narrativas de pastoras metodistas, suas percepções sobre a formação teológica e o ministério pastoral exercido por elas. Educação, gênero e ministério pastoral são temas fundamentais na minha trajetória. Meu primeiro contato com a palavra gênero se deu no início da formação escolar. Ao lado do gênero, estavam o número e o grau, palavras inseparáveis nas aulas de português. Sempre estudávamos e classificávamos as palavras quanto ao gênero, ao número e ao grau. À medida que o grau – não o das palavras, mas o da minha formação – evoluía, deparei-me com outros tipos de significados para a palavra gênero. Significados que já estavam presentes, ainda que ocultos, no início da minha formação. Na realidade, tais significados nasciam desde que o médico, no pueril momento do meu nascimento, proclamou a notícia: é menina! Isso aconteceu no ano de 1974. Minha infância foi marcada pela presença constante da mãe e do pai, e três anos depois, com a companhia inseparável de uma menina, minha irmã. Seis anos depois, chegou o meu irmão para terminar de compor a trupe. Meu irmão, fruto do desejo paterno de ter um filho homem e do desejo materno de atender às aspirações do marido, nasceu com síndrome de Down. A figura da descendência masculina se perdeu em meio às limitações. Era menino,.

(16) 15. mas não dava para ser o menino. Para muitos, com defeito de fábrica, para mim, numa descoberta diária, com itens mais que especiais de fabricação. Isso acontecera no ano 1980. Diante das limitações do filho homem, à minha irmã coube assumir o sucesso no esporte. Eu não dei conta desse papel, embora o tenha tentado por muito tempo. Quanto a mim, coube estudar e perceber que a vida se tornou mais viva com uma pessoa deficiente em casa. Estudo e sensibilidade levam à reflexão e, em seguida, aos questionamentos. Assim, mesmo sem perceber e até entender, eu era a que mais perguntava por que? e a que menos aceitava respostas prontas. Durante meu período escolar, as artes industriais na escola pública eram mais aprazíveis do que as aulas de educação para o lar. Como muitas meninas, passei pelo dilema da minha época: curso normal ou 2º grau? Confesso que não fugi à regra, sempre quis ser professora, mas professora não ganha dinheiro, disse a família. Portanto, era preciso fazer 2º grau. Nisso já estávamos no ano de 1988. O Ensino Médio cursado no Colégio Pedro II foi fantástico, que tempo bom! Este colégio se apresentou como porta para mudanças significativas na minha vida, que incluíam a angústia do meu pai em ter uma filha comunista, como ele me classificava. Vivenciei bons e maus encontros. Deparei-me com Elis Regina, Chico Buarque, grêmio estudantil, passeatas na Avenida Presidente Vargas, centro do Rio de Janeiro, professores exilados na ditadura, mas não só. Me encontrei também com a física, que dureza! Mas tudo bem, isso era coisa para meninos, não para meninas, não fui tão cobrada por tais dificuldades. No final do Ensino Médio brotou o desejo de fazer Ciências Sociais, o que foi totalmente impugnado pelo pai militar com medo de que uma filha comunista se perdesse de vez. Fiz vestibular para Direito com a promessa rebelde de que se eu passasse entraria para o MST - Movimento Sem Terra. Não usei esse nome na época, mas era o que eu queria dizer. Não passei. Um alívio para mim e para meu pai! Eu não queria fazer Direito. Fui trabalhar. “Como? Você tem que estudar, não trabalhar”, essa foi mais uma fala do pai amoroso e assustado com alguém que fugia às regras que ele, como militar de baixa patente, tinha aprendido que deveriam ser seguidas, principalmente por meninas..

(17) 16. Embora nesse relato cite menos a minha mãe, ela foi determinante para que eu pudesse trabalhar, esteve perto o tempo todo; penso que por isso não dá para pontuar só alguns momentos de sua atuação. Todas as minhas subversões eram um pouco dela também, tinham sempre sua voz somada. Com as querelas familiares e as pressões ideológicas, acabei por desistir de ingressar na faculdade de Ciências Sociais e fui cursar Fonoaudiologia. Um reduto feminino, onde cuidado e assistência eram palavras mestras na formação que vivenciávamos na graduação. Resgatei meu interesse por educação e logo comecei o diálogo da fonoaudiologia com a aprendizagem, especialmente quando fui estagiar em um posto de saúde na Tijuca, Rio de Janeiro. Lá se atendia crianças com dificuldades de aprendizagem, oriundas das favelas do bairro. Isso aconteceu no ano de 1995. A vida seguiu e em 2001, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), me especializei na prevenção e acompanhamento de dificuldades na aprendizagem. Como diz Chico Buarque: “roda viva, roda gigante”, a vida rodou, rodou e rodou. Mas como a vida roda quando a gente roda a vida, eu acabei vivenciando um exercício político e uma construção sociológica por meio da militância no movimento de juventude da Igreja Metodista, e da educação não formal através da Escola Dominical, um espaço de educação cristã na Igreja Metodista, que tradicionalmente funciona aos domingos pela manhã, em todas as igrejas metodistas no Brasil. Minha militância nos movimentos de educação e juventude na Igreja propiciou-me oportunidades maravilhosas, dentre elas a ciência explícita de que gênero vai além da classificação de palavras. Gênero, aos poucos, me foi apresentado como uma importante categoria de análise social. Isto começou num encontro com uma teóloga feminista (assim eu a enxergava), pastora metodista, chamada Rosangela Soares, brasileira, que vive em Nova Iorque e que trabalhou durante muito tempo com um programa de educação de mulheres metodistas por toda América Latina. Conhecer, ouvir e conviver com ela parecia me dar significado para suspeitas e ideias que já estavam dentro de mim. Em 2003, resolvi fazer teologia no Instituto Metodista Bennett e essas questões saltaram aos meus olhos. Eu, que estudara num reduto feminino, agora me encontrava num reduto masculino,.

(18) 17. em um espaço onde o protagonismo masculino e o androcentrismo 1 no conhecimento são reinantes e ditatoriais. O curso de Teologia me soava como um reencontro. Era o meu primeiro contato formal com os estudos de religião, sociologia, filosofia, teologia da libertação, mas a sensação de reencontro estava presente, e se dava na medida do meu desejo de emaranhar-me por tudo aquilo. Era como se eu já soubesse que queria saber sobre tais assuntos. Nesse delicioso emaranhado, encontrei-me com a teologia feminista. Participei de um encontro de mulheres estudantes de teologia no Rio Grande do Sul, em uma universidade metodista, fundada por uma mulher. Naquele encontro deparei-me com a teóloga feminista Nancy P. Cardoso que em uma oficina contou, de uma forma instigante e diferente da que eu já havia ouvido, a história de João e Maria. Após a narração, ela trouxe algumas questões: por que foi Maria que trabalhou para engordar o João? Por que não aconteceu o contrário? Outras descobertas ainda estavam por vir: edições do Fórum Social Mundial na Índia e em Porto Alegre, o Fórum Social das Américas no Equador. Em tudo isso, as relações de gênero e educação tomavam cada vez mais espaço na minha vida. Com o término da faculdade veio o ingresso no ministério pastoral, isso não era, a princípio, tão certo para mim. Fui aos poucos me acostumando, ou me apropriando desse espaço e da ideia de me tornar pastora. Confesso que às vezes não me sinto tão confortável no ministério pastoral, é uma espécie de não lugar. Isto se dá, acredito eu, mais pela estrutura social e política, do que pelas relações interpessoais que essa função proporciona. De qualquer forma, no início de 2007, aceitei e ingressei no período probatório do ministério pastoral.. 1. De uma forma superficial, a partir do próprio vocábulo andro-centrismo, podemos inferir que esta palavra significa ter a visão masculina no centro. No entanto, Araceli González VÁZQUEZ nos previne que não basta afirmar que o androcentrismo limita-se apenas a ter o homem, o masculino e a masculinidade são o centro de todas as coisas, mas é preciso destacar que existe uma série de fatores, que atuam na subjetividade, que colaboram para que o androcentrismo se mantenha. Assim, os estereótipos, a misoginia, o machismo, o sexismo, são alguns destes fatores que colaboram para a centralidade/ superioridade da visão androcêntrica. Afirma ela: “el androcentrismo surge históricamente en la especie humana como táctica y como estrategia, como ideología y como recurso ideológico, y ha demostrado una enorme perdurabilidad temporal y una amplia extensión geográfica. Es una manera de entender a las personas que permea las cosmologías, las ontologías y las epistemologias”. (VÁZQUEZ, 2013, p.493-494).

(19) 18. Diferentemente do esperado, eu não fui para uma comunidade local (igreja) exercer o pastorado. Por conta da minha atuação na Igreja Metodista, ainda como leiga2, na coordenação do Departamento Regional de Escola Dominical no Rio de Janeiro, fui convidada para trabalhar na Sede Nacional da Igreja Metodista. Assumi a função de redatora das revistas de Escola Dominical 3 para as crianças. Começava aqui a se desenrolar a necessidade e a possibilidade de ingresso no mestrado. Sobre o que estudar? Não tive muitas dúvidas, eu precisava e queria muito me aprofundar nas relações de gênero e educação. É do fascínio à necessidade de uma pesquisa elaborada e sistemática que surgiu o meu interesse em estudar gênero e educação. Foi na consciência do meu reduzido conhecimento de tais temáticas que me interessei por estudar a produção acadêmica brasileira em gênero e educação. Queria saber o que se produzia, pesquisava e pensava na área, daí a minha opção por um levantamento bibliográfico, por um mapeamento do campo. Diante do meu desejo de adentrar no cenário da pesquisa educacional optei pela ANPED (Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação), a principal instituição de pesquisa em educação em nível nacional. Esta associação contava com um grupo de trabalho que tratava das relações de gênero e educação, o Grupo de Trabalho 23, intitulado Gênero, Sexualidade e Educação. Foi ele o campo da minha pesquisa. Minha dissertação, intitulada Gênero e Educação: uma análise do material produzido pelo grupo de trabalho Gênero, Educação e Sexualidade da ANPED no período de 2003 a 2009, é o relato e a análise da produção deste grupo. A pesquisa teve como um dos objetivos compreender quais as principais temáticas relacionadas a gênero e educação que são abordadas pelos trabalhos apresentados no Grupo de Trabalho 23, nas reuniões anuais da ANPED. Além disso, pesquisou-se como esses trabalhos abordavam e relacionavam a temática das políticas públicas em educação com a promoção da igualdade de gênero.. 2 3. Membro não clérigo da Igreja. Material didático e pedagógico para a educação cristã das crianças e pré-adolescentes (4 a 13 anos). Eu era responsável por elaborar seis publicações que compreendiam três títulos com revistas para alunos e alunas e professores e professoras..

(20) 19. Cursar o mestrado foi fascinante, mas não só. Minha percepção da vida ia se abrindo a passos largos, meu conhecimento se deparando com inúmeras oportunidades de ampliação. No entanto, foi nesse período que vivenciei uma das experiências mais marcantes da minha vida: o carcinoma de mama da minha mãe. Longe de casa eu me dividia entre Rio e São Paulo para, junto com ela, vencer esse processo. Esta doença, cuja maior incidência e as piores consequências acontecem no corpo das mulheres, me trazia ainda mais para o universo feminino. Poder desenvolver, nessa época e situação, uma pesquisa que se comprometia com uma análise feminista, foi algo muito rico. O corpo da minha mãe foi marcado pela ausência da mama que não seria mais reconstruída, e o meu corpo por sinais de cansaço. Foi um tempo intenso que cansou meu corpo e fatigou a minha alma, adoeci. Surgia mais uma crise depressiva. Não foi nada fácil superá-la, mas isso, para mim, já não era novidade. A primeira havia acontecido em 1989. O novo nesse processo surgiu dentro do programa de pós-graduação em educação. Foi quando um professor, na época coordenador do programa, me assediou sexualmente. Eu não fui a única, descobri que isso acontecera com outras companheiras também. Empenhar-se nessa luta foi um processo difícil. A vergonha em denunciar foi sendo, aos poucos, suprimida pela união e pelo encorajamento das mulheres que se organizaram para fazê-lo parar. Conseguimos, não como gostaríamos, mas ele foi demitido. De certa forma, isso foi libertador, a dissertação emperrada a tantos meses, jorrou, finalizou e fui aprovada. Ao final do mestrado, uma nova possibilidade de trabalho surgiu na esfera nacional da Igreja e assumi a coordenação do Departamento Nacional de Escola Dominical (DNED)4. Paralelo ao novo desafio, ingressei na docência no ensino superior na faculdade Zumbi dos Palmares, especificamente no curso de pedagogia. As disciplinas que ministrei nos três anos que trabalhei na faculdade Zumbi dos Palmares foram: Prevenção à saúde da criança; Educação, 4. Órgão da administração geral da Igreja Metodista subordinada a Coordenação Nacional de Educação Cristã. O Departamento Nacional de Escola Dominical tem como funções prioritárias promover o fortalecimento da Escola Dominical, promover formação para as equipes docentes e gestoras das escolas dominicais das igrejas locais e coordenar o processo de elaboração das revistas de Escola Dominical, material didático oficial da Igreja Metodista para Escola Dominical. Hoje o Departamento é responsável pela produção de 6 títulos, totalizando 11 publicações semestrais..

(21) 20. Diversidade e relações humanas; Família e escola; História da infância numa abordagem multicultural; Representações étnico-raciais nos livros didáticos. Todas elas dialogavam com as relações de gênero e raça. Aos meus estudos sobre gênero, uniram-se os estudos sobre raça. Agora, trabalhando com um público muito específico, a maioria de mulheres negras, só a utilização da categoria gênero já não era suficiente para as minhas pesquisas e interpretações da vida. No percurso acadêmico me reconheci como negra, mas não só. Percebi que o racismo à moda brasileira, nas suas formas perversas de escamotear-se, faz com que a variação fenotípica seja um critério de negação ou consentimento para que a população negra se insira e ocupe espaços sociais e geográficos. Descobri que ainda que negra e tendo dificuldade de ocupar alguns territórios5, a cor da minha pele, por ser mais clara, me garante um trânsito social maior do que o de minhas companheiras negras retintas. Com as experiências vividas, senti o desejo de retornar à pós-graduação para o doutoramento. Aqui sigo e persigo nessa trajetória que a educação tem me proporcionado. O registro dessa história me faz ver o quanto a educação em espaços formais e não formais foi o fio condutor do que me encanta, do que partilho, e de como me constituo. Assim, o desejo de conhecer mais sobre a trajetória do ministério pastoral feminino da Igreja Metodista no Brasil, a educação teológica e a percepção das pastoras metodistas sobre a sua formação teológica e o exercício do ministério pastoral, são fruto da minha curiosidade, experiência e militância.. 5. Uso a expressão território não apenas no sentido estrito de espaço geográfico, mas também como palco das relações de poder, econômicas e simbólicas. A este respeito ler: SANTOS, M.; SILVEIRA, Maria Laura. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI – Livro viva-vira 1. Rio de Janeiro: Bestbolso, 2011; QUEIROZ, Tiago A. N. Espaço geográfico, território usado e lugar: ensaio sobre o pensamento de Milton Santos. In: Para Onde!?-Revista Eletrônica, 8 (2): 154-161, ago./dez. 2014 UFRGS, Instituto de Geociências, Programa de Pós-Graduação em Geografia, Porto Alegre, RS, Brasil. Disponível em: <http://seer.ufrgs.br/index.php/paraonde/article/view/61589/36420>. Acesso em: 12/03/2018..

(22) 21. INTRODUÇÃO. Educação e ministério pastoral são temas fundamentais na vida da pesquisadora. O desejo de refletir sobre eles conjuga sua experiência como pastora e o seu encontro com outras pastoras. A vivência institucional na Igreja Metodista gerou suspeitas e questionamentos sobre os lugares que as mulheres têm ocupado na referida igreja e a formação para o ministério pastoral. O interesse da tese centra-se nas mulheres que exercem o ministério, especialmente na formação que adquirem na Faculdade de Teologia (FATEO). A pergunta que norteou a pesquisa foi: qual a percepção das pastoras sobre a formação dada pela Faculdade de Teologia para o exercício do ministério pastoral? Assim, o objetivo geral da tese é identificar as percepções de mulheres no exercício do ministério pastoral, graduadas pela Faculdade de Teologia da Igreja Metodista, sobre a formação vivenciada na referida faculdade. Neste sentido, a tese analisa o conceito de educação teológica evidenciado no documento Diretrizes para Educação da Igreja Metodista, contidas no Plano para Vida e Missão da Igreja (PVMI); reflete sobre a atual estrutura curricular do curso de Teologia da FATEO; discorre sobre o conceito normativo de ministério pastoral, analisando as disposições regulamentares para a formação teológica e o exercício ministerial de pastores e pastoras. A hipótese de trabalho foi que a formação teológica da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista é masculinizada e masculinizante, isto é, estabelecida prioritariamente por homens e para homens. Historicamente a mulher tem ocupado um espaço de subalternidade na maioria das religiões e em vários âmbitos das igrejas cristãs (GEBARA, 2000). Nesses espaços, é notório o silenciamento das mulheres e sua ausência nos ambientes decisórios.. Elas. se. ocupam. de. funções. que. hierarquicamente. são. consideradas inferiores e, por conseguinte, menos valorizadas. Essa situação expressa a constituição de uma sociedade machista, excludente, que tem na maioria das religiões e, especialmente, nas igrejas cristãs, aliadas para legitimar e colaborar com a manutenção das desigualdades, impedindo, inclusive, que as mulheres.

(23) 22. assumam funções sacerdotais embora sejam mão de obra abundante e constante para muitas tarefas na vida da igreja. O ministério pastoral na Igreja Metodista é desempenhado por mulheres e homens que compõem a membresia clériga da Igreja. Segundo os Cânones da Igreja Metodista, um membro clérigo é “a pessoa que a Igreja Metodista reconhece chamada por Deus, dentre os seus membros, para a tarefa de edificar, equipar e aperfeiçoar a comunidade de fé, capacitando-a para o cumprimento da missão.” (IGREJA METODISTA, 2017, p.157) Embora o documento citado afirme que o ministério pastoral da referida Igreja pode ser desempenhado por mulheres e homens, é só a partir de 1970, mais de um século depois da implantação do metodismo no Brasil, que as mulheres são legalmente reconhecidas como aptas para exercer esse ministério. Para Marisa de Freitas Ferreira, primeira episcopisa metodista, eleita em 2003, mesmo que o espaço clerical feminino seja fato, ainda existem muitas dificuldades e desafios. Dentre os citados por ela, destaco: Mulheres que exercem o ministério demonstrando um sentimento excessivo de gratidão à Igreja por “lhes conceder o favor” de serem pastoras[...]. e o exercício pastoral feminino sem identidade feminina, mas impregnada de ações determinadas por uma cultura dominada pelo gênero masculino (Marisa de Freitas FERREIRA, 2005, p.146)6.. O sentimento de gratidão destacado na citação é fruto da naturalização do sacerdócio como prerrogativa masculina, que encontra eco na teologia clássica que historicamente tem sido sinônimo de teologia masculina. Para Ivone GEBARA (2000, p.220) "a teologia masculina é um discurso globalizante ancorada na masculinização das ações de Deus forjada pela cultura”. Na nossa cultura as formas de ação de Deus são espontaneamente consideradas como masculinas, mesmo aquelas que poderiam ser vistas como principalmente femininas, como é o caso das que se referem ao cuidado. O “masculino de Deus engloba o feminino, coopta-o, o faz seu. Não se trata de juízo de valor, mas de uma constatação de ordem, antes. 6. Os textos citados nesta tese que forem de autoria feminina serão identificados pelo nome, escrito em letras maiúscula e minúscula; e sobrenome da autora, escrito em maiúscula como rege a norma. Esse é um compromisso político da pesquisadora em dar visibilidade para a produção científica de autoria feminina..

(24) 23. de tudo, cultural e depois uma construção teológica. De fato, o teológico é essencialmente cultural.” (Ivone GEBARA, 2000, p.221). A partir da perspectiva de que as formas de ação de Deus são masculinas, a educação teológica e a prática pastoral, por serem identificadas como ações humanas dirigidas, inspiradas por Deus, podem ser consideradas como masculinizadas. Deus, o grande pastor, é homem, portanto, a prática pastoral é masculinizada e se constitui a partir da concepção hegemônica de masculinidade, construída pelo sujeito que não só é universal, mas que também universaliza e reforça um paradigma hegemônico. Refiro-me ao paradigma do homem, branco, eurocentrado, heterossexual, cidadão e rico. O fazer teológico de Mary DALY (1973) denuncia a imagem masculina de Deus e o quanto isso é opressor para as mulheres. A sua clássica frase “if God is male, then the male is God” (p.19)7, reverbera a necessidade de questionar o quanto as práticas masculinizadas e masculinizantes no fazer teológico e na ação pastoral fortalecem a perversa misoginia. No caso da Igreja Metodista, a principal instância educacional para a formação do ministério pastoral é a graduação em teologia pela FATEO, na Universidade Metodista de São Paulo. Por isso, a FATEO é o campo dessa pesquisa que investiga, a partir das narrativas de pastoras formadas por lá, as percepções que elas têm sobre a colaboração da formação teológica para o exercício do ministério pastoral. Inicialmente foi realizado um levantamento bibliográfico nas bibliotecas de algumas universidades e faculdades: Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), Centro Universitário Metodista IPA, Instituto Metodista Izabela Hendrix, Instituto Metodista Granbery, escolhidas por serem instituições de ensino da Igreja Metodista. Apenas duas delas possuem graduação em Teologia, o Instituto Metodista Izabela Hendrix e a UMESP, que também possui um programa de pós-graduação em ciências da religião. Além das instituições metodistas, foi feita uma pesquisa no banco de teses e dissertações do Instituto Ecumênico de Pós-graduação em Teologia da Escola Superior de Teologia (EST). A pesquisa nas bibliotecas das instituições de ensino, da Faculdade de Teologia e no banco de teses e dissertações dos programas de pós-graduação em ciências da religião e educação, demostrou um número restrito de estudos e. 7. numa tradução livre: “Se Deus é homem, então o homem é Deus”..

(25) 24. pesquisas sobre o tema. Para o levantamento foram utilizadas as seguintes palavraschave: formação teológica, educação teológica, pastora; pastora metodista; ministério feminino; ordenação feminina; mulheres metodistas. A maioria das obras encontradas estão na UMESP. A quantidade de material relevante encontrado para a tese pode ser quantificada da seguinte maneira: 02 teses; 20 dissertações; 20 monografias; 08 artigos de periódico; 25 livros; 06 folhetos; 01 analítica de obras; 02 obras de referência; arquivo digital da 61ª semana wesleyana – “Caladas na igreja? Mulheres e Igrejas nos dias de hoje: vozes das pastoras metodistas”; arquivo digital dos encontros nacionais de capacitação de mulheres (2010 a 2016); arquivo digital das aulas anuais em EAD para capacitação de mulheres, um projeto desenvolvido pela Confederação Metodista de Mulheres e o Centro Otília Chaves, da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista (2010 a 2016). Das publicações selecionadas nos bancos de pós-graduação da UMESP e da EST, apenas 01 tese e 02 dissertações incluíam as pastoras como participantes da pesquisa. São elas: - Tese de doutorado: “Altruísmo na autoimagem de pastores e pastoras metodistas”, escrita pelo professor e pastor metodista Paulo Bessa da Silva (2008) defendida na UMESP; - Dissertações de mestrado: “O carisma social nas pastoras metodistas: estudo de caso da prática pastoral em ministérios sociais realizados por um grupo de pastoras formadas no período de 1970-1990”, escrita pela professora e pastora metodista Elena Alves Silva Pinto (2002); “O ministério pastoral feminino na Igreja Metodista no Brasil”, escrita pela professora e pastora metodista Jussara Rotter Cavalheiro (1996); “Retorno às fontes para atualização dos sonhos, escrita pela professora Regina Coeli Freitas dos SANTOS (2001) para o programa de pós-graduação do Instituto Ecumênico de Pós-graduação em Teologia, da Escola Superior de Teologia. O autor da tese e as autoras das dissertações participaram da Igreja Metodista, inclusive trabalharam em Instituições Metodistas de ensino. O levantamento bibliográfico mostrou que é restrita a produção acadêmica que dá visibilidade às narrativas das pastoras metodistas e ao ministério pastoral exercido por elas. Não foi encontrado nenhum trabalho que tratasse especificamente da.

(26) 25. percepção das pastoras sobre a sua formação teológica, fato que garante à tese um protagonismo nessa perspectiva. É possível que a restrita produção acadêmica se justifique pela ausência de preocupação eclesiástica com o tema, e pelas reservas teológicas em relação à legitimidade do ministério pastoral exercido pelas mulheres. No entanto, é preciso estudar, trabalhar e lutar para que isso mude, para que o protagonismo das mulheres tenha visibilidade e as discriminações sofridas sejam eliminadas. A invisibilidade e o silenciamento das mulheres não está restrito às religiões, é algo que perpassa as instituições sociais em geral. Desde o século XX temos visto, às custas da luta de mulheres e homens, conquistas adquiridas e avanços na superação de preconceitos. Essas lutas são de extrema valia, pois descortinam o machismo e outras barreiras a serem superadas, como o racismo e a homofobia. O protagonismo das mulheres é imperativo. A presidenta Dilma Roussef, que na percepção da pesquisadora foi afastada injustamente da presidência em 2016, declarou enquanto recebia o prêmio Berta Luthz8 no dia 13 de março de 2012, que o “século XXI é o século das mulheres”, enquanto fazia alusão às políticas públicas implementadas em seu governo. Políticas necessárias devido às condições de vulnerabilidade social das mulheres que podem ser evidenciadas em muitas estatísticas. A seguir serão destacadas algumas que se referem à violência e à disparidade salarial. O Mapa da violência (WAISELFISZ, 2015) elegeu para o ano de 2015 o tema de estudo e pesquisa sobre a violência contra as mulheres, trazendo especialmente um panorama sobre o homicídio. Esta publicação mostrou o perfil de quem mais agride as mulheres: 82% das agressões a crianças do sexo feminino, de <1 a 11 anos de idade, que demandaram atendimento pelo SUS, partiram dos pais – principalmente da mãe, que concentra 42,4% das agressões. Para as adolescentes, de 12 a 17 anos de idade, o peso das agressões divide-se entre os pais (26,5%) e os parceiros ou ex-parceiros (23,2%). Para as jovens e as adultas, de 18 a 59 anos de idade, o agressor principal é o parceiro ou ex-parceiro, concentrando a metade de todos os casos registrados. Já para as idosas, o principal agressor foi um filho (34,9%). No conjunto de todas as faixas, vemos que 8. Premiação instituída pela Resolução nº 2/2001, com base em Projeto de Resolução de 1998, apresentado pela Senadora Emília Fernandes. É um diploma para agraciar mulheres que tenham oferecido relevante contribuição na defesa dos direitos da mulher no Brasil..

(27) 26. prepondera largamente a violência doméstica. Parentes imediatos ou parceiros e ex-parceiros (grafados em alaranjado, nas tabelas) são responsáveis por 67,2% do total de atendimentos (WAISELFISZ, 2015, p.48).. Quem mais agride as mulheres são os homens. A violência física é a que mais incide e as vitimiza. Veja os dados do mapa: Vemos que a violência física é, de longe, a mais frequente, presente em 48,7% dos atendimentos, com especial incidência nas etapas jovem e adulta da vida da mulher, quando chega a representar perto de 60% do total de atendimentos. Em segundo lugar, a violência psicológica, presente em 23,0% dos atendimentos em todas as etapas, principalmente da jovem em diante. Em terceiro lugar, a violência sexual, objeto de 11,9% dos atendimentos, com maior incidência entre as crianças até 11 anos de idade (29,0% dos atendimentos) e as adolescentes (24,3%). Destaque entre as crianças, a negligência/abandono por parte dos pais ou responsáveis é registrada em 28,3% dos atendimentos nessa faixa. Também entre idosas se observa elevados níveis de abandono (WAISELFISZ, 2015, 2015, p.50).. Quando se investiga como mulheres e homens morrem no Brasil, percebe-se que elas são mais violentadas do que eles:. (..) se nos homicídios masculinos prepondera largamente a utilização de arma de fogo (73,2% dos casos), nos femininos essa incidência é bem menor: 48,8%, com o concomitante aumento de estrangulamento/sufocação, cortante/ penetrante e objeto contundente, indicando maior presença de crimes de ódio ou por motivos fúteis/banais (WAISELFISZ, 2015, 2015, p.39). Os dados estatísticos mostram “que a residência é o local privilegiado de ocorrência da violência não letal, para ambos sexos; significativamente superior para o sexo feminino (71,9%), em relação ao masculino (50,4%)” (WAISELFISZ, 2015, 2015, p.50). A dissertação de mestrado de Valéria VILLHENA (2009), que analisou a violência doméstica entre as mulheres evangélicas, apontou que a religião, muitas vezes, é um instrumento que legitima a violência e as resigna a esperar em Deus uma saída, uma solução. No entanto, a pesquisadora destaca que as mulheres também podem encontrar na religião forças para superação das violências sofridas ao longo dos anos. A que tipo de religiosidade abraçamos fará uma grande diferença. Mas o que se dirá daqueles que não terão oportunidade ou real condição de avaliar a.

(28) 27. que religiosidade abraçarão diante desse “supermercado espiritual”? Ficarão à mercê da sorte? Cabe às instituições religiosas avaliarem suas agendas e refletirem com seriedade sobre violência doméstica na vida de seus fiéis. (Valéria VILHENA, 2009, p.128). No que se refere às desigualdades salariais e de oportunidades no mercado de trabalho, as estatísticas perpetuam a desvantagem das mulheres. Isto se explica por conta da divisão sexual do trabalho9 presente na sociedade. Em recente estudo intitulado “Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça – 1995 a 2015” (2017), o IPEA destaca que ainda que as mulheres tenham mais tempo de escolaridade do que os homens, elas são as que têm mais dificuldades de conseguir emprego. Afirma o estudo: As barreiras para as mulheres entrarem no mercado de trabalho se mostram presentes, apesar dos avanços das décadas passadas. Os últimos vinte anos parecem indicar que as brasileiras atingiram um “teto” de participação difícil de ser ultrapassado. Entre 1995 e 2015, a taxa de participação feminina pouco oscilou em torno dos 54-55%, não tendo jamais chegado a 60%. Isto significa que quase metade das brasileiras em idade ativa está fora do mercado de trabalho. (Natália FONTOURA; Marcela T. REZENDE; Joana MOSTAFA, 2017, p.2). Além da dificuldade do ingresso, encontram-se os desafios da permanência no trabalho, do cumprimento de uma jornada muito maior do que a dos homens (o mesmo estudo aponta que as mulheres trabalham 7,5 horas a mais do que os homens, por semana). Evidencia-se também a questão da discrepância salarial que, mesmo tendo diminuído nos últimos 10 anos, deixa ainda as mulheres em desvantagem. O estudo Mulheres e trabalho: breve análise do período 2004-2014 (IPEA, 2016) afirma:. Em 2014, as mulheres ultrapassaram pela primeira vez o patamar de 70% da renda masculina; dez anos antes esta proporção era de 63%. No entanto, as mulheres negras ainda não alcançaram 40% da renda dos homens brancos. Ou seja, apesar do movimento de aproximação dos rendimentos, é preciso destacar que este se dá de forma ainda lenta e desigual entre os grupos, não alterando de fato a estrutura das desigualdades: os homens continuam ganhando mais do que as mulheres (R$1.831 contra R$1.288, em 2014), as mulheres negras seguem sendo a base da pirâmide (R$946 reais, em 2014) e homens brancos, o topo (R$2.393 no mesmo ano). (IPEA, 2016, p.13). Daniele KERGOAT define assim a divisão sexual do trabalho: “é a forma de divisão do trabalho social decorrente das relações sociais de sexo; essa forma é historicamente adaptada a cada sociedade. Tem por características a destinação prioritária dos homens à esfera produtiva e das mulheres à esfera reprodutiva e, simultaneamente, a ocupação pelos homens das funções de forte valor social agregado (políticas, religiosas e militares, etc.)” (KERGOAT, Daniela apud Helana HIRATA, Françoise LABORIE, Hélène DOARÉ, Daniele SENOTIER, 2009, p.67). 9.

(29) 28. Como acontece na sociedade, muitas religiões, em suas estruturas e gestões patriarcais e em sua educação, reforçam o machismo e as hierarquias. Propagam discursos que afirmam a superioridade dos homens em relação às mulheres. Muitas mulheres que frequentam a igreja são vítimas de violência, muitos homens que frequentam a igreja são agressores e ocupam cargos de destaque nas instituições eclesiásticas. No que diz respeito à disparidade salarial entre homens e mulheres, isso também acontece no ministério pastoral. Na Igreja Metodista, muitas mulheres são nomeadas sem ônus para as comunidades. No caso das pastoras que são casadas com pastores, em muitas situações, essas mulheres não recebem nenhum recurso financeiro. Tendo em vista que a nomeação pastoral do seu marido é com ônus, a remuneração do trabalho da mulher fica subsumida no salário pago ao seu cônjuge. Esta remuneração passa a valer pelo exercício pastoral dos dois. São raros os casos em que as mulheres são nomeadas com ônus e os maridos pastores sem ônus. Na manutenção de tais disparidades, a função educativa da igreja por meio do discurso religioso, teológico, colabora com a naturalização e perpetuação das desigualdades. E a figura sacerdotal – no caso da Igreja Metodista e outras protestantes, o pastor e a pastora – pode ser um instrumento na manutenção destas desigualdades. Daí a necessidade de refletir e ressignificar a prática pastoral e a atuação ministerial. É preciso ter cuidado. Paulo Freire, em seu texto O papel educativo das Igrejas na América Latina, destaca a inviabilidade de pensar teologia e educação de forma separada, dicotômica. O papel das igrejas em relação à educação deve ser pensado de forma histórica, uma vez que a igreja é na história e a educação acontece nesta história. As igrejas de fato, não existem, como entidades abstratas. Elas são constituídas por mulheres e homens ‘situados’, condicionados por uma realidade concreta, econômica, política, social, cultural. São instituições inseridas na história, onde a educação também se dá. Da mesma forma, o quefazer educativo das Igrejas não pode ser compreendido fora do condicionamento da realidade concreta em que se acham (FREIRE, 1982, p.106).. Isto significa que a igreja e a educação não podem assumir condição de neutralidade diante da sociedade. Qualquer posição assumida, inclusive a de insistência na neutralidade, reflete uma posição política. É bem verdade que a laicização do Estado traz a secularização da educação, entretanto, ainda hoje, à igreja.

(30) 29. se reserva um considerável papel educativo, que influencia, inclusive, a educação secular, laica. Essa tese se insere como uma tentativa de refletir sobre esses processos educativos da igreja, tendo em mente a educação libertadora proposta por Paulo Freire. Essa produção acadêmica se une às pesquisas cujo compromisso principal foi garantir o protagonismo das mulheres – neste caso, pastoras da Igreja Metodista, tendo-as como participantes para ouvir suas vozes e dar visibilidade às suas ideias no que diz respeito à formação pastoral vivenciada na Faculdade de Teologia da referida igreja. A pesquisa para essa tese, por ser voltada para os sujeitos, foi concebida a partir de uma relação dialógica, portanto, assumiu a característica de uma pesquisa qualitativa. Isto porque trabalhou com o universo dos significados, dos motivos, das aspirações, das crenças, dos valores e das atitudes (Maria Cecília de S. MINAYO, GOMES, 2007, p.21). Tendo em vista que o principal objetivo desse trabalho é identificar as percepções de mulheres no exercício do ministério pastoral sobre a formação vivenciada na FATEO e considerando que o processo de formação é uma experiência relacional, o grupo focal foi a metodologia escolhida para atender esta demanda. A proposta dessa metodologia cria condições para que as pessoas explicitem seus pontos de vista e interajam entre si. Isto ajuda a perceber a confluência, ou não, de experiências e trajetórias das pastoras participantes na formação acadêmica teológica e no exercício do ministério pastoral, espaços historicamente e politicamente dominados por homens. A tese está organizada em quatro capítulos. O primeiro apresenta os caminhos teórico e metodológico. O caminho teórico conjuga considerações sobre os conceitos que auxiliaram as reflexões desta tese: as reflexões de Paulo Freire sobre a educação problematizadora, caracterizada como uma educação que “se funda na criatividade e estimula a reflexão e ação verdadeiras dos homens sobre a realidade” (FREIRE, 2005a, p.83); os conceitos de interseccionalidade e lugar de fala, que surgem dentre das reflexões oriundas do feminismo negro. A interseccionalidade é uma categoria cunhada na militância e intimamente relacionada à luta das mulheres negras. Essas mulheres, por meio de movimentos insurgentes, vão ressignificando seus lugares de fala para que com suas narrativas,.

(31) 30. descontruam aquelas que são historicamente hegemônicas e, portanto, perpetuam a colonização, a masculinização e o embranquecimento do saber. No terreno dos estudos teológicos, o saber colonizado, masculino embranquecido tem influenciado as reflexões teológicas, mas saberes insurgentes sempre aparecem. A Teologia Negra e a Teologia Feminista são vozes dessa insurgência. Paulo Freire, ao escrever o prefácio da edição argentina de “A black theology of liberation” de James Cone, um livro clássico da teologia negra, destaca: Dizer sua palavra, por isso mesmo, não é apenas dizer "bom-dia” ou seguir as prescrições dos que, com seu poder, comandam e exploram. Dizer a palavra é fazer história e por ela ser feito e refeito. As classes dominadas, silenciosas e esmagadas, só dizem sua palavra quando, tomando a história em suas mãos, desmontam o sistema opressor que as destrói. É na práxis revolucionária, com uma liderança vigilante e crítica, que as classes dominadas aprendem a “pronunciar” seu mundo, descobrindo, assim, as verdadeiras razões de seu silêncio anterior. (FREIRE, 1981, p.104). As teologias Feministas e Negras têm se pronunciado à medida que lutam para desconstruir conceitos aprisionadores e construir novos discursos sobre Deus e outros temas afins, na certeza de que é preciso publicizar os silêncios e os silenciamentos (Ivone GEBARA, 2000, p.35). Esta tese não se compromete em aprofundar conceitos da teologia feminista, mas em se tratando de formação teológica e tendo aparecido nas narrativas das pastoras participantes da pesquisa, faz-se mister que ela seja contemplada, encerrando o relato do caminho teórico. O registro do caminho metodológico percorrido na pesquisa compreende a descrição da metodologia grupo focal utilizada para a coleta de dados. Inspirando-se prioritariamente nas reflexões de Bernadetti A. Gatti (2005) e Maria Cecília de Souza. Minayo (2007), traçou-se considerações sobre tal metodologia. O grupo focal foi construído considerando-se a presença de 8 participantes, no entanto contou com a participação de cinco pastoras. Por conta da ausência de três mulheres, conseguiu-se, por meio de entrevista semiestruturada, colher as percepções de uma pastora que não esteve presente no dia que o grupo aconteceu. Os relatos do grupo focal e da entrevista foram analisados levando-se em conta as orientações técnicas sobre Análise de Conteúdo. Utilizou-se como referenciais teóricos para tanto, as contribuições de Laurence Bardin (1977), Roque Moraes (1999) e Sônia Gondim (2003). Os resultados das análises foram registrados no quarto capítulo..

(32) 31. O segundo capítulo apresenta o conceito de educação teológica da Igreja Metodista; registra alguns aspectos da história desta educação na Igreja Metodista; explicita, a partir das reflexões registradas nas atas dos primeiros encontros nacionais de pastoras, preocupações das pastoras e das estudantes de teologia com a educação teológica que vivenciavam na FATEO. Além disso, a fim de conhecer como tem se configurado o percurso e o curso de teologia da Igreja Metodista, esse capítulo se propõe a apresentar dados sobre a regulamentação da educação teológica pela Igreja Metodista, do curso de bacharel em teologia pelo MEC e algumas considerações sobre a estrutura curricular que a Faculdade de Teologia da Igreja Metodista tem priorizado, tornando-se assim, um capítulo descritivo do universo da educação teológica da Igreja Metodista O ministério pastoral ordenado da Igreja Metodista é o tema do terceiro capítulo, que apresenta os conceitos de ministério e pastoral, algumas considerações sobre o ministério pastoral da Igreja Metodista, a participação das mulheres no movimento de Jesus, na história da igreja cristã e no início do movimento metodista na Inglaterra. Além disso, busca-se registrar histórias dos primórdios do ministério pastoral feminino que se encontram registrados nas atas dos primeiros encontros nacionais de ministério pastoral feminino. Por fim, apresenta-se um perfil do ministério pastoral metodista, enfocando a situação eclesiástica das mulheres nomeadas na 3ª região eclesiástica, onde centram-se os sujeitos da pesquisa que fundamentaram este trabalho. O quarto capítulo foi construído a partir dos dados levantados na pesquisa de campo. Neste capítulo fez-se o registro das análises das percepções das pastoras sobre a formação teológica e o ministério pastoral, categorias que foram préselecionadas por serem os dois eixos de interesse da tese (Bernadetti A. GATTI, 2005). A partir da escuta repetitiva dos relatos, extraiu-se as unidades de significação (Laurence BARDIN, 1977) para essas categorias. As unidades para Formação Teológica foram: educação teológica; outros espaços formativos; as relações entre homens e mulheres; sobre teologia feminista. As escolhidas para a categoria Ministério Pastoral foram: conceituações sobre ministério pastoral; preconceitos e discriminações; insurgências. As considerações finais foram elaboradas levando-se em conta que se faz necessário transformar o espaço clerical e o espaço de formação teológica. É preciso.

(33) 32. construir lugares de reflexão e fomento de ações que confrontem a igreja em relação às práticas de discriminação e de rejeição das mulheres no exercício do ministério pastoral. Nesse processo de enfrentamento para o combate das discriminações, a educação pode ser um instrumento determinante para promover a consciência crítica, a emancipação humana e a transformação social..

Referências

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