Regente: Prof. Doutor Rui Maio
Orientadora: Profª. Doutora Ana Neto
Francisca Martins de Freitas | nº2013195
6º anoJunho de 2019
NOVA Medical School | Faculdade Ciências Médicas
Mestrado Integrado em
Medicina
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Índice
1-Introdução ... 2
2-Objetivos Gerais ... 2
3-Atividades desenvolvidas ... 2
3.1-Estágio de Medicina Geral e Familiar ... 3
3.2-Estágio de Pediatria ... 3
3.3-Estágio de Ginecologia e Obstetrícia ... 4
3.4-Estágio de Saúde Mental ... 4
3.5-Estágio de Medicina Interna ... 5
3.6-Estágio de Cirurgia Geral ... 6
2.7-Opcional – Estágio de Cirurgia Geral ... 7
3-Reflexão crítica ... 8
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1-Introdução
O sexto ano do Mestrado Integrado em Medicina na NOVA Medical School é um ano profissionalizante, composto por seis estágios parcelares nas áreas basilares da formação de um médico, concretamente em Medicina Geral e Familiar, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Saúde Mental, Medicina Interna e Cirurgia Geral. O presente relatório é uma tentativa de agregar a generalidade de aptidões adquiridas e vivências durante estes meses, sem esquecer a importância dos cinco anos que os precederam.
Nas últimas décadas ocorreu uma mudança significativa no ensino da medicina, a transmissão do conhecimento já não ocorre somente através do testemunho de grandes mestres. O volume do conhecimento atual e a velocidade da sua renovação exigem uma atualização constante. Nesse sentido, o trabalho realizado pelas faculdades é mais exigente que nunca, não apenas pelo conhecimento que nos fornece, apesar da relevância da mesmo ser indiscutível, mas principalmente pela necessidade de estimular o desenvolvimento de competências que nos permitam procurar a informação mais atual, relevante e fidedigna.
No decorrer deste ano, ao contactar com a realidade clínica concreta de diferentes especialidades, deparei-me com a necessidade de adaptar as abordagens e o conhecimento adquirido às necessidades e vivências próprias de cada doente. Ao acompanhar médicos e outros profissionais testemunhei uma preocupação em prestar um cuidado integrado e em grande medida baseado na melhor evidênciaexistente.
2-Objetivos Gerais
Estabeleci como objetivos gerais para o estágio profissionalizante: Cimentação dos conhecimentos teóricos apreendidos no decurso dos cinco anos anteriores e implementação prática dos mesmos; Desenvolvimento da capacidade de comunicação com o doente, a família e restantes profissionais de saúde; Aquisição de competências no auxilio à gestão de expectativas do doente e família nas várias fases da doença; Contacto com as várias fases da vida do individuo desde o nascimento, infância, doença e morte.
3-Atividades desenvolvidas
No decurso do ano letivo 2018/2019, realizei seis estágios parcelares, correspondendo a um total de 32 semanas, que compuseram o meu estágio profissionalizante. Nas páginas seguintes, irei fazer uma breve descrição dos mesmos e do ganhos clínicos e pessoais obtidos.
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3.1-Estágio de Medicina Geral e Familiar
(10 setembro a 5 outubro)O meu sexto ano iniciou-se com o estágio de Medicina Geral e Familiar, na Unidade Saúde Familiar da Cova da Piedade – ACES Almada/Seixal, sob a tutela do Dr. Pedro Pacheco e Dr.ª Marta Marquês.
No decurso das quatro semanas, contactei com utentes de vários grupos etários, tendo participado em consultas de saúde infantil e juvenil, saúde do adulto e saúde da mulher, tanto na componente médica como de enfermagem. Durante este período, tive a oportunidade de conduzir algumas consultas de seguimento e consultas de patologia aguda, que me permitiram contactar com uma grande variedade de patologias, além de me ter possibilitado constatar a elevada prevalência de patologias respiratórias e músculo-esqueléticas nos cuidados de saúde primários. Deste modo, tive a possibilidade de aprimorar a realização do exame objetivo músculo-esquelético, uma componente não muito desenvolvida nos anos precedentes. Pude também acompanhar a implementação de diferentes linhas de tratamento da dor músculo-esquelética, concretamente a recomendação da realização de exercício físico específico, a utilização de terapêutica oral e a administração de injetáveis intra-articulares. Na USF, eram realizados pequenos procedimentos cirúrgicos, deste modo, tive a possibilidade de auxiliar na execução de várias intervenções, como a remoção de quistos sebáceos e lipomas de pequenas dimensões. No decurso do estágio, participei ainda em atividades desenvolvidas pela equipa de enfermagem, como é exemplo a consulta infantil e consulta da grávida, a realização de desbridamento e visitas domiciliarias. Considero que este acompanhamento próximo, foi prolifero em ensinamentos acerca da complementaridade do trabalho realizado pelos dois grupos de profissionais de saúde, permitindo-me confirmar que a constituição de equipa médico-enfermeiro de família é uma mais valia para os cuidados que são prestados.
Participei, ainda, nas reuniões multidisciplinares da equipa da USF, tendo, em uma delas, apresentado o artigo “Corticosteroids for sore throat: a clinical practice guideline”, com o objetivo de atualização de uma das patologias mais frequentes nesta unidade. Conclui o estágio com discussão do Diário de Exercício Orientado.
3.2-Estágio de Pediatria
(8 outubro a 2 novembro)O estágio de Pediatria decorreu no Hospital Dona Estefânia, sob a tutela do Dr. Anaxore Casimiro, na Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos. Esta é uma unidade um pouco distinta dos restantes serviços do hospital, quer pelo seu funcionamento, com duas reuniões diárias com toda a equipa médica, quer devido às particularidades dos doentes internados. Nesse sentido, contactei com crianças com prognóstico reservado, condicionado por patologias bastante diversas e necessitando de intervenções de diferentes especialidades. Tal possibilitou a interação com especialistas de várias áreas de subespecialização, o que considero ter sido uma mais-valia, não apenas pelos conhecimentos científicos que me transmitiram, como também pela compreensão da necessidade de estabelecer de objetivos claros e realistas, que sejam conhecidos e aceites
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por todos os profissionais de saúde, familiares e doente. Pela raridade do contacto com estas patologias no meu percurso até então, gostaria de realçar dois casos de doentes com quadro de hemorragia subaracnoídea por malformação arteriovenosa, bastantes instrutivos pela oportunidade de interpretação de exames de imagem em contexto pediátrico e pelo acompanhamento de evoluções distintas de quadros semelhantes, devido à celeridade da intervenção inicial.
Numa tentativa de contactar com patologias mais frequentes e de menor gravidade, procurei acompanhar algumas consultas de endocrinologia pediátrica, com a Dr.ª Catarina Diamantino e participei na abordagem inicial do doente agudo, que ocorre no serviço de urgência geral pediátrica. Durante este período de estágio estive ainda presente numa sessão subordinada ao tema da anafilaxia e em consultas de imunoalergologia, e frequentei um workshop de urgência pediátrica, onde através de modelos pediátricos foram simuladas situações que requeriam intervenção rápida, como é exemplo o choque séptico. No âmbito da unidade curricular realizei, juntamente com alguns colegas, uma apresentação acerca da Estenose hipertrófica do piloro.
3.3-Estágio de Ginecologia e Obstetrícia
(5 a 30 novembro)O estágio de Ginecologia e Obstetrícia decorreu no Hospital S. Francisco Xavier, sob a tutela da Dr.ª Helena Pereira. Durante o período de quatro semanas que compuseram o estágio pude passar pelas inúmeras valências que compõem o serviço, nomeadamente consultas de ginecologia e de obstetrícia, ecografia obstétrica e ginecológica, puerpério, bloco de partos, bloco cirúrgico de ginecologia, consulta de diagnóstico pré-natal, consulta de patologia fetal e serviço de urgência. Este contacto alargado possibilitou, não só conhecer a abrangência da especialidade, como aprimorar conhecimentos específicos em cada área. Gostaria de realçar a minha presença no bloco cirúrgico de ginecologia, onde tive a oportunidade de assistir a diversos procedimentos cirúrgicos mais comummente realizados nesta área, nomeadamente laqueações tubárias, quistectomia ovárica laparoscópica, histeroscopia com polipectomia, histerectomia e anexotomia vaginal. Foi-me dada oportunidade de participar em três cirurgias, em que realizei a mobilização uterina por via vaginal, necessária para os procedimentos laparoscópicos.
No âmbito da unidade curricular apresentei o artigo “Treatment to external labia and vaginal canal with CO2 laser for symptoms of vulvovaginal atrophy in postmenopausal women”, publicado em março de
2018 no Aesthetic Surgery Journal®.
3.4-Estágio de Saúde Mental
(3 dezembro de 2018 a 11 janeiro de 2019)O estágio de Saúde Mental decorreu na clínica 6 (Polo de Sintra) do Hospital Júlio de Matos, sob a tutela da Dr.ª Cátia Moreira. Durante este período participei maioritariamente em consultas em contexto de internamento, onde pude contactar com quadros de descompensação de perturbações afetivas bipolares,
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perturbações delirantes, entre outas. Estive também presente em entrevistas familiares, o que foi muito enriquecedor para a contextualização da doença e do doente e para a gestão de expetativas em relação à vivencia de doenças, que são maioritariamente crónicas.
A tentativa de aproximação dos cuidados prestados à realidade do doente e da sua comunidade é uma mais valia na generalidade das áreas médicas, mas adquire uma relevância crucial no que diz respeito à saúde mental. Nesse sentido, participei em consultas de ambulatório numa unidade comunitária, o ETC – Espaço Terapêutico Comunitário de Vila Franca de Xira, onde contactei com doentes crónicos, perfeitamente inseridos na comunidade. Durante este período estive presente nas reuniões de serviço e também nas reuniões com a equipa comunitária (CINTRA – Centro Integrado de Tratamento e Reabilitação em Ambulatório), onde fiquei a conhecer as várias ferramentas usadas para fornecer um cuidado mais integrado, concretamente o Programa Assertivo. Este programa tem como propósito assegurar a continuidade de cuidados a pessoas com doença mental grave, ajudando-as a manter a adesão ao tratamento, reforçando a relação com as figuras de referência e auxiliando na procura de resposta às necessidades de adaptação à comunidade, sendo criado um projeto individualizado de acordo com as necessidades identificadas no contexto sociofamiliar e comunitário.
Este estágio incluiu ainda um componente teórico-prático constituído por duas aulas lecionadas pelo Prof. Doutor Miguel Xavier e Prof. Doutor Pedro Mateus, que incidiu sobre a gestão de doentes com patologias do foro da saúde mental no serviço de urgência geral e sobre o estigma da saúde mental. Participei, ainda, em duas sessões organizadas pelo Dr. Pedro Rodrigues que visaram a integração dos conhecimentos teóricos com a resolução de casos clínicos, adaptados à prova nacional de acesso à formação específica.
3.5-Estágio de Medicina Interna
(21 janeiro a 15 março 2019)O estágio de Medicina Interna decorreu no Hospital de Santa Marta, sob a orientação da Dr.ª Rita Barata Moura. Este foi passado maioritariamente na enfermaria do serviço, onde através de autonomia tutorada acompanhei um ou dois doentes por dia, redigindo diários clínicos, notas de entrada e de alta, lidando principalmente com doentes idosos com patologia respiratória e cardiovascular – vide anexo 2. No final de cada manhã, em reunião com os restantes elementos da equipa médica, discutia possíveis diagnósticos, exames complementares necessários para o esclarecimento de dúvidas e era traçado um plano terapêutico. Tive ainda oportunidade de aprimorar a realização de exame objetivo minucioso e também de realizar inúmeras colheitas de sangue arterial, punções venosas e eletrocardiogramas. Durante este período acompanhei a gestão do doente nas várias componentes que compoem o seu internamento hospitalar, no que diz respeito a enfermagem, fisioterapia, serviço social, cuidados paliativos, entre outros. Foi também neste estágio que pela primeira vez acompanhei os procedimentos médicos de certificação de óbito.
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Semanalmente estive presente nas sessões e reuniões clínicas, onde apresentei casos clínicos de inúmeros doentes, cConsidero que estes foram momentos de grande aprendizagem devido à necessidade de estruturação do pensamento clínico e argumentação de opções terapêuticas. Participei também no serviço de urgência, em que destaco a possibilidade de acompanhar o doente deste a abordagem inicial até à alta, encaminhamento para o internamento ou observação por outra especialidade.
Para finalizar o estágio, apresentei, juntamente com algumas colegas, uma sessão com o tema “Clostridium difficile”, onde expusemos a casuística do serviço e realizamos uma atualização das normas atuais.
3.6-Estágio de Cirurgia Geral
(18 março a 17 maio)O estágio de Cirurgia Geral decorreu no Hospital Beatriz Ângelo, sob a tutela do Dr. Diogo Albergaria. Este período de estágio foi constituído por uma semana de sessões teórico-práticas, uma semana no serviço de urgência, quatro semanas no serviço de Cirurgia Geral e duas semanas de estágio numa opcional à escolha; no meu caso, Anestesiologia.
Durante o período no serviço de Anestesiologia, contactei com vertentes até então por mim pouco exploradas. Além do bloco operatório, onde pude executar algumas técnicas (como colocação de máscara laríngea, ventilação mecânica e colocação de acessos periféricos), tive oportunidade de acompanhar os procedimentos realizados na unidade de técnicas gastroenterológicas, na unidade de pós-operatório imediato e também na unidade de procedimentos de eletroconvulsivoterapia. No serviço de urgência, gostaria de realçar como principais aprendizagens a estratificação de hipóteses diagnósticas e a instituição de uma marcha diagnóstica dirigida a doente urgente. Concretamente, através da gestão do doente na Via Verde AVC e de doentes com quadro paliativo-oncológico. Durante essa semana pude também praticar técnicas de sutura e abordagem do doente de pequeno trauma.
No serviço de Cirurgia Geral, contactei, em grande parte, com doentes com patologia gastrointestinal e da parede abdominal. Estive presente em 12 intervenções cirúrgicas, tendo participado em duas delas como segundo ajudante. Acompanhei ainda as consultas de cirurgia geral, onde são recebidos maioritariamente doentes encaminhados pelo médico assistente por patologia da parede abdominal ou doentes com suspeita de patologia oncológica abdominal. Nesse período, aprofundei a anamnese cirúrgica com primazia do exame objetivo abdominal. Tive também contacto com os processos necessários para realização de cirurgia, desde os exames pré-operatórios, o consentimento informado e o tempo de espera expectável. Na enfermaria, contactei maioritariamente com doentes no pós-operatório imediato e com doentes reinternados devido a complicações da doença oncológica ou da intervenção cirúrgica. Neste estágio, participei ainda no curso TEAM – Trauma Evaluation and Management, organizado pelo ATLS
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Portugal – vide anexo 3.1; apresentei no minicongresso um trabalho acerca da síndrome Lemierre, uma apresentação grave, mas felizmente rara de uma infeção com origem na cavidade oral.
2.7-Opcional – Estágio de Cirurgia Geral no Brasil
(agosto de 2018)Realizei um estágio ao abrigo do programa IFMSA – International Federation of Medical Students Associations – vide anexo 3.2, no Serviço de Cirurgia Geral do Hospital Municipal São José, na cidade de Joinville, estado de Santa Catarina. Este é um hospital público terciário, com uma grande componente de ensino. Sob a direção do Dr. Murilo Pilatti, realizei as funções inerentes a um aluno do sexto ano dessa instituição.
Estabeleci como objetivos para este estágio o contacto próximo com a realidade da especialidade, reforçando a componente prática; o conhecimento da realidade do sistema de saúde brasileiro e do conhecimento do internato medico especializado do país, no que diz respeito à sua organização, ao seu funcionamento prático e a qualidade de formação que apresenta.
No serviço de urgência, encontrei um grande número de politraumatizados, principalmente por acidentes de viação, tendo tido oportunidade de realizar a avaliação inicial, a gestão do doente e a sutura de pequenas lesões superficiais. Na enfermaria, acompanhei a gestão diária dos doentes, fazendo atualização das vigilâncias, escrevendo diários e acompanhando as visitas realizadas pelos especialistas. Semanalmente, apresentava, juntamente com os colegas do sexto ano, os casos dos doentes mais complicados, para conhecimento e posterior discussão por todos os elementos da equipa clínica. Na consulta externa, era realizada a triagem dos doentes encaminhados pelos serviços de atendimento básico, tendo encontrado um grande número de patologia da parede abdominal. No bloco operatório, participei principalmente em intervenções programadas, de destacar colecistectomias e herniorrafias inguinais.
Na sua generalidade, os meus objetivos foram alcançados, tendo-me sido dada a oportunidade de realizar procedimentos e estabelecer a abordagem de doentes. No que diz respeito ao sistema de saúde (Sistema Único de Saúde), este é um sistema gratuito que está ao alcance de qualquer cidadão. Uma vez que este é um serviço que abrange um grande grupo populacional, numa extensa área geográfica, a sua eficiência e viabilidade não é a desejável, no que diz respeito aos serviços que fornece em locais mais remotos. O local onde realizei estágio encontra-se numa região com um poder socioeconómico superior à média do país, tenho por isso consciência que os serviços prestados, apesar de comparáveis a Portugal, não refletem a generalidade do Brasil. No que diz respeito ao internato médico, consegui contactar com um grande número de internos da especialidade de cirurgia geral, tendo-me sido possível conhecer a realidade da formação desta especialidade e as opções de carreira.
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3-Reflexão crítica
Terminando agora o 6º ano do mestrado integrado em Medicina é momento de fazer uma apreciação retrospetiva do meu percurso. No início deste ano, tinha expectativas elevadas acerca do crescimento que alcançaria, no que diz respeito à integração dos conhecimentos práticos, capacidade de gestão de doentes, familiares e restantes profissionais e também no aperfeiçoamento da comunicação. Considero que, em grande medida, essas expectativas foram alcançadas.
A estudante de medicina que eu era no final do quinto ano é muito distinta da pessoa que agora se encontra prestes a terminar o sexto ano. Cada estágio ao longo deste ano influenciou em alguma medida a minha evolução. O estágio de Medicina Geral e Familiar, tendo sido o primeiro, foi o modo ideal de conquistar um pouco mais de confiança na minha forma de conduzir consultas, de integrar a informação verbal e não-verbal que cada doente fornece, com os conhecimentos que adquiridos ao longo dos anos, para que no fim fosse possível chegar a um diagnóstico e traçar um plano. Foi também neste estágio que se tornou mais percetíveis os benefícios de uma relação forte e bem construída entre médico e enfermeiro, para um trabalho centrado no doente. Em Pediatria, o contacto próximo com doentes com patologias graves, possibilitou uma maior familiaridade com os procedimentos de “dar más notícias” tanto a crianças como a pais e permitiu também o desenvolvimento de mecanismos de gestão de expectativas, um dos meus objetivos. A necessidade de lidar com a morte em idade pediátrica, situação felizmente rara, foi para mim circunstância de grande aprendizagem. Os benefícios de um acompanhamento longitudinal, através de uma ação próxima e inserida na comunidade foram para mim identificados na prática através do estágio de
Psiquiatria. O estágio de Medicina Interna foi sem dúvida o mais enriquecedor. A abertura que senti em ser
um elemento válido da equipa, deveu-se à disponibilidade dos vários elementos para discutir cada caso, com grande enfase no estabelecimento de objetivos adaptados à realidade de cada doente, ponderando não só a componente clínica, como também psicológica e social. Foi-me também incutida a necessidade de uma boa comunicação entre as diferentes especialidades e a necessidade de confirmação e validação de intervenções entre pares. O contacto com a componente de prática cirúrgica é algo que destaco tanto no estágio de
Cirurgia Geral como de Ginecologia e Obstetrícia. Apesar desses momentos, durante o estágio parcelar,
terem sido em número inferior às minhas expectativas, considero que o estágio internacional me permitiu colmatar possíveis défices nesta área. Constatei a extrema importância de aprender a lidar com o insucesso, com o erro, com a evolução desfavorável de um plano terapêutico. “O erro está intrinsecamente ligado à natureza humana e não poderá nunca ser abolido, isto é, os erros são inevitáveis.”1 Foi-me incutida a
importância da sistematização e posterior avaliação, para a melhoria de cada procedimento.
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Na conclusão deste ano tenho ainda mais certeza da grande importância social inerente à profissão do médico. Esta escolha de vida é mais do que uma profissão para ser exercida entre portas; é uma escolha que não se extingue nas tarefas profissionais quotidianas; o conhecimento a ser adquirido e as oportunidades para fazer mais e melhor são uma constante. Esta perceção é, para mim, fonte de alguma inquietação, mas foi também motivação para, que durante destes anos, tenha frequentado diversas formações e atividades, na tentativa de colmatar falhas em áreas que considerei pertinentes– vide anexos 3 e 4. No verão de 2017, durante o mês de agosto, vivi numa comunidade em São Tomé e Príncipe, juntamente com o restante grupo de voluntariado do projeto SABI, para conhecer um pouco outra realidade e concretizar, através de exemplos reais, a influência da educação e do serviço no desenvolvimento de uma sociedade - vide anexo 4.2. Esta experiência, juntamente com o período que passei em estágio no Brasil, deram-me a consciência de que a realidade médica e científica com a qual lidamos diariamente não é extensível a todo o mundo de modo uniforme. O médico ao estar inserido numa sociedade é responsável pelo desenvolvimento da mesma, de forma a que o desenvolvimento científico vá ao encontro das necessidades da população, respeitando a sua história e valores. Deste modo, reconheço que o papel efetivo de um médico requer esforço e compromisso. É de extrema importância, para mim, que as decisões que tome, no decurso da vida profissional, não sejam somente válidas cientificamente, mas que também sejam de possíveis ser implementadas e que correspondam à realidade de cada doente e comunidade.
Ao terminar deste estágio profissionalizante, considero que me foi incutida a importância de gerir as expectativas do doente, da família e dos próprios profissionais de saúde. Contactei com doentes nas várias fases da vida, nomeadamente com a inevitabilidade da morte, com que tive pouco contacto nos anos precedentes. Aprendi, maioritariamente por observação, que o papel do médico não se esgota quando se extinguem as opções terapêuticas. Deste modo, estou consciente do poder e responsabilidade que tenho nas mãos.
Concluo agradecendo aos médicos e restantes profissionais de saúde com quem contactei, com um particular realce para aqueles que me serviram de modelo, enquanto profissionais e membros interventivos na sociedade. Agradeço também aos meus familiares e amigos que nunca permitiram que desviasse a atenção do que realmente importa, a consciência de que os doentes a meu cuidado, antes de estarem numa circunstância vulnerável, são pessoas com sonhos, objetivos e relações, como todos nóss. Por fim, agradeço aos doentes que tiveram a amabilidade de permitir que eu crescesse e aprendesse através deles.
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4-Anexos
Anexo 1 – Cronograma dos estágios
Anexo 2 – Patologias observadas no estágio Medicina Interna
Anexo 3 – Atividades complementares do ano letivo 2018/2019
Anexo 3.1 – Certificado de participação no curso TEAM
Anexo 3.2 – Certificado de realização intercâmbio clínico em Cirurgia Geral, Hospital Municipal São José, Joinville, Brasil
Anexo 3.3 – Certificado de participação no congresso “1st Portuguese Symposium on Research and Innovations in Urology”
Anexo 3.4 – Certificado de participação no congresso “VI Jornadas de Angiologia e Cirurgia Vascular dos Hospitais CUF”
Anexo 3.5 – Certificado de participação no congresso “Otoneurologia em MGF”
Anexo 3.6 – Certificado de participação na palestra “Gestão de Saúde | Value Based Healthcare” Anexo 3.7 – Certificado de participação “8ª Reunião de Imunoalergologia de Lisboa”
Anexo 4 – Atividades complementares dos anos letivos precedentes
Anexo 4.1 – Certificado de realização de estágio observacional em Medicina Geral e Familiar integrado nos CEMEF´s – Curtos Estágios Médicos em Férias
Anexo 4.2 – Certificado de participação no projeto de voluntariado internacional Projeto SABI – Associação Navegar
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Anexo 1 – Cronograma dos estágios
Estágio Parcelar Data de Realização Unidade de Saúde
Medicina Geral e Familiar
10/09/2018 05/10/2018
USF – Cova da Piedade – ACES Almada/Seixal
Pediatria
08/10/2018
02/11/2018 Hospital Dona Estefânia – UCIP
Ginecologia e Obstetrícia
05/11/2018
30/11/2018 Hospital São Francisco Xavier
Saúde Mental
03/12/2018 11/01/2019
Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa – Clínica 6
Medicina Interna
21/01/2019
15/03/2019 Hospital Santa Marta
Cirurgia Geral
18/03/2019
17/05/2019 Hospital Beatriz Ângelo
Anexo 2 – Patologias observadas no estágio Medicina Interna
1 1 1 1 1 2 3 6 8 8 0 2 4 6 8 10 Urinário Renal Musculo-esquelético Hematologia Endócrino Dermatológico SNC Neoplásico Respiratório Cardiovascular Número de Doentes Pato lo gi a
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Anexo 3 – Atividades complementares do ano letivo 2018/2019
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Anexo 3.2 – Certificado de realização intercâmbio clínico em Cirurgia Geral, Hospital Municipal São José, Joinville, Brasil
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Anexo 3.3 – Certificado de participação no congresso “Otoneurologia em MGF”
Anexo 3.4 – Certificado de participação no congresso “VI Jornadas de Angiologia e Cirurgia Vascular dos
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Anexo 3.5 – Certificado de participação no congresso “1st Portuguese Symposium on Research and
Innovations in Urology”
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Anexo 4 – Atividades complementares dos anos letivos precedentes
Anexo 4.1 – Certificado de realização de estágio observacional em Medicina Geral e Familiar integrado nos CEMEF´s – Curtos Estágios Médicos em Férias
Anexo 4.2 – Certificado de participação no projeto de voluntariado internacional Projeto SABI – Associação Navegar